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Estou longe de ser um fã de João Pereira Coutinho, mas hoje, na Folha, acho que ele matou a pau:

(…)Resta a questão final: e os pais? Confrontados com a possibilidade de “reprogramarem” a orientação sexual de um filho ou de descartarem-no via “aborto terapêutico”, terão os pais o direito de pedir à medicina esse instrumento seletivo e subjetivo?

Aceitar essa possibilidade é aceitar que, no futuro, os pais poderão determinar a vida futura dos filhos. Escolher a orientação sexual; o temperamento; a vocação intelectual; a excelência atlética ou estética.

Não duvido que a maioria, confrontada com tal hipótese, reservasse para a descendência o cruzamento ideal entre Brad Pitt, Albert Einstein e Pelé.

Mas um tal gesto seria uma tripla violência: contra a medicina e a sua função especificamente curativa; contra o mistério e a diversidade da vida humana; mas também contra os próprios filhos, condenados a habitar vidas que não lhes pertenceriam, mas que foram desenhadas pela vaidade, soberba e tirania de seus progenitores.

Na íntegra, abaixo, para os sem-UOL.

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Parabéns, Professor! Agora, cospe aqui

Deu no G1:

Um quinto dos cientistas usa drogas para turbinar seu desempenho, diz pesquisa

Levantamento englobando 1.400 pesquisadores de 60 países foi feito pela revista ‘Nature’. Necessidade de melhorar concentração é citado como principal razão do ‘doping’.

A era do doping científico pode ter começado, a julgar pelos resultados de um levantamento feito pela revista especializada britânica “Nature”. Um em cada cinco pesquisadores que responderam um questionário on-line da publicação admitiram o uso de drogas para melhorar seu desempenho intelectual. São medicamentos normalmente empregados contra doenças do sono, hiperatividade e problemas cardíacos, que agora estão sendo colocados a serviço da mente dos cientistas sem prescrição médica.

A “Nature” havia colocado o questionário em seu site no começo deste ano, estimulada por um artigo especulativo de neurocientistas da Universidade de Cambridge. Barbara Sahakian e Sharon Morein-Zamir haviam feito uma enquete de pequena escala com seus colegas a respeito do uso desse tipo de droga e perguntado se estariam dispostos a usar tais substâncias para melhorar seu desempenho. As reações do público da “Nature” foram tão fortes que a revista se viu motivada a realizar sua própria pesquisa.

O questionário foi respondido por 1.400 pessoas de 60 países. Além de perguntas mais genéricas sobre as opiniões pessoais dos cientistas a respeito do uso de “doping”, a revista decidiu enfocar um trio de substâncias já conhecidas por seu uso entre estudantes desesperados.

A tríade abrange o Ritalin (princípio ativo: metilfenidato), normalmente usado para tratar hiperatividade ou distúrbio do déficit de atenção e empregado informalmente; o Provigil (modafinil), que atua contra problemas de sono mas também combate o cansaço e a desregulação do relógio biólogico; e os chamados betabloqueadores, que os médicos recomendam contra arritmia cardíaca, embora tais drogas também possam atuar contra a ansiedade.”

***

Vai rolar exame anti-doping na cerimônia do Prêmio Nobel…

Matéria interessante na Folha, traduzida do Le Monde. Certamente um fenômeno que também afeta os brasileiros:

Os bamboccioni estão por todo lugar e em todos os meios, nas cidades e nas aldeias. Tanto no Mezzogiorno (região sul) empobrecido quanto nas ricas províncias do norte. Inicialmente, a demógrafa Rossella Palomba havia se mostrado espantada diante da seguinte constatação estatística: em 1987, 46,8% dos italianos entre 20 e 34 anos viviam na casa dos seus pais. Em 1995, a proporção era de 52,3%. Atualmente, ela é de 69,7%. “Trata-se de um crescimento fenomenal”, comenta. Em 1999, ao concluir um ano de pesquisa junto a 1.000 pais e 4.500 filhos de 24 a 34 anos, ela redigiu um relatório.

A explicação mais evidente para esta tendência é econômica. Segundo o Instituto Italiano de Estatísticas (Istat), dois terços das pessoas ativas de menos de 30 anos que vivem na casa dos seus pais ganham menos de 1.000 euros (cerca de R$ 2.700) por mês. Em primeiro lugar, os bamboccioni são as vítimas do “declínio” italiano, da precariedade do emprego e do custo dos aluguéis. Mais do que nunca, a família constitui um amortecedor social.

