You are currently browsing the category archive for the 'insanidades' category.

Paulo do FYI escreveu neste comentário aqui o seguinte:

Para o resto do pessoal que vem aqui e esta realmente com medo que o que esta acontecendo eh o fim do mundo, recomendo esse:

http://www.nytimes.com/2008/10/10/opinion/10mulligan.html

O que diz o “esse” (que vem a ser Charles Mullingan, professor em Chicago):

I know that most everyone has been saying for a couple of weeks that something has to be done; a banking crisis could quickly become a wider crisis, pulling the rest of us down. For this reason, the Wall Street bailout is supposed to be better than no plan at all.

Too bad this line of thinking is seriously flawed. The non-financial sectors of our economy will not suffer much from even a prolonged banking crisis, because the general economic importance of banks has been highly exaggerated.

Já eu recomendo o novo relatório do Banco Mundial:

(…)financial stress before a recession presages a statistically significantly more severe recession; the fact that it’s a banking type of financial stress (as opposed to say exchange rates or interest rates) suggests that it will be even worse than otherwise. Finally, the prevalence of arm’s-length finance (as compared to the bank-centric systems dominant in Europe) means that the impact will likely be even more negative in the US case.

Too bad.

O Paulo do FYI veio aqui me dizer o seguinte:

Vc so quote other people, critica deus e o mundo e quando finge dar opiniao fica em platitudes.”

Bem, Paulo não parece saber de onde vem a palavra “blog“.  Se soubesse, perceberia que citar outros é um expediente bastante comum em um blog _ alguns diriam até essencial.  De fato, é até interessante notar que o Paulo usa extensivamente citações de outrem, embora, por algum motivo que deve pertencer à ordem do psíquico, exaspere-se terrivelmente ao ver esta técnica empregada em blogs alheios.  Fazer o quê.

Quanto a criticar “deus e o mundo”, sempre me pareceu que eu criticasse mais Deus que o mundo.  Claro, eu poderia escrever um blog extremamente deferencial, que apenas reunisse notícias boas e elogios sobre pessoas e eventos.  Só que neste caso eu teria outro emprego: seria um colunista social.  Por outro lado, novamente parece que o Paulo é chegado naquela idéia do “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço”, a julgar pela “tag cloud” do seu blog, generosamente montado pelo WordPress e disponibilizado no blog dele por ele mesmo.  Por algum motivo (da ordem do psíquico??), parece que o que o Paulo mais gosta é falar sobre o que não gosta.  E acho que não é pra elogiar.

Quanto a essa recorrente indisposição do Paulo sobre minhas opiniões…bom, ainda bem para os parentes dele que eu só finjo ter opiniões.  Imaginem se eu as tivesse _ ele era capaz de ter uma síncope.

Primata ou ungulado?

Na mídia americana consagrou-se o hábito de analisar, além das falas e posições dos candidatos em debates políticos, também a sua “body language“, isto é, linguagem corporal.  Pundits de ambos os lados do espectro político norte-americano focaram quase que imediatamente no fato de que McCain não olhava para Obama durante o debate, o que foi lido pelos analistas como “contempt“, isto é, desprezo.

David Broder, articulista da Time, inovou e foi buscar inspiração na primatologia: escreveu um artigo intitulado “McCain as the Alpha Male” _ “McCain, o macho alfa“.  O conceito, que deriva da etologia, diz que o macho alfa é, simplesmente, o animal macho que domina o bando no contexto de animais sociais (sendo que em alguns tipos, como os elefantes, o que existe é a “fêmea alfa”).  Embora concedendo não ter havido um vencedor claro no debate, Broder usa o conceito de “macho alfa” para “mostrar” que o comportamento de Obama vis a vis McCain mostrou que McCain poderia ser o “macho alfa” entre os dois, ou seja, o macho dominante _ e que sua postura física indicava isso:

It was a small thing, but I counted six times that Obama said that McCain was “absolutely right” about a point he had made. No McCain sentences began with a similar acknowledgment of his opponent’s wisdom, even though the two agreed on Iran, Russia and the U.S. financial crisis far more than they disagreed. That suggests an imbalance in the deference quotient between the younger man and the veteran senator — an impression reinforced by Obama’s frequent glances in McCain’s direction and McCain’s studied indifference to his rival.” 

Francis de Wall é um primatologista, entretanto, e não gostou do que leu:

A confident alpha male chimpanzee would never show studied indifference. I have seen such behavior only in males who were terrified of their challenger…. A self-confident alpha male just approaches his challenger and sets him straight, either by attacking him or performing a spectacular display of his own. No avoidance of eye contact: he takes the bull by the horns. It rather is the hesitant or fearful alpha male who avoids looking straight at the other…. I read the body language between McCain and Obama as that between a senior male being challenged by a remarkably confident junior one. The senior didn’t know exactly what to do. He avoided eye contact and body orientation, probably realizing that a direct confrontation might not go his way. If McCain was an alpha male, it was an incredibly insecure one…

De qualquer maneira,  o dia seguinte pareceu mostrar empiricamente que alfa e beta ou estão trocados ou não são indicadores confiáveis nessas horas:

Obama abre dianteira de oito pontos sobre McCain

Chris Carlson/AP
Sondagem divulgada neste domingo (28) pelo instituto Gallup informa que Barack Obama ampliou a vantagem que o separa do rival John McCain.

Segundo o instituto, Obama dispõe agora de 50% das intenções de voto, contra 42% atribuídos a McCain. Uma dianteira de oito pontos percentuais.

Os resultados emergem de pesquisa telefônica feita pelo Gallup. Chama-se “tracking”. O instituto ouve diriamente algo como mil eleitores. E consolida os resultados a cada três dias.

Esta última consolidação, que tem margem de erro de dois pontos (para mais ou para menos), inclui a opinião de 2.719 eleitores ouvidos entre quinta-feira (25) e sábado (27).

Um período em que os americanos foram submetidos a dois fatos relevantes na formação da tendência de voto:

1. A negociação do pacote de socorro a Wall Street, que despeja R$ 700 bilhões do contribuinte americano em papéis podres de instituições financeiras;

2. O primeiro debate televisivo entre os dois candidatos, realizado na noite de sexta (26).

Tio Rei transcreve um trecho da coluna de Diogo Mainardi que, como de hábito, vive em um mundo que é red e cor-de-rosa:

Nos últimos dias, disseminou-se a idéia de que os contribuintes americanos sairiam perdendo com o pacote de ajuda às empresas quebradas. Na realidade, Ben Bernanke e Henry Paulson preparam-se para realizar um grande negócio para os cofres públicos, abocanhando uma montanha de títulos hipotecários por uma ninharia. Como Shylock, eles podem atribuir qualquer valor a esses bens, porque ninguém mais tem interesse em comprá-los.

