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Ontem, no Rio, comprei a nova Piauí.

Bem, confirmei minha primeira impressão: a revista é boa. Também acho que o Samurai está errado ao dizer que é revista de banqueiro. Revista de banqueiro é a Forbes. No Brasil…bom, no Brasil eu duvido que algum banqueiro que se respeite leia o lixo que é a Veja, por exemplo.

***

Ao comprar a Piauí na livraria do aeroporto, ganhei de brinde um negócio que eu achei que fosse um shampoo. Ao chegar em casa, depositei o pseudo-shampoo na penteadeira da minha digníssima cara-metade e o esqueci.

De manhã, dona Hermenauta me pergunta, com o treco na mão:

_Que diabo é isso?

E eu tive que me explicar. E muito, porque o negócio não era um shampoo: era um tal creme que as mulheres usam para ajudar no penteado, uma maravilha da cosmética moderna de cuja existência eu sequer suspeitava. Infelizmente para mim, tratava-se de um cosmético um tanto bandeiroso, cujo porte não-autorizado sinaliza para qualquer esposa que se preze um indício de possíveis conexões extra-conjugais.

Aqui cabe uma nota informativa para o neófito na vida de casado: para um homem, casar é entrar no maravilhoso mundo da indústria química. A penteadeira de dona Hermenauta faria salivar de satisfação um oficial de guerra química da Wermacht. Portanto, o grande lance da história é: como, dentre tantos frasquinhos, frascões, vidros, potes, etc, ela conseguiu singularizar o inocente pote de pseudo-shampoo e reconhecê-lo como “non self“.

Depois falam das fêmeas de tartaruga.

Ainda em Brasília, a caminho do aeroporto, um outdoor de uma escola de dança.  No mesmo outdoor, duas mensagens:

“Aprenda a dançar!  Qualquer estilo em apenas 15 dias!”

“Precisa-se de professores de dança”

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O Rio de Janeiro continua lindo.

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Mas será que em algum outro país os passageiros batem palmas quando o piloto faz uma aterrisagem especialmente suave?

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Entreouvido na Av. Rio Branco:

_ Pois é, fulano abriu uma firma.

_ Firma de quê?

_ Tipo assim, uma firma de idéias.

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No avião, durante o embarque, o alto-falante de bordo soa:

_ Sra. Mala de tal, por favor apresente-se à comissária de bordo.

Eu penso: isso não vai dar certo.

Entra uma mulher alta, elegante.  A aeromoça que está na porta pergunta:

_ A Sra. é a Mala?

A mulher alta perde a elegância:

_ Mala?  Que mala?  Que história é essa, minha filha?

Strike!

No UOL:

Motorista atropela grupo de ciclistas no México; um morre

Um motorista atropelou um grupo de ciclistas que participava de competição nos arredores da cidade de Matamoros, no norte do México, na manhã do último domingo (01), noticiou o jornal “El Universal”. Um ciclista morreu e pelo menos dez outros ficaram feridos.

O acidente ocorreu apenas 15 minutos depois do início da prova, cujo percurso ia de Matamoros, na fronteira com os Estados Unidos, até a praia Badgad.

Os atletas feridos foram atendidos por paramédicos no local e encaminhados a hospitais próximos.

Logo após atingir as vítimas, o motorista do carro teria entrado em estado de choque, segundo a reportagem de “El Universal”.

Um dos ciclistas que conseguiu se salvar do atropelamento disse ao “El Universal” acreditar que o caso não tenha sido um acidente. “Ele estava de frente para nós e mirou o carro de tal forma que atingisse o grupo inteiro”, afirmou ao jornal mexicano.

***

A cidade de Matamoros, no México, é um parque temático do blog “A Torre de Marfim“.

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Em Brasília, bicicletas são um caso cada vez mais sério.

Quase todo o dia vejo um acidente grave envolvendo bicicletas. Perto de onde moro há uma enorme comunidade de baixa renda onde boa parte da força de trabalho arruma emprego nas mansões do lago _ que ficam, porém, há coisa de uns 10, 20 km de distância. Como o transporte público em Brasília é caro e ruim, os trabalhadores costumam ir para o trabalho de bicicleta _ pelo menos no período da seca. E é aí que mora o perigo.