Contudo, a novidade do fenômeno está no fato de ele estar se produzindo nos meios abastados. Segundo Rossella Palomba, o surgimento de um número cada vez maior de “bebezões”, curiosamente pouco tem a ver com a crise econômica. Dos 4.500 filhos que foram recenseados na sua pesquisa, 80% têm um emprego de duração determinada e são corretamente remunerados. Mas eles consideram ainda assim que os seus ganhos são insuficientes: “As suas exigências estão vinculadas ao nível de vida dos seus pais”, comenta a pesquisadora. “Eles não suportam o fato de terem de rever para baixo o seu modo de vida”. A isso, deve ser acrescentada uma tradição bem italiana: “O único motivo verdadeiro e legítimo para deixar o domicílio dos pais é o fato de casar-se. Ora, a idade média do casamento foi postergada de maneira considerável na Itália: de 28 anos no final dos anos 1990, ela passou para 30 anos atualmente. Trata-se de um círculo vicioso: quanto mais eles ficam na casa da mamma, mais tarde eles se casam. E por mais tempo eles ficam” .

Isso é exato; outro dia, conversando com minha sogra, ela se espantava com o fato de que antigamente casais se formavam com 18, 19 anos de idade, ao passo que agora os filhos ficam em casa até bem além dos 20 e poucos.

Eu suspeito que a Rossela Palomba está certíssima, e este aliás é um fenômeno que eu já havia detectado, primeiro no Rio, depois em Brasília. E no caso de Brasília isso é ainda pior, porque entre os funcionários públicos concursados isto gera demandas por reajustes salariais totalmente fora da realidade _ uma vez que os demandantes muitas vezes se pautam não pelo real valor do seu trabalho, mas por suas expectativas de conseguir levar uma vida de classe média fora da casa de seus pais.

Transcrevo integralmente abaixo do fold para os sem-UOL.

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Tava tudo planejado! 

O aniversário da Redentora nos dá uma oportunidade de interpretarmos o momento atual sob uma nova ótica.

Apesar do título da obra magna do Elio Gaspari, “A Ditadura Derrotada“,  parece que afinal de contas a ditadura se deu bem. Ela atingiu seu propósito principal, que era derrotar o comunismo no Brasil _ basta olhar para o PPS, coitado.

O próprio Golbery, iminência parda de Geisel, insuflou, segundo dizem por aí, um sindicalismo de resultados que desembocou em Lula, que de líder sindical com mug shot passou a Presidente distribuidor de renda.

Um presidente que com seus programas sociais faz aquilo que a ditadura mais queria, que é roubar a base social da esquerda revolucionária, se é que ela já teve uma.

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Tigresa

Uma tigresa de unhas negras e íris cor de mel
Uma mulher, uma beleza que me aconteceu
Esfregando a pele de ouro marrom
Do seu corpo contra o meu
Me falou que o mal é bom e o bem cruel

Nós não investigamos o governo passado. Reiteramos que não foi feito dossiê. Não é possível, eu tenho certeza

Em breve, como o Zé Dirceu antes dela, a Dilma provavelmente anunciará que tem “cada vez mais certeza” de que não investigou ninguém.

De qualquer forma, esse quiprocó me deixa com uma dúvida: porque os mesmos que fazem uma cruzada contra o sigilo das informações da atual Presidência defendem a sacralidade do sigilo das informações da Presidência passada?

Na Folha de hoje, matéria relacionada ao “causo” das deportações de brasileiros na Espanha:

Conhecida como grande exportadora de pessoas para a Espanha, principalmente mulheres que supostamente se prostituem, a pequena Uruaçu (GO) já sente os efeitos do maior rigor para a entrada em território espanhol e do grande número de brasileiros deportados.

“Eu ia pra lá, mas vou esperar passar essa crise” foi uma das frases ouvidas pela Folha. Como na maioria das conversas, a moça se negou a dizer o nome.
O município de 33 mil habitantes é, segundo estimativa de Luciano Dornelas, delegado da Polícia Federal em Goiás, o terceiro do Estado que mais manda mulheres para prostituição na Europa -principalmente para Espanha e Portugal. O primeiro, segundo ele, é Anápolis (população de 300 mil) e o segundo, Goiânia (1,2 milhão).

Os goianos são maioria na Europa, diz o governo do Estado -cerca de 250 mil.

