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Nariz Gelado me impressiona.

Reinaldo Azevedo, sabemos, é reservoir dog dos Civita. Um jornalista de aluguel a soldo de uma causa. A ele, podemos permitir licenças, se não propriamente poéticas, patéticas.

Já a Nariz me dá a impressão de que realmente acredita no que escreve. A última, sobre os petistas que estão rejubilando-se com os índices de popularidade do eneadáctilo:

Todo mundo sabe que eles só estão ganhando o jogo porque sempre burlam – pra ficar num termo suave – as regras.

Ora, Nariz, se e quando o Eneadáctilo fizer aportar no Congresso uma proposta de emenda constitucional autorizando um terceiro mandato, lembre-se de que só aí ele estará empatando com o Príncipe dos Sociólogos…vê se pega mais leve!

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O governo FHC acabou há mais de 5 anos, mas há quem esteja forçando a barra para lhe atribuir a conquista do “investment grade” pelo Brasil. Parece que um “legítimo” governo Lula seria, por definição, apenas aquele que levasse o país ao abismo (apesar de que, para fazermos justiça, FHC também soube nos levar à sua borda).

Porque é que nessa hora ninguém atribui o “investment grade” à “bonança internacional”, à “conjuntura sem igual do comércio internacional” ou à “maré alta que faz subir todos os barcos”?

Dor de cotovelo é fogo. 🙂

Deu no Valor:

Standard & Poor`s eleva Brasil a categoria de grau de investimento
Valor Online
30/04/2008 15:55

SÃO PAULO – A agência de classificação de risco Standard & Poor`s elevou há pouco a nota de crédito (rating) da dívida externa e de longo prazo do Brasil de BB+ para BBB-. Com a elevação, o país entra para o grupo de países considerados de baixo risco, chamado de grau de investimento, ou investment grade.

Aguardada há alguns anos pelo governo e por agentes do mercado financeiro, a notícia foi vista com surpresa pelo mercado, já que não era esperada ainda neste primeiro semestre.

O principal benefício de o país se tornar investment grade é atrair grandes investidores institucionais de países desenvolvidos que, por regras dos seus estatutos, só podem investir em ativos considerados de baixo risco.

Também, com um superavit desses

Tio Rei sobre as críticas de Lula ao subsídio norte-americano ao etanol de milho, em 23 de abril:

O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a crise mundial de alimentos e os biocombustíveis começa a rodar em falso. Ele não precisa de estímulos, como se sabe, para falar besteira. Com o apoio de setores da imprensa que decidiram endossar as suas diatribes antiimperialistas, ele vai longe. E vai acabar desmoralizando o país. (…)

Pensemos, agora, a crítica ao subsídio dos ricos. É pertinente o que diz o Brasil sobre, vá lá, a injustiça do procedimento? É, sim. Mas em que o fim dos subsídios elevaria a produção de alimentos, hein?, ao menos no curto prazo? Em nada. E é duvidoso que a eleve também no médio e no longo.

Pergunto: qual é a tese? Até agora, não entendi. E alguns apenas julgam ter entendido. Se a Europa e os EUA pararem de dar papinha a seus agricultores, o pressuposto, suponho, é que isso estimularia a agricultura em países como o Brasil, que então produziriam mais e exportariam mais, eventualmente a preços mais baixos. Mas há uma falha lógica aí: nós produziríamos mais, e eles, menos. Resolve a crise de alimentos? Acho que não. Ademais, há outra realidade que não pode ser ignorada. Se houver demanda mundial, não duvidem que é muito menos arriscado plantar cana para fazer etanol do que grãos para comida. Das pragas às intempéries, os riscos são bem menores.

Tio Rei, transcrevendo um artigo de Serra na seção Tendências e Debates da Folha, em 9 de março:

Os Estados Unidos, contrariando sua tradicional retórica pró livre-comércio, estão ingressando na era do etanol amparados em regras que obstruem a formação de um mercado mundial de biocombustíveis. A barreira norte-americana ao nosso etanol vai além da tarifa de 14 centavos de dólar/litro; outro tanto é entregue aos produtores, sob a forma de subsídio. Logo, o tamanho da barreira final é da ordem de 30 centavos de dólar/litro, montante próximo ao custo de um litro do álcool brasileiro. Ou seja, proteção de 100%! A razão é óbvia: a produção norte-americana de etanol, baseada no milho, é muito mais custosa que a nossa, baseada na cana-de-açúcar. Isso ocorre apesar da supervalorização cambial brasileira, que encarece muito as exportações. Assim, mesmo como gentis anfitriões do chefe de Estado de um país amigo, cabe mencionar ao presidente Bush que a melhor contribuição para o impulso do etanol no seu país e no mundo será derrubar essa barreira, mesmo gradualmente. Claro que há resistências domésticas de produtores e políticos de lá, mas em que país do mundo não as há?

Tio Rei, transcrevendo um artigo da France Presse, hoje:

O diretor-geral do International Food Policy Research Institute dos Estados Unidos, Joachim von Braun, fez referência a “importantes fracassos nas decisões políticas”, no centro da crise.
Um dos maiores problemas foi a equivocada resposta aos altos preços da energia com a promoção de biocombustíveis à base de grãos, disseram os especialistas consultados pela AFP.
“Todos conhecemos o frenesi de biocombustíveis que distorceram os mercados de grãos”, comentou Zeigler.
Ele e Von Braun apóiam uma moratória sobre a produção de combustíveis à base de grãos, ou derivados de oleaginosas, mas não para os produzidos a partir da cana-de-açúcar.
“Nossos modelos de análise sugerem que, se for determinada uma moratória sobre biocombustíveis em 2008, pode-se esperar uma redução de preços do milho de cerca de 20% e do trigo, de 10%, em 2009 e em 2010”, afirmou Von Braun.

Como ele não “volta” para comentar nem o artigo de Serra, nem o da France Presse, suponho que apóie o ponto de vista ali esboçado. Que, aliás, é o mesmo de Lula. Chegamos então à uma conclusão algo chocante: a de que a opinião de Reinaldo Azevedo sobre determinado assunto depende fortemente de quem o está defendendo. O que aliás já sabíamos.

Entre outras variações possíveis, uma paráfrase de Mussolini: “governar com o PMDB é fácil, mas é inútil”.  Editorial do Valor de hoje:

Não se governa sem PMDB, e menos ainda com ele

De fato, como diz o deputado Michel Temer (PMDB-SP), “ninguém governa sem o PMDB”. Mas é igualmente verdadeiro dizer que, com o PMDB, ninguém governa. Essa federação de partidos estaduais, que consegue se manter como uma das maiores legendas do país sem ser diretamente uma alternativa de poder, já que não dispõe de lideranças nacionais competitivas para disputar a Presidência, tem desempenhado ao longo do tempo o papel de aliado fundamental de qualquer governo num cenário partidário pulverizado.

Como é na sua grande bancada que reside a sua força, e também na habilidade de seus líderes (ou na força bruta, dependendo do momento) de usá-la para distribuir poder a lideranças regionais guindadas ao cenário nacional, é fundamental para o PMDB antecipar-se aos movimentos dos eleitores e saber de que lado deve estar para continuar governo. A espetacular virada que o ex-governador Orestes Quércia, cacique do PMDB de São Paulo, deu no quadro eleitoral paulistano, foi, sem dúvida, uma antecipação de 2010. E se num primeiro momento parece apenas mirar o prefeito Gilberto Kassab (DEM), em detrimento do tucano Geraldo Alckmin, na verdade rearruma as forças políticas para as eleições presidenciais, favorecendo a candidatura do governador José Serra e trazendo o epicentro das negociações para o Estado mais rico da Federação, quando elas já haviam se expandido para além das “elites brancas” paulistas (na designação do ex-governador Cláudio Lembro) e ganhado as terras mineiras, atraídas pelas negociações entre o governador tucano Aécio Neves e o prefeito de Belo Horizonte, o petista Fernando Pimentel.

Apesar da rivalidade histórica entre Quércia, que fez o acordo municipal, e o presidente nacional do PMDB, Michel Temer, o acordo paulistano soa como uma articulação bem ensaiada e um golpe de mestre para recolocar o PMDB no centro do poder – e, pelo visto, o partido aposta que o governador Serra tem chances reais de eleger-se sucessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010. O efeito visível do acordo DEM-PMDB é desestabilizar as pretensões do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) de disputar as eleições para a prefeitura da capital, mesmo contra Kassab. Mas isso está longe de significar um rompimento entre PSDB e DEM – cuja aliança marcou sucessivos governos tucanos em São Paulo e os dois mandatos presidenciais do também tucano Fernando Henrique Cardoso. Se Alckmin recuar e aceitar o oferecimento de se candidatar a um terceiro mandato no Palácio dos Bandeirantes em 2010, numa eleição que teria Serra na cabeça de chapa como candidato a presidente, a petista Marta Suplicy, se for a candidata do PT à prefeitura da capital, teria contra si não apenas Kassab, mas uma poderosa coligação entre PSDB, PMDB e DEM. Uma derrota de Marta nas eleições municipais a inviabilizaria como candidata a presidente pela legenda do presidente Lula em 2010 – e ela é a liderança petista hoje mais visível nacionalmente e com mais chances de cumprir este papel.