Muita gente já mostrou alhures porque essa idéia é idiota.  Mas o que eu gostaria de ressaltar aqui é: como pode ser que, de repente, a idéia do Estado fazer bons negócios para os cofres públicos às expensas do mundo privado tenha entrado tão em voga entre pessoas para as quais escrever a palavra “Estado” com “e” minúsculo é mais que regra estilística de um manual de redação, mas sim um religioso dever?  Afinal, a idéia de uma Petrobrás forte não lhes é repugnante?  O reles pensamento de uma Pré-sal-brás não lhes revira o estômago?  Então que diabos está havendo?

Discutindo a possibilidade de que McCain não saiba a diferença entre uma crise financeira (”financial”) e uma crise fiscal (”fiscal”, em inglês), o  Washington Montly destaca um trecho do debate de ontem:

Lehrer: Are there fundamental differences between your approach and Senator Obama’s approach to what you would do as president to lead this country out of the financial crisis?

McCain: Well, the first thing we have to do is get spending under control in Washington. It’s completely out of control.”

***

Algumas razões pelas quais o gasto em Washington está fora de controle:

_ A negligência regulatória republicana tornou necessário fazer com que o Tesouro arcasse com um sistema financeiro falido.

_ A guerra americana no Iraque, que rende bilhões à panóplia de empresas contratadas pelo Pentágono, pressiona o déficit fiscal norte americano.

McCain, porém, defende a desregulamentação e a guerra no Iraque. WTF?

 

Bruges, Bélgica - clique para ampliar

Bruges, na Wikipédia:

Bruges (DutchBrugge) is the capital and largest city of the province of West Flanders in the Flemish Region of Belgium. It is located in the northwest of the country.

The historic city centre is a prominent World Heritage Site of UNESCO. It is egg-shaped and about 430 hectares in size. The area of the whole city amounts to more than 13,840 hectares, including 193.7 hectares off the coast, at Zeebrugge (”Seabruges” in literal translation). The city’s total population is more than 117,000, of which around 20,000 live in the historic centre.

Along with a few other canal-based northern cities, it is sometimes referred to as “The Venice of the North“.

Bruges has a significant economic importance thanks to its port, and is also home to the College of Europe.

***

Tamandaré, Pernambuco - clique para ampliar

Tamandaré (PE) na Wikipédia:

Tamandaré is a beach located roughly 100km (60 miles) south of Recife, the capital city of the Brazilian state of Pernambuco. The beach is a small town whose locals are from the upper lower class of Brazil. The town is a haven for upper middle class residents of Recife and other nearby cities, who own summer homes in the area.

***

Somewhere in the middle of nowhere - clique para ampliar

Algum lugar na costa do Saara Ocidental.

***

Agora eu queria saber: alguém aí tem uma boa teoria para explicar porque a histórica e relativamente importante cidade de Bruges, capital da Flandres Ocidental, aparece com uma resolução menor no Google Earth do que a cidade de Tamandaré, na costa de Pernambuco, ou mesmo menor do que uma praia sem nome na costa do Marrocos?

Eu sei que a maioria de vocês que frequenta o blog certamente têm de mim a mais pura e cândida das idéias, ser angelical que sou.  A verdade porém é bem outra.  Quando provocado, sei ser tão mau quanto um pica-pau.  E nada consegue me provocar mais do que a criatividade dos tradutores de títulos de filmes para o português.  No Correio Braziliense:

As Aventuras de Moliére, um Irreverente Adorável Sedutor

(Molière, França, 2007)

Sinopse: O diretor teatral francês Jean-Baptiste Poquelin, o Moliére, é contratado por um rico empresário para escrever uma peça. A empreitada acaba deixando o escritor em maus lençóis.

Notem que o jornal comete o requinte de exibir o título original do filme, como a querer bradar aos quatro pontos cardeais a superioridade do marqueteiro de cinema brasileiro perante o resto do mundo: afinal, porque chamar um filme simplesmente de Molière, quando podemos usar o letreiro dos cinemas para chamar a atenção ao fato de que ele era um aventureiro irreverente adorável sedutor (algo que você poderia perfeitamente descobrir se assistisse ao filme, logo, trata-se de um spoiler), e ainda por cima teve o nome escrito errado por gerações de compatriotas?

Para não falar da intimidade no chamamento: “Jean-Baptiste Poquelin, o Moliére”, assim como quem diz “Jean-Baptiste Poquelin, o Beirra-Mer”.  Mais respeito com o dramaturgo, pô!

Brad DeLong pescou um parágrafo de um artigo de John McCain que vai saiu no número setembro/outubro da Contingencies, a revista Academia Americana de Atuária:

Opening up the health insurance market to more vigorous nationwide competition, as we have done over the last decade in banking, would provide more choices of innovative products less burdened by the worst excesses of state-based regulation.

How timely.

(clique para ampliar)

Via um link no Marginal Revolution, fiquei sabendo que a última moda agora é exercitar-se no trabalho.  Como trabalhar no computador enquanto se anda em uma esteira, por exemplo.

O que me preocupa é que certamente logo aparecerá algum esperto conectando dínamos na esteira para gerar energia para o computador.  O que é certamente um passo em direção à extração sustentável e ecologicamente correta de mais valia.

(clique para ampliar)

A então apenas governadora Palin, em seu gabinete de governadora palin do Alaska.

I rest my case.

No Slashdot, boatos sobre um objeto desconhecido avistado pelo telescópio espacial Hubble:

“The object also appeared out of nowhere. It just wasn’t there before. In fact, they don’t even know where it is exactly located because it didn’t behave like anything they know. Apparently, it can’t be closer than 130 light-years but it can be as far as 11 billion light-years away. It’s not in any known galaxy either. And they have ruled out a supernova too. It’s something that they have never encountered before. In other words: they don’t have a single clue about where or what the heck this thing is.

Quem sabe são os 4 cavaleiros?

(clique para ampliar)

O NYT de hoje tem uma matéria extensa sobre a intensificação da venda de armas pelos EUA.  Não que ela já não fosse expressiva:

“Even before this new round of sales got under way, the United States’ share of the world arms trade was rising, from 40 percent of arms deliveries in 2000 to nearly 52 percent in 2006, the latest year for which the Congressional Research Service has compiled data. The next-largest seller was Russia, which in 2006 accounted for 21 percent of global deliveries.”

