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Charles Fernando é um jovem conservador evangélico. Não o conheço pessoalmente, mas seu blog mostra que ele compra o pacote completo, incluindo o selinho do “True Outspeak”.
“Precisamos de mais alunos como os da UniBAN!
Posted by Charles Fernando under Posts | Tags: uniban |
1 Comment
O título acima já prova que não estou tentando ser popular e principalmente ser agradável ao mainstream, não gosto do comportamento de manada nem da opinião induzida, por isso fui buscar provas com sinceridade em duvidar nas absurdas e não provadas acusações de que os alunos da UniBan vem sofrendo em nome da moral de puteiro, no qual toda moça tem o direito de usar mini-saia onde bem entende.
A dúvida nasceu da própria assertiva de que os alunos a quiseram estuprar em público pela moça estar provocando eles. Sim, ao contrário do que se entende, vários depoimentos (Que irei citar sem retoques) mostram que ela provocou diretamente o caso. Você pode imaginar em um relance esses alunos estando tão afobados que se transformaram em atores pornôs praticamente instantaneamente mesmo com tantas moças em sua volta para assistir? Acredita que uma porta trancada iria fazer frente a uma turba em busca de cometer um crime? Portas trancadas não aguentam nem os grevistas da USP, quanto mais a libido reprimida pela religião (sim, a culpa é sempre nossa, acredito piamente que esses alunos não tem uma ponta do ateísmo iluminado para barrar a sua moralidade violenta, um ateu não pode ser contra moças de mini-saias em um ambiente de estudos).
Duvidei, e busquei depoimentos de alunos nos vídeos e blogs que comentaram o assunto, são eles:
Desculpe, mas a noticia está errada => http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1358779-5605,00-ALUNA+COM+POUCA+ROUPA+PROVOCA+TUMULTO+EM+UNIVERSIDADE+E+VIDEO+CAI+NA+WEB.html <=
uma colega minha estuda na UNIBAN, na sala ao lado da garota, e ela afirmou que não houve “tentativa de estupro”, oq houve foi um bando de marmanjos xingando a menina pela forma que ela estava vestida. E afirmou também que a menina ficava se insinuando na frente das outras salas.
Ótimo, e de acordo com outro depoimento no mesmo blog.
Aqui, é muita mentira esta onda de q os alunos iam estuprar a garota. Isto não existiu… Eu estava lá!!!! Estávamos gritando PUTA! PUTA! PUTA!, e ESTUPRA!, ESTUPRA!, ESTUPRA! só de ZOAÇÃO, só de GOZAÇÃO!! Até parece q alguém iria estuprar uma mina no meio de uma universidade com todo mundo vendo!!! Até parece!! Fazer isto seria certeza de ser preso e destruir sua vida!! Ninguém iria fazer isto só porque uma destrambelhada resolveu ir pra aula com uma roupa inadequada. Destruir sua própria vida apenas porque uma mina resolveu ir pra aula mostrando sua bunda e outras partes íntimas seria demais!!!
E esta mina já é conhecida na UNIBAN de outros carnavais… Não é nenhuma santinha q de repente resolveu vestir uma roupa mais ousada!!! Ela sempre se veste de forma a provocar os outros!!
Aquela velha lição q nossa vó nos ensinou vale aqui: se queremos ser respeitados, devemos nos respeitar primeiro. E não foi isto q aconteceu, a mina não se respeitava, então os outros não a respeitaram!!!
Um comentário do vídeo:
Eu estudo lá. A mina ia subindo a rampa e os caras mexiam, daí ela olhava pra trás, jogava o cabelo pro lado, ajeitava o vestido, e ia caminhando rebolando. Subiu, e lá de cima provocava. E não é a 1ª vez isso, só q da outra vez (1 dia antes) não chamaram a polícia, pq ela estava mais comportada.
Então, não há prova sequer que estes alunos encostaram na moça, eu duvido muito disso! E muitos os reprovaram por não permitir uma roupa inadequada ao ambiente de estudo. Mas e o Quico? Por acaso eles são obrigados a aceitar o comportamento da moça só porque os moderninhos politicamente corretos querem? Onde está a liberdade deles de reprovarem a roupa dela assim como ela tem a liberdade de usar o que bem entender desde que em lugar apropriado? Ou eles são obrigados a engolir o desrespeito com a Universidade?
Nos ataques contra os alunos ouvi absurdos do tipo:
“O título do video está errado. O certo deveria ser: Animais humilham liberdade de expressão”
Outro sequer percebe a idiotice de que se está falando:
Por fim, vao ter que emitir a assustadora opiniao de que ninguem pode usar um maio numa universidade, por ser indecente!”
Foram retirados do blog e do vídeo, mas imagina você aluna, você tem todo o direito de ir de maiô na universidade e ninguém pode falar nada…. o indecente é ser decente! No Brasil, o moralista fariseu é o cara que fala mal do Carnaval e do funk, defende a pouca veste nas universidades… e depois chama os religiosos de hipócritas.. haja trave!
Os alunos podem ter errado? Sim… eles admitem isso, admitem também que pouco estavam se importando que esse assunto ia parar na internet e nas mãos dos politicamentes corretos sentirem-se com a consciência mais leve acusando terceiros. Mas se não ocorreu estupro como baseio-me acima para não acreditar nesse absurdo, parabéns aos alunos da UniBAN, que não permite que seu ambiente de ensino seja maculado com as vicitudes de outros ambientes, e isso não é apenas institucional que não pode controlar tudo, é na raíz da UniBAN, os alunos realmente estavam engajados em expulsar a moça de lá independente de uma autoridade universitária, nada mais libertário que não necessitar da aprovação de terceiros para se fazer o que é certo. Eles entenderam o que significa ser um watchdog, um vigia da liberdade que só pode existir com uma moral responsável e madura não imposta, e ninguém impôs moral a esses alunos, exceto o #mimimi da internet. Meu amigo católico dizia que se pode ser conservador e conservar qualquer coisa, ele estava certo. O que há no Brasil são conservadores dos maus costumes e da imoralidade.” [grifos meus]
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É vem verdade que ele depois lamenta seu isolamento:
“Fora o apoio do Julio Bueno, meu amigo Filipe Garcia (Muito conhecedor de Chesterton) não emitiu opinião, não tive apoio nenhum do Reinaldo Azevedo, da comunidade do Olavo de Carvalho e de muitos cristãos conservadores.. eu devo ter me tornado um extremista mesmo… cabe eu e o Julio convivermos na Alcatraz moral junto com os orangos do TaliBan… a ditadura da sexualidade livre é irresistível, só uns poucos não cairam na sedução da mini-saia.
Agora mesmo estive conversando com a Lucilene Soares no twitter, e ela disse bem que nas nossas igrejas as moças se vestem pior… sim, é verdade… e infelizmente quem está do lado de fora e não compartilha de nossa fé consegue enxergar isso melhor do que quem está dentro.”
Essa questão aliás é interessante, e volto a ela.
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OK, eu admito a existência de uma clivagem entre a direita de talhe economicista e a direita mais preocupada com a questão dos valores, conservadora do ponto de vista social. Também admito que essas duas vertentes às vezes não se bicam, como mostrou o vitupério entre Olavo de Carvalho e Rodrigo Constantino.
Minha bronca com Reinaldo Azevedo no episódio da Geisy Arruda é que ele está jogando para a platéia. Porque Tio Rei, pelo menos enquanto “persona” política, é claramente muito mais um representante da direita socialmente conservadora do que propriamente um titã do livre mercado. Digo isto porque ele, em seus posts, faz muito mais o papel do campeão dos valores conservadores do que de um campeão do livre mercado _ algo que por sinal seu apoio a Serra deveria ensinar aos seus discípulos.
O menino aí pelo menos está na dele. Discordo totalmente, mas ele ao menos está sendo sincero.
Já Tio Rei, em um longo post “em defesa” da Geisy Arruda, após usa expulsão da Uniban, nos apresenta o seguinte comentário:
“Eis o problema
Disse lá no alto: há o sintoma, e há a doença. A doença está na expansão de uma universidade sem vida universitária; de uma universidade que não consegue plasmar valores que ao menos debatam e questionem o ambiente intelectualmente acanhado de onde provém a nova “clientela” — essa palavra é boa — que usa esse “serviço”. Ela chega ao terceiro grau em razão do farto financiamento público e do barateamento dos cursos — no sentido mais amplo, geral e irrestrito do “barateamento”.
Alguns bocós falam de boca cheia em “democratização” da universidade. Confunde-se “democratização” com vulgarização — que é mais ou menos como confundir “povo” com “vulgo”. Que “universidade” é essa incapaz de transmitir a seus alunos o princípio básico do respeito ao outro — ou, se quiserem, da reação proporcional àquilo que se julgou, então, “desrespeito” do outro? Ao jogar a reputação e o destino de Geisy na arena — aliás, a Uniban lembra mesmo uma arena romana —, que exemplo moral a direção da universidade dá aos alunos? O tal Machado parece não deixar muitas dúvidas de que ele está dando uma satisfação apenas à clientela. Agora já sabemos: na Uniban, ser “insinuante” e “rebolar”, se a turba se exaltar, pode resultar em expulsão. Ameaçar alguém com linchamento e estupro não dá em nada; ao contrário até: parece ser essa uma reação considerada legítima.
(…)
E que se note: exceção feita às profissões que ponham a vida de terceiros em risco, pouco se me dá que essas coisas prosperem por aí. Se há quem queira comprar e quem queira vender — e se o mercado absorve esses profissionais —, virem-se. Garçom administrador de empresas é melhor do que garçom garçom? Não necessariamente — talvez faça bem à sua auto-estima, sei lá. Agora, quando dinheiro público entra na jogada — e o ProUni, por exemplo, é dinheiro público —, aí essas instituições têm de prestar contas do que fazem, sim. E a relação deixa de ser privada do comerciante com o cliente; aí passa a ser uma questão de estado. E o governo tem sido, obviamente, relapso com esse setor da economia. O país inventou uma universidade que não universaliza, mas amesquinha o espírito.”
É mesmo? Nesse caso ele deveria se perguntar o que o partido do seu candidato tem a ver com isto. Pois a IstoÉ de fevereiro de 2000 tem algo a acrescentar neste aspecto, em uma matéria pitorescamente intitulada “A Guerra do Canudo“:
“O ensino universitário privado no Brasil é um mercado de 1.015 cursos com 1,5 milhão de estudantes, faturamento anual estimado em R$ 5 bilhões e planos para dobrar de tamanho nos próximos quatro anos. Só em 1999, a Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE) autorizou a abertura de 517 novos cursos País afora, a grande maioria particulares. Esse acelerado aumento de vagas poderia ser apenas uma boa notícia aos milhões de estudantes que pretendem uma melhor qualificação para enfrentar um estreito e cada vez mais exigente mercado de trabalho. A concorrência nesse lucrativo negócio, porém, se transformou numa verdadeira guerra com troca de denúncias entre grandes empresas educacionais que atingem também o CNE e o Ministério da Educação. A Polícia Federal está investigando desde o ano passado uma denúncia de falsificação de pareceres. O caso veio à tona quando o próprio dono da Faculdade Elite de São Paulo foi à sede do CNE para saber se um processo dele já havia sido autorizado. Quando foi informado de que o relator do caso, o conselheiro Roberto Cláudio Bezerra, nem sequer tinha lido o processo, perdeu a paciência e abriu o jogo. “Eu já paguei por isso”, protestou o empresário, que tinha nas mãos cópia de um parecer assinado pelo próprio Bezerra aprovando sua faculdade. O parecer foi comprado de um dos muitos escritórios em Brasília que montam processos para reitores de primeira viagem, alguns comandados por ex-integrantes do conselho. O MEC abriu inquérito administrativo, que concluiu que o parecer falso havia sido digitado dentro do CNE, onde também foi falsificada a assinatura do conselheiro. A investigação ainda não foi concluída.
Outra história estranha ocorreu em agosto do ano passado quando da renovação da autorização para o funcionamento do curso de Direito da Universidade de Guarulhos. Uma comissão de avaliação da Secretaria de Ensino Superior do MEC concluiu que a organização didático-pedagógica da universidade era deficiente e teria sugerido ao reitor Antonio Veronesi a contratação de um consultor para propor providências capazes de suprir as deficiências. Logo após a conversa, Veronesi foi procurado pelo consultor Edmundo Lima de Arruda Júnior que ofereceu seus serviços por R$ 100 mil. A Universidade de Guarulhos seria a 12ª instituição de ensino que, após receber consultoria de Arruda Júnior, receberia reconhecimento do MEC. Em 8 de dezembro, a Câmara de Educação Superior do CNE propôs “a instalação imediata de uma Comissão de Sindicância para averiguar as irregularidades cometidas pela Comissão de Avaliação para a renovação do reconhecimento do curso de Direito da Universidade de Guarulhos”. Os avaliadores do MEC colocados sob suspeição trabalham na Comissão de Ensino Jurídico chefiada pelo professor Silvino Lopes, que está no Ministério desde a gestão do ministro Carlos Chiarelli no governo Fernando Collor. “Tudo indica que ali tem sérios problemas que estão a merecer uma investigação aprofundada”, adverte um reitor de uma universidade privada.
Cabala
Silvino Lopes é subordinado do conselheiro Abílio Afonso Baeta Neves, homem de confiança do ministro Paulo Renato Souza e todo-poderoso comandante da Secretaria de Ensino Superior do MEC. ISTOÉ teve acesso a documentos e fitas de uma reunião do Conselho Nacional da Educação que mostram uma história no mínimo contraditória. Em 4 de outubro do ano passado, os 12 conselheiros do CNE decidiram que a Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban) não poderia abrir cursos em Osasco sem antes cumprir a exigência legal de receber uma autorização do Ministério. “Fazer vestibular, ela pode fazer onde quiser – nos Estados Unidos, no Japão e até no subterrâneo do metrô de Paris. Agora, matricular para cursos lá é uma irregularidade, e nós não teremos nenhuma outra atitude a não ser informar que aquele vestibular é absolutamente ilegal e nulo”, sentenciou Baeta, na ocasião. Tudo letra morta. A Uniban, que tem como dono o reitor Heitor Pinto, simplesmente ignorou a proibição e não foi punida, apesar de expressa recomendação do CNE nesse sentido.
Numa reviravolta surpreendente, em janeiro deste ano Baeta passou a aceitar como regular o comportamento da Uniban e entrou em conflito aberto com seu parecer anterior e os colegas conselheiros. Pela legislação atual, uma universidade, para abrir campus fora da sede, precisa apresentar projeto específico ao conselho – como se estivesse criando uma nova universidade. A Uniban argumentou que não precisava dessa licença prévia porque, ao reconhecer a instituição, em 1993, o CNE aceitou Osasco como uma das áreas de influência da Uniban. O CNE não concordou e pediu ao MEC a abertura de inquérito administrativo para investigar irregularidades praticadas pela Uniban e também a suspensão de todos os processos da instituição em tramitação. O caso Uniban virou o primeiro grande impasse entre o MEC e o CNE. O Ministério considerou as propostas do conselho “extremas e desproporcionais” e rejeitou o pedido, que agora será revisto por uma comissão especial. Para complicar a situação, donos de universidades privadas contaram a ISTOÉ que Baeta Neves extrapolou suas funções de funcionário público e cabalou votos para a chapa articulada por Heitor Pinto, que no ano passado disputou e perdeu a eleição da Associação Nacional de Universidades Privadas.
Se a Uniban mostra força no Ministério da Educação, outro que também chama a atenção pelas excelentes relações no CNE, o órgão que julga, emite pareceres e aprova todas as instituições de ensino superior do País, é João Carlos Di Gênio. No final do ano passado, por exemplo, a Uniban resolveu abrir um novo campus em São Paulo. Depois de muita negociação, feita em sigilo, ofereceu em dezembro R$ 8 milhões por um prédio no bairro do Jaguaré. Ali, seria aberto o campus Marginal Pinheiros. Seria. A Uniban negociava o imóvel quando foi informada pela corretora de que a propriedade não estava mais à venda. Tinha sido negociada com uma de suas maiores concorrentes, a Universidade Paulista (Unip), de Di Gênio, que rapidamente abriu lá um campus e realizou seu vestibular, oferecendo 1.500 vagas para nove cursos. Além do vendedor e do candidato a comprador, o negócio só era conhecido dentro do Conselho Nacional de Educação. “Isso é suspeito”, atacou o reitor Heitor Pinto. “É uma desculpa de quem perdeu um negócio”, contra-ataca Di Gênio, que afirma ter pago R$ 9 milhões pelo prédio pretendido pela Uniban.” [grifos meus]
Ou seja, o Ministério da Educação, então comandado por Paulo Renato Souza, tergiversou e muito na hora de punir a Uniban, e teve um alto funcionário cabalando votos para seu reitor. Hummmm.

Qual seria a recepção dela no site do Tio Rei antes do affair Uniban??
Sem brincaderia: às vezes, mesmo eu fico pasmo com a cara de pau do Tio Rei.
Vejam o que ele diz aqui:
“A direção da Uniban disse que, até agora, não conseguiu identificar os responsáveis pelo ocorrido. E ousaria dizer que nem vai. Nota-se que há, arraigada por lá, uma cultura da intolerância e uma relação com o curso que está mediada apenas pelo pragmatismo: “Estou aqui para pegar o meu diploma”. Posso compreender esse sentimento e até enxergar nele uma virtude: a clientela está empenhada em obter o grau para, quem sabe?, subir na vida, ter aumentado o seu salário, ser promovida. Em si, isso não é ruim. Todos devemos desejar uma vida melhor. Não há mal nisso.
Temo, no entanto, que boa parte das ditas universidades brasileiras esteja se reduzindo a isso, sem qualquer outro cultivo. Reitero: o respeito à inviolabilidade do outro é questão de princípio, inegociável. Geysi é uma garota pobre, da periferia de Diadema. Trabalha, ou trabalhava, num mercadinho do bairro. É visível que não tem grande traquejo social. Nota-se isso na sua fala, na sua gramática. Vem de um estrato da sociedade em que, atenção!!!, a tolerância com a diferença já não é a marca. E isso vale também para boa parte de seus colegas.
Ela parece ser excepcionalmente jovem para o grupo: 20 anos. Muitos dos que concedem entrevistas dizem ter 26, 27, 28 anos — idade em que as pessoas costumam já estar formadas há uns bons cinco ou seis anos. O fenômeno precisa ser mais bem-estudado, mas intuo que são pessoas que estavam fora do ensino superior e foram sendo incluídas em razão de um conjunto de fatores: políticas públicas de ingresso ao ensino superior; barateamento do valor das mensalidades; facilidade de ingresso, uma vez que basta querer fazer o curso — e poder pagar por ele — para ter acesso, então, ao ambicionado diploma…
Até aí, muito bem. Não serei eu a combater a expansão do ensino universitário. Seria inútil. Os demagogos venceram essa batalha. É evidente que a formação técnica seria mais eficiente e barata. Mas deixemos isso para outra hora. Que se expanda, então, o ensino universitário, hoje com a ajuda do dinheiro público. Mas com que qualidade isso está sendo feito? Eis a questão. NÃO SE ESTÁ BARATEANDO A UNIVERSIDADE EM SENTIDO MAIS AMPLO?
A Uniban — e outras universidades do mesmo nível — estão proporcionando à sua clientela uma vivência estudantil que seja distinta do ambiente de onde vieram? Um ambiente nem sempre tolerante; um ambiente nem sempre respeitador das diferenças; um ambiente nem sempre voltado para o cultivo da reflexão; um ambiente nem sempre afeito a delicadezas e matizes, sem os quais não se respeitam direitos individuais…” [grifo dele, pra variar]
Pois é. Tio Rei escreveu, com indisfarçável regojizo, o seguinte, em julho de 2008:
“A JUVENTUDE BRASILEIRA É DE DIREITA
segunda-feira, 28 de julho de 2008 | 5:09
A Folha de S. Paulo publicou no domingo uma ampla pesquisa sobre o que pensam os jovens brasileiros. Rendeu até um caderno especial, de 20 páginas, chamado “Jovem Século 21”. Segundo informa o caderno, a maioria das reportagens “foi feita pelos integrantes da 45ª turma do Programa de Treinamento da Folha”, (…) patrocinada pela Philip Morris Brasil e pela Odebrecht”. Comentarei abaixo alguns dados muito interessantes que a pesquisa revelou e tratarei da seguinte questão: a maioria dos jovens brasileiros, a exemplo da população, é de direita. Boa parte da imprensa e, vejam só, as instituições políticas, incluindo partidos, não se conformam com isso. Estão todos tomados pela patrulha esquerdista.”
E mais:
“A nova pesquisa
Sim, senhores: dados os perfis ideológicos que se desenham a partir de certas opiniões, pode-se dizer que a maioria dos jovens brasileiros é de direita. Declaram ter essa posição ideológica, aliás, 37% dos entrevistados (na população como um todo, são 35%). Dizem-se de esquerda apenas 28% (contra 22% do total). No centro, estão 23% (contra 17% no conjunto). Mas notem: não quero me apegar a nominalismos. Parto do princípio de que os jovens possam não ter a exata noção do que tais nomes encerram.
(…)
Valores
E quais são os valores das moças e moços? Qual é a lista das coisas que acham “muito importantes”? Vejam: família (99%), saúde (99%), trabalho (97%), estudo (96%), lazer (88%), amigos (85%), religião (81%), sexo (81%), dinheiro (79%), beleza (74%), casamento (72%).
E então…
E, vejam que surpresa, o levantamento mostra que os nossos jovens querem casa, carro, grana, todas essas malditas coisas do “consumismo”, que deixam os comunistas que já têm todas essas malditas coisas muito decepcionados com a juventude…
Mais uma vez, constata-se o óbvio: há um enorme hiato entre o que pensa o conjunto da população — e, nela, sua fatia mais pretensamente inquieta — e os vários canais que vocalizam a opinião pública. Não, senhores! Não temos a imprensa que representa os valores que vão acima: a nossa, com as exceções de praxe, é majoritariamente “politicamente correta” e experimenta um verdadeiro divórcio em relação ao pensamento da maioria.”
Ué, é como eu disse: quem planta, colhe.
Tio Rei planta o conservadorismo? Pois colhe o “conjunto de valores” que acha adequado. Inclusive uma população universitária que “representa os valores que vão acima”.
O fim da picada, senhores, é esse exato sujeito vir depois criticar uma Uniban da vida por não ser “um ambiente nem sempre tolerante; um ambiente nem sempre respeitador das diferenças; um ambiente nem sempre voltado para o cultivo da reflexão; um ambiente nem sempre afeito a delicadezas e matizes, sem os quais não se respeitam direitos individuais“. Tipo, assim, que nem o blog dele.
***
E por falar nisso…
O leitor Joselito fez o seguinte comentário:
Postei os links para esse post do Hermenauta e o link para essa matéria DA PROPRIA VEJA que o Rodrigo postou acima, em comments DIFERENTES no site do R. Azevedo.
AMBOS foram “moderados”, e não apareceram!
A REVISTA VEJA CENSURA A PROPRIA VEJA!
Patético…
Não é fantástico??
Tio Rei tem um post vingativo.
Reclamando de que estão dizendo que ele associou a Uniban ao PT, ele retruca que não disse, mas que se quiser é capaz de associar a Uniban ao PT, sim senhor:
“A petralhada está dizendo que estou tentando ligar a Uniban aos petistas. Não! Eu não estou. Mas posso lembrar conexões, sim, se eles fazem tanta questão. No dia 29 de março de 2007, publiquei um post aqui em que se lia o trecho que segue. O “Marinho” em questão é o atual prefeito de São Bernardo, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e ex-ministro do Trabalho:
É verdade. Marinho é tão competente, que ele e Vicentinho chegaram a ser garotos-propaganda da Uniban, a faculdade privada onde ambos se formaram. O dono da Uniban, Heitor Pinto Filho, que já foi candidato a vice na chapa de Paulo Maluf para a Prefeitura de São Paulo, em 2000, é bastante próximo dos dois sindicalistas e patriotas. Quando ambos fizeram propaganda para a empresa privada, um era deputado (Vicentinho), e o outro, presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar. Duas funções públicas. Competência é com a Nova Classe.”
Nesse caso eu tenho um testemunho “zero grau de separação” pra mostrar a ele:

***
UPDATE
O comentarista Rodrigo lembrou uma matéria deliciosa da Veja.
Tio Rei aproveita o feriado de Finados para ir visitar o túmulo do pai:
“Não tenho data para visitar o túmulo do meu pai. Mas gosto de fazê-lo, em especial, no Dia de Finados. “Datas são meras convenções”, dizem muitos. Falei num dos posts de ontem sobre disciplina. Também há muito de “mera” convenção em seguir normas, regras, padrões.
Há um núcleo decoroso na ordem estabelecida sem o qual a vida se torna impossível. Não havendo um bom motivo para quebrar a norma, é muito mais livre quem a segue do que quem a desrespeita sem saber por quê. Disciplina e decoro podem ser sinônimos de liberdade. A desordem escraviza.” [grifo meu]
***
O que eu acho gozado é o penchant de Tio Rei em transformar a menor das ocorrências em uma ocasião para reafirmar seu credo conservador.
Historicamente, o Dia de Finados, ou Dia dos Defuntos Fiéis, ou ainda a Commemoratio omnium Fidelium Defunctorum, surge como uma oportunidade para interceder pelas almas dos que cometeram pecados veniais e por isso devem purificar-se no Purgatório antes de aceder ao Paraíso.
Me parece que Tio Rei, com essas manifestações constantes de orgulho e porque não dizer vaidade, está conseguindo na melhor das hipóteses comprar um tíquete para uma viagem sem escalas ao Hades. Depois do que não haverá reza brava capaz de aliviar seus tormentos.
***
Curiosamente, o mesmo Tio Rei que exalta a Norma me vem com essa no caso da garota que quase foi linchada em uma universidade paulista por ter ido frequentar a aula com um vestido curto:
“Se a roupa da moça era inadequada, ela deveria ter sido chamada pela direção da escola. Seria até compreensível a manifestação boçal de um ou de outro, embora censurável. Mas a turba exaltada, no pressuposto de que ela destoava do conjunto? O que é que há? Estamos na China da Revolução Cultural? Na Itália ou na Alemanha da década de 30? Não! Estamos no Brasil de 2009!!!” [grifo meu]
Reinaldão, não é possível que você não reconheça sua obra, rapaz! Se você planta que a desordem _ que é um tipo de liberdade _ é escravidão, então é a ordem intolerante o que você colherá. Tão simples assim. Porque querer dar uma de bonzinho numa hora dessas?
Humm, bem, porque a resposta é clara:
“Expansão e Barbárie
(…)Demagogos das mais variadas colorações, incluindo aqueles que estão no jornalismo e suas submodalidades, saúdam a chamada “expansão” do ensino universitário no país. É evidente que não estou aqui estabelecendo uma relação de causa e efeito, a saber: não fosse a dita expansão, isso não teria ocorrido. Não! Isso acontece nos ambientes em que a ética não tem grande relevância; em que os membros do grupo não se submetem a um código de conduta; em que vigora a anomia e o salve-se quem puder.
Então, agora sim: o que vai acima define boa parte das ditas universidades brasileiras, em sua desordenada expansão, freqüentemente com o leite de pata do dinheiro público. Se eu escrevesse aqui que aquilo a que se assistiu na Uniban é “inaceitável” numa universidade, muitos poderiam indagar: “Mas seria aceitável em qualquer outro ambiente?” A resposta, obviamente, é “não”. Aquilo é inaceitável numa sociedade civilizada.”
Ah, entendi. A culpa é do ENEM e do PROUNI, que ficam aí franqueando a universidade a essa malta ignara. E tem mais, aposto que os que quiseram lapidar a moça eram todos petralhas, essa gente que não aguenta ver um vestido cuja barra não esteja pelo menos abaixo do joelho.
Deu no Valor:
“Uribe diz que reeleição depende da justiça, do povo e de Deus
SÃO PAULO – O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, foi mais uma vez evasivo hoje sobre os riscos à democracia em seu país caso obtenha o direito de concorrer ao terceiro mandato. Segundo ele, as instituições democráticas da Colômbia são fortes e se consolidaram em seu mandato.
A hipótese da reeleição foi aberta por um projeto de referendo aprovado pelo Congresso, mas depende ainda de avaliação de corte constitucional do país. ” Isso depende neste momento basicamente de três elementos: da corte constitucional, do povo colombiano e depende de Deus ” , afirmou.
A Constituição do país já foi mudada uma vez, em 2006, para abrir a possibilidade de reeleição para o segundo mandato de Uribe. ” Peço que não se ponha em dúvida a solidez das instituições de nosso país ” , afirmou.(…)“
***
Sobre o assunto, Reinaldo Azevedo diz o seguinte:
“Quero deixar registrado aqui o papel deletério exercido por Lula: é um depredador de Leis e de instituições.”
Tio Rei tá muito excitado na defesa do Roger Agnelli. Dia desses ele aparece com uma coleirinha no pescoço, escrito: “ROGER”…
Eu acho que realmente há muito a escrever sobre a promiscuidade entre o Poder Executivo e a Vale. Aliás, muito já foi escrito:
“Saindo da sombra
O poderoso diretor do BB mexe com fundos de pensão que fazem negócios com seu sócio
O economista Ricardo Sérgio de Oliveira, 52 anos, é um homem enigmático. É diretor da área externa do Banco do Brasil, responsável pelos negócios lá fora e por grandes clientes nacionais do banco. Não gosta de fotos, evita entrevistas e, sempre que pode, fica na sombra. É, também, um homem de hábitos refinados. Gosta de fumar charutos Romeo y Julieta, a fina flor da produção cubana, joga tênis e já foi visto num restaurante em Nova York, onde possui um apartamento, servindo-se de uma garrafa de vinho de 5.000 dólares. Fala inglês e francês com fluência. Casado há 26 anos, sem filhos, ele também gosta de cultivar amizades influentes. Entrou para o círculo dos tucanos pelas mãos do ministro Clóvis Carvalho, da Casa Civil, acabou indicado para o cargo pelo ministro José Serra, da Saúde, e tornou-se o único diretor do Banco do Brasil com quem o presidente Fernando Henrique Cardoso faz contatos ocasionais. Além de Oliveira, apenas o presidente do banco, Paulo César Ximenes, tem direito a essa deferência de FHC.
De umas semanas para cá, sua vida começou a sair das sombras. Ele comandou a entrada dos fundos de pensão no consórcio Telemar, que arrematou as empresas de telecomunicações do Rio de Janeiro ao Amazonas. Aí, descobriu-se que Ricardo Sérgio de Oliveira tem uma influência notável na Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, que, de tão poderoso, costuma arrastar atrás de si os demais fundos. Agora, descobriu-se que sua influência nos fundos, que, juntos, movimentam a cifra espetacular de 80 bilhões de reais, anda próxima dos seus negócios privados. Um exemplo. José Stefanes Ferreira Gringo, dono da construtora Ricci Engenharia, está concluindo um prédio em São Paulo, de 30 milhões de reais. Para vendê-lo, Gringo pediu a uma corretora de São Paulo, a RMC, que formasse um pool de compradores. A RMC cumpriu sua missão: formou um pool no qual estão nada menos que treze fundos de pensão. O problema da transação é que Gringo é sócio de Ricardo Sérgio de Oliveira na RMC. E Ricardo Sérgio de Oliveira, como se sabe, tem a palavra final nos negócios dos fundos de pensão.
A cronologia da venda pode dar a impressão de que Oliveira usou sua influência para convencer os fundos a comprar um prédio de um sócio seu. Não há evidência indicando que o diretor teve uma atuação clandestina, mas chama a atenção que esse não seja o único negócio do gênero. Agora, a mesma Ricci Engenharia acaba de aprontar a planta de quatro torres de edifícios comerciais em São Paulo, com um investimento de 150 milhões de reais. O projeto ainda não saiu do papel, depende de trâmites burocráticos, mas já tem um comprador garantido. A Previ decidiu, falta apenas assinar a papelada, ficar com dois dos quatro prédios, entrando com 70 milhões de reais. É a mesma genealogia. Ricardo Sérgio de Oliveira dá o tom dos negócios da Previ, e a Previ acaba fazendo negócios com seu amigo e sócio José Gringo. “Vamos ficar com dois prédios porque é um bom negócio”, diz o presidente da Previ, Jair Bilachi. “Não houve nenhum tipo de pressão”, completa ele.
Gargalhadas — O triângulo financeiro pode ser apenas coincidência, mas ele só existe como produto de um desvio de função. Ricardo Sérgio de Oliveira é diretor da área internacional e, por rigor funcional, não tem nenhuma relação com o fundo de pensão do Banco do Brasil. É natural que os funcionários do banco, do presidente ao contínuo de agência, se preocupem com os rumos da Previ, que mais tarde irá afiançar suas aposentadorias. Mas nem isso acontece no caso de Oliveira. Ele não é funcionário de carreira do BB. Trabalhou dezessete anos no Crefisul, então sócio do Citibank, e chegou a vice-presidente de investimentos do Citi em Nova York, de 1980 a 1982. Em 1988, deixou o Crefisul e montou duas empresas, uma delas a corretora RMC. Só em 1995 foi convidado a trabalhar no Banco do Brasil. Ao chegar, logo se interessou pela Previ. Já promoveu reuniões de negócios entre a Previ e empresários. Para cravar sua influência, indicou um funcionário de sua confiança para ocupar a principal diretoria do fundo, a de investimentos. É João Bosco Madeiro, seu ex-chefe de gabinete no banco.
A intimidade de Ricardo Sérgio de Oliveira com os fundos começou assim que chegou ao governo, mas até agora não se sabia que os fundos estavam cruzando com negócios dos seus sócios. Sua atuação ficou mais clara na privatização da Telebrás, quando ajudou a formar o consórcio Telemar. A venda foi um abacaxi, pois o consórcio não tinha dinheiro para pagar a entrada, e deixou a impressão de que a atuação do diretor do banco teria irritado o ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros. Puro engano. Oliveira formou o consórcio a pedido do próprio governo, que queria pôr mais concorrentes no leilão com o legítimo interesse de subir o preço. Na semana passada, Oliveira e Mendonça foram vistos almoçando no restaurante Laurent, em São Paulo, e deram gostosas gargalhadas de uma notinha de jornal. “Não convidem para a mesma mesa Mendonça de Barros e Ricardo Sérgio”, dizia a notinha. Amigos, eles se conheceram há uns trinta anos, atuando no mercado financeiro, origem de ambos. “Eu não vou ficar irritado com um amigo meu”, diz o ministro. “Mas quem é amigo dele mesmo é o Serra e o Clóvis.”
A tarefa de reunir os fundos para participar da privatização não é uma novidade na vida de Ricardo Sérgio de Oliveira. Ele fez o mesmo tipo de operação na privatização da Vale do Rio Doce, em maio do ano passado. A diferença é que, na época, sua atuação no caso da Vale não apareceu em público. O governo pode ter todo o interesse em manter um funcionário hábil e competente para reunir fundos de pensão nas privatizações, com o objetivo de aumentar o preço e valorizar seu patrimônio. As coisas só começam a ficar nebulosas quando o funcionário também articula a potência financeira dos fundos para fazer negócios com seus sócios. Na semana passada, Ricardo Sérgio de Oliveira conversou com VEJA sobre o assunto. Falou de sua vida pessoal e suas funções no banco. Mas, antes que o assunto entrasse nos seus negócios privados, o diretor pediu para entrar em contato mais tarde com a revista. Até a noite de sexta-feira, o contato não voltou a ser estabelecido.“
Ah, a reportagem não é da Carta Capital nem do blog do Nassif. É da Veja, em agosto de 1998.
Mais uma:
“A história de um pedido de comissão na privatização da Vale e as queixas de Benjamin Steinbruch sobre o comportamento de Ricardo Sérgio,o homem que falava grosso na Previ
O governo tucano realizou duas megaprivatizações em seu primeiro mandato. Em 1997, vendeu a Companhia Vale do Rio Doce. O grupo comprador entregou ao governo um cheque de 3,3 bilhões de reais, o maior já assinado no Brasil em todos os tempos. Em 1998, o governo dividiu o sistema Telebrás em doze companhias e vendeu-as em leilão. A operação gerou para o Tesouro Nacional a quantia de 22 bilhões de reais. Foi a terceira maior privatização do mundo na área de telefonia. Como se vê, os dois processos de venda têm em comum uma coleção de números gigantescos. Mas há outras semelhanças. No início do ano passado, o ex-senador Antonio Carlos Magalhães fez uma acusação pesada a respeito da privatização das teles. Segundo ACM, teria havido irregularidade na venda de uma delas. Ele contou que o consórcio Telemar, que explora a telefonia fixa em dezesseis Estados, do Rio de Janeiro ao Amazonas, teria feito um acerto para pagamento de 90 milhões de reais para levar o negócio. A acusação nunca foi comprovada. Agora, ficou-se sabendo que pedido semelhante de comissão pode ter ocorrido também no processo de venda da Vale. O valor é menor, 15 milhões, mas a história é igualmente grave. Nos dois casos, as denúncias recaem sobre uma mesma pessoa: o ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira, que atuou no passado como um dos arrecadadores de fundos do alto tucanato.
A informação do novo pedido de dinheiro tem como origem o empresário que liderou a compra da Vale e se tornou presidente do conselho de administração da companhia, Benjamin Steinbruch, do grupo Vicunha, que hoje controla a Companhia Siderúrgica Nacional, um colosso com faturamento anual de 3,3 bilhões de reais. Depois de arrematar a Vale, Steinbruch andou se queixando do comportamento ético de Ricardo Sérgio e contou a história a mais de um interlocutor. O pedido de dinheiro teria sido o preço cobrado por Ricardo Sérgio, sempre segundo o relato feito por Steinbruch a terceiros, para que fosse montado em torno dele, Steinbruch, o consórcio que venceu o leilão. VEJA conversou com dois empresários que ouviram o relato de Steinbruch. “Ele me disse que se sentia alvo de um achaque”, conta um dos empresários. O outro, que trabalha no setor financeiro, diz algo semelhante: “Naquele tempo, Benjamin andava por aí feito barata tonta, sem saber se pagava ou não”, afirma. Na semana passada, VEJA obteve depoimentos formais que confirmam a história. A particularidade desses depoimentos é que eles são dados por expoentes da política brasileira. Um deles é de Luiz Carlos Mendonça de Barros, que presidiu o BNDES durante o processo de venda da Vale, e depois assumiu o Ministério das Comunicações. Acabou perdendo o emprego quando estourou o escândalo das fitas da privatização das teles. A outra autoridade é o ministro da Educação, Paulo Renato Souza. Ambos são tucanos.
As versões de Mendonça de Barros e Paulo Renato são semelhantes. E chamam a atenção para aspectos significativos da conversa de Benjamin Steinbruch. De acordo com o relato do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, Steinbruch visitou-o em seu apartamento e, no escritório usado para leitura, disse-lhe ter combinado o pagamento de uma comissão para Ricardo Sérgio. A comissão seria uma espécie de “remuneração” pelo trabalho que o diretor do Banco do Brasil teve para reunir os fundos de pensão estatais em torno de seu consórcio. Steinbruch contou que vinha sendo pressionado para pagar o que devia, os 15 milhões. Mendonça de Barros não lembra se eram 15 milhões de reais ou de dólares. “Mas naquele tempo não fazia diferença por causa da cotação, que era próxima”, diz o ex-ministro. Essa revelação foi feita a Mendonça de Barros por Benjamin Steinbruch em 1998, cerca de um ano após a privatização da Vale. Ao ser informado sobre a cobrança de comissão, Mendonça de Barros quis ficar longe da história. “Ô Steinbruch, eu não quero me envolver nesse assunto. Não é da minha área”, disse o ex-ministro a Steinbruch. Dias depois, durante uma audiência, Mendonça de Barros relatou o episódio ao presidente Fernando Henrique. Conforme relatou a VEJA na semana passada, ouviu como resposta o seguinte: “Eu não sei nada disso e acho que você fez muito bem em não se envolver nesse assunto”. FHC não se lembra de ter mantido essa conversa com Mendonça de Barros. “Não me recordo de ter mantido esse diálogo”, comentou na sexta-feira passada FHC por meio de um assessor.
Paulo Renato ouviu o depoimento de Steinbruch durante um almoço pedido pelo ministro e ocorrido também em 1998. Paulo Renato queria que a Vale do Rio Doce patrocinasse um programa do governo. Na versão do ministro da Educação, Benjamin Steinbruch contou-lhe que Ricardo Sérgio pediu dinheiro em nome de tucanos. De acordo com Paulo Renato, Steinbruch não especificou quem seriam esses tucanos. “Nem me disse, tampouco eu perguntei”, afirma o ministro. De acordo com Paulo Renato, Steinbruch lhe disse ter checado se Ricardo Sérgio falava mesmo em nome de tucanos. Como foi feita a checagem? Steinbruch, segundo Paulo Renato ouviu do empresário, fez chegar uma consulta ao presidente Fernando Henrique. “Como resposta, segundo suas palavras, Steinbruch ouviu que o governo não tinha nada a ver com aquilo e que ele não deveria pagar.” Ao ouvir a história, o ministro da Educação informa que não tomou nenhuma atitude de ordem prática, como avisar a Polícia Federal, por exemplo, ou o Ministério Público. E ele explica o fundamento de sua decisão: “Quando Steinbruch me contou o que se passara, referia-se a um assunto resolvido. Ele não pagou nada. Portanto, do ponto de vista da administração pública ou do PSDB, não fui informado da ocorrência de crime”, afirma Paulo Renato.
Paulo Renato e Mendonça de Barros não se recordam do mês em que essa conversa ocorreu. Ricardo Sérgio ficou no governo até novembro daquele ano e não foi afastado do cargo que ocupava no Banco do Brasil num processo isolado. Continuou a despachar normalmente. Acabou demitido naquele mesmo ano, após o vazamento das fitas da privatização das teles. Saiu no mesmo pacote de afastamentos que levou Mendonça de Barros e o presidente do BNDES, André Lara Resende. Na semana passada, VEJA procurou o ex-diretor Ricardo Sérgio e o entrevistou sobre a acusação de que teria pedido propina na privatização da Vale. Eis um trecho da conversa:
Veja – A revista VEJA publicará em sua próxima edição a informação de que o empresário Benjamin Steinbruch esteve com algumas pessoas, entre as quais dois ministros de Estado, e contou que o senhor lhe teria pedido dinheiro durante o processo de privatização da Vale do Rio Doce. Isso aconteceu?
Ricardo Sérgio – É mentira grosseira e leviana. Se ele (Benjamin Steinbruch) lhe falar isso, sai preso da reunião. Vou junto com a polícia e o prendo. Não acredito que ele tenha falado isso.
Veja – Não estou dizendo ao senhor que ele falou isso para mim, mas para outras pessoas.
Ricardo Sérgio – É mentira.
Veja – O que o senhor está desmentindo: que ele tenha dito isso a quem quer que seja ou que o senhor tenha pedido dinheiro a ele?
Ricardo Sérgio – Que eu tenha pedido dinheiro a ele. Isso é mentira. Se ele falou isso para alguém, cometeu um ato irresponsável.
Veja – O senhor nunca tratou desse assunto com ele, nem durante nem após o processo de privatização da Vale do Rio Doce?
Ricardo Sérgio – Não tratei, não pedi dinheiro. A resposta é não.
VEJA também procurou o empresário Benjamin Steinbruch para entrevistá-lo sobre a história da comissão. Depois de ser apresentado ao conteúdo da reportagem, o empresário declarou o seguinte: “Não houve nenhum pagamento que não observasse as regras da lei e do edital. Eu não admitiria nenhuma coisa diferente. Não ando por caminhos tortos”. Perguntado em seguida não sobre o pagamento, mas sobre a existência de um pedido de propina, Steinbruch respondeu diferente: “Não vou fazer comentários a respeito desse assunto”.
A privatização da Vale do Rio Doce tinha uma importância econômica inegável, mas representava também um marco político. Afinal, o governo estava colocando à venda não uma estatal qualquer, mas a Vale, considerada, ao lado da Petrobras, um símbolo de empresa estatal eficiente. O Palácio do Planalto queria que o leilão fosse igualmente simbólico, modelar. E surgiu uma preocupação quando ficou claro que apenas um consórcio, liderado pelo empresário Antônio Ermírio de Moraes, da Votorantim, um dos maiores grupos empresariais do Brasil, se formara para comprar a companhia. Sem concorrência, o preço da Vale poderia não alcançar o mesmo patamar que decorreria de uma disputa acirrada entre adversários no leilão. Tomou-se, então, no governo, a decisão de organizar um segundo consórcio, ou seja, resolveu-se fabricar concorrência, criar uma disputa para elevar ao máximo o valor da venda da Vale.
Até o início de 1997, ano do leilão, reuniam-se em torno de Antônio Ermírio o Bradesco e ele, Benjamin Steinbruch. Em fevereiro daquele ano, ocorreu uma cisão. Steinbruch não gostou de saber que Ermírio estava negociando uma parceria com a sul-africana Anglo American, a maior mineradora do mundo. Com receio de ficar em posição secundária no consórcio, Steinbruch rompeu com Ermírio e se desligou do grupo, levando consigo o Bradesco. Foi aí que entrou em cena o diretor do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio, que havia recebido do Palácio do Planalto a instrução de montar um segundo consórcio. O empresário escolhido para liderá-lo foi justamente Benjamin Steinbruch. Batizado de Consórcio Brasil, foi concebido em cinco semanas e concluído um mês antes do leilão.
Steinbruch atraiu uma meia dúzia de bancos e empresas para seu lado, mas foi Ricardo Sérgio quem deu ao grupo o gás necessário para enfrentar a disputa com o grupo liderado por Antônio Ermírio. O segredo dessa força tem nome. Chama-se fundo de pensão das estatais. Graças a Ricardo Sérgio, ficaram com Steinbruch três dos maiores fundos de pensão. O fundo dos empregados do Banco do Brasil (Previ), o fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal (Funcef) e o fundo de pensão dos empregados da Petrobras (Petros), além de outros menores. Os fundos estatais entraram com 39% do capital da Vale privatizada. Para isso, investiram 834 milhões de reais na compra. A cobrança de propina teria sido feita para remunerar essa tarefa. Foram necessários apenas cinco minutos para que o Consórcio Brasil arrematasse o equivalente a 41,73% das ações da Vale. A estatal foi vendida com um ágio de 20% sobre o preço mínimo. Steinbruch foi nomeado presidente do conselho de administração da Vale, cargo que ocupou até maio de 2000, quando foi afastado por decisão dos sócios.
Ricardo Sérgio não caiu de pára-quedas no chamado ninho tucano. Ele foi apresentado a José Serra e a Fernando Henrique Cardoso pelo ex-ministro Clóvis Carvalho. Em 1990, José Serra candidatou-se a deputado federal e não tinha dinheiro para fazer a campanha. Clóvis Carvalho destacou quatro pessoas para ajudá-lo na coleta. Um deles era Ricardo Sérgio. Em 1994, Serra se candidatou ao Senado por São Paulo, e Ricardo Sérgio voltou a ajudá-lo como coletor de fundos de campanha. A última disputa da qual Serra participou foi para a prefeitura de São Paulo, em 1996. Depois, o senador não mais concorreu em nenhuma outra eleição, até a deste ano. Ricardo Sérgio também foi uma das pessoas acionadas para arrecadar contribuições para a campanha presidencial de Fernando Henrique Cardoso, em 1994. O mesmo aconteceu na reeleição de FHC, em 1998. Na função de coletor de contribuições eleitorais, Ricardo Sérgio era muito bem-sucedido.
Tome-se a campanha de José Serra para o Senado, em 1994. Coube a Ricardo Sérgio conseguir uma doação milionária do empresário Carlos Jereissati, do grupo La Fonte e um dos donos da Telemar. Jereissati é amigo de Ricardo Sérgio desde os anos 70. A pedido de Ricardo Sérgio, Jereissati lhe entregou o equivalente a 2 milhões de reais. “Foram quatro ou cinco prestações, não me lembro exatamente”, afirmou Jereissati a VEJA. Na lista oficial de doadores do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo não há registro de doação desse valor feita por Jereissati a Serra em 1994. Constam três doações de empresas do grupo La Fonte: uma no dia 11 de julho, de 15.000 reais, outra em 9 de agosto, de 30.000 reais, e uma terceira em 27 de setembro, de 50.000 reais. Ou seja, os 2 milhões saíram do cofre de Jereissati e não chegaram ao registro oficial das arrecadações de Serra. Outro exemplo da eficiência arrecadatória de Ricardo Sérgio. Em 1998, ele teve uma conversa com os sócios do consórcio Telemar e obteve a segunda maior doação da campanha da reeleição de FHC. De acordo com os dados do Tribunal Superior Eleitoral, o Itaú foi o maior doador daquele ano, com 2,6 milhões de reais. Dois sócios da Telemar, o grupo Inepar e o La Fonte, deram juntos 2,5 milhões.
Como é natural na formação das equipes de governo, pessoas que trabalham nas campanhas acabam sendo convidadas a ocupar postos na administração pública. A qualidade do cargo está relacionada à importância do correligionário, mas leva em conta a formação profissional e o passado do candidato ao emprego. Ricardo Sérgio, de 56 anos, é economista, com pós-graduação na Fundação Getúlio Vargas. Atuou no mercado financeiro e tem experiência internacional. Morou dois anos em Nova York, trabalhando pelo Citibank. O convite para o cargo em Brasília veio de Clóvis Carvalho. José Serra endossou a escolha. Foi indicada para Ricardo Sérgio a diretoria da área internacional e comercial do Banco do Brasil. Ele começou a trabalhar em 1995 e era o único diretor não escolhido pelo presidente do banco, Paulo César Ximenes. No dia-a-dia, o diretor mantinha uma atuação de espectro amplo. No Palácio do Planalto, costumava resolver problemas com o ex-secretário-geral da Presidência da República Eduardo Jorge Caldas Pereira, com quem falava sobre política. Na Previ, não apenas orientava decisões como também nomeou um dos pilares da instituição, o responsável pela direção de investimentos. O escolhido foi João Bosco Madeiro da Costa, com quem havia trabalhado na iniciativa privada. A intimidade dos dois era tão grande que costumavam tratar-se por “boneca” ao telefone.”
Ah, não, não é uma reportagem da Carta Capital ou do blog do Nassif. É da Veja, em maio de 2002.
***
Não vou entrar na discussão Agnelli vs Eike porque não tenho dados a respeito. Até porque, como mostrei, há muita hipocrisia nas críticas.
Me interessa, porém, a discussão principial: o Estado deve intervir na atividade econômica?
Vejamos: o que o início da aviação comercial, por exemplo, teria a dever ao Estado? A Enciclopédia Britânica nos conta uma historinha:
“From airmail to airlines in the United States
Although the American experience sometimes reflected European trends, it also demonstrated clear differences. Under the auspices of the U.S. Post Office, an airmail operation was launched in 1918 as a wartime effort to stimulate aircraft production and to generate a pool of trained pilots. Using Curtiss JN-4H (“Jenny”) trainers converted to mail planes, the early service floundered. After the war, shrewd airmail bureaucrats obtained larger American-built De Havilland DH-4 biplanes with liquid-cooled Liberty engines from surplus military stocks. Their top speed of 80 miles (130 km) per hour surpassed the 75 miles (120 km) per hour of the Jenny, allowing mail planes to beat railway delivery times over long distances. By 1924, coast-to-coast airmail service had developed, using light beacons to guide open-cockpit planes at night. Correspondence from New York now arrived on the west coast in two days instead of five days by railway. This savings in time had a distinct impact on expediting the clearance of checks, interest-bearing securities, and other business paper with a time-sensitive value in transfer between businesses and financial institutions.
Having established a workable airmail system and a considerable clientele, the Post Office yielded to congressional pressures and, with the Contract Air Mail Act of 1925, turned over the mail service to private contractors.”
Na verdade, há um belo livrinho mostrando como o governo americano deu uma boa mãozinha no nascente mercado da aviação e da aeronáutica _ muito, muito antes do Projeto Apolo:
“Conventional wisdom credits only entrepreneurs with the vision to create America’s commercial airline industry and contends that it was not until Roosevelt’s Civil Aeronautics Act of 1938 that federal airline regulation began.
In Airlines and Air Mail, F. Robert van der Linden persuasively argues that Progressive republican policies of Herbert Hoover actually fostered the growth of American commercial aviation. Air mail contracts provided a critical indirect subsidy and a solid financial foundation for this nascent industry. Postmaster General Walter F. Brown used these contracts as a carrot and a stick to ensure that the industry developed in the public interest while guaranteeing the survival of the pioneering companies.
Bureaucrats, entrepreneurs, and politicians of all stripes are thoughtfully portrayed in this thorough chronicle of one of America’s most resounding successes, the commercial aviation industry.“
Bem, seria ocioso prosseguir com os exemplos, que podem ser encontrados, aliás, em praticamente todas as indústrias onde hoje os EUA têm uma grande vantagem competitiva.
O ponto é o seguinte: se até os EUA, o país em que anaeróbicos (e mesmo alguns não tão anaeróbicos) vislumbram um paraíso empresarial parido pela livre iniciativa e pelo Estado Mínimo, tem na verdade uma história de concertação de interesses entre a máquina estatal e o empresariado, então porque raio de motivo essa discussão deveria ser bloqueada no Brasil, a princípio?
Duas boas do Tio Rei hoje:
Uma:
“Bem, a palavra do MST tem a credibilidade que tem. Mas lembro que Claudete Pereira de Souza, coordenadora do MST, que comandou a invasão, respondeu o seguinte quando indagada sobre a destruição da plantação: “Não se pode viver só de laranja”.
Convenham: o MST não é diferente do partido de Lula. Uma tal “Juventude do PT”, como se isso não fosse uma contradição em termos, divulgou hoje uma nota em que acusa os inimigos do governo – provavelmente os “reacionário” – de responsáveis pelas lambanças do Enem.”
Como assim? Tá certo, não sei como é a política estudantil hoje em dia _ embora constate que para Tio Rei ela pareça não passar de braço do PT _ mas será que Tio Rei pensa que uma “juventude do PSDB” ou “juventude do DEM” é algo assim, natural?
Duas:
“Espantoso um artigo que João Sicsú, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea e professor do Instituto de Economia da UFRJ, escreveu no jornal Valor Econômico, que é uma espécie de Granma do PT. O Brasil tem jabuticaba, pororoca e um jornal de economia que é de esquerda – nem que seja a esquerda petista.”
Logo vi. É por isso que o comunista do Sergio Leo trabalha lá, pra não falar do Oliveira, aquele canalha cujo nome verdadeiro certamente é Ivan alguma coisa.
Fiquei preocupado, pensando no tipo de imprensa que deve praticar um jornal para que Tio Rei não o considere “de esquerda“…
Tio Rei encerra o post com chave de ouro:
“Para certos acadêmicos brasileiros, o homem é seu emprego.”
Para certos “reservoir dogs“, também.
Tio Rei tasca matéria do Estadão lá no blogue dele:
“Governo inicia ofensiva contra Lei de Licitações
Na tentativa de evitar que a fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU) continue a paralisar obras e para imprimir maior agilidade ao processo burocrático das licitações, o governo decidiu investir em duas frentes, enquanto aguarda o desejado acordo com os setores empresariais, jurídicos e políticos, que poderá dar rapidez aos projetos do pré-sal, da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016.
Ambas as iniciativas impõem limites à fiscalização do TCU. A primeira, já introduzida pelo Congresso na Lei das Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2010, determina que a partir do ano que vem o órgão não poderá mais paralisar obras sem o consentimento do Congresso; a segunda está prevista na reforma da Lei de Licitações (Lei 8.666/93), que já tem acordo e poderá ser votada pelo plenário do Senado a partir da semana que vem. As duas são patrocinadas pelo Planalto. Relator do projeto que reforma a lei, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), por orientação do Ministério do Planejamento, adaptou o texto ao gosto do governo e estabeleceu que o prazo máximo das medidas cautelares do TCU, que muitas vezes têm o condão de paralisar obras, será de 90 dias. Hoje, não há prazo. Esse reforço na Lei das Licitações se deve à conclusão do governo de que, mesmo havendo dispositivo estabelecendo o veto à suspensão das obras por parte do TCU, na prática será difícil impedir que a fiscalização as paralise.”
OK, temos aqui um recuerdo de Ypacaraí. Texto de Luiz Carlos Bresser Pereira, Ministro da Reforma do Estado, que saiu na Gazeta Mercantil em setembro de 1996. Sua salva inicial:
“O governo federal está terminando um novo projeto de lei de licitações. A atual lei, 8.666, é recente, mas hoje já existe uma quase unanimidade nacional de que precisa, com urgência, ser profundamente mudada, senão substituída por uma lei nova. Por que falhou a 8.666? Essencialmente, porque, ao adotar uma perspectiva estritamente burocrática, ao pretender regulamentar tudo tirando autonomia e responsabilidade do administrador público, atrasou e encareceu os processos de compra do Estado e das empresas estatais, sem garantir a redução da fraude e dos conluios.“
Continua:
“Seu erro fundamental foi ter concentrado toda a sua atenção na tarefa de evitar a corrupção, através de medidas burocráticas estritas, sem preocupar-se em baratear as compras do Estado, nem permitir que o administrador público tome decisões. Partiu-se do pressuposto de que todo servidor público é corrupto e assim foi-lhe retirada qualquer capacidade de negociação, deixando tudo por conta da lei. Reduziu-se assim o espaço do administrador eventualmente corrupto, mas a um custo altíssimo: tornou quase impossível que administrador honesto – que é a maioria – faça a melhor compra para o Estado.”
Não sei porque, naquela época os jornais não falaram em “ofensiva contra a Lei de Licitações”. Ofensiva, aliás, bem sucedida, resultando na Lei 9.648 de maio de 1998, que alterou a 8.666 (a Lei de Licitações), com os jamegões de:
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Pedro Malan
Eliseu Padilha
Raimundo Brito
Paulo Paiva
Luiz Carlos Mendonça de Barros
Luiz Carlos Bresser Pereira
Fato 1:
O vetusto Foreign Policy publica um elogio desmesurado ao chanceler Celso Amorim. Sequer vou entrar no mérito de saber se esse elogio é merecido ou não, por enquanto.
Fato 2:
Reinaldo Azevedo se rasga de despeito:
“AMORIM, O MAIOR MENOR DESDE O TRATADO DE TORDESILHAS
quinta-feira, 8 de outubro de 2009 | 6:23
“Ah, você viu o que diz o site da Foreign Policy? Celso Amorim é chamado de o ‘maior ministro das Relações Exteriores do mundo’. E agora? O que você vai dizer?”
Petralha adora um reconhecimento “internacional”, não é? Antigamente, “deu no New York Times” era uma forma de as esquerdas fazerem pouco da imprensa imperialista…“
É mesmo? Que provinciano. Bom, ele finaliza com fecho de ouro:
“Quanto à turba… Eu estou me lixando para o que a Foreign Policy diz de Amorim. O New York Times não conseguiu me convencer das qualidades excepcionais de Obama… E acho que estou mais certo a cada dia.
“Você viu o que disse a Foreing Policy???” Ah, tenham piedade! Diante de qualquer publicação estrangeira, petralha parece capiau usando calça nova em dia de quermesse.” [grifo meu]
Hummmm…sei. Vejamos:
Fato 3:
Entretanto, há menos de um mês, Tio Rei escreveu o seguinte:
“EDITORIAL DO WSJ RESPONSABILIZA EUA POR IMPASSE E DEFENDE QUE ZELAYA SE ENTREGUE
quarta-feira, 23 de setembro de 2009 | 18:26
Nem tudo está perdido. Editorial do Wall Street Journal põe as coisas no seu devido lugar. Segue o texto original em azul. O jornal diz o óbvio: dado o quadro, a única solução, que evita a violência, é Zelaya se entregar às autoridades do seu país, para que seja julgado. Vocês verão que o jornal, de fato, atribui aos EUA a responsabilidade pelo impasse. E está certo. Um texto como este do WSJ é quase impossível na grande imprensa brasileira. É que somos muito plurais, entendem?” [grifo meu]
Pois é. Como é mesmo? ”Diante de qualquer publicação estrangeira, blogueiros anaeróbicos parecem capiaus usando calça nova em dia de quermesse“.
Segue-se a matéria do WSJ, traduzida pelo Tio Rei que na pressa nem percebeu ter escrito o seguinte:
“Zelaya e seus seguidores estão agitados. Tomaram a embaixada brasileira e portam coquetéis Molotov. E de lá conclamam: restituição ou morte. Micheletti anunciou o toque de recolher, mas os seguidores de Zelaya resistiram. E Honduras está num impasse.”
Tomaram a embaixada brasileira? Mas tudo não foi feito com a conivência sinistra de Celso Amorim??
***
Para Tio Rei, o problema não é lamber botas, mas sim lamber as botas certas. No caso, lamber as botas do jornal que defendeu as maluquices da banca até o último minuto antes da crise deve ter algum appeal.
Tio Rei às vezes me lembra aquela velha piada sobre Churchill que termina assim: “Que você é uma prostituta já concordamos, agora só estamos discutindo o preço“.
Do Elio Gaspari, na Folha de hoje:
“EREMILDO, O IDIOTA
Eremildo é um idiota e alistou-se nas brigadas internacionais de combate ao bolivarianismo. (Ele não sabe o que isso quer dizer, mas também não conhece quem saiba.) O idiota entende que são bolivarianos os presidentes Hugo Chávez, Evo Morales e Rafael Correa. Todos mexeram na Constituição para prorrogar suas permanências no poder, ad referendum de resultados eleitorais.
Ensinaram-lhe que jamais foram bolivarianos os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Carlos Menem, que também mudaram as Constituições de seus países para buscar a reeleição. Por algum motivo, o colombiano Álvaro Uribe, que, pela segunda vez, está fazendo a mesma coisa, também não é bolivariano.
Eremildo é um idiota feliz, mas teme ser internado por conta da última ideia que lhe passou pela cabeça: o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, seria um bolivariano ao defender a mudança da lei da cidade para buscar o direito de disputar o terceiro mandato.”
***
Continuísmo bom é o continuísmo nosso.
***
Tio Rei leu, não gostou e cospe marimbondos. Ao segundo parágrafo de Gaspari, questiona:
“E não foram mesmo! Quem o Idiota pensa que engana? Carlos Menem e FHC não exportaram a sua “revolução”. Nenhum deles criou uma Assembléia Constituinte, em meio a escombros institucionais, para tomar de assalto o Congresso e a ordem legal. O Idiota acredita, pelo visto, que basta fazer uma eleição para legitimar mudanças, como se a consulta popular excluísse o autoritarismo. O Idiota nunca ouvir falar em fascismo? Desse jeito, ainda acaba chamando o Irã de “democracia de massas”… Ele, o Idiota, recorre à trapaça ao tentar identificar os críticos do bolivarianismo como partidários, então, de FHC, Menem ou Uribe, juntando num mesmo saco pardo gatos muito distintos. O Idiota deveria saber que é perfeitamente possível ser um crítico do bolivarianismo, do processo que resultou na reeleição de FHC e da eventual reeleição de Uribe, embora sejam coisas muito distintas. No caso do presidente da Colômbia, sua confusão é espantosamente estúpida: se algum mal afeta hoje a Colômbia, é o mal do isolamento – cercada que está de canalhas esquerdistas e populistas. Se estudar Ceresole e Dieterich, verá que a vocação do bolivarianismo ou do “socialismo do século 21″ é a expansão.” [grifo meu]
Er…vejamos. Notícia da Gazeta Mercantil, de 03/02/1998:
“BRASÍLIA, 3 de fevereiro – O presidente Fernando Henrique Cardoso considera “boa” a proposta do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), que sugere a realização de uma consulta pública junto com as eleições de outubro, para avaliar se a população concorda com uma constituinte exclusiva para promover mudanças de cunho político e fiscal. Segundo o porta-voz da Presidência da República, embaixador Sérgio Amaral, Cardoso não vê por que a consulta pública possa atrapalhar as eleições. De acordo com o porta-voz, Fernando Henrique avalia que não se trata da instalação de uma assembléia constituinte, mas de um dispositivo que permita a redução do quórum para que se aprove uma emenda constitucional. Hoje, a aprovação de uma emenda exige a anuência de dois terços do Congresso Nacional. Com o referendo popular, a aprovação poderia ser aprovada por maioria simples, reduzindo as rodadas de negociação exigidas atualmente para que o governo consiga aprovar matérias mais polêmicas. Quanto ao teor das reformas política e fiscal, Amaral afirmou que isso é “assunto para ser discutido posteriormente”. (Marcos Chagas, do InvestNews/MM)“
Matéria do jornal catarinense “A Notícia”, de 30/09/1998:
“FHC interessado na proposta
Brasília – O porta-voz do Palácio do Planalto, Sérgio Amaral, disse, ontem, que o presidente Fernando Henrique está interessado em que se “examine a questão” da proposta de convocação de uma miniconstituinte. Segundo ele, Fernando Henrique Cardoso considera “positiva” uma reunião com os governadores para discutir as reformas que serão votadas pelo Congresso.
Amaral disse que já está acertada uma reunião com os líderes partidários para discutir as reformas, embora o presidente também não tenha definido se esta conversa ocorrerá entre o período do primeiro com o segundo turno ou se só após o segundo turno das eleições.
Se prevalecer um entendimento existente no Supremo Tribunal Federal (STF), a convocação de uma assembléia nacional revisora para modificar a Constituição Federal é inconstitucional. Uma ala de ministros do STF acredita que se perdeu a chance de revisar a legislação em 1993, como previa a própria Constituição no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT).
Uma das propostas de convocação de assembléia nacional constituinte, formulada pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), já foi questionada no STF.
Além da proposta de Miro Teixeira, há outra, de autoria do deputado e ex-ministro do Planejamento Antonio Kandir. Ele propõe a convocação de uma assembléia para revisar aspectos tributários e fiscal simultaneamente à análise da reforma política.” [grifo meu]
Mas não foi apenas em 1998 que FHC fez este tipo de proposta. Em 2001 também _ e para 2003, com o prova esta matéria do Jornal do Brasil:
“FH apóia convocação de miniconstituinte
O presidente Fernando Henrique Cardoso não vai virar garoto-propaganda – até porque acredita que esse é um assunto do Legislativo. Mas já mandou orientar parlamentares da base aliada para que estimulem a idéia da convocação de uma miniconstituinte para 2003.
Na tarde de ontem, Fernando Henrique conversou com o presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), e deu sinal verde para que o deputado tucano leve adiante a discussão sobre o tema. Além de mudar (para melhor) o humor político no Congresso, FH acredita que a miniconstituinte pode acelerar, se não todas, pelo menos uma ou duas reformas que prometeu fazer em seus dois mandatos. O presidente gostaria de concluir até o final do seu governo o que prometeu na campanha e até agora não conseguiu viabilizar por falta de entendimento na base aliada.
Negativa – Ontem, o secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, negou que o governo estivesse patrocinando a proposta. Mas, apesar da oposição do principal articulador político do governo, existe uma torcida na equipe do presidente para viabilizar a miniconstituinte. Ministros e assessores econômicos acham impossível votar as reformas tributária, política, e até mesmo do Judiciário, além da regulamentação do Sistema Financeiro Nacional, com um quorum de três quintos exigidos pela Constituição -o que equivale a 308 dos 513 votos da Câmara e 49 dos 81 votos do Senado.
O pacote tributário que o governo está pensando em tentar aprovar até o final do ano, prorrogando a CPMF até o final de 2003, só seria possível com a convocação de uma constituinte. Além da prorrogação da CPMF, a equipe econômica do governo defende também a eliminação do efeito cascata da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e do PIS-Pasep, além da isenção da CPMF para as aplicações em Bolsa de Valores. Mas alguns líderes governistas acham que dificilmente essas propostas serão aprovadas por três quintos.
Reformas isoladas – Outro argumento defendido por lideranças da base aliada para a convocação de uma Constituinte é o de que é mais fácil atualizar a carta de 88 via miniconstituinte do que por meio de reformas isoladas, que acabam transformando a Constituição em “colcha de retalhos“, segundo expressão de um ministro de Estado.
O esforço de FH para costurar a miniconstituinte no Congresso pode esbarrar na própria base aliada. Apesar dos recados, ainda há certa resistência dentro do Congresso. Para o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), por exemplo, o assunto chegou tarde, pois só faltam duas semanas para o início do recesso de julho e dificilmente os parlamentares vão se empolgar com a discussão. “A decisão deve ser discutida pela Executiva (do PFL). Não quero me antecipar“, escapou Bornhausen ontem.” [grifo meu]
***
Como se vê, o ex-Presidente Fernando Henrique não apenas apoiou a idéia de uma constituinte do seu primeiro para o seu segundo mandato, como teve a cara de pau de propô-la novamente debaixo das barbas do seu sucessor. E isto porque o Supremo considerava qualquer iniciativa neste sentido como inconstitucional, já que o prazo constitucional para a revisão da CF 88 havia se extinguido em 1993.
Tio Rei tem memória curta. Ou então, muito conveniente…
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UPDATE:
O Luiz Carlos Azenha, do Vi o Mundo, linkou este post. Valeu Azenha!
Tio Rei, uns dias atrás:
“Irrelevância de propaganda
segunda-feira, 28 de setembro de 2009 | 20:49
Barack Obama, como um Lula qualquer, vejo agora no Jornal Nacional, entrou na campanha para que Chicago seja a sede das Olimpíadas de 2016.
Ai, ai… Sempre disse: Obama é puro Terceiro Mundo. Antes que venham com a bobagem de que afirmo isso porque ele é mestiço ou porque o pai era queniano, digo logo: bobagem! Seu terceiro-mundismo está na atração fatal pela irrelevância de propaganda.”
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“Realeza espanhola chega em Copenhague
32 horas atrás Notícias RSS Digg
Rei Juan Carlos I e a rainha e Sofía estão na capital dinamarquesa para apoiar a candidatura de Madri como sede dos Jogos Olímpicos de 2016
Após a primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, a realeza da Espanha chega na Dinamarca. O rei Juan Carlos I e a rainha e Sofía aterrissaram na manhã desta quarta-feira no aeroporto de Copenhague para apoiar a candidatura de Madri na votação do Comitê Olímpico Internacional (COI), dia 2 de outubro, quando será anunciada a sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Além da capital espanhola, estão está na disputa Chicago, Rio de Janeiro e Tóquio.
O presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, chegará a Copenhague ainda nesta quarta, acompanhado pelo ministro de Assuntos Exteriores, Miguel Ángel Moratinos, após assistir à sessão de controle ao Governo no plenário do Congresso dos Deputados.
Os reis e o chefe do Executivo se reunirão nesta quinta-feira com membros do COI, participarão de um almoço oferecido pela rainha Margrethe, da Dinamarca, e assistirão à sessão inaugural da Assembleia do COI.“
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Quem mandou pagar pau com essa boca grande? Agora Tio Rei vai ter que dizer que ao ir a Copenhague, Juan Carlos, Obama e Lula ”mostraram como agem governantes que têm respeito por seu país e por seu povo“. Mané.
Talvez vocês se lembrem de um post do Tio Rei de logo após a reeleição intitulado “É Lula de novo com a culpa do povo“, onde o homem que ama a democracia fardada à hondurenha escreveu que:
“Eu não tenho o menor interesse na opinião do povo. Quase sempre ele está errado. Aliás, a opinião de muito pouca gente me interessa. A democracia sempre foi salva pelas elites e posta em risco justamente pelo “povo”, essa entidade. Vai acontecer de novo. Lula, reeleito, tende a levar o país para o buraco. E uma elite política terá de ser convocada para impedir o desastre.” [grifo meu]
Então, certos jornalistas sobrevivem à custa da falta de memória do seu leitorado, não é mesmo?
Compilei o quadro abaixo com dados do Banco Mundial. Trata-se da evolução da Renda Nacional Bruta, per capita, em PPP, entre EUA e Brasil:

Como se vê, no período, em PPP, a Renda Nacional Bruta per capita do Brasil aumentou mais do que a dos EUA. É pena não termos esse número até 2009.
Alcance do Rafale a partir das bases da FAB, sem abastecimento
Lá vem ele de novo:
“Apontei aqui a impropriedade no primeiro dia: como pode o presidente Lula anunciar a compra dos aviões Rafale, da França, se a Aeronáutica nem apresentou ainda o seu relatório final? Ou bem eles têm uma utilidade, ou bem aqueles documentos não servem para nada. Chegamos à conclusão de que não serviam. Horas depois do anúncio – e dada a estranheza geral -, veio a conversa mole de que nada estava decidido. Os EUA divulgaram um documento em que afirmam que também estão dispostos a fazer a tal transferência de tecnologia – e seus caças são bem mais baratos. Ouvido, Marco Aurélio Top Top Garcia sugeriu que os americanos não falam muito a sério. Pouco importam suas impressões, certo? Garcia, para não variar, deve estar equivocado, confundindo, como de hábito, seus preconceitos com a realidade.” [grifo meu]
Pois é. Tio Rei é tão bem informado, mas esquece algumas coisinhas _ inclusive que o barato pode sair caro. Tenho a impressão de que desta feita não é bem Garcia quem está confundindo preconceitos com realidade. Como de hábito.
Aliás, dá pra notar como Tio Rei dá importância a processos tão importantes quanto, er, “a tal” transferência de tecnologia. Coisa que talvez ele imagine que dê pra comprar na feira.
E no finzinho, Tio Rei ainda tenta emplacar uma nonchalance:
“Confesso que não estava dando a menor bola para o assunto. Mas, agora, tudo ficou bem mais interessante.”
Pô, sujeito. É teu décimo-primeiro post sobre a história. Imagine se estivesse dando importância, hein?
Interessante, a postura de alguns pundits de direita. A maior parte das pessoas normais têm algum senso crítico. Por exemplo, mãe. Todas as mães são santas, decerto, mas nem por isso, ocasionalmente, a gente deixa de discordar delas. Ou concordar, também, de vez em quando. Pois o Tio Rei não dá trégua. Assim como a direita americana faz tempestade em copo d´água quando Obama manda as crianças estudarem na volta das férias, Reinaldão vai dizer que Lula está errado mesmo se ele afirmar que 2 mais 2 é igual a 4. Por exemplo, ele agora soltou o verbo sobre a escolha dos aviões franceses para equipar a Força Aérea:
“O país está devidamente informado a respeito? Claro que não! “Ah, Reinaldo, são assuntos militares; é preciso mesmo certo sigilo”. Bobagem! Não para o que está sendo comprados. Notem que os americanos e os suecos também estavam na parada, oferecendo os seus respectivos aviões. A própria Aeronáutica ainda não fez seu relatório afirmando que o Rafaele, francês, é melhor para o Brasil do que o F-18, dos EUA, ou o Gripen, da Suécia. Se a Força não havia terminado o seu trabalho específico, o que determinou a escolha? Pode até ser que ela recaísse mesmo sobre o Rafaele, mas por que desprezar a formalidade? O que atrasou o trabalho da Aeronáutica, se é que atrasou? E o que determinou que a decisão fosse tomada mesmo assim?“
“Rafaele”.
Ok, ok, eu ia falar de outra coisa, mas…”Rafaele”. Tio Rei está criticando uma escolha técnica, sendo que nem o nome do raio da aeronave ele sabe. Tio Rei, pode ser que exista alguma Rafaele que seja um avião, mas o nome do bicho é “Rafale“!
[fiz um print-screen e arquivei, just in case ele corrija mais tarde]
***
Mas o que eu ia dizer é: a parte inquestionável da negociação era a transferência de tecnologia. E isso, os EUA não fazem. Não sei qual era a disposição dos suecos nesse quesito, mas cabe notar que partes críticas do Grippen são fabricadas sob licença norte-americana, logo…outra vantagem do Rafale sobre o Grippen é ser um bimotor _ por razões óbvias. Uma terceira vantagem não desprezível é que o Rafale já existe e voa, enquanto o Gripen NG ainda está em desenvolvimento. E em quarto, pelo que andei lendo, a autonomia de vôo do Gripen é menor. Enfim, o Gripen não é um mau avião, é mais barato, e parece ser melhor no conceito de guerra data-cêntrica, com melhores data-links que seus concorrentes. Mas isso não é tudo.
Já Tio Rei parece que confunde as coisas: ser chegado em senhores de farda não lhe dá nenhum conhecimento razoável sobre assuntos militares.
Está escrito lá, no final do post, à guisa de conclusão de um comentário à fala de Lula na TV ontem, utilizando um artigo de um velho conhecido nosso:
“Gostaram? O título do artigo é “O nacionalismo de esquerda é uma fraude” e foi escrito por Olavo de Carvalho em maio de 2001. Parece-me uma excelente análise da fala de Lula, feita com mais de oito anos de antecedência…“
É o fim. Reinaldo Azevedo está pronto para ir juntar-se ao Olavón na Virginia.
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Trecho embatucador:
“Ser nacionalista, para essa gente, não é amar o que é brasileiro: é apenas odiar o americano um pouco mais do que se odeia o nacional. Mas, para cúmulo de hipocrisia, seu alegado antiamericanismo não os impede de celebrar o intervencionismo ianque quando lhes convém, por exemplo quando ajudam alegremente a desmoralizar a cultura miscigenada que constitui o cerne mesmo do estilo brasileiro de viver e lutam para impor entre nós a política americana das quotas raciais, em consonância com as campanhas milionárias subsidiadas pelas fundações Ford e Rockefeller.”
Interessante: Olavo chama de antiamericana a esquerda que, segundo ele, sucumbe a “idéias americanas” das quais ele discorda, como o feminismo e o “abortismo”. Já ele mesmo, que odeia essas coisas, não se acha antiamericano…
Além disso, acho meio estranho Tio Rei transcrever um texto que acusa alguém de não amar o Brasil, quando diuturnamente faz o elogio daquele sujeito que escreveu um livro intitulado, justamente, “Contra o Brasil”.
Tinha passado batido, mas Tio Rei escreveu um post sobre os Apóstolos, ontem:
“Apóstolos
sexta-feira, 4 de setembro de 2009 | 19:51
Sei que, para muita gente, a questão é irrelevante. Mas é relevante para outros tantos e para mim. Escrevi:
“Apóstolos, originalmente, eram 12. Missões divinas dadas a Paulo e Barnabé também permitem que os chamemos assim. Pronto! 14 ao todo! Até a chegada de Hernandes, o 15º elemento. Todos os apóstolos tiveram contato direto com Jesus (…)”.
Achei que estava claro que Paulo e Barnabé não faziam parte dos 12 originais – ou 13, se quiserem, já que Matias entrou no lugar de Judas Iscariotes. A “missão divina” é aquela inspirada pelo próprio Jesus, sem que isso tenha significado convivência pessoal.
(…)” [grifo meu]
***
Como é que é? Sai Judas, entra Matias, e vamo que vamo?
Será que eu bebi demais no almoço, ou o jogo de hoje à noite me fez enxergar ali uma escalação de time de futebol??
Deu no Correio Braziliense:
“Congresso colombiano abre caminho para terceiro mandato de Uribe
O Congresso colombiano deu luz verde a um terceiro mandato presidencial de Alvaro Uribe, depois que a Câmara de Representantes aprovou a convocação de um referendo para modificar a Constituição e permitir a candidatura do chefe de Estado pela terceira vez.
A bancada governista conseguiu na Câmara 85 dos 84 votos necessários para aprovar a iniciativa, que agora precisa passar pela Corte Constitucional, que deve decidir se o trâmite não teve vícios de conteúdo ou forma. Cinco representantes votaram contra.
(…)
O presidente colombiano tem um índice de popularidade de 68% nas pesquisas. Se a iniciativa for autorizada pela Corte Constitucional, ele pode se tornar o primeiro presidente colombiano na história a governar por três mandatos consecutivos desde Rafael Nuñez no fim do século XIX.
Uribe já havia conseguido em 2006 que o Congresso modificasse a Constituição para concorrer à reeleição para um segundo mandato consecutivo, em uma votação que ainda é objeto de investigação judicial depois que uma congressista afirmou ter recebido suborno em troca de apoio.”
***
Não, não basta dizer que é contra. Eu quero a mesma verve, a mesma histeria. Agora.
Olhem, eu juro que tento…mas não consigo.
O sujeito não deixa.
Agora escreveu um post para falar mal de Lula, especificamente, em relação ao marco regulatório do pré-sal. Até aí tudo bem, eu sequer sou um especialista nessa área e não vou me meter a falar sobre o que não entendo. Mas essa aqui é terrível:
“O petróleo do pré-sal, por enquanto, é uma quimera. Consta que está lá, quem sabe no volume que se anuncia, mas sua exploração comercial vai demorar muito. O demiurgo já anuncia, no entanto, a redenção do povo brasileiro. Em suma, quer que o Congresso aprove logo uma lei para que, a partir de então, todo bem que houver no Brasil seja caudatário desta sua suposta grande obra — que, sabemos, é só um etapa de um longo processo: seu marco verdadeiramente importante foi a lei de 1997 que permitiu a entrada de empresas estrangeiras na exploração de petróleo. E pelo regime de concessão, que continua nas áreas fora do pré-sal” [grifo meu]
Espere aí.
Quer dizer que “no longo processo” que levou ao pré-sal, tem um “marco verdadeiramente importante“, a “lei de 1997 que permitiu a entrada de empresas estrangeiras na exploração de petróleo“.
Pergunta-se: que papel tiveram as empresas estrangeiras na descoberta do pré-sal?
Nenhum.
E quem diz isso não sou eu, é o G1 da Globo:
“A Petrobras informou nesta sexta-feira que descobriu petróleo leve na seção pré-sal da bacia de Campos, no mar do Espírito Santo, uma região ainda pouco explorada pela estatal.
“Testes indicaram uma produção de cerca de 1.250 barris por dia”, afirmou a empresa em um comunicado, ressaltando que a estimativa é de grau API –que mede a qualidade do óleo– em torno dos 29 graus.
(…) A descoberta foi constatada durante os trabalhos desenvolvidos no Plano de Avaliação de Descoberta do poço 1-ESS-121-ESS, cuja comercialidade foi declarada em dezembro de 2006.
A Petrobras passou a pesquisar a existência de petróleo em áreas abaixo da camada de sal no ano passado, tendo anunciado em outubro descoberta de óleo leve nessa nova fronteira na bacia de Santos.
A camada de sal fica geralmente acima da rocha formadora de petróleo, que por causa da pressão abre brechas por onde o óleo escapa, formando as bacias petrolíferas. Por esse motivo, a Petrobras acredita que poderá encontrar novas bacias embaixo da seção pré-sal das bacias já existentes, como já foi informado anteriormente pela estatal.“
Realmente trata-se de um longo processo, mas de um longo processo que passa pela construção de um saber e de uma tecnologia totalmente nacionais, começando pela profícua associação entre a Petrobrás e a COPPE/UFRJ, na Ilha do Fundão, e dos esforços do pessoal do centro de pesquisas da Petrobrás, o CENPES, também localizado na Ilha do Fundão para melhor aproveitar as sinergias com o campus universitário.
Ou seja: é de uma cara de pau indizível do picareta de Dois Córregos vir com essa história de “empresas estrangeiras” possibilitando, de alguma forma, a descoberta do pré-sal. Ele está simplesmente roubando as vidas de centenas, talvez milhares, de pessoas que dedicaram sua existência a essa descoberta.
***
É por essas e outras que eu tenho que fechar este blog o quanto antes. Senão, quando chegar 2010 eu vou estar acorrentado ao teclado. Ou com uma camisa de força.
No vermelho e azul sobre o discurso do Lula, Tio Rei vem com essa:
“Quando fala em “último dinossauro a ser desmantelado”, é claro que Lula está fazendo uma referência velada à suposta intenção de vender a Petrobras. ISSO É UMA MENTIRA TOLA, UMA INVENCIONICE. Jamais tucanos ou democratas (então “pefelistas”) pensaram no assunto.” [grifo meu]
Tô ficando cansado de tentar chamar Tio Rei de volta à realidade, da qual ele se auto-exila tão frequentemente. Em junho deste ano fiz um post onde anexei este trecho de uma entrevista do Mendonção:

Pra quem não se lembra ou nunca soube, o Mendonção, além de ter sido dono da revista que lançou Tio Rei para os faróis da fama, foi presidente do BNDES, Ministro das Comunicações e estava sendo preparado para se transformar no czar da “política industrial” tucana quando foi abatido a grampaços.
Tio Rei, o que você está dizendo É UMA MENTIRA TOLA, UMA INVENCIONICE!!!!!!!!!!!!!!!
Marolinha…
Deu no Estadão (matéria de Fernando Dantas):
“Um ano depois, Brasil sai da crise mundial maior do que entrou
Às vésperas do mês em que se completa um ano da crise global, o otimismo com o País tornou-se consenso
RIO – O Brasil saiu da turbulência global maior do que entrou. Às vésperas do mês em que se completa um ano da crise iniciada com a concordata do Lehman Brothers, em 15 de setembro, o otimismo com o País tornou-se consensual. “O fato de que o Brasil passou tão bem pela crise tinha mesmo de instilar confiança”, diz Kenneth Rogoff, da Universidade Harvard, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para Jim O’Neill, do Goldman Sachs, e criador da expressão Bric (o grupo de grandes países emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China), “o Brasil passou por essa crise extremamente bem, e pode crescer a um ritmo de 5% nos próximos anos”.”
***
Diante disso, Tio Rei sai-se com esta:
“Felizmente, já em Primeira Leitura, lá no longínquo 2001 — e quem me lê desde aquela data sabe disto —, afirmava que Lula jamais deixaria de ser mais ou menos conservador em economia; que não daria trela para o seu partido nessa área. E faria quantas “caridades” pudesse no que chama a sua “política social”. Assim, jamais esperei que seu governo fosse um desastre econômico. Apostava, desde sempre, e acertei em cheio, na barafunda ética, no rebaixamento institucional, no aparelhamento do estado, numa relação autoritária com a imprensa… Bem, o arquivo do blog está à mão, não é? Mas desastre? Jamais!“
Mas pera aí…não foi Tio Rei quem cunhou a frase “marolinha apedeuta” para chancelar uma série de posts de entonação catastrofista sobre os efeitos da crise sobre o país?
Sei.