Não é apenas a prostituição que atrai as uruaçuenses. Uma outra mulher que também pediu para não ser identificada disse que morou parte do ano passado na Espanha trabalhando como babá. Em dezembro, quando tentou voltar à Europa a passeio, via Portugal, foi barrada. “Eles acham que tudo quanto é brasileiro é para prostituição mesmo, não pode ser uma viagem para passear.”

As mulheres goianas têm ampla fama, em Brasília, de serem muito bonitas.  Houve época _ não sei se ainda é assim _ que ir aos puteiros de Goiânia era um ritual de iniciação para os jovens classe-média brasilienses.

Eu conheço Goiânia de passagem, nunca pernoitei lá, mas uma vez fiquei dois dias em Anápolis.  Trata-se de uma cidade “grande” para os padrões do interior brasileiro _ talvez seja a segunda maior cidade do estado de Goiás, não sei.  Era difícil achar um restaurante aberto à noite.  Cidades sem futuro exportam gente.

Na íntegra abaixo do fold, para os sem-UOL.

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The Thunder, Perfect Mind

(…)But I am she who exists in all fears
and strength in trembling.
I am she who is weak,
and I am well in a pleasant place.
I am senseless and I am wise.(…)

*

(inteiro, abaixo do fold)

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Post da Nariz Gelado hoje:

Tenham dó.

Proibir que embriões, que iriam para o lixo de qualquer maneira, sejam doados para a pesquisa científica, com a devida autorização dos pais?
Pensei que já tínhamos resolvido esta questão no século passado.
Afinal de contas, basta a autorização da família para que órgãos vitais, que seriam enterrados de qualquer maneira, sejam doados.

Assino embaixo.

Um texto interessante do José Eli da Veiga no Valor.   Depois comento:

