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Prezados comentadores e leitores,

Não sei se terei como escrever aqui de novo antes do dia 1. Portanto, quero deixar registrados aqui, de antemão, meus votos de um feliz 2008 para vocês.

Se rolar algum novo post, entretanto, vou setar o horário de forma que eles entrem todos debaixo deste.

Abçs!

A sincronicidade existe. E falou comigo.

Recentemente, em uma discussão com o André Kenji lá em um post do Torre de Marfim, fiz o seguinte comentário (a frase em vermelho é do André Kenji, a em azul é minha):

“A esquerda brasileira se perde demais em ideologia, a direita americana está mais preocupada em obter determinados resultados.”

Me diga, André, só para eu entender melhor: para você, Lula e o PT são de esquerda? Ou por “esquerda” no Brasil você entende do P-SOL em diante? Pergunto isso porque, claramente, desde 2002 a esquerda brasileira (se fizermos equivaler o PT aos Democratas americanos) está se saindo bem melhor.

Um outro complicador é que, embora tanto no Brasil quanto nos EUA continue sendo verdade a tese de que os partidos correm para o centro, acho que nos EUA o centro andou para a direita desde Reagan, bem mais do que no Brasil por enquanto.

Essa parte sublinhada do meu comentário é uma idéia bastante bem conhecida, eu creio. Só que hoje, pela primeira vez, eu vi uma formulação mais rigorosa da mesma: chama-se “a janela de Overton“, e foi bolada por Joe Overton, vice presidente do Mackinac Center for Public Policy. Ela tem uma representação gráfica, que é esta aí embaixo; seguem-se alguns comentários.

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A idéia é simples: a reta representa uma série de “posições políticas” possíveis dentro do espectro da opinião pública. O quadrado é a “janela de Overton”, e representa o conjunto das posições políticas aceitáveis a cada momento dado.

A questão é que essa “janela” pode deslocar-se sobre o espectro. Como? Bem, uma força política suficientemente determinada e bem aparelhada pode comandar a movimentação da janela, de uma forma simples _ basta propor idéias cada vez mais radicais. O motivo é que depois de algum tempo, as idéias que pareciam radicais (no início da campanha de deslocamento da janela, por exemplo) aparentam ser cada vez menos radicais, diante da radicalidade muito maior das propostas mais recentes.

Diante disso não posso deixar de pensar que a forma de ação de nossa direita anaeróbica é bem similar aos moldes do movimento conservador americano: pressionar por uma agenda política cada vez mais radical à direita nos meios de comunicação, na esperança de deslocar, lentamente, o centro da opinião pública para o terreno onde ela estará mais à vontade.

Há uma maneira de combater isso?

Creio que sim. Primeiro, os memes anaeróbicos devem ser combatidos no berço, assim que virem a luz do dia lá nos veículos onde eles surgem. Segundo, é preciso fazer com que idéias mais radicais pela esquerda também encontrem distribuição na opinião pública, de maneira a forçar a janela de volta para o centro.

Alguma outra sugestão?

***

UPDATE:

Um link interessante: discussão da janela de Overton no DailyKos.

Interessante porque o autor do post achou uma confissão:

By far the most enlightening thing I have read on the blogosphere in the past two months came from Republican Operative and founder of RedState.com Joshua Trevino, on Armando’s and Trevino’s new blog Swords Crossed. In an incredibly instructive piece–and I encourage everyone to read the whole thing–Josh Trevino does us all the favor of introducing us to the Overton Window. The Overton Window, in my opinion, is basically the key to the Republicans’ success over the past twenty years–and it comes straight from the Republican think tanks.

Lá vai Josh Trevino:

As some may know, I work at a free-market think tank, and as such, qualify as a full-fledged member of the Vast Right-Wing Conspiracy. While places like the Heritage Foundation, the American Enterprise Institute and others are justly famous for their national-level work, it’s the network of state-level think tanks that are, to my biased mind, the unsung heroes of the movement.

So, with that being said, and mindful of my business-related absence for the latter half of this week, I’m going to share with you a little strategizing exercise from the bowels of the VRWC.

The mission of a think tank is to introduce ideas into public discourse and normalize them within the public discourse. The steps an idea takes to full legitimacy are roughly as follows:

–Unthinkable
–Radical
–Acceptable
–Sensible
–Popular
–Policy
” (grifo meu)

O post continua com revelações interessantes, mas não vou replicá-las aqui. Quem tiver interesse, vá lá no Kos. Vale a pena!

***

UPDATE 2:

Para minha surpresa, uma busca do termo “janela de Overton” no Google só apresentou dois blogs além deste discutindo a idéia _ e os dois são portugueses (o Designorado e o Peão).

C’mon, people.  Spread the word!

Termos de busca mais utilizados por quem chegou a este blog nos últimos dois dias:

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Ok, vamos dar ao povo o que o povo quer:

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***

Estava lendo estes dias o artigo “UNDER NEW MANAGEMENT – Sarkozy’s First Hundred Days” de Eric Hazan na New Left Review.  O texto tem a forma de um diário onde Hazan foi colocando dia a dia aspectos da presidência Sarkozy que lhe chamavam a atenção.  Esta é a entrada do dia 10 de maio:

10 May

Poor Alain Finkielkraut! Once again he’s failed to understand. For him (Le Monde), ‘you can’t appeal to Michelet, Péguy and Malraux, and at the same time wallow in the bad taste of some jet-set or showbiz celebrity. You can’t pronounce odes to the impartial state and at the same time begin your mandate by accepting the expensive favours of a business tycoon.’ Yes, you can. Those who saw the Malta jaunt as a political gaffe missed the point: it was intentional, it was the deliberate display of a new ‘managerial’ style, ‘without taboos or complexes’, as they like to put it.” (grifo meu)

Tenho que reconhecer que faz sentido.

Aliás, é bom que se diga: faltou pesquisa naquele post que escrevi sobre a viagem de Sarkozy com Carla Bruni ao Egito às expensas do empresário francês Vincent Bolloré.   Na verdade, no dia seguinte à eleição Sarkozy também pegou um jato executivo de Bolloré para ir descansar da campanha no iate do empresário.

Com certeza é a janela de Overton em ação: dia chegará que todo mundo achará normal se o Presidente da República tiver o logotipo dos seus patrocinadores colado na roupa.

Deu no Valor:

Substituição tributária em SP eleva carga de impostos

A implantação do sistema de substituição tributária para o recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nos segmentos de higiene pessoal, perfumaria e bebidas alcóolicas em São Paulo surpreendeu os empresários destes setores. As novas normas estaduais foram definidas em dois decretos e quatro portarias publicadas no último dia 21, valem a partir de 1 de janeiro e já levaram à reprogramação de vendas e de atuação neste fim de ano.

Na substituição tributária a indústria antecipa o recolhimento do ICMS de toda a cadeia comercial até a venda ao consumidor final. Para isso, a Secretaria da Fazenda de São Paulo estabeleceu margens de valor adicionado para cada um dos setores, que variam de 125,54% a 165,55% . De acordo com empresários e representantes dos segmentos, estas margens são muito superiores às praticadas. Por isso, devem resultar em aumento de preços e, conseqüentemente, em inflação. Por outro lado, devem elevar a arrecadação estadual, tanto por coibir a sonegação como pela incidência do ICMS sobre preços mais altos.

Agora vamos ver pra que serve a boa cepa liberal do Tio Rei…

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Hoje em dia, todo cuidado é pouco.

Vejam só que interessante: uma matéria no Telegraph datada de 7 de outubro de 2007.  Título:

Taliban ‘to bomb Bhutto when she returns’

Pakistani Taliban militants vowed to launch suicide bombers against Benazir Bhutto, the former prime minister, when she returns home after eight years of self-imposed exile.

(…)

Baitullah Mehsud, a Pakistani Taliban leader linked to al-Qaeda, declared that suicide bombers would launch attacks on Ms Bhutto as soon as she returned. Mehsud is holding more than 250 Pakistani soldiers as hostages and has been blamed for organising suicide bombings.

Para refrescar a memória: Mehsud é justamente o cara que o governo paquistanês disse ter grampeado e que teria sido o mandante do assassinato.