A manobra quercista, portanto, está longe de ser antitucana. Tem o poder de colocar um pé do PMDB no governo Lula e outro num eventual futuro governo tucano. Mas, se a jogada política tem o poder de reafirmar a máxima de que “ninguém governa sem o PMDB”, pode também perpetuar o entendimento de que “ninguém governa com o PMDB”. Os governos pós-redemocratização, todos eles, sofreram graves crises de governabilidade. O PMDB esteve atrás de várias delas. Ao longo da história, o partido tem se firmado, eleição após eleição, como aquele que tem a posição mais consolidada – a sua bancada não sofre grandes variações, mesmo não possuindo candidatos com chances de chegar à Presidência. Em compensação, o fato de ser uma soma de interesses de caciques regionais, e o poder que dispõe no Congresso, torna-o uma legenda com votos negociáveis um a um, sem a garantia de sólido apoio a qualquer governante. É esse mesmo PMDB que, depois de fazer um difícil acordo com o presidente Lula e repetir o seu padrão de comportamento político no Legislativo – jamais unido, nunca fazendo uma negociação coletiva, sempre abrindo espaço para chantagens individuais -, prepara-se para cumprir o mesmo papel em 2011, com o novo governo – que, aposta, será de Serra. Lula teve grandes dificuldades com o partido. Serra, se eleito, vai repeti-las.

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Gozado mesmo é lembrar que “os tucanos criaram o partido [PSDB] em 1988 para ficar bem longe de Orestes Quércia, considerado um símbolo da degeneração do PMDB“, como diz o artigo de Eliane Catanhêde que motivou um processo da parte de Quércia.  Como é mesmo aquela história de que um erro não justifica o outro, companheiros tucanos?

Deu no Valor, em uma matéria sobre o crescimento do mercado de seguro de crédito e a falta de gente qualificada para operá-lo:

“Não há mais do que 30 profissionais especializados em seguro de crédito no Brasil”, afirma Mariane Guerra, gerente de RH da Marsh. Em meio a essa batalha, a corretora resolveu apostar na formação de profissionais para suprir a escassez de mão-de-obra. Mas enquanto eles não estão prontos, a empresa continua recorrendo a prática de recrutamento no mercado. Recentemente, preencheu duas vagas que estavam em aberto, após meses de procura. Para tanto, chegou a “importar” talentos.”

Aí fica essa meninada aí na rua vendendo bala, quando poderiam estar trabalhando no seguro de crédito.  Ô, raça.

Globalização dá nisso:

Jornais do mundo repercutem confusão com Ronaldo

Os sites dos jornais italianos e espanhóis repercutem o caso do atacante Ronaldo, do Milan, que foi parar em uma delegacia do Rio de Janeiro após confusão com travestis.

– Festas com (má) surpresa para Ronaldo – escreve o La Reppublica.

O italiano La Gazzetta dello Sport também dá grande repercussão para o caso. O site mostra a foto do travesti André Luis Ribeiro Albertino, conhecido como Andréia Albertine, mostrando um documento do carro do jogador.

O espanhol El País também apresenta uma foto de Andréia, com o título “Ronaldo, extorsionado por un travesti “.

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The bright side: pelo menos espanhóis e italianos vão descobrir que existem travestis brasileiros no Brasil.

Grand Theft Auto IV.

De certa forma, realmente é extraordinariamente educativo.

O Cato Institute ofereceu o seu Prêmio Milton Friedman a Yon Goicoechea, jovem estudante venezuelano que, diz o site da Cato, liderou o movimento que  acabou tendo sucesso em  evitar que Chávez  se transformasse em presidente perpétuo da Venezuela.  Ainda segundo o site, o prêmio, criado em 2002 (cujo nome inteiro é The Milton Friedman Prize for Advancing Liberty) premia a cada dois anos um indivíduo que tenha feito uma contribuição relevante pelo avanço da liberdade.  A estátua do prêmio é claramente inspirada em um coquetel molotov.

Duas coisas curiosas a notar:

a) Goicoechea é um sobrenome basco.  Provavelmente foi o único “basco” a quem já ocorreu ao Cato agraciar com um prêmio pela busca da liberdade.

b) Goicoechea é um estudante universitário que na verdade é um agitador de um movimento estudantil.  Não sei se 1968 já terminou lá na 1000 Massachusetts Avenue, mas deve ser também a primeira vez que o Cato chega perto desse tipo de gente.

Eleições 2010

Em fevereiro de 2007, pescadores capturaram um espécime de lula gigante ao largo da Nova Zelândia.  O animal estava em condições incrivelmente boas de preservação.  O animal foi congelado, para ser melhor estudado por uma equipe gabaritada.

Agora os pesquisadores estão descongelando e dissecando o animal, e montaram um blog para compartilhar suas descobertas.

A lula gigante é um animal misterioso _ apenas 6 foram encontradas à tona até hoje.  O conhecimento que se tem delas, em sua maior parte, advém dos restos semidigeridos encontrados no estômago de cachalotes, mamíferos marinhos que mergulham bem fundo a fim de capturar aquilo que para eles parece ser uma grande iguaria.

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Agora, se o bicho já está assim congelado, imagina descongelando.

Deu no Globo:

Cientistas afirmam ter encontrado um lagarto sem patas, uma tartaruga e um pica-pau anão, entre 14 espécies que se acredita serem novidades para a ciência no cerrado brasileiro. A divulgação é de uma ONG internacional de conservação.

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De fato, o cerrado brasileiro vem abrigando todo tipo de bicho estranho. Inclusive jabutis arborícolas.

“Põe o dedinho” aqui uma ova

O The Scientific Activist, do Science Blogs, nos informa que o Senado americano aprovou, na última terça feira, por 95-0 votos, um projeto de lei (o Genetic Information Nondiscrimination Act, carinhosamente apelidado GINA) proibindo a discriminação com base na análise de dados genéticos para fins de admissão no emprego ou em planos de saúde.   Surpreendentemente, na Câmara a votação tinha sido 420-3, esses 3 que votaram contra eram republicanos, e um dos três era, de todos os políticos norte-americanos _ Ron Paul.

Acho que é hora de discutir as relações entre genética, libertarianismo e livre-mercado, pois não?

Confesso que não conheço muito Ron Paul, mas sei que ele era o preferido na corrida presidencial norte-americana por 10 entre 10 libertários (no sentido americano do termo).  Me é difícil entender como uma plataforma política libertária pode se coadunar com o screening genético.  Do ponto de vista puramente filosófico, o primado da liberdade individual deveria incluir a liberdade de não ser discriminado, penso eu.  Há aí um sério problema de emprego de palavras, porém.  Porque “não ser discriminado” é mais um “direito’ que uma “liberdade”.  Qual é a diferença?

Se a lei previsse apenas a liberdade de não ser discriminado, penso que ela estaria apenas garantindo o direito do indivíduo não submeter-se ao screening genético _ mantida, porém, a liberdade do empregador (ou do plano de saúde) de propor o teste.  Do ponto de vista do empregador, ele poderia, em um check-list, dar menos pontos a quem não concorda em submeter-se ao screening.  E o plano de saúde poderia incluir esta informação em sua previsão atuarial, cobrando mensalidades maiores dos que não aceitam submeter-se ao teste.

Já o direito de não se discriminado simplesmente eliminaria o teste, proibindo-o.  Neste caso nem o empregador nem o plano de saúde disporão de alguma informação a ser fatorada em seus procedimentos de admissão.

Mesmo de um ponto de vista pró-mercado mas mitigado do libertarianismo mais convicto, há algumas questões interessantes sobre as quais se pode refletir.   Do ponto de vista da pura eficiência, sem considerações de justiça, acho que não há dúvida de que o screening seria interessante.  Por outro lado, de um ponto de vista mais “voltado a incentivos”, o screening é inútil, já que as pessoas não têm como alterar sua carga genética.  Neste caso não há como escapar do fato de que a ótica pró-mercado embutiria, em sua própria lógica, uma justificativa para a eugenia.

A única forma de escapulir dessa armadilha é apelar para a justiça de tipo rawlsiano, onde um véu de ignorância cobre a situação ex-ante e os cidadãos têm que criar as regras do contrato social imaginando que podem estar na pior das situações.

Tudo isto, é claro, considerando que o screening genético realmente produz informações relevantes, o que possivelmente ainda não é algo totalmente correto.

