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Apenas procure não chegar muito perto
Do blog Green Grabbo (nos Science Blogs), muito chateada porque um amigo dela disse que vulcões foram responsáveis por algumas extinções em massa nos oceanos e ipso facto “volcanoes are evil“:
- Volcanoes bring water from the Earth’s interior to its exterior. What do you think your salty friends are swimming in - space unicorn pee?
- Volcanoes also flux out CO2, which keeps us warm and cozy. Without volcanoes, we never would have escaped from Snowball Earth.
- Ditto other volatiles. Do you want to try life without volcanic sulfur? I don’t either.
- Volcanoes created the continents (and islands). Without continents, there would be no primeval life-cradling tide pools. Also, we would be mermaids.
- Submarine volcanoes provide a source of energy for all manner of exotic salty friends.
Com um belo comentário final:
“Volcanoes were here before we snotty, ungrateful hydrocarbons metamorphosed from the goo, and volcanoes will be here after we’re gone. They’re not always perfect, but they work their calderas off to provide us with a hospitable surface environment. Punk metazoans oughta show a little more respect.“
Convencidos?
Deu no NYT: cientistas holandeses criaram um “mapa genético da Europa”.
“Biologists have constructed a genetic map of Europe showing the degree of relatedness between its various populations.
All the populations are quite similar, but the differences are sufficient that it should be possible to devise a forensic test to tell which country in Europe an individual probably comes from, said Manfred Kayser, a geneticist at the Erasmus University Medical Center in the Netherlands.
The map shows, at right, the location in Europe where each of the sampled populations live and, at left, the genetic relationship between these 23 populations. The map was constructed by Dr. Kayser, Dr. Oscar Lao and others, and appears in an article in Current Biology published on line on August 7.
The genetic map of Europe bears a clear structural similarity to the geographic map. The major genetic differences are between populations of the north and south (the vertical axis of the map shows north-south differences, the horizontal axis those of east-west). The area assigned to each population reflects the amount of genetic variation in it.“
Eis o mapa:
(clique para ampliar)
Nota-se que há uma barreira pronunciada entre os finlandeses e o restante dos europeus, que não passa desapercebida no estudo:
“The map also identifies the existence of two genetic barriers within Europe. One is between the Finns (light blue, upper right) and other Europeans. It arose because the Finnish population was at one time very small and then expanded, bearing the atypical genetics of its few founders.”
Se Hitler soubesse disso é até possível que tivesse deixado os judeus em paz, se bem que a busca no Google por “typical finish people” traz resultados que provavelmente não deixariam Hitler muito entusiasmado com o “hate potential” do povo finlandês _ porque diabo os miseráveis tinham que parecer tão arianos? Porém, provavelmente desconfiados de que um dia a maré pode virar, criaram logo uma empresa de telefones celulares (provavelmente todos pré-grampeados) para saber o que o mundo está planejando.
O gozado é que os finlandeses não estão sozinhos nessa. Com menor taxa de separação, mas ainda assim outsiders, estão os italianos:
“The other is between Italians (yellow, bottom center) and the rest. This may reflect the role of the Alps in impeding free flow of people between Italy and the rest of Europe.” [grifo meu]
Otzi que o diga.
Isso aqui é interessante, vikings à parte:
“Europe has been colonized three times in the distant past, always from the south. Some 45,000 years ago the first modern humans entered Europe from the south. The glaciers returned around 20,000 years ago and the second colonization occurred about 17,000 years ago by people returning from southern refuges. The third invasion was that of farmers bringing the new agricultural technology from the Near East around 10,000 years ago.“
E isso porque esqueceram de citar as invasões árabes. Bom ponto para um scaremongering, hein?

Dawning of intelligence
“Learning how to cook food stimulated a big leap in human cognition some 150,000 years ago, a new study suggests. Cooking breaks down fibers and makes nutrients more readily available, so our digestive systems then required less energy than those of creatures eating all raw foods. This freed calories up to feed our brains, the thinking goes.“

Falta de solidariedade de classe entre os camaradas vírus
Deu na Folha:
“Vírus consegue atacar outro vírus, diz estudo na “Nature”
DA EFE
Até vírus podem sofrer infecções virais, afirmam cientistas franceses, numa descoberta que pode ajudar a explicar como eles trocam genes e evoluem rapidamente.
Uma equipe da Universidade do Mediterrâneo, em Marselha (França), descobriu um tipo de vírus até então desconhecido, que chamou de virófago.
O estudo foi publicado na revista científica britânica “Nature”. Quando observavam através do microscópio uma ameba infectada por uma cepa de mimivírus (o maior conhecido), os cientistas notaram que um pequeno vírus, batizado de Sputnik, estava grudado em outros vírus que se reproduziam numa ameba.
Já se conheciam vírus capazes de atacar bactérias, mas este é o primeiro exemplo de infecção viral em vírus, dizem os cientistas.
Embora não mate o mimivírus, o virófago reduz a taxa de reprodução da vítima e faz com que nasçam unidades deformadas do vírus. O objetivo do Sputnik, que não é capaz de infectar a ameba sozinho é aumentar a sua própria taxa de reprodução.
Vírus que adoecem reacendem o debate sobre se o vírus é um ser vivo. Alguns biólogos não os consideram vida porque eles não produzem suas próprias proteínas.“
***
O interessante é que a matéria da Nature realmente tem um outro spin (observado muito de passagem na matéria da Folha), que é o de saber se um vírus é um ser vivo ou não. Eis um trecho:
““There’s no doubt this is a living organism,” says Jean-Michel Claverie, a virologist at the the CNRS UPR laboratories in Marseilles, part of France’s basic-research agency. “The fact that it can get sick makes it more alive.”” [grifo meu]
Ou seja, o pesquisador parece pensar que a faculdade de poder morrer é que seria o traço distintivo da vida.
***
Meu velho pai, portanto, é quem estava certo. Ele gostava de dizer o seguinte: “Pra morrer basta estar vivo”.
O Paulo diz:
“Primeiro que eu nunca ‘neguei’ global warming. Se vc quer generalizar, que generalize com gente que encaixa seus straw men.“
Ah, sim:
Pô, o cara não só duvida do aquecimento global como ainda acha bonito gastar 7 horas diárias de transporte do trabalho pra casa _ colaborando ainda mais para isso.
Mas eu sei que o Paulo vai dizer que eu estou fazendo uma intepretação criativa do seu post. Eu sei que ele diz que o problema dele com o aquecimento global é que ele é uma “agenda roubada” pela esquerda. Bem, como eu venho dizendo, trata-se muito mais de uma agenda resgatada, não roubada. Resgatada do oblívio onde a direita gostaria de colocar o problema. Pouco me importa o quanto Paulo do FYI é esquizofrênico sobre a questão, ora duvidando que o problema exista, ora soltando ar quente do tipo “a tecnologia vai resolver o problema”, quando se sabe que não só foi a tecnologia que criou o problema como também que a tecnologia em si não resolve nada se não existirem incentivos econômicos para isso.
E mais: incentivos econômicos vêem a luz quando arranjos políticos assim o determinam. Technology my ass, Paulo.

