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Deu no NYT (via Último Segundo):

SANTIAGO, Chile – Quando as tropas do general Augusto Pinochet deram um golpe de Estado em setembro de 1973, eles fizeram uma descoberta surpreendente. O governo anterior socialista de Salvador Allende havia encabeçado secretamente um novo experimento para gerenciar a economia chilena, utilizando um grande computador e uma rede de máquinas de telex. O projeto, chamado de Cybersyn, foi uma invenção de A. Stafford Beer, um britânico visionário que empregou seus conceitos “cibernéticos” para ajudar Allende a encontrar uma alternativa em relação às economias planejadas de Cuba e na União Soviética. Após o golpe, o plano se tornou o assunto de uma intensa investigação militar.

Ao desenvolver o Cybersyn, Beer mudou a vida de vários brilhantes jovens chilenos que trabalharam com ele. Aproximadamente 35 anos depois, tal característica pouco conhecida dessa abortada transformação socialista de Allende foi lembrada em uma exibição no museu de La Moneda, o palácio presidencial.

Uma cadeira do tipo “Guerra nas Estrelas”, com controles nos encostos, foi uma réplica das que permaneciam nas salas de operações de protótipos. Beer planejava que a sala recebesse relatórios de computador baseados em dados de máquinas de telex conectadas a fábricas do norte ao sul deste país com 4.345 km de extensão. Os gerentes sentariam em sete dessas cadeiras e tomariam decisões críticas sobre os relatórios mostrados nas telas de projeção.

Open Thread:  com a internet, o cálculo socialista é possível?

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Chamada no UOL para uma reportagem da revista Gloss (??) diz que o jeito como um casal dorme mostra como “anda a relação”.  Psicologia de botequim à parte… que história é essa de “chinelo velho”?

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Stargating?

No NYT de hoje uma briga boa entre dois sujeitos preocupados (“concerned citizens”…) e o CERN, o instituto de pesquisa em altas energias da União Européia, que ainda no verão deste ano (no hemisfério norte) pretende inaugurar o mais novo empreendimento científico na área _ o Grande Colisor de Hádrons, em Genebra, França.

Walter L. Wagner, residente no Havaí, e Luis Sancho, residente em Barcelona, buscam impedir, na corte do Havaí (??), que o CERN ponha o acelerador para funcionar. O motivo? A possibilidade de que o acelerador crie a) um pequeno buraco negro que engula o planeta inteiro ou b) um “strangelet”, um pedaço de matéria quântica capaz de transformar todo o resto do planeta em “matéria estranha”. As duas possibilidades não são exatamente compatíveis com a vida, razão pela qual os dois cidadãos advogam que o “princípio precaucionário” embutido na legislação da Comissão Européia (falo brevemente sobre o Princípio neste post).

Evidentemente a corte do Havaí não tem jurisdição sobre a Comissão Européia e suas instituições, mas tem sobre o Departamento de Energia norte-americano, entre outras instituições dos EUA, que contribuem para o experimento.

Por via das dúvidas, embora o CERN já tenha produzido um relatório analisando os riscos em 2003, montou-se um novo grupo para rever todas as possibilidades envolvidas.

Cientistas apontam que nada irá acontecer no colisor de diferente do que já acontece milhões de vezes na própria atmosfera terrestre, já que raios cósmicos de alta energia vez por outra colidem com átomos na atmosfera terrestre criando choques da mesma ordem de grandeza (ou maior) em termos de energia do que as que ocorrerão no acelerador. A diferença, porém, é que enquanto os resíduos dos choques envolvendo raios cósmicos continuam voando universo afora à velocidades próximas às da luz, o LHC só consegue atingir energias próximas àquelas fazendo prótons colidirem em choque frontal. Nesse tipo de choque, o resultado do experimento muito provavelmente ficará em repouso em relação ao colisor _ e a tudo o que o cerca, nós inclusive.

Embora eu tenha confiança no julgamento da maioria da comunidade científica _ que acha que o experimento é totalmente seguro _ não consigo deixar de pensar na discussão sobre o Paradoxo de Fermi. Em todo caso vou ver se aproveito bem os próximos meses…

No Valor de hoje, detalhamento da pesquisa IBOPE:

Lula teve uma melhora de avaliação em todos os segmentos da população, inclusive naqueles que tradicionalmente são mais críticos à gestão do petista: os mais ricos e com maior grau de escolaridade. Lula tem avaliação ótimo/bom de 47% entre aqueles que ganham mais de dez salários mínimos ante 37% que o consideram ruim ou péssimo. Entre aqueles que têm nível superior ou maior, a avaliação positiva também é feita por 47% dos entrevistados contra 36% que o consideram ruim ou péssimo.

Como se vê a boa aprovação existe até mesmo entre os que não são atingidos pela política assistencialista do governo.  Posso adivinhar que a blogoseira anaeróbica dirá que estes de maior renda estão iludidos pela bonança econômica mundial, que não é obra do Eneadáctilo.  Mas não posso deixar de notar que então a direita estará chamando de burra uma parcela ainda maior do eleitorado brasileiro, inclusive aquela “esclarecida” na qual vai buscar apoio…

Na matéria de hoje de Maria Cristina Fernandes no Valor comentando a opinião de Marcos Coimbra, diretor do instituto Vox Populi, sobre as eleições municipais:

Nada o demove da convicção de que as eleições municipais são movidas por interesses locais. Atribui a vinculação vertical do voto à ansiedade da cidade grande em buscar explicações generalizantes para 5.564 realidades locais que desconhece.

Transcrevo a coluna na íntegra abaixo do fold para os sem-Valor.

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Tigresa

Uma tigresa de unhas negras e íris cor de mel
Uma mulher, uma beleza que me aconteceu
Esfregando a pele de ouro marrom
Do seu corpo contra o meu
Me falou que o mal é bom e o bem cruel

Nós não investigamos o governo passado. Reiteramos que não foi feito dossiê. Não é possível, eu tenho certeza

Em breve, como o Zé Dirceu antes dela, a Dilma provavelmente anunciará que tem “cada vez mais certeza” de que não investigou ninguém.

De qualquer forma, esse quiprocó me deixa com uma dúvida: porque os mesmos que fazem uma cruzada contra o sigilo das informações da atual Presidência defendem a sacralidade do sigilo das informações da Presidência passada?

Eles herdarão a Terra. 

No programa do Jô.

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Tio Rei aprontou rapidinho dois posts sobre a pesquisa do Ibope.  A mesma lenga-lenga de sempre, é claro, apimentada pelo fato de que agora, como bom “reservoir dog” de José Serra, ele tem que mandar bala em Aécio Neves, também.

O que eu achei realmente interessante foi isso:

Então chegamos a um outro ponto que parece interessante: Lula, de fato, resolveu não inventar a quadratura do círculo da economia porque, convenham, a conjuntura internacional também não pedia soluções imaginosas. Seus mágicos tiveram de se recolher. A estabilidade lhe permitiu, então, pôr para funcionar a máquina assistencialista que, notem, é, em princípio, incompatível com as… reformas.

O pós-Lula compreenderia, então, a reprodução de todas as condições da conjuntura internacional que permitiram ao Brasil sair do sufoco, a preservação da máquina assistencialista, mais as reformas reclamadas por setores da classe média e do empresariado. A equação não fecha.

Porque diabos o Bolsa-Família _ que Tio Rei não cansa, por outro lado, de dizer que foi invenção tucana, apesar de ser uma “máquina assistencialista” _ é incompatível com as “reformas”?

Para começar a entender isso, teríamos que entender primeiro que “reformas” são essas.  No parágrafo seguinte ele dá a pista: são as “reformas reclamadas por setores da classe média e do empresariado”.   Eu só consigo ver uma “reforma” desejada por tais setores que poderia ser “incompatível” com a manutenção das políticas de renda: a redução de impostos _ e ainda assim, supondo que o país atravessasse uma fase realmente difícil, sem crescimento econômico.  A menos, é claro, que Tio Rei seja contra as políticas de renda assim, a princípio.  O que eu desconfio que é verdade.

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No Estadão:

Lula tem maior aprovação desde sua 1ª posse, diz CNI/Ibope

Segundo a pesquisa divulgada nesta 5ª, índice de 58% é resultado do bom momento do País na economia

SÃO PAULO – A avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atingiu seu melhor desempenho desde a posse no primeiro mandato, em 2003, segundo pesquisa encomendada pela CNI/Ibope divulgada nesta quinta-feira, 27 pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI). O índice de ótimo e bom foi a 58% dos entrevistados na atual pesquisa. No levantamento anterior, realizado em dezembro, esse porcentual era de 51%.

No UOL:

Bush, meu filho, resolve a tua crise”

(…)Lula afirmou ter ligado duas vezes para o presidente norte-americano George W. Bush para tratar da crise, pois soube que o colega havia se chateado com as algumas declarações do presidente brasileiro.

“Eu liguei para ele para falar: Bush, o problema é o seguinte, meu filho, nós ficamos 26 anos sem crescer. Agora que a gente está crescendo vocês vêm atrapalhar. Resolve, resolve a tua crise”, afirmou.