A PRINCIPAL LIÇÃO DA MUDANÇA CLIMÁTICA

Mudanças climáticas são mais determinadas por radiações cósmicas do que por ações humanas. Por isso, o planeta poderá estar mais frio dentro de 20 anos, contrariando a tão alardeada previsão de aquecimento global. Estas duas frases sintetizam a mensagem de um relatório entregue ao ministro de C&T, o físico Sergio Rezende, na última quinta, 14 de fevereiro.
Entre os signatários, três de seus ilustres colegas de profissão: José Carlos Azevedo (ex-reitor da UnB), Fernando Mendonça (primeiro presidente do Inpe), e Luis Carlos Molion, diretor do Instituto de Ciências Atmosféricas da Universidade Federal de Alagoas. Como todos os outros “céticos”, essa trinca considera das mais “alarmistas” a tese consagrada pelo IPCC, o bunker científico da ONU ganhador com Al Gore do último Prêmio Nobel da Paz.
Apesar de ser um debate que não pode sequer ser entendido por quem não tenha capacidade de decifrar os complexos modelos utilizados na ciência do clima, é extremamente comum observar entre leigos grande firmeza no apoio a um dos lados. Desde quem não teve qualquer iniciação científica, até eruditos intelectuais. Alguns chegam a desqualificar a tese oposta, como se nem mais houvesse sombra de dúvida. Posição que os próprios dirigentes do IPCC não poderiam assumir, pois algum grau de incerteza é reconhecido em todos os seus documentos.
É inevitável, então, que se pergunte: o que pode levar alguém a estar tão convicto de uma tese que permanece controversa entre os cientistas da área? O que faz com que se tome como certeza algo que, no limite, permanece uma hipótese?
Qualquer resposta passa necessariamente pelo entendimento dos processos de formação mental da percepção do risco. Sabe-se que ela resulta de cruzamentos entre visões da natureza e visões da condição humana, dos quais emergem três principais propensões: não levar a sério qualquer intenção de reduzir riscos; adotar apenas medidas preventivas que não comprometam liberdades; persuadir a coletividade a adotar medidas drásticas necessárias à sua eliminação, com muralhas institucionais capazes de lidar com eles do jeito que um exército lida com o inimigo. Explicações bem detalhadas desses processos estão no excelente livro “Risk”, do professor britânico John Adams, que felizmente logo terá tradução da Editora Senac.
Todavia, grande parte dos torcedores do IPCC retrucará que, muito pelo contrário, orientam-se por algo bem mais racional do que qualquer tipo de intuição ou pressentimento resultante da combinação de visões pré-analíticas da natureza e da humanidade. Que se guiam pelo “princípio da precaução”, segundo o qual, diante da possibilidade de dano grave e irreversível, não devem ser adiadas medidas que visem evitá-lo, por mais que haja incerteza sobre as reais causas do perigo, ou sua magnitude. Aplicado à questão climática, manda agir conforme a pior hipótese: cortar emissões de gases estufa e preparar adaptação a acelerado aquecimento. Mesmo que haja a possibilidade de tal perigo sequer existir, como pretendem os “céticos”.
Dois sérios problemas dessa forma de pensar merecem mais reflexão pelos entusiastas adeptos da precaução. O primeiro é que qualquer alusão a esse princípio só confirma a prevalência da incerteza. Não serve, portanto, para justificar inabalável convicção sobre o aquecimento. Chega mesmo a ser hilário que tal princípio seja evocado justamente por quem também afirma ter absoluta certeza de que a ação humana está provocando aquecimento global.
O segundo problema, bem mais profundo, resulta do contraste que se estabeleceu entre a boa acolhida dos juristas a um princípio que só lhes poderia ter parecido dos mais sensatos e a crescente contestação que ele provoca entre os teóricos do risco e do seguro (principalmente economistas e engenheiros). Por não enxergarem qualquer diferença substantiva entre prevenção e precaução, reduzem a segunda à primeira. Como conseqüência, é para um plano dos mais filosóficos que se transfere a discussão sobre essa nova retórica que se pretende o supra-sumo da ética. E não deve haver melhor contribuição para esse movimento de idéias do que o “catastrofismo esclarecido” proposto pelo matemático francês Jean-Pierre Dupuy, hoje professor de filosofia na Politécnica de Paris e na Universidade de Stanford.
Baseando-se em seus estudos sobre o processo de dissuasão nuclear, Dupuy insiste que os comportamentos dos agentes com poder de decisão só se alteram se eles realmente acreditarem no pior. Se passarem a crer que a catástrofe é inelutável. Assim, o simples anúncio do futuro pode modificá-lo, desde que seja crível. Como a espécie humana adquiriu meios de destruir a biocapacidade dos ecossistemas dos quais depende, acelerando o processo de sua própria extinção, só haverá esperança se a inevitabilidade da catástrofe for conscientemente assumida pelos políticos.
Nessa perspectiva, foi muito bom saber que a reação do ministro Sergio Rezende foi a de lavar as mãos e se negar a falar com a imprensa após o afável encontro com seus colegas “céticos”. Conforme telegráfico recado transmitido por assessores, “as informações recebidas já foram encaminhadas ao IPCC, que deve debater a validade da teoria apresentada” (Folha de S.Paulo, 15/02/08).
O que mais importa, contudo, é perceber que, sob avalanche de controvérsias a respeito de mudança climática, embriões, energia nuclear, biodiversidade, transgênicos, etc, nada pode ser pior para uma nação do que o analfabetismo científico. É essa a maior tragédia do Brasil, país com o pior índice de interesse por ciência entre os ibero-americanos (Agência Fapesp, 11/02/08).
Qual pode ser o impacto da abnegação de heróis - como os “pais que saíram de férias”, Amélia e Ernest Hamburger - se o aprendizado científico continuar tão calamitoso nas escolas, particularmente no ensino fundamental? E na contramão da Argentina, que até declarou 2008 “o ano do ensino da ciência”, certamente também por ter entendido as implicações de controvérsias como a da mudança climática (José Eli da Veiga professor titular do departamento de economia da FEA/USP; Valor, 19/02/0 8)

Inspirado por este post do Torre de Marfim, e pelo quebra-quebra entre a Universal e a Folha de São Paulo, tenho a dizer o seguinte:

Só uma coisa separa a ICAR da IURD.

Dois milênios.  E a aparente respeitabilidade que isto inspira.

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OK, fui checar e descobri que Amy Winehouse é uma cantora com uma séria necessidade de procurar um dentista.

Eu não sei se já falei aqui que não entendo nada de música.  Ao contrário de certos amigos capazes de se lembrar da performance da banda tal na faixa tal do lado B do disco tal de 1982, eu sou dicotômico e quando escuto alguma coisa só sei dizer “gostei” e “não gostei”, raramente conseguindo ir além da mera opinião auricular.  É verdade que meu cérebro talvez seja capaz de um pouco mais de sofisticação do que o seu habitante, razão pela qual algumas coisas de que “não gostei” eu acabe gostando, se ouvir de novo, e vice versa.

