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Do UOL

Eu sei que isso é meio macabro, mas há tempos não vejo um título tão “ao ponto” na nossa imprensa.

E como vocês já devem estar carecas de saber, o NYT anunciou que vai para trás de uma paywall em 2011.

Os detalhes não são claros; aparentemente, haverá um controle por IP, de forma que leitores infrequentes poderão acessar gratuitamente algumas matérias, enquanto os mais frequentes terão que pagar uma taxa fixa por acesso ilimitado _ os assinantes do jornal impresso também terão acesso ilimitado [esse esquema me parece similar ao do Financial Times _ mais sobre isso abaixo].

O The Atlantic traz uma lista de análises que já estão circulando na rede.

Felix Salmon acha que isso alienará ainda mais leitores do jornal.  Ele crê que a maioria dos leitores do site do NYT chegam até lá via blogueiros, mas que com o paywall os blogueiros pararão de fazer links para o NYT, o que reduzirá o número de page-views do site.

Será que isso é verdade?  Como leitor, eu entro todo dia no site a partir dos meus favoritos.  Como blogueiro, eu sempre coloco os links das matérias que cito, mesmo as que estejam atrás de paywalls, como as matérias da Folha e do Valor.  Mas pode ser que eu seja uma exceção, não sei.

Em todo caso vamos ver o que acontece com os blogs do NYT (onde entra, por exemplo, o Paul Krugman).   Felix Salmon lembra que hoje em dia não existe exemplo de blog bem sucedido atrás de uma paywall…

Zach Seward, do Wall Street Journal, disse no Twitter que os investidores estão inseguros quanto à essa nova estratégia, pelo que se depreende do comportamento das ações do NYT após o anúncio.

Mais interessante, a Slate, que também tem uma matéria sobre a paywall do NYT, mostra um site que ensina como preparar um cookie para burlar o paywall do Financial Times.

E ho ho, funciona.  O que me permitiu acessar a coluna de John Gapper no FT falando sobre o mesmo assunto.  Do ponto de vista econômico, no trade-off entre receitas de assinaturas e de publicidade, o que parece estar acontecendo é que após um primeiro momento onde a receita de publicidade subiu, ela começou a baixar dada a competição dos diversos outros empreendimentos na rede (sites agregadores, sites de busca, portais, mesmo blogs).  Daí não restar mesmo outra opção aos jornais.

Gapper lembra também que o Wall Street Journal e o FT vão muito bem obrigado com seus modelos de assinatura, embora essa seja uma comparação talvez pouco válida já que estes jornais se beneficiam de possuir um público corporativo, pouco sensível a preços (ao menos nessa região de preços).

Entretanto, mesmo Gapper acredita que o que é válido para grandes brands não será necessariamente válido para o jornal generalista da esquina:

Nothing will save a lot of general newspapers. They thrived for a time on local or regional advertising monopolies and, now that Craigslist and other advertising aggregators exist, are finished. They do not produce anything valuable enough to survive the transition.

Perhaps commodity general news is now so widely available that even a true premium provider cannot charge. But I don’t believe it – reading both The Guardian and The New York Times’ coverage from Haiti this week was a reminder of how distinctive they can be.”

Adeus Jornal do Brasil??

E a gafe do Boris Casoy??

Errei mesmo, falei bobagem”, diz Boris Casoy após gafe

DIÓGENES MUNIZ

O âncora da Band Boris Casoy lamentou nesta sexta-feira (1º) as ofensas proferidas a garis que apareciam na edição de Réveillon de seu telejornal noturno. A gafe foi cometida após o “Jornal da Band” mostrar imagens de lixeiros desejando felicidades aos telespectadores da emissora.

Sem saber que o áudio estava sendo transmitido, Casoy comentou: “Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho”.

O vídeo caiu na internet algumas horas depois e foi repudiado por internautas.

“Foi um erro. Vazou, era intervalo e supostamente os microfones estavam desligados”, disse, em conversa com aFolha Online por telefone. “Errei mesmo. Falei uma bobagem, falei uma frase infeliz. E vou pedir desculpas.”

Casoy é conhecido pelo bordão “Isso é uma vergonha”.

Já foi âncora no SBT durante nove anos (“TJ Brasil”), na Record, de 1997 a 2005 (“Jornal da Record” e “Passando a Limpo”) e na TVJB (ex-rede CNT).

Atualizado às 19h50: Casoy reiterou no telejornal desta sexta que a frase foi “infeliz” e pediu “profundas desculpas aos garis e aos telespectadores“.

***

Como diz a minha sogra, “depois que inventaram as desculpas, ninguém mais apanha“.

***

A Wikipedia tem uma notícia biográfica de Casoy:

Último dos cinco filhos de imigrantes judeus russos que chegaram ao Brasil em 1928, Boris adquiriu poliomielite ao completar um ano de vida, junto com sua irmã gêmea. Na época não existia vacina. A doença deixou seqüelas físicas, mas a marca maior foi a psicológica, gerada pela discriminação na infância. Até os nove anos, Casoy praticamente não podia andar. Com essa idade, ele foi operado nos EUA e recuperou os movimentos. “Como não podia andar, era um grande ouvinte de rádio, admirava aquele milagre da transmissão da voz”, contou em entrevista ao site Amputados Vencedores.”

Bacana, a história dele.  Uma história de luta contra a discriminação.  Quem diria.

O interessante é que as profissões de gari e jornalista (ao menos o de pendores investigativos) comungam de um mesmo ideal: limpar a sujeira alheia.

Mas me parece que a despeito da opinião do Casoy nessa seara o gari mediano costuma fazer um trabalho melhor do que o de boa parte da imprensa.

Deu no Correio Braziliense:

Torcida flamenguista aumentou após título, diz pesquisa

GazetaEsportiva.Net

Publicação: 03/01/2010 18:42

Passar 17 anos sem conquistar um Campeonato Brasileiro não fez o Flamengo perder o posto de dono da maior torcida do país. Ganhar o pentacampeonato em 2009, no entanto, já causou um aumento da massa rubro-negra. De acordo com pesquisa feita pelo Datafolha, o clube carioca tem 2% mais de torcedores do que em relação à última medição feita.

A pesquisa foi promovida dias depois da confirmação do título brasileiro do Flamengo. Segundo os dados colhidos, 19% dos brasileiros com mais de 16 anos são flamenguistas. De acordo com o último levantamento, feito em novembro de 2008, tal índice era menor: 17%. O trabalho do técnico Andrade e do elenco fez aumentar o número de seguidores.

O Flamengo continua dono da maior torcida do Brasil por conta de seu alto índice de popularidade em todo o país. Na regiões Norte e Centro-oeste, por exemplo, tem cerca de 30% do número total de torcedores. No Nordeste, o número é um pouco menor, mais ainda assim significativo: 25% da torcida. Entre os jovens, o predomínio é alto: 23% das pessoas entre 16 e 24 anos são flamenguistas.

O Corinthians segue como segundo time de torcida mais populosa, com 13%. Como a margem de erro da pesquisa é de 2% para mais ou menos, os rubro-negros têm maioria garantida, segundo os dados colhidos. A terceira colocação fica com o São Paulo, com 8%, seguido pelo Palmeiras, com 7%. O Vasco é o quinto, com 5%. No restante dos cariocas, o Botafogo é o 11° (2%) e o Fluminense, 12° (1%).” [grifo meu]

***

Por mais que eu queira ufanar-me com o crescimento da torcida do Mengão, não dá pra deixar de observar que a mesma matéria que diz que a margem de erro da pesquisa Datafolha é de 2% me diz que a torcida do Flamengo cresceu 2%.

Tomara que até a Copa alguém resolva ensinar estatística às redações dos jornais (ou pelo menos ao pessoal da Gazeta Esportiva (fonte da matéria), que deve ter andado gazeteando a escola, isto sim).

Duas notícias de interesse:

Jornal The Times passará a cobrar por conteúdos online

A partir do início de 2010, os utilizadores de Internet que quiserem ler o conteúdo online do jornal britânico The Times terão de pagar por isso, sendo esta a única solução encontrada pela publicação para manter a sua existência de forma sustentável.  Aqui

Jornal New York Times publica artigo financiado pelos leitores

As despesas relacionadas com a cobertura jornalística de uma história sobre poluição no Oceano Pacífico foram inteiramente asseguradas através de doações angariadas graças à acção do site Spot.Us, no âmbito de um projecto experimental de “crowd-funded journalism”, ou seja, jornalismo financiado pelas massas.  Aqui

Não sei se foi só comigo mas ontem pela manhã, quando tentava entrar em alguma página da Veja, mesmo a do Reinaldão, aparecia uma telinha que se intitulava como ferramenta de validação de acesso da Abril.  Porém, se você clicasse no “Cancel”, caía no artigo assim mesmo.

Creio que eles estavam testando alguma ferramenta para implementar acesso pago a todas as páginas da Abril.

Quero ver se vão botar o Reinaldão atrás de um firewall.  Ah, isso eu quero ver!

Veja, mas não olhe

A Veja desta semana tem matérias com os seguintes títulos:

O grampo da PF e a filha do presidente”  – na seção “Corrupção”

O Mensalão brasiliense” – na seção “Distrito Federal”

A primeira matéria, apesar do título, é sobre o genro do Presidente, Marcelo Sato, flagrado pela PF em telefonemas comprometedores com empresários.  Sato é casado com Lurian, a filha do relacionamento entre Lula e Mírian Cordeiro, e vive em Santa Catarina.  A matéria diz que “é grave o caso de Marcelo Sato, oficialmente empregado como assessor parlamentar”.  Não dá pra saber se a Veja esclarece, mas na IstoÉ está claro que Sato é assessor parlamentar na Assembléia do estado de Santa Catarina, não em Brasília _ é empregado por uma deputada estadual do PT local.

A segunda matéria fala sobre o flagra que a PF deu no governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, pagando propina à sua “base aliada”.

É engraçado como a revista liga “presidente” a “corrupção”, e a esbórnia do DEM ao…”mensalão”.

Mais engraçado ainda é como Tio Rei “relê” o título da matéria de Veja sobre o DEM da capital federal, criativamente transformado em “O Desastre de Arruda“.  Mais ou menos a mesma estratégia de quando eclodiu a história da invenção do mensalão pelo PSDB, intitulada pelo Tio Rei como “O Caso Azeredo“.

Procurando pelo “tijolaço” do Serra, encontrei mais um clone do blog do Tio Rei.  Trata-se do Res Publicano, um anaeróbico café com leite.  Mas tem algumas coisas interessantes: por exemplo, um post com excertos das tuitadas de 3 jornalistas sobre o “Lula, Filho do Brasil” _ Noblat,  Helena Chagas e o Diego Escotesguy, da Veja (o responsável pela matéria desta semana sobre o filme).   Quando a primeira dama chegou ao teatro, Diego disse, de dentro da Sala Villa-Lobos, onde foi feita a projeção:

#filmedolula Dona Marisa veio. Há uma sessão do teatro reservada para políticos. Eles entregam um convite com adesivo vermelho.”