A matéria do Telegraph dá direito à exemplares de hubrys, também:

Supporters of Ms Bhutto’s Pakistan People’s Party (PPP) were defiant. “The danger to her life is always there if she returns but we have decided that she will return at any cost,” Farahatullah Babar, a party spokesman, told The Sunday Telegraph.

He said that the PPP would take its own precautions and has also asked the government to ensure Ms Bhutto’s safety. “After all, she was a prime minister twice and deserves security cover when somebody threatens her so brazenly,” he said.

Bilawal Bhutto, o filho de 19 anos de Benazir, assumiu hoje a ingrata tarefa de liderar o clã e o partido por ele criado _ e concorrer à eleição.

Como diz o Guardian, eis um posto com uma taxa de mortalidade aterrorizante (o pai de Bhutto foi executado pelo governo militar, e Benazir, bom, virou História).

Perfil de Bilawal, aqui.

Descrito como um rapaz tímido que jamais teve uma namorada, parece que algum senso de humor ele tem.  Eis o que escreveu no seu perfil do Facebook, após saber do assassinato da mãe:

“Well behaved women rarely make history”

Idelber envia um link com um artigo interessante de Tariq Ali sobre Benazir Bhutto. Merece uma conferida.

Em que pese o interesse histórico (o artigo foi escrito antes do assassinato de Bhutto) e a fina análise feita por Tariq, há uma passagem que me chamou bastante a atenção, como uma demonstração de como a calúnia pode dar errado. Certa vez, o próprio autor foi acusado partidários dos militares de ter um comportamento pouco digno para os padrões islâmicos:

In 1968, when a right-wing, pro-military rag in Lahore published an attack on me, it revealed that I ‘had attended sex orgies in a French country house organised by [my] friend, the Jew Cohn-Bendit. All the fifty women in the swimming-pool were Jewish.’

Com a seguinte consequência:

Alas, this was totally false, but my parents were amazed at the number of people who congratulated them on my virility.

OK, inimigos, podem falar mal de mim. Mas mantenham este padrão, por favor.

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Southdale, o primeiro shopping moderno

Agora que as compras de Natal já foram feitas, e as trocas daqueles presentes que não têm nada a ver dados por parentes distantes e amigos distraídos também, e os meus 3,5 leitores já devem estar fartos de shoppings…eu me reservo o direito de dar uma demonstração de bad timing.

Aí embaixo do fold, um texto muito interessante do Economist, traduzido no Valor, sobre o futuro dos shoppings centers.

Afinal, voluntariamente ou não, o fato é que vivemos dentro deles, para compras ou diversão _ eu, particularmente, não sou um frequentador assíduo, mas aprecio muito as virtudes do “one stop shopping“, embora também ache que o comércio de rua tem o seu charme.

Daí que achei que realmente era uma falha na minha formação não conhecer a história arquitetônica dos shopping centers, bastante bem descrita no artigo. Mais surpreendente ainda foi saber que o shopping center moderno foi inventado por um arquiteto socialista austríaco. E muito mais surpreendente foi saber que esse exemplo máximo do “american way of life” foi inspirado no comércio de rua dos centros das cidades européias, “pasteurizados”, embalados e climatizados na forma de grandes prédios fechados.

***

Uma diversão à parte e visitar o Deadmalls.com, um site dedicado a contar a história de shoppings que hoje estão mortos _ com direito a fotos de shoppings abandonados e cheios de vegetação e tudo. Provavelmente um site muito visitado por diretores de cinema que planejam filmar o fim do mundo. Leia o resto deste post »

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Deixem-me escrever isto antes que eu perca a chance.

Tio Rei disse o seguinte:

(…) às vezes, o mundo é óbvio demais, sim.

Excelente, porque reúne em uma frase todo o problema com Reinaldo Azevedo.

Afinal, ele é a pessoa para quem:

_ tudo em um país com as carências do Brasil se resolverá com menos Estado.

_ a solução para o crime é a cadeia.

_ a solução para a AIDS é a abstinência.

E por aí vai. Tio Rei tem respostas óbvias para todos os problemas complexos.

O senão dessa postura _ que é óbvio _ é que toda questão complexa tem uma resposta simples e errada.

Mas é vendendo este xarope para um público que aparentemente desistiu de pensar que Tio Rei vai tocando o seu barco. E o da Veja.

Deu no New York Times:

(…)According to American officials in Washington, an already steady stream of threat reports spiked in recent months. Many concerned possible plots to kill prominent Pakistani leaders, including Ms. Bhutto, President Pervez Musharraf and Nawaz Sharif, another opposition leader.

Al Qaeda right now seems to have turned its face toward Pakistan and attacks on the Pakistani government and Pakistani people,” Defense Secretary Robert M. Gates told reporters in Washington on Dec. 21.

The expansion of Pakistan’s own militants, with their fortified links to Al Qaeda, presents a deeply troubling development for the Bush administration and its efforts to stabilize this volatile nuclear-armed country.

It is also one that many in Pakistan have been loath to admit, but that Ms. Bhutto had begun to acknowledge in her many public statements about the greatest threat to her country being in religious extremism and terrorism.“(grifos meus)

A Stratfor tem notícias sobre os motivos pelos quais a Al-Qaeda rompeu com a rede de TV Al-Jazeera e está anunciando seus ataques via outras mídias:

Pakistan: Al Qaeda’s Break With Al Jazeera

Al Qaeda’s Dec. 28 claim of responsibility for the killing of Benazir Bhutto was not conveyed through the group’s former medium, Al Jazeera. The shift probably resulted from negotiations between the United States, Qatar and Saudi Arabia.
Analysis

Al Qaeda’s Dec. 28 claim of responsibility for the assassination of Benazir Bhutto was not transmitted through the organization’s usual messenger, Al Jazeera. This change probably resulted from a deal between the United States, Qatar and Saudi Arabia.

Rather than using Al Jazeera, al Qaeda spokesman Al Qaeda Mustafa Abu al-Yazid – likely working through elements connected to Pakistan’s intelligence apparatus- transmitted a message via phone to Italian news agency Adnkronos International (AKI) and Hong Kong-based Asia Times Online. Asia Times Online previously has published several articles quoting both Pakistani intelligence and jihadist sources.

The other announcement concerning al Qaeda’s involvement in the attack also originated in the Pakistani security establishment. The Pakistani Interior Ministry said the government intercepted a conversation in Pashto between Baitullah Mehsud, Pakistan’s most prominent Taliban leader, and an al Qaeda commander identified as Maulvi Sahib in which both men congratulate each other for the “spectacular job.” With blame already being cast on the government of Pakistani President Pervez Musharraf for the assassination, the government evidently is taking great care in trying to clear itself of any involvement in the attack.

Both AKI and Asia Times published a message by al-Yazid saying that “We terminated the most precious American asset which vowed to defeat [the] mujahadeen.” Both news agencies also reported that al Qaeda deputy leader Ayman al-Zawahiri made the decision to kill Bhutto in October.

A new recording from Osama bin Laden produced by al Qaeda’s As-Sahab media arm further illustrates al Qaeda’s apparent break with Al Jazeera. The full 56-minute recording entitled “The Path to Foiling Plots in Iraq” soon will be posted on an Islamist Web site, though whether in audio or video format remains unclear. The Web site announcement included a statement reading “May God expose the cover-up by Al Jazeera, the channel of the infidels.”

The fresh criticism against Al Jazeera stems from a shift in the Qatar-based channel’s coverage of al Qaeda activity. In late October, al Qaeda sympathizers posted a flurry of denunciations of Al Jazeera on a popular Islamist Web forum. The bulk of the messages focused on how Al Jazeera purportedly has misrepresented al Qaeda in Iraq by emphasizing excerpts in which bin Laden criticizes insurgents in Iraq and urges them to admit mistakes and unify – and by illustrating the divisions al Qaeda in Iraq is experiencing as its support base among the Sunni population erodes.

The shift in Al Jazeera’s al Qaeda coverage probably resulted from negotiations between Doha, Qatar; Riyadh, and Washington. The Qatari government has come under pressure from the United States and Saudi Arabia to rein in Al Jazeera and aid in Washington’s and Riyadh’s efforts to undermine support for al Qaeda in Iraq. Al Jazeera’s modification follows a recent rapprochement between Qatar and Saudi Arabia that emerged in a December deal between the two governments with several breakthroughs that included the return of Saudi Arabia’s ambassador to Qatar. (Saudi Arabia has not had an ambassador in Qatar since 2003, when the Saudi ambassador was withdrawn over an Al Jazeera broadcast critical of the Saudi royal family.) The deal also included Saudi King Abdullah’s attendance at the Gulf Cooperation Council in Doha in December. (King Abdullah has boycotted the meeting since it was last hosted in Doha, in 2002.) Finally, the deal provided that Qatar would ensure future Al Jazeera broadcasts no longer would “undermine” or campaign against Saudi Arabia; in exchange, Saudi Arabia would permit the network to establish a bureau in Riyadh.