E, bem, também gosto de cantoras, gosto muito mais de cantoras do que de cantores.

Dei uma ouvidinha na Last.fm e achei que a Amy aí tem certas qualidades.  Eu, francamente, não sou um grande fã de jazz, mas me pareceu que a Amy não é bem a “carne de vaca” que frequenta as telas da MTV, aquelas infinitas variações da mesma coisa que me afastaram do mundo dos clips.

Vou ver se baixo um dos CD’s dela para, hum, aperfeiçoar meu julgamento.

Ele teve um filho.

Ele escreveu um livro.

Ele plantou uma árvore:

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***

Agora, reformar o Estado que é bom…

Visão do caos aéreo, Brasil:

Relaxa e goza!

Visão do caos aéreo, USA:

Using a Markov Chain Monte Carlo optimization algorithm and a computer simulation, I find the passenger ordering which minimizes the time required to board the passengers onto an airplane. The model that I employ assumes that the time that a passenger requires to load his or her luggage is the dominant contribution to the time needed to completely fill the aircraft. The optimal boarding strategy may reduce the time required to board and airplane by over a factor of four and possibly more depending upon the dimensions of the aircraft. I explore some features of the optimal boarding method and discuss practical modifications to the optimal. Finally, I mention some of the benefits that could come from implementing an improved passenger boarding scheme.

Pois é.

Fui lá no blog do Ordem Livre, babando, esfregando as mãos, pronto para escrever mais um post sob a bandeira tremulante da tag “Fire at Will”, que nem Nelson em Trafalgar. Dei com os burros n´água.

Encontrei este post tremendamente interessante do…Pedro Sette Câmara. Tá bom, o que é mais interessante mesmo é o assunto, mas nem por isso posso deixar de concordar inteiramente com Seu Sette. O tema: o site de Paulo Coelho onde ele “pirateia” suas próprias obras, o Pirate Coelho. Diz o Pedro:

Sempre que leio algum debate sobre copyrights, tenho a impressão de estar vendo uma batalha entre um modelo de negócios que não aceita sua morte iminente, um modelo em que o provedor de conteúdo tem o controle absoluto, e uma nova geração que já se acostumou a ter controle total sobre a informação que recebe e que está à espera de um novo modelo de negócios. Não se trata, como demonstram os fãs de Paulo Coelho, de uma geração que deseja tudo de graça: se você, como já dizia Ludwig von Mises, atender às expectativas dos consumidores, eles alegremente pagarão por seus produtos e serviços.

Não há dúvida de que em certa medida a distribuição on-line está a favor do próprio escritor. Aliás, anos atrás o Slashdot pariu um post sobre a experiência online de Stephen King que reproduz exatamente a lição ensinada por Paulo Coelho.

Não que isto seja novidade.  Os traficantes já descobriram há muito tempo que dar um pozinho de graça para criar o interesse em futuros clientes é uma “estratégia vencedora”, e antes deles os feirantes já faziam a mesma coisa.

E hoje muitos escritores fazem o mesmo _ e nem todos eles se chamam Biajoni.

A rigor, a estratégia tem nome, embora ele seja pouco conhecido fora de círculos especializados em marketing ou organização industrial:  loss-leader.

Um esclarecimento sobre o post “Califado Apostólico Romano de Olinda e Recife”:

Não estou convencido de que a distribuição gratuita da pílula do dia seguinte no Carnaval seja das melhores idéias que já atravessou as mentes do pessoal da saúde pública.  Pelo seguinte motivo: diferentemente da distribuição de camisinhas, ela realmente pode induzir a um aumento das DST’s, inclusive a AIDS.

Pelo seguinte mecanismo: é fato conhecido que, mesmo hoje, muitos homens se recusam a usar camisinha.  Uma jovem disposta a agradar esse homem poderá, então, anuir ao seu desejo, achando que pelo menos não correrá o risco de engravidar, graças à pilula do dia seguinte.  O que é verdade, mas não significa que ela não possa ser contaminada por uma DST _ coisa que a pílula, diferentemente da camisinha, não tem o poder de evitar.

Claro que em um mundo ideal, onde as pessoas já estivessem suficientemente conscientizadas sobre a necessidade de se proteger contra as DST’s, a distribuição das pílulas poderia de fato ser de alguma utilidade.  Duvido, porém, que seja este o caso do carnaval pernambucano.

