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Pois é, tão soltando o pau em cima do NPTO por causa desse post.

Eu não vou sentar o pau nele, porque a) ele tem o blog que eu quero ter quando crescer, b) jamais duvidei dos poderes de convencimento de uma mulher, principalmente se ela está abraçada com você em um aconchegante sofá e o único competidor próximo é o jornal da Globo  e c) também não vou com a cara de Gilmar Mendes.

Sem contar que a forma de agir da tal Bruna foi digna de um ungulado ruminante do sexo feminino.  Na “trajetória natural” de Bruna Bianchi, sua aventura com David Goldman foi certamente um ponto fora da curva, que não resistiu às realidades do “um amor e uma cabana”.  Goldman não é um cara rico.  Bruna é filha de uma família com posses _ sua mãe é dona do restaurante Quadriffoglio, no Rio.  Certamente, conhecer um cara bonitão em um lugar romântico como Milão (David era modelo, então) fez com que Bruna pensasse mais com o coração do que com a cabeça (ou o bolso).

Além disso, imaginar que o garoto terá um futuro mais sorridente no fundo da caipora norte-americana do que no seio de uma riquíssima e tradicional família carioca é brincadeira.

Pois é, azares da vida.   Pode ser que um dia o Sean, fritando hambúrguer lá no McDonald´s de Tinton Falls, fique pensando com seus botões, “Pô, me dei mal“.

Não obstante, quanto mais leio sobre o caso, mais o direito do pai me parece líquido e certo, e olhe que eu não sou advogado. Toda a história me parece fruto apenas da capacidade de uma poderosa família, firmemente incrustada na teia de relacionamentos do Judiciário brasileiro, frenar as engrenagens da Justiça em benefício próprio.  E nessa, lamentavelmente, os Lins e Silva apareceram como mamíferos ungulados com chifres delicados e cauda em formato de pompom.

homestead-stamp

Homesteading the internets

Pois é, criei uma conta.

Mas não fiquem assanhadinhos.  Não pretendo usá-la.

Meu problema foi que depois de ler isso, encontrei isso.  Então decidi demarcar meu real state.

And that´s all folks.

AgeofConsent

Achei uma matéria que é, talvez, a melhor defesa do Polanski que já vi até agora:

Were Polanski to have consensual sex today with a 13-year-old girl in the modern, democratic, industrialized nations of Japan, South Korea, or Spain, it would be perfectly legal according to those countries’ codes. In more than 30 other countries, including Austria, Italy, and Lichtenstein, the age of consent is 14 (in many cases even younger if both partners are close in age). In France, where Polanski has lived since his conviction and where newspapers and even government officials have defended the director against the “sinister” motivations of American prosecutors, it is 15. Even Americans don’t agree on the question. In 27 states, it is legal for an adult of any age to have sex with a 16-year-old, while the rest place the legal age at 17 or 18.”

É um argumento, mas apela para noções de extraterritorialidade.  Nesse particular, continuo achando que Polanski deve encarar seu julgamento, uma vez que a lei da terra é a lei da terra, uai.

***

No entanto não deixa de ser interessante ver quais países compartilham o amarelinho ali no mapa.  Quem diria.

(*) copirráite Samurai

Um certo mané resolveu tomar as dores de Titio Rei.  Vejamos.

O Reinaldo Azevedo tem suas bolas foras. Mas ele na cobertura da compra dos caças da FAB tem feito um trabalho dentro do razoável.

Um blogueiro que se dedica a persegui-lo tentou rebater as acusações do Reinaldo no afã de defender o governo.”

Bom. Eu não sou alguém tão seguro de si a ponto de sistematicamente confundir divergência com animosidade.  Entretanto, um sujeito que começa um post dedicado a fazer o contraditório contra este blog desse jeito já desperta meus piores instintos.  Porque uma coisa é defender o atual governo contra quem anseia pela volta de um governo pior, como é o caso de Reinaldo Azevedo; outra muito diferente é “defender o governo” absolutamente, de qualquer crítica possível.   Então, não rola “afã” nenhum; isso é simplesmente coisa que eu não faço, como sabe quem acompanha o blog _ e, inclusive, recentemente critiquei a decisão de fazer o submarino nuclear.  Mas vamos em frente.

O sujeito diz que meu post incide em 3 “clichês”:

_ o de que os EUA não fazem transferência de tecnologia;

_ o segundo é a, nas palavras dele, “confusão bi-reator vs monoreator”;

_ o terceiro, finalmente, o de que o Rafale já existe e voa enquanto o Grippen é um avião “virtual”.

Quanto ao primeiro ponto, é possível que eu tenha me expressado mal, mas o meu próprio texto já deixa isso suficientemente claro:

Mas o que eu ia dizer é: a parte inquestionável da negociação era a transferência de tecnologia.  E isso, os EUA não fazem.  Não sei qual era a disposição dos suecos nesse quesito, mas cabe notar que partes críticas do Grippen são fabricadas sob licença norte-americana

Bem, se eu mesmo disse que partes do Gripen são fabricados sob licença norte-americana, é claro que os EUA transferem realmente alguma tecnologia.

O sujeito imagina rebater meus argumentos dando exemplos de países que têm licenças para fabricar alguns aviões norte-americanos, tais como a Coréia do Sul, Japão, Israel e Turquia.  Nem é preciso dizer que tais países estão vinculados a tratados com os EUA, sendo que a Turquia é membro da OTAN, Coréia do Sul e Japão tem tratados de defesa mútua com os EUA e Israel, ora, Israel.

Logo, a questão é essa: para o Brasil ter acesso real à tecnologia norte-americana, precisa ter um tipo de relação especial com os EUA que o país não deseja.  É claro que se pode questionar se essa postura é razoável ou não, mas é bom entender que ela não é uma invenção do governo Lula, é uma postura do Estado brasileiro relativamente antiga.  Prova-o aliás o fato de que foi o próprio governo Fernando Henrique Cardoso o responsável por jogar um balde de água fria na proposta da ALCA e fortalecer o Mercosul.

O fulano diz o seguinte, fazendo pouco das restrições americanas ao uso da sua tecnologia:

E quais as restrições? Bem, eles vão cumprir somente aquilo que está no contrato, nenhuma virgula a mais. Por isso é tão complicado negociar com a industria americana, pois uma vez colocado no contrato, eles vão cumprir. E também se abster de negociar com países como Coréia do Norte, Irã, Síria e Venezuela. Eu não vejo nada demais nisso.

Facinho, né?

Mas vejamos o texto de apenas uma das regulações norte-americanas sobre o uso de armas com tecnologia dos EUA pelos seus usuários finais, o Arms Export Control Act.  Ele prevê, entre outras coisas, um “programa de monitoramento” que:

“(b) Conduct of program

In carrying out the program established under subsection (a) of this section, the President shall ensure that the program—

(1) provides for the end-use verification of defense articles and defense services that incorporate sensitive technology, defense articles and defense services that are particularly vulnerable to diversion or other misuse, or defense articles or defense services whose diversion or other misuse could have significant consequences; and

(2) prevents the diversion (through reverse engineering or other means) of technology incorporated in defense articles.” [grifos meus]

Francamente…é ruim, hein?  Mas há coisas piores.  A França, por exemplo, está nos vendendo seu caça mais sofisticado, e transferindo sua tecnologia.   Já o F-22 por exemplo…apesar de que nesse caso a coisa até se justifica, já que o Congresso norte-americano resolveu parar de fabricar o aparelho.

Quanto à suposta “confusão” mono-reator vs bi-reator:

Primeiro a melhora na relação peso/potência tornou o segundo motor desnecessário na maioria dos projetos. Segundo, o nível de confiabilidades das turbinas aumentou consideravelmente nos ultimos 40 anos. Terceiro, a enorme quantidade de acidentes em que a despeito de uma turbina ainda funcionar o avião ainda caiu.

Bem, aqui nosso amigo mostra todo o seu amadorismo.

É uma asneira dizer que um “segundo motor” é “desnecessário” na “maioria dos projetos”.  Dizer isso é desentender completamente o papel de cada tipo de avião no contexto do provável teatro de operações em que operará.    Aviões com duas turbinas são aviões de superioridade aérea: voam mais alto, mais rápido, e atacam de mais longe.  Seu objetivo é ou destruir uma força de ataque inimiga que se aproxime ou destruir instalações de defesa do inimigo (radares), tornando sua capacidade antiaérea inoperante.  No contexto brasileiro, de um país de dimensões continentais, essas características importam muito.  No contexto sueco, o Gripen é um avião adequado, já que se trata de um país pequeno cuja força aérea tem o objetivo de enfrentar enxames de aeronaves russas, logo tem que ser um avião barato, para ser produzido em grande escala.  O exemplo do F-16 na aviação israelense é muito mal colocado, porque o F-16 é um avião de ataque ao solo _ a superioridade aérea israelense está assegurada pela existência dos F-15.  A Operação Opera, por exemplo (a destruição do reator nuclear iraquiano de Osirak, em 1981), foi conduzida por 8 F-16 que atacaram o reator, mais 6 F-15 para dar suporte aos F-16.

Poderíamos até conceber uma formação mista, usando os Rafales na região norte do Brasil e o Gripen NG no Sul, onde as distâncias são menores e o Gripen poderia ter apoio, também, dos R99, aviões com capacidade AWACS, principalmente diante do sistema de datalink do Gripen que é bem avançado.  Mas provavelmente esta solução dual forçaria demasiadamente as economias de escala na operação da Força Aérea, e as evoluções do Rafale certamente o dotarão de uma capacidade de datalink similar à do Gripen, senão melhor.

Ademais, ele se enrola em seu próprio argumento, falando de aumento de confiabilidade de turbinas _ mas que mesmo assim há uma “enorme” quantidade de acidentes em que a despeito de uma turbina funcionar o avião caiu assim mesmo.  Bem, o fato é que se você aumenta a confiabilidade da turbina, continua sendo melhor ter duas turbinas.  Principalmente porque por mais confiável que ela seja, em um avião monorreator você irá inevitavelmente cair  se ela falhar, ao passo que com duas turbinas você ainda tem uma chance.