(…)

“filmedolula Lula fala um português escorreito, de dar inveja.

Ah, vai.  Tenha paciência.  Jornalista que troca “seção” por “sessão” não tem moral pra falar do português de ninguém, né não?

Descrição do Distrito 9 na seção “Cinema” do CorreioWeb, versão online do Correio Braziliense:

Distrito 9

(District 9, África do Sul/Nova Zelândia, 2009)

Sinopse: Grupo de extraterrestres transformam-se em refugiados na África do Sul. Inspirado no jogo Halo, da Microsoft.

Descrição do Halo, na Wikipedia (a 2 cliqs de distância da página do Correio):

Halo: Combat Evolved, ou simplesmente “Halo” é um jogo de tiro em primeira pessoa produzido pela subsidiária da Microsoft Game Studios, Bungie. Lançado inicialmente em 2001 para o console da Microsoft Xbox. O Halo é um enorme habitat espacial em forma de anel, que fica em um campo gravitacional entre um planeta e sua lua, o que causa a sua rotação gravitacional. No jogo, o jogador assume o papel de Master Chief, um supersoldado com uma armadura de batalha (Mjolnir Mark IV)para aumento de performance. Em nenhum dos jogos da série Halo foi mostrado o seu rosto. Master Chief é acompanhado por Cortana, uma Inteligência Artificial que está em seu capacete. O jogador enfrenta uma aliança de raças alienígenas durante o jogo, tanto a pé quanto em veículos, enquanto tenta descobrir o segredo de Halo.

Tudo a ver!

***

Ah, nosso jornalismo.

***

É verdade que, de certa forma, Distrito 9 nasceu da malograda tentativa de fazer um filme baseado no jogo Halo.  Porém eis o que diz o próprio produtor, Peter Jackson:

When Halo suddenly died, it was a bit of a shock but we thought: Let’s make an original, low-budget film — something where we won’t have to deal with a lot of studio politics.”

***

(*) copirráite Brad DeLong

censura

O Guardian sob censura!

Guardian gagged from reporting parliament

Guardian has been prevented from reporting parliamentary proceedings on legal grounds which appear to call into question privileges guaranteeing free speech established under the 1688 Bill of Rights.

Today’s published Commons order papers contain a question to be answered by a minister later this week. The Guardian is prevented from identifying the MP who has asked the question, what the question is, which minister might answer it, or where the question is to be found.

The Guardian is also forbidden from telling its readers why the paper is prevented – for the first time in memory – from reporting parliament. Legal obstacles, which cannot be identified, involve proceedings, which cannot be mentioned, on behalf of a client who must remain secret.

The only fact the Guardian can report is that the case involves the London solicitors Carter-Ruck, who specialise in suing the media for clients, who include individuals or global corporations.

The Guardian has vowed urgently to go to court to overturn the gag on its reporting. The editor, Alan Rusbridger, said: “The media laws in this country increasingly place newspapers in a Kafkaesque world in which we cannot tell the public anything about information which is being suppressed, nor the proceedings which suppress it. It is doubly menacing when those restraints include the reporting of parliament itself.”

The media lawyer Geoffrey Robertson QC said Lord Denning ruled in the 1970s that “whatever comments are made in parliament” can be reported in newspapers without fear of contempt.

He said: “Four rebel MPs asked questions giving the identity of ‘Colonel B’, granted anonymity by a judge on grounds of ‘national security’. The DPP threatened the press might be prosecuted for contempt, but most published.”

The right to report parliament was the subject of many struggles in the 18th century, with the MP and journalist John Wilkes fighting every authority – up to the king – over the right to keep the public informed. After Wilkes’s battle, wrote the historian Robert Hargreaves, “it gradually became accepted that the public had a constitutional right to know what their elected representatives were up to“.

***

E eu que pensava que coisas assim só aconteciam com jornais de alta credibilidade como o Estadão, em países que são repúblicas de bananas…

***

Enquanto isso, em uma galáxia muito distante…

DESEMBARGADORES DO TJ REJEITAM RECURSO E MANTÊM CENSURA AO ‘ESTADO’

Brasília, 13 – O jornal O Estado de S. Paulo continua sob censura. Os desembargadores do Conselho Especial do TJ rejeitaram hoje um recurso no qual era contestada a manutenção da liminar que impede a publicação de reportagem sobre a operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que investigou o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Ao contrário do ocorrido nos julgamentos anteriores, a discussão de hoje foi aberta. Dois desembargadores do tribunal questionaram o fato de o julgamento não ter sido sigiloso, como nas outras oportunidades. A explicação foi a de que o TJ estava seguindo uma determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que exerce o controle externo do Judiciário e que nesta semana está fazendo uma inspeção no tribunal do Distrito Federal. Em setembro, o corregedor nacional de Justiça, Gilson Dipp, pediu explicações ao TJ sobre os julgamentos secretos.

Na votação de hoje, os desembargadores confirmaram decisão tomada em setembro pelo Conselho Especial que afastou do processo o desembargador Dácio Vieira, autor da decisão que censurou o jornal. Mas o Conselho manteve a censura. Os desembargadores também decidiram rejeitar um pedido para que Dácio Vieira fosse obrigado a pagar as custas do recurso no qual ele foi considerado suspeito para continuar a atuar como relator. Essas custas são estimadas em R$ 38. Esse pagamento está previsto no Código de Processo Civil.”

Matéria de ontem no Estadão, sobre matéria do NYT falando sobre o lobby hondurenho nos EUA:

Micheletti conseguiu pressionar EUA a seu favor, diz jornal

‘New York Times’ diz que lobby do governo de facto pode influenciar até escolha do embaixador no Brasil

NOVA YORK – O governo de facto de Honduras lançou uma campanha para fazer lobby junto a senadores e ao Departamento de Estado dos EUA e aparentemente tem conseguido fazer com que os americanos apoiem Roberto Micheletti, informou nesta quinta-feira, 7, o jornal americano The New York Times.

(…)

O artigo publicado na primeira página do diário afirma que o plano “teve o efeito de obrigar o governo americano a enviar sinais contraditórios” sobre sua posição em relação ao governo de facto em Honduras e deve até influenciar a escolha do embaixador americano no Brasil.

(…)

Além de Reich, outro alto funcionário dos EUA, Daniel Fisk, convocou reunião com senadores e o Departamento de Estado poucos dias após o golpe. Funcionários do Congresso disseram que Fisk elaborou uma lista de pontos a serem discutidos no Senado, como a nomeação de Thomas A. Shannon, secretário-assistente de Estado, para embaixador dos EUA no Brasil. Os americanos consideram o País o líder para as questões latino-americanas. Fisk, entretanto, negou o fato.” [grifo meu]

O que diz a matéria do NYT?

(…) [the hondurean campaign] has also drawn support from several former high-ranking officials who were responsible for setting United States policy in Central America in the 1980s and ’90s, when the region was struggling to break with the military dictatorships and guerrilla insurgencies that defined the cold war. Two decades later, those former officials — including Otto Reich, Roger Noriega and Daniel W. Fisk (…)

As is often the nature of lobbying, some messages have been sent without any names attached. Floating around Senate offices in the last few weeks, for example, was a list of talking points aimed at undermining the nomination of Assistant Secretary of State Thomas A. Shannon as ambassador to Brazil. Two Congressional aides, who requested anonymity to speak candidly about matters related to the coup, said that Mr. Fisk wrote the talking points.

Mr. Fisk denied having done so. He also dismissed the notion that he was operating from an old playbook. “Someone else may be fighting over the ’80s,” he said. “I’m not.””

Logo:

a) Sim, o governo golpista hondurenho contratou um lobby em Washington.  Isso não tem nada demais, é só passear pela K Street com uma mala cheia de dinheiro.

b) Sim, o governo golpista hondurenho contratou ex-funcionários do governo, principalmente “political aides” do Bush pai.

c) Um desses EX-FUNCIONÁRIOS, Daniel Fisk, que serviu sob Bush filho, aparentemente andou pelos gabinetes dos senadores levando uma lista de pontos para a sabatina do provável candidato a embaixador no Brasil.

d) Logo, não é verdade, como diz a matéria do Estadão, que um alto funcionário do atual governo americano tenha levado uma “lista de pontos para ser discutida no Senado”.  Daniel Fisk, pelo seu currículo, nunca foi funcionário concursado mas sim um “political appointee“, alguém que faz carreira em cargos comissionados de livre provimento, e atualmente é um operador ligado a think tanks conservadores que está apenas alimentando alguns senadores com uma lista de perguntas possivelmente talhadas para embaraçar o candidato a embaixador, no provável intuito de torpedear sua nomeação para a embaixada no Brasil.

Pode não ser por má fé que o Estadão faz estas coisas, mas com certeza é por mau jornalismo.

…o Marcos Guterman descobriu o Lucas Llasch.  :)

RAblogueirodealuguel

Blogueiros anaeróbicos, cuidado!

E depois tem gente que fica brava com as regras publicitárias que a Anvisa quer fazer valer.  Deu no Valor:

EUA endurecem regras para celebridade e blog

Anunciantes e as celebridades que endossam seus produtos serão responsabilizados por quaisquer declarações falsas feitas sobre eles. A medida é parte de uma ação disciplinar que está sendo tomada pelas autoridades reguladoras dos Estados Unidos sobre uma grande variedade de práticas de marketing enganosas.

As novas regras sobre o uso de testemunhos na propaganda, anunciadas ontem pela Federal Trade Commission (FTC), dizem que qualquer pessoa que endossar um produto, seja ela uma celebridade ou um blogueiro, terá de explicitar a compensação que recebeu das companhias anunciantes. A regra vai afetar desde astros do cinema que ganham produtos em troca de endossos a blogueiros.

(…)

Segundo as novas diretrizes, empresas e personalidades serão responsabilizadas por qualquer falso testemunho sobre um produto. Se um blogueiro receber uma amostra de um creme para pele e afirmar, de maneira desonesta, que ele é capaz de curar eczemas, por exemplo, a companhia e o blogueiro poderão ser processados por propaganda falsa. Frases como “os resultados podem variar de pessoa para pessoa” não livrarão as empresas e os garotos-propaganda da responsabilidade. As companhias terão de fornecer resultados médios obtidos por consumidores típicos. As regras valerão a partir de 1º de dezembro.

