George Antoine, o segundo a partir da esquerda

Parece que tem mais gente no barco do Pat Robertson:

Cônsul diz frases infelizes antes de gravar entrevista para a TV

Antes de gravar ao SBT, George Antoine soltou fez comentários sobre o terrmoto no Haiti

SÃO PAULO – O cônsul-geral do Haiti em São Paulo, George Antoine, segundos antes de iniciar a gravação de uma entrevista para o SBT na quinta-feira, 14, soltou algumas frases infelizes em relação ao terremoto que devastou o país mais pobre da América Central. O cônsul tem mais de 100 parentes no Haiti.

Com microfone de lapela e aparentemente sem saber que o áudio já estava sendo gravado, Antoine virou-se para um funcionário da representação diplomática e disse: “A desgraça de lá tá sendo uma boa para a gente aqui ficar conhecido (…) Aquele povo africano acho que de tanto mexer com macumba, não sei o que á aquilo (…) O africano em si tem maldição. Todo lugar em que tem africano tá f…”

Após saber que o microfone de lapela estava ligado, o cônsul, já durante a entrevista, segurou um terço nas mãos, e disse estar abalado com o que ocorreu no Haiti. “Esse terço nós usamos pois nos dá uma energia positiva que acalma a pessoa. Como eu estou muito tenso e deprimido com o negócio do Haiti, a gente fica mexendo com vários para se acalmar”.”

Muitos aqui se lembrarão, certamente, de um gênero de discussão que floresce durante as grandes tragédias: o retorno do “problema do Mal“.  Esse tema veio à tona depois do tsunami no Oceano Índico em 2006 , e também quando o Katrina abateu-se sobre New Orleans.

De forma geral, acredito que não é de muito bom gosto aproveitar-se da tragédia alheia para reforçar uma argumentação ideológica.  Quero dizer, é claro que é legítimo discutir o “problema do Mal”, só não é de muito bom tom fazê-lo logo depois de uma grande catástrofe, onde as atenções deveriam estar mais voltadas para as ações de resgate e ajuda humanitária.

Mas que diacho, tem gente que não nos deixa outra escolha:

Evangélico americano diz que Haiti fez “pacto com o Diabo”

14 de janeiro de 2010 • 19h16

O evangélico americano Pat Robertson, que anima um programa de TV, lançou uma polêmica nos Estados Unidos ao explicar que o terremoto que arrasou Porto Príncipe seria a consequência de um “pacto com o Diabo” selado pelos haitianos há dois séculos para se livrar dos franceses.

A controvérsia obrigou a Casa Branca a intervir, qualificando as declarações de “profundamente estúpidas”.

Falando em seu programa de TV, o evangélico, candidato às primárias republicanas para a eleição presidencial de 1988, lembrou que os haitianos “eram dominados pelos franceses”.

“Eles se reuniram e selaram um pacto com o Diabo. Disseram a ele: ”serviremos a você se nos livrar dos franceses”. A história é verdadeira. E o Diabo respondeu: ”está certo””, relatou Pat Robertson, 80 anos.

“Desde então, eles são vítimas de uma série de maldições”, afirmou o evangélico, comparando a situação no Haiti com a do país vizinho, a República Dominicana, relativamente próspera.

Claro que o aproveitamento político de grandes catástrofes é o território exclusivo de republicanos anaeróbicos norte-americanos, certo?

Humm…quem dera:

HAITI: PALCO E ATOLEIRO

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010 | 17:49

A abordagem que segue, sei disto, não é das mais agradáveis, mas, lamento, é necessária. Quando menos porque se trata de uma verdade insofismável. A tragédia do Haiti é gigantesca. Ainda que fosse um país minimamente organizado, as conseqüências seriam terríveis; sendo o que é, a cultura política se encarrega de extremar os castigos da natureza — e a natureza, como sabemos, é má para os homens; eles é que a melhoram, domando-a ou aprendendo a se proteger do inevitável. Em tempos “naturalisticamente corretos”, a constatação pode ser ofensiva a muitos. Em alguns casos, os humanos fazem o contrário, é certo, e pioram a natureza. Aí se tem o inferno. O inferno é o Haiti. Mas retomo o fio da abordagem dita desagradável.

Em que pese a desproporção das tragédias, como não contrastar a agilidade de Lula em mobilizar recursos em favor do Haiti com a lentidão paquidérmica para assistir os desabrigados das chuvas no Brasil e as famílias dos muitos mortos? Assim foi em 2008, em Santa Catarina; assim foi no fim do ano passado em toda parte.

Interessante a abordagem do Tio Rei.  Considere, leitor, que em nossa estrutura federalizada os entes federativos são responsáveis por ações de defesa civil na ponta; existe um Sistema Nacional de Defesa Civil responsável por articular as ações de prevenção e resposta a desastres, apoiada pelos entes de defesa civil nos níveis regional, estadual e municipal, como reza a Política Nacional de Defesa Civil.

No caso do Haiti, trata-se de um país já totalmente carente de uma estrutura institucional (é por isso que tem uma missão de paz da ONU lá).  O terremoto, creiam-me, não melhorou essa situação.  Então estamos tratando duas situações bem distintas, não só quanto a extensão da tragédia, quanto às possibilidades de ação local no sentido de minorá-la.

Tio Rei faria melhor em prestar atenção às ações de seus companheiros de estrada.  Não deixa de ser curioso que a única menção que ele fez sobre a patética situação do Jardim Romano, área sob a responsabilidade do alcaide de São Paulo, Gilberto Kassab, foi em um post para falar mal da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, que exige soluções para o problema.  Tio Rei chega a dizer que “a defensoria quer também a “suspensão da remoção” dos moradores para que a decisão da Prefeitura de criar um parque naquela região — aonde as águas do Tietê sempre voltarão enquanto houver Tietê“.  E mais:

“(…)a nota da Defensoria diz defender uma “solução definitiva” para a região. E em que ela consistiria? Manutenção das bombas para drenagem das águas pluviais e dos córregos próximos e a varrição dos bairros. E quem disse que isso é solução definitiva?

Pois é.  Tio Rei, que tanto preza a Civilização Ocidental, parece esquecer que uma das primeiras conquistas da Humanidade foi reclamar as áreas de pântanos para uso humano.  Para proteger Kassab, o inepto, ele propõe que a Humanidade regrida ao estágio neolítico, antes das burocracias hidráulicas.

Mas Tio Rei continua:

É evidente que considero que o Brasil tem de integrar os esforços internacionais para tentar minorar o sofrimento do povo do Haiti. Não há mal nenhum nisso. Ao contrário. Mas também resta evidente que uma tragédia como a havida naquele país pode se transformar numa espécie de palco para governantes que pretendem demonstrar capacidade de liderança.”

(…) Uma catástrofe como a havida no Haiti, é forçoso constatar, “rende” mídia internacional, e o evento logo se torna uma arena também política. Barack Obama, outro que não consegue disfarçar a matéria de que é feito, afirmou que o terremoto “pede a liderança americana”. Vai mandar 3,5 mil soldados ao país e anunciou ajuda de US$ 100 milhões. Que o mundo se mobilize mesmo! Os haitianos precisam. Mas nem por isso devemos suspender o juízo crítico e ignorar aspectos nem tão virtuosos de certos protagonismos.”

Suponhamos, por exemplo, que o Brasil sequer tivesse manifestado intenção de ajudar o Haiti, ou o tivesse feito apenas depois de Obama, Sarkozy e o Papa falarem a respeito.  Então seguramente estaríamos vendo a catilinária de Tio Rei ribombando sobre nossas cabeças, recriminando a desídia do Brasil em cumprir com seu papel como líder da missão humanitária no Haiti.   Ou seja, se o governo se manifesta nas primeiras 24 horas é porque quer aparecer, mas se se manifesta depois de 24 horas, é lento e desidioso.  Quem sabe se a manifestação ocorresse 24 horas, 15 minutos e 32 segundos depois do terremoto…

Quanto ao pobre do Obama, bem…parece que Tio Rei só aceita a “liderança americana” quando se trata de causar, e não aliviar, desastres _ o Iraque e o Afeganistão que o digam.

***

UPDATE:

O Samba do Avião está dando uma aula sobre a História do Haiti.  Recomendo.  Aproveitem e mandem o link dele pro Pat Robertson.

Dados para doações:

Nome: Embaixada da República do Haiti

Banco: Banco do Brasil

Agência: 1606-3

CC: 91000-7

CNPJ: 04170237/0001-71

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UPDATE:

Dada a mancada do cônsul haitiano em São Paulo, e o caráter predatório das elites locais, creio que é bom ter uma alternativa para as doações.  Infelizmente parece que no momento o site da Cruz Vermelha brasileira crashou, então coloco o link para o site em espanhol da CV internacional.

Cenas fortes abaixo do folder. Leia o resto deste post »

Tá rolando um debate interessantíssimo lá no Paraíba sobre Kindle vs Livros em papel. Dei meu pitaco no segundo post; há um primeiro post que introduziu a querela.  O pitaco é este abaixo, vão lá para ler o post e a thread:

Meu pitaco:

Achei interessante a discussão sobre o “elitismo” dos livros. Desta feita, embora o Kenji seja um “contrarian” incorrigível, penso que ele está certo.

Claro, Galvão está correto quando fala do preço do livro, principalmente quando se trata de um livro que você pode comprar em um sebo. Mas o custo total de propriedade, para quem realmente precisa ter uma grande biblioteca, cabalmente pesa muito mais, e vai para o lado do “esporte de elite”, de fato. Tipo: se você tem filhos, ter um aposento de sua casa/apartamento inteiramente dedicado aos livros é um luxo (é claro que o caso de um Mindlin é totalmente elitizado, mas não é disso que estou falando).

Francamente acho que essa será uma discussão resolvida pelo mercado em pouco tempo _ quem sabe no próximo dia 23, quando a Apple lançará, tudo indica, seu reader. Já vi protótipos dobráveis por aí, também, onde a tela é uma folha flexível. Acho esse um produto imbatível.

