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Discussão no Torre de Marfim sobre o infanticídio indígena, em post do Matamoros.

O bom selvagem

Eu já não tenho simpatia por índio, e histórias como esta só fazem piorar a imagem que eu tenho da categoria. Reportagem da Folha de ontem mostra que cerca de 20 das 200 etnias indígenas que existem no país ainda praticam o infanticídio. Gêmeos, por exemplo, são mortos por serem considerados uma maldição. A prática também ocorre no caso de “filhos de mães solteiras, crianças com problema mental ou físico, ou doença não identificada pela tribo”. É o humanismo do bom selvagem.

Quando leio esse tipo de coisa, os meus instintos etnocêntricos falam mais alto. Como sou antiquado e preconceituoso, fico horrorizado com essas tradições, assim como acho inaceitável que alguns muçulmanos extirpem o clitóris de suas filhas. São culturas piores – isso mesmo, piores – do que outras que prezam valores como os expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ainda que na prática poucas sociedades a sigam na íntegra, o simples fato de o documento existir mostra um avanço em relação a outras que têm entre suas tradições o infanticídio ou a extirpação do clitóris. Eu não hesito em celebrar a superioridade de uma cultura que preza o respeito aos direitos e às liberdades do homem, além de proclamar a tolerância à diferença. O etnocentrismo pode ser um humanismo

Meu pitaco:

Na verdade, se o Arranhaponte fosse mesmo antiquado, não ficaria assim tão horrorizado. Remember Esparta.

Sem contar que o país judaico-cristão por excelência esterilizava os incapazes há até pouco tempo, experiência, aliás, inspiracional dos aspectos mais sombrios da barbárie nazista.

Acho mais produtivo falar sobre uma política mais geral de assimilação indígena _ ou não _ do que escrever coisas assim sobre um povo cujo território nós, do alto de nossa superioridade, afinal invadimos. Pensando bem, a política de não gerar deficientes físicos pode ter sido importante em uma época em que índios eram perseguidos por bandeirantes paulistas que pretendiam escravizá-los _ melhor que deixá-los para trás nas mãos de tão superiores entes…

Cada sociedade tem sua forma específica de cometer atrocidades com suas crianças, bem como de ser totalmente incapaz de se comover com isso. Transformar essa questão em um cavalo de batalha quando se tem a convicção, por exemplo, de que o Bolsa Família é um programa eleitoreiro, desdenhando da diferença que ele faz para as crianças pobres, é um grande exemplo de insensibilidade que passa meio que desapercebido (o que não é o caso dos Torreões, mas é o de muita gente que tem criticado a FUNAI).

Então a questão não é “não ser capaz de condenar o infanticídio”. A questão é que infanticídio se está condenando, e porquê.

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Já dizia Churchill: “the empires of the future will be empires of the mind“. Artigo na Wired sobre a próxima fronteira da luta pelos direitos civis: a mente.

O início do artigo já me impressionou:

Trolling down the street in Manhattan, I suddenly hear a woman’s voice.

“Who’s there? Who’s there?” she whispers. I look around but can’t figure out where it’s coming from. It seems to emanate from inside my skull.

Was I going nuts? Nope. I had simply encountered a new advertising medium: hypersonic sound. It broadcasts audio in a focused beam, so that only a person standing directly in its path hears the message. In this case, the cable channel A&E was using the technology to promote a show about, naturally, the paranormal.

I’m a geek, so my first reaction was, “Cool!” But it also felt creepy.

Na mesma tecla, Nick Carr sobre Neuromarketing no Guardian.

Artigo muito bom do cientista político Claudio Gonçalves Couto no Valor de hoje, que expressa exatamente o que eu mesmo sinto a respeito da atual conjuntura:

A política da desimportância

A agenda política nacional das últimas semanas (para não dizer dos últimos meses) vem sendo tomada por temas irrelevantes para o destino do país. Não bastasse toda a energia despendida com o cutiliquê do cartão corporativo, temos agora o ressurgimento da baboseira acerca do terceiro mandato de Lula. E, enquanto a classe política e a mídia se ocupam de inutilidades desta monta, o país deixa de tratar do que é realmente relevante, como o aprimoramento de instituições que permitam dar sustentabilidade tanto ao crescimento econômico de longo prazo como à redução da desigualdade.