Fred Buenrostro, CEO do Calpers, o maior fundo de pensão dos EUA (responsável pelas aposentadorias dos funcionários públicos da Califórnia, principalmente professores), pediu demissão.  Disse que vai buscar novas oportunidades no setor privado.

Uma semana atrás, Russell Read, o principal executivo da área de investimentos do Calpers, pediu demissão.  Disse que ia buscar novas oportunidades no setor de investimentos ambientais.

E em janeiro, já havia pedido demissão do Calpers a analista sênior de investimentos Christianna Wood, também perseguindo novas oportunidades no setor privado.

Claro que pode ser mera coincidência.  Porém, diz a matéria do Financial Times que desde a chegada de Read, em 2006, o Calpers perseguiu uma política “mais agressiva” de investimentos _ em relação ao histórico do próprio Calpers _ na área de infraestrutura.  Segundo o analista James Hawley, diretor do The Elfenworks Center for the Study of Fiduciary Capitalism, nos últimos anos o Calpers seguiu a mesma política que outros grandes investidores institucionais _ o que, para alguém que já ouviu falar de “efeito-manada”, não é exatamente uma notícia extremamente reconfortante.

***

Bem, só a menina Christianna manejava fundos de 150 bilhões de dólares.  Se algo de podre estiver acontecendo no Calpers, e em outros investidores institucionais de porte semelhante _ aí a casa cai.  Principalmente porque os grandes investidores institucionais são vistos como o último baluarte da boa governança corporativa, como se vê nesse abstract de um texto do próprio James Hawley (Shifting Ground: Emerging Global Corporate Governance Standards and the Rise of Fiduciary Capitalism):

This paper examines the long-term interests that large institutional owners (e.g. CalPERS, Hermes, USS) have in the development of global corporate governance standards, especially as governance standards increasingly become intertwined with other standards and regime parameters involved in the globalization debates. It argues that institutional owners have a unique perspective and voice to contribute to the formulation of global standards in a variety of areas based on their long-term financial interests. This conclusion is supported by an analytic review of the current state of global corporate governance, including multilateral initiatives (e.g. OECD, World Bank); an analysis of significant institutional investors, the role of various rating agencies (e.g. Fitch, Moody’s), the International Corporate Governance Network and the growing role of various NGO’s (e.g. CERES, Carbon Disclosure Project) in relation to corporate governance. Finally, the paper examines the strengths and limitations of the authors’ previously developed arguments about institutional owners as universal owners and the fiduciary capitalism perspective in the context of emerging global corporate governance standards as modified by varying national/regional forms of ownership.” (grifo meu)

From here to eternity.

…a versão online do Guardian anuncia a nova versão do Grand Theft Auto.

Churchsigngenerator.

(hat tip: Cosma Shalizi)

Eu aderi à campanha da Maristela, do Clínica da Palavra:

Apresente Ronaldo Nazário a um oftalmologista.

Três notícias no site do Estadão:

RONALDO

Jogador é envolvido em incidente com travestis

LÍDER DO TRÁFICO DO PAVÃO-PAVÃOZINHO TRABALHAVA NO PAC

‘Pit bull’ era vigia; para a polícia, traficantes tentam se infiltrar nas obras

APAIXONADO

Subcomandante Marcos declara paixão por Angelina Jolie

Mais de 60 anos depois, a Alemanha ainda assombra o litoral da Inglaterra

A nova pesquisa Census deixou Tio Rei mais perdido que cachorro que caiu da mudança. Diz ele:

Dilma, Ciro, Aécio
Também dentro da margem de erro, a ministra teve uma pequena oscilação para cima. Aquela famosa tese petista de que o dossiê ajudou a elevar as intenções de voto na ministra é cascata da grossa. É bom lembrar que ela está ao lado de Lula em todas as solenidades do PAC. Algum benefício haveria de obter com essa proximidade. Afirmar que as denúncias colaboraram para elevar sua popularidade tem tanta validade científica quanto afirmar que ela poderia estar melhor não fosse o dossiê.

Matéria do Correio Braziliense, transcrita no blog do João Antônio:

A sensação de que Dilma — como Lula no primeiro mandato — “mais cresce quanto mais apanha” ainda carece de comprovação de pesquisas de âmbito nacional. Mas já está retratada em sondagens regionais realizadas, por exemplo, pelo PSDB.
Nós estamos errando muito. Dilma está se beneficiando da crise ao ficar permanentemente na mídia”, argumenta o tucano Jutahy Magalhães Júnior (BA)
.”

Pô, Tio Rei, se até os tucanos estão dizendo…

Ele continua:

O futuro
Dados os números, Lula vai tentar a (re)reeleição? É claro que setores do petismo tentarão botar o bloco na rua — e ele próprio manterá aquela ambigüidade conhecida em relação ao assunto. Mas, sinceramente, não creio que o faça. A democracia comporta algumas outras instância, que não apenas a chamada “vontade das ruas”, e acho que Lula não compra essa briga.

Lula quer ser, aí sim, um eleitor poderoso. Se, em 2010, sua popularidade estiver nas alturas, qualquer candidato que tenha o seu apoio chega, com razoável facilidade, a 30% dos votos — e, é claro, SERÁ UM NOME DO PT.

Como Tio Rei muda de idéia rápido. Até outro dia, para ele, o Eneadáctilo era a reencarnação de Hugo Chavez, e agora está mais comportado que o Álvaro Uribe?

Tal pai, tal filha

Não, não vou falar do galo. Essa pedreira eu vou deixar para o Idelber

Mas vou falar dessa notícia aqui.

Na minha infância eu era um grande observador da natureza. Aliás eu acho que teria dado um bom naturalista do séc. XIX. Uma das minhas diversões era observar as formigas (confesso que eu fazia algumas crueldades com elas, tais como colocá-las para brigar com aranhas, ou formigas de outras espécies) e insetos em geral. Por conta disso também observava de perto pássaros, vorazes consumidores de insetos. Quem já se dedicou a observar atentamente um pássaro caçando insetos em um gramado sabe muito bem que essa vinculação entre dinossauros e aves não tem nada de exótica _ eu mesmo em minha infância me divertia imaginando que os pássaros no gramado eram enormes dinossauros, sem ter, obviamente, a menor idéia de que um dia essa minha fantasia teria corroboração científica.

O grande lance da notícia, porém, é que pela primeira vez paleontólogos foram capazes de extrair tecidos moles de dentro de um osso fossilizado há mais de sessenta milhões de anos:

“De acordo com as teorias sobre o processo de fossilização, não se espera que material orgânico original seja capaz de subsistir por tanto tempo, por isso encontrar este material em um fóssil tão antigo é uma verdadeira surpresa. Eles são, de longe, a mais antiga dessas moléculas extraídas de fósseis.

“Sempre se acreditou que a preservação de [ossos de dinossauro] não se estenderia ao nível molecular e celular”, disse a co-autora Mary Schweitzer, da North Carolina State University em Raleigh, E.U..

“Os percursos de decaimento celulares são bem conhecidos para os organismos modernos. E extrapolações nos fazem prever que todas as matérias orgânicas em um fóssil vão desaparer completamente em 100.000 anos, no máximo.”

O que me inspirou uma forma realmente revolucionária de reconciliar religião e ciência, que é proclamar o dino aí como santo e acondicionar sua ossada relíquia em alguma igreja.

Matéria da Folha de hoje:

África sofre com alimentos mais caros

Elevação dos preços ameaça trazer mais pobreza, mas também se apresenta como oportunidade para a agricultura

O problema é que o risco é imediato e as possibilidades são de longo prazo, mas leva tempo ensinar agricultores a usar técnicas modernas

***

Gostaria de saber se para os entusiastas da “mão visível” a solução para essa inflação seria aumentar os juros africanos.

***

Tudo a ver com o debate que está havendo entre o Tyler Cowen do Marginal Revolution e o Dani Rodrik sobre o efeito da liberalização do comércio mundial dos produtos agrícolas. O debate é interessante, e claramente há um problema intertemporal aí.

Diz Cowen:

O comércio mais livre poderá encher a tigela de arroz do mundo

A alta nos preços dos alimentos representa a fome para milhões de pessoas e também a instabilidade política, como já se viu no Haiti, Egito e Costa do Marfim. Sim, a energia mais cara e o mau tempo devem ser considerados culpados em parte, mas a verdadeira questão é saber por que o ajuste não está sendo mais simples. Um grande problema é que o mundo não tem um comércio que baste em matérias-primas para alimentação.

O dano causado pelas restrições ao comércio é provavelmente mais evidente no caso do arroz. Embora o arroz seja a principal matéria-prima para metade do mundo, é altamente protegido e submetido à regulamentação. Apenas entre 5% a 7% da produção de arroz do mundo é negociada entre países; isso é extraordinariamente pouco para uma commodity agrícola.