A possibilidade de perdas apontada pelo Galvão é um problema, mas pensem bem: dá pra ter, a baixíssimo custo, um monte de cópias salvas de sua biblioteca, no desktop, no laptop, no pendrive, no CD, no micro do trabalho, se bobear até na memória da máquina fotográfica. Da biblioteca de papel _ sempre exposta às intempéries, aos cupins, aos incêndios, às crianças, às mãos cobiçosas dos amigos _ não se pode dizer o mesmo.

A estabilidade do padrão também é um problema, mas eu acredito realmente que nesse caso emergirá um padrão estável. Aliás, não é nada, não é nada, o PDF taí há 16 anos. O avanço dos formatos diz respeito, em grande medida, às possibilidades de compressão incrementada devido a novos algoritmos ou maior capacidade de processamento. Só que esse é um drive mais importante para mídias de grande extensão como som e imagem. Texto já virou brincadeira de criança, dadas as capacidades de qualquer dispositivo de memória digno desse nome hoje em dia. É por isso que acho que já não há mais grande pressão para que emerjam novos formatos para texto. E as razões mercadológicas, a competição dará conta. Vejam que até a Amazon teve que abrir as perninhas e permitir que o Kindle 2 leia PDF; daqui pra frente, a competição vai aumentar mais ainda (pode ser que a Apple tente de novo suas gracinhas com um formato fechado e um Apple Bookstore, mas eu francamente não acredito).

Tio Rei tem um post intitulado “Agressão aos Direitos Humanos Também no Cinema“.  Não, amigo, não se trata de uma gangue de lanterninhas torturadores que se aproveitam do escurinho do cinema para te fazer contar o final do filme mesmo que ele ainda esteja no início.  Vejamos:

A Ancine, a Agência Nacional de Cinema, precisa agir depressa para ver se consegue salvar do vexame “Lula, O Filho do Brasil”, o filme hagiográfico sobre a vida de Lula que não conseguiu repetir a proeza de mentir mais do que a propaganda oficial. Em matéria de cinema, ninguém supera Franklin Martins, o ministro da Verdade. Como jornalista, ele já exibia essa tendência, razão por que seus chefes o convidaram a assumir de vez o discurso oficialista. Mas me desviei um pouco do principal. No lusco-fusco de 2009, ali no apagar das luzes de um ano e no aceder as de outro, Lula editou o decreto nº 7. 061 – precisamente no dia 30 de dezembro. É curto. Leiam. Volto em seguida:

Reproduzo, do tal Decreto, apenas as partes que ele grifou:

Art. 1o As empresas proprietárias, locatárias ou arrendatárias de salas ou complexos de exibição pública comercial estão obrigadas a exibir, no ano de 2010, obras cinematográficas brasileiras de longa metragem, no âmbito de sua programação, observado o número mínimo de dias e a diversidade dos títulos fixados em tabela constante do Anexo a este Decreto.

(…)

Art. 3o A ANCINE, visando promover a auto-sustentabilidade da indústria cinematográfica nacional e o aumento da produção, bem como da distribuição e da exibição das obras cinematográficas brasileiras, regulará as atividades de fomento e proteção à indústria cinematográfica nacional, podendo dispor sobre o período de permanência dos títulos brasileiros em exibição em cada complexo em função dos resultados obtidos.”  [grifo meu]

E Tio Rei continua:

Que coisa comovente! Numa tabela em anexo, o decreto específica o número mínimo de sessões com filme nacional, dependendo do número de salas controladas por uma mesma empresa.

Falta agora a instrução normativa da Ancine. Mas notem: não contente em impor o filme nacional, o decreto atribui à agência o poder para definir o tempo em que um filme ficaria em cartaz em cada sala, entenderam? É isto: também nesse caso, a liberdade vai para a breca. O estado se torna o grande programador dos cinemas.

Chega a ser patético que esse decreto tenha vindo à luz na antevéspera da estréia do , dadas as expectativas, maior insucesso da história do cinema brasileiro: “Lula, O Filho do Brasil“. Como fica evidente, quando o telespectador não quer, não há máquina de propaganda, dinheiro ou adesismo que dê jeito. O “maior lançamento da história” está sendo rejeitado até pelos camelôs. Ainda escreverei a respeito. Só que terei de passar pela provação de ver o filme primeiro.

Ou seja, ele quer fazer crer que na calada da noite, no final de 2009, o Presidente da República publicou um decretinho solerte só para fazer decolar o “Lula, o Filho do Brasil”.

Neste caso, tenho algumas surpresas para o Tio Rei.  Vejamos o caput do Decreto que ele menciona:

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 55 da Medida Provisória no 2.228-1, de 6 de setembro de 2001, DECRETA:”

E o que diz o art. 55 da Medida Provisória 2.228-1, assinada pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso???  Isso:

Art. 55. Por um prazo de vinte anos, contados a partir de 5 de setembro de 2001, as empresas proprietárias, locatárias ou arrendatárias de salas, espaços ou locais de exibição pública comercial exibirão obras cinematográficas brasileiras de longa metragem, por um número de dias fixado, anualmente, por decreto, ouvidas as entidades representativas dos produtores, distribuidores e exibidores.

§ 1o A exibição de obras cinematográficas brasileiras far-se-á proporcionalmente, no semestre, podendo o exibidor antecipar a programação do semestre seguinte.

§ 2o A ANCINE aferirá, semestralmente, o cumprimento do disposto neste artigo.

§ 3o As obras cinematográficas e os telefilmes que forem exibidos em meios eletrônicos antes da exibição comercial em salas não serão computados para fins do cumprimento do disposto no caput.”

Pois é.  Desde 2001, TODOS OS ANOS, há um Decreto presidencial, em geral publicado no Diário Oficial da União no final de dezembro (excepcionalmente no início de janeiro), definindo a cota de tela para o ano subsequente.  Por obra e graça de Fernando Henrique Cardoso.

Pior: esse mecanismo já estava em vigor ANTES MESMO da MP 2.228-1, como podem ver abaixo:

E o que dizia o artigo 29 da Lei 8.401, citada no caput desse Decreto como sua base jurídica? O seguinte:

Art. 29. Por um prazo de dez anos, as empresas proprietárias, locatárias ou arrendatárias de salas, espaços ou locais de exibição pública comercial exibirão obras cinematográficas brasileiras, de longa metragem, por determinado número de dias, que será fixado anualmente por decreto do Poder Executivo.

1° A exibição de obras cinematográficas brasileiras far-se-á proporcionalmente, no semestre, podendo o exibidor antecipar a programação do semestre seguinte.

2° A aferição do cumprimento do disposto neste artigo far-se-á semestralmente por órgão designado pelo Poder Executivo.

3° O não cumprimento da obrigatoriedade de que trata este artigo sujeitará o infrator a uma multa correspondente ao valor de dez por cento da renda média diária de bilheteria, apurada no semestre anterior à infração, multiplicada pelo número de dias em que a obrigação não foi cumprida.

O que é a mesma redação, praticamente, do art. 55 da MP 2.228-1.  Quer dizer, quase.  Na versão da Lei 8.401, o mecanismo da cota de tela deveria vigir por dez anos.  A MP 2.228-1 (lembrem-se, assinada pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso) estendeu esse prazo para…20 anos!

Depreende-se daí o seguinte:

a)  O Presidente Fernando Henrique Cardoso “agrediu os direitos humanos” dos espectadores de cinema tanto ou mais que Lula.

b) Tio Rei MENTIU quando disse que o Decreto visa turbinar o filme “Lula, o Filho do Brasil”.  Inclusive, os dias de cota de tela ali propostos são os mesmos que do Decreto do ano anterior, determinados no Decreto no. 6.711, de 24 de dezembro de 2008:

***

Eu não sou o maior dos fãs da cota de tela e acho que esse instituto deve ser sobretudo temporário, devendo acabar quando a indústria cinematográfica brasileira for capaz de andar pelas próprias pernas.  O que talvez não esteja muito longe, segundo matéria de Gustavo Briggato no Valor de hoje:

Cinema nacional cresce 76% em 2009

O número de pessoas que assistiram a filmes nacionais em 2009 cresceu 76% na comparação com 2008, segundo levantamento da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Foram 16 milhões de expectadores. Conforme adiantou o Valor em 8 de dezembro, foi a segunda melhor marca do cinema nacional em sua fase de retomada – o período inaugurado em 1993 com a edição da Lei do Audiovisual.

Os filmes brasileiros arrecadaram R$ 113,9 milhões no ano. “Se Eu Fosse Você 2″ liderou a bilheteria com 6,1 milhões de ingressos vendidos e R$ 50,5 milhões arrecadados. O filme superou a marca estabelecida em 2005 por “Dois Filhos de Francisco”, que atraiu 5,3 milhões de expectadores.

A cota de tela tem sido importante nesse movimento?  Possivelmente, sim, ao assegurar uma fatia de mercado para filmes nacionais _ sem o qual dificilmente investidores se animariam a botar seu dinheiro na produção de um filme nacional que, por várias características únicas do mercado cinematográfico (como a prática das distribuidoras internacionais, as majors, exigirem a exibição de um portfolio de seus filmes pelos cinemas, criando uma verdadeira barreira à entrada ao produto nacional), é um empreendimento de elevado risco.

Mas parece que a “programação” dos cinemas pelas empresas internacionais não preocupa tanto Tio Rei quanto ganhar as eleições desse ano.

Matéria do Estadão atualiza o número de baixas entre nossos militares no Haiti: 14 mortos.

O jornal ainda nos informa que essa é a maior baixa havida no Exército brasileiro desde a Segunda Guerra Mundial.

É que o Estadão não lê Reinaldo Azevedo.

Se você acha que o mercado de telecomunicações brasileiro é complicado, veja essa matéria da Gizmodo, mostrando que os provedores de internet tentam convencer os otáriosconsumidores de que eles precisam de uma conexão de 10Mbps para…baixar músicas e fotos.

