You are currently browsing the category archive for the 'as delícias do mercado' category.

Também no Valor, a idéia de que a maré montante do crescimento econômico levanta todos os barcos. Sim, todos:

Cães e gatos passam da classe D para a C e setor fatura US$ 1 bilhão a mais
Lílian Cunha
02/07/2008

No ano passado, cerca de 900 mil cães e gatos deixaram a classe D e passaram para a C, segundo estimativas da indústria pet. Eles acompanharam as duas milhões de famílias brasileiras que melhoraram seu padrão de vida entre 2006 e 2007. Assim como aconteceu no universo das pessoas - que passaram a consumir mais e melhor - os bichos também sentiram os benefícios da ascensão social.

“Esses cães, que antes não eram vacinados, tratados ou que recebiam apenas restos de comida, agora se alimentam de ração, tomam vacinas e usam antipulgas”, diz Luiz Luccas, diretor da operação brasileira da Merial, uma das maiores indústrias veterinárias do mundo.

Graças a esses novos consumidores caninos - e felinos também -, a ração para animais de estimação passou a fazer parte da cesta básica de compras de mais pessoas, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Animais Domésticos (Anfalpet). “Os cães que comiam pouca ração, estão comendo agora a quantidade certa. Os que ganhavam apenas um bifinho por semana, agora ganham dois”, diz o secretário-executivo da entidade, José Edson Galvão de França, se referindo a um dos petiscos caninos.

Em 2006, segundo ele, 42% dos cães e gatos domésticos eram alimentados com ração. Agora são 47%. Em relação a uma população brasileira de cães e gatos estimada pela indústria em 31 milhões, os cinco pontos percentuais de crescimento correspondem exatamente aos 900 mil bichinhos promovidos de classe social. Com isso, o faturamento dos fabricantes de rações passou de US$ 2,33 bilhões para US$ 3,06 bilhões no período.

***

Por outro lado, o NYT traz a notícia de que a magnata dos negócios imobiliários Leona Hemsley deixou em seu testamento, ao falecer, cerca de US$ 12 milhões para a sua cachorrinha, Trouble. E de US$ 5 a 8 bilhões para todos os outros cachorros do mundo:

Her instructions, specified in a two-page “mission statement,” are that the entire trust, valued at $5 billion to $8 billion and amounting to virtually all her estate, be used for the care and welfare of dogs, according to two people who have seen the document and who described it on condition of anonymity.

***

Portanto pensem bem antes de usar a expressão “vida de cão” novamente. Eduardo Dusek pode estar certo

***

Abaixo do folder, a matéria integral do Valor, para os sem-Valor.

Read the rest of this entry »

Seus fiéis também:

Legislação permite que empresas vigiem funcionários
Um grupo de fiéis da Igreja Universal, cuja chefia responde diretamente ao bispo Honorilton Gonçalves, é responsável pelo monitoramento de muitas ações dentro das dependências da Record.

O grupo é formado por freqüentadores da igreja, e todos são considerados cargos de confiança. O trabalho fiscalizador é chamado, entre o grupo, de “missão contra o mal”.

Ele fica instalado em uma na sede da Barra Funda. Esse grupo faz a vigilância de mensagens enviadas e recebidas, monitora origem e destino de ligações telefônicas e ainda acompanha em vídeo o dia a dia dos funcionários.

Cabe lembrar que o monitoramento corporativo não é ilegal. Esse tipo de ação de proteção tem respaldo legal, Se um funcionário utiliza um e-mail, um equipamento (seja micro ou telefone) de uma empresa, ele está sujeito às regras da casa.

***

A história acima foi veiculada em uma matéria maior do Ricardo Feltrin, do UOL, sobre as recentes acusações da Globo à Record de que esta última estaria fazendo “espionagem” na Vênus Platinada.

Panopticon evangélico é dose.

