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Tio Rei transcreve em um post um artigo do Francisco Weffort publicado no Globo:

Lula, o pelego?

Leitores me cobram a íntegra do artigo do professor Francisco Weffort, ex-secretário geral do PT e ex-ministro da Cultura do governo FHC, publicado no dia 15 no jornal O Globo. No texto, o professor revela, vamos dizer, uma experiência pessoal, do tempo em que acompanha Lula em viagens, envolvendo prestação de contas. E chega aos nossos dias, quando o PT faz um dossiê para tentar esconder os gastos do presidente da República e seus familiares.

Em essência Weffort, que foi fundador do PT, conta que em uma viagem que fez com Lula em 1989 para angariar apoio ao recém nascido partido, Lula defrontou-se com cobranças sobre a prestação de contas de verbas que sindicalistas alemães e norte-americanos haviam enviado ao partido, em São Bernardo.  Do episódio Weffort retira a tese de que não é de hoje que Lula não gosta de prestar contas a ninguém.

No entanto, não prestar contas é um assunto do qual Weffort entende.  A começar pelo fato de que tendo sido um fundador do PT, importante a ponto de viajar pelo mundo com Lula, Weffort rapidamente soube mudar de lado _ em 1995 mesmo, com a vitória de Fernando Henrique, desfilia-se do PT e aboleta-se no Ministério da Cultura, de onde só saiu mesmo com o fim do segundo mandato do sociólogo em 2002.  E também por esta história que uma edição da Veja do ano 2000 nos conta, sobre os desmandos na Secretaria do Audiovisual daquele Ministério sob o comando intimorato de Weffort:

Onde está o dinheiro?

Governo intervém na área cinematográfica
para tentar responder à pergunta acima

Celso Masson

O cinema brasileiro não é ruim só nas telas. Seus bastidores também são lamentáveis. Na semana passada, estouraram nos jornais dois casos emblemáticos de como o dinheiro que o governo vem gastando para impulsionar a produção nacional é mal-empregado. O primeiro é o da cineasta que aprontou o filme, mas não consegue prestar contas. O segundo, do diretor que aparentemente justifica seus gastos, mas não finaliza o filme. Norma Bengell é a protagonista do thriller do dinheiro desaparecido. (…)

O enredo protagonizado por Guilherme Fontes é mais de novela do que de filme. Ele deveria ter entregue seu Chatô – O Rei do Brasil, baseado no livro de Fernando Morais, no dia 23 de dezembro. Na semana passada, foi a Brasília para pedir uma dilatação de prazo e um incremento no orçamento da produção. As duas solicitações foram negadas. Chatô estava orçado em 11,3 milhões de reais. Desse montante, Fontes conseguiu captar cerca de 9 milhões. Ele queria que o orçamento aumentasse para 13,5 milhões. A Secretaria do Audiovisual deu um ultimato ao diretor. Ele deve entregar o filme imediatamente e apresentar a prestação de contas dentro de noventa dias. “Isso é um absurdo, eu vou falar com o ministro Francisco Weffort na semana que vem e ele, que é um homem de bom senso, irá atender ao meu pedido”, acredita Fontes.

Continua a matéria:

A falta de pulso na fiscalização do dinheiro investido em cinema, por meio de renúncia fiscal, é tanta que o presidente Fernando Henrique Cardoso fez uma “intervenção branca” na Secretaria do Audiovisual. FHC colocou nas mãos do secretário de Comunicação, Andrea Matarazzo, a tarefa de controlar as somas que chegam aos cineastas via Lei Rouanet e Lei do Audiovisual. Há denúncias de que empresas estatais estariam superfaturando quantias destinadas à produção de filmes. Os cineastas estão em polvorosa com a nova determinação. “É preciso jogar fora as maçãs podres que estão envenenando todo o cesto”, ataca Leonardo Monteiro de Barros, um dos sócios da Conspiração Filmes, do Rio de Janeiro. Guilherme Fontes, a mais notória dessas “maçãs podres”, rebate: “O governo e os outros cineastas estão querendo me usar como bode expiatório, para que fique parecendo que o Ministério da Cultura está fazendo alguma coisa. Isso fornece um manto sob o qual outros podem continuar com suas falcatruas“.