Deu no Estadão:
“Geleira argentina Perito Moreno se rompe no inverno austral
O processo de ruptura foi iniciado na sexta-feira e pode ser consequência do aquecimento global
BUENOS AIRES - A geleira Perito Moreno rompeu-se, nesta quarta-feira, na Patagônia argentina, um fenômeno incomum durante o inverno austral.
O processo de ruptura, que ocorre mais ou menos a cada três anos, foi iniciado na sexta-feira e pode ser consequência do aquecimento global.
A última ruptura havia sido registrada em março de 2006.
Alguns turistas estavam no local para assistir ao espetáculo, que normalmente acontece em épocas de altas temperaturas.
A geleira Perito Moreno, que tem uma extensão de cerca de 200 quilômetros quadrados, mais de três quilômetros e cerca de 70 metros de altura acima do nível do lago.“
***
Claro que o degelo antecipado da Perito Moreno é um evento dramático, mas não devemos perder de vista que, na verdade, assim como uma andorinha só não faz verão, um evento isolado não faz o aquecimento global. Como diz o pessoal do Real Climate, em um post sobre a notícia um tanto sensacionalista de que no próximo verão o Pólo Norte estará provavelmente completamente livre de gelo:
“So why do stories about an geographically special, but climatically unimportant, single point traditionally associated with a christianized pagan gift-giving festival garner more attention than long term statistics concerning ill-defined regions of the planet where very few people live?
I don’t really need to answer that, do I?“
Não, é claro que não.
Um interessante estudo feito por pesquisadores suíços mostra o efeito da televisão sobre as expectativas de inflação:
“The Role of Media for Consumers’ Inflation Expectation Formation
This paper analyzes the impact of the media on consumers’ inflation expectations. We distinguish two channels through which media can influence expectations. First, the intensity of news coverage on inflation plays a role (volume channel). Second, the content of these reports matters (tone channel). Employing a unique data set capturing media reports on inflation in Germany comprising 01/1998 - 12/2006 we are able to discriminate between these two effects. We find that the volume effect generally improves the accuracy of consumer forecasts while the tone channel induces a media bias.“
Conclusões:
“(i) the effect of reporting is asymmetric: news on rising inflation induce a media bias whereas news on falling inflation don’t.
(ii) The content of news matters with respect to the time horizon it addresses: the inflation reports that transmit a message related to the present and future significantly improve the quality of expectations, whereas reports dealing with past inflation deteriorate the rationality consumers’ expectations.
(iii) Articles from newspapers narrow the gap especially if they are located in the headers of economics sections.
(iv) TV news induce a relatively strong media bias. Our results even remain if we control for possible endogeneity issues as well as shocks in real inflation figures.”
Tradicionalmente eu fico meio de pé atrás com tentativas de “matar o mensageiro”, mas certamente é bastante intuitivo que o noticiário colabore na formação de expectativas.

O Coturnix, do “A Blog Around the Clock”, um dos Science blogs, lembra que hoje a teoria da seleção natural faz 150 anos:
“On this day 150 years ago essays by Alfred Russel Wallace and Charles R. Darwin were read at the meeting of the Linnean Society in London. This was the first time in history that the idea of natural selection was presented to the world.“
Mais no blog do Greg Laden, do mesmo portal.
Talvez seja conhecida a história de que Darwin, apesar de ter chegado às conclusões que chegou, ficou muito reticente em publicá-las pois sabia do impacto que teriam (e quem lê sua biografia sabe que sua família era muito tradicional e religiosa). Apenas o conhecimento de que um outro naturalista, Alfred Wallace, havia chegado independentemente às mesmas conclusões é que o fizeram resolver a publicar seu trabalho _ aparentemente seu medo de perder a anterioridade da descoberta era maior que o medo de eventuais danos à sua reputação. Em um interessante post sobre a publicação conjunta de Darwin e Wallace seu blog The Austringer, Wesley Elsberry diz:
“The reading also forced Darwin’s hand, and the following months saw him discard his long-term project of writing a large monograph on natural selection, and instead hurry to produce an “abstract” of his work. That “abstract” is what we now know as the book, “Origin of Species”, published in November, 1859.“
Ou seja, a “Origem das Espécies” é apenas um “abstract“. Wow.
Festschrift aqui.
Eu fiquei tão sem fôlego que acho melhor transcrever o post inteiro sem mais delongas:
“The End of Theory: The Data Deluge Makes the Scientific Method Obsolete
Drew Conway pointed me to this article by Chris Anderson talking about the changes in statistics and, by implication, in science, resulting from the ability of Google and others to sift through zillions of bits of information. Anderson writes, “The new availability of huge amounts of data, along with the statistical tools to crunch these numbers, offers a whole new way of understanding the world. Correlation supersedes causation, and science can advance even without coherent models, unified theories, or really any mechanistic explanation at all.”
Conway is skeptical, pointing out that in some areas–for example, the study of terrorism–these databases don’t exist. I have a few more thoughts:
1. Anderson has a point–there is definitely a tradeoff between modeling and data. Statistical modeling is what you do to fill in the spaces between data, and as data become denser, modeling becomes less important.
2. That said, if you look at the end result of an analysis, it is often a simple comparison of the “treatment A is more effective than treatment B” variety. In that case, no matter how large your sample size, you’ll still have to worry about issues of balance between treatment groups, generalizability, and all the other reasons why people say things like, “correlation is not causation” and “the future is different from the past.”
3. Faster computing gives the potential for more modeling along with more data processing. Consider the story of “no pooling” and “complete pooling,” leading to “partial pooling” and multilevel modeling. Ideally our algorithms should become better at balancing different sources of information. I suspect this will always be needed.“
***
Cosma Shalizi tem palavras álacres a respeito do artigo, também.
Deu no UOL:
““Garotos maus” fazem mais sucesso com as mulheres, sugerem estudos
Os rapazes “do bem” provavelmente já sabiam disto: “garotos maus” têm mais sucesso com as garotas. A conclusão é de dois estudos divulgados nesta quarta-feira na revista “New Scientist” e pode explicar por que comportamentos anti-sociais persistem, apesar do custo que representam à sociedade.
As características mencionadas nos estudos são o narcisismo, a impulsividade, a insensibilidade e a atração por situações de perigo. Esses indivíduos também costumam enganar e explorar os outros, por sua natureza maquiavélica.
Ao longo do tempo, homens com esse perfil eram banidos e viviam sós, famintos e vulneráveis a predadores.
No entanto, esse comportamento pode ter trazido uma vantagem para esses homens: uma vida sexual fecunda, como afirma o pesquisador Peter Jonason, da Universidade do Novo México. Ele e seus colegas aplicaram testes de personalidade em 200 estudantes e detectaram que os “garotos maus” eram o que apresentavam maior número de relacionamentos de curto prazo. Jonason compara o perfil ao personagem James Bond, de “007″.
Outro estudo, com resultados similares, foi conduzido por David Schmitt, da Universidade Bradley, de Illinois. A pesquisa contou com mais de 35 mil entrevistas feitas em 57 países diferentes.
Ambos os trabalhos foram apresentados em um encontro sobre comportamento humano e evolução realizado este mês em Kyoto, no Japão.
Para o pesquisador Matthew Keller, da Universidade do Colorado, falta descobrir por que essas características, que parecem bem-sucedidas do ponto de vista evolutivo, não tornaram-se mais comuns entre os homens. Uma hipótese, segundo Keller e Jonason, é que esse sucesso está ligado ao fato de que essas personalidades são raras. Se não fosse assim, as mulheres seriam mais cautelosas“.
***
Por essas e outras é que eu sou bruto, violento e carinhoso.
Hoje ao abrir minha caixa postal deparei-me com o seguinte e-mail:
“Plataforma Lattes - 18/06/2008 - 08:45
Comissão do CNPq acompanhará Plataforma Lattes
Os dados inseridos na Plataforma Lattes serão revisados. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT) criou uma comissão de acompanhamento para verificar a consistência e confiabilidade das informações. [grifo meu]
Com o trabalho, a comissão pretende aperfeiçoar o sistema, evitar e corrigir falhas e fortalecer a credibilidade da Plataforma, que disponibiliza um banco de currículos de pesquisadores, professores, alunos e vários profissionais das mais diversas áreas do conhecimento que atuam em ciência, tecnologia e inovação.
As informações da Plataforma podem ser utilizadas no apoio a atividades de gestão e no suporte à formulação de políticas para a área de ciência e tecnologia. A abrangência da ferramenta superou o planejamento original e ultrapassou as fronteiras nacionais. Hoje, por meio de permissão de uso concedida pelo CNPq, o sistema pode ser utilizado por pesquisadores de oito países da América do Sul. A Plataforma Lattes é considerada um patrimônio público nacional, reconhecido até em países desenvolvidos.
A comissão é composta pelos pesquisadores Antonio Martins Figueiredo Neto, Roberto Passetto Falcão e Ruben George Oliven, pelo auditor-chefe do CNPq, Flávio Coutinho de Carvalho, e pelos servidores Fernando Bacaneli e Rafael Leite Pinto de Andrade.“
Se chegamos ao ponto de ter que fazer peer review de currículo, é por que a coisa está mal.

