No Pharyngula (e vários outros blogs), uma notícia interessante: um experimento natural feito em ilhas da ex-iugoslávia mostrou o processo de seleção natural agindo, e com uma rapidez impressionante _ cerca de 30 gerações somente.

A história é a seguinte: em 1971, pesquisadores capturaram dez espécimes (cinco machos, cinco fêmeas) de um tipo de lagarto em uma ilha da então Iugoslávia, no Adriático, e os transportaram para uma outra ilha ainda menor.  Nessa outra ilha existia um outro tipo de lagarto.

36 anos depois, uma equipe voltou à ilha.  Descobriu que a espécie original que habitava a ilha estava extinta, mas em compensação, os descendentes dos lagartos introduzidos tiveram amplo sucesso.  O principal motivo desse sucesso foi terem alterado sua dieta: passaram de uma dieta basicamente insetívora para outra que contemplava grande percentual de matéria vegetal.

Dado que a digestão de vegetais não é algo fácil para nenhum animal e requer adaptações muito especiais, os pesquisadores foram atrás de saber o que havia mudado nos lagartos.  E descobriram que de fato eles haviam desenvolvido, neste curto espaço de tempo, modificações ponderáveis na sua anatomia e até mesmo no seu comportamento.  Mas a mais espetacular delas foi o desenvolvimento de características especiais no intestino que operavam no sentido de tornar mais lento o processo digestivo, dando tempo a que bactérias quebrassem a celulose do bolo fecal vegetal, permitindo assim a extração dos nutrientes pelos lagartos.

É, digamos assim, a evolução apanhada em flagrante, com a boca na botija.  Não que seja a primeira vez que lagartos mostram essa capacidade.

Esperamos agora pelo experimento criacionista equivalente, que é detonar uma bomba de neutrons em uma dessas ilhas e esperar pra ver se os lagartos aparecem de novo…

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