Em uma discussão por si só interessante sobre quanto deve ganhar uma baby-sitter lá no Crooked Timber, eu achei este comentário extremamente percuciente:

Second, ‘skilled’ babysitters are a) extremely rare and b) quite expensive. You know them- the ones who, when you meet them, provoke all kinds of suppressed angst- “Dammit, why couldn’t YOU have been my mother?”, followed by the general uneasiness that they’ll be better parents to your kids than you are.

Deu na Exame:

Americanos oferecem R$ 2,5 bilhões pelo Objetivo

Negócio seria o maior da história do setor educacional brasileiro

O grupo americano Apollo, um dos maiores conglomerados de educação do mundo, iniciou um movimento que pode alterar drasticamente a estrutura do setor no Brasil. Segundo EXAME apurou, o Apollo fez uma oferta de aproximadamente 2,5 bilhões de reais pelo grupo Objetivo, maior empresa de educação do Brasil. Fundado pelo professor João Carlos Di Genio, o grupo é dono do colégio Objetivo e da Universidade Paulista (UNIP), tem mais de 130 000 alunos, 27 campi e 700 escolas. Para assessorá-lo na transação, Di Genio contratou o banco de investimentos Merrill Lynch. O assessor financeiro do grupo Apollo é o Morgan Stanley. Segundo um executivo próximo às negociações, a oferta é preliminar, e foi feita após um ano de aproximação entre os dois lados.

O site do grupo tem uma informação interessante sobre seu modelo de negócio:

Apollo Group, Inc. was founded in 1973 in response to a gradual shift in higher education demographics from a student population dominated by youth to one in which approximately half the students are adults and over 80 percent of whom work full-time. Apollo’s founder, John Sperling, believed — and events proved him right — that lifelong employment with a single employer would be replaced by lifelong learning and employment with a variety of employers. Lifelong learning requires an institution dedicated solely to the education of working adults.

Today, Apollo Group, Inc., through its subsidiaries, the University of Phoenix (including University of Phoenix Online), the Institute for Professional Development, the College for Financial Planning, and Western International University, has established itself as a leading provider of higher education programs for working adults by focusing on servicing the needs of the working adult.

Mais sobre a história do Apollo Group aqui.

Acho bom o governo começar a se preocupar mais com a vigilância sobre as universidades privadas. Uma matéria de 2005 na Businessweek informa que o Apollo Group foi alvo de uma investigação do Dept. of Education norte-americano, e teve que pagar uma multa bem alta por causa de suas táticas de vendas agressivas:

(…) Apollo’s reputation was sullied in September with the release of the Education Dept. report. The authors depicted a high-pressure sales culture that resembled a telemarketing boiler room more than a university admissions office. “Phoenix recruiters soon find out that UOP bases their salaries solely on the number of students they recruit,” the report charged. That’s prohibited by federal law. One recruiter who started at $28,000, for instance, was bumped to $85,000 after recruiting 151 students in six months. But another who started at the same level got just a $4,000 raise after signing up 79 students.

Ultimately, such violations could have led the government to bar Phoenix from the federal student loan program, crippling the university. Nelson calls the report “very misleading and full of inaccuracies.” But he says he decided to settle rather than wage a protracted fight. Apollo agreed to change its compensation system and pay a $9.8 million fine without admitting guilt. Still, Apollo’s defenders note that the point of the law is to prevent for-profits from luring unqualified students. If Phoenix is doing that, it hasn’t showed up in student-loan default rates, which remain a low 6%.

E isso é só parte do iceberg. Naturalmente, o caminho mais “saudável” para uma instituição com um estilo assim é ampliar seus negócios em lugares menos regulados:

FOREIGN EXPANSION
With the regulators off its back, Apollo is once again focusing on growth. The online program, with 133,000 students, is far from saturated. And for the first time Apollo is targeting high school graduates, who are expected to hit a record later this decade. Similarly, Apollo has barely begun to scratch the international market, where experts see huge demand for U.S.-style education. Phoenix plans to open its first Mexican campus this year, and Nelson also has big hopes for China, where Apollo’s Western International University now has just 50 students.

