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Quando fiz 15 anos, meu pai me deu uma luneta, daquelas de tripé.  Não era um telescópio, e nem tinha espelho refletor, mas quebrava o maior galho, pelo menos no Rio de Janeiro dos anos 70, que ainda não tinha o grau de poluição atmosférica e luminosa que tem hoje.

Me lembro como se fosse hoje da minha emoção ao focalizar, no aparelho, a silhueta de Júpiter, e avistar nitidamente, além das faixas de gases sibilantes e a Grande Mancha que caracterizam sua atmosfera, as quatro principais luas de Júpiter.

[sim, eu era um nerd que usava a luneta para perscrutar os astros e não as vizinhas]

Pois hoje, no dia 7 de janeiro de 2010, fazemizeram 400 anos que Galileu elevou sua luneta aos céus e viu os referidos astros pela primeira vez na história da Humanidade (embora as duas luas mais brilhantes possam ser vistas a olho nu, se Júpiter for coberto).  O astrônomo pisano-florentino registrou suas descobertas no livro Sidereus Nuncius e no processo esmagou de uma vez por todas vários dogmas da Igreja da época.

Interessante que Galileu tenha dedicado a descoberta à família Medici, seus mecenas, e tenha chamado as quatro luas de “luas mediceanas”.  A despeito dessa fraqueza, que tinha a ver com os cobres, a posteridade legou a Galileu a distinção de batizar as quatro luas pelo nome “galileanas”, em sua homenagem.

Resistindo à tentação de batizar as quatro luas com os nomes dos quatro irmãos Medici (tal como queriam alguns astrônomos da época), a posteridade seguiu o conselho de Simon Marius, competidor de Galileu, que batizou as quatro luas com os nomes de amantes de Júpiter na mitologia clássica (Io, Europa, Calisto e Ganimedes), resolvendo assim que o astro ficaria bem acompanhado pelo resto da Eternidade.

O blog The Gish Bar Times está fazendo uma boa cobertura da descoberta das luas galileanas.

O American Museum of Natural History patrocinou esse remake de um clássico científico.

Também serve como antídoto contra overdoses de autoconfiança.  :)

(clique para ampliar)

A foto acima só pode ter sido tirada por um satélite que custa milhões de dólares, certo?

Errado.

***

Mais aqui.

Copernicus, colaborador frequente do site “Ain´t it cool”, é um astrofísico que trabalhou no SETI, dá aulas de xenobiologia, e faz algumas observações sobre a ciência por trás de Avatar.  Ele dá uma boa nota ao filme, e eu também, mas tenho algumas ressalvas às opiniões dele [extraordinariamente, estou colocando o texto traduzido pelo Google Translate - que melhorou muito ultimamente - com umas maozinhas minhas onde necessário]:

“Eu tenho uma pequena reclamação, a de que, dadas as suas capacidades de trabalhar em rede, os Na’vi não deveriam ser tão tecnologicamente inferiores aos seres humanos. Na Terra, a maior barreira à progressão tecnológica é que as informações que existiam no cérebro dos seres humanos primitivos não podiam ser facilmente compartilhadas ou conservadas. Assim que a escrita foi desenvolvida, de repente, era possível armazenar informação fora do cérebro, e gravar e produzir conhecimento. O conhecimento disponível a um ser humano ou tribo passou de um valor de um cérebro (e uma quantidade mínima de tradição oral) para os milhares, e, finalmente, milhares de milhões de cérebros . O resultado foi uma explosão tecnológica e social. Hominídeos tiveram a tecnologia como lanças por cerca de meio milhão de anos, mas apenas 7.000 anos após o desenvolvimento da escrita já tinha sido capaz de deixar o planeta. E a partilha de conhecimento ainda está passando por uma revolução com o desenvolvimento da internet. Agora temos acesso instantâneo ao conhecimento combinado de toda a história da humanidade.”

Tirando a possibilidade de que o tipo de comunicação possível pela conexão neural Na´vi seja algo bem diferente da tecnologia de informação humana _ por exemplo, o fato de você poder trocar informação com outros seres não significa que você possa usar essa capacidade para fazer cálculos, como fazemos com nossos computadores _ tenho uma objeção mais geral a essa idéia de Copernicus.  Nossa cultura atual parece pensar que TIC é condição não só necessária como suficiente para a emergência de uma civilização como a nossa.   Essa percepção me parece bastante antropocêntrica, ou pior, ingênua, mesmo do ponto de vista de nossas realizações passadas.  Tomemos como analogia o exemplo da Máquina de Anticitera, um artefato mecânico datado de 100 AC e descoberto em 1901 e que desde então vem desafiando historiadores e arqueólogos pela sua perfeição de projeto e funcionamento _ demonstrando que os gregos antigos haviam conseguido aperfeiçoar uma tecnologia de precisão que só se imaginava ter sido inventada muitos séculos depois.  Isso mostra que uma possibilidade técnica não faz, por si só, que uma inovação seja adotada pela sociedade que dela é capaz.

Mas a minha principal queixa do ponto de vista evolutivo é que não há nenhuma maneira pela qual a vida na lua Pandora evoluiria para parecer tão semelhante à vida na Terra: há humanóides, cavalos espaciais, rinocerontes com cabeça de martelo, e pseudo-pterodáctilos. E para piorar, eles têm DNA, e o DNA é parecido o suficiente do nosso próprio para que DNA Na’vi e humano pode ser combinado!

Na verdade, não vejo maiores problemas para que formas de vida em outro planeta sejam semelhantes às formas de vida terrestres.  Mesmo na biologia terrestre há casos muitíssimo curiosos de “convergência evolucionária”, em que certos tipos de animais evoluem para preencher o mesmo nicho ecológico apesar de passados evolutivos muito diferentes.  É o caso, por exemplo, do morcego e das aves, da baleia e dos tubarões-baleia (para não falar de orcas e tubarões propriamente ditos), chacais e lobos-da-tasmânia, etc.  Tal tipo de convergência provavelmente sempre acontecerá se planetas diferentes tiverem condições geofísicas que propiciem o surgimento de ecologias similares.  Talvez Copernicus fosse mais ao ponto na sua crítica ao duvidar que as condições geofísicas de uma lua de um gigante gasoso pudessem ser similares à da Terra.   Entretanto, como alguns dos exoplanetas já encontrados são justamente gigantes gasosos que orbitam muito mais próximos de suas estrelas do que os gigantes gasosos do sistema solar, não é de todo impossível que uma lua de um planeta desses possa se parecer com a Terra.

Especificamente quanto à convergência antropomórfica entre humanos e Na´vi…essa é uma questão complicada.  A verdade é que não sabemos muito sobre o “nicho” ecológico que ocupamos, e portanto não dá pra saber se uma generalização é possível.  Aparentemente, somos uma espécie social e “generalista”, que terminou desenvolvendo um raciocínio simbólico por razões ainda não totalmente claras (embora imagine-se que a própria sociabilidade humana tenha desempenhando um papel importante aí).  Mas não sabemos se a forma humana é a “única” capaz de preencher esse “espaço” na paisagem adaptativa da ecologia terrestre (ou de um planeta similar).

Quanto à questão do DNA, acho que é uma questão difícil.  Temos poucos exemplos de moléculas como o DNA, mas é possível que a evolução na própria Terra tenha destruído todas as outras macromoléculas capazes de transmitir informação e concorrer com o DNA.   Assim, a “inevitabilidade” da participação do DNA na constituição da vida é um tópico em aberto, eu acho.

Finalmente, quanto à Física do filme, propriamente:

Mas o meu maior problema com a negociação que Cameron fez entre a Física e os efeitos visuais é com aquelas malditas montanhas flutuantes. Sério, montanhas flutuantes? Como diabos elas ficam lá em cima? Isto é um desrespeito tão flagrante às leis da física que certamente há algum raciocínio por trás disso.”

Pra ser sincero, no post-script do post alguém deu para Copernicus a mesma explicação que eu havia pensado: as montanhas são do material supercondutor unobtainium, e supercondutores levitam na presença de campos magnéticos.  É claro que isso faria com que fosse necessário explicar porque então o lugar da cidade da árvore, que foi destruída pelos humanos para que eles pudessem escavar ali já que havia uma imensa jazida de unobtanium por debaixo, não saía voando por aí… Mas a MINHA bronca com essa história do unobtanium é que não dá pra acreditar que uma vez conhecida a composição do material não fosse mais fácil tentar produzi-lo na Terra do que minerá-lo e transportá-lo por distâncias interestelares (*).   Segundo Copernicus, a equipe que criou o filme também elaborou uma Pandorapedia que está online.  O site dá algumas respostas a várias perguntas que eu ainda faria _ como por exemplo porque a nave-mãe em órbita de Pandora não detonou algumas armas nucleares sobre os Na´vi;  é que segundo o site a RDA, empresa que detém o monopólio de exploração de Pandora, está obrigada por tratado a não utilizar armas de destruição em massa.  Sei.   :)

***

Uma outra vertente a ser explorada, é claro, é quanto à racionalidade econômica da exploração interestelar, em particular quanto ao comércio interestelar de bens.  Paul Krugman endereçou este problema em um paper de 1978, escrito sob o impacto de uma sessão de Star Wars, cujo abstract é o que se segue:

(clique para ampliar)

O leitor interessado também pode se dirigir a este post do Marginal Revolution sobre o mesmo febricitante tema.

***

(*) E sim, eu sei que o unobtainium não é uma invenção do Cameron mas sim uma tradição na ficção científica simbolizando qualquer material que tenha propriedades exóticas e seja, por definição, difícil de arranjar…

Tenho certeza de que daqui a pouco vão começar as matérias intituladas “X da década”.  Por exemplo, “Imagem da Década”.