Finalmente, a questão do Rafale já voar e o Gripen NG ser um avião virtual.  Diz a figura:

O Gripen NG é uma modificação do Gripen C/D que já existe. Inclui remotorização e algumas alterações estruturais na célula e upgrades de sensores.”

Sim.  E daí?  Continua a ser um avião que não existe.  Ele é chamado, aliás, de “Gripen Demo”.  Uma coisa é ter um avião experimental, outra bem diferente é tê-lo fabricado em série.  Tem um custo aí no meio que deve ser devidamente contabilizado.

O Rafale que será vendido pro Brasil ou será o Rafale F3, que será francamente defasado em relação ao Gripen NG e já é defasado em relação ao Block II do F-18E ou será o Rafale F-3+, cujos melhoramentos ninguem sabe nem se vão todos sair do papel e ainda sim serão francamente inferiores ao F-18. Por exemplo, o Rafale nem remotamente apresenta a capacidade de guerra eletrônica que o F-18G possui.”

Ao que eu saiba ainda não se sabe bem qual será o Rafale vendido ao Brasil.  Fala-se em 36 com opção para mais 84, incluindo talvez uma versão naval (coisa que não existe no Gripen).  De qualquer maneira, o parágrafo acima “esquece” todo o resto da discussão, que envolve a transferência de tecnologia, a compra de aeronaves da Embraer pela França, e outras parcerias comerciais que vêm no “pacote completo” (inclusive na questão dos submarinos).

O programa Rafale anda bem problemático na França, sendo que até bem pouco tempo eles sequer podiam lançar bombas guiadas a laser por ausência de integração do POD Damocles de designação de alvos.”

Como dizem na Wikipedia, “citations needed”.  Até onde se sabe o Rafale ganhou a qualificação F3 este ano, caracterizando-se como um avião totalmente multifuncional.  A versão a que o sujeito se refere era a versão com qualificação F2. Ainda assim, é preciso dizer que o Rafale já teve seu batismo de fogo tanto no Kosovo quanto no Afeganistão, coisa que o Gripen, por exemplo, não pode reivindicar.

Existe ainda um agravante. Enquanto o Gripen está integrado com armamento americano e armamento europeu, e o F-18 pode ser integrado facilmente com armamento israelense, o Rafale só está integrado com armamento francês, que é CARO, e alguns armamentos europeus.

O risco político também existe com a França. A primeira coisa que os franceses fizeram quando os ingleses entraram em guerra contra a Argentina foi justamente fornecer os codigos fontes e esquemas dos mísseis exocet para ajudar a marinha britânica a combater o míssil.”

Aqui o moço tem discurso de armeiro, mas deixa que as árvores ocultem a vista da floresta.  A graça, justamente, de se ter completa transferência de tecnologia é que você se torna capaz de fabricar seus próprios armamentos, ficando livre de problemas como o citado _ que aliás são comuns a todos os três aviões.

Me parece que o rapaz é um aficcionado em armas.  Este perfil se encontra muito em discussões de defesa, mas em geral é gente incapaz de entender as consequências estratégicas deste tipo de decisão.  Nice try, moço.

ancineaderiva

(clique para ampliar)

Na TV Estadão:

Fagundes dispensa Lei Rouanet em seu novo espetáculo

TV Estadão | 11.8.2009

Falando sobre o custo da montagem da peça “Restos”, o ator Antônio Fagundes criticou a Lei Rouanet e afirmou que não quis o benefício porque está “cansado de ser chamado de ladrão”

***

Na Folha, reportagem de Fernanda Ezabella:

“À Deriva” ressoa “Chuva de Verão”

Filme brasileiro lançado há duas semanas, após exibição em Cannes, chama atenção por semelhanças com longa neozelandês

Protagonistas são jovens e abrem ambos os filmes boiando no mar; diretor brasileiro diz que filmou baseado em suas memórias

Família passa férias de verão na praia. A filha descobre o sexo e o casamento dos pais desaba. Poderia ser a sua família, poderia ser a de qualquer um. E é justamente a família de dois filmes, um da Nova Zelândia, de 2001, e um brasileiro, que estreou há doze dias.

Mas as semelhanças entre o estrangeiro “Chuva de Verão” e o nacional “À Deriva”, do pernambucano Heitor Dhalia, vão bem além desse enredo básico, com coincidências, ou não, que vêm causando burburinho entre cinéfilos e blogueiros.

Em comum, os dois longas têm uma jovem protagonista, que se assemelha a uma Lolita. São representadas por atrizes completamente desconhecidas do público: em “À Deriva”, destaca-se Laura Neiva, descoberta no Orkut; no outro, Alicia Fulford-Wierzbicki, também estreante no cinema.

No nacional, seu pai (interpretado por Vincent Cassel) tem um caso com uma jovem estrangeira (Camilla Belle), quase que na cara da mãe (Débora Bloch). No outro, a mãe (Sarah Peirse) tem um caso com um jovem fotógrafo (Marton Csokas), quase que na cara do pai (Alistair Browning).

Os dois filmes também começam com a protagonista boiando no mar. No final, as duas perdem a virgindade. O figurino, assinado por Alexandre Herchcovitch na obra nacional, também tem certa analogia (veja fotos no quadro ao lado).

Há ainda cenas em ambos os longas em que os irmãos disputam para ver quem fica mais tempo debaixo d”água. E, ainda, cenas de alcoolismo por parte das mães, que surgem quase sempre com um copo na mão.

Os filmes têm diferenças: enquanto o primeiro é ensolarado, o segundo tem clima mais nublado. Enquanto o primeiro é cheio de gente jovem e bonita, o segundo tem a garota solitária, cercada de adultos. E, enquanto o primeiro tem final mais esperançoso, o segundo acaba em morte.”

E ainda:

Em blogs, os comentários são mais pesados. “”À Deriva” é a versão brasileira de “Rain” [nome original de "Chuva de Verão']“, escreveu uma anônima no blog da publicitária Julia Petit. “Mesmo cenário, mesma história etc. etc. Pura cópia.”
O crítico Marcelo Miranda, do jornal mineiro “O Tempo”, comentou num blog de cinema: “É quase o mesmíssimo filme, não apenas no enredo, praticamente o mesmo (no sentido estrito do termo)”.
Para o crítico da
Folha Inácio Araujo, “À Deriva” parece uma releitura latina de “Chuva de Verão” (leia texto ao lado).
Tais semelhanças, no entanto, não caracterizam plágio, de acordo com especialistas ouvidos pela reportagem
.” [grifo meu]

Ah, bom.

***

Há de chegar o dia em que vão marginalizar a Lei Rouanet.

Alguns dos meus fiéis 4,5 leitores têm me cobrado uma manifestação a respeito do blog da Petrobrás.

Bom, sobre o blog propriamente dito: já disse lá no blog do Sergio Leo que acredito que, assim que a poeira em torno do assunto Petrobrás-CPI baixar, várias empresas privadas imitarão a idéia.  Já li por aí, aliás, que várias instituições nos EUA já têm coisas assim.  Péssimo para os jornais, que vão ter que correr atrás de um jornalismo mais investigativo e mais caro, em tempos de vacas magras.  Shit happens.

Só acho o jeitão do blog esquisito.  Tenho que concordar, por exemplo, com a Nariz Gelado: porque diabos ele foi hospedado no WordPress, e não na página corporativa da Petrobrás?  Ou foi feito às pressas, ou, o que é mais provável, foi uma decisão imposta de cima, sem apoio da burocracia de RP da empresa.

Do ponto de vista puramente tático, francamente, não acho que tenha sido uma boa idéia.  Tanto é, aliás, que aparentemente a empresa já recuou da decisão (mas não fechou o blog, ehehehe).

Sobre o affair Petrobrás em si, tenho a dizer duas coisas.

Primeiro: estatais são usadas para várias coisas.  Uma delas é o seu objeto propriamente dito, que está nas suas obrigações estatutárias, e é de conhecimento público.  No caso da Petrobrás, por exemplo, é:

Art. 3º A Companhia tem como objeto a pesquisa, a lavra, a refinação, o processamento, o comércio e o transporte de petróleo proveniente de poço, de xisto ou de outras rochas, de seus derivados, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos, além das atividades vinculadas à energia, podendo promover a pesquisa, o desenvolvimento, a produção, o transporte, a distribuição e a comercialização de todas as formas de energia, bem como quaisquer outras atividades correlatas ou afins.

Infelizmente, as estatais também cumprem objetivos políticos, um deles sendo o de facilitar a composição de maiorias parlamentares que assegurem a governabilidade _ um capítulo da política recomendável apenas àqueles que fazem check-up cardíaco regularmente.

Pode-se especular qual o interesse que teriam os políticos em nomear pessoas próximas para cargos nas estatais.  Acho que uma olhada rápida nos acórdãos do TCU é esclarecedora quanto a este ponto.

O que não é invenção do governo do PT, obviamente.  Ser velho tem muitas desvantagens, mas nos dá o benefício da memória.   E eu me lembro de uma matéria do longínquo ano 2000, que curiosamente nem se acha mais na internet, mesmo usando o Google, e cuja sinopse reproduzo abaixo:

Governo usa 600 cargos para controlar Congresso

- O presidente Fernando Henrique controla o Congresso com os 600 cargos do Governo federal que distribuiu aos líderes e parlamentares dos partidos aliados. O mapa do poder na burocracia do Governo foi fornecido pelo ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge Caldas, que abriu sua caixa-preta e entregou ao professor da Universidade de Brasília Carlos Pereira um disquete com os cargos reservados aos políticos – foi Eduardo Jorge quem controlou esta distribuição no primeiro mandato de Fernando Henrique.

Em crise com a base parlamentar e ameaçando fazer retaliações contra os infiéis, o Presidente terá de voltar a redistribuir alguns desses 600 cargos, que representam 10% da máquina federal de livre nomeação, para garantir a aprovação do salário mínimo de R$ 151 no próximo dia 10.

O estudo do professor Carlos Pereira mostra a relação direta entre a fidelidade dos partidos ao Governo nas votações no Congresso, o preenchimento de cargos e a liberação de verbas para o pagamento de emendas de deputados e senadores. (pág. 1 , 3 a 5)

Eu só me lembro disso porque conheço o Carlos Pereira, que foi, aliás, processado pelo Eduardo Jorge depois que essa história vazou.