O pessoal da camisa preta sempre teve uma quedinha pela farda
Rá!
“TIO REI RECEBE UMA DISTINÇÃO DO EXÉRCITO BRASILEIRO
segunda-feira, 24 de agosto de 2009 | 16:51
Recebo amanhã, Dia do Soldado, do Comando Militar do Sudeste, o diploma de Colaborador Emérito do Exército. Qual é a “colaboração” que me levou à distinção? Suponho que seja a defesa que permanentemente faço aqui da democracia, do estado de direito, das leis, da disciplina e, sim, do papel reservado às Forças Armadas na Constituição.
Fico bastante honrado com o diploma. As Forças Armadas, num regime civilizado, são a democracia de farda, a última instância a que pode apelar a liberdade.“
Deve ser por isso que Tio Rei não teve tempo de comentar esta notícia sobre o continuísmo não-bolivariano hoje…
Será que Tio Rei vai apertar a tecla SAP “perseguição religiosa” agora???
“Juiz acata denúncia contra líder da Universal
Edir Macedo e mais 9 são réus em processo por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro; defesa diz que igreja é perseguida
Dados do Coaf apontam que as transferências atípicas e os depósitos bancários em espécie da igreja somaram R$ 8 bilhões de 2001 a 2008
MARCIO AITH
DA REPORTAGEM LOCAL
A Justiça recebeu ontem denúncia do Ministério Público de São Paulo e abriu ação criminal contra Edir Macedo e outros nove integrantes da Igreja Universal do Reino de Deus sob a acusação de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.
A denúncia, aceita pelo juiz Glaucio Roberto Brittes, da 9ª Vara Criminal de São Paulo, resulta da mais ampla apuração sobre a movimentação financeira da igreja já feita em seus 32 anos de existência.
Iniciada em 2007 pelo Ministério Público de São Paulo, a investigação quebrou os sigilos bancário e fiscal da Universal e levantou o patrimônio acumulado por seus membros com dinheiro dos fiéis, entre 1999 e 2009 -embora não paguem tributos, igrejas são obrigadas a declarar doações que recebem.
Segundo dados da Receita Federal, a Universal arrecada cerca de R$ 1,4 bilhão por ano em dízimos. As receitas da igreja superam as de companhias listadas em Bolsa -e que pagam impostos-, como a construtora MRV (R$ 1,1 bilhão), a Inepar (R$ 1,02 bilhão) e a Saraiva (R$ 1,09 bilhão).
Somando-se as transferências atípicas e os depósitos bancários em espécie feitos por pessoas ligadas à Universal, o volume financeiro da igreja no período de março de 2001 a março de 2008 foi de cerca de R$ 8 bilhões, segundo informações do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão do Ministério da Fazenda que combate a lavagem de dinheiro.
A movimentação suspeita da Universal somou R$ 4 bilhões de 2003 a 2008.“
***
Resposta: a culpa é do Lula!
“Vocês querem apostar quanto que os mesmos ex-jornalistas que estão na Internet defendendo Sarney farão agora a defesa da Igreja Universal? Essa gente não tem limites. Quando se trata da “causa”, juntam-se a Renan, Sarney, Collor e, por que não?, Edir Macedo. Alguns dos mais entusiasmados críticos do que chamam “mídia golpista”, não custa lembrar, são nada menos do que funcionários de Macedo. Até parece que o império construído por este empresário da religião não é, ele também, midiático.“
Tio Rei, mui previsivelmente, está fazendo o maior estardalhaço com essa história da ação do Ministério Público _ aquele antro de ateus _ pedindo a retirada de símbolos religiosos das repartições públicas, como noticiado na Folha (entre outros jornais):
“O Ministério Público Federal em São Paulo pediu que a Justiça obrigue a União a retirar todos os símbolos religiosos fixados em locais de grande visibilidade e atendimento ao público em órgãos públicos federais no Estado.
No pedido, a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão pede também a aplicação de multa diária simbólica de R$ 1 em caso de descumprimento. A multa deverá servir como um contador do desrespeito à determinação judicial. O prazo proposto pelo Ministério Público para a retirada dos símbolos é de até 120 dias após a decisão.
Segundo o Ministério Público, a ostentação de símbolos religiosos seria uma ofensa à liberdade de crença dos cidadãos. Além disso, o órgão argumenta que a Constituição Federal determina que o Brasil é um Estado laico, ou seja, onde não há vinculação entre o poder público e a religião.
Para o procurador regional dos Direitos do Cidadão e autor da ação, Jefferson Aparecido Dias, cabe ao Estado proteger todas as manifestações religiosas sem tomar partido de alguma. “Quando o Estado ostenta um símbolo religioso de uma determinada religião em uma repartição pública está discriminado todas as demais ou mesmo quem não tem religião afrontando o que diz a Constituição”, defendeu.”
Cá entre nós, embora eu ache que a demanda seja justa, também penso que há mais nesse Brasil com que se preocupar e que o MP de São Paulo bem que poderia estar gastando sua atenção e nosso dinheiro em coisas mais importantes.
Por outro lado, a argumentação de Tio Rei é tão pedestre que se torna irresistível dar-lhe um piparote. Senão vejamos: diz Tio Rei o seguinte _
“Os que não suportam manifestação de religiosidade em espaços públicos e coletivos podem suportar a estátua do Cristo Redentor? Ou haveremos de substituí-la por, sei lá, uma outra de Descartes? “
Não, sua anta da retórica mal empregada. A ação pede a retirada de símbolos religiosos de ÓRGÃOS PÙBLICOS. O Cristo está em área da União cedida à Mitra Arquepiscopal do Rio de Janeiro. Não se trata de uma repartição pública.
Ele continua:
“Eu não gosto de idéias pela metade. Se é para abolir, POR FORÇA DE LEI, o crucifixo das repartições públicas — fico cá imaginando um barnabé caçador de crucifixos… —, então será preciso abolir também o Natal, a Sexta-Feira Santa etc. Que ONG se atreve a entrar com este pleito e que juiz aceita dar a sentença? “É, com efeito, são feriados religiosos, e o estado brasileiro é laico. Não tem feriado coisa nenhuma!””
Pois é. Isso é gozado, porque ao descer a lenha em uma professora da USP que colocou-se contra a criação de um feriado para Frei Galvão, Tio Rei dizia:
“Vejam só: eu também sou contra um feriado novo. Por razões puramente pragmáticas. Já há muitos no Brasil. O país precisa trabalhar mais, não menos. Os católicos podem muito bem comemorar a data tocando normalmente a sua vida. Ah, mas Roseli não se conforma com isso não. Ela gosta de debater o mérito das coisas. Aí veio com aquela conversa de que a República é laica, de que nem todos são católicos etc e tal.” [grifo meu]
E quanto à proposta de um feriado para Zumbi, então…
“O Dia de Zumbi deve embutir um protesto contra os negros que escravizavam negros dentro dos quilombos? O seu Dia Nacional da Liberdade de Consciência e de Crença não seria, por acaso, um feriado especialmente interessante aos pouco mais de 20% não católicos, em oposição à esmagadora maioria, que é católica?” [grifo meu]
Só que Tio Rei usa outro argumento também:
“NÃO HÁ UMA LEI IMPONDO CRUCIFIXO NAS REPARTIÇÕES. Aliás, nas que tenho visitado, são cada vez menos freqüentes. QUANDO HÁ LÁ UM CRUCIFIXO E UMA BÍBLIA, NO MAIS DAS VEZES, OS OBJETOS SÃO ECOS DE UM TEMPO EM QUE ESSAS ESFERAS NÃO ERAM TÃO SEPARADAS. Mas é só memória. É só história!” [grifo meu]
Bom, se a questão do feriado não tem a ver com a representatividade, mas com a história, então porque ser contra o feriado para Zumbi? Faria mais sentido Tio Rei aferrar-se à lógica do pragmatismo protestante e achar que todo feriado é mesmo um desperdício. Mas, para combater o laicismo, Tio Rei acaba se perdendo entre as religiões…e ainda assim, “as que contam”.
Outro problema, Tio Rei, é que há um espaço específico para a preservação da memória e da história. Se tivéssemos em algum tribunal uma linda escultura antiga de motivo religioso, ela bem poderia ser tombada pelo Patrimônio Histórico, e acabou a conversa. Estamos falando, porém, de crucifixos de 10 reais pendurados na parede.
Tio Rei prossegue:
“Não havendo a lei que imponha e não tendo aquele crucifixo ou aquela Bíblia qualquer influência nas decisões do funcionário público, obrigar a sua retirada por força de uma determinação legal caracteriza uma óbvia perseguição a símbolo religioso, em desacordo com a Constituição. Mais: ainda de acordo com teses que me parecem obviamente autoritárias, hipertrofia-se o conceito de ESTADO e se esquece o conceito de NAÇÃO. O Estado brasileiro, com efeito, é laico. Mas a nação brasileira é esmagadoramente religiosa. E o país tem sabido conviver com as diferenças. Há terreiros de umbanda e candomblé no Brasil que são tombados e, pois, mantidos e protegidos com dinheiro público. Uma reivindicação dos progressistas em nome da diversidade cultural!“
Wait a minute, Tio Rei. A CF diz o seguinte:
“VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;”
Que se saiba, repartição pública não é “lugar de culto”. Então não há que se falar em “perseguição a símbolo religioso”. No máximo poderia-se argumentar que a ação perturbaria os direitos individuais do funcionário público que resolveu pendurar o crucifixo na parede. Mas aí também acho que entra uma questão de decoro; assim como não é bacana entrar em uma repartição do INSS ou em uma delegacia e ver pendurado na parede um cartaz do Flamengo ou da rainha da bateria da Padre Miguel, também nessa questão há que se resguardar as paredes de um estabelecimento público.
Por outro lado, pra variar, Tio Rei mostra grande ignorância do funcionamento de várias instituições ao afirmar que terreiros de umbanda tombados são “mantidos e protegidos com dinheiro público”. A legislação do patrimônio impõe ao proprietário do bem tombado o ônus de sua manutenção; o dinheiro público apenas entra se o proprietário demonstrar ser incapaz de fazê-lo.
Mas se é para ir à luta mesmo, então finalizo com uma gracinha do Banco Central:
(clique para ampliar)
Pois é.
Aliás, consta que a primeira vez que se colocou a mensagem “Deus Seja Louvado” na moeda nacional foi a pedido de José Sarney, na época do Plano Cruzado. Deu no que deu.
Tio Rei, como seria de se esperar, está fazendo a maior algazarra com a reação oficial brasileira à história das bases americanas na Colômbia. Mal sabe ele que talvez até o governo FHC fosse dar uma de Tupy nessa questão.
Mas Tio Rei, afoito que só, parece ter engolido uma barriga. Ao reproduzir matéria do Estadão, entregou o ouro:
“Bases na Colômbia não afetam relações com Brasil, dizem EUA
terça-feira, 4 de agosto de 2009 | 17:14
No Estadão Online:
O assessor de Casa Branca para Segurança Nacional, general Jim Jones, afirmou nesta terça-feira, 4, que a presença de tropas dos Estados Unidos em bases na Colômbia não deve interferir “no progresso” da amizade e da cooperação dos EUA com o Brasil e demais países da região em relação a questões de interesse comum na área de segurança.
Jones lidera uma delegação do Governo dos Estados Unidos que faz uma visita ao Brasil para conversar sobre assuntos de interesse bilateral e internacional, como a crise econômica mundial, a mudança climática e a atual situação em Honduras.
(…)
O marco regulatório para a exploração de petróleo na camada do pré-sal é o principal alvo da atenção do general Jim Jones em visita oficial ao Brasil. Jones se mostra especialmente interessado em dimensionar a possível participação de companhias americanas nesse projeto. Em conversa, hoje, com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e com o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, Jones também pretende comparar dados divulgados pela imprensa sobre as reservas de petróleo do pré-sal com as estatísticas oficiais.”
***
Puxa, não é reconfortante????

Tio Rei acusou o golpe:
“PARA ELES, SWIFT É SÓ UMA MARCA DE SALSICHA
sexta-feira, 31 de julho de 2009 | 18:59
Um blogueiro incapaz de escrever os próprios textos — é que está ocupado “prestando serviços” para seus senhores — reproduziu trecho de um post meu de ontem (POR QUE O BRASIL NÃO VOTA LOGO NUM “COMBO”? ) para tentar me caracterizar como racista, sexista, essas bobagens.
Até ele sabe que o texto é uma ironia. Mas aquela gente que o lê — ou que ele diz que lê — não sabe. E está idignada!!! Não liguem. O que eu vou fazer? Ele é louco por mim. É um caso de amor absolutamente não-correspondido. Não me refiro a ele aqui, não cito seu nome aqui, corto os comentários que o fazem. Acho que meu blog, assim, fica mais, sei lá, arejado! Mas ele não sai na minha aba. Ele me ama. E sabe que não posso retribuir a sua devoção.“
Alguns comentaristas aqui acharam que ele se refere a mim. Não creio. Ele está falando do Nassif, que reproduziu aqui o mesmo texto que reproduzi neste post. É ao Nassif que ele se refere comumente como “jornalista de serviços“, como por exemplo, neste post. De toda forma, tanto faz: afinal, Tio Rei tem a coragem de dizer que alguma outra pessoa não sabe escrever os próprios textos, quando ele, hoje, sábado dia 1 de agosto, postou 14 textos, sendo apenas 2 de própria pena, e um deles um mero aviso _ todos os outros são textos da Veja, do Estadão e da Folha de São Paulo. Mas a sandice continua:
“Há gente, como eu, que escreve para quem sabe ou quer saber quem foi Swift. E há gente como ele, que escreve para quem pensa que Swift é só uma marca de salsicha e considera “de direita” quem sabe mais do que isso. São estágios distintos da civilização, porém contemporâneos. Parece que Homo sapiens chegou a conviver com alguns primos que ficaram pelo meio do caminho.”
Tio Rei, aqui, modestamente pretende comparar-se com Jonathan Swift, cônego em Dublin e panfletista político. Ele até mesmo faz um link para o texto “Uma Proposta Modesta”, onde Swift faz uma sátira em forma de ensaio conclamando os irlandeses a resolverem o problema de sua pobreza lancinante vendendo suas crianças como comida para os ricos. É chocante que a despeito disso, Tio Rei diga o seguinte:
“Não entender que falta de preconceito mesmo é defender o homem universal, como fiz, e não o homem separado por categorias é não entender nada. Não é que lhes falte humor. O que lhes falta é informação, sensibilidade, inteligência, requinte intelectual. O QUE LHES FALTA, SANTO DEUS!, É BOTAR AS PATAS NUM LIVRO!!!”
Na verdade, só quem não pôs as patas, o rabo ou sequer a vista na obra de Swift ou, de fato, em qualquer compêndio sobre literatura é que pode ignorar a enorme diferença existente entre “sátira” e “ironia” _ e em particular entre o texto de Swift e o post de Reinaldo. A obra “Uma Proposta Modesta” não é uma ironia, é uma sátira. O texto de Reinaldo Azevedo é uma falácia que ele chama de ironia mas queria dizer que era uma sátira. Ora, o texto do Tio Rei opera, como sempre, pela criação de um straw men: há uma diferença muito grande entre dizer que “o Brasil está preparado para ter uma mulher como Presidente” e dizer que “O Brasil tem que ter uma mulher como presidente“. Porém, operando este estelionato, Reinaldo sente-se à vontade para dizer, então, que “Dilma não pode ser presidente“, porque a vitória de Dilma consagraria a idéia de que “uma mulher tem que ser presidente“.
***
No mais, é interessante ver como Tio Rei se pretende revolucionário ao articular este discurso tão batido do “homem universal” que se satisfaz com a igualdade “em tese” mas de fato finge que há justiça em botar para competir na rinha de galo do capitalismo liberal, como iguais, os que estão desiguais. Essa é a ética dos “homens livres” que preferem ver todos os problemas sociais resolvidos com… mais cadeia. Na melhor das hipóteses.
Para ele e seus leitores, política social sadia é só uma marca de presunto.

Em prol dos portadores de deficiência folicular
Tio Rei em sua melhor forma:
“Por que não, então, um gay para suceder Lula? Branco ou preto? Esperem! Vamos fazer logo um “combo” de minorias. A candidata poderia ser mulher, negra e lésbica. E acho que a gente deve acumular experiências, incorporando qualidades de minorias passadas. Poderia ser mulher, negra, lésbica, meio analfabeta e eventualmente sem dedo. O “eneadactalismo” passaria a ser uma exigência para chegar ao topo.”
Pára com isso, Tio Rei. A gente sabe que você quer mesmo é um careca-lá. Um lídimo representante da sua própria minoria…
Tio Rei resolveu pentelhar a Dilma:
“ISSO É QUE É BOLSA FAMÍLIA!!!
Vejam a foto acima. Eu não entendo nada disso, mas uma amiga podre de chique jura que se trata de uma bolsa Kelly, da grife Hermès, criada em homenagem à princesa de Mônaco. É o objeto de desejo das ricas mundo afora. A bolsa custa 4.700 euros, uns R$ 14 mil, quase dois salários da ministra Dilma Rousseff. Mais imagens da Bolsa Kelly aqui.
Se você não tem essa grana toda para gastar numa bolsa, leitora, a Hermès não a deixou na mão. Permite que você baixe um arquivo da dita-cuja para copiá-la em… papel! (aqui).“
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Material requentado: isso aí já foi notícia em 11 de julho, no blog da socialite-turned-jornalista Claudia Ioschpe. Novidade é a foto…provavelmente feita “sob encomenda”.
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O mais gozado é que por tudo que conheço das posições de Tio Rei sobre bolsas de luxo e bolsas-família, tenho a certeza de que ele é muito mais favorável à bolsa-sonegação.
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Aliás, uma profética matéria da Época em janeiro de 2004, sobre os proventos adicionais que alguns políticos e altos funcionários percebem por participar dos Conselhos de Administração das empresas estatais, já explicava o negócio:

Embora a popularidade de Obama tenha caído um pouco nos EUA, o que é meio inevitável em tempos de crise (mas sem perigo de chegar perto das taxas de impopularidade desta senhora que já foi a esperança da América profunda – 53%!), aparentemente ele está mesmo contribuindo para melhorar a imagem do seu país no resto do mundo. Eis os resultados de uma pesquisa recente:

Curioso notar como a imagem dos EUA não está tão melhor, ou às vezes até pior, em países árabes (apesar de também ter piorado em Israel). Para alguém que os ressentidos insistem em chamar, com objetivos óbvios, de Barack Hussein, isto parece ser um tiro pelo culatra…
Êpa!
“Entendeu agora ou quer colinho?
O leitor Carlos Sampaio me provoca a inteligência, ou o humor, com uma questão a propósito daquele post “Obama já era”
Engraçado que quando a ficha dos americanos começou a cair para o Bush (levando a popularidade dele a níveis recordes de tão baixa) você não disse nada… Você nunca disse “Bush já era”. Ou disse?
Respondo
Claro que não disse! Porque ele nunca chegou à condição do “já era”. Bush sempre foi considerado humano — não, melhor: abaixo do humano, quase um bicho. Obama estava acima do homem. E, no entanto, não está. O Obama que já era, aprenda a ler, rapaz, é o Obama como mito. Entendeu ou quer que o Tio Rei te pegue no colo?“
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Eu, hein!
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Agora, parece que Tio Rei, no afã de erguer seu straw man de “obamasuperhomem”, se esquece do “day after 9/11“…
Tio Rei hoje, comentando o caso do professor negro preso por arrombar a própria casa nos EUA:
“Um dos botões quentes da política a ser acionado quando a coisa aperta é e será sempre o racismo. E foi o que Obama fez ao esculhambar a Polícia por ter prendido um professor negro, confundido com um assaltante. Não por causa de sua cor, começa a ficar claro, mas porque ele arrombava a porta da própria casa. Uma vizinha acionou a polícia pensando ser um assaltante etc. Branco arrombando casa também é confundido com assaltante. A diferença é que o branco não tem o racismo a seu favor para intimidar as autoridades. Na versão endossada pelos politicamente corretos — não quer dizer que seja falsa por isso; mas também não quer dizer que seja naturalmente verdadeira —, o professor se identificou, mas o policial branco não quis nem saber: meteu o cara em cana. Na versão da polícia, que se dispõe a liberar uma gravação, não foi bem assim. O professor teria destratado o policial. Foi preso não por suspeita de arrombamento, depois da coisa esclarecida, mas por desacato. Um negro poder preso por desacato ou por qualquer outro motivo sem que seja racismo? Acho que sim, não?“
É fantástico como nessas horas o mais veemente defensor dos direitos individuais da pessoa individual se transforma em um fascista dos mais baratos.
Quer dizer, eu estou tentando entrar na minha casa. Aí o policial vem me prender porque eu estou tentando entrar na minha casa. Aí eu xingo o policial, porque eu sei que se eu fosse branco o policial seria o primeiro a se oferecer a me ajudar a entrar em casa. Aí eu vou preso por desacato.
Ô, raça.
Deu no Correio Braziliense:
“Serra critica política econômica, mas elogia BNDES
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), criticou hoje a política econômica do governo federal, mas fez ressalvas ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que recebeu elogios por sua política de financiamento de obras de infraestrutura no país, especialmente na área de transporte.
“Todo o Brasil sabe que eu tenho divergências sobre a política econômica do governo federal, que, em seu conjunto, tem partes corretas e partes erradas”, afirmou o governador. “A errada é a política monetária e de câmbio, que, aliás, prejudica as atividades de produção de bens e equipamentos porque a indústria se torna pouco competitiva. O estrangeiro cada vez mais pode vender mais barato ao Brasil porque o dólar tem um valor irreal, e isso está acontecendo de novo”, disse Serra.
“Agora, tem o lado certo da política econômica do governo, e um desses aspectos é a política do BNDES. Queria publicamente aqui congratular a ação que o banco vem fazendo sob a presidência de Luciano Coutinho. Não estou dizendo isso porque o Luciano é meu amigo, colega da Universidade de Campinas e estudou na mesma universidade que eu nos Estados Unidos. Estou fazendo uma homenagem que faria a uma pessoa como homem público, pelo trabalho que vem fazendo”, declarou.“
E tem mais:
““Temos de defender o BNDES, o FAT e essa prática de o FAT financiar o desenvolvimento porque ela está sempre sob perigo. Vive tendo gente escrevendo contra isso e, se no futuro pudessem, fariam uma modificação. Mas no caso teriam de passar pelo nosso cadáver, coisa que não vai acontecer porque ainda vamos viver muitos anos”, afirmou.
“Quero dizer também que o BNDES empresta recursos do FAT, que não são recursos subsidiados. Tem muita gente neoliberal em economia dizendo que para baixar juros não tinha que ter juro oficial, tinha que nivelar tudo. Aí ninguém conseguiria investir em nada, até porque no Brasil não tem financiamento interno para trens. Ou pega lá fora ou pega do BNDES. Vocês imaginam se tirarem esse dinheiro”, afirmou. “O FAT foi resultado de uma iniciativa minha na Constituinte. Na época eu coloquei 40% para ser investido a cada ano no BNDES. Deveria ter posto 80%, mas na época parecia bastante.”
***
Pois é, o apoio do Tio Rei a Serra fica cada vez mais estranho.
Por exemplo, Tio Rei vive dizendo que a única virtude do governo atual é não ter destruído a política econômica do governo anterior. Mas Serra critica a atual política econômica _ tal como criticava a política econômica anterior. Aliás, basta ver as críticas dele à política cambial para vermos onde é que ele pretende parar.
Por outro lado, Serra elogia o BNDES. Eis, por exemplo, o que Tio Rei acha do BNDES:
“Lula mudou uma lei apenas para permitir que Sérgio Andrade, seu amigo, principal financiador de sua campanha e um dos donos da Oi, comprasse a Brasil Telecom. Não! Escrevi errado: ele mudou a lei para LEGALIZAR uma compra que já havia sido feita. Mas não só isso: o BNDES, um banco público, foi um dos financiadores da operação. Dada a seqüência temporal, um banco oficial se comprometeu a financiar uma operação ilegal. Mas se tinha a certeza de que o Apedeuta cumpriria a sua parte. E ele cumpriu. Fundos de pensão – vale dizer: sindicatos de estatais – são donos de uma parcela da Oi. Assim, dinheiro público, do BNDES, financia a fatia do “privatismo” do sindicalismo petista – que é onde, hoje em dia, está o dinheiro.”
Além de continuar repetindo uma mentira esperando que ela se transforme em uma verdade _ o governo não teve que alterar Lei alguma para viabilizar a fusão da BrT com a Oi _ Tio Rei mete o malho no BNDES.
Então, porque é que Tio Rei apóia Serra? Das duas uma:
a) Ou o problema dele não é de fato o BNDES ou a política econômica, mas apenas um compromisso de apoiar Serra (e aí entra a minha suspeita de que ele seja apenas a linha auxiliar para atrair a direita para Serra);
b) Ou ele detesta tanto a esquerda a ponto de apoiar Serra como o que percebe ser o menor dos males.
“Opiniães?”
Tio Rei continua economizando no Haldol:
“O jornal hondurenho El Heraldo.hn publicou ontem à noite um texto em que denuncia um plano de Hugo Chávez para levar o caos a Honduras e reinstalar Manuel Zelaya no poder. Segundo o jornal, “a conspiração pretende desestabilizar o país por meio de ações armadas de grupos paramilitares, ligados ao narcotráfico, provenientes da Nicarágua”.“
El Heraldo, a fonte confiável que Tio Rei adotou sobre all things hondurean, é aquele mesmo jornal que já lhe pespegou um micaço.
Tem gente que é burra _ ou esperta _ demais, não é mesmo?
***
Aliás, o desinteressado periódico El Heraldo é propriedade de Jorge Canahuati, empresário que também é dono de outro grande jornal hondurenho, o La Prensa. Canahuati vinha sendo acusado pelo governo por manter contratos irregulares para fornecimento de armas à Polícia e às Forças Armadas hondurenhas, bem como medicamentos ao sistema de saúde do país.
Suponho que as acusações tenham sido arquivadas a esta altura…
***
Enquanto isso, deu no Estadão:
“Honduras tem toque de recolher; interino propõe renúncia
Micheletti já admite deixar Presidência, desde que Zelaya não volte ao país; negociadores se reúnem no sábado
TEGUCIGALPA – O governo de facto de Honduras decretou na quarta-feira, 15, um novo toque de recolher entre as 0h e 5h locais (entre 3h e 8h de Brasília), logo antes dos protestos convocados por simpatizantes do presidente deposto Manuel Zelaya. O líder interino do país, Roberto Micheletti, admitiu ainda renunciar ao cargo desde que o Zelaya não retorne ao poder. Segundo Micheletti, ele renunciaria caso essa medida seja necessária para “trazer a paz e a ordem de volta ao país”.” [grifo meu]
***
Ah, as delícias da democracia fardada…
Tio Rei embarca no micaço vendido por um jornal hondurenho:
“O PLANO MACABRO DE UM DELINQÜENTE INTERNACIONAL
quarta-feira, 8 de julho de 2009 | 4:15
A imprensa brasileira, com exceções aqui e ali, segue a sua rotina vergonhosa de submissão ao golpismo bolivariano, ignorando todas as evidências de que Manuel Zelaya preparava um assalto à Constituição democrática. Pior: ignora a sua confissão. Agora, deve dar de ombros também para o fato de que Chávez coordenou pessoalmente a tentativa de retorno do chicaneiro a Honduras e apostava num banho de sangue.
A agência AFP captou o momento em que o ditador da Venezuela comandava, de seu gabinete, a operação. Até aí, já se sabia, não? O avião em que estava o ex-presidente hondurenho pertence ao braço da PDVSA nos Estados Unidos. Um repórter da TV de Chávez acompanhava a viagem, tudo transmitido ao vivo pela emissora oficial da Venezuela. O que não se tinha era a prova de que se planejava um massacre. Reportagem do jornal hondurenho El Heraldo.hn conta a história.

Estão vendo aquela lousa ao lado de Chávez? Está tudo ali. Traduzo trechos de reportagem do jornal hondurenho:
Mais do que ver um ex-militar golpista apontando para seu televisor Panasonic e aplaudindo a “façanha” de Zelaya, que era transmitida ao vivo pela Rede Telesur, especialistas em temas políticos e segurança chamaram a atenção para a mensagem escrita na lousa de fórmica e que pode ser uma clara manifestação de que o objetivo era provocar um massacre.
Afinado com as intenções que revela o escrito na lousa, Zelaya pedia, do avião, por intermédio de uma comunicação por satélite, que a população invadisse a pista do aeroporto para retirar os obstáculos que haviam sido colocado pelas forças militares. Houve a tentativa, mas a ação foi reprimida pelos soldados e pela polícia, que, segundo a Comissão de Direitos Humanos, usavam balas de borracha.
A mensagem textual na lousa de Chávez diz:
“051345JUL09 Enjambre de abejas africanas, Tribuna Presidencial, heridos por picadas y desesperación de las personas.”
Mario Berríos, advogado e especialista em temas políticos e de segurança, assegura que se trata de uma mensagem escrita em código. O escrito “051345JUL09″, segundo ele, é o que se chama, em doutrina militar, “grupo-fecha-hora”. A mensagem revela o dia (05), o ano (2009) e a hora (13:45), e foi precisamente a hora em que a manifestação estava vencendo os policiais nas imediações de Camosa, sendo insuficientes os cordões de segurança para conter os que protestavam e impedir que se aproximassem do aeroporto Toncontín.
“Enxame de abelhas (Enjambre de abejas) africanas” se refere à manifestação, que, em alguns países, tem sido capaz de derrubar governos. No caso da ocorrina no domingo, em frente ao aeroporto, Berríos observa que, com efeito, os manifestantes chegaram de todos os cantos do país e “felizmente, não foi tão numerosa a ponto de derrubar o governo e vencer as Forças Armadas e a polícia”.
“Tribuna presidencial” significa que, ali mesmo, se daria posse a Zelaya, declarando-o novamente no poder da nação. A expressão “feridos por picadas”, segundo Berríos, pode ser o mais preocupante da mensagem e da Operação Chávez, já que denota que o objetivo era provocar uma resposta violenta das forças militares e policiais ou que, mesmo entre os manifestantes, haveria feridos, com tiros a queima-roupa para provocar novos mártires”.
Cabe destacar que, um dia antes, o cardeal Óscar Rodriguez lembrou que não era recomendável o retorno de Zelaya. E observou que, afinal, no país, não havia um só morto em razão da crise política.
“Desespero das pessoas” poderia significar que a estratégia final era provocar o caos e um estado de ingovernabilidade diante de mortos e feridos.
(…)
Comento
Qualquer leitor, eu inclusive, fica um pouco com o pé atrás, não? Há, acima, interpretação, é verdade. E se Chávez agora se interessa mesmo por abelhas africanas, não é mesmo? Ora, querem coisa mais comum do mundo do que um presidente ter em sua sala uma lousa de fórmica com os dizeres “abelhas africanas”, “feridos”, “desespero das pessoas” e “tribuna presidencial”? E isso no momento em que acompanha, azo vivo, uma operação em solo estrangeiro – com a invasão do espaço aéreo daquele país, é bom notar.
Quanto a Zelaya… Que tipo de governante incita seu próprio povo a confrontar soldados armados, pedindo que avancem contra equipamentos militares? Bem, é o tipo de governante que merece o apoio de líderes do mundo inteiro – inclusive o de Barack Hussein, que reconhece antiamericanismo no sujeito, mas tudo bem… “
***
A verdade é mais prosaica. A críptica inscrição na lousa…
“051345JUL09 Enjambre de abejas africanas, Tribuna Presidencial, heridos por picadas y desesperación de las personas.”
Se refere a uma notícia do jornal Diário de El Progreso, um periódico da cidade venezuelana de Ciudad Bolívar . A matéria integral é a seguinte, como vocês podem também conferir no próprio site do jornal:
“ESPERANDO LA LLEGADA DE CHÁVEZ EN LA OCTAVA ESTRELLA
Más de treinta personas picadas por abejas asesinas
OTONIEL
Más de treinta personas resultaron afectadas por picaduras de abejas, cuando se encontraban en una de las tarimas en espera del acto del 5 de julio, que se realizó ayer tarde, en el sector, la Octava Estrella, de esta capital. La situación colapsó el servicio de Emergencias 171 y el hospital Universitario Ruiz y Páez.
Una situación de alerta se presentó la tarde de ayer, a eso de las 2:00, cuando un enjambre de abejas asesinas arremetió contra un grupo de personas que se encontraba apostadas, en espera del inicio de las actividades alusivas al 5 de Julio, en el mencionado sector. Los afectados presentaron picaduras de aguijones de abejas y por ende hematomas, en rostro, extremidades y otras partes del cuerpo, ameritando en su mayoría, el traslado hasta nuestro principal centro asistencial.
Al Ruiz y Páez ingresaron Carlos Navarro (7), Londra Rojas (7), Alejandro Quintana (10), Keren Bastidas (10), Ranses Idrogo (14), María Del Valle Hurtado (33), Dalis Navarro (42), Kenia Nahyr Tovar (31), Lesbia Ascanio (45), Yaneth Navaro (23), Mercedes Rodríguez (31), Carmen Brizuela (51) y Karina Salas (21), todos presentando según diagnostico médico “Apismo” (envenenamiento por picaduras de abejas). Asimismo se presentaron numerosos casos que fueron atendidos en el lugar de los hechos.
Estos casos provocaron un colapso en el sistema medico asistencial de esta capital, ya que el número de ambulancias dispuestas no eran suficiente, asimismo la emergencia del Ruiz y Páez, colapsó a pesar que los casos fueron ambulatorios y la dotación de medicamentos para atender este tipo de casos no fue suficiente. Se espera que este suceso quede como referencia para el futuro y se tomen medidas al respecto.“
Isto é, o Chavez tinha uma lembrete escrito na lousa sobre essa notícia do jornal da cidade que ele visitou, provavelmente para recordar de falar sobre isso em algum programa de rádio ou tv.
***
Tudo isso prova que, se Tio Rei é chegado nas teorias da conspiração mais estapafúrdias, sendo portanto fonte muito pouco confiável para cobrir qualquer evento que não seja um jogo de bolas de gude, também é verdade que ele estava certo na crítica à exigência de diploma para jornalistas _ diploma que ele, ao que me consta, tem, e rasga todo dia em seu blog.
***
Mas o mais interessante de tudo é que, mesmo prevendo que haveria de expor-se ao ridículo, Tio Rei, no final do seu comentário, se sai com essa:
“Ainda que a mensagem na lousa de Chávez nada significasse, o fato é que a foto o flagra acompanhando, numa transmissão via satélite, o que pode ser caracterizado como uma intervenção em solo estrangeiro.”
Ah, bom. Então somos todos intervencionistas agora…
Tio Rei está querendo ombrear-se a Galvão Bueno??
Democracia fordista
Tio Rei em post de hoje:
“As oligarquias tradicionais se juntaram aos novos oligarcas, que seqüestraram, pela via eleitoral, o aparelho de estado.”
“Sequestro pela via eleitoral” é o novo nome pelo qual a direita anaeróbica chama a democracia.
Democracia para eles é tipo assim um Ford T, aquele calhambaque que o Ford dizia que você podia comprar qualquer um, contanto que fosse preto.
Suponho que democracia boa para Tio Rei é aquela dos barões do café da República Velha, a democracia em que você pode escolher quem vai votar…
O Estadão informa que vai cair o último bastião:
“Moody’s coloca nota do Brasil em revisão para possível melhora
Agência de classificação de risco diz que País confirmou maior resistência a choques e pode elevar rating
SÃO PAULO – A agência de classificação de risco Moody’s colocou em revisão para possível elevação as notas atribuídas ao Brasil, citando a “confirmação de uma maior resistência da economia a choques”.
“Como resultado de uma série de eventos negativos no cenário internacional, o Brasil passou pelo equivalente a um severo teste de estresse de grandes proporções ao longo dos últimos meses”, apontou nesta segunda-feira, 6, Mauro Leos, diretor de risco soberano da Moody’s para América Latina. “A crise revelou as forças estruturais que o Brasil construiu ao longo da última década e que, até recentemente, não haviam sido testadas.”
A agência também avaliou que as respostas do governo à crise, até o momento, tem sido efetivas em conter o impacto da turbulência externa sobre o Brasil. “Ainda que a economia apresente crescimento negativo do PIB e uma expectativa de deterioração das contas fiscais em relação aos anos anteriores, o desempenho geral do Brasil excedeu as expectativas iniciais comparado ao de outros países, incluindo alguns com ratings mais elevados”, acrescentou.”
***
Tio Rei: chuuuuuupa!!!!!
Tio Rei agorinha há pouco:
“A bola e a politica como sempre
Sim, sei que Lula vai receber o Corinthians daqui a pouco. Vocês esperavam o quê? No Brasil, até câncer é explorado eleitoralmente. Imaginem, então, um evento como o que está em curso: um dos times mais populares do Brasil, depois de ir à lona, recupera-se de modo espetacular. E, bem…, é inegável que “O Cara” sempre se disse corintiano.
Políticos, sem exceção, deveriam ter mais pudor ao lidar com o tema. Mas quê… Isso nada tem a ver com o Timão e com o conjunto dos corintianos.
Caso o Brasil ganhe a Copa do Mundo no ano que vem, é evidente que Schopenhauer vai tentar faturar. Além dos 11 e da torcida, tentará ser o jogador nº 13, entenderam? Lula não inova, não é? Antes dele, houve Garrastazu Médici, 90 milhões em ação, essas coisas.
Era uma ditadura de outra natureza.”
***
Sei.