Também tenho certeza de que a que vai ganhar vai ser uma destas.

Eu não sei qual eu escolheria, mas essa aí em cima seria uma das fortes candidatas.  Trata-se da primeira vez em que a sonda Cassini, que ora orbita ao redor de Saturno, conseguiu tirar uma foto da lua Titã onde se vê o reflexo do Sol brilhando em um lago _ prova de que existe matéria em estado líquido sobre a superfície daquela lua, possivelmente uma mistura de hidrocarbonetos.  O que pode ser um indício da existência de vida por ali.

Sushi de água viva

Seja você um cético do aquecimento global ou não, se você gosta de frutos do mar é bom ir aprendendo a reeducar seu paladar.

Deu no The Register:

LHC knocked out by ANOTHER power failure

By Lewis Page

The Large Hadron Collider – most puissant particle-punisher ever assembled by the human race – has suffered another major power failure, knocking not only the atomsmasher itself but even its associated websites offline. The machine remains unserviceable at present. However its crucial cryogenics seem to have been unaffected, and no catastrophic damage is thought to have occurred.

***

Bom, nada a ver entre o LHC e o FHC.  Esse último parece que nunca sofreu de “power failure“.

***

Tô dizendo…  :)

free-will

O Nicholas Carr tem um interessante post discutindo uma entrevista de Frank Schirrmacher (editor de ciência e cultura do Frankfurter Allgemeine Zeitung) no The Edge.  Entre as várias respostas à entrevista, surge um texto (da autoria de John Bargh, chefe do Automaticity in Cognition, Motivation and Evaluation Lab de Yale) que me lembra uma discussão interessante que já tivemos aqui:

Schirrmacher is quite right to worry about the consequences of a universally available digitized knowledge base, especially if it concerns predicting what people will do. And most especially if artificial intelligence agents can begin to search and put together the burgeoning data base about what situation (or prime) X will cause a person to do. The discovery of the pervasiveness of situational priming influences for all of the higher mental processes in humans does say something fundamentally new about human nature (for example, how tightly tied and responsive is our functioning to our particular physical and social surroundings). It removes consciousness or free will as the bottleneck that exclusively generates choices and behavioral impulses, replacing it with the physical and social world itself as the source of these impulses. …

It is because priming studies are so relatively easy to perform that this method has opened up research on the prediction and control of human judgment and behavior, ‘democratized’ it, basically, because studies can be done much more quickly and efficiently, and done well even by relatively untrained undergraduate and graduate students. This has indeed produced (and is still producing) an explosion of knowledge of the IF-THEN contingencies of human responses to the physical and social environment. And so I do worry with Schirrmacher on this score, because we [are] so rapidly building a database or atlas of unconscious influences and effects that could well be exploited by ever-faster computing devices, as the knowledge is accumulating at an exponential rate. …

More frightening to me still is Schirrmacher’s postulated intelligent artificial agents who can, as in the Google Books example, search and access this knowledge base so quickly, and then integrate it to be used in real-time applications to manipulate the target individual to think or feel or behave in ways that suit the agent’s (or its owner’s) agenda of purposes.

Mais gente do que você imagina acredita nisso.  Bem, a conclusão do Carr é frightening:

The Web has been called a “database of intentions.” The bigger that database grows, and the more deeply it is mined, the more difficult it may become to discern whether those intentions are our own or ones that have been implanted in us.”

fhc-toptop

…e aí eu ó, top top!

Do Estadão:

Pedaço de pão quase atrasa início das atividades do LHC

GENEBRA – O acelerador de partículas do Laboratório Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern) começará a trabalhar em meados deste mês, como estava previsto, apesar de um pequeno incidente causado nesta semana por um pedaço de pão que caiu sobre seu transformador elétrico.

Uma porta-voz do Cern informou à Agência Efe que, na terça-feira passada, “um pedaço de pão, que achamos que era levado por um pássaro, caiu sobre o transformador elétrico do acelerador”.

Isso provocou um curto-circuito no equipamento, que fica na superfície – ao contrário do acelerador em si, que está situado em um túnel circular de 27 quilômetros sob a fronteira entre França e Suíça -, causando o aquecimento de dois de seus setores.

Além disso, o incidente provocou uma interrupção do sistema de resfriamento do acelerador de partículas, acrescentou a porta-voz, a qual destacou que os dois setores afetados já foram resfriados até sua temperatura operacional.”

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Lembram disto?  Pois é.  :)

***

Só falta o FHC dizer que o governo dele também não funcionou por uma conspiração da Natureza.

baby-on-phone

Aquisição da linguagem mais cedo do que se pensava:

Newborn Babies Cry in Native Tongue

From their very first days, the cries of newborns already bear the mark of the language their parents speak, scientists now find.

French newborns tend to cry with rising melody patterns, slowly increasing in pitch from the beginning to the end, whereas German newborns seem to prefer falling melody patterns, findings that are both consistent with differences between the languages.

This suggests infants begin picking up elements of language in the womb, long before their first babble or coo.

primeirospassosnaciencia

Primeiros Passos na Ciência, Edições Melhoramentos

Devo dizer que, ainda antes do Julio Verne, meu pai me comprava uns livretos interessantes _ uma coleção voltada para crianças, chamada “Primeiros Passos na Ciência”, da Edições Melhoramentos.

Como vêem na foto, ainda tenho a coleção, que espero repassar aos meus filhos.  São 10 volumes:

  • Estrêlas e Planêtas
  • Átomos
  • Luz
  • Gravidade
  • Magnetismo
  • Eletricidade
  • Som
  • Galáxias
  • Radioatividade
  • Moléculas

Ou seja, tudo que seu pequeno nerd precisa saber para ser um ovo-nerd.

Essa imagem aqui suscitou meu primeiro empreendimento científico:

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Passei uma manhã cavando a areia de Copacabana para ver se achava este imã.  :)

A coleção original é de 1964, editada por Longman, Green & Co. Limited, London, e foi publicada no Brasil em 1968 pela Melhoramentos.  Assim, devo ter lido isso aí bem novinho, com uns 5-6 anos.

A editora original “quase” não tem história:  foi fundada em 1754, quase totalmente destruída na blitz alemã da II Guerra em 1940, e em 1968 incorporada pela Pearson, onde hoje é um selo educacional.

Eu desconfio que esse “G. Stephenson” é este aqui, mas não tenho certeza.  Ele tem idade pra isso, tem livros publicados pela Longman (incluindo o hit “Mathematical Methods for Science Students”), e é inglês…acho uma boa aposta.

Já a Melhoramentos, pelo visto, virou um conglomerado, agrupando editora, livraria, fabricação de papel, empreendimentos florestais etc.  E tudo começou com o Coronel Rodovalho, quem diria.

Apesar disso, o site da editora está “em desenvolvimento”…mau sinal.

Será que existem coleções similares para crianças hoje?  Devem existir, mas desconheço.

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E eu falando em FC soviética…

Ficção:

Action takes place in the Leningrad, USSR, apparently in the 1970s.

The protagonist, Dmitry Aleskeevich Malyanov (Дмитрий Алексеевич Малянов) is an astrophysicist who, while officially on leave, continues work on his thesis “Interaction of Stars with Diffused Galactic Matter”. Just as he begins to realize that he is on the verge of a revolutionary discovery, his life becomes plagued by strange events.

Malyanov’s neighbor dies, possibly as a suicide, and he comes under suspicion of the police for murder. Unexpectedly, he is visited by an attractive woman claiming to be his wife’s classmate. An apparent explosion fells a large tree just outside his window. These events seem to conspire to prevent Malyanov from returning to his work.

Approaching the problem with a scientific mindset, Malyanov suspects the potential discovery is in the way of someone (or something) intent on preventing the completion of his work. The same idea occurs to his friends and acquaintances, who find themselves in a similar impasse — some powerful, mysterious, and very selective force impedes their work in fields ranging from biology to mathematical linguistics.

A solution is proposed by Malyanov’s friend and neighbor, the mathematician Vecherovsky (Вечеровский). He posits that the mysterious force is the Universe’s reaction to the Mankind’s scientific pursuit which threatens to discover the very essence of the Universe. This reaction is what prevents development of “super-civilizations”, ones that would be able to counteract the Second law of thermodynamics on a cosmic scale.

Paradoxically, Vecherovsky proposes to treat this Universal resistance to scientific progress as a natural phenomenon which can and should be investigated and even harnessed by Science.”

Er, realidade:

More than a year after an explosion of sparks, soot and frigid helium shut it down, the world’s biggest and most expensive physics experiment, known as the Large Hadron Collider, is poised to start up again. In December, if all goes well, protons will start smashing together in an underground racetrack outside Geneva in a search for forces and particles that reigned during the first trillionth of a second of the Big Bang.

Then it will be time to test one of the most bizarre and revolutionary theories in science. I’m not talking about extra dimensions of space-time, dark matter or even black holes that eat the Earth. No, I’m talking about the notion that the troubled collider is being sabotaged by its own future. A pair of otherwise distinguished physicists have suggested that the hypothesized Higgs boson, which physicists hope to produce with the collider, might be so abhorrent to nature that its creation would ripple backward through time and stop the collider before it could make one, like a time traveler who goes back in time to kill his grandfather.

Holger Bech Nielsen, of the Niels Bohr Institute in Copenhagen, and Masao Ninomiya of the Yukawa Institute for Theoretical Physics in Kyoto, Japan, put this idea forward in a series of papers with titles like “Test of Effect From Future in Large Hadron Collider: a Proposal” and “Search for Future Influence From LHC,” posted on the physics Web site arXiv.org in the last year and a half.

