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O meu guia de viagens predileto é o Guia do Mochileiro das Galáxias.

O meu segundo guia predileto é o Let´s Go.

Eu nunca usei, acho, o Lonely Planet, vítima de um escândalo do qual a Lucia Malla fala neste post.

Ela cita um comentário de um tal de Jeffrey White, com o qual ela concorda, e eu também:

Guidebooks are the CliffNotes of travel writing, nothing more than a hand-holding exercise. They’re good for a few names and a few addresses, some initial info, and maybe even the surprising fun fact (but you better verify it). Beyond that, they’re useless. They’re often wrong, more often skewed, and they seek to rob you of the only thing you have as a traveler: your impression.”

Lucia acrescenta ainda que

Uma coisa é você buscar nomes, endereços e afins – para isso, um guia de viagem atualizado funciona maravilhas, você não perde tempo procurando um restaurante que fechou as portas no ano passado. As tecnicalidades e atualidades físicas são a riqueza maior de um bom guia de viagem. Entretanto, me fixar num guia fielmente esperando ter as mesmas emoções ali descritas sobre um destino é de um vazio existencial para a minha pessoa impressionante.

Com o que também concordo em gênero, número e grau.

Não obstante, a vida seria dura sem guias de viagem.  Em 1988 eu desci o Rio São Francisco de barco, em um navio (que não era o gaiola, era um comboio de chatas de carga e navio de passageiro chamado barranqueira) da CODEVASF (me disseram que a empresa já não opera essa embarcação, mas eu achei um treco bem parecido no porto de Pirapora via Google Earth).  Eu sabia que a viagem existia, mas não conseguia obter informação em nenhum lugar (naquele tempo, é claro, via telefone, pois não existia internet…).  Onde é que eu fui obter as informações?  Em um guia americano (não me lembro bem qual, era capaz de ser um Fromerzinho da vida).  E pasmem, até o raio do preço em dólar estava certo!

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No Pharyngula (e vários outros blogs), uma notícia interessante: um experimento natural feito em ilhas da ex-iugoslávia mostrou o processo de seleção natural agindo, e com uma rapidez impressionante _ cerca de 30 gerações somente.

A história é a seguinte: em 1971, pesquisadores capturaram dez espécimes (cinco machos, cinco fêmeas) de um tipo de lagarto em uma ilha da então Iugoslávia, no Adriático, e os transportaram para uma outra ilha ainda menor.  Nessa outra ilha existia um outro tipo de lagarto.

36 anos depois, uma equipe voltou à ilha.  Descobriu que a espécie original que habitava a ilha estava extinta, mas em compensação, os descendentes dos lagartos introduzidos tiveram amplo sucesso.  O principal motivo desse sucesso foi terem alterado sua dieta: passaram de uma dieta basicamente insetívora para outra que contemplava grande percentual de matéria vegetal.

Dado que a digestão de vegetais não é algo fácil para nenhum animal e requer adaptações muito especiais, os pesquisadores foram atrás de saber o que havia mudado nos lagartos.  E descobriram que de fato eles haviam desenvolvido, neste curto espaço de tempo, modificações ponderáveis na sua anatomia e até mesmo no seu comportamento.  Mas a mais espetacular delas foi o desenvolvimento de características especiais no intestino que operavam no sentido de tornar mais lento o processo digestivo, dando tempo a que bactérias quebrassem a celulose do bolo fecal vegetal, permitindo assim a extração dos nutrientes pelos lagartos.

É, digamos assim, a evolução apanhada em flagrante, com a boca na botija.  Não que seja a primeira vez que lagartos mostram essa capacidade.

Esperamos agora pelo experimento criacionista equivalente, que é detonar uma bomba de neutrons em uma dessas ilhas e esperar pra ver se os lagartos aparecem de novo…

Do engarrafamento como um estilo de vida

Deu no UOL:

Frota de veículos em São Paulo cresce acima da média em março e amplia o “nó” do trânsito na maior cidade do país

Cidade ganhou mais de 48 mil novos veículos no mês, uma alta de 64% em relação à média mensal de crescimento de 2007

Após atingir a marca histórica de 6 milhões de veículos em fevereiro, a frota de São Paulo cresceu acima da média no mês de março: dados recém-divulgados pelo Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito) mostram que 48.571 novos veículos foram emplacados na capital paulista em março, contra os 29.902 em fevereiro e 26.722 em janeiro.