E vale notar que muito embora a iniciativa das principais políticas se deva ao governo, é principalmente à oposição (à sua inapetência) que se deve a modorra em que estamos atolados. Isto porque a oposição mostra-se incapaz de contrapor-se ao governo no que concerne à proposição de políticas alternativas. No máximo conseguiu atuar como coalizão de veto, derrubando a prorrogação da CPMF.”

Prova.

Transcrevo na íntegra abaixo do fold para os sem-Valor.

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Matéria interessante na Folha, traduzida do Le Monde. Certamente um fenômeno que também afeta os brasileiros:

Os bamboccioni estão por todo lugar e em todos os meios, nas cidades e nas aldeias. Tanto no Mezzogiorno (região sul) empobrecido quanto nas ricas províncias do norte. Inicialmente, a demógrafa Rossella Palomba havia se mostrado espantada diante da seguinte constatação estatística: em 1987, 46,8% dos italianos entre 20 e 34 anos viviam na casa dos seus pais. Em 1995, a proporção era de 52,3%. Atualmente, ela é de 69,7%. “Trata-se de um crescimento fenomenal”, comenta. Em 1999, ao concluir um ano de pesquisa junto a 1.000 pais e 4.500 filhos de 24 a 34 anos, ela redigiu um relatório.

A explicação mais evidente para esta tendência é econômica. Segundo o Instituto Italiano de Estatísticas (Istat), dois terços das pessoas ativas de menos de 30 anos que vivem na casa dos seus pais ganham menos de 1.000 euros (cerca de R$ 2.700) por mês. Em primeiro lugar, os bamboccioni são as vítimas do “declínio” italiano, da precariedade do emprego e do custo dos aluguéis. Mais do que nunca, a família constitui um amortecedor social.

Contudo, a novidade do fenômeno está no fato de ele estar se produzindo nos meios abastados. Segundo Rossella Palomba, o surgimento de um número cada vez maior de “bebezões”, curiosamente pouco tem a ver com a crise econômica. Dos 4.500 filhos que foram recenseados na sua pesquisa, 80% têm um emprego de duração determinada e são corretamente remunerados. Mas eles consideram ainda assim que os seus ganhos são insuficientes: “As suas exigências estão vinculadas ao nível de vida dos seus pais”, comenta a pesquisadora. “Eles não suportam o fato de terem de rever para baixo o seu modo de vida”. A isso, deve ser acrescentada uma tradição bem italiana: “O único motivo verdadeiro e legítimo para deixar o domicílio dos pais é o fato de casar-se. Ora, a idade média do casamento foi postergada de maneira considerável na Itália: de 28 anos no final dos anos 1990, ela passou para 30 anos atualmente. Trata-se de um círculo vicioso: quanto mais eles ficam na casa da mamma, mais tarde eles se casam. E por mais tempo eles ficam” .

Isso é exato; outro dia, conversando com minha sogra, ela se espantava com o fato de que antigamente casais se formavam com 18, 19 anos de idade, ao passo que agora os filhos ficam em casa até bem além dos 20 e poucos.

Eu suspeito que a Rossela Palomba está certíssima, e este aliás é um fenômeno que eu já havia detectado, primeiro no Rio, depois em Brasília. E no caso de Brasília isso é ainda pior, porque entre os funcionários públicos concursados isto gera demandas por reajustes salariais totalmente fora da realidade _ uma vez que os demandantes muitas vezes se pautam não pelo real valor do seu trabalho, mas por suas expectativas de conseguir levar uma vida de classe média fora da casa de seus pais.

Transcrevo integralmente abaixo do fold para os sem-UOL.

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Matéria do Financial Times, traduzida no UOL de hoje:

A desigualdade econômica nos Estados Unidos alcançou o nível mais elevado desde aquele que ficou conhecido como o mais maldito dos anos: 1929. Nas principais economias dos países de língua inglesa as desigualdades de renda alcançaram extremos que não eram vistos desde a era de “O Grande Gatsby”.

