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Colaborando com a campanha descoberta pelo Pedro Dória. 🙂

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um fã ao avesso

Apud Rafael Galvão, que os tem em grande quantidade, seja pelo avesso ou não.

Levando a propriedade privada ao extremo

Entre todas as manifestações do já tão comentado declínio da esfera pública, eis que se descortina um front totalmente novo:

“Let a publicke benefit expell privat bashfulnesse,” implored John Harington, favourite godson of Elizabeth I and prominent among the crowded pantheon of British toilet heroes. He was decrying the barriers to such sanitary improvements as his flushing water-closet, which he invented in 1596. That same inhibition, often masked by humour, prevents us from seeing in the toilet a powerful barometer of the health of society as a whole. “British public toilets have been in freefall,” says Richard Chisnell, chairman of the British Toilet Association (BTA), and we may recognise in their decline and privatisation a wider sign of the ever diminishing public sphere.

***

Falando nisso, neste fim de semana houve uma grande festa na Esplanada dos Ministérios celebrando os 48 anos de Brasília, atraindo cerca de 1 milhão de pessoas. Mostrando que vida privada e pública podem se misturar, mas nem sempre com consequencias felizes, informo que até agora persistem alguns efeitos menos atraentes do evento, nos estacionamentos dos ministérios…

Showing some respect

Deu no Globo: “Chinês inventa caixão para cachorros“.

Já é um progresso.

Paulo do FYI decidiu: todo preto tem que ser pobre (mesmo nos EUA, “país das oportunidades”, onde tiveram que brigar pelos direitos civis…).

Deu no UOL:

Juiz solta hackers, mas exige que leiam obras clássicas

Jovens acusados de roubar senhas pela internet terão de apresentar resumo à Justiça

Primeiras obras são de Graciliano Ramos e Guimarães Rosa; juiz também os proibiu de freqüentar casas de prostituição e lan houses

KÁTIA BRASIL
DA AGÊNCIA FOLHA, EM MANAUS

Para conceder liberdade provisória a três jovens detidos sob a acusação de praticar crimes pela internet, um juiz federal do Rio Grande do Norte determinou uma condição inédita: que os rapazes leiam e resumam, a cada três meses, dois clássicos da literatura.”

A Ediouro agradece.

Do professor da UnB George Sand França, sobre o abalo sísmico ocorrido ontem com epicentro no Oceano Atlântico, a pouco mais de 200Km de São Paulo, que atingiu 5,2 graus na escala Richter:

O professor França afirmou que São Paulo fica em região de fratura em placa tectônica que já tem uma atividade física permanente. Ele foi sentido na metrópole com maior intensidade devido ao grande número de prédios altos.

A capital de São Paulo amplifica os reflexos do tremor por estar em uma bacia sedimentar. É como se fosse uma base mole, então a onda vem e a freqüência é sentida com mais intensidade”, descreveu.

Alckmin que o diga.

Pedro Sette Câmara tem um artigo com nome bonitinho lá no site do Ordem Unida Livre: “Contra a Ditadura do Gosto“.

O texto começa assim:

É possível, a qualquer momento, ler um texto fresquinho de alguém que reclama da tirania do consumismo e do mercado sobre o gosto. Aparentemente somos todos obrigados a ouvir as músicas da Madonna e a assistir ao Big Brother, quando deveríamos estar ouvindo Bach e vendo o canal educativo.

Bom, eu até diria que como ouvinte passivo sou obrigado, frequentemente, a ouvir muitas coisas que não gosto. Mas não é esse o meu ponto aqui. Pedro Sette continua:

Ainda assim, não vejo como não observar: terá havido alguma época em toda a história na qual é possível viver num mundo de referências culturais absolutamente próprias? Em todas as épocas houve uma certa – ênfase em “uma certa” – tirania do gosto. Se você vivesse na Inglaterra elizabetana, provavelmente ouviria muito John Dowland, e a alternativa eram canções um tanto folclóricas. Em termos de literatura, havia Spenser, talvez edições de Chaucer, alguns clássicos greco-latinos. Se adiantarmos o calendário em uns 150 anos, veremos Rousseau como autor de best-sellers vendidos em toda a Europa e um leque de opções um tanto mais ampliado – mas nada que se compare ao que oferece uma única loja da Livraria Cultura, isso para não falar no cosmos paralelo representado pela Amazon.com.