But future growth won’t come as easily as it has in the past. Phoenix was once one of the only players online. Now it faces a lot more competition from public universities and other for-profits, warns Sean R. Gallagher, senior analyst at Eduventures Inc., a Boston-based researcher. Most worrisome, though, are the rising marketing costs. “The big question now is whether that means the economics of this business are changing,” says Gregory W. Cappelli, an analyst at Credit Suisse First Boston (CSR ).

Until that’s answered, even Cappelli, who calls Apollo “a fantastic company,” is urging a “neutral” attitude toward its stock, now at $82. This onetime star is teaching a new course in caution.

Jake Young, do Pure Pedandtry (um blog do Science Blogs) usa uma passagem de Hunter S. Thompson para comentar uma notícia segundo a qual a venda de Vespas está aumentando vigorosamente nos EUA, devido ao alto custo da gasolina:

Nearly everyone who has ridden a bike for any length of time will agree. The highways are crowded with people who drive as if their sole purpose in getting behind the wheel is to avenge every wrong ever done to them by man, beast, or fate. The only thing that keeps them in line is their own fear of death, jail, and lawsuits…which are much less likely if they can find a motorcycle to challenge, instead of another two-thousand pound car or concrete abutment. A motorcyclist has to drive as if everyone else on the road is out to kill him. A few of them are, and many of those who aren’t are just as dangerous — because the only that can alter their careless, ingrained driving habits is a threat of punishment, either legal or physical, and there is noting about a motorcycle to threaten any man in a car. A bike is totally vulnerable; its only defense is maneuverability, and every accident situation is potentially fatal — especially on a freeway, where there is no room to fall without being run over almost instantly.

***

Uma coisa que esqueci de dizer quando da minha estada em França foi que talvez a única paixão maior que a que os franceses nutrem pelas bicicletas é a que dedicam às motonetas dos mais variados portes e estirpes.  Sim, os sinais franceses parecem com os de Sâo Paulo, com uma “frente de onda” formada por um exército de bravos gauleses sobre duas rodas motorizadas.  A diferença é que, pelo que me pareceu, essa multidão não consiste (pelo menos, principalmente) de motoboys.  Aliás, será que existem “motogarçons”???

***

Apesar do que diz Thompson, e ele tem sua parte de razão, acho que essa tendência é virtuosa.  Mais virtuosa do que a milésima reviravolta de John McCain em suas crenças fundamentais, já que ele agora converteu-se em um ferrenho defensor do fim da proibição da exploração de petróleo na plataforma continental norte-americana (em nome, é claro, do federalismo…):

In Houston, meanwhile, Mr. McCain, who has long been at odds with Mr. Bush on another environmental issue, climate change, tried to distance himself from the White House.

In a speech to oil industry executives and business and community leaders, the senator implicitly criticized Mr. Cheney, who in 2001 dismissed conservation as a “personal virtue.” Mr. McCain said the next president would have to break with the policies of the past, adding, “In the face of climate change and other serious challenges, energy conservation is no longer just a moral luxury or a personal virtue.”

On the issue of offshore drilling, Douglas Holtz-Eakin, Mr. McCain’s domestic policy adviser, said the senator had supported the moratorium until a compromise was reached in late 2006 between the federal government and Gulf Coast states that permitted oil and gas exploration in a vast area mostly 100 miles from shore.

“Prior to that, he favored the moratorium as a way to support states’ opposition to exploration,” Mr. Holtz-Eakin said.

But Mr. Obama, campaigning in Michigan, swiftly pointed out that Mr. McCain had supported the moratorium during his 2000 presidential run. “His decision to completely change his position and tell a group of Houston oil executives exactly what they wanted to hear today was the same Washington politics that has prevented us from achieving energy independence for decades,” Mr. Obama said in a statement.

***

E vocês, acham que conservar energia é apenas uma questão de virtude pessoal ou deve ser política de Estado?