Em seguida, disse que o Brasil tem know-how para salvar bancos, citando o Proer, programa criado para recuperar instituições financeiras que estavam com problemas financeiros na década de 90. “Se precisarem, podemos mandar esta tecnologia para eles [EUA]”, disse Lula.(…)

Tenho a impressão que o Eneadáctilo quer matar Fernando Henrique. De raiva. 🙂

***

UPDATE

Certamente ele quer matar Reinaldo Azevedo também:

O presidente falou também da importância do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para o aquecimento do mercado interno e comparou o Bolsa Família à multiplicação dos pães, um dos milagres atribuídos à Jesus Cristo. “A multiplicação dos pães que Cristo falava é justamente essa”, afirmou.

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David Neeleman chegou para fazer barulho.

O dono da JetBlue, que tem dupla nacionalidade (americana e brasileira), resolveu investir no Brasil criando uma nova companhia aérea. O sujeito:

a) vai comprar todos os seus aviões à Embraer _ gasto total de 1,4 bi de dólares.

b) criou um site na internet para que a população escolha o nome da nova empresa.

Golaço, hein?

Cobertura do NYT aqui. Matéria no Yahoo aqui.

Alguém aí consegue identificar todas?

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O NYT nos informa que um grupo de “áudio-historiadores”(!) trabalhando em Paris descobriu o que possivelmente seja o mais antigo registro gravado de voz existente _ uma cantora cantando um trecho de “Au Clair de Lune“. Clique aqui para ouvir.

O trecho foi gravado em um Fonoautógrafo, um aparelho criado em 1857 pelo parisiense Édouard-Léon Scott de Martinville e que era capaz de gravar sons mas não de tocá-los. A idéia era apenas a de estudar visualmente o comportamento das ondas sonoras _ só mais tarde ocorreu a alguém a idéia de reverter o processo e recriar o som gravado.

Scott de Martinville morreu convencido de ter sido “roubado” em sua glória pela atribuição popular do invento do som gravado a Thomas Edison. Entretanto, a gravação do Clair de Lune, de 1860, predata em 17 anos o registro da patente do por Edison. Denotando notável falta de empreendedorismo (era homem de letras, autor de um livro sobre estenografia), Scott atacou Edison por ter usurpado a tecnologia para um uso diverso daquele para o qual a técnica havia sido inventada: gravar a fala, e não reproduzir sons. Ah, a França.

Como curiosidade adicional, David Giovannoni, Patrick Feaster, Richard Martin and Meagan Hennessey, pesquisadores que desenterraram a gravação, são também os proprietários da Archeophone Records, gravadora especializada em sons antigos (ou como diz seu slogan, “músicas que você pensava perdidas para sempre”). Diz o NYT:

They had collaborated on the Archeophone album “Actionable Offenses,” a collection of obscene 19th-century records that received two Grammy nominations.

Pois é. Tem na Amazon.

Anotem aí, eu serei um defunto muito triste, pois viver é divertido demais.

***

Algo realmente notável na notícia é o fato de que se conseguiu, afinal, reproduzir um som gravado sem que o objetivo tenha sido o de reproduzí-lo algum dia _ na verdade, antes que um reprodutor tivesse sido inventado.

Por afinidade, mas não por causalidade, isso me lembrou de um conto de ficção científica (de cujo autor já não me lembro _ Sprague de Camp? Asimov? Alzheimer?) em que um cara conseguia construir uma máquina capaz de reproduzir qualquer som já existente sobre a Terra. A idéia é a de que o som nunca se extinguia verdadeiramente, apenas se atenuava, e que portanto um amplificador suficientemente potente conseguiria reproduzi-los. Hoje se sabe que os sons obviamente terminam sofrendo morte térmica, atenuando-se até virar mera vibração de átomos e energia mecânica dissipada como movimento de moléculas, isto é, calor.

Em outras palavras, tudo o que você disser será usado para aquecê-lo (e aumentar a entropia do universo).

O papo do dia são os tais 30Kg de urânio _ empobrecido _ que o exército colombiano teria encontrado nos arredores de Bogotá(!) e que estaria sendo “buscado pelas FARC”.

Bem, urânio empobrecido é munição regular em certos armamentos americanos como canhões rápidos anti-míssil ou munição anti-tanque _ não por causa de alguma propriedade radioativa, mas sim porque sendo um dos metais mais densos que existe o urânio é capaz de produzir um impacto suficientemente incapacitante.

Ou seja, algo de valor próximo ao zero para uma guerrilha que se esconde na selva.

Mais interessante seria o governo colombiano explicar como 30Kg de urânio ficaram passeando debaixo de suas barbas. Não que a perda de urânio e outros materiais radioativos, mesmo por superpotências “responsáveis”, seja algo realmente inédito…

***

UPDATE:

Deu no NYT:

Gates Orders Inventory of US Nukes

Published: March 27, 2008

Filed at 5:03 p.m. ET

WASHINGTON (AP) — Defense Secretary Robert Gates has ordered a full inventory of all nuclear weapons and related materials after the mistaken delivery of ballistic missile fuses to Taiwan, the Pentagon said Thursday.”

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Arguto texto de Kenneth Maxwell na FSP de hoje:

Aniversários

DOIS MARCOS importantes foram atingidos nesta semana, sem atrair grande atenção: os cinco anos da guerra de Bush no Iraque e o fato de que o número de baixas fatais dos EUA ultrapassou 4.000. No entanto, de acordo com o “Pew Research Center for the People and the Press”, a conscientização do público quanto ao número de baixas militares fatais dos EUA no Iraque recuou consideravelmente desde agosto.
Hoje, apenas 28% dos adultos são capazes de dizer quantos soldados norte-americanos morreram no Iraque. Em agosto de 2007, 54% deles conseguiam identificar corretamente o número de mortos.
Por que tão pouca atenção? Em parte isso resulta de fadiga de guerra. O público simplesmente deixou a guerra de lado. Também resulta de uma redução na cobertura noticiosa. Em julho de 2007, as reportagens sobre o Iraque respondiam por 15% da cobertura jornalística.
Em fevereiro deste ano, o indicador havia caído a 3%. Trata-se de um resultado da percepção de que as Forças Armadas norte-americanas conseguiram mais sucesso na contenção da insurgência. A queda na cobertura de imprensa refletiu o aparente sucesso do reforço do contingente de ocupação norte-americano no Iraque desde janeiro de 2007, quando o envio de novos soldados e a adoção de uma política de impor e manter uma presença militar dos EUA nas ruas de fato reduziram substancialmente o número de baixas norte-americanas.
Mas a realidade é mais complicada. Os EUA fizeram acordos com milícias sunitas e xiitas -em especial a longa trégua com a milícia do líder religioso xiita Moqtada al Sadr, que pode estar a ponto de terminar. Mark Danner, o brilhante jornalista que vem há muito revelando verdades inconvenientes para os poderosos, escreve: “Observe um mapa de Bagdá à véspera da invasão norte-americana. Os bairros das diferentes seitas eram coloridos em azul, vermelho ou amarelo, e o amarelo, que indicava bairros “mistos”, predominava”. Hoje, ele afirma, “o mapa é uma confusão de cores brilhantes”. E por toda a cidade o amarelo pálido dos bairros mistos se foi, obliterado por estes cinco anos de conflitos sectários. Danner tem “a mais sombria das visões sombrias” quanto ao futuro.
A retirada das forças norte-americanas deve causar a retomada de uma guerra civil mais brutal que nunca, com sunitas armados pelos norte-americanos em combate contra xiitas armados pelos norte-americanos, o que resultaria em um selvagem conflito regional pelos espólios do Iraque.
A verdade é que, quem quer que seja eleito presidente em novembro, terá de enfrentar os assuntos inacabados do Iraque, que voltarão com toda força à posição central no panorama norte-americano. 

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Peixe morre pela boca:

Tirem o “cavalinho da chuva” por 2010, diz Lula à oposição

Presidente afirma que elegerá seu sucessor; evento do PAC vira ato de desagravo a Dilma

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro ontem, em Recife, o quanto a eleição de 2010 o inquieta e enviou um recado para que a oposição tire “o cavalinho da chuva” porque ele fará o sucessor.
“A oposição pensa que vai eleger o sucessor. Podem tirar o cavalinho da chuva, porque vamos fazer a sucessão para continuar governando este país”, disse Lula, em um evento marcado por desagravos à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), tida como possível candidata do PT à disputa presidencial.

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A escrevente Taísa Nascimento chega para a noite de funk em boate no centro do Rio vestindo blusa de decote profundo Oh, boy!, sobre sutiã com detalhe em strass. A calça é do Espaço Fashion

É isso que as zélite abomina: o pobre que em vez de não aparecer fica aí todo pimpão tocando funk na frente da nossa janela.