A justificativa é singela:

The trend, which started in 2006, is most pronounced in the Middle East, but it reaches into northern Africa, Asia, Latin America, Europe and even Canada, through dozens of deals that senior Bush administration officials say they are confident will both tighten military alliances and combat terrorism.

“This is not about being gunrunners,” said Bruce S. Lemkin, the Air Force deputy under secretary who is helping to coordinate many of the biggest sales. “This is about building a more secure world.

Mesmo contra advertências provenientes de um passado bem recente:

Travis Sharp, a military policy analyst at the Center for Arms Control and Nonproliferation, a Washington research group, said one of his biggest worries was that if alliances shifted, the United States might eventually be in combat against an enemy equipped with American-made weapons. Arms sales have had unintended consequences before, as when the United States armed militants fighting the Soviets in Afghanistan, only to eventually confront hostile Taliban fighters armed with the same weapons there.

“Once you sell arms to another country, you lose control over how they are used,” Mr. Sharp said. “And the weapons, unfortunately, don’t have an expiration date.”

Diante disso, certamente o Pentágono vê uma relação custo benefício positiva em nome da segurança mundial, não?  Bem, não exatamente:

But Mr. Lemkin, of the Pentagon, said that with so many nations now willing to sell advanced weapons systems, the United States could not afford to be too restrictive in its own sales.

Would you rather they bought the weapons and aircraft from other countries?” he said. “Because they will.”

O bacana de ter um complexo industrial-militar pujante é isso: ele elimina a necessidade de manter um Departamento de Estado…   :)

***

Como eu já frisei em outro post, a experiência americana com os Talibans foi traumática, mas possivelmente foi exitosa (do ponto de vista dos EUA, é claro) em seu objetivo grande-estratégico de conter e desestabilizar o grande oponente eurasiático (ainda que - sabemos agora - temporariamente).

E o que vemos agora é o fruto suculento do unilaterialismo sendo colhido: venda de armas de modo indiscriminado, apenas porque…porque sim.

Esse é o novo comercial republicano tentando aplicar um golpe de judô para livrar a cara de Sarah Palin:

Obviamente, o comercial é puro ar quente: não há NENHUMA resposta concreta aos fatos levantados até agora sobre Palin.

Mas a escolha dos lobos é boa.  Há evidências de que realmente os republicanos, bem como a própria Palin,  odeiam lobos:

De verdade:

(clique para ampliar)

1) Tyle Cowen dá uma de Chicken Little e explica o que aconteceria caso o Tesouro americano não tivesse promovido o maior bail-out da História:

What if we didn’t bail out the creditors?

Tyler Cowen
“Could you clarify just how far on the hook I should be for someone else’s frauds?”

That’s MR commentator CK and the answer is “lots.” Here’s more detail on the bail out, by the way. Not good.

But let’s say that the Treasury did not support the debt of the mortgage agencies. The Chinese bought over $300 billion of that stuff and they were told that it is essentially riskless. The flow of capital from them and from other central banks, sovereign wealth funds, and plain old ordinary investors would shut down very quickly. The dollar would fall say 30-40 percent in a week, there would be payments system gridlock, margin calls at the clearinghouses would go unmet, and only a trading shutdown would stop the Dow from shedding half its value. Most of the U.S. banking system would be insolvent. Emergency Fed/Treasury action would recapitalize the FDIC but we would lose an independent central bank and setting the money supply would be a crapshoot. The rate of unemployment would climb into double digits and stay there. Many Americans would not have access to their savings. The future supply of foreign investment would be noticeably lower. The Federal government would lose its AAA rating and we would pay much more in borrowing costs. The deficit would skyrocket.

And I haven’t even mentioned the credit default swaps market. Well, I have now.

2) Alex Tabarrock explica porque os libertários deveriam votar em Obama:

Why Libertarians Should Vote for Obama (1)

Alex Tabarrok
First, war. War is the antithesis of the libertarian philosophy of consent, voluntarism and trade. With every war in American history Leviathan has grown larger and our liberties have withered. War is the health of the state. And now, fulfilling the dreams of Big Brother, we are in a perpetual war.

A country cannot long combine unlimited government abroad and limited government at home. The Republican party has become the party of war and thus the party of unlimited government.

With war has come FEAR, magnified many times over by the governing party. Fear is pulling Americans into the arms of the state. If only we were better at resisting. Alas, we Americans say that we love liberty but we are fair-weather lovers. Liberty will flourish only with peace.

Have libertarians gained on other margins in the past eight years? Not at all. Under the Republicans we have been sailing due South-West on the Nolan Chart - fewer civil liberties and more government, including the largest new government program in a generation, the Medicare prescription drug plan, and the biggest nationalization since the Great Depression. Tax cuts, the summum bonum of Republican economic policy, are a sham. The only way to cut taxes is to cut spending and that has not happened.

The libertarian voice has not been listened to in Republican politics for a long time. The Republicans take the libertarian wing of the party for granted and with phony rhetoric and empty phrases have bought our support on the cheap. Thus - since voice has failed - it is time for exit. Remember that if a political party can count on you then you cannot count on it.

Exit is the right strategy because if there is any hope for reform it is by casting the Republicans out of power and into the wilderness where they may relearn virtue. Libertarians understand better than anyone that power corrupts. The Republican party illustrates. Lack of power is no guarantee of virtue but Republicans are a far better - more libertarian - party out-of-power than they are in power. When in the wilderness, Republicans turn naturally to a critique of power and they ratchet up libertarian rhetoric about free trade, free enterprise, abuse of government power and even the defense of civil liberties. We can hope that new leaders will arise in this libertarian milieu.” [grifos meus]

***

Apesar de tudo, certos republicanos que conheço continuam defendendo o direito à estupidez.   E a praticá-lo.

A novidade do dia é que não é preciso esperar que os Democratas tomem o poder nos EUA para vermos a destruição de regulações propostas pela administração federal republicana.  Os próprios republicanos estão fazendo isso, no apagar das luzes do segundo governo Bush.

Matéria do NYT diz que a General Services Administration, organismo responsável pela administração do patrimônio imobiliário do governo americano, está propondo a anulação de normas de segurança em edificações, principalmente arranha-céus, que nasceram das propostas de um relatório feito pelo National Institute of Standards and Technology (outra agência federal) que analisou o colapso catastrófico das torres gêmeas do World Trade Center no ataque do 9/11. 