É o maior crescimento de veículos na frota registrado em um mês, analisando-se o período entre janeiro de 2007 até agora. A frota de veículos novos que saiu às ruas em março é 64% maior do que a média mensal de crescimento em todo o ano de 2007, que foi de 29.035 veículos novos ao mês.

Deepest Green

The Voluntary Human Extinction Movement.


Third Rome from the sun

Entre todos os lugares, este seria o último onde a gente iria imaginar a volta da união entre Igreja e Estado…

Coisas que eu esperava ler apenas a partir de 2010 estão vindo para o forno agora.  Tio Rei, hoje:

Eu lamento a presença do sr Orestes Quércia em qualquer aliança — de fato, lamento a sua permanência na política. Mas eu posso fazê-lo o quanto quiser; os ressentidos com a aliança que ele está fechando com o DEM só porque não conseguiram eles próprios o acordo têm de ficar caladinhos. Neste momento, se a reunião ainda não acabou, os petistas estão tentando fazer o ex-governador mudar de idéia e apoiar Marta Suplicy. E, nesse caso, dariam a Quercia o atestado de homem ético.

Tio Rei, em março deste ano:

PT, Quércia e o PUN

Ai, ai… Em 1992, eu era editor-adjunto de política da Folha, e uma das tarefas árduas era impedir — e acho que conseguíamos — que o jornal de transformasse em instrumento dos petistas para “fazer política” contra o seu grande adversário de então, Orestes Quércia. Na linha de frente do ataque, ninguém menos do que José Dirceu. Sim, é normal que oposicionistas “vazem” documentos e façam denúncias contra o partido que está no poder. Ao jornalismo cumpre distinguir a notícia da pura plantação. Acreditem: contra o petismo de então, até Quércia conseguia, às vezes, ser inocente. Agora, leiam abaixo, o PT quer fazer um “negócio” com o ex-governador que se estende até 2010. Nada mal! Em pouco mais de dez anos, a legenda se tornasse o ponto de encontro de adversários históricos como Paulo Maluf e Orestes Quércia. Se depender do PSDB e do PT mineiros, essa conciliação fica ainda mais ampla. Artes do Partido Único, o PUN.”

Tio Rei, em 2006:

A coligação Mercadante-Quércia

Proibido pela Justiça Eleitoral de fazer chicana com o que o adversário tucano não disse, a propaganda de Aloizio Mercadante deu uma murchada. Restou-lhe colar, de novo, no presidente Lula, que, enquanto candidato, pediu a quem vota nele em São Paulo que também vote no senador. Depois Mercadante fez o elenco de suas propostas para as saúde. Quem conhece a área sabe disso: prometeu um monte de coisa que já está em curso. E arrumou uma “história humana” para contar. Quando ele não pode ser doloso, sua campanha fica de pé quebrado. Houve um flash de um comício. Era o de Osasco. Aquele promovido pelo mensaleiro João Paulo Cunha. Serra deu seqüência à linha propositiva, falando de educação, com destaque para as duas professoras no primeiro ano do ensino fundamental, programa que implementou na capital. Para quem está na frente e vence no primeiro turno — à diferença de Geraldo Alckmin —, é a opção correta. E, ainda assim, há um apresentador que faz uma crítica indireta, mas clara, aos programas de Mercadante e Quércia. Reitero: é preciso ir monitorando o efeito da campanha negativa que os dois promovem. Quem lidera não entra em bate-boca. Quem ainda não tem altura precisa chutar a canela. Simples e óbvio. Quércia, coligado com o PP, está disposto a ganhar o eleitorado malufista com um discurso duro sobre segurança, dando murrinhos na mesa e fazendo cara de malvado, de bravo, de sério. Talvez atraia mais indecisos do que Mercadante. De todo modo, uma coisa é óbvia: os dois se uniram num pacto branco contra Serra.
***
Em outras palavras, Reinaldo Azevedo, o homem que defende a ética na política, não vê nada a objetar na aliança de seu candidato do coração, o Prefeito Kassab, com Orestes Quércia, porque se Quércia tivesse escolhido o PT os petistas lhe estariam dando a chancela de homem ético.
Muito lógico.
Deve ser por isso que seu último post até agora dedica-se a falar longamente sobre o jogo de alianças em São Paulo sem jamais abordar o fato singelo de que o PFL DEM está fazendo aquilo que sempre fez, que foi aliar-se com Deus e o Diabo para chegar ao poder _ justamente o que se critica no PT.
O argumento anaeróbico quanto a isso sempre foi o de que não devemos justificar erros do passado com novos erros.  Yep.