A FTC explicitou o que não será permitido, mas não forneceu diretrizes claras sobre como fazer declarações adequadas. Richard Cleland, da divisão de práticas de propaganda da FTC, disse que as violações serão avaliadas caso a caso. “Haverá algumas acomodações dependendo do tipo de mídia envolvida”, disse. “Mas se as informações necessárias não puderem ser dadas, então esse tipo de meio de comunicação pode não ser apropriado para propaganda.”

bum

A história triste:

Mr Arinaitwe, who says he was employed at Kansanga Miracle Centre from 2002, has filed a case with Kabalagala Police Station alleging that Pastor Kiwewesi sodomised him between 2006 and 2007 and promised to pay him Shs3 million.

“He used me until 2007 when he got married. He promised me Sh3 million for my parents and said he would send me to the US to stay there with his cousin,” he told Daily Monitor on Monday.

Mr Arinaitwe also accuses Pastor Kiwewesi of harassment and threatening him with death after learning that he was coming out with the “secret”.

***

Na mesma thread, um leitor fala de outra manchete de sucesso: “Maniac Shoots Wrong Baby”.

Saudades do “Cachorro Fez Mal a Moça“…

Fecha-se o cerco:

Globo restringe uso de blogs e redes sociais

14 de setembro de 2009

A TV Globo divulgou um comunicado interno em que restringe o uso de blogs e redes sociais pelos seus contratados. A medida atinge artistas, jornalistas e outros profissionais da emissora, segundo o portal Comunique-se. “A divulgação e ou comentários sobre temas/informações direta ou indiretamente relacionados às atividades ligadas à Rede Globo; ao mercado de mídia e ao nosso ambiente regulatório, ou qualquer outra informação/conteúdo obtidos em razão do relacionamento com a Rede Globo são vedados, independentemente da plataforma adotada, salvo expressamente autorizada pela empresa”, informa o comunicado.

Segundo o Comunique-se, a emissora também exige autorização prévia para que os contratados possam ter blogs, Twitter e outras redes sociais vinculados a outros veículos de comunicação. A emissora alega que a medida tem o objetivo proteger seus “conteúdos da exploração indevida por terceiros, assim como preservar seus princípios e valores”.

Regras na Folha

O jornal Folha de S.Paulo também criou regras de condutas para seus jornalistas que atuam em blogs ou no Twitter. O comunicado interno pede que os profissionais não se posicionem em favor de um candidato, partido ou campanha, e que não publiquem “furos” em suas páginas da web.

evillinux

Acabaram de hackear o site do Valor Econômico

Deu na Folha:

uolsuino

A matéria “esclarece”:

Segundo Margaret, 60% dos casos fatais da nova gripe são de “pessoas que tinham problemas de saúde subjacentes”, acrescentando que “isso significa que 40% das mortes dizem respeito a jovens adultos – em boa saúde – que morrem em cinco ou sete dias de uma pneumonia virótica”.

Porém, sem sabermos qual a % da população em geral tem “problemas de saúde subjacentes“, seja que diabos lá isso for, fica difícil aquilatar a utilidade da informação.

***

Além disso, posso adiantar outra estatística interessante:  100% das pessoas que morrem estavam vivas.

Sacanagem:

estadaovsblogs

Jogo sujo do Estadão contra os blogs!  :)

Jogando lenha à já semi-extinta fogueira da polêmica blogs vs jornais, este trecho da resenha de Henry Farrel sobre  o livro recém lançado “The Myth of Digital Democracy” me parece certeiro:

As his book title suggests, Hindman puts paid to some of the most pernicious myths of democracy and the internet. Lazy libertarian arguments that the internet was going to create radically empowered individuals, an “army of Davids” that would topple government and so-called “mainstream media” with a few well-aimed missiles are simply unsustainable. So, too, are some of the hazier left-wing claims about how the internet would foster “extreme democracy”. The internet is creating new forms of social organisation, but they have their own kinds of hierarchy. And in many cases the old hierarchies are co-opting the new ones. In the US, traditional media and think-tanks are hiring prominent bloggers. Few major bloggers are still independent, and those who are, are mostly trying to create their own miniature media empires.” [grifo meu]

Pedro Dória que o diga.  :)

Deu no Globo:

Mídia destaca caso de apresentador acusado de encomendar mortes

O caso do deputado estadual amazonense Wallace Souza, acusado de ser o mandante de assassinatos para aumentar a audiência de seu programa de TV e se livrar de criminosos rivais, é destaque na imprensa mundial nesta quinta-feira.

“Apresentador de TV brasileiro é acusado de comandar gangue criminosa mortífera”, diz a manchete do jornal britânico The Guardian, que destaca que a polícia de Manaus está reabrindo dezenas de crimes não solucionados depois que uma investigação de 12 meses ter sugerido que o deputado seria o chefe de uma gangue criminosa.

Na longa reportagem, o jornal destaca a imunidade parlamentar de Souza.

“Há histórias reais que podem superar o roteiro de cinema policial mais rocambolesco”, diz o diário espanhol El País, afirmando que este é o caso de Wallace Souza.

A polícia do Amazonas começou a investigar o deputado em outubro passado, e em buscas em sua casa, encontrou grande quantidade de dinheiro, munições e cartuchos de balas retirados de locais de crimes.

Audiência

A imprensa internacional destaca que os crimes foram cometidos para aumentar a audiência do programa apresentado pelo deputado – Canal Livre – em uma TV local de Manaus e diz que sua equipe de filmagem era sempre a primeira no local do crime, o que teria feito a polícia suspeitar.

(…)

Na Coreia do Sul, o site de notícias The Chosun Ilbo afirma que, segundo as autoridades brasileiras, “as investigações mostram que Souza ou seu filho ordenavam os assassinatos e depois entravam em contato com a equipe de filmagem para avisar onde estavam as vítimas”.” [grifo meu]

***

Depois falam mal do Senado.

É porque não conhecem os “atos secretos” das Assembléias Legislativas…

“I keep saying that the sexy job in the next 10 years will be statisticians”

_ Hal Varian, economista chefe no Google

***

Insight bacana neste artigo do NYT de hoje: com o crescimento da massa de dados produzida pela internet, o futuro próximo é dos estatísticos.

A matéria também tem uma triste notícia para os partidários dos blogs na sua eterna luta contra o PIG:

For example, in research just published, Mr. Kleinberg and two colleagues followed the flow of ideas across cyberspace. They tracked 1.6 million news sites and blogs during the 2008 presidential campaign, using algorithms that scanned for phrases associated with news topics like “lipstick on a pig.”

The Cornell researchers found that, generally, the traditional media leads and the blogs follow, typically by 2.5 hours. But a handful of blogs were quickest to quotes that later gained wide attention.

Ter repórteres contratados faz diferença…

***

E aí, passeando pelo Krugman só para ver o que ele ia falar disso, encontrei um post onde ele fala dos problemas da Estatística na China.  No post ele comenta uma matéria do Financial Times que descreve a defesa feita pelo Bureau Nacional de Estatística chinês, o qual criou uma campanha para melhorar a auto-regresestima dos estatísticos, com resultados como esse:

The campaign has already produced works such as: “I’m proud to be a brick in the statistical building of the republic.” In another poem, a contributor writes: “I can rearrange the stars in the sky because I have statistics.”” [grifo meu]

Diante do que um comentarista lá no Krugman não aguentou e lascou:

We don’t need no estimation……
We don’t need no cost control…..

Melhor errata de todos os tempos, corrigindo um erro monumental: NYT de julho de 1969:

spacecorrection

(clique para ampliar)

Pois é.

E eu também não ando passando muito bem.

Bela análise aqui.

***

E pensar que quem sabe em 2011 a gente tenha que COMEÇAR, em vez de terminar, a blogar…

Voltando a esse assunto, uma pequena divagação.

Na discussão “grande mídia” vs blogs, correlata a esta da obrigatoriedade do diploma, também não chegamos lá a grandes consensos.  Parto portanto da minha conclusão pessoal, nem tão radical quanto a do Idelber, nem tão conservadora quanto a do Sergio Leo: a grande mídia não está morta, mas é um zumbi andando por aí.   Ela não consegue ter a agilidade ou a capacidade de comentário dos blogs, mas é indispensável enquanto “fornecedora de fatos”.

Então, partindo dessa premissa, a pergunta é a seguinte: a não-obrigatoriedade do diploma prejudica a capacidade da grande mídia continuar sendo uma “fornecedora de fatos”?

Cartas para a redação…

A pendenga está grossa.  O Idelber dá o caminho das pedras, aqui.

Eu estou com preguiiiiiiça de escrever sobre isso _ aliás, hoje eu estou com preguiça de escrever sobre qualquer coisa.  Mas abro uma exceção: foi pelo Idelber que cheguei a este texto do Leonardo Sakamoto, que saúda a medida, mas discorda da argumentação do Gilmar Mendes:

Por fim, não poderia deixar de comentar as justificativas bizarras do presidente do Supremo, Gilmar Mendes, na defesa do fim da obrigatoriedade. Fiquei espantado com o baixo nível da argumentação e me perguntei se ele chegou realmente a estudar o caso ou falou algo de improviso. Pincei apenas um trecho para terem idéia:

“A profissão de jornalista não oferece perigo de dano à coletividade tais como medicina, engenharia, advocacia – nesse sentido por não implicar tais riscos não poderia exigir um diploma para exercer a profissão.”

O jornalismo causa danos mais amplos e profundos do que a queda de uma ponte ou um erro médico. A incompetência, preguiça ou má fé de nós, jornalistas, pode acabar com vidas de um dia para noite. Não fazer uma faculdade não significa exercer a profissão sem critérios e sem se responsabilizar pelas conseqüências, uma vez que elas podem ser imensas. ” [grifo meu]

Genericamente, eu sou a favor do fim da exigência do diploma para jornalismo, apesar do Leandro Fortes ter levantado alguns argumentos interessantes do lado do “contra”, em particular no tocante a mídia do interior.  O problema aqui é o seguinte: despido de qualquer preconceito, se o jornalismo das capitais é o que é, não tenho muita esperança em um efeito salutar das faculdades de jornalismo sobre a mídia do interior.

Mas, voltando ao texto do Sakamoto: é com pesar que tenho que concordar com ao menos esse trecho da decisão do Gilmar Mendes, mesmo concordando que ele assim decidiu possivelmente só para sacanear o jornalismo.  Afinal, a razão pela qual o jornalismo pode causar danos não é a possível existência de um “mau jornalismo” que passa ao largo das escolas de jornalismo, mas sim porque o jornalismo é o que é, o quarto poder.  Acho que o potencial de dano passa mais pela política editorial da publicação (por exemplo, exigir que o jornalista ouça os dois lados de uma polêmica), do que pela atuação do jornalista no que diz respeito aos conteúdos do curso de jornalismo.