Por outro lado, minhas razões para um certo ceticismo quanto à razoabilidade da medida nada têm a ver com os motivos, consideravelmente mais retrógrados, da Arquidiocese de Olinda e Recife para ir à justiça contra as Prefeituras.

Cadê o Palatando??

Dona Matilde Ribeiro, Secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, anda fazendo das suas. Deu na Veja:

Ministra da Igualdade Racial transforma o cartão de crédito pago pelo governo num segundo salário

A assistente social Matilde Ribeiro é uma das ministras mais longevas do governo Lula. Ela comanda a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial desde março de 2003. Apesar de estar há tanto tempo no cargo, o que ela faz em Brasília ainda é um mistério. Recentemente, abriu-se uma chance de preencher essa lacuna. É possível traçar um retrato detalhado das ações e dos hábitos da ministra com base na fatura do seu cartão de crédito corporativo.

O uso desse tipo de benefício é concedido aos funcionários que ocupam os cargos mais altos da Esplanada e do Palácio do Planalto. Serve para que eles paguem algumas despesas decorrentes do exercício da função. No fim do mês, a conta é enviada ao Tesouro. Estaria tudo certo se o cartão fosse usado com critério, mas tem sempre aqueles que exageram. Matilde está entre eles.

Fechadas as contas de 2007, descobriu-se que ela torrou 171.500 reais no cartão pago pelos contribuintes. Foi de longe a ministra mais perdulária da Esplanada. Em média, foram 14.300 reais por mês, mais do que seu salário, que é de 10.700 reais. Isso, sim, é que é emenda no orçamento.

Matilde jura que só usou o cartão corporativo para pagar despesas de viagens oficiais. De fato, ela viaja tanto que poderia assumir o Ministério do Turismo. No ano passado, pagou 67 contas em hotéis – média de 5,5 contas por mês. É rara a semana em que ela não se hospeda em algum estabelecimento. Seu favorito é o confortável Pestana, um cinco-estrelas que enfeita a Praia de Copacabana. Ela esteve por lá 22 vezes no ano passado, ao custo total de 10.000 reais.

A ministra também gosta de usar o cartão para pagar contas em bares, choperias, quiosques, restaurantes, rotisseries e até padarias. No Rio de Janeiro, ela adora o restaurante Nova Capela, conhecido reduto da boemia carioca, e o bar Amarelinho, que se orgulha de servir o chope mais gelado da cidade.

Em São Paulo, Matilde é assídua na padaria Bella Paulista, que fica aberta 24 horas por dia e é freqüentada pelos notívagos paulistanos. Nas refeições, ninguém pode acusá-la de abandonar a bandeira da igualdade racial: ela usou seu cartão dez vezes em restaurantes italianos, nove em árabes e três em japoneses.

A maior parte dos gastos do cartão de crédito corporativo da ministra, no entanto, se refere a aluguel de veículos. Ela tem um carro oficial em Brasília e, quando viaja, não se arrisca a ficar a pé. Assim que desembarca em uma cidade, saca o seu cartão oficial e, zás, aluga um automóvel do seu gosto. Em 2007, ela usou nada menos que 126.000 reais com essa finalidade. Curiosamente, se decidisse alugar um Vectra, o veículo mais caro oferecido por sua locadora habitual, a Localiza, gastaria 116.000 reais por ano. Que tipo de carro será que a ministra aluga?

Matilde utilizou o cartão de crédito do governo até para fazer compras em free shop. Em 29 de outubro, gastou 460 reais em um desses estabelecimentos. Questionada por Veja, a ministra disse que, na ocasião, usou o cartão pago com dinheiro público “por engano” e que “o valor já foi ressarcido à União”. Ela passou pelo free shop na volta de uma de suas muitas viagens ao exterior. Em 2007, Matilde visitou Estados Unidos, Cuba, Quênia, Burkina Faso, Congo e África do Sul. Na semana passada, estava no Senegal. Quem sabe até o fim deste ano ela não descola também um cartão de crédito internacional?

