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Never gonna let you down
Never gonna run around and desert you
Never gonna make you cry
Never gonna say goodbye
Never gonna tell a lie and hurt you

E não é que de todos os blogs que ando vendo aí só o Pedro Dória lembrou que ontem foi aniversário da Redentora???

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Hoje recebi um powerpoint bem safadinho, a começar pelo título: “Escandalosamente Lindo“. É de autoria anônima, e bem extenso, mas selecionei 3 slides para ilustrar o clima.

A imagem de fundo é pungente: uma velhinha triste, olhando através de uma janela, as mãos espalmadas sobre o vidro _ ela está presa dentro de casa, obviamente o último refúgio contra um mundo ameaçador.

A sessão de slides começa mostrando como as coisas eram antigamente _ bandido era bandido, polícia era polícia, bandido respeitava polícia, jovens respeitavam os mais velhos, etc _ e em seguida estabelecendo uma comparação com os dias atuais (violência gratuita, roubo, estupro, corrupção). No Country for Old Men.

Em seguida, uma série de frases vão aparecendo, em um crescendo de indignação. Os temas são os clássicos da nossa boa gente conservadora: queremos liberdade, sim, mas com segurança, ora. O que significa que queremos liberdade para alguns e cadeia, obviamente, para aqueles que sabe-se lá porque resolveram ameaçar a segurança dos outros:

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Em alguns momentos, o discurso assume tons generosos, gente boa: “teto para todos, comida na mesa, saúde a mil!“. “Saúde a mil“, aliás, até rimaria com “Brasil varonil“, mas o autor do slide não chega a tanto.

Aí aparece uma frase reveladora: “Quero calar a boca de quem diz: “a nível de”, enquanto pessoa“. Evidentemente, quero afastar de mim aquele pessoal chato, que vem com aquele discurso complicado, de que não é bem assim. Sabem, né, esse povo dos “direitos humanos” para marginais! Não, não, eu quero é a “verdadeira vida“, aquela vida que merecem as pessoas “definitivamente comuns, como eu“.

Como sabem, o “definitivamente comum” é o óbvio: insegurança? Cadeia. Imoralidade? Religião. Doença sexualmente transmissível? Castidade, ué.

Eu já falei nesse tipo de argumento aqui no blog: trata-se de exercer a profecia do óbvio. Um discurso sedutor para uma burguesia cuja má-consciência prefere, obviamente, botar a culpa em um outro, um inimigo, um feio, sujo e mendicante (o pedinte, o assaltante), ou um engravatado feio, sujo e arrogante ( o político, o intelectual militante), do que encarar o difícil trabalho de fazer a engenharia reversa de sua própria existência e descobrir como o que lhe é natural, sua vida “simples como uma gota de chuva“, é também capaz de engendrar todos os problemas que as ruas lhe propõem. O discurso, enfim, ideal para quem cansou. De pensar.

É a face cívica do fascismo.

Primeiro, um monte de gente começou a dizer que Reinaldo Azevedo tinha comentaristas inventados.  Eu nunca botei fé nisso.  Ele deve ter muitos apoiadores mesmo _ alguém já disse que nunca ninguém perdeu nada em apostar na burrice humana.

Agora, Tio Rei começa a dizer que, pelo contrário, os comentaristas no Nassif é que são inventados:

Os leitores de mentira do “jornalista 1º de Abril

Muito interessante!

A máxima leninista sempre foi esta:

“Acuse-os daquilo que fazemos”.

Ele estava ocupado hoje à tarde, puxando o saco do governo. E ganhando uns trocos. Quando está na ativa, os comentaristas de seu, por assim dizer, blog aparecem. Quando não está, vejam lá (se tiverem estômago), eles somem.

E não é que os comentários estejam represados, aguardando liberação. Em post da tarde, com menos de uma dezena de intervenções, já há coisa publicada depois das 18 horas. Vale dizer: SEUS LEITORES SÃO PEÇA DE FICÇÃO, COMO TUDO O QUE PRODUZ.

Daqui a pouco, ele volta pro cafofo, e aí dezenas de “leitores-ele-mesmo” dizem o quão maravilhosamente inteligente e destemido ele é.

Ah, sim, os leitores todos têm nome, claro, claro. E a corja reclama dos “anônimos” deste blog, que é um recurso do Blogger. Digam-me cá: PARA QUEM INVENTA COMENTÁRIOS, O QUE CUSTA INVENTAR UMA IDENTIDADE FALSA?

Sim, tenho divergências com Ricardo Noblat, por exemplo, e não são pequenas. Mas ele tem leitores. Eu tenho leitores. O bobo da corte não tem.

***

Preocupado com essa onda de falsidade ideológica nas caixas de comentários, rogo aos meus 4,5 leitores que, se algum deles for imaginário, que se apresente, e já!    🙂

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Vai ser bom, não foi? 

Deu no Estadão:

Ato sexual ideal dura de 3 a 13 minutos, diz estudo

Segundo estudo americano e canadense, relação entre 10 e 30 minutos é ‘longa demais’.

– Uma relação sexual satisfatória dura entre três e 13 minutos, de acordo com um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade Penn State, no Estado americano da Pensilvânia.

A pesquisa contou com a participação de 50 integrantes americanos e canadenses da Sociedade de Pesquisa e Terapia Sexual, incluindo psicólogos, médicos, assistentes sociais, terapeutas familiares e enfermeiras. Todos os envolvidos recolheram dados de milhares de pacientes durante décadas.