Não mais contente com os resultados das “sequels”, Hollywood inventa uma nova moda: os “reboots”.

Assim, depois transformar “Jornada nas Estrelas” em uma “Malhação nas estrelas”, vem aí “Spidey” _ as aventuras de Peter Parker adolescente no high school:

Easily the biggest news to hit in recent weeks was the word that Sony has scrapped production on Spider-Man 4 and will reboot the character with a new film (and, presumably, an ensuing series) featuring a new cast and creative team. A general 2012 date has been mentioned, but no specific date has yet been set; expect the studio to stake a claim in May, and for any other films in that region to shift accordingly. (…)

We don’t know much about what that script entails, other than it will feature a younger teenage Peter Parker. EW calls the script “gritty, contemporary” and references Batman Begins, seemingly not only in the sense that Christopher Nolan reinvented Batman on film, but in the sense of tone. Which would be a shame. Let’s have anything but a gritty Spider-Man, please. Anyone with a shred of understanding of the character knows that, while the stories can be heavy, ‘gritty’ isn’t what makes Spider-Man universally appealing.”

Que virá depois?  A adolescência dos X-Men?  Ops!

Matéria do Valor fala do crescimento do faturamento nas livrarias brasileiras em 2009, que foi expressivo _ entre 10% e 20% para as várias redes.    Mas isto me chamou a atenção:

Os livros infantis foram o que puxaram as vendas das livrarias no ano passado, segundo pesquisa da ANL. Chama atenção nesse levantamento da entidade, o fraco desempenho das publicações de autoajuda. Em um ranking com oito posições dos segmentos literários que mais cresceram, em número de exemplares em 2009, os livros de autoajuda, que por muitos anos eram as vedetes do setor, amargaram a sexta posição. “Acho que as pessoas cansaram da fórmula. Ao ler o terceiro livro, as pessoas percebem que é sempre a mesma coisa”, disse Benclowicz.”  [grifo meu]

Pode ser uma leitura excessivamente benévola do que está acontecendo, mas acho uma boa coisa quando as pessoas param se preocupar com besteiras e começam a cuidar melhor das futuras gerações.

Jobim e o comandante do Exército seguiram para o Haiti.

A tragédia haitiana pode ter dois efeitos, um a curto prazo, outro a médio prazo.

A curto prazo, o papel das Forças Armadas ganha um lustro, e elas podem usar o noticiário para sair “por cima” da crise causada pela sua reação ao PNDH III.

Mas, a médio prazo, pode sobrevir uma grande crise internacional para o Brasil.  Embora as informações sejam ainda muito enxutas, o fato é que o terremoto foi forte, atingiu uma área já carente de recursos, teve epicentro muito próximo da capital e destruiu instalações e infraestrutura importantes.  A Cruz Vermelha fala em 3 milhões de atingidos; há relatos de que o país não resistirá mais que 4 dias antes da fome se alastrar.

Nestas circunstâncias o país pode facilmente sair de controle e transformar-se em um inferno.  Uma batata quente explodindo nas mãos da missão da ONU, comandada por brasileiros.

***

Em outra chave, matéria do Valor de hoje traz mais informações sobre a pesquisa do IBGE que mostrou que a pobreza recuou no Brasil nos últimos anos, mas a desigualdade de renda caiu muito mais modestamente:

Apesar de ter obtido bons resultados na redução da pobreza nos últimos cinco anos, o Brasil não consegue enfrentar com eficiência a desigualdade de renda. Dados divulgados ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que a desigualdade caiu 0,6% entre 2004 e 2008, enquanto a pobreza extrema decresceu 1,8%, e a pobreza absoluta, 3,1%. São considerados pobres extremos aqueles que recebem até 25% de um salário mínimo por mês, enquanto os pobres absolutos dispõem mensalmente de até 50% de um salário mínimo.

Alguns acreditam, a la Delfim, que é preciso mesmo fazer “crescer o bolo” primeiro para depois dividi-lo.   Outros acham que a falta de um acordo prévio sobre uma melhor divisão do bolo solapa as condições para a sua própria produção.

Por exemplo: acho que não há muita dúvida de que a desigualdade tem maior impacto sobre a criminalidade do que o nível absoluto de pobreza.

É um debate complexo, mas que deveria ser ampliado na discussão eleitoral de 2010.  Infelizmente, pelo que estamos vendo, a probabilidade disso acontecer parece que será bem próxima de zero.

Tio Rei está promovendo uma série com o nome de pessoas que hipoteticamente perderam a vida devido às ações dos grupos armados de esquerda, começando pelos 19 mortos  “antes do AI-5″ (mas, o que talvez importe mais, após o golpe de 64).

Estes nomes são retirados do site do grupo “Terrorismo Nunca Mais”, o famigerado Ternuma.  No site da fofíssima ONG, a página que contém os nomes dessas pessoas é encimada pelo seguinte texto:

Memorial 1964

O clamor das manifestações públicas e sociais do início de 1964 desaguou no Movimento Democrático de 31 de março, marco imorredouro da evolução política nacional, quando as forças democráticas, lideradas pelas Forças Armadas e em defesa da nossa Soberania, impediram que o comunismo internacional tomasse o poder.  Eterna homenagem aos que lutaram em prol da Democracia e da Liberdade.

O site aliás contém outras pérolas, como a seguinte advertência:

O TERNUMA solidariza-se, de maneira irrestrita, com o Cel Carlos Alberto Brilhante Ustra e repudia veementemente a omissão da Instituição a qual pertence.Um alerta às esquerdas: podem estar certas de que jamais conseguirão destruir as Forças Armadas. Não pensem em repetir 64, pois, com certeza, serão novamente derrotados.

HÁ VERDADEIROS PATRIOTAS ATENTOS !!

Ou tratados da pena do “blogueiro cultural” Anatoli Olynik, como por exemplo o imortal ensaio “O Esquerdista, Quem é Ele?”:

“A ambição diabólica do esquerdista é querer mandar no mundo”

O esquerdista é um doente mental que precisa de ajuda e não sabe. Um sujeito miserável que necessita da piedade humana. Mas cuidado com ele. Por ser um ser desprezível, abjeto, infame, torpe, vil, mísero, malvado, perverso e cruel, todos sinônimos é verdade, mas insuficientes para definir seu verdadeiro perfil, ele é perigoso e letal.

É um sociopata camuflado, um psicótico social que imagina ser Deus e centro do mundo. Na sua imaginação acha que é capaz de solucionar todos os problemas da humanidade e do mundo manifestado, mas que na verdade quer solucionar os seus próprios, que projeta nos outros para iludir-se de ser altruísta.

Ou de nosso já conhecido Olavo de Carvalho, capaz de análises políticas tão sagazes quanto esta:

Não vejo no horizonte o menor sinal de que os adeptos do Sr. José Serra tenham aprendido a lição: hipnotizados pela esperança da vitória eleitoral, não vêem que tudo o que estão querendo é colocar na presidência um homem isolado, sem apoio militante, escorado tão somente na força difusa e simbólica da “opinião pública” — um homem que, à menor sombra de deslize, terá contra si o ódio da militância revolucionária explodindo nas ruas e será varrido do cenário político com a mesma facilidade com que o foi o ex-presidente Collor.”

***

E pensar que Tio Rei já foi companheiro de viagem do Mendonção.

“B” de Besouro ou de Barriga?

Deu no Valor:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse prever um debate eleitoral muito acirrado e até com conflitos, mas garantiu estar preparado para o que virá. ” Este ano de eleições será muito quente e com agressões. Os meus adversários são todos muito letrados e vão querer um debate de alto nível e vão estar todos de peito para cima ” , afirmou. ” O que eles não sabem é que eu sou capoeirista e estou muito preparado para não deixar a coisa chegar ao meu peito. “” [grifo meu]

Presidente, não exagera, vai.  :)

Os terremotos provém do Hades

Deus é brasileiro, e seu nome é Ares:

Terremoto de sete graus causa grande destruição no Haiti

Epicentro do terremoto foi em Carrefour, próximo a capital; Brasil tem cerca de 1.300 soldados no país

PORTO PRÍNCIPE – Um terremoto de grandes proporções atingiu o Haiti nesta terça-feira, 12. O tremor de sete graus na escala Richter foi detectado às 19h53 (hora de Brasília). Minutos depois, duas réplicas de 5,9 e 5,5 graus atingiram o país. O Palácio do Governo, o principal hospital e os Hotéis Montana – onde mora o general brasileiro que comanda o braço militar da missão – e o Cristopher, utilizado como sede da Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti (Minustah) estão destruídos.”

Nunca uma catástrofe natural caiu tão no colo de uma “crise militar“.

Nunca mais você vai poder dar aquela desculpinha de que se perdeu por aí.

Cortesia Bad Astronomy (abaixo do folder)

[versão xkcd aqui]

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“you’ll definitely go both blind and celibate if you use this too long”

Do Gizmodo: pior acessório para iPod, evah.

Sergio Guerra, presidente do PSDB, em matéria da Veja intitulada “A Esquerda Somos Nós“:

Caso Serra vença, haverá mudanças substanciais na política econômica?

Sem dúvida nenhuma. Iremos mexer na taxa de juros, no câmbio e nas metas de inflação. Essas variáveis continuarão a reger nossa economia, mas terão pesos diferentes. Nós não estamos de acordo com a taxa de juros que está aí, com o câmbio que está aí. Estamos criando empregos no exterior. Os últimos resultados da balança comercial são negativos. Precisamos estabelecer mecanismos para criar empregos no Brasil. Espero que a sociedade nos compreenda. Será necessário fazer um rigoroso ajuste das contas públicas. Hoje, o governo gasta muito – e mal. Os gastos cresceram além da capacidade fiscal do país.

E como transcorreriam essas mudanças?