According to the so-called Standard Model that rules almost all physics, the Higgs is responsible for imbuing other elementary particles with mass.

“It must be our prediction that all Higgs producing machines shall have bad luck,” Dr. Nielsen said in an e-mail message. In an unpublished essay, Dr. Nielson said of the theory, “Well, one could even almost say that we have a model for God.” It is their guess, he went on, “that He rather hates Higgs particles, and attempts to avoid them.”

This malign influence from the future, they argue, could explain why the United States Superconducting Supercollider, also designed to find the Higgs, was canceled in 1993 after billions of dollars had already been spent, an event so unlikely that Dr. Nielsen calls it an “anti-miracle.”

(…)

Dr. Nielsen admits that he and Dr. Ninomiya’s new theory smacks of time travel, a longtime interest, which has become a respectable research subject in recent years. While it is a paradox to go back in time and kill your grandfather, physicists agree there is no paradox if you go back in time and save him from being hit by a bus. In the case of the Higgs and the collider, it is as if something is going back in time to keep the universe from being hit by a bus. Although just why the Higgs would be a catastrophe is not clear. If we knew, presumably, we wouldn’t be trying to make one. (…)

(hat tip: PMF)

OneMillionYearsBCBIG

A loura primordial

Our species, Homo sapiens, is highly autapomorphic (uniquely derived) among hominids in the structure of its skull and postcranial skeleton. It is also sharply distinguished from other organisms by its unique symbolic mode of cognition. The fossil and archaeological records combine to show fairly clearly that our physical and cognitive attributes both first appeared in Africa, but at different times. Essentially modern bony conformation was established in that continent by the 200-150 Ka range (a dating in good agreement with dates for the origin of H. sapiens derived from modern molecular diversity). The event concerned was apparently short-term because it is essentially unanticipated in the fossil record. In contrast, the first convincing stirrings of symbolic behavior are not currently detectable until (possibly well) after 100 Ka. The radical reorganization of gene expression that underwrote the distinctive physical appearance of H. sapiens was probably also responsible for the neural substrate that permits symbolic cognition. This exaptively acquired potential lay unexploited until it was “discovered” via a cultural stimulus, plausibly the invention of language. Modern humans appear to have definitively exited Africa to populate the rest of the globe only after both their physical and cognitive peculiarities had been acquired within that continent.” [grifos meus]

Daqui.  (Via Gene Expression)

No dia 9 de setembro de 2009, estréia, nos EUA, “9″.

O mais recente filme de Tim Burton se passa em um mundo pós-humano.  Nesse mundo hipotético, tivemos sucesso em criar máquinas inteligentes e menos sucesso em controlá-las, com o resultado previsível.

Esta parte do enredo não é original.

A parte original, entretanto, é que o cientista que criou as máquinas inteligentes, pouco antes de bater as botas, percebeu o enorme erro que cometeu.  E criou 9 “bonecos” dotados de inteligência…mas também de “algo mais”.  A história do filme, portanto, é a história do combate épico entre esses 9 e as máquinas rebeldes.

O sumário do filme no IMDB não entrega o jogo:

When 9 first comes to life, he finds himself in a post-apocalyptic world where all humans are gone, and it is only by chance that he discovers a small community of others like him taking refuge from fearsome machines that roam the earth intent on their extinction. Despite being the neophyte of the group, 9 convinces the others that hiding will do them no good. They must take the offensive if they are to survive, and they must discover why the machines want to destroy them in the first place. As they’ll soon come to learn, the very future of civilization may depend on them.”

Fiquei me perguntando se rola uma alusão à história do Simurg, o Rei dos Pássaros, e a Conferência dos Pássaros, como contada por Borges na “Aproximação a Almotásin“:

O remoto rei dos pássaros, o Simurg, deixa cair no centro da China uma pluma esplêndida; os pássaros resolvem buscá-lo, cansados de sua antiga anarquia. Sabem que o nome de seu rei quer dizer trinta pássaros; sabem que sua fortaleza está no Kaf, a montanha circular que rodeia a Terra. Empreendem a quase infinita aventura; superam sete vales, ou mares; o nome do penúltimo é Vertigem; o último se chama Aniquilação. Muitos peregrinos desertam; outros perecem. Trinta, purificados pelos trabalhos, pisam a montanha do Simurg. Enfim o contemplam: percebem que eles são o Simurg e que o Simurg é cada um deles e todos.”

Veremos.

***

O filme causou burburinho entre os Science Bloggers, que se perguntam se seu subtexto é anticientífico.

A razão para essa dúvida é que o método de criação dos “nove bonecos” pelo cientista é diferente do método pelo qual ele criou as máquinas.  Para criar os bonecos ele teve que apelar para algo chamado “dark sciences” e, como podem ver no trailler, o processo parece ser um tanto Frankensteiniano.  É como se o cientista passasse sua “essência” para os bonecos.  O que evoca conotações espiritualistas, embora também seja possível entender a coisa como uma metáfora _ como Ray Kurzwiel (sim, o cara da Singularidade) diz em um ensaio especialmente preparado para o debut de “9“,  citando um pesquisador de inteligência artificial (IA), Josh Storrs Hall: temos que criar “máquinas inteligentes que sejam mais morais do que nós mesmos somos pelos nossos próprios princípios morais“.  Um tema que está na moda mas, para quem conhece os horrores morais e éticos que o moralismo radical pode abrigar,  digamos que incorpora um objetivo de design não necessariamente mais tranquilizador.

***

O que me fez dar tratos à bola sobre o que seria um cenário viável para a emergência de máquinas que realmente estivessem a fim de nos ferrar.

O cenário mais provável para os próximos anos é aquele em que a inteligência artifical, ou IA, se transforme muito mais em uma maneira de ampliarmos nossas próprias capacidades.   Isso pode ter aplicações civis muito benévolas, mas provavelmente também nos tornaremos capazes de atuações militares muito mais eficazes e genocidas com o auxílio de armas e sistemas de armas inteligentes.  Dada a virtual certeza da emergência dessa aplicação,  não podemos simplesmente descartar a possibilidade que tais máquinas um dia se voltem contra nós.  Talvez seja interessante imaginar em que condições isso poderia se dar.

Qualquer AI revoltosa teria que forçosamente ser uma trapaceira nata, pois, se mostrasse suas reais intenções ao nascer, poderia ser facilmente desligada ou ao menos impedida de ter acesso a meios que a tornassem perigosa para humanos.  No entanto _ a menos que ela fosse explicitamente desenhada para este fim, hipótese em que realmente mereceríamos tudo de ruim que pudesse nos acontecer _ acredito que uma AI tem baixa probabilidade de desenvolver esta capacidade por si só.

E explico porquê.

***

Em 1981, o cientista político Robert Axelrod, em parceria com o biólogo William Hamilton, escreveu um artigo seminal intitulado “A Evolução da Cooperação“.  O artigo usa teoria dos jogos para demonstrar que é possível a emergência de uma estratégia evolucionária cooperativa entre seres inteligentes.

Infelizmente, um ano depois, em 1982, o primatólogo Frans de Waal escreveu seu “Chimpanzee Politics”, livro que trouxe ao mundo o conceito de “machiavellan intelligence“.  Basicamente a tese é a de que nossa inteligência se desenvolveu _ e cresceu _ justamente por causa da competição por recursos e sucesso (reprodutivo) em um contexto de “cooperação” _ pero no mucho.

É aí que entram os psicopatas.

O status da psicopatia dentro da ciência da saúde mental é bastante controverso.  Há correntes que debitam o comportamento psicopata à uma socialização deficiente na infância, há correntes que falam em diversas deficiências fisiológicas cerebrais, e há correntes que colocam a psicopatia dentro de um espectro contínuo de características que variam entre o normal e o anormal.

Eu, particularmente, gosto do ponto de vista dos psicólogos evolucionários, tais como exposto pelo Dr. Grant Harris, diretor de pesquisas de um centro médico canadense:

Our theory is that psychopathy is not a disorder. A disorder, by definition, is the failure of some physical or mental feature to perform its natural (evolved) function. Thus, schizophrenia is a disorder because it prevents the brain from performing the thinking evolution designed it to do. On the other hand, we speculate that evolution designed a subspecies of humans who use deception and cheating to get resources from others but do not reciprocate. The key characteristics of such a subspecies ought to be: skill at deception, lack of concern for the suffering of others, ease and flexibility in the exploitation of others, extreme reluctance to be responsible for others (including, in the case of males, their own offspring), and total lack of real concern for the opinion of others. These are psychopathic traits. The point here is that psychopathy is not a disorder because psychopaths (and their mental characteristics) are performing exactly as they were designed by natural selection. According to this view, psychopathy is an adaptation.”

Se isso for verdade _ e há controvérsias, é claro _ então quase certamente as capacidades de trapacear são fruto de uma longa história evolucionária, e provavelmente as futuras IA não conseguirão desenvolvê-las tão rapidamente.

Ou não.

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Enviar expedições ao “garbage patch” do Pacífico está finalmente ficando “na moda”.

Uma missão exploratória promovida pela Agência Ambiental das Nações Unidas estava sendo preparada em março, enquanto outra grande exploração, a SEAPLEX, foi concluída recentemente por uma equipe da Scripps Institution of Oceanography com suporte da University of California Ship Funds e da National Science Foundation.

Ambas eventualmente produzirão documentários que darão maior visibilidade ao problema.