O interessante é que o ataque às novas normas parte de um argumento inesperado na boca de oficiais de uma administração republicana, especialmente de uma administração Bush:

Mr. Frable of the General Services Administration and other real estate officials who have joined him in challenging the new standards rejected that charge, saying they were trying to counteract an emotional reaction to the 2001 attacks that has led to unrealistic and unnecessary new building standards.” [grifo meu]

Fiquei pensando em quantas outras coisas se procurou justificar nos EUA após o 9/11 a partir de “uma reação emocional aos ataques do 9/11 que levaram a providências desnecessárias e irreais”.

Hora de tirar as tropas do Iraque, não é?

É claro que há método nessa loucura, e não é preciso procurar muito para descobrir quem se beneficia desse súbito reconhecimento da excessiva exploração do pânico do 9/11 pela administração federal: as construtoras, os grandes incorporadores, isto é, o grande capital.  E não sou eu quem digo isto:

The costs associated with these new requirements are so significant that if major cities around the United States enact them, it could slow skyscraper construction nationwide, real estate executives predicted.

“We put up buildings to make a profit,” Mr. Burton said. “If the numbers don’t work, it won’t happen.”

Há coisas automáticas nesta vida, e o alinhamento automático dos republicanos aos interesses das elites é uma delas _ com ou sem “hockey moms”.

***

Por outro lado, um republicano sempre pode argumentar que com medidas singelas como a ocupação do Iraque, as prisões em Guantanamo e a degradação dos direitos civis norte-americanos pela oficialização da tortura e da escuta telefônica sem autorização judicial, a probabilidade de um arranha céu americano cair diminuiu muito nos próximos anos.  O que joga toda uma nova luz sobre as medidas anti-terroristas do governo republicano: dar mais segurança aos negócios imobiliários.  The business of america is business.

Parte da minha terapia de desintoxicação da internet (sim, além de estar muito ocupado, eu li isto) inclui a solene promessa de não ler mais Reinaldo Azevedo por um bom tempo.

Mas ler esta matéria no Estadão, sobre uma declaração de Sarah Palin, foi demais pra mim:

Palin afirmou que é contra financiar programas de educação sexual no Alasca, e propôs apoiar programas de abstinência sexual nas escolas. “Esses programas explícitos de educação sexual não terão o meu apoio”, escreveu Palin em 2006 em um questionário distribuído aos candidatos ao cargo de governador.

OK, eu tinha que saber o que Tio Rei anda dizendo sobre a dona.  Eis o que apurei:

Evangélica, radicalmente antiaborto — um de seus cinco filhos tem Síndrome de Down, o que ele ficou sabendo no quarto mês de gestação — e contrária ao casamento gay, Sarah é, vamos dizer, a conservadora que John McCain não consegue ser.

Interessante esse reconhecimento, mesmo porque até há pouco McCain era “o herói” para Tio Rei.

E vejam que curioso: na chapa, as posições mais duras ficam a cargo da jovem mulher, de 44 anos, o falcão da lenda. McCain, o homem bem mais velho, de 72, então é a pomba. O velho moderno em companhia da jovem conservadora.

Bonito, isso.  Dá pra imaginar a Palin vestida de couro preto e com um chicote na mão, galvanizando, à base de chibatadas, as hostes de republicanos masoquis…digo, conservadores.

O perfil de Sarah Palin tem tudo para indispô-la com a imprensa americana e do mundo, tomada pelo politicamente correto. Por outro lado, ela ajuda a fazer o contraponto a uma chapa democrata que alguns consideram que acabou ficando “liberal” demais. Ela tende a ser demonizada aqui e ali — já se diz que é uma das defensoras do ensino do criacionismo nas escolas, embora seja formada em ciências.

Êêê, Tio Rei, menas, menas.  A mulher é jornalista.  Deve entender de ciências tanto quanto você.  E mais, gostaria de saber como é que você vai apoiar uma VP capaz de atitudes tão completamente unamerican quanto ter sido filiada a um partido secessionista

Lynette Clark, the chairman of the Alaskan Independence Party (AIP), confirmed to ABC News that Mrs Palin and her husband Todd had both been both members and attended at least one party convention.

“When she joined the party our platform was right under her nose,” Mrs Clark said. “I can’t understand why in God’s name she has aligned herself with a candidate who opposes the development of our republic and Alaska’s resource wealth,” she added.

Sim, sim, parece que a moça foi integrante do Alaska Independence Party, um movimento separatista daquele glorioso estado americano, tão wingnut que a John Birch Society parece um bando de sissies para eles.  E provavelmente a mílicia de Montana também.  O fato é que o GOP parece estar tendo uma pequena indigestão com sua escolha, e começam a aparecer suspeitas de que McCain (em sua senilidade?) não prestou suficiente atenção no processo de clearance da candidata a vice.

Bom, bom, todo cuidado é pouco nessa hora. Se continuar assim o Putin vai lá e pega de volta, hein?

***

IMHO, a melhor frase sobre o veepstake até agora é do Daniel Drezner:

Barack Obama picked Joe Biden mostly because he was concerned about governing after the election; it was a risk-averse decision.   John McCain picked Sarah Palin in the hope that she helps him win the election; it was a risk-loving decision.

Deu no Techdirt:

Microsoft Patents PgUp-PgDn
from the non-obvious? dept

theodp writes “What do you call it when you’re viewing the middle of one page and a Page Down command causes the middle of the next page to be shown? U.S. Patent No. 7,415,666, which the USPTO granted to Microsoft Tuesday for Navigating Paginated Content in Page-Based Increments. It’s nice to see Microsoft make good on their pledge to improve patent quality!”

Conhecedor que sou da malícia humana, pensei cá com meus botões: “não é possível!” e, esperançoso que sou na boa fé dos homens (mesmo que sejam Microserfs), fui lá dar uma olhada na tal patente. Debalde:

A method and system in a document viewer for scrolling a substantially exact increment in a document, such as one page, regardless of whether the zoom is such that some, all or one page is currently being viewed. In one implementation, pressing a Page Down or Page Up keyboard key/button allows a user to begin at any starting vertical location within a page, and navigate to that same location on the next or previous page. For example, if a user is viewing a page starting in a viewing area from the middle of that page and ending at the bottom, a Page Down command will cause the next page to be shown in the viewing area starting at the middle of the next page and ending at the bottom of the next page. Similar behavior occurs when there is more than one column of pages being displayed in a row.

***

É bom saber que existem milhares de funcionários da Microsoft pensando 24/7 em inovações fantásticas como essa, sempre em prol do bem-estar da humanidade. Que uma parte deles ainda por cima seja constituída por conscientes vegetarianos, nesse caso, não deixa de ser ainda mais edificante, mas realmente é mero detalhe diante de tamanha dose de boa-vontade…

Informo à praça que este blog resistirá à tentação de fazer piadas fáceis envolvendo chineses invejosos, varas e atletas olímpicas.

