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Segundo Kieran Healy do Crooked Timber, eis um gráfico que apareceu recentemente na Fox News ilustrando uma pesquisa feita com eleitores do Partido Republicano dos EUA:

Dá até pra imaginar como isso pode ter acontecido, mas não deixa de ser engraçado.

O post sobre o PSDB escondendo FHC…dá quizz!

(hat tip: comentarista Wag)

Assim não dá.  Assim não é possível:

Cúpula do PSDB planeja ‘esconder’ FHC na campanha

A cúpula do PSDB vai “esconder” o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na campanha presidencial de 2010. Assim como ocorreu na última eleição municipal, em que candidatos tucanos como o prefeito de Curitiba, Beto Richa, até “dispensaram” a participação de FHC no programa eleitoral de televisão, dirigentes do PSDB e do DEM dizem que ele não é candidato e o PT não vai transformá-lo em personagem na eleição. A oposição afirma que não está preocupada com a tática petista de colar FHC à imagem do governador paulista e pré-candidato ao Planalto, José Serra.

“Problema não é ter FHC ao nosso lado. É ter a quadrilha do mensalão inteira na campanha e a candidata Dilma defendendo todos”, disse o vice-presidente do DEM, deputado Paulo Bornhausen (SC), para quem o PT deu “indulgência aos mensaleiros e os colocou na campanha”. Nos bastidores, DEM e PSDB admitem que FHC tem problemas de rejeição. Mas o tucanato diz ter pesquisas qualitativas comprovando que a estratégia de trazer o governo FHC para a campanha não produzirá impacto negativo, como avalia o PT.

A reação da oposição foi provocada pela divulgação da pesquisa CNT/Sensus, revelando que um candidato indicado por FHC, independentemente de nomes, tem a aceitação de 3% do eleitorado – frente aos 20,1% dos que disseram que votam em nome indicado por Lula. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.” [grifo meu]

***

Difícil vai ser convencer o bicho.

OK: eu tenho zero simpatia por governos teocráticos.  E zero paciência com governos populistas.

Considero que o diálogo com os países islâmicos radicalizados é difícil.  Mas também que nada impede que ele seja tentado, pelo contrário, principalmente porque a diplomacia das bombas não tem se mostrado muito eficaz.   Infelizmente a imprensa ocidental passa uma imagem do que é o Islã que não corresponde muito à realidade, nivelando tudo por baixo, ao mínimo denominador comum do terrorista radical _ que encontra seu “duplo” não nas ruas das cidades do Ocidente, mas nas hostes religiosas do Partido Republicano ou talvez nas redações da Veja.

E embora seja verdade que quem vê cara não vê coração, também procede a constatação que o fascismo costuma ter uma estética própria, por vezes mais encontrável onde você menos esperaria do que onde todo mundo diz que ela está.

Por tudo isso, é que penso que a tentativa de impregnar estes dois bonachões aí embaixo com o conteúdo ideológico dos outros dois abaixo deles me parece fadada ao fracasso.

Aliás, pra falar a verdade, acho que a sobriedade e austeridade com que Ahmadinejad se apresenta em público não poderia lembrar menos a estética fascista.  Isso não diminui em nada o conteúdo questionável de várias de suas declarações, mas também não autoriza sua demonização, principalmente se quisermos algum progresso nas relações entre o Islã e o Ocidente.

Fato Número 1:

Mesmo com apagão, popularidade do presidente Lula cresce

CNT não incluiu nesta edição da pesquisa perguntas sobre o blecaute por falta de tempo, afirma diretor

Leonardo Goy, Agência Estado

BRASÍLIA – O blecaute que deixou 18 Estados sem luz no dia 10 deste mês não teve efeito aparente na aprovação do governo e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e o Instituto Sensus, feita entre os dias 16 e 20 deste mês, a aprovação do governo subiu de 65,4% em setembro para 70% em novembro. Ao mesmo tempo, a avaliação negativa recuou de 7,2% para 6,2%. A fatia dos que avaliam o governo como regular caiu de 26,6% para 22,7%.

Fato Número 2:

CNT/Sensus aponta queda na diferença entre Serra e Dilma

‘É possível notar que Serra perdeu cerca de 15% em intenções de voto em primeiro turno’, diz diretor

Leonardo Goy, da Agência Estado

BRASÍLIA – Os diferentes cenários de primeiro turno elaborados pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) com o Instituto Sensus, mostram tendência de crescimento da potencial candidata do governo à Presidência da República, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Isso ocorre ao mesmo tempo em que o principal candidato da oposição, o governador de São Paulo, José Serra, tem um comportamento entre estagnação e queda, principalmente quando se compara a pesquisa divulgada hoje com as de dezembro do ano passado.

Na primeira lista apresentada pela CNT/Sensus aos entrevistados, Serra aparece na frente de Dilma para primeiro turno, com 31,8% de intenções de voto, seguido pela ministra, com 21,7%. Em terceiro lugar, aparece o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), com 17,5%. A senadora Marina Silva (PV-AC) tem 5,9% e vem em quarto lugar.

Fato Número 3:

Dos seus últimos dez posts, Reinaldo Azevedo dedica 7 a criticar a visita do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad ao Brasil.  Um tema que certamente incendeia a imaginação do povão, como sabe quem tem acompanhado as manifestações de protesto na orla carioca.  E o possível candidato do PSDB em 2010, o governador de São Paulo José Serra, soltou um tijolaço no site do partido intitulado “Visita de Ahmadinejad é desconfortável“.  Pois é, de desconforto o Serra deve estar entendendo, sentado de ladinho no Palácio dos Bandeirantes.  Pelo menos é o que dá a entender Tio Rei, em um aviso para a garotada:

Estou saindo para gravar uma entrevista no Programa do Jô. Volto mais tarde para cuidar dos assuntos do dia, inclusive a pesquisa CNT-Sensus, que inflama a petralhada, que agora deu para comparar laranjas com pepinos. Mas fica tudo para depois. Até a volta. Não sei quando vai ao ar. Quando souber, informo. Até a volta.” [grifo meu]

Eu, hein!

Tio Rei, aquele que todos sabem ser um intelectual honesto e respeitador (isto é, tanto quanto lhe permite a condição de “reservoir dog”), escreveu o seguinte:

Discovery Channel

quinta-feira, 19 de novembro de 2009 | 5:57

“Pelo carinho que ela me dedicou à noite, ela gostou, sim”.

Esse é Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da República, referindo-se a Mariza Letícia da Silva, a primeira-dama, quando indagado se ela havia gostado do filme “Lula, O Filho do Brasil”, que assistira na noite anterior.

Eu entendi certo, né? O presidente da República está falando daquilo? Mais especificamente, daquilo naquilo? Eu, sinceramente, preferiria que Lula fosse mais transparente no uso do dinheiro público ou nas causas do apagão.

O que eu digo? Sei lá por quê, pensei em parte da programação do Discovery Channel.

Est modus in rebus, dizia o poeta. As coisas têm limites! Ou deveriam ter.

***

Pô, que implicância.  Outro dia Tio Rei escreveu o seguinte em um post:

“Sem Dona Reinalda, não sou ninguém. Nem sexo eu faço sem ela, vejam só…”

Dá pra ser menos transparente, Tio Rei?  Sério, ainda não me recuperei do choque de ter vislumbrado, ainda que por um breve momento porque minha imaginação não é tanta e meus circuitos neurais têm proteção, a imagem de Reinaldão e sua mão peluda praticando o cinco contra um no banheiro, provavelmente pensando em, sei lá, Ayn Rand.

***

Quer dizer, Tio Rei fica aí defendendo a menina do vestido curto mas se horroriza com o sexo presidencial.  Do Lula, porque das escapadinhas adúlteras de don Fernando em situação de assédio sexual contra a empregada, nem uma palavrinha até agora.  Nem pra dizer que é mentira!

Matéria do Estadão de hoje dá conta da ação do DEM na aprovação de uma lei que busca limitar os financiamentos do BNDES a empresas brasileiras no Exterior, em particular empreiteiras realizando obras em outros países:

Construtoras tentam barrar projeto que limita BNDES

SÃO PAULO – Rivais no canteiro de obras, fora dele as maiores construtoras do País se juntaram para derrubar o que dizem ser uma ameaça a seus negócios: um projeto de lei que proíbe o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de financiar obras fora do Brasil. (…) Estimuladas pelo governo Lula e sua política de ocupação comercial da América Latina e da África, empresas como Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa estão construindo hidrelétricas, portos e metrôs em outros países, com financiamento do BNDES.

(…) O projeto que tramita no Senado, de autoria do senador Raimundo Colombo (DEM-SC), fecha essa fronteira. Ele proíbe que “o BNDES financie governos de outros países e suas empresas”.

O papel do BNDES não é esse. Ele não pode dar dinheiro para um metrô na Venezuela ou um porto em Cuba, quando tem tanta coisa para fazer no Brasil”, afirma Colombo. Quando chegou ao Senado, no começo do ano, o projeto de Colombo chamou a atenção das construtoras e do BNDES. Mas a preocupação cresceu mesmo depois do parecer favorável da relatora da Comissão de Constituição e Justiça, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO). No seu parecer, a senadora afirma que a função do BNDES foi “desvirtuada com o financiamento de governos estrangeiros”.”

(…) O governo, por sua vez, afirma que o apoio oficial é fundamental para abrir mercado para as empresas brasileiras. “Esse projeto é um tiro no pé com a melhor das intenções. Ele só prejudica as empresas brasileiras”, afirma o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, a quem o BNDES está subordinado.

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No mais, é interessante comparar essa preocupação da Kátia Abreu com os empréstimos do BNDES a construtoras com outros empréstimos da entidade, principalmente quando dedicados à sua base eleitoral:

Kátia Abreu diz que BNDES liberou R$ 200 mi para frigorífico

A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), afirmou nesta sexta-feira, 27, que o Banco Nacional de Desenvolvimento econômico (BNDES) já liberou a carta de crédito de R$ 200 milhões para que o Banco do Brasil possa realizar operações de empréstimo ao Frigorífico Independência SA.

Segundo a senadora, os recursos serão destinados exclusivamente ao pagamento dos pecuaristas que forneceram animais para a empresa. “A condição é essa. O dinheiro é carimbado”, disse ela. Indaga se esta exclusividade poderia ter algum entrave jurídico dentro do processo de recuperação judicial da empresa, Kátia Abreu disse que o que pode acontecer no caminho é inflamar os outros credores. “Mas sobre isto não posso opinar”, concluiu.”

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Kátia Abreu defende socorro a pequenos e médios frigoríficos

A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), disse ontem, terça-feira, 17, que os recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não podem ser aplicados para socorrer apenas os frigoríficos que “estão pela hora da morte”.

Kátia defendeu que pequenos e médios frigoríficos também sejam socorridos “de maneira justa”, segundo informa a matéria da repórter Fabíola Salvador da Agência Estado.

Na opinião da senadora muitos frigoríficos imobilizaram unidades com recursos de capital de giro, estratégia que se mostrou, segundo suas palavras, um “desastre”.”

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países menos desenvolvidos não tem problemas com esse tipo de atuação de seus bancos de desenvolvimento…

“The Export-Import Bank supports the financing of U.S. goods and services, maintaining, and creating more U.S. jobs…

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A verdade é que financiamento às exportações de bens e serviços por empresas nacionais sempre foi uma forte arma competitiva em determinados segmentos, principalmente construção e equipamentos pesados (como construção naval), e qualquer técnico do setor sabe disso.  O lance é que o DEM, como Reinaldo Azevedo, já resolveu mandar o país às favas, se isso for necessário para chegar ao poder em 2010.

Finalmente o Paulo do FYI concorda: a religião é o ópio do povo

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Em outro post, Paulo expressa sua preocupação com “a tênue existência da direita americana“.  Segundo ele o GOP se segura hoje por causa disso:

Currently, I think the Republicans have basically has 2 things going in its favor: pro-religion sentiment and patriotic/tough on foreign enemy’s stance.”

O que é engraçado, já que Paulo já defendeu que o GOP não é apenas um acampamento de fanáticos religiosos.  Mas o pior está por vir:

First, because if you understand Christians at all, you know that a lot of their belief system sounds like a Democratic welfare program. You have to help the weak, no matter how lazy or wicked they are. You have to forget and forgive offenders. You have to live your life for others, not to yourself.

Será que o Paulo já ouviu falar em Protestantismo??  Ou que boa parte da doutrina social da Igreja se realiza…no Céu?

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Ah, não tinha visto ainda.  O Paulo, tendo sido cobrado por seus leitores, “esclarece” a questão:

The reason I respect and accommodate much more for religion when compared to government can be summarized in one word: free will (or agency as called by many Christians). You see, I don’t have a lot of choice about government. I can move to a different country, state, I can elect a certain party, but the fact of the matter is that to support what we call civilization we need to pay and obey. It is a loaded gun against our head that will never go away.

Religion on the other hand is completely optional. Except under some extreme circumstances, nowadays one can join a variety of religions and be involved in many levels. Or you can simply stay out of it completely (even though atheists do tend to channel their religious energies into very religion-like activities in the end). Not surprisingly, religion continues to be a much more popular choice than militant atheism.”

Muito bonita esta abordagem “pró-mercado” da religião.   Vá até a prateleira e escolha a que mais lhe agradar…entretanto, Paulo parece se esquecer do que foi preciso para que a religião se tornasse algo “opcional” no Ocidente.

Mas ele continua:

So, in that context, when I said that “a lot of the Christian’s belief system sounds like a Democratic welfare program” what I really meant was that welfare programs were created with the goal of duplicating religion (at least in part). After all, why would you follow all the difficult social rules set by your church if you can get the humanitarian benefit from the nice people from Washington? Now, many believe that religious people should not consider this to be government ‘competition’ but only cooperation. And that is why some religious people do become Democrats.

Continuando na metáfora pró-mercado, parece que Paulo se ressente da competição predatória do Estado em um assunto que, segundo ele, devia ser propriamente território da religião (o “welfare”, pelo qual ele parece entender a caridade).  Olhem, eu sou totalmente favorável ao livre-pensamento, mas acho que ele deve ser exercido com seriedade.  Paulo está tão habilitado quanto qualquer um a falar o que lhe dá na telha, mas um pouco de curiosidade no estudo das circunstâncias que levaram o Estado a empalmar os direitos sociais viria a calhar neste momento.

Cousas de sociólogos

Notícia do arquivo da Folha de São Paulo, de 1 de junho  de 1994:

FHC nega frase e critica a Folha

Da Folha Norte

O candidato do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, negou que tenha dito que tem “o pé na cozinha”. “Foi outra pessoa que falou e a Folha, naturalmente com aquela pressa característica, colocou lá”, disse ontem em Barretos (SP).

Anteontem o candidato afirmou, durante campanha em Mauá e Jundiaí (interior de São Paulo) que era “mulatinho” e tinha um “pé na cozinha.”

Ontem, o candidato tucano afirmou, porém, que não tem preconceito em relação à frase.

“Eu não tenho nenhum problema com isso. Esse negócio de dizer que eu tenho a mão branca é de gente que não vê minha mão. Limpas, sim.”

Nota da Redação – A expressão que o candidato do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, nega ter dito está gravada. A frase completa foi a seguinte: “Eu sempre brinquei comigo mesmo, tenho um pé na cozinha. Eu nunca disse outra coisa, eu não tenho preconceito.”

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Pelo visto, o pé era o de menos que FHC tinha na cozinha.

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Articula-se, nas imediações de Higienópolis e em Brasília, o movimento “Eu Também Sou Filho de FHC”.

Luiz Zanin critica “Lula, o Filho do Brasil”, no Estadão, fazendo-nos crer que o Barretinho não tem vocação para Leni Riefenstahl:

Estranhamente, no final das 2h08 do filme não houve a apoteose esperada. Certo, foi bem aplaudido, mas não aconteceu a consagração que alguns já previam. E por quê? Má-vontade oposicionista? Não parece. Na grande maioria, a plateia era composta por simpatizantes do personagem-título. No entanto, alguma coisa derrapa no decorrer do filme, que até começa muito bem com as cenas do sertão de Caetés, Pernambuco, onde Lula nasceu em 1945. Boas imagens, falta de preocupação explicativa, o andamento bom.

Mas depois o filme vai derrapando, contudo sem nunca chegar ao desastre, é bom que se diga. Acontece que a vida do biografado é já um melodrama. Tome esses elementos: Infância pobre, vinda para Santos num pau-de-arara. Pai alcoólatra, brigas, violência familiar, bebedeiras, a mãe que resolve abandonar o marido e criar sozinha os filhos. Depois o namoro, o casamento com a primeira mulher, que morre de parto, o engajamento na luta sindical, a mãe, sua referência maior, que morre quando Lula está na prisão. Ufa! E tudo isso aconteceu de verdade. A vida de Lula é um roteiro pronto.

O que o filme não deveria ter feito era somar melodrama a mais melodrama. Quer dizer, insistir numa linguagem cinematográfica às vezes muito melosa, pontuada por alguns maus diálogos e, sobretudo, pelo excesso de música. Muito doce enjoa. E é isso, em parte, que contribui para que o filme não se realize por completo. Ao buscar em demasia a emoção, perde-se pela sobrecarga. E então a emoção, tão buscada, trava.”

Francamente é um filme que não tenho muita disposição de ir ao cinema ver (independentemente do que diga a crítica).  É capaz de eu esperar o DVD.

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Mas isso dá…quizz!

Tem comparaçao com a situaçao de 2001-2002?  O proprio Ministro das Minas e Energia da época diz que nao tem:

Ministro do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) durante o racionamento de 2001, o hoje ministro do Tribunal de Contas da União José Jorge diz que há uma diferença grande entre o problema que enfrentou e o apagão da noite desta terça-feira.

“Há uma diferença grande. Em 2001, houve um racionamento porque a nossa capacidade de geração de energia do país estava diminuída”, afirmou Jorge. “O que houve ontem, até onde acompanhei, foi um acidente, um acidente grave, mas não houve essa questão de ficar sem energia”, completou.”

Charles Fernando é um jovem conservador evangélico.  Não o conheço pessoalmente, mas seu blog mostra que ele compra o pacote completo, incluindo o selinho do “True Outspeak”.

Pois bem:

Precisamos de mais alunos como os da UniBAN!

Posted by Charles Fernando under Posts | Tags: uniban |

1 Comment

O título acima já prova que não estou tentando ser popular e principalmente ser agradável ao mainstream, não gosto do comportamento de manada nem da opinião induzida, por isso fui buscar provas com sinceridade em duvidar nas absurdas e não provadas acusações de que os alunos da UniBan vem sofrendo em nome da moral de puteiro, no qual toda moça tem o direito de usar mini-saia onde bem entende.

A dúvida nasceu da própria assertiva de que os alunos a quiseram estuprar em público pela moça estar provocando eles. Sim, ao contrário do que se entende, vários depoimentos (Que irei citar sem retoques) mostram que ela provocou diretamente o caso. Você pode imaginar em um relance esses alunos estando tão afobados que se transformaram em atores pornôs praticamente instantaneamente mesmo com tantas moças em sua volta para assistir? Acredita que uma porta trancada iria fazer frente a uma turba em busca de cometer um crime? Portas trancadas não aguentam nem os grevistas da USP, quanto mais a libido reprimida pela religião (sim, a culpa é sempre nossa, acredito piamente que esses alunos não tem uma ponta do ateísmo iluminado para barrar a sua moralidade violenta, um ateu não pode ser contra moças de mini-saias em um ambiente de estudos).

Duvidei, e busquei depoimentos de alunos nos vídeos e blogs que comentaram o assunto, são eles:

Desculpe, mas a noticia está errada => http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1358779-5605,00-ALUNA+COM+POUCA+ROUPA+PROVOCA+TUMULTO+EM+UNIVERSIDADE+E+VIDEO+CAI+NA+WEB.html <=

uma colega minha estuda na UNIBAN, na sala ao lado da garota, e ela afirmou que não houve “tentativa de estupro”, oq houve foi um bando de marmanjos xingando a menina pela forma que ela estava vestida. E afirmou também que a menina ficava se insinuando na frente das outras salas.

Ótimo, e de acordo com outro depoimento no mesmo blog.

Aqui, é muita mentira esta onda de q os alunos iam estuprar a garota. Isto não existiu… Eu estava lá!!!! Estávamos gritando PUTA! PUTA! PUTA!, e ESTUPRA!, ESTUPRA!, ESTUPRA! só de ZOAÇÃO, só de GOZAÇÃO!! Até parece q alguém iria estuprar uma mina no meio de uma universidade com todo mundo vendo!!! Até parece!! Fazer isto seria certeza de ser preso e destruir sua vida!! Ninguém iria fazer isto só porque uma destrambelhada resolveu ir pra aula com uma roupa inadequada. Destruir sua própria vida apenas porque uma mina resolveu ir pra aula mostrando sua bunda e outras partes íntimas seria demais!!!

E esta mina já é conhecida na UNIBAN de outros carnavais… Não é nenhuma santinha q de repente resolveu vestir uma roupa mais ousada!!! Ela sempre se veste de forma a provocar os outros!!

Aquela velha lição q nossa vó nos ensinou vale aqui: se queremos ser respeitados, devemos nos respeitar primeiro. E não foi isto q aconteceu, a mina não se respeitava, então os outros não a respeitaram!!!

Um comentário do vídeo:

Eu estudo lá. A mina ia subindo a rampa e os caras mexiam, daí ela olhava pra trás, jogava o cabelo pro lado, ajeitava o vestido, e ia caminhando rebolando. Subiu, e lá de cima provocava. E não é a 1ª vez isso, só q da outra vez (1 dia antes) não chamaram a polícia, pq ela estava mais comportada.

Então, não há prova sequer que estes alunos encostaram na moça, eu duvido muito disso! E muitos os reprovaram por não permitir uma roupa inadequada ao ambiente de estudo. Mas e o Quico? Por acaso eles são obrigados a aceitar o comportamento da moça só porque os moderninhos politicamente corretos querem? Onde está a liberdade deles de reprovarem a roupa dela assim como ela tem a liberdade de usar o que bem entender desde que em lugar apropriado? Ou eles são obrigados a engolir o desrespeito com a Universidade?

Nos ataques contra os alunos ouvi absurdos do tipo:

“O título do video está errado. O certo deveria ser: Animais humilham liberdade de expressão”

Outro sequer percebe a idiotice de que se está falando:

Por fim, vao ter que emitir a assustadora opiniao de que ninguem pode usar um maio numa universidade, por ser indecente!”

Foram retirados do blog e do vídeo, mas imagina você aluna, você tem todo o direito de ir de maiô na universidade e ninguém pode falar nada…. o indecente é ser decente! No Brasil, o moralista fariseu é o cara que fala mal do Carnaval e do funk, defende a pouca veste nas universidades… e depois chama os religiosos de hipócritas.. haja trave!

Os alunos podem ter errado? Sim… eles admitem isso, admitem também que pouco estavam se importando que esse assunto ia parar na internet e nas mãos dos politicamentes corretos sentirem-se com a consciência mais leve acusando terceiros. Mas se não ocorreu estupro como baseio-me acima para não acreditar nesse absurdo, parabéns aos alunos da UniBAN, que não permite que seu ambiente de ensino seja maculado com as vicitudes de outros ambientes, e isso não é apenas institucional que não pode controlar tudo, é na raíz da UniBAN, os alunos realmente estavam engajados em expulsar a moça de lá independente de uma autoridade universitária, nada mais libertário que não necessitar da aprovação de terceiros para se fazer o que é certo. Eles entenderam o que significa ser um watchdog, um vigia da liberdade que só pode existir com uma moral responsável e madura não imposta, e ninguém impôs moral a esses alunos, exceto o #mimimi da internet. Meu amigo católico dizia que se pode ser conservador e conservar qualquer coisa, ele estava certo. O que há no Brasil são conservadores dos maus costumes e da imoralidade.” [grifos meus]

***

É vem verdade que ele depois lamenta seu isolamento:

Fora o apoio do Julio Bueno, meu amigo Filipe Garcia (Muito conhecedor de Chesterton) não emitiu opinião, não tive apoio nenhum do Reinaldo Azevedo, da comunidade do Olavo de Carvalho e de muitos cristãos conservadores.. eu devo ter me tornado um extremista mesmo… cabe eu e o Julio convivermos na Alcatraz moral junto com os orangos do TaliBan… a ditadura da sexualidade livre é irresistível, só uns poucos não cairam na sedução da mini-saia.

Agora mesmo estive conversando com a Lucilene Soares no twitter, e ela disse bem que nas nossas igrejas as moças se vestem pior… sim, é verdade… e infelizmente quem está do lado de fora e não compartilha de nossa fé consegue enxergar isso melhor do que quem está dentro.”

Essa questão aliás é interessante, e volto a ela.

***

OK, eu admito a existência de uma clivagem entre a direita de talhe economicista e a direita mais preocupada com a questão dos valores, conservadora do ponto de vista social.  Também admito que essas duas vertentes às vezes não se bicam, como mostrou o vitupério entre Olavo de Carvalho e Rodrigo Constantino.

Minha bronca com Reinaldo Azevedo no episódio da Geisy Arruda é que ele está jogando para a platéia.   Porque Tio Rei, pelo menos enquanto “persona” política, é claramente muito mais um representante da direita socialmente conservadora do que propriamente um titã do livre mercado.  Digo isto porque ele, em seus posts, faz muito mais o papel do campeão dos valores conservadores do que de um campeão do livre mercado _ algo que por sinal seu apoio a Serra deveria ensinar aos seus discípulos.

O menino aí pelo menos está na dele.  Discordo totalmente, mas ele ao menos está sendo sincero.

Já Tio Rei, em um longo post “em defesa” da Geisy Arruda, após usa expulsão da Uniban, nos apresenta o seguinte comentário:

Eis o problema

Disse lá no alto: há o sintoma, e há a doença. A doença está na expansão de uma universidade sem vida universitária; de uma universidade que não consegue plasmar valores  que ao menos debatam e questionem o ambiente intelectualmente acanhado de onde provém a nova “clientela” — essa palavra é boa — que usa esse “serviço”. Ela chega ao terceiro grau em razão do farto financiamento público e do barateamento dos cursos — no sentido mais amplo, geral e irrestrito do “barateamento”.

Alguns bocós falam de boca cheia em “democratização” da universidade. Confunde-se “democratização” com vulgarização — que é mais ou menos como confundir “povo” com “vulgo”. Que “universidade” é essa incapaz de transmitir a seus alunos o princípio básico do respeito ao outro — ou, se quiserem, da reação proporcional àquilo que se julgou, então, “desrespeito” do outro? Ao jogar a reputação e o destino de Geisy na arena — aliás, a Uniban lembra mesmo uma arena romana —, que exemplo moral a direção da universidade dá aos alunos? O tal Machado parece não deixar muitas dúvidas de que ele está dando uma satisfação apenas à clientela. Agora já sabemos: na Uniban, ser “insinuante” e “rebolar”, se a turba se exaltar, pode resultar em expulsão. Ameaçar alguém com linchamento e estupro não dá em nada; ao contrário até: parece ser essa uma reação considerada legítima.

(…)

E que se note: exceção feita às profissões que ponham a vida de terceiros em risco, pouco se me dá que essas coisas prosperem por aí. Se há quem queira comprar e quem queira vender — e se o mercado absorve esses profissionais —, virem-se. Garçom administrador de empresas é melhor do que garçom garçom? Não necessariamente — talvez faça bem à sua auto-estima, sei lá. Agora, quando dinheiro público entra na jogada — e o ProUni, por exemplo, é dinheiro público —, aí essas instituições têm de prestar contas do que fazem, sim. E a relação deixa de ser privada do comerciante com o cliente; aí passa a ser uma questão de estado. E o governo tem sido, obviamente, relapso com esse setor da economia. O país inventou uma universidade que não universaliza, mas amesquinha o espírito.”

É mesmo?  Nesse caso ele deveria se perguntar o que o partido do seu candidato tem a ver com isto. Pois a IstoÉ de fevereiro  de 2000 tem algo a acrescentar neste aspecto, em uma matéria pitorescamente intitulada “A Guerra do Canudo“:

O ensino universitário privado no Brasil é um mercado de 1.015 cursos com 1,5 milhão de estudantes, faturamento anual estimado em R$ 5 bilhões e planos para dobrar de tamanho nos próximos quatro anos. Só em 1999, a Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE) autorizou a abertura de 517 novos cursos País afora, a grande maioria particulares. Esse acelerado aumento de vagas poderia ser apenas uma boa notícia aos milhões de estudantes que pretendem uma melhor qualificação para enfrentar um estreito e cada vez mais exigente mercado de trabalho. A concorrência nesse lucrativo negócio, porém, se transformou numa verdadeira guerra com troca de denúncias entre grandes empresas educacionais que atingem também o CNE e o Ministério da Educação. A Polícia Federal está investigando desde o ano passado uma denúncia de falsificação de pareceres. O caso veio à tona quando o próprio dono da Faculdade Elite de São Paulo foi à sede do CNE para saber se um processo dele já havia sido autorizado. Quando foi informado de que o relator do caso, o conselheiro Roberto Cláudio Bezerra, nem sequer tinha lido o processo, perdeu a paciência e abriu o jogo. “Eu já paguei por isso”, protestou o empresário, que tinha nas mãos cópia de um parecer assinado pelo próprio Bezerra aprovando sua faculdade. O parecer foi comprado de um dos muitos escritórios em Brasília que montam processos para reitores de primeira viagem, alguns comandados por ex-integrantes do conselho. O MEC abriu inquérito administrativo, que concluiu que o parecer falso havia sido digitado dentro do CNE, onde também foi falsificada a assinatura do conselheiro. A investigação ainda não foi concluída.

Outra história estranha ocorreu em agosto do ano passado quando da renovação da autorização para o funcionamento do curso de Direito da Universidade de Guarulhos. Uma comissão de avaliação da Secretaria de Ensino Superior do MEC concluiu que a organização didático-pedagógica da universidade era deficiente e teria sugerido ao reitor Antonio Veronesi a contratação de um consultor para propor providências capazes de suprir as deficiências. Logo após a conversa, Veronesi foi procurado pelo consultor Edmundo Lima de Arruda Júnior que ofereceu seus serviços por R$ 100 mil. A Universidade de Guarulhos seria a 12ª instituição de ensino que, após receber consultoria de Arruda Júnior, receberia reconhecimento do MEC. Em 8 de dezembro, a Câmara de Educação Superior do CNE propôs “a instalação imediata de uma Comissão de Sindicância para averiguar as irregularidades cometidas pela Comissão de Avaliação para a renovação do reconhecimento do curso de Direito da Universidade de Guarulhos”. Os avaliadores do MEC colocados sob suspeição trabalham na Comissão de Ensino Jurídico chefiada pelo professor Silvino Lopes, que está no Ministério desde a gestão do ministro Carlos Chiarelli no governo Fernando Collor. “Tudo indica que ali tem sérios problemas que estão a merecer uma investigação aprofundada”, adverte um reitor de uma universidade privada.

Cabala

Silvino Lopes é subordinado do conselheiro Abílio Afonso Baeta Neves, homem de confiança do ministro Paulo Renato Souza e todo-poderoso comandante da Secretaria de Ensino Superior do MEC. ISTOÉ teve acesso a documentos e fitas de uma reunião do Conselho Nacional da Educação que mostram uma história no mínimo contraditória. Em 4 de outubro do ano passado, os 12 conselheiros do CNE decidiram que a Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban) não poderia abrir cursos em Osasco sem antes cumprir a exigência legal de receber uma autorização do Ministério. “Fazer vestibular, ela pode fazer onde quiser – nos Estados Unidos, no Japão e até no subterrâneo do metrô de Paris. Agora, matricular para cursos lá é uma irregularidade, e nós não teremos nenhuma outra atitude a não ser informar que aquele vestibular é absolutamente ilegal e nulo”, sentenciou Baeta, na ocasião. Tudo letra morta. A Uniban, que tem como dono o reitor Heitor Pinto, simplesmente ignorou a proibição e não foi punida, apesar de expressa recomendação do CNE nesse sentido.

Numa reviravolta surpreendente, em janeiro deste ano Baeta passou a aceitar como regular o comportamento da Uniban e entrou em conflito aberto com seu parecer anterior e os colegas conselheiros. Pela legislação atual, uma universidade, para abrir campus fora da sede, precisa apresentar projeto específico ao conselho – como se estivesse criando uma nova universidade. A Uniban argumentou que não precisava dessa licença prévia porque, ao reconhecer a instituição, em 1993, o CNE aceitou Osasco como uma das áreas de influência da Uniban. O CNE não concordou e pediu ao MEC a abertura de inquérito administrativo para investigar irregularidades praticadas pela Uniban e também a suspensão de todos os processos da instituição em tramitação. O caso Uniban virou o primeiro grande impasse entre o MEC e o CNE. O Ministério considerou as propostas do conselho “extremas e desproporcionais” e rejeitou o pedido, que agora será revisto por uma comissão especial. Para complicar a situação, donos de universidades privadas contaram a ISTOÉ que Baeta Neves extrapolou suas funções de funcionário público e cabalou votos para a chapa articulada por Heitor Pinto, que no ano passado disputou e perdeu a eleição da Associação Nacional de Universidades Privadas.

Se a Uniban mostra força no Ministério da Educação, outro que também chama a atenção pelas excelentes relações no CNE, o órgão que julga, emite pareceres e aprova todas as instituições de ensino superior do País, é João Carlos Di Gênio. No final do ano passado, por exemplo, a Uniban resolveu abrir um novo campus em São Paulo. Depois de muita negociação, feita em sigilo, ofereceu em dezembro R$ 8 milhões por um prédio no bairro do Jaguaré. Ali, seria aberto o campus Marginal Pinheiros. Seria. A Uniban negociava o imóvel quando foi informada pela corretora de que a propriedade não estava mais à venda. Tinha sido negociada com uma de suas maiores concorrentes, a Universidade Paulista (Unip), de Di Gênio, que rapidamente abriu lá um campus e realizou seu vestibular, oferecendo 1.500 vagas para nove cursos. Além do vendedor e do candidato a comprador, o negócio só era conhecido dentro do Conselho Nacional de Educação. “Isso é suspeito”, atacou o reitor Heitor Pinto. “É uma desculpa de quem perdeu um negócio”, contra-ataca Di Gênio, que afirma ter pago R$ 9 milhões pelo prédio pretendido pela Uniban.” [grifos meus]

Ou seja, o Ministério da Educação, então comandado por Paulo Renato Souza, tergiversou e muito na hora de punir a Uniban, e teve um alto funcionário cabalando votos para seu reitor.  Hummmm.

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No FT:

Obama calls job losses ‘sobering’

US president Barack Obama sought to allay growing concerns on job losses on Friday, signing a bill extending unemployment benefits, as the jobless rate hit a fresh 26-year high.

The unemployment rate shot up by a greater-than-expected 0.4 percentage points to 10.2 per cent in October and the economy lost an additional 190,000 jobs, according to official data released on Friday.

Mr Obama called the numbers “sobering” and said his administration would continue its efforts to stem job losses.

***

Depois reclama de perder eleição.

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Bem que o Krugman avisou que para conter a “herança maldita” bushista, o estímulo estava pequeno.

Fernando Henrique Cardoso, em entrevista à IstoÉDinheiro, em 27 de agosto de 2003:

DINHEIRO – O sr. tem falado com empresários de todos os setores da economia. Como está o clima?

FERNANDO HENRIQUE – O pessoal está com medo. Não há sinais claros de retomada do crescimento, o desemprego é grande e o investimento, baixo. Os empresários ainda estão desconfiados sobre se o atual governo será capaz de seguir uma linha coerente. Há muita discussão dentro do PT e a base política do governo não parece sólida. Há uma torcida a favor e um medo que não dê certo.

DINHEIROComo o sr. se posiciona?

FERNANDO HENRIQUEEste cenário não é irrealista. Há uma indefinição no centro do poder diante da pergunta: o que este governo quer fazer? Eu sei que o presidente Lula pode dizer “ah, mas eu estou há apenas sete meses no governo”. Sim, mas estava há vinte na oposição. Afinal, qual é o seu programa de governo? O País precisa ter rumo, mas hoje não sabemos qual é a direção. Isso é que dá incerteza. O governo está nos levando para onde? Primeiro, o próprio governo tem de saber. Segundo, tem de dizer. Mas não tem feito nem uma coisa nem outra. O governo simplesmente não está andando. Está parado.”

Mendonça de Barros, em seminário no Instituto Fernando Henrique Cardoso, na matéria da Maria Christina Fernandes:

Mendonça de Barros cita as conversas que tem tido com investidores estrangeiros e empresários brasileiros para dizer que seu otimismo com o país é compartilhado. “Um empresário que está vendendo três mil carros por dia, (e dirige-se a Safra, sentado bem à sua frente ) cliente de vocês lá, me disse – ‘Lula é o máximo’”.

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Deve ser duro pro Fernandão.  :)

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O nascimento de Lula, por Botticelli

Fernando Henrique faz bem em citar Maquiavel e em lembrar do “imprevisível” apagão (vide post abaixo), mas parece que Lula, o voltado pra Lua, não precisa se preocupar com um repeteco de 2002 em 2010:

Nível recorde de reservatórios faz agência temer enchentes

Paulo Victor Braga, de Brasília

O volume de água nos reservatórios de todo o país encontra-se em nível recorde, muito próximo da capacidade máxima, em razão das chuvas intensas de outubro de 2008 a setembro deste ano. O diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), José Machado, afirmou ontem que essa constatação, aliada à alta umidade do solo e à época de chuvas que se aproxima, levaram a ANA a tomar suas precauções. “Existe risco de que venhamos a ter enchentes, mas agora haverá maior eficiência na prevenção”, disse.”

Maria Christina Fernandes, a colunista gatinha do Valor, conta como foi o último seminário no Instituto Fernando Henrique Cardoso:

Um pen drive imperdível

A plateia era formada por alguns dos luminares do governo Fernando Henrique Cardoso – André Lara Resende, Andrea Calabi, Henri Philippe Reichstul e Rubens Barbosa. Todos, inclusive o ex-presidente que dá nome ao instituto onde o evento se realizava, aguardavam um dos palestrantes, Luiz Carlos Mendonça de Barros, preso no trânsito, como descobriria Gilda Portugal ao celular, no meio da audiência – “Ele vem com certeza e traz um pen drive imperdível”.

Abaixo, para os sem-Valor.

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Mas e a Dilma?

Rara foto de um cachalote comendo uma lula gigante.

Agora o Serra já tem um bichinho de estimação para chamar de seu em 2010.  E melhor, se livra daquele mascote do tucaninho.  Ô bichinho enjoado, sô.

(hat tip: PMF)

No Twitter do Sérgio Leo:

a oposição,vejo nO Globo, achou discurso: Lula é autoritário e patrimonialista. Rapaz,isso vai dar voto paca. No Grajaú e na Vieira Souto.”

Gozado.  Conhecia a Tijuca como referência a um bastião conservador carioca, mas nunca associei esta postura ao Grajaú, bairro de desinibidas.  Ia pedir que me acorressem, cariocas, quando dei uma folheada no “A Desinibida do Grajaú” e entendi o que o Sérgio Leo quer dizer.  Mas já aí fiquei na dúvida com a Vieira Souto, onde o pessoal pode ser até de direita, mas conservador no sentido grajaújico…menos, menos, como já nos ensinava o Stanislaw Ponte Preta com (mutatis mutandis) “A Grã-Fina de Copacabana“, que divide com a Desinibida o mesmo livro desse autor, “As Cariocas“…

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Qual seria a recepção dela no site do Tio Rei antes do affair Uniban??

Sem brincaderia: às vezes, mesmo eu fico pasmo com a cara de pau do Tio Rei.

Vejam o que ele diz aqui:

A direção da Uniban disse que, até agora, não conseguiu identificar os responsáveis pelo ocorrido. E ousaria dizer que nem vai. Nota-se que há, arraigada por lá, uma cultura da intolerância e uma relação com o curso que está mediada apenas pelo pragmatismo: “Estou aqui para pegar o meu diploma”. Posso compreender esse sentimento e até enxergar nele uma virtude: a clientela está empenhada em obter o grau para, quem sabe?, subir na vida, ter aumentado o seu salário, ser promovida. Em si, isso não é ruim. Todos devemos desejar uma vida melhor. Não há mal nisso.

Temo, no entanto, que boa parte das ditas universidades brasileiras esteja se reduzindo a isso, sem qualquer outro cultivo. Reitero: o respeito à inviolabilidade do outro é questão de princípio, inegociável. Geysi é uma garota pobre, da periferia de Diadema. Trabalha, ou trabalhava, num mercadinho do bairro. É visível que não tem grande traquejo social. Nota-se isso na sua fala, na sua gramática. Vem de um estrato da sociedade em que, atenção!!!, a tolerância com a diferença já não é a marca. E isso vale também para boa parte de seus colegas.

Ela parece ser excepcionalmente jovem para o grupo: 20 anos. Muitos dos que concedem entrevistas dizem ter 26, 27, 28 anos — idade em que as pessoas costumam já estar formadas há uns bons cinco ou seis anos. O fenômeno precisa ser mais bem-estudado, mas intuo que são pessoas que estavam fora do ensino superior e foram sendo incluídas em razão de um conjunto de fatores: políticas públicas de ingresso ao ensino superior; barateamento do valor das mensalidades; facilidade de ingresso, uma vez que basta querer fazer o curso — e poder pagar por ele — para ter acesso, então, ao ambicionado diploma…

Até aí, muito bem. Não serei eu a combater a expansão do ensino universitário. Seria inútil. Os demagogos venceram essa batalha. É evidente que a formação técnica seria mais eficiente e barata. Mas deixemos isso para outra hora. Que se expanda, então, o ensino universitário, hoje com a ajuda do dinheiro público. Mas com que qualidade isso está sendo feito? Eis a questão. NÃO SE ESTÁ BARATEANDO A UNIVERSIDADE EM SENTIDO MAIS AMPLO?

A Uniban — e outras universidades do mesmo nível — estão proporcionando à sua clientela uma vivência estudantil que seja distinta do ambiente de onde vieram? Um ambiente nem sempre tolerante; um ambiente nem sempre respeitador das diferenças; um ambiente nem sempre voltado para o cultivo da reflexão; um ambiente nem sempre afeito a delicadezas e matizes, sem os quais não se respeitam direitos individuais…[grifo dele, pra variar]

Pois é.  Tio Rei escreveu, com indisfarçável regojizo, o seguinte, em julho de 2008:

A JUVENTUDE BRASILEIRA É DE DIREITA

segunda-feira, 28 de julho de 2008 | 5:09

A Folha de S. Paulo publicou no domingo uma ampla pesquisa sobre o que pensam os jovens brasileiros. Rendeu até um caderno especial, de 20 páginas, chamado “Jovem Século 21”. Segundo informa o caderno, a maioria das reportagens “foi feita pelos integrantes da 45ª turma do Programa de Treinamento da Folha”, (…) patrocinada pela Philip Morris Brasil e pela Odebrecht”. Comentarei abaixo alguns dados muito interessantes que a pesquisa revelou e tratarei da seguinte questão: a maioria dos jovens brasileiros, a exemplo da população, é de direita. Boa parte da imprensa e, vejam só, as instituições políticas, incluindo partidos, não se conformam com isso. Estão todos tomados pela patrulha esquerdista.”

E mais:

A nova pesquisa

Sim, senhores: dados os perfis ideológicos que se desenham a partir de certas opiniões, pode-se dizer que a maioria dos jovens brasileiros é de direita. Declaram ter essa posição ideológica, aliás, 37% dos entrevistados (na população como um todo, são 35%). Dizem-se de esquerda apenas 28% (contra 22% do total). No centro, estão 23% (contra 17% no conjunto). Mas notem: não quero me apegar a nominalismos. Parto do princípio de que os jovens possam não ter a exata noção do que tais nomes encerram.

(…)

Valores

E quais são os valores das moças e moços? Qual é a lista das coisas que acham “muito importantes”? Vejam: família (99%), saúde (99%), trabalho (97%), estudo (96%), lazer (88%), amigos (85%), religião (81%), sexo (81%), dinheiro (79%), beleza (74%), casamento (72%).

E então…

E, vejam que surpresa, o levantamento mostra que os nossos jovens querem casa, carro, grana, todas essas malditas coisas do “consumismo”, que deixam os comunistas que já têm todas essas malditas coisas muito decepcionados com a juventude…

Mais uma vez, constata-se o óbvio: há um enorme hiato entre o que pensa o conjunto da população — e, nela, sua fatia mais pretensamente inquieta — e os vários canais que vocalizam a opinião pública. Não, senhores! Não temos a imprensa que representa os valores que vão acima: a nossa, com as exceções de praxe, é majoritariamente “politicamente correta” e experimenta um verdadeiro divórcio em relação ao pensamento da maioria.”

Ué, é como eu disse: quem planta, colhe.

Tio Rei planta o conservadorismo?  Pois colhe o “conjunto de valores” que acha adequado.  Inclusive uma população universitária que “representa os valores que vão acima”.

O fim da picada, senhores, é esse exato sujeito vir depois criticar uma Uniban da vida por não ser “um ambiente nem sempre tolerante; um ambiente nem sempre respeitador das diferenças; um ambiente nem sempre voltado para o cultivo da reflexão; um ambiente nem sempre afeito a delicadezas e matizes, sem os quais não se respeitam direitos individuais“.  Tipo, assim, que nem o blog dele.

***

E por falar nisso…

O leitor Joselito fez o seguinte comentário:

Postei os links para esse post do Hermenauta e o link para essa matéria DA PROPRIA VEJA que o Rodrigo postou acima, em comments DIFERENTES no site do R. Azevedo.

AMBOS foram “moderados”, e não apareceram!

A REVISTA VEJA CENSURA A PROPRIA VEJA!

Patético…

Pré-moderação
Pós-moderação

Não é fantástico??

Deu na Folha, alguns dias atrás (reportagem de Flávia Marreiro):

Chávez é motivo para ter base na Colômbia, afirma Pentágono

Ao assinar o acordo militar com a Colômbia e garantir o uso da base área de Palanquero, no centro do país, o governo dos EUA considera ter aproveitado uma “oportunidade única” de obter “acesso e presença regional a custo mínimo” numa área sob ameaças constantes, entre elas as vindas de “governos antiamericanos” como o do venezuelano Hugo Chávez.

O argumento acima consta do documento do Pentágono submetido ao Congresso americano para justificar o Orçamento militar do país no ano fiscal de 2010. O texto, sancionado recentemente pelo presidente Barack Obama, inclui verba de US$ 46 milhões a ser aplicada em Palanquero.

O documento solapa a retórica de Washington e Bogotá, que repetem o mantra de que o pacto militar assinado na sexta-feira –que permitirá aos EUA usar outras seis instalações além de Palanquero– visa atacar só problemas domésticos colombianos, e dá combustível às reclamações de Chávez, que vê no trato uma ameaça a seu país. Tudo isso num momento em que a tensão entre Bogotá e Caracas volta a crescer por conta de incidentes na divisa cada vez mais violenta.

O teor do acordo militar não foi divulgado –a Colômbia promete fazê-lo nesta semana. Só Chávez e Evo Morales (Bolívia) reclamaram de sua consumação. O governo Lula, que cobra “garantias” de Washington e Bogotá, não se pronunciou.

Em entrevista ao jornal colombiano “El Tiempo”, o embaixador americano em Bogotá, William Brownfield, disse que seu governo já deu garantias aos países da região de que o acordo não permite operações conjuntas fora da Colômbia. “Posso dizer que o acordo diz [isso] claramente no artigo 4º, parágrafo 3º.”

No entanto, na avaliação do Conselho de Estado, o órgão jurídico consultivo máximo colombiano, o texto é frouxo e deixa decisões importantes para acertos posteriores, além de ser “desequilibrado” a favor de Washington e potencialmente violador da soberania do país.

Resposta a crises

O documento do Pentágono submetido ao Congresso diz que Palanquero é “inquestionavelmente” o melhor lugar “para conduzir um completo espectro de operações pela América do Sul” –a importância da base já havia aparecido em documento da Força Aérea, que a inclui no esquema global de rotas para transporte estratégico global de carga e pessoal.

Afirma que o investimento na base vai “melhorar a capacidade dos EUA de responder rapidamente a crises, assegurando acesso e presença regional com custo mínimo”. Contribuirá também para “expandir capacidade de guerra aérea”, inteligência e monitoramento.” [grifo meu]

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Uma olhada em um mapa-múndi gera imediatamente o seguinte quesitonamento:  para quem vem da América do Norte, a América do Sul seria importante no “esquema global de rotas para transporte estratégico global de carga e pessoal” _ para ir aonde mesmo???

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Se continuar honrando tantos “compromissos” (Pentágono, banca, etc.), Obama e os democratas vão mesmo continuar perdendo eleição atrás de eleição.

Deve ser por isso que o Tio Rei acha que o Valor é um “jornal de negócios esquerdista”.  Eis o editorial de hoje:

Órgão de fiscalização é técnico, não é político

Embora tenha incorporado bons quadros técnicos ao longo dos anos, e os remunerado muito bem, o Tribunal de Contas da União (TCU) jamais se livrou do estigma de ser um órgão político. A profissionalização da instituição é urgente: se sua composição e perfil incomodam esse governo, têm potencial para incomodar qualquer outro. A fiscalização é algo altamente desejável para o país, mas o uso político dos poderes fiscalizatórios para parar obras, sem qualquer tipo de punição na hipótese de abusos serem cometidos, não serve a ninguém.

Matéria publicada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” do dia 1º de novembro cita alguns exemplos de como não deve proceder um órgão pretensamente técnico. No início do mês passado, o TCU anunciou o embargo de 15 obras por supostas irregularidades. Segundo a Casa Civil, que faz a gerência do PAC, três já tinham sido excluídas da lista pelo próprio TCU, uma não era do programa, duas já estavam com contratos rescindidos, seis entregaram suas justificativas ao órgão sem que tivessem obtido resposta, duas estavam em processo de nova licitação e em uma delas o problema era a supervisão, e não a obra propriamente dita. O TCU fez uma lista negra, anunciou-a como rol de irregularidades insanáveis e um mês depois, com indiferença, viu-a derrubada por falta de consistência. Isso é preocupante.

O TCU tem, ele mesmo, problemas insanáveis de origem. Pela Constituição, é um órgão auxiliar do Legislativo que deveria dar parâmetros técnicos para fiscalização do Poder Executivo. Se existe hoje uma reclamação em relação ao excessivo poder do presidente da República para nomear ministros do Supremo Tribunal Federal, no entanto, deveria igualmente haver uma grita em relação ao poder concentrado em um órgão de controle cujos integrantes são de nomeação exclusiva do Legislativo e que não está sujeito, ele próprio, a nenhum tipo de fiscalização.

Idealmente, a legitimidade do TCU residiria no fato de ser um órgão de controle técnico cujos integrantes são escolhidos por um poder onde estão representados todos os partidos políticos legalmente constituídos. Mas mostra a experiência que a nomeação torna-se sempre uma prerrogativa das maiorias governistas da ocasião. Na prática, a escolha de um ministro do STF não é tão suprapartidária assim. Ela é, na origem, uma escolha partidária. A nomeação recente do ex-ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, para uma vaga é prova disso. São maiorias parlamentares do momento que aprovam as nomeações; como os cargos são vitalícios, no momento seguinte o pleno do tribunal pode refletir a posição política de uma minoria. Segundo o “O Estado de S. Paulo”, dos nove membros do TCU, cinco são ex-políticos oposicionistas.

A história se reproduz a nível federativo. Se a oposição ganhar no Estado de São Paulo, por exemplo, governará com um Tribunal de Contas do Estado cujos integrantes foram escolhidos ao longo de quatro mandatos do PSDB e outros dois anteriores do PMDB, partido do qual a legenda de José Serra se originou. Na capital, eleita em 1990 pelo PT, a hoje deputada Luiza Erundina (PSB) enfrentou grandes dificuldades, durante todo o seu mandato, com o Tribunal de Contas do Município (TCM). O seu sucessor, Paulo Maluf, e o sucessor do sucessor, Celso Pitta, não tiveram problemas com o órgão, embora respondam a processos na Justiça por atos administrativos desse período.

Despolitizar a administração pública requer despolitizar órgãos de fiscalização e controle. A interrupção de obras públicas sem razões técnicas plausíveis constitui um prejuízo que não é exclusivo do governante do momento. Toda obra pública envolve dinheiro público na sua realização e benefício público na sua conclusão – e isso lança dúvidas sobre a legitimidade da paralisação de obras se elas tiverem razões políticas, e não exclusivamente técnicas. A paralisação de obras desperdiça dinheiro público e obstrui o acesso das populações àqueles benefícios. Não se pode impedir governantes de governar – deve-se impedi-los de se beneficiar privadamente do dinheiro público, mas jamais de exercer mandatos conferidos pelo povo.”

Tio Rei tem um post vingativo.

Reclamando de que estão dizendo que ele associou a Uniban ao PT, ele retruca que não disse, mas que se quiser é capaz de associar a Uniban ao PT, sim senhor:

A petralhada está dizendo que estou tentando ligar a Uniban aos petistas. Não! Eu não estou. Mas posso lembrar conexões, sim, se eles fazem tanta questão. No dia 29 de março de 2007, publiquei um post aqui em que se lia o trecho que segue. O “Marinho” em questão é o atual prefeito de São Bernardo, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e ex-ministro do Trabalho:

É verdade. Marinho é tão competente, que ele e Vicentinho chegaram a ser garotos-propaganda da Uniban, a faculdade privada onde ambos se formaram. O dono da Uniban, Heitor Pinto Filho, que já foi candidato a vice na chapa de Paulo Maluf para a Prefeitura de São Paulo, em 2000, é bastante próximo dos dois sindicalistas e patriotas. Quando ambos fizeram propaganda para a empresa privada, um era deputado (Vicentinho), e o outro, presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar. Duas funções públicas. Competência é com a Nova Classe.”

Nesse caso eu tenho um testemunho “zero grau de separação” pra mostrar a ele:

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UPDATE

O comentarista Rodrigo lembrou uma matéria deliciosa da Veja.

No Estadão de hoje:

Para onde vamos?

Fernando Henrique Cardoso

A enxurrada de decisões governamentais esdrúxulas, frases presidenciais aparentemente sem sentido e muita propaganda talvez levem as pessoas de bom senso a se perguntarem: afinal, para onde vamos? Coloco o advérbio “talvez” porque alguns estão de tal modo inebriados com “o maior espetáculo da Terra”, de riqueza fácil que beneficia poucos, que tenho dúvidas. Parece mais confortável fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes. Tornou-se habitual dizer que o governo Lula deu continuidade ao que de bom foi feito pelo governo anterior e ainda por cima melhorou muita coisa. Então, por que e para que questionar os pequenos desvios de conduta ou pequenos arranhões na lei?

A frase “riqueza fácil que beneficia poucos“, da pena de FHC, tem um significado todo especial.  Eis o que diz um estudo sobre a evolução do índice de Gini no Brasil, na época da presidência do Príncipe dos sociólogos:

Desigualdade de renda medida pelo índice de Gini aumenta em 3.654 municípios do Brasil na década de 90; em 23 Unidades da Federação índice é pior em 2000 do que era em 1991; apenas Roraima, cuja renda per capita diminuiu no período, contrariou tendência.”

Seria mais honesto se ele apenas se contentasse em fazer o que faz no restante do texto, que é, obviamente, tentar mudar os termos do debate da economia para os “valores”.  Assim, soa apenas profundamente desonesto.

Só que cada pequena transgressão, cada desvio vai se acumulando até desfigurar o original. Como dizia o famoso príncipe tresloucado, nesta loucura há método. Método que provavelmente não advém do nosso príncipe, apenas vítima, quem sabe, de apoteose verbal. Mas tudo o que o cerca possui um DNA que, mesmo sem conspiração alguma, pode levar o País, devagarzinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade que pouco têm que ver com nossos ideais democráticos.

Seria fácil apelar para o que existe por aí de prêt-à-porter para contestar FHC nessa, em termos das “pequenas transgressões” que seu governo foi acusado de produzir.  Mas vamos ficar apenas em algumas frases do ex-presidente:

Vamos evitar que esse espírito de corvo volte a pousar no país, de ver podridão em tudo.”

O horizonte está bastante positivo e não adianta vir com fracassomania.”

Que diferença de perspectiva fazem 8 anos na chuva, não?

É possível escolher ao acaso os exemplos de “pequenos assassinatos”. Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal-ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira “nacionalista”, pois, se o sistema atual, de concessões, fosse “entreguista”, deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública.

Pois é.  Alguém já ouviu falar da Emenda Constitucional no. 8?  Trata-se, simplesmente, da emenda à Constituição que permitiu a privatização das telecomunicações no governo FHC.  A emenda, aprovada em 15 de agosto de 1995, teve origem em um Projeto de Emenda Constitucional, a PEC 3, enviada ao Congresso em fevereiro de 1995 através da Mensagem Presidencial número 191.   Isto é, a privatização das telecomunicações no Brasil foi resolvida em 4 meses.  Outras modificações de monta tiveram tratamento ainda mais expedito.  Pergunta-se ao ex-Presidente se esse foi um pequeno ou grande assassinato.   E olha que o regime de partilha nem precisa de emenda à Constituição para vigorar.

Por que anunciar quem venceu a concorrência para a compra de aviões militares, se o processo de seleção não terminou?

Talvez…para forçar os interessados a oferecer melhores propostas??

Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental numa companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas? Por que antecipar a campanha eleitoral e, sem nenhum pudor, passear pelo Brasil à custa do Tesouro (tirando dinheiro do seu, do meu, do nosso bolso…) exibindo uma candidata claudicante?

É mesmo verdade que FHC foi extremamente tímido no apoio ao seu candidato em 1998.  Talvez por bons motivos.

Por que, na política externa, esquecer-se de que no Irã há forças democráticas, muçulmanas inclusive, que lutam contra Ahmadinejad e fazer mesuras a quem não se preocupa com a paz ou os direitos humanos?

Pelo mesmo motivo, talvez, que um Fernando Henrique Cardoso presidente visitou a China em 1995 esquecendo-se, também, das forças democráticas daquele país.

Pouco a pouco, por trás do que podem parecer gestos isolados e nem tão graves assim, o DNA do “autoritarismo popular” vai minando o espírito da democracia constitucional. Esta supõe regras, informação, participação, representação e deliberação consciente. Na contramão disso tudo, vamos regressando a formas políticas do tempo do autoritarismo militar, quando os “projetos de impacto” (alguns dos quais viraram “esqueletos”, quer dizer, obras que deixaram penduradas no Tesouro dívidas impagáveis) animavam as empreiteiras e inflavam os corações dos ilusos: “Brasil, ame-o ou deixe-o.” Em pauta temos a Transnordestina, o trem-bala, a Norte-Sul, a transposição do São Francisco e as centenas de pequenas obras do PAC, que, boas algumas, outras nem tanto, jorram aos borbotões no Orçamento e mínguam pela falta de competência operacional ou por desvios barrados pelo Tribunal de Contas da União. Não importa, no alarido da publicidade, é como se o povo já fruísse os benefícios: “Minha Casa, Minha Vida”; biodiesel de mamona, redenção da agricultura familiar; etanol para o mundo e, na voragem de novos slogans, pré-sal para todos.

São dúvidas legítimas, decerto, mas que FHC talvez devesse ter se perguntado em 1994.

Diferentemente do que ocorria com o autoritarismo militar, o atual não põe ninguém na cadeia. Mas da própria boca presidencial saem impropérios para matar moralmente empresários, políticos, jornalistas ou quem quer que seja que ouse discordar do estilo “Brasil potência”. Até mesmo a apologia da bomba atômica como instrumento para que cheguemos ao Conselho de Segurança da ONU – contra a letra expressa da Constituição – vez por outra é defendida por altos funcionários, sem que se pergunte à cidadania qual o melhor rumo para o Brasil. Até porque o presidente já declarou que em matéria de objetivos estratégicos (como a compra dos caças) ele resolve sozinho. Pena que se tenha esquecido de acrescentar: “L”État c”est moi.” Mas não se esqueceu de dar as razões que o levaram a tal decisão estratégica: viu que havia piratas na Somália e, portanto, precisamos de aviões de caça para defender o “nosso pré-sal”. Está bem, tudo muito lógico.

Interessante isso, porque quem afinal iniciou o processo de reaparelhamento da Força Aérea Brasileira, com o Projeto FX, foi o próprio Fernando Henrique Cardoso, em 2002.  Não sei quais eram as razões que ele tinha então _ talvez melhores do que as de Lula _ mas de qualquer modo, ele resolveu não honrá-las.

Pode ser grave, mas, dirão os realistas, o tempo passa e o que fica são os resultados. Entre estes, contudo, há alguns preocupantes. Se há lógica nos despautérios, ela é uma só: a do poder sem limites. Poder presidencial com aplausos do povo, como em toda boa situação autoritária, e poder burocrático-corporativo, sem graça alguma para o povo. Este último tem método. Estado e sindicatos, Estado e movimentos sociais estão cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro. Os partidos estão desmoralizados.

Consigo imaginar poucas situações de maior desmoralização partidária do que o fim do segundo mandato de FHC, com Jader Barbalho engalfinhando-se com Antonio Carlos Magalhães…

Foi no “dedaço” que Lula escolheu a candidata do PT à sucessão, como faziam os presidentes mexicanos nos tempos do predomínio do PRI. Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são “estrelas novas”. Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam.

Pois é, exatamente como nas privatizações feitas por FHC…minto, aquelas só tiveram os felizardos das grandes empresas, sem a presença dos sindicatos.

Ora, dirão (já que falei de estrelas), os fundos de pensão constituem a mola da economia moderna. É certo. Só que os nossos pertencem a funcionários de empresas públicas. Ora, nessas, o PT, que já dominava a representação dos empregados, domina agora a dos empregadores (governo). Com isso os fundos se tornaram instrumentos de poder político, não propriamente de um partido, mas do segmento sindical-corporativo que o domina. No Brasil os fundos de pensão não são apenas acionistas – com a liberdade de vender e comprar em bolsas -, mas gestores: participam dos blocos de controle ou dos conselhos de empresas privadas ou “privatizadas”. Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido no governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados, eis o bloco sobre o qual o subperonismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições. Comecei com para onde vamos? Termino dizendo que é mais do que tempo de dar um basta ao continuísmo, antes que seja tarde.

“Basta ao continuísmo” foi outra frase que FHC se esqueceu de brandir em 1998…

Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, foi presidente da República”

E já foi tarde.

serracareca

é dos carecas que elas gostam mais

Nao sei porque, mas acho que essa ideia da Nariz nao vai dar certo…

Devo reconhecer uma coisa: hoje em dia, visito muito menos blogs nacionais que antigamente.

Não sei bem porque isso aconteceu.  Acho que um motivo é que houve um tempo em que havia uma lista de discussão de blogueiros da qual eu fazia parte.  Essa participação, é claro, gerava um convívio permanente que me incentivava mais a visitar blogs alheios.  Ela, entretanto, morreu (e eu tenho a impressão de que fui parte ativa no seu assassinato).

De vez em quando, porém, dou uma circulada para ver como andam os blogs por aí _ além, obviamente, daqueles dos quais sou fã de carteirinha, como o Rafael Galvão, o Nelson, o Na Prática e alguns outros que prefiro manter em segredo.  :)

Em uma andança recente fui parar no blog do Gravataí Merengue, hoje localizado no Interney.

Levei um susto. O  Gravataí tá irreconhecível.  Onde antigamente existia um blog alegre, irreverente, e não tão politizado, hoje vemos a face carrancuda de mais um clone de Reinaldo Azevedo.

Que eu me lembre houve uma controvérsia pesada envolvendo o Gravataí e o Luís Nassif. A história está mais ou menos contada neste post do Idelber e nos links que ele e seus comentaristas colocam lá.  Nesse post, o Perrusi fez um comentário inadvertidamente profético:

Leio o blog de Gravataí e de Nassif. Sou de esquerda. Politicamente, simpatizo com Nassif, mas leio atentamente as polêmicas de Gravataí. Muitas de suas críticas são perfeitamente justificáveis. Se é um trânsfuga da esquerda, não importa muito, aqui, nessa discussão. O transfúgio e o ressentimento têm uma afinidade eletiva (vide Tio Rei, Olavo Carvalho…), mas o que importa é a mensagem e não o mensageiro. E não considero Gravataí propriamente um ressentido contra a esquerda, em particular os petistas — ele parece ser um polemista, e gosta de uma provocação. Exemplo: num post, definiu o petismo como uma forma de religião. Pra quem não é petista, soou engraçado, embora seja equivocado. Mas seu blog é democrático, liberando os comentários e encarando de frente as críticas às suas posições.

Tenho a impressão de que o Gravataí já ultrapassou a fronteira do ressentimento hoje em dia, mas posso estar enganado, é claro.

***

UPDATE:

Por outro lado…

Descobri um post do Com Fel e Limão, do Vinícius Duarte et alii (o Vinícius comenta por aqui de vez em quando), bem recente, referindo-se a um post do Nassif onde ele teria conclamado seus leitores a descobrirem o endereço do Gravataí, aparentemente para poder processá-lo.

Penso que processar alguém é direito de qualquer um.  No entanto, incentivar uma legião de seguidores a descobrirem o endereço de um desafeto me parece uma tática reprovável de alto a baixo.  Até porque certamente não seria nada difícil para um bom advogado encontrar o Gravataí.

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Meio cheio ou meio vazio?

No Valor, uma reportagem curiosa de Arnaldo Galvão:

Estudo mostra que política pública reduz pouco pobreza

As políticas públicas de redução da pobreza e da desigualdade estão na direção correta, mas a força delas é insuficiente para resgatar as regiões mais pobres do país, especialmente Nordeste e Norte. Essa é a principal conclusão de um trabalho do Laboratório de Estudos da Pobreza (LEP) da Universidade Federal do Ceará (UFC) sobre o que ocorreu nos 27 Estados e no Distrito Federal, de 2006 a 2008.

O economista e professor Flávio Ataliba Barreto, coordenador da pesquisa, (…)  comenta que, apesar da queda da desigualdade, movimento que vem sendo verificado desde 2001, o Nordeste continua muito atrasado, com renda baixa e desigualdade alta. Ele lamenta que, nessa região, as políticas públicas não conseguiram reverter a situação “preocupante” mantida pelo baixo nível educacional. Na interpretação do professor da UFC, falta perspectiva para esse grupo de nove Estados que têm 28% da população brasileira, mas concentram 49% dos pobres. “Não há muito a comemorar no Nordeste. A região tem grande população, mas ainda é bastante dependente das transferências de renda”, conclui.

(…)

Os números da proporção de pobres na população revelam que todos os Estados e o Distrito Federal reduziram o número de pessoas que têm até meio salário mínimo como renda per capita familiar. De 2006 a 2008, o melhor desempenho é do Paraná. O Estado tinha 25,19% nessa situação e passou a ter 18,12%. Goiás aparece logo depois porque reduziu essa parcela da população de 30,87% para 22,20%. Em terceiro lugar está Mato Grosso, com queda de 33,10% para 24,18%.

As reduções mais tímidas da proporção de pobres na população, nesses dois anos, foram de Roraima (42,64% para 37,62%), Amazonas (47,36% para 41,88%) e Paraíba (53,98% para 48,98%).

(…)

Outra boa notícia, segundo Barreto, foi a redução do número absoluto de pobres em todos 26 Estados e no Distrito Federal. De 2006 a 2008, a maior diminuição, 26,68%, foi no Paraná. Em segundo lugar, veio Goiás com 25,89%. O terceiro melhor desempenho foi do Mato Grosso, com queda de 24,41% do número absoluto de pobres. Na outra ponta da lista, as reduções mais modestas foram em Roraima (7,44%), Paraíba (7,63%) e Amazonas (8,33%).”

***

Um copo pela metade sempre parecerá meio vazio para uns e meio cheio para outros, segundo a sede do observador.

Mas me parece um tanto exagerado dizer que uma política pública é “insuficiente” na redução da pobreza quando consegue resultados dessa magnitude em apenas 3 anos.

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Texto genial do Claudio Gonçalves Couto no Valor de hoje:

Por favor, provoquem-me!

Há uma semana, em meio ao seu périplo pelo Nordeste do país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou animado clima das aparições públicas para desferir alguns petardos. Parte deles se dirigiu a políticos de partidos de oposição, como o governador José Serra, criticado de forma irônica por não se preocupar com os problemas do semiárido brasileiro. Outras diatribes foram atiradas contra aqueles órgãos de controle da ação governamental que, no entender de Lula, impedem que as ações da administração federal caminhem mais celeremente. Dentre estes órgãos figurariam o Ministério Público e o Judiciário. Em resposta às críticas do presidente da República, o procurador-geral da República, Roberto Monteiro Gurgel, e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, reagiram de formas muito distintas (“Folha de S. Paulo”, 17/10/2009).

Gurgel optou pela sobriedade na defesa do papel de sua instituição. Na primeira entrevista que concedeu após quatro meses no cargo (sintoma de sua sobriedade), disse que “é natural que o administrador público se sinta incomodado com a atuação de órgãos que, de alguma maneira, levem ao retardamento da execução de projetos”, ressalvando que “o Ministério Público não é nem pode ser contra qualquer tipo de empreendimento, seja público ou privado, mas é seu dever exigir a observância das normas”. Por fim, reconheceu a inevitabilidade de atrasos causados pela ação diligente do Ministério Público, observando que, se a demora resultar da defesa da legalidade, isto é apenas uma consequência da vontade do legislador.

Já o ministro Gilmar Mendes, novamente incorporou a persona de líder da oposição no STF. Após defender o papel do Judiciário com a doutrinariamente correta afirmação de que “o Judiciário só age por provocação”, interpretou as diatribes de Lula como “parte deste momento de palanque que o presidente está vivendo”, emendando, noutra entrevista, que o governo parecia estar “testando” a Justiça Eleitoral.

Nesta semana, Gilmar Mendes se superou e foi além (“Folha de S. Paulo”, 21/10/2009). Não fosse conhecida a autoria, seu discurso de crítica aos eventos protagonizados por Lula na semana passada poderia ser identificado por alguém desavisado como tendo sido proferido por Demóstenes Torres (DEM-GO), Arthur Virgílio (PSDB-AM), Roberto Freire (PPS-PE), Álvaro Dias (PSDB-PR), Heráclito Fortes (DEM-PI), ou qualquer outro parlamentar de partidos da oposição. Desta feita, o líder da oposição no Supremo questionou: “É lícito transformar um evento rotineiro de governo num comício?”, para depois requisitar: “Se houver esse tipo de propósito, o órgão competente da Justiça tem que ser chamado para evitar esse tipo de vale-tudo”. O fecho dourado desse discurso oposicionista proferido a partir da toga foi um pedido que talvez nem o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fizesse melhor: “É uma avaliação que precisa ser feita. A Procuradoria Geral Eleitoral, o Superior Tribunal Eleitoral (sic) precisa… Vocês próprios [os repórteres] podem fazer a comparação. Como se fiscalizava obra antes e como se está a fiscalizar agora.”

Do ponto de vista do conteúdo de sua fala, Gilmar Mendes parece-me coberto de razão. Como ele próprio observou, questionando: “Pelas descrições que vimos na mídia, está havendo sorteio, entrega, festas, cantores. Em suma, isto é o modo de fiscalizar tecnicamente uma obra?”. De fato não é. Ao menos num Estado democrático de direito. Num regime deste tipo não cabe a um chefe do Poder Executivo transformar atos públicos oficiais, pretensamente de verificação do andamento de ações governamentais, em oportunidades para promoção pessoal sua e de sua candidata. Assim como não cabe utilizar essas ocasiões – e os recursos públicos que lhes tornam possíveis – para criticar membros da oposição. É tão condenável isto como é inaceitável o uso chavista que faz o governador do Paraná da TV Educativa estadual para atacar adversários políticos e se promover.

Mas o que dizer então de um juiz – ou mais, do chefe do Poder Judiciário – que usa de seu cargo para criticar um governo ao qual se opõe? Nada mais natural que os parlamentares mencionados nesta coluna desferissem contra o presidente da República críticas como as de Gilmar Mendes e, sobretudo, comparassem os atos do atual governo com o de governos anteriores (em particular o do último presidente antes de Lula). Mas é muito preocupante que se manifeste publicamente desta forma um magistrado, a quem eventualmente caberá julgar o presidente por tais atos. De certa forma, pode-se dizer, o julgamento já está feito e bastaria proferir a sentença.

A pior parte da conduta do presidente do Supremo é o pedido que faz a quem puder se interessar (a oposição, o Ministério Público?) para que inste o Judiciário a se manifestar sobre a viagem de Lula. É claro que tal manifestação dar-se-ia, em princípio, pelo Tribunal Superior Eleitoral, que – como já mostrou Vitor Marchetti em elogiadíssima tese de doutoramento sobre a Justiça Eleitoral – é uma antecâmara do STF para assuntos eleitorais e partidários. Ironicamente (ou contraditoriamente), é esse mesmo juiz quem afirma que “o Judiciário só age por provocação”. A esta fala poder-se-ia agregar outra, implícita em suas outras declarações: “Por favor, provoquem-me!“.

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Caixão, meu comandante!

Deu no G1:

A esquerda do Uruguai se afirma como a favorita para se manter no poder por mais cinco anos, disseram analistas políticos e uma nova pesquisa de opinião nesta quarta-feira (21), a quatro dias das eleições gerais no país.

No entanto, o candidato presidencial do partido da situação, Frente Ampla, o ex-guerrilheiro José Mujica, deve ir a segundo turno em novembro contra o ex-líder Luis Alberto Lacalle, do centro-direita Partido Nacional (PN) ou Branco, segundo as pesquisas.”

Via Daniel Drezner, esta foto de um despacho de Mohamed Nasheed, o Presidente das Ilhas Maldivas, pressionando por um acordo mais eficaz em Copenhagen em prol da luta contra o aquecimento global:

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“President Mohamed Nasheed, Vice President Dr Mohamed Waheed and 11 cabinet ministers donned scuba gear and submerged 4 meters below the surface of sea to hold the world’s first underwater cabinet meeting, in a bid to push for a stronger climate change agreement in the upcoming climate summit in Copenhagen.

“We are trying to send our message to let the world know what is happening and what will happen to the Maldives if climate change isn’t checked” said President Nasheed, speaking to the press as soon as he resurfaced from underwater.

“What we are trying to make people realize is that the Maldives is a frontline state. This is not merely an issue for the Maldives but for the world. If we can’t save the Maldives today, you can’t save the rest of the world tomorrow”, said President Nasheed further.

During the 30-minute meeting held in the turquoise lagoon off Girifushi Island, with a backdrop of corals, the President, the Vice President and eleven other Cabinet ministers signed a resolution calling for global cuts in carbon emissions.”

***

O Drezner tem uma questão:

“Just to be contrarian, however, I do wonder if it’s the case that as small island nations go, so does the rest of the world. Because they are sovereign actors, small island nations often possess greater influence than their population or GDP merits. Would a rational, cost-benefit analysis of how to allocate climate change resources between mitigation and adaptation really place such a high priority on a bunch of small countries with a combined population of less than ten million?”

Imediatamente me veio à mente a idéia de um federalismo mundial.  Como esse papo pode não ter muita tração junto à platéia mais avessa à globalizações que não sejam as meramente comerciais, acho que esta foto contém um bom argumento:

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(clique para ampliar)

Levando em consideração que as luzes mostram áreas de maior concentração populacional (com raras exceções, como alguns pontos de extração de petróleo no Oriente Médio), dá pra notar que qualquer alteração significativa do nível do mar terá consequências catastróficas todos os continentes.  Portanto, nesse caso o Drezner não deveria ficar tão preocupado com “a ditadura das minorias”…

Deu no Valor:

Uribe diz que reeleição depende da justiça, do povo e de Deus

SÃO PAULO – O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, foi mais uma vez evasivo hoje sobre os riscos à democracia em seu país caso obtenha o direito de concorrer ao terceiro mandato. Segundo ele, as instituições democráticas da Colômbia são fortes e se consolidaram em seu mandato.

A hipótese da reeleição foi aberta por um projeto de referendo aprovado pelo Congresso, mas depende ainda de avaliação de corte constitucional do país. ” Isso depende neste momento basicamente de três elementos: da corte constitucional, do povo colombiano e depende de Deus ” , afirmou.

A Constituição do país já foi mudada uma vez, em 2006, para abrir a possibilidade de reeleição para o segundo mandato de Uribe. ” Peço que não se ponha em dúvida a solidez das instituições de nosso país ” , afirmou.(…)

***

Sobre o assunto, Reinaldo Azevedo diz o seguinte:

Quero deixar registrado aqui o papel deletério exercido por Lula: é um depredador de Leis e de instituições.”

Deu no Correio Braziliense:

Embaixador assume Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência

O secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, assume nesta terça-feira (20/10) a chefia da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE). O órgão está interinamente sob o comando de Daniel Vargas desde a saída de Mangabeira Unger, em junho, que voltou a lecionar na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Samuel Pinheiro Guimarães é o número dois na hierarquia do Itamaraty, ficando abaixo do ministro Celso Amorim. Ele completa 70 anos no final do mês e já iria se aposentar compulsoriamente.

Para substitui-lo, estão cotados o embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Antônio Patriota, e o subsecretário-geral de Cooperação e Promoção Comercial, Ruy Nogueira.

Criada em julho de 2008, a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) tem como finalidade formular políticas públicas de longo prazo para o desenvolvimento nacional. A secretaria, ligada à Presidência da República, substituiu o Núcleo de Assuntos Estratégicos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva dará posse a Guimarães em uma cerimônia no Palácio do Itamaraty.”

***

Dá pra ouvir o suspiro de alívio no Itamaraty daqui de casa, e olha que eu moro longe.

***

Um homem se entende pelos livros que escreve?  Samuel Pinheiro Guimarães é autor de “Desafios Brasileiros na Era dos Gigantes“, editado pela Contraponto em 2006 e que é tido por alguns como sua obra magna .  Sinopse:

Neste livro, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães oferece uma análise do atual cenário internacional e de suas tendências prospectivas e, ante esse cenário, discute, com a maior lucidez, a posição do Brasil. O cenário internacional sempre foi, em todas as épocas, aquele em que as grandes potências do período buscam, competitivamente, maximizar suas vantagens e seu poder, e o fazem, de modo geral, às expensas dos países mais débeis. Pinheiro Guimarães estuda, neste livro, essa margem de autonomia que o Brasil procura preservar e ampliar. Trata-se de algo que depende, essencialmente, da medida em que se consolide Mercosul e, a partir deste, se logre imprimir efetividade econômica e política à recém-criada Comunidade Sul-Americana de Nações. Trata-se de algo cujo eixo central é a aliança estratégica do Brasil com a Argentina. Uma aliança que o autor analisa com grande lucidez, mostrando as dificuldades de se sair do plano declaratório para o operacional. Algo que tem a ver com inúmeras resistências argentinas, que vão da constatação de importantes assimetrias desfavoráveis àquele país a um ressentimento, ainda não superado, por parte de uma sociedade que se constata mais educada e civilizada que a brasileira e, não obstante, é economicamente mais débil. Algo, por outro lado, que decorre da incapacidade, de que o Brasil vem dando continuada demonstração, de implementar uma política industrial comum, que conduza a uma vigorosa reindustrialização da Argentina. Neste estudo de Pinheiro Guimarães alguns dos aspectos por ele analisados requerem particular referência.”

A julgar pela sinopse, talvez devêssemos esperar uma SAE mais voltada para os problemas do Mercosul sob a gestão de Samuel.  Mas não sei se a sinopse é fidedigna; há aqui uma resenha do mesmo livro que dá muito menor importância a esse tema.

***

Quer dizer, não que a SAE apite muito.

Deu no Estadão:

SÃO PAULO – As filas eram as mesmas que dobram o quarteirão na rua Augusta, mas não foi para um show de música que o público foi à casa noturna Studio SP no final da tarde de domingo (18). Entre cervejas (pagas) e picolés (distribuídos de graça), mais de 400 pessoas prestigiaram o Festival de Política Trip, uma iniciativa da editora para estimular o debate político entre os jovens. (…)

Eu achei isso aqui uma p… ideia. Fiquei chocada quando eu cheguei lá fora e tinha toda aquela fila, porque às vezes a gente acha que o jovem está totalmente alienado. Não está, o jovem está afim de fazer política”, disse a vereadora Mara Gabrilli (PSDB), que subiu ao palco para falar com o público por cinco minutos.

O primeiro show da noite ficou por conta do Maquinado, projeto paralelo de Lúcio Maia e Dengue, da Nação Zumbi. “Eu acho que se puder unir duas coisas importantes como política e diversão, é uma grande sacada”, disse Maia. A banda tocou parte de seu repertório intercalado com músicas como “Zumbi” (Jorge Ben) e Canto de Ossanha (Baden Powell e Vinícius de Moraes). (…)

O debate principal reuniu Gabeira, Ronaldo Lemos, do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV, e Luis Felipe D’Avila, cientista político. Ninguém usava gravata. Na pauta, financiamento público de campanha (Gabeira afirmou que faz isso ‘independente do projeto do [Eduardo] Suplicy’), voto distrital, corrupção, ética e o futuro da política. (…)

“Sim, é possível fazer política sem corrupção”, disse Gabeira. Fernando Luna, que moderou o debate, pediu para que o deputado comentasse o fato de ter repassado à filha uma passagem aérea de sua cota parlamentar.”Reconheço meu erro. Eu não sou infalível”, disse, para depois revelar que “foi até confortável sair do pedestal de político impecável”. “Nós somos um país tropical, nunca vão encontrar santos por aqui”, justificou.  (…)

A noite terminou com uma apresentação de fotos históricas da política nacional, que começou com Getúlio Vargas sujando as mãos de petróleo, há cinco décadas, e terminou com o presidente Lula fazendo o mesmo gesto. A mostra foi apresentada por Guilherme Weneck, diretor de redação da revista TRIP, e o fotógrafo João Wainer. No fim, o Instituto coroou o evento tocando seu repertório e releituras – entre elas, “Fight the power”, do Public Enemy.”

***

Sério, pessoal: continuando nesse ritmo, daqui a pouco até o Pedro Sette Câmara falando de mulher no botequim vai parecer algo natural e descontraído.

***

LnElogo (1)

dizendo:

A academia brasileira está prestes a testemunhar uma empreitada intelectual inédita no país. Durante o mês de outubro um grupo de jovens intelectuais percorrerá 13 cidades, de Porto Alegre a Fortaleza, com uma missão: expor aos estudantes universitários brasileiros o pensamento libertário, de apoio ao livre mercado, paz e direitos individuais. O objetivo é apresentar diretamente a tradição liberal, muito distante das caricaturas inventadas por seus oponentes intelectuais, de direita e esquerda, como “neoliberalismo”.

(…)

“Por décadas, os intelectuais de esquerda foram praticamente os únicos a apresentar aos estudantes brasileiros uma causa política baseada em princípios”, diz Diogo Costa, coordenador do OrdemLivre.org. “Chegou a hora de mudarmos esse paradigma, e mostrar o liberalismo como um ideal sublime que promove a paz e a prosperidade, e que não tem um histórico sangrento como o do socialismo”. Bruno Garschagen, gerente de relações institucionais do OrdemLivre.org, completa: “o debate entre diferentes correntes filosóficas é necessário para que a Universidade não fique refém das ortodoxias do pensamento de esquerda e permita aos estudantes o acesso a autores e obras liberais”.”

ralo

Short Tio Rei:

“Problema social se resolve é com o Exército”

Deu na Folha:

Governos tucanos aumentam gastos com servidores em São Paulo

Entre os anos de 2003 e 2008, os governos do PSDB em São Paulo aumentaram as despesas com o funcionalismo dos três poderes em 19% acima da inflação e chegaram a R$ 43,1 bilhões, informa reportagem de Gustavo Patu publicada na Folha desta segunda-feira (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

O período citado, correspondente aos governos tucanos de Geraldo Alckmin e de José Serra, teve um aumento de 33 mil servidores ao longo das duas gestões.

Trata-se de um contingente semelhante ao do Ministério da Fazenda, que conta com auditores fiscais distribuídos por todo o país e só perde, no aparato civil federal, para Educação, Saúde e Previdência.” [grifo meu]

***

De 2003 a 2009, o governo federal contratou 57.102 servidores.

Trechos da matéria da Folha, da autoria de Gustavo Patu,  abaixo do folder.

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o triunfo da vontade

No Estadão uma matéria sobre o filme “Lula, o Filho do Brasil“, que deve estrear em janeiro do ano que vem:

Lula, o Filho do Brasil, cinebiografia sobre o petista, será lançado em 1º de janeiro de 2010 com uma estratégia de distribuição que tem como objetivo torná-lo um dos maiores lançamentos do cinema nacional, desde a retomada da produção cinematográfica do País, em 1995. Para isso, a produção recorrerá a tradicionais bases de sustentação política de Lula, como sindicatos, e a regiões onde ele tem alta popularidade, como no Nordeste. Um universo de 10 milhões de pessoas sindicalizadas poderá comprar ingressos a preços populares para assistir ao filme, que pretende chegar aos rincões do País em 2010.

A estreia será feita em mais de 400 salas, sendo que 88 delas não fazem parte do circuito convencional. O objetivo é levar o filme para públicos populares, fora do mercado consumidor tradicional. O lançamento chegará a 19 salas que não fazem parte do parque exibidor de 1ª linha no Nordeste, em cidades como as baianas Alagoinhas e Santo Antonio de Jesus, a cearense Maracanaú e a pernambucana São Lourenço da Mata.

Aproveitando a alta popularidade de Lula no interior, a ideia é levar o filme para capitais fora do circuito tradicional, como Rio Branco (AC), Porto Velho (RO), Palmas (TO) e Macapá (AP). A cidade de Garanhuns, na região onde nasceu Lula, receberá cópias para exibição em duas salas, já no lançamento.

Serão feitas “para lá de 300 cópias” da cinebiografia, que conta os primeiros 35 anos da vida do presidente, do nascimento até a transformação dele em líder sindical, segundo Bruno Wainer, presidente da Downtown Filmes, que ao lado da Europa Filmes é responsável pela distribuição.

Lula, o Filho do Brasil fugiu do padrão nacional de financiamento de obras cinematográficas, baseado na renúncia fiscal. Causou polêmica no mercado, ao conseguir bancar a produção, de R$ 12 milhões, com dinheiro de empresas que não se beneficiaram de nenhuma lei de incentivo fiscal. Há construtoras, montadoras e outras empresas que não são tradicionais investidoras do setor – algumas têm contratos com o governo.”

Este trecho chama a atenção:

Serão feitas “para lá de 300 cópias” da cinebiografia, que conta os primeiros 35 anos da vida do presidente, do nascimento até a transformação dele em líder sindical, segundo Bruno Wainer, presidente da Downtown Filmes, que ao lado da Europa Filmes é responsável pela distribuição.

Pra quem não sabe, Bruno Wainer é filho de Danuza Leão com Samuel Wainer, o já falecido dono do jornal “Última Hora”.   Diz a Wikipedia sobre Samuel:

Originariamente um jornalista da Esquerda não-comunista, ligado ao grupo de intelectuais congregados em torno da revista Diretrizes , fundada por ele, Wainer era um repórter dos Diários Associados de Assis Chateaubriand quando veio a entrevistar Getúlio Vargas, durante a campanha eleitoral de 1950, formando com ele uma amizade política, movida à base de interesses mútuos, que viria a resultar na criação do Última Hora.

Vargas havia concebido a necessidade de um órgão de imprensa que pudesse sustentar as posições do populismo varguista contra uma imprensa virulentamente antipopulista e antivarguista. Consciente do talento individual de Wainer e sabendo da sua insatisfação com o trabalho nos Diários Associados, onde estava sujeito às humilhações quotidianas que implicava o trato diário com Assis Chateaubriand e suas práticas amorais, Vargas sabia poder contar com a lealdade pessoal daquele a quem havia apelidado de “Profeta”. Para tal, uma vez eleito, garantiu que o Banco do Brasil fornecesse um crédito a Wainer para a constituição do jornal em condições privilegiadas.

O Última Hora, desde sua origem, colocou-se abertamente como órgão pró-Vargas e oficioso: na sua primeira edição, o jornal estampava uma carta de felicitações assinada pelo próprio Getúlio Vargas. Foi um jornal que introduziu uma série de técnicas bem sucedidas que o tornavam mais atrativo às clsses populares: a seção de cartas dos leitores, o uso de uma editoria específica para tratar de problemas locais dos bairros do Rio de Janeiro. Era, ao mesmo tempo, um jornal conhecido pelo seu corpo de articulistas: Nelson Rodrigues e seus folhetins, a coluna de análise política de Paulo Francis e até mesmo uma coluna do futuro animador de televisão Chacrinha.”

Tem vários círculos se fechando aí, não?

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É mesmo um irresponsável

No Valor de hoje:

“Não darei as costas ao país”, diz Uribe sobre 3º mandato

Para muitos colombianos, o sucesso nos fronts econômico e de segurança fazem do presidente [Uribe] um redentor do país.

Mas agora ele está diante do que descreve como “uma encruzilhada da alma” enquanto avalia se concorre a um terceiro mandato em 2010. Isso envolveria uma segunda mudança da Constituição, o que preocupa até mesmo alguns de seus mais próximos aliados no país e no exterior, incluindo seus amigos em Washington.

Se decidir concorrer, Uribe – dono de níveis altíssimos de aprovação – certamente será reeleito para um terceiro mandato. Mas corre o risco de se transformar em apenas mais um caudilho latino-americano, com um histórico questionável na área dos direitos humanos.

(…)

Quando perguntado por que ele poderia querer continuar na Presidência se isso poria em risco seu legado, Uribe se levanta bruscamente da cadeira: “Essa não é a pergunta”, diz ele, andando pela sala. “Eu sou de uma geração que não conheceu um único dia de paz. Minha prioridade é a continuidade dinâmica das [minhas] políticas.”

Então o presidente tem um plano de sucessão? Uribe se inclina sobre a mesa de mogno. “É claro … eu quero encontrar a réplica de Thomas Jefferson.”

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…e eu mando um beijo pra minha mãe, meu pai, pra Xuxa e pro Celso Amorim!

Diz o UOL:

A Assembleia Geral da ONU elegeu hoje o Brasil para que ocupe durante o biênio 2010-2011 uma das duas vagas não-permanentes no Conselho de Segurança das Nações Unidas (CS) reservados à América Latina e ao Caribe.

O Brasil contou com 182 votos de um total de 183 países votantes. Foram também eleitos para o mesmo mandato 2010-2011 a Bósnia e Herzegovina, o Gabão, o Líbano e a Nigéria.

Após sua última passagem em 2004-2005, esta é décima vez em que o Brasil fará parte do principal órgão da ONU, no qual acumula 18 anos de experiência.

O fato de não ter havido concorrência no grupo latino-americano e caribenho, o que já aconteceu quando da escolha do México no ano passado, é visto como um sinal do interesse da região em evitar disputas como a de 2006 entre Venezuela e Guatemala, que levou à realização de 48 votações e foi resolvida apenas com a aparição do Panamá como candidato de consenso.

A escolha do Brasil para a instância mais poderosa da ONU também é observada como um novo passo na consolidação do país como membro de destaque no cenário internacional.”

Isso aqui é interessante:

De acordo com a assessoria de imprensa do Itamaraty, as prioridades do Brasil como membro eleito do Conselho de Segurança incluem a estabilidade no Haiti, a situação na Guiné-Bissau, a paz no Oriente Médio, os esforços em favor do desarmamento, a promoção do respeito ao Direito Internacional Humanitário, a evolução das operações de manutenção da paz e a promoção de um enfoque que articule a defesa da segurança com a promoção do desenvolvimento socioeconômico.”

Enfim, a paz mundial, o congraçamento entre os povos e o fato de que a devemos “olhar juntos para a mesma direção“(*).  Nunca imaginei que a votação para a vaga temporária no CS tivesse tanto a ver com um concurso de miss…  :)

Tio Rei muito excitado na defesa do Roger Agnelli.  Dia desses ele aparece com uma coleirinha no pescoço, escrito: “ROGER”…

Eu acho que realmente há muito a escrever sobre a promiscuidade entre o Poder Executivo e a Vale.  Aliás, muito já foi escrito:

Saindo da sombra

O poderoso diretor do BB mexe com fundos de pensão que fazem negócios com seu sócio

O economista Ricardo Sérgio de Oliveira, 52 anos, é um homem enigmático. É diretor da área externa do Banco do Brasil, responsável pelos negócios lá fora e por grandes clientes nacionais do banco. Não gosta de fotos, evita entrevistas e, sempre que pode, fica na sombra. É, também, um homem de hábitos refinados. Gosta de fumar charutos Romeo y Julieta, a fina flor da produção cubana, joga tênis e já foi visto num restaurante em Nova York, onde possui um apartamento, servindo-se de uma garrafa de vinho de 5.000 dólares. Fala inglês e francês com fluência. Casado há 26 anos, sem filhos, ele também gosta de cultivar amizades influentes. Entrou para o círculo dos tucanos pelas mãos do ministro Clóvis Carvalho, da Casa Civil, acabou indicado para o cargo pelo ministro José Serra, da Saúde, e tornou-se o único diretor do Banco do Brasil com quem o presidente Fernando Henrique Cardoso faz contatos ocasionais. Além de Oliveira, apenas o presidente do banco, Paulo César Ximenes, tem direito a essa deferência de FHC.

De umas semanas para cá, sua vida começou a sair das sombras. Ele comandou a entrada dos fundos de pensão no consórcio Telemar, que arrematou as empresas de telecomunicações do Rio de Janeiro ao Amazonas. Aí, descobriu-se que Ricardo Sérgio de Oliveira tem uma influência notável na Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, que, de tão poderoso, costuma arrastar atrás de si os demais fundos. Agora, descobriu-se que sua influência nos fundos, que, juntos, movimentam a cifra espetacular de 80 bilhões de reais, anda próxima dos seus negócios privados. Um exemplo. José Stefanes Ferreira Gringo, dono da construtora Ricci Engenharia, está concluindo um prédio em São Paulo, de 30 milhões de reais. Para vendê-lo, Gringo pediu a uma corretora de São Paulo, a RMC, que formasse um pool de compradores. A RMC cumpriu sua missão: formou um pool no qual estão nada menos que treze fundos de pensão. O problema da transação é que Gringo é sócio de Ricardo Sérgio de Oliveira na RMC. E Ricardo Sérgio de Oliveira, como se sabe, tem a palavra final nos negócios dos fundos de pensão.

A cronologia da venda pode dar a impressão de que Oliveira usou sua influência para convencer os fundos a comprar um prédio de um sócio seu. Não há evidência indicando que o diretor teve uma atuação clandestina, mas chama a atenção que esse não seja o único negócio do gênero. Agora, a mesma Ricci Engenharia acaba de aprontar a planta de quatro torres de edifícios comerciais em São Paulo, com um investimento de 150 milhões de reais. O projeto ainda não saiu do papel, depende de trâmites burocráticos, mas já tem um comprador garantido. A Previ decidiu, falta apenas assinar a papelada, ficar com dois dos quatro prédios, entrando com 70 milhões de reais. É a mesma genealogia. Ricardo Sérgio de Oliveira dá o tom dos negócios da Previ, e a Previ acaba fazendo negócios com seu amigo e sócio José Gringo. “Vamos ficar com dois prédios porque é um bom negócio”, diz o presidente da Previ, Jair Bilachi. “Não houve nenhum tipo de pressão”, completa ele.

Gargalhadas — O triângulo financeiro pode ser apenas coincidência, mas ele só existe como produto de um desvio de função. Ricardo Sérgio de Oliveira é diretor da área internacional e, por rigor funcional, não tem nenhuma relação com o fundo de pensão do Banco do Brasil. É natural que os funcionários do banco, do presidente ao contínuo de agência, se preocupem com os rumos da Previ, que mais tarde irá afiançar suas aposentadorias. Mas nem isso acontece no caso de Oliveira. Ele não é funcionário de carreira do BB. Trabalhou dezessete anos no Crefisul, então sócio do Citibank, e chegou a vice-presidente de investimentos do Citi em Nova York, de 1980 a 1982. Em 1988, deixou o Crefisul e montou duas empresas, uma delas a corretora RMC. Só em 1995 foi convidado a trabalhar no Banco do Brasil. Ao chegar, logo se interessou pela Previ. Já promoveu reuniões de negócios entre a Previ e empresários. Para cravar sua influência, indicou um funcionário de sua confiança para ocupar a principal diretoria do fundo, a de investimentos. É João Bosco Madeiro, seu ex-chefe de gabinete no banco.

A intimidade de Ricardo Sérgio de Oliveira com os fundos começou assim que chegou ao governo, mas até agora não se sabia que os fundos estavam cruzando com negócios dos seus sócios. Sua atuação ficou mais clara na privatização da Telebrás, quando ajudou a formar o consórcio Telemar. A venda foi um abacaxi, pois o consórcio não tinha dinheiro para pagar a entrada, e deixou a impressão de que a atuação do diretor do banco teria irritado o ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros. Puro engano. Oliveira formou o consórcio a pedido do próprio governo, que queria pôr mais concorrentes no leilão com o legítimo interesse de subir o preço. Na semana passada, Oliveira e Mendonça foram vistos almoçando no restaurante Laurent, em São Paulo, e deram gostosas gargalhadas de uma notinha de jornal. “Não convidem para a mesma mesa Mendonça de Barros e Ricardo Sérgio”, dizia a notinha. Amigos, eles se conheceram há uns trinta anos, atuando no mercado financeiro, origem de ambos. “Eu não vou ficar irritado com um amigo meu”, diz o ministro. “Mas quem é amigo dele mesmo é o Serra e o Clóvis.”

A tarefa de reunir os fundos para participar da privatização não é uma novidade na vida de Ricardo Sérgio de Oliveira. Ele fez o mesmo tipo de operação na privatização da Vale do Rio Doce, em maio do ano passado. A diferença é que, na época, sua atuação no caso da Vale não apareceu em público. O governo pode ter todo o interesse em manter um funcionário hábil e competente para reunir fundos de pensão nas privatizações, com o objetivo de aumentar o preço e valorizar seu patrimônio. As coisas só começam a ficar nebulosas quando o funcionário também articula a potência financeira dos fundos para fazer negócios com seus sócios. Na semana passada, Ricardo Sérgio de Oliveira conversou com VEJA sobre o assunto. Falou de sua vida pessoal e suas funções no banco. Mas, antes que o assunto entrasse nos seus negócios privados, o diretor pediu para entrar em contato mais tarde com a revista. Até a noite de sexta-feira, o contato não voltou a ser estabelecido.

Ah, a reportagem não é da Carta Capital nem do blog do Nassif.  É da Veja, em agosto de 1998.

Mais uma:

A história de um pedido de comissão na privatização da Vale e as queixas de Benjamin Steinbruch sobre o comportamento de Ricardo Sérgio,o homem que falava grosso na Previ

O governo tucano realizou duas megaprivatizações em seu primeiro mandato. Em 1997, vendeu a Companhia Vale do Rio Doce. O grupo comprador entregou ao governo um cheque de 3,3 bilhões de reais, o maior já assinado no Brasil em todos os tempos. Em 1998, o governo dividiu o sistema Telebrás em doze companhias e vendeu-as em leilão. A operação gerou para o Tesouro Nacional a quantia de 22 bilhões de reais. Foi a terceira maior privatização do mundo na área de telefonia. Como se vê, os dois processos de venda têm em comum uma coleção de números gigantescos. Mas há outras semelhanças. No início do ano passado, o ex-senador Antonio Carlos Magalhães fez uma acusação pesada a respeito da privatização das teles. Segundo ACM, teria havido irregularidade na venda de uma delas. Ele contou que o consórcio Telemar, que explora a telefonia fixa em dezesseis Estados, do Rio de Janeiro ao Amazonas, teria feito um acerto para pagamento de 90 milhões de reais para levar o negócio. A acusação nunca foi comprovada. Agora, ficou-se sabendo que pedido semelhante de comissão pode ter ocorrido também no processo de venda da Vale. O valor é menor, 15 milhões, mas a história é igualmente grave. Nos dois casos, as denúncias recaem sobre uma mesma pessoa: o ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira, que atuou no passado como um dos arrecadadores de fundos do alto tucanato.

A informação do novo pedido de dinheiro tem como origem o empresário que liderou a compra da Vale e se tornou presidente do conselho de administração da companhia, Benjamin Steinbruch, do grupo Vicunha, que hoje controla a Companhia Siderúrgica Nacional, um colosso com faturamento anual de 3,3 bilhões de reais. Depois de arrematar a Vale, Steinbruch andou se queixando do comportamento ético de Ricardo Sérgio e contou a história a mais de um interlocutor. O pedido de dinheiro teria sido o preço cobrado por Ricardo Sérgio, sempre segundo o relato feito por Steinbruch a terceiros, para que fosse montado em torno dele, Steinbruch, o consórcio que venceu o leilão. VEJA conversou com dois empresários que ouviram o relato de Steinbruch. “Ele me disse que se sentia alvo de um achaque”, conta um dos empresários. O outro, que trabalha no setor financeiro, diz algo semelhante: “Naquele tempo, Benjamin andava por aí feito barata tonta, sem saber se pagava ou não”, afirma. Na semana passada, VEJA obteve depoimentos formais que confirmam a história. A particularidade desses depoimentos é que eles são dados por expoentes da política brasileira. Um deles é de Luiz Carlos Mendonça de Barros, que presidiu o BNDES durante o processo de venda da Vale, e depois assumiu o Ministério das Comunicações. Acabou perdendo o emprego quando estourou o escândalo das fitas da privatização das teles. A outra autoridade é o ministro da Educação, Paulo Renato Souza. Ambos são tucanos.

As versões de Mendonça de Barros e Paulo Renato são semelhantes. E chamam a atenção para aspectos significativos da conversa de Benjamin Steinbruch. De acordo com o relato do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, Steinbruch visitou-o em seu apartamento e, no escritório usado para leitura, disse-lhe ter combinado o pagamento de uma comissão para Ricardo Sérgio. A comissão seria uma espécie de “remuneração” pelo trabalho que o diretor do Banco do Brasil teve para reunir os fundos de pensão estatais em torno de seu consórcio. Steinbruch contou que vinha sendo pressionado para pagar o que devia, os 15 milhões. Mendonça de Barros não lembra se eram 15 milhões de reais ou de dólares. “Mas naquele tempo não fazia diferença por causa da cotação, que era próxima”, diz o ex-ministro. Essa revelação foi feita a Mendonça de Barros por Benjamin Steinbruch em 1998, cerca de um ano após a privatização da Vale. Ao ser informado sobre a cobrança de comissão, Mendonça de Barros quis ficar longe da história. “Ô Steinbruch, eu não quero me envolver nesse assunto. Não é da minha área”, disse o ex-ministro a Steinbruch. Dias depois, durante uma audiência, Mendonça de Barros relatou o episódio ao presidente Fernando Henrique. Conforme relatou a VEJA na semana passada, ouviu como resposta o seguinte: “Eu não sei nada disso e acho que você fez muito bem em não se envolver nesse assunto”. FHC não se lembra de ter mantido essa conversa com Mendonça de Barros. “Não me recordo de ter mantido esse diálogo”, comentou na sexta-feira passada FHC por meio de um assessor.

Paulo Renato ouviu o depoimento de Steinbruch durante um almoço pedido pelo ministro e ocorrido também em 1998. Paulo Renato queria que a Vale do Rio Doce patrocinasse um programa do governo. Na versão do ministro da Educação, Benjamin Steinbruch contou-lhe que Ricardo Sérgio pediu dinheiro em nome de tucanos. De acordo com Paulo Renato, Steinbruch não especificou quem seriam esses tucanos. “Nem me disse, tampouco eu perguntei”, afirma o ministro. De acordo com Paulo Renato, Steinbruch lhe disse ter checado se Ricardo Sérgio falava mesmo em nome de tucanos. Como foi feita a checagem? Steinbruch, segundo Paulo Renato ouviu do empresário, fez chegar uma consulta ao presidente Fernando Henrique. “Como resposta, segundo suas palavras, Steinbruch ouviu que o governo não tinha nada a ver com aquilo e que ele não deveria pagar.” Ao ouvir a história, o ministro da Educação informa que não tomou nenhuma atitude de ordem prática, como avisar a Polícia Federal, por exemplo, ou o Ministério Público. E ele explica o fundamento de sua decisão: “Quando Steinbruch me contou o que se passara, referia-se a um assunto resolvido. Ele não pagou nada. Portanto, do ponto de vista da administração pública ou do PSDB, não fui informado da ocorrência de crime”, afirma Paulo Renato.

Paulo Renato e Mendonça de Barros não se recordam do mês em que essa conversa ocorreu. Ricardo Sérgio ficou no governo até novembro daquele ano e não foi afastado do cargo que ocupava no Banco do Brasil num processo isolado. Continuou a despachar normalmente. Acabou demitido naquele mesmo ano, após o vazamento das fitas da privatização das teles. Saiu no mesmo pacote de afastamentos que levou Mendonça de Barros e o presidente do BNDES, André Lara Resende. Na semana passada, VEJA procurou o ex-diretor Ricardo Sérgio e o entrevistou sobre a acusação de que teria pedido propina na privatização da Vale. Eis um trecho da conversa:

Veja – A revista VEJA publicará em sua próxima edição a informação de que o empresário Benjamin Steinbruch esteve com algumas pessoas, entre as quais dois ministros de Estado, e contou que o senhor lhe teria pedido dinheiro durante o processo de privatização da Vale do Rio Doce. Isso aconteceu?

Ricardo Sérgio – É mentira grosseira e leviana. Se ele (Benjamin Steinbruch) lhe falar isso, sai preso da reunião. Vou junto com a polícia e o prendo. Não acredito que ele tenha falado isso.

Veja – Não estou dizendo ao senhor que ele falou isso para mim, mas para outras pessoas.

Ricardo Sérgio – É mentira.

Veja – O que o senhor está desmentindo: que ele tenha dito isso a quem quer que seja ou que o senhor tenha pedido dinheiro a ele?

Ricardo Sérgio – Que eu tenha pedido dinheiro a ele. Isso é mentira. Se ele falou isso para alguém, cometeu um ato irresponsável.

Veja – O senhor nunca tratou desse assunto com ele, nem durante nem após o processo de privatização da Vale do Rio Doce?

Ricardo Sérgio – Não tratei, não pedi dinheiro. A resposta é não.

VEJA também procurou o empresário Benjamin Steinbruch para entrevistá-lo sobre a história da comissão. Depois de ser apresentado ao conteúdo da reportagem, o empresário declarou o seguinte: “Não houve nenhum pagamento que não observasse as regras da lei e do edital. Eu não admitiria nenhuma coisa diferente. Não ando por caminhos tortos”. Perguntado em seguida não sobre o pagamento, mas sobre a existência de um pedido de propina, Steinbruch respondeu diferente: “Não vou fazer comentários a respeito desse assunto”.

A privatização da Vale do Rio Doce tinha uma importância econômica inegável, mas representava também um marco político. Afinal, o governo estava colocando à venda não uma estatal qualquer, mas a Vale, considerada, ao lado da Petrobras, um símbolo de empresa estatal eficiente. O Palácio do Planalto queria que o leilão fosse igualmente simbólico, modelar. E surgiu uma preocupação quando ficou claro que apenas um consórcio, liderado pelo empresário Antônio Ermírio de Moraes, da Votorantim, um dos maiores grupos empresariais do Brasil, se formara para comprar a companhia. Sem concorrência, o preço da Vale poderia não alcançar o mesmo patamar que decorreria de uma disputa acirrada entre adversários no leilão. Tomou-se, então, no governo, a decisão de organizar um segundo consórcio, ou seja, resolveu-se fabricar concorrência, criar uma disputa para elevar ao máximo o valor da venda da Vale.

Até o início de 1997, ano do leilão, reuniam-se em torno de Antônio Ermírio o Bradesco e ele, Benjamin Steinbruch. Em fevereiro daquele ano, ocorreu uma cisão. Steinbruch não gostou de saber que Ermírio estava negociando uma parceria com a sul-africana Anglo American, a maior mineradora do mundo. Com receio de ficar em posição secundária no consórcio, Steinbruch rompeu com Ermírio e se desligou do grupo, levando consigo o Bradesco. Foi aí que entrou em cena o diretor do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio, que havia recebido do Palácio do Planalto a instrução de montar um segundo consórcio. O empresário escolhido para liderá-lo foi justamente Benjamin Steinbruch. Batizado de Consórcio Brasil, foi concebido em cinco semanas e concluído um mês antes do leilão.

Steinbruch atraiu uma meia dúzia de bancos e empresas para seu lado, mas foi Ricardo Sérgio quem deu ao grupo o gás necessário para enfrentar a disputa com o grupo liderado por Antônio Ermírio. O segredo dessa força tem nome. Chama-se fundo de pensão das estatais. Graças a Ricardo Sérgio, ficaram com Steinbruch três dos maiores fundos de pensão. O fundo dos empregados do Banco do Brasil (Previ), o fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal (Funcef) e o fundo de pensão dos empregados da Petrobras (Petros), além de outros menores. Os fundos estatais entraram com 39% do capital da Vale privatizada. Para isso, investiram 834 milhões de reais na compra. A cobrança de propina teria sido feita para remunerar essa tarefa. Foram necessários apenas cinco minutos para que o Consórcio Brasil arrematasse o equivalente a 41,73% das ações da Vale. A estatal foi vendida com um ágio de 20% sobre o preço mínimo. Steinbruch foi nomeado presidente do conselho de administração da Vale, cargo que ocupou até maio de 2000, quando foi afastado por decisão dos sócios.

Ricardo Sérgio não caiu de pára-quedas no chamado ninho tucano. Ele foi apresentado a José Serra e a Fernando Henrique Cardoso pelo ex-ministro Clóvis Carvalho. Em 1990, José Serra candidatou-se a deputado federal e não tinha dinheiro para fazer a campanha. Clóvis Carvalho destacou quatro pessoas para ajudá-lo na coleta. Um deles era Ricardo Sérgio. Em 1994, Serra se candidatou ao Senado por São Paulo, e Ricardo Sérgio voltou a ajudá-lo como coletor de fundos de campanha. A última disputa da qual Serra participou foi para a prefeitura de São Paulo, em 1996. Depois, o senador não mais concorreu em nenhuma outra eleição, até a deste ano. Ricardo Sérgio também foi uma das pessoas acionadas para arrecadar contribuições para a campanha presidencial de Fernando Henrique Cardoso, em 1994. O mesmo aconteceu na reeleição de FHC, em 1998. Na função de coletor de contribuições eleitorais, Ricardo Sérgio era muito bem-sucedido.

Tome-se a campanha de José Serra para o Senado, em 1994. Coube a Ricardo Sérgio conseguir uma doação milionária do empresário Carlos Jereissati, do grupo La Fonte e um dos donos da Telemar. Jereissati é amigo de Ricardo Sérgio desde os anos 70. A pedido de Ricardo Sérgio, Jereissati lhe entregou o equivalente a 2 milhões de reais. “Foram quatro ou cinco prestações, não me lembro exatamente”, afirmou Jereissati a VEJA. Na lista oficial de doadores do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo não há registro de doação desse valor feita por Jereissati a Serra em 1994. Constam três doações de empresas do grupo La Fonte: uma no dia 11 de julho, de 15.000 reais, outra em 9 de agosto, de 30.000 reais, e uma terceira em 27 de setembro, de 50.000 reais. Ou seja, os 2 milhões saíram do cofre de Jereissati e não chegaram ao registro oficial das arrecadações de Serra. Outro exemplo da eficiência arrecadatória de Ricardo Sérgio. Em 1998, ele teve uma conversa com os sócios do consórcio Telemar e obteve a segunda maior doação da campanha da reeleição de FHC. De acordo com os dados do Tribunal Superior Eleitoral, o Itaú foi o maior doador daquele ano, com 2,6 milhões de reais. Dois sócios da Telemar, o grupo Inepar e o La Fonte, deram juntos 2,5 milhões.

Como é natural na formação das equipes de governo, pessoas que trabalham nas campanhas acabam sendo convidadas a ocupar postos na administração pública. A qualidade do cargo está relacionada à importância do correligionário, mas leva em conta a formação profissional e o passado do candidato ao emprego. Ricardo Sérgio, de 56 anos, é economista, com pós-graduação na Fundação Getúlio Vargas. Atuou no mercado financeiro e tem experiência internacional. Morou dois anos em Nova York, trabalhando pelo Citibank. O convite para o cargo em Brasília veio de Clóvis Carvalho. José Serra endossou a escolha. Foi indicada para Ricardo Sérgio a diretoria da área internacional e comercial do Banco do Brasil. Ele começou a trabalhar em 1995 e era o único diretor não escolhido pelo presidente do banco, Paulo César Ximenes. No dia-a-dia, o diretor mantinha uma atuação de espectro amplo. No Palácio do Planalto, costumava resolver problemas com o ex-secretário-geral da Presidência da República Eduardo Jorge Caldas Pereira, com quem falava sobre política. Na Previ, não apenas orientava decisões como também nomeou um dos pilares da instituição, o responsável pela direção de investimentos. O escolhido foi João Bosco Madeiro da Costa, com quem havia trabalhado na iniciativa privada. A intimidade dos dois era tão grande que costumavam tratar-se por “boneca” ao telefone.”

Ah, não, não é uma reportagem da Carta Capital ou do blog do Nassif.  É da Veja, em maio de 2002.

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Não vou entrar na discussão Agnelli vs Eike porque não tenho dados a respeito.  Até porque, como mostrei, há muita hipocrisia nas críticas.

Me interessa, porém, a discussão principial: o Estado deve intervir na atividade econômica?

Vejamos: o que o início da aviação comercial, por exemplo, teria a dever ao Estado?  A Enciclopédia Britânica nos conta uma historinha:

From airmail to airlines in the United States

Although the American experience sometimes reflected European trends, it also demonstrated clear differences. Under the auspices of the U.S. Post Office, an airmail operation was launched in 1918 as a wartime effort to stimulate aircraft production and to generate a pool of trained pilots. Using Curtiss JN-4H (“Jenny”) trainers converted to mail planes, the early service floundered. After the war, shrewd airmail bureaucrats obtained larger American-built De Havilland DH-4 biplanes with liquid-cooled Liberty engines from surplus military stocks. Their top speed of 80 miles (130 km) per hour surpassed the 75 miles (120 km) per hour of the Jenny, allowing mail planes to beat railway delivery times over long distances. By 1924, coast-to-coast airmail service had developed, using light beacons to guide open-cockpit planes at night. Correspondence from New York now arrived on the west coast in two days instead of five days by railway. This savings in time had a distinct impact on expediting the clearance of checks, interest-bearing securities, and other business paper with a time-sensitive value in transfer between businesses and financial institutions.

Having established a workable airmail system and a considerable clientele, the Post Office yielded to congressional pressures and, with the Contract Air Mail Act of 1925, turned over the mail service to private contractors.”

Na verdade, há um belo livrinho mostrando como o governo americano deu uma boa mãozinha no nascente mercado da aviação e da aeronáutica _ muito, muito antes do Projeto Apolo:

Conventional wisdom credits only entrepreneurs with the vision to create America’s commercial airline industry and contends that it was not until Roosevelt’s Civil Aeronautics Act of 1938 that federal airline regulation began.

In Airlines and Air Mail, F. Robert van der Linden persuasively argues that Progressive republican policies of Herbert Hoover actually fostered the growth of American commercial aviation. Air mail contracts provided a critical indirect subsidy and a solid financial foundation for this nascent industry. Postmaster General Walter F. Brown used these contracts as a carrot and a stick to ensure that the industry developed in the public interest while guaranteeing the survival of the pioneering companies.

Bureaucrats, entrepreneurs, and politicians of all stripes are thoughtfully portrayed in this thorough chronicle of one of America’s most resounding successes, the commercial aviation industry.

Bem, seria ocioso prosseguir com os exemplos, que podem ser encontrados, aliás, em praticamente todas as indústrias onde hoje os EUA têm uma grande vantagem competitiva.

O ponto é o seguinte: se até os EUA, o país em que anaeróbicos (e mesmo alguns não tão anaeróbicos) vislumbram um paraíso empresarial parido pela livre iniciativa e pelo Estado Mínimo, tem na verdade uma história de concertação de interesses entre a máquina estatal e o empresariado, então porque raio de motivo essa discussão deveria ser bloqueada no Brasil, a princípio?

Do blog do Gideon Rachman no FT:

Chomsky banned in Guantanamo

October 14, 2009 1:05pm

An interesting little item here, on the banning of the works of Noam Chomsky from the prison library at Guantanamo Bay. One has to wonder about the mentality of the Pentagon lawyer, who was trying to obtain a copy of Chomsky for one of the detainees he is representing. Maybe his job at Guantanamo has led him to entertain all sorts of subversive thoughts?

Chomsky predictably interpets the ban on his work as further evidence that the US is slipping towards totalitarianism. But I see it another way. Obama has said that he is banning the use of torture on prisoners at Guantanamo. Subjecting them to the works of Noam Chomsky is clearly incompatible with the torture ban.”

Um detalhe pitoresco da matéria original do Miami Herald:

Library staff have since 2005 described the Harry Potter series as a borrowing bestseller among the mostly devout Muslim population — and shown off translated versions in the stacks that separate Arabic from Urdu, French from Farsi and cover more than a dozen languages.” [grifo meu]

Harry Potter.  Bah.

Vai ver é por causa disso.   :)

A indústria republicana do Vodu deve estar à toda:

EE.UU. GENTE

Empresa americana lança boneca de Michelle Obama

AgeofConsent

Achei uma matéria que é, talvez, a melhor defesa do Polanski que já vi até agora:

Were Polanski to have consensual sex today with a 13-year-old girl in the modern, democratic, industrialized nations of Japan, South Korea, or Spain, it would be perfectly legal according to those countries’ codes. In more than 30 other countries, including Austria, Italy, and Lichtenstein, the age of consent is 14 (in many cases even younger if both partners are close in age). In France, where Polanski has lived since his conviction and where newspapers and even government officials have defended the director against the “sinister” motivations of American prosecutors, it is 15. Even Americans don’t agree on the question. In 27 states, it is legal for an adult of any age to have sex with a 16-year-old, while the rest place the legal age at 17 or 18.”

É um argumento, mas apela para noções de extraterritorialidade.  Nesse particular, continuo achando que Polanski deve encarar seu julgamento, uma vez que a lei da terra é a lei da terra, uai.

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No entanto não deixa de ser interessante ver quais países compartilham o amarelinho ali no mapa.  Quem diria.

(*) copirráite Samurai

censura

O Guardian sob censura!

Guardian gagged from reporting parliament

Guardian has been prevented from reporting parliamentary proceedings on legal grounds which appear to call into question privileges guaranteeing free speech established under the 1688 Bill of Rights.

Today’s published Commons order papers contain a question to be answered by a minister later this week. The Guardian is prevented from identifying the MP who has asked the question, what the question is, which minister might answer it, or where the question is to be found.

The Guardian is also forbidden from telling its readers why the paper is prevented – for the first time in memory – from reporting parliament. Legal obstacles, which cannot be identified, involve proceedings, which cannot be mentioned, on behalf of a client who must remain secret.

The only fact the Guardian can report is that the case involves the London solicitors Carter-Ruck, who specialise in suing the media for clients, who include individuals or global corporations.

The Guardian has vowed urgently to go to court to overturn the gag on its reporting. The editor, Alan Rusbridger, said: “The media laws in this country increasingly place newspapers in a Kafkaesque world in which we cannot tell the public anything about information which is being suppressed, nor the proceedings which suppress it. It is doubly menacing when those restraints include the reporting of parliament itself.”

The media lawyer Geoffrey Robertson QC said Lord Denning ruled in the 1970s that “whatever comments are made in parliament” can be reported in newspapers without fear of contempt.

He said: “Four rebel MPs asked questions giving the identity of ‘Colonel B’, granted anonymity by a judge on grounds of ‘national security’. The DPP threatened the press might be prosecuted for contempt, but most published.”

The right to report parliament was the subject of many struggles in the 18th century, with the MP and journalist John Wilkes fighting every authority – up to the king – over the right to keep the public informed. After Wilkes’s battle, wrote the historian Robert Hargreaves, “it gradually became accepted that the public had a constitutional right to know what their elected representatives were up to“.

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E eu que pensava que coisas assim só aconteciam com jornais de alta credibilidade como o Estadão, em países que são repúblicas de bananas…

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Enquanto isso, em uma galáxia muito distante…

DESEMBARGADORES DO TJ REJEITAM RECURSO E MANTÊM CENSURA AO ‘ESTADO’

Brasília, 13 – O jornal O Estado de S. Paulo continua sob censura. Os desembargadores do Conselho Especial do TJ rejeitaram hoje um recurso no qual era contestada a manutenção da liminar que impede a publicação de reportagem sobre a operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que investigou o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Ao contrário do ocorrido nos julgamentos anteriores, a discussão de hoje foi aberta. Dois desembargadores do tribunal questionaram o fato de o julgamento não ter sido sigiloso, como nas outras oportunidades. A explicação foi a de que o TJ estava seguindo uma determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que exerce o controle externo do Judiciário e que nesta semana está fazendo uma inspeção no tribunal do Distrito Federal. Em setembro, o corregedor nacional de Justiça, Gilson Dipp, pediu explicações ao TJ sobre os julgamentos secretos.

Na votação de hoje, os desembargadores confirmaram decisão tomada em setembro pelo Conselho Especial que afastou do processo o desembargador Dácio Vieira, autor da decisão que censurou o jornal. Mas o Conselho manteve a censura. Os desembargadores também decidiram rejeitar um pedido para que Dácio Vieira fosse obrigado a pagar as custas do recurso no qual ele foi considerado suspeito para continuar a atuar como relator. Essas custas são estimadas em R$ 38. Esse pagamento está previsto no Código de Processo Civil.”

O UOL nos informa de mais um editorial com elogios ao Brasil em um jornal argentino:

Lula projeta Brasil a ‘líder regional e ator global de 1ª ordem’, diz jornal argentino

O jornal argentino “La Nación” afirma em seu principal editorial desta segunda-feira que, enquanto a Argentina perde espaço e importância no cenário internacional, o Brasil se consolida como “líder regional e ator global de primeira ordem”.

O texto, intitulado “Brasil, nas grandes ligas”, atribui o resultado ao trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que por sua vez seguiu a “via das políticas de Estado (…) traçadas nos oito anos anteriores pelo presidente Fernando Henrique Cardoso”.

Os editorialistas fazem sua análise a partir do que chamam de “dois troféus” aquinhoados por Lula em sua recente viagem à capital dinamarquesa, Copenhague: a eleição do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 e o apoio da União Europeia ao modelo brasileiro de combate ao desmatamento, que será apresentado na mais importante reunião sobre o clima do ano, que ocorre em dezembro, também em Copenhague.

Sobre a escolha do Rio como sede olímpica, o jornal avalia que a atuação brasileira na disputa, apartidária, mostrou uma “formidável imagem de como se defende o interesse nacional”. O “La Nación” sugere que, se Buenos Aires tivesse sido candidata, “aversões pessoais” entre os políticos argentinos impediriam uma postura semelhante.

Para o jornal “não é novidade que o Brasil, pelo carisma e o impulso de seu presidente, jogue nas grandes ligas”.

“A novidade é que, em meio a sérios problemas de desigualdade e de corrupção ainda não resolvidos, Lula tenha conseguido projetar seu país como um líder regional que não admite essa definição, ainda que saiba que esta cada vez mais perto de sê-lo.” Exemplos dessa projeção são o diálogo de Lula com o presidente americano, Barack Obama, “enquanto Cristina Kirchner, ainda não consciente de que todos os seus ataques contra Bush se traduzem de forma imediata em Washington como ataques contra os Estados Unidos, não teve ocasião de dialogar senão em breves intervalos de cúpulas internacionais com Obama”.

O jornal observa que “em 2011 terminará o segundo período de Lula”. “Terminará também esta tendência? Não. Definitivamente não. Em 2014 o Brasil será sede do campeonato mundial de futebol; em 2016, o Rio de Janeiro receberá os atletas.” Os editorialistas tentam explicar por que, apesar da crise, “o Brasil recebe investimentos diretos em maior volume que a Argentina” e tem recursos para emprestar ao FMI, e por que “em cada cúpula da Unasur (o grupo de países sul-americanos), os olhares apontam para Lula e os ouvidos esperam suas reflexões”.

“Talvez porque, no plano político, os escândalos de corrupção nunca terem lançado dúvidas sobre Lula; porque ele cumpriu sua palavra empenhada sem desmerecer às instituições nem às pessoas que pensam diferente; e porque nunca teve a estranha idéia de construir um trem bala onde falta comida.“”

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Essa última referência, ao trem bala, me pareceu um tanto enigmática; creio que se refere ao trem bala argentino, previso para ligar Buenos Aires a Córdoba, passando por Rosario.

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Fico me perguntando o quanto disso se deve a) à personalidade de Lula; b) às políticas de Lula; c) meramente ao tamanho do Brasil.

Eu acredito que 90% deva-se a uma mescla de a) e b).

Duas boas do Tio Rei hoje:

Uma:

Bem, a palavra do MST tem a credibilidade que tem. Mas lembro que Claudete Pereira de Souza, coordenadora do MST, que comandou a invasão, respondeu o seguinte quando indagada sobre a destruição da plantação: “Não se pode viver só de laranja”.

Convenham: o MST não é diferente do partido de Lula. Uma tal “Juventude do PT”, como se isso não fosse uma contradição em termos, divulgou hoje uma nota em que acusa os inimigos do governo – provavelmente os “reacionário” – de responsáveis pelas lambanças do Enem.”

Como assim?  Tá certo, não sei como é a política estudantil hoje em dia _ embora constate que para Tio Rei ela pareça não passar de braço do PT _ mas será que Tio Rei pensa que uma “juventude do PSDB” ou “juventude do DEM” é algo assim, natural?

Duas:

Espantoso um artigo que João Sicsú, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea e professor do Instituto de Economia da UFRJ, escreveu no jornal Valor Econômico, que é uma espécie de Granma do PT. O Brasil tem jabuticaba, pororoca e um jornal de economia que é de esquerda – nem que seja a esquerda petista.”

Logo vi.  É por isso que o comunista do Sergio Leo trabalha lá, pra não falar do Oliveira, aquele canalha cujo nome verdadeiro certamente é Ivan alguma coisa.

Fiquei preocupado, pensando no tipo de imprensa que deve praticar um jornal para que Tio Rei não o considere “de esquerda“…

Tio Rei encerra o post com chave de ouro:

Para certos acadêmicos brasileiros, o homem é seu emprego.”

Para certos “reservoir dogs“, também.

Tio Rei tasca matéria do Estadão lá no blogue dele:

Governo inicia ofensiva contra Lei de Licitações

Na tentativa de evitar que a fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU) continue a paralisar obras e para imprimir maior agilidade ao processo burocrático das licitações, o governo decidiu investir em duas frentes, enquanto aguarda o desejado acordo com os setores empresariais, jurídicos e políticos, que poderá dar rapidez aos projetos do pré-sal, da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016.

Ambas as iniciativas impõem limites à fiscalização do TCU. A primeira, já introduzida pelo Congresso na Lei das Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2010, determina que a partir do ano que vem o órgão não poderá mais paralisar obras sem o consentimento do Congresso; a segunda está prevista na reforma da Lei de Licitações (Lei 8.666/93), que já tem acordo e poderá ser votada pelo plenário do Senado a partir da semana que vem. As duas são patrocinadas pelo Planalto. Relator do projeto que reforma a lei, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), por orientação do Ministério do Planejamento, adaptou o texto ao gosto do governo e estabeleceu que o prazo máximo das medidas cautelares do TCU, que muitas vezes têm o condão de paralisar obras, será de 90 dias. Hoje, não há prazo. Esse reforço na Lei das Licitações se deve à conclusão do governo de que, mesmo havendo dispositivo estabelecendo o veto à suspensão das obras por parte do TCU, na prática será difícil impedir que a fiscalização as paralise.”

OK, temos aqui um recuerdo de Ypacaraí.  Texto de Luiz Carlos Bresser Pereira, Ministro da Reforma do Estado, que saiu na Gazeta Mercantil em setembro de 1996.  Sua salva inicial:

O governo federal está terminando um novo projeto de lei de licitações. A atual lei, 8.666, é recente, mas hoje já existe uma quase unanimidade nacional de que precisa, com urgência, ser profundamente mudada, senão substituída por uma lei nova. Por que falhou a 8.666? Essencialmente, porque, ao adotar uma perspectiva estritamente burocrática, ao pretender regulamentar tudo tirando autonomia e responsabilidade do administrador público, atrasou e encareceu os processos de compra do Estado e das empresas estatais, sem garantir a redução da fraude e dos conluios.

Continua:

Seu erro fundamental foi ter concentrado toda a sua atenção na tarefa de evitar a corrupção, através de medidas burocráticas estritas, sem preocupar-se em baratear as compras do Estado, nem permitir que o administrador público tome decisões. Partiu-se do pressuposto de que todo servidor público é corrupto e assim foi-lhe retirada qualquer capacidade de negociação, deixando tudo por conta da lei. Reduziu-se assim o espaço do administrador eventualmente corrupto, mas a um custo altíssimo: tornou quase impossível que administrador honesto – que é a maioria – faça a melhor compra para o Estado.”

Não sei porque, naquela época os jornais não falaram em “ofensiva contra a Lei de Licitações”.  Ofensiva, aliás, bem sucedida, resultando na Lei 9.648 de maio de 1998, que alterou a 8.666 (a Lei de Licitações), com os jamegões de:

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Pedro Malan
Eliseu Padilha
Raimundo Brito
Paulo Paiva
Luiz Carlos Mendonça de Barros
Luiz Carlos Bresser Pereira

Bom, pelo menos levou o prêmio de consolação.  :)

***

É um Nobel fortemente político, pois é um tanto estranho conceder um prêmio por “his extraordinary efforts to strengthen international diplomacy and cooperation between peoples” a um Presidente que sequer completou um ano de governo.

Matéria de ontem no Estadão, sobre matéria do NYT falando sobre o lobby hondurenho nos EUA:

Micheletti conseguiu pressionar EUA a seu favor, diz jornal

‘New York Times’ diz que lobby do governo de facto pode influenciar até escolha do embaixador no Brasil

NOVA YORK – O governo de facto de Honduras lançou uma campanha para fazer lobby junto a senadores e ao Departamento de Estado dos EUA e aparentemente tem conseguido fazer com que os americanos apoiem Roberto Micheletti, informou nesta quinta-feira, 7, o jornal americano The New York Times.

(…)

O artigo publicado na primeira página do diário afirma que o plano “teve o efeito de obrigar o governo americano a enviar sinais contraditórios” sobre sua posição em relação ao governo de facto em Honduras e deve até influenciar a escolha do embaixador americano no Brasil.

(…)

Além de Reich, outro alto funcionário dos EUA, Daniel Fisk, convocou reunião com senadores e o Departamento de Estado poucos dias após o golpe. Funcionários do Congresso disseram que Fisk elaborou uma lista de pontos a serem discutidos no Senado, como a nomeação de Thomas A. Shannon, secretário-assistente de Estado, para embaixador dos EUA no Brasil. Os americanos consideram o País o líder para as questões latino-americanas. Fisk, entretanto, negou o fato.” [grifo meu]

O que diz a matéria do NYT?

(…) [the hondurean campaign] has also drawn support from several former high-ranking officials who were responsible for setting United States policy in Central America in the 1980s and ’90s, when the region was struggling to break with the military dictatorships and guerrilla insurgencies that defined the cold war. Two decades later, those former officials — including Otto Reich, Roger Noriega and Daniel W. Fisk (…)

As is often the nature of lobbying, some messages have been sent without any names attached. Floating around Senate offices in the last few weeks, for example, was a list of talking points aimed at undermining the nomination of Assistant Secretary of State Thomas A. Shannon as ambassador to Brazil. Two Congressional aides, who requested anonymity to speak candidly about matters related to the coup, said that Mr. Fisk wrote the talking points.

Mr. Fisk denied having done so. He also dismissed the notion that he was operating from an old playbook. “Someone else may be fighting over the ’80s,” he said. “I’m not.””

Logo:

a) Sim, o governo golpista hondurenho contratou um lobby em Washington.  Isso não tem nada demais, é só passear pela K Street com uma mala cheia de dinheiro.

b) Sim, o governo golpista hondurenho contratou ex-funcionários do governo, principalmente “political aides” do Bush pai.

c) Um desses EX-FUNCIONÁRIOS, Daniel Fisk, que serviu sob Bush filho, aparentemente andou pelos gabinetes dos senadores levando uma lista de pontos para a sabatina do provável candidato a embaixador no Brasil.

d) Logo, não é verdade, como diz a matéria do Estadão, que um alto funcionário do atual governo americano tenha levado uma “lista de pontos para ser discutida no Senado”.  Daniel Fisk, pelo seu currículo, nunca foi funcionário concursado mas sim um “political appointee“, alguém que faz carreira em cargos comissionados de livre provimento, e atualmente é um operador ligado a think tanks conservadores que está apenas alimentando alguns senadores com uma lista de perguntas possivelmente talhadas para embaraçar o candidato a embaixador, no provável intuito de torpedear sua nomeação para a embaixada no Brasil.

Pode não ser por má fé que o Estadão faz estas coisas, mas com certeza é por mau jornalismo.

2008-07-14-il-presidente-berlusconi-puritanical-view

E alguém lá quer ver alguma coisa??

Deu no Estadão:

“‘Vou mostrar aos italianos do que sou feito’, diz Berlusconi

Premiê italiano perdeu sua imunidade e terá que enfrentar acusações de corrupção e fraude tributária

Berlusconi afastou a possibilidade de renúncia e disse que cortes que irão julgá-lo são ‘uma farsa’ ROMA – O premiê italiano Silvio Berlusconi disse que irá à TV e aos tribunais para provar que as acusações de corrupção e fraude tributária contra ele são falsas.

Ele também desafiou os tribunais que retomarão os julgamentos dos dois processos, após uma lei aprovada em 2008 que garantia imunidade a ele ter sido revogada nesta quarta-feira, 7, pelo Tribunal Constitucional da Itália.

“Essas duas cortes são risíveis, são uma farsa que eu irei revelar aos italianos indo à TV”, disse. “Me defenderei nos tribunais e levarei meus acusadores ao ridículo. Vou mostrar aos italianos do que eu sou feito”, afirmou.”

O Berluca também gosta de chamar os juízes de “esquerdistas”, qui nem que o Micheletti faz pra designar de quem ele não gosta.

***

Aí eu fui ver, né, se o Tio Rei fala mal de Berlusconi.  Pô, ele fala tão mal de Lula, um cara cujos resultados para o país são esses aí, então tem que falar um pouquinho mal do Berlusca.

Mas, er, ele o celebra.   Isso quando não tem medinho dele

Fato 1:

O vetusto Foreign Policy publica um elogio desmesurado ao chanceler Celso Amorim.   Sequer vou entrar no mérito de saber se esse elogio é merecido ou não, por enquanto.

Fato 2:

Reinaldo Azevedo se rasga de despeito:

AMORIM, O MAIOR MENOR DESDE O TRATADO DE TORDESILHAS

quinta-feira, 8 de outubro de 2009 | 6:23

“Ah, você viu o que diz o site da Foreign Policy? Celso Amorim é chamado de o ‘maior ministro das Relações Exteriores do mundo’. E agora? O que você vai dizer?”

Petralha adora um reconhecimento “internacional”, não é? Antigamente, “deu no New York Times” era uma forma de as esquerdas fazerem pouco da imprensa imperialista…

É mesmo?  Que provinciano.  Bom, ele finaliza com fecho de ouro:

Quanto à turba… Eu estou me lixando para o que a Foreign Policy diz de Amorim. O New York Times não conseguiu me convencer das qualidades excepcionais de Obama… E acho que estou mais certo a cada dia.

“Você viu o que disse a Foreing Policy???” Ah, tenham piedade! Diante de qualquer publicação estrangeira, petralha parece capiau usando calça nova em dia de quermesse.” [grifo meu]

Hummmm…sei.  Vejamos:

Fato 3:

Entretanto, há menos de um mês, Tio Rei escreveu o seguinte:

EDITORIAL DO WSJ RESPONSABILIZA EUA POR IMPASSE E DEFENDE QUE ZELAYA SE ENTREGUE

quarta-feira, 23 de setembro de 2009 | 18:26

Nem tudo está perdido. Editorial do Wall Street Journal põe as coisas no seu devido lugar. Segue o texto original em azul. O jornal diz o óbvio: dado o quadro, a única solução, que evita a violência, é Zelaya se entregar às autoridades do seu país, para que seja julgado. Vocês verão que o jornal, de fato, atribui aos EUA a responsabilidade pelo impasse. E está certo. Um texto como este do WSJ é quase impossível na grande imprensa brasileira. É que somos muito plurais, entendem?” [grifo meu]

Pois é.  Como é mesmo?  “Diante de qualquer publicação estrangeira, blogueiros anaeróbicos parecem capiaus usando calça nova em dia de quermesse“.

Segue-se a matéria do WSJ, traduzida pelo Tio Rei que na pressa nem percebeu ter escrito o seguinte:

Zelaya e seus seguidores estão agitados. Tomaram a embaixada brasileira e portam coquetéis Molotov. E de lá conclamam: restituição ou morte. Micheletti anunciou o toque de recolher, mas os seguidores de Zelaya resistiram. E Honduras está num impasse.”

Tomaram a embaixada brasileira?  Mas tudo não foi feito com a conivência sinistra de Celso Amorim??

***

Para Tio Rei, o problema não é lamber botas, mas sim lamber as botas certas.   No caso, lamber as botas do jornal que defendeu as maluquices da banca até o último minuto antes da crise deve ter algum appeal.

Tio Rei às vezes me lembra aquela velha piada sobre Churchill que termina assim: “Que você é uma prostituta já concordamos, agora só estamos discutindo o preço“.

Do Elio Gaspari, na Folha de hoje:

EREMILDO, O IDIOTA

Eremildo é um idiota e alistou-se nas brigadas internacionais de combate ao bolivarianismo. (Ele não sabe o que isso quer dizer, mas também não conhece quem saiba.) O idiota entende que são bolivarianos os presidentes Hugo Chávez, Evo Morales e Rafael Correa. Todos mexeram na Constituição para prorrogar suas permanências no poder, ad referendum de resultados eleitorais.

Ensinaram-lhe que jamais foram bolivarianos os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Carlos Menem, que também mudaram as Constituições de seus países para buscar a reeleição. Por algum motivo, o colombiano Álvaro Uribe, que, pela segunda vez, está fazendo a mesma coisa, também não é bolivariano.

Eremildo é um idiota feliz, mas teme ser internado por conta da última ideia que lhe passou pela cabeça: o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, seria um bolivariano ao defender a mudança da lei da cidade para buscar o direito de disputar o terceiro mandato.”

***

Continuísmo bom é o continuísmo nosso.

***

Tio Rei leu, não gostou e cospe marimbondos.  Ao segundo parágrafo de Gaspari, questiona:

E não foram mesmo! Quem o Idiota pensa que engana? Carlos Menem e FHC não exportaram a sua “revolução”. Nenhum deles criou uma Assembléia Constituinte, em meio a escombros institucionais, para tomar de assalto o Congresso e a ordem legal. O Idiota acredita, pelo visto, que basta fazer uma eleição para legitimar mudanças, como se a consulta popular excluísse o autoritarismo. O Idiota nunca ouvir falar em fascismo? Desse jeito, ainda acaba chamando o Irã de “democracia de massas”… Ele, o Idiota, recorre à trapaça ao tentar identificar os críticos do bolivarianismo como partidários, então, de FHC, Menem ou Uribe, juntando num mesmo saco pardo gatos muito distintos. O Idiota deveria saber que é perfeitamente possível ser um crítico do bolivarianismo, do processo que resultou na reeleição de FHC e da eventual reeleição de Uribe, embora sejam coisas muito distintas. No caso do presidente da Colômbia, sua confusão é espantosamente estúpida: se algum mal afeta hoje a Colômbia, é o mal do isolamento – cercada que está de canalhas esquerdistas e populistas. Se estudar Ceresole e Dieterich, verá que a vocação do bolivarianismo ou do “socialismo do século 21″ é a expansão.” [grifo meu]

Er…vejamos.  Notícia da Gazeta Mercantil, de 03/02/1998:

BRASÍLIA, 3 de fevereiro – O presidente Fernando Henrique Cardoso considera “boa” a proposta do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), que sugere a realização de uma consulta pública junto com as eleições de outubro, para avaliar se a população concorda com uma constituinte exclusiva para promover mudanças de cunho político e fiscal. Segundo o porta-voz da Presidência da República, embaixador Sérgio Amaral, Cardoso não vê por que a consulta pública possa atrapalhar as eleições. De acordo com o porta-voz, Fernando Henrique avalia que não se trata da instalação de uma assembléia constituinte, mas de um dispositivo que permita a redução do quórum para que se aprove uma emenda constitucional. Hoje, a aprovação de uma emenda exige a anuência de dois terços do Congresso Nacional. Com o referendo popular, a aprovação poderia ser aprovada por maioria simples, reduzindo as rodadas de negociação exigidas atualmente para que o governo consiga aprovar matérias mais polêmicas. Quanto ao teor das reformas política e fiscal, Amaral afirmou que isso é “assunto para ser discutido posteriormente”. (Marcos Chagas, do InvestNews/MM)

Matéria do jornal catarinense “A Notícia”, de 30/09/1998:

FHC interessado na proposta

Brasília – O porta-voz do Palácio do Planalto, Sérgio Amaral, disse, ontem, que o presidente Fernando Henrique está interessado em que se “examine a questão” da proposta de convocação de uma miniconstituinte. Segundo ele, Fernando Henrique Cardoso considera “positiva” uma reunião com os governadores para discutir as reformas que serão votadas pelo Congresso.

Amaral disse que já está acertada uma reunião com os líderes partidários para discutir as reformas, embora o presidente também não tenha definido se esta conversa ocorrerá entre o período do primeiro com o segundo turno ou se só após o segundo turno das eleições.

Se prevalecer um entendimento existente no Supremo Tribunal Federal (STF), a convocação de uma assembléia nacional revisora para modificar a Constituição Federal é inconstitucional. Uma ala de ministros do STF acredita que se perdeu a chance de revisar a legislação em 1993, como previa a própria Constituição no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT).

Uma das propostas de convocação de assembléia nacional constituinte, formulada pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), já foi questionada no STF.

Além da proposta de Miro Teixeira, há outra, de autoria do deputado e ex-ministro do Planejamento Antonio Kandir. Ele propõe a convocação de uma assembléia para revisar aspectos tributários e fiscal simultaneamente à análise da reforma política.” [grifo meu]

Mas não foi apenas em 1998 que FHC fez este tipo de proposta.  Em 2001 também _ e para 2003, com o prova esta matéria do Jornal do Brasil:

FH apóia convocação de miniconstituinte

O presidente Fernando Henrique Cardoso não vai virar garoto-propaganda – até porque acredita que esse é um assunto do Legislativo. Mas já mandou orientar parlamentares da base aliada para que estimulem a idéia da convocação de uma miniconstituinte para 2003.

Na tarde de ontem, Fernando Henrique conversou com o presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), e deu sinal verde para que o deputado tucano leve adiante a discussão sobre o tema. Além de mudar (para melhor) o humor político no Congresso, FH acredita que a miniconstituinte pode acelerar, se não todas, pelo menos uma ou duas reformas que prometeu fazer em seus dois mandatos. O presidente gostaria de concluir até o final do seu governo o que prometeu na campanha e até agora não conseguiu viabilizar por falta de entendimento na base aliada.

Negativa – Ontem, o secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, negou que o governo estivesse patrocinando a proposta. Mas, apesar da oposição do principal articulador político do governo, existe uma torcida na equipe do presidente para viabilizar a miniconstituinte. Ministros e assessores econômicos acham impossível votar as reformas tributária, política, e até mesmo do Judiciário, além da regulamentação do Sistema Financeiro Nacional, com um quorum de três quintos exigidos pela Constituição -o que equivale a 308 dos 513 votos da Câmara e 49 dos 81 votos do Senado.

O pacote tributário que o governo está pensando em tentar aprovar até o final do ano, prorrogando a CPMF até o final de 2003, só seria possível com a convocação de uma constituinte. Além da prorrogação da CPMF, a equipe econômica do governo defende também a eliminação do efeito cascata da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e do PIS-Pasep, além da isenção da CPMF para as aplicações em Bolsa de Valores. Mas alguns líderes governistas acham que dificilmente essas propostas serão aprovadas por três quintos.

Reformas isoladas – Outro argumento defendido por lideranças da base aliada para a convocação de uma Constituinte é o de que é mais fácil atualizar a carta de 88 via miniconstituinte do que por meio de reformas isoladas, que acabam transformando a Constituição em “colcha de retalhos“, segundo expressão de um ministro de Estado.

O esforço de FH para costurar a miniconstituinte no Congresso pode esbarrar na própria base aliada. Apesar dos recados, ainda há certa resistência dentro do Congresso. Para o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), por exemplo, o assunto chegou tarde, pois só faltam duas semanas para o início do recesso de julho e dificilmente os parlamentares vão se empolgar com a discussão. “A decisão deve ser discutida pela Executiva (do PFL). Não quero me antecipar“, escapou Bornhausen ontem.” [grifo meu]

***

Como se vê, o ex-Presidente Fernando Henrique não apenas apoiou a idéia de uma constituinte do seu primeiro para o seu segundo mandato, como teve a cara de pau de propô-la novamente debaixo das barbas do seu sucessor.  E isto porque o Supremo considerava qualquer iniciativa neste sentido como inconstitucional, já que o prazo constitucional para a revisão da CF 88 havia se extinguido em 1993.

Tio Rei tem memória curta.  Ou então, muito conveniente…

***

UPDATE:

O Luiz Carlos Azenha, do Vi o Mundo, linkou este post.  Valeu Azenha!

abril 2014
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