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No Estadão, dia 24 de março:

Empresária admite agressão e nega loucura

A empresária Sílvia Calabresi Lima, acusada de torturar, em sua casa, meninas que “adotava”, disse, em entrevista ao Fantástico, da Rede Globo, que pensava estar “educando”. “Na minha cabeça, eu não estava torturando. Eu achava que estava educando”, afirmou, sobre o caso da menina L., de 12 anos, encontrada por policias no dia 17 acorrentada e com marcas de tortura. Durante a entrevista, Sílvia – que por questão de segurança está presa no Centro de Prisão Provisória, na Grande Goiânia, sem contato com as outras detentas – disse que não quer ficar sozinha. “Eu queria ficar junto com as presas.”
O advogado da empresária, Darlan Alves Ferreira, disse que pedirá um laudo psicológico, na tentativa de provar que ela não agia em plena consciência. Sílvia, porém, declarou: “Eu não sou louca.”

No Estadão, hoje:

Agressões alteraram o metabolismo da garota, dizem médicos

GOIÂNIA – A empresária  Silvia Calabresi Lima se revelou uma mulher sádica e cruel para um grupo de médicos, que nos últimos seis dias, realizou exames variados no corpo de LRS. Um dos problemas descobertos por eles é o metabolismo da garota, que foi afetado pelas agressões. Aos 12 anos, a menor ainda não entrou no ciclo menstrual. O último exame, uma ressonância magnética nos braços, foi realizado nesta terça-feira, 1º.Os médicos adiantaram que, à medida em que as feridas, marcas e contusões eram localizadas, LRS relatava como surgiram em seu corpo. A menina foi marcada com ferro elétrico, de passar roupa, em cada um dos glúteos. Quente, o ferro deixou suas linhas na forma de uma severa queimadura, de aspecto horrível. A região lombar também foi marcada pelo ferro quente, e as três feridas deverão levar meses até cicatrizar se for descartada, por exemplo, a cura por meio de enxerto de gordura ou de pele.

Há cerca de 11 buraquinhos no couro cabeludo, descobriu a médica Eliane Frota. LRS explicou como eles surgiram: “A tia Silvia fez com o salto do sapato alto”. A mucosa do nariz está ferida: “Ela enfiou uma tesoura no meu nariz”. Você sente dores no abdome e nas costas? “Sim, muita, ela me batia e dava socos nas minhas costas e na barriga”. Há atrofias nos braços, ruídos nos ouvidos, necrose embaixo das unhas das mãos: “Ela se acalmava quando via os dedos prensados na porta”, contou a menor.

(…)

Os exames também revelaram os dias tensos – dois anos – da menina na companhia da empresária, e as causas do quadro agudo de desnutrição. LRS contou que Silvia colocou uma barata em sua boca, fechou tudo com uma gaze e depois mordaça: “Ela colocava o pano e a barata na minha boca”, contou. “Um dia eu comi uma; não é pecado, não é mesmo?”, falou inocente. “Já comi um pano, estava com tanta fome!”, relatou aos médicos.

LRS disse que mais de uma vez percebeu que havia no ar um estranho prazer nas sessões de tortura. Após quatro dias sem alimentos, “tia Silvia” a obrigou a comer ração, depois as fezes e a beber a urina do cachorro. “E eu tinha de engatinhar pra comer e beber”, contou aos médicos.

***

Curiosamente, Tio Rei, que não mostra nenhuma inibição em comentar as notícias das páginas policiais (como mostram os casos da empregada espancada, do menino João Hélio, do Champinha, até da pobre dona da Daslu), parece não estar nem um pouco interessado nesse caso.  Nem pra, sei lá, criticar a imprensa por estar usando o adjetivo “empresária” para se referir à agressora.  E aí, Tio Rei, “não vamos fazer nada“?????

Nem uma capinha na Veja não?

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(clique para ampliar)

Sapeando o site da Casa Branca, descobri uma página que contém uma breve nota biográfica sobre cada presidente dos EUA.