Títulos de notícias no Estadão on line:

Petróleo cai e derruba ações da Petrobras

Soros aposta 22% do seu fundo na Petrobras

Quem diria que o velho lobo do mar financeiro ia apostar seu fundo e perdê-lo em um teste do pré-sal qualquer, hein??

Em 1992, a TV Guide Magazine fez uma pesquisa intitulada: “Would You Give Up TV For A Million Bucks?

O resultado foi o seguinte: 46% dos respondentes disseram “não, obrigado”.

O que é “willingness to pay” suficiente para um serviço que é basicamente “de grátis”.

Mesmo sabendo que o público de blogs é um tanto diferenciado, pergunto: você toparia deixar de assistir TV pelo resto de sua vida por um milhão de dólares?

Tchan tchan tchan tchan!

Do Estadão:

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, disse ontem que é “lamentável e muito perigoso o flagrante desrespeito da Polícia Federal com o mais importante tribunal de Justiça do país”. A PF alegou que o uso de algema na Operação Dupla Face obedeceu a termos da portaria da cúpula da corporação, que autoriza o uso do equipamento. “Ao afirmar que portaria da polícia é mais importante que a Constituição, o delegado encarregado da operação presta desserviço à Nação”, acusou Britto. Para ele, a algema é usada como forma de antecipação da pena, “condenando moralmente os investigados e impingindo a eles condição indigna”.

O gozado é que o grande irmão do norte não parece se importar com isso. Prova. Prova.

Michael Jackson e Paris Hilton podem se importar, mas parece que não têm cacife bastante para acionar a Suprema Corte dos EUA. Já por aqui…

Deu na Exame:

Acionistas da PETROBRAS ameaçam ir à Justiça contra “Petrosal”

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Se o governo delegar à uma nova estatal todos os poderes sobre o petróleo extraído da camada pré-sal pode se preparar para ações na Justiça dos atuais acionistas da Petrobras .

Pela primeira vez reunidos em assembléia, depois de ter aumentado dentro e fora do governo o apetite por uma espécie de “empresa espelho” da Petrobras para o pré-sal, apelidada pelo mercado de “Petrosal”, os acionistas questionaram nesta quarta-feira o diretor financeiro, Almir Barbassa, que se limitou a dizer que não iria comentar o assunto.

Ele lembrou que uma comissão interministerial foi criada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar do pré-sal e que ainda não há nenhuma definição. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, apóia a nova estatal.

A preocupação do governo é garantir maior arrecadação diante da perspectiva da existência de um volume de petróleo que colocaria o Brasil entre as grandes potências produtoras.

A reunião com os acionistas aconteceu um dia depois de o presidente Lula falar com todas as letras que o pré-sal “não é para meia dúzia de empresas”, aumentando ainda mais a preocupação em relação ao tratamento que será dado à nova área.

Até aí, tudo bem.  O direito de espernear é livre a acho que há fumos de bom direito na reivindicação dos acionistas, ao menos quanto às áreas já exploradas pela Petrobrás _ se hoje o pré-sal é uma área com “risco zero” de exploração isso se deve em grande medida à ação da empresa na área.  Porém às vezes nego se excede:

Pode ir para o Supremo (Tribunal Federal) e se alongar durante muito tempo sim”, disse à Reuters o presidente da Apimec/RJ [Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais, N. Hermê], Luiz Fernando Lopes Filho, após a assembléia, referindo-se à possibilidade de criação de uma nova empresa para o pré-sal.

Tem gente inclusive da própria oposição ao governo comungando com isso, que devemos aproveitar esses recursos extraordinários para investir em educação. Como disse ontem o Tasso Jeiressati…há um complô formado para isso, complementou.

Ou seja, o cara já caiu no “framing” do problema colocado pelo Presidente…e só vai sair dali bem machucado.   Se sair…   :)

Foto da cantorinha censurada. Tadinha, até que ela não é tão feia, e um dentista faria maravilhas ainda a tempo dela aparecer na Olimpíada, eu acho.

***

Desculpinha da organização:

The audience will understand that it’s in the national interest,” said Chen Qigang, the musical director for the program.

Pelo visto o interesse nacional chinês se insinua nas situações mais inesperadas. Imaginem quando a China for uma superpotência pra valer…

Ela já pode cantar no Faustão

Deu no Valor:

Lin Miaoke (foto) foi alçada rapidamente à categoria de estrela após sua performance cantando o hino chinês durante a abertura da Olimpíada de Pequim, mas o Comitê Organizador dos Jogos teve de admitir que ela apenas dublou uma outra menina, Yang Peiyi, depois de o Politburo chinês ter achado que sua voz não era boa o bastante e que a verdadeira cantora não era bonitinha o bastante. O Comitê reconheceu também que a cena de pegadas feitas com fogos de artifício havia sido gravada, usando efeitos de computador, e não ocorreu durante a cerimônia. O envolvimento de altas autoridades chinesas nesses detalhes do evento mostram quão seriamente os políticos estão levando o efeito de marketing que os Jogos podem ter sobre a imagem do país. Entretanto patrocinadores da Olimpíada têm reclamado que suas marcas não estão tendo a projeção que havia sido combinada com o Comitê Organizador. Isso pode levar a uma saia justa com as grandes empresas e o Comitê Olímpico Internacional, responsável pelas cotas dos patrocinadores.

E isso por enquanto. Suponho que assim que a engenharia genética estiver plenamente aperfeiçoada pequenos acidentes do acaso como esse serão rapidamente superados pelo Politburo…

***

Se bem que minha tese é que Lin Miaoke deve ser filha de algum alto comissário do PCC, já que não é possível que entre um bilhão e trezentos milhões de pessoas não seja possível achar uma menina bonitinha com boa voz…

A palavra “netnografia“.

É de matar o Aldo Rebelo de apoplexia.

Uma das coisas que mais me assombra no serviço público brasileiro é o fato de que a Justiça faz uma leitura tão restritiva do comando constitucional acerca da chamada “impessoalidade” que torna quase impossível a adoção de exames psicotécnicos na seleção de pessoal em concursos públicos. Como resultado, em todo concurso eu avalio que entrem uns 10% de pessoas um tanto perturbadas, e uns 2-5% de pessoas GRAVEMENTE perturbadas (gostaria de saber como isso se compara com a população geral, mas estou com preguiça de procurar).