***

De uma ou outra forma, as 4 grandes companhias de petróleo norte-americanas estão gastando e andando para esse dilema moral.  O NYT informa que elas estão conversando com o “governo” iraquiano:

BAGHDAD - Four Western oil companies are in the final stages of negotiations this month on contracts that will return them to Iraq, 36 years after losing their oil concession to nationalization as Saddam Hussein rose to power.

Exxon Mobil, Shell, Total and BP - the original partners in the Iraq Petroleum Company - along with Chevron and a number of smaller oil companies, are in talks with Iraq’s Oil Ministry for no-bid contracts to service Iraq’s largest fields, according to ministry officials, oil company officials and an American diplomat.

The deals, expected to be announced on June 30, will lay the foundation for the first commercial work for the major companies in Iraq since the American invasion, and open a new and potentially lucrative country for their operations.

The no-bid contracts are unusual for the industry, and the offers prevailed over others by more than 40 companies, including companies in Russia, China and India. The contracts, which would run for one to two years and are relatively small by industry standards, would nonetheless give the companies an advantage in bidding on future contracts in a country that many experts consider to be the best hope for a large-scale increase in oil production.

Vamos ser claros: um no-bidding contract é coisa que nem a tucanada paulista ousa fazer ao contratar obras do metrô paulista.  É coisa de gente grande, que tem 130 mil “consultores” prontos para entrar em ação em campo…

A despeito disso, tem gente que continua achando, paradoxalmente, que a invasão do Iraque não teve nada a ver com petróleo, embora tenha tudo a ver com os interesses norte-americanos.  Huá huá huá.

Em uma nova tentativa de dominar o mundo livre, o Foro de São Paulo ataca a liberdade de expressão na televisão britânica. O Financial Times informa que o Ministro da Cultura inglês, Andy Burnham, resolveu banir da TV inglesa o famigerado “product placement“, aquela técnica de publicidade televisiva que consegue, aqui no babanão, transformar bancos e produtos de limpeza em atores de novela. Diz o ministro inglês:

Here and now, I do want to signal that I think there are some lines that we should not cross - one of which is that you can buy the space between the programmes on commercial channels, but not the space within them.

Que absurdo, não? Tenho a impressão de que a The Economist ficará bem triste, já que a expectativa do business de TV era justamente o de que a nova legislação européia para a TV, que é mais liberalizante, levantasse restrições ao product placement (conhecido no Brasil como merchandising televisivo) em toda a Europa.

***

Não que o merchandising não possa ser bem feito, é claro. O caso clássico é o das cuecas Calvin Klein utilizadas pelo personagem principal da trama, Marthy Mac Fly, em “De Volta para o Futuro“:

Marty McFly: Calvin? Wh… Why do you keep calling me Calvin?
Lorraine Baines: Well, that is your name, isn’t it? Calvin Klein? It’s written all over your underwear.

O que é uma cena engraçada. Entretanto, as necessidades do mercado podem perverter um pouco as coisas. Uma das maiores críticas ao merchandising é o de que ele pode ser intrusivo demais e perverter a história. Bem, de fato, existe uma “hierarquia” estabelecida pelo mercado, atribuindo diferentes valores ao merchandising de acordo com o o tipo de participação do produto na trama. Segundo a Economist, a escala, em ordem crescente, é a seguinte:

a) O produto aparece na tela.

b) O ator toca o produto.

c) O ator comenta sobre as propriedades do produto.

d) O produto auxilia o ator a desempenhar um ato heróico.

Realmente, os resultados desta hierarquia são…dramáticos.

Paper interessante do NBER:

Does Your Cohort Matter? Measuring Peer Effects in College Achievement

Abstract:

To estimate peer effects in college achievement we exploit a unique dataset in which individuals have been exogenously assigned to peer groups of about 30 students with whom they are required to spend the majority of their time interacting. This feature enables us to estimate peer effects that are more comparable to changing the entire cohort of peers. Using this broad peer group, we find academic peer effects of much larger magnitude than found in previous studies that have measured peer effects among roommates alone. We find the peer effects persist at a diminishing rate into the sophomore, junior, and senior years, indicating social network peer effects may have long lasting effects on academic achievement. Our findings also suggest that peer effects may be working through study partnerships versus operating through establishment of a social norm of effort.