(…)

Um dos maiores indicadores da desigualdade é o chamado coeficiente Gini. O número do Departamento do Censo dos Estados Unidos para este índice em 2005 foi, de acordo com Gary Burtless, da Brookings Institution, o maior já registrado, o que significa a existência de extrema desigualdade. Uma análise dos números do Departamento Congressual do Orçamento por Jared Bernsteins do Instituto de Política Econômica aponta para uma direção similar. Entre 1979 e 2005 a renda, antes do pagamento dos impostos, dos domicílios mais pobres aumentou 1,3% ao ano, e a da classe média cresceu 1% ao ano. Já a renda daqueles indivíduos que compõem o grupo dos 1% mais ricos aumentou 200% antes do desconto de impostos e, o mais surpreendente, 228% após os impostos.

Transcrevo na íntegra abaixo, para os sem-UOL.

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Ouvido de um palestrante em um seminário, hoje:

Brasileiro não usa o telefone para falar, usa para fazer visita

Minha conta que o diga.

Graças a André Kenji, fiquei sabendo desta propaganda da vodka Absolut que ultrajou os wingnuts dos EUA:

No blog da Michelle Malkin, nego ficou maluco:

  1. On April 2nd, 2008 at 11:05 pm, realitycheck said:

    Up until now, I’ve been known to occasionally enjoy a shot of Absolut.

    Nevermore.

  2. #13
    On April 2nd, 2008 at 11:08 pm, old trooper said:

    Simply amazing and stupid beyond logic.

    Pandering for Votes for this election is getting out of hand. The Maverick needs to get his head out of his SIX!

    Open borders is a recipe for disaster!

  3. #14
    On April 2nd, 2008 at 11:13 pm, Katie in FL said:

    Shouldn’t a vodka company be more interested in giving Alaska back to Russia?

  4. #16
    On April 2nd, 2008 at 11:39 pm, Christian Soldier said:

    All of the state supported Universities in CA have their own sections for La Raza and et al. Reconquista is actively promoted. It has been promoted for many years.

    Welcome–the rest of the U S — to California world.

    Remember – too – Calderon (Pres. of Mexico) stated that Mexico has NO BORDERS!

E no geral a blogoseira anaeróbica ressoou o negócio como um gongo.

Adding insult to injury, a fabricante da vodka Absolut acaba de ser vendida para o grupo Pernod Ricard. Que é…arrrrrgggghhhhhhhhh…francês!!!!!

Mas enfim. Só mesmo um grupo de malucos se preocuparia com isso. Afinal, ninguém de bom senso, a esta altura do campeonato, ficaria falando em mexer na fronteira com o México para lá e para cá, certo?

Certo?

Hummmm…not quite:

“A Third World country right across our southern border. A hard-working population streaming north every day due to the economic and social oppression of their corrupt government. Greed and fear conspire to keep the system in place, despite the fact that drug-runners and international terrorists are using our porous southern border to infiltrate the U.S.

40% of Mexicans claim that they would move here if they could. In Annexing Mexico, Erik Rush illustrates an alternative: Bringing America to Mexico. Through a workable, win-win plan, Rush shows how, through a peaceful annexation, both countries would benefit immeasurably, in ways no one has considered.”

***

O interessante é a frase “A Third World country right across our southern border“. Me parece que eles terão que ir bem além do México para resolver esse problema…

Na Newsweek:

The Americans imposed order a few months ago by recruiting and paying local men to turn in the names of suspected jihadists. Similar armed groups have popped up all around the city. Each has its own bizarre rules; some threaten to kill women who don’t wear veils in public. The shop assistant is in mourning for her brother, who was killed last May, but she’s asking for trouble if she wears black more than three days running. According to the new enforcers in her neighborhood, anyone who dresses in mourning is committing blasphemy by questioning the will of God. […]

America’s efforts to disengage from Iraq have led to some messy compromises. After years of trying without success to wrest Sunni areas from Qaeda control, U.S. ground commanders appear to have done it at last-but only by granting sweeping powers to sheiks and local leaders who can keep the peace. Now Iraq’s Sunni areas have been chopped into fragments, each one run by a different tribal ruler with different views on law and society. In some parts of Baghdad the situation changes visibly from block to block. No one can say how many of these leaders abuse their powers, or if their little sectors can ever be put back under the purview of a centrally controlled government. “We are becoming like Afghanistan was in the ’80s,” says Zainab Salbi, the Iraq-born founder and CEO of the activist group Women for Women International.

Muito melhor, não? Antes havia um Saddam, agora há centenas.

Obama is GUILTY of playing identity politics.

McCain has an inclusive and diversity-friendly approach to politics.

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