Even before the thaw in Saudi-Qatari relations, al Qaeda had been wary of using Al Jazeera as its primary messenger. Al Qaeda faces operational security risks in delivering video messages to news agencies. Al-Zawahiri has curtailed his video appearances significantly since the October 2006 missile attack in Chingai, Pakistan. The organization increasingly has become reliant on uploading audio and video files to Web sites, making the statements harder to trace. With its ties cut to Al Jazeera, al Qaeda’s trust in its contact with news agencies like AKI and Asia Times Online now will be put to the test.” (grifo meu)

***

Enquanto isso, Tio Rei, o expert em assuntos internacionais, acusa o golpe:

O Paquistão e o óbvio

Pervez Musharraf, o ditador do Paquistão, tornou-se a referência da lei e da ordem no Paquistão. Alguém está surpreso? Não, né? Afinal, ele é o governo. E como é!!! As eleições, é provável, serão adiadas. Não há um substituto natural para Benazir Bhutto, e, em breve, começarão as considerações de que, se é ruim com Musharraf, pior será sem ele. As informações que dão conta de que a Al Qaeda e mesmo o Taleban estariam envolvidos no assassinato de Benazir têm origem no próprio governo. Quem acredita?Bem, vamos ver. Escrevi aqui que Musharraf era o principal suspeito. Chamaram-me de ingênuo porque seria óbvio demais e porque o terror sabia que o assassinato jogaria o país no caos. Pois é. O caos, nesse momento, interessa menos aos terroristas abrigados no Paquistão do ao próprio ditador do país. E, às vezes, o mundo é óbvio demais, sim.

Jovens:

Hoje, a Al-Qaeda está instalada na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão. As agências de segurança ocidentais acreditam, inclusive, que o próprio Bin Laden se esconde no lado paquistanês _ natural, pois o Afeganistão não é mais um santuário tão confiável depois da invasão americana, por mais que a situação esteja se deteriorando de novo e os Talibãs estejam se fortalecendo na região.

Ora, Pervez Musharraf sempre jogou um jogo duplo. Ele nunca foi tão duro contra os militantes islâmicos quanto os EUA gostariam _ e foi por isso que os EUA forçaram Musharraf a engolr tanto as eleições quanto a volta de Bhutto.

É claro que alguém pode desconfiar que Musharraf resolveu dar o troco aos EUA, assassinando Bhutto. Mas acho que uma ação assim exigiria coragem demais da parte de um general que a esta altura deve estar muito preocupado é com a sempre presente possibilidade de um golpe interno contra ele, de dentro do Exército. É até possível que ele tenha relaxado mesmo a guarda em torno dela. Mas os maiores interessados em eliminar a carta Bhutto do baralho são os próprios radicais islâmicos, que viam na chegada de Benazir algo como uma ordem de despejo.

Também é importante frisar que mesmo que elementos das forças de segurança paquistanesas estejam envolvidos, isso não irá querer dizer automaticamente que Musharraf tenha autorizado ou mesmo tido conhecimento da operação. Os membros da ISI têm uma longa história de cooperação com o radicalismo islâmico, pelo menos desde a Guerra do Afeganistão, como vimos em um post aí embaixo.

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We are a great governing race, predestined by our defects as well by our virtues, to spread over the habitable globe.

_ Joseph Chamberlain

“There does exist, and has existed for a generation, an international Anglophile network which operates, to some extent, in the way the radical Right believes the Communists act. In fact, this network, which we may identify as the Round Table Groups, has no aversion to cooperating with the Communists, or any other groups, and frequently does so. I know of the operations of this network because I have studied it for twenty years and was permitted for two years, in the early 1960’s, to examine its papers and secret records. I have no aversion to it or to most of its aims and have, for much of my life, been close to it and to many of its instruments. I have objected, both in the past and recently, to a few of its policies (notably to its belief that England was an Atlantic rather than a European Power and must be allied, or even federated, with the United States and must remain isolated from Europe), but in general my chief difference of opinion is that it wishes to remain unknown, and I believe its role in history is significant enough to be known.”

_ Carrol Quigley

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O Idelber me passou este link:

Dawkins to lecture in US Bible Belt

By Jonathan Brown

Published: 24 December 2007

Richard Dawkins, the scourge of pseudo-science, Christianity and homeopathy, is to step up his campaign for rational thinking with a series of high-profile lectures deep in the heart of the American Bible Belt. The Oxford University professor travels to the US next year as part of his battle to promote evolutionary theory in the face of a backlash against the concept in the world’s most-advanced industrial nation.He is to address a series of 2,000-seater venues in the American heartlands. The tour will coincide with the publication of his best-seller The God Delusion in paperback in the US in January and act as a prelude to a series of global events to mark the bicentenary of Charles Darwin in 2009.

Professor Dawkins has charities in his own name on both sides of the Atlantic to promote reason and science. He has said that it is in the US, where 50 per cent of the population believes the universe is less than 10,000 years old, that the Enlightenment is most threatened.

However, he said he did not expect audiences to be too tough on his atheist beliefs and that many thanked him for speaking out. “The Bible Belt is a lot less monolithic than it portrays itself. I have a feeling that there is rather a large groundswell of people who agree with me,” he said.

Não pude deixar de estabelecer o paralelo entre essa ida do Dawkins ao Bible Belt para falar de ateísmo e da volta de Benazir Bhutto ao Paquistão. Vá que de repente algum bible thumper resolve proporcionar a Dawkins a experiência de descobrir pessoalmente se Deus existe ou não existe mesmo, e o biólogo acaba virando o primeiro santo ateu de que se tem notícia.

***

E eu nem tinha percebido a aproximação do bicentenário de Darwin em 2009. A coisa vai pegar fogo!

Quem sabe os blogueiros que tem um pé no Enlightenment podiam fazer uma blogagem coletiva sobre isso…

Volta e meia, nos blogs por aí, eu me envolvo em uma ou outra discussão sobre o papel dos EUA na criação do extremismo islâmico recente. A mais nova oportunidade surgiu em uma caixa de comentários de um post lá no Torre de Marfim, em uma discussão com o comentarista Pablo Villarnovo, que disse:

(…) E discordo sobre a radicalização islâmica patrocinada pela Cia. Isso não é verdade. O maior herói afegão Ahmed Massud o Leão de Panshir, o grande comandante da Aliança do Norte nem de longe pode ser considerado um radical islâmico. Ele combateu tanto os soviéticos como os radicais islâmicos do Taleban.

OK, vamos tentar deixar as coisas claras: é fundamental, nesse tipo de discussão, reintroduzirmos o tempo histórico, comumente deixado de lado em prol de visões de mundo que não vão muito além de ontem ou anteontem.

Como eu disse lá na caixa de comentários da Torre, os norte-americanos viram no envolvimento soviético no Afeganistão uma chance fantástica de dar-lhes o troco pela derrota americana no Vietnam. Mas é claro que a coisa não é tão “emocional”. Hoje, se sabe que um componente fundamental para se entender as fases finais do confronto americano-soviético na Guerra Fria foi a decisão americana (já na época de Jimmi Carter) de perseguir uma estratégia de “inflação de custos” na corrida pela hegemonia. Embora existisse um razoável equilíbrio estratégico entre as duas potências, decorrência da MAD (“mutual assured destruction“), uma estratégia garantida pela existência permanente de sistemas de mísseis nucleares terrestres e baseados em submarinos, prontos para serem usados na eventualidade de um confronto nuclear _ os quais existiam para garantir que qualquer parte que ousasse imaginar lançar um first strike seria imediatamente aniquilada _ os EUA anteviram que podiam forçar a competição por outros meios. Daí que a década de 80 assistiu a uma panóplia de novas tecnologias e projetos militares, como os mísseis subterrâneos móveis, o Peacekeeper (o fato de o oponente nunca saber onde os mísseis baseados em terra estariam aumentava o componente dissuassório), os submarinos lançadores de mísseis ainda maiores, mais silenciosos, com maior autonomia e que podiam ir mais fundo), os sistemas anti-mísseis baseados no espaço (a iniciativa de defesa estratégica, mais conhecida como o famoso “star wars” de Reagan), forçando os soviéticos a lançarem mão de uma parcela cada vez maior de seu PIB para tentar alcançar a paridade estratégica com os EUA.