Um livro didático de fazer Tio Rei babar na gravata.

Speaks volumes

O “dernier cri” da moda parisiense, hoje, é um restaurante que serve vinho em mamadeiras.

Algo me diz que os franceses estão querendo passar alguma mensagem aos turistas…

O estrago ia ser bem maior

Deu no Correio Braziliense:

Airbus entrega 13 aeronaves com 800 lugares na América Latina

A TAM é, entre as empresas aéreas brasileiras, a mais forte candidata a operar um Airbus-A380, o gigante com capacidade para até 800 passageiros e longos percursos. Para a Airbus, isso pode ocorrer a partir de 2010. A fabricante entrega 13 A380 neste ano, todos fora da América Latina. O presidente da TAM, David Barioni, já havia mencionado em dezembro do ano passado, durante vôos demonstração do Airbus-A380, que a empresa estudava adquirir o modelo. A TAM detém 68,88% do market de vôos internacionais, segundo dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) de março.

Com os 13 A380 que a Airbus deve entregar neste ano a companhia terá em operação 16 unidades do modelo. Atualmente a Singapore Airlines opera três unidades como essas, e deve receber mais uma neste ano, além da australiana Qantas e da Emirates.

A Airbus tem 196 A380 encomendados por 17 empresas, nenhuma brasileira. De acordo com a companhia, o Brasil precisará de 332 aviões até 2026, “(sendo oito A380)“:.

Segundo Rafael Alonso, vice-presidente da empresa para a América Latina e Caribe, a crescente demanda por aviões no Brasil é conseqüência do incremento do tráfego aéreo de passageiros. Segundo a empresa, desde os anos 90 o tráfego internacional brasileiro mais que dobrou, enquanto o movimento doméstico, cresceu 77%.”

***

Desde que não pousem em Congonhas…tudo bem.

“Ora vejam só.  O post é antigo, mas eu não conhecia:

Serviço público: os baixos salários dos mais capacitados

A botocúndia petista é mesmo de amargar. Diz agora que aprovo a elevação dos salários do secretariado do governo de São Paulo porque a medida conta com o apoio do tucano José Serra. É impressionante! Já devo ter escrito umas duas dezenas de textos — desde Primeira Leitura — apontando o ridículo da remuneração do serviço público especializado no Brasil. Em todas as áreas. Há alguns marajás que conseguem liminares na Justiça e acabam recebendo supersalários. Mas, na média, o serviço público paga mal às categorias de ponta.

De quanto será o salário de um secretário em São Paulo? R$ 11.885 brutos. O valor líquido deve ser algo em torno de R$ 9 mil. Médico, engenheiros, arquitetos, administradores ou jornalistas bem-sucedidos ganham bem mais do que isso na iniciativa privada. Chamo de “bem-sucedida” gente de qualidade, disputada pelo mercado de trabalho, com experiência para exercer postos de comando — que é o caso de um secretário. Hoje, ele recebe em torno de R$ 5 mil — abaixo de um editor assistente de jornal, inferior ao ganho de muitos redatores experientes.

O que se diz aqui vale também para a União, onde a realidade é ainda pior. Um ministro tem um salário líquido de uns R$ 6 mil. Ridículo. Waldir Pires reclamou outro dia. Ele não seria mais competente se ganhasse o quádruplo, mas que o valor é irrisório, lá isso é. Secretários-executivos, os que realmente fazem funcionar a máquina, ganham ainda menos. O porta-voz de Lula, André Singer, tem vencimento inferior a ministro. Receberia mais na universidade, de onde se afastou.

Se os funcionários de ponta recebem muito menos do que paga o mercado aos competentes, no outro extremo, o dos salários mais baixos, tem-se o inverso. Não é preciso ser um gênio da administração de pessoal para perceber que a lógica está invertida. Ela acaba privilegiando, digamos, mais o aspecto social do que o funcional. Só que este “social” diz mais respeito à corporação do que ao conjunto da sociedade. Note-se ainda que, à diferença dos deputados, senadores, presidente da República e até governadores de Estado, estes secretários e funcionários especializados não têm qualquer regalia especial: 13 salários e só. Em alguns casos, dispõem de carro oficial com gasolina garantida. Mas não muito mais do que isso.

O que queremos?
Queremos serviços competentes, gente dedicada ao trabalho? É preciso pagar. Eu já disse e repito: duvido da realidade salarial de alguns nomões que estão por aí exercendo cargo público; duvido que recebam apenas aquilo que a lei especifica. Por que gente competente vai comprometer o próprio futuro e o da família servindo ao Estado por R$ 6 mil quando poderia estar ganhando R$ 18 mil?

Existem os abnegados? Ah, existem, sim. Mas também há aqueles que:
– aceitam o cargo como indicação do partido, que passa a ser a sua real fonte de rendimento. No cargo, comportam-se como procuradores de interesses partidários;
– não precisam trabalhar; podem exercer o cargo por amor à causa, mas não vivem do seu salário;
– são pagos, indiretamente, por empresas que prestam serviço aos governos. A prática é ilegal, mas admitida como uma forma possível de manter a pessoa no cargo;
– ocupam cargos no conselho de empresas públicas para dar um jeito de elevar o ganho mensal
– usam o serviço público como um investimento; o objetivo é pular para a iniciativa privada levando consigo as preciosas informações adquiridas no serviço público. Bancos, por exemplo, têm especial apreço por funcionários de ponta mal remunerados

Quem perde? Na maioria das vezes, é a população. Notem que estatais, autarquias e assemelhados já estão fora do teto dos servidores.

Acusei aqui e acuso a indecência do que se tentou fazer com o salário dos parlamentares. É impossível debater seus vencimentos mensais sem levar em conta a cadeia de vantagens de quem dispõem. Recebessem apenas os pretendidos R$ 24,5 mil, seria um valor baixo. Mas sabemos dos outros benefícios. Se Lula gastasse como um mortal comum, os R$ 8,8 mil que recebe seriam uma porcaria. Mas é claro que seu salário é muito maior do que isso. O que sustento é que os altos cargos executivos da administração pública — não o dos políticos eleitos ou o dos funcionários de base ou médio — são baixos.

País pobre
É claro que esses números em face de um mínimo de R$ 350 parecem uma enormidade. O país é pobre; a renda média é ridícula. Mas é fato que alguém terá de exercer os cargos de comando. E que tais cargos demandam uma formação intelectual e profissional. É cruel, mas é assim: essa mão-de-obra não é escolhida no conjunto dos 180 milhões de brasileiros. Ela é fornecida pela elite intelectual e econômica do país. As pessoas investiram em sua formação e esperam retorno, como qualquer um de nós.

Governantes podem tentar se orgulhar dos salários magros, espartanos, de seus subordinados diretos. Desconfiem. O dinheiro que você vê pode ser apenas uma cortina de fumaça para o dinheiro que você não vê.

Que direi?  Até um relógio parado está certo duas vezes ao dia (embora até mesmo eu ache que há certo exagero da parte de algumas parcelas do funcionalismo)…

Perdendo uma grande oportunidade de aprender com o que ocorre no país vizinho, o Brasil proibiu ontem a exportação de arroz, devido ao aumento mundial de preços. Isso, na prática, equivale a aumentar a oferta interna, para segurar os preços. Até acredito, como diz a matéria, que estivesse havendo algum movimento especulativo por parte dos produtores, mas suponho que se o governo tivesse estoques reguladores adequados medida tão drástica não precisaria ser tomada.

Com isso, não só se cria fazendeiros bastante infelizes, como se passa a informação errada para o mercado _ se os preços maiores poderiam incentivar o aumento da área cultivada, consequentemente da produção, e adiante menores preços, o que se faz é justamente desincentivar o aumento da área plantada e possivelmente a conversão dos atuais cultivos para outros produtos não afetados pelo embargo.

Todos os meus 4,5 contumazes leitores sabem que eu sou a favor de um maior arejamento da política econômica brasileira, pela introdução de alguns elementos heterodoxos que desagradam aos fundamentalistas de mercado. Mas com um repertório heterodoxo deste tipo eu acabo tendo que apoiar mesmo é o aumento dos juros pelo COPOM…

***

UPDATE:

O governo volta atrás.  “Foi tudo um mal entendido”…

O ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) disse nesta quinta-feira que o país só adotará medidas para restringir a exportação de arroz em “casos extremos”. De acordo com ele, este limite ainda não foi atingido. Pouco antes, o presidente da Comissão Setorial de Arroz da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Francisco Schardong, disse que o anúncio de ontem fora um “mal-entendido”.

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