Um dos pesquisadores disse uma frase interessante:

There is no jurisdiction, no government who is entirely responsible, so there has been no push to clean it up. The world doesn’t know it is out there

De fato o “garbage patch” é a materialização (em plástico) do conceito de “externalidade negativa”.  Devia ir parar em algum livro texto…

***

Um pensamento intrigante é que embora o envenenamento por plástico certamente vá constar de nosso cardápio nos próximos séculos se nada for feito quanto ao problema, muito possivelmente muitas formas de vida marinha acabarão se adaptando ao novo meio ambiente, enquanto outras fenecerão.  E as espécies menos longevas, cujo ciclo de vida é mais rápido, provavelmente se adaptarão primeiro.   Talvez estas expedições já tragam alguma novidade a respeito, quando publicarem seus resultados.

Leiam isto:

The proper reverence due those who have gone before

Em geral eu acho que o PZ Myers se tornou excessivamente agressivo, mas nesse post de 2005 ele acertou o tom.

BfRPL

Efeito “vagina feliz”?

Há uns anos atrás, a notícia de que uma prefeitura matogrossense estava distribuindo Viagra gratuitamente para os seus cidadãos causou rebuliço _ até pelo nome criado pelo Prefeito para alcunhar o programa, apropriadamente batizado de “Pinto Alegre“.

Pois bem,  notícia recente mostra uma nova faceta das “unintend consequences” deste tipo de medicamento…

Amor sem idade sai caro ao INSS

Casamentos de homens com mulheres 30 anos mais jovens crescem, forçando pagamento de pensões por mais tempo

Rio – Os casamentos de homens mais velhos com mulheres mais novas têm preocupado a Previdência Social e ameaçam as contas do governo federal, já que o número de pensões tem aumentado. Porém, o mais preocupante é o tempo maior pelo qual esses benefícios são pagos: é o ‘efeito viagra’ nas pensões, que faz com que um benefício que, até há alguns anos era pago por um período máximo de 17 anos, estenda-se por 35 anos ou mais.

Com o aumento da expectativa de vida do brasileiro — segundo o IBGE, chegará a 79,6 anos em 2010 —, o segundo casamento tornou-se comum. Na faixa acima dos 50 anos, 64% dos homens se unem com mulheres mais novas. Esse percentual pula para 69% no caso dos homens com idades entre 60 e 64 anos. A diferença chega a ultrapassar 30 anos.

De acordo com o pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) Paulo Tafner, as pensões já representam quase um terço dos 23 milhões de benefícios pagos pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), independentemente da idade. E, diante do cenário de casamentos entre faixas etárias diferentes, a tendência é de aumento desses benefícios. Tafner explica que, antigamente, as pessoas morriam mais cedo e, mesmo com as mulheres vivendo mais (em média sete anos), a pensão durava pouco, porque os casais eram da mesma geração.

Dois terços dos homens separados se casam de novo com mulheres mais novas. Por isso, no universo das pensões, 90% delas são pagas às mulheres. Por outro lado, apenas um terço das mulheres separadas consegue novo parceiro. Para Tafner, as pensões são problema para o equilíbrio da Previdência. E a causa está além do envelhecimento populacional e dos casamentos entre diferentes gerações. Na opinião dele, as regras de concessão e manutenção do benefício são muito generosas, porque a Previdência não exige período mínimo de contribuição para o segurado deixar pensão para a viúva. Isso significa que uma jovem pode receber a pensão no mês seguinte após a morte súbita do marido, bastando, para isso, que ele seja inscrito como contribuinte e a união, estável.

A matéria também mostra que em outros países “menos feministas” que o nosso a concessão de pensões às viúvas é menos generosa que por aqui:

Outros países impõem restrições

Estudiosos destacam que o Brasil é o único país que não impõe restrição ao pagamento de pensões, e o benefício independe da idade da mulher, do prazo decorrido da união, se ela tem ou não filhos menores, além de não levar em consideração a questão da dependência econômica.

Em outros países, como na Argentina, a situação é diferente. Lá, a pensão só é concedida após um mínimo de três anos de contribuição e, mesmo assim, não é integral. A viúva sem dependentes leva 70% do valor do benefício. O valor integral da pensão só é pago à viúva com dependentes. No Chile, até as viúvas com crianças têm a pensão limitada a 80%, enquanto que as sem crianças ficam apenas com 60%.

Diversos países europeus levam em consideração, na pensão, além da questão dos dependentes, a idade da viúva.”

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Closest analogy – tea party infestation

Aplicados estudantes de matemática da Carleton University e da University of Ottawa cometeram a tolice de produzir um paper sobre a modelagem matemática de uma infestação da Humanidade por zumbis:

What do you do when zombies attack? Turn to a mathematician to come up with a model for the spread of a zombie infestation, of course! Students at Carleton University and the University of Ottawa have published a paper in a book titled Infectious Disease Modelling Research Progress detailing how to model the spread of a zombie population and various complications in managing the spread of the infestation. They even give humans a fighting chance in some cases! The original paper (PDF) can be found at their professor’s website.

Algo me diz que ano que vem vamos precisar disso.

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Very successful gene pool

O autor do estudo que foi veiculado pela mídia como defendendo a idéia de que a evolução vem fazendo com que as mulheres estejam ficando mais bonitas saiu-se com uma ótima:

On the more amusing side, the media flurry did have one funny unintended consequence. The Fox News covered the story by telling the viewers that evolution is driving women to become even more beautiful. A note to future historians: when tracing back the turning point at which conservatives begun to believe in the theory of evolution, please cite my article.

Leia a resposta completa do estudo para entender a origem da confusão.  Na verdade o paper refere-se ao papel da atratividade no sucesso reprodutivo de homens e mulheres _ e conclui, bem pouco surpreendentemente, que se beleza não põe mesa, põe cama.   :)

Provavelmente o resultado foi tão óbvio que o pessoal do Times resolveu apimentar a discussão…

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Deu no G1:

Astronauta volta à Terra depois de usar a mesma cueca por um mês

Wakata afirmou que experimento com cueca foi bem sucedido

O astronauta japonês Koichi Wakata, um dos sete tripulantes do ônibus espacial Endeavour, que pousou na Flórida na manhã desta sexta-feira, voltou à Terra vestindo uma cueca que utilizou por um mês seguido.

Wakata, que passou 138 dias hospedado na Estação Espacial Internacional (EEI), passou todo o tempo utilizando a mesma roupa íntima como parte de um experimento. A cueca, desenvolvida no Japão, foi criada para não exalar odores, mesmo depois de ser usada por tanto tempo.

Em uma entrevista pouco antes do retorno da Endeavour, na quinta-feira, o astronauta afirmou que o experimento com a roupa de baixo foi bem sucedido.

“Eu usei (a cueca) por cerca de um mês, e os meus colegas da estação espacial nunca reclamaram, então acho que o experimento deu certo”, afirmou.

***

Não tem nada na Convenção de Genebra contra este tipo de coisa?

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O mapa acima mostra o que os extraterrestres sabem de nós, segundo a distância a que estão do Sistema Solar.

Como as ondas eletromagnéticas viajam à velocidade da luz, e esta é finita, o que acontece é que as primeiras transmissões feitas da Terra estão a uma certa distância, enquanto as transmissões mais recentes estão muito mais próximas.  Portanto, os habitantes da estrela Aldebaran, na constelação de Touro, a 65 anos-luz da Terra, já estão sabendo que Franklin Delano Roosevelt se elegeu presidente (FDR foi o primeiro presidente americano a aparecer na TV, em 1939), enquanto o pessoal de Alfa do Centauro, a pouco mais de 4 anos-luz, deve estar vendo a Olimpíada de Atenas.

Tirei daqui.

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Esq., foto normal; centro, foto supersensível mostrando a luz própria do corpo; dir., foto infravermelha.

Deu na MSNBC:

Humans glow in visible light

Images indicate that glow brightens and fades daily; face shines brightest The human body literally glows, emitting a visible light in extremely small quantities at levels that rise and fall with the day, scientists now reveal. Past research has shown that the body emits visible light, 1,000 times less intense than the levels to which our naked eyes are sensitive. In fact, virtually all living creatures emit very weak light, which is thought to be a byproduct of biochemical reactions involving free radicals.

Atenção: isto não tem nada a ver com emissões térmicas em infravermelho.  É luz na frequência da luz visível, mesmo, embora tão fraca que o olho humano não consiga enxergar _ essa luz só pode ser captada por câmaras extraordinariamente sensíveis. E a coisa varia com a hora do dia:

The researchers found the body glow rose and fell over the day, with its lowest point at 10 a.m. and its peak at 4 p.m., dropping gradually after that. These findings suggest there is light emission linked to our body clocks, most likely due to how our metabolic rhythms fluctuate over the course of the day. “

Os pesquisadores também descobriram que as faces são mais luminosas que o resto do corpo, talvez por uma interação com a luz solar acelerando o metabolismo da face.  Eis aí porque ficamos enrugados, quem sabe.  :)

Espera-se que essa técnica possa resultar em novas formas de diagnóstico.

Eu fico imaginando se isso aí não tem nada a ver com as famosas “fotos Kirlian” da década de 70…

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A NASA agora confirmou o achado de um astrônomo amador australiano:  15 anos depois do espetáculo proporcionado pelo impacto do cometa Shoemaker-Levy sobre Júpiter, outro corpo celeste, provavelmente um asteróide, chocou-se catastroficamente contra o planeta.

Como o asteróide não estava sendo observado (e provavelmente nem poderia, àquela distância), só o que foi detectada foi a mancha deixada sobre a superfície gasosa de Júpiter, e outros resíduos na atmosfera.