E isso, é claro, dá quizz:

Hoje saiu no Estadão a seguinte matéria:

Gastos com armas crescem 50% na América do Sul em 10 anos

Corrida do Brasil para ser potência regional e investimento colombiano contra Farc alavancam investimentos

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo Tamanho do texto? A A A A

GENEBRA – A corrida do Brasil por se tornar uma potência regional, aliado aos gastos do governo colombiano com armamentos, fez com que o dinheiro gasto com armas na América do Sul tenha sofrido um aumento de 50% em apenas dez anos. Os dados foram publicados nesta segunda-feira, 8, pelo Instituto Internacional de Pesquisas para a Paz de Estocolmo.

A alta nos gastos militares da região estaria sendo gerada pela “corrida do Brasil pelo status de potência regional”, além do aumento dos gastos da Colômbia para lidar com as Farc. Em termos mundiais, 2008 registrou um recorde absoluto em termos de recursos para o setor militar. Nunca na história o mundo gastou tanto com armas como no ano passado. Foram US$ 1,4 trilhão, uma alta de 45% em relação aos últimos dez anos. No total, o mundo gastou 2,4% de sua riqueza para a compra de armas. O valor seria equivalente ao gasto de US$ 217 por habitante.”

***

Um problema: o relatório anual do SIPRI (Stockholm International Peace Research Institute ) é pago.  Não sei se o jornalista teve acesso ao texto integral ou fez o mesmo que eu: leu os sumários dos capítulos que, estes sim, estão disponíveis gratuitamente.

De fato, no Yearbook 2009, aparece a frase:

In South America, Brazil continued to increase spending as it seeks greater regional power status.

Bem, a menos que o texto integral traga outra escolha de palavras, não dá para entender como “seeks greater regional power status” virou “corrida do Brasil pelo status de potência regional“.  Parece frescura, mas o vocábulo “corrida”, quando aplicado à questões militares, suscita logo seu complemento: “corrida armamentista”.  E daqui a pouco dá-lhe Reinaldos Azevedos da vida dizendo que Lula quer unir-se à revolução bolivariana e peitar o Ocidente.

Até porque seria bom ter mais cuidado, e ler, por exemplo, o Yearbook 2008, do ano passado, que diz o seguinte:

SIPRI data show the volume of international arms transfers to South America in the period 2003–2007 to be 47 per cent higher than in 1998–2002. Despite attention-grabbing headlines and some evidence of competitive behaviour (e.g. the nature and timing of acquisitions by Brazil, Columbia and Venezuela), it seems unlikely that South America is in the midst of a classically defined arms race. Acquisitions have been primarily motivated by efforts to replace or upgrade military inventories in order to maintain existing capabilities; to respond to predominantly domestic security threats; to strengthen ties with supplier governments; to enhance domestic arms industry capability; or to bolster regional or international profile.

Mas o mais interessante mesmo foi a mágica que o Estadão fez com os números.  Abaixo, eu comparo a tabela da matéria do Estadão com a tabela que saiu no texto do Sipri:

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Não é bacana?  Se você ler apenas a matéria do Estadão, ficará com a impressão de que segundo o relatório do SIPRI o Brasil é o décimo-segundo país que mais gasta em armas no mundo.  Quando, na verdade, o Estadão aparentemente fez uma quebra e adicionou mais dois países, Coréia do Sul e Brasil, e tascou-lhes o ônzimo e dôzimo lugares _ embora essa colocação possa até ter alguma razão, segundo outros levantamentos.

O Estadão também furtou-se a nos dar a outra coluna, que mostra o gasto de cada país como percentual do gasto total mundial.  Fazendo a conta rápida, vemos que o bananão aplica seus cobres no que se constitui em 1,23% dos gastos militares mundiais.  Bem, é bem menos que a participação brasileira no PIB mundial, por exemplo (2,31%, segundo a Wikipedia, projeção para 2009).  Ademais, os gastos de todos os outros países é bolinho se comparados aos gastos norte-americanos.

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Reconheço que o pessoal foi criativo na criação de alternativas para a mídia impressa, lá na caixa de comentários deste post.   Mas tenho duas notícias que, digamos, engrossam o caldo:

Saiu um estudo da Pricewaterhousecoopers (PWC) indicando que há, sim, demanda para compra de conteúdo online de alto padrão.  O estudo, intitulado “Moving into multiple business models* – Outlook for Newspaper Publishing in the Digital Age“, aparentemente não foi contratado por ninguém _ a PWC diz que não recomenda seu uso como aconselhamento profissional, já que o estudo é apenas um guia para assuntos de interesse amplo.  Algumas conclusões, porém, são um tanto incoerentes no contexto mais amplo da disputa entre grande mídia e blogs, por exemplo:

Consumers place high value on the deep insight and analysis provided by journalists over and above general or breaking news stories.

Consumers see breaking news and general interest news as commodities, but there is always a market for high value online content in specific topics. Our consumer research indicates that consumers are willing to pay for this content, but newspapers need to develop strategies for monetising their content and intellectual capital.

Ora, se fatos (breaking news) são commodities, e os consumidores valorizam análise da notícia (deep insight and analysis), eu diria que os jornais estão muy mal posicionados vis a vis os blogs.  Por outro lado, há uma tendência clara nos EUA a que os blogs se tornem “vitrines” de bons analistas que depois são contratados a bons salários pela grande mídia.

A segunda notícia é fantástica:  o governo holandês, diante do ambiente crescentemente hostil ao modelo de negócios da mídia tradicional,  resolveu “adotar” 60 jovens jornalistas que serão empregados dos jornais privados mas serão “subsidiados” pelo Estado por até dois anos.  Claro que a medida tem mais um viés “trabalhista” do que de comunicação, mas não custa crer que há também uma preocupação em reconhecer a importância de seu papel (sic) em uma democracia moderna.

O Estadão fez um, er, infográfico muito bonitinho mostrando as capacidades militares das principais potências militares do mundo.  Aí eu fui checar a comparação entre Rússia e EUA:

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(clique para ampliar)

Ou seja, para a editoria do Estadão, a Rússia, aquele país que a doutrina militar norte-americana sempre caracterizou como um gigante sem saída para o mar, tem 2079 submarinos, enquanto os EUA têm parcos 500 submersíveis.

De fato, a Federation of American Scientists, em uma matéria sobre um recente aumento do número de missões de patrulha de submarinos nucleares russos, estima em apenas 11 o número de submarinos lançadores de mísseis atualmente existentes na marinha russa.  Além disso a marinha russa ainda tem no máximo uns 60 submarinos de ataque, que não carregam mísseis balísticos.

Com uma mídia assim, quem precisa da Coréia do Norte?

Pois é, Idelber e Sergio Leo estão engalfinhados (no bom sentido, sem luta greco-romana, é claro) em uma disputa sobre o papel da mídia vis a vis a Vida, o Universo e Tudo o Mais ((c) Douglas Adams).

Diante de um debate tão candente, é claro que seria uma grande sacanagem com os contendores aproveitar a situação e dar uma de “tertius” prudente, sopesando as duas posições e saindo pelo “caminho do meio”.  Por isso mesmo, é isso o que eu vou fazer.   :)

Penso que Idelber e Sergio Leo se colocaram, talvez até por força das circunstâncias, nos pólos opostos da discussão, levados um por sua posição profissional, outro pelo radicalismo que a cátedra permite.  Além é claro da própria dinâmica desse tipo de debate, que incita à polarização.

Olhando de fora, acho que cada um tem parte da razão _ como no conto dos cegos tateando o elefante.  Idelber está corretíssimo em chamar a atenção para o caráter oligopolizado dos meios de comunicação que importam (a MSM – Mainstream Media), e a decorrência óbvia de que dado o seu papel de formador de opinião em uma democracia de massas, a mídia está perpassada por interesses políticos e econômicos às vezes inconfessáveis, às vezes demasiadamente confessados.  Por outro lado, o Sergio Leo, que está dentro da indústria, não deve ter dificuldade de testemunhar que o princípio da maximização do lucro às vezes faz com que um grupo de mídia desenvolva várias “vozes”, para cobrir todo o mercado, independente de sua coloração política.  É isso talvez que faz com que por exemplo o jornal Valor, onde ele trabalha, seja um bicho bem diferenciado tanto da Folha quanto do Globo, que são sócios na sua propriedade.

Eu, por minha vez, trabalhando no governo, estou em posição privilegiada para detectar certos movimentos estranhos, como quando jornais imprimem, com toda a aparência de notícia, matérias que se fossem prisioneiros de Guantânamo confessariam suas intenções só com um cafuné.

Já debati essa questão da mídia inumeráveis vezes, e tenho uma posição que é a seguinte:  a) a MSM tem muito poder; b) mas a MSM não tem TODO o poder; c) não existe objetividade na mídia; d) mas pode haver uma competição pelos fatos na mídia, que levem o leitor cada vez mais para perto de uma “verdade” _ de preferência uma que seja “hand made“.

Sem dúvida, há gente séria por aí que diz que o “mercado de idéias” (que é do que estou falando), assim como outros mercados, também é suscetível a falhas (se bem que tem quem inverta a história também).  Na minha humilde opinião…sem dúvida que sim.  Mas eu acho que um mix apropriado de regulação e competição pode melhorar muito esse desempenho.  Por isso atenção no Confecom, a Conferência Nacional de Comunicação que vai rolar no fim do ano, e que Reinaldo Azevedo já anda dizendo que tem “nome de exame laboratorial de latinha” _ e de fato ele está justificado em temer o negócio, talvez antevendo que acabe sendo “examinado”.

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No Correio Braziliense, matéria falando sobre a curiosa migração das prostitutas da quadra 315 _ a famosa “trezentos e queens“, por motivo que ficará óbvio para quem ler a reportagem _ para toda a extensão da avenida W3 norte, uma das mais importantes vias de Brasília.

A reportagem vai muito bem até que…aparece este parágrafo:

Há um cheiro de sexo impregnado em toda a Avenida W3 Norte. Principalmente quando a madrugada avança. É o clamor do “pecado” trazido pelas moças de microvestidos, minissaias e shorts bem curtos — independentemente se na madrugada faz frio ou calor. Sentam-se nos pontos de ônibus. Cruzam as pernas. Jogam os cabelos. Retocam a maquiagem. Ajeitam um ou outro detalhe na roupa sensual. Estão prontas para a luta.” [grifo meu]

Esse repórter fumou alguma substância proibida. Ou frequentou alguma faculdade de jornalismo não suficientemente isolada da epidemia de chavões que assola o país.

Se você acha que a grande mídia tem problemas apenas na versão impressa, veja isto (clique para ampliar):

 

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Deu no Estadão:

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Levando em conta que outros personagens talvez merecessem frases como “X e Y são inocentados” por parte do jornal, me pareceu que o lead é bastante adequado, no ambiente Estadão.

O Idelber tem um post sobre os pífios resultados da mídia impressa auriverde em 2009 (so far).