Apesar disso, o governo do PT, que eu saiba, foi o único que, naqueles espamos contraditórios entre política e correção na gestão pública, tentou dar uma moralizada nessa história das estatais.  Em um Decreto de janeiro de 2007, o governo criou um troço chamado Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União – CGPAR, da qual você, que me lê, provavelmente nunca ouviu falar.  Suas atribuições, entre outras, são:

Art. 3o Compete à CGPAR:

I – aprovar diretrizes e estratégias relacionadas à participação acionária da União nas empresas estatais federais, com vistas à:

a) defesa dos interesses da União, como acionista;

b) promoção da eficiência na gestão, inclusive quanto à adoção das melhores práticas de governança corporativa;

c) aquisição e venda de participações detidas pela União, inclusive o exercício de direitos de subscrição;

d) atuação das empresas estatais federais na condição de patrocinadoras de planos de benefícios administrados por entidades fechadas de previdência complementar;

e) fixação da remuneração de dirigentes;

f) fixação do número máximo de cargos de livre provimento;

g) expectativa de retorno do capital dos investimentos com recursos da União;

h) distribuição de remuneração aos acionistas; e

i) divulgação de informações nos relatórios da administração e demonstrativos contábeis e financeiros, no caso das empresas públicas e sociedades de capital fechado;” [grifo meu]

Você sabe se a CGPAR definiu alguma coisa quanto a isso, e em particular, sobre o item f)?  Pois é, eu também não.

Shit happens.

A segunda coisa que eu queria dizer é que, apesar de tudo, também tenho a convicção de que o PSDB e o DEM não são vestais em busca do bem maior.  São políticos, fazendo o jogo da política.  O grande interesse deles na CPI da Petrobrás é paralisar os investimentos da estatal e assim preservar uma das bandeiras da oposição para o ano que vem: a não-execução das obras do PAC.

Um dos pontos quentes que vão ser debatidos na CPI da Petrobrás é a questão das “compras sem licitação”. Nesse caso é bom entendermos direito os aspectos legais dessa questão, no que diz respeito à Petrobrás.

A Lei nº 9.478/97, também conhecida como Lei do Petróleo, reza, em seu artigo 67,  que “os contratos celebrados pela Petrobras para aquisição de bens e serviços serão precedidos de procedimento licitatório simplificado, a ser definido em decreto do presidente da República“.

Esse decreto presidencial citado no artigo 67 entrou efetivamente em vigor, vindo a ser o Decreto nº 2.745/98.  Portanto, desde essa época, a Petrobrás aplica, para realizar suas compras, um regulamento simplificado para realizar licitações.  Como os mais argutos não deixarão de observar, esse Decreto foi editado ainda pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso.

Para complicar, existe uma liminar do STF que respalda o uso do regulamento simplificado pela Petrobrás.  E quem decidiu isso foi ninguém mais ninguém menos do que…o Ministro Gilmar Mendes.  A justificativa é que a Petrobrás é uma estatal que exerce atividade econômica, e não serviço público.  Como tal tem que ter condições de concorrer em igualdade com as empresas privadas, que não estão sujeitas aos rigores da Lei 8.666, a Lei de licitações.

E, no que diz respeito à Lei de Licitações, a verdade é que há 13 anos atrás os tucanos diziam o seguinte pela boca do Ministro Luiz Carlos Bresser Pereira:

O governo federal está terminando um novo projeto de lei de licitações. A atual lei, 8.666, é recente, mas hoje já existe uma quase unanimidade nacional de que precisa, com urgência, ser profundamente mudada, senão substituída por uma lei nova. Por que falhou a 8.666? Essencialmente, porque, ao adotar uma perspectiva estritamente burocrática, ao pretender regulamentar tudo tirando autonomia e responsabilidade do administrador público, atrasou e encareceu os processos de compra do Estado e das empresas estatais, sem garantir a redução da fraude e dos conluios.

(…) Existe hoje uma unanimidade no governo e no serviço público, em todos os seus níveis, de que é preciso reformar essa lei. Só não compartilham dessa convicção burocratas empedernidos e principalmente alguns pequenos empreiteiros que se beneficiaram indevidamente da radical eliminação das exigências de capacidade técnica através do veto do Presidente Itamar Franco. Estas pessoas argumentam que o grande problema é evitar a corrupção do administrador público. E para isto bastaria estabelecer regras detalhadas na lei de forma a cercear ao máximo o subjetivismo dos administradores.”

É isso aí.  O projeto tucano nos áureos tempos de FHC era o de flexibilizar a 8.666, não de exigir seu cumprimento ao pé da letra.

Quem trabalha no serviço público sabe, de fato, que a Lei de Licitações às vezes leva a situações kafkanianas.  É verdade, porém, que uma parte expressiva das reclamações contra a 8.666 surgem por causa do mau planejamento.  Em todo caso, porém, acho razoável afirmar que uma empresa precisa realmente de mais flexibilidade.  Assim, acredito que o que está na mira da oposição ao realizar a CPI da Petrobrás _ além de bater tambor, é claro _ talvez seja enrijecer a atuação da estatal visando segurar o pré-sal e os investimentos da empresa.  Já que como reconhece o próprio Reinaldo Azevedo, os investimentos da estatal afiguram-se como uma parte expressiva de todo o pacote de estímulo do governo, “engessá-lo” é uma prioridade para aqueles que querem disfarçar o “quanto pior melhor” sob a égide da moralidade…

Pois é:

Google Disables Uploads, Comments on YouTube Korea

Google has disabled user uploads and comments on the Korean version of its YouTube video portal in reaction to a new law that requires the real name of a contributor be listed along each contribution they make.

The rules, part of a Cyber Defamation Law, came into effect on April 1 for all sites with over 100,000 unique visitors per day. It requires that users provide their real name and national ID card number.

In response to the requirements Google has stopped users from uploading via its Korean portal rather than start a new registration system.

***

A lei coreana foi motivada, em princípio, pela pressão por uma defesa contra o ciber-bulling, após alguns eventos dramáticos como o suicídio de uma popular estrela que foi identificada na rede como a culpada pelo suicídio de um colega que lhe devia dinheiro.   Meritório motivo, mas será que os benefícios compensam as desvantagens?   Até porque esse é um caminho que as autoridades brasileiras parecem dispostas a copiar:

Ministério da Justiça propõe mais restrições na Internet
Proposta em estudo obriga provedores a guardar por três anos todas as informações sobre navegação dos usuários

Se depender da vontade do governo, a lei de crimes da internet será muito mais restritiva do que gostariam os senadores. Na minuta do projeto, o Ministério da Justiça quer que os provedores de acesso mantenham por três anos todos os dados de tráfego de seus usuários. Ou seja: que hora se conectou à internet, em que sites entrou e quanto tempo ficou.

O Congresso em Foco teve acesso ontem, com exclusividade, a um trecho da minuta elaborada pelo MJ. O texto modifica a redação do artigo 22 do substitutivo ao Projeto de Lei 84/99, elaborado pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). É justamente essa parte da peça em tramitação na Câmara que tem causado polêmica entre internautas e sociedade civil, pois obriga os provedores de acesso a armazenarem os dados de conexão dos usuários.

Agora, o MJ, influenciado por setores da Polícia Federal e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), quer radicalizar. Pelo substitutivo do senador tucano, ficariam guardados os horários de log on (entrada) e log off (saída). Já na minuta do ministério, além de todos os dados de tráfego, os provedores seriam obrigados a registrar o nome completo, filiação e número de registro de pessoa física ou jurídica.” [grifo meu]

No Brasil, o incentivo para a busca de uma tal solução vem menos do ciber-bulling do que dos crimes pela internet.  Objetivo também meritório, mas como vemos, a coisa pode tresandar.

Alguém que se intitula “Rosa Alface” veio aqui e deixou um comentário no post “Portugalidades“, escrito há quase um ano atrás.   Reproduzo o comentário (em vermelho) a seguir, entremeado com minhas considerações (em verde, homenageando a bandeira lusitana).  

Caro Bloguer,

Caí aqui por acaso no seu blog e não pude deixar de ficar admirada com os seus comentários de pouca categoria e até mesmo cultura.
É claro que já passou 1 ano desde que escreveu sobre um assunto sobre o qual nem soube analisar, mas apenas criticar; mas passo aos exertos:

1_ “os caras têm mais de cinco séculos de experiência em atravessar o Atlântico, ora pois.” –> e foi assim que o Brasil nasceu no mapa mundo!!!

Um comentário de caráter geral: aparentemente Rosa Alface não se deu conta de que o post NÃO teve a intenção de ser um post ofensivo a Portugal ou aos portugueses.  Nessa chave, o ponto 1 da querida lusitana inaugura um estilo que se repete em outros pontos do seu comentário, repetindo o que eu disse originalmente de forma elogiosa como sendo uma ofensa.  Alguém já disse que certos países são separados pela mesma língua, etc.

“2_ “segundo, achar que eles estão falando português daquele jeito esquisito só de sacanagem.”–> já analisou como vcs falam mal o português, talvez até mesmo com muita mais sacanagem. foi feio o seu comentário e muito xenófebo!!!”

Er, “xenófebo“.  Desculpe, mas isso é uma “piada de português” pronta.  :)

3_”Há ainda uma certa ingenuidade que transparece nos programas portugueses.” –> Vou tomar isso como um grande elogio!!! de facto, a ingenuidade é um dos valores que vc provavelmente não deve conhecer nem utilizar na sua vida!!! Experimente!!! Vai adorar o feed-back!!!!

Em nenhum momento externei um julgamento de valor sobre a ingenuidade.  Fui meramente descritivo.  Pessoalmente, creio que essa diferença _ cuja existência reitero, e com a qual você aparentemente concorda _ tem seus ônus e bônus.

“4_”que faz com que de fato eles ainda não conheçam o que é uma sociedade de massas pra valer” –> e vc concerteza, nesse seu Brasil (que é maravilhoso), onde a pobreza, a fome, a falta de segurança, a criminalidade etc etc etc, fazem parte do seu quotidiano, como se de ar para respirar se tratasse, acha que nós precisamos de uma “sociedade de massas pra valer” tendo em conta que isso diminui aquilo que temos de melhor em Portugal, que é a nossa segurança, tranquilidade, qualidade de vida? Não Obrigada!!!”