Eu me lembro que a minha companheirada de colégio foi muito importante para que eu também me tornasse um nerd (ou, como se dizia na época, um CDF).

Aliás, um dos problemas em Brasília é que não existe, até certo ponto, a variedade de bons colégios que existe em outras grandes capitais como Rio e Sampa, onde a escolha do colégio delimita até certo ponto a “tchurma” que você quer com que seu filho se envolva. Aqui, existem colégios caros, mas ser caro não é sinônimo de ser bom, muito menos de uma maior seleção da garotada. Pelo contrário, colégios muito caros tendem a ser habitados por filhos de juízes, deputados e senadores, os quais muitas vezes são dos mais depravados exemplares humanos que se pode encontrar por aqui. Não me deixa mentir o caso do índio Galdino, que virou torresminho na mão de filhos da melhor sociedade brasiliense.

Ou porque os Microserfs correm o risco de ficar sem emprego.  No Valor:

Companhias começam a rever opção pelo Windows Vista

A Microsoft lançou o Vista, versão mais recente de seu sistema operacional Windows, na cidade de Nova York em janeiro de 2007, com grande alarde. Artistas pendurados de um prédio de sete andares desenrolaram uma faixa da Microsoft. Uma banda de rock retumbou em uma sala de espetáculos alugada na Times Square. Os executivos-chefes da Dell, Toshiba e Advanced Micro Devices (AMD) juntaram-se ao da Microsoft, Steve Ballmer, em um palco para celebrar o que ele chamou de “o maior lançamento na história do software”.

Agora, entretanto, alguns dos clientes empresariais de maior notoriedade optam por ignorar o Vista. O episódio mais recente incluiu a General Motors (GM). A montadora informou que poderá evitar o Vista, argumentando que testes preliminares revelaram muitos problemas e complicações, e esperar pela próxima versão do Windows, a ser lançada em 2010 ou 2011. “Estamos considerando contornar o Vista e ir direto para o Windows 7″, diz Fred Killeen, chefe de sistemas e tecnologia na GM.

Muitos dos pares de Killeen em outras companhias estão, da mesma forma, contrariados com o Vista. O sistema operacional exige computadores pessoais com microprocessadores poderosos e grande memória. Tem problemas de compatibilidade, o que significa que certos tipos de programa não rodam eficientemente com o sistema. Além disso, compradores de tecnologia nas empresas dizem que o Vista traz pouca funções novas que tenham valor para seus funcionários. “Não há valor comercial para nós em continuar a buscar esse ciclo de atualização”, diz Robert Reeder, vice-presidente sênior e diretor de informações da Alaska Airlines, que planeja pular o Vista.

A pouca urgência em migrar para o Vista começa a aparecer nos resultados financeiros da Microsoft. Após dois trimestres de forte crescimento, a receita na unidade do Windows, a mais rentável da companhia, caiu 2%, para US$ 4,03 bilhões, no trimestre encerrado em 31 de março.

(…) fazer com que o Vista seja adotado é importante por várias razões. Ajuda a persuadir os clientes empresariais a agregar o Windows em acordos de longo prazo com a Microsoft e leva as empresas a comprar outros produtos, como o mais recente Microsoft Office. No entanto, apenas 65% das cópias do Windows vendidas no terceiro trimestre foram do Vista, enquanto cerca de 35% foram do XP. A empresa informou a analistas que os números do Vista não chegaram aos 80% almejados por problemas com a pirataria na China, entre outros fatores. “Todos ainda estão coçando a cabeça, perguntando: ‘há alguma outra coisa acontecendo?’”, afirma Thill, do Citigroup.

