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Segundo o Nelson, foi quase.

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Do Wall Street Journal:

Sweet Home, Santiago: Cuba’s Ethanol Future

Fidel Castro’s decision to step down as Cuba’s ruler brings the country one step closer to a democratic transition. Could it also be one step closer to an economic transformation?

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A sweet cash crop (Wikipedia)

Before Castro’s 1959 revolution, Cuba was the world’s biggest sugar producer; today, its battered sugar mills and neglected land produce about 10% of what they did. In the meantime, though, sugar has become a real cash crop: While regular sugar sells for around 11 cents a pound, ethanol made from sugarcane can fetch $2 a gallon.

The academics who try to make sense of Cuba’s economy—and divine its post-Castro future—have spent a lot of time wondering if Cuba could be a baby Brazil, which has become the world’s biggest producer of ethanol by pouring half its sugar crop into the fuel. The short answer, from the Association for the Study of the Cuban Economy’s Juan Tomas Sanchez:

The 1 billion gallons [of sugarcane-derived ethanol] that Brazil will export in 2007 could have been produced in [the Cuban province of] Camaguey.

Mr. Sanchez set out to determine how much ethanol Cuba could produce after an exhaustive study of Cuban land use. In a best-case scenario, where post-Castro Cuba opened the door to hefty foreign investments to modernize its sugar industry and without any barriers to the U.S. market, Cuba could produce 3.2 billion gallons of ethanol a year, Mr. Sanchez figures. (Other academics guess it would be closer to 2 billion gallons.)

But unlike Brazil, which has a thirsty domestic auto market to feed, Cuba’s relative lack of internal demand would free most of that ethanol for export. Mr. Sanchez figures as much as 3 billion gallons, worth around $7 billion at today’s prices. Hard currency aside, sugarcane ethanol appears to have two other selling points over other varieties. It seems to produce lower carbon-dioxide emissions than biofuel made from corn, soy, or palm oil. And sugarcane biomass, long used to fire distilleries in Cuba, could produce an additional 4 gigawatts of power (think four nuclear plants) for the electricity-starved nation.

Tio Rei, hoje:

O PSDB foi apeado do poder pelas urnas. E cumpre fazer uma pergunta: qual é a sua real influência hoje na máquina do estado? Aparelhou a administração direta, as estatais, a ampla rede burocrática de serviços e regulação, os fundos de pensão? Nada! O que restou dos tucanos — e do ex-PFL, hoje DEM — no poder? Nada! Alguns poderão dizer que as opções de FHC estão ainda presentes na área mais sensível do país: a economia. É fato. Mas é tolice achar que o Banco Central, por exemplo, obedece a um comando partidário, tucano.

Como será em 2010 — ou 2011, para ser mais preciso? Se vence um candidato de Lula, mesmo que seja Ciro Gomes (vocês sabem fazer novena?; querem que eu ensine?), haverá uma mudança aqui ou ali, mas a ocupação do estado pelos petistas continuará intocada. Apesar de sua mímica cesarista, Ciro não mexeria com o bilionário aparelho sindical (estou pondo na conta os fundos de pensão) que hoje governa o país, sob o comando de seu líder máximo, Lula. Mas e se vence um oposicionista: José Serra ou Aécio Neves?

Longe ainda desse futuro, pode-se especular que talvez Aécio fosse mais conciliador; Serra menos. Por outro lado, no que respeita a um corte ideológico, talvez o político paulista estivesse mais perto da máquina petista do que o mineiro… E poderíamos escolher muitos critérios para chutar o que faria um ou outro. Tenho pra mim que a “despetização” do estado, mesmo com a vitória de um oposicionista, é tarefa das mais difíceis. Essa gente nos assombrará ainda por muito tempo, ditando a agenda. E o motivo é terrivelmente simples: o estado paralelo petista não é visto como um problema. Tampouco é percebido por boa parte da oposição como aquilo que é: o verdadeiro inimigo do país, que não pode ser banido da máquina por meio de eleições.” (grifo meu)

***

É muita cara de pau.

Petistas podem entrar na máquina do Estado por quatro portas: ou via cargos comissionados de livre provimento, ou sendo indicados e nomeados para cargos com mandato em agências reguladoras, ou sendo contratados via terceirização, ou por concurso público.

Tanto os petistas nomeados em cargos comissionados quanto os contratados via terceirização poderão ser despachados de volta para casa assim que um eventual governo oposicionista chegar ao poder em 2010. Nesse caso a “despetização” seria tão fácil quanto foi a “despsdbização” quando Lula chegou à presidência em 2003. E se não houve uma “despsdbização” radical nesses cargos em 2003, foi porque Lula não quis, não porque não pôde _ a área econômica sob Palocci, por exemplo, ainda era um ninho tucano.

Os petistas nomeados em cargos com mandato podem realmente ser um problema maior, principalmente porque em muitos casos os mandatos deles não são coincidentes com o mandato do Presidente da República _ mas como todos sabemos este foi um problema criado pelo próprio PSDB, e dizem as más línguas, justamente no intuito de criar problemas para um eventual sucessor. Quem pariu Mateus, pois, que o embale.

Finalmente, temos o caso dos petistas concursados. Bem, os concursos, como se sabe, são abertos a simpatizantes de todos os partidos. E há funcionários públicos de todas as colorações partidárias. Para arrematar, o fato inconteste da máquina pública é que quem elabora e direciona as políticas públicas são os ocupantes de cargos comissionados, que como disse antes, são nomeados, em última análise, pelo centro do Poder, a Casa Civil da Presidência da República.

Então acho que Tio Rei está chorando de barriga cheia.  Mas eu realmente gostaria que ele elaborasse mais as consequências de sua última frase:

“Tampouco é percebido por boa parte da oposição como aquilo que é: o verdadeiro inimigo do país, que não pode ser banido da máquina por meio de eleições.”

Não consigo ver soluções constitucionais para o “problema” que ele aponta.  Aliás, não consigo ver soluções que não passem pelo paredão.   Estará Tio Rei flertando com o golpismo? Tchan tchan tchan tchan.  Vejam, quem “iniciou uma bela amizade” com Gerald Thomas depois de fazer comentários sobre a bunda do dramaturgo é capaz de tudo!

Deu no Estadão:

Polícia estoura prostíbulo e prende 49 pessoas em São Paulo

Segundo policiais, local era freqüentado apenas por coreanos; gerente e proprietário estão entre os presos
Polcia deteve clientes, prostitutas e proprietário
Werther Santana/AE

Polícia deteve clientes, prostitutas e proprietário

SÃO PAULO – Uma denúncia anônima levou policiais a estourar, por volta das 22h30 de quinta-feira, 28, um prostíbulo localizado no primeiro andar de um prédio de uma fábrica desativada no Bom Retiro, região centro-norte da capital paulista. Os policiais detiveram 27 clientes, 20 prostitutas, além do gerente e do proprietário. O público que freqüentava o prostíbulo era bem restrito, somente coreanos conheciam e vinham para cá, inclusive todas as garotas são coreanas“, informou o tenente Martinez, responsável pela equipe de PMs que localizou a boate.

Doze caixas, cada uma contendo 12 garrafas de uísque, foram apreendidas. Não havia entorpecentes, segundo a polícia. O dono da boate será indiciado por favorecimento à prostituição, mas poderá ser autuado também por contrabando e tráfico internacional de mulheres. O destino das garotas ainda será decidido.”

***

Isso é o que eu chamo de protecionismo.

The plot thickens:

Abin continuará a apurar furto

Segundo senador, general Felix considera assunto muito sério porque estão em jogo fortes interesses econômicos

Convocado pela Comissão de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI) do Congresso para falar do furto de equipamentos da Petrobrás, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Felix, disse ontem que o caso continuará sendo investigado, apesar do entendimento da Polícia Federal (PF) de que se tratou de um crime comum.

Presente à exposição do ministro, no gabinete do presidente da Comissão de Relações Exteriores, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), o senador Paulo Duque (PMDB-RJ) disse ter ficado claro que, para o general, o caso ainda não está encerrado. ””Isso (furto comum) não convence nem a mim nem a você””, alegou o senador.”

***

Ou temos um caso espionagem industrial disfarçado de roubo comum, ou

Temos um caso de roubo comum servindo de justificativa para um Serviço secreto carente de atenção.

Pessoalmente, acho que se a Halliburton realmente quisesse por a mão nos dados, faria isso de forma menos escandalosa.  Mas sempre existe a possibilidade de uma manobra por terceiras partes.

No Wall Street Journal:

Making Money in the Amazon

Annelena Lobb has this report on the new king of emerging markets.

Brazil edged past China to become the largest emerging market in the world, as measured by Morgan Stanley Capital International’s emerging markets index. Brazil has a free-float market capitalization of $509.10 billion and comprises 14.95% of the index; China, $481.80 billion and 14.15%, respectively, according to MSCI, FactSet and Citi Investment Research.

Brazil has enjoyed a “meteoric” rise since mid-2007, said Geoff Dennis, Citi’s Latin America equity strategist; a report he wrote for Citi notes the role of market juggernauts like state-oil concern Petrobras in Brazil’s surge. Petrobras shares have rocketed over the last 12 months on the price of oil, as well as the discovery of the Tupi oil and gas field, 180 miles off the coast of Rio.

Chinese equities markets have also corrected lately, he notes, helping Brazil move into first place. Longer-term, Mr. Dennis notes that Brazil has risen relatively steadily since its trough in mid-2002, when it made up 5.3% of the MSCI index, and the two biggest fish were Korea, now third, and Taiwan, now fourth.

But they’ve underperformed and Brazil, a big exporter of commodities, has outperformed — Korea, Taiwan and China are all net commodities importers. “It all comes back to commodities,” he said.