Eu achava que esse era um problema só nosso. Mas descobri que há casos bem piores; há alguns dias, suicidou-se um cientista militar norte-americano que era o provável responsável pelo envio das cartas com antraz logo após os ataques de 11 de setembro. Agora, uma reportagem do NYT revela que ele estava pirando na batatinha já há algum tempo:

In Anthrax Scientist’s E-Mail, Hints of Delusions

WASHINGTON - Bruce E. Ivins went to work each day in a high-security federal laboratory where he handled some of the world’s deadliest substances. But more than a year before the 2001 anthrax attacks, the scientist admitted to himself that he was losing his grasp on reality.

“Paranoid man works with deadly anthrax!!!” he wrote in one e-mail message in July 2000, predicting what a National Enquirer headline might read if he agreed to participate in a study on his work.

“I wish I could control the thoughts in my mind,” he added a month later in another message to a colleague. “It’s hard enough sometimes controlling my behavior. When I am being eaten alive inside, I always try to put on a good front here at work and at home, so I don’t spread the pestilence.”

He continued, “I get incredible paranoid, delusional thoughts at times, and there’s nothing I can do until they go away.”

These e-mail messages and dozens of others are a central element in the case the Federal Bureau of Investigation laid out on Wednesday against the man they say is responsible for the anthrax attacks that killed five people and panicked the country. They provide glimpses into the personality of a man obsessed with a sorority that he first encountered while an undergraduate, asserting in an e-mail message that the women’s group was waging a “fatwah” against him.”

Como vêem, Dr. Freud, sempre certo.

Isso aqui é interessante:

An Army spokeswoman said researchers at Fort Detrick must undergo background checks by the F.B.I. before they may work with biological agents and toxins like anthrax. Employees are required to report “potentially disqualifying” medical problems or use of prescription drugs. Supervisors who notice that employees are under particular stress or are acting abnormally can block them from entering the high-security space. But Dr. Ivins was not barred from access to biodefense agents until November 2007, when his house was searched and guns were found. At that point, he was the leading suspect in the anthrax attacks.

É isso, a proverbial incapacidade de certas organizações reconherem um problema quando vêem um. Remember o caso da astronauta que tentou matar a esposa de outro astronauta de quem era amante.

E isso é fantástico, de botar Harvey Dent no chinelo:

By December 2001, Dr. Ivins began writing poems to himself about what he said were the “two people in one,” meaning “me+the person in my dreams.” In one, he wrote:

I’m a little dream-self, short and stout.

I’m the other half of Bruce - when he lets me out.

When I get all steamed up, I don’t pout.

I push Bruce aside, then I’m free to run about!

***

Decerto isso não é um apanágio das instituições públicas. De fato, imagino que na iniciativa privada exista um grande incentivo a se “fechar os olhos” para esquisitices e problemas mentais, se o funcionário for muito importante para a empresa. E não vejo problema nisso, embora pense que seria bom se houvesse um esforço de vigilância um pouco maior para detectar rapidamente se o cara está próximo de cruzar a linha. O que talvez, aliás, seja impossível.

Deu no Jornal do Brasil:

Cabo Anselmo ressurge com discurso de direita

Vasconcelo Quadros, Jornal do Brasil

BRASÍLIA - Parece brincadeira, mas era só o que faltava para tornar ainda mais exótica a política brasileira: Anselmo José dos Santos, o Cabo Anselmo, o ex-marinheiro que traiu a esquerda armada na época da ditadura militar, quer ser candidato à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010 com uma bandeira de extrema direita: “Salvei o Brasil do comunismo em 64 e quero salvá-lo de novo”.

O slogan está sendo divulgado pelo delegado da Polícia Civil paulista Carlos Alberto Augusto, conhecido no período da repressão por Carteira Preta, policial que há 39 anos desempenha sozinho os papéis de protetor, guardião e porta-voz do Cabo Anselmo.

E o sujeito é disputado:

O delegado garante que a candidatura não é apenas mais uma idéia excêntrica dos órfãos da ditadura militar.

- Hoje, cinco partidos de direita querem o Anselmo como candidato. E ele será - disse. - Está faltando a documentação que devolva a ele a cidadania e os direitos políticos.

Mas quem, exatamente, é o valoroso candidato?

Traidor que levou à morte dezenas de ex-companheiros das guerrilhas urbana e rural, Cabo Anselmo é um triste personagem que vaga clandestinamente pelo país há mais de 40 anos. No ato de traição mais marcante, entregou à morte seis ex-companheiros do grupo guerrilheiro Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), entre os quais, sua ex-mulher, a paraguaia Soledad Barret Viedma, grávida de cinco meses.

As execuções, ocorridas em janeiro de 1973, em Abreu e Lima, município da Região Metropolitana de Recife, ficaram conhecidas como o Massacre da Chácara São Bento e deram a Anselmo José dos Santos o apelido de Anjo da Morte. Embora já tenha afirmado que não sabia da gravidez da ex-mulher, o fato de Soledad ter sido encontrada morta ao lado do feto é o maior trauma que carrega na sua vida errante.

***

Me parece que aqueles que querem igualar os crimes cometidos pelos guerrilheiros e os cometidos pela repressão, digamos, exageram.

***

OK. Não acho que veremos um Reinaldo Azevedo, por exemplo, levar água para este tipo de moinho. RA tem um caso de amor com Serra onde a fidelidade parece ser a tônica. Mas o wild fringe da blogoseira anaeróbica, essa pode começar a flertar com a idéia…vai ser engraçado.

***

O Cabo Anselmo quer anistia.  Será que ele merece?

***

Update:

Na verdade, nem é preciso procurar muito.

Humm.

I see that Political Theory has just published Alexander Wendt and Raymond Duvall’s piece, Sovereignty and the UFO (link to abstract; the article itself is behind a paywall) an article which, it is fair to say, has acquired a certain degree of notoriety. Wendt and Duvall make a complex argument, drawing on Derrida, Agamben etc, but their basic claim is pretty straightforward as I read it. First - there is some material basis to suggest that there is some objective phenomenon, perhaps involving extraterrestrials, perhaps not, behind UFOs. Second, the failure of states to further investigate UFOs, despite this evidence, suggests that there is some structural reason why UFOs simply do not compute for states. Third, the most important structural cause for this blindness likely lies in the nature of sovereignty - because sovereignty presupposes a kind of anthropocentrism, sovereign authorities can’t deal with the possibility of alien intelligences, and hence construct a ‘regime of truth’ in which the notion that UFOs might exist is ipso facto ridiculous. Not only that; a proper understanding of UFOs might lead to the collapse of our current notions of governmentality.”