Então, quando o preço sobe – na verdade, muitas variedades de arroz praticamente dobraram de preço desde 2007 – esse mercado bastante segmentado indica que o comércio com arroz não flui nos locais de demanda mais elevada.

O baixo rendimento com o arroz não é o principal problema. A Organização para Alimentos e Agricultura da ONU calcula que a produção global de arroz tenha aumentado em 1% no ano passado e diz que deve aumentar 1,8% este ano. Isso não é impressionante, mas não deveria provocar mortes pela fome.

O dado mais significativo é que durante o próximo ano o comércio internacional de arroz deve declinar em mais de 3%, quando deveria estar-se expandindo. O declínio é atribuído principalmente às recentes restrições sobre a exportação de arroz nos países produtores de arroz, como Índia, Indonésia, Vietnã, China, Camboja e Egito.

À primeira vista, parece compreensível, porque um país pode não querer enviar valiosas matérias primas para o exterior em uma época de necessidade. Apesar disso, os incentivos de prazo mais longo são contraproducentes.

Tais restrições à exportação indicam aos produtores agrícolas que suas safras são menos rentáveis exatamente quando são mais necessárias. Existe pouco incentivo ao plantio, colheita ou armazenagem de arroz suficiente – ou de qualquer outro plantio, por essa razão – como uma proteção contra os maus tempos.

Essa tendência de desvio das leis da oferta e procura também é aparente nas Filipinas, onde o governo está perseguindo e prendendo açambarcadores de arroz que, é claro, estão simplesmente armazenando arroz ante a possibilidade de chegarem tempos ainda mais difíceis.

Nos mercados de commodities não é raro que a elevada demanda cause acentuados aumentos de preços; no curto prazo, em geral, é difícil conciliar a nova demanda com os novos fornecimentos. A questão é saber se o suprimento e o comércio podem aumentar para compensar o aperto no mercado.

As restrições sobre o comércio de arroz trazem o risco de tornar permanentes a escassez e os preços elevados. As restrições às exportações ameaçam tornar o comércio e a produção de arroz em um jogo de compensações onde os ganhos de um país são conquistados à custa de outro. Isso dificilmente seria a melhor forma de se progredir em uma economia mundial que cresce rapidamente.

Essa falta de apoio ao comércio reflete uma tendência mais ampla e perturbadora. Uma crescente porcentagem da produção mundial, incluindo aquela para a agricultura, vem dos países pobres. No geral, isso é bom para os países ricos, que podem se concentrar na criação de outros bens e serviços, e para os países pobres, que estão produzindo mais riqueza. Mas pode desacelerar a velocidade do ajuste para as condições globais em transição.

Por exemplo, se cresce a demanda pelo arroz, os produtores agrícolas vietnamitas – que continuam cativos das duradouras regulamentações do comunismo – nem sempre têm condições de dar uma resposta rápida.

Eles não têm nem mesmo a liberdade completa de embarcar e comercializar o arroz dentro de seu próprio país.

Os países mais pobres também tendem a ser os mais protecionistas. Para piorar as coisas, cerca de metade do comércio global de arroz é controlado por conselhos estatais de caráter político.

A realidade é que grande parte da escassez atual em commodities, incluindo a que existe pelo petróleo, acontece porque cada vez mais a produção e o comércio ocorrem em países relativamente pouco eficientes e sem flexibilidade. Estamos acostumados ao tempo de resposta do Vale do Silício, mas quando se trata da produção de commodities, muitas das mais importantes instituições do exterior têm apenas um pé na era moderna. Em outras palavras, a mesa das commodities do mundo está longe de ser plana.

Muitos países pobres, incluindo alguns da África, poderiam estar produzindo muito mais arroz do que produzem agora. Os principais culpados por isso incluem a corrupção na cadeia de abastecimento de arroz, sistemas de irrigação mal planejados, estradas terríveis ou não existentes, instáveis direitos de propriedade, reformas agrícolas mal avaliadas e controles de preço sobre o arroz.

A capacidade de produção de arroz de um país depende não só de seu clima, mas também de suas instituições. Burma, agora Mianmar, já foi o principal exportador de arroz do mundo, mas agora é um país mal administrado e grande parte de sua população passa fome.

Claro, os países ricos são parcialmente culpados também. Japão, Coréia do Sul e Taiwan protegem os produtores nativos de arroz; também se verá o arroz sendo produzido na Espanha e na Itália, com a ajuda dos subsídios da União Européia e do protecionismo. Os Estados Unidos gastam bilhões em subsídios aos produtores domésticos de arroz.

No curto prazo, a existência desses produtores domésticos de arroz aponta para menos pressões sobre a demanda no mercado mundial, o que pode ser uma boa coisa. Mas de novo, os efeitos no longo prazo, são perniciosos.

A produção de arroz de baixo custo em países como a Tailândia não é voltada para o atendimento a uma demanda estrangeira mais elevada, como o seria em um mercado mais livre. Quando se precisa de mais arroz, a capacidade é limitada e é lento o fornecimento dos grãos. E o arroz protegido dos países ricos é simplesmente caro demais para aliviar a fome nos países muito pobres.

Recentemente tornou-se moda afirmar que, nessa época de turbulência nos mercados financeiros, os ensinamentos de Milton Friedman, voltados para o mercado, pertencem mais ao passado que ao futuro. A triste realidade é que quando se trata da produção de alimentos – sem dúvida a mais importante de todas as atividades humanas – as idéias de livre comércio de Friedman ainda não viram a luz do dia.

Ao que Rodrik retruca:

A falácia “livre comércio reduz preços”, mais uma vez

Desta vez, o culpado é Tyler Cowen. Em sua coluna para o New York Times de hoje, Cowen argumenta que o livre comércio de produtos alimentares como arroz seria benéfico para o abastecimento global e ajudaria a reduzir os preços. Ele está provavelmente certo sobre o primeiro efeito, mas não sobre o segundo. O efeito de livre comércio sobre os preços domésticos dos alimentos depende de saber se um país é importador ou exportador de alimentos. O livre comércio pode reduzir os preços dos alimentos (em relação a outros preços) só nos países que são importadores de alimentos. Os países exportadores experimentariam um aumento do preço relativo dos alimentos, e simplesmente não há maneira de escapar dessa realidade.

O comércio internacional funciona aliviando a escassez relativa de bens. A chave aqui é o termo “relativa”. Nos países importadores são os alimentos que são escassos, e à medida que há abertura do comércio, o preço relativo dos alimentos cai. Mas se você for a Tailândia ou a Argentina, onde outros bens são escassos em relação aos alimentos, livre comércio significa preços relativos dos alimentos mais elevados, e não menos. E todas as vantagens induzidas na eficiência de curto versus longo prazo que sobre as quais fala Cowen não têm qualquer influência sobre esta conclusão: no fim alguns países tem de ser importadores líquidos, e outros, exportadores líquidos.”

***

Alguns pitacos:

Evidentemente o problema é que a escala de tempo considerada por um e por outro não é a mesma. Na tréplica dada por Cowen no Marginal Revolution, este comentário do Rodrik deixa isso claro:

Talvez queiramos mesmo o livre comércio de arroz, mas duvido que pelas razões apresentadas por Cowen em sua peça no NYT. O livre comércio de arroz faria pouco para atenuar a crise alimentar que estamos a enfrentar, e, na realidade, iria provavelmente torná-la pior, no curto prazo, uma vez que daria origem a um novo aumento do preço real do arroz no mercado mundial (de acordo com o Banco Mundial e outras estimativas). Pode-se contar obviamente todo o tipo de fábulas sobre efeitos dinâmicos relacionadas com a dimensão e os efeitos no investimento de longo prazo que possam reverter os efeitos do impacto. Mas sugiro que se comece com aquilo que sabemos razoavelmente bem antes de se especular.

Um comentador lá na tréplica do Cowen faz um comentário interessante que ilumina o real problema:

Se o comércio de arroz for liberalizado, como defende Cowen, o preço do arroz subiria nos países pobres que têm um déficit na produção de arroz? A curto prazo (digamos que o curto prazo é de um ano), haveriam mais pessoas com fome, ou haveriam menos pessoas fome?