In the near future, the run-up in Brazil probably leaves it vulnerable to profit-taking; Brazilian interest rates may also rise, Mr. Dennis said. Longer-term, oil, mining and other commodities will continue to boost Brazilian markets, he said, assuming any U.S. recession isn’t too painful. As for China, when its market is “less frothy,” it will “come roaring back – but I wouldn’t expect China to go racing past Brazil anytime soon.””

(hat tip: PMF)

No Political Animal, um post que dá o que pensar:

GALBRAITH AND BUCKLEY….Jamie Galbraith has a brief and gracious remembrance of William F. Buckley posted over at the New Republic that’s worth a look. I don’t myself have anything to say about WFB because, aside from reading God and Man at Yale several years ago, I’m just not very familiar with Buckley’s work other than by reputation. Better then to stay quiet and be thought ill-informed than to open my mouth and remove all doubt.

But Galbraith’s piece raises a question: are there any current examples among high-profile liberals and conservatives of the kind of close friendship and mutual respect that Buckley and John Kenneth Galbraith shared? Ezra Klein suggested yesterday that the era of big, popular, serious political thinkers has been permanently eclipsed with the deaths of people like WFB, Galbraith, Milton Friedman, Arthur Schlesinger Jr., and Norman Mailer. “Now, the space they inhabited in the discourse is held by the Coulters and O’Reilly’s of the world.” Maybe so, and it’s hard to picture, say, Ann Coulter and Michael Moore enjoying each other’s company socially and taking each other’s ideas seriously.

In the blogosphere, we tend to think that’s for the best. Politics is serious stuff, and if you’re serious about it you shouldn’t be on the cocktail circuit every night consorting with the enemy. That’s the tribal path that Congress went down many years ago, and it’s one that the rest of us have since followed as well. Most of us, anyway.

Still and all, it’s kind of stultifying, isn’t it? In the post-Gingrich/Limbaugh/Rove/Norquist era that we live in there might not be much we can do about it, but that doesn’t mean we have to like it. And, most of the time, I don’t.

***

Minha hipótese é que a internet facilita formas de contágio anteriormente insuspeitadas.  Por exemplo: entre nossos políticos eu tenho a absoluta certeza de que não vigora o tribalismo que Drum aponta no Congresso americano.  Tirando uma disputa ou outra, ou algumas personalidades, não existe na verdade este grau de inimizade pessoal entre os deputados e senadores, ou pelo menos, não por motivos ideológicos.  É claro que você dificilmente iria ver um Deputado Babá congraçando-se no Piantella com o Senador Bornhausen, mas estes são casos limite.

Já na Internet acho que o movimento norte-americano está sendo fielmente copiado pela nossa blogoseira.  Eu mesmo sou um sujeito que entrou na blogoseira acreditando na possibilidade de diálogo.  Rapidamente descobri que ela é muito exígua, aliás, mesmo dentro de um determinado campo: já vi grandes brigas dentro da direita e dentro da esquerda blogueiras.  Já protagonizei várias, aliás.

Cada vez mais acho que a “militância” na Internet pode desempenhar algum papel apenas no momento de “encaminhar neófitos”.  Mas entre a velha guarda acho mesmo que as divisões só tendem a aumentar e a possibilidade de diálogo só vai diminuir.

Opiniões?

Do Times, via Crooked Timber:

For the first time in the nation’s history, more than one in 100 American adults is behind bars, according to a new report. Nationwide, the prison population grew by 25,000 last year, bringing it to almost 1.6 million. Another 723,000 people are in local jails. The number of American adults is about 230 million, meaning that one in every 99.1 adults is behind bars. Incarceration rates are even higher for some groups. One in 36 Hispanic adults is behind bars, based on Justice Department figures for 2006. One in 15 black adults is, too, as is one in nine black men between the ages of 20 and 34.

***

Nanny State é isso aí. Casa, comida e roupa lavada para um em cada cem americanos!

***

UPDATE:

Para uma perspectiva ainda mais alucinante (se é que isso é possível):

“O que se perde constrangendo um tirano que coloca seu povo na prisão por causa de suas convicções políticas? O que se perde é que isso envia a mensagem errada.

_ George W. Bush, sobre Raúl Castro

Deu no Estadão:

PF do Rio recupera equipamentos furtados da Petrobras

Além de reaver o material, a polícia prendeu quatro empregados do terminal de contêineres Poliportos, no Rio

RIO – Agentes do Setor de Inteligência da Polícia Federal do Rio recuperaram nesta quinta-feira, 28, os equipamentos da Petrobras que haviam sido furtados quando eram transportados da Plataforma de Petrolífera da Bacia de Santos para Macaé. O furto foi descoberto no dia 31 de janeiro, mas anunciado só no dia 14 deste mês. Quatro empregados do terminal de contêineres Poliportos, na zona portuária do Rio, foram presos. Com eles, além do material furtado da Petrobras, a PF localizou outros equipamentos de informática que também tinham sido levados do mesmo terminal. Para chegar aos quatro funcionários, os agentes trabalharam em cima das equipes da Poliportos que trabalhavam nos dias em que foram constatados casos de furtos de material, inclusive de outras empresas. 

A PF descarta, inicialmente, a hipótese de espionagem industrial no caso. Os laptops recuperados nesta manhã estavam nas residências dos funcionários da Poliportos e, aparentemente, serviam para uso pessoal.

Assim não dá.

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(clique para ampliar)

Deu no Estadão:

Rosto de Bach é reconstruído com uso de técnicas digitais

Resultado revela face do músico como rosto largo, testa grande, entradas no cabelo e lábios carnudos

BERLIM – A antropóloga escocesa Caroline Wilkinson reconstruiu digitalmente o rosto do compositor alemão Johann Sebastian Bach, a pedido da Casa Museu de Bach, com sede em Eisenach (centro da Alemanha), com uso de técnicas digitais e legistas. Os resultados de sua pesquisa, que serão apresentados na segunda-feira em Berlim, relacionam os dados obtidos de retratos, medições de seu crânio e da máscara mortuária do músico (1685-1750).

Curioso mesmo foi o comentário deixado lá:

Parabens pela reconstrução do rosto. A cor da pele, porém, mostrada como negra, com a maior probabilidade está equivocada, pois os alemães daquela região têm pele clara naturalmente e Bach não foi nenhum campones ou marinheiro sujeito às influências do tempo.
Rolf-Rainer Kalker

O pior é que quando eu olhei a imagem pensei a mesma coisa: “ué, esse Bach aí tá meio negão”…

Estou tendo uma discussão lá no Torre de Marfim onde a questão é saber se Cuba é ou não é importante para os Estados Unidos.  Aparentemente, tem gente por lá que acredita que o motivo pelo qual os EUA se importam em fazer um embargo econômico ao país caribenho, acho que um dos únicos embargos desse tipo que os EUA promovem no mundo, tendo até legislação que pune empresas de OUTROS PAÍSES que façam negócios com Cuba, bem, a razão para isso é que os EUA realmente ignoram Cuba. Profundamente.

Já eu prefiro acreditar naquela velha fórmula: “quem odeia, ama”.

De fato, o desinteresse dos EUA pelo que ocorre sob suas barbas é tamanho que eles vão até mesmo criar uma nova frota só para o Caribe.  Para quem não sabe, uma frota da marinha norte-americana é um investimento multibilhonário,  incorporando um porta-aviões e uma multidão de outras embarcações destinadas a lhe dar apoio (incluindo submarinos de ataque).  E sabem qual é a justificativa para tamanha demonstração de desinteresse?

Esta:

(Senator) Nelson said several factors have prompted admirals to conclude Latin American and Caribbean waters require a fleet dedicated to them: the rising economic strength of Brazil, the belligerence of Venezuela, the increasing trade moving through the Panama Canal, and Cuban leader Fidel Castro’s age.

Nelson’s comments come three days after Republican candidate for president Rudy Giuliani said during a campaign stop in Jacksonville that he would work to ensure the carrier George H.W. Bush, expected to be commissioned in 2009, is stationed at Mayport. Nelson said he expects Democrats running for president will make the same commitment but that it might not matter because he’s hopeful such a decision will be made before the next president takes office.

Ou o que realmente acontece enquanto o Gmail funciona.

(hat tip: Crooked Timber)

No Painel da Folha:

Inexpugnável. A base aliada de José Serra (PSDB) na Assembléia conseguiu ontem, pela terceira vez, adiar a votação do requerimento de convocação do secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, para que dê explicações à Comissão de Finanças sobre os gastos com cartões de despesa do governo paulista.

Na Folha de hoje:

Segundo levantamento divulgado ontem pelo “New York Times” e a emissora CBS, Obama bate Hillary nacionalmente por 54% a 38% (na segunda semana de janeiro, os índices eram 27% a 42%, respectivamente). Resultado semelhante mostra pesquisa do “USA Today” com o Gallup: 51% a 39%.
E o site agregador de pesquisas “Real Clear Politics” traz Hillary à frente em Ohio por 49,2% ante 41,8%, uma diferença de menos de oito pontos percentuais numa corrida em que a vantagem da ex-primeira-dama já foi de 20 pontos.
No Texas, segundo o mesmo site, os dois estão em empate técnico. Mas pela primeira vez o senador tem ligeira vantagem onde sua rival sempre foi favorita, com 47,8%, ante 46,3%.
Os dois Estados vão às urnas nesta terça para escolher seus delegados -os representantes que cada concorrente terá votando a seu favor na convenção partidária, em agosto. Com, respectivamente, 141 e 193 delegados, Ohio e Texas podem acabar definindo o candidato.

