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Tio Rei aprontou rapidinho dois posts sobre a pesquisa do Ibope.  A mesma lenga-lenga de sempre, é claro, apimentada pelo fato de que agora, como bom “reservoir dog” de José Serra, ele tem que mandar bala em Aécio Neves, também.

O que eu achei realmente interessante foi isso:

Então chegamos a um outro ponto que parece interessante: Lula, de fato, resolveu não inventar a quadratura do círculo da economia porque, convenham, a conjuntura internacional também não pedia soluções imaginosas. Seus mágicos tiveram de se recolher. A estabilidade lhe permitiu, então, pôr para funcionar a máquina assistencialista que, notem, é, em princípio, incompatível com as… reformas.

O pós-Lula compreenderia, então, a reprodução de todas as condições da conjuntura internacional que permitiram ao Brasil sair do sufoco, a preservação da máquina assistencialista, mais as reformas reclamadas por setores da classe média e do empresariado. A equação não fecha.

Porque diabos o Bolsa-Família _ que Tio Rei não cansa, por outro lado, de dizer que foi invenção tucana, apesar de ser uma “máquina assistencialista” _ é incompatível com as “reformas”?

Para começar a entender isso, teríamos que entender primeiro que “reformas” são essas.  No parágrafo seguinte ele dá a pista: são as “reformas reclamadas por setores da classe média e do empresariado”.   Eu só consigo ver uma “reforma” desejada por tais setores que poderia ser “incompatível” com a manutenção das políticas de renda: a redução de impostos _ e ainda assim, supondo que o país atravessasse uma fase realmente difícil, sem crescimento econômico.  A menos, é claro, que Tio Rei seja contra as políticas de renda assim, a princípio.  O que eu desconfio que é verdade.

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No Estadão:

Lula tem maior aprovação desde sua 1ª posse, diz CNI/Ibope

Segundo a pesquisa divulgada nesta 5ª, índice de 58% é resultado do bom momento do País na economia

SÃO PAULO – A avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atingiu seu melhor desempenho desde a posse no primeiro mandato, em 2003, segundo pesquisa encomendada pela CNI/Ibope divulgada nesta quinta-feira, 27 pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI). O índice de ótimo e bom foi a 58% dos entrevistados na atual pesquisa. No levantamento anterior, realizado em dezembro, esse porcentual era de 51%.

No UOL:

Bush, meu filho, resolve a tua crise”

(…)Lula afirmou ter ligado duas vezes para o presidente norte-americano George W. Bush para tratar da crise, pois soube que o colega havia se chateado com as algumas declarações do presidente brasileiro.

“Eu liguei para ele para falar: Bush, o problema é o seguinte, meu filho, nós ficamos 26 anos sem crescer. Agora que a gente está crescendo vocês vêm atrapalhar. Resolve, resolve a tua crise”, afirmou.

Em seguida, disse que o Brasil tem know-how para salvar bancos, citando o Proer, programa criado para recuperar instituições financeiras que estavam com problemas financeiros na década de 90. “Se precisarem, podemos mandar esta tecnologia para eles [EUA]”, disse Lula.(…)

Tenho a impressão que o Eneadáctilo quer matar Fernando Henrique. De raiva. 🙂

***

UPDATE

Certamente ele quer matar Reinaldo Azevedo também:

O presidente falou também da importância do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para o aquecimento do mercado interno e comparou o Bolsa Família à multiplicação dos pães, um dos milagres atribuídos à Jesus Cristo. “A multiplicação dos pães que Cristo falava é justamente essa”, afirmou.

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David Neeleman chegou para fazer barulho.

O dono da JetBlue, que tem dupla nacionalidade (americana e brasileira), resolveu investir no Brasil criando uma nova companhia aérea. O sujeito:

a) vai comprar todos os seus aviões à Embraer _ gasto total de 1,4 bi de dólares.

b) criou um site na internet para que a população escolha o nome da nova empresa.

Golaço, hein?

Cobertura do NYT aqui. Matéria no Yahoo aqui.

Alguém aí consegue identificar todas?