Quem produz arroz no mundo? Eis um quadro com dados de até 2003 que achei aqui:

(clique para ampliar)

E quem são os grandes importadores de arroz? Achei esta lista:

  1. Nigeria … 1.4 million tons (4.8% of global rice imports)
  2. Saudi Arabia … 1.2 million tons (4.2%)
  3. Philippines … 1 million tons (3.6%)
  4. Bangladesh … 991,810 tons (3.4%)
  5. Iran … 986,000 tons (3.4%)
  6. China … 928,210 tons (3.2%)
  7. Cote d’Ivoire … 868,320 tons (3.0%)
  8. Brazil … 852,080 tons (2.9%)
  9. Senegal … 822,550 tons (2.8%)
  10. South Africa … 744,840 tons (2.6%)
  11. United Arab Emirates … 717,710 tons (2.5%)
  12. North Korea … 702,000 tons (2.4%)
  13. Japan … 662,020 tons (2.3%)
  14. Russia (Europe) … 618,460 tons (2.1%)
  15. United Kingdom … 569,560 tons (2%)
  16. Malaysia … 523,660 tons (1.8%)
  17. United States … 480,750 tons (1.7%)
  18. Benin … 476,490 tons (1.6%)
  19. France … 474,270 tons (1.6%)
  20. Mexico … 459,210 tons (1.6%)
  21. Russian Federation … 454,710 tons (1.6%)
  22. Indonesia … 390,830 tons (1.3%)
  23. Singapore … 346,700 tons (1.2%)
  24. Canada … 334,320 tons (1.2%)
  25. Hong Kong … 326,230 tons (1.1%)
  26. Yemen … 322,240 tons (1.1%)
  27. Sri Lanka … 240,700 tons (0.8%)
  28. Syria … 236,710 tons (0.8%)
  29. South Korea … 209,320 tons (0.7%)
  30. Kuwait … 150,620 tons (0.5%)
  31. Oman … 149,830 tons (0.5%)
  32. Jordan … 135,890 tons (0.5%).

Essas outras duas listas mostram os países com o maior incremento e com a maior queda nas importações de arroz (2004):

Maiores incrementos:

  1. Sri Lanka … 240,700 tons (up 597.3% in 2004)
  2. China … 928,210 tons (up 129.4%)
  3. Benin … 476,490 tons (up 124.8%)
  4. Saudi Arabia … 1.2 million tons (up 78%)
  5. Oman … 149,830 tons (up 64.5%)
  6. Kuwait … 150,620 tons (up 54.2%)
  7. South Korea … 209,320 tons (up 46%)
  8. Malaysia … 523,660 tons (up 42.1%)
  9. United Arab Emirates … 717,710 tons (up 28.6%)
  10. Canada … 334,320 tons (up 26.3%).

Maiores quedas:

  1. Indonesia … 390,830 tons (down 76% in 2004)
  2. Bangladesh … 991,810 tons (down 20.7%)
  3. Brazil … 852,080 tons (down 20.1%)
  4. Nigeria … 1.4 million tons (down 12.6%)
  5. North Korea … 702,000 tons (down 12.5%)
  6. Mexico … 459,210 tons (down 8.6%)
  7. Senegal … 822,550 tons (down 7.6%)
  8. Japan … 662,020 tons (down 6.2%)
  9. South Africa …744,840 tons (down 5.8%)
  10. Russia (Europe) … 618,460 tons (down 4.1%).

Do exame das listas fica claro que os países que estão empurrando a demanda por arroz são países ricos, sejam os países petroleiros, seja a China e a Coréia do Sul, cujas fortunas advém da exportação de manufaturados.

Como responder à pergunta lá em cima, do comentador do Cowen?

Com menores barreiras ao comércio, os preços evidentemente subiriam. Pessoas que vivem em países como Arábia Saudita, Kwait, Canadá e Chna poderiam comer mais arroz, pois poderiam pagar por ele. Em outros países os produtores desviariam sua produção para aqueles primeiros, encarecendo ou mesmo desabastecendo o comércio local. Se estamos falando de países pobres, como os da África, possivelmente haverá mais famintos. No caso do Brasil haverá aumento de preços, mas como já estamos vindo em uma trajetória de queda da importação _ provavelmente por expansão da área plantada _ o mais provável é que mais adiante o investimento em expansão da produção compense a maior demanda.

Qual o efeito líquido? Levando em conta que os países onde o consumo está aumentando são países de alta ou média renda, certamente o cerceamento da sua demanda não implicaria em fome naqueles países, e o aumento do consumo reflete a elasticidade-renda do produto. Por outro lado os países pobres realmente sofreriam o impacto do aumento do produto até que produtores como o Brasil e outros expandissem a produção até o preço cair novamente. Os países mais pobres dificilmente veriam alguma vantagem no processo, pois países como o Brasil, com uma agroindústria mais desenvolvida, teriam maior facilidade de expandir a produção rapidamente e aumentar sua participação no mercado mundial de arroz. Então:

_ países mais ricos teriam efeito líquido de aumento no bem estar;

_ países produtores teriam diminuição do bem estar no curto prazo, mas aumento no médio/longo;

_ países pobres teriam diminuição de bem estar no curto prazo, sem benefícios visíveis no médio/longo.

Os senhores leitores estão convidados a fazer seus comentários.

Mejor ir a San Telmo

Matamoros espanta-se com o fato de não ter encontrado muitos brasileiros na belíssima livraria bonairense “El Ateneo”. De fato é lugar que se pode ir nem que seja só para visitar e não comprar nada. Mas acho que ele se esqueceu que brasileiro, que já não gosta muito de ler, gosta muito menos de ler em espanhol. E por um bom motivo:

LA PRESUNTA ABUELITA

Había una vez una niña que fue a pasear al bosque. De repente se acordó de que no le había comprado ningún regalo a su abuelita. Pasó por un parque y arrancó unos lindos pimpollos rojos. Cuando llegó al bosque vio una carpa entre los árboles y alrededor unos cachorros de león comiendo carne. El corazón le empezó a latir muy fuerte. En cuanto pasó, los leones se pararon y empezaron a caminar atrás de ella. Buscó algún sitio para refugiarse y no lo encontró. Eso le pareció espantoso. A lo lejos vio un bulto que se movía y pensó que había alguien que la podría ayudar. Cuando se acercó vio un oso de espalda. Se quedó en silencio un rato hasta que el oso desapareció y luego, como la noche llegaba, se decidió a prender fuego para cocinar un pastel de berro que sacó del bolso. Empezó a preparar el estofado y lavó también unas ciruelas. De repente apareció un hombre pelado con el saco lleno de polvo que le dijo si podía compartir la cena con él. La niña, aunque muy asustada, le preguntó su apellido. Él le respondió que su apellido era Gutiérrez, pero que era más conocido por el sobrenombre Pepe.

El señor le dijo que la salsa del estofado estaba exquisita aunque un poco salada. El hombre le dio un vaso de vino y cuando ella se enderezó se sintió un poco mareada.

El señor Gutiérrez, al verla borracha, se ofreció a llevarla hasta la casa de su abuela. Ella se peinó su largo pelo y, agarrados del brazo, se fueron rumbo a la casita del bosque.

Mientras caminaban vieron unas huellas que parecían de zorro que iban en dirección al sótano de la casa. El olor de una rica salsa llegaba hasta la puerta. Al entrar tuvieron una mala impresión: la abuelita, de espalda, estaba borrando algo en una hoja, sentada frente al escritorio. Con espanto vieron que bajo su saco asomaba una cola peluda. El hombre agarró una escoba y le pegó a la presunta abuela partiéndole una muela. La niña, al verse engañada por el lobo, quiso desquitarse aplicándole distintos golpes.

Entre tanto, la abuela que estaba amordazada, empezó a golpear la tapa del sótano para que la sacaran de allí. Al descubrir de dónde venían los golpes, consiguieron unas tenazas para poder abrir el cerrojo que estaba todo herrumbrado. Cuando la abuela salió, con la ropa toda sucia de polvo, llamaron a los guardas del bosque para contar todo lo que había sucedido.

Deu na Folha Online:

Governo do presidente Lula tem melhor avaliação desde 2003, diz CNT/Sensus

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou a melhor popularidade em abril deste ano desde que o petista assumiu o governo em 2003, segundo pesquisa CNT/Sensus divulgada hoje. Entre os entrevistados, 57,5% avaliaram o governo como positivo. Na pesquisa anterior, realizada em fevereiro passado, 52,7% consideraram o governo do petista positivo. Desta vez, apenas 11,3% dos entrevistados avaliaram o governo como negativo, contra outros 29,6% que o consideram regular.

Em janeiro de 2003, a avaliação do governo chegou a 56,6%, depois registrou queda. Mas voltou a crescer desde o início deste ano, já em seu segundo mandato.

A avaliação pessoal do presidente Lula também subiu de 66,8% para 69,3% de fevereiro a abril deste ano. Somente 26,1% desaprovaram o presidente, enquanto 4,7% não responderam. Os índices de popularidade de Lula só perderam, em abril de 2008, para as avaliações de sua popularidade registradas em 2003 –o ano em que foi empossado no cargo– quando obteve 83% de aprovação.

E isso mesmo com o caso Isabella sugando toda a atenção do público, hein?