Na minha experiência, porém, muito piores que esses trabalhadores são os grupelhos de ciclistas “profissionais” que andam pela manhã bem cedo por Brasília. Trata-se sem dúvida de gente classe média, com bikes importadas e paramentos profissionais (capacete, joelheiras, uniformes etc.). O complicado com esses caras é que eles costumam andar em grandes grupos, tomando uma faixa inteira das vias _ até mesmo na ponte JK! Ok, Brasília é mesmo deficiente em ciclovias, mas nem por isso se pode abusar _ e nossos ciclistas gostam de achar que são de fato automóveis em duas rodas. Outro dia um cara chegou a me dar a seta em plena ponte JK…

Lucia Malla tem um post bacaninha sobre tralhas indispensáveis em uma viagem. Ela fala de várias coisas que ela sempre carrega, mas me pareceu que o traste mais indispensável pra ela é o marido. :)

Ostentando toda a falta de originalidade que Deus me deu, devo dizer que para mim o equipamento indispensável é o bom e velho canivete suíço. Sim, algo anacrônico em tempos de palms, iPhones, laptops, micronotebooks, etc. etc. Mas o danado sempre me quebrou altos galhos. Exemplo:

Certa feita eu estava atrás das linhas inimigas e parei para tirar a água do joelho em um banheiro situado em lugar remotíssimo. Findo o dever fisiológico, descobri que…a porta do banheiro não abria. Nem a pau (*). O pior: o lugar remoto era remoto mesmo, o banheiro ficava em um subsolo, já estava ficando tarde e não me parecia provável que aparecesse vivalma nas próximas horas. Não tive dúvidas: com o valente apetrecho que, dizem, faz a felicidade das velhinhas prescientes, desmontei a fechadura e vivi mais um dia para ver a luz do sol.

Minha insistência com o raio do apetrecho já me rendeu o apelido de McGiver em certas rodas, especialmente em um certo camping onde os fósforos haviam sido devidamente esquecidos…mas meu valente canivete tinha uma lente de aumento que fez um belo fiat lux.

É claro que essa obsessão por canivetes fez com que vários tombassem no cumprimento do dever. Já perdi um número absurdo de canivetes, e hoje tenho dois, mas nem sei mais dizer em que geração canivetal estou.

Aliás, um dos meus dois canivetes suíços hoje em dia é chinês, o que diz muito sobre o mundo em que vivemos.

(*) on second thoughts: não, não se trata da acepção literal.   :)

Nem que seja na porrada

Faixa colocada na grama, em frente à entrada de uma cidade-satélite de Brasília:

Parabéns, amor, sucesso!

Que todos os seus planos se realizem, principalmente se eu estiver neles.

Sueli

Hoje provavelmente salvei a vida de uma dona _ e quem sabe a minha também _ graças ao preconceito machista.

Estava eu vindo em um balão _ a uma certa velocidade não muito baixa _ quando percebi que vinha um carro em alta velocidade pelo outro lado. Aqui em Brasília, a preferencial é de quem está no balão, mas o outro carro vinha em uma velocidade incompatível com a necessidade de me deixar passar. De rabo de olho, vi que se tratava de uma dona.

Em cerebrês _ porque provavelmente não deu tempo de pensar isso em português _ deduzi: “A velha coroca não vai parar!” _ e meti o pé no freio e a mão na buzina, embora possa ter sido o contrário. No que fiz bem, porque a dona passou como um furacão, e eu rodei e fiquei parado, todo torto, no entroncamento da rotatória _ por sorte não vinha mais ninguém, apesar de ser um balão razoavelmente movimentado.

Dei a volta e segui meu caminho. A dona estava parada mais à frente, com uma cara de dar dó. Provavelmente está parada lá até agora, tremendo que nem vara verde. Antes assim do que morta _ eu provavelmente teria abalroado o carro bem na altura da porta.

Mas ainda não foi dessa vez. Como diria Zagalo: vocês vão ter que me engolir! :)

O Kenneth Maxwell descreve o seu domingo em São Paulo, na Folha de hoje:

Um bom domingo

SÃO PAULO pode ser divertida.
De fato, eu recomendaria abrir mão da praia por pelo menos um final de semana e dedicar o domingo a explorar o centro vazio da cidade.
A última vez que o fiz foi em novembro. Ver os edifícios municipais de perto foi maravilhoso. Contemplar as obras de Aleijadinho em exposição no esmerado e antigo edifício do Banco do Brasil. O passeio pela mansão da marquesa de Santos. O almoço no Pátio do Colégio. Até mesmo a algo bizarra descoberta de que um osso da coxa do padre José de Anchieta está exposto no oratório que fica ao lado da entrada principal da igreja. E tudo isso sem virtualmente ninguém por perto, o que propiciava tempo suficiente para desfrutar de todas as atrações.
O domingo passado começou com uma longa caminhada pelo parque Ibirapuera, lotado de paulistanos felizes e cachorros e skatistas, ciclistas e corredores. O Exército também estava presente.
Soldados demonstravam diversos aparatos de carga que usam cordas e roldanas, imensamente populares entre as crianças. Depois, o Museu Afro-Brasileiro: que coleção extraordinária, um acúmulo quase exagerado de maravilhas.
Houve recentemente uma exposição enorme em Washington, e enormemente dispendiosa, sobre os encontros globais dos portugueses. As galerias dedicadas à Índia, à China e ao Japão eram excelentes.
Mas a seção sobre o Brasil decepcionava e se concentrava nas conhecidas pinturas dos holandeses Post e Eckhout sobre o Pernambuco do século 17 e no barroco colonial brasileiro, um período que sofre de exposição excessiva. O conteúdo de qualquer uma das seções do Museu Afro-Brasileiro do Ibirapuera teria sido infinitamente mais interessante.
Na final da tarde, um soberbo concerto na Sala São Paulo, instalada na renovada estação ferroviária Júlio Prestes: Bach, Bartók e Bottesini, e uma platéia de centenas de entusiastas da música clássica apreciando o espetáculo. Depois, da sala de concertos eruditos para as ruas: largo do Arouche e avenida Vieira de Carvalho, para um delicioso galeto desossado e chope.
Do lado de fora do restaurante, uma parada informal e bem-humorada de gays musculosos (e nem tão musculosos), travestis e lésbicas, de todas as classes, etnias e idades, caminhando de lá para cá, de modo semelhante ao que costumava caracterizar o “footing” ao longo da avenida Nossa Senhora de Copacabana no Rio de Janeiro dos anos 60, um hábito que desapareceu há muito.
Em resumo, um domingo delicioso em São Paulo.”

***

Já eu levei uma hora e meia para ir do hotel ao aeroporto, ou seja, o mesmo tempo que o avião leva para ir de São Paulo a Brasília.

Mas ok, não era domingo.

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Só não entendi esse final apoteótico do domingo do Maxwell no Largo do Arouche.  Será que ele é simpatizante?

mefossil.jpg

 Hermenauta 2.000.000 D.C.

Hoje de manhã, ao sair do banho, contemplei minha admirável compleição óssea no espelho e pensei: acho que eu daria um bom fóssil (de verdade, não desses que há por aí).  O que me falta é só o conhecimento técnico.

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Hoje de manhã, minha secretária doméstica me perguntou quem é Dilma Roussef.  Ignorance is really bliss.

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Um site fantástico para você limpar a tela do seu monitor se ele estiver sujo.

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Paradoxo de Fermi: especulações selvagens.

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Poucas vezes vi destruírem alguém tão completamente. I mean, fora da ficção.

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E porque hoje é sexxxxta

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Um outro mundo é possível.

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Antes tarde do que nunca.

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Gadgets da Idade Média.

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Bom fim de semana!

Diálogo entre vendedor de sacos plásticos para lixo e dona de casa, entreouvido hoje na porta do supermercado:

Dona de casa:  Ué, mas antes você vendia a embalagem com 40 sacos, agora são só 33?

Vendedor: É , dona, para poder manter o mesmo preço.

Dona de casa:  Ah, bom!

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Assim não há Defesa do Consumidor que aguente.

Hoje rolou “pausa para manutenção”.

Logo de manhã, o cooler do Toshibão se suicidou e fez surgir uma ameaçadora tela azul com os dizeres “Sistema de Refrigeração com Defeito, Desligue e Procure a Assistência Técnica”.

Fantástico, isso acontecer logo no sábado prévia de carnaval.  Felizmente achei um cristão que se dispôs a consertar o treco até as 18:00 hs de hoje.

Agora posso enfrentar o tríduo momesco como convém: trabalhando em casa.

***

Estaciono e, na minha frente, um carro com um adesivo.  Mensagem:

“Você é racista?  Pessoas tatuadas têm todas as cores”.  E em seguida o telefone do gajo, que era, evidentemente, um tatuador.

A propaganda é efetivamente a alma do negócio.

 

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