Compare com a página correspondente, no site da Presidência do Brasil.

Seria impensável que aqui constassem notas como as que se vê lá.  Minha curiosidade é saber quem é o responsável pelos textos, se são os historiadores da Casa Branca ou se a nota é responsabilidade do próprio ex-presidente.

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Desde o início do ano passado, a Casa da Moeda norte-americana está lançando as Presidential Dollar Coins.  São quatro presidentes por ano, começando, é claro, com o primeiro deles, o George aí em cima.

O engraçado é que o cronograma dos lançamentos só vai até Gerald Ford, previsto para 2016.  Se eu contei certo, 2017 seria o ano tanto dos dois Bushes quanto do sucessor de Bush filho.  Como McCoin seria um trocadilho horrível, espero que dê Democrata na cabeça.

E aqui, evidências graves de que quem montou o dossiê contra FHC não foi Lula, não foi Dilma, foi a Mulher-Melancia!

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Aliens

Pronto, o problema dos refugiados já chegou ao Brasil.  Deu no UOL:

Jardineiro Baltazar de Almeida, 52 anos, mostra caramujos encontrados na praça Camões, área central de Ribeirão Preto (SP)

Caramujos africanos já infestaram 85% dos bairros de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

A questão é: se os caramujos refugiados africanos já chegaram a Ribeirão, por onde andarão os refugiados africanos propriamente ditos?

Do Slashdot:

A tiny portable projector, about the size of a pack of cards, may soon replace a ring tone as the most annoying thing on the train or bus. These technical innovations can project an image up to 50 inches in size in dark lighting, making them ideal for on-the-road business presentations. They can also be hooked up to cell phones or media devices, though, possibly introducing a whole new level of social intrusion into US culture. ‘Digital projectors were once bulky. These new models, though, are small enough to fit into the pocket of consumers who want a big-screen experience from a small-screen device. Some of the models are expected to be on the market by year-end, or sooner. Prices have yet to be announced. Matthew S. Brennesholtz, an analyst at Insight Media, a marketing research firm in Norwalk, Conn., says he thinks the projectors will initially cost about $350, then quickly drop to less than $300.‘”

Ontem, no avião, vi bem umas 3 pessoas viajando hipnotizadas pelos seus iPhones, vendo filmes.

Bem, enquanto a comunidade – dos – que – viajam – e – dão – palestras – e – gostariam – de – ter – um – mini – projetor agradece a inventividade dos desenvolvedores do gadget em questão, é bem verdade que, por outro lado, a perspectiva de ver milhares de pessoas projetanto videos do YouTube uns para os outros soa um tanto ameaçadora.

Deu no UOL:

Número de mortes no Iraque atinge maior nível desde agosto

BAGDÁ (Reuters) – Os combates entre forças de segurança e rebeldes xiitas no mês passado levaram o número de mortes de civis no Iraque a seu mais alto patamar dos últimos seis meses, mostraram dados oficiais divulgados na terça-feira.

Em março, 923 civis morreram, 31 por cento a mais que em fevereiro, fazendo daquele o mês mais violento desde agosto de 2007, segundo dados compilados junto aos Ministérios do Interior, da Defesa e da Saúde do Iraque e obtidos pela Reuters.

Os dados significam um golpe para os governos iraquiano e norte-americano, que apontavam a redução no nível de violência nos últimos meses como uma prova de que uma grande operação de segurança realizada há pouco tempo tinha gerado resultados concretos.

Maliki considerou a operação militar um sucesso: “Após manter a estabilidade e a segurança, o plano de segurança atingiu seus objetivos de impor a lei na Província de Basra.”

No entanto, segundo muitos especialistas, a ação pode se transformar em um tiro pela culatra ao expor as fraquezas do Exército iraquiano e reforçar a base de apoio a Sadr.

Durante os combates, o ministro da Defesa iraquiano reconheceu que suas forças ficaram surpresas com a ferocidade da resistência.