Na sede da Microsoft, há movimentação por todos os lados. Os projetistas trabalham na nova versão do Windows e Ballmer prometeu que não haverá uma lacuna de cinco anos entre os lançamentos, como ocorreu entre o XP e o Vista. Paralelamente, a Microsoft oferece mais de seus programas por meio da internet. Em 22 de abril, ela revelou o Live Mesh, que permite aos usuários criar uma versão on-line de seu computador para que possam acessar arquivos pessoais a partir de qualquer PC - e, em algum momento, a partir de seus telefones celulares e computadores Mac. “O Live Mesh representa o que a empresa tenta tornar-se”, diz Rob Enderle, presidente da consultoria Enderle Group. “Minha esperança é que, com o Windows, vejamos muito mais da companhia que eles querem se tornar.

***

Há já algum tempo o Nick Carr bate na tecla de que o futuro é o “software como serviço”, isto é, um modelo de negócios onde seu software não está em sua máquina em casa (ou no trabalho), mas sim em um servidor a quilômetros (ou milhares de quilômetros) de distância.  Seu livro, “The Big Switch”, se baseia nessa idéia, e a verdade é que a universalização da banda larga e a disponibilidade de gigantescos data centers leva água para esse moinho.  Não é por outro motivo que a Microsoft tenta comprar o Yahoo, por sinal, e também não é por outro motivo que a ruptura criada pela internet é assunto constante nos “memorandos” da gigante de Redmond que vazam para a imprensa.

Eu devo ser a única pessoa que eu conheço que não está se dando bem na Bolsa.

Deu na Folha Online:

Escândalo com Ronaldo melhora vida de travesti

da Folha Online

O travesti Andréia Albertine, pivô do escândalo com o jogador Ronaldo, diz que seu cachê aumentou, de R$ 100 para R$ 300 a hora. Só o sexo oral saltou de R$ 30 para R$ 100. A informação é da coluna Mônica Bergamo na Folha desta sexta-feira (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

Reprodução
Jogador Ronaldo viaja à Europa nos próximos dias; ele irá a Madri para rever o filho, Ronald
Jogador Ronaldo viaja à Europa nos próximos dias; ele irá a Madri para rever o filho, Ronald

Segundo Albertine, quando os clientes o reconhecem, querem tirar fotos e pedem até autógrafos. Devido ao sucesso, Albertine diz já não fazer prospecções na rua, “só em hotel”. A única condição é o pagamento adiantado. “Não caio mais no conto da cara bonita”, afirma.

***

Daqui a pouco a moça tá assinando com a Nike.

Slashdot nos informa que acaba de formar-se o primeiro “advogado espacial”:

“Over at space.com is an interesting article about the first space lawyer. He graduated from the University of Mississippi. ‘Any future space lawyer might have to deal with issues ranging from the fallout over satellite shoot-downs to legal disputes between astronauts onboard the International Space Station. The expanding privatization of the space sector may also pose new legal challenges [...] “We are particularly proud to be offering these space law certificates for the first time, since ours is the only program of its kind in the U.S. and only one of two in North America,” said Samuel Davis, law dean at the University of Mississippi.’

Bem, se por um lado a visão de advogados migrando para Outworld não deixa de ser estimulante, a idéia de passarmos a ter advogados mexendo com o que ocorre em nossa órbita me deixa um pouco preocupado.

E o pior de tudo é que a venda de terrenos na Lua, expressão máxima da fraude no dizer popular, pode começar a ter um fundo de verdade. Às vezes a realidade consegue piorar a imaginação.

***

Update:

Como não poderia deixar de ser, a coisa já tem até blog.

No Valor de hoje:

Crise nos EUA não chegou nem na metade

O sistema financeiro internacional vai terminar a crise de crédito americana muito menor, com menos participantes e mais regulado. Essa é a visão do economista-chefe para os Estados Unidos da Merrill Lynch, David Rosenberg, para quem o pior ainda não passou. “Quão estável ficará realmente o sistema financeiro se a economia entrar em recessão mais profunda e a taxa de desemprego subir para novos níveis de alta, dada a correlação dessa taxa com a inadimplência no crédito?”, pergunta.