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O NYT nos informa que um grupo de “áudio-historiadores”(!) trabalhando em Paris descobriu o que possivelmente seja o mais antigo registro gravado de voz existente _ uma cantora cantando um trecho de “Au Clair de Lune“. Clique aqui para ouvir.

O trecho foi gravado em um Fonoautógrafo, um aparelho criado em 1857 pelo parisiense Édouard-Léon Scott de Martinville e que era capaz de gravar sons mas não de tocá-los. A idéia era apenas a de estudar visualmente o comportamento das ondas sonoras _ só mais tarde ocorreu a alguém a idéia de reverter o processo e recriar o som gravado.

Scott de Martinville morreu convencido de ter sido “roubado” em sua glória pela atribuição popular do invento do som gravado a Thomas Edison. Entretanto, a gravação do Clair de Lune, de 1860, predata em 17 anos o registro da patente do por Edison. Denotando notável falta de empreendedorismo (era homem de letras, autor de um livro sobre estenografia), Scott atacou Edison por ter usurpado a tecnologia para um uso diverso daquele para o qual a técnica havia sido inventada: gravar a fala, e não reproduzir sons. Ah, a França.

Como curiosidade adicional, David Giovannoni, Patrick Feaster, Richard Martin and Meagan Hennessey, pesquisadores que desenterraram a gravação, são também os proprietários da Archeophone Records, gravadora especializada em sons antigos (ou como diz seu slogan, “músicas que você pensava perdidas para sempre”). Diz o NYT:

They had collaborated on the Archeophone album “Actionable Offenses,” a collection of obscene 19th-century records that received two Grammy nominations.

Pois é. Tem na Amazon.

Anotem aí, eu serei um defunto muito triste, pois viver é divertido demais.

***

Algo realmente notável na notícia é o fato de que se conseguiu, afinal, reproduzir um som gravado sem que o objetivo tenha sido o de reproduzí-lo algum dia _ na verdade, antes que um reprodutor tivesse sido inventado.

Por afinidade, mas não por causalidade, isso me lembrou de um conto de ficção científica (de cujo autor já não me lembro _ Sprague de Camp? Asimov? Alzheimer?) em que um cara conseguia construir uma máquina capaz de reproduzir qualquer som já existente sobre a Terra. A idéia é a de que o som nunca se extinguia verdadeiramente, apenas se atenuava, e que portanto um amplificador suficientemente potente conseguiria reproduzi-los. Hoje se sabe que os sons obviamente terminam sofrendo morte térmica, atenuando-se até virar mera vibração de átomos e energia mecânica dissipada como movimento de moléculas, isto é, calor.

Em outras palavras, tudo o que você disser será usado para aquecê-lo (e aumentar a entropia do universo).

O papo do dia são os tais 30Kg de urânio _ empobrecido _ que o exército colombiano teria encontrado nos arredores de Bogotá(!) e que estaria sendo “buscado pelas FARC”.

Bem, urânio empobrecido é munição regular em certos armamentos americanos como canhões rápidos anti-míssil ou munição anti-tanque _ não por causa de alguma propriedade radioativa, mas sim porque sendo um dos metais mais densos que existe o urânio é capaz de produzir um impacto suficientemente incapacitante.

Ou seja, algo de valor próximo ao zero para uma guerrilha que se esconde na selva.

Mais interessante seria o governo colombiano explicar como 30Kg de urânio ficaram passeando debaixo de suas barbas. Não que a perda de urânio e outros materiais radioativos, mesmo por superpotências “responsáveis”, seja algo realmente inédito…

***

UPDATE:

Deu no NYT:

Gates Orders Inventory of US Nukes

Published: March 27, 2008

Filed at 5:03 p.m. ET

WASHINGTON (AP) — Defense Secretary Robert Gates has ordered a full inventory of all nuclear weapons and related materials after the mistaken delivery of ballistic missile fuses to Taiwan, the Pentagon said Thursday.”

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Arguto texto de Kenneth Maxwell na FSP de hoje:

Aniversários

DOIS MARCOS importantes foram atingidos nesta semana, sem atrair grande atenção: os cinco anos da guerra de Bush no Iraque e o fato de que o número de baixas fatais dos EUA ultrapassou 4.000. No entanto, de acordo com o “Pew Research Center for the People and the Press”, a conscientização do público quanto ao número de baixas militares fatais dos EUA no Iraque recuou consideravelmente desde agosto.
Hoje, apenas 28% dos adultos são capazes de dizer quantos soldados norte-americanos morreram no Iraque. Em agosto de 2007, 54% deles conseguiam identificar corretamente o número de mortos.
Por que tão pouca atenção? Em parte isso resulta de fadiga de guerra. O público simplesmente deixou a guerra de lado. Também resulta de uma redução na cobertura noticiosa. Em julho de 2007, as reportagens sobre o Iraque respondiam por 15% da cobertura jornalística.
Em fevereiro deste ano, o indicador havia caído a 3%. Trata-se de um resultado da percepção de que as Forças Armadas norte-americanas conseguiram mais sucesso na contenção da insurgência. A queda na cobertura de imprensa refletiu o aparente sucesso do reforço do contingente de ocupação norte-americano no Iraque desde janeiro de 2007, quando o envio de novos soldados e a adoção de uma política de impor e manter uma presença militar dos EUA nas ruas de fato reduziram substancialmente o número de baixas norte-americanas.
Mas a realidade é mais complicada. Os EUA fizeram acordos com milícias sunitas e xiitas -em especial a longa trégua com a milícia do líder religioso xiita Moqtada al Sadr, que pode estar a ponto de terminar. Mark Danner, o brilhante jornalista que vem há muito revelando verdades inconvenientes para os poderosos, escreve: “Observe um mapa de Bagdá à véspera da invasão norte-americana. Os bairros das diferentes seitas eram coloridos em azul, vermelho ou amarelo, e o amarelo, que indicava bairros “mistos”, predominava”. Hoje, ele afirma, “o mapa é uma confusão de cores brilhantes”. E por toda a cidade o amarelo pálido dos bairros mistos se foi, obliterado por estes cinco anos de conflitos sectários. Danner tem “a mais sombria das visões sombrias” quanto ao futuro.
A retirada das forças norte-americanas deve causar a retomada de uma guerra civil mais brutal que nunca, com sunitas armados pelos norte-americanos em combate contra xiitas armados pelos norte-americanos, o que resultaria em um selvagem conflito regional pelos espólios do Iraque.
A verdade é que, quem quer que seja eleito presidente em novembro, terá de enfrentar os assuntos inacabados do Iraque, que voltarão com toda força à posição central no panorama norte-americano. 

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Peixe morre pela boca:

Tirem o “cavalinho da chuva” por 2010, diz Lula à oposição

Presidente afirma que elegerá seu sucessor; evento do PAC vira ato de desagravo a Dilma

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro ontem, em Recife, o quanto a eleição de 2010 o inquieta e enviou um recado para que a oposição tire “o cavalinho da chuva” porque ele fará o sucessor.
“A oposição pensa que vai eleger o sucessor. Podem tirar o cavalinho da chuva, porque vamos fazer a sucessão para continuar governando este país”, disse Lula, em um evento marcado por desagravos à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), tida como possível candidata do PT à disputa presidencial.

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A escrevente Taísa Nascimento chega para a noite de funk em boate no centro do Rio vestindo blusa de decote profundo Oh, boy!, sobre sutiã com detalhe em strass. A calça é do Espaço Fashion

É isso que as zélite abomina: o pobre que em vez de não aparecer fica aí todo pimpão tocando funk na frente da nossa janela.

Com 86 milhões de pessoas, classe C já é maioria da população brasileira

Expansão em 2007 resultou do aumento da renda nas classes D e E, mas uma parcela menor veio das classes A e B

A classe C já é a maioria da população. No ano passado, 46% dos brasileiros pertenciam a essa camada social, ante 36% e 34% em 2006 e 2005, respectivamente. Ela também foi a única que aumentou de tamanho no último ano. De 2006 para 2007, quase 20 milhões de pessoas ingressaram nesse estrato social, um número cinco vezes maior que no período anterior.

A classe C reúne hoje 86,2 milhões de brasileiros com renda média familiar de R$ 1.062. A maior parte do contingente que engordou a classe C vem da base da pirâmide populacional, as classes D e E, perto de 12 milhões de pessoas. Outros 4,7 milhões vieram das camadas A/B, que perderam poder aquisitivo. O restante é proveniente do crescimento vegetativo da população.

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Deu no UOL (tradução de matéria, é claro, do Le Monde):

As formas possíveis de fazer sexo em 2050

Catherine Vincent

Fazer amor sem complexo aos 80 anos. Adquirir objetos sexuais de uma tecnicidade inimaginável atualmente. Realizar virtualmente as fantasias mais ousadas na Internet… Tudo isso, dentro de vinte anos, talvez já seja parte da nossa paisagem familiar.

Mas isso não é nada se comparado com aquilo que prevê David Levy, um pesquisador britânico em inteligência artificial. O título da tese que ele defendeu, em outubro de 2007, na Universidade de Maastricht (Holanda), “Relação íntima com um parceiro artificial”, fala por si mesmo. E mais ainda o do livro que a editora HarperCollins dela extraiu, “Love and Sex with Robots” (“Amor e sexo com robôs”). Resumindo: David Levy afirma que em 2050, os robôs se parecerão tanto com a gente, no plano físico e comportamental, que alguns dentre nós se apaixonarão por eles, e com eles terão relações sexuais.

***

Quem diria que no séc. XXI a camisinha conheceria uma nova utilidade: o isolamento elétrico…

Lá no blog da Ordem Unida Livre, o Diogo Costa tem um post comentando o artigo de Gustavo Ioshpe na Veja sobre preservação ambiental. Não causa surpresa que ele diga o seguinte:

(…) não (…) existe um jogo de soma zero entre economia e ecologia. Ioschpe dá a entender que, se regulamentações ambientais prejudicam o desenvolvimento econômico, logo, defender o desenvolvimento econômico significa sacrificar o meio-ambiente: “Enquanto uma massa de brasileiros vive em condições sub-humanas, sinto-me moralmente impedido de defender a preservação do mico-leão dourado”. Esse dilema só faz sentido se pensarmos exclusivamente nos gastos públicos. Quando as pessoas possuem propriedade dos recursos naturais, em vez da mera licença para a captura ou exploração, há incentivos para a preservação desses mesmos recursos. Um incentivo de força similar ao que há para a destruição irresponsável que vemos na ausência de propriedade privada, quando um animal não capturado ou uma árvore não derrubada é um recurso perdido (às vezes para a competição). Ao fugirmos da mentalidade estatista binária de licença e proibição, percebemos que, porque a fauna e flora são valorizadas pela sociedade, a instituição que promove o crescimento econômico é a mesma que pode garantir uma utilização responsável do meio-ambiente: a propriedade privada. Não há dilema. É a preservação eficiente.

Eu realmente não canso de me admirar de o quanto certas pessoas conseguem desenvolver raciocínios aparentemente lógicos demonstrando soluções que já foram tão completamente desmentidas pela realidade.  Mas eu gostei do comentário do Fernando Sampaio lá no post:

Vide a política alemã de preservação dos recursos hídricos, (adotada voluntariamente pela Bayer no Brasil) de eliminar diversas proibições de despejo de resíduos químicos para estabelecer penas (sic) uma: a empresa deve depejar (sic) os resíduos à montante do rio. Portanto, a qualidade da água a ser usada no processo produtivo (e os custos para trata-la) vão  depender fundamentalmente da disposição da empresa em empregar métodos menos agressivos.

Eu não conhecia a política alemã, mas não posso deixar de notar que aparentemente ela é determinada pelo Estado (tanto é que ele diz que ela é adotada voluntariamente pela Bayer no Brasil).  Não sei se o comentarista percebe, mas o comentário dele é justamente a contraprova da tese do post: primeiro, porque afinal a política é estatal; segundo, porque seu objetivo é justamente a de fazer com que o poluidor internalize os custos dos seus atos _ o que não é sempre possivel e é justamente a raiz do problema das externalidades negativas.

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