Se ganharmos, agiremos rápida e objetivamente. A forma de fazer será discutida no momento adequado. Haverá um Ministério do Planejamento que realmente planeje, e não o desastre que está aí hoje. O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) não se realizou. Não há prioridades programáticas, só números inflados. Apenas os projetos eleitoreiros, os que têm padrinhos políticos, estão andando. As estradas estão esburacadas, os aeroportos estão na iminência de outro apagão, a infraestrutura de transportes, como os portos, foi entregue a políticos e a grupos de pressão. Isso é o PAC na realidade – e nós vamos acabar com ele.

Falando assim, até parece que o PSDB está à esquerda do PT…

Mas nós estamos à esquerda mesmo. Se ganharmos, vamos acelerar os investimentos na educação e na saúde. Manteremos o Bolsa Família, que é um mecanismo eficiente de erradicação da miséria e da fome. O PT não é de esquerda. Já foi; não é mais. O PT se transformou num partido populista. Antes, o PT tinha militância nas grandes cidades. Agora, tem cabos eleitorais nos grotões, pagos com dinheiro público, que escorre por meio de ONGs. Isso é esquerda? Não, é populismo. A verdade é que o PT só gosta de democracia quando lhe convém. Na eleição passada, quando estávamos atrás nas pesquisas, o PT introduziu o crime na campanha, com o dossiê fajuto dos aloprados e aquela pilha de dinheiro que ninguém sabe de onde surgiu. Agora que estamos na frente, imagine o que eles vão fazer. Será uma campanha sangrenta. Eles vão fazer de tudo para impedir uma possível vitória nossa. O que está acontecendo atualmente são apenas ensaios.”

***

Aguardo as repercussões.  :)

Pagas pra ver?

Vai Glamurosa
Cruze os braços no ombrinho
Lança ele prá frente
E desce bem devagarinho…

Dá uma quebradinha
E sobe devagar
Se te bota maluquinha
Um tapinha eu vou te dar
Porque:

Dói, um tapinha não dói
Um tapinha não dói
Um tapinha não dói
Só um tapinha…

Em seu cabelo vou tocar
Sua bôca vou beijar
Tô visando tua bundinha
Maluquinho prá apertar..

Essa é a letra do funk carioca “Um Tapinha Não Dói”, do Furacão 2000.  É que isso foi a única coisa que me veio à mente ao ler este trecho de um post “vermelho e azul” do Tio Rei, comentando o texto do Manifesto do “Comitê Contra a Anistia aos Torturadores”:

O Brasil é o único país da América Latina que ainda não julgou criminalmente os carrascos da ditadura militar e é de rigor que seja realizada a interpretação do referido artigo para que possamos instituir o primado da dignidade humana em nosso país.

Há nessa consideração uma fraude intelectual de base. Comparar as chamadas vítimas da “ditadura militar” brasileira com os horrores cometidos na Argentina ou no Chile é arte da trapaça histórica. A população chilena corresponde a menos de um décimo da brasileira, e se estimam em 3 mil os mortos pelo regime de Pinochet. A ditadura argentina matou 30 mil (!!!) pessoas para um quinto da nossa população. No Brasil, os mortos, dando crédito a tudo o que dizem as esquerdas, somam 427. Não! Não estou achando que é pouca gente. Mas aí se encontram tanto os que morreram de arma na mão quanto os que foram vítimas da brutalidade do estado. De todo modo, resta evidente que se trata de processos diferentes.

Como diferente foi a transição da ditadura para a democracia. Os militares brasileiros foram infinitamente menos brutais do que seus pares latino-americanos e também muito mais políticos.(…)

Ah, entendi.  Porra, meu, lá no Chile e na Argentina a repressão matou muito mais gente do que aqui.  Isso faz com que o IRM _ Índice de Repressão Média(*) _ seja baixíssimo no Brasil.

E a tortura então?  Nosso Índice de Tortura, Violência Gratuita e Estupro Básico Médio (ITVGEBM)(*) é super baixo perto do vigente nos nossos hermanos do Cone Sul.

Inclusive, o nosso IOMPA _ Índice de Ocupação Médio de Pau de Arara(*) _ também é muito menor do que o de lá.

Isso significa que nosso IMBM _ Índice Médio de Brutalidade Militar(*) _ seja, igualmente, um numeruzinho bem mais pequenininho.

Tenho certeza de que se Tio Rei um dia tivesse tido o prazer de frequentar algum dos calabouços do DOI-CODI, e ainda por cima tivesse sido escolhido pelos deuses para ter a sorte de receber o tratamento completo que aquelas instalações permitiam oferecer aos seus convidados, se sentiria hoje extremamente gratificado por saber que todos os choques, cacetadas, curras, socos e pontapés que recebeu na prisão foram, afinal, apenas um “ponto fora da curva”.

(*) estes índices todos estão sendo patenteados pela Fundação Hermenauta de Segurança Nacional.

Quando fiz 15 anos, meu pai me deu uma luneta, daquelas de tripé.  Não era um telescópio, e nem tinha espelho refletor, mas quebrava o maior galho, pelo menos no Rio de Janeiro dos anos 70, que ainda não tinha o grau de poluição atmosférica e luminosa que tem hoje.

Me lembro como se fosse hoje da minha emoção ao focalizar, no aparelho, a silhueta de Júpiter, e avistar nitidamente, além das faixas de gases sibilantes e a Grande Mancha que caracterizam sua atmosfera, as quatro principais luas de Júpiter.

[sim, eu era um nerd que usava a luneta para perscrutar os astros e não as vizinhas]

Pois hoje, no dia 7 de janeiro de 2010, fazemizeram 400 anos que Galileu elevou sua luneta aos céus e viu os referidos astros pela primeira vez na história da Humanidade (embora as duas luas mais brilhantes possam ser vistas a olho nu, se Júpiter for coberto).  O astrônomo pisano-florentino registrou suas descobertas no livro Sidereus Nuncius e no processo esmagou de uma vez por todas vários dogmas da Igreja da época.

Interessante que Galileu tenha dedicado a descoberta à família Medici, seus mecenas, e tenha chamado as quatro luas de “luas mediceanas”.  A despeito dessa fraqueza, que tinha a ver com os cobres, a posteridade legou a Galileu a distinção de batizar as quatro luas pelo nome “galileanas”, em sua homenagem.

Resistindo à tentação de batizar as quatro luas com os nomes dos quatro irmãos Medici (tal como queriam alguns astrônomos da época), a posteridade seguiu o conselho de Simon Marius, competidor de Galileu, que batizou as quatro luas com os nomes de amantes de Júpiter na mitologia clássica (Io, Europa, Calisto e Ganimedes), resolvendo assim que o astro ficaria bem acompanhado pelo resto da Eternidade.

O blog The Gish Bar Times está fazendo uma boa cobertura da descoberta das luas galileanas.

Apesar do câmbio e desligo, este post que saiu no blog do Fernando Rodrigues no UOL me faz voltar para jogar a (possível)  última pá de cal no assunto.  Primeiro o post:

Fora tema militar, FHC e Lula se equiparam nos seus planos de direitos humanos

• Controle da mídia, descriminalização do aborto e união entre homossexuais propostos pelo petista já existiam nas versões anteriores do Programa Nacional de Direitos Humanos

A grande diferença entre a 3a versão do PNDH, editado por Lula em 21.dez.2009, e os dois anteriores baixados por Fernando Henrique Cardoso (em 1996 e em 2002) é a proposta de “promover a apuração e o esclarecimento público das violações de direitos humanos praticadas no contexto da repressão política ocorrida no Brasil” durante a ditadura militar (1964-1985).

Mas a maioria dos outros temas polêmicos sempre estiveram presentes nesses extensos documentos batizados de Programa Nacional de Direitos Humanos.

O blog postou a íntegra dos 3 documentos já editados:

1º PNDH – 1996 (FHC)

2º PNDH – 2002 (FHC)

3º PNDH – 2009 (Lula)

Por exemplo, quando se trata monitorar os órgãos de comunicação a respeito da cobertura do tema direitos humanos, eis o que dizem esses documentos:

PNDH de Lula sobre a mídia:

“Propor a criação de marco legal regulamentando o art. 221 da Constituição, estabelecendo o respeito aos Direitos Humanos nos serviços de radiodifusão (rádio e televisão) concedidos, permitidos ou autorizados, como condição para sua outorga e renovação, prevendo penalidades administrativas como advertência, multa, suspensão da programação e cassação, de acordo com a gravidade das violações praticadas”.

“Elaborar critérios de acompanhamento editorial a fim de criar ranking nacional de veículos de comunicação comprometidos com os princípios de Direitos Humanos, assim como os que cometem violações”.

“Promover diálogo com o Ministério Público para proposição de ações objetivando a suspensão de programação e publicidade atentatórias aos Direitos Humanos”.

Agora, o último PNDH de Fernando Henrique Cardoso, editado em 2002, também falando sobre a mídia:

“Apoiar a instalação, no âmbito do Poder Legislativo, do Conselho de Comunicação Social, com o objetivo de garantir o controle democrático das concessões de rádio e televisão, regulamentar o uso dos meios de comunicação social e coibir práticas contrárias aos direitos humanos”.

“Garantir a possibilidade de fiscalização da programação das emissoras de rádio e televisão, com vistas a assegurar o controle social sobre os meios de comunicação e a penalizar, na forma da lei, as empresas de telecomunicação que veicularem programação ou publicidade atentatória aos direitos humanos”.

“Apoiar formas de democratização da produção de informações, a exemplo das rádios e televisões comunitárias, assegurando a participação dos grupos raciais e/ou vulneráveis que compõem a sociedade brasileira”.

Há alguma mudança de terminologia, mas várias expressões se repetem –como a frase ambígua “programação e publicidade atentatórias aos Direitos Humanos”, usada indistintamente por Lula e por FHC.

Nota-se também que FHC ajudou a popularizar outra expressão vazia e que se presta a abrigar todo tipo de monitoramento sobre a mídia: “Controle social sobre os meios de comunicação”. Quem explicar o que isso quer dizer ganha uma passagem de ida a Caracas para estudar como é o “controle social sobre os meios de comunicação” promovido pelo governo de Hugo Chávez na Venezuela.