A resistência ao domínio soviético no Afeganistão deve ser vista neste contexto.

Há muitas fontes bem documentadas a respeito do envolvimento dos EUA, via CIA, na criação do movimento de resistência que terminou por derrubar o governo comunista em Kabul e instalar a ditadura teocrática do Talibã. O primeiro movimento talvez tenha sido o fornecimento de mísseis terra-ar Stinger para a resistência afegã _ os mesmos que foram tão carinhosamente chamados por Reagan de “freedom fighters“, os guerreiros da liberdade. A medida foi providencial, pois eliminou ou reduziu a superioridade aérea soviética na região, forçando o Exército Vermelho a desistir de usar helicópteros e a se expor em missões terrestres no montanhoso terreno afegão _ desconhecido para eles, muito bem conhecido pelos guerrilheiros. De fato, a idéia era tão eficiente que os americanos buscaram tentar comprar os Stinger de volta antes de invadir o Afeganistão no pós-9/11.

Várias operações se seguiram, nas quais nem a CIA nem os militares americanos se envolveram diretamente _ mas sim através do ISI, o serviço secreto paquistanês. Durante a década de 80, por exemplo, o ISI, auxiliado pela CIA, arregimentou milhares de militantes islâmicos em todo mundo para combater os soviéticos, caracterizando uma “cruzada” muçulmana contra o comunismo ateu.

Ahmed Rashid, jornalista paquistanês radicado em Lahore, acompanha os acontecimentos na região desde 1978 pelo menos. Em seu texto “Islam and Central Asia: Afeghanistan and Pakistan“, ele descreve magistralmente como essa atuação do governo americano acabou agindo no sentido de reintroduzir o Afeganistão na ummah, a comunidade muçulmana, da qual o país havia se afastado há 70 anos:

While in Pakistan and Afghanistan, the radicals networked, studied, trained, and fought together. It was the first opportunity for most of them to learn about Islamic movements in other countries and to forge tactical and ideological links that would serve them well in the future. The camps became universities for Islamic radicalism. Western intelligence agencies failed to consider the future repercussions of bringing together thousands of Islamics radicasl from all over the world.

Essa “falha” (mais abaixo explico o motivo das aspas) está consideravelmente exposta neste depoimento de Zbigniew Brzezinski, conselheiro de segurança nacional dos EUA durante o governo Carter:

What was more important in the world view of history? The Taliban or the fall of the Soviet Empire? A few stirred-up Muslims or the liberation of Central Europe and the end of the Cold War?” (esta citação consta do livro de Olivier Roy, “Afeghanistan, from Holy War to Civil War“)

É bom notar que Brzezinski era um homem que sabia do que estava falando. Abaixo, há um pequeno vídeo de uma visita dele aos guerrilheiros mujahedin no Afeganistão, com palavras de encorajamento que denunciam que ele sabia bem com quem estava tratando:

Nem todos os estrategistas norte-americanos viram essa história com bons olhos, mesmo antes do 9/11. O instituto CATO já via essa política com ressalvas desde pelo menos 1986. E o próprio Samuel Huntington alertou em seu livro “Choque de Civilizações” , de 1996:

A Guerra do Afeganistão começou como um esforço da União Soviética para sustentar um regime satélite. Ela se tornou uma guerra dentro da Guerra Fria quando os Estados Unidos reagiram de modo vigoroso e organizaram, financiaram e equiparam os insurgentes afegãos que resistiram às forças soviéticas (…) Entretanto, para aqueles que lutaram contra os soviéticos a Guerra do Afeganistão foi algo diferente(…) O que o Ocidente vê como uma vitória para o Mundo Livre , os muçulmanos vêem como uma vitória para o Islã.

(…)

A guerra deixou atrás de si uma coligação instável de organizações fundamentalistas islâmicas empenhadas na promoção do Islamismo contra todas as forças não-muçulmanas. Deixou também uma herança de combatentes especializados e experimentados, acampamentos, campos de treinamento e instalações logísticas (…) e o que é mais importante, uma inebriante sensação de poder e autoconfiança pelo que haviam conseguido, assim como um intenso desejo de seguir adiante, rumo a novas vitórias“.

O que esses trechos mostram é que, ao contrário do que pensa Pablo Villarnovo, sempre houve plena consciência entre as elites governamentais norte-americanas a respeito do que estavam fazendo. Apenas, eles achavam que valia a pena.

E na minha humilde opinião, eles estavam certos. Embora o 9/11 tenha ganhado os corações e mentes não só americanos, mas de muitas pessoas mundo afora, como um símbolo do perigo representado pelo Islã radical, o fato é que a “ameaça muçulmana” de hoje não tem termos de comparação do perigo que representou a antiga União Soviética para as homeland americana e européia. Essa paranóia é conscientemente estimulada, porém, por aquelas mesmas elites governamentais, ou pelo menos por sua metade republicana, como forma de atingir objetivos políticos externos e principalmente internos. A ignorância destes fatos é que torna as análises políticas feitas pela nossa blogoseira pátria tão amadora quanto ela de fato é, e é a razão também pela qual coloquei aspas no termo “falha” utilizado por Ahmed Rashid na citação lá em cima.

The “Theory of Change” Primary

The phrase “theory of change” is a bit of jargon that I first encountered in the philanthropic and non-profit world, where it refers to a fairly new way of evaluating the effectiveness of projects by drawing out the underlying assumptions about how they lead to social change. It’s a useful innovation, because often differences that seem to be about ideology or effectiveness are really just different ideas about the process that will lead to change, though unspoken and unquestioned. (For example, a foundation dedicated to ending hunger might choose between giving $100,000 to a food bank that feeds 100 people a day, or to a legal group that sues the state over Food Stamp eligibility rules, or to a national group that organizes poor people to push Congress for a total Food Stamp overhaul. At the end of a year, only the food bank would have results to show, but that doesn’t mean it’s the only effective approach — the potential results from the other two approaches to change are much greater, if the legal and political strategies are sound.)

Provavelmente voltaremos a isto.  Acho que a idéia se aplica bem ao Brasil.

“If you think you can think about a thing that is hitched to other things without thinking about the things that it is hitched to, then you have learned to think like a lawyer.”

_ Thomas Reed Powell

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O sexo anal do Biajoni agora é pequenininho 

Biajones avisa que seu opus magnum “Sexo Anal” agora está disponível em versão pocket, menorzinha _ mas reza a lenda que o que importa em um livro não é o tamanho, e sim o prazer que ele te dá.

Então, prezado leitor, compre o livro e, se tiver um blog, anuncie ele também.  Afinal, esta será uma rara oportunidade de escrever as palavras “sexo” e “anal” em seu blog (pelo menos se você for um sério analista de atualidades como eu), dois termos que fazem muito sucesso nos motores de busca…

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O Guardian instalou uma brincadeirinha interativa que te permite criar uma retrospectiva customizada do ano de 2007 (bem, mais ou menos).

Brincando com ela eu descobri que há uma alta correlação entre o preço das ações do Northern Rock, uma das primeiras vítimas do estouro da bolha das hipotecas, e a colocação alcançada pela cantora Rihanna no Top 40 britânico.

Ninguém segura a Estatística.

Uma impressão que gostaria de compartilhar com vocês.

Até bem pouco tempo, as páginas da mainstream media na internet tentavam, de alguma forma, emular a experiência gráfica do meio físico.  Isto era especialmente verdade no caso dos jornais.

Mas me parece agora que progressivamente mais e mais sites da grande imprensa tentam emular o formato de blogs.  Talvez alguém já tenha reparado e escrito sobre isso, é claro, mas fica aí o registro.

O diabo vai ser se a imprensa der a volta completa no círculo e começar agora a produzir seus jornais e revistas “com jeito de blog”…

O Krugman foi ao ponto de não-retorno:

Unfit to serve

That’s me I’m talking about.