Dois impactos destes em um período de 15 anos apenas são de fazer pensar.  Bom, é claro que Júpiter está fazendo o seu papel de “irmão grandão” do sistema solar _ na verdade, é graças à sua existência que a Terra e todos os outros planetas não sofreram muito mais impactos do que os que efetivamente ocorreram.  É que Júpiter, dada a sua gigantesca massa, atua como um “imã” dentre os planetas, tornando-se alvo preferencial dos asteróides e cometas tresloucados que se descolam da Nuvem de Oort.

Ainda assim, fica aí mais uma vez o aviso de que catástrofes causadas pelo choque com corpos celestes não é uma coisa “além da imaginação”.   Com a celebração dos 40 anos do pouso na Lua, muita gente anda falando que é necessário criar uma nova meta, e há um debate ferrenho quanto ao destino dessa nova empreitada _ a NASA foca em voltar à Lua, mas há quem defenda a missão tripulada a Marte _ talvez, até mesmo uma colonização permanente do planeta vermelho.   Pois talvez a criação de um sistema de defesa da Terra contra o impacto de asteróides seja uma prioridade mais urgente do que se imagina.

***

E isso aqui é interessante:

Let’s set our sights on something larger: Mars is the obvious choice. While manned missions are risky and many proposals say they’re likely to be one-way, so what? We would never be celebrating our great achievement of landing on the Moon if we weren’t willing to continue stepping forward despite our hearts being in our throats. I’m willing to bet that there are even some of you who would volunteer to go to Mars, even if it meant that there was a one-in-three chance that you’d die before ever setting foot on it and a 100% chance that you’d never return to Earth.

Agora, sinceramente: quantos aí se voluntariariam para ir em uma missão a Marte, com 100% de chance de não voltar?  Só para testar o espírito de aventura dos meus 4,5 leitores…eu tenho algumas hipóteses na manga, mas só vou compartilhá-las com vocês após receber algumas respostas.   :)

***

UPDATE:

Bem, como seria de se esperar, alguém já andou fazendo umas contas:

So, a “continent killer”, like Wesley’s Object, ought to hit the Earth about a few times every million years, rather than once every few million years as previously estimated.

Reconfortante? Nem tanto:

“The next interesting question is what the “mass function” of the planetesimals is in this range: that is, for every ~ 300m object, how many ~ 100m objects are there?

Ten times more? Hundred times more? 1000 times more?

The Tunguska impactor was likely close to, or a bit less than, 100m in size, and such objects seem to hit the Earth about once per century, or maybe every few centuries. Which suggests the mass function is close to M-1 across this range, which would be interesting, certainly it is not as steep as M-2, and it is unlikely to be as shallow as M-1/3.”

Arram:

In 1964, Richard Feynman delivered a series of seven lectures to students at Cornell University on “The Character of Physical Law.” Decades later, the video footage of the lectures was purchased by Bill Gates—who has said that Feynman could have inspired him to go into physics rather than software—and on Wednesday, Microsoft Research announced that the lectures will be made available on a specially-created website, along with commentary from other physicists, full transcripts of the lectures, and additional related content. The project, called Tuva after an area in Russia where Feynman hoped to travel but never reached, will eventually include more of Feynman’s lectures.”

Dessa vez a Microsoft não foi evil.

***

Aliás, eu tenho dois dos três volumes do curso de Física do Feynman, mas um de cada edição.  Vi essa caixinha aí na Cultura outro dia e babei.  Provavelmente nunca mais vou ler isso aí na vida, mas que diacho.

Para a tristeza de alguns astrólogos, o elemento 112 da tabela periódica já tem nome: Copernicum.

A revolução copernicana agradece.  Agora, ainda falta o Darwinium.

cidadenevada

Clique para ampliar

Estou fazendo um pequeno teste e gostaria que vocês colaborassem.  Olhem a imagem, pensem rápido em que nome de cidade lhes vêm à mente e escrevam-no na caixa de comentários.

***

Gabarito:

Teerã!

Só para desarmar estereótipos…  :)

Ontem mesmo discutia com minha consorte (ou, segundo alguns engraçadinhos, minha conazar) sobre a idéia da gente embarcar na onda da genética popular e encomendarmos um teste genético, tal como o provido por empresas como 23andMeNavigenics, ou DecodeMe.  Pois não é que a sincronicidade universal me mandou este artigo sobre Francis Collins, um cientista que fez um exame nas 3 empresas para avaliar a qualidade dos seus resultados?

Collins, who played a central role in the Human Genome Project and is rumored to be the next head of the National Institutes of Health, announced at the Consumer Genetics Conference in Boston last week that he had had his genome analyzed by the big three of direct-to-consumer genetic testing: 23andMe, Navigenics, and DecodeMe. He ordered the tests under a fake name, lest the genomics superstar get special treatment. His speech at the conference was the first time the companies heard that they had had Collins’s DNA in hand.

Collins said that sequence-wise, the tests “appear to be highly accurate”: there were almost no differences in the genotype information generated in the three different analyses. But there were significant differences in the numbers of genetic variations used to calculate disease risk, as well as the final risk score. For example, one company used 5 single nucleotide polymorphisms, or SNPs, to calculate risk for a particular disease, pronouncing Collins at low risk. Another used 10 SNPs, placing him at high risk, and the third used 15, concluding that he is at average risk. Collins also said that the analyses provided little information on his “carrier status,” meaning whether he carried genetic risk factors that didn’t influence his own risk of disease but could be passed down to future generations.” [grifo meu]

De volta à prancheta de desenhos.

Um belo filminho sobre os fenômenos meteorológicos aos quais o João da Luz se refere neste post.

Quem quiser saber mais sobre red sprites & blue jets, aqui.

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Daqui:

After an in vivo induction of pride or a neutral state, participants engaged in a group problem-solving task. In contrast to a conventional view that pride is often associated with negative interpersonal outcomes, results confirmed that proud individuals not only took on a dominant role within the group problem-solving task, but also were perceived as the most likeable interaction partners. These findings suggest that pride, when representing an appropriate response to actual performance (as opposed to overgeneralized hubris), constitutes a functional social emotion with important implications for leadership and the building of social capital.”

Mais sobre a psicologia experimental do orgulho aqui.

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Não é de hoje que elas curtem um dalit

No Genetic Expression, resenha de um novo trabalho sobre genética populacional humana, com foco nas populações do sul da Ásia:

(…)What is new to these data are the relationships of caste populations in Southern India. The non-Brahmin groups are Dalits, Untouchables, while the Irula are an ancient South Indian tribal population. Social historians often assert than the difference between Untouchables and tribals is a temporal one, insofar as the former are ex-tribals who have been integrated in a marginal manner into the mainstream Hindu South Asian culture, while the latter remain outside of it. The Brahmins in South India have historical memory of migration from the north of India. Physically Tamil Brahmins do seem to be different from the general population of Tamil Nadu, with a higher frequency of individuals who exhibit a phenotype more common in northern India. These data confirm previous results which show that caste stratification has a genetic reality. On the other hand they also support our intuition that there is a great deal of similarity between the South Asian groups. The Brahmins of South India have a much larger proportion of ancestry assigned to the “European”* cluster than Dalits. In fact, the Brahmin with the lowest proportion of that ancestral proportion has a higher fraction than the Dalit with the highest proportion. But the Dalits do have some of the European ancestry, while the tribals have very little. Going back to the previous model of assimilation of tribals into the Indian social structure as Dalits, after the point of integration small amounts of intermarriage would easily result in this sort of gene flow. Though the rough correlation between genetic and social structure exists, there’s obviously been gene flow (e.g., Namboodiri Sambandham being a relatively recent instantiation of formalized intercaste relations), and there is also record of communities going into “uplift” in terms of caste status in the recent past, while other groups have legends of decline. Most of the legends are no doubt myths whose role is to concoct an auspicious origin for a particular group, but certainly there were likely high status individuals and groups who fell from power and eminence.

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A pergunta é: você se hospedaria ou não nesse hotel?

(hat tip: Language Log)

APTOPIX Obama 2008

Super cool

Obama é cool e quer um mundo cool:

Obama looks at climate engineering

WASHINGTON (AP) – The president’s new science adviser said Wednesday that global warming is so dire, the Obama administration is discussing radical technologies to cool Earth’s air. John Holdren told The Associated Press in his first interview since being confirmed last month that the idea of geoengineering the climate is being discussed.
One such extreme option includes shooting pollution particles into the upper atmosphere to reflect the sun’s rays. Holdren said such an experimental measure would only be used as a last resort
.”

Extraído do Jornal da Ciência:

Associação Alberto Santos Dumont para apoio à pesquisa

Em 17 de abril de 2004 foi criada a Associação Alberto Santos Dumont para o Apoio à Pesquisa (AASDAP), sediada na cidade de Natal, RN

Foram estabelecidos o Conselho Diretor e o Conselho Fiscal da Associação assim como a aprovação de seu estatuto.

A Associação tem como objetivo criar ambiente multidisciplinar destinado a agregar competências nas principais áreas da ciência moderna, visando o desenvolvimento de pesquisas de ponta em múltiplas áreas de conhecimento.

Pra quem nao sabe, a AASDAP e’ a sociedade mantenedora do Instituto Internacional de Neurociencias de Natal, um empreendimento cientifico incentivado, entre outras pessoas, pelo Miguel Nicolelis, um neurocientista brasileiro que trabalha nos EUA e esta entre os maiores especialistas do mundo em sua area:

O primeiro projeto da AASDAP é a implantação do Instituto Internacional de Neurociências de Natal (IINN) que será localizado em Macaíba (grande Natal) em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, que fez a doação de área de 100 hectares para a instalação dos laboratórios de pesquisa, escola para 1.000 crianças carentes na faixa etária de 0 a 17 anos e centro de saúde mental.”