A rigor, o objetivo do autor desses textos assinados por FHC e por Lula foi o mesmo: tutelar em certa medida como os meios de comunicação tratam o tema direitos humanos. Para o bem e para o mal, as propostas desses documentos de governo no Brasil muitas vezes nunca saem do papel.

Nota-se que o texto de Lula fala em “critérios de acompanhamento editorial” para fazer um “ranking” dos veículos de comunicação de acordo com o grau de comprometimento de cada um com os direitos humanos.

Já o texto de FHC diz ser necessário “garantir a possibilidade de fiscalização da programação das emissoras de rádio e televisão” para punir as que “veicularem programação ou publicidade atentatória aos direitos humanos”.

Ou seja, não há muita diferença entre FHC e Lula

Quando se trata do casamento entre homossexuais (assunto sempre criticado pela Igreja Católica), eis o que dizem os 2 textos:

PNDH de Lula: “Apoiar projeto de lei que disponha sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo”.

PNDH de FHC: “Apoiar a regulamentação da parceria civil registrada entre pessoas do mesmo sexo e a regulamentação da lei de redesignação de sexo e mudança de registro civil para transexuais”.

E o aborto, outro tema polêmico? Aí está o que dizem Lula e FHC:

PNDH de Lula: “Apoiar a aprovação do projeto de lei que descriminaliza o aborto, considerando a autonomia das mulheres para decidir sobre seus corpos.”

PNDH de FHC: “Considerar o aborto como tema de saúde pública, com a garantia do acesso aos serviços de saúde para os casos previstos em lei. Desenvolver programas educativos sobre planejamento familiar, promovendo o acesso aos métodos anticoncepcionais no âmbito do SUS”.

Por fim, outro tema comportamental polêmico no Brasil: a ostentação de símbolos religiosos em prédios públicos: Lula fala explicitamente sobre o assunto. FHC tangencia o debate, mas fala quase a mesma coisa com outras palavras:

PNDH de Lula: “Instituir mecanismos que assegurem o livre exercício das diversas práticas religiosas, assegurando a proteção do seu espaço físico e coibindo manifestações de intolerância religiosa. Promover campanhas de divulgação sobre a diversidade religiosa para disseminar cultura da paz e de respeito às diferentes crenças. Desenvolver mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União.”

PNDH de FHC: “Prevenir e combater a intolerância religiosa, inclusive no que diz respeito a religiões minoritárias e a cultos afro-brasileiros. Proibir a veiculação de propaganda e mensagens racistas e/ou xenofóbicas que difamem as religiões e incitem ao ódio contra valores espirituais e/ou culturais. Incentivar o diálogo entre movimentos religiosos sob o prisma da construção de uma sociedade pluralista, com base no reconhecimento e no respeito às diferenças de crença e culto”.

Como se observa, temas polêmicos sempre estiveram presentes no Programa Nacional de Direitos Humanos.

A grande diferença entre os PNDHs de Lula e de FHC está no que diz respeito ao conhecimento do passado recente do país, por meio de apuração de fatos ainda obscuros da última ditadura militar (1964-1985). Esse é o ponto que Lula deve rever ou atenuar nos próximos dias ou semanas. Assim, por mais que petistas e tucanos reclamem, Lula e FHC ficarão ainda mais parecidos.”

***

Vai ser curioso ver agora os anaeróbicos falando o seguinte:

_ ah, mas o controle social dos meios de comunicação dos tucanos era mais social e menos controlador;

_ ah, mas o lula quer fazer registro civil de transexuais, o que tem enorme potencial desestabilizador e levará à ditadura do proletariado;

[de fato, como já cansamos de testemunhar, o legendário desembaraço social anaeróbico pode facilmente levar um desses rapazes a considerar um transexual "comível" desde que se apresente como, sei lá, Hillary, Kátia, Sarah ou até mesmo Marina, o que pode levá-los a querer pegar em armas se defrontados com uma situação como essa.]

_ Ah, o Lula quer deixar a mulher decidir sobre seu corpo, olha só que absurdo, isto pode facilmente levar à ditadura do proletariado.

_ ah, mas o Lula quer retirar o crucifixo dos tribunais, o que que é isso minha gente?  Isso é CLARAMENTE uma porta aberta para a revolução comunista e a ditadura do proletariado.

_ ah, todo mundo sabe que FHC foi um comunista ateu e seu governo a porta aberta para a ditadura do proletariado.

***

Esse post do Fernando Rodrigues me fez pensar que Lula talvez involuntariamente fez uma Defesa Fischer sobre a oposição _ aquela que Bobby Fischer descreveu como “a high-class waiting move“…

***

Quanto à questão da Comissão da Verdade: eu não sou um estudioso dessas coisas.  Muita gente boa por aí anda dizendo que esse tipo de coisa foi comum em países que tiveram interregnos autoritários.  Eu preferiria ver  qualquer movimento neste sentido obedecendo os limites impostos pela Lei da Anistia.  Acho que em matéria de ajuste de contas com os tempos da ditadura na seara militar há coisa muito mais importante a ser feita, como por exemplo criar um Ministério da Defesa digno desse nome, sob controle civil, e purgar os últimos resquícios de ideologia castrense dos golpistas nos cursos das academias militares, a começar pela ESG.

O io9 mostra como Avatar foi inspirado em capas de discos do Yes

Ainda quanto à polêmica do Decreto sobre Direitos Humanos:

Não entendo essa grita no último ano de governo, onde, certamente, nada do disposto pelo Decreto terá tempo de se transformar em legislação (nem mesmo a maioria das propostas hoje já no Congresso vai ter tempo pra isso).

Um Decreto, aliás, é coisa que depende apenas da vontade e da pena do Presidente da República.  Se o próximo governante não gostar de nada disso, basta que ele em janeiro mude o Decreto, ou simplesmente o revogue.

Algo que está totalmente dentro das possibilidades, em menos de um ano.  Basta que a oposição mostre competência para vencer a eleição em outubro.

A menos que a grita de agora já seja, é claro, parte da estratégia para tentar vencer em outubro.  O que ela é, eu creio.

É, Tio Rei vai de mal a pior.

Agora deu de escrever textos contra “a morte da democracia“.  Lá vai o doidinho:

Nenhum país dorme democracia e acorda ditadura; em nenhum lugar do mundo, o sol se põe na plena vigência do estado democrático e de direito e se levanta para iluminar um regime autoritário. A construção da miséria institucional e legal é sempre lenta e demanda um esforço continuado e dedicado tanto dos candidatos a ditador como dos culpados úteis que lhes prestam serviços – são “culpados úteis”, sim; não há inocentes entre protagonistas e omissos.”

Cáspite.  Tio Rei regula comigo em idade, pelo que sei.   Então pergunto, onde é que ele estava no Primeiro de Abril de 1964?  Em alguma piada de mal gosto?  Não, ele estava em um país que um dia era uma democracia, e acordou uma ditadura.  Desde que o mundo é mundo, aliás, sabe-se muito bem o caminho do golpe nas instituições, e ele não tem nada a ver com essa viadagem de solapar a democracia devagarinho:  o profissional do ramo sabe que o negócio é mesmo incendiar a imaginação dos quartéis.  Quem se dedica, no momento, a esta atividade, ao que eu sabia, é Tio Rei, entre outros.

Em seguida, Tio Rei, inadvertidamente, nos oferece uma oportunidade para vasculhar o que diabo se pode encontrar entre as recônditas sombras de uma mente anaeróbica:

Imersos numa enorme confusão filosófica e jurídica, ignoram [os jornalistas, nota Hermê] que mesmo os melhores princípios obedecem a códigos estabelecidos – estabelecidos, é bom lembrar, num regime plenamente democrático. Moral e intelectualmente, comportam-se como crianças tolas e assustadas, que fazem pipi nas calças diante do temor de que a crítica ao tal decreto venha a ser confundida com “defesa da tortura”. O fenômeno, admito, não é só brasileiro. Vive-se a era da patrulha das minorias organizadas, que tolhem o pensamento com a força de um tribunal inquisitorial. Richard Lindzen, por exemplo, professor de meteorologia do Massachusetts Institute of Technology (nada menos do que o lendário MIT), faz picadinho de algumas teses do aquecimento global e explica o silêncio de colegas que comungam de suas teses: medo – e, claro!, risco de perder verbas para pesquisa.

É no mínimo interessante constatar como, de repente, Tio Rei salta da questão da tortura para o tema, hum, bem pouco relacionado do aquecimento global.  É que o sonho da direita, hoje, é roubar para si uma figura cultivada pela esquerda até bem pouco tempo: o rebelde, o Quixote.  Isso não é novo, o John Galt de Ayr Rand bebia no mesmo regato.  Façamos justiça lembrando que o mote do “toda unanimidade é burra” também fez sucesso nos arraias de esquerda há não muito tempo atrás.  O problema é que isso não basta: para cada Richard Lindzen (“do MIT, hein!”), há dezenas ou centenas de cientistas tão bem ou melhor qualificados que esposam a opinião contrária.  E se alguém andou oferecendo facilidades financeiras em troca de resultados risonhos quanto ao aquecimento global, bom, desculpe, mas foi da banda de lá.

Depois, Tio Rei repisa o argumento salafrário, ao falar sobre o Decreto propriamente:

Ocorre que, entre outras barbaridades, o mesmo texto que contempla aquela aberração [a Comissão da Verdade, nota Hermê] também extingue, na prática, o direito de propriedade e institui a censura sob o pretexto de defender os direitos humanos.”

Sobre isso duas coisas:

1) Qualquer constitucionalista dirá ao Tio Rei que a nossa Constituição contém uma série de princípios que muitas vezes se opõem.  Como por exemplo mostra a questão da função social da propriedade.  Isso é normal, e é função do Judiciário resolver caso a caso qual princípio sobrepuja o outro.  Tio Rei pode não gostar, mas é assim que está na Constutuição, ué.