I’ve been getting a lot of mail from people insisting that I must be giving Obama a hard time because I want a Cabinet job in the next Clinton administration. It couldn’t be that I really care about getting a progressive agenda through, and that I’m worried by the way he keeps echoing conservative talking points.

So just to clear things up: I don’t want a job with the next administration — and it would be a big mistake to hire me. I realized a long time ago that I just don’t have the temperament for government work — remember, if you’re in public office you have to be careful about what you say, and remain tactful all the time. Plus, as every department head I’ve ever worked under knows, I’m the last person on earth who should be trusted with any kind of administrative responsibility.

Difícil achar personagens da vida pública com tamanho comprometimento.

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Sou filho único, tenho minha casa pra olhar!

Esse aí é (era) o Xiang Xiang, primeiro panda nascido em cativeiro e retornado ao seu habitat natural. Infelizmente, deu errado: liberado na floresta em abril de 2006, foi encontrado morto menos de um ano depois, em fevereiro de 2007.

Aparentemente, ele se envolveu em uma briga com outro panda por alimento, e foi derrubado do alto de um penhasco. Foi encontrado com as costelas quebradas e hemorragia interna, causa mortis imediata do passamento.

Segundo o veterinário sênior Tang Chunxiang, da reserva natural Wolong, o problema é que pandas nascidos e criados em cativeiro não sabem brigar.

A solução que eles estão tentando implementar é criar os pandas junto com cachorros. Teoricamente, os cachorros ensinariam aos pandas os “truques do ofício” de sobreviver.

Eu sugeriria alternativamente que cada filhote de panda fosse criado por uma família humana grande, preferivelmente com 3 ou 4 irmãos humanos. Tenho certeza de que ele aprenderia uma ou duas coisas sobre sobrevivência.

Tio Rei ontem:

Benazir Bhutto: a quem interessa?

O jogo é aborrecidamente claro. Quem matou Benazir Bhutto, ex-primeira-ministra do Paquistão, está apostando na guerra civil, uma possibilidade mais do que evidente. O risco de guerra civil favorece apenas uma força – e não mais do que uma: a ditadura militar de Pervez Musharraf. Nesse caso, trata-se mesmo de fazer a velha pergunta: a quem interessa a morte? Há, sim, uma outra possibilidade: a Al Qaeda, inimiga do presidente do país, aliado dos Estados Unidos na guerra contra aquele tipo de terror. É possível? Possível é, mas menos provável, uma vez que a desordem é útil a Musharraf, e isso nos devolve à primeira hipótese.

O Estadão, hoje:

Al-Qaeda assume assassinato de Bhutto, diz agência

ROMA – Um dirigente da Al-Qaeda no Afeganistão, Mustafá Abu al-Yazid, reivindicou a responsabilidade pelo assassinato da ex-primeira-ministra do Paquistão Benazir Bhutto, em nome da organização terrorista, informou a agência de notícias Adnkronos International (AKI). “Acabamos com um ativo muito valioso dos Estados Unidos, que tinha jurado derrubar os mujahedin”, disse Yazid, por telefone, à correspondente da agência na cidade paquistanesa de Karachi.”

Então tá combinado: Tio Rei entende de política internacional tanto quanto entende da nacional. E não se fala mais nisso.

***

Particularmente, acho que Musharraf seria muito burro se tivesse realmente algo a ver com o assassinato de Bhutto em casa, 12 dias antes das eleições. Teria sido muito mais fácil mandar matá-la antes de seu retorno ao Paquistão, quando ela vivia auto-exilada em Dubai. Embora não seja improvável que ele tenha “relaxado” um pouco a segurança em torno dela. Por outro lado, fotos tiradas segundos antes do ataque mostram que ela estava dentro do carro, mas saudando a multidão do lado de fora através do teto solar do veículo _ tornando-se assim um alvo muito fácil.

E deve-se também levar em conta que embora a princípio os Talibãs, que usam o solo paquistanês como base para suas incursões ao Afeganistão, pudessem ter interesse em aumentar a desordem no país, o que poucos sabem é que o movimento se formou no Paquistão durante o último governo de Benazir. Ela costumava manter boas relações com eles, embora, de fato, os tenha colocado na lista de possíveis suspeitos pela primeira tentativa de assassinato, um ataque à bomba assim que ela chegou ao Paquistão e que matou 136 pessoas.

Para complicar ainda mais a questão, é fato que a região hoje está muito mais radicalizada do que quando ela foi premiê das outras vezes. Bhutto, apesar do lenço que sempre encobria sua cabeça, era uma mulher bonita, gostava de jóias e de maquiar-se e seria facilmente enquadrada pelos muçulmanos radicais como culpada do “tabarruj“:

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It is forbidden for a woman to display her beauty except to her mahrams (close relatives who she is forbidden to marry); to make a wanton display of herself (tabarruj);” (grifo meu)

Assim, além de algum outro grupo islâmico nativo radical, possivelmente a única parte interessada que sobra é realmente a Al-Qaeda, ansiosa por contestar a estratégia americana em todo o Oriente Médio.

Via Paul Krugman, fico sabendo que as maçanetas tradicionais, redondas, estão correndo risco de extinção nos EUA _ em grande parte por causa da legislação sobre acesso, que impõe o uso de maçanetas de alavanca.

É claro que Krugman só noticiou isso porque quis fazer um trocadilho com a palavra “alavancagem”.  Mas a coisa é séria, para qualquer um que tenha visto “Jurassic Park”.  Afinal, adverte a Associação  Americana para a Prevenção de Ataques de Velociraptores:

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Velociraptors can open doors, but are slowed by them. They can open an initial door in approximately 5 minutes, and will take half that time for each subsequent door.

Sabem como é: todo cuidado é pouco.

Em blogs mundo afora, notícias recentes de que a Índia estaria reforçando tropas na fronteira com o Paquistão, provavelmente temendo a possibilidade de um colapso no país.

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(agora tente ler o post.  Tente)

Agora é oficial:  deu no New England Journal of Medicine que o mero fato de olhar para um belo par de seios aumenta a expectativa de vida de um homem.  Mais especificamente, 10 minutos de uma boa olhada equivalem a 30 minutos de exercício aeróbico.  Portanto, recomenda-se que homens de mais de 40 anos dêem uma boa olhada de 10 minutos em um belo par desses aí em cima.

Nas palavras de um pesquisador, “a excitação sexual estimula os batimentos cardíacos e melhor a circulação sanguínea.  Não há dúvidas:  espiar peitos grandes faz os homens ficarem mais saudáveis“.

E mais: “acreditamos que se um homem praticar essa atividade com regularidade, terá um incremento de 5 anos em sua expectativa de vida“.

Este é mais um serviço de utilidade pública do seu Hermenauta.

Leia o resto deste post »

Acuma?

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(clique para ampliar)

Vejam só a audácia :  “The group is not accepting new members

O pior de tudo é que eles são mais antigos mesmo, ou pelo menos parecem ser, já que têm arquivos de desde 2004.  Raios!

Morreram:

Benazir Bhutto, primeira mulher a desempenhar o cargo de chefe de governo em um país islâmico, assassinada por um terrorista suicida hoje após um comício na cidade de Rawalpindi, Paquistão. Detalhe, as eleições paquistanesas se avizinham, e ela tinha o apoio de mais de 50% dos paquistaneses, segundo as pesquisas. Embora sempre se desconfie dos suspeitos usuais, os militantes islâmicos, dessa vez há quem desconfie do próprio atual presidente, Pervez Musharraf.

Benazir dá uma entrevista comentando sobre a última tentativa de assassinato que sofreu

Bhutto escreveu uma autobiografia chamda “Filha do Destino”; de fato teve o mesmo destino que seu pai. Aliás, no mesmo dia em que chegou ao Paquistão foram registrados atentados contra ela. Acho que se pode dizer que se existe destino, ela realmente correu ao seu encontro.

É cedo para dizer o que vai acontecer ao país, mas analistas prevêem o caos _ faltavam 12 dias para a eleição onde Benazir era favorita. Nunca é demais lembrar que o Paquistão é um país que domina o ciclo nuclear e já explodiu bombas atômicas _ razão pela qual provavelmente é uma presa cobiçada por movimentos islâmicos extremistas.