Please debate.

Thread inteira: ici, ou de forma mais estruturada, ici.

Huguinho, Zézinho, Luisinho e o Pato Donald…

No que provavelmente se trata de um evento cultural onde você talvez não estivesse disposto a levar seus filhos, o Museu de História Natural de Berna, na Suíça, apresenta uma mostra com os esqueletos de vários personagens de quadrinhos.

E com requintes de paleontologia explícita:

A mostra “Animatus” criou nomes científicos em latim para cada personagem mostrado. Assim o coiote, eterno inimigo do Papa-Léguas, foi chamado de Canis latras animatus, e o pássaro veloz perseguido por ele levou o nome de Geococcyx Animatus.

Segundo essa nomenclatura, o Pernalonga pertence à espécie Lepus Animatus e o Pato Donald leva o nome científico de Anas Animatus.

Eu só espero que isso não detone uma nova onda de HQ´s mostrando as aventuras dos esqueletos de personagens das bandes dessinés.

Apesar de que eu gostaria de ver o esqueleto do Floquinho.

***

UPDATE:

Sim, sim, esqueletos estão na modaMesmo.  E não é a isso que me refiro.

Tio Rei continua cuspindo suas notinhas sobre “o Estado policial”:

Estado policial 4 - Supremo discute amanhã uso de algemas

Por Mariângela Gallucci, no Estadão:
O Supremo Tribunal Federal (STF) vai deixar claro que a colocação de algemas em presos deve ser uma medida excepcional e não uma regra nas operações policiais e nos julgamentos. O plenário do STF vai discutir o assunto amanhã na análise de uma ação movida por um condenado que ficou algemado durante todo o seu julgamento no Tribunal de Júri. No caso, A.S.S. foi condenado a mais de 13 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado.
Segundo ministros do STF, o uso das algemas somente deve ocorrer quando houver chances de o preso fugir ou de ele colocar em risco a segurança das outras pessoas e dele próprio. Há uma tendência no Supremo de concluir que a decisão sobre a necessidade do uso de algemas cabe à autoridade ou órgão que determinou a prisão. “Teoricamente, algemas servem para impedir fuga, agressão, suicídio. Algema só deveria ser usada quando realmente necessário”, explicou o ministro Carlos Ayres Britto.
O ministro vai além e se diz contra o transporte de presos “no maleiro das viaturas policiais”. “A polícia que aparelhe suas viaturas com um banco para os presos.” Britto também considera que é necessário haver um tratamento isonômico nas operações para prender ricos e pobres. Sobre o uso de algemas em réus durante júris, o ministro concorda que isso pode ser prejudicial à imagem da pessoa que está sendo julgada.

***

Já dizia Millôr Fernandes que apenas a péssimas condições de nossas prisões é que as impediam de ser frequentadas pela nossa melhor sociedade.

Parece que foi preciso prenderem Daniel Dantas para a realidade se adequar à bazófia milloriana.

Que azar o deles, serem presos antes do DD!

Embora a Srta. S.L. Cupp (sic) realmente possa ter um lado “cool”.

(hat tip: Jesus’General)

  1. nicole kidman
  2. marina elali
  3. baby looney tunes
  4. cleopatra
  5. kanji
  6. cibele dorsa
  7. arnold schwarzenegger
  8. exalta samba
  9. isabella nardoni
  10. adventure quest
  11. blackberry
  12. atletico paranaense
  13. tim maia
  14. anne hathaway
  15. comida japonesa

Esses aí em cima são os 15 termos de busca mais populares neste mês no Brasil, segundo o Google Zeitgeist.  A pergunta é: como será que funciona o Google Zeitgeist?  Há muitas e muitas semanas, o termo de busca mais popular em meu blog é “Leila Lopes” (embora na última semana ele já esteja perdendo para outros, como “hermenauta”).  Mas porque será que “leila lopes” não aparece nos termos de busca mais populares do Google?  E cá entre nós, não consigo acreditar que “Blackberry” seja um termo de busca mais popular no Brasil do que “iPhone” _ pelo menos, não pelo que vejo nos aviões ultimamente (pelo menos no trecho Brasília - São Paulo, entre metade e um terço dos passageiros sacam iPhones ao desembarcar).

Provável resposta: “Leila Lopes” está abaixo dos 15.  Pode ser, mas então a mera exposição dos 15 termos mais populares deveria fazer a visitação ao blog saltar.  Vamos ver se isso acontece.

No Estadão, a notícia de que diante do crescente número de pessoas mortas por efeito da ação policial, o governo do Estado dotará a PM de armas não-letais:

Os policiais militares que fazem patrulhas nas ruas começarão a utilizar armas com balas de borracha, bombas de efeito moral e gás de pimenta, entre outros instrumentos não-letais, durante suas atividades.

O equipamento, entretanto, não será utilizado nas operações em favelas controladas por facções criminosas ligadas ao tráfico de drogas, informou o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame.

“Nosso pensamento é sempre proteger o cidadão e combater a minoria criminosa. As armas não-letais valorizam o uso escalonado da força policial”, disse a repórteres o secretário, que acompanhou o início do novo treinamento dos policias, nesta quarta-feira, 23.

“É lógico que os policiais precisam de armas letais, mas estas são a última alternativa. Em casos específicos como distúrbios em manifestações, o armamento não-letal auxilia decisivamente na solução sem efeitos fatais”, acrescentou.

Quer dizer: a idéia tem seu mérito e tal. Mas não me consta que o grande problema de segurança pública no Rio hoje seja debelar distúrbios em manifestações. Eu preferia que os policiais fossem melhor treinados no uso responsável das armas, sejam elas letais ou não letais.

A matéria veio acompanhada desta imagem:

Andressa Soares que se cuide!

Não sei porque, me lembrei disso.

Se há uma hipocrisia que me deixa fora do sério, é essa que fala que afinal os países em desenvolvimento são tão culpados quanto os desenvolvidos pelas emissões de carbono, por causa do desmatamento.

Sem dúvida não dá pra ser a favor do desmatamento indiscriminado.  Porém, o fato é que os países desenvolvidos não podem se safar dessa tão fácil.  O motivo: é que além de estarem contribuindo para o efeito estufa hoje, com as emissões industriais e de veículos, eles JÁ contribuiram para o efeito estufa lá atrás, desmatando as suas próprias florestas.

Exemplo: a site Globalchange, da Universidade de Michigan, mostra a expansão da área desmatada nos EUA nos últimos 3 séculos (clique para ampliar):

Na Europa, o quadro não é nada diferente.  Assim sendo, é melhor dobrarem a língua antes de falar do desamatamento alheio.