Com 86 milhões de pessoas, classe C já é maioria da população brasileira

Expansão em 2007 resultou do aumento da renda nas classes D e E, mas uma parcela menor veio das classes A e B

A classe C já é a maioria da população. No ano passado, 46% dos brasileiros pertenciam a essa camada social, ante 36% e 34% em 2006 e 2005, respectivamente. Ela também foi a única que aumentou de tamanho no último ano. De 2006 para 2007, quase 20 milhões de pessoas ingressaram nesse estrato social, um número cinco vezes maior que no período anterior.

A classe C reúne hoje 86,2 milhões de brasileiros com renda média familiar de R$ 1.062. A maior parte do contingente que engordou a classe C vem da base da pirâmide populacional, as classes D e E, perto de 12 milhões de pessoas. Outros 4,7 milhões vieram das camadas A/B, que perderam poder aquisitivo. O restante é proveniente do crescimento vegetativo da população.

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Deu no UOL (tradução de matéria, é claro, do Le Monde):

As formas possíveis de fazer sexo em 2050

Catherine Vincent

Fazer amor sem complexo aos 80 anos. Adquirir objetos sexuais de uma tecnicidade inimaginável atualmente. Realizar virtualmente as fantasias mais ousadas na Internet… Tudo isso, dentro de vinte anos, talvez já seja parte da nossa paisagem familiar.

Mas isso não é nada se comparado com aquilo que prevê David Levy, um pesquisador britânico em inteligência artificial. O título da tese que ele defendeu, em outubro de 2007, na Universidade de Maastricht (Holanda), “Relação íntima com um parceiro artificial”, fala por si mesmo. E mais ainda o do livro que a editora HarperCollins dela extraiu, “Love and Sex with Robots” (“Amor e sexo com robôs”). Resumindo: David Levy afirma que em 2050, os robôs se parecerão tanto com a gente, no plano físico e comportamental, que alguns dentre nós se apaixonarão por eles, e com eles terão relações sexuais.

***

Quem diria que no séc. XXI a camisinha conheceria uma nova utilidade: o isolamento elétrico…

Lá no blog da Ordem Unida Livre, o Diogo Costa tem um post comentando o artigo de Gustavo Ioshpe na Veja sobre preservação ambiental. Não causa surpresa que ele diga o seguinte:

(…) não (…) existe um jogo de soma zero entre economia e ecologia. Ioschpe dá a entender que, se regulamentações ambientais prejudicam o desenvolvimento econômico, logo, defender o desenvolvimento econômico significa sacrificar o meio-ambiente: “Enquanto uma massa de brasileiros vive em condições sub-humanas, sinto-me moralmente impedido de defender a preservação do mico-leão dourado”. Esse dilema só faz sentido se pensarmos exclusivamente nos gastos públicos. Quando as pessoas possuem propriedade dos recursos naturais, em vez da mera licença para a captura ou exploração, há incentivos para a preservação desses mesmos recursos. Um incentivo de força similar ao que há para a destruição irresponsável que vemos na ausência de propriedade privada, quando um animal não capturado ou uma árvore não derrubada é um recurso perdido (às vezes para a competição). Ao fugirmos da mentalidade estatista binária de licença e proibição, percebemos que, porque a fauna e flora são valorizadas pela sociedade, a instituição que promove o crescimento econômico é a mesma que pode garantir uma utilização responsável do meio-ambiente: a propriedade privada. Não há dilema. É a preservação eficiente.

Eu realmente não canso de me admirar de o quanto certas pessoas conseguem desenvolver raciocínios aparentemente lógicos demonstrando soluções que já foram tão completamente desmentidas pela realidade.  Mas eu gostei do comentário do Fernando Sampaio lá no post:

Vide a política alemã de preservação dos recursos hídricos, (adotada voluntariamente pela Bayer no Brasil) de eliminar diversas proibições de despejo de resíduos químicos para estabelecer penas (sic) uma: a empresa deve depejar (sic) os resíduos à montante do rio. Portanto, a qualidade da água a ser usada no processo produtivo (e os custos para trata-la) vão  depender fundamentalmente da disposição da empresa em empregar métodos menos agressivos.

Eu não conhecia a política alemã, mas não posso deixar de notar que aparentemente ela é determinada pelo Estado (tanto é que ele diz que ela é adotada voluntariamente pela Bayer no Brasil).  Não sei se o comentarista percebe, mas o comentário dele é justamente a contraprova da tese do post: primeiro, porque afinal a política é estatal; segundo, porque seu objetivo é justamente a de fazer com que o poluidor internalize os custos dos seus atos _ o que não é sempre possivel e é justamente a raiz do problema das externalidades negativas.

Tio Rei hoje se mete a falar sobre a regulação do setor elétrico _ é claro, lamentando a encrenca em que se meteu seu xodó, o Governador Serra, com a tentativa fracassada de leiloar a CESP. Reproduzo vários posts da série abaixo; atenção nas frases que destaco em vermelho.

Primeiro, ele reproduz trecho de uma entrevista da Folha de São Paulo com o Presidente da Suez/Tractebel, uma eventual interessada no leilão da CESP, com o seguinte título: “O imbróglio da venda Cesp 1 – empresa reclama de incertezas no setor“. Eis um trecho da entrevista:

FOLHA – Por que a Suez desistiu do leilão da Cesp?
MAURÍCIO BÄRH –
A razão pela qual o negócio não ficou em pé, basicamente, é a incerteza da renovação das concessões a partir de 2015. 67% da energia assegurada da Cesp -ou seja, da sua capacidade de produzir receita- tinha o risco de desaparecer. Ou, se fosse renovada, seria de uma maneira que a gente não consegue estimar. Depois da nota do ministro [de Minas e Energia] Edison Lobão, ficou claro que o governo tem uma visão de que é possível [renovar as concessões], mas as condições podem vir com o viés de modicidade tarifária [menor preço possível] -o que já está explícito no documento- e que levaria a energia da Cesp a ser vendida a preços controlados.

Em seguida, Tio Rei produz o seguinte post:

O imbróglio da venda Cesp 2 – O efeito PACderme também na energia

Vejam o que informa o Estadão nesta quarta: “Até 2015, vencem cerca de 20 mil megawatts (MW) de energia elétrica em todo o País, 38 distribuidoras e inúmeros empreendimentos de transmissão. Isso afeta diretamente as empresas do governo federal, como Furnas e Chesf, e outras estatais, como Copel (do Paraná) e Cemig (de Minas Gerais).” Em breve, essas empresas começarão a ter problemas para fazer empréstimos, para se financiar. Por quê? Ora, banqueiro vê risco, não é mesmo?

E quem é, na prática, a sacerdotisa, a czarina, a episcopisa do setor? Na mosca! Dilma Rousseff, a ministra do PACderme, que empaca desde sempre, com suas paroxítonas supertônicas, também o setor elétrico.

Especialistas alertam que estamos, sim, diante de um problema de leis e marcos regulatórios. Pois é. Por isso mesmo, o governo já deveria ter-se ocupado de resolvê-los. Mas quê… Alguns gênios no Planalto devem estar vibrando: “Ferramos o Serra”. O escorpião não nega a sua natureza.

E finalmente, no terceiro post da série, ele conclui distribuindo as culpas:

O imbróglio da venda Cesp 3 – governo federal não ajudou

A petralhada ontem ficou mais feliz do que pinto no lixo. Ou melhor: tão feliz quanto, se é que vocês me entendem, todos no seu elemento. Motivo: pela terceira vez, a privatização da Cesp deu com os burros n’água — nas águas das usinas de Jupiá e Ilha Solteira. Já chego lá. Será que a canalha estava feliz porque, como é mesmo?, “o patrimônio público” continua público, como eles gostam de dizer em sua reza macabra? Nada disso. “Viu só? Serra não sabe privatizar; Dilma sabe”. Viver para ver: petistas comemorando as virtudes privatistas de seus líderes… Os porta-vozes da ministra do PACderme no subjornalismo afirmavam mais ou menos a mesma coisa: a competência da equipe de Serra teria sido maculada… Vamos tentar entender o imbróglio.

Serra havia sido advertido por especialistas em mercado que o preço pedido — R$ 6,6 bilhões — era alto, dada a realidade. E qual é a realidade? Em 2015, as usinas de Jupiá e Ilha Solteira, em princípio, voltam para a União, a menos que tenham suas concessões renovadas. O governador tentou junto ao ministro Edison Lobão (Minas e Energia) alguma brecha na lei para estender já o prazo de concessão. Encontrou foi uma parede. É tarefa para o futuro governo, lhe disseram. Não que Lula tenha alguma dificuldade para mudar leis quando o assunto é do seu interesse, a exemplo do que se vê na telefonia. Ocorre que dar um caixa de R$ 6,6 bilhões a um potencial adversário de 2010 não é do seu interesse. Está claro?

Vamos lá.

O presidente da Suez/Tractebel tem um jeito curioso de colocar a coisa: “A razão pela qual o negócio não ficou em pé, basicamente, é a incerteza da renovação das concessões a partir de 2015“. Não, senhor, não há incerteza alguma: a lei é clara quanto a isso, não pode haver nova renovação, porque já houve uma _ e lei não permite mais uma. Tem que haver é nova licitação _ algo que a Suez não deseja, pois uma nova licitação poderia exigir modicidade tarifária, ou seja, que o vencedor da licitação praticasse preços mais condizentes com os custos da operação (já bastante amortizados, o que no jargão do setor chama-se “energia velha”).