Plutão, eminência parda que manipula das sombras
No Planetary.org, uma prova de que até os planetas exteriores têm lobbies nas “agências reguladoras” terrestres:
“Meet the Plutoids: IAU Makes Amends for Pluto’s Demotion
It has been nearly two years since the members of the International Astronomical Union (IAU) decided that Pluto, known since its discovery as the “9th planet,” was not a planet at all. Instead this longstanding favorite of children around the world was designated as a founding member of a new class of “dwarf planets.” According to the IAU, the exclusive and now permanently closed club of “true” planets includes only the eight inner planets, from Mercury to Neptune. No new space rocks need apply.
Now, in an apparent effort to assuage angry Pluto supporters, the IAU has decided to honor the former planet with a new distinction: Dwarf planets, at least those residing at the edge of the solar system beyond the orbit of Neptune, will henceforth be known as “plutoids.”“
***
E como no caso da captura regulatória em outros campos menos celestes, porteira aberta é um caso sério:
“In addition to Pluto and Eris, several other objects are being considered for the “plutoid” designation. The candidates include giant KBO’s 2005FY9, known informally as “Easterbunny,” and 2003EL61, nicknamed “Santa.” Other large objects, such as Sedna and Quaoar, may qualify as well, but they are too dim for their shape to be determined with confidence. Their induction into the ranks of plutoids will therefore have to wait until better images are available.“
Como se vê, todo o zoológico planetário que circula sobre nossas cabeças agora quer uma lasquinha do privilégio plutônico. De qualquer maneira, saber que “Santa” é um plutóide é de alguma maneira bastante reconfortante.
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Imaginem só como vai ficar a coisa quando o lobby de Vênus começar a trabalhar…