Rosenberg diz que a tendência das bolsas dos EUA ainda é de baixa, apesar da calmaria de curto prazo. Para ele, as eleições e a pequena popularidade do presidente Bush e do Congresso têm impedido que o governo adote as medidas fiscais necessárias para ajudar o país a sair da crise. Em sua primeira visita ao Brasil, no final de abril, ele concedeu esta entrevista:

Quem diria, a Merrill Lynch é um galinheiro.  Entrevista abaixo, para os sem-Valor.

Read the rest of this entry »

(clique para ampliar)

Interessante gráfico no NYT mostrando a composição do gasto do americano médio, bem como a evolucção dos preços de cada item entre 2007 e 2008 (para descobrir o que é cada item é melhor ir lá na página do NYT, onde os itens e sua variação aparecem quando se passa o mouse sobre a figura).

Sinal dos tempos: combustível e alimentos em alta, televisores, computadores e móveis em baixa. Menores preços para televisores e computadores certamente podem ser atribuídos à eficiência técnica e ao aumento da produção, mas os móveis em baixa devem estar refletindo a bolha das hipotecas _ ninguém compra móveis se não tiver onde colocá-los…

Deu no Valor, em uma matéria sobre o crescimento do mercado de seguro de crédito e a falta de gente qualificada para operá-lo:

“Não há mais do que 30 profissionais especializados em seguro de crédito no Brasil”, afirma Mariane Guerra, gerente de RH da Marsh. Em meio a essa batalha, a corretora resolveu apostar na formação de profissionais para suprir a escassez de mão-de-obra. Mas enquanto eles não estão prontos, a empresa continua recorrendo a prática de recrutamento no mercado. Recentemente, preencheu duas vagas que estavam em aberto, após meses de procura. Para tanto, chegou a “importar” talentos.”

Aí fica essa meninada aí na rua vendendo bala, quando poderiam estar trabalhando no seguro de crédito.  Ô, raça.

Fred Buenrostro, CEO do Calpers, o maior fundo de pensão dos EUA (responsável pelas aposentadorias dos funcionários públicos da Califórnia, principalmente professores), pediu demissão.  Disse que vai buscar novas oportunidades no setor privado.

Uma semana atrás, Russell Read, o principal executivo da área de investimentos do Calpers, pediu demissão.  Disse que ia buscar novas oportunidades no setor de investimentos ambientais.

E em janeiro, já havia pedido demissão do Calpers a analista sênior de investimentos Christianna Wood, também perseguindo novas oportunidades no setor privado.

Claro que pode ser mera coincidência.  Porém, diz a matéria do Financial Times que desde a chegada de Read, em 2006, o Calpers perseguiu uma política “mais agressiva” de investimentos _ em relação ao histórico do próprio Calpers _ na área de infraestrutura.  Segundo o analista James Hawley, diretor do The Elfenworks Center for the Study of Fiduciary Capitalism, nos últimos anos o Calpers seguiu a mesma política que outros grandes investidores institucionais _ o que, para alguém que já ouviu falar de “efeito-manada”, não é exatamente uma notícia extremamente reconfortante.

***

Bem, só a menina Christianna manejava fundos de 150 bilhões de dólares.  Se algo de podre estiver acontecendo no Calpers, e em outros investidores institucionais de porte semelhante _ aí a casa cai.  Principalmente porque os grandes investidores institucionais são vistos como o último baluarte da boa governança corporativa, como se vê nesse abstract de um texto do próprio James Hawley (Shifting Ground: Emerging Global Corporate Governance Standards and the Rise of Fiduciary Capitalism):