Pois é.  O Ministro Weffort deve mesmo ter atendido ao pedido de Guilherme Fontes, já que a pendenga só foi resolvida mesmo, no âmbito administrativo, em fevereiro de 2008.

Como se não bastasse, Weffort também andou envolvido em episódios lastimosos, como o fiasco da “nau-capitânia” durante a comemoração dos 500 anos da descoberta do Brasil em 2000, o nebuloso caso do livro de sua autoria publicado pelo próprio Ministério que dirigia, e uma atitude geral de negligência e aproveitamento de oportunidades, como sugere este texto do jornalista Artur Xexéo , em 2002:

Serra não critica o atual ministro Francisco Weffort. Não ficaria nem bem. Mas como eu não sou candidato a nada, muito menos da situação, permito-me esse direito. Ô ministrinho sem graça. Há oito anos com a pasta, não dá para dizer que ele destruiu a cultura. Mas não dá para dizer também que seja um sujeito legal. Não dá para dizer nada, até porque Weffort não ouviria. Está sempre viajando. Agora mesmo, sua assessoria anuncia que o ministro estará, amanhã e depois, em Istambul, participando da Terceira Mesa-Redonda de Ministros da cultura, que terá como tema central O patrimônio cultural imaterial – Espelho da diversidade cultural. Não é fundamental? E já que estará fora, Weffort aproveitará para, na sexta-feira, ir a Paris para o lançamento do ‘Guia de fontes – Para a história franco-brasileira’. Mais fundamental ainda. Depois vem o fim de semana. Acho que ele vai dar uma esticada porque ninguém é de ferro…

***

Mas esse texto do Weffort, como tudo na vida, tem explicação. Consta que o pessoal que preparou o dossiê sobre FHC e dona Ruth na Casa Civil (como se fosse preciso…) também andou soltando informações sobre gastos exóticos de alguns ministros, entre os quais o próprio Weffort.  Que, é claro, tratou de morder a mão que um dia o alimentou.

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Uma das obsessões de nossos diletos colegas do Torre de Marfim é Pedro Malan.  Os caras perigam até de deixar de comer mulher para defender Pedro Malan em uma mesa de bar, sô!

O que é, diga-se de passagem, bastante coerente, já que uma das soluções para o problema da pobreza preferidas de Malan envolvia, justamente, deixar de comer e de ser comida:

eu sei que é um tema que se presta a um debate totalmente emocional, que toca em sentimentos religiosos, pelos quais eu tenho profundo respeito, mas devo dizer que as estatísticas são aterrorizadoras neste contexto. Eu me refiro, aqui, ao problema de gravidez precoce em adolescentes no Brasil. Os dados do Ministério da Saúde mostram que a gravidez, taxa de natalidade, em adolescentes e analfabetas, no Brasil, é treze vezes superior à taxa de gravidez em adolescentes que têm quatro ou cinco anos de escolaridade ou mais. Esse é um dos mais poderosos mecanismos que uma pessoa pode imaginar para perpetuação da pobreza ao longo do tempo. Para fazer com que os filhos dos pobres de hoje sejam os pobres de amanhã, porque a minha sensação, espero não estar equivocado, é a de que uma adolescente, e a partir de dez ou onze anos já pode acontecer, nessa faixa, dez até quinze anos de idade, analfabeta, que tem filho a partir dessa idade, eu diria que essa criança que resultou dessa relação é, provavelmente, a criança que já nasce com uma enorme posição desfavorável em relação ao seu futuro na vida como ser humano. Acho que nós não dedicamos a essa questão, eu vejo que algumas organizações não governamentais estão preocupadas com essa questão. Acho que é uma área extremamente promissora porque a melhor maneira de lidar com a pobreza é ter políticas que procurem evitar que os filhos dos pobres de hoje sejam os pobres de amanhã, perpetuação dos mecanismos de transmissão de pobreza, e esse é um dos mais poderosos que existe, a meu juízo, pelo menos.

Por aí se vê que, para Malan, pobreza talvez fosse mais questão de mira do que de foco.

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