Elio Gaspari na Folha de hoje:

NOVO AVISO
Em 2010, quando a urucubaca do mensalão reaparecer com roupa e nome novos, virá embrulhada nas bandeiras de algumas centrais sindicais. Na hora em que um conselheiro do BNDES é detido num arrastão da Polícia Federal no combate ao desenvolvimento do lenocínio e à prostituição de empréstimos, os orixás avisam: vai trovoar. O doutor Ricardo Tosto chegou ao conselho do banco seguindo uma norma inaugurada pelo tucanato, que distribuiu algumas de suas cadeiras às centrais sindicais. Tosto foi indicado a Nosso Guia pela Força Sindical.
Lula talvez não saiba, mas o conselho do velho e bom BNDES é o lugar de servidores públicos cujas carreiras confundem-se com a história da indústria brasileira. No passado, Cleantho de Paiva Leite, hoje, João Paulo dos Reis Velloso.

Revista Veja, edição de 1998:

“Briga pela massa

Como o Planalto penetra nos movimentos populares para superar a hegemonia do PT

Na semana passada, encerrando a primeira bateria de programas eleitorais na televisão, o presidente Fernando Henrique estava satisfeito. Na manhã de sexta-feira, num ato que reuniu 600 sindicalistas em Brasília, o presidente colheu a consagração pública de uma tática que, desde a posse, vem implementando com discrição e intensidade: penetrar nos movimentos de massa, sejam quais forem, para romper a hegemonia do PT e outros partidos de esquerda nessa área. Na manifestação, organizada por três centrais sindicais, o presidente prometeu combate sem tréguas ao desemprego, lembrou sua participação em greves, nos idos dos anos 50, e ganhou aplausos e gritos de “um, dois, três, Fernando Henrique outra vez”. As três centrais, que juntas representam 2.300 sindicatos, não dão o tom do movimento sindical nem têm o poder de fogo da maior central do país, a CUT, ligada ao PT e que, sozinha, reúne 2.700 entidades. Mas o encontro é um exemplo de que, em três anos e meio, o Palácio do Planalto se empenhou em influir numa área que, por tradição e afinidade, sempre foi reduto da esquerda. E levou quase a metade do bolo na tentativa.

“Nunca fomos tão bem tratados como neste governo. Com Fernando Henrique, é uma relação mais direta”, diz Paulo Pereira da Silva, do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e membro da Força Sindical, a central criada por Luiz Antônio de Medeiros, hoje candidato a deputado pelo PFL. A relação é tão direta que, nos telefonemas que trocam com alguma freqüência, o presidente saúda Paulinho, como é conhecido o sindicalista, assim: “Ei, peão!””

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