Mas prejudica. Nariz Gelado, ontem:

Magoou

Na terça-feira, eu disse que a bronca – predominantemente da esquerda – com a visibilidade do Caso Isabella se dava porque a cobertura do mesmo estava roubando espaço de Lula na mídia.
Não deu outra.
Hoje, o próprio veio a público queixar-se de pirotecnia por parte da imprensa. A justificativa´foi a mesma reservada aos companheiros encrencados: aquele bom e velho, agora tão bem definido por Jabor, linchamento das evidências – nada foi provado, não podemos condenar antecipadamente, etc e tal .
Tanto quanto das outras vezes, a ladainha não me convenceu. Na verdade, ele está contrariado porque perdeu espaço na mídia.

***

É a arte de juntar o preconceito ao “wishful thinking“…

***

Nariz também está propondo uma campanha para celebrar os 20 anos da Constituição de 1988, adotando o criativo slogan “Censura Nunca Mais”.  Tipo assim:

Outro dia, afirmei que, ao contrário de 1968, que culminaria com o AI5, o ano a ser comemorado é 1988. Porque me parece óbvio que o retorno do país à democracia, mediante a promulgação de uma Carta Magna que nos devolveu os direitos individuais e acabou com a censura, é muito mais digno de nota.

Mas, talvez porque a Constituição de 1988 tenha, ao longo do tempo, apresentado inúmeros problemas; talvez porque tornou-se lugar-comum entre os economista falar da década de oitenta como “década perdida”, esta efeméride parece que vai passar em branco – suplantada, simbolicamente, nos meios intelectuais, pelo aniversário de 40 anos da passeata dos 100 mil.

Não neste blog.” (grifo meu)

Realmente, parece que ninguém pensou nisso antes.  Aliás, nem no slogan

Faz tempo que nem sequer olho o caderno Mais! da Folha, mas hoje até que veio alguma coisa que preste: uma conversa entre Ian McEwan e Steven Pinker.

Transcrevo abaixo para os sem-Mais!

Continue lendo »

A floresta é um ativo de baixíssimo valor econômico e, de outro lado, há uma atividade econômica que dá retorno e dá renda. Você não pode desconsiderar que a pecuária é uma atividade econômica rentável. A Amazônia tem uma vocação extraordinária para a pecuária.

Assuero Veronez, presidente da comissão de meio ambiente da principal entidade sindical ruralista, a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), na Folha de hoje.

Elio Gaspari na Folha de hoje:

NOVO AVISO
Em 2010, quando a urucubaca do mensalão reaparecer com roupa e nome novos, virá embrulhada nas bandeiras de algumas centrais sindicais. Na hora em que um conselheiro do BNDES é detido num arrastão da Polícia Federal no combate ao desenvolvimento do lenocínio e à prostituição de empréstimos, os orixás avisam: vai trovoar. O doutor Ricardo Tosto chegou ao conselho do banco seguindo uma norma inaugurada pelo tucanato, que distribuiu algumas de suas cadeiras às centrais sindicais. Tosto foi indicado a Nosso Guia pela Força Sindical.
Lula talvez não saiba, mas o conselho do velho e bom BNDES é o lugar de servidores públicos cujas carreiras confundem-se com a história da indústria brasileira. No passado, Cleantho de Paiva Leite, hoje, João Paulo dos Reis Velloso.

Revista Veja, edição de 1998:

“Briga pela massa

Como o Planalto penetra nos movimentos populares para superar a hegemonia do PT

Na semana passada, encerrando a primeira bateria de programas eleitorais na televisão, o presidente Fernando Henrique estava satisfeito. Na manhã de sexta-feira, num ato que reuniu 600 sindicalistas em Brasília, o presidente colheu a consagração pública de uma tática que, desde a posse, vem implementando com discrição e intensidade: penetrar nos movimentos de massa, sejam quais forem, para romper a hegemonia do PT e outros partidos de esquerda nessa área. Na manifestação, organizada por três centrais sindicais, o presidente prometeu combate sem tréguas ao desemprego, lembrou sua participação em greves, nos idos dos anos 50, e ganhou aplausos e gritos de “um, dois, três, Fernando Henrique outra vez”. As três centrais, que juntas representam 2.300 sindicatos, não dão o tom do movimento sindical nem têm o poder de fogo da maior central do país, a CUT, ligada ao PT e que, sozinha, reúne 2.700 entidades. Mas o encontro é um exemplo de que, em três anos e meio, o Palácio do Planalto se empenhou em influir numa área que, por tradição e afinidade, sempre foi reduto da esquerda. E levou quase a metade do bolo na tentativa.

“Nunca fomos tão bem tratados como neste governo. Com Fernando Henrique, é uma relação mais direta”, diz Paulo Pereira da Silva, do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e membro da Força Sindical, a central criada por Luiz Antônio de Medeiros, hoje candidato a deputado pelo PFL. A relação é tão direta que, nos telefonemas que trocam com alguma freqüência, o presidente saúda Paulinho, como é conhecido o sindicalista, assim: “Ei, peão!””

Lollemurs.

A sua revista se torna mais sensacionalista que o The Sun.

Confesso que me espantei, porque da última vez que olhei acho que o bloguinho valia umas onze pilas. Tudo bem que o dólar despencou, mas acho que ainda assim a lojinha valorizou. Assim, estou vendendo a grife! Também troco por um terreno em João Pessoa. Na praia, é claro. 🙂

Sinto cheiro de ascensáo social

Deu no Valor:

Brasil, o líder no consumo de desodorantes
Lílian Cunha
25/04/2008

Até dezembro, o mercado brasileiro de desodorantes deverá ultrapassar o dos Estados Unidos, até agora o maior consumidor, prevê a empresa de pesquisas de mercado Euromonitor e a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos.

Os brasileiros deverão movimentar US$ 2,314 bilhões com o produto neste ano. Nos EUA haverá pequena redução nas vendas, que tendem a ficar em US$ 2,310 bilhões. “O desodorante é um produto muito ligado à vida social das pessoas”, diz José Vicente Marino, vice-presidente da Natura, segunda maior empresa do setor em vendas. Quando a economia está desaquecida, as pessoas saem menos de casa e usam menos desodorante. Já o brasileiro usa o desodorante como perfume e o conceito de se perfumar tem a ver com afirmação social, diz Marino, que atribui o aumento do consumo, em parte, à melhora da renda.

***

Agora está definitivamente confirmado: o brasileiro é pobre mas é limpinho.

O meu guia de viagens predileto é o Guia do Mochileiro das Galáxias.

O meu segundo guia predileto é o Let´s Go.

Eu nunca usei, acho, o Lonely Planet, vítima de um escândalo do qual a Lucia Malla fala neste post.

Ela cita um comentário de um tal de Jeffrey White, com o qual ela concorda, e eu também:

Guidebooks are the CliffNotes of travel writing, nothing more than a hand-holding exercise. They’re good for a few names and a few addresses, some initial info, and maybe even the surprising fun fact (but you better verify it). Beyond that, they’re useless. They’re often wrong, more often skewed, and they seek to rob you of the only thing you have as a traveler: your impression.”

Lucia acrescenta ainda que

Uma coisa é você buscar nomes, endereços e afins – para isso, um guia de viagem atualizado funciona maravilhas, você não perde tempo procurando um restaurante que fechou as portas no ano passado. As tecnicalidades e atualidades físicas são a riqueza maior de um bom guia de viagem. Entretanto, me fixar num guia fielmente esperando ter as mesmas emoções ali descritas sobre um destino é de um vazio existencial para a minha pessoa impressionante.

Com o que também concordo em gênero, número e grau.

Não obstante, a vida seria dura sem guias de viagem.  Em 1988 eu desci o Rio São Francisco de barco, em um navio (que não era o gaiola, era um comboio de chatas de carga e navio de passageiro chamado barranqueira) da CODEVASF (me disseram que a empresa já não opera essa embarcação, mas eu achei um treco bem parecido no porto de Pirapora via Google Earth).  Eu sabia que a viagem existia, mas não conseguia obter informação em nenhum lugar (naquele tempo, é claro, via telefone, pois não existia internet…).  Onde é que eu fui obter as informações?  Em um guia americano (não me lembro bem qual, era capaz de ser um Fromerzinho da vida).  E pasmem, até o raio do preço em dólar estava certo!

No Pharyngula (e vários outros blogs), uma notícia interessante: um experimento natural feito em ilhas da ex-iugoslávia mostrou o processo de seleção natural agindo, e com uma rapidez impressionante _ cerca de 30 gerações somente.

A história é a seguinte: em 1971, pesquisadores capturaram dez espécimes (cinco machos, cinco fêmeas) de um tipo de lagarto em uma ilha da então Iugoslávia, no Adriático, e os transportaram para uma outra ilha ainda menor.  Nessa outra ilha existia um outro tipo de lagarto.