Então, o que é que Tio Rei chama de “um problema de leis e marcos regulatórios“? Bem, Tio Rei até bem pouco tempo criticava acerbamente a idéia de alguém “mudar a lei para fazer negócios“. Mas é exatamente isso que ele parece estar pedindo: ele gostaria que o governo federal anuísse ao desejo do Estado de São Paulo e mudasse a lei que rege as concessões no setor hidrelétrico para acomodar a privatização da CESP. Vê-se, portanto, que a célebre questão da “estabilidade dos marcos regulatórios“, que tantas penas tucanas já eriçou, tem mão única _ afinal, se é para facilitar a vida do pessoal do nosso lado, tudo bem.

Mais interessante ainda é saber que Serra já havia sido advertido que o preço era alto demais. Claro, ele tinha que ter cobrado um preço menor se realmente quisesse vender a empresa _ e nem por isso seria acusado de vendê-la na bacia das almas, já que o fim da concessão em 2015 haveria de estar precificado. O que ele quis foi forçar a mão do governo federal para que esse mudasse a lei a seu favor. E não é que não existam outras soluções; diz o jornal Valor Econômico:

Outra medida [que o governo de SP pode tomar para resolver o problema] poderá ser migrar as usinas de Jupiá e Ilha Solteira do atual regime de concessão para o modelo de produção independente. Nesse formato, as duas hidrelétricas poderiam ganhar prazo de 30 anos. O governo estadual teria que fazer um pedido ao Ministério de Minas e Energia. A aprovação não é certa, mas as chances são grandes, embora o processo seja lento. Interessados no leilão acham que o governo de São Paulo já poderia ter feito isso.

O Financial Times sai em busca de boas piadas geradas pela crise do subprime (I mean, além dela própria). Eis aí um exemplo, o fluxograma do processo de gestão de risco do Société Générale:

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Obviamente eu gostei do penúltimo quadrado da esquerda, mas pelo que vejo no resultado das buscas que chegam aqui no Hermê acho que Carla Bruni é a única coisa capaz de derrotar a crise (mais de 100 buscas só hoje).

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Via o blog do Renato Cruz, apresento-lhes o Washup, um equipamento doméstico très vert inventado por um turco, que recicla a água da lavagem da roupa e a usa na descarga da privada.

Eu só espero que ele não dê defeito e inverta o circuito.

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O Correio Braziliense de hoje traz uma matéria interessante sobre o trânsito da cidade, onde em determinados lugares o valor pago em multas já faz parte do orçamento do pessoal que não tem o que fazer a não ser parar em fila dupla ou em cima de onde não deve. Eis a melancólica constatação do próprio Diretor do Dept. de Trânsito da cidade:

O diretor do Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF), Délio Cardoso, diz que não há tratamento injusto em relação aos motoristas. Segundo ele, o órgão tem agido com tolerância. “Fazemos uma fiscalização preventiva de forma que os abusos têm que ser combatidos. Se fôssemos punir devido à ausência de vagas, 75% da zona central de Brasília seria multada todos os dias”, defende. Em relação às faculdades, Délio admite que não há muito o que fazer. “No passado o Detran não opinou sobre o impacto que a construção causaria na malha viária. Hoje nós temos um fato consolidado, que é este caos”, explica.

Comé que é? Quer dizer que o cara queria que os donos das faculdades caça-níqueis tivessem que se submeter à humilhação de ter que apresentar seus projetos para avaliação do Departamento de Trânsito? Burocratazinho soviético.

Está rolando a semana da inclusão digital, e o Comitê para Democratização da Informática produziu o um texto para divulgação intitulado “Os dez mandamentos do usuário “verde” de tecnologia”. Como isso “rings a bell” com a história do mar de plástico, lá vai:

1) Pesquise
É importante descobrir se o fabricante tem preocupações com o ambiente e se recolherá as peças usadas para reciclagem, depois que o aparelho perder sua utilidade. Esta lista do Greenpeace classifica as companhias, de acordo com iniciativas ligadas ao ambiente.

2) Prolongue
Você não precisa trocar de celular todos os anos ou comprar um computador com essa mesma freqüência. Quanto mais eletrônicos adquirir, maior será a quantidade de lixo eletrônico. Por isso, cuide bem de seus produtos e aprenda a evitar os constantes apelos de troca.

3) Doe
Caso seja realmente necessário comprar um novo eletrônico quando o seu ainda estiver funcionando, doe para alguém que vá usá-lo. Dessa forma, ainda é possível prolongar a vida útil do aparelho e a pessoa que recebê-lo não precisará comprar um novo.

4) Recicle
Os grandes fabricantes de eletrônicos oferecem programas de reciclagem. Antes de jogar aquele monitor estragado no lixo, entre em contato com a empresa (via internet ou central de atendimento telefônico) e pergunte onde as peças são coletadas. Muitas assistências também coletam esse material.

5) Substitua
Procure sempre fazer mais com menos. Produtos que agregam várias funções, como uma multifuncional, consomem menos energia do que cada aparelho usado separadamente. Também vale minimizar o uso de recursos ligados ao ambiente: para que imprimir, se dá para ler na tela?

6) Informe-se
O usuário de tecnologia deve ser adepto ao consumo responsável, sabendo as conseqüências que seus bens causam ao ambiente. Por isso, é importante estar atento ao assunto – somente assim será possível eliminar hábitos ruins e tomar atitudes que minimizem o impacto do lixo eletrônico.

7) Opte pelo original
As empresas que falsificam produtos não seguem políticas de preservação do ambiente ou se responsabilizam pelas peças comercializadas, depois que sua vida útil chega ao fim. Por isso, é sempre importante comprar eletrônicos originais.

8 ) Pague
Os produtos dos fabricantes que oferecem programas de preservação ambiental podem ser mais caros — isso porque parte dos gastos com essas iniciativas pode ser repassada para o consumidor. A diferença de preço não chega a níveis absurdos e por isso, vale a pena optar pela alternativa “verde”.

9) Economize energia
Na hora de comprar um eletrônico, opte pelo produto que consome menos energia. Além disso, o consumidor consciente deve usar fontes de energia limpa (como a solar) sempre que possível.

10) Mobilize
É importante passar informações sobre lixo eletrônico para frente, pois muitos usuários de tecnologia não se dão conta do tamanho do problema. Divulgue, mas evite aqueles discursos inflados e catastróficos dos “ecochatos”, que não são nada populares.”

Primeiro, o mané do Tio Rei, o “reservoir dog” dos Civita:

Editorial do Estadão serve Jobim com arroz branco e Tabasco

Excelente o editorial do Estadão intitulado “Arrogância e audácia” sobre os delírios do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que está querendo criar, segundo orientação do Apedeuta, o tal Conselho Sul-Americano de Defesa. As ridicularias do discurso de Jobim são expostas e questionadas de modo implacável e impecável. O texto faz picadinho das monumentais bobagens que ele disse. Seguem trechos:
*
A visita do ministro da Defesa a Washington teve ao menos um ponto positivo. Graças à cobertura que a imprensa deu aos encontros do ministro Nelson Jobim com as autoridades norte-americanas, os brasileiros puderam conhecer alguns poucos detalhes do projeto que ele está propondo aos países da América do Sul. Até então, sabia-se apenas que havia proposto a seus colegas da Argentina e do Chile a criação de um Conselho Sul-Americano de Defesa; que, segundo ele, seria uma realização capaz de mudar o panorama estratégico da região, que passaria a ter influência decisiva nos foros globais; e que todos os países da América do Sul seriam convidados para integrar o organismo.

Num discurso para 14 dos 27 representantes dos países membros da Junta Interamericana de Defesa (JID), o ministro Nelson Jobim decretou que “chega de pensar pequeno. Pensar pequeno significa dependência, significa continuar pequeno. É preciso arrogância estratégica e a audácia do enfrentamento dos nossos problemas, com a coesão dos países da região”. E assim os brasileiros foram os últimos a saber que seu governo está empenhado em criar um organismo internacional “que possa articular na América do Sul a elaboração de políticas de defesa, intercâmbio de pessoal, formação e treinamento de militares, realização de exercícios militares conjuntos, participação conjunta em missões de paz da ONU, integração de bases industriais de defesa”.

A criação de um organismo que cuide disso tudo, compatibilizando as políticas externa, de defesa e industrial de uma dúzia de países tão diferentes quanto o Suriname do Brasil já seria um prodígio. Mas não para o ministro Nelson Jobim. Tomado de “arrogância estratégica” e “audácia do enfrentamento”, ele quer que o tal Conselho seja um órgão “proativo”, com capacidade executiva e operacional, para “não ter nossas posições manipuladas por outros grupos e interesses”. (Leia-se Estados Unidos.) Ora, desde que d. Pedro I gritou “laços fora”, as posições brasileiras não são manipuladas por quem quer que seja. A frase foi injusta com o próprio governo ao qual o ministro pertence e injuriosa para todos os países da região. Preferimos creditá-la a um arroubo de retórica.
(…)
Esse projeto encontrará outros obstáculos. O representante da Argentina na JID enunciou um deles. “Como se enquadraria esse órgão numa região onde há possibilidades de conflitos? O que acontecerá quando houver crise entre os países?” Mas não é preciso considerar essa hipótese extrema. O que se propõe é a criação de um órgão coordenador da defesa – em seu sentido amplo – de todo um subcontinente que não consegue harmonia política suficiente para montar um sistema integrado de comércio. Pior ainda, que há décadas ensaia, sem conseguir realizá-la, a sua integração física na área dos transportes.

Depois, os profissas da Stratfor:

Geopolitical Diary: Brazil Maneuvers For Better Position

Traditionally, the hegemon of a geopolitical region has maintained economic, resource, military and political dominance. Brazil has sought to fulfill this role for the South American region since colonial times. Despite its current superiority in most of these areas, Brazil has lacked political confirmation of this hegemony.

However, an opportunity presented itself during the recent Andean diplomatic crisis for Brazil to rise to the role of protectorate for the continent. Brazil has proposed a security council of South America, an organization meant to resolve such disputes in house, without foreign mediators. The council will be discussed between Brazilian President Luiz Inacio “Lula” da Silva and Venezuelan President Hugo Chavez when the two meet March 26. The question remains however, does Brazil have enough clout in the aforementioned areas to influence other countries to join?

Brazil’s economy as a whole is booming — not in the usual cyclical fashion of emerging markets, but in sustained growth. Unlike other countries that have enacted economic cures for the short term (such as Argentina), Brazil has kept tight a fiscal policy allowing for its growth to be sustained and stable. Brazil has kept interest rates high to curb inflation. Despite this, foreign investment increased nearly 84 percent in 2007. Domestic demand is growing substantially as well, which means Brazil isn’t solely dependent on exports. Despite Petrobras’ emergence as a resource powerhouse, Brazil’s future isn’t entirely set on commodity prices, as is the case in Venezuela. Also, Brazil’s budget isn’t financed in large part by oil revenue, such as in Mexico. Brazilian international reserves are at all-time highs, and the tight fiscal controls have given the country a fair amount of room to maneuver.

Brazil also maintains a resource advantage. Hydroelectric, nuclear and liquefied natural gas power are being developed to satisfy domestic demand in the hopes of reducing or eliminating any dependence Brazil might have on its neighbors. In addition, Brazil also is using Petrobras and its power investments to gain influence over its neighbors. For example, Petrobras continues to invest heavily in Bolivian natural gas. This gives Brazil priority in receiving Bolivia’s natural gas shipments. Since Bolivia acts as the primary supplier of natural gas to other regional powers such as Argentina and Chile, these investments are invaluable political leverage. Brazil uses the same tactic for hydroelectric power in Paraguay. Add all of this to Brazil’s large and growing oil/ethanol reserves, and you have an energy superpower well prepared for the future.

To back all of this up Brazil has the strongest military in South America, positioned in the region’s most strategic location. Brazil already maintains the largest air force and navy in the region. According to an October 2007 announcement, the government will increase defense spending by 50 percent for 2008. Most of that will be spent on updating equipment. Colombia has a well-trained infantry force focused on counternarcotics operations in addition to counterinsurgency-style equipment, much of which is maintained with U.S. aid. While Venezuela has been in talks with Russia to make large military purchases such as late-model SU-30 “Flanker” fighter jets and Kilo-class diesel electric submarines, no country comes close to the military might of Brazil.

Brazil’s greatest advantage may be geographic. Its main population centers are well protected. A buffer of dense but unpopulated Amazon separates it from its northern neighbors, while a river basin protects it from its main rival Argentina. Brazil also has poured investment into Paraguay, Uruguay and Bolivia, garnering enough influence to use them as buffers as well. But the country’s legal borders give it access to almost every country on the continent.

The proposal has its obstacles to overcome, however. There are strong nationalistic sentiments among the countries of Latin America. It may be more difficult to convince leaders that cooperation is necessary or even possible. Already Chavez and his cohorts have begun forming their own leftist alliance, and it may not be in their political interest to subject themselves to further political pressure within the framework of such a council.

Regardless of the obstacles, Brazil still needs the right political platform from which to act as the region’s undisputed leader. It tried before, such as when it lobbied for a permanent seat on the U.N. Security Council. But the proposed organization, if adopted, would do much more to unify the countries under Brazilian influence. The council would act together on peacekeeping missions, fight organized crime, conduct joint military exercises and develop a defense policy for the region as a whole. As the largest power in the region, Brazil can promote Latin American independence as its duty, a message that should resonate well with the politically left in Brazil and elsewhere.

A diferença é exatamente a mesma que existe entre a politicagem e a análise.

Deu no Estadão:

Ministério da Saúde lança plano de combate à Aids entre gays

Campanha ‘Faça o que quiser, mas faça com camisinha‘ tenta mudar quadro de aumento na incidência da doença
SÃO PAULO – O Ministério da Saúde lançou nesta terça-feira, 25, um programa para conter a incidência de Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis (DST) entre gays e travestis. O motivo que levou o governo a criar o projeto foi o crescimento no número de pessoas que contraíram essas doenças nos últimos anos.

É agora que Tio Rei vai babar e pular em cima (não necessariamente nessa ordem):

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Senti um abalo na Força:

carlabrunistrikesagain.jpg

Afinal ela andava sumida. Mas está explicado pelo Estadão de agora há pouco:

Christie’s anuncia leilão de retrato nu de Carla Bruni em abril

Fotografia da mulher do presidente francês tirada em 1993 deve ser arrematada por até US$ 4 mil

PARIS – Um retrato nu da primeira-dama francesa Carla Bruni será leiloado em Nova York pela Christie’s no dia 10 de abril, segundo afirmou a casa de leilão em seu site nesta terça-feira, 25. Eles esperam ainda que a fotografia seja arrematada por até US$ 4 mil.

Aliás, “explicado” é pouco:

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O Paulo do FYI especula selvagemente sobre a redução da criminalidade nos EUA:

Capitalism fighting crime

Basically, we are experiencing a huge decline in burglaries on United States in the last 30 years. Since 1980 burglary rates are down by almost half.

(…)

Now of course, no one is 100% sure why this is happening. Some say things like neighborhood watches and new house security systems are making the difference. I tend to believe in another explanation: prosperity. Manufactured items are so cheaper and accessible that now it is really not worth it to break and enter a home to rob a TV, DVD or whatever.

That just shows how this whole debate on poverty and inequality is bogus. Wealth and quality of life have been increasing tremendously in many ways that are hard to measure. A poor person today has a much more comfortable life than a poor person in the 70s, and there is no easy way to measure that.

Thieves know better.

Ao ler isso, imediatamente pensei: “ué, mas se a prosperidade diminui a criminalidade, então a pobreza a aumenta, não?”.  O leitor do FYI chamado Leonardo, porém, havia sido mais rápido, e já havia comentado:

Dizer que a prosperidade diminui o crime não é entrar na mesma lógica dos que dizem que a pobreza leva ao crime?

Na minha humilde opinião, a redução da criminalidade passa por leis penais fortes, polícia evitando que o crime aconteça, polícia combatendo o crime que já aconteceu, Judiciário competente e rápido, pena cumprida integralmente em presídios de segurança máxima, vagas em número suficiente nos presídios, etc. Não há um item destes sequer que funcione no Brasil, talvez isso diga mais sobre a situação americana atual – e a nossa – do que a economia.

Ao que Paulo respondeu:

Logico que leis sao importantissimas. Mas acho que no caso de burglaries, a riqueza em termos de produtos influi muito. Sabe como eh, eh a historia de que as pessoas obedecem incentivos.

Então!  É isso mesmo.  Infelizmente, Paulo não consegue realmente ter ao menos uma opinião sensata, e concluiu:

Mas eu entendo o que vc quis dizer. No geral, pobreza (ainda mais relativa) nao pode ser usada como desculpa para o crime.

Ou seja, apesar de estar no caminho certo o Paulo, lembrado pelo seu leitor da inconsistência de sua tese com a ortodoxia anaeróbica, abandona sem lutar a consequência inevitável do raciocínio ali exposto _ e sem nenhuma boa razão.

Numa boa, parecem dois fiéis dizendo “Amém” um para o outro.

Deu na BBC:

Síndrome faz mulher recordar 24 anos em detalhes

 
Memória
Os cientistas irão analisar o cérebro da paciente.
O caso de uma americana de 42 anos que se lembra com detalhes de todos os dias de sua vida desde a adolescência é destaque na edição desta quinta-feira da revista de ciência New Scientist.

Chamada de AJ, ela é capaz de se lembrar das datas de todas as Páscoas durante 24 anos, e ainda recorda o que estava vestindo, onde estava e o que estava fazendo no dia. Além disso, sua memória ainda recorda fatos históricos e principais acontecimentos das últimas décadas.

Segundo a revista, os cientistas da Universidade da Califórnia em Irvine, nos Estados Unidos, começaram a pesquisar sobre a habilidade da memória de AJ há sete anos, quando ela procurou os acadêmicos dizendo que se sentia “exausta” e que as lembranças eram como um “fardo” que ela tinha que carregar.

AJ descreve suas lembranças como “um filme que nunca pára”, afirma o texto.

Já imaginou casar com uma mulher dessas?

(*) alusão a isto.

O Ministro Temporão pode estar tendo problemas com a dengue, mas dizem que a próxima campanha do Ministério da Saúde sobre o consumo de álcool vai fazer sucesso:

O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE:
O consumo de álcool pode fazer você pensar que está
sussurrando quando na verdade está gritando.——————————————————-
O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE:
O consumo de álcool pode fager foxe valar coisas dexe zeito.

——————————————————-
O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE:
O consumo de álcool pode fazer você acreditar que ex-namoradas(os)
estão realmente “a fim” de receber um telefonema seu às 4 horas da
matina.

——————————————————-
O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE:
O consumo de álcool pode fazer você se virar ao acordar e ver algo ou alguém de sexualidade indeterminada jazendo ao seu lado.

——————————————————-
O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE:
O consumo de álcool é a principal causa de inexplicáveis hematomas
e galos na testa.——————————————————-
O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE:
O consumo de álcool pode criar a ilusão de que você é mais esperto,
sedutor e forte do que um cara muito, muito grande, cujo apelido é
“Montanha”

——————————————————-
O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE:
O consumo de álcool pode levá-lo a achar que as pessoas estão
rindo COM você, e não DE você.

——————————————————-
O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE:
O consumo de álcool pode causar um desvio espaço/tempo, onde um
pequeno (ou às vezes muito grande) intervalo de tempo pode, literalmente,
“desaparecer”

——————————————————-
O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE:
O consumo de álcool pode realmente CAUSAR gravidez.

——————————————————-
O MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE:
O consumo de álcool pode fazer você dançar e cantar com total
empolgação o “Créu”!!!

(hat tip: Dom Pedro II)

jesusandmo1.jpg

(hat tip: PMF)

Para quem gosta de futebol, principalmente o europeu, o Samurai no Outono promete ser um prato cheio.

Talvez o moço só precise de um banho de loja no template…

Nariz Gelado, ontem:

Suplicynico

Eu acabo de ver Eduardo Suplicy pedir por um entendimento entre governo Chinês e rebeldes tibetanos. Parecia, o senador, muito preocupado em proteger o lado tibetano – é um papel, este de defensor dos fracos e oprimidos, que ele sempre se apressa em representar.

Ocorre que, salvo engano meu, em 2004 o governo que Suplicy representa no Senado Federal reconheceu a soberania da China sobre o Tibet – e o fez em troca de um hipotético apoio para uma hipotética cadeira no Conselho de Segurança da ONU.

Do site Global Security:

The United States, along with every other nation, considers Tibet to be a part of China. This policy appears to be consistent with that of the Dalai Lama, who has expressly disclaimed any intention to seek sovereignty or right of nationhood for Tibet, but rather wishes for greater autonomy within China.

Subsequent to 1980, the executive branch has consistently embraced the position that Tibet is part of China, rather than an independent foreign state. See Press Availability by President Clinton and President Jiang, 1998 WL 345136, at *11 (June 27, 1998) (expressing President Clinton’s “agree[ment] that Tibet is a part of China, an autonomous region of China”); The President’s News Conference with President Jiang Zemin of China, 2 Pub. Papers of William J. Clinton 1445, 1452 (1997) (expressing United States commitment that there will be “no attempt to sever Tibet from China”); Department of State, 105th Cong., Country Reports on Human Rights Practices for 1996, at 640 (Joint Comm. Print 1997) (“The United States recognizes the Tibet Autonomous Region . . . to be part of the People’s Republic of China.”); Human Rights in Tibet: Hearing Before the Subcomms. on Human Rights and International Organizations, and on Asian and Pacific Affairs of the House Comm. on Foreign Affairs, 100th Cong. 33 (1987) (statement of Ambassador J. Stapleton Roy, Deputy Assistant Secretary of State) (“[T]he United States Government considers Tibet to be a part of China and does not in any way recognize the Tibetan government in exile that the Dalai Lama claims to head.”); Statement on Signing the Export-Import Bank Act Amendments of 1986, 2 Pub. Papers of Ronald Reagan 1390, 1391 (1986) (“1986 Signing Statement”) (“The United States recognizes Tibet as part of the People’s Republic of China.”).

Acho que a Nariz está fazendo confusão. Em 2004, o Brasil e a China assinaram o “Memorando de Entendimento entre a República Popular da China e a República Federativa do Brasil Sobre o Estabelecimento da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação“. Nesse memorando, entre outros detalhes de cooperação comercial, cultural, científica e tecnológica, o Brasil reconheceu o status de “economia de mercado” à China, e também ratificou sua adesão ao princípio da “uma China”. Este princípio, que é sagrado para o governo chinês, é aquele que estabelece que a única China é a China continental, e que Taiwan, Macau e Goa Hong Kong (hoje incorporada) fazem parte da República Popular da China. O memorando, até onde sei, é silente sobre a questão do Tibete.

Parece que quem quis assumir a defesa dos fracos e oprimidos aí foi a Nariz…

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Para os Reis Elfos sob o céu, Três Anéis são;
Sete para os Lordes Anões, abrigados em seus salões;
Nove para o Homem: a morrer condenado;
UM para o Lorde Negro em seu trono sentado
na Terra de Mordor, onde as sombras vão repousar.
UM Anel para achá-los, para a todos governar.
UM Anel para reuni-los e para, na treva, os atar
na Terra de Mordor, onde as sombras vão repousar.

Entrevista com o especialista em mineração de ouro Keith Slack na Der Spiegel, traduzida pela Folha:

Spiegel – Quanto resíduo é produzido para extrair ouro suficiente para um anel de casamento?
Slack –
Isto produz 20 toneladas de resíduos.

Spiegel – Isto é apenas rocha solta que pode ser removida para outro lugar, ou é resíduo tóxico?
Slack –
O problema é que a rocha tratada com cianeto, quando exposta ao ar, produzirá ácidos sulfúricos, como aqueles contidos nas baterias dos automóveis. Este processo continua para sempre e pode contaminar permanentemente a água subterrânea. Até mesmo as minas operadas pelos romanos onde atualmente é a França ainda emanam estas substâncias.

É por isso que eu digo aos jovens:  não se casem.  Se casarem, não usem anel.

Transcrevo a matéria na íntegra abaixo do fold.

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Uma conquista silenciosa do Foro de São Paulo.

Ontem, saiu uma matéria no Estadão sobre o aumento da violência no metrô de São Paulo, principalmente nas estações da Zona Leste, devido, basicamente, à lotação cada vez maior das estações e composições:

Os olhares atentos dos supervisores de segurança que vigiam nos monitores as imagens transmitidas por 860 câmeras espalhadas em acessos e plataformas observam uma confusão numa grande estação de metrô da capital. Aproximando a imagem, os responsáveis por vigiar 24 horas por dia a rede do novo Centro de Controle de Segurança (CCS) da Companhia do Metropolitano, na Rua Vergueiro, percebem que a situação pode descambar para pancadaria e acionam a equipe de segurança da estação, mais uma vez, por um motivo banal: separar briga de passageiros.

A cena vem se repetindo com uma freqüência quase diária, principalmente na região leste da capital, pelas manhãs, e nas maiores estações metroviárias – Corinthians/Itaquera, Tatuapé, Brás, Barra Funda e Sé. Com isso, a briga de passageiros já é a terceira ocorrência mais comum no metrô, levando-se em conta o balanço dos dois primeiros meses deste ano feito pelo Departamento de Segurança da Companhia.

O motivo para tantas brigas é a superlotação com a qual convivem diariamente as 3,4 milhões de pessoas que passam pelas estações, praticamente “lutando” por espaço. Em janeiro, os seguranças apartaram pelo menos oito brigas de passageiros. Em fevereiro, foram 17, aumento de 112%. O Metrô registra as mais sérias, quando há agressões físicas, como “lesão corporal”.

Pois hoje no Valor saiu uma matéria intrigante, da autoria de um certo Roberto L. Troster, que se assina como sócio da Integral Trust. Os mais acostumados a ler jornais de negócios sabem que até pouco tempo Troster era o economista-chefe da Febraban. Ele tem algumas idéias para minorar os problemas de São Paulo _ idéias que fariam o Barnabé ter um treco:

Uma proposta fácil de implementar e que pode ajudar é a de congelar a área construída da cidade. A medida pode amenizar alguns dos problemas existentes e evitar o aspecto perverso mencionado acima. O efeito mais importante dessa solução é que limitaria o crescimento da população da cidade e com isso restringiria o crescimento dos problemas. Uma lei congelando a área construída é viável legalmente, pois a concessão de alvarás de construção é uma prerrogativa da administração municipal. Basta apenas a vontade política do atual, ou do futuro, prefeito.

A medida seria feita através de uma lei municipal que fixaria nos níveis atuais a área construída de cada bairro da cidade, mantendo a atual lei de zoneamento. Pela lei de congelamento proposta, para conseguir a autorização para construir uma área em determinado bairro da cidade, seria necessária a comprovação de haver demolido a mesma área no bairro em questão. Dessa forma, a área construída em cada bairro ficará congelada. Como a área construída permanecerá estável com a lei de congelamento, isso reduzirá o aumento dos problemas. A lógica da solução proposta é simples: com uma limitação de espaço construído haverá uma expansão populacional menor, e conseqüentemente não haverá um aumento grande na pressão por ruas, segurança, hospitais, escolas etc.

A lei municipal de congelamento também teria um efeito colateral que ajudaria os atuais proprietários de imóveis, que ganhariam um “valor de demolição”. Como para construir seria necessário demolir, os incorporadores, além de terem que comprar o terreno para seus empreendimentos, também teriam que comprar outros imóveis no bairro e demoli-los para conseguir o alvará de construção. Isso aumentaria o preço dos imóveis da cidade, o que é bom para os atuais proprietários. Haverá uma diminuição nos ganhos da especulação imobiliária na construção de novos empreendimentos, porém um incentivo maior para reformar os atuais, em razão dos maiores custos para edificar.

Gostaria de saber o que pensam disso nossos 4,5 leitores, especialmente os paulistas. Em particular, gostaria de saber se o Barnabé considera que a Febraban teve um ecomista-chefe de índole soviética nos últimos anos.

Reproduzo a matéria do Troster na íntegra abaixo do fold, para os sem-Valor.

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Deu no Valor:

Política industrial prevê R$ 251 bi para 24 setores

A nova política industrial que o governo vai anunciar nos próximos dias, batizada de “Política de Desenvolvimento Produtivo”, prevê investimento de R$ 251,6 bilhões em 24 setores da economia entre 2008 e 2010. (…)

O governo decidiu dividir os 24 setores com três tipos de abordagem. No primeiro, estão os programas “mobilizadores em áreas estratégicas” – saúde, energia, tecnologias de informação e comunicação, defesa, nanotecnologia e biotecnologia. No segundo, “programas para fortalecer a competitividade”, com 12 áreas: complexo automotivo; bens de capital seriados; bens de capital sob encomenda; têxtil e confecções; madeira e móveis; higiene e perfumaria; construção civil; complexo de serviços; indústria naval e de cabotagem; couro calçados e artefatos; agroindústria e plásticos. No terceiro grupo, estão os “programas para consolidar e expandir a liderança” de setores onde o Brasil já é forte: aeronáutico, mineração, siderurgia, papel e celulose, petroquímica e carnes.

Bom, pelo menos aquele pessoal que vive preocupado com a idéia de que ao botar de pé uma política industrial o governo termine se arvorando o direito de escolher vencedores pode ficar tranquilo.

Afinal, com essa política, o governo certamente escolheu também alguns perdedores.

Adicionando ainda maior confusão ao panteão das lendas marinhas, apresento o tubarão-baleia albino.

Um cruzamento entre “Jaws” e “Moby Dick” é tudo o que a imaginação humana precisava neste momento difícil, eu creio.

(hat tip: Shifting Baselines)

Tio Rei, que tanto anda implicando com o PUN, o partido único do Aécio, anda agora arrastando a asa para a candidatura de Fernando Gabeira no Rio, como se Gabeira não fosse tudo o que Tio Rei abomina. Nariz Gelado idem, aliás. Mesmo sabendo das posições polêmicas de Gabeira, e ignorando as que ele abomina, Tio Rei diz que se Gabeira pediu perdão pelo terrorismo, então tá tudo bem, porque pelo menos Gabeira é homem de bem, não rouba. Talvez.

Mas é bom Tio Rei saber que ficará em companhia de todos os ecochatos, pró-choicers, sapatões, viados, maconheiros e contraculturetes em geral que já abraçaram a Lagoa com Gabeira.

Enquanto isso, na Cidade Maravilhosa

Para governo, dengue cresce no Rio por falta de agentes
Há regiões no Rio com 300 mil habitantes sem unidades básicas e sem informação

RIO – Uma das razões do alto número de casos de dengue no Rio pode ser a baixa cobertura do Programa Saúde da Família (PSF). Para o Ministério da Saúde, a ação de agentes comunitários ajudaria a controlar o avanço da doença. Levantamento do próprio ministério mostra que o Rio tem uma das menores proporções do País de agentes de saúde e de equipes do PSF com médico e enfermeiro em relação à população: 14,4% e 8,1%, respectivamente (números de janeiro). O prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM), diz não ver relação entre o número de equipes do programa e a prevenção da doença.

Tio Rei deu uma de Álvaro Uribe e fez um ataque preventivo ontem, buscando no Google uma matéria em que Lula culpava o governo federal pela dengue carioca em 2002. Ele comenta:

Não, não serei tão ligeiro quanto foi Lula. Não acho que a responsabilidade seja apenas do ministro da Saúde, José Gomes Temporão – mas sei que também é dele e, pois, do governo federal. A diferença, desta vez, é que os oponentes do PT não fazem com o partido o que o partido fazia com eles.

É verdade. A diferença é que a) em 2002, a prefeitura também não era petista: Lula apenas poderia ter escolhido melhor seu alvo, mas ele não concorria a prefeito e b) como não fazem? É exatamente o que ele faz no post, ué. Tá certo, dou um desconto: Lula estava em campanha. Tio Rei também.

bushcoelhopascoa.jpg

Que fofo! 

Ele também acredita que está resolvendo o problema no Oriente Médio.

Não sei se ele estudou em colégio religioso e carrega algum trauma por isso, mas o Sergio Leo tem um post bacana hoje sobre padres e pintos.

Via Crooked Timber, link para um paper que estuda a relação entre enriquecimento dos políticos e sua filiação partidária:

While the role of money in policymaking is a central question in political economy research, surprisingly little attention has been given to the rents politicians actually derive from politics. We use both matching and a regression discontinuity design to analyze an original dataset on the estates of recently deceased British politicians. We find that serving in Parliament roughly doubled the wealth at death of Conservative MPs but had no discernible effect on the wealth of Labour MPs. We argue that Conservative MPs profited from office in a lax regulatory environment by using their political positions to obtain outside work as directors, consultants, and lobbyists, both while in office and after retirement. Our results are consistent with anecdotal evidence on MPs’ outside financial dealings but suggest that the magnitude of Conservatives’ financial gains from office was larger than has been appreciated.

Gostaria de ver algo assim aplicado ao Brasil.  Tenho certeza de que chegaríamos a um resultado semelhante _ provavelmente pior.  A dificuldade, é claro, seria desenvolver uma metodologia que incorporasse técnicas para avaliar os “laranjais”.

Texto do ex-ministro (de FHC) Bresser Pereira, tucano de quatro costados, na Folha de hoje:

Os bons resultados recentes da economia brasileira não derivam apenas da conjuntura internacional favorável; decorrem também da política de ampliação da “cobertura social dos despossuídos” a que se refere Musse. Nesse caso, existe uma estratégia clara de distribuição coerente com os compromissos do governo. Já na política econômica, a preocupação central do presidente Lula tem sido a estabilidade. Por isso, aceitou inicialmente uma política de juros elevados.

Transcrito abaixo do fold para os sem-UOL.

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Da entrevista com Gay Telese, na Folha de hoje:

FOLHA – Os eleitores levam em conta o comportamento sexual do candidato?
TALESE –
Não acho que faz diferença nenhuma desde que não se relacione com seu trabalho. John Kennedy foi um presidente muito bom e tinha amantes. Bob Kennedy, seu irmão, tinha amantes. Eram casados e tinham amantes. Lyndon Johnson tinha amantes. Eisenhower. Todos nossos bons presidentes tinham amantes. O presidente Richard Nixon não tinha amantes e foi um presidente ruim. Esse cara, George W. Bush, é um presidente ruim. E não tem amantes. Entende? Bill Clinton foi muito bom e teve. Os piores presidentes são os que não tiveram amantes. Nixon foi o pior de todos os tempos. E Bush é o segundo pior. Se Bush tivesse amantes, talvez não estaria matando tanta gente no Iraque e tendo essa politica de destruir a vida de tanta gente.

Como fica o Brasil, por este critério?  FHC teve um filho ilegítimo, com uma repórter que a Globo fez o favor de levar para bem longe durante seu reinado.  O Eneadáctilo não tem amantes, ao que se saiba, mas no PT do Rio todo mundo sabe que ele comparecia às festas do Partido nos anos 80 e faturava qualquer militante que desse mole.

Transcrevo abaixo do fold, para os sem-UOL.

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Matéria do El País traduzida pelo UOL:

Fuga de fiéis faz Igreja espanhola investir nos mercados de capitais
Igreja católica espanhola usa sociedades financeiras para investir suas doações na bolsa de valores

David Fernández

A igreja católica determinou recentemente que “acumular riquezas excessivas” é pecado. Mas a hierarquia eclesiástica continua utilizando as mesmas estratégias financeiras próprias dos milionários, como as polêmicas sociedades de investimento de capital variável (Sicav), que têm uma tributação mais do que atrativa. Essas sociedades, gerenciadas por profissionais do setor financeiro, aplicam parte do capital da Igreja na bolsa de valores, sem se guiar por outros critérios que não os meramente financeiros. O que não exclui, por exemplo, comprar ações de companhias farmacêuticas mesmo que elas fabriquem anticoncepcionais.

Ué, aquela história dos novos pecados era só para inglês ver?

Transcrevo o resto abaixo, para os sem-UOL.

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Bear vs Shark:

It’s the near future (we still have SUVs, but now our TVs don’t have “off” buttons), and the U.S. is obsessed by one question: given a water level that would allow a shark to swim without keeping a bear from deft maneuvering, which one would win if they had a fight–the bear or the shark? The answer lies in the sovereign nation of Las Vegas, where bear and shark will go fin to paw in a computer-animated–it’s “realer than real”–rematch (the shark won the first time around). The story–written in short episodic chapters that are sometimes transcripts of commercials, including one for the world’s best “ursine porn” Web site– follows young Curtis Norman, who won tickets for his family with his essay “Bear v. Shark: A Reason to Live.” The short chapters keep the pace quick and the book funny, and the attacks on technophilic America will appeal to fans of Chuck Palahniuk and Mark Leyner. In the end, though, this first novel is eerily similar to the cultural phenomena it so relentlessly satirizes: hugely entertaining but not particularly deep.

Via D-Squared, descubro que em essência o caso já foi resolvido:

Iceman’ Wrestles Shark

An Icelandic fishing captain, known as “the Iceman”, wrestled and killed a 300kg shark to stop it attacking his crew, according to witnesses.

Captain Sigurdur Petursson was on a beach in Kuummiit, east Greenland, watching his crew processing a catch when he saw the shark swimming towards his men.

The skipper of the trawler Erik the Red, ran into the shallow water and grabbed the shark by its tail with his bare hands.

He dragged it off to dry land and killed it with his knife.
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Frede Kilime, a hunter and fisherman who witnessesed the extraordinary spectacle, said: “He caught it just with his hands. There was a lot of blood in the sea and the shark came in and he thought it was dangerous.”

Icelandic author and journalist Reynir Traustason, who knows the trawler captain, said the act was typical of the man.

“He’s called ‘the Iceman’ because he isn’t scared of anything,” he said.

“I know the people in that part of the world. They are really tough.”

Informam os jornais norte-americanos, nesta segunda-feira, que diante do prospecto de prolongar uma  guerra amarga, fratricida e autodestrutiva entre seus candidatos, a liderança do partido democrata resolveu intervir de forma drástica para resolver a questão entre Hillary Clinton e Barak Obama _ a única forma de impedir um desgaste maior e uma impensável vitória republicana em novembro.

(continua abaixo do fold)

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No blog do Ordem Livre, Lucas Mafaldo esbraveja contra “o controle dos currículos escolares pelo governo”, e arrola 3 grandes problemas desse sistema.  Comento cada ponto, em preto:

Em primeiro lugar, dar ao governo a autoridade para escolher o currículo de todo o país implica em uma uniformização enorme de todo o ensino. Isto implica no fim da competição entre currículos: uma escola fica proibida de tentar elaborar um currículo inovador para adquirir uma vantagem sobre a concorrência.”

Er…não sei se isso é um mero argumento à la “straw man” ou pura ignorância.  Bem, qualquer estudioso de educação sabe que a Lei de Diretrizes e Bases promulgada em 1996 acabou com a própria organização do ensino em termos de “currículos mínimos”, colocando em seu lugar as “diretrizes curriculares”, visando, justamente, dar maior flexibilidade aos estabelecimentos de ensino.  Embora a LDB estabeleça alguns conteúdos obrigatórios, há hoje grande liberdade na conformação dos currículos, e as escolas privadas podem se diferenciar o quanto quiserem.  É preciso lembrar, também, que a existência de diretrizes não visa “uniformizar todo o ensino” mas apenas assegurar um padrão mínimo para que o ensino não se fragmente totalmente, principalmente em um país como o nosso, de dimensões continentais.

“Em segundo lugar, isso significa que toda futura mudança curricular precisará passar pelo processo político. Ao invés de o professor ir progressivamente afinando seus métodos, ele precisará formar um comitê político e tentar pressionar o congresso para aprovar cada nova reforma.”

Essa afirmação, absurdamente errada, provavelmente decorre da aceitação pacífica da anterior, que é a fonte de todos os erros absurdos do post.

“Em terceiro lugar, nunca teremos certeza de que os interesses dos políticos sempre coincidirão com os nossos. Na medida em que a educação dos nossos filhos passa a ser decidida pelo governo, isso significa que estamos efetivamente abrimos mão de nossa autoridade sobre eles. O atual governo talvez concorde com nossos ideais. O próximo talvez trabalhe diretamente contra eles.

Embora eu tenha mostrado que a coisa não é bem assim (e aí estão as escolas confessionais, montessorianas, etc, que não me deixam mentir), me ocorre que o Mafaldo pode estar incomodado com a mera padronização básica do ensino.  Nesse caso, gostaria que ele pensasse melhor sobre como funcionaria essa pretensa competição que ele pretende instalar, liberando totalmente o ensino de qualquer compromisso com currículos mínimos.  Imagine-se, leitor, como um paciente de um hospital que possui médicos provenientes de diferentes Universidades, todas elas com currículos “originais”, “competindo” por alunos…agora imagine um desses alunos descobrindo, repentinamente, que fez a escolha errada de Universidade por notar que o currículo de medicina adotado em sua alma mater não contempla determinada manobra que poderia salvar o paciente (você).  É claro que algumas pessoas ficariam até felizes por poderem, com seu sacrifício, colaborar para uma melhoria na concorrência entre escolas.  Mas nem todas.

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Será que resolve? 

Deu na Folha:

Caveira motivacional

Como as regras do Bope viraram tema de palestras aplicadas ao dia-a-dia de grandes empresas

MAELI PRADO
DA REVISTA DA FOLHA

“Tropa de elite, osso duro de roer, pega um, pega geral, também vai pegar você.” Os versos da trilha sonora de um dos filmes brasileiros mais vistos e comentados dos últimos tempos ecoam no pequeno auditório da sede da seguradora Unibanco AIG, em um casarão da avenida Brasil, em São Paulo. São 20h de uma quinta-feira, 28 de fevereiro, quando o “caveira 69”, Paulo Storani, 45, ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Especiais), é anunciado à platéia. Um slide com a frase “Construindo uma Tropa de Elite” esclarece o motivo do improvável encontro de mundos: um ex-policial do grupo de operações especiais da Polícia Militar do Rio e vendedores de seguro.
Sob aplausos, o palestrante entra na sala repleta e grita: “Caveira!”. Storani, que está se convertendo em estrela do segmento motivacional, recebe de volta, em uníssono, a saudação, típica dos oficiais do batalhão. Entre os 60 ouvintes, estão clientes e funcionários da quarta maior seguradora do país. Poucas mulheres, todas de tailleur e salto alto, arriscam-se no ambiente masculino.
Storani veste terno e gravata como sua platéia, mas fala e age como um líder do Bope, corporação onde trabalhou por três anos e que abandonou há dez. Depois de um rápido preâmbulo, o palestrante chega ao ponto: “Você é um operação especial ou é um convencional na sua atividade? O convencional é o invertebrado, é quem desmonta no primeiro tiro ou na primeira meta [de vendas]”.
Storani inflama a platéia com a terminologia usada pelos policiais no filme. “E quem não está satisfeito…”, provoca ele. O público reage: “Pede pra sair!”
Àquela altura, uma hora depois do início, a audiência está bem familiarizada com as lições de Storani. Seu manual evoca paralelos entre as regras do batalhão e as do mundo corporativo: naquele contexto, o jargão do Bope “missão dada é missão cumprida” ganha a conotação de “meta dada é meta cumprida”. “Vá e vença” vira “Vá e venda”. Alguns riem, um pouco constrangidos. Muitos balançam a cabeça em sinal de concordância.
Por volta das 21h30, o “grand finale”. Liderados pelo palestrante, todos gritam: “Eu sou caveira!”. As cenas presenciadas pela reportagem viraram rotina na vida de Storani. Ele começou a dar palestras motivacionais em outubro e está com a agenda lotada até maio. Nesse ramo, os cachês variam de R$ 5.000 a R$ 10 mil.
O ex-capitão do Bope já falou para funcionários de bancos, de montadoras, de indústrias das áreas têxtil e de tecnologia. Virou guru de executivos. “O conceito de superação de limites e de encarar as adversidades com naturalidade pode ser aplicado à iniciativa privada”, afirma Storani, mestrando em antropologia com dissertação sobre o Bope. Ele ainda concilia a agenda de palestrante com o cargo de secretário de Segurança Pública de São Gonçalo, município do Rio de Janeiro.

Storani…pede pra sair, cara.

O restante da matéria abaixo do fold, para os sem-UOL.

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