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Dom Pedro Gastão de Orleans e Bragança, pretendente direto ao trono do Brasil pelo chamado “ramo de Petrópolis” e bisneto de Dom Pedro II. Provavelmente um homem digno; após o plebiscito sobre o regime de governo, onde a proposta monárquica foi derrotada,

…Dom Pedro Gastão reconheceu rapidamente a derrota e desautorizou os integrantes do então Movimento Parlamentarista Monárquico a se organizarem num partido político para lutar pelo retorno da monarquia. Na época, Dom Pedro Gastão afirmou que um rei é alheio a qualquer interesse político. A campanha a favor da monarquia também foi defendida por Dom Luiz de Orleans e Bragança, que reivindica o trono do Brasil devido à renúncia do pai de Pedro Gastão.

Já o outro lado da disputa pela legitimidade da aspiração ao trono da Casa Iperial, o “ramo de Vassouras”, de Dom Luís de Orléans e Bragança, anda batendo tambor por aí até hoje e é apoiado pela TFP.

Há uns dias, o Alon fez um post sobre o instituto da Medida Provisória. Fiz um comentário lá, que reproduzo aqui:

O problema é que no Brasil as MP´s são imprescindíveis.

Um estudo feito por dois pesquisadores de ciência política, a Angelina Figueiredo e o Fernando Limongi, mostrou que entre a promulgação da Constituição Federal em 1988 e o ano de 2004, cerca de 85% de toda a legislação aprovada no Brasil teve início em projetos de Lei originados no Poder Executivo.

Isso significa que a iniciativa do Poder Executivo vai muito além das meras MP´s.

Além disso, se alguém tiver a curiosidade de entrar no site da Câmara dos Deputados ou do Senado, verá que a correlação entre projetos de lei de autoria do representante e, digamos, sua biografia, é bastante grande.

Tradicionalmente _ aliás, esse é um resultado clássico da ciência política _ o governante, por ser eleito em um pleito majoritário, tem maior probabilidade de encaminhar iniciativas legislativas de interesse geral do que os deputados e senadores, mais ligados a interesses paroquiais (quando não descaradamente pessoais).

Assim, pode ser que ao menos em um país como o Brasil, onde o controle social do eleitorado em cima dos seus representantes no Congresso ainda é pífio (confesso _ nem mesmo eu me lembro mais em quem votei), talvez seja razoável que o Executivo jogue no ataque e o Legislativo, na defesa…

Mantenho a substância do que disse, mas tenho que fazer uma correção, à luz de uma matéria que saiu hoje na Folha, sobre um levantamento feito pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados sobre os trabalhos da casa. O levantamento mostra que eu estava semi-certo (e, é claro, semi-errado):

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Estes são os dados consolidados sobre projetos analisados pela Câmara em 2006. Como se vê, é mesmo verdade que a maioria dos projetos têm origem no Executivo. Mas destes 73 projetos do Executivo, 61 eram Medidas Provisórias, e apenas 12 eram projetos de Lei.

Como encontrei várias referências ao estudo de Limongi e Figueiredo, mas não consegui achar o estudo em si, não dá pra saber se a preponderância de projetos do Executivo que eles identificam já embute a contagem das Medidas Provisórias. Mas os dados abertos desse levantamento do Legislativo sugere que sim. Portanto, eu estava errado ao dizer que as Medidas Provisórias são a ponta do iceberg _ na verdade, nessa questão, elas são o iceberg inteiro.

Ou quase inteiro. No trabalho “Uma Teoria da Preponderância do Poder Executivo“, o cientista político Carlos Pereira e o economista Bernardo Mueller identificam vários motivos que determinam o poder do Executivo de controlar a agenda legislativa no Brasil, dos quais o poder de editar Medidas Provisórias é apenas um deles:

Entre outros poderes, o Executivo brasileiro pode inicar legislação, retirar propostas das comissões via pedido de urgência, vetar em parte ou no todo legislação aprovada no Congresso, influenciar na composição das comissões, influenciar na escolha dos presidentes e relatores das comissões e criar comissões especiais.

A questão é: isso é bom ou é ruim?

Segundo o senso comum, é ruim, pois significa o predomínio de um dos Poderes constitucionais da República sobre os demais. Entretanto, o diabo mora nos detalhes.

A verdade é que o “estado das artes” na ciência política, logo após a promulgação da Constituição de 1988, previa o colapso da democracia brasileira. Em um trabalho de 1988 considerado seminal nessa área, o cientista político Ségrio Abranches cunhara o termo “presidencialismo de coalizão” (muito encontrado nas páginas de jornalismo político de nossos jornais até hoje) para classificar nosso tipo específico de regime presidencialista, devido à “combinação de proporcionalidade, multipartidarismo, “presidencialismo imperial”, Executivo organizado em grandes coalizões e um quadro estrutural de desigualdade e heterogeneidade econômica e social” (cf. “Câmara dos Deputados, Accountability e Reforma Política“, Thiago de Azevedo Camargo). Teoricamente, essa “combinação explosiva – presidencialismo, multipartidarismo, lista aberta e sistema proporcional, federalismo – levaria, segundo diversos autores, a eternas crises institucionais que, em última análise, poderiam levar ao colapso do regime democrático“.

O que se viu no pós-88, porém, é que vários dispositivos embutidos na Carta Magna colaboravam para diminuir o “custo de governar“, evitando assim o deadlock anunciado por uma apreciação mais superficial das instituições que governam o sistema político brasileiro.

Nesse caso estaríamos em pleno “second-best” em matéria de governança democrática. Aí a coisa depende de cada um; eu prefiro enfatizar o “best“…

Recebo com uma tristeza já nostálgica a notícia de que a Gloria Maria vai sair do Fantástico.

Não sei bem como ela é conhecida pela turba ensandecida hoje…

Mas no meu tempo ela se destacava pelas gafes e ratas que ela dava nas suas inúmeras reportagens, principalmente nas entrevistas e nas várias reportagens “de aventura”…

Mesmo aquelas onde ela reamente não tinha culpa, como no caso dessa entrevista.

Bom, eu não vejo mais o Fantástico, mas fico triste assim mesmo. Entre outros motivos, porque imagino que ela está saindo porque está ficando velha. Ela será substituída pela Patrícia Poeta, que é muito mais novinha. Não que a Gloria seja um ser de pura inocência, é claro, pois isso não existe na Globo _ afinal ninguém fica 10 anos apresentando o Fantástico se não tiver padrinhos muito bons na casa, e reza a lenda que ela foi “namorada” de um dos irmãos Marinho. Afinal, idade por idade, tenho certeza de que o Cid Moreira bate a Gloria:

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O meu problema é que eu me lembro muito bem de quando ela era uma cara nova na telinha _ não do Fantástico, não, mas da Globo…e olhe que a notícia diz que ela tinha 10 anos só de Fantástico. E a moça algum prestígio tem na Globo, já que tem até site próprio, contando sua história (lá ela confessa que tem mais de 25 anos de Globo). Aliás, lá dá pra constatar que a mulher fez mesmo o diabo:

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Aliás, um dos sinais de hipocrisia na saída dela é a declaração “face saving” de que ela está saindo, entre outros motivos, porque quer fazer viagens de lazer. Pô, essa mulher tem mais milhagem do que Santos Dumont.

A Globo, que não consegue deixar de ser escrota, tem um vídeo dos últimos momentos de Gloria Maria apresentando a atração, mas o vídeo fica atrás do paywal _ tornando-se assim, talvez, a primeira empresa na história a ganhar dinheiro mostrando a demissão de um funcionário.

***

UPDATE:

A coluna do Ricardo Feltrin no UOL atribui a saída de Glória ao fato dela estar sendo apontada, por colegas da Globo e telespectadores, como uma das principais responsáveis pela queda de audiência do Fantástico _ que no dia 9 deste mês alcançou um IBOPE de 21,8 pontos, um dos piores de sua história, já que a média histórica do programa era de 30 pontos de audiência.   Ou seja, tudo na vida passa, menos o cobrador e o motorneiro.

Aquele que se chamava Eigenmacx virou descrônicas uberspazzen.

O sujeito difícil, sô.

Brad DeLong apresenta o que ele corretamente chama de “o melhor argumento já feito pela destruição das gravadoras”:

Watch for Compilations that are “Too Good to Be True”: Many pirates make “dream compilation” CDs, comprised of songs by numerous artists on different record labels who would not likely appear on the same legitimate album together.”