Mesmíssimo caso do ponto 3.

“5_” “ estátuas vivas” representando personalidades históricas portuguesas (das quais só consegui reconhecer Camões e Fernando Pessoa, ignorante que sou) –> talvez seja, ou não estivesse aqui a falar de coisas e pessoas que nem conheçe ou reconheçe!!!”

Ao dizer-me “ignorante” por não conhecer algumas figuras históricas portuguesas, eu estava sendo…cordial.  Sabe, a esmagadora maioria dos brasileiros não precisa realmente conhecê-las, assim como você também não precisa saber quem foi Negrão de Lima ou João Pessoa.  Acho que você se surpreenderia com o grau de bem-estar que certas pessoas podem alcançar na vida a despeito de serem relativa ou até completamente ignorantes sobre detalhes da história portuguesa.

“6_ “(e aliás fala português do Brasil). Não sei se atribuo isto a uma brasilofobia…” –> no mínimo podemos atribuir a todo este seu comentário, Portugalofobia!!!”

Pelo contrário, no post até digo que gostaria de conhecer o país, que por sinal é o de meus ancestrais.

“7_ “o programa encerrou-se com o músico Pedro Abrunhosa (acho que é famoso, não? Acho que já ouvi este nome…)” –> continuo a ter pena da sua imensa falta de cultura, pq para quem supostamente é tão viajado e tão conhecedor e crítico das culturas dos outros países, pelo menos a nível musical, que é uma linguagem universal, vc surpreende pela falta de conhecimento. PS: Concordo com o comentário abaixo, de que o Pedro é um excelente músico e Optimo compositor. Deveria tentar conhecer, se tiver tempo depois de aplicar tanta energia a criticar (destrutivamente) os outros!!!”

Não sei de onde você tirou a idéia de que eu sou “tão viajado”, e muito menos que eu me reputo um “crítico da cultura a nível musical de outros países”.  Reiteradas vezes já disse aqui que sou um analfabeto musical.  Acredito piamente que Pedro Abrunhosa seja excelente músico, mas, realmente, acho que aqui aplica-se o mesmo raciocínio do ponto 5 acima.

“8_ “mas me lembrei de um grupo de turistas portugueses barbaramente assassinados no Ceará há alguns anos e fiquei com uma certa vergonha, até que me lembrei também que o crime foi planejado por um patrício que morava na cidade, o que diminuiu minha má consciência.” –>têm toda a razão, “há alguns anos atrás”, e não todos os dias, como se pode ver barbaramente e em directo, em muitos dos vossos canais de televisão!!!
ah, e sem querer ofender: o facto de o assasino não ter sido brasileiro, já o deixa de consciência mais limpa? afinal que consciência é essa de que estamos a falar, que não põe em questão o crime mas sim a nacionalidade do assassino, tornando assim sua consciência mais limpa??? Reveja seus valores morais!!!”

Sabe, considero realmente o Brasil um país violento.  Devido à sua pobreza e péssima distribuição de renda, em primeiro lugar.   Também considero que o seu país teve papel muito importante ao nos deixar de herança um ponto de partida bastante complicado.   E, sem querer ofender, o fato do assassino ter sido patrício seu realmente me deixou com menos má consciência _ mas só porque eu teria ficado, é claro, extremamente chateado se o assassino fosse um brasileiro.

“E para terminar, mas não menos importante:

Alargue seu horizonte visual, cultural, social, mas acima de tudo respeite as diferenças, que na maioria das vezes, são muito mais interessantes de analisar para perceber, do que criticar sem perceber.
As criticas só são boas quando construtivas, Construa!!!”

Não sei realmente se o que fiz foram críticas, mas com certeza não foram destrutivas.  Por outro lado também não comungo de sua opinião sobre o que é uma “boa” crítica; acho que sempre podemos aprender com qualquer crítica, e, além disso, seu caráter “construtivo” ou “destrutivo” também depende, em boa medida, da boa vontade do criticado.

“PS 1_ Afinal… o que é que vc veio mesmo fazer a Portugal, para ter ficado enfiado no quarto do hotel vendo o tal programa, que não conseguiu ver até ao fim???? com tantas coisas fantásticas para se conhecer??!!!

Um dia se realmente quiser conhecer um país bonito, tal como o seu, mas com pessoas imperfeitas mas reais, que valem pelo que valem, e que até merecem ser premiadas em canais de televisão, não deixe de pedir ajuda a essas ou outras pessoas. Certamente algum de nós, Portugueses, terá o maior prazer e recebe-lo e ajudá-lo!!!
Nenhum País, Cidade, Terra ou Pessoa é perfeita, mas todos têm os seus encantos. Basta procurá-los, querer conhece-los, antes de criticá-los destrutivamente!!!”

Aqui talvez seja o único ponto onde seu comentário foi pertinente, mas não pelo motivo que imaginas, e sim porque realmente o post explica mal o que aconteceu: eu apenas passei pelo aeroporto de Lisboa, em trânsito para outro país.  E foi neste outro país em que assisti o programa português na RTP.    Eis porque no final do post disse que gostaria de conhecer Portugal, é claro.

“PS 2_ Se estava tão incomodado, podia ter passado o canal, bastava usar o comando!!!;) tão simples e tão eficaz!!!”

Eu não estava absolutamente incomodado.  Eu apenas deitei um olhar antropológico sobre a TV portuguesa.   Fique certa de que minha opinião sobre a TV brasileira é ainda pior.

***

Ou seja, Acordo Ortográfico é pinto.

070705lakecheko

Vista do Viaduto do Chá, dezembro de 2009

Sempre pode piorar, certo?  Deu no Physorg:

Space rock gives Earth a close shave

2009 DD45, estimated to be between 21 and 47 meters (68 and 152 feet) across, raced by at 1344 GMT on Monday, the Planetary Society and astronomers’ blogs reported.

The gap was just 72,000 kilometers (44,750 miles), or a fifth of the distance between Earth and the Moon and only twice the height of satellites in geosynchronous orbit, the website space.com said.

The estimated size is similar to that of an asteroid or comet that exploded above Tunguska, Siberia, on June 30 1908, flattening 80 million trees in a swathe of more than 2,000 square kilometres (800 square miles).

2009 DD45 was spotted last Saturday by astronomers at the Siding Spring Survey in Australia, and was verified by the International Astronomical Union’s Minor Planet Centre (MPC), which catalogues Solar System rocks.

The closest flyby listed by the MPC is 2004 FU162, a small asteroid about six metres (20 feet) across which came within about 6,500 kms (4,000 miles) of us in March 2004.” [grifo meu]

***

E a gente brincando com essas coisas.

2007_04_12_xerxes

Meu garôôôôto!

E eis que o Irã está exigindo que Hollywood se retrate pelos filmes onde o povo iraniano aparece sob uma má luz.  São eles:

“O Lutador”, que não vi;

“Nunca Sem Minha Filha”, que também não vi, e

“300 de Esparta”.

***

Hein?

***

Diz a matéria:

Em todas estas produções “o povo iraniano e nossa revolução foram atacados de forma repetida e injustificada por Hollywood”, disse Shamqadri à imprensa local.

O Shamqadri é cineasta e assessor do Ahmenajad, segundo a matéria do Estadão.

Nada sei sobre os outros dois filmes, mas acho meio complicado dizer que “300” é uma ofensa ao “povo iraniano”.  Embora de fato no filme não só Xerxes é um vilão como todos os seus comandados paracem ser seres desprezíveis, quando não deformados, fica meio claro que se trata de um regime de escravidão e que a maior bronca é, digamos, com a liderança persa personalizada em Xerxes (que aliás era brasileiro…).  Então talvez seja meio esquisito invocar esse precedente, porque ele parece autorizar a idéia de uma continuidade entre o Império Persa e sua liderança e os aiatolás iranianos.  Até porque, para o espírito persa, o islamismo é uma ideologia exótica, importada da península árabe e imposta à região pela espada omíada.  Eu, hein.

O sociólogo voltou às origens universitárias:

FHC defende descriminalização da maconha para uso pessoal
Ex-presidente explicou que a sugestão de descriminalização não significa ‘tolerância’, mas saída para erradicação

BRASÍLIA – A descriminalização da posse de maconha para o consumo pessoal pode ser uma das saídas para a erradicação das drogas. Uma avaliação sobre essa possibilidade é uma das sugestões do relatório apresentado nesta quarta-feira, 11, pela Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia. A organização não-governamental tem à frente os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso , César Gaviria (Colômbia) e Ernesto Zedillo (México).” [grifo meu]

***

Mas também, nessa companhia, era a droga mais leve que ele conseguiria descriminalizar, né não?

***

E Tio Rei?  Não gostou

Do Valor de hoje. Reproduzida abaixo para calar os trouxas.

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Deu no Estadão:

Gesso despenca de teto da Igreja Universal em Campinas
Cerca de 200 fiéis participavam de culto, mas ninguém ficou ferido; templo religioso recebeu auto de interdição

CAMPINAS – Parte do acabamento do teto da Igreja Universal do Reino de Deus, localizada na avenida João Jorge, uma das principais vias de entrada de Campinas, desabou na noite desta quarta-feira, 4, no momento que ao menos 200 pessoas acompanhavam um culto. Ninguém ficou ferido. Fiéis tentaram impedir a impressa de entrar no local e mantiveram um fotógrafo do jornal Correio Popular dentro da igreja.

***

As desgraças que se abateram sobre o mundo romano nos meados do primeiro milênio da Era Cristã levaram Santo Agostinho a escrever sua obra prima e a debater o problema do mal.

Já os bispos culparão o diabo e, por via das dúvidas, contratarão bons advogados.

O Sergio Leo me passou um meme.  E diz:

Quero ver isso nos blogues do Bicarato, Biajoni, do da Lucia Malla, do Rafael Galvão, do Hermenauta e da Leila.”