O Paulo acaba de fazer um comentário. Diz ele:

Assim que o pessoal da sua banda deixar as fantasia [sic] de world revolution passar, os ‘ricos’ vao tentar ajudar esse pessoal, assim como ja acontece em varias outras ‘crises’ que tem menos publicidade.

O mapa acima (clique para ampliar) mostra os países que assinaram e os que não assinaram o protocolo de Kyoto. Os países que não assinaram e não têm intenção de assinar estão em vermelho. Os que assinaram e ratificaram estão em verde.

Se há uma revolução em curso, me parece que ela habita a Casa Branca. É a revolução dos espírito de porco.

***

Quanto as “crises” com menos publicidade que os EUA vêm ajudando a resolver, o Iraque agradece _ principalmente o fato deles a terem criado em primeiro lugar.

Deu no Estadão:

Garotinho lança filha candidata a vereadora no Rio

***

Brincadeira!

***

É de se perguntar que diabos Clarissa Garotinho tem em seu currículo _ além do sobrenome _ para se candidatar a vereança carioca.  Bem, vasculhando a internets descobri que:

1) Ela é madrinha do navio “Skandi Fluminense“.

2) Que existe um projeto de resolução de 2005 da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, de autoria do deputado Samuel Malafaia, conferindo o título de Benemérita do Estado do Rio de Janeiro à “universitária Clarissa Barros Assed Matheus de Oliveira”, que vem a ser a garotinha da foto.  Na justificativa, consta que:

Estudante de jornalismo, Clarissa foi eleita presidente do Diretório Central de Estudantes (DCE) das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha). “Sempre defendi a importãncia do movimento estudantil, mas nunca tinha estado a frente de um processo eleitoral”. Quis dar exemplo e a nossa chapa acabou vitoriosa, explica.

O gosto pela política, Clarissa herdou dos pais - a Governadora Rosinha Garotinho e o Secretário Estadual de Governo, Anthony Garotinho - a determinação e a coragem para enfrentar novos desafios.

Consciente de sua responsabilidade como uma das mais importantes lideranças jovens na política fluminense, Clarissa Matheus tem organizado seminários sobre temas nacionais e regionais e tem se posicionado em defesa de uma maior conscientização e participação da juventude na política, incentivando-os a se organizarem de modo a ser possível influenciarem nas tomadas de decisões, criarem projetos que possam se transformar em leis. Enfim serem peças atuantes no fortalecimento da cidadania e participantes na decisão dos rumos de nosso Estado e de nosso País.

É isso, eis a grande contribuição de Clarissa ao povo carioca: ela é presidente do DCE da Facha.

Let the games begin.

Diferentemente do que eu imaginava, a notícia de que Daniel Dantas não é o dono do Opportunity não pareceu comover ninguém.  Não vi nenhuma cobertura específica do assunto nesta segunda feira.  Viajei no fim de semana, mas pelo que vi na internet, os principais jornais também não deram bola para o assunto.  Pra falar a verdade, nem a própria Míriam Leitão voltou ao tema.

Confessem: vocês todos, inclusive o Samurai e a Míriam Leitão, se uniram para me pregar uma pegadinha, vai!

E para ficar na moda, apresento-vos o…Coringonauta!

Então ficamos assim: o Protógenes largou o caso para ir fazer o seu curso de promoção. Diz a nota publicada pela PF:

O delegado Protógenes Queiroz, responsável pelas investigações da Operação Satiagraha, entrou no dia 13 de maio com pedido de liminar junto à 3ª Vara Federal do DF para que fosse matriculado no XXII Curso Superior de Polícia, alegando preencher os requisitos exigidos para freqüentar o Curso e contestando os critérios estabelecidos pelo Ministério do Planejamento para contagem de tempo do serviço público. No dia 20 de maio, a Justiça determinou a matrícula e freqüência do delegado no referido Curso. No dia 02 de junho foi publicada Portaria da Academia Nacional de Polícia com a convocação de Queiroz.

O Curso Superior de Polícia foi instituído em 1998 como instrumento de aperfeiçoamento e atualização dos delegados e peritos federais, pré-requisito para ascensão à classe especial, último degrau da carreira. É realizado para servidores que tenham mais de nove anos na carreira policial;

Então o Protógenes vai passar para o último nível da sua carreira. O que isto significa? Isso, segundo a edição número 43 da Tabela de Remuneração do Funcionalismo Público Federal significa o seguinte:

Fazendo o curso e passando para a categoria Especial, Protógenes passa a ganhar mais dois mil reais, brutos. Muito menos que isso, descontados os impostos.

Quer dizer, o cara que poderia ter a qualquer momento molhado a própria mão com 1 milhão de dólares de Daniel Dantas está largando o caso de sua vida para ganhar mais quase dois mil reais a mais por mês, pelo resto de sua vida. OK, vamos fazer uns cálculos.

Diz o Decreto 2.565, que rege a promoção dos Policiais Federais:

Art. 3º São requisitos cumulativos para a progressão na Carreira Policial Federal:

I - avaliação de desempenho satisfatório;

II - cinco anos ininterruptos de efetivo exercício na classe em que estiver posicionado.

Se ele cumpriu tempo para ir para a Especial, isso quer dizer que ele tem no mínimo 15 anos de carreira. Vamos supor que ele se aposente aos 35 anos de carreira e ainda tenha uma sobrevida de, sei lá, uns quinze anos depois disso, se Daniel Dantas deixar. Isso significa que Protógenes viverá mais uns 35 anos recebendo esses dois mil reais ao mês a mais, o que dá (computando 13o salário e férias):

35 x 13,33… x 2.000 = 933.333,33

Na verdade, ele ganhará bem menos, porque acaba de passar uma legislação que acaba com a paridade de entre ativos e aposentados no serviço público. Portanto, nos últimos 15 anos de sua vida o Protógenes terá seu salário corrigido apenas pelo índice oficial de inflação, o que diminuirá o valor presente da bolada aí.

Ou seja, bem menos que o 1.000.000, 00 de dólares que ele poderia ter ganho de Daniel Dantas.

Tem mais um detalhe. Como viram ali no art. 3 do Decreto de progressão, um requisito para a mesma é “avaliação de desempenho satisfatório“. Eu tenho minhas dúvidas se Protógenes terá uma avaliação de desempenho satisfatório depois dessa.

***

Em outras palavras, nada disso faz o menor sentido, em minha humilde opinião.

Protógenes, pedindo pra sair

Está tudo cada vez mais estranho.  Deu no