– e desesperando

Em teleconferência com jornalistas há alguns dias, o principal estrategista político de Hillary, Mark Penn, chegou a dizer que Obama era o “candidato do establishment”, uma declaração que arrancaria risos se dada em janeiro. A campanha do senador respondeu dizendo que ele continuava a ser “o azarão, ainda que menos azarão”.

***

Previsão:

Reinaldo Azevedo, que vem sistematicamente denegrindo Obama _ porque secretamente acha que Obama tem mais chances de vencer McCain do que Hillary _ passará agora a dizer que é ótimo que Obama tenha sido escolhido, porque será mais fácil para McCain vencê-lo.

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Sempre que chove como choveu hoje aqui no cerradão, penso no seguinte:

Se deus(*) existe mesmo, gosta muito mais de Lula do que de Reinaldo Azevedo.

(*) com minúscula, em retaliação à Veja

Deu no Estadão:

Cientistas espanhóis criam software que lê expressões faciais

Programa identifica estados emocionais como raiva, nojo, medo, felicidade, tristeza e surpresa

MADRI – Cientistas do Departamento de Inteligência Artificial da Escola de Computação da Universidade Politécnica de Madri, na Espanha, criaram um algoritmo que permite a um computador reconhecer as expressões faciais de seu usuário, segundo informações divulgadas pela agência Magnet. De acordo com o site The Inquirer, o programa é capaz de processar 30 imagens por segundo e, assim, analisar expressões faciais identificando estados emocionais como raiva, nojo, medo, felicidade, tristeza e surpresa. O Science Daily explica que o sistema divide o rosto da pessoa em diversas partes, monitorando os movimentos faciais até que consiga determinar a emoção subjacente, comparando com um banco de dado de 333 seqüências de expressões faciais de diversas pessoas. O software funciona tanto em vídeos já produzidos quanto com a ajuda de uma câmera. Embora ainda seja um protótipo, o sistema já pode ser rodado em computadores desktop ou laptops.

Até o momento, a taxa de sucesso do software é de 89%, e o programa é capaz de trabalhar mesmo em ambientes de baixa luz, com rosto em movimento e câmeras mal enquadradas.

***

Já imaginaram se começarem a usar isso aí para dar “feedback” a blogueiros sobre as reações de sua audiência??

Leiam tudo porque esta é quente:

Renovação de concessões de TV centraliza disputa por comissão
26/02/2008, 20h55
Há uma batalha de bastidores no Congresso, sobretudo entre PT e PSDB, pela presidência da Comissão de Ciência, Tecnologia e Comunicação da Câmara. Mas o foco não é a entrada da teles no mercado de TV por assinatura, as cotas de programação regional obrigatória e a compra da Brasil Telecom pela Oi, temas que em breve devem aportar na comissão. O real motivo de impasse é bem mais simples: o poder de análise das renovações das concessões de radiodifusão das grandes TVs comerciais. Especialmente em 2008, quando a jóia da coroa nessa seara estará exposta aos deputados. Trata-se da renovação da concessão da TV Globo e outras concessões importantes da Record, SBT e Bandeirantes.
O processo de renovação das concessões já foi iniciado pelo Ministério das Comunicações e está na Casa Civil, para então ser enviado ao Congresso. O tema jamais esteve no topo da lista de prioridades dos partidos, mas agora tornou-se especialmente interessante, especialmente em um ano eleitoral, dada a envergadura dos grupos de comunicação interessados, revelam fontes ouvidas por este noticiário no Congresso.
Após mais uma reunião frustrada para tentar conciliar o PT e o PSDB, protagonistas nessa disputa, os deputados já não faziam mais tanto segredo sobre a verdadeira motivação para arrematar a cadeira. “Neste ano tem a renovação das concessões, tem a implantação da TV digital… Essas coisas despertaram um certo interesse dos partidos”, admitiu discretamente o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), a este noticiário.
Com a garantia de permanecerem anônimos, deputados de outros partidos são mais objetivos do Alves e garantem que o foco é a Globo. A leitura dos deputados é simples. À frente da comissão, o partido vencedor teria, na interpretação dos parlamentares, uma vantagem para negociar com a maior rede de televisão aberta do País, uma moeda que acreditam ser valiosa em ano de eleições. O mesmo valeria para as outras emissoras cujas renovações passam pelo escrutínio da Câmara, na visão dos deputados ouvidos. Vale lembrar que esta é a visão que a alguns membros da comissão têm sobre o processo, não significiando contudo, que a barganha seja exeqüível.

Impasse

A briga tomou tal volume que toda a negociação de líderes para a definição das presidências das comissões temáticas está em um impasse. A idéia original da Presidência da Câmara era manter as comissões com os mesmos partidos que exerceram as presidências no ano anterior. Seguindo esta regra, aparentemente a comissão de comunicação ficaria com o PSDB – o deputado Júlio Semeghini (PSDB/SP) foi o último presidente. Mas a negociação feita no ano passado atrapalha essa transição pacífica.
Em princípio, a Comissão de Ciência e Tecnologia e Comunicação era da cota do PT em 2007 e foi negociada por fora com o PSDB. A cadeirafoi uma das barganhas usadas pelo governo no acordo para a eleição do atual presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT/SP). Então, paira agora a dúvida de quem seria o “proprietário” da presidência. O PSDB entende que o acordo lhe dava a comissão também em 2008. O PT alega que a troca era válida apenas em 2007.

Bases

O jogo político envolve também grandes partidos aliados de ambas às partes. Do lado da oposição está o DEM, que teria entrado na disputa pela vaga com a intenção de repassá-la ao PSDB em caso de vitória ou colocar um nome de consenso entre os dois partidos. O nome que circulou nos últimos dias seria o de Paulo Bornhausen (DEM/SC).
Do lado do PT está o PMDB, que fez a solicitação da reunião realizada nesta terça-feira, 26. A negociação com o PMDB envolveu outras comissão, como a de Minas e Energia, em troca de o partido tomar a dianteira na briga com o PSDB. A idéia seria o PMDB pegar a Comissão de Ciência e Tecnologia e repassá-la para um indicado do PT. Nesta terça-feira, o nome mais cotado seria o do deputado Walter Pinheiro (PT/BA).

Nova rodada

O presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia, anunciou durante a Ordem do Dia no Plenário, nesta terça, 26, que irá retomar a reunião dos líderes nessa quarta-feira, 27, às 10h. “Se houver acordo, resolvemos em cinco minutos. Se não houver, a gente fica uma meia hora e define as presidências”, afirmou Chinaglia. Ao concordar com a agenda proposta pelo presidente, o líder do DEM na Câmara, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), não deixou dúvidas sobre quais os partidos que estão realmente em conflito. “Faço um apelo para que os líderes do PT e do PSDB trabalhem para chegar a um acordo sobre as comissões.” Mariana Mazza – TELA VIVA News

***

Vamos combinar assim: PT e PMDB estão doidos para pôr a mão na comissão apenas para poder chantagear as emissoras e fazê-las apoiar seus candidatos na eleição de 2008.

Já o PSDB e o DEM estão doidos para pôr a mão na comissão apenas para poder livrar as emissoras desse enorme perigo.

O coelhinho da Páscoa também já está chegando.

Sinopse no Correio Braziliense:

Em março, um jovem que vive em uma tribo primitiva se apaixonará por uma princesa acima de sua casta social. Quando os caçadores da tribo são escravizados e a princesa é seqüestrada, caberá ao rapaz entrar em ação para que seu povo não seja extinto.

No site do filme, um complemento:

Driven by destiny, the unlikely warriors must battle prehistoric predators while braving the harshest elements.  At their heroic journey’s end, they uncover a lost civilization and learn their ultimate fate lies in an empire beyond imagination, where great pyramids reach into the skies.
Here they will take their stand against a tyrannical god who has brutally enslaved their own.  And it is here that D’Leh finally comes to understand that he has been called to save not only Evolet but all of civilization.

Não consigo deixar de imaginar que veremos uma trama banal, ótimos efeitos especiais e um sub-A Guerra do Fogo… make your bets.

Deu no Financial Times:

American pays $50,000 to clone dead dog

The prospect of having nine lives is no longer the preserve of cats.

In a happy mix of science and commerce, man’s best friend can now live again and again – if the owner is besotted and rich enough.

The South Korean stem cell scientists who produced Snuppy, a cloned Afghan hound, have received the world’s first commercial order to clone a dog and are preparing to recreate Booger, a pitbull terrier from California.

It is an order they hope will lead to the production of as many as 500 born-again pets each year.

***

Eu até entendo que algumas pessoas sintam uma incrível saudade dos seus animais de estimação, e paguem para voltar a conviver com eles.

Mas o problema vai começar é quando as pessoas quiserem clonar o pai, a mãe e os filhos queridos que morreram.

Ao que consta, há espécies animais que não morrem. Logo, a morte deve estar conosco por um bom motivo.

O mito do isolacionismo americano, altaneiro como a água em seu ninho que só desce à Terra para dar umas bicadas nas cabeças dos povos mal-comportados, é também um apanágio do Campo de Distorção da Realidade. Diz o Paulo:

I bet the US would have no problems leaving that piece of rock for the old commies (…)

E arremata o Alexandre, nosso velho conhecido troll, que comentou por lá:

It amazes me how these american hating, inferiority complex ridden morons think the the United States actually cares about Cuba, or any Latin American country for that matter, to the point of “renouncing any form of intervention” or “proposing annexation

Como vemos, o Campo de Distorção da Realidade, entre seus variados e deletérios efeitos, também impede as pessoas de irem até a biblioteca mais próxima conferir uns livrinhos.