Não custa relembrar, né?
“O terceiro mandato de Lula e os líderes sem liderança do PSDB
Não vou sugerir a vocês que recorram ao arquivo do blog ou ao Google para procurar as vezes que escrevi que haveria a tentativa — ao menos ela — de abrir caminho para Lula emplacar o terceiro mandato. Até batizei o esforço, numa alusão aos apoiadores de Getúlio Vargas, de movimento “queremista”. Era claro como o dia que isso seria tentado. Todo o discurso do Apedeuta, de fato, prepara o terreno para o “queremos Lula”. Pode dar certo? É claro que sim. Seria um “golpe”, como diz o senador tucano Arthur Virgílio (AM)? Lamento: se alguém apresentar uma emenda constitucional e se ela for aprovada pelo Congresso, golpe não é. O trágico, meus caros, não é haver petistas e outros aliados pensando no assunto (Lula, aliás, não pensa em outra coisa). O trágico é sabermos que, em larga medida, o governo só não arranca essa emenda do Congresso se não quiser.”
Isso aí é Tio Rei, em setembro de 2007. Agora, ele comenta a decisão de José Genoíno, relator da PEC do terceiro mandato, em um post candidamente batizado como “Genoino pede arquivamento do 3º mandato; não é o PT que não quer: é a Constituição!“:
“Conforme eu havia escrito aqui, vocês devem se lembrar, não há nenhuma interdição explícita na Constituição ao terceiro, quarto ou quinto mandatos. Mas há o espírito da Carta e dispositivos outros com as quais a proposta se choca — entre eles, o que prevê a alternância de poder: “o voto direto, secreto, universal e periódico“.”
Uh…gozado, por que eu me lembro de uma outra emenda para reeleição que não sofreu problemas com essa interpretação.
“Se a proposta passasse pela CCJ (se bem que ainda não foi rejeitada, mas deve ser) e acabasse aprovada na Câmara em dois turnos, seguiria para o Senado, para outros dois turnos — dificilmente passaria ali. Mas vá lá: se aprovada, a questão certamente chegaria ao Supremo. Onde seria detonada. Com base justamente nos princípios alegados por Genoino. Esse, de bobo, não tem nada. Mais: PT e Lula sabem que o preço da possibilidade de um terceiro mandato seria gigantesco. Bem, tudo isso vocês já leram aqui.”
Não. O que eu li lá no Tio Rei era que ”Pode dar certo? É claro que sim. Seria um “golpe”, como diz o senador tucano Arthur Virgílio (AM)? Lamento: se alguém apresentar uma emenda constitucional e se ela for aprovada pelo Congresso, golpe não é.” Porque será que Tio Rei mudou de idéia de repente? Será que a existência de Gilmar Mendes fez Tio Rei descobrir que existe um STF??
“A questão é por que Lula permite que seus aliados — e, acreditem, ele manda mesmo! — aprontem essa pantomima, acenem com esse fantasma. A resposta é simples: por uma questão… política. Enquanto essa possibilidade estava no horizonte, serviu à exaltação de suas glórias pessoais, reforçou seu papel de redutor único da política e de grande condutor dos nossos destinos. Daqui a pouco, vai dizer com mais clareza do que já diz: “Vocês me queriam, mas não pode ser; então, fiquem com Dilma”. Essa transferência não é operação trivial. Mas, claro, será tentada.“
Pantomima? Fantasma? Mas Tio Rei, você mesmo não dizia que “o governo só não arranca essa emenda do Congresso se não quiser“?
“Os petistas certamente vão fazer a auto-exaltação: “Nós mesmos pedimos o arquivamento! Nunca quisemos isso!” Mentira! Nunca acharam isso fácil, mas querer, bem, isso eles queriam. E fizeram da possibilidade um ativo político enquanto ela pôde render.“
Já vi esquizofrêncios usarem esse argumento. ”Você sempre quis me servir assado com uma maçã na boca, só não serviu porque não pôde!“.
“Pronto! Esse aspecto da campanha já está dado: “O povo queria o terceiro mandato, mas eu achei que não seria bom. O próprio PT se encarregou de detonar a proposta.” Em suma: “Abri mão do terceiro mandato, mas, então, votem em Dilma. É a mesma coisa”.”
Óóóó, Tio Rei…não dá idéia. :)
“Ah, sim: é óbvio que se trataria de uma seqüência é mentirosa. Reitero: a proposta que Genoino mandou arquivar poderia passar por todos os crivos. Mas seria derrubada no Supremo.“
Não é o que indica a, er, “jurisprudência”. E aqui vai uma situação curiosa. Quando da época da emenda da reeleição de FHC, os partidos de oposição entraram com uma ADI contra a proposta. Curiosamente, seu relator é…Gilmar Mendes. Informa o portal Terra:
“Em tese, se um dia apreciasse o caso de forma cabal e aceitasse o pedido dos partidos de oposição na época, o STF poderia desconstituir todo o segundo mandato de FHC e anular em massa as decisões tomadas pelo Executivo federal entre 1998 e 2002. “A constitucionalidade de uma reeleição não foi decidida em definitivo pelo STF”, relembram fontes do STF.
Na atual composição do Supremo, poucos são os ministros que estavam na Corte na época da aprovação do projeto de reeleição de Fernando Henrique. Dos onze magistrados de hoje, apenas Celso de Mello e Marco Aurélio Mello compunham o STF em 1998. A nomeação de nove diferentes ministros nesses últimos anos pode significar, segundo juristas ouvidos pelo Terra, a possibilidade de o STF barrar um terceiro mandato para o presidente Lula.
Quando o Supremo analisou a liminar naquele ano, Marco Aurélio disse ser inconstitucional a alteração na Constituição permitindo a reeleição, mas Celso de Mello não acatou o pedido dos partidos. Para a eventual anulação de um terceiro mandato do presidente Lula, o STF teria de receber e julgar uma ação de inconstitucionalidade movida por entidades ou legendas de oposição.
Atualmente, além de Marco Aurélio, apresentam ressalvas à perspectiva de mais de uma reeleição para o Executivo os ministros Gilmar Mendes, Carlos Ayres Britto, Joaquim Barbosa e Cezar Peluso.”
A liminar foi indeferida, mas ainda não houve julgamento do mérito. A notícia diz, portanto, que o terceiro mandato para Lula só poderia ser barrado ao preço de anular os 8 anos de governo FHC, inclusive as privatizações. Não sei bem se isso é verdade, e pediria aos advogados que frequentam este humilde blog que elucidem a especiosa questão, a qual deve envolver muitos ex tuncs e ex nuncs. Só digo que haveria licença poética no negócio…
Tio Rei se supera, hoje, em seu necrológio em vida de Sarney (muy “originalmente” intitulado “O Outono do Oligarca”):
“Sim, sei bem, ele é quem é: pertence ao neocoronelato brasileiro — a esta altura, já tornado velho também. A idade e a posição alcançada no establishment lhe facultavam a possibilidade de ser, vejam que coisa, uma espécie de modernizador do conservadorismo, da tradição, escoimando dela as velharias e buscando um diálogo com o novo. Em vez disso, viu-se o quê? A emergência do poder petista, com sua propensão para dar liderança nova aos velhos vícios e acrescentar vícios inéditos ao estoque antigo, viu em Sarney um bom esteio.
Os magos do petismo apostaram, não sem razão, que ele poderia ser a voz daquele Brasil profundo, velho mesmo, arcaico, aferrado ao mandonismo, desta feita, mandonismo da periferia do poder, dos arrabaldes —, mas ainda com ampla representação no Congresso. E resolveram usá-lo como pilar da nova ordem. E ele aceitou ser esse pilar. Em torno dele, agregou-se o que há de mais arcaico na política brasileira, mas agora abrigado no guarda-chuva do “progresso” petista. Sarney e seus aprendizes, como Renan Calheiros, foram se transformando na cara do Congresso: defesa de privilégios inaceitáveis, desmandos, descuido com o dinheiro público. Enquanto isso, Lula, o demiurgo, o Tirano de Siracusa dos delírios de Marilena Chaui, triunfa sobre toda coisa viva, diante de um Congresso desmoralizado.
O gigantesco poder conferido a Sarney na era Lula não é apenas o preço a pagar pela governabilidade, que requer a aliança com o PMDB etc e tal. Esse argumento é velho. Sarney é a face não edulcorada do statu quo com o qual o petismo se acertou, no qual se deu bem. Não estivesse a academia brasileira (com exceções, sei disso) contaminada pela vigarice submarxista, que produz mais ideologia do que saber, essa era Lula estaria sendo examinada a partir de seus atores. E talvez se chegasse com facilidade à constatação de que vários atrasos se misturam: corporativismo, estatismo assistencialista, patrimonialismo renitente e, curiosamente, mercadismo (que não é economia de mercado; ao contrário: não gosta muito disso, não…).” [grifos meus]
Tio Rei parece “esquecer-se” que:
- Sarney presidiu o Senado _ como aliado _ de Fernando Henrique Cardoso.
- Renan Calheiros foi Ministro da Justiça _ como aliado _ de Fernando Henrique Cardoso.
Mas vai ver naqueles tempos eles não eram atrasados, eram moderninhos, e a “governabilidade” era algo unheard of.
Porque, de vez em quando, até que acerta.
Eu gosto de me imaginar como um livre-pensador. E como livre-pensador, não me escravizo a pontos de vista pré-fabricados. Por exemplo, há os que criticam meus recorrentes posts sobre Reinaldo Azevedo como um exemplo de “desalinhamento automático”: se ele acha A, eu automaticamente acho que tenho que achar B. Nada mais falso. Quando bato em Reinaldo Azevedo é porque analisei o que ele disse e discordei. Da mesma forma, o comentário do Tio Rei à matéria da Folha que reproduzo abaixo está aí porque o analisei e concordei com as críticas que ele faz ao Ministro da Cultura, Juca Ferreira:
“E Caetano vai levar a prebenda da Lei Rouanet…
sábado, 13 de junho de 2009 | 6:09
Por Marcio Aith, na Folha:
“Não sou masoquista para trabalhar só com artistas malsucedidos. O ministério não tem vocação para irmã Dulce ou para Madre Teresa de Calcutá.” Com essas palavras o ministro da Cultura, Juca Ferreira, indicou à Folha que irá rever a decisão que proibiu produtores do músico Caetano Veloso de captar patrocínio da Lei Rouanet para divulgar o novo CD do artista, “Zii e Zie”.
Em reunião em maio, a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC) decidiu que o projeto, no valor de R$ 2 milhões, não precisa da Rouanet por ser comercialmente viável. A CNIC é um órgão colegiado que pertence ao Ministério da Cultura. O ministro pode, a seu critério, rever as decisões da comissão. Ferreira negou ter sofrido pressões da empresária Paula Lavigne, ex-mulher e empresária de Caetano, para que a decisão fosse revertida:
“Ela não fez nenhum sauê, apenas ligou para mim e perguntou qual critério tinha sido utilizado para Caetano que ela não percebia que tinha sido usado para outras pessoas”. Leia a seguir a entrevista.
FOLHA- O sr. vai rever o veto a Caetano Veloso?
JUCA FERREIRA – A produção de Caetano entrou com o recurso, que vai ser analisado pelo ministério. Estou acompanhando. Evito ao máximo rever decisões da CNIC. Só quando ocorre um erro muito contundente procuro chamá-los à razão.
FOLHA- Que erro foi esse?
FERREIRA – O que houve é o seguinte. Não é possível aplicar um critério para um artista e não aplicar para outro. A lei atual não tem nenhum critério que diga que os artistas bem-sucedidos não podem ter seus projetos aprovados, e nem a nova deverá ter. No ano passado, quando eu intervim para aprovar o show da Maria Bethânia [a CNIC também tinha negado acesso da cantora à Rouanet], já tínhamos aprovado projetos da Ivete Sangalo, artista mais bem-sucedida comercialmente em todos os tempos. Não podemos sair discricionariamente decidindo, sem critérios legais.
(…)
FOLHA – O senhor diz que não há critério legal para negar o projeto de Caetano Veloso. Se não existe critério, por que musicais como “Peter Pan” e “Miss Saigon”, e exposições como “Leonardo da Vinci” e “Corpo Humano” foram negados?
FERREIRA – Não vou aqui discutir casos.Frequentemente há erros, eu tenho dito isso. É justamente a falta de critérios que cria ambiente para julgamentos subjetivos. Um dos objetivos da reforma da lei é adotar critérios previamente legitimados pela discussão pública.
FOLHA – Não há uma contradição entre o espírito da reforma da Lei Rouanet, baseada no uso de dinheiro público para quem precisa, e a decisão de estender a lei a Caetano, um artista consagrado?
FERREIRA – De modo algum. O show já está em turnê, cobrando um preço. Seus produtores se dispuseram a reduzi-lo para pouco menos da metade se for incorporado dinheiro público. Ao que parece, o ingresso cairia para R$ 40 inteira, e R$ 20 meia. Isso possibilita a ampliação de pessoas na plateia. Atende a uma demanda nossa, a de que um artista bem-sucedido amplie seu público. Não é contraditório. Queremos uma política cultural sólida, mas não faremos isso sem os grandes artistas brasileiros. A única coisa que apontamos é que, da maneira como a lei é hoje, os artistas novos, de diversos Estados, não têm acesso à lei. Não sou masoquista para trabalhar só com artistas malsucedidos. O ministério não tem vocação de irmã Dulce nem de Madre Teresa de Calcutá. Um artista conhecido pode ter dificuldade de conseguir patrocínio para uma obra experimental, ou pode ser do interesse público abaixar os preços de um espetáculo popular. Deve-se avaliar economicamente cada projeto, o que hoje a lei sequer prevê. A discussão não está aí. “
O comentário de Reinaldo foi o seguinte:
“Comento
Este bogueiro já se declarou contra subsídio até para feijão, como sabem. Ou jamais seremos eficientes na produção de feijão. Simples e óbvio assim. Imaginem esse papo de subsidiar cultura…
Mas vá lá. A coisa está aí. Juca Ferreira, coitado!, chega a ser patético, bisonho. Sabe que Caetano, se quiser, pode fuzilá-lo com três ou quatro palavras, que seriam publicadas em todos os jornais. E por quê? Porque, se pode haver dúvida sobre se é ou não o mais importante artista popular brasileiro, uma coisa está fora de debate: é o mais influente. E, obviamente, não tem problemas para atrair público a seus shows. Se um Caetano precisa de Lei Rouanet, os outros artistas precisam de muleta. Tenham paciência!
É uma piada. Ao justificar, no entanto, a revisão da decisão, concedendo ao cantor o benefício, Juca Ferreira se trai e evidencia uma espécie de má consciência que vai tomar conta da lei. Explico.
O espírito da revisão da lei, diz ele, é descentralizar a concessão de benefícios, atendendo a produções regionais, que não se orientem só por critérios de mercado etc. Bem, vocês conhecem essa cascata. É claro que, dado esse critério, Caetano estaria fora: tem público, não é um autor regionalista desconhecido, não faz arte experimental… Ao contrário: é a própria filha da Chiquita Bacana…
Mas aí é Juca Ferreira quem demonstra o que realmente pensa dos tais artistas fora do mercado que serão apoiados pela Lei Rouanet: “Não sou masoquista para trabalhar só com artistas malsucedidos. O ministério não tem vocação de irmã Dulce nem de Madre Teresa de Calcutá.”
Sacaram? O que não for, digamos, coisa de mercado, como Caetano, é “artista malsucedido”… Pergunto: por que o Estado tem de dar subsídio a artista malsucedido? E os caminhoneiros malsucedidos? E os contabilistas malsucedidos? E os padeiros malsucedidos? Ah, bem, não vale perguntar sobre torneiro-mecânico malsucedido…“
***
Bem, no mínimo, depois dessa Juca Ferreira merece ganhar a medalha de ministro mais atrapalhado que já passou pelas páginas do Diário Oficial. Ele conseguiu dar uma declaração que desmonta a política do seu próprio Ministério. Acho que Tio Rei captou com eficácia o paradoxo: se a política é pra ser descentralizadora, como pode a canetada do Ministro “recentralizar” o financiamento?
Mas tem mais dois detalhes que eu gostaria de trabalhar.
Primeiro: a nova versão da Lei Rouanet, que ainda será enviada ao Congresso, contém um dispositivo chamado “vale-cultura”. A idéia é, como vocês já podem imaginar, dar à população acesso aos bens culturais. Pergunto: depois que o “vale-cultura” começar a funcionar, ainda haverá patrocínio estatal de artistas bem-sucedidos mediante o argumento de que é preciso dar acesso aos bens culturais? Eu tenho minha aposta.
Segundo: eis o que disse Juca Ferreira quando da polêmica envolvendo o patrocínio do Cirque du Soleil, via Bradesco, com recursos de incentivo fiscal da Lei Rouanet:
“Sobre o incentivo federal para o Cirque du Soleil, Juca Ferreira, secretário-executivo do ministério, diz que “um projeto cultural que não tem a preocupação de facilitar o acesso a um número cada vez maior de pessoas tem que ser viabilizado pelo mercado, e não por recursos públicos”.“
O que será que fez o Ministro mudar de idéia?
***
UPDATE:
Em tempo: fui conferir o site Ticketmaster, que está vendendo os ingressos para o show do Caetano no Credicard Hall em São Paulo. O menor preço é R$45,00 reais, meia entrada para estudante, poltrona do setor 2 _ um pouco mais que os R$ 20,00 informados pelo Ministro.
Tio Rei hoje bate bumbo em um confessadamente longo texto (“mais de 10 mil toques“, ele diz, orgulhoso, como aquelas crianças pequenas que chamam a mãe para ver o que fizeram no troninho). Lead: ”HOJE, POPULAÇÃO APROVA LULA, MAS QUER SERRA“. Será?
Os argumentos de Tio Rei já são conhecidos: Dilma é pesada, tem maior rejeição que Serra, o horário eleitoral ainda não começou mas a exploração eleitoral de Dilma sim, etc. Mas há detalhes engraçados na argumentação do Tio Rei:
“Enquanto Lula foi a Heloisa Helena do seu tempo, jamais se elegeu. Fazia-se o principal nome da oposição, mas não chegava lá porque, como é mesmo?, queria “mudar tudo” — inclusive o que não saberia ou não poderia mudar. Em países em que as instituições funcionam mais ou menos regularmente (e, no Brasil, até a ditadura se esforçava para parecer normal), esse comportamento costuma ser rejeitado. O petista se elegeu quando deixou claro que, no dia seguinte, se eleito, a vida continuaria seu curso. Hoje, o principal candidato da oposição, Serra, caso chegue à Presidência, dará continuidade à continuidade que Lula deu ao governo do antecessor. Entenderam? Assim, é perfeitamente possível que o eleitor, mesmo satisfeito com um governo, escolha alguém da oposição.”
A tal “continuidade da continuidade“ me faz perguntar porque motivo, então, Reinaldão se cobre de brotoejas quando se fala em terceiro mandato, até porque segundo mandato nunca pareceu demais para ele.
Mas o que eu queria analisar neste parágrafo é a idéia, meio subentendida no texto, de que a “Carta ao Povo Brasileiro” (que se inicia com a frase “O Brasil quer mudar“…) salvou Lula por significar um compromisso com a continuidade. Vejamos o gráfico das intenções de voto no decorrer de 2002, segundo o Instituto Datafolha:

Bem, a “Carta ao Povo Brasileiro” é de 10 de julho de 2002. Nessa data, Lula realmente experimentava uma queda nas intenções de voto, mas quem subia não era a “continuidade” serrista (que aliás ia ladeira abaixo), era Ciro Gomes. E Ciro, sabe-se, não representa nenhuma idéia de estabilidade.
Tio Rei continua, avaliando o “fator Serra”:
“E, para encerrar este bloco, há o fator Serra. Faltam dados qualitativos nessa pesquisa. Mas os partidos certamente os terão. O eleitorado só persiste durante tanto tempo numa escolha se reconhecem no candidato qualidades que julga importantes para o exercício do poder. O governador de São Paulo, por mais que os petistas tentem negar, tem sua história política ligada à reparação social. Ainda que o PT tente pespegar a pecha de “neoliberal” no tucano, a campanha não cola. E não cola porque a contrapelo dos fatos. Levantamentos passados em disputas para outros cargos indicam que Serra é tido como competente, inteligente, honesto — características, felizmente, apreciadas pelo eleitorado. Se não é prudente, numa disputa, que Serra parta para cima da “figura Lula”, também não é prudente o PT tentam desconstruir uma imagem que já está consolidada.“
É bem verdade que em política tudo muda. Mas sabem qual era a rejeição de Serra em 2002?

O texto da Isto É da época dizia:
“O que também está ajudando a consolidar a onda Lula no País, em termos técnicos, é o alto índice de rejeição ao tucano Serra: 52%. Este número cruzado com o limite de votos que Serra pode obter em 27 de outubro (leia quadro) faz com que a rejeição se eleve negativamente em meio ponto porcentual, passando para 52,5%. Para Ricardo Guedes, diretor do Instituto Sensus, a situação eleitoral de Serra é muito difícil. “Pela experiência que nós temos, um candidato com 40% ou mais de rejeição terá problemas para se eleger no segundo turno,” afirma. Já o presidente da CNT e vice-governador eleito de Minas Gerais, Clésio Andrade (PFL), acredita que não existem fatos novos capazes de mudar o quadro eleitoral. “O povo está acreditando em Lula.”“
Bem, não se pode dizer que Serra não fosse conhecido. Em 2002, ele já havia sido Deputado Federal, Senador, Ministro do Planejamento e Ministro da Saúde. E sua exposição na mídia era permanente. Pode ser, de fato, que ele tenha “herdado” rejeição do governo FHC, porém.
Tio Rei meio que conclui voltando à duplicidade “continuidade vs mudança”:
“Assim, parece haver no eleitorado, até agora, um paradoxo: está contente com o governo Lula, mas prefere Serra. Estaria ele escolhendo Serra para a continuidade? Justamente um nome da oposição? Quem entendeu o que escrevi até agora vai responder: “Sim e não”. Mas esse tipo de contraste não basta neste blog. É preciso explicar. Sim, o eleitor não quer mais saber de grandes solavancos — já disse: só elegeu Lula quando este deixou claro que ofereceria mais do mesmo, mas com a sua marca pessoal, que, pretendem alguns e ele próprio, é a maior inflexão social. O o eleitor entende que Serra não significa um tranco no que está em curso. Então ele pode ser, nesse estrito sentido, a continuidade.
Mas também pode encarnar a mudança do que tem de ser mudado. A saúde no país, por exemplo, segue sendo um descalabro, como é público e notório. Serra foi o ministro que deu um salto de qualidade na área. E lá o setor ficou estacionado. A segurança pública, que depende, em grande parte, de ações do governo federal, ficou para as calendas. Recuperar as promessas do governo Lula na área e as realizações vai demonstrar a distância gigantesca entre discurso e prática efetiva. Ao fim de 2010, quando o PAC for confrontado com os fatos, vai-se verificar que o governo Lula é ruim de realizações — a despeito de tanto discurso. Em suma, há muito que mudar.”
Caracterizar Serra como a continuidade ao governo de alguém que ele já demonizou, e ao mesmo tempo como um “novo” que tem o histórico que ele tem, será uma tarefa hercúlea quando começar a chover fogo sobre sua candidatura.
Tio Rei também aposta que Dilma não decola. Pois como uma imagem vale por mil palavras, tempero a análise reinaldina com um só gráfico sobre as eleições de 1994, retirado do site do Instituto Datafolha:
(clique para ampliar)
Tio Rei prestando maior desserviço à nação que os livros didáticos do Governo de São Paulo:
“SOU GRATO AO ISLÃ PELA BÚSSOLA
segunda-feira, 8 de junho de 2009 | 16:04
Mas é realmente muito engraçado, não?
Diogo Mainardi e eu mangamos do “discurso histórico” de Obama no Cairo — aquele discurso histórico pré-histórico: como vocês sabem, quando o presidente americano está na jogada, os fatos nem aconteceram ainda, mas já se transformaram em marcos. Impressiona-me que os babaobamaníacos não se dêem conta do ridículo. E, bem, eles não se dão.
Aí chega uma enxurrada de comentários: “Então não é verdade que os árabes inventaram a bússola e outros instrumentos de navegação? Então não é verdade o seu papel no Renascimento? Então não é verdade…?” Oh, é tudo verdade. Como disse Diogo, tudo o que está lá na Wikipedia pode entrar na redação do estudante Obama. Não deixa de ser sintomático que ele precise recuar sempre uns 10 séculos para ser grato pelas contribuições que o Islã deu ao Ocidente.
E acho que a gente precisa ter reciprocidade nessas coisas. Algum aiatolá ou alguma suma autoridade sunita poderia vir ao Ocidente agradecer o Cristianismo pela descoberta do antibiótico, da vacina e até dos aviões que derrubam torres, não é mesmo? Se a gente tem de dizer “obrigado” ao Islã por ter segurado a onda da aritmética durante o período das “trevas” cristãs, então eles que venham se ajoelhar ao pé da cruz pelos últimos mil anos.
Não lhes parece uma troca justa? Nós seremos gratos a eles porque nos deram um passado, e eles nos serão gratos porque lhes damos um futuro. O que acham?
É uma ironia? Não brinquem… Estou apenas evidenciando a profundidade do discurso de Obama no Cairo…“
***
Não, seu mané. Quem inventou a bússola foram os chineses…
***
UPDATE:
O pior é que eu me esqueci de uma coisa: neste post aqui, Tio Rei diz que foi professor de escola particular:
“Lula, quando ainda dirigente da oposição, poderia ter dado o exemplo. Poderia ter posto os filhos para estudar na escola pública. Quem melhor do que ele para liderar o movimento, não é mesmo? Pois se preparem para uma revelação. Sabem o Fábio Luiz da Silva, o Lulinha, o Ronaldinho de Lula? ESTUDOU EM ESCOLA PARTICULAR. É, em escola particular. Mais precisamente, no Colégio Singular, em Santo André, uma das mais conceituadas da região. Como eu sei? EU DAVA AULA LÁ.“
Realmente, agora a gente percebe que o Lula pisou na bola mesmo.
Devia escolher melhor a escola dos filhos. :)
Tio Rei, hoje:
“Os tucanos serão os autores de uma PEC que pretende pôr na Constituição a proibição de venda da Petrobras. É um absurdo, claro. Não que a Petrobras vá ser vendida por alguém algum dia. Jamais! O absurdo está no fato de que isso, é óbvio, não é matéria constitucional. Imaginem se a moda pega… Mas então para quê e por quê? Porque o PT deu início à campanha suja de que a CPI da Petrobras é um ensaio para a privatização caso o PSDB vença as eleições. Mentira? Claro que é.”
***
Sei.
***
Aliás, esse poderia ser um novo movimento em 2010, calcado no “Cansei”. Só o “Sei”, quando a gente ouvir esses caras falando esse tipo de coisa.
Tio Rei transcreve matéria do Estadão:
“Tucanos querem proibir na Constituição venda da Petrobras
sexta-feira, 5 de junho de 2009 | 7:06
Por Eugênia Lopes e Christiane Samarco, no Estadão:
Para evitar a todo custo o rótulo de “privativistas”, em véspera de ano eleitoral, os tucanos querem proibir na Constituição a venda da Petrobrás. O deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) foi incumbido de apresentar proposta de emenda constitucional (PEC) estabelecendo que o controle da Petrobrás é exclusivo da União. Líder da minoria na Câmara, Leite obteve apoio à proposta de praticamente todos os partidos. Foram 224 assinaturas de deputados do PMDB, do PT, do PP, do DEM, do PR, do PSB, além do PSDB.
“A proposta é, antes de tudo, um brado para deixar claro, à Nação brasileira, nossa posição em defesa dos interesses nacionais, em defesa da Petrobrás”, argumentou Leite. “É uma vacina para esse quadro em que o PT acusa a oposição de querer privatizar a Petrobrás”, observou o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO).
No mês passado, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, acusou a oposição de usar a CPI para “desmoralizar a Petrobrás” e, depois, privatizá-la. “O que queremos é desvendar as bandalheiras na Petrobrás, mas o PT quer desviar o foco, como se quiséssemos privatizar a empresa”, disse Caiado.
“É uma resposta ao PT, que difundiu a ideia de que queremos privatizar a Petrobrás. Como o governo tem maioria na Câmara e no Senado, basta agora aprovarem essa emenda que ficará excluída a história de privatização da empresa”, afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Para o tucano, a emenda não terá influência nos rumos da CPI da Petrobrás. “Até porque a tese exposta pelo PT não é sincera e sim uma tentativa de atingir pessoas mais ingênuas, que podem achar que queremos privatizar a Petrobrás.”“
***
Isso me lembra uma frase: “Paris bem vale uma missa”.
***
Infelizmente ele não “comenta”.
***
Mas a memória…ah, sempre a memória:
Tio Rei comenta, em post sobre os resultados da última pesquisa Datafolha:
“Que Dilma esteja em ascensão, não resta dúvida. Não poderia ser diferente. Mas que é pesada, isso também é evidente. Outra (o) que tivesse, de fato, “mais coração” (para ficar na linguagem emocional abraçada pelo partido) e contasse com o apoio escancarado de Lula, que já está em campanha, talvez estivesse mais à frente. Mas isso importa pouco agora: o fato é que candidatura se move.“
Tsk, tsk. Pelo visto Tio Rei está por fora da neuroabordagem do PSDB para as eleições vindouras:
“O partido também começou a flertar com as ideias do neurocientista americano Drew Westen, da Emory University, em Atlanta. Suas teses influenciaram a campanha democrata de Barack Obama em 2008. Autor do best-seller The Political Brain, ele foi convidado pelo Instituto Teotônio Vilela, ligado aos tucanos, para dar palestra, em março, que deixou deslumbrados os políticos do partido.
Para Westen, os democratas americanos mais perderam eleições do que ganharam nos últimos 30 anos porque apelaram muito à razão. Com base em pesquisas que mapearam o cérebro, ele questiona o racionalismo extremo, surgido com o Iluminismo no século 18. O seu principal estudo, divulgado em 2006, conclui que o eleitor responde de forma emocional quando provocado.“
Vamos ver a “resposta emocional” que Serra despertará, uma vez liberto dos grilhões do Iluminismo do séc. XVIII…
Tio Rei, cavaleiro andante do denialismo climatológico, saiu-se em seu blog com um “especialista” que tem uma opinião contrária à recentemente veiculada pelo presidente da ONU, Kofi Annan, sobre a elevação do nível do mar e os prejuízos que isso causará:
“Ocorre que a maior autoridade em aquecimento do mar, no mundo, é o geólogo e físico Nils-Axel Mörner. Este senhor, muito qualificado, vejam lá, estuda o nível do mar há 35 anos. E é taxativo: não! Ele não se elevou nos últimos 50 anos. E é irônico: a elevação, em um século, poderia ser de, no máximo, 10 cm (4 polegadas), com uma margem de erro de… 10 cm! Vocês sabem: um especialista como ele lida com margem de erro. Kofi Annan e Al Gore não precisam disso.
O aquecimento global, claro, virou refúgio de espertalhões. Mörner desenvolveu um trabalho especial de olho na situação das Maldivas. Já há 20 anos, os líderes locais recebem ajuda externa para se prevenir do desastre. Ele estudou o assunto e constatou: não, o mar não está se elevando. Antes de anunciar o resultado dos estudos, propôs aos dirigentes locais a exibição de um filme tranqüilizando a população. Os tais governantes recusaram… Devem jogar no mesmo time de Kofi Annan. Leiam o artigo. Vale a pena.“
Por um momento, eu pensei em dar a Tio Rei o benefício da dúvida. Afinal, embora o consenso científico hoje esteja solidamente do lado do aquecimento global antropogênico, eu acredito realmente que um ou outro cientista honesto possa ter convicções contrárias.
Mas como seguro morreu de velho, foi procurar informações sobre o Sr. Nils-Azel Môrner. Hummm…batata. Da Wikipedia:
“Views on dowsing
Mörner has written a number of works claiming to provide theoretical support for dowsing. [2] He was elected “Deceiver of the year” by Föreningen Vetenskap och Folkbildning in 1995 for “organizing university courses about dowsing…”[2]. In 1997 James Randi asked him to claim The One Million Dollar Paranormal Challenge, making a controlled experiment to prove that dowsing works.[12] Mörner declined the offer.[13]“
OK, mesmo quem sabe inglês pode ter tido alguma dificuldade em entender o que está escrito acima. Afinal, o que é “dowsing“? Uma imagem vale mais que mil palavras:
Existe uma tradução para o português: radiostesia.
“O termo radioestesia (ou em inglês, dowsing) vem do latim radius, radiações, e do grego aesthesis, sensibilidade, ou seja, radioestesia significa literalmente sensibilidade a radiações.
Os chamados radioestesistas alegam ser capazes de captar radiações de diversas origens, incluindo objetos inanimados (águas subterrâneas, metais preciosos,etc), seres vivos (pessoas e seus órgãos internos), e até mesmo de espíritos. Mais que isso, alegam também poder analisar estas radiações, de forma a atribuir-lhes uma qualidade positiva (benéfica) ou negativa (prejudicial).
Técnicas de radioestesia são largamente empregadas em pseudociências ou outras atividades associadas a fenômenos “paranormais”.“
OK, o homem é no mínimo desequilibrado. Mas será que é um charlatão?
Eu acho que é. Diz a autoridade australiana de pesquisa (a Austrália é um país com um interesse óbvio em saber se o mar está se elevando ou não, dado que a distribuição de sua população é muito mais litorânea do que a maioria dos outros países desenvolvidos):
“HISTORICAL SEA LEVEL CHANGES
Last two decades
High quality measurements of (near)-global sea level have been made since late 1992 by satellite altimeters, in particular, TOPEX/Poseidon (launched August, 1992) and Jason-1 (launched December, 2001). This data has shown a more-or-less steady increase in Global Mean Sea Level (GMSL) of around 3.2 ± 0.4 mm/year over that period. This is more than 50% larger than the average value over the 20th century. Whether or not this represent a further increase in the rate of sea level rise is not yet certain.”
A seguir, apresenta-se um gráfico representando a evolução do nível médio global do mar medido pelos satélites norte-americanos TOPEX/Poseidon e Jason-1:
Tio Rei em post de “deformação”, explicando sua conduta caso o PSDB vença as eleições de 2010:
“O óbvio tem de ser repetido de vez em quando porque algumas coisas vão se perdendo na trajetória, especialmente aquelas que dizem respeito a princípios. Um desses que vagam nas sombras me manda um comentário mais ou menos como segue — é “mais ou menos” porque, bem…, ele é do tipo malcriado. Vamos lá:
“Se Serra ganhar a eleição, você fica sem assunto; se ele perder, você se desmoraliza porque vive criticando o PT”.
É uma tolice, mas que não deixa de tocar numa questão relevante. Bem, em primeiro lugar, se o PSDB vencer em 2010, dificilmente vai fazer o governo dos meus sonhos — até porque o meu sonho mesmo, se a matéria fosse essa, é governo nenhum. Como sei que é impossível, então vou lidando com o que temos. Serra ou Aécio presidente, certamente restarão muitas contraposições. Não posso me antecipar porque, bem…, primeiro é preciso que um deles ganhe e que comece a governar. Há a experiência histórica: o PSDB já foi poder. As instituições, é fato, só se fortaleceram.
Assim, é bem possível, acho que é o mais provável, que eu seja mais simpático a um governo do PSDB-DEM do que a um do PT (e mais aquela gente toda).”
Muito interessante.
Primeiro: Tio Rei adverte desde já que Serra não vai “fazer o governo dos seus sonhos”. Ele se curva à realpolítica no caso de Serra, mas se mostra rígido e inflexível, por exemplo,no caso de Obama. Realmente, em política a boa vontade é tudo. Pau que bate em chico também deveria bater em francisco.
Segundo: “o PSDB já foi poder e as instituições só se fortaleceram“. Bom, Fernando Henrique Cardoso foi quem começou com a idéia de reeleição, o que não é lá a idéia mais coerente do mundo com o conceito de fortalecimento das instituições. Aliás, é bom frisar que das 57 emendas constitucionais que ora retalhammodernizam nossa Constituição, 35 foram promulgadas durante os 8 anos do Fernandato, contra 5 dos governos anteriores e 17 dos anos Lula. Claro, sempre se pode dizer que as emendas eram necessárias dado o pobre material inicial, mas aí também não dá para ao mesmo tempo considerar a “estabilidade das instituições” como um valor essencial e irremovível.
Terceiro: Tio Rei diz que acha que seria mais simpático a um governo PSDB-DEM do que a um governo do PT (“mais aquela gente toda“). Então ele deveria pôr as barbas de molho, porque, bem, “aquela gente toda” já esteve exatamente colada no governo FHC e à aliança PSDB-DEM. Ou Tio Rei já se esqueceu do discurso da “governabilidade“?
Às vezes dá a impressão de que Reinaldo cultiva uma platéia sem memória. Gostaria de saber qual é a faixa etária de seus leitores; aposto que a maioria é gente com menos de 30 anos. De toda forma, Tio Rei devia ser mais sincero: ele ficará mais feliz com um governo PSDB-DEM porque é um “reservoir dog“, ora.
Como alguns dos 4,5 leitores do blog já devem estar sabendo, o Deputado Jackson Barreto, do PMDB, botou na rua uma proposta de Emenda Constitucional permitindo o terceiro mandato. Deu no Valor:
“BRASÍLIA – A proposta de emenda à Constituição (PEC 367), que abriu a possibilidade de um terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e para os atuais governadores e prefeitos, terá tramitação normal na Câmara dos Deputados, assim como tem outras PECs. A informação foi dada pelo presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), logo após o deputado Jackson Barreto (PMDB-SE) apresentar a proposta para tramitação, na tarde de hoje.
(…)
O primeiro signatário da PEC, Jackson Barreto justificou a apresentação da proposta afirmando que ela é um reconhecimento do povo nordestino ao trabalho que o presidente Lula tem feito em favor deles. “É o reconhecimento do Nordeste ao trabalho e às políticas públicas do governo do presidente Lula. Eu acho que, em um momento de crise que o país atravessa, é muito melhor sermos conduzidos por alguém que tem credibilidade interna e externa”.
Segundo Barreto, a proposta foi assinada por 194 deputados. Dessas assinaturas, 15 seriam de parlamentares da oposição, sendo 11 do DEM e quatro do PSDB. A informação ainda não foi confirmada pela Secretaria-geral da Câmara.” [grifo meu]
Curiosamente, o Estadão noticiou a PEC assim:
“BRASÍLIA – O deputado Jackson Barreto (PMDB-SE) protocolou nesta quinta-feira, 28, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prevê o terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele informou ter conseguido 194 assinaturas, sendo 80 delas de integrantes do PT e PMDB.” [grifo meu]
O Correio Braziliense, assim:
“O deputado Jackson Barreto (PMDB-SE) protocolou hoje a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prevê o terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele informou ter conseguido 194 assinaturas, sendo 80 delas de integrantes do PT e PMDB. “Essa PEC é um reconhecimento do Nordeste às políticas públicas do presidente Lula. Em momento de crise, é melhor que sejamos conduzidos por alguém com credibilidade externa e interna”, afirmou. A PEC prevê a realização de referendo popular no segundo domingo de setembro deste ano para que o terceiro mandato possa ser instituído.” [grifo meu]
Engraçado que o Estadão e o Correio chamem a atenção para as assinaturas do PT e PMDB _ o que não é notícia _ e se esqueçam de falar dos deputados do DEM e do PSDB que assinaram o treco, o que, isso sim, é notícia.
Como não poderia deixar de ser, Tio Rei foi muito solícito e rapidamente apresentou-se para apagar o incêndio:
“Falei há pouco com o deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente do DEM. Quer dizer, então, que a emenda do terceiro mandato surge com o apoio de DEM, já que conta com a assinatura de 11 deputados do partido?
Ele me respondeu o seguinte: “Olhe, o partido não vai polemizar em torno de um tema que já nasceu morto. Todo mundo sabe como funciona isso. Muitos parlamentares dão a sua assinatura na base da camaradagem, não significa que concordem com a proposta. Esse negócio não tem a menor chance de prosperar”.
Maia trata de uma questão real. Essa camaradagem existe. Mas acho que já passou da hora de parar com essa prática. Eu estava na Folha ainda, acho que foi em 1996, e fizemos uma emenda extinguindo a República e tornando o Brasil, novamente, colônia de Portugal. Evidentemente, tratava-se de um absurdo, que esbarrava em cláusulas pétreas da Constituição. E conseguimos o número necessário de assinaturas para a emenda ser ao menos apresentada.
Acho péssimo que deputados de quaisquer partidos dêem sua assinatura a propostas sem nem saber do que se trata. Mas também resta evidente que a esdrúxula proposta do terceiro mandato NÃO CONTA com o apoio do DEM ou dos tucanos.”
Agora vamos lá: não dá pra engolir esta história de “camaradagem” assim. Isso devia se transformar em um escândalo. Afinal, os deputados dos partidos que querem nos governar algum dia assinam uma proposta que inviabiliza este projeto, assim por “camaradagem”? Antes da “camaradagem” por seus colegas não devia vir a fidelidade a seus eleitores?
Por outro lado, acho que Tio Rei, querendo “naturalizar” a coisa (“Essa camaradagem existe“), se enrola um bocado. Afinal, como explicar esta frase?
“Eu estava na Folha ainda, acho que foi em 1996, e fizemos uma emenda extinguindo a República e tornando o Brasil, novamente, colônia de Portugal. (…) E conseguimos o número necessário de assinaturas para a emenda ser ao menos apresentada.”
Como é que um jornalista da Folha “faz uma emenda extinguindo a República“? Querendo mostrar que a tal “camaradagem” seria a coisa mais comezinha do mundo, Tio Rei expôs algo que não devia? Cá entre nós: acho que isso dá processo. Tio Rei, explique-se aí, senão para nós pelo menos para os seus fiéis seguidores…
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A Folha já traz os nomes dos deputados do DEM e PSDB que haviam assinado a PEC:
“Pressionados pelo comando do partido, os deputados Rogério Marinho (PSDB-RN), Antonio Feijão (PSDB-AP), Carlos Aberto Leréia (PSDB-GO), Eduardo Barbosa (PSDB-MG) e Silvio Torres (PSDB-SP) pediram a retirada de seus nomes à Secretaria Geral da Mesa Diretora da Câmara.
Depois foram sete parlamentares do DEM: Francisco Rodrigues (DEM-RR), Jorge Khoury (DEM-BA), José Carlos Vieira (DEM-SC), José Maia Filho (DEM-PI), Walter Ihoshi (DEM-SP), Clóvis Fecury (DEM-MA) e Fernando de Fabinho (DEM-BA). Por último, o deputado Félix Mendonça (DEM-BA), o que motivou a suspensão da tramitação da PEC.”

O blog do Tio Rei sofreu um lifting! Agora, ele aparece sem chapéu e com (algum) cabelo. Vai ver é inveja da peruca da Dilma.
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Logo acima de um post intitulado “Discurso Delinquente“, Tio Rei me apronta esta:
“TAMANHO DA LETRA E ENQUETE
sexta-feira, 22 de maio de 2009 | 15:56
Vamos aumentar a letra do blog — isso a que se chama “corpo” no jargão técnico. Também achei que está pequena. Sobre a enquete, um aviso: o bloqueio se dá por IP. Se você trabalha numa empresa com vários computadores, infelizmente, só uma pessoa poderá votar. Sei que é chato, mas não vou mudar por uma razão simples: isso dificulta a formação de correntes para fraudar enquetes. Se você não conseguir votar na sua empresa, deixe para quando chegar à sua casa. Ainda há alguns probleminhas na liberação de comentários. Mas já estamos trabalhando para eliminá-los.“
Deixovê se eu entendi: Tio Rei está estimulando seus leitores a acessarem seu blog DO TRABALHO?? É isso?
Pensei que isso fosse pecado entre anaeróbicos. Que coisa.
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Em outro post, Tio Rei ameaça:
“Atenção, Cassius,
Seu IP é nº 201.17.131.40.
Se você me chatear bastante, a gente volta a conversar no ambiente adequado.” [grifo meu]
Eu, hein.
O Pacheco, o canalha da repartição, disse que acha melhor esse Cassius tomar cuidado, mesmo.
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Tio Rei dedica dois posts àquela história do apoio do Itamaraty ao egípcio para a presidência da UNESCO.
Eu não sou um grande conhecedor dos assuntos diplomáticos, notoriamente escorregadios. Mas eu não ficaria espantado se o apoio brasileiro ao tal egípcio também se justificasse mais pela razão de que o Brasil TEM um candidato viável à UNESCO, mas não deseja a direção da UNESCO, e sim de algum outro órgão que nossa diplomacia julgue mais importante _ já andaram falando em mandar o Celso Amorim para a agência de energia atômica. Vá saber…
PS: fui lá conferir o que o Sergio Leo acha da história, mas ele está de sacanagem. :)
Tio Rei destrói a lógica em post de hoje sobre uma possível censura exercida pela direção da EBC sobre a ouvidoria da organização. Em um de seus notórios “textos de formatação”, Tio Rei fala sobre o episódio em que um texto intitulado “Credibilidade da agência pública de notícias“, da autoria do ouvidor-adjunto da Empresa, Paulo Machado, que deveria ter sido publicado na sexta-feira, só teria ido ao ar no sábado “com um outro texto, sobre assunto diferente, desta vez com críticas mais amenas“, segundo reportagem da Folha Online.
Na sua diatribe, Tio Rei passa por Wilson Simonal, o Pasquim, bilhões de vítimas de Stalin e Mao, pensionistas da ditadura, etc. para dizer que a EBC petista pratica a censura sobre o seu ombudsman.
Pode ser, pode não ser. Neste seu texto “analítico”, Tio Rei se furtou a reproduzir o parágrafo da reportagem da Folha com o contraditório:
“Por meio de sua assessoria de imprensa, a EBC informou que não houve censura e que a publicação foi apenas adiada. O adiamento foi uma decisão conjunta da ouvidoria e da direção da “Agência Brasil”. A EBC ressaltou que a diretoria da empresa não interfere no trabalho da ouvidoria, que tem autonomia.”
Mesmo que tenha havido a censura, o curioso é que no final Tio Rei se sai com esta:
“Sobre a EBC, deixo claro: não considero a função de “ombudsman” algo relevante hoje em dia. Os ouvidores da imprensa, na era da Internet, tornaram-se meros procuradores das reclamações organizadas do petismo. O que era uma boa novidade se tornou algo regressivo. Quem precisa deles para fazer o debate? Tornaram-se apenas um braço a mais do aparelhamento da imprensa. Mas, se existem, não podem ser censurados.”
Me lembrei do Spy vs Spy…


















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