Interessante comparar este texto com o do portal Afropress sobre a mesma notícia:

Matilde é a que mais gasta no Governo em cartão para viagens
Por: Redação - Fonte: Afropress: - 13/1/2008

Brasília - Depois de ocupar as manchetes dos grandes jornais, no ano passado, por causa de uma declaração polêmica – a de que negros teriam razão de não gostar de brancos por causa dos sofrimentos do escravismo – a ministra Matilde Ribeiro (na foto no primeiro plano), da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) volta às manchetes por uma razão menos defensável: foi a campeã de gastos entre os integrantes do Governo que utilizaram os cartões corporativos para despesas de viagem no ano passado.
Matilde gastou R$ 14,3 mil mensais, em média, - quase sete vezes mais que o segundo colocado na lista – e mais do que seu salário mensal que é de R$ 10,7 mil, somando um total durante o ano de R$ 171,5 mil em despesas. Os gastos incluíram hotéis, restaurantes e aluguéis de carros, responsáveis pela parte mais pesada da fatura: 121,9 mil, pagos sempre à mesma empresa de locação de veículos. No ano anterior – 2006 – as despesas da ministra tinham sido de R$ 55,5 mil. A explicação é que ela só teve acesso ao cartão em julho.

Ministra se defende
A ministra justificou o fato de ter sido campeã de gastos, alegando que no ano passado houve a necessidade de intensificar a relação com os novos governos estaduais para rediscutir políticas de promoção da igualdade racial. Por isso, teria sido obrigada a viajar mais.
Segundo Matilde, as despesas de viagem são integralmente feitas no cartão, por não ter estrutura nos Estados, como escritórios, carros oficiais e motoristas. Quanto ao uso da mesma locadora alegou que o desempenho vem sendo “satisfatório pelo constante atendimento a autoridades, ofertando equipe qualificada em segurança e amplitude dos serviços em todo o território nacional”. Ela não explicou, porém, porque não formaliza contrato permanente com a empresa.

Gastos dobrados
Em 2007, o governo federal mais que dobrou os gastos com cartões corporativos indicados para pagamentos de pequenos serviços a pessoas físicas, em estabelecimentos onde o cartão não é aceito ou para gastos em localidades onde a única alternativa é a quitação em dinheiro vivo. Segundo o Portal da Transparência, mantido pela Controladoria Geral da União (CGU) foram gastos R$ 75,6 milhões por meio dos cartões, 129% a mais que no ano anterior. Só para se ter uma idéia do crescimento dos gastos, o mais importante programa social do Governo – o Bolsa Família – teve uma expansão de investimentos de 14,6%.
O segundo colocado foi o secretário especial de Aquicultura e Pesca, Altemir Gregolin, que gastou R$ 22,6 mil, também com viagens. O terceiro da lista é o ministro dos Esportes, Orlando Silva, que gastou R$ 20 mil. Em seguida, vem a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que gastou apenas R$ 2,4 mil, em viagens.

Apesar de tratar-se de um portal dedicado à causa do movimento negro, a cobertura não alivia para a ministra. Talvez porque o portal esteja na oposição ao governo no tocante às políticas de igualdade racial, pois defende quea Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, “uma conquista do Movimento Negro” - ao invés de servir ao Movimento “serve como amortecedor de críticas desse setor ao próprio governo“.

O problema são alguns dos comentários à matéria do Afropress sobre a Ministra:

O símbolo do Poder é a Mordomia e deve ser exercitada plenamente por quem ocupa cargos públicos, seja branco, negro ou amarelo. Assim sempre foi e será em todo o Universo. O resto é conversa para boi dormir. Parabéns a Ministra por usufruir plenamente de um direito que está implícito na ocupação do cargo para o qual foi nomeada.

(…)

Os(As) negros(as) não podem ascender a uma posição que durante séculos foi privilégio somente de brancos(as). Que perseguição! Tantos(as) brancos(as) ultrapassam o limite de gastos e não vêem seus expostos na mídia. Por que esta supervalorização quando se trata da ministra negra da Igualdade Racial? Isto é racismo recheado de machismo. VALEU ZUMBI. A LUTA CONTINUA. Sou a favor de tratamento igual para todos(as).

***

Seria menos grave se coisa semelhante não tivesse ocorrido à Benedita da Silva, que foi ministra deste mesmo governo. E não foi por falta de aviso: quem conhece o babado na política carioca sabe que Bené nunca foi flor que se cheire.

Penso o seguinte: se tivéssemos um ministro negro na Saúde, na Agricultura, na Educação, sobre o qual pesassem essas acusações, seria algo grave. Mas termos um ministro negro da Igualdade Racial que mostre este tipo de comportamento é algo catastrófico, porque só faz reforçar o estereótipo que o próprio ministério se dedica a combater.

