Nunca vou conseguir dissociar o nome de Charlton Heston dessa cena.

No entanto, infelizmente, apesar de todo o seu impacto _ certamente é um dos finais mais impactantes da história do cinema _ a tal cena é altamente improvável. Dois motivos:

a) Canonicamente, os astronautas chegam ao “planeta” no ano de 3.978 (ou 3.955), ou seja, uns dois mil anos após o ano de lançamento da espaçonave (canonicamente, 1972). Não sei quanto tempo se passa entre a chegada do Coronel Taylor (o personagem vivido por Heston) e a cena final, mas certamente é um intervalo pouco significativo diante do total. Ainda, segundo a cronologia mais provável dos acontecimentos, a guerra nuclear que se seguiu à revolta dos macacos e destruiu todas as maiores cidades humanas ocorreu em 1992 _ logo, a Estátua da Liberdade esteve entregue à sua própria sorte por quase dois mil anos. O problema é que, sendo a Estátua de cobre, ela provavelmente não poderia ter sobrevivido intacta todo este tempo(*). A cronologia do “mundo sem ninguém” a que já me referi em um post anterior diz que em apenas 200 anos as estruturas internas de várias construções humanas, incluindo a Estátua, cederiam diante da corrosão. No caso da Estátua a situação seria ainda mais dramática, já que como se vê na cena, ela continua no litoral, exposta aos efeitos corrosivos da maresia.

b) Um problema sério é a representação da Estátua semi-enterrada ao lado de um penhasco. Nem mesmo os efeitos conjuntos de uma ou várias explosões nucleares na região de Nova Iorque e de um eventual aquecimento global no ano de 3978 seriam capazes de explicar a geologia desta cena.

(*) para ser ainda mais chato do que o Arthur disse que eu sou, uma observação: de fato, os engenheiros franceses responsáveis pelo design na Estátua foram muito inteligentes, porque o cobre, ao se oxidar, forma uma pátina protetora que diminui os efeitos da corrosão.  Ainda assim a Estátua não sobreviveria tanto tempo.

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