This paper examines the long-term interests that large institutional owners (e.g. CalPERS, Hermes, USS) have in the development of global corporate governance standards, especially as governance standards increasingly become intertwined with other standards and regime parameters involved in the globalization debates. It argues that institutional owners have a unique perspective and voice to contribute to the formulation of global standards in a variety of areas based on their long-term financial interests. This conclusion is supported by an analytic review of the current state of global corporate governance, including multilateral initiatives (e.g. OECD, World Bank); an analysis of significant institutional investors, the role of various rating agencies (e.g. Fitch, Moody’s), the International Corporate Governance Network and the growing role of various NGO’s (e.g. CERES, Carbon Disclosure Project) in relation to corporate governance. Finally, the paper examines the strengths and limitations of the authors’ previously developed arguments about institutional owners as universal owners and the fiduciary capitalism perspective in the context of emerging global corporate governance standards as modified by varying national/regional forms of ownership.” (grifo meu)

Matéria da Folha de hoje:

África sofre com alimentos mais caros

Elevação dos preços ameaça trazer mais pobreza, mas também se apresenta como oportunidade para a agricultura

O problema é que o risco é imediato e as possibilidades são de longo prazo, mas leva tempo ensinar agricultores a usar técnicas modernas

***

Gostaria de saber se para os entusiastas da “mão visível” a solução para essa inflação seria aumentar os juros africanos.

***

Tudo a ver com o debate que está havendo entre o Tyler Cowen do Marginal Revolution e o Dani Rodrik sobre o efeito da liberalização do comércio mundial dos produtos agrícolas. O debate é interessante, e claramente há um problema intertemporal aí.

Diz Cowen:

O comércio mais livre poderá encher a tigela de arroz do mundo

A alta nos preços dos alimentos representa a fome para milhões de pessoas e também a instabilidade política, como já se viu no Haiti, Egito e Costa do Marfim. Sim, a energia mais cara e o mau tempo devem ser considerados culpados em parte, mas a verdadeira questão é saber por que o ajuste não está sendo mais simples. Um grande problema é que o mundo não tem um comércio que baste em matérias-primas para alimentação.

O dano causado pelas restrições ao comércio é provavelmente mais evidente no caso do arroz. Embora o arroz seja a principal matéria-prima para metade do mundo, é altamente protegido e submetido à regulamentação. Apenas entre 5% a 7% da produção de arroz do mundo é negociada entre países; isso é extraordinariamente pouco para uma commodity agrícola.

Então, quando o preço sobe - na verdade, muitas variedades de arroz praticamente dobraram de preço desde 2007 - esse mercado bastante segmentado indica que o comércio com arroz não flui nos locais de demanda mais elevada.

O baixo rendimento com o arroz não é o principal problema. A Organização para Alimentos e Agricultura da ONU calcula que a produção global de arroz tenha aumentado em 1% no ano passado e diz que deve aumentar 1,8% este ano. Isso não é impressionante, mas não deveria provocar mortes pela fome.

O dado mais significativo é que durante o próximo ano o comércio internacional de arroz deve declinar em mais de 3%, quando deveria estar-se expandindo. O declínio é atribuído principalmente às recentes restrições sobre a exportação de arroz nos países produtores de arroz, como Índia, Indonésia, Vietnã, China, Camboja e Egito.

À primeira vista, parece compreensível, porque um país pode não querer enviar valiosas matérias primas para o exterior em uma época de necessidade. Apesar disso, os incentivos de prazo mais longo são contraproducentes.

Tais restrições à exportação indicam aos produtores agrícolas que suas safras são menos rentáveis exatamente quando são mais necessárias. Existe pouco incentivo ao plantio, colheita ou armazenagem de arroz suficiente - ou de qualquer outro plantio, por essa razão - como uma proteção contra os maus tempos.

Essa tendência de desvio das leis da oferta e procura também é aparente nas Filipinas, onde o governo está perseguindo e prendendo açambarcadores de arroz que, é claro, estão simplesmente armazenando arroz ante a possibilidade de chegarem tempos ainda mais difíceis.

Nos mercados de commodities não é raro que a elevada demanda cause acentuados aumentos de preços; no curto prazo, em geral, é difícil conciliar a nova demanda com os novos fornecimentos. A questão é saber se o suprimento e o comércio podem aumