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Balas Juquinha são assunto constante neste blog e em geral desempenham papel importante dentre as inúmeras e sedutoras técnicas de que lançamos mão para estimular a participação dos nossos 4,5 leitores.   Isto a despeito deste blogueiro ser relativamente indiferente a doces em geral e particularmente a balas.  É pura nostalgia, mesmo.

Portanto, acho no mínimo justo que as balas Juquinha, ao menos uma vez, sejam notícia neste blog.  Ocorre que o Valor de sexta-feira trouxe uma notícia sobre as balas Juquinha _ sim, sempre podemos contar com jornais de negócios para estas coisas _ anunciando que a empresa está vendendo um enorme terreno contíguo à fábrica, que fica em Santo André, em São Paulo.  Prossegue a matéria:

Se fechar a venda do terreno, a fabricante de confeitos conseguirá, no mínimo, uma receita nove vezes maior do que o seu faturamento anual, que foi de R$ 6 milhões no ano passado. “Trata-se de uma área que estava à venda há 25 anos, mas agora, com o aumento do interesse de incorporadoras pela região, acredito que possa fechar um bom negócio”, afirma Giulio Sofio, sócio da Balas Juquinha. Segundo ele, vários projetos foram traçados antes para o local, de centro de distribuição a parque temático, mas nenhum vingou. O terreno pertenceu ao tio de Sofio, o empresário Baby Pignatari, considerado um dos maiores playboys brasileiros das décadas de 50 e 60.

Com o dinheiro, Sofio pretende investir no mercado de capitais e, talvez, na fábrica. Hoje, com capacidade instalada de 800 toneladas por mês, a Balas Juquinha tem só 45 funcionários e trabalha em um único turno. Mas já esteve bem pior. “Minha receita, que foi de R$ 8 milhões em 2004, caiu para R$ 3 milhões em 2006, e eu demiti a maioria dos 160 funcionários“.

O problema, segundo Sofio, foi a valorização do real perante o dólar, uma vez que dois terços da sua produção vão para o mercado externo. “Decidi parar de exportar e só voltei no ano passado, com o aumento das vendas para o mercado africano”, afirma. Hoje, Sofio exporta para 50 países e tem Angola como principal cliente, lugar antes ocupado pelos Estados Unidos.

Bem, é claro que com uma história dessas nossa curiosidade foi excitada.  Googleando por aí, achei uma matéria da IstoÉ Dinheiro sobre “A Saga da Juquinha“.  Sim, sim: apesar de donos italianos, e de até um Matarazzo envolvido na história, tudo tinha mesmo que começar com um português…

(…) Em sua fábrica de 20 mil metros quadrados, em Santo André, Giulio Sofio tira do armário um caderninho de páginas amareladas repleto de anotações feitas a lápis. Uma delas traz a fórmula original, elaborada há quase seis décadas, da bala Juquinha de tutti-frutti. A guloseima clássica, que inicialmente era produzida na cozinha de um dos fundadores, o português Carlos Maia, ganhou o mundo e é exportada para 47 países como Estados Unidos, Austrália, África do Sul, Bélgica, Israel, Rússia, Senegal e Mauritânia. Mais do que isso: aos 60 anos, resiste bravamente num cenário em que grandes nomes já sumiram (caso da Soft’s) ou foram incorporadas por multinacionais (a 7 Belo hoje pertence à argentina Arcor). “Além de aumentar sua produção para o mercado externo, vamos diversificar a linha de doces e explorar o nicho de balas dietéticas”, anuncia Sofio, que comprou a Juquinha em 1982.

Fundada em 1945, a empresa começou sua história produzindo refresco em pó. Um belo dia, Maia deu início à sua própria linha de balas, com know-how adquirido de um colega da concorrente Balas Chita. Mas o empresário não tinha um nome para sua criação. Pediu sugestões a um amigo, também português, que não titubeou: “Coloque o meu nome, ora pois!”, disse o compadre Juca. O confeiteiro achou que o nome não era lá muito apropriado e decidiu usar o seu diminutivo. Foram batizadas, assim, as balas Juquinha. “O maior capital da empresa é a marca. Faz 25 anos que não investimos em mídia, mas a diferença é que as balas Juquinha têm um lugar no mercado brasileiro que é único, conquistado pela qualidade”, diz Sofio, um italiano nascido em Roma e formado em Direito na Suíça.

Decidido a modernizar sua linha de produção, o português Maia comprou máquinas de última geração em 1979 e acabou se atolando em dívidas. Três anos depois, Sofio viu um anúncio no jornal: “Vende-se fábrica de balas”. O italiano a adquiriu e ampliou a linha com novos sabores de bala e pirulitos. As exportações começaram em 1985 e são responsáveis pela sobrevivência da empresa. No ano passado, a Balas Juquinha faturou R$ 8 milhões, dos quais 50% vieram das vendas externas. É bem verdade que a vida já foi mais doce para a fábrica. “No início do Plano Real, bala virou troco no País todo e eu faturava três vezes o que faturo hoje. Em 1995, as pessoas entenderam o valor da moeda e essa mania acabou. Além disso, há muita informalidade nesse setor. É difícil competir com balas 30% mais baratas porque as fabricantes não pagam impostos”, conta Sofio(…)

Então é isso: as balas Juquinha tiveram origem em um português que roubou segredos de indústria de um concorrente, as Balas Chita, tentou dar um passo maior que as pernas e teve que vender o negócio para um italiano.  OK. E as Balas Chita?  Nunca ouviu falar?  Não conhece?  Well, I’m a very resourceful man, e descobri que as Balas Chita, ainda mais veneráveis que a Juquinha, andam fazendo tanto sucesso lá fora que deixaram de ser comercializadas no mercado interno pátrio:

Descrita com as expressões very taste e pineapple hard candy, a brasileiríssima Chita conquistou apreciadores lá fora com o inconfundível sabor de abacaxi. A maior vantagem, porém, é trazer no rótulo os dizeres fat free (sem gordura), estampados ao lado da exótica ilustração da macaca sorridente que dá nome ao produto.

(…)

Quando fundou a fábrica em 1945, o espanhol João Rucian Ruiz nem sonhava que suas balas seriam um dia disputadas nos Estados Unidos, Canadá, Líbano, Japão, Senegal e África do Sul. Na época, ele próprio foi obrigado a projetar as engrenagens das máquinas de fabricação de balas, pois ainda não existia nada parecido no Brasil. Nasciam então as primeiras balas mastigáveis do País, batizadas na esteira da febre nacional do filme Tarzan, ainda em preto e branco. O homem-macaco foi imortalizado pelo campeão olímpico de natação Johnny Weissmüller, acompanhado da mascote, a macaquinha Chita. Atualmente, o Brasil é o segundo maior produtor mundial de balas, famosas pelo sabor e preço competitivo, perdendo apenas para os Estados Unidos.

(…)O resultado é que as políticas da empresa deram tão certo que está difícil encontrar bala Chita na versão original [N. H. abacaxi]. Para o consumidor habitual, resta se contentar com os sabores alternativos de uva, menta ou framboesa, que ainda são encontrados em algumas lanchonetes e confeitarias. “Essa situação é boa por um lado, porque mostra a força e a aceitação da marca. Por outro lado, é péssima, porque atrasamos as entregas dos nossos clientes mais fiéis”, reconhece Christiano Ruiz, de 32 anos, administrador de empresas com especialização em marketing. Para resolver o problema, a empresa está selecionando os melhores clientes e mercados e ainda se prepara para ampliar a fábrica, hoje com 90 funcionários. “Estamos pisando no freio”, conclui.”

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Curiosamente, a notícia sobre as Balas Juquinha é atual, e a sobre as Balas Chita é de 2005.    A meu ver isto não explica porque uma vai tão mal e a outra tão bem pois a única notícia mais recente que obtive é a de que a Olímpica Balas Chita teria licenciado a fabricante Cory em 2006, para dar conta do mercado interno _ o que significa que mesmo com o real valorizado a Chita ainda vai bem, obrigado.

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Para mostrar que não dá para escapar de um italiano, porém, eis o endereço das Balas Chita:

Rua Cde Francisco Matarazzo, 685
Campos Elíseos – Ribeirão Preto – SP – CEP: 14080-330

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