OK, se é isso que ele quer…segurem-se:

Jornal não tem meme

02 de fevereiro, 2009 • 10:38 PM | 1 comentário

Como que para complementar meus argumentos aí embaixo sobre blogues e jornais (voltarei em breve ao assunto, isso é uma ameaça), o Jorge me manda algo tipicamente blogosófico, algo que traduz a faceta rede de relacionamentos carcaterística dos blogs.

Um meme.

É uma espécie de corrente do bem, em que amigos ou conhecidos pela blogolândia repassam uma sugestão de post a outros amigos, que os repassam e assim por diante. Brincadeira pura. E por que não? Mas o Jorge me ameaça, diz que contará podres da minha vida caso eu não dê seguimento ao post. Minha vida é um e-book ligado, Jorge, com apenas alguns arquivos deletados para evitar o acesso.

Mas, como na Internet, nunca se sabe se o que você apagou não ficou reproduzido em algum cache cagueta, obedeço. O meme manda contar seis coisas secretas ou nem tanto sobre a própria vida.

Isso é outra característica dos blogues. Só alguns cronistas expoem tanto sua vida em jornal como os blogueiro acabam fazendo na blogopolis. Sabemos das doenças, das perdas, das mudanças de emprego dos nossos blogueiros favoritos. É mais próximo isso da aldeia globsal do McLuhan do que nenhuma publicação impressa jamais chegou.

Mas vamos ao meme:

1) Como sabem só os amigos mais próximos, comecei a carreira de jornalista escrevendo, editando, montando (com textos datilografados em Composer, colados com cola Pritt), e imprimindo em xerox o bolteim O Vegetariano, da combativa Cooperativa dos Vegetarianos da Guanabara, a mais antiga do país. (e o único lugar onde encontrei estágio quando o currículo da UFRJ exigia isso). O que a maioria não sabe é que, nessa época, também ensaiei uma colaboração para a Ele e Ela como copydesk, reescrevendo cartas dos leitores para a seção Forum, de relatos/fantasias eróticos. Reescrevi dois, publicaram e nunca mais me pediram outros. Errei nos adejtivos, acho. Fui mais bem sucedido como free-lancer do jornal da arquidiocese, O Cristo em Copacabana. Pagava bem textos curtos, trabalho fácil.

2) Tenho enorme dificuldade em reler o que escrevo. Suspeito que os leitores também.

3) Em meus primeiros anos em Brasília, costumava fazer acompanhar refeições com Keep Cooler. E adorava. Sei, não deveria estar contando isso, é vergonhoso demais.

4) Não consigo assistir peças de teatro. Fico nervoso, temso com a possibilidade de que algo imprevisto interrompa a peça e a faça terminar em vexame. Isso quando a péssima qualidade dos atores me deixa tenso, nervoso, com o vexame que se desenrola no palco.

5) Na infância, roubava bolinhas nas cartelas de jogos de futebol de botão, no supermercado. Não me pergunte para quê. Juro que se as encontrasse, devolvia.Era um delito perfeito, até hoje. Mas o remorso é algo pesado, na mente do criminoso.

6) Eu cobri o primeiro Rock in Rio para O Globo, entrevistei o Whitesnake (com meu inglês de então, não entendi 70% do que falaram), o Ozzy Osbourne e outros que já me esqueci. E não fui a um show sequer. Não tive tempo, nem paciência. Chega. O que a gente não faz pelos amigos ganhos por um blogue.

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O Pedro Sette Câmara até que andou escrevendo uns posts bem razoáveis.

De repente, porém, me deparo com isto aqui: “O Ateu Com Dúvidas“. Diz o Câmara:

Nestes dias tenho lembrado de uma conversa que tive em julho. Um sujeito ateu, que eu tinha acabado de conhecer, perguntou-me se eu tinha dúvidas sobre a minha fé católica e respondi que sim. Para dizer ao leitor coisas que eu nem disse a ele, às vezes penso que ficaria muito feliz se Jesus Cristo descesse do céu e me respondesse algumas perguntas. Não que eu acredite que Jesus Cristo me deva isso sob algum aspecto. Só estou dizendo que não atrapalharia em nada, muito pelo contrário.

E conclui:

(…)revivendo aquela conversa percebi que, ao confessar-me um católico com dúvidas, apenas ganhei diante de meu interlocutor o status de não-freak, como se ele pensasse assim: “Ele é católico mas é limpinho.” Não passei a ser, diante dele, normal “como todo mundo”, mas alguém que é normal apesar de católico.

O detalhe, obviamente, é que se a “normalidade” é definida pela freqüência de um estado de dúvida (e não foi Freud quem disse que o normal era ser ao menos um pouco neurótico?), o ateu também deveria conhecer esse estado, e questionar seu próprio ateísmo. Não é só o religioso que “deveria” perguntar “e se…?”, mas também o ateu. “E se existir Deus e eu me ferrar?” Até porque existe um número assustador de pessoas inteligentes que acreditam e acreditaram em Deus e negar sua existência é equivalente a achar-se mais brilhante do que elas.

Portanto, a conseqüência de um ateu achar que um religioso sem dúvidas é anormal é que, no mínimo, anormal é ele, ateu. Também. No máximo, para manter a terminologia freudiana, é um psicótico narcisista.

E da próxima vez, já sei: vou perguntar ao ateu se ele também tem dúvidas.

***

A questão, Pedro, é que um ateu tem dúvidas. Muito mais dúvidas que um católico, por exemplo.  Veja seu caso: suas dúvidas seriam sanadas se o próprio Jesus Cristo descesse do céu e respondesse umas perguntas.

Já um ateu, para sanar suas dúvidas, precisaria formar uma fila onde estariam não só o referido JC, como Maomé, Jeová, Buda, a trindade indiana, todos os orixás, o espírito de Alan Kardec e mais alguns milhares de deuses, todos eles confiantes na própria religião, alguns até acreditando-se únicos.  Ia ser uma confusão dos diabos.  Aliás, também seria bom ter uma conversa rápida com este último.

O ateísmo é uma eterna dúvida, creia-me.  Ou não…

Para não dizerem que não falei de flores, um post interessante do Not Tupy.

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Estou longe de ser um fã de João Pereira Coutinho, mas hoje, na Folha, acho que ele matou a pau:

(…)Resta a questão final: e os pais? Confrontados com a possibilidade de “reprogramarem” a orientação sexual de um filho ou de descartarem-no via “aborto terapêutico”, terão os pais o direito de pedir à medicina esse instrumento seletivo e subjetivo?

Aceitar essa possibilidade é aceitar que, no futuro, os pais poderão determinar a vida futura dos filhos. Escolher a orientação sexual; o temperamento; a vocação intelectual; a excelência atlética ou estética.

Não duvido que a maioria, confrontada com tal hipótese, reservasse para a descendência o cruzamento ideal entre Brad Pitt, Albert Einstein e Pelé.

Mas um tal gesto seria uma tripla violência: contra a medicina e a sua função especificamente curativa; contra o mistério e a diversidade da vida humana; mas também contra os próprios filhos, condenados a habitar vidas que não lhes pertenceriam, mas que foram desenhadas pela vaidade, soberba e tirania de seus progenitores.

Na íntegra, abaixo, para os sem-UOL.

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Parabéns, Professor! Agora, cospe aqui

Deu no G1:

Um quinto dos cientistas usa drogas para turbinar seu desempenho, diz pesquisa

Levantamento englobando 1.400 pesquisadores de 60 países foi feito pela revista ‘Nature’. Necessidade de melhorar concentração é citado como principal razão do ‘doping’.

A era do doping científico pode ter começado, a julgar pelos resultados de um levantamento feito pela revista especializada britânica “Nature”. Um em cada cinco pesquisadores que responderam um questionário on-line da publicação admitiram o uso de drogas para melhorar seu desempenho intelectual. São medicamentos normalmente empregados contra doenças do sono, hiperatividade e problemas cardíacos, que agora estão sendo colocados a serviço da mente dos cientistas sem prescrição médica.

A “Nature” havia colocado o questionário em seu site no começo deste ano, estimulada por um artigo especulativo de neurocientistas da Universidade de Cambridge. Barbara Sahakian e Sharon Morein-Zamir haviam feito uma enquete de pequena escala com seus colegas a respeito do uso desse tipo de droga e perguntado se estariam dispostos a usar tais substâncias para melhorar seu desempenho. As reações do público da “Nature” foram tão fortes que a revista se viu motivada a realizar sua própria pesquisa.

O questionário foi respondido por 1.400 pessoas de 60 países. Além de perguntas mais genéricas sobre as opiniões pessoais dos cientistas a respeito do uso de “doping”, a revista decidiu enfocar um trio de substâncias já conhecidas por seu uso entre estudantes desesperados.

A tríade abrange o Ritalin (princípio ativo: metilfenidato), normalmente usado para tratar hiperatividade ou distúrbio do déficit de atenção e empregado informalmente; o Provigil (modafinil), que atua contra problemas de sono mas também combate o cansaço e a desregulação do relógio biólogico; e os chamados betabloqueadores, que os médicos recomendam contra arritmia cardíaca, embora tais drogas também possam atuar contra a ansiedade.”

***

Vai rolar exame anti-doping na cerimônia do Prêmio Nobel…

Matéria interessante na Folha, traduzida do Le Monde. Certamente um fenômeno que também afeta os brasileiros:

Os bamboccioni estão por todo lugar e em todos os meios, nas cidades e nas aldeias. Tanto no Mezzogiorno (região sul) empobrecido quanto nas ricas províncias do norte. Inicialmente, a demógrafa Rossella Palomba havia se mostrado espantada diante da seguinte constatação estatística: em 1987, 46,8% dos italianos entre 20 e 34 anos viviam na casa dos seus pais. Em 1995, a proporção era de 52,3%. Atualmente, ela é de 69,7%. “Trata-se de um crescimento fenomenal”, comenta. Em 1999, ao concluir um ano de pesquisa junto a 1.000 pais e 4.500 filhos de 24 a 34 anos, ela redigiu um relatório.