O governo avaliou mal a situação e Maliki perdeu muita coisa“, afirmou o analista de política Ghassan al-Atiya, que trabalha em Londres.

E no NYT, declarações de McCain:

McCain ‘Surprised’ by Iraq Developments

John Mccain - The Caucus - Politics - New York Times Blog

(…)

Mr. McCain said he had not expected Prime Minister Nuri Kamal al-Maliki to try to oust Shiite militias from Basra without consulting the Americans, and that he was troubled by some of the demands that were made by the Shiite cleric Moktada al-Sadr as part of his offer of a ceasefire after the militias held off the American-supported assault. And he tied some of the current problems to the Bush administration’s old strategy there.

“Maliki decided to take on this operation without consulting the Americans,’’ Mr. McCain said on his campaign bus as it rolled through downtown Meridian, saying that the move showed independence but that he had expected the military to focus on Mosul.

“I just am surprised that he would take it on himself to go down and take charge of a military offensive,’’ he said. “I had not anticipated that he would do that.’’

“I think he felt – which many of us had talked about many times—that Basra was an important part of the country, it was not under the control of the government, we all know that varying mafia-like factions, Shiite militias, control different parts of it,’’ he said. “The police are corrupt. So he decided he wanted to address the issue. And whether he should have or not, I think we will see what the ultimate results are. But it certainly shows a degree of independence.

Sem dúvida, muito promissor.
***
Enquanto isso
SÃO PAULO – A Boeing anunciou ontem ter fechado a venda, para o governo do Iraque, de 30 aeronaves 737NG e 10 aviões 787 Dreamliner. Essa é a primeira aquisição de aviões da Boeing feita pelo Iraque em 26 anos.

A companhia norte-americana disse que o acordo foi firmado em Bagdá, mas só será incluído na carteira de pedidos da empresa assim que seus detalhes sejam finalizados.

A empresa não informou quais os modelos exatos serão fornecidos ao país, ou mesmo qual o cronograma de entregas. Utilizando preços de tabela para os modelos mais sofisticados dos dois aviões, a transação poderia chegar a US$ 4,55 bilhões. Sendo as versões mais econômicas, o negócio chegaria a US$ 2,96 bilhões.

A fabricante norte-americana não deu mais detalhe sobre o negócio. Essa é a primeira compra de um avião da Boeing pelo país desde 1982, quando a Iraqi Airways adquiriu um 747-200.

Independência é isso aê…

Puxa, a discussão rendeu.

Bem, eis meus pitacos, em duas partes.

***

A existência do tal projeto Cybersyn _ do qual eu realmente nunca havia ouvido falar _ é muito interessante, mas acho que não deve ser confundida com a idéia de coletivização. Antes, deve ser debitada a uma tradição da teoria econômica, o desenvolvimentismo, o qual, se de fato implica em um Estado forte e indutor do desenvolvimento econômico, nunca realmente chegou a deitar raízes profundas na doutrina marxista, tendo se originado, na verdade, da experiência de um grupo de economistas com a reconstrução européia pós-segunda guerra.

Por isso me surpreendi quando o Samurai desenterrou o nome de Carlos Matus, que eu pretendia trazer à baila triunfalmente. Carlos Matus era um tecnocrata que chegou a ser o presidente do Banco Central chileno, mas é mais conhecido, dentro das burocracias públicas latino-americanas, pelos seus esforços em construir uma teoria e uma prática de ação governamental estratégica. E, para quem conhece seus escritos e sua metodologia, a tal sala de controle do Cybersyn tem uma tremenda cara de “sala de situação”, técnica tão prezada por Matus e tão difundida na administração pública hoje em dia.

***

Embora eu ache um vínculo entre o Cybersyn e o “cálculo socialista” algo forçado, quis fazer uma provocação _ no que fui plenamente atendido, dado o volume de comentários.

Sobre o cálculo socialista em si, acho que seria bom ir devagar com o andor.