O que impressiona é que, diferentemente dos jornalões internacionais como o New York Times, cuja versão na internet é gratuita, os jornais brasileiros têm em sua maioria partes abertas e partes fechadas _ se não me engano, a própria Folha de São Paulo é quase totalmente fechada para não-assinantes.

Esse é um debate que está rolando já há algum tempo na blogoseira e fora dela.  Ontem,  artigo de Gay Telese no Estadão repisa a tese de que oferecer conteúdo gratuito na rede foi um erro estratégico dos jornalões:

O senhor escreveu há 40 anos a primeira narrativa importante sobre o New York Times. Como vê as dificuldades que o jornal atravessa? 

Você está me perguntando sobre o futuro do jornalismo. Bem, acho que a nova geração que assumiu o jornal nos anos 90, no limiar da revolução tecnológica, amadureceu sob o impacto da tecnologia e fez um erro calculado de oferecer notícias de graça. A publicidade ia pagar por todo o custo de apurar notícias. A decisão foi feita num comitê corporativo, como se fosse um colégio de cardeais. Os executivos e os proprietários, os Sulzbergers, acho que eles prestaram um desserviço a si mesmos e desvalorizaram um grande jornal ao concordar que o negócio era entregar tudo de graça. Eles arruinaram o próprio futuro quando foram incapazes de julgar de maneira adequada o que faziam. Porque o que o New York Times faz não pode ser feito por outros na internet. Há outros grandes jornais, claro, mas vamos ficar com o jornal que conheço melhor. Eles mandam repórteres para o Rio, para Roma, para a Islândia. E o custo de obter a notícia – de forma correta, não só em primeira mão, mas de maneira correta – deve ser a maior prioridade. Não há alternativa no mundo para este tipo de trabalho. Não se resolve com bloggers inventando histórias nos seus quartos. O estrago já foi feito e eles perceberam, tarde demais, que era inviável do ponto de vista financeiro. O que fazer agora? Bem, para ser justo, eu lhes dou crédito por não ter reduzido a redação a ponto de prejudicar a qualidade do jornal. O Times ainda é um grande jornal. Acho que é um jornal melhor hoje do que quando saí, em 1965.”  [grifo meu]

A experiência brasileira talvez esteja mostrando que isso é apenas parte da história.

O JB noticiou (sic) a manifestação carioca contra o presidente do Irã:

Manifestação contra visita do presidente do Irã acaba em Ipanema

JB ONLINE – Acabou a pouco minutos uma manifestação na praia de Ipanema, na Zona Sul, uma manifestação contra a visita do presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad, prevista para o dia 6, próxima quarta-feira. Cerca de 100 pessoas acompanham a caminhada que tem como objetivo levar uma mensagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que ele transmita ao visitante.

Cartazes contra o terrorismo, homofobia e racismo era levados pela orla do bairro enquanto palavras de ordem eram para chamar a atenção da população. A manifestação, organizada pela Juventude Judaica com o apoio de outros movimentos, começou com uma concentração em frente à Rua Vinicius de Moraes e depois seguiu em caminhada até a Rua Teixeira de Melo, onde fizeram uma leitura de trechos da Declaração dos Direitos Humanos e acionaram uma sirene para um minuto de silêncio em homenagem aos mortos em todos os regimes totalitários do mundo.”

Que raio de português é esse?  Que salário é preciso pagar para se contratar alguém que escreve assim?  Na boa, nem estagiário de Engenharia…

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Agora resta saber se, ao invés das mil pessoas da reportagem do Estadão, o JB falou em 100 pessoas por ser mais fiel à verdade ou por não saber contar…

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O mundo é dos Nets!

Cravo:

TV paga reprisa 55% dos filmes de sua programação em abril

Maria Elysia Moreira, 29, passou abril com sensação de “déjà vu”, aquela de já ter visto a mesma cena antes. Era assim, diz ela, sempre que ligava a TV num dos canais de filmes e séries de que tanto gosta –ela paga mais de R$ 300, entre TV e internet, para ter um dos pacotes mais completos da Net. 

Decidida a “entender” a sensação, iniciou uma lista da programação dos canais e descobriu: “Mudava da Fox para a TNT, e era o mesmo filme passando. Contei pelo menos oito vezes ‘Closer’, perdi as contas de ‘Mais Velozes Mais Furiosos’, e por aí vai”. 

De fato, seria fácil perder as contas em “Mais Velozes Mais Furiosos”. Foi o filme mais reprisado da TV paga em abril: passou 29 vezes, quase preenchendo o calendário mensal.

Ferradura:

Lucro da Net mais que dobra e atinge R$ 82 milhões no trimestre

Maior empresa de TV por assinatura do país, a Net registrou lucro de R$ 82 milhões no primeiro trimestre deste ano, resultado 140% superior ao ganho apurado em idêntico período de 2008.

A receita líquida totaliza R$ 1,082 bilhão, um incremento de 30% sobre o resultado apurado em 2008 no primeiro trimestre. O Ebitda (lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização) atingiu R$ 284 milhões, o que representa um aumento de 26% sobre o início do ano passado.”

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Soam as trombetas do apocalipse para a TV aberta

Matéria interessante no UOL, de Flávio Ricco e José Carlos Nery:

Migração da audiência da TV para outras mídias é um fato e pode explicar ibope de “Paraíso”

Contra 19 pontos na terça-feira, “Paraíso” marcou 20 de média na quarta. Participação de audiência praticamente inalterada na casa dos 34. Já de algumas semanas esses índices observam suaves oscilações, tanto para cima, como para baixo.

Os números da novela neste dia, quarta-feira, são suficientes para um desenho completo de seu desempenho: recebeu de “Malhação” com 17 e entregou para o jornal local com 20. O pico não passou de 21.

É uma situação que a Globo tem procurado analisar com muito cuidado, partindo de um dado consolidado: o percentual de ligados entre 5 da tarde e 8 da noite diminuiu drasticamente em tempos recentes. Principalmente de 2005 para cá.

Problema que não atinge somente a Globo, mas a televisão por inteiro nesta faixa. Trata-se, na verdade, de uma fuga de audiência que esses números provam e identificam com muita facilidade. Existe um buraco por aí.

Várias autoridades no assunto – o Boni, por exemplo -, ainda não admitem que a televisão tem prejuízos com a interferência de outras mídias. Será?

A migração para Internet, DVD e tevê fechada, hoje comprova-se, é de algo em torno de 8% nos últimos 4 anos. Isto faz por merecer uma análise mais cuidadosa por parte de todas as emissoras.” [grifo meu]

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Essa é a principal razão pela qual a Globo apóia o projeto de TV digital do governo.  Ela deve em breve entrar com uma plataforma de TV aberta interativa, na expectativa de conter o dreno representado pela Internet.  A ver.

Murdoch acusa o golpe e mostra que a News Corporation também está ferida:

Murdoch mostra pessimismo com economia e critica conteúdo grátis na Internet

O empresário do setor de mídia Rupert Murdoch, presidente da News Corp, está pessimista em relação à crise econômica e seus reflexos sobre o setor de comunicações. Ele acredita que as perspectivas de longo prazo sejam ruins “porque as pessoas estão mais pobres do que estavam”, situação que ainda demora para se reverter. Ele também mostrou preocupação com as medidas anticíclicas que estão sendo adotadas contra a crise. “Os governos estão, em geral, gastando muito dinheiro, imprimindo dinheiro, e isso gera inflação”, disse, prevendo um cenário sombrio. “Eu rezo para estar errado”. Em uma rápida entrevista dada ao vivo durante a NCTA Cable 2009 ao jornalista Neil Cavuto, da Fox News (controlada pela News Corp), Murdoch fez uma única referência ao setor de TV paga, elogiando o desempenho dos canais Fox. O empresário preferiu focar suas análises sobre o setor de jornais impressos, onde defendeu a adoção de modelos pagos na Internet. “A publicidade sozinha não vai compensar as perdas de receita que estamos tendo”.

Depois, ao participar do debate com os presidentes de outros grupos de comunicação como Jeffrey Bewkes, da Time Warner; Philippe Dauman, da Viacom; e Mike Fries, da Liberty Global, Murdoch voltou a fazer críticas à distribuição gratuita de conteúdos pela Internet, especificamente vídeo. “Só quem está ganhando dinheiro com isso são os sites de busca”, disse. Inicialmente, a referência havia sido explícita ao Google. Depois, Murdoch preferiu generalizar falando simplesmente de “agregadores” de conteúdo e sites de busca. (…)” [grifos meus]

O interessante é que, como mostra Felix Salmon, Murdoch deu uma volta de 180 graus em relação às suas posições de 18 meses atrás:

“We don’t mind what platform news appears on. We’re platform neutral: newsprint, your Blackberry, your PC or whatever,” Murdoch said.
He also said that News Corp. was likely to get rid of subscriptions for the WSJ.com Web site in favor of a free model that would depend on advertising.

Eu e minha boca grande“, ele deve estar pensando agora.

Alguns leitores me enviaram e-mails perguntando porque raio de motivo eu não fiz um post acerca do affair “ditabranda”.  Atendendo a estes pedidos é que faço este pequeno obituário.

Sabem, eu não sou contra qualquer revisionismo.  Sou daqueles que acham que, para o bem ou para o mal, Fernando Collor será um presidente lembrado pelos livros de História  como de muito maior importância do que aquela que lhe damos hoje _ mesmo qeu ele  se encarregue de acabar com sua reputação na atual legislatura como Senador.  

Revisionismos da ditadura já aconteceram vários.   Elio Gaspari, creio eu, deixa alguns de seus protagonistas ao menos (Golbery e Geisel) em muito melhor luz do que era comum que eles aparecessem.  O Antonio Barros de Castro escreveu um livrinho, “Economia Brasileira em Marcha Forçada”, que vai na contramão do consenso da ortodoxia econômica sobre a importância do II PND para o Brasil.

Eu não tenho a menor dúvida que o regime de exceção promovido pelos militares a partir de 1964 tinha realmente características algo distintas das que distinguiram da maior parte das ditaduras latino-americanas, africanas, asiáticas e européias que lhe foram contemporâneas.   Os militares _ ou parte deles, já que o “movimento” não era homogêneo _ realmente tentaram preservar um resquício de legitimidade democrática, mantendo viva em cativeiro uma oposição chamada MDB _ cujo pecado original gravado no DNA do partido revela-se hoje na mariposa que nasceu daquela crisálida, o PMDB.

Não obstante, as palavras têm seu valor, e chamar de “branda” uma encarnação autoritária do Estado brasileiro que se comprazia em censurar a Imprensa me parece uma atitude um tanto desavergonhada da parte de uma personalidade jurídica que diz ser um jornal.