A explicação mais evidente para esta tendência é econômica. Segundo o Instituto Italiano de Estatísticas (Istat), dois terços das pessoas ativas de menos de 30 anos que vivem na casa dos seus pais ganham menos de 1.000 euros (cerca de R$ 2.700) por mês. Em primeiro lugar, os bamboccioni são as vítimas do “declínio” italiano, da precariedade do emprego e do custo dos aluguéis. Mais do que nunca, a família constitui um amortecedor social.

Contudo, a novidade do fenômeno está no fato de ele estar se produzindo nos meios abastados. Segundo Rossella Palomba, o surgimento de um número cada vez maior de “bebezões”, curiosamente pouco tem a ver com a crise econômica. Dos 4.500 filhos que foram recenseados na sua pesquisa, 80% têm um emprego de duração determinada e são corretamente remunerados. Mas eles consideram ainda assim que os seus ganhos são insuficientes: “As suas exigências estão vinculadas ao nível de vida dos seus pais”, comenta a pesquisadora. “Eles não suportam o fato de terem de rever para baixo o seu modo de vida”. A isso, deve ser acrescentada uma tradição bem italiana: “O único motivo verdadeiro e legítimo para deixar o domicílio dos pais é o fato de casar-se. Ora, a idade média do casamento foi postergada de maneira considerável na Itália: de 28 anos no final dos anos 1990, ela passou para 30 anos atualmente. Trata-se de um círculo vicioso: quanto mais eles ficam na casa da mamma, mais tarde eles se casam. E por mais tempo eles ficam” .

Isso é exato; outro dia, conversando com minha sogra, ela se espantava com o fato de que antigamente casais se formavam com 18, 19 anos de idade, ao passo que agora os filhos ficam em casa até bem além dos 20 e poucos.

Eu suspeito que a Rossela Palomba está certíssima, e este aliás é um fenômeno que eu já havia detectado, primeiro no Rio, depois em Brasília. E no caso de Brasília isso é ainda pior, porque entre os funcionários públicos concursados isto gera demandas por reajustes salariais totalmente fora da realidade _ uma vez que os demandantes muitas vezes se pautam não pelo real valor do seu trabalho, mas por suas expectativas de conseguir levar uma vida de classe média fora da casa de seus pais.

Transcrevo integralmente abaixo do fold para os sem-UOL.

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Tava tudo planejado! 

O aniversário da Redentora nos dá uma oportunidade de interpretarmos o momento atual sob uma nova ótica.

Apesar do título da obra magna do Elio Gaspari, “A Ditadura Derrotada“,  parece que afinal de contas a ditadura se deu bem. Ela atingiu seu propósito principal, que era derrotar o comunismo no Brasil _ basta olhar para o PPS, coitado.

O próprio Golbery, iminência parda de Geisel, insuflou, segundo dizem por aí, um sindicalismo de resultados que desembocou em Lula, que de líder sindical com mug shot passou a Presidente distribuidor de renda.

Um presidente que com seus programas sociais faz aquilo que a ditadura mais queria, que é roubar a base social da esquerda revolucionária, se é que ela já teve uma.

dilma4.jpg

Tigresa

Uma tigresa de unhas negras e íris cor de mel
Uma mulher, uma beleza que me aconteceu
Esfregando a pele de ouro marrom
Do seu corpo contra o meu
Me falou que o mal é bom e o bem cruel

Nós não investigamos o governo passado. Reiteramos que não foi feito dossiê. Não é possível, eu tenho certeza

Em breve, como o Zé Dirceu antes dela, a Dilma provavelmente anunciará que tem “cada vez mais certeza” de que não investigou ninguém.

De qualquer forma, esse quiprocó me deixa com uma dúvida: porque os mesmos que fazem uma cruzada contra o sigilo das informações da atual Presidência defendem a sacralidade do sigilo das informações da Presidência passada?

Na Folha de hoje, matéria relacionada ao “causo” das deportações de brasileiros na Espanha:

Conhecida como grande exportadora de pessoas para a Espanha, principalmente mulheres que supostamente se prostituem, a pequena Uruaçu (GO) já sente os efeitos do maior rigor para a entrada em território espanhol e do grande número de brasileiros deportados.

“Eu ia pra lá, mas vou esperar passar essa crise” foi uma das frases ouvidas pela Folha. Como na maioria das conversas, a moça se negou a dizer o nome.
O município de 33 mil habitantes é, segundo estimativa de Luciano Dornelas, delegado da Polícia Federal em Goiás, o terceiro do Estado que mais manda mulheres para prostituição na Europa -principalmente para Espanha e Portugal. O primeiro, segundo ele, é Anápolis (população de 300 mil) e o segundo, Goiânia (1,2 milhão).

Os goianos são maioria na Europa, diz o governo do Estado -cerca de 250 mil.

Não é apenas a prostituição que atrai as uruaçuenses. Uma outra mulher que também pediu para não ser identificada disse que morou parte do ano passado na Espanha trabalhando como babá. Em dezembro, quando tentou voltar à Europa a passeio, via Portugal, foi barrada. “Eles acham que tudo quanto é brasileiro é para prostituição mesmo, não pode ser uma viagem para passear.”

As mulheres goianas têm ampla fama, em Brasília, de serem muito bonitas.  Houve época _ não sei se ainda é assim _ que ir aos puteiros de Goiânia era um ritual de iniciação para os jovens classe-média brasilienses.

Eu conheço Goiânia de passagem, nunca pernoitei lá, mas uma vez fiquei dois dias em Anápolis.  Trata-se de uma cidade “grande” para os padrões do interior brasileiro _ talvez seja a segunda maior cidade do estado de Goiás, não sei.  Era difícil achar um restaurante aberto à noite.  Cidades sem futuro exportam gente.

Na íntegra abaixo do fold, para os sem-UOL.

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The Thunder, Perfect Mind

(…)But I am she who exists in all fears
and strength in trembling.
I am she who is weak,
and I am well in a pleasant place.
I am senseless and I am wise.(…)

*

(inteiro, abaixo do fold)

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Post da Nariz Gelado hoje:

Tenham dó.

Proibir que embriões, que iriam para o lixo de qualquer maneira, sejam doados para a pesquisa científica, com a devida autorização dos pais?
Pensei que já tínhamos resolvido esta questão no século passado.
Afinal de contas, basta a autorização da família para que órgãos vitais, que seriam enterrados de qualquer maneira, sejam doados.

Assino embaixo.

Um texto interessante do José Eli da Veiga no Valor.   Depois comento:

A PRINCIPAL LIÇÃO DA MUDANÇA CLIMÁTICA

Mudanças climáticas são mais determinadas por radiações cósmicas do que por ações humanas. Por isso, o planeta poderá estar mais frio dentro de 20 anos, contrariando a tão alardeada previsão de aquecimento global. Estas duas frases sintetizam a mensagem de um relatório entregue ao ministro de C&T, o físico Sergio Rezende, na última quinta, 14 de fevereiro.
Entre os signatários, três de seus ilustres colegas de profissão: José Carlos Azevedo (ex-reitor da UnB), Fernando Mendonça (primeiro presidente do Inpe), e Luis Carlos Molion, diretor do Instituto de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Alagoas. Como todos os outros “céticos”, essa trinca considera das mais “alarmistas” a tese consagrada pelo IPCC, o bunker científico da ONU ganhador com Al Gore do último Prêmio Nobel da Paz.
Apesar de ser um debate que não pode sequer ser entendido por quem não tenha capacidade de decifrar os complexos modelos utilizados na ciência do clima, é extremamente comum observar entre leigos grande firmeza no apoio a um dos lados. Desde quem não teve qualquer iniciação científica, até eruditos intelectuais. Alguns chegam a desqualificar a tese oposta, como se nem mais houvesse sombra de dúvida. Posição que os próprios dirigentes do IPCC não poderiam assumir, pois algum grau de incerteza é reconhecido em todos os seus documentos.
É inevitável, então, que se pergunte: o que pode levar alguém a estar tão convicto de uma tese que permanece controversa entre os cientistas da área? O que faz com que se tome como certeza algo que, no limite, permanece uma hipótese?
Qualquer resposta passa necessariamente pelo entendimento dos processos de formação mental da percepção do risco. Sabe-se que ela resulta de cruzamentos entre visões da natureza e visões da condição humana, dos quais emergem três principais propensões: não levar a sério qualquer intenção de reduzir riscos; adotar apenas medidas preventivas que não comprometam liberdades; persuadir a coletividade a adotar medidas drásticas necessárias à sua eliminação, com muralhas institucionais capazes de lidar com eles do jeito que um exército lida com o inimigo. Explicações bem detalhadas desses processos estão no excelente livro “Risk”, do professor britânico John Adams, que felizmente logo terá tradução da Editora Senac.
Todavia, grande parte dos torcedores do IPCC retrucará que, muito pelo contrário, orientam-se por algo bem mais racional do que qualquer tipo de intuição ou pressentimento resultante da combinação de visões pré-analíticas da natureza e da humanidade. Que se guiam pelo “princípio da precaução”, segundo o qual, diante da possibilidade de dano grave e irreversível, não devem ser adiadas medidas que visem evitá-lo, por mais que haja incerteza sobre as reais causas do perigo, ou sua magnitude. Aplicado à questão climática, manda agir conforme a pior hipótese: cortar emissões de gases estufa e preparar adaptação a acelerado aquecimento. Mesmo que haja a possibilidade de tal perigo sequer existir, como pretendem os “céticos”.
Dois sérios problemas dessa forma de pensar merecem mais reflexão pelos entusiastas adeptos da precaução. O primeiro é que qualquer alusão a esse princípio só confirma a prevalência da incerteza. Não serve, portanto, para justificar inabalável convicção sobre o aquecimento. Chega mesmo a ser hilário que tal princípio seja evocado justamente por quem também afirma ter absoluta certeza de que a ação humana está provocando aquecimento global.
O segundo problema, bem mais profundo, resulta do contraste que se estabeleceu entre a boa acolhida dos juristas a um princípio que só lhes poderia ter parecido dos mais sensatos e a crescente contestação que ele provoca entre os teóricos do risco e do seguro (principalmente economistas e engenheiros). Por não enxergarem qualquer diferença substantiva entre prevenção e precaução, reduzem a segunda à primeira. Como conseqüência, é para um plano dos mais filosóficos que se transfere a discussão sobre essa nova retórica que se pretende o supra-sumo da ética. E não deve haver melhor contribuição para esse movimento de idéias do que o “catastrofismo esclarecido” proposto pelo matemático francês Jean-Pierre Dupuy, hoje professor de filosofia na Politécnica de Paris e na Universidade de Stanford.
Baseando-se em seus estudos sobre o processo de dissuasão nuclear, Dupuy insiste que os comportamentos dos agentes com poder de decisão só se alteram se eles realmente acreditarem no pior. Se passarem a crer que a catástrofe é inelutável. Assim, o simples anúncio do futuro pode modificá-lo, desde que seja crível. Como a espécie humana adquiriu meios de destruir a biocapacidade dos ecossistemas dos quais depende, acelerando o processo de sua própria extinção, só haverá esperança se a inevitabilidade da catástrofe for conscientemente assumida pelos políticos.
Nessa perspectiva, foi muito bom saber que a reação do ministro Sergio Rezende foi a de lavar as mãos e se negar a falar com a imprensa após o afável encontro com seus colegas “céticos”. Conforme telegráfico recado transmitido por assessores, “as informações recebidas já foram encaminhadas ao IPCC, que deve debater a validade da teoria apresentada” (Folha de S.Paulo, 15/02/08).
O que mais importa, contudo, é perceber que, sob avalanche de controvérsias a respeito de mudança climática, embriões, energia nuclear, biodiversidade, transgênicos, etc, nada pode ser pior para uma nação do que o analfabetismo científico. É essa a maior tragédia do Brasil, país com o pior índice de interesse por ciência entre os ibero-americanos (Agência Fapesp, 11/02/08).
Qual pode ser o impacto da abnegação de heróis – como os “pais que saíram de férias”, Amélia e Ernest Hamburger – se o aprendizado científico continuar tão calamitoso nas escolas, particularmente no ensino fundamental? E na contramão da Argentina, que até declarou 2008 “o ano do ensino da ciência”, certamente também por ter entendido as implicações de controvérsias como a da mudança climática (José Eli da Veiga professor titular do departamento de economia da FEA/USP; Valor, 19/02/08)