36 anos depois, uma equipe voltou à ilha.  Descobriu que a espécie original que habitava a ilha estava extinta, mas em compensação, os descendentes dos lagartos introduzidos tiveram amplo sucesso.  O principal motivo desse sucesso foi terem alterado sua dieta: passaram de uma dieta basicamente insetívora para outra que contemplava grande percentual de matéria vegetal.

Dado que a digestão de vegetais não é algo fácil para nenhum animal e requer adaptações muito especiais, os pesquisadores foram atrás de saber o que havia mudado nos lagartos.  E descobriram que de fato eles haviam desenvolvido, neste curto espaço de tempo, modificações ponderáveis na sua anatomia e até mesmo no seu comportamento.  Mas a mais espetacular delas foi o desenvolvimento de características especiais no intestino que operavam no sentido de tornar mais lento o processo digestivo, dando tempo a que bactérias quebrassem a celulose do bolo fecal vegetal, permitindo assim a extração dos nutrientes pelos lagartos.

É, digamos assim, a evolução apanhada em flagrante, com a boca na botija.  Não que seja a primeira vez que lagartos mostram essa capacidade.

Esperamos agora pelo experimento criacionista equivalente, que é detonar uma bomba de neutrons em uma dessas ilhas e esperar pra ver se os lagartos aparecem de novo…

Do engarrafamento como um estilo de vida

Deu no UOL:

Frota de veículos em São Paulo cresce acima da média em março e amplia o “nó” do trânsito na maior cidade do país

Cidade ganhou mais de 48 mil novos veículos no mês, uma alta de 64% em relação à média mensal de crescimento de 2007

Após atingir a marca histórica de 6 milhões de veículos em fevereiro, a frota de São Paulo cresceu acima da média no mês de março: dados recém-divulgados pelo Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito) mostram que 48.571 novos veículos foram emplacados na capital paulista em março, contra os 29.902 em fevereiro e 26.722 em janeiro.

É o maior crescimento de veículos na frota registrado em um mês, analisando-se o período entre janeiro de 2007 até agora. A frota de veículos novos que saiu às ruas em março é 64% maior do que a média mensal de crescimento em todo o ano de 2007, que foi de 29.035 veículos novos ao mês.

Deepest Green

The Voluntary Human Extinction Movement.


Third Rome from the sun

Entre todos os lugares, este seria o último onde a gente iria imaginar a volta da união entre Igreja e Estado…

Coisas que eu esperava ler apenas a partir de 2010 estão vindo para o forno agora.  Tio Rei, hoje:

Eu lamento a presença do sr Orestes Quércia em qualquer aliança — de fato, lamento a sua permanência na política. Mas eu posso fazê-lo o quanto quiser; os ressentidos com a aliança que ele está fechando com o DEM só porque não conseguiram eles próprios o acordo têm de ficar caladinhos. Neste momento, se a reunião ainda não acabou, os petistas estão tentando fazer o ex-governador mudar de idéia e apoiar Marta Suplicy. E, nesse caso, dariam a Quercia o atestado de homem ético.

Tio Rei, em março deste ano:

PT, Quércia e o PUN

Ai, ai… Em 1992, eu era editor-adjunto de política da Folha, e uma das tarefas árduas era impedir — e acho que conseguíamos — que o jornal de transformasse em instrumento dos petistas para “fazer política” contra o seu grande adversário de então, Orestes Quércia. Na linha de frente do ataque, ninguém menos do que José Dirceu. Sim, é normal que oposicionistas “vazem” documentos e façam denúncias contra o partido que está no poder. Ao jornalismo cumpre distinguir a notícia da pura plantação. Acreditem: contra o petismo de então, até Quércia conseguia, às vezes, ser inocente. Agora, leiam abaixo, o PT quer fazer um “negócio” com o ex-governador que se estende até 2010. Nada mal! Em pouco mais de dez anos, a legenda se tornasse o ponto de encontro de adversários históricos como Paulo Maluf e Orestes Quércia. Se depender do PSDB e do PT mineiros, essa conciliação fica ainda mais ampla. Artes do Partido Único, o PUN.”

Tio Rei, em 2006:

A coligação Mercadante-Quércia

Proibido pela Justiça Eleitoral de fazer chicana com o que o adversário tucano não disse, a propaganda de Aloizio Mercadante deu uma murchada. Restou-lhe colar, de novo, no presidente Lula, que, enquanto candidato, pediu a quem vota nele em São Paulo que também vote no senador. Depois Mercadante fez o elenco de suas propostas para as saúde. Quem conhece a área sabe disso: prometeu um monte de coisa que já está em curso. E arrumou uma “história humana” para contar. Quando ele não pode ser doloso, sua campanha fica de pé quebrado. Houve um flash de um comício. Era o de Osasco. Aquele promovido pelo mensaleiro João Paulo Cunha. Serra deu seqüência à linha propositiva, falando de educação, com destaque para as duas professoras no primeiro ano do ensino fundamental, programa que implementou na capital. Para quem está na frente e vence no primeiro turno — à diferença de Geraldo Alckmin —, é a opção correta. E, ainda assim, há um apresentador que faz uma crítica indireta, mas clara, aos programas de Mercadante e Quércia. Reitero: é preciso ir monitorando o efeito da campanha negativa que os dois promovem. Quem lidera não entra em bate-boca. Quem ainda não tem altura precisa chutar a canela. Simples e óbvio. Quércia, coligado com o PP, está disposto a ganhar o eleitorado malufista com um discurso duro sobre segurança, dando murrinhos na mesa e fazendo cara de malvado, de bravo, de sério. Talvez atraia mais indecisos do que Mercadante. De todo modo, uma coisa é óbvia: os dois se uniram num pacto branco contra Serra.
***
Em outras palavras, Reinaldo Azevedo, o homem que defende a ética na política, não vê nada a objetar na aliança de seu candidato do coração, o Prefeito Kassab, com Orestes Quércia, porque se Quércia tivesse escolhido o PT os petistas lhe estariam dando a chancela de homem ético.
Muito lógico.
Deve ser por isso que seu último post até agora dedica-se a falar longamente sobre o jogo de alianças em São Paulo sem jamais abordar o fato singelo de que o PFL DEM está fazendo aquilo que sempre fez, que foi aliar-se com Deus e o Diabo para chegar ao poder _ justamente o que se critica no PT.
O argumento anaeróbico quanto a isso sempre foi o de que não devemos justificar erros do passado com novos erros.  Yep.

Um livro didático de fazer Tio Rei babar na gravata.

Speaks volumes

O “dernier cri” da moda parisiense, hoje, é um restaurante que serve vinho em mamadeiras.

Algo me diz que os franceses estão querendo passar alguma mensagem aos turistas…

O estrago ia ser bem maior

Deu no Correio Braziliense:

Airbus entrega 13 aeronaves com 800 lugares na América Latina

A TAM é, entre as empresas aéreas brasileiras, a mais forte candidata a operar um Airbus-A380, o gigante com capacidade para até 800 passageiros e longos percursos. Para a Airbus, isso pode ocorrer a partir de 2010. A fabricante entrega 13 A380 neste ano, todos fora da América Latina. O presidente da TAM, David Barioni, já havia mencionado em dezembro do ano passado, durante vôos demonstração do Airbus-A380, que a empresa estudava adquirir o modelo. A TAM detém 68,88% do market de vôos internacionais, segundo dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) de março.

Com os 13 A380 que a Airbus deve entregar neste ano a companhia terá em operação 16 unidades do modelo. Atualmente a Singapore Airlines opera três unidades como essas, e deve receber mais uma neste ano, além da australiana Qantas e da Emirates.

A Airbus tem 196 A380 encomendados por 17 empresas, nenhuma brasileira. De acordo com a companhia, o Brasil precisará de 332 aviões até 2026, “(sendo oito A380)“:.

Segundo Rafael Alonso, vice-presidente da empresa para a América Latina e Caribe, a crescente demanda por aviões no Brasil é conseqüência do incremento do tráfego aéreo de passageiros. Segundo a empresa, desde os anos 90 o tráfego internacional brasileiro mais que dobrou, enquanto o movimento doméstico, cresceu 77%.”

***

Desde que não pousem em Congonhas…tudo bem.

“Ora vejam só.  O post é antigo, mas eu não conhecia:

Serviço público: os baixos salários dos mais capacitados

A botocúndia petista é mesmo de amargar. Diz agora que aprovo a elevação dos salários do secretariado do governo de São Paulo porque a medida conta com o apoio do tucano José Serra. É impressionante! Já devo ter escrito umas duas dezenas de textos — desde Primeira Leitura — apontando o ridículo da remuneração do serviço público especializado no Brasil. Em todas as áreas. Há alguns marajás que conseguem liminares na Justiça e acabam recebendo supersalários. Mas, na média, o serviço público paga mal às categorias de ponta.