Vamos nos perguntar primeiro sobre como um sistema de preços pode aumentar o bem estar geral da população. A teoria econômica consagra algumas fontes gerais de bem estar, sob a forma de algumas eficiências desejáveis em um sistema econômico:

a) eficiência produtiva;

b) eficiência alocativa;

c) eficiência distributiva;

d) eficiência dinâmica.

Grosso modo, a eficiência produtiva é a capacidade de um sistema produtivo funcionar aos menores custos possíveis. A eficiência alocativa diz respeito ao processo pelo qual bens e serviços são produzidos da melhor forma possível, conjuntamente (ou como diria o jargão, que os preços dos bens e serviços são equivalentes ao seu custo marginal). A eficiência distributiva diz respeito à distribuição dos ganhos de eficiência pela sociedade, e finalmente a eficiência dinâmica diz respeito ao incentivo para a criação de novos produtos e serviços.

O mercado, como sabemos, é um dos modos possíveis de ordenar um sistema de preços. Teoricamente, um mercado em concorrência perfeita automaticamente produz eficiências produtivas (se você produz a um custo maior está fora do mercado), alocativas (se você identifica um nicho onde pode produzir a menores custos, migrará para esse nicho), distributivas (se todos os bens e serviços são produzidos ao custo marginal o bem estar estará distribuído de forma ótima) e dinâmicas (se você é capaz de inventar algo que todo mundo quer e só você produz, poderá cobrar um preço acima do custo marginal _ até que o mercado descubra um jeito de produzir substitutos ao que você produz).

A própria ortodoxia econômica reconhece que nem sempre _ aliás, na maioria das vezes _ o mercado não atua em concorrência perfeita, razão pela qual existem políticas antitruste, que procuram evitar o surgimento de monopólios. A teoria econômica tem resultados mostrando que nesse caso existe “slack” (as empresas não produzem ao custo mínimo), por exemplo. E que barreiras à entrada impedem decisões alocativas ótimas, o que por sua vez impede a eficiência distributiva já que todo o excedente será apropriado pelo monopolista, e o que não for apropriado por ele se transforma em peso morto. Já no caso da eficiência dinâmica muitas vezes ocorre o contrário: os sistemas de propriedade intelectual existem justamente para impedir que o mercado seja concorrencial demais, retirando o estímulo à inovação.

Ocorre que de fato, desde a derrocada dos sistemas de planejamento central, ninguém mais anda pensando em como se poderia construir um sistema de preços diferente do mercado. Entretanto a verdade é que a tecnologia andou demais desde aquele tempo para cá, o que significa que exceto pela interdição ideológica sobre o assunto realmente não há motivo consistente para que não se especule a respeito.

Particularmente acho que o ressurgimento desse tipo de especulação será inevitável, dada a provável direção das tendências tecnológicas em vigor. Em especial creio que a emergência de uma inteligência artificial minimamente capaz de mimetizar algumas funções de alto nível da inteligência humana terá um impacto arrasador sobre as sociedades humanas, criando excedentes de mão de obra que não poderão ser alocadas em outro uso que não o de consumidores. Neste momento decisões complexas terão que ser tomadas _ decisões que farão a semana de trabalho de 30 horas parecer brincadeira de criança.

Gostaria de pegar apenas um exemplo a respeito de como uma só tecnologia, a Web 2.0, põe de ponta cabeça alguns conceitos tidos como óbvios. A proliferação de iniciativas colaborativas, em que milhares de pessoas usam sua criatividade e tempo livre para criar produtos que podem ser livremente usufruídos por outros (mesmo que alguém esteja ganhando muito dinheiro por ter posto em pé a plataforma, como é o caso do YouTube) parece indicar que é preciso pensar um pouco fora da caixinha quando se usa sem moderação a idéia do individualismo metodológico. Isso porque existe um componente do comportamento humano que nem por ser racional precisa ser necessariamente monetário.

Em particular, acho que devemos ficar atentos aos acontecimentos que andam ocorrendo em experimentos como o do Second Life, principalmente aqueles mostrando similaridades e diferenças entre o mundo real e os mundos virtuais.

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