Inspirado por este post do Torre de Marfim, e pelo quebra-quebra entre a Universal e a Folha de São Paulo, tenho a dizer o seguinte:

Só uma coisa separa a ICAR da IURD.

Dois milênios.  E a aparente respeitabilidade que isto inspira.

amydentistry.jpg

OK, fui checar e descobri que Amy Winehouse é uma cantora com uma séria necessidade de procurar um dentista.

Eu não sei se já falei aqui que não entendo nada de música.  Ao contrário de certos amigos capazes de se lembrar da performance da banda tal na faixa tal do lado B do disco tal de 1982, eu sou dicotômico e quando escuto alguma coisa só sei dizer “gostei” e “não gostei”, raramente conseguindo ir além da mera opinião auricular.  É verdade que meu cérebro talvez seja capaz de um pouco mais de sofisticação do que o seu habitante, razão pela qual algumas coisas de que “não gostei” eu acabe gostando, se ouvir de novo, e vice versa.

E, bem, também gosto de cantoras, gosto muito mais de cantoras do que de cantores.

Dei uma ouvidinha na Last.fm e achei que a Amy aí tem certas qualidades.  Eu, francamente, não sou um grande fã de jazz, mas me pareceu que a Amy não é bem a “carne de vaca” que frequenta as telas da MTV, aquelas infinitas variações da mesma coisa que me afastaram do mundo dos clips.

Vou ver se baixo um dos CD’s dela para, hum, aperfeiçoar meu julgamento.

Ele teve um filho.

Ele escreveu um livro.

Ele plantou uma árvore:

savetheworld.jpg

***

Agora, reformar o Estado que é bom…

Visão do caos aéreo, Brasil:

Relaxa e goza!

Visão do caos aéreo, USA:

Using a Markov Chain Monte Carlo optimization algorithm and a computer simulation, I find the passenger ordering which minimizes the time required to board the passengers onto an airplane. The model that I employ assumes that the time that a passenger requires to load his or her luggage is the dominant contribution to the time needed to completely fill the aircraft. The optimal boarding strategy may reduce the time required to board and airplane by over a factor of four and possibly more depending upon the dimensions of the aircraft. I explore some features of the optimal boarding method and discuss practical modifications to the optimal. Finally, I mention some of the benefits that could come from implementing an improved passenger boarding scheme.

Pois é.

Fui lá no blog do Ordem Livre, babando, esfregando as mãos, pronto para escrever mais um post sob a bandeira tremulante da tag “Fire at Will”, que nem Nelson em Trafalgar. Dei com os burros n´água.

Encontrei este post tremendamente interessante do…Pedro Sette Câmara. Tá bom, o que é mais interessante mesmo é o assunto, mas nem por isso posso deixar de concordar inteiramente com Seu Sette. O tema: o site de Paulo Coelho onde ele “pirateia” suas próprias obras, o Pirate Coelho. Diz o Pedro:

Sempre que leio algum debate sobre copyrights, tenho a impressão de estar vendo uma batalha entre um modelo de negócios que não aceita sua morte iminente, um modelo em que o provedor de conteúdo tem o controle absoluto, e uma nova geração que já se acostumou a ter controle total sobre a informação que recebe e que está à espera de um novo modelo de negócios. Não se trata, como demonstram os fãs de Paulo Coelho, de uma geração que deseja tudo de graça: se você, como já dizia Ludwig von Mises, atender às expectativas dos consumidores, eles alegremente pagarão por seus produtos e serviços.

Não há dúvida de que em certa medida a distribuição on-line está a favor do próprio escritor. Aliás, anos atrás o Slashdot pariu um post sobre a experiência online de Stephen King que reproduz exatamente a lição ensinada por Paulo Coelho.

Não que isto seja novidade.  Os traficantes já descobriram há muito tempo que dar um pozinho de graça para criar o interesse em futuros clientes é uma “estratégia vencedora”, e antes deles os feirantes já faziam a mesma coisa.

E hoje muitos escritores fazem o mesmo _ e nem todos eles se chamam Biajoni.

A rigor, a estratégia tem nome, embora ele seja pouco conhecido fora de círculos especializados em marketing ou organização industrial:  loss-leader.

Um esclarecimento sobre o post “Califado Apostólico Romano de Olinda e Recife”:

Não estou convencido de que a distribuição gratuita da pílula do dia seguinte no Carnaval seja das melhores idéias que já atravessou as mentes do pessoal da saúde pública.  Pelo seguinte motivo: diferentemente da distribuição de camisinhas, ela realmente pode induzir a um aumento das DST’s, inclusive a AIDS.

Pelo seguinte mecanismo: é fato conhecido que, mesmo hoje, muitos homens se recusam a usar camisinha.  Uma jovem disposta a agradar esse homem poderá, então, anuir ao seu desejo, achando que pelo menos não correrá o risco de engravidar, graças à pilula do dia seguinte.  O que é verdade, mas não significa que ela não possa ser contaminada por uma DST _ coisa que a pílula, diferentemente da camisinha, não tem o poder de evitar.

Claro que em um mundo ideal, onde as pessoas já estivessem suficientemente conscientizadas sobre a necessidade de se proteger contra as DST’s, a distribuição das pílulas poderia de fato ser de alguma utilidade.  Duvido, porém, que seja este o caso do carnaval pernambucano.

Por outro lado, minhas razões para um certo ceticismo quanto à razoabilidade da medida nada têm a ver com os motivos, consideravelmente mais retrógrados, da Arquidiocese de Olinda e Recife para ir à justiça contra as Prefeituras.

Cadê o Palatando??

Dona Matilde Ribeiro, Secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, anda fazendo das suas. Deu na Veja:

Ministra da Igualdade Racial transforma o cartão de crédito pago pelo governo num segundo salário

A assistente social Matilde Ribeiro é uma das ministras mais longevas do governo Lula. Ela comanda a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial desde março de 2003. Apesar de estar há tanto tempo no cargo, o que ela faz em Brasília ainda é um mistério. Recentemente, abriu-se uma chance de preencher essa lacuna. É possível traçar um retrato detalhado das ações e dos hábitos da ministra com base na fatura do seu cartão de crédito corporativo.

O uso desse tipo de benefício é concedido aos funcionários que ocupam os cargos mais altos da Esplanada e do Palácio do Planalto. Serve para que eles paguem algumas despesas decorrentes do exercício da função. No fim do mês, a conta é enviada ao Tesouro. Estaria tudo certo se o cartão fosse usado com critério, mas tem sempre aqueles que exageram. Matilde está entre eles.

Fechadas as contas de 2007, descobriu-se que ela torrou 171.500 reais no cartão pago pelos contribuintes. Foi de longe a ministra mais perdulária da Esplanada. Em média, foram 14.300 reais por mês, mais do que seu salário, que é de 10.700 reais. Isso, sim, é que é emenda no orçamento.

Matilde jura que só usou o cartão corporativo para pagar despesas de viagens oficiais. De fato, ela viaja tanto que poderia assumir o Ministério do Turismo. No ano passado, pagou 67 contas em hotéis – média de 5,5 contas por mês. É rara a semana em que ela não se hospeda em algum estabelecimento. Seu favorito é o confortável Pestana, um cinco-estrelas que enfeita a Praia de Copacabana. Ela esteve por lá 22 vezes no ano passado, ao custo total de 10.000 reais.

A ministra também gosta de usar o cartão para pagar contas em bares, choperias, quiosques, restaurantes, rotisseries e até padarias. No Rio de Janeiro, ela adora o restaurante Nova Capela, conhecido reduto da boemia carioca, e o bar Amarelinho, que se orgulha de servir o chope mais gelado da cidade.

Em São Paulo, Matilde é assídua na padaria Bella Paulista, que fica aberta 24 horas por dia e é freqüentada pelos notívagos paulistanos. Nas refeições, ninguém pode acusá-la de abandonar a bandeira da igualdade racial: ela usou seu cartão dez vezes em restaurantes italianos, nove em árabes e três em japoneses.