A parte cômica da história é que esse conselho foi dado aos consumidores pela…RIIA, também conhecida como a Recording Industry Association of America.

Manchete achada em buscas randômicas na Internet:

Anglicans Prepare for More Homosexual Battles

Os padres anglicanos sempre foram bem mais sinceros que os católicos.

Spam que costumo receber de vez em quando:

SAIBA COMO GANHAR DINHEIRO NO FOREX

Não sei porque, mas isso me soa vagamente obsceno.

Saudades do prosaico e inocente “enlarge your penis“…

No momento em que escrevo estas maltraçadas, este blog atinge os mil hits.

Levando em conta que tenho 3,5 leitores _ talvez 2,5, pois alguém deve ter se perdido com a mudança de plataforma _ concluo que estes leitores devem vir muito a este blog. 🙂

Obrigado!

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Imaginem as loucuras que acontecem nesta avenida depois de certa hora.

Eis um post da Nariz Gelado com o qual posso concordar integralmente.

Lula foi viajar com Dona Marisa às custas de um empresário!

***

Desculpem, errei.

Não se fala em outra coisa em Paris: Sarkozy foi viajar de férias no Egito, com a namorada, a cantora Carla Bruni, às custas de um poderoso empresário, o Sr. Vincent Bolloré.

As críticas, na França, têm sido pesadas:

“Je regrette de devoir m’interroger sur les contreparties que M. Bolloré, homme d’affaires rusé, est en droit d’attendre de la République”, a dit Arnaud Montebourg mardi sur France Inter.

Dès lors que le président de la République se met en situation de dépendre des faveurs des milliardaires, il y a forcément des contreparties et nous nous interrogeons : lesquelles ?”, a ajouté le député socialiste.

Benoit Hamon, porte-parole du PS, a dénoncé mercredi sur RTL le “mélange des genres”, rappelant que le chef de l’Etat avait justifié l’augmentation “de 140% de son salaire” par le désir de pouvoir “se payer lui-même les frais liés à sa charge.

Patrick Balkany, deputado situacionista, procurou minorar os efeitos das críticas, dizendo que o grupo empresarial que Bolloré chefia tem menos de 1% de negócios com o governo. A declaração é algo estapafúrdia, quando se percebe que uma parte enorme dos negócios do Grupo Bolloré funcionam e segmentos bastante regulados da economia, como transporte (61% das receitas do grupo) e distribuição de energia (32% das receitas).

***

Bom, até mesmo nossa direita, até aquela que se delicia com Sarkozy, deveria ser crítica dessa atitude do presidente francês. Afinal, disse Reinaldo Azevedo, no episódio em que a Ministra Dilma Roussef andou, sem saber, em um barco de propriedade do dono da controversa construtora Gautama, a convite de Jaques Wagner, governador da Bahia:

Eu vou repetir o conselho que já dei à ministra neste blog: quando alguém convidar a segunda pessoa mais poderosa do Brasil (a primeira é Lula, claro) a entrar num barco, acho que a primeira pergunta a fazer é a seguinte: “De quem é esta estrovenga?” Eu sempre lembro do mestre Milton Friedman, que morreu aos 94 anos, odiado pelas esquerdas, mas sem jamais ter de dar explicações sobre uma batata frita. Ele tinha uma máxima: “Não existe almoço grátis”. Acho que isso pode ser um norte conceitual para a vida pública.

Pois é, dotô Tio Rei: sinta-se à vontade para dar uma boa lição de moral no seu Sarkozy. Estamos aqui no camarote, esperando.

Tô impressionado com Tio Rei.

Ele está dizendo para todo mundo que está enviando seus posts para o blog pelo celular.

Bem, às 14:41 de hoje ele escreveu o seguinte post:

Numa lojinha moral da 25 de Março – 2

Mais um pouco de Nassif.

Ele se candidatou a conselheiro econômico do governo Lula, servindo na coluna de José Dirceu, o homem que inspirou Aguinaldo Silva na novela Duas Caras. Nassif acha tudo muito bom no governo, menos a condução da política macroeconômica.

Ou seja: este gênio do “jornalismo de serviços” gosta de tudo, menos do que dá certo. Nessa área, SEMPRE SE FEZ O CONTRÁRIO DO QUE NASSIF RECOMENDOU. E, aí, deu certo.

O homem é mesmo um portento: elogia tudo o que não presta e ataca o que presta. Nassif, o biógrafo de Ronan Maria Pinto…”

Ocorre que às 14:31 ele já tinha escrito outro post.  Isto quer dizer que ele escreveu o post acima, no celular, em 10 minutos!

Fazendo os cálculos do número de caracteres do post vis a vis o tempo decorrido, isso dá um caractere a cada 0,988 segundos, aproximadamente.  E isto sem levar em conta eventuais teclagens de controle, para acessar o blog, dar o send, etc.

Tio Rei devia ser pianista _ ou então trabalhar no telemarketing da Veja.

Se bem que o trabalho dele não é tão diferente do telemarketing da Veja, afinal.

Como se sabe, o mote principal do Paulo do FYI é: “ah, the press“.

Trata-se, o FYI, de um blog especializado em matar o mensageiro _ no caso, a “the liberal press“, sempre pronta a trazer más notícias e a caluniar “the righteous republicans“. Graças ao bom Deus, Rupert Murdoch criou a Fox News para equilibrar este estado de coisas.

A mais recente licenciosidade da imprensa detectada pelo Paulo diz respeito ao tratamento que esta tem dado ao candidato republicano Mike Huckabee. Reclama o Paulo:

Democrats love to cry about how radical Republicans are about religion, but at the end this is all political fodder. They want you to believe that Republicans are all about religion. They will never stop and say “wow, 3 of the 5 main Republican candidates are not that into religion. One is a Mormon! That must mean something.””

Talvez o Paulo devesse prestar mais atenção ao que dizem insuspeitos integrantes da própria “big tent” republicana. Entra em cena Peter Weher, confessado evangélico conservador, assistente de Bush entre 2001 e 2007 e ghost writer de seus discursos, que escreve o seguinte no Washington Post:

Some of us — in my case, a political conservative and evangelical Christian — are getting a queasy feeling when it comes to the presidential campaign of former Arkansas governor Mike Huckabee, and much of it has to do with his use of faith in this political campaign.

(…)

In Iowa, Huckabee advertised himself as a “Christian leader.” A few months ago, when speaking to a large gathering of social conservatives in Washington, he told them, “I think it’s important that the language of Zion is a mother tongue and not a recently acquired second language.” When asked to explain his surge in the polls, he answered, “There’s only one explanation for it, and it’s not a human one. It’s the same power that helped a little boy with two fish and five loaves feed a crowd of 5,000 people.”

(…)
This is a man who, in 1998, when explaining to a Baptist pastors conference why he got involved in politics, answered, “I got into politics because I knew government didn’t have the real answers, that the real answers lie in accepting Jesus Christ into our lives. . . . I hope we answer the alarm clock and take this nation back for Christ.

Now isn’t that odd — a former pastor who leaves his ministry so he can get involved in politics because he “knew government didn’t have the real answers.” (grifos e sublinhados meus)

O cara não está interessado apenas em celebrar valores cristãos. Ele acredita que está cumprindo uma missão na Terra, de índole messiânica.

Como lembra bem Peter Weher, contrariamente ao que pensa o Paulo em um comentário a esse post, parece que Huckabee nunca largou propriamente o seu ministério _ antes, o que ele parece ambicionar mesmo é levar o seu ministério para a Casa Branca.

***

Evidente que o Paulo tem uma resposta pronta para comentários como esse meu: tudo faz parte do “bias” anti-cristão. Não vou falar sobre o meu próprio “bias”, mas declarações como essa, lá nos comentários do post do Paulo _

(…)eh obvio que ha um bias anti-cristao nos EUA atualmente.”

_bem, não suportam a luz do Sol. Eis alguns resultados do estudo “Atheist as “Other”: Moral Boundaries and Cultural Membership in American Society“, publicado em 2006 pelo American Mosaic Project da University of Minnesota:

  • 47,6% dos respondentes dizem que não gostariam que um dos seus filhos se casasse com um ateu. Em segundo lugar na escala de rejeição ficam os muçulmanos, preteridos por 33,5% dos respondentes, e em terceiro os afro-americanos, com 27,2% (ateus negros devem achar bem difícil se casar na América);
  • Em 1999, cerca de 54% dos respondentes de uma pesquisa do Gallup afirmaram que não votariam em alguém que não acreditasse em Deus. Diz o texto: “(…) Farkas et al. (2001:100) conclude that widespread political rejection of atheists and others who profess no religion provides a “glaring exception” to the general rule of increasing social tolerance over the last thirty years of the twentieth century.

Conquanto tenha havido uma queda generalizada na rejeição a todos os grupos tradicionalmente minoritários na sociedade americana (negros, judeus, homossexuais, ateus e católicos) , todas as outras minorias encontram-se com sua rejeição estabilizada em cerca de menos de 10%, com apenas os ateus enfrentando uma rejeição de mais de 50%.

Ou seja: se existe um bias na sociedade norte-americana, é anti-ateísmo, não anti-cristianismo.

***

E para falar a verdade, até mesmo a “equilibrada” Fox News anda tendo problemas em digerir o cara.

Juan Cole elenca os 10 grandes mitos sobre a guerra americana no Iraque. Eis um deles:

8. Myth: The US troop surge stopped the civil war that had been raging between Sunni Arabs and Shiites in the Iraqi capital of Baghdad.

Fact: The civil war in Baghdad escalated during the US troop escalation. Between January, 2007, and July, 2007, Baghdad went from 65% Shiite to 75% Shiite. UN polling among Iraqi refugees in Syria suggests that 78% are from Baghdad and that nearly a million refugees relocated to Syria from Iraq in 2007 alone. This data suggests that over 700,000 residents of Baghdad have fled this city of 6 million during the US ‘surge,’ or more than 10 percent of the capital’s population. Among the primary effects of the ‘surge’ has been to turn Baghdad into an overwhelmingly Shiite city and to displace hundreds of thousands of Iraqis from the capital.

Matéria interessante no Valor de hoje, traduzida do The Economist, sobre a relação entre beleza e inteligência. Exemplo:

Hamermesh examinou as carreiras de membros de uma determinada (embora discretamente anônima) faculdade de direito americana. Ele verificou que as pessoas classificadas como atraentes com base em suas fotografias de formatura futuramente obtiveram salários mais altos do que colegas esteticamente menos favorecidos. Além disso, os profissionais em escritórios de advocacia tendem a ser mais “bem apanhados” que os que trabalham em orgãos governamentais.

Ainda mais injustamente, Hamermesh descobriu evidências de que pessoas bonitas podem proporcionar maiores receitas a seus empregadores do que as menos favorecidas. Seu estudo envolvendo agências de publicidade holandesas revelaram que as empresas com os executivos mais bonitos tinham as maiores receitas (ajustadas pela dimensão das firmas) – uma diferença que suplantou os diferenciais salariais das empresas em questão.” (grifo meu)

O que explica uma antiga observação: porque as advogadas dos escritórios de advocacia que lidam com processos junto ao setor público são sempre tão bonitinhas? Tá explicado.

Abaixo, transcrevo a matéria integral.

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Em um breve bate papo ontem com o Matamoros pelo Gtalk acabamos falando sobre a gestão do Serra em São Paulo. Concluímos que o sujeito está fazendo caixa para a segunda metade do seu governo. Pois o Valor de hoje tem uma matéria justamente sobre isso:

Serra reforça caixa em primeiro ano de poucas obras
César Felício,Cristiane Agostine e Marta Watanabe
26/12/2007

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), um dos presidenciáveis do partido em 2010, conseguiu manter bons índices de popularidade em um primeiro ano de governo marcado pela ausência de crises em áreas vitais para a imagem da administração, um enorme esforço para aumentar a receita estadual e poucos projetos já em execução.

Boa parte das iniciativas de impacto da sua administração foram anunciadas pelo secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Machado Costa. As duas mais recentes foram uma operação casada com a Polícia Militar para identificar donos de veículos que fraudam o IPVA e um programa de incentivo a consumidores que exigem nota fiscal.

Anúncios de obras ou mudanças administrativas, que marcaram a sua fugaz passagem pela Prefeitura de São Paulo, no ano de 2005, foram evitados a ponto de fomentarem críticas internas. Em uma entrevista em meados do ano para a revista “Piauí”, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um de seus principais aliados dentro do PSDB, classificou o seu governo como tendo tido um início “que não foi brilhante”.

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Pós-modernidade é isso aí:

Book Description
Though Bram Stoker coined the term, the undead have stalked the human imagination for eons, appearing in the myths and legends of nearly all cultures. The concept of people, or unpeople, interacting with others while devoid of humanity provides a wealth of material for philosophical speculation. Encompassing George Romero’s radiation-spawned Living Dead, the “infected” of 28 Days Later, as well as more traditional zombies and vampires, the essays in The Undead and Philosophy ponder questions such as: Is it cool to be undead, or does it totally suck? Is a zombie simply someone with a brain but without a mind? Are some of the people around us undead, and how could we tell? Can the undead be held responsible for what they do? Is it always morally OK to kill the undead? Served up in a witty, entertaining style, these and other provocative questions present philosophical arguments in terms accessible to all readers.

***

Se bem que dado o grito de guerra dos zumbis _ “Brains! Brains!” _ eu diria que nem mesmo cérebros eles têm. O que nos permite adivinhar ao menos suas escolhas eleitorais.

Deu no NYT: com o progressivo aumento da temperatura ao redor do globo, países antes protegidos de certas doenças pelas barreiras naturais do clima estão começando a sentir o gostinho do que é ser um país tropical:

“As Earth Warms Up, Tropical Virus Moves to Italy

CASTIGLIONE DI CERVIA, Italy — Panic was spreading this August through this tidy village of 2,000 as one person after another fell ill with weeks of high fever, exhaustion and excruciating bone pain, just as most of Italy was enjoying Ferragosto, its most important summer holiday.

“At one point, I simply couldn’t stand up to get out of the car,” said Antonio Ciano, 62, an elegant retiree in a pashmina scarf and trendy blue glasses. “I fell. I thought, O.K., my time is up. I’m going to die. It was really that dramatic.”

By midmonth, more than 100 people had come down with the same malady. Although the worst symptoms dissipated after a couple of weeks, no doctor could figure out what was wrong.

People blamed pollution in the river. They denounced the government. But most of all they blamed recent immigrants from tropical Africa for bringing the pestilence to their sleepy settlement of pastel stucco homes.

“Why immigrants?” asked Rina Ventura, who owns a shop selling shoes and purses. “I kept thinking of these terrible diseases that you see on TV, like malaria. We were terrified. There was no name and no treatment.”

Oddly, the villagers were both right and wrong. After a month of investigation, Italian public health officials discovered that the people of Castiglione di Cervia were, in fact, suffering from a tropical disease, chikungunya, a relative of dengue fever normally found in the Indian Ocean region. But the immigrants spreading the disease were not humans but insects: tiger mosquitoes, who can thrive in a warming Europe.

The epidemic proved that tropical viruses are now able to spread in new areas, far north of their previous range. The tiger mosquito, which first arrived in Ravenna three years ago, is thriving across southern Europe and even in France and Switzerland.

And if chikungunya can spread to Castiglione — “a place not special in any way,” Dr. Angelini said — there is no reason why it cannot go to other Italian villages. There is no reason why dengue, an even more debilitating tropical disease, cannot as well.”

O que é mais curioso é que Castiglione não é exatamente uma cidade do Mezzogiorno:

23virusmap.jpg

De qualquer forma, os italianos sempre podem pedir auxílio a César Maia, alguém que sempre tem boas idéias quando se trata do combate à dengue.

not_a_creature_was_stirring.gif

168.jpg

Deixa eu ver se eu entendi:

Um filme que é considerado o anti-Nárnia,

Onde o mocinho é um urso polar,

E que tem Eva Green no elenco _

E estréia hoje????

Tô dentro.

Alguém achou isto vasculhando a Groelândia no Google Earth.

(antes de rir da idéia, fique sabendo que eu também gosto de vasculhar a Groelândia no Google Earth.  O litoral da África do Norte também.  Há gosto para tudo)

Agora ficamos sabendo para quê afinal serve o aquecimento global.

E não se esqueça de conferir isto.

(via Atrios e uma loooonga série de links)

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