De quanto será o salário de um secretário em São Paulo? R$ 11.885 brutos. O valor líquido deve ser algo em torno de R$ 9 mil. Médico, engenheiros, arquitetos, administradores ou jornalistas bem-sucedidos ganham bem mais do que isso na iniciativa privada. Chamo de “bem-sucedida” gente de qualidade, disputada pelo mercado de trabalho, com experiência para exercer postos de comando — que é o caso de um secretário. Hoje, ele recebe em torno de R$ 5 mil — abaixo de um editor assistente de jornal, inferior ao ganho de muitos redatores experientes.

O que se diz aqui vale também para a União, onde a realidade é ainda pior. Um ministro tem um salário líquido de uns R$ 6 mil. Ridículo. Waldir Pires reclamou outro dia. Ele não seria mais competente se ganhasse o quádruplo, mas que o valor é irrisório, lá isso é. Secretários-executivos, os que realmente fazem funcionar a máquina, ganham ainda menos. O porta-voz de Lula, André Singer, tem vencimento inferior a ministro. Receberia mais na universidade, de onde se afastou.

Se os funcionários de ponta recebem muito menos do que paga o mercado aos competentes, no outro extremo, o dos salários mais baixos, tem-se o inverso. Não é preciso ser um gênio da administração de pessoal para perceber que a lógica está invertida. Ela acaba privilegiando, digamos, mais o aspecto social do que o funcional. Só que este “social” diz mais respeito à corporação do que ao conjunto da sociedade. Note-se ainda que, à diferença dos deputados, senadores, presidente da República e até governadores de Estado, estes secretários e funcionários especializados não têm qualquer regalia especial: 13 salários e só. Em alguns casos, dispõem de carro oficial com gasolina garantida. Mas não muito mais do que isso.

O que queremos?
Queremos serviços competentes, gente dedicada ao trabalho? É preciso pagar. Eu já disse e repito: duvido da realidade salarial de alguns nomões que estão por aí exercendo cargo público; duvido que recebam apenas aquilo que a lei especifica. Por que gente competente vai comprometer o próprio futuro e o da família servindo ao Estado por R$ 6 mil quando poderia estar ganhando R$ 18 mil?

Existem os abnegados? Ah, existem, sim. Mas também há aqueles que:
– aceitam o cargo como indicação do partido, que passa a ser a sua real fonte de rendimento. No cargo, comportam-se como procuradores de interesses partidários;
– não precisam trabalhar; podem exercer o cargo por amor à causa, mas não vivem do seu salário;
– são pagos, indiretamente, por empresas que prestam serviço aos governos. A prática é ilegal, mas admitida como uma forma possível de manter a pessoa no cargo;
– ocupam cargos no conselho de empresas públicas para dar um jeito de elevar o ganho mensal
– usam o serviço público como um investimento; o objetivo é pular para a iniciativa privada levando consigo as preciosas informações adquiridas no serviço público. Bancos, por exemplo, têm especial apreço por funcionários de ponta mal remunerados

Quem perde? Na maioria das vezes, é a população. Notem que estatais, autarquias e assemelhados já estão fora do teto dos servidores.

Acusei aqui e acuso a indecência do que se tentou fazer com o salário dos parlamentares. É impossível debater seus vencimentos mensais sem levar em conta a cadeia de vantagens de quem dispõem. Recebessem apenas os pretendidos R$ 24,5 mil, seria um valor baixo. Mas sabemos dos outros benefícios. Se Lula gastasse como um mortal comum, os R$ 8,8 mil que recebe seriam uma porcaria. Mas é claro que seu salário é muito maior do que isso. O que sustento é que os altos cargos executivos da administração pública — não o dos políticos eleitos ou o dos funcionários de base ou médio — são baixos.

País pobre
É claro que esses números em face de um mínimo de R$ 350 parecem uma enormidade. O país é pobre; a renda média é ridícula. Mas é fato que alguém terá de exercer os cargos de comando. E que tais cargos demandam uma formação intelectual e profissional. É cruel, mas é assim: essa mão-de-obra não é escolhida no conjunto dos 180 milhões de brasileiros. Ela é fornecida pela elite intelectual e econômica do país. As pessoas investiram em sua formação e esperam retorno, como qualquer um de nós.

Governantes podem tentar se orgulhar dos salários magros, espartanos, de seus subordinados diretos. Desconfiem. O dinheiro que você vê pode ser apenas uma cortina de fumaça para o dinheiro que você não vê.

Que direi?  Até um relógio parado está certo duas vezes ao dia (embora até mesmo eu ache que há certo exagero da parte de algumas parcelas do funcionalismo)…

Perdendo uma grande oportunidade de aprender com o que ocorre no país vizinho, o Brasil proibiu ontem a exportação de arroz, devido ao aumento mundial de preços. Isso, na prática, equivale a aumentar a oferta interna, para segurar os preços. Até acredito, como diz a matéria, que estivesse havendo algum movimento especulativo por parte dos produtores, mas suponho que se o governo tivesse estoques reguladores adequados medida tão drástica não precisaria ser tomada.

Com isso, não só se cria fazendeiros bastante infelizes, como se passa a informação errada para o mercado _ se os preços maiores poderiam incentivar o aumento da área cultivada, consequentemente da produção, e adiante menores preços, o que se faz é justamente desincentivar o aumento da área plantada e possivelmente a conversão dos atuais cultivos para outros produtos não afetados pelo embargo.

Todos os meus 4,5 contumazes leitores sabem que eu sou a favor de um maior arejamento da política econômica brasileira, pela introdução de alguns elementos heterodoxos que desagradam aos fundamentalistas de mercado. Mas com um repertório heterodoxo deste tipo eu acabo tendo que apoiar mesmo é o aumento dos juros pelo COPOM…

***

UPDATE:

O governo volta atrás.  “Foi tudo um mal entendido”…

O ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) disse nesta quinta-feira que o país só adotará medidas para restringir a exportação de arroz em “casos extremos”. De acordo com ele, este limite ainda não foi atingido. Pouco antes, o presidente da Comissão Setorial de Arroz da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Francisco Schardong, disse que o anúncio de ontem fora um “mal-entendido”.

Colaborando com a campanha descoberta pelo Pedro Dória. 🙂

um fã ao avesso

Apud Rafael Galvão, que os tem em grande quantidade, seja pelo avesso ou não.

Levando a propriedade privada ao extremo

Entre todas as manifestações do já tão comentado declínio da esfera pública, eis que se descortina um front totalmente novo:

“Let a publicke benefit expell privat bashfulnesse,” implored John Harington, favourite godson of Elizabeth I and prominent among the crowded pantheon of British toilet heroes. He was decrying the barriers to such sanitary improvements as his flushing water-closet, which he invented in 1596. That same inhibition, often masked by humour, prevents us from seeing in the toilet a powerful barometer of the health of society as a whole. “British public toilets have been in freefall,” says Richard Chisnell, chairman of the British Toilet Association (BTA), and we may recognise in their decline and privatisation a wider sign of the ever diminishing public sphere.

***

Falando nisso, neste fim de semana houve uma grande festa na Esplanada dos Ministérios celebrando os 48 anos de Brasília, atraindo cerca de 1 milhão de pessoas. Mostrando que vida privada e pública podem se misturar, mas nem sempre com consequencias felizes, informo que até agora persistem alguns efeitos menos atraentes do evento, nos estacionamentos dos ministérios…

Showing some respect

Deu no Globo: “Chinês inventa caixão para cachorros“.

Já é um progresso.

Paulo do FYI decidiu: todo preto tem que ser pobre (mesmo nos EUA, “país das oportunidades”, onde tiveram que brigar pelos direitos civis…).

Deu no UOL:

Juiz solta hackers, mas exige que leiam obras clássicas

Jovens acusados de roubar senhas pela internet terão de apresentar resumo à Justiça

Primeiras obras são de Graciliano Ramos e Guimarães Rosa; juiz também os proibiu de freqüentar casas de prostituição e lan houses

KÁTIA BRASIL
DA AGÊNCIA FOLHA, EM MANAUS

Para conceder liberdade provisória a três jovens detidos sob a acusação de praticar crimes pela internet, um juiz federal do Rio Grande do Norte determinou uma condição inédita: que os rapazes leiam e resumam, a cada três meses, dois clássicos da literatura.”

A Ediouro agradece.

Do professor da UnB George Sand França, sobre o abalo sísmico ocorrido ontem com epicentro no Oceano Atlântico, a pouco mais de 200Km de São Paulo, que atingiu 5,2 graus na escala Richter:

O professor França afirmou que São Paulo fica em região de fratura em placa tectônica que já tem uma atividade física permanente. Ele foi sentido na metrópole com maior intensidade devido ao grande número de prédios altos.

A capital de São Paulo amplifica os reflexos do tremor por estar em uma bacia sedimentar. É como se fosse uma base mole, então a onda vem e a freqüência é sentida com mais intensidade”, descreveu.

Alckmin que o diga.

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