Enters the Platt Amendment:

The Platt Amendment was a rider appended to the Army Appropriations Act, a United States federal law passed on March 2, 1901 that stipulated the conditions for the withdrawal of United States troops remaining in Cuba since the Spanish-American War, and defined the terms of Cuban-U.S. relations until 1934. Formulated by the American Secretary of War Elihu Root, the amendment was presented to the Senate by, and named for, Connecticut Republican Senator Orville H. Platt (1827-1905). It replaced the earlier Teller Amendment.

The amendment:

-ceded to the United States the naval base in Cuba (Guantánamo Bay),

-stipulated that Cuba would not transfer Cuban land to any power other than the United States,

-mandated that Cuba would contract no foreign debt without guarantees that the interest could be served from ordinary revenues,

-ensured U.S. intervention in Cuban affairs when the United States deemed necessary,

-prohibited Cuba from negotiating treaties with any country other than the United States “which will impair or to impair the independence of Cuba” or “permit any foreign power or powers to obtain … lodgement in or control over any portion” of Cuba, and

-provided for a formal treaty detailing all the foregoing provisions.

As fontes históricas disponíveis são unânimes em afirmar que não existiam mísseis nucleares estacionados em Cuba, na época.

É claro, é claro, nós entendemos. Afinal, os EUA foram provocados, a Espanha tentava anexar ao seu império colonial as terras que vão desde a Flórida até o estado do Maine, não é mesmo?

Hããã…not quite.

Los Estados Unidos, que no participaron en el reparto de África ni de Asia, fijaron su área de expansión inicial en la región del Caribe y, en menor medida, en el Pacífico, donde su influencia ya se había dejado sentir en Hawaii y Japón. Tanto en una zona como en otra se encontraban valiosas colonias españolas (Cuba y Puerto Rico en el Caribe, Filipinas, las Carolinas y las Marianas en el Pacífico) que resultarían una presa fácil debido a la fuerte crisis política que sacudía su metrópoli desde el final del reinado de Isabel II. En el caso de Cuba, su fuerte valor económico, agrícola y estratégico ya había provocado numerosas ofertas de compra de la isla por parte de varios presidentes estadounidenses (John Quincy Adams, James Polk, James Buchanan y Ulysses Grant), que el gobierno español siempre rechazó. Cuba no sólo era una cuestión de prestigio para España, sino que se trataba de uno de sus territorios más ricos y el tráfico comercial de su capital, La Habana, era comparable al que registraba en la misma época Barcelona.

***

Claro que além disso poderíamos desfiar o longo rosário das intervenções norte americanas em Granada, no Panamá, na Nicarágua, e seu apoio desinteressado aos levantes militares em toda a região ao longo das últimas décadas. Mas isso já seria usar um canhão para matar um mosquito.

Reinaldo Azevedo bate-se com Gerald Thomas.

Alguém precisa apartar.

Temo que do contrário uma tal colisão produzirá um grande espasmo de irrelevância que engolfará o mundo.

No FYI:

So I would say that it would be very easy to annex Cuba. All that Raulzito has to do is to allow people to escape the prison island. I bet the US would have no problems leaving that piece of rock for the old commies as long as they don’t point nuclear missiles to Florida.

Interessante essa idéia do Paulo de anexar os cubanos, não Cuba. É uma bela idéia, mas infelizmente talvez não funcione. Pelo menos não deu muito certo da última vez. Por outro lado, essa mudança de política dificultaria um pouco os planos do Pentágono, pois tornaria cada vez mais difícil explicar ao contribuinte norte-americano o motivo pelo qual eles têm que pagar pela anexação de pedaços de rocha cada vez mais longe do país, havendo tantos outros disponíveis bem mais perto.

Entretanto, em prol do avanço da Ciência, não podemos deixar de notar que o post do Paulo nos oferece a mais contundente evidência de que o Campo de Distorção da Realidade republicano é capaz não apenas de distorcer as idéias ou o espaço, mas também o tempo, já que faz mais de 40 anos que um míssil nuclear estacionado em Cuba apontou para os EUA. Acho também ocioso ter que observar que durante esses mesmos pouco mais de 40 anos a China continuou a apontar mísseis para os EUA e não está propriamente submetida a um embargo comercial. Finalmente, também é verdade que nesses 40 e poucos anos os EUA estiveram apontando mísseis nucleares para todo o resto do mundo, e continuam a fazê-lo.

Via Crooked Timber, chega-se a um post do Obsidian Wings revelando a incontida alegria de seu autor com a partida de William Haynes II do cargo de “General Counsel” Departamento de Defesa norte-americano (aparentemente, equivalente ao cargo de consultor jurídico de um Ministério, no Brasil).

Haynes, além de ser da opinião que o julgamento dos presos em Guantânamo TEM que terminar com a condenação de todos os acusados (“afinal, como justificaríamos mantê-los presos por tanto tempo?” _ eis aí uma pergunta que ele poderia fazer à justiça brasileira) , e de ter redigido um memorando que para todos os efeitos justifica o fim da experiência republicana nos EUA, escreveu esta opinião em um caso legal (Center for Biological Diversity v. Pirie):

In this amazing brief, Haynes argued that bombing a nesting site for migratory birds would benefit birdwatchers, since “bird watchers get more enjoyment spotting a rare bird than they do spotting a common one.” Moreover, he added, the birds would benefit as well, since using their nests as a bombing range would minimize “human intrusion”. The judge’s comment on this novel line of argument: “there is absolutely no support in the law for the view that environmentalists should get enjoyment out of the destruction of natural resources because that destruction makes the remaining resources more scarce and therefore more valuable. The Court hopes that the federal government will refrain from making or adopting such frivolous arguments in the future.” (pp. 27-8)

Detalhe sombrio: o homem foi indicado por Bush para a Corte de Apelação dos EUA.  Duas vezes.

Eu resto o meu caso.

(e vale realmente a pena ler os comentários lá)

Deu no Estadão:

Ao lado de José Padilha, Lula reforça compromisso com cinema

Presidente promete voltar a exibir cinema brasileiro na Alvorada e incentivar empresas a investir na área
RIO – Diante do elenco do filme Tropa de Elite, vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim 2008, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se comprometeu nesta terça-feira, 26, a reativar as sessões de cinema brasileiro no Palácio da Alvorada, comuns em seu primeiro governo, como forma de estímulo à produção cinematográfica nacional.

Segundo o presidente da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Manoel Rangel, esse foi um dos gestos de Lula no encontro com o diretor José Padilha e os atores Wagner Moura, André Ramiro e Maria Ribeiro, no Teatro Municipal, após a entrega de medalhas aos 300 estudantes vencedora da 3ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep).

Se a moda pega…

“(…)o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se comprometeu nesta terça-feira, 26, a reativar o consumo de aços planos no Palácio da Alvorada como forma de estímulo à produção siderúrgica nacional.”

“(…)o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se comprometeu nesta terça-feira, 26, a reativar as feijoadas de sábado regadas a caipirinha no Palácio da Alvorada como forma de estímulo à produção canavieira nacional.”

“(…)o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se comprometeu nesta terça-feira, 26, a reativar o sistema de passagens aéreas no Palácio da Alvorada como forma de estímulo à indústria aeronáutica nacional.”

(…)

Vai faltar cartão.

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Atendendo a pedidos _ do Mothern e deste blog _ o Idelber se resolveu a escrever sobre Fidel. Na verdade, ele escreveu mais sobre Cuba do que sobre o vulto histórico de Fidel, a rigor. É um belo texto, e reflete algumas coisas que eu penso, também. Vão lá e confiram.

Agora só falta o Rafael Galvão deixar de sacanagem e resolver escrever sobre Cuba e Fidel também.

Outros posts interessantes sobre o assunto podem ser lidos lá no Catatau e no Na Prática.

***

O tema “Cuba” é tão divisivo que falar sobre ele parece ser uma outra forma de protagonizar aquela velha história da briga com bêbado: se você ganha, fica mal na fita; se você perde, fica ainda pior. No caso de Cuba, qualquer das posições possíveis _ opróbio, adesismo, crítica circunstanciada _ já ao ser enunciada fica imediatamente presa sob o peso do enorme acúmulo de opiniões, propagandas, vitupérios e barbaridades que já se disse sobre a ilha, acúmulo tão grande que parece gritar por opções simples, sem nuances: contra, a favor. Essa situação fica ainda pior quando se sabe que muito pouca gente já foi lá, conversar com seus habitantes, e que pouca gente também conhece a história da ilha e qual o processo que a levou a chegar até o ponto onde chegou.

***

Tenho alguns instintos _ ou heurísticas _ fortes quando trato de alguns temas. Um deles é que eu acredito mesmo na democracia, por razões mais que políticas, até científicas. Acho que a possibilidade de mudança de governo embute sempre uma chance de aprendizado e adaptação que não deve ser desprezada. Não é um caminho sempre simples, e possivelmente muito mais difícil e complicado em países ainda subdesenvolvidos ou em desenvolvimento do que em países mais desenvolvidos, mas acho que experiências como a brasileira pós-redemocratização são um testemunho de que ele funciona. A falta de democracia é, portanto, a minha maior bronca com Cuba, já que lá a Revolução terminou sendo uma forma de ir de uma ditadura a outra.

Por outro lado, a suprema arrogância norte-americana em tratar a ilha como seu quintal, desde os primórdios da sua história, me é muito desagradável. Principalmente quando pensamos na folha corrida que os EUA têm no que diz respeito à preservação de liberdades democráticas no continente. A política americana portanto me parece tão idiota quanto a dos guerrilheiros de Sierra Maestra: é preciso acabar com a democracia em nome da democracia.