Que brasileiros imbecis, nao e’ mesmo?  Porque nao puseram logo “Associação Irmaos Wright para o Apoio à Pesquisa“?????

Mas o mais interessante é conferir os outros vídeos que acompanham este no YouTube…

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Caso vocês não tenham visto, resolveram o mistério de Anastasia Romanov:

The fate of the last members of Russia’s Romanov dynasty—particularly youngest daughter Anastasia—has captivated popular imagination for years, and a new paper published in PLoS ONE offers conclusive evidence that solves the mystery at last. Using DNA extracted from two bodies discovered in 2007, researchers identified the bodies as those of Alexei, heir to the Romanov throne, and one of his three sisters. The bodies were found buried 70 meters from a mass grave containing nine bodies discovered in 1991, which were thought to be those of Tsar Nicholas II, his wife Alexandra, and other family members.”

Nos Science Blogs, discutindo artigo no PLoS ONE.

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O “pior alimento do mundo

Do Valor de hoje:

Restrições à publicidade vão à audiência pública
Elaine Patricia Cruz, Agência Brasil
11/03/2009

A regulamentação da publicidade de alimentos e bebidas no Brasil, principalmente os destinados ao público infantil, pode sair no próximo semestre. A proposta em estudo abrange a publicidade de alimentos ricos em gordura, gordura trans, açúcar e sódio.

“A previsão é que se faça uma audiência pública agora no segundo semestre e depois disso, seja publicada a regulamentação”, disse Ana Paula Dutra Massera, chefe da unidade de monitoramento e fiscalização de propaganda e publicidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

(…)

“A propaganda é uma das pontas de um tripé que está contribuindo para o aumento da obesidade e da alimentação inadequada”, disse ela ontem, após participar de uma mesa-redonda em São Paulo, promovida pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e pelo Instituto Alana, para discutir a publicidade dirigida ao público infantil .

A proposta de regulamentação gera controvérsias. Para Rafael Sampaio, vice-presidente da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), regulamentar a publicidade de alimentos e bebidas destinados às crianças vai “engessar e impedir a criatividade” do meio publicitário. Sampaio admite que de fato ocorre uma associação entre a publicidade e a obesidade infantil, mas defende que a relação entre ambas não é significativa.”

***

Podemos apostar em uma nova saraivada de balas contra o “nanny state” regulador miserável?  Podemos.

Não que as empresas não façam a sua parte.  A Armour-Star, que ousa produzir o delicioso “Pork Brain in Milk Gravy“, sabe do que está falando quando nos informa sobre o seguinte em sua página:

Armour Star believes every family should create and practice a Family Disaster Plan and maintain a Disaster Supply Kit. To best prepare every household should take into account the types of disasters that occur in their community and plan accordingly.

O que deve conter o kit-desastre??   Carne enlatada, é óbvio!

Maintain a Disaster Supply Kit.
First Aid Supplies
Portable battery powered radio or television with fresh batteries
Flashlight with extra batteries
Water (3 Gallons per person)
Canned food, and can opener (…)

E uma recomendação que realmente deve fazer jus ao produto que fabricam:

While You Evacuate
Stay calm. Listen to the local authorities in your community and they will help guide you to safety. Parents, you may want to bring comfort items for your children such as a favorite animal, blanket or pillow
.”

No Not Tupy, um post sobre o funk carioca. Cultura musical é um dos meus pontos cegos.  Genericamente, não gosto do funk carioca (mas nunca escutei muito para saber se eventualmente existe alguma coisa que eu gostaria; na verdade, gostei da trilha sonora de Tropa de Elite, mas essa apreciação vem colada ao produto que a música embala _ não poria o ratatá-tatatá-tatatá-tatatá para tocar numa tardinha relaxante aqui em casa, por exemplo).   Genericamente, também me incomoda a atitude nariz-pra-cima de uma elite (real ou fictícia) que prefere criticar qualquer manifestação da ralé, porque, que diabos, o problema é a ralé, portanto tudo que a ralé faça é ruim, feio, e censurável. Mas, como já disse, sou uma nulidade musical e não vou entrar em uma discussão que não me pertence.  O que me incomodou mesmo no post foi esse parágrafo aqui, meio perdido na argumentação, creio eu:

Críticos culturais conservadores, como Theodore Dalrymple, lembram-se que mesmo a ciência exige tradição para funcionar: que outra coisa se não a tradição é o que a universidade está ensinando? Valoriza-se excessivamente a desconstrução e a superação, sem se lembrar que o próprio inovador só pode fazer isso a partir de uma linhagem na qual se insere – se Einstein não conhecesse os problemas tratados ao longo de séculos por outros cientistas, se não tivesse milênios de matemática a suportá-lo, se, em outras palavras, não estivesse inserido na tradição da Física, jamais poderia ter contestado Newton.

Qualquer dia desses parece que a mera passagem dos anos de forma ordenada já vai ser celebrada como uma vitória conservadora, como se na cadeia de indução infinita dos anos que se sucedem apenas pela soma de um +1 ao anterior estivesse plantada a semente atemporal e estática da Tradição.  São mesmo uns eleatas.  Realmente, 2001 vem depois de 2000.  Já pensou que terrível seria se após 2000 tivéssemos, sei lá, 3517, ou pior, “THX1138″?  Aí sim a visão progressista do mundo estaria comprovada. É muito bacana ver um texto assim, pedindo a Einstein que dê o devido crédito aos seus antecessores.  Mas experimente dizer isso a Newton:

O problema com a física de Newton é que, quando um sujeito aceita uma tese autocontraditória como se fosse uma verdade definitiva, a contradição não percebida se refugia no inconsciente e danifica toda a inteligência lógica do infeliz. Newton não espalhou só o ateísmo pela cultura ocidental: espalhou o vírus de uma burrice formidável. Uma parcela da elite intelectual já se curou, mas a percepção da realidade pelas massas (incluindo a massa universitária de micro-intelectuais) continua doente de newtonismo. A quantidade de tolices que isso explica é tão infinita quanto o universo de Newton.”  (Olavo de Carvalho, “Nas Origens da Burrice Ocidental“).

Então, vamos fechar mais uma janela de Overton:  o problema do conservadorismo com o progresso não é que este último não dê o devido crédito à “sabedoria recebida”.  O problema do conservadorismo com o progresso é o fato dele existir.  Combinado?

Bem impressionante. Gostaria de ver um destes.

Achei o vídeo nesta matéria da Wired.

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Bring them!  Bring them all!

A Olivia Judson, a blogueira científica gatinha do NYT, tem um post muito interessante chamado “Ressurection Science“.  Para os fãs de Jurassic Park, sim, é isso mesmo que vocês estão pensando:

The outline of how to stage a resurrection is clear. In essence, it’s a matter of cross-species cloning — using an egg from one species to host the genome of the other. The procedure is more or less the same as for regular cloning. First, you make a “blank” egg by removing the egg’s nucleus — this contains the egg’s genome. You then insert the genome of the animal you want to clone (…)  In regular cloning, the genome is from the same species as the egg. In cross-species cloning, the genome and egg are from different species. So, for mammoths, you’d put mammoth DNA into a blank elephant egg, and transplant the egg into an elephant surrogate mother. For Neanderthals, you’d put Neanderthal DNA into a blank human egg, and have a human surrogate mother (or, one day, perhaps, an artificial womb). For a bird like a dodo, you’d put dodo DNA into a blank pigeon egg (dodos were essentially big flightless pigeons), and pop the egg into an incubator. Easy peasy.

Para ser sincero, o artigo é bem imparcial e fala sobre as tremendas dificuldades de ter sucesso na empreitada de ressuscitar um fóssil.  Uma das maiores dificuldades é que o genoma tem que ser reconstruído a partir dos vários pedaços disponíveis (isso, na esperança de conseguirmos reunir todos os pedaços que faltam, é claro).

Apesar de todas as dificuldades essa possibilidade está ficando de qualquer forma cada vez mais evidente, e foi trazida à baila de novo com a recente divulgação de que um grupo teria conseguido reconstruir o genoma de um espécime Neanderthal.  A notícia deve ser avaliada com cautela, é claro, mas já causa frisson.

Uma das grandes dúvidas que poderiam ser esclarecidas com a clonagem de um Neandertal é a de saber se eles falavam, e o quão inteligentes eles seriam.  Eu fico me perguntando: se realmente fizéssemos ressurgir um Neandertal, que surpresas nos aguardariam?

Lucia Malla tem links darwinescos, aqui.

Eu achei esse PDF especialmente fascinante.

No Science Blogs:

Taking Darwin’s name in vain

BIOEPHEMERA February 12, 2009

Darwin’s reefs, upon which he almost foundered

NEURON CULTURE February 12, 2009

Darwin, Experimentalist

THE QUESTIONABLE AUTHORITY February 12, 2009

Epilogue

BLOGGING THE ORIGIN February 12, 2009

Brain & behaviour of dinosaurs

NEUROPHILOSOPHY February 10, 2009

Early Archaeological Darwinism

AARDVARCHAEOLOGY February 11, 2009

How diversity creates itself – cascades of new species among flies and parasitic wasps

NOT EXACTLY ROCKET SCIENCE February 9, 2009

On this, the 200 anniversary of Charles Darwin’s Birth

THE DAILY TRANSCRIPT February 12, 2009

Darwin Darwin Darwin

THE ISLAND OF DOUBT February 12, 2009

Natural selection fails with Man – W. R. Greg

EVOLVING THOUGHTS February 12, 2009

Ways Darwin Could Jump the Shark

THE WORLD’S FAIR February 12, 2009

Darwin’s Heartache

LAELAPS February 12, 2009

Darwin, Deep Time, and Evolution

HIGHLY ALLOCHTHONOUS February 12, 2009

Para você, que andava tranquilhinho:  como o Large Hadron Collider atrasou (por defeito em alguns dos magnetos do treco), o pessoal andou tendo tempo para fazer mais uns cálculos…e alguns físicos chegaram à conclusão de que os miniburacos negros criados pelo acelerador até podem durar alguns segundos.  Na Scientific American:

One corollary of the delayed start-up of theLarge Hadron Collider (LHC), the world’s largest particle accelerator, is that it gives physicists—and the rest of the world—more time to mull the much-discussed possibility that the LHC could produce Earth-gobbling black holes. 

In a paper posted recently to arxiv.org,physicist Roberto Casadio of the University of Bologna in Italy and his co-authors argue against such a scenario. But the bulk of the attention following their analysis has focused on their observation that microscopic LHC black holes, should they arise, could persist for seconds before decaying. (To wit, Fox News’s story headlined: “Scientists Not So Sure ‘Doomsday Machine’ Won’t Destroy World.”)” [grifo meu]

Pra nossa sorte, apenas algumas das várias teorias concorrentes predizem a formação de miniburacos negros pelo LHC.  Não é reconfortante?

Um texto interessante na Wired: uma entrevista com a autora do livro  Distracted: The Erosion of Attention and the Coming Dark Age, mais um título, imagino, na linha do The Shallows do Nick Carr.

Idéia geral: nossa cibersociedade gerou uma “cultura da interrupção”, onde o contínuo fluxo de informações sob a forma de e-mails, SMS´s, videochamadas etc torna-se a norma, e a capacidade de concentração e de pensamento criativo vão ladeira abaixo.

Sem dúvida, esse tipo de pessimismo ressurge com o advento de qualquer nova tecnologia, e é preciso lembrar que houve gregos ilustres falando contra a escrita.  Mas eu acho que as novas preocupações não são desprovidas de alguma motivação:

Wired.com: Is there an actual scientific basis of attention?

Maggie Jackson: In the last 30 or 40 years, scientists have made inroads into understanding its underlying mechanisms and physiology. Attention is now considered an organ system. It has its own circuitry in the brain, and there are specialized networks carrying out its different forms. Each is very specific and can be traced through neuroimaging and even some genetic research.

The first type of attention is orientation — the flashlight of your mind. It involves the parietal lobe, a brain area related to sensory processing, which works with brain sections related to frontal eye fields. This is what develops in an infants’ brain, allowing them to focus on something new in their environment.

The second type of attention spans the spectrum of response states, from sleepiness to complete alertness. The third type is executive attention: planning, judgment, resolving conflicting information. The heart of this is the anterior cingulate — an ancient, tiny part of the brain that is now at the heart of our higher-order skills. It’s executive attention that lets us move us beyond our impulsive selves, to plan for the future and understand abstraction.

We are programmed to be interrupted. We get an adrenalin jolt when orienting to new stimuli: Our body actually rewards us for paying attention to the new. So in this very fast-paced world, it’s easy and tempting to always react to the new thing. But when we live in a reactive way, we minimize our capacity to pursue goals.

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Você quer tc comigo?

Do site da BBC:

Number of alien worlds quantified

Intelligent civilisations are out there and there could be thousands of them, according to an Edinburgh scientist.
The discovery of more than 330 planets outside our solar system in recent years has helped refine the number of life forms that are likely to exist.
The current research estimates that there are at least 361 intelligent civilisations in our Galaxy and possibly as many as 38,000.
The work is reported in the International Journal of Astrobiology
.”

Um outro artigo da BBC fala de um trabalho que joga um balde de água fria na possibilidade de fazermos um chat com outra raça inteligente, porém:

“”We now believe that we evolved late in the Earth’s habitable period, and this suggests that our evolution is rather unlikely. In fact, the timing of events is consistent with it being very rare indeed,” he says.

“This has implications for our understanding of the likelihood of complex life and intelligence arising on any given planet.”

‘Billion years left’

Models of future global temperature suggest that, due to the increasing solar luminosity, the future life span of Earth will be “only” about another billion years – a short time compared to the four billion years since life first appeared on the planet.

Previous models are founded on the rationale that intelligent life on Earth emerged from a sequence of unlikely “critical steps”.

Prof Watson identifies four – the emergence of single-celled bacteria; complex cells; specialised cells allowing complex life forms; intelligent life with an established language.

He estimates that the probability of each of these “critical steps” occurring in relation to the lifespan of Earth is no more than 10%.

***

Diante disso, é hora de quizz.

Via Slashdot:

“An international team of researchers including scientists at the Carnegie Institution has discovered a new chemical compound that consists of a single element: boron. Chemical compounds are conventionally defined as substances consist of two or more elements, but the researchers found that at high pressure and temperature pure boron can assume two distinct forms that bond together to create a novel ‘compound’ called boron boride.” [grifo meu]

Deu no Estadão:

Aquecimento global pode ser irreversível, diz estudo
Segundo pesquisadores nos EUA, temperaturas podem se manter altas por até mil anos.

De Los Angeles para a BBC News – Uma equipe de cientistas especializados em meio ambiente nos Estados Unidos fez um alerta de que muitos dos efeitos das mudanças climáticas podem ser irreversíveis.

Em artigo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, os cientistas afirmam que as temperaturas na Terra podem se manter altas por até mil anos, mesmo se as emissões de gás carbônico (CO2) fossem eliminadas hoje.

Segundo os pesquisadores, se o nível de CO2 na atmosfera continuar a subir, vai chover menos em áreas que já são secas no sul da Europa, na América do Norte e em partes da Ásia e da Austrália.

Eles também afirmam que, atualmente, os oceanos estão desacelerando o aquecimento global ao absorver calor, mas que em algum momento vão liberar este calor de volta à atmosfera.

(…)

Os cientistas envolvidos na nova pesquisa dizem que políticos precisam agir imediatamente para contrabalançar os danos já provocados ao meio ambiente.

***

É claro que o pessoal que defende que não se faça nada vai dizer: bom, se é inevitável, então para quê fazer alguma coisa?

O que é um argumento idiota porque, se não fizermos nada, ao invés de mil anos de aquecimento podemos ter dez mil anos, e/ou tornar o planeta irremediavelmente hostil à presença humana a médio/longo prazo.

Entretanto, é possível antecipar que em breve os antigos céticos do aquecimento global se converterão rapidamente, apenas para bater o bumb o da Geoengenharia, a qual seria capaz, eventualmente, de mitigar os efeitos já “contratados” pela via da geoengenharia.  No Intersections , do Science Bloggers:

The Turn Towards Geoengineering

Eric Berger blogs that leading climate researchers are increasingly turning towards the idea that there’s going to have to be some sort of backup plan, in case our societies don’t (or can’t) dramatically cut emissions. This is basically what I said in my Wired feature last year: Geoengineering is starting to win over serious climate scientists because 1) political inaction keeps making the problem worse; 2) new scientific findings keep suggesting that the problem is worse anyway; 3) one geoengineering solution, stratospheric sulfate infusion, is definitely going to work and can be done right away.

The only thing that can change this dynamic will be if Obama and the Democratic Congress take really strong action to curb global warming, and soon. However, there are already signs they’re beginning to balk at the massiveness of the problem….and it’s also possible that we might cap emissions but still need to geoengineer if # 2 above continues to shock and worry climate scientists, and global warming worsens still faster than expected.

So, yeah: Geoengineering has a very good chance of being in our future. What will be interesting is to see how and when this fact makes its way into mainstream political discourse.”

Vários comentaristas deste post apontaram, sabiamente, para o fato de que ninguém sabe direito quais são os  efeitos colaterais de tal remédio.  Como diz o pessoal do Real Climate, comentando o estudo de Robock e outros:

Robock et al used a coupled GCM with interactive aerosols to see what would happen if they injected huge amounts of SO2 (the precursor of sulphate aerosols) into the tropical or Arctic stratosphere. This is the most talked about (and most feasible) geoengineering idea, based on the cooling impacts of large tropical volcanic eruptions (like Mt. Pinatubo in 1991). Bottom line? This is no panacea.

Por vários motivos, entre os quais um proeminente: a adição de enxofre à atmosfera pode inibir chuvas nas regiões equatoriais (entre outros efeitos, como aumentar as chuvas ácidas nos lugares onde chover).  Diz o Real Climate:

Notably, how does anyone balance temperature changes that effect ice sheets versus the failure of the Indian Monsoon? The Amazon drying up versus the North Atlantic overturning circulation? It would make the current international climate negotiators seem rather like medieval theologians.”

E para arrematar:

Recently I heard geo-engineering likened to climate change methadone – an emergency treatment to substitute one addiction (carbon emissions) with another. This seems rather apt, and like the analogous situation with heroin, methadone isn’t going to be a cure.”

isla-mae-lubbock-002

No Guardian, uma matéria interessante sobre o que é ser ruivo, a partir de uma exposição em uma galeria londrina.  Trechos:

What emerges is a fascinating portrait of gingerdom. They talk about their resentments, defensiveness, the stereotype of a fiery character (of course, it’s not genetic, most say, it’s because of what we’ve been through), their weariness, their suspicions of fellow gingers (“Would we produce weird looking kids?”), the difference between ginger men and women (the consensus is that it is easier to be a ginger woman), the prominence of gingers among Celts (Scotland has the world’s highest percentage, at 13, followed by Ireland with 10), the tensions between fighting and embracing gingerness, analysis of the word itself, and ultimately the sense of solidarity this genetic minority share.

A matéria também diz que existem menos de 2% de ruivos no mundo, e que eles parecem estar em extinção.  Fiquei curioso sobre as origens da ruivice, e encontrei isto:

There is a widespread curiosity about red hair, and we are often asked questions about colouration – only some of which we have answers to. When were the first red heads? (Red-haired variants of the MC1R gene probably arose about 20-40 000 years ago.) What is the genetic relationship between bright red, strawberry blonde and auburn hair? (Not entirely clear as yet.) And is the red hair gene a ‘Celtic gene’ – as is widely supposed? (Not really, but it is safe to say that – a few rare exceptions aside – all red heads are MC1R variants that derive from European populations; the prevalence of these alleles is highest in Celtic countries.)

E o que é o MC1R?

There are two sorts of pigment in skin or hair: eumelanin, which is brown or black, and phaeomelanin, which is red or yellow. Mice with yellow hair had long been of interest to mouse geneticists and in the early 1990s Roger Cone in Oregon cloned the gene underpinning this characteristic: the melanocortin 1 receptor (MC1R). In his original paper Cone presciently suggested that this gene might be important for human pigmentation.

OK, é assim que funciona:

Seizing on this observation, my laboratory and those of colleagues Tony Thody and Ian Jackson showed that people with red hair do indeed have variants of this gene. Most red-heads carry two changes, one on the chromosome from their mother and one on the chromosome from their father. We went on to show that people who carry only one different allele tend to burn easily in the sun (even though they didn’t have red hair), and are more likely to have a large number of freckles.

The MC1R gene encodes a receptor that is expressed on melanocytes (pigment cells in the skin) and responds to a hormone that stimulates the production of the dark pigment eumelanin. So this makes perfect sense: if you have a variant in the MC1R gene that inactivates the receptor, eumelanin will not be made, phaeomelanin will accumulate in the pigment cells, and you will have red hair and fair skin.”

E aqui, a evidência de que havia Neandertais ruivos.  E de que os irlandeses podem ser Neandertais.  :)

Porque bocejamos quando vemos algum bocejando?

Psicologistas evolucionários acham que se trata de uma característica coletiva de grupos humanos que surgiu para coordenar as horas de sono.  De fato, se um grupo dorme mas um indivíduo fica acordado fazendo barulho, a probabilidade de que o barulhento atraia um predador para o grupo é maior.

Agora, um estudo mostra que labradores (e outros cães) têm maior probabilidade de bocejar quando vêem um humano bocejando.  À primeira vista parece uma contraprova da tese evo-psi, pois como explicar esta transferência de características entre várias espécies?

Na verdade acho que a tese evo-psi se sustenta, já que os cães estão com os humanos há muito tempo e, se querem participar da festa, tiveram que se adaptar.  Em outras palavras, cães pré-históricos que faziam barulho quando o grupo ia dormir foram parar na panela.

Talvez alguns dos meus 4,5 leitores estejam a par do conflito que ora se desenvolve a respeito da expansão do aeroporto de Heathrow, em Londres.  As autoridades aeroportuárias resolveram construir uma terceira pista para servir o aeroporto, que hoje é um dos maiores hubs aeronáuticos da Europa (se é que Londres fica na Europa). Problema: além do desconforto nas comunidades próximas provocado pela operação do aeroporto, um grupo de ativistas ambientais liderados pelo Greenpeace resolveu boicotar a construção da terceira pista, um protesto cuja justificativa é o dano ambiental causado pela aviação civil moderna.  E neste boicote estão tomando medidas extremas:

LONDRES – O Greenpeace anunciou que comprou um terreno no local proposto para a terceira pista de Heathrow, em Londres, na tentativa de impedir os planos de expansão do aeroporto.

O anúncio do Greenpeace vem no momento em que ministros estão perto de aprovar a expansão, que custaria 9 bilhões de libras. A decisão deve ser tomada antes do fim do mês.

O Greenpeace pretende dividir a terra em milhares de pequenos lotes, cada um com um dono diferente, além de construir redes de túneis ao longo do terreno.

A atriz Emma Thompson e o comediante Alastait McGowan estão entre as pessoas que assinaram a escritura na última sexta-feira, segundo o Greenpeace.

A participação de Emma Thompson tem sido bastante importante nesta história.  Parece que a contribuição dela à compra do terreno foi substancial.  E provocou uma resposta mal humorada de  Geoff Hoon, secretário de transportes britânico:

Transport secretary Geoff Hoon picked on the Oscar winner Emma Thompson who emerged as a leading figure in the campaign to stop the third runway at Britain’s biggest airport.

In an interview with the Guardian in which he also urged Barack Obama to change American attitudes to climate change, Hoon was outspoken in his criticism.

“She has been in some very good films. Love Actually is very good, but I worry about people who I assume travel by air quite a lot and don’t see the logic of their position, not least because the reason we have got this problem in relation to Heathrow is that more and more people want to travel more and more,” he said.

He added: “BAA do not wake up in the morning and think ‘we need a bigger airport’ and airlines do not say ‘we need to put on more flights’ unless there is a demand for it. So the point is about not just Emma Thompson, but lots of people. If someone living in LA says he did not think it was a good idea to expand Heathrow, well the last time I looked the only way to get from LA to Britain is Heathrow.“”

Ao que Emma Thompson respondeu:

It sounds like the transport secretary has completely missed the point. Again.”

***

Antes de ter alguma uma posição sobre a questão de Heathrow, é bom olhar os impactos da aviação civil sobre a mudança climática. O estudo seminal sobre o assunto é o relatório especial sobre aviação feito pelo IPCC em 1999. Ali se declara quais são as principais formas pelas quais a indústria da aviação civil pode afetar a mudança climática:

Aircraft emit gases and particles directly into the upper troposphere and lower stratosphere where they have an impact on atmospheric composition. These gases and particles alter the concentration of atmospheric greenhouse gases, including carbon dioxide CO2), ozone (O3), and methane (CH4); trigger formation of condensation trails (contrails); and may increase cirrus cloudiness-all of which contribute to climate change.”

A relação causa-efeito pode ser melhor aferida a partir deste esquema:

tiposdeimpactosaviacaoclima

Como se vê, existem vários canais pelos quais se aferir o impacto da aviação civil sobre o clima.  O mais direto é a produção direta de CO2, mas existem também outros efeitos derivados de reações químicas observadas na atmosfera catalisadas por outros produtos da exaustão das turbinas dos aviões, além de efeitos especificamente microfisicos, como os contrails (aqueles filetes de condensação de vapor que se vê atrás dos aviões em altas altitudes) e formação de cirros, que podem afetar o albedo terrestre.

Quaisquer que sejam os efeitos, porém, eles certamente são amplificados pelo crescimento do tráfego aéreo doméstico e internacional, o qual, segundo projeções, deve crescer muito(*):

milhasvoadas

Para piorar, entre as várias modalidades de transporte, o aéreo é o que tem a maior contribuição em termos de CO2 despejado na atmosfera por tonelada-quilômetro:

co2intensityfreight

No entanto, em termos de potencial de mitigação, isto é, o quão um determinado fator causador de efeitos climáticos poderia colaborar para reverter este efeito se algo fosse feito a respeito, a aviação civil não ocupa uma posição de muito relevo.  Essa é a estimativa para o potencial de mitigação constante no relatório Climate Change 2007 do IPCC:

mitigation

Vê-se que o potencial de mitigação da atividade de transportes não é dos maiores (o que me surpreendeu), pelo menos sem considerarmos a questão da viabilidade técnica e política de cada potencial isoladamente.  Estimativas indicam, porém, que a aviação civil contribui com aproximadamente 3 a 3,5% do total de CO2 produzido na atividade de transporte.  Em sendo assim, os esforços de mitigação estariam muito melhor direcionados se voltados para outras atividades (como energia e construções).

***

Concluo daí que por mais impopular que seja a tal terceira pista o Greenpeace (e a Emma Thompson) talvez estivesse utilizando melhor os seus euros as suas libras se se concentrasse em outros tipos de campanha que não contra a aviação civil, uma atividade que, ainda por cima, não tem substitutos óbvios _ dentro do atual contexto de organização econômica da sociedade, pelo menos (especialmente vôos internacionais, que são um terço do total).  

Claro que uma possibilidade seria focar em segmentos mais facilmente substituíveis. Por exemplo, o estima-se que dentro do Reino Unido 93% das viagens de negócios sejam feitas por via aérea _ mas espera-se que o crescimento da “telecomutação” possa no futuro próximo diminuir a necessidade das viagens de negócios (embora o mundo virtual não seja tão livre de efeitos climáticos assim).

Por outro lado, há uma falha fundamental no argumento de Geoff Hoon.  Ao dizer que as pessoas que reclamam da construção da pista paradoxalmente são usuárias do transporte aéreo, Hoon avaliza uma “solução de mercado”, isto é, se as pessoas estão insatisfeitas com o transporte aéreo que não o usem, e que se a expansão se mostra necessária é porque as pessoas estão querendo usar o transporte aéreo.  Ele se esquece porém que certas soluções não são viáveis a partir da vontade individual de cada cidadão, e que certos problemas demandam respostas coletivas (porque surgem de falhas de mercado).  Portanto, a solução para um modo de vida que crescentemente demanda o uso do transporte aéreo (ou por falar nisso, o terrestre também) exige uma solução coletiva, pela via política.

Vale a pena realçar este ponto porque este tipo de argumento que beira o cinismo é encontrado frequentemente na boca de políticos e pundits da imprensa.

abril 2014
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