A maior parte dos gastos do cartão de crédito corporativo da ministra, no entanto, se refere a aluguel de veículos. Ela tem um carro oficial em Brasília e, quando viaja, não se arrisca a ficar a pé. Assim que desembarca em uma cidade, saca o seu cartão oficial e, zás, aluga um automóvel do seu gosto. Em 2007, ela usou nada menos que 126.000 reais com essa finalidade. Curiosamente, se decidisse alugar um Vectra, o veículo mais caro oferecido por sua locadora habitual, a Localiza, gastaria 116.000 reais por ano. Que tipo de carro será que a ministra aluga?

Matilde utilizou o cartão de crédito do governo até para fazer compras em free shop. Em 29 de outubro, gastou 460 reais em um desses estabelecimentos. Questionada por Veja, a ministra disse que, na ocasião, usou o cartão pago com dinheiro público “por engano” e que “o valor já foi ressarcido à União”. Ela passou pelo free shop na volta de uma de suas muitas viagens ao exterior. Em 2007, Matilde visitou Estados Unidos, Cuba, Quênia, Burkina Faso, Congo e África do Sul. Na semana passada, estava no Senegal. Quem sabe até o fim deste ano ela não descola também um cartão de crédito internacional?

Interessante comparar este texto com o do portal Afropress sobre a mesma notícia:

Matilde é a que mais gasta no Governo em cartão para viagens
Por: Redação – Fonte: Afropress: – 13/1/2008

Brasília – Depois de ocupar as manchetes dos grandes jornais, no ano passado, por causa de uma declaração polêmica – a de que negros teriam razão de não gostar de brancos por causa dos sofrimentos do escravismo – a ministra Matilde Ribeiro (na foto no primeiro plano), da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) volta às manchetes por uma razão menos defensável: foi a campeã de gastos entre os integrantes do Governo que utilizaram os cartões corporativos para despesas de viagem no ano passado.
Matilde gastou R$ 14,3 mil mensais, em média, – quase sete vezes mais que o segundo colocado na lista – e mais do que seu salário mensal que é de R$ 10,7 mil, somando um total durante o ano de R$ 171,5 mil em despesas. Os gastos incluíram hotéis, restaurantes e aluguéis de carros, responsáveis pela parte mais pesada da fatura: 121,9 mil, pagos sempre à mesma empresa de locação de veículos. No ano anterior – 2006 – as despesas da ministra tinham sido de R$ 55,5 mil. A explicação é que ela só teve acesso ao cartão em julho.

Ministra se defende
A ministra justificou o fato de ter sido campeã de gastos, alegando que no ano passado houve a necessidade de intensificar a relação com os novos governos estaduais para rediscutir políticas de promoção da igualdade racial. Por isso, teria sido obrigada a viajar mais.
Segundo Matilde, as despesas de viagem são integralmente feitas no cartão, por não ter estrutura nos Estados, como escritórios, carros oficiais e motoristas. Quanto ao uso da mesma locadora alegou que o desempenho vem sendo “satisfatório pelo constante atendimento a autoridades, ofertando equipe qualificada em segurança e amplitude dos serviços em todo o território nacional”. Ela não explicou, porém, porque não formaliza contrato permanente com a empresa.

Gastos dobrados
Em 2007, o governo federal mais que dobrou os gastos com cartões corporativos indicados para pagamentos de pequenos serviços a pessoas físicas, em estabelecimentos onde o cartão não é aceito ou para gastos em localidades onde a única alternativa é a quitação em dinheiro vivo. Segundo o Portal da Transparência, mantido pela Controladoria Geral da União (CGU) foram gastos R$ 75,6 milhões por meio dos cartões, 129% a mais que no ano anterior. Só para se ter uma idéia do crescimento dos gastos, o mais importante programa social do Governo – o Bolsa Família – teve uma expansão de investimentos de 14,6%.
O segundo colocado foi o secretário especial de Aquicultura e Pesca, Altemir Gregolin, que gastou R$ 22,6 mil, também com viagens. O terceiro da lista é o ministro dos Esportes, Orlando Silva, que gastou R$ 20 mil. Em seguida, vem a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que gastou apenas R$ 2,4 mil, em viagens.

Apesar de tratar-se de um portal dedicado à causa do movimento negro, a cobertura não alivia para a ministra. Talvez porque o portal esteja na oposição ao governo no tocante às políticas de igualdade racial, pois defende quea Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, “uma conquista do Movimento Negro” – ao invés de servir ao Movimento “serve como amortecedor de críticas desse setor ao próprio governo“.

O problema são alguns dos comentários à matéria do Afropress sobre a Ministra:

O símbolo do Poder é a Mordomia e deve ser exercitada plenamente por quem ocupa cargos públicos, seja branco, negro ou amarelo. Assim sempre foi e será em todo o Universo. O resto é conversa para boi dormir. Parabéns a Ministra por usufruir plenamente de um direito que está implícito na ocupação do cargo para o qual foi nomeada.

(…)

Os(As) negros(as) não podem ascender a uma posição que durante séculos foi privilégio somente de brancos(as). Que perseguição! Tantos(as) brancos(as) ultrapassam o limite de gastos e não vêem seus expostos na mídia. Por que esta supervalorização quando se trata da ministra negra da Igualdade Racial? Isto é racismo recheado de machismo. VALEU ZUMBI. A LUTA CONTINUA. Sou a favor de tratamento igual para todos(as).

***

Seria menos grave se coisa semelhante não tivesse ocorrido à Benedita da Silva, que foi ministra deste mesmo governo. E não foi por falta de aviso: quem conhece o babado na política carioca sabe que Bené nunca foi flor que se cheire.

Penso o seguinte: se tivéssemos um ministro negro na Saúde, na Agricultura, na Educação, sobre o qual pesassem essas acusações, seria algo grave. Mas termos um ministro negro da Igualdade Racial que mostre este tipo de comportamento é algo catastrófico, porque só faz reforçar o estereótipo que o próprio ministério se dedica a combater.

Podemos todos imaginar o tipo de arquitetura política que levou dona Matilde a chegar a esse cargo. A matéria do Afropress entrevistando o jornalista Marcio Alexandre Martins Gualberto (foto), da Comissão Executiva do Congresso de Negros e Negras do Brasil (CONNEB) e dirigente do Coletivo de Entidades Negras (CEN), dá algumas dicas. O entrevistado critica o governo:

Afropress – Como encarou a posição do presidente Lula que no dia 20 de Novembro disse que o Estatuto só não foi aprovado ainda por falta de união dos negros e sugeriu que “cutucassem” o Governo?
Márcio – É uma fala cínica. É a fala da elite branca de dizer que como nós somos desunidos por isso não resolvemos nossos problemas. E o paradoxal é que o pavor que eles têm é que nós possamos nos unir um dia. Veja os mucamos modernos que atendem pelo nome de Movimento Negro Socialista. Nunca existiram. Passaram a existir pra carregar o véu da saia da sinhazinha moderna chamada Ivonne Maggie. Dá pra ter respeito por essa gente? Nem um pouco. Num contexto de guerra seriam julgados em corte marcial por traição. Mas fazem bem o papel, Lula gosta deles, Maggie nem se fala, pois eles ajudam a fortalecer o discurso de que somos desunidos.
Os negros que ficam dentro dos partidos da base do governo, posando como se toda agenda do MN se resolvesse pela via partidária acabam também cumprindo esse papel e ajudam a fortalecer o discurso sem pé nem cabeça do presidente.
Agora ele está no direito dele de dizer tal bobagem e nós de darmos respostas na hora que acharmos melhor.

No entanto, eis como ele mesmo descreve o processo político do movimento negro:

Afropress – Mesmo sem citar nomes, a coordenação gaúcha responsabiliza “pseudo-lideranças que carregam histórico individual de transgressão de princípios éticos devido aos seus próprios referenciais de orientação política, que culturalmente mantêm uma relação sistemática de surrupiar os processos democráticos”. A quem estão se referindo?
Márcio – Essa é uma pergunta que deveria ser dirigida aos gaúchos. A mim já me disseram que não sou. Fiquei até feliz, porque posso até ser pseudo, mas não sou liderança de nada. Sou um militante disposto a colaborar com o pouco que sei.
Agora, de fato, precisamos considerar que se há uma crise hoje dentro do MN é exatamente de lideranças. Quem é liderança hoje dentro do MN? Quem tem poder de convocatória? Quem diz “vamos por ali” e os outros seguem?
E o próprio CONNEB, que se configura como um processo líder dentro do MN tem um problema ainda a resolver que é o fato de não ter atraído setores essenciais para essa discussão.
Agora, uma verdade precisar ser dita. Você está lidando com a multiplicidade do MN. Eu sou testemunha do esforço que cada uma das 13 organizações vêm fazendo internamente para construir o CONNEB. Eu sei das nossas conversas internas, sei das conversas e dos acordos que vimos construindo para tentar salvar determinadas questões. Agora o que pouca gente considera é que o MN tem um dinamismo próprio, e um tipo de democracia que é força e fraqueza ao mesmo tempo. Porque por mais que eu, como dirigente possa firmar algum acordo, se um militante da minha base chegar numa reunião e resolver detonar esse acordo e minha posição ele o faz sem dó, nem piedade.
Ou seja, no nosso ordenamento político interno, nós, do MN, não construímos a disciplina política de respeito aos quadros dirigentes. Essa é uma das contradições do MN com as quais o CONNEB tem que lidar cotidianamente .” (grifo meu)

Em um ambiente como esse, evidentemente quem se dá bem são as “old boys networks“. Basta ver o currículo da ministra. Somado ao fato de que frequentemente o movimento compra as brigas erradas, fico pensando que o futuro do movimento negro está…em branco.

Há uns anos atrás eu e o Idelber, do “Biscoito Fino e a Massa”, protagonizamos um debate na blogoseira pátria sobre a questão das cotas raciais no sistema de ensino. Ele a favor, eu contra.

Fiquei sabendo agora que graças ao novo livro do Antônio Risério, Idelber mudou de idéia e aparentemente convenceu-se de que uma política educacional universalista faz mais sentido.

Eu acho que ele só mudou de idéia agora porque o Risério é branquinho, enquanto eu tenho um pé na cozinha. :)

Eis um post da Nariz Gelado com o qual posso concordar integralmente.

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