Steampunked
O NYT traz um artigo interessantíssimo sobre o Mundaneum. Pois é, você não sabe o que é isso? Nem eu sabia também.
O fato é que um outro visionário francófono (outro, sim, pois há, ou havia, muitos deles), Paul Otlet, um belga, já havia antecipado, em 1934, a World Wide Web. Não causa muita surpresa que sua abordagem não tenha sido a de alguém ligado a software, como Vannevar Bush ou Doug Engelbart, mas sim a de um bibliotecário. Sim, Paul Otlet vinha desse background. Diz a Wikipedia:
“É considerado o fundador da ciência da Bibliografia, da Documentação pioneiro da Gestão da Informação. Estudou nas universidades de Lovaina, Paris e Bruxelas.
Com Henri la Fontaine criou em Bruxelas, em 12 de setembro de 1895, o IIB - Instituto Internacional de Bibliografia, com objetivo era organizar as diferentes fontes de investigação científica e fornecer informação para a recuperação em qualquer documento publicado mundialmente.
Criou, também, a CDU - Classificação Decimal Universal, publicada em 1899.
Seu Traité de Documentation (1934) apresenta a organização da informação registrada. Porém, uma de suas maiores contribuições para a humanidade foi a idéia inicial da web, inclusive criando o termo “link” para as relações entre informações.“
Diz a reportagem do NYT que em 1934 Otlet fez o rascunho de um plano para criar uma rede global de computadores (que ele chamava de “telescópios elétricos”…), os quais permitiram a qualquer pessoa fazer buscas e examinar milhões de documentos, imagens, vídeos e áudios interligados. Para ele as pessoas seriam capazes de usar a rede para trocar mensagens, compartilhar arquivos e conversar em redes sociais. A tudo isso ele chamou, é claro, por “réseau” _ a bisavó intelectual da nossa “web”. Ou, em suas palavras, um instrumento através do qual “qualquer pessoa poderia, de sua poltrona, perscrutar toda a Criação”.
Tendo sido vítima do homeschooling, Otlet virou uma traça, um devorador de livros. Porém com algum empreendorismo, o que o levou a convencer o governo belga a financiar seu fabuloso projeto de classificar todo o material impresso do mundo e criar uma “cidade do conhecimento” _ um trunfo interessante para o governo, que queria ter a honra de sediar a Liga das Nações. De fato, ele chegou a fundar um Google “steampunk” _ um serviço pago de consultas, e chegou a receber mais de 1500 consultas por ano, feitas por carta e telégrafo.
Otlet desapareceu para nós, em boa medida porque os nazistas marcharam sobre a Bélgica e destruíram o trabalho de sua vida _ o governo belga havia perdido o interesse no assunto após ter perdido o lance para hospedar a Liga das Nações, e os nazistas destruíram o local da sua “cidade do conhecimento” para abrigar uma exposição de, er, arte nazista.
Hoje, o trabalho de Otlet está sendo objeto de tentativas de restauração, e um dos principais projetos é o Mundaneum Museum, em Bruxelas.
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Mais uma vez o mundo anglo se curva perante a latinidade.
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O artigo termina algo melancolicamente, assinalando que o Google lui-même está implantando mais um de seus gigantescos data centers nas vizinhanças de Mons, a cidade belga onde hoje funciona o Mundaneum.
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Um mercado que aliás está quase literalmente pegando fogo. Informa o Slashdot:
“Data Center Designers In High Demand
“For years, data center designers have toiled in obscurity in the engine rooms of the digital economy, amid the racks of servers and storage devices that power everything from online videos to corporate e-mail systems but now people with the skills to design, build and run a data center that does not endanger the power grid are suddenly in demand. ‘The data center energy problem is growing fast, and it has an economic importance that far outweighs the electricity use,’ said Jonathan G. Koomey of Stanford University. ‘So that explains why these data center people, who haven’t gotten a lot of glory in their careers, are in the spotlight now.’ The pace of the data center build-up is the result of the surging use of servers, which in the United States rose to 11.8 million in 2007, from 2.6 million a decade earlier. ‘For years and years, the attitude was just buy it, install it and don’t worry about it,’ says Vernon Turner, an analyst for IDC. ‘That led to all sorts of inefficiencies. Now, we’re paying for that behavior.’“
Data centers, hoje, costumam ser propriedades bem guardadas e protegidas não só de ladrões e sabotadores como dos olhares de competidores curiosos, já que as tecnologias empregadas para mitigar um dos maiores custos desses empreendimentos, a energia elétrica, são sigilosas. Mas o leitor mais tecnologicamente orientado gostará de ver esta sequencia de fotos mostrando a montagem de um data center.
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E no Rough Type, o Nick Carr dá continuidade a mais uma polêmica. Dessa vez, um artigo no Atlantic sobre os efeitos cognitivos do Google, batizado,com raro senso marketeiro, de…
“Is Google Making Us Stupid?”
Maybe. Tese: o Google causa desordem de déficit de atenção. Nick nos atira uma bela frase:
“Once I was a scuba diver in the sea of words. Now I zip along the surface like a guy on a Jet Ski.“
OK, até certo ponto eu também sinto isso.
Em certa medida, a web que o mundo esqueceu foi mesmo a de Otlet, mas também é preciso dizer que há uma web que o mundo vive esquecendo todo dia, a que é fabricada em Mountain View.
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Para tudo, entretanto, há remédio.
No Cosmic Variance, li isto _ um excerto de um estudo do Center for Work-Life Policy:
“Based on data from 2,493 workers (1,493 women and 1,000 men) polled from March 2006 through October 2007 and hundreds more interviewed in focus groups, the report paints a portrait of a macho culture where women are very much outsiders, and where those who do enter are likely to eventually leave…
They also do well at the start, with 75 percent of women age 25 to 29 being described as “superb,” “excellent” or “outstanding” on their performance reviews, words used for 61 percent of men in the same age group.
An exodus occurs around age 35 to 40. Fifty-two percent drop out, the report warned, with some leaving for “softer” jobs in the sciences human resources rather than lab bench work, for instance, and others for different work entirely. That is twice the rate of men in the SET industries, and higher than the attrition rate of women in law or investment banking.
The reasons pinpointed in the report are many, but they all have their roots in what the authors describe as a pervasive macho culture.
Engineers have their “hard hat culture,” while biological and chemical scientists find themselves in the “lab coat” culture and computer experts inhabit a “geek culture.” What they all have in common is that they are “at best unsupportive and at worst downright hostile to women,” the study said.“
Espero que alguém tenha controlado para “maternidade”…
Talvez meus 4,5 leitores conheçam a história sobre um diretor do instituto de patentes norte-americano que, chamado a falar no Congresso daquele país em um certo momento do século XIX, disse pensar ser necessário fechar o escritório, pois tudo que havia para ser inventado já havia sido inventado. A história é bem conhecida e é também falsa, até porque dificilmente um diretor de um órgão burocrático defenderia a extinção do órgão diante do Congresso, mesmo nos EUA.
No entanto, se o avanço tecnológico não acabou, e a História também não, talvez o mesmo não seja verdadeiro em relação à cosmologia. Matéria do NYT de hoje narra o desespero da comunidade científica dedicada a investigar os mistérios dos céus em relação à chamada “energia escura”, um ente hipotético criado pelos cientistas para explicar alguns fenômenos curiosos observados no espaço profundo _ como o fato de que as galáxias distantes, por exemplo, não estão desacelerando, muito pelo contrário. O nível de desespero pode ser sintetizado nesta frase de Lawrence Krauss, da Case Western Reserve University, à audiência de um seminário patrocinado pela NASA para investigar o tema :
“In spite of the fact that you are liable to spend the rest of your lives measuring stuff that won’t tell us what we want to know, you should keep doing it.”
Por várias razões, a existência da energia escura traz à tona a idéia de um multiverso, ou seja, que o universo em que existimos coexiste com um enorme número de outros universos onde a constante cosmológica possui outros valores (no nosso universo em particular, um número ridiculamente próximo, porém diferente, de zero). Um cientista dá um testemunho eloquente e sincero de sua dessatisfação com a idéia:
“As for how I feel personally, I am not sure what to say,” he said in an e-mail message. “I wasn’t terribly enthusiastic the first, or even second, time I heard the proposal of a multiverse. But none of us were consulted when the universe was created.”
Realmente, teria sido uma boa idéia que teria poupado muito dinheiro gasto em prêmios Nobel. Infelizmente não é assim que a banda toca.
***
E agora, para uma coisa não tão completamente diferente, um trecho de um artigo de John Horgan no NYT em 2006:
“Today, government spending on physics research has stagnated, and the number of Americans pursuing doctorates has plunged to its lowest level since the early 1960’s. Especially as represented by best sellers like “A Brief History of Time,” by Stephen Hawking, and “The Elegant Universe,” by Brian Greene, physics has also become increasingly esoteric, if not downright escapist. Many of physics’ best and brightest are obsessed with fulfilling a task that occupied Einstein’s latter years: finding a “unified theory” that fuses quantum physics and general relativity, which are as incompatible, conceptually and mathematically, as plaid and polka dots. But pursuers of this “theory of everything” have wandered into fantasy realms of higher dimensions with little or no empirical connection to our reality. In his new book “Hiding in the Mirror: The Mysterious Allure of Extra Dimensions, from Plato to String Theory and Beyond,” the physicist Lawrence Krauss frets that his colleagues’ belief in hyperspace theories in spite of the lack of evidence will encourage the insidious notion that science “is merely another kind of religion.“
***
Redações sobre esse tema serão aceitas até hoje às 24:00 hs. ![]()

O que será do turismo de fotos engraçadinhas agora?
O Slashdot informa que a torre de Pisa está salva de cair por mais 300 anos:
““The tower of Pisa began to lean five years after its construction began, in 1178, and by 1990 it had tilted more than four meters off its true vertical. Conservationists estimated that the entire 14,500-ton structure would collapse ’some time between 2030 and 2040.’ Now the Leaning Tower of Pisa has been stabilized and declared safe for at least another three centuries. The stabilization, which cost $30M, was accomplished by anchoring it to cables and lead counterweights, while 70 tons of soil were removed from the side away from the lean, and cement was injected into the ground to relieve the pressure. The tilt has now returned to where it was in the early 19th century. Nicholas Shrady, author of Tilt: A Skewed History of the Tower of Pisa, says that the tower was destined to lean from the outset because it was built on ‘what is essentially a former bog.’ Shrady adds that the tower previously came close to collapsing in 1838, 1934, and 1995. (The commission convened in 1990 to study the tower’s stability was the 17th such.)”.
Infelizmente, salva-se a torre mas vai abaixo um mito:
“Although Galileo Galilei is said to have dropped cannon balls from the tower in a gravity experiment, Shrady says the myth is the result of ‘the overripe imagination of Galileo’s secretary and first biographer, Vincenzo Viviani.’“
Resta saber de onde o sábio soltou as tais bolas.
Onde Keira Knightley e Scarlett Johannson dão sua cota de sacrifício pela Singularidade (cliquez pour enlarger)
Nick Carr tem um post sobre o número especial do…IEEE Spectrum (sic) sobre a Singularidade. Pra quem ainda não sabe que diabo é isso, ou pensa logo em um buraco negro, Carr tem uma descrição bem apta:
“…that much-anticipated moment, or nano-moment, when our once-tractable silicon servants rocket past us, intellectually speaking, in a blur not unlike the one you see when Scotty activates the Enterprise’s warp drive on Star Trek, pausing only (we pray) to allow us to virtualize our mental circuitry and upload it into their capacious memory banks (watch for the 2035 launch of Amazon S4: Simple Soul Storage Service), thus achieving a sort of neutered, brain-in-a-jar immortality…“
O primero texto da coletânea, que é também seu portulano e editorial, ilumina bem a discussão que tivemos no post sobre a reação de Reinaldo Azevedo à decisão do STF, qual seja, a de dizer, em essência, que a ciência visa “imanentizar o eschaton”:
“Bear that history in mind as you consider the creed of the singularitarians. Many of them fervently believe that in the next several decades we’ll have computers into which you’ll be able to upload your consciousness—the mysterious thing that makes you you. Then, with your consciousness able to go from mechanical body to mechanical body, or virtual paradise to virtual paradise, you’ll never need to face death, illness, bad food, or poor cellphone reception.
Now you know why the singularity has also been called the rapture of the geeks.” (grifo meu)
É um cenário que comporta elementos gnósticos, como os illuminati por aqui reconhecerão de imediato:
“The singularity is supposed to begin shortly after engineers build the first computer with greater-than-human intelligence. That achievement will trigger a series of cycles in which superintelligent machines beget even smarter machine progeny, going from generation to generation in weeks or days rather than decades or years. The availability of all that cheap, mass-produced brilliance will spark explosive economic growth, an unending, hypersonic, technoindustrial rampage that by comparison will make the Industrial Revolution look like a bingo game.“
Não por muito acaso também é mais ou menos o que acontece logo após os militares ligarem pela primeira vez o computador Skynet, no “Terminator 3″, só que “with a vengeance“.
De qualquer forma, o editorial fala do lado “bom” da coisa:
“The brain is nothing more, and nothing less, than a very powerful and very odd computer. Evolution has honed it over millions of years to do a fantastic job at certain things, such as pattern recognition and fine control of muscles. The brain is deterministic, meaning that its reactions and responses, including the sensations and behavior of its “owner,” are determined completely by how it is stimulated and by its own internal biophysics and biochemistry. Given those facts, most mathematical philosophers conclude that all the brain’s functions, including consciousness, can be re-created in a machine. It’s a matter of time.” (grifo meu)
E do lado “ruim” também, é claro:
“Ah, but let’s face it—time is what really matters. If you’re obsessed with your own mortality, the idea of a computer blinking into consciousness 400 years from now isn’t going to rock your world. You want the magic moment to come, say, 25 years from now at most. Unfortunately, that timetable grossly overestimates the speed of technical progress. (…)
What we do know is that the brain’s complexity dwarfs anything we’ve managed to fully understand, let alone build. (…) consciousness will arise in a machine, but [some authors] are less sanguine about death-defying uploading, and especially about it happening in time to allow people alive now to preserve their minds in some sort of digitally created Eden.“
Eu, pessoalmente, sou um tanto cético quanto ao “programa forte” da Singularidade. Acho que as “evidências” em seu favor estão excessivamente ancoradas na extrapolação de algumas tendências que, apesar de impressionantes, não são mais que uma decorrência de economias de escala vinculadas a certas trajetórias tecnológicas determinadas, como é o caso da Lei de Moore. No entanto acho extremamente provável que em algum momento seremos capazes de criar inteligências artificiais, e razoavelmente possível que sejamos capazes de transferir, em alguma medida, nossas individualidades para o domínio do virtual.
Contrariamente aos proponentes da Singularidade, porém, não vejo isso como uma benesse inquestionável. Gostaria de ver uma discussão sobre isso na caixa de comentários. Foi por isso que botei as mulé aí. ![]()
Olho vivo no STF. Deu no Estadão:
“A expectativa entre os ministros é de que as pesquisas [com células tronco, n. H.] sejam liberadas por uma maioria apertada em plenário. Os placares mais citados internamente são 6 a 5 ou 7 a 4. Um novo pedido de vista, que poderia novamente interromper o julgamento, está praticamente descartado. Justamente por isso, o presidente do tribunal, ministro Gilmar Mendes, marcou o início da sessão para as 8h30 - o horário normal seria as 14h30.“
Ainda segundo o Estadão,
“[o Ministro Carlos Alberto] Direito, que é católico, fará uma comparação entre a Lei de Biossegurança aprovada pelo Congresso, que liberou as pesquisas, e legislações sobre o mesmo assunto de diversos países. Uma de suas alegações para proibir as pesquisas está baseada nessa análise. Direito dirá que os países que liberaram as pesquisas fizeram, antes, uma lei para regular o procedimento da fertilização in vitro, pelo qual é obtido o embrião. No Brasil, não há legislação sobre o assunto.
Com argumentos como esse, Direito vai se contrapor, ponto a ponto, ao voto do ministro que relatou o caso, Carlos Ayres Britto. Para que tenha sucesso, porém, precisa obter apoio de pelo menos cinco colegas. O STF é composto por 11 ministros no total.“
Já segundo o Valor,
“A expectativa dos grupos religiosos contrários ao uso de embriões humanos em pesquisas científicas está no voto do ministro Carlos Alberto Direito. Católico praticante, ele pediu vista do processo, em março, e os religiosos esperam que ele abra uma linha de argumentação contra os votos de Ellen e Britto. Direito poderá apontar algum problema formal no julgamento para evitar que os ministros voltem a debater o mérito da questão, defender que as pesquisas ferem o direito à vida, ou tentar garantir que a discussão sobre células-tronco não crie nenhuma jurisprudência para julgamentos futuros sobre o aborto.“
Ou seja, o pau vai quebrar.
Então, vamos combinar assim: de um lado, as geleinhas celulares que jamais virarão gente, seja porque não têm como se desenvolver in vitro, seja porque são geralmente jogadas fora de qualquer jeito; e de outro, milhões de pessoas doentes ou deficientes às quais a Igreja Católica prefere negar a possibilidade de cura porque, afinal de contas, foi Papai do Céu que quis assim, apesar de papas moribundos terem direito a UTI’s móveis.
Façam suas apostas.

Que ursada
Deu no blog da revista do Estadão:
“Cão doutor
por Lola Felix, Seção: Saúde e bem-estar s 14:05:20.
Os cachorros provam que são amigos em diversas ocasiões. Agora, cientistas da Fundação Pine Street, na Califórnia (EUA) querem mostrar que eles podem também “diagnosticar” câncer em humanos, farejando a doença através da saliva ou da urina da pessoa.
Segundo a pesquisa, três semanas seriam suficientes para tornar o cão um verdadeiro doutor. Ainda de acordo com o estudo, o animal pode detectar, entre amostras do hálito humano, qual é o de um portador de câncer de pulmão ou mama. E isto seria feito precocemente, quando a doença ainda não manifestou sinais claros de que está presente no organismo da pessoa.
A fundação realizou um teste que envolveu 55 pessoas com câncer de pulmão e 31 com câncer de mama. Ao mesmo tempo, foram testadas 83 pessoas sem a doença. Os cães conseguiram acertar entre 88% a 97% dos casos.“
***
Tudo bem, faz um certo sentido. Os cães têm entre 200 e 300 milhões de receptores olfativos em seu nariz, contra 5 milhões do homem; nos cães estes receptores estão arranjados em uma área de 150 cm2, contra 5 cm2 do homem. A detecção não se dá, a princípio, sobre marcadores genéticos característicos de certos tipos de tumores, mas sim de produtos metabólicos típicos de certas células cancerosas, diferentes dos das células normais.
A idéia do pessoal do Pine Street não é fazer do cachorro um auxiliar médico, o que seria, hum, fofo, mas sim descobrir o que os cães estão percebendo e replicar o efeito em equipamentos especialmente construídos para a detecção de substâncias químicas, como cromatógrafos a gás, por exemplo.
Mas que a coisa parece mais de amigo urso do que de cão amigo, parece.
Comercial espertinho da Samsung.

Mais uma em Marte.
“Wherever exactly it lands, Phoenix will come to rest farther north than any other spacecraft on the Red Planet and will be the world’s first spacecraft to make direct measurements of water on another planet, the first visit the arctic plains on Mars, and the first to experience the up to -100 degrees F temperatures there.“
Dizia a Planetary Society, horas antes da confirmação do pouso.

Requiescat in pacem
Aquele tal anúncio da NASA do qual falei há uns dias atrás saiu hoje: é a descoberta da mais recente supernova na nossa galáxia, uma explosão estelar com apenas 140 anos de idade.
Eu não estava totalmente errado, porém, já que a supernova realmente está localizada próximo ao centro galáctico, o que torna sua observação por meio da luz visível bastante difícil. Ela só pode ser realmente visualizada através do telescópio de raios-X em órbita, o Chandra. Diz a NASA:
“Finding such a recent, obscured supernova is a first step in making a better estimate of how often the stellar explosions occur. This is important because supernovae heat and redistribute large amounts of gas, and pump heavy elements out into their surroundings. They can trigger the formation of new stars as part of a cycle of stellar death and rebirth. The explosion also can leave behind, in addition to the expanding remnant, a central neutron star or black hole.“
Suponho que melhorar as estimativas do quão frequentes são as explosões estelares seja uma coisa boa. OK, mais uma preocupação para nosso saco de preocupações.

Depois de ficar depositada por 50 anos em uma coleção privada, uma carta de Einstein que traz algumas revelações sobre sua relação com o divino será leiloada. O bicho vai pegar:
“…The word God is for me nothing more than the expression and product of human weaknesses, the Bible a collection of honourable, but still primitive legends which are nevertheless pretty childish. No interpretation no matter how subtle can (for me) change this. These subtilised interpretations are highly manifold according to their nature and have almost nothing to do with the original text. For me the Jewish religion like all other religions is an incarnation of the most childish superstitions. And the Jewish people to whom I gladly belong and with whose mentality I have a deep affinity have no different quality for me than all other people. As far as my experience goes, they are also no better than other human groups, although they are protected from the worst cancers by a lack of power. Otherwise I cannot see anything ‘chosen’ about them.“
No Pharyngula, um excelente post sobre o genoma do ornitorrinco. O artigo é interessante pelo seu didatismo, e o recomendo a todos que se interessem por biologia moderna.
Um trecho curioso:
“The platypus secretes a true milk, loaded with all of those goodies. One of the predominant proteins in milk is a phosphoprotein called casein, which is thought to have originated by a duplication of a tooth enamel matrix protein gene, of all things. These tooth genes, enamelin and ameloblastin, are clustered with the casein genes in both platypus and the mouse, suggesting that the kind of sophisticated lactation abilities we share arose prior to the Jurassic.“
O leite vem do dente! Taí, quem inventou a expressão “dente-de-leite” jamais imaginaria que era o contrário…
Uma matéria nas páginas de Ciência da Folha podem estar antecipando a tal da revelação que a NASA quer fazer no dia 14:
“Telescópio que enxerga raio X encontra matéria “perdida”
Cientistas que analisaram imagens do telescópio espacial XMM-Newton, da ESA (Agência Espacial Européia), anunciaram ontem ter encontrado uma enorme “ponte” de gás ultraquente entre dois aglomerados de galáxias. Essa grande quantidade de matéria, encontrada em uma região que antes parecia ser um colossal vazio, já havia sido prevista em teoria, mas nunca avistada.
Como a grande nuvem de gás descrita pelos cientistas é extremamente rarefeita, ela havia escapado ao escrutínio de outros telescópios. O XMM-Newton, porém, que enxerga imagens raios X em altíssima resolução, conseguiu ver a matéria perdida.
A ponte de gás encontrada fica entre os aglomerados de galáxias Abell 222 e Abell 223, a 2,3 bilhões de anos-luz da Terra. Segundo cientistas do Instituto Max Planck para Física Extraterrestre, de Garching (Alemanha), estruturas como essa são o que compõe cerca de metade da matéria comum que existe no universo.
Apesar de a descoberta do XMM-Newton ser importante, dizem os astrônomos, ela ainda não resolve o problema da chamada “matéria escura”, que não emite luz nem nenhum tipo de radiação. Apesar de não deixar traço observável, ela é responsável por mais de 85% da massa do Universo.”"

Audaciosamente enterrando sua reputação onde nenhuma reputação já foi enterrada antes
A Nasa anuncia que no dia 14 deste mês fará uma conferência para informar ao público sobre uma nova descoberta aguardada há 50 anos. Consta do anúncio que a descoberta foi feita pelo satélite Chandra, que é um observatório de raios-X.
A coisa tem todo o jeitão de que eles anunciarão finalmente a descoberta do buraco negro no centro da Via Láctea, objeto cuja existência astrônomos e astrofísicos pressupunham há anos mas do qual ainda não havia evidência científica direta devido à barreira de poeira existente entre nossa posição na Via Láctea e o centro galático.
***
A confirmar-se, a candidatura Alckmin ganhará um novo termo de comparação. ![]()
Genial:
“Our attempts to pursue our goals are often thwarted by the fact that evolution has built our most sophisticated technologies on top of older technologies — without working out how to integrate the two. We can plan in advance, using our modern deliberative reasoning systems, but our ancestral reflexive mechanisms, which evolved first, still basically control the steering wheel. When the chips are down, it’s those mechanisms that our brains turn to, and that means that our brains frequently wind up relying on machinery that is all about acting first and asking questions later, squandering some of the efforts of our deliberative system. No sensible engineer would have designed things this way. Why design fancy machinery for making long-term goals if you’re not going to use it? Yet the brain is structured such that the more tired, stressed or distracted we are, the less likely we are to use our forebrains and the more likely to lean back on the time-tested but shortsighted machinery we’ve inherited from our ancestors.”
Artigo inteiro aqui.
Matéria interessante na Folha de hoje:
“Os bosquímanos da África do Sul sempre foram considerados povos singulares: são fisicamente distintos, preservam uma cultura de caçadores-coletores que remete aos hábitos da humanidade na Idade da Pedra e têm línguas que não se parecem com nenhuma outra (uma de suas consoantes, por exemplo, é um estalo feito com a boca). Agora, um grupo de geneticistas encontrou uma razão para tamanhas diferenças: os ancestrais dos bosquímanos estiveram a ponto de originar uma outra espécie humana.
Durante um tempo que variou de 50 a 100 milênios, os khoisan (nome comum dado a todos esses povos) estiveram evoluindo isoladamente do restante das populações de Homo sapiens, uma espécie relativamente nova e com talento para colonizar novas terras -mas que, no entanto, ainda não havia deixado a África.
Esse isolamento só se rompeu há 40 mil anos. Não fosse essa troca recente de genes, os khoisan possivelmente estariam a caminho da especiação, evento que acontece quando duas populações de organismos evoluem separadamente a ponto de não poderem mais se cruzar entre si.”
O moral da história é que, apesar de séculos de racismo, xenofobia e chauvinismo de brancos, negros e asiáticos uns contra os outros, a maior possibilidade já havida de criação de uma outra “raça” humana esteve lá dentro da África mesmo.
O restante abaixo do fold, para os sem-folha.

O capitalismo é contagiante
Finalmente o pessoal que acha que “o capitalismo é uma doença” pode invocar uma confirmação científica para a sua opinião:
Option Model Calibration Using a Bacterial Foraging Optimization Algorithm
Jing Dang, Anthony Brabazon, Michael O’Neill, and David Edelman
The Bacterial Foraging Optimization (BFO) algorithm is a biologically inspired computation technique which is based on mimicking the foraging behavior of E.coli bacteria. This paper illustrates how a BFO algorithm can be constructed and applied to solve parameter estimation of a EGARCH-M model which is then used for calibration of a volatility option pricing model. The results from the algorithm are shown to be robust and extendable, suggesting the potential of applying the BFO for financial modeling.
(hat tip: Alea)
Paper novo no NBER:
“National Cultures and Soccer Violence
by Edward Miguel, Sebastián M. Saiegh, Shanker Satyanath - #13968 (EFG LE POL)
Abstract:
Can some acts of violence be explained by a society’s “culture”? Scholars have found it hard to empirically disentangle the effects of culture, legal institutions, and poverty in driving violence. We address this problem by exploiting a natural experiment offered by the presence of thousands of international soccer (football) players in the European professional leagues. We find a strong relationship between the history of civil conflict in a player’s home country and his propensity to behave violently on the soccer field, as measured by yellow and red cards. This link is robust to region fixed effects, country characteristics (e.g., rule of law, per capita income), player characteristics (e.g., age, field position, quality), outliers, and team fixed effects. Reinforcing our claim that we isolate cultures of violence rather than simple rule-breaking or something else entirely, there is no meaningful correlation between a player’s home country civil war history and soccer performance measures not closely related to violent conduct. “
É impressão minha ou ele está dizendo que nas sociedades violentas, os indivíduos são violentos, isto é, o todo é a soma das partes?

Tal pai, tal filha
Não, não vou falar do galo. Essa pedreira eu vou deixar para o Idelber…
Mas vou falar dessa notícia aqui.
Na minha infância eu era um grande observador da natureza. Aliás eu acho que teria dado um bom naturalista do séc. XIX. Uma das minhas diversões era observar as formigas (confesso que eu fazia algumas crueldades com elas, tais como colocá-las para brigar com aranhas, ou formigas de outras espécies) e insetos em geral. Por conta disso também observava de perto pássaros, vorazes consumidores de insetos. Quem já se dedicou a observar atentamente um pássaro caçando insetos em um gramado sabe muito bem que essa vinculação entre dinossauros e aves não tem nada de exótica _ eu mesmo em minha infância me divertia imaginando que os pássaros no gramado eram enormes dinossauros, sem ter, obviamente, a menor idéia de que um dia essa minha fantasia teria corroboração científica.
O grande lance da notícia, porém, é que pela primeira vez paleontólogos foram capazes de extrair tecidos moles de dentro de um osso fossilizado há mais de sessenta milhões de anos:
““De acordo com as teorias sobre o processo de fossilização, não se espera que material orgânico original seja capaz de subsistir por tanto tempo, por isso encontrar este material em um fóssil tão antigo é uma verdadeira surpresa. Eles são, de longe, a mais antiga dessas moléculas extraídas de fósseis.
“Sempre se acreditou que a preservação de [ossos de dinossauro] não se estenderia ao nível molecular e celular”, disse a co-autora Mary Schweitzer, da North Carolina State University em Raleigh, E.U..
“Os percursos de decaimento celulares são bem conhecidos para os organismos modernos. E extrapolações nos fazem prever que todas as matérias orgânicas em um fóssil vão desaparer completamente em 100.000 anos, no máximo.” “
O que me inspirou uma forma realmente revolucionária de reconciliar religião e ciência, que é proclamar o dino aí como santo e acondicionar sua ossada relíquia em alguma igreja.
Faz tempo que nem sequer olho o caderno Mais! da Folha, mas hoje até que veio alguma coisa que preste: uma conversa entre Ian McEwan e Steven Pinker.
Transcrevo abaixo para os sem-Mais!
No Pharyngula (e vários outros blogs), uma notícia interessante: um experimento natural feito em ilhas da ex-iugoslávia mostrou o processo de seleção natural agindo, e com uma rapidez impressionante _ cerca de 30 gerações somente.
A história é a seguinte: em 1971, pesquisadores capturaram dez espécimes (cinco machos, cinco fêmeas) de um tipo de lagarto em uma ilha da então Iugoslávia, no Adriático, e os transportaram para uma outra ilha ainda menor. Nessa outra ilha existia um outro tipo de lagarto.
36 anos depois, uma equipe voltou à ilha. Descobriu que a espécie original que habitava a ilha estava extinta, mas em compensação, os descendentes dos lagartos introduzidos tiveram amplo sucesso. O principal motivo desse sucesso foi terem alterado sua dieta: passaram de uma dieta basicamente insetívora para outra que contemplava grande percentual de matéria vegetal.
Dado que a digestão de vegetais não é algo fácil para nenhum animal e requer adaptações muito especiais, os pesquisadores foram atrás de saber o que havia mudado nos lagartos. E descobriram que de fato eles haviam desenvolvido, neste curto espaço de tempo, modificações ponderáveis na sua anatomia e até mesmo no seu comportamento. Mas a mais espetacular delas foi o desenvolvimento de características especiais no intestino que operavam no sentido de tornar mais lento o processo digestivo, dando tempo a que bactérias quebrassem a celulose do bolo fecal vegetal, permitindo assim a extração dos nutrientes pelos lagartos.
É, digamos assim, a evolução apanhada em flagrante, com a boca na botija. Não que seja a primeira vez que lagartos mostram essa capacidade.
Esperamos agora pelo experimento criacionista equivalente, que é detonar uma bomba de neutrons em uma dessas ilhas e esperar pra ver se os lagartos aparecem de novo…
Parabéns, Professor! Agora, cospe aqui
Deu no G1:
“Um quinto dos cientistas usa drogas para turbinar seu desempenho, diz pesquisa
Levantamento englobando 1.400 pesquisadores de 60 países foi feito pela revista ‘Nature’. Necessidade de melhorar concentração é citado como principal razão do ‘doping’.
A era do doping científico pode ter começado, a julgar pelos resultados de um levantamento feito pela revista especializada britânica “Nature”. Um em cada cinco pesquisadores que responderam um questionário on-line da publicação admitiram o uso de drogas para melhorar seu desempenho intelectual. São medicamentos normalmente empregados contra doenças do sono, hiperatividade e problemas cardíacos, que agora estão sendo colocados a serviço da mente dos cientistas sem prescrição médica.
A “Nature” havia colocado o questionário em seu site no começo deste ano, estimulada por um artigo especulativo de neurocientistas da Universidade de Cambridge. Barbara Sahakian e Sharon Morein-Zamir haviam feito uma enquete de pequena escala com seus colegas a respeito do uso desse tipo de droga e perguntado se estariam dispostos a usar tais substâncias para melhorar seu desempenho. As reações do público da “Nature” foram tão fortes que a revista se viu motivada a realizar sua própria pesquisa.
O questionário foi respondido por 1.400 pessoas de 60 países. Além de perguntas mais genéricas sobre as opiniões pessoais dos cientistas a respeito do uso de “doping”, a revista decidiu enfocar um trio de substâncias já conhecidas por seu uso entre estudantes desesperados.
A tríade abrange o Ritalin (princípio ativo: metilfenidato), normalmente usado para tratar hiperatividade ou distúrbio do déficit de atenção e empregado informalmente; o Provigil (modafinil), que atua contra problemas de sono mas também combate o cansaço e a desregulação do relógio biólogico; e os chamados betabloqueadores, que os médicos recomendam contra arritmia cardíaca, embora tais drogas também possam atuar contra a ansiedade.”
***
Vai rolar exame anti-doping na cerimônia do Prêmio Nobel…

Vai ser bom, não foi?
Deu no Estadão:
“Ato sexual ideal dura de 3 a 13 minutos, diz estudo
Segundo estudo americano e canadense, relação entre 10 e 30 minutos é ‘longa demais’.- Uma relação sexual satisfatória dura entre três e 13 minutos, de acordo com um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade Penn State, no Estado americano da Pensilvânia.
A pesquisa contou com a participação de 50 integrantes americanos e canadenses da Sociedade de Pesquisa e Terapia Sexual, incluindo psicólogos, médicos, assistentes sociais, terapeutas familiares e enfermeiras. Todos os envolvidos recolheram dados de milhares de pacientes durante décadas.
O estudo, publicado na revista Journal of Sexual Medicine, afirma que um ato sexual “adequado” dura entre três e sete minutos; um “desejável”, de sete a 13 minutos; um “curto demais”, de um a dois minutos; e um “muito longo”, de dez a 30 minutos.“
E agora?
Deu no NYT (via Último Segundo):
“SANTIAGO, Chile – Quando as tropas do general Augusto Pinochet deram um golpe de Estado em setembro de 1973, eles fizeram uma descoberta surpreendente. O governo anterior socialista de Salvador Allende havia encabeçado secretamente um novo experimento para gerenciar a economia chilena, utilizando um grande computador e uma rede de máquinas de telex. O projeto, chamado de Cybersyn, foi uma invenção de A. Stafford Beer, um britânico visionário que empregou seus conceitos “cibernéticos” para ajudar Allende a encontrar uma alternativa em relação às economias planejadas de Cuba e na União Soviética. Após o golpe, o plano se tornou o assunto de uma intensa investigação militar.
Ao desenvolver o Cybersyn, Beer mudou a vida de vários brilhantes jovens chilenos que trabalharam com ele. Aproximadamente 35 anos depois, tal característica pouco conhecida dessa abortada transformação socialista de Allende foi lembrada em uma exibição no museu de La Moneda, o palácio presidencial.
Uma cadeira do tipo “Guerra nas Estrelas”, com controles nos encostos, foi uma réplica das que permaneciam nas salas de operações de protótipos. Beer planejava que a sala recebesse relatórios de computador baseados em dados de máquinas de telex conectadas a fábricas do norte ao sul deste país com 4.345 km de extensão. Os gerentes sentariam em sete dessas cadeiras e tomariam decisões críticas sobre os relatórios mostrados nas telas de projeção.“
Open Thread: com a internet, o cálculo socialista é possível?

Stargating?
No NYT de hoje uma briga boa entre dois sujeitos preocupados (”concerned citizens”…) e o CERN, o instituto de pesquisa em altas energias da União Européia, que ainda no verão deste ano (no hemisfério norte) pretende inaugurar o mais novo empreendimento científico na área _ o Grande Colisor de Hádrons, em Genebra, França.
Walter L. Wagner, residente no Havaí, e Luis Sancho, residente em Barcelona, buscam impedir, na corte do Havaí (??), que o CERN ponha o acelerador para funcionar. O motivo? A possibilidade de que o acelerador crie a) um pequeno buraco negro que engula o planeta inteiro ou b) um “strangelet”, um pedaço de matéria quântica capaz de transformar todo o resto do planeta em “matéria estranha”. As duas possibilidades não são exatamente compatíveis com a vida, razão pela qual os dois cidadãos advogam que o “princípio precaucionário” embutido na legislação da Comissão Européia (falo brevemente sobre o Princípio neste post).
Evidentemente a corte do Havaí não tem jurisdição sobre a Comissão Européia e suas instituições, mas tem sobre o Departamento de Energia norte-americano, entre outras instituições dos EUA, que contribuem para o experimento.
Por via das dúvidas, embora o CERN já tenha produzido um relatório analisando os riscos em 2003, montou-se um novo grupo para rever todas as possibilidades envolvidas.
Cientistas apontam que nada irá acontecer no colisor de diferente do que já acontece milhões de vezes na própria atmosfera terrestre, já que raios cósmicos de alta energia vez por outra colidem com átomos na atmosfera terrestre criando choques da mesma ordem de grandeza (ou maior) em termos de energia do que as que ocorrerão no acelerador. A diferença, porém, é que enquanto os resíduos dos choques envolvendo raios cósmicos continuam voando universo afora à velocidades próximas às da luz, o LHC só consegue atingir energias próximas àquelas fazendo prótons colidirem em choque frontal. Nesse tipo de choque, o resultado do experimento muito provavelmente ficará em repouso em relação ao colisor _ e a tudo o que o cerca, nós inclusive.
Embora eu tenha confiança no julgamento da maioria da comunidade científica _ que acha que o experimento é totalmente seguro _ não consigo deixar de pensar na discussão sobre o Paradoxo de Fermi. Em todo caso vou ver se aproveito bem os próximos meses…