Podemos todos imaginar o tipo de arquitetura política que levou dona Matilde a chegar a esse cargo. A matéria do Afropress entrevistando o jornalista Marcio Alexandre Martins Gualberto (foto), da Comissão Executiva do Congresso de Negros e Negras do Brasil (CONNEB) e dirigente do Coletivo de Entidades Negras (CEN), dá algumas dicas. O entrevistado critica o governo:

Afropress - Como encarou a posição do presidente Lula que no dia 20 de Novembro disse que o Estatuto só não foi aprovado ainda por falta de união dos negros e sugeriu que “cutucassem” o Governo?
Márcio - É uma fala cínica. É a fala da elite branca de dizer que como nós somos desunidos por isso não resolvemos nossos problemas. E o paradoxal é que o pavor que eles têm é que nós possamos nos unir um dia. Veja os mucamos modernos que atendem pelo nome de Movimento Negro Socialista. Nunca existiram. Passaram a existir pra carregar o véu da saia da sinhazinha moderna chamada Ivonne Maggie. Dá pra ter respeito por essa gente? Nem um pouco. Num contexto de guerra seriam julgados em corte marcial por traição. Mas fazem bem o papel, Lula gosta deles, Maggie nem se fala, pois eles ajudam a fortalecer o discurso de que somos desunidos.
Os negros que ficam dentro dos partidos da base do governo, posando como se toda agenda do MN se resolvesse pela via partidária acabam também cumprindo esse papel e ajudam a fortalecer o discurso sem pé nem cabeça do presidente.
Agora ele está no direito dele de dizer tal bobagem e nós de darmos respostas na hora que acharmos melhor.

No entanto, eis como ele mesmo descreve o processo político do movimento negro:

Afropress - Mesmo sem citar nomes, a coordenação gaúcha responsabiliza “pseudo-lideranças que carregam histórico individual de transgressão de princípios éticos devido aos seus próprios referenciais de orientação política, que culturalmente mantêm uma relação sistemática de surrupiar os processos democráticos”. A quem estão se referindo?
Márcio - Essa é uma pergunta que deveria ser dirigida aos gaúchos. A mim já me disseram que não sou. Fiquei até feliz, porque posso até ser pseudo, mas não sou liderança de nada. Sou um militante disposto a colaborar com o pouco que sei.
Agora, de fato, precisamos considerar que se há uma crise hoje dentro do MN é exatamente de lideranças. Quem é liderança hoje dentro do MN? Quem tem poder de convocatória? Quem diz “vamos por ali” e os outros seguem?
E o próprio CONNEB, que se configura como um processo líder dentro do MN tem um problema ainda a resolver que é o fato de não ter atraído setores essenciais para essa discussão.
Agora, uma verdade precisar ser dita. Você está lidando com a multiplicidade do MN. Eu sou testemunha do esforço que cada uma das 13 organizações vêm fazendo internamente para construir o CONNEB. Eu sei das nossas conversas internas, sei das conversas e dos acordos que vimos construindo para tentar salvar determinadas questões. Agora o que pouca gente considera é que o MN tem um dinamismo próprio, e um tipo de democracia que é força e fraqueza ao mesmo tempo. Porque por mais que eu, como dirigente possa firmar algum acordo, se um militante da minha base chegar numa reunião e resolver detonar esse acordo e minha posição ele o faz sem dó, nem piedade.
Ou seja, no nosso ordenamento político interno, nós, do MN, não construímos a disciplina política de respeito aos quadros dirigentes. Essa é uma das contradições do MN com as quais o CONNEB tem que lidar cotidianamente .” (grifo meu)

Em um ambiente como esse, evidentemente quem se dá bem são as “old boys networks“. Basta ver o currículo da ministra. Somado ao fato de que frequentemente o movimento compra as brigas erradas, fico pensando que o futuro do movimento negro está…em branco.

Há uns anos atrás eu e o Idelber, do “Biscoito Fino e a Massa”, protagonizamos um debate na blogoseira pátria sobre a questão das cotas raciais no sistema de ensino. Ele a favor, eu contra.

Fiquei sabendo agora que graças ao novo livro do Antônio Risério, Idelber mudou de idéia e aparentemente convenceu-se de que uma política educacional universalista faz mais sentido.

Eu acho que ele só mudou de idéia agora porque o Risério é branquinho, enquanto eu tenho um pé na cozinha. :)

Eis um post da Nariz Gelado com o qual posso concordar integralmente.

 

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