O estudo, publicado na revista Journal of Sexual Medicine, afirma que um ato sexual “adequado” dura entre três e sete minutos; um “desejável”, de sete a 13 minutos; um “curto demais”, de um a dois minutos; e um “muito longo”, de dez a 30 minutos.

E agora?

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Giving it a proper disposal 

Um “grassroots movement” de São Francisco, California, teve uma bela idéia:

An Enduring Legacy

As we near the end of George W Bush’s presidency, we think it is important to select a fitting monument to this president’s work. On matters ranging from foreign relations to fiscal and environmental stewardship, no other president in American history has accomplished so much in such a short time. To honor George W Bush for his eight years of honorable public service, the Presidential Memorial Commission of San Francisco is sponsoring a ballot initiative this November in San Francisco. It reads…

Should the City and County of San Francisco rename the Oceanside Wastewater Treatment Facility the George W. Bush Sewage Plant?

We believe this is an appropriate honor for a truly unique president. If you think so too, join this grassroots movement to rename this important and iconic landmark in his honor.

Bons pontos sobre Malthus em um artigo onde Paul Krugman comenta uma matéria do NYT criticando as “Cassandras”:

Statements like this are deeply unfair to Parson Malthus. The fact is that Malthus was right about the whole of human history up until his own era.

Sumerian peasants in the 30th century BC lived on the edge of subsistence; so did French peasants in the 18th century AD. Throughout history population growth had always managed to cancel out any sustained gains in the standard of living, just as Malthus said.

It was only with the industrial revolution that we finally escaped from the trap (if we did — for all we know, 35th-century historians will view the period 1800-2020 or so as a temporary aberration).

Was Malthus just unlucky? No. The same forces that made the industrial revolution possible — above all, the spirit of inquiry and rationality — also led to the birth of analytical economics. There probably couldn’t have been a Malthus until the world was on the verge of becoming non-Malthusian.

Elio Gaspari na Folha de hoje, levantando uma bola que nós também havíamos levantado na outra encarnação do blog há tempos:

Deixem Lula falar com a patuléia


FFHH era festejado em Oxford e Nosso Guia faz sua festa na periferia, cada um no seu galho



LULA CONSEGUIU construir sua agenda e ninguém conseguirá tirá-lo do trilho. É um cestão com progresso (5,4%) e aumento do consumo das famílias (13,4%). Há mais carne no prato e menos mês no fim do salário.
Nosso Guia impôs sua agenda falando diretamente à patuléia. É injusto querer limitar seus movimentos. Em 2002, quando FFHH recebeu seu 18º título de doutor honoris causa na Universidade de Oxford, vivia sua campanha, no mundo encantado que tanto aprecia. Pulando de palanque em palanque e torturando a gramática, Lula faz campanha em outro mundo, o de seus encantos.
Assim como a estabilidade da moeda saiu da agenda de FFHH , impondo-se a Lula e ao PT, o cestão de Nosso Guia haverá de demarcar os rumos da política brasileira por um bom tempo. Seria aquilo que o governador Aécio Neves chama de “Pós-Lula”.
O “Pós-Lula” já começou. É um quadro no qual não adianta xingar os programas sociais. O coração dessas iniciativas, como a leis trabalhistas de Getúlio Vargas, o fundo de garantia de Castello Branco, o Funrural de Emílio Médici, tornaram-se parte da sociedade brasileira. Podem mudar, mas não acabam. Pelo contrário, acabará quem propuser que acabem.
No bojo desse êxito está o desafio do “Pós-Lula”. Já não há cartões para distribuir ao andar de baixo. O baú da transferência de renda esvaziou-se, ajudando a criar um Brasil diferente. Não se trata mais de pensar na família que está na miséria, mas de milhões de pessoas que saíram dela, ou que viajaram no “elevador social”
.
Coisas que hoje parecem idéias de jerico poderão entrar na agenda. Por exemplo: a universalização de um plano de saúde básico. É desnecessário lembrar que esse é um dos principais assuntos da campanha eleitoral americana. Seria necessário misturar o SUS com as operadoras de serviços privados. Coisa dificílima, mas, quando se trata de tungar a Viúva, é matéria fácil. Até hoje ela não conseguiu receber regularmente o dinheiro que gasta com o atendimento, na rede pública, de segurados de empresas privadas.
Por que São Paulo, como Nova York, Londres e Paris, têm bilhete único de transporte público, e o Rio de Janeiro não tem? Teria, segundo o governador Sérgio Cabral, no final deste ano, mas a promessa ficou para maio de 2009 e há um forte cheiro de empulhação no palavrório disponível. Por que o programa de regularização de lotes urbanos só é um êxito em Manaus?
No “Pós-Lula” será necessário mudar a qualidade da discussão de assuntos desse tipo. Em geral, os burocratas sacralizam um obstáculo e esterilizam as propostas. Assim, o ressarcimento do SUS não anda porque as operadoras vão à Justiça. Lorota. O jogo virará no dia em que o ministro da Saúde mostrar ao país o caso de um magano que paga ao plano de saúde e, tendo batido com o carro, foi para um pronto-socorro onde seu tratamento custou uma fortuna, mas o SUS levou um beiço.
No dia em que governadores e prefeitos botarem a boca no mundo, virarão o jogo dos transportes públicos em todas as cidades dominadas por cartéis semelhantes ao do Rio de Janeiro.
Na área da educação e da segurança pública, há dezenas de temas semelhantes. Cada um terá sua trava, mas nenhuma dessas travas resiste à exposição pública. Talvez a principal novidade do “Pós-Lula” seja que a patuléia veio para ficar.

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