2) Por outro lado, quem já leu, no duro, o Decreto no. 7037 poderá verificar, in loco, que ele é das peças mais anêmicas que já se viu por aí: 7 artigos, dos quais os 3 últimos versam sobre disposições das mais gerais e cujo coração, o artigo 2, dá diretrizes programáticas que serão um dia objeto de consideração de comitês sem prazos definidos que… enfim, é uma receita para o enxugamento de gelo.  Alguém vir à público dizer que aquela peça inerme “extingue, na prática, o direito de propriedade”, se não é mal intencionado, é burro a não mais poder.

[o que não é novidade, dadas as repetidas vezes em que ele trotou sobre a mentira de que a fusão da Brasil Telecom e da Oi dependeu uma modificação na Lei, quando dependeu apenas de um Decreto modificando o PGO, algo aliás previsto na Lei Geral de Telecomunicações]

E Tio Rei é mal intencionado, claro, como admite logo a seguir:

Petralhas e até alguns inocentes acusaram: “Você está exagerando na interpretação do decreto”. Não estou. O governo é que exagera na empulhação. E volto, então, ao início dessa conversa. Não se mata a democracia do dia para a noite. Seu último suspiro é apenas o ponto extremo de uma longa trajetória. Se é um regime de liberdade o que queremos, pautado pelos códigos legais que nos fazem também um estado de direito, então o decreto de Lula há de ser alvo do nosso repúdio. E ele tem de ser expresso agora, não depois, antes que se multiplique em projetos de lei num Congresso que já não morre de amores pela imprensa.

Repentinamente, a “extinção na prática do direito de propriedade” se transformou na morte da democracia, a prazo.

Por fim, Tio Rei faz seu habitual discurso laudatório à Joana D´arc do movimento dos com terra, a senadora Kátia Abreu _ sim, aquela mesma dos empréstimos estatais seletivos, aquela mesma que não tem pudor em transformar seu mandato em um escritório de lobby pago pelo contribuinte, sim, aquela mesma que defende o trabalho escravo _ que, indignada, diz que o governo está defendendo grupos criminosos.  Algo de que ela, sem dúvida, entende.

***

Agora, minha interpretação sobre o Decreto: é uma típica peça de fim de mandato, do calibre, assim, de uma Confecom.  Uma peça sem dentes, sem objetivos, apenas para prestar contas a grupos políticos fortes dentro da coalizão de forças que suporta sua presidência.  Podem fazer besteira com ele no Congresso?  Até podem.  Mas essa já é uma outra história, e aliás, besteiras no Congresso podem ser feitas a qualquer momento, independente da ajuda do Executivo.

O American Museum of Natural History patrocinou esse remake de um clássico científico.

Também serve como antídoto contra overdoses de autoconfiança.  :)

Eu vim aqui para comentar a inocente notícia de que a Daslu está para ser vendida a um fundo de participações, mas…

Mas de repente eu vi essa manchete estrondosa no Tio Rei:

O SUPOSTO DECRETO DOS DIREITOS HUMANOS PREGA UM GOLPE NA JUSTIÇA E EXTINGUE A PROPRIEDADE PRIVADA NO CAMPO E NAS CIDADES. ESTÁ NO TEXTO. BASTA LER!!!

Não satisfeito, prossegue, em um festival de caixas altas, vermelhos e azuis:

Como se nota, na prática, foram tornados sem efeito tanto o caput como o inciso XXII do Artigo 5º da Constituição, que asseguram o direito de propriedade.”

Vamos lá, pessoal da Veja: manda o Reinaldão fazer um cursinho básico de Direito Constitucional, vai.

Matéria do Valor de dezembro de 2009, após a compra da Casas Bahia pelo Pão de Açúcar,  ajuda a entender a situação do Casino:

O Casino ocupa apenas o quinto lugar entre as redes da França, atrás do Carrefour, Auchan, Leclerc e Intermarché, e a 28ª posição entre as maiores redes do mundo. Na Europa, a rede é a 10ª maior cadeia.

As vendas líquidas do Casino totalizaram € 28,7 bilhões em 2008 e a sua divisão internacional respondeu por 35% da receita líquida no ano passado. O Carrefour, a maior cadeia da Europa, fechou 2008 com vendas líquidas consolidadas de € 87 bilhões e havia conquistado o título de maior varejista no Brasil em 2007, com a aquisição da rede popular de atacado Atacadão, mas perdeu esse posto agora para o seu concorrente francês.”

Com seus mercados já saturados pela concorrência, enfraquecidos pela crise e com dificuldades estruturais de crescimento (devido à dinâmica demográfica européia), as grandes varejistas dos países centrais vêem os mercados dos países emergentes como a grande opção de crescimento de receitas e lucros. Assim, eu duvido que o Casino não exerça sua opção de arrematar o restante do Pão de Açúcar em 2012.

Outra matéria explica o acordo entre a família Diniz e o grupo francês:

Família Diniz vai dividir controle do Pão de Açúcar com o Casino

Negócio que amplia participação do grupo francês na CDB para 50% envolve R$ 1,5 bilhão

Pelo acordo divulgado na última quarta-feira pela Companhia Brasileira de Distribuição (CBD) com o grupo francês Casino, o empresário Abílio Diniz receberá US$ 400 milhões ou mais de R$ 1 bilhão do grupo francês para compartilhar o controle do grupo brasileiro. O valor, segundo a empresa, será investido imediatamente no Grupo Pão de Açúcar. Outros US$ 300 milhões são referentes ao recebimento de 12,5 bilhões de ações preferenciais da CDB, que eram do Casino, e mais US$ 200 milhões em títulos conversíveis em ações do Casino. Os recursos devem chegar ao país em no máximo 30 dias. De acordo com os entendimentos, os dois grupos terão, cada um, 50% do controle de uma empresa holding, que por sua vez será a controladora direta da CBD. O acordo de acionistas prevê ainda que após oito anos da assinatura, o grupo Casino terá a opção de assumir o controle acionário da empresa. Caso o Casino eleja essa opção, o acordo de acionistas determina que o comando da gestão permanecerá com Abílio Diniz.

Isso foi fruto de uma guerra familiar travada no seio da família Diniz nos anos 80, razoavelmente bem contada nesta laudatória matéria da Veja.  Após a briga com seus irmãos pelo controle da empresa, Abílio emergiu como o senhor inconteste do negócio, mas teve que realizar um doloroso downsizing da empresa para viabilizar sua sobrevivência.  No processo, terminou associando-se ao grupo Casino, que colocou muito dinheiro no negócio, em 1999.

Provavelmente, a briga entre Abílio e seus irmãos, além das sequelas familiares, deixou lições.  Prova-o o fato de que a maioria dos 4 filhos de Abílio não têm lá grande participação na empresa, preferindo tocar seus próprios negócios.  Talvez já antevendo a chegada dos franceses em 2012.

A matéria inicial na íntegra, para os sem-Valor, abaixo do folder. Leia o resto deste post »

Sugestão: reveja este filme toda vez que você estiver com uma overdose de autoconfiança…

To bias or not Tobias

Paulo do FYI faz um post sobre um livro do qual ele gostou muito.  Como não poderia deixar de ser, sua crítica é ponderada, razoável e totalmente imparcial:

This book is also not sophisticated in the technical sense. People who are acquainted with economics will probably know most of the principles taught here. Yes, I did say taught, which brings me to the final ‘warning’ about the book: it is not unbiased. It is a totally pro-market, pro-capitalism, and most of all, pro-American book.” [grifo meu]

Ah, bom!

O ensino do jogo de pau entre cavalheiros

Outro dia entrei em um certo site e vi, além das usuais referências oblíquas ao modo de vida daqueles que praticam o amora luta que não ousa dizer o seu nome (“gente se batendo de bengala“, sei), a menção a um certo blogueiro que gosta de usar a expressão “meus 3,5 leitores”.

Aí fiquei curioso e fui ver no Google quantas pessoas usam a tal expressão.

Incrível.  Parece que quem quer que tenha criado o bordão fez escola…    :)

(clique para ampliar)

A foto acima só pode ter sido tirada por um satélite que custa milhões de dólares, certo?

Errado.

***

Mais aqui.

Um argumento absolutamente irritante no Brasil, hoje em dia, quando se trata de fusões e aquisições, é o do “campeão nacional”.

Não que o argumento em si seja tão idiota _ ele é ao menos discutível.  O problema é o uso falsificado que se faz dele.

Matéria do Valor de hoje fala sobre os problemas da aquisição das Casas Bahia pelo Pão de Açúcar.  Lá pelas tantas apresenta-se a seguinte declaração:

O presidente da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro, afirmou que a entidade vê com bons olhos a aquisição da Casas Bahia e do Ponto Frio pelo Grupo Pão de Açúcar. “A fusão entre empresas nacionais é a saída para enfrentar os concorrentes estrangeiros“, afirma Pellizzaro. “O Walmart (multinacional americana) anunciou que vai abrir mais de 100 lojas no Brasil em 2010“, argumenta o empresário. Segundo ele, diferentemente das indústrias, que trazem tecnologia para Brasil, as varejistas estrangeiras “apenas remetem recursos e deixam muito pouco no Brasil. [grifos meus]

Será que Roque Pelizzaro é tão idiota?  Se ele se dignasse a fazer uma pequena busca na internet, encontraria a seguinte matéria:

“Casino amplia fatia no Pão de Açúcar para 35%”

Para quem não sabe, o Casino é uma rede de varejo francesa, grande concorrente do Carrefour na Europa.  Lendo a matéria, descobre-se o seguinte:

O controle acionário do Pão de Açúcar rende bastante polêmica no mercado. Enquanto, de um lado, alguns especialistas, apoiados pelas regras da Comissão de Valores Monetários (CVM), afirmam que o controle do grupo já está em mãos francesas, por outro, a empresa brasileira garante que Abílio Diniz tem o controle da companhia, fundada por seu pai. A situação foi, inclusive, reforçada pelo parecer do tribunal arbitral, em maio deste ano, que decidiu a favor da rede de Abílio Diniz em um embate jurídico com os donos do grupo Sendas, pois entendeu que o Casino, que desde 2005 detém ações na Companhia Brasileira de Distribuição, não possui o controle de fato da empresa. A decisão economizou cerca de R$ 700 milhões do Pão de Açúcar, que estava sendo cobrado pelos donos do Sendas, que argumentavam que o controle foi transferido ao grupo francês e, diante disso, de acordo com o contrato entre as duas empresas, o Pão de Açúcar seria obrigado a comprar as ações do Sendas na Sendas Distribuidora.”