Do cadáver insepulto em que se transforma a Folha de São Paulo, acho que o mínimo que podemos esperar, agora, é um editorial contra a universalização da internet _ algo cujo advento lhe despejaria na testa a última pá de cal.

No Balkinization, a última receita para salvar o jornalismo investigativo:

It will take decades to revitalise investigative journalism if we allow the present corps of reporters to disintegrate. This is happening at an alarming rate. A Pew study indicates that 15,000 journalists lost their jobs in the US in 2008, with reductions of more than 20% at large newspapers. These grim numbers are harbingers of a worldwide crisis that undermines the very foundation of liberal democracy. Any serious solution should focus exclusively on this problem – the collapse of investigative journalism, not the fate of particular delivery systems.

The problem with a BBC-style solution is clear enough. It is one thing for government to serve as one source of investigation but quite another for it to dominate the field. A near-monopoly would mean the death of critical inquiry.

There are serious problems with private endowments as well. For starters, there is the matter of scale. Pro Publica, an innovative private foundation for investigative reporting, is currently funding 28 journalists. It is hard to make the case for a massive increase in private funding when university endowments are crashing throughout the world, imperilling basic research. More fundamentally, a system of private endowments creates perverse incentives. Insulated from the profit motive, the endowments will pursue their own agendas without paying much attention to the issues that the public really cares about.

Here is where our system of national endowments enters the argument. In contrast to current proposals, we do not rely on public or private do-gooders to dole out money to their favourite journalists. Each national endowment would subsidise investigations on a strict mathematical formula based on the number of citizens who actually read their reports on news sites.

***

Tenho minhas dúvidas.

O Valor de hoje tem uma matéria imensa sobre “o futuro do New York Times”, com ênfase nas dificuldades porque passa o jornal.  Trecho:

O balanço da The New York Times Company de 2008 é uma leitura deprimente, escrita com letras vermelhas. A receita, de US$ 2,95 bilhões, foi 7,7% inferior à do ano anterior e próxima à de US$ 2,94 bilhões de 1998, uma indicação de que a companhia não conseguiu crescer durante uma década. Em um ano, a receita com publicidade encolheu 13,1% e em dois anos, 19,5%; no último trimestre, com a acentuada deterioração da economia, a queda foi de 17,6%. 

A conta de resultados é ainda mais dramática. Frente a um lucro de US$ 208,7 milhões em 2007, conseguido principalmente com a venda de ativos, a empresa teve no ano passado um prejuízo de US$ 57,8 milhões, devido à reavaliação negativa – isto é, sem desembolso de caixa – de negócios deficitários ou pouco rentáveis comprados nos anos de prosperidade. As atividades operacionais da empresa, em si, foram ligeiramente rentáveis, dado o esforço para reduzir os custos, mas insuficientes para compensar as perdas contábeis.

Essa é a situação econômica. O panorama financeiro é ainda pior. A empresa tem uma dívida de US$ 1,1 bilhão, dos quais uma linha de crédito de US$ 400 milhões vence em maio, uma de US$ 99 milhões em novembro e outra de US$ 250 milhões em 2010. O dinheiro disponível em caixa era de apenas US$ 42 milhões e os bancos não parecem muito dispostos a abrir novas linhas de financiamento. Pela avaliação das agências avaliadoras de crédito, a dívida da empresa está classificada quase como “junk” – ou seja, como lixo.

This is frightening:

Chegou a revolução

O que está ocorrendo é uma profunda revolução provocada pela internet e acelerada pela contínua expansão da banda larga, com efeitos de longo prazo semelhantes aos da introdução da imprensa por Gutenberg, no século XV. A revolução atual está afetando todos os meios – revistas, rádio, TV -, e não apenas os jornais, e também as maneiras de comunicação entre as pessoas. Ainda é cedo para fazer qualquer afirmação categórica sobre os efeitos das mudanças que a internet e a banda larga estão provocando. Mas pode afirmar-se que todos os meios sairão desse processo muito diferentes do que eram 15 anos atrás.
Para os jornais, a internet representou inicialmente um extraordinário meio de transmissão de seu conteúdo. Suas informações e análises podiam chegar instantaneamente muito além do limitado raio permitido pela distribuição física da edição impressa. Conseguiram um grande aumento do número de leitores e de influência. Hoje, os grandes jornais têm vários milhões de usuários únicos – o nome aos leitores na internet -, igualando ou superando em penetração muitas emissoras de televisão.
Mas cometeram o grave erro – um verdadeiro pecado original – de oferecer grátis seu conteúdo. Como recentemente disse Steve Brill, um empresário que lançou nos EUA vários meios de comunicação, ele pagava algumas centenas de dólares por ano para receber em sua casa de Nova York a seção “Style” do “The Washington Post”. “Então, Donnie Graham – presidente e principal acionista do ‘Post’ – decidiu que eu precisava de um subsídio. Agora me mandam a seção ‘Style’ grátis por e-mail.” E comentou: “Isso é uma loucura.” A imprensa, em sua opinião, está se autodestruindo e tem que parar de se suicidar dando informação de graça. “Comecem a cobrar e a acreditar em seu produto”, disse, acrescentando que os editores de jornais têm que recuperar sua autoestima
.”

Mais frightening ainda:

Keller sugere que o “Times” vai encontrar uma maneira de obter receita com o conteúdo na internet. Disse não acreditar num princípio teológico segundo o qual a informação “tem que ser grátis”; a informação de alto nível tem que ser paga. Quem paga, hoje, são os anunciantes, mas afirma que o jornal está discutindo as maneiras de fazer que o leitor também pague. E aponta como exemplo a decisão de Rupert Murdoch de continuar cobrando pelo acesso ao conteúdo do “The Wall Street Journal”. Keller, porém, acha que o sítio do “Times” gera mais receita que o do “Journal”. E confirma que o “Times” estuda seriamente a possibilidade de introduzir o sistema de micropagamentos, como fazem Apple e iTunes.

Um mundo com um NYT pago será um mundo mais triste, mas um mundo sem um NYT será pior ainda.

Eu QUASE havia feito um post sobre isso aqui (ando muito lento _ eu também QUASE havia feito um post sobre um contrapé do Tio Rei que Sergio Leo captou de forma magistral), uma matéria sobre o NYT na The Atlantic, onde o autor, Michael Hirschorn, advoga o uso de um sistema de micropagamentos para salvar o jornalão.  Nick Carr faz uma discussão mostrando os dois lados da questão _ tanto a dos entusiastas dos micropagamentos (“afinal, funciona com o iTunes!“) como a dos céticos ou simplesmente contrários (“a informação quer ser livre!“).

Jornais vivem basicamente de 3 fontes de renda: compradores a vulso nas bancas, assinantes e anunciantes.   Jornais como o NYT (principalmente os que têm na sua base um público que tem acesso a internet) sacrificam as duas primeiras fontes quando disponibilizam conteúdo grátis na rede, e se resignam a viver da receita de publicidade _ o que é um perigo nas épocas de vacas magras como agora.

A diversidade de opiniões sobre o que fazer é grande.  David Carr, citado por Nick, parece acreditar em uma solução à la Apple: uma empresa cria um gadget que repentinamente convence os usuários a pagar por conteúdo, revertendo uma situação de pirataria extremada.  O paralelo é meio capenga, em minha opinião, porque a) os usuários continuam pirateando (“Invaders Must Die” do Prodigy será lançado dia 23 deste mês mas já está na rede) e b) a “pirataria” de conteúdo jornalístico existe (aham…), mas não é significativa e nem o maior problema dos jornais que resolveram eles mesmos disponibilizar seu conteúdo online, como é o caso do NYT e vários outros.  Já Walter Isaacson enumera várias estratégias diferentes, como a do Christian Science Monitor que simplesmente acabou com sua edição em papel (a “dead trees edition“…), ou a, er, “estratégia” que parece ser a do próprio NYT que é a de esperar que os outros jornais morram primeiro para capturar seu market-share.

[Parêntesis: Nesse particular é muito interessante a experiência do Meia Hora, um jornal popular carioca pertencente ao grupo O Dia e que já é o terceiro jornal mais vendido no Rio (tiragem de 230 mil exemplares diários).  Vejam só esse trecho da matéria que saiu na Piauí:

A sede do tablóide, que divide o andar de um prédio no bairro da Lapa com a redação de O Dia, tem paredes amarelas encobertas por um emaranhado de cartazes, cartas, capas, papéis, fotos e recortes de reportagens. Vê-se um pôster do filme Sexo no Salão 2007 – com uma loira seminua em meio a uma chuva de purpurina -, a foto-flagra de um repórter da casa beijando o derrière da ex-chacrete Rita Cadillac e outra que mostra em primeiro plano a face alegre de um ex-Big Brother. “A toda equipe do Meia Hora, com beijão carinhoso do Tinho”, dizia a dedicatória em caligrafia infantil.

(…)

A equipe do Meia Hora tem vinte jornalistas, na faixa dos 25 anos, que andam em trajes esportivos e usam tênis. Eles trabalham mais como redatores do que como repórteres. As matérias são feitas pela equipe de O Dia e enviadas à redação-irmã para que sejam reescritas e resumidas a, no máximo, cinco parágrafos. No começo de dezembro, a mesma reportagem que apareceu em O Dia como “São Cristóvão: funcionário da feira suspeito de assaltos”, no Meia Hora virou “Bandidos tocavam o terror em São Cristóvão”. ” [grifo meu]

É um nicho aproveitando economia de escopo: a equipe do jornal-mãe faz a reportagem e a equipe do Meia Hora “reempacota” o conteúdo para um outro público _ que paga pouco, mas pelo menos paga, porque não tem acesso à internet…é claro que não é uma estratégia facilmente replicável ou sustentável em longo prazo, mas é bem interessante].

Voltando ao Nick Carr, acho que ele tem um argumento bem imaginativo sobre porque motivo micropagamentos não funcionariam para notícias: porque, ao contrário de músicas, notícias são bens perecíveis.

Aqui eu tenho minhas dúvidas.  Eu acredito que a esmagadora maioria das pessoas que compra música na iTunes usa música de forma descartável.  Outro dia, por exemplo, vi um blogueiro sugerindo uma banda chamada “Weekend Vampires”.  Não há descrição da banda nem na Wikipedia nem na Last.fm.  “Vampire Weekend”.  Sua descrição no Last.fm: “Vampire Weekend é uma banda indie pop/rock com influências de afro-beat”.  Igual a centenas de outras.  Bandas hoje são descartáveis, sua música também.   

Outro argumento de Nick é o de que a música é fungível, no sentido de que eu quero ouvir a música X, não a música Y.  É meio estranho, eu acho, dizer então que a notícia Y substituiria a notícia X; é o que Nick sugere, embora de forma mais sutil (a de que o fato em si estaria reportado em outro meio qualquer de qualquer forma, o que não é exatamente verdade se os micropagamentos se espalhassem).

Já o outro argumento de Nick tem mais substância: ele diz que o ethos de gratuidade se perpetua, hoje, apenas porque com a internet repentinamente a oferta tornou-se muito maior que a demanda.  Se eu morando em Brasília só poderia ter acesso aos dois jornais locais, alguns nacionais (três ou quatro) e alguns internacionais (sempre com defasagem), hoje posso ver os jornais de qualquer lugar do mundo a um toque de teclas.  O que ele acha é que o ajuste se dará pela oferta: muitos jornais, revistas e opções de informação vão sumir.

Para defender esse argumento Nick, é claro, tem que se contrapor ao pessoal que diz que pelo contrário, a internet reduziu as barreiras à entrada no setor de informação.  Eis porque eu e milhões de outros blogueiros estamos aqui informando nosso honorável público.  Nick contra-ataca dizendo que este tipo de amadorismo jamais substituirá a produção profissional de notícias.  Com isto, tendo a concordar: a maioria dos blogs interessantes tendem a ser aqueles capazes de fornecer um comentário bacaninha sobre uma matéria prima produzida por outrem _ um reempacotamento tipo Meia Hora (ok, talvez um pouco mais que isso).  Já blogs que saem inteiramente da cachola do seu autor tendem a ser chatos e confessionais; muito poucos são realmente legíveis.

Veredicto final do Nick:

What I’m laying out here isn’t a pretty scenario. It means lots of lost jobs – good ones – and lots of failed businesses. The blood will run in the streets, as the chipmakers say when production capacity gets way ahead of demand in their industry. It may not even be good news in the long run. We’ll likely end up with a handful of mega-journalistic-entities, probably spanning both text and video, and hence fewer choices. This is what happens on the commercial web: power and money consolidate. But we’ll probably also end up with a supply of good reporting and solid news, and we’ll probably pay for it.

Um mundo de Rupert Murdochs.  Será?

***
UPDATE:

O Cássio me alertou para o excelente post que o Pedro Dória escreveu hoje sobre o mesmo tema.

***

UPDATE 2

O Vinhal do Lastronomia também deu suas caneladas!

Leia o resto deste post »

O Fantástico, no domingo à noite, fez uma reportagem interessante:

O planeta está ameaçado pela poluição
A sujeira se acumula 

Entre o litoral da Califórnia e o Havaí, uma área enorme ganhou um triste apelido: o Lixão do Pacífico. Levadas pela corrente marítima, toneladas e toneladas de sujeira, produzidas pelo homem, se acumulam num lugar que já foi um paraíso.

Um oceano de plástico, uma sopa intragável, de tamanho incerto e aproximadamente 1,6 mil quilômetros da costa entre a Califórnia e o Havaí e que, segundo estimativas, seria maior do que a soma de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás.

Aqui.

Antes tarde do que nunca.  :)

Ainda no Estadão:

Descoberto fóssil de cobra de 13 metros e uma tonelada
A titanoboa bate o recorde de maior serpente já encontrada por 3,5 metros, superando uma cobra egípcia

NOVA YORK – Esqueça a cobra que ameaçava Jennifer López no filme Anaconda, de 1997. Fósseis descobertos no nordeste da Colômbia revelam a maior serpente já encontrada: um monstro de 12,8 a 13,7 metros, pesando mais de 1,1 tonelada.

“Essa coisa pesa mais que um búfalo e é mais comprida que um ônibus urbano”, disse o especialista em cobras Jack Conrad, do Museu de História Natural de Nova York. “Ela poderia facilmente comer algo do tamanho de uma vaca. Um ser humano estaria morto num instante”.

(…)

Na verdade, a fera provavelmente comia parentes antigos dos crocodilos, em florestas tropicais de 58 milhões a 60 milhões de anos atrás, disse ele.Embora seja uma parente das jiboias modernas, ela vivia mais como uma sucuri, e passava a maior parte do tempo na água, diz Head. Era capaz de rastejar pela terra e de nadar.

(…)

A titanoboa bate o recorde de maior serpente já encontrada por 3,5 metros, superando uma criatura de 40 milhões de anos atrás, descoberta no Egito. Entre as espécies vivas, a maior contra conhecida é uma píton de nove metros, diz um dos autores do estudo, Jonathan Bloch. ” [grifo meu]

Como diria o Oliveira, o canalha da redação, uma crocodilagem, similar às que ocorrem entre as jararacas do PMDB, que prometem ser de dimensão ofídea.

Já a mesma matéria no NYT: explora mais o artigo da Nature que descreve a descoberta, informando sobre a original idéia de estimar as temperaturas da terra na época em que a cobrona vivia a partir de parâmetros metabólicos:

The discovery and its climatic implications are described in Thursday’s edition of the journal Nature.

“An independent critique of the work by Matthew Huber, an earth and climate scientist at Purdue, also published in Nature, said the findings provided a hint that the tropics could get a lot warmer than they are now, but also “attest to the resiliency of tropical ecosystems in the face of extreme warming.”

With scant precise evidence of past temperature changes on land in the tropics, there is still substantial debate about whether these regions have gotten much warmer than typical steamy tropical conditions today – with an annual average temperature of 75 to 79 degrees Fahrenheit.

The team examined how warm it had to be for a snake species to be that large by considering conditions favoring the largest living similar tropical snake, the green anaconda, said Jason J. Head, the lead author of the paper and a paleontologist at the University of Toronto. They concluded that Titanoboa could have thrived only if temperatures ranged from 86 to 93 degrees.”

Sinal que o NYT, ainda que prestes a cair nas garras de Carlos Slim, ainda é mais que um jornaleco.

Chamada no Estadão Online, hoje, revelando o grau de desinformação de nossa imprensa:

fairietale

Ah, vá.

Via o Oni Presente, descobri que o Vilósofo acaba de ser limado ATÉ do JB. Quem quiser saber dos detalhes mais constrangedores (e são muitos), pode ler lá no Oni ou no original. O que importa é isso:

O preço do salame

Olavo de Carvalho

Aproximadamente um ano atrás, o Jornal do Brasil diminuiu arbitrariamente meu salário, de US$ 2.000,00 para US$ 400,00 por mês. O aviso veio como fato consumado, sem qualquer consulta prévia a esta desprezível criatura.

Cortes de salário e de espaço são na imprensa brasileira um meio usual de boicote, empregado quando o jornal ou revista quer se ver livre de um articulista sem assumir a responsabilidade de demiti-lo. É um estilo especialmente jornalístico de operação-salame. O sujeito vai sendo encurtado fatia por fatia, até que, quando o salame já está um toquinho de nada, a diretoria lhe informa que sua coluna será “ampliada” (sic), isto é, dividida e reduzida.”

Na prática, o que acontece depois é que o Vilósofo descreve o processo pelo qual foi se desentendendo com a direção do JB, basicamente, por ter enviado para a publicação um texto onde reclamava de sua demissão…d´O Globo.  Sim, eu sei, o texto está travestido de uma crítica geral ao esquerdismo patente da imprensa etc.  Mas no fim das contas ele está reclamando de ter sido demitido do jornal dos Marinho _ uma conduta que obviamente não pareceu adequada ao seu novo empregador.  Resultado final da disputa:  Olavón recebeu este bilhete azul (calcinha, mas ainda assim azul) do editor de opinião do JB (no texto original Olavón comete a indiscrição, er, “involuntária”, talvez, de publicar o celular do infeliz, que agora deve estar sendo alvo da ira da claque olavete):

Prezado Olavo,
Comunico-lhe que, a partir da próxima semana, a editoria de Opinião do Jornal do Brasil será ampliada, com a chegada de mais articulistas. Portanto, todos os nossos colaboradores passarão a escrever apenas um artigo por mês. Ainda hoje, ou no início da próxima semana, lhe envio a data exata de publicação de seu artigo para fevereiro.

Peço-lhe que, por favor, confirme o recebimento desta mensagem.
Um grande abraço
,”

E o mais patético:

Respondi a ele o seguinte:

Prezado Paulo Márcio,

Por favor, comunique à diretoria do JB que terei o máximo prazer em escrever um artigo mensal para o jornal. O preço de cada artigo será dois mil e quatrocentos dólares.

Atenciosamente,
Olavo de Carvalho

Até agora não veio resposta. Será que acharam dois mil e quatrocentos dólares um preço caro demais para uma fatia de salame?

É claro que o Olavão entendeu que foi destinatário de uma singela sugestão para que se demitisse.  Só não teve a hombridade de aceitá-la…

Bom, na última Piauí o Mário Sergio Conti entrevistou Lula sobre a…imprensa.

Uma das coisas que o Conti fez foi perguntar ao presidente o que achava de alguns jornalistas.  Eis as perguntas e as respostas:

Pedi ao presidente que desse sua opinião sobre alguns jornalistas brasileiros. A cada nome, ele disse umas poucas frases.

Elio Gaspari, colunista da Folha e de O Globo: “Tenho um profundo respeito pelo Elio Gaspari. É um dos grandes jornalistas brasileiros, independente de eu concordar ou não com ele.”

Merval Pereira, colunista de O Globo e da GloboNews: “Acho o Merval, às vezes, um jornalista com um pensamento só: o pensamento contra o governo.”

Clóvis Rossi, repórter e colunista da Folha: “Sou muito amigo do Clóvis Rossi.”

Ali Kamel, editor-executivo da Central Globo de Jornalismo e colunista de O Globo: “O Ali já fez artigos me defendendo do preconceito. Mas tenho profundo ressentimento da cobertura da Globo na campanha de 2006. Não expresso esse ressentimento no meu comportamento, nas minhas atitudes, na minha relação com a imprensa e muito menos com a Globo. É uma coisa que está comigo.”

(Na véspera do primeiro turno, o Jornal Nacional exibiu imagens de montes de dinheiro apreendidos pela Polícia Federal, com petistas que tentavam comprar um dossiê falso contra José Serra, candidato do PSDB ao governo de São Paulo*. No governo e no PT, atribuiu-se a necessidade do segundo turno a essa reportagem.)

Janio de Freitas, colunista da Folha: “Sou um admirador do Janio de Freitas mesmo quando ele fala mal do governo.”

Diogo Mainardi, colunista de Veja e do programa Manhattan Connection, da GNT: “Confesso que não leio.”

Luis Nassif, blogueiro: “Gosto muito do Nassif, é um dos grandes analistas econômicos do país.”

Paulo Henrique Amorim, apresentador do Domingo Espetacular, da Rede Record, e blogueiro: “Sempre tive admiração pelo Paulo Henrique Amorim, desde o tempo em que ele era analista da Globo. Acho que, quando foi trabalhar na Bandeirantes, enveredou por um caminho errado, assessorado por um jornalista que não trabalha mais com ele, que cometeu erros crônicos. Mesmo quando ele critica, você percebe que tem fundamento. Isso é o importante: não quero que as pessoas falem bem de mim. Tenho 63 anos e nunca um jornalista ouviu da minha boca um pedido para que fizesse uma matéria favorável. Gostaria que ele noticiasse apenas o fato como ele é. E depois, se quiser fazer análise pessoal, que faça. Mas sou defensor de que o fato seja a razão de ser da imprensa.”

Na hora das despedidas, chegou Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais. “Como a Clara e você, o Marco Aurélio foi trotskista, mas ele nega”, disse Lula. Garcia tentou se explicar, e Lula o interrompeu, perguntando: “Sabe como chama o filho do Marco Aurélio? Chama Leon, e ele nega que é trotskista!“”

***

Nem uma palavra sobre Reinaldo Azevedo.  Será que o Conti se esqueceu de citar o sacripanta?  Afinal, também faltou gente muito mais importante que o Reinaldo, como o Larry Rother e o Sergio Leo.   :)

Não creio, dado este trecho da matéria:

(…) Nos dias de folga, o presidente pesca, joga cartas, conversa com os filhos e amigos – desde que não sejam políticos nem estejam no governo.

“Saio pouquíssimo”, disse. “Esse ano, só fui às festas de aniversário do Pão de Açúcar e da Andrade Gutierrez.” Perguntei se era amigo dos donos das empresas. “Não, fui porque completavam 60 anos, o que no Brasil é importante”. E por que então não foi ao aniversário de 40 anos de Veja? “Porque me dou ao respeito”, respondeu. “Aprendi que se alguém me xinga durante anos, não devo ir à sua casa.” (No site da revista, o presidente é chamado mais de 6 800 vezes de “apedeuta”, sinônimo de “ignorante” e “sem educação”.)” [grifo meu]

Hummm…o Google mostra que:

“Apedeuta” aparece 8.050 vezes na página da Veja.

“Apedeuta” aparece 8.020 vezes no blog de Reinaldo.

Acho que o Conti deixou o Reinaldo na geladeira…

***

Aliás, Reinaldão ainda não deu um pio sobre a entrevista acusou o golpe. (hat tip – Matamoros)

Deu na Folha Online:

ovnisnafolha1

Em toda minha longa vida de leitor de jornal, nunca vi a palavra “OVNI” grafada como “ÓVNI”.  Até porque trata-se de uma sigla, significando “Objeto Voador Não Identificado” _ e “objeto” não se escreve “óbjeto”.

Devem ser efeitos extraterrestres da reforma ortográfica, suponho.

UPDATE:

Parece que em Portugal pode.

O Estadão online publicou uma matéria sobre as últimas declarações de Lula na Cúpula da Bahia.  Após citar a piadinha que ele fez sobre sapatos de jornalistas, o vetusto diário paulista saiu-se com este comentário:

em discurso de encerramento da cúpula, Lula, ao comemorar a mudança que está ocorrendo na região, com os países entendendo que precisam se unir para enfrentarem os problemas juntos. “Sinto que essa consciência está mudando”, comentou Lula. 

Para ilustrar a mudança, Lula citou o exemplo da transformação do bicho-da-seda: “Não sei se todo mundo conhece o pequeno casulo que produz a seda. O casulo, de repente, fura um buraquinho e sai uma borboleta”, comentou ele, que confundiu lagarta com bicho da seda e mostrando que nem ele conhecia sobre o que estava se propondo a falar.” [grifo meu]

Estou enganado ou trata-se de uma tentativa de sapatada virtual?  Se foi, sugiro que o preclaro profissional da pena melhore sua pontaria, tomando aulas diárias de biologia e português:

1) o incauto jornalista parece desconhecer que o termo “bicho-da-seda” é usado para designar uma espécie animal, enquanto o termo “lagarta” refere-se a um estágio do desenvolvimento de inúmeros insetos…INCLUSIVE o bicho-da-seda.  Claro que Lula errou: quem produz a seda é a lagarta, não o casulo.  Por outro lado o jornalista só fez piorar a confusão.

2) a frase é um primor de mau português.

Em suma: nada contra sapatadas, mas o Estadão parece não dominar a arte.

Será que a blogoseira morreu?

It’s no surprise, then, that the vast majority of blogs have been abandoned. Technorati has identified 133 million blogs since it started indexing them in 2002. But at least 94 percent of them have gone dormant, the companyreports in its most recent “state of the blogosphere” study. Only 7.4 million blogs had any postings in the last 120 days, and only 1.5 million had any postings in the last seven days.”

Nick Carr acha que sim, e mostra antecedentes históricos:

Radio soon came to be dominated by a relatively small number of media companies, with the most popular amateur operators being hired on as radio personalities. Social production was absorbed into corporate production. By the 1920s, radio had become “firmly embedded in a corporate grid,” writes Douglas. A lot of amateurs continued to pursue their hobby, quite happily, but they found themselves pushed to the periphery.

E foi bom ou foi ruim? Foi bom…

Allowing readers to post comments on stories has now, thanks to blogging, become commonplace throughout online publishing.”

Mas…

But the once popular idea that blogs would prove to be an alternative to, or even a devastating attack on, corporate media has proven naive.

Who killed the blogosphere? No one did. Its death was natural, and foretold.

E o filho da mãe ainda tem um post-script que dá o que pensar.

Os colegas blogueiros concordam?

Em benefício da economia de meios, repetimos a introdução do post anterior:

Já há um bom tempo o Paulo do FYI vem se esmerando em transformar o ignóbil ofício de matar o mensageiro em uma arte.  Sua forma preferida de fazê-lo é atribuir à mídia a culpa por quaisquer transtornos que aquela inoportuna senhora chamada Realidade se incumba de administrar à sua, digamos, alterada visão de mundo.  

Como é de se esperar, para desempenhar a ingrata tarefa de promover a tal visão de mundo, ele tem de buscar aliados, e como o mundo é o que é (uma casa de loucos), ocasionalmente ele encontra alguns.”

E de vez em quando ele encontra gente pior que ele:

Media’s Presidential Bias and Decline

(…) The sheer bias in the print and television coverage of this election campaign is not just bewildering, but appalling. And over the last few months I’ve found myself slowly moving from shaking my head at the obvious one-sided reporting, to actually shouting at the screen of my television and my laptop computer.

Malone tem uma teoria para isso _ ele acha que os culpados são os editores:

Why? I think I know, because had my life taken a different path, I could have been one: Picture yourself in your 50s in a job where you’ve spent 30 years working your way to the top, to the cockpit of power … only to discover that you’re presiding over a dying industry. The Internet and alternative media are stealing your readers, your advertisers and your top young talent. Many of your peers shrewdly took golden parachutes and disappeared. Your job doesn’t have anywhere near the power and influence it did when your started your climb. The Newspaper Guild is too weak to protect you any more, and there is a very good chance you’ll lose your job before you cross that finish line, 10 years hence, of retirement and a pension.

In other words, you are facing career catastrophe — and desperate times call for desperate measures. Even if you have to risk everything on a single Hail Mary play. Even if you have to compromise the principles that got you here. After all, newspapers and network news are doomed anyway — all that counts is keeping them on life support until you can retire.

And then the opportunity presents itself — an attractive young candidate whose politics likely matches yours, but more important, he offers the prospect of a transformed Washington with the power to fix everything that has gone wrong in your career.

É claro que o último parágrafo não junta lé com cré, além de parecer não depositar uma fé suficientemente fervorosa no mercado das idéias, algo que me parece estranho em um republicano.  Mas Malone não é o único wingnut ciscando nessa seara _ ele tem rivais:

Media Credibility
By DOUGLAS MACKINNON
Douglas MacKinnon was a press secretary to former Senator Bob Dole. (Full biography.)

After the presidential election is over and the dust, animosity, glee and shock settle into something manageable, the nation will need to tackle the subject of “media bias” in a sincere and honest manner.

As an “independent conservative,” I’m expected to see liberal media bias lurking everywhere, but it’s not just me – and it’s not just conservatives. I know liberals, including newspaper editors, who think the “news” pendulum had swung dangerously far to the left.

Para explicar o fenômeno, MacKinnon tem uma teoria diferente, e bem mais ousada, do que a de Malone:

(…) the pressure within the news business to diversify and be politically correct means more minorities, women and young people are being hired. And young and ethnically diverse reporters and editors go easier on candidates who look more like them, are closer to their age or represent their ideal of a presidential candidate.

OK, mulheres, jovens e outras criaturas etnicamente diversas _ que por acaso representam a cara da nova América que não é WASP _ são os culpados por refletirem valores e opiniões não-WASP.  Acho que o mundo pode conviver com isto.  Raios, parece até…justo.

***

OK, sei que no fundo isso é choro de quem acha que vai perder as eleições.  Afinal, é preciso encontrar bodes expiatórios para:

a) 8 anos de política externa desastrosa

b) 8 anos de política econômica desastrosa

c) Um delfim gagá

d) Uma vice-delfim ignorante

e) etc.

E como sabemos, a imprensa de fato não é parte da “REAL AMERICA”, certo?  Acreditar na “vast left wing conspiration” é bem melhor do que assumir a culpa pelas próprias falhas.  Afinal, o senso de honra romano, pelo qual alguém que vive pela espada, morre pela espada, é uma característica imperial que os republicanos não parecem muito dispostos a reencetar.

Tudo isso é muito natural, mas no fim das contas, não deixa de ser um último testemunho da hipocrisia republicana seguirem este caminho agora _ justamente o partido cujos operadores já disseram coisas assim:

Step by step, ideas that were once radical or unthinkable — homeschooling, tuition tax credits, and vouchers — have moved into normal public discourse. Homeschooling is popular, tuition tax credits are sensible, and vouchers are acceptable. (On the latter, they’ve been soundly defeated in Michigan of late, but the point is that they are a part of normal public and political discourse.) The de facto illegality of homeschooling, by contrast, has gone the way of the dodo. The conscious decision to shift the Overton window is yielding its results.

So there’s your tip from the VRWC for the day. It’s a methodology that could work for the left as easily as the right, although I’m not aware of a single left-wing think tank (and they are few) that operates so systemically. If you’re of an analytic bent, and want to figure out where a legislative or policy strategy is heading, try constructing the scale of possibilities and the Overton window for the subject at hand. Change can happen by accident, true: but it is just as often the product of deliberation and intent, and it does all of us well to understand the mechanisms by which it occurs.

Esse é o pessoal que agora chora e bate o pezinho por uma “fair and balanced media”…

Agora só falta descobrir para onde vão os guarda-chuvas

Ainda no capítulo “Manchetes sensacionais das seções de Ciência” _ no Estadão:

Sonda da Nasa revela presença de opalas no solo de Marte

setembro 2014
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