Bem, aí a porca começa a torcer o rabo. Porque imaginar que qualquer um pode acessar o “cosmos paralelo” da Amazon _ ou mesmo que qualquer um “pode” entrar em uma loja da Livraria Cultura _ é quase tão extravagante quanto achar que alguém que vivesse na Inglaterra elizabetana “provavelmente ouviria muito John Dowland”. Exceto, é claro, pelo fato de que provavelmente todos os leitores do site Ordem Unida Livre teriam todas essas facilidades _ mas então há um problema entre o argumento e a realidade na qual ele está sendo articulado.

Pedro prossegue:

Por isso é que fico impressionado: com o aumento do mercado, da atividade capitalista, da aceleração das trocas, isto é, das compras e vendas, ficou infinitamente mais fácil escapar da “tirania do gosto” da sua própria época.

Voilá! Eis o ponto onde ele queria chegar, evidentemente _ mais um encômio ao mercado.

Uma pequena digressão: não deixa de ser curioso que entre os próprios anaeróbicos se cultive a tese de que existe, sim, uma tirania do gosto _ só que de esquerda. Vejamos esse texto do Tio Rei aqui:

Assisti ontem, excepcionalmente, a um capítulo da minissérie Amazônia. Foi dica de uma internauta. Proselitismo petista em estado puro. A Globo, aparelhada pela esquerda, como qualquer emissora, faz pelos “companheiros” muito mais do que toda a imprensa esquerdista somada. Também vi dois capítulos da novela Paraíso Tropical. Em conflito, um rapaz mau-caráter, que só se veste de preto e recita mantras da boa administração, e um bacana, humanista, de terno claro, que toma decisão estratégicas depois de ouvir os garçons. Quem educa mais os sentidos da massa (…)? A imprensa de esquerda ou a infiltração militante no que vocês chamam de “mídia de direita”? Sabem o que vocês não entendem? As publicações esquerdistas experimentam a obsolescência porque são desnecessárias. Há modos muito mais eficientes de fazer as coisas.

Esse trecho é importante porque em uma coisa Tio Rei até está certo _ mas falarei mais sobre isto à frente.

Pedro Sette continua, e produz o seguinte parágrafo, aparentemente sem nenhuma intenção irônica:

Sentado em meu apartamento no Rio de Janeiro, sem levantar da minha cadeira, ponho os fones de ouvido ligados ao meu computador, que me oferece minhas interpretações favoritas de Wagner e Schubert, de canções medievais e renascentistas (adoro o grupo La Reverdie), de canções brasileiras, americanas e francesas. Posso em um segundo passar de “O tu qui servas”, a mais antiga canção (com letra em latim) conhecida da cidade italiana de Modena ao álbum mais recente de Bruce Springsteen. Quando alguém fala que o rádio só toca o artista X, não tenho como não pensar: “mas você pode desligar o rádio e ouvir o que quiser”.

Corta para o mundo real:

Sentado aqui em minha laje em Duque de Caxias, sem levantar da minha cadeira, posso ouvir o vizinho tocando um proibidão em sua virtola, que me oferece minhas interpretações favoritas do Créu. Meu vizinho em um segundo pode passar de “A Dança do Bumbum”, a mais antiga canção conhecida do “É o Tchan”, ao álbum mais recente de Tati Quebra Barraco. Quando alguém fala que o rádio só toca o artista X, não tenho como não pensar: “podia ser pior, você podia não ter rádio”.

É claro que só existe o rádio por causa do capitalismo, sim, sim. Enfim:

Por isso é que penso que, quando alguém reclama contra a tirania do gosto comum, tenho a impressão de que essa pessoa gostaria de ver o seu gosto pessoal replicado pelas massas. Afinal, nada impede ninguém de ter as suas referências pessoais, de viver em busca da imitação dos mestres do passado e do presente ou de arriscar uma síntese absolutamente original (com ou sem o risco da ingenuidade). E isto não se deve a uma suposta tirania do marketing e do capitalismo, mas à libertação do gosto que é proporcionada pelo próprio capitalismo. É muito melhor deixar o meu tributo voluntário e agradecido às caixas da Livraria Cultura e da Amazon.com, que apresentam opções, do que pagar por algo que parece uma opção mas é na verdade uma falta de opção.” (grifo meu)

O que Pedro Sette não percebeu é que a tirania do gosto apenas existe na medida em que é preciso pagar para não estar sujeito a ela. Claro que isso não deve ser problema no mundo de Pedro, onde a pirataria é lei, mas whatever.

***

UPDATE:

Descobri que realmente Pedro Sette provavelmente acredita no Slashdot Argument, ou pelo menos em vender camisetas.

The Corporate Scandal Sheet

A new kind of rapture

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