De toda forma, a própria matéria diz o seguinte:

Dias contados

Essa situação, portanto, tem os dias contados, pois no acordo entre Casino e a família Diniz ficou acertado que, em 2012, o Casino poderá obter o controle do Pão de Açúcar adquirindo uma ação da empresa por apenas R$ 1,00. Enquanto isso, o grupo francês avança aos poucos, com cada vez mais ações da companhia. A empresa não revelou a atual composição acionária, mas divulgou que, agora, o Casino possui 67,1% das suas ações com direito a voto.

Quem quiser que acredite que o fato do Pão de Açúcar se transformar em uma empresa francesa o fará muito diferente do Wal-Mart que é uma empresa americana…

As meninas do Corporativismo Feminino têm algumas palavras a dizer sobre Educação Sexual, german style.

Ele está vivo: Morfogênese.

(clique para ampliaaaaaaaaar)

O Daily Mail proclama: é chegada a hora das modelos cheinhas!

Sempre achei que algo assim seria natural em um mundo onde afinal a obesidade assume proporções epidêmicas.

(clique para ampliar)

Inauguraram esta semana o prédio mais alto do mundo: o Burj Dubai (ou Torre Dubai em português, recentemente renomeado Torre Khalifa).

Trata-se de um filho tardio da bolha imobiliária.   Significativamente, está situado no mesmo país que agora há pouco ensaiou dar um tiro na recuperação da economia mundial.

Procurando pelo bicho, deparei-me com um modelo que mostra a total dimensão do complexo imobiliário que se pretende construir no arenoso país.

O Emir que comanda o local pretende completar a transformação de Dubai em um grande centro financeiro e turístico, movimento que pôs em curso há alguns anos já antevendo o fim da riqueza petrolífera do país (de fato, diz a Wikipedia que o petróleo já é responsável por apenas 6% das receitas de Dubai _ o que já pode ser um sintoma).

Claro que isso foi uma boa idéia, mas também me parece a receita para uma bolha, principalmente dado o prazo relativamente exíguo para a consecução dessa transformação.

E a gafe do Boris Casoy??

Errei mesmo, falei bobagem”, diz Boris Casoy após gafe

DIÓGENES MUNIZ

O âncora da Band Boris Casoy lamentou nesta sexta-feira (1º) as ofensas proferidas a garis que apareciam na edição de Réveillon de seu telejornal noturno. A gafe foi cometida após o “Jornal da Band” mostrar imagens de lixeiros desejando felicidades aos telespectadores da emissora.

Sem saber que o áudio estava sendo transmitido, Casoy comentou: “Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho”.

O vídeo caiu na internet algumas horas depois e foi repudiado por internautas.

“Foi um erro. Vazou, era intervalo e supostamente os microfones estavam desligados”, disse, em conversa com aFolha Online por telefone. “Errei mesmo. Falei uma bobagem, falei uma frase infeliz. E vou pedir desculpas.”

Casoy é conhecido pelo bordão “Isso é uma vergonha”.

Já foi âncora no SBT durante nove anos (“TJ Brasil”), na Record, de 1997 a 2005 (“Jornal da Record” e “Passando a Limpo”) e na TVJB (ex-rede CNT).

Atualizado às 19h50: Casoy reiterou no telejornal desta sexta que a frase foi “infeliz” e pediu “profundas desculpas aos garis e aos telespectadores“.

***

Como diz a minha sogra, “depois que inventaram as desculpas, ninguém mais apanha“.

***

A Wikipedia tem uma notícia biográfica de Casoy:

Último dos cinco filhos de imigrantes judeus russos que chegaram ao Brasil em 1928, Boris adquiriu poliomielite ao completar um ano de vida, junto com sua irmã gêmea. Na época não existia vacina. A doença deixou seqüelas físicas, mas a marca maior foi a psicológica, gerada pela discriminação na infância. Até os nove anos, Casoy praticamente não podia andar. Com essa idade, ele foi operado nos EUA e recuperou os movimentos. “Como não podia andar, era um grande ouvinte de rádio, admirava aquele milagre da transmissão da voz”, contou em entrevista ao site Amputados Vencedores.”

Bacana, a história dele.  Uma história de luta contra a discriminação.  Quem diria.

O interessante é que as profissões de gari e jornalista (ao menos o de pendores investigativos) comungam de um mesmo ideal: limpar a sujeira alheia.

Mas me parece que a despeito da opinião do Casoy nessa seara o gari mediano costuma fazer um trabalho melhor do que o de boa parte da imprensa.

Vi hoje de manhã, no Bom Dia Brasil, a tocante cena do governador Sergio Cabral pedindo uma graninha ao governo federal por conta dos deslizamentos no Rio.

Pois é.  Deu no Estadão:

Embora o governador do Rio, Sérgio Cabral, tenha defendido a “radicalização” contra a ocupação desordenada das encostas de Angra dos Reis, moradores e ambientalistas de Ilha Grande recolhem, há quatro meses, assinaturas contra um decreto de Cabral que abriu uma brecha para novos imóveis na região. O Decreto nº 41.921/09, publicado em junho de 2009, autoriza a construção em áreas não edificáveis da Área de Proteção Ambiental (APA) de Tamoios, que inclui uma faixa de mais 80 quilômetros do litoral de Angra, a face da Ilha Grande voltada para o continente e as mais de 90 ilhas da baía. A Pousada Sankay e outras sete casas soterradas, na tragédia que matou 29 pessoas, ficam na região.

Segundo o decreto – que, para ambientalistas, atende à especulação imobiliária -, residências e empreendimentos turísticos poderão ser construídos em áreas da chamada zona de conservação de vida silvestre que já tenham sido degradadas, limitando-se a 10% do terreno. Até então, só era licenciada a expansão de imóveis construídos antes de 1994, quando a APA foi regulamentada. Donos de terrenos vazios não podiam construir. O decreto foi publicado sem debate com líderes locais ou órgãos consultivos. Com as críticas, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) comprometeu-se em não conceder licenças com base no decreto, mas ambientalistas querem a sua revogação.”

Tsk, tsk.

Lá no Todos Apostos, o Igor Barbosa escreveu um post intitulado “Pub Relations“.  Lembram?

Ele lembra:

Reparem a total ausência de microfones na mesa. Repare a abundância de camisas brancas. Repare os copos vazios. Mestre, nós aprendemos a lição. Tanto que, no auge da emoção e da falta de batatas fritas no Bar Brasil, a porção que não suporta comida alemã do portal e sua respectiva esposa conclamou os presentes a uma caminhada pela paz até o Bar Brazooka.”

Embora estejam faltando alguns elementos importantes no post para que possamos melhor formar nossa convicção sobre o acontecimento _ tal como uma trilha sonora _ devo reconhecer que a coisa melhorou.  Posso certamente elevar a nota de blogueiros de direita que vão biritar no Bar Brasil ao invés de pretender que a livraria Leonardo da Vinci é uma filial do Bar Veloso, para o provável desfalecimento de Dona Vanna, coitada.

E vejam também que, livres da influência nefasta de Pedro Sette Câmara, os Apostos _ e isto inclui até o Alexandre Soares Silva,  meio acuado em um canto da mesa,  provavelmente contando piadas sujas da Opus Dei envolvendo padres libidinosos,  freiras assanhadas e jornalistas lúbricos _ parecem ter-se divertido a valer.

Enfim, dou nota 9.  Só não dou 10 porque é claro que reunião de intelectual no Centro tem que ser no Bar Luiz, pô.    :)

“There hasn’t been this much hype about a tablet since Moses came down from the mountain.”

_ David Carr comentando o advento do iSlate no NYT.

Há uns dias me mandaram isso aqui, mas só hoje eu parei pra ver.

A meu juízo, o vídeo atinge alto teor de comicidade mesmo antes do final enxertado pelo pessoal do Kibe Loco.

Pobre menina.

Na verdade, fico pensando no que aconteceria se esse vídeo for descoberto por arqueólogos daqui a dois mil anos e por coincidência fosse o único fragmento legado pela nossa civilização.

Tipo assim, a Estela de Narmer dos oughties.

Há mesmo gosto para tudo neste mundo.

Uma das áreas que considero não terem sido bem tratadas durante o governo Lula é a Educação.

No Correio Braziliense de hoje há uma entrevista com a Secretária Adjunta de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Maria do Socorro Mendes Gomes.  Lá pelas tantas, lê-se isto:

CB – Os professores e os servidores do INSS já integram o clube das carreiras típicas de Estado?

Os servidores, de um modo geral, que trabalham com a política pública, são agentes fundamentais de garantia de cidadania. E a cidadania não é só na perspectiva do social-assistencial, mas na perspectiva das políticas que mudam a remuneração das classes menos favorecidas.

Li da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, de cima pra baixo e de baixo pra cima, e concluí que a frase é um belo exemplo da arte de não dizer nada.

Avatar já bombou mais de um bi de dólares.

E a imprensa especializada já diz que dificilmente a Fox se negará a produzir uma continuação.  Aliás,  Cameron pensa em um arco de 3 filmes.

Um fato curioso é que filmes 3D vêm se dando bem nas telonas, mas mal na venda de DVD´s.   Porque, naturalmente, as pessoas que viram o filme em 3D não acham a mesma graça em rever o filme em casa em 2D.  O problema é que isso desequilibra a equação financeira dos filmes, a ponto de executivos não terem muita certeza se vale a pena produzir mesmo em 3D dado que a renda total de um filme ainda é muito dependente da janela em DVD _ e é provável que o mesmo valha para as janelas ancilares da TV por assinatura e aberta.

De onde se depreende que a pressão por monitores de vídeo em 3D será intensa nos próximos anos.  Aos céticos, afirmo que já vi uma tela da Philips há dois anos, reproduzindo imagens em 3D sem necessidade de óculos especiais.  Elas virão, com certeza, portanto, se você já comprou sua TV de 40 ou 42 polegadas, não vale a pena partir para a de 50.

***

Quanto às idéias para uma continuação de “Avatar”, muito se fala em explorar, talvez, o que os humanos andam fazendo nas outras luas de Polyphemus.  Eu diria que a idéia é idiota.  A Venture Star veio direto da Terra para Pandora, o que sugere que a colonização da lua é feita diretamente da Terra e não a partir de outros postos avançados no sistema de Alpha Centauri.  Se Cameron deseja manter a coerência da história, não vai dar pra explorar este veio.

***

A expectativa é grande com o lançamento do iSlate ou como quer que venha a se chamar o tablet PC da Apple.  O mercado torce para que a empresa tenha produzido o e-reader que incendeiará o bolso dos consumidores.

Hoje atinei que um e-reader decente possibilitará que os editores de livros técnicos possam vir a vender livros como uma “assinatura”, dando direito às reedições, que poderão ser baixadas wirelessly para o aparelho.

Há certas coisas sobre as quais você nunca pensa a respeito _ até encontrar com elas.

Deu no Correio Braziliense:

Torcida flamenguista aumentou após título, diz pesquisa

GazetaEsportiva.Net

Publicação: 03/01/2010 18:42

Passar 17 anos sem conquistar um Campeonato Brasileiro não fez o Flamengo perder o posto de dono da maior torcida do país. Ganhar o pentacampeonato em 2009, no entanto, já causou um aumento da massa rubro-negra. De acordo com pesquisa feita pelo Datafolha, o clube carioca tem 2% mais de torcedores do que em relação à última medição feita.

A pesquisa foi promovida dias depois da confirmação do título brasileiro do Flamengo. Segundo os dados colhidos, 19% dos brasileiros com mais de 16 anos são flamenguistas. De acordo com o último levantamento, feito em novembro de 2008, tal índice era menor: 17%. O trabalho do técnico Andrade e do elenco fez aumentar o número de seguidores.

O Flamengo continua dono da maior torcida do Brasil por conta de seu alto índice de popularidade em todo o país. Na regiões Norte e Centro-oeste, por exemplo, tem cerca de 30% do número total de torcedores. No Nordeste, o número é um pouco menor, mais ainda assim significativo: 25% da torcida. Entre os jovens, o predomínio é alto: 23% das pessoas entre 16 e 24 anos são flamenguistas.

O Corinthians segue como segundo time de torcida mais populosa, com 13%. Como a margem de erro da pesquisa é de 2% para mais ou menos, os rubro-negros têm maioria garantida, segundo os dados colhidos. A terceira colocação fica com o São Paulo, com 8%, seguido pelo Palmeiras, com 7%. O Vasco é o quinto, com 5%. No restante dos cariocas, o Botafogo é o 11° (2%) e o Fluminense, 12° (1%).” [grifo meu]

***

Por mais que eu queira ufanar-me com o crescimento da torcida do Mengão, não dá pra deixar de observar que a mesma matéria que diz que a margem de erro da pesquisa Datafolha é de 2% me diz que a torcida do Flamengo cresceu 2%.

Tomara que até a Copa alguém resolva ensinar estatística às redações dos jornais (ou pelo menos ao pessoal da Gazeta Esportiva (fonte da matéria), que deve ter andado gazeteando a escola, isto sim).

Na série “melhores da década”: filmeslivrosálbuns (hã?) e gadgets.

O Iêmen _ o próximo buraco onde o complexo industrial militar norte-americano planeja passar férias _ é um pesadelo.  Prevendo um grande mercado para ex-soldados incapacitados, a Microsoft toma providências.

Entrevista com a psicóloga da Polícia Federal que deu um parecer contrário à decisão do STF sobre o uso de algemas.

As tendências da primeira década do século XXI.

Lições após 30 anos da invasão soviética ao Afeganistão.

Destruição criativa em ação.

Conflitos entre ciência e religião são no fundo conflitos políticos?

Rumo ao Unobtainium: Ununquadium.

E quem afinal escreveu os Manuscritos do Mar Morto?

Os eufemismos da nova década: o Globo se refere à pouca roupa de uma famosa por ser famosa na noite de Reveillon dessa forma: “Nicole usou vestido que valorizou suas formas“.  No meu tempo isso tinha outro nome!

(clique para ampliar)

Deu no Correio Braziliense de ontem:

Brasília já levou 17 vezes a Mega-Sena e é considerada a capital mais sortuda do país

Para milhares de brasilienses, 2010 pode trazer uma mudança radical de vida. Ninguém quer perder a chance de ganhar o prêmio de R$ 140 milhões previsto para a última rodada de 2009 da Mega-sena. Do outro lado do balcão, quem fatura são as lotéricas

(…)

Com fama de sortudos, os moradores do Distrito Federal saem na frente na disputa por uma lasca do milhão. Segundo dados da Caixa e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os brasilienses são os que mais gastam e ganham com a Mega-sena em todo o país. Em 2008, somaram-se 42 milhões apostados em jogos, o que significa R$ 30,50 por pessoa durante o ano.

O brasiliense também é apontado como ganhador dos maiores prêmios da Mega. Desde 1998, os 17 bilhetes contemplados pelos brasilienses arrecadaram a quantia de R$ 178.951.423,04. Isso significa um prêmio máximo por cada grupo de 144.464 habitantes, a mais animadora estatística entre os estados brasileiros.

***

Não deu outra, um dos ganhadores é de Brasília.

Infelizmente não sou eu, razão pela qual vocês vão ter que continuar me aturando.

(porque evidentemente, seu eu tivesse ganho, ficaria permanentemente em férias pelo resto dos meus dias, sem tempo de blogar)

Chegou, e não doeu (ainda).

Mas venho aqui apenas para dizer que nesse modorrento início de ano já recebi algumas visitas.  Algumas me chegaram pelo Google procurando por coisas totalmente normais em um primeiro de janeiro, como “marylin monroe playboy” e “sexo anal”.

Mas já teve duas pessoas que chegaram a este blog procurando por “Rodrigo Constantino”.

Cruz credo!

(clique para ampliar)

Sujeitinho porreta, apesar do bigode

Tenho alguns livros de coletâneas de contos, gênero do qual gosto muito.  Leio-os às vezes vários de uma vez só, às vezes um ou outro, homeopaticamente.

Hoje, li um pequeno conto (“O Amigo dos Espelhos”) constante do volume “Contos de Horror do Séc. XIX“, de autoria de Georges Rodenbach _ o cavalheiro pimpão cuja hirsuta imagem encima este post.

[tem duas obras dele no Projeto Gutemberg]

Lá embaixo do folder, coloquei as linhas iniciais do conto (que encontrei neste blog).

Concordo com o autor do blog linkado em que o conto, de horror, não tem lá muita coisa (talvez para jovens damas por demais sensíveis do século XIX).  Mas o conto contém algumas pérolas que parecem ecoar preocupações da era moderna, em contexto completamente diferente.

A história é simples: um jovem, rico e ocioso, é tomado por desespero ao verificar que sua imagem, nos espelhos das vitrines parisienses, parece cada vez mais pálido e debilitado.  Raciocina ele que a então recente profusão de espelhos e superfícies reflexivas pela cidade afora estivessem roubando suas cores e sua saúde.

Um caridoso amigo lembra ao protagonista que estes espelhos de loja em geral são de má qualidade, e era por isso que refletiam sua imagem de modo imperfeito, doentio.

Apesar de concordar com isso, o protagonista embarca em outra viagem: começa a colecionar espelhos de boa qualidade, ricos espelhos que o refletem com total fidedignidade.

E é aqui que as coisas começam a ficar interessantes, IMHO.  O protagonista começa a agir estranhamente a partir do momento em que aparelha sua casa com espelhos; em particular, assume um comportamento ascético.  O supracitado amigo caridoso lembra ao protagonista que ele sempre foi um namorador, e que as mulheres estão do lado de fora de sua casa _ ao que o espelhófilo retruca:

Cada um é como uma rua…esses espelhos todos se comunicam feito ruas…É uma grande cidade luminosa.  E nela ainda corro atrás de mulheres, entende?, mulheres que se olharam nos espelhos, que permanecem neles para sempre…(…) Sigo as mulheres, sem dúvida…Mas elas andam rápido, não se deixam abordar, me despistam de espelho em espelho, como de rua em rua.  E eu as perco.  E de vez em quando as abordo.  E tenho encontros lá dentro...”

Narrando a progressão da perturbação mental que afligia o protagonista, o amigo caridoso descreve:

…E por causa de tantos espelhos, justapostos, uns em frente aos outros, a silhueta do solitário se multiplicou ao infinito, ricocheteou em toda parte, engendrou continuamente um novo sósia, cresceu na proporção de uma multidão incalculável, ainda mais perturbadora porque todos pareciam gêmeos copiados do primeiro, que permanecia isolado e seperado deles por um vazio desconhecido…

Em sua última conversa com o amigo, o protagonista despeja:

Veja! Não estou mais só.  Eu vivia muito só.  Os amigos são tão estranhos, tão diferentes de nós!  Agora, vivo com uma multidão…em que todos se parecem comigo.”

Resumindo a história, o protagonista é internado em um sanatório, onde permitem que ele leve apenas um espelho, ao qual ele fica cada vez mais apegado.  Até que um dia é encontrado morto, com o crânio partido, na tentativa de entrar no espelho.

Eu sei que muita gente boa diz que o arquétipo da internet no século XIX era o telégrafo.  E com certeza o telégrafo, tecnologicamente, foi A rede daquela quadra.

Mas esse cara aí captou como ninguém o futuro _ o mundo das redes sociais e do narcisismo eletrônico.  E o pior, apenas olhando no espelho.

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