Perdendo uma grande oportunidade de aprender com o que ocorre no país vizinho, o Brasil proibiu ontem a exportação de arroz, devido ao aumento mundial de preços. Isso, na prática, equivale a aumentar a oferta interna, para segurar os preços. Até acredito, como diz a matéria, que estivesse havendo algum movimento especulativo por parte dos produtores, mas suponho que se o governo tivesse estoques reguladores adequados medida tão drástica não precisaria ser tomada.

Com isso, não só se cria fazendeiros bastante infelizes, como se passa a informação errada para o mercado _ se os preços maiores poderiam incentivar o aumento da área cultivada, consequentemente da produção, e adiante menores preços, o que se faz é justamente desincentivar o aumento da área plantada e possivelmente a conversão dos atuais cultivos para outros produtos não afetados pelo embargo.

Todos os meus 4,5 contumazes leitores sabem que eu sou a favor de um maior arejamento da política econômica brasileira, pela introdução de alguns elementos heterodoxos que desagradam aos fundamentalistas de mercado. Mas com um repertório heterodoxo deste tipo eu acabo tendo que apoiar mesmo é o aumento dos juros pelo COPOM…

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UPDATE:

O governo volta atrás.  “Foi tudo um mal entendido”…

O ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) disse nesta quinta-feira que o país só adotará medidas para restringir a exportação de arroz em “casos extremos”. De acordo com ele, este limite ainda não foi atingido. Pouco antes, o presidente da Comissão Setorial de Arroz da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Francisco Schardong, disse que o anúncio de ontem fora um “mal-entendido”.

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