***

Ao cabo e ao rabo, termino tendo uma posição algo sui generis sobre Cuba. Acho que ou os EUA deviam renunciar totalmente a qualquer tipo de intervenção sobre a ilha, seguindo assim o princípio da autodeterminação dos povos, ou que deveriam formalizar logo um convite para que Cuba integrasse a União, com extensão de todos os direitos de cidadania a seus habitantes, incluindo aí o voto, é claro.

Não, não é um pedido para você deixar de ir ver seu filminho no fim de semana pra poder guardar uns trocados.

É que o FED de Dallas tem um concurso anual para o pessoal do segundo grau, e o tema deste ano é “A Economia no Cinema“. Os candidatos devem escrever uma pequena dissertação abordando os seguintes temas:

1) você se lembra de idéias ou ensinamentos econômicos contidos na trama do filme ou na história dos personagens?

2) o filme ilustra alguma verdade bem conhecida sobre a Economia?

3) como os conceitos econômicos afetam as decisões dos personagens?

Vamos lá.

***

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a) O Salário do Medo, 1953

Em um remoto país latinoamericano, há um povoado, Las Piedras, que subsiste às custas do capricho de uma multinacional do petróleo. Há na cidade uma mistura de nativos e homens estrangeiros que foram parar ali em busca de fortuna mas com o tempo perceberam ter caído em uma arapuca e só querem dinheiro para poder sair dali. O filme mostra as tribulações de quatro homens desses homens, estrangeiros, contratados pela multinacional para levar uma carga de nitroglicerina até um poço de petróleo descontrolado, onde ela seria usada para explodir a boca do poço e conter o incêndio. Os quatro receberiam dois mil dólares por caminhão, e dirigiriam em duplas. Os caminhões, é claro, não possuem nenhum equipamento especial para conter a nitroglicerina, que é muito volátil _ o que significa que os caminhões podiam explodir a qualquer momento, matando-os. Evidentemente, trata-se de uma aplicação da idéia de salário de eficiência, isto é, a tese de que as empresas obteriam melhores resultados econômicos ao pagar a seus funcionarios salários superiores aos estabelecidos pelo mercado.

***

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b) Tron

Mas também, claro, “Eu, Robô”, “Terminator”, e incontáveis outros filmes. O plot genérico é breve: programa de computador criado para administrar um determinado sistema rapidamente realiza que é muito mais capaz que os humanos que o criaram e resolve “tomar conta do loja“. O paralelo aqui é com a “Conjectura de Coase“, segundo a qual um bem durável (e softwares costumam ser exemplos de manual) termina por competir com ele mesmo (justamente por ser durável), prejudicando a posição de um produtor monopolista, que não conseguirá extrair preços de monopólio de seu produto, a menos, por exemplo, que o monopolista embuta princípios de obsolescência programada em seu produto. Já adivinho que alguns economistas acharão este exemplo inconsistente, mas nesse caso diríamos que de fato a tomada do poder por um software inteligente pouco inclinado a ser substituído por sua versão 2.0 seria uma solução drástica para o problema posto pela Conjectura de Coase, ainda que não do ponto de vista do produtor e/ou do consumidor, é claro.

***

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c) Species (“A Experiência”)

Para facilitar, uso a sinopse da Wikipédia em português: Cientistas enviam mensagens para o espaço e recebem de volta uma sequência de DNA e instruções sobre como devem combiná-la. Eles então criam um ser alienígena, que aparenta ser uma menina, e que se desenvolve rapidamente. Quando os cientistas recebem uma ordem para matar a criança, ela foge do laboratório e se transforma numa bela mulher que deseja acasalar rapidamente para proliferar a sua espécie.

Claramente, está envolvido aqui um caso clássico de seleção adversa: uma mó gostosa como a Natasha Henstridge aparece na sua frente, toda serelepe e te dando o maior mole, e você acha que não vai se dar mal, de alguma forma??

***

Bem, e agora, inevitavelmente, vou “memeficar” este post, e pedir pra minha mãe, meu pai e a Xuxa que o propaguem. Não, não, vou pedir para o Leonardo Monastério, o Dayvan Cowboy do uberspazzen e para o Naprática. Mas se nenhum dos três quiser embarcar nesta furada eu entendo. 🙂

Tio Rei vai lá falar do que não sabe, hoje, de novo, ao comentar declarações de Hillary sobre um discurso onde Obama diz que é preciso enfrentar os terroristas alojados no Paquistão:

A senadora o acusou, em suma, de ter uma fala excessivamente complacente com inimigos dos EUA como Cuba e Irã e beirar a irresponsabilidade quando trata de “áreas sensíveis” do planeta.

Hillary Estava se referindo a uma conferência feita por Obama, em agosto do ano passado, no Woodrow Wilson International Center for Schollars, em Washington. Publiquei aqui um post a respeito no dia 9 de janeiro. Sobre o Paquistão, ele afirmou:

“Now I understand that President Musharraf has his own challenges. But let me make this clear: There are terrorists holed up in those mountains who murdered 3,000 Americans. They are plotting to strike again. It was a terrible mistake to fail to act when we had a chance to take out an al Qaeda leadership meeting in 2005. If we have actionable intelligence about high-valued terrorist targets and President Musharraf will not act, we will.”

Ou seja: atuará fortemente no Paquistão. Diz, como se vê, que, se Musharaf não atacar os assassinos de três mil americanos que estão escondidos nas montanhas, ele o fará. Ou seja, ele, como presidente, diz que atacará o Paquistão. Macho à beça. Se o Bush dissesse isso, o mundo cairia sobre ele. Portanto, até aqui, temos:- ele permanecerá com soldados “suficientes” no Iraque;- voltará a guerrear no Afeganistão;- abrirá uma nova frente no Paquistão.

(…)

Data vênia: vocês já imaginaram se os EUA, além de obrigados a intervir, volta e meia, em países inimigos, resolvessem invadir, também, os países amigos? Leiam aquele post ou a íntegra do discurso. Vê-se ali um Barack Obama para republicano nenhum botar defeito. E, creio, aquele discurso de agosto explica a ira da sua turma com a foto. Explico-me.

Bom.

Primeiro: Tio Rei (ou sua trupe de estagiários) deveria ao menos ACOMPANHAR o noticiário internacional antes de falar bobagem. Em janeiro deste ano, um “drone” _ um avião sem piloto _ atacou com mísseis uma vila dentro de território paquistanês, provavelmente matando um dos líderes da Al Qaeda no Paquistão, Abu Laith al-Libi. Detalhe: o ataque ocorreu a cerca de uma milha de uma base do exército paquistanês, para considerável desconforto do governo daquele país.

Segundo: o problema maior não é nem que os EUA invadam países inimigos. O problema é que os EUA invadam países que nada têm a ver com seus problemas, como o Iraque. Ou que os invadam por proxy, ao apoiar golpes militares, como fizeram em toda a América Latina.

Terceiro: é realmente curioso que dona Hillary, com toda sua “experiênça”, vá se chocar com uma declaração dessas, uma vez que o seu próprio marido bombardeou o Sudão e o Afeganistão em 1998, ao que parece, deixando ilesos tanto Cuba quanto o Irã nesta oportunidade. Esse argumento da senadora enfraquece bastante sua retórica da experiência, já que esta última só vale alguma coisa quando conseguimos nos lembrar dela.

Mais a frente, porém, da “análise” reinaldiana há um alívio cômico, que é o momento onde ele invoca a autoridade de Olavo de Carvalho:

Olavo de Carvalho fez a respeito de Obama um comentário interessante: “Barack Hussein significa ‘abençoado descendente do Profeta’ e há provas concludentes de que seu portador está mentindo quando diz que nunca foi muçulmano (Daniel Pipes tirou isso a limpo. É mais ou menos como se, em plena guerra do Vietnã os EUA elegessem presidente um sujeito chamado John Paul Ho Chi Minh, educado em Hanói, filho de um membro do Partido, mas que jurasse nunca ter sido comunista e ficasse ofendidíssimo se alguém duvidasse dele. A candidatura Obama é uma provocação calculada: serve de termômetro para avaliar quão profundamente o hábito adquirido da autocensura politicamente correta já infundiu na mente dos americanos a disposição de deixar-se levar ao forno só para não fazer uma descortesia com o cozinheiro.

Se quisermos usar argumentos da mesma qualidade, há também evidências contundentes de que “Olavo” quer dizer “sobrevivente”, em persa. Provavelmente o Vilósofo é um simpatizante iraniano oculto, apenas esperando a hora de dar o bote. Se eu fosse do FBI ficava de olho nesse cara. Aliás, mesmo que Obama já tivesse sido muçulmano (coisa que ele nunca foi), é preciso considerar também que, afinal de contas, Bush já foi alcóolatra, Olavo já foi comunista e Reinaldo já foi jornalista.

Quanto à credibilidade de Daniel Pipes, bem, trata-se do mesmo sujeito que já vergastou a imprensa ocidental por esta (pretensamente) não usar tanto quanto deveria o termo “terrorista” no caso do ataque da escola em Beslan, mas que releva convenientemente este termo quando se trata de um aliado de ocasião como o Mujahedeen-e Khalq, estranho grupo islâmico-estalinista que visa derrubar o governo iraniano.

Mas pensando bem, faz sentido. Estão todos os três no mesmo saco.

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Hein?

Deu no Blog da Revista do Estadao:

Gato, bom para o coração

(…)Um estudo internacional mostrou que quem tem o bichinho de estimação está menos propenso a morrer de ataques cardíacos e outras doenças cardiovasculares do que aqueles que nunca tiveram um gatinho.

Para chegar a esta conclusão, que foi publicada no site MedicineNet.com, pesquisadores analisaram quase 4.500 homens e mulheres de 30 a 75 anos de idade.

Mais da metade deles, 55%, disseram ter um gato em algum ponto da vida deles. E, comparados com os donos de gatos, as pessoas que nunca tiveram um bichano tinham uma chance 40% de morrer de ataque cardíaco num período de 20 anos, que foi o tempo tomado pelo estudo. E ainda tinham 30% mais chances de ter uma doença cardiovascular, incluindo derrame e insuficiência cardíaca.”

***

Como rematado cachorrófilo, digo que se eu depender disso para viver mais uns aninhos, estou no sal.

Mas eu tenho uma hipótese alternativa.  Provavelmente o que mata as pessoas do coração _ possivelmente, de susto _ são os ratos.

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Não que ele não faça um lobbyzinho 

Deu no UOL:

Deus ajudou país a virar credor, afirma Lula

“(…)Para o Brasil deixar de ser devedor e passar a ser credor internacional, para quem chegou no governo como nós chegamos, que a gente não tinha crédito nem para pagar as nossas importações, eu acredito que nós tenhamos competência, mas precisou de uma ajudazinha de Deus para as coisas darem certo”, disse. “Eu espero que o governo continue com muita sorte”, completou.

***

Como já dizia o Florentino, nem só de virtú vive o Príncipe.

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Vai um acarajé?

Estão fazendo furor na blogoseira anaeróbica essas fotos de Obama em trajes típicos tiradas na Somália em 2006.

O GOP (e Hillary) só estão em dúvida se chamam Obama de “islamofacista” ou de “baiana”.

On the other hand…

Leia o resto deste post »

Na Economist:

THE past year has seen a lively debate among economists about China’s rapid economic growth. Some, such as Brad Setser from the Council on Foreign Relations, believe that exports have been the main generator; others, like UBS‘s Jonathan Anderson and The Economist, think that domestic demand—spending on roads and railways, cars and clothes, and the like—has been the driving force. Just now, a lot turns on this argument: both how badly China’s economy could be hurt by an American recession and also the extent to which Chinese spending could help to prop up the rest of the world economy. Some new figures suggest Chinese demand is rising strongly enough to help offset the increasing weakness in China’s export markets. That could be good news for the world at large.

(…) 

In 2008 China will probably suffer its first slowdown in growth for seven years. But strong domestic demand should mean that an American recession would not bring the Chinese economy to a screeching halt. Indeed, to the extent that the economy was starting to overheat, a slowdown will be welcomed by Chinese policymakers. And if almost all of the slowdown comes from net exports, while domestic spending remains robust, then the whole world can cheer, too.

Aqui no Hermenauta nós já tínhamos apontado, há um tempo atrás, um post do All Roads Lead to China aventando a hipótese de que realmente parte expressiva do crescimento daquele país já seja devido, hoje, à dinâmica interna da economia chinesa e não apenas devido às exportações.

Isso seria uma tremenda sorte para Pindorama.  Hoje, a demanda por alimentos na China é enorme (o RGE tem um post interessante sobre isso), e o Brasil está muito bem posicionado para continuar se aproveitando disso.  Se, além disso, de fato chegarmos ao investment grade este ano, 2008 promete ser bom para o país, mesmo diante de uma maré turbulenta castigando as margens do Atlântico Norte.

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(clique para ampliar) 

Deu no NYT: americanos mudam de fé como quem muda de marca de detergente.

Bom, não é bem assim.  Mas as taxas de mudança são altas, segundo estudo recém divulgado do Pew Institute:

WASHINGTON — More than a quarter of adult Americans have left the faith of their childhood to join another religion or no religion, according to a new survey of religious affiliation by the Pew Forum on Religion and Public Life.

The report, titled “U.S. Religious Landscape Survey,” depicts a highly fluid and diverse national religious life. If shifts among Protestant denominations are included, then it appears that 44 percent of Americans have switched religious affiliations.

For at least a generation, scholars have noted that more Americans are moving among faiths, as denominational loyalty erodes. But the survey, based on interviews with more than 35,000 Americans, offers one of the clearest views yet of that trend, scholars said. The United States Census does not track religious affiliation.

Todas as denominações perdem fiéis para o único item da pesquisa que cresce: os sem afiliação religiosa.   Este rótulo, porém, é um saco de gatos que a Pew ainda não investigou como devia:

The rise of the unaffiliated does not mean that Americans are becoming less religious, however. Contrary to assumptions that most of the unaffiliated are atheists or agnostics, most described their religion “as nothing in particular.” Pew researchers said that later projects would delve more deeply into the beliefs and practices of the unaffiliated and would try to determine if they remain so as they age.

***

Enters Mara Einstein.

Ela tem um blog intitulado “Brands of Faith“, o qual por sua vez é homônimo do seu último livro.  Como não poderia deixar de ser, o assunto favorito do blog (mas não o único) é justamente a fé tratada como mercadoria _ não só no Ocidente mas inclusive na China.

Eis aqui um recente review do “Brands of Faith”, o livro (cujo título completo é “”Brands of Faith: Marketing Religion in a Commercial Age”).  Ela é fã do Pew, mas não chegou a comentar essa última pesquisa.  Vou ficar de olho.

***

Eu ainda não comprei o livro _ está na minha mira _ mas segundo este trecho do review, ele promete:

In exploring the symbiotic relationship between religion and marketing, Ms. Einstein highlights the irony that “marketers have learned their craft from religion — turning diehard product users into evangelists, for example.” Not surprisingly, she argues whether loyalists are just returning the favor. Is the burgeoning of evangelicals “simply a situation of religion re-assimilating what is rightfully theirs”?

Quem nunca teve um amigo ou amiga abduzido pela Amway que atire a primeira pedra.

Via Inagaki, achei um vídeo no YouTube onde aparece a cena final de Cloverfield sugerindo o momento em que o bicho chega à terra, caindo no mar.

Não foi à toa que eu não vi o negócio no cinema, mesmo sabendo.  O splash no oceano é quase imperceptível.

***

E eis aí o motivo de tanto mistério sobre a imagem do monstro Cloverfield, o qual até agora é bem difícil de encontrar no Google: a Hasbro (grande fabricante de brinquedos) acaba de lançar a “action figure” do monstro.  Ou seja, rolou um contrato entre a produção do filme e a Hasbro para “turbinar” as vendas de mais um produtinho do filme.  Muito esperto.

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Bom, eu vi o filme.

Terão sido merecidos os prêmios?

Minhas especulações aqui são guiadas, em sua maioria, apenas pelas qualidades intrínsecas do filme,  já que ainda não vi nenhum dos outros filmes que competiam com OFNTV _ logo, fica difícil fazer um exercício comparativo.

O de Javier Bardem, seguramente.  Ele é sem sombra de dúvidas o melhor ator do filme _ e olhe que o filme tem outros ótimos atores, embora a atuação de Tommy Lee Jones tenha me feito esperar pela aparição repentina de alguns alienígenas, em certos momentos (ou de um poço de petróleo, com aquele sotaque).  Bom, não que o personagem de Bardem já não fosse suficientemente estranho.

O dos irmãos Coen pela direção…provavelmente, pois o filme realmente me prendeu na cadeira, ainda que empregando vários truques sujos, dos quais o mais sujo ocorre logo no início e justifica toda a trama _ que é a volta de Llewelyn Moss ao deserto para levar água a um mexicano moribundo.   De qualquer forma os Coen são mestres no que fazem, o que está excessivamente demonstrado na cena em que o assassino psicopata finalmente encontra Moss no hotel.

O de melhor filme…bem, essa é uma categoria onde sinto que o fato de não ter visto os outros filmes pode viesar bastante meu julgamento.  Não há a menor dúvida que OFNTV é um filme acima da média, entretanto.

Minha maior bronca talvez viesse a ser com o prêmio de melhor roteiro adaptado, pois apesar de ter gostado de vários elementos do filme, confesso que fiquei um tanto desapontado _ se é este o termo _ com o final.  Filmes devem contar histórias, mesmo que sejam histórias niilistas, e OFNTV deixa um sabor algo insipido ao terminar.  Duas observações importantes, porém: segundo o review do NYT, OFNTV é a primeira incursão dos irmãos Coen no mundo das adaptações literárias; além disso o review diz também que o filme é uma adaptação fiel, cena a cena, do livro que lhe deu origem.  Como não li o livro, reconheço que há uma possibilidade de que a aparente inconclusão do filme seja também ela uma reprodução fiel do livro.  Isso poderia deixar alguma dúvida sobre a escolha da obra a ser adaptada, é claro, mas gostei o suficiente do filme para ignorar este pormenor.

Mas apesar dessa inconclusão, não é possível deixar de perceber o ethos de cada um dos 3 principais personagens:  Llewelyn Moss é o homem comum, um pseudo esperto que termina encontrando suas limitações; Anton Chigurh, o psicopata maravilhosamente descrito pelo NYT como “o Beatle do Inferno” anda pelo mundo distribuindo sua justiça particular, mediada pelos ditames aleatórios de uma moeda _ mas quem diz que o próprio destino funciona de forma diferente?  Finalmente, o xerife Ed Tom Bell, o homem correto, experimentado, cada vez menos adaptado a este mundo e por isso mesmo sempre o último a chegar ao lugar do crime.

O que fica é uma grande vontade de ler o livro.  Quanto ao filme, talvez a melhor definição seja esta mesma proposta pelo reviewer do NYT:

Mostly, though, “No Country for Old Men” leaves behind the jangled, stunned sensation of having witnessed a ruthless application of craft.

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Preservar a Natureza não é só cuidar de tartaruga, ué 

Deu no Estadão:

Funcionária usa R$ 23 mil do Ibama para tratamento de beleza

Desvio de recursos da União é investigado pelo MPF; fraude ocorre desde 2005 em Goiás

GOIÂNIA – A unidade de Goiás do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) está sob suspeita de ter desviado recursos públicos para o pagamento de clínicas de estética. Uma funcionária da área contábil teria usado R$ 23 mil, desde 2005, para tratamentos de rejuvenescimento facial e corporal. Os dados foram retirados do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi). O Ministério Público Federal (MPF) investiga o caso. A Superintendência do Ibama em Goiás diz que a funcionária foi afastada e que abriu sindicância interna para apurar o desvio de recursos da União. Já foi confirmado, de acordo com uma pré-auditoria, que houve pagamentos indevidos.

Por mais que tentem transformar o problema dos cartões corporativos em um evento político, abundam indícios de que o fenômeno tem mais a ver com um problema de gestão, em particular, com a criação de uma possibilidade de efetuar despesas com baixíssimo nível de controle e responsabilização.

Eis assim como o “cartão corporativo” se transforma em “rejuvenescimento corporal”.  A menos que alguém prove que a funcionária do Ibama de Goiás estava pagando um tratamento de beleza para D. Marisa…

Ou Tarantino foi ao Oriente.

(hat tip: Matthew Yglesias)

Novidades no caso McCain: contradições entre as versões dele e de Lowell Paxson, o empresário de telecomunicações cuja vida ele tentou facilitar em sua cartinha para a FCC.  O advogado de McCain tenta minimizar o problema:

McCain attorney Robert S. Bennett played down the contradiction between the campaign’s written answer and Paxson’s recollection.

“We understood that he [McCain] did not speak directly with him [Paxson]. Now it appears he did speak to him. What is the difference?” Bennett said.”

Claro.  Qual a diferença entre a verdade e a mentira?  Um dos pilares da profissão de advogado, aliás, é não ter uma resposta para essa pergunta.

Deu no Estadão:

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Raúl, nesse caso basta esperar o aquecimento global…

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Na pequena livraria ao lado do meu hotel.

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La’ no antigo blog, eu havia feito um post explicando porque motivo o fim da CPMF nao se reverteria em menores precos, como alguns apregoavam.  Pois nao deu outra; vejam esta materia no Estadao de hoje:

Redução da carga após o fim da CPMF não foi repassada aos preços

Estudo do professor Marcos Cintra (FGV) conclui que, em vez de ficarem mais baratos, alguns produtos até subiram

A CPMF acabou, mas o consumidor não viu nenhum benefício nos preços. Pelo contrário: em vez de ficarem mais baratos, como era de se esperar com a redução da carga tributária, alguns produtos até encareceram, segundo levantamento realizado pelo professor Marcos Cintra, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Ele mostra que no preço final de um automóvel, por exemplo, 1,69% correspondia à CPMF, cobrada várias vezes durante a produção do bem. Portanto, o fim do tributo, em 1º de janeiro, deveria provocar uma queda da mesma magnitude nos preços. O que se viu, porém, foi uma alta de 0,26%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na pesquisa do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro.

Para a indústria farmacêutica, a CPMF pesava 1,49%, mas em janeiro a alta dos preços foi de 0,15%. Nos eletroeletrônicos, o tributo pesava 1,74%, mas os produtos subiram 0,11%. Nos serviços pessoais, a CPMF representava 1,31% dos preços e a alta de janeiro chegou a 0,64%. Nos transportes, o tributo pesava 1,33% e seu fim não impediu uma alta de 0,4%. No café, o peso da CPMF é o mais alto: 2,25%. Em janeiro, o preço do café moído subiu 0,16%.

“Em janeiro, a CPMF deixou de ser cobrada, mas a tendência de alta da inflação foi confirmada”, disse Cintra. “Concluo que ela ficou na margem empresarial.” O professor reconhece que outros fatores podem ter influenciado, mas algum reflexo nos preços deveria ter aparecido. Mas chama a atenção a tendência geral da economia.Segundo ele, na média dos preços, a CPMF pesava 1,61%. Ou seja, houve um choque deflacionário desse valor. Não é um corte pequeno, considerando que a inflação anual é de cerca de 4%.

As empresas não repassaram ao consumidor a queda da CPMF porque a concorrência no País é baixa, avalia Cintra. “Se este fosse um mercado competitivo, o preço deveria cair.” Não foi o que se viu. A inflação, que já vinha numa tendência de alta, continuou com o mesmo comportamento em janeiro, quando o IPCA subiu 0,54%.

Cintra, conhecido por sua militância em prol de um imposto único, não esconde a sua simpatia pela CPMF. Ele acha que a carga tributária é elevada, mas preferia a eliminação de outros tributos em vez da CPMF. “Acho que jogaram o bebê fora junto com a água da banheira(…)

Mas sempre tem alguem cara de pau o suficiente para dar uma de Poliana:

(…)a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que deu parecer contrário no projeto de lei que prorrogaria o tributo, afirmou que o fim da CPMF beneficiou principalmente os mais pobres.

Segundo ela, 60% da arrecadação saía do consumo e a população de menor renda é a que mais paga tributos indiretos em proporção à renda. “Pode não ter tido impacto no preço dos produtos, mas certamente apareceu no bolso das classes C, D e E.”

O alívio tributário proporcionado pelo fim da CPMF, disse Kátia Abreu, está sendo convertido em mais investimentos das empresas. “Nós vamos ver reflexo no crescimento do Produto Interno Bruto, na geração de empregos.

Se a Senadora quiser explicar como e’ que o dinheiro poupado com a CPMF apareceu no bolso das classes C, D e E se os precos nao baixaram, este blog esta’  aberto para ela

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No Torre de Marfim, o Matamoros fez um post externando sua decepcao com Philip Roth por este ter declarado recentemente em uma entrevista que vota em Obama por ele ser negro.

Matamoros acha que este nao e’ um bom motivo, e que o que deveria contar na hora de escolher um candidato seria o seu preparo. E’ um argumento, portanto, meritocratico.

Em abstrato, eu concordo com o argumento, e’ claro. Mas acho que nesse caso especifico Matamoros esta’ sendo injusto com Roth. Eis o trecho da entrevista:

SPIEGEL: What made you interested in Obama?

Roth: I’m interested in the fact that he’s black. I feel the race issue in this country is more important than the feminist issue. I think that the importance to blacks would be tremendous. He’s an attractive man, he’s smart, he happens to be tremendously articulate. His position in the Democratic Party is more or less okay with me. And I think it would be important to American blacks if he became president.

Roth acha que Obama ‘e’ importante por ser negro, sim, mas tambem acha que ele e’ esperto, articulado, e respeita sua posicao (evidentemente, politica) dentro do Partido Democrata. Me parecem credenciais meritocraticas o suficiente. Mais adiante surge uma outra posicao interessante:

SPIEGEL: Do you actually believe that Obama could change Washington or could change politics?

Roth: I’m interested in what merely his presence would be. You know, who he is, where he comes from, that is the change. That is the same thing with Hillary Clinton, just who she is would create a gigantic change. As for all that other rhetoric about change, change, change — it’s pure semantics, it doesn’t mean a thing. They’ll respond to particular situations as they arise.

Essa posicao ja’ nao parece tao meritocratica, mas isso e’ uma ilusao. Roth parece acreditar que nao existe muito espaco de manobra para mudancas substantivas, uma vez definida uma posicao politica, e que o governo e’ a arte de improvisar. Isso, de fato, parece muito proximo de uma posicao como a de Fukuyama, e suas inumeras variantes, sobre a situacao de estase a que inevitavelmente chega uma forma de governo melhor que todas as outras. Ou, sendo mais claro, e’ a postura de um reformista, nao a de um revolucionario.

Alem do mais, acredito, como comentei la’ no post do Matamoros, que a negritude ai’ e’ uma metafora para (quase) tudo que vai mal nos EUA, como o odio racial (extensivo a arabes, orientais, mexicanos…), a desigualdade crescente, etc. Afinal, assim como os irlandeses ja’ foram os negros da Europa, os negros continuam sendo os negros dos EUA. Portanto, nao se trata de uma eleicao de jujubas, onde seria razoavel ao menos nos perguntarmos porque Roth prefere a jujuba azul, ou a amarela. Uma jujuba negra tem um peso especifico na sociedade americana que nenhuma outra jujuba tem.

(e com esse post inauguro uma tag nova.)

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Segundo manchete do Estadao, o BC avisa que pela primeira vez o Brasil tem condicoes de pagar sua divida externa, pois “os ativos no Exterior superam os passivos”.

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So’ se for no Exterior, mesmo.  🙂

Muita expectativa na blogoseira gringa sobre a materia do NYT botando McCain na fogueira.

A essencia da historia esta’ descrita em post anterior, com link para a materia no Estadao em portugues. Mas a coisa evolui. Muita gente ligada `a area de jornalismo espera que o NYT tenha algo mais pesado quanto ao affair amoroso entre McCain e a lobbista Vicki Iseman. Pessoalmente, acho que embora este angulo do problema possa desagradar parte do eleitorado republicano, acho que o ataque do NYT tem outros objetivos. Primeiro, porque `a boca pequena se diz que em DC sabe-se muito bem que McCain nunca foi fiel _ ele se separou da primeira mulher, Carol, apos voltar do Vietnam, e casou-se com uma outra mulher 17 anos mais nova que por coincidencia era uma rica herdeira.

Segundo, porque ha’ mais substancia no proprio comportamento de McCain no caso Iseman. Independente de se ele flertou com a lobista ou nao (e nao falta quem diga que esse ate’ seria um bright point para um candidato com 71 anos frequentemente acusado de ser velho demais para o cargo), o problema esta’ em ele ter usado o poder e influencia do cargo para alterar uma pendencia regulatoria em favor do cliente de Iseman. A intromissao de McCain no caso mereceu, inclusive, uma carta de um comissario da FCC estranhando a intervencao.

Terceiro: talvez o objetivo do NYT seja justamente reavivar na lembranca coletiva o passado de McCain no caso Keating Five, onde ele, com outros 4 senadores, foi acusado de favorecer um empresario que havia sido seu financiador de campanha. Na conclusao das investigacoes McCain escapou por pouco, foi acusado de conduta impropria mas na epoca o veredicto foi de que seu envolvimento, embora existente, foi minimo (pelo menos comparado com o de outros senadores da gang).

Que McCain bote seu pescoco no mesmo laco, vinte anos depois, e’ testemunho de que ele e’ mesmo “imprudente”.

Mas a carga sobre McCain nao para ai’.

Uma outra historia, potencialmente muito feia, vem se desenrolando em torno dos arranjos financeiros da campanha de McCain.

Como se sabe, um dos “big assets” de McCain, ponto alias importante na sua aura de “maverick”, e’ sua cruzada pela moralizacao do financiamento de campanhas politicas nos EUA. Juntamente com Russel Feingold, McCain foi responsavel pela mobilizacao bipartidaria que culminou na aprovacao do McCain-Feingold Act de 2002, legislacao que procurava antes de tudo tapar os buracos regulatorios do chamado “soft money“.

O problema e’ que McCain utilizou um expediente para contornar sua propria legislacao, usando a possibilidade de financiamento publico como garantia de um financiamento privado de sua campanha _ o que lhe da’ a chance de nao ter que recorrer a verbas federais e aos varios limites que se impoe ao gasto desse tipo de recurso.

***

E isso porque a campanha pra valer ainda nem comecou.

***

UPDATE:

Reconhecendo a celeuma criada pelo seu artigo, o New York Times promove nesta sexta feira uma sessao de esclarecimentos aos leitores, pela equipe que elaborou a reportagem.  E’ bom ficar de olho. Ha’ quem diga que a materia so saiu do jeito que saiu (sem provas irrefutaveis no que tange a um envolvimento amoroso entre McCain e Iseman) porque outras publicacoes haviam sentido o cheiro de sangue e o NYT, que estava sentado em cima da materia ha’ 3 meses, nao queria perder a vantagem.  Outros dizem que o NYT tem as provas, mas nao quis ou nao teve como publica-las. Vamos ver.

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(xkcd)

Como vocês já devem saber, a candidatura republicana está tecnicamente morta.  O Great Oldy Party, na prática, enterrou suas chances em um candidato que segura em suas mãos um escândalo com potencial explosivo.

Claro que o caso extraconjugal de McCain, pelo menos do meu ponto de vista (mas não do ponto de vista do eleitor republicano médio) não importe muito _ como também não me importava o que Clinton e sua estagiária faziam com o charuto.

O diabo é o caso dele ser uma lobbysta da K Street, o diabo é McCain ter usado sua poderosa posição em uma das mais influentes comissões do Senado para favorecer os clientes de sua amada (e não que ele já não tivesse suficientes outras razões, todas pouco pundonorosas, para isso).

Consta que assessores de McCain já estão dizendo que ele é gente boa, mas é impulsivo.  Observem que eles nem estão dizendo o contrário.  Será que já entregaram o jogo?

Tio Rei em agosto de 2007:

Dom Odilo subordina Igreja ao Palácio
O ato do Movimento Cansei, previsto para esta sexta, talvez não se realize hoje dentro da Catedral da Sé, conforme estava planejado. O arcebispo d. Odilo Scherer disse nesta quarta, por meio de nota, que não autorizou o evento. Segundo o secretário de comunicação da arquidiocese, a autorização partiu do padre responsável pela administração da igreja, Pedro Fenech. Mas ele não teria consultado d. Odilo.

É mesmo, é? Em princípio, o templo não é propriedade do padre ou do bispo. Mas vá lá. Haverá Hino Nacional e tal. A Sé já assistiu às mais variadas manifestações dos “oprimidos” de manual do petismo e da cartilha herética da Escatologia da Libertação. E a hierarquia católica nunca deu um pio. Ao contrário: até emprestou seu apoio.

Qual o problema de d. Odilo com o Cansei? O grupo está propondo algo ilegal, imoral ou anticristão? Não que eu saiba. Por acaso afronta, de algum modo, a tolerância cristã? Não também. A resposta é muito simples. A restrição é de natureza ideológica – e de forma absolutamente injusta, estúpida. A mensagem do Cansei não poderia ser mais ampla e, ousaria dizer, cristã.

Sob o pretexto de manter a independência da Igreja, dom Odilo a subordina ao Palácio do Planalto.

Tio Rei hoje, reproduzindo um texto de novembro de 2007:

Aliás, prezo de tal sorte a disciplina que afirmo sem medo de errar que os próprios bispos brasileiros precisam ser mais disciplinados. Não precisa ir longe. Quando Dom Odilo Scherer permitiu que uma urna fosse colocada no altar da Catedral da Sé para colher “votos” a favor da reestatização da Vale do Rio Doce, estava praticando um óbvio desvio de função; estava, contra a mensagem cristã, jogando brasileiros contra brasileiros e submetendo o patrimônio espiritual da Igreja a partidos políticos.

O interessante e’ que Reinaldo nao esta’ censurando a parcialidade do bispo Scherer. Da leitura de Reinaldo de agosto do ano passado e do Reinaldo de novembro, depreende-se que enquanto o apoio do Bispo ao plebiscito e’ condenavel, um eventual apoio ao “Cansei”, movimento portador de uma mensagem “ampla e crista” e evidentemente incapaz de “jogar brasileiros contra brasileiros”, seria normal e desejavel.

***

Cumpre notar que Tio Rei foi apanhado, por assim dizer, “de calcas curtas”, e pelo seu proprio publico, esta madrugada. Ele se meteu a escrever sobre o caso da professorinha americana que praticava “o ensino que nao ousa dizer seu nome” com cinco adolescentes negros, seus alunos, nos EUA. Disse ele:, em um post romanticamente intitulado “Verao de 42“:

“Vou fazer o quê? Eu me pus no lugar daqueles garotos. Com 14 ou 15 anos, eu já sabia das coisas? Com 15, sabia. Com 14, ainda presumia… Já imaginaram se uma das minhas professoras me desse bola? Seria amor de salvação ou amor de perdição? Já assistiram ao delicadíssimo Verão de 42, de Robert Milligan? Talvez os rapazes de todas idades se interessem pelo filme mais do que as moças.

Sei lá. A tal Allenna parece ser mesmo do balacobaco, né? Não deixava passar um frangote. Pois é. Com 14 ou 15 anos, faríamos fila para cair nas graças da mestra. Era o sonho, a fantasia, de todo moleque do meu tempo. Meu também. Será ainda? Não sei. Os meninos de hoje mais agridem do que desejam suas professoras?

Não quero ser ligeiro. Sei que há leis e que a pedofilia é uma questão séria. Mas e se, aos 14, tanto um garoto como uma garota já tiverem maturidade sexual e moral – isto é, já estiverem equipados para fazer as suas próprias escolhas?

Pois e’. E se? Ai’, ele arremata, em um tom de “segurem suas cabritas que meu bode ta’ solto”:

Mais indagações. Mesmo nestes dias, em que o discurso da igualdade toma o lugar da igualdade de fato, serão idênticos os universos de “meninas” e “meninos”? Um garoto de 15 seduzido por uma professora de 24 é uma situação análoga, apenas invertidos os sexos, de uma garota de 15 seduzida por um professor de 24? A grave questão da autoridade presente nessa relação tem o mesmo peso? Algo me diz que não.”

Bem, estamos a milhas de distancia daquele Azevedo que dizia coisas assim, na sua tremebunda batalha contra a distribuicao de camisinhas e a educacao sexual nas escolas:

“Atentem para o escândalo: o governo que quer entregar um material oficial a alunos de 13 (!!!) a 19 anos relatarem suas experiências sexuais – à luz do dia, fora e contra a vigilância da família – é o mesmo que quer se meter nos lares porque os considera incompetentes para decidir o que as crianças podem ou não ver. Nos dois casos, os pais são tratados como imbecis incompetentes. Com efeito: a fantasminha de Manoel Carlos pode ter conseqüências dramáticas na formação do caráter juvenil. Já a conclamação federal “seduza, beije, cheire, experimente!” é um norte de retidão moral. Na horizontal. Mas é.

Pelo visto, ele so’ e’ contra a educacao sexual teorica. A pratica, nem tanto. Mas a cara de pau do sujeito e’ tanta, que em um post resposta aos seus leitores, que iracundamente cobraram dele a defesa da castidade, saiu-se com esta:

Mas já fui longe. Vai ver foi só reminiscência do, com a licença de Drummond, “menino antigo”. É que ainda sinto o cheiro de Dona Leda quando se debruçava um tanto para olhar alguma coisa no meu caderno, e o peso de um pingente fazia com que uma correntinha pendesse acima do meu caderno, e eu me esquecia das aflições que me tinham feito solicitar a sua intervenção para sentir as doces tentações do pecado, que também civilizam e lapidam as asperezas de um homem.

Ela apreciava em mim só o estudante dedicado. Eu procurava lhe oferecer valentias testando achados em redações intermináveis. Querem saber? Aquilo também era sexo.” (grifo meu)

Bom, pelo menos ja’ sabemos o que ele esta’ fazendo na Veja.

Eis ai’ um reinaldomainardismo que merece ser reproduzido em todos os detalhes:

cubaserenda.jpg

Bom, no meu tempo era comum dizer que “Cuba ia lancar”.

Agora, que Cuba ia se render, essa eu nunca ouvi.  Se render a quem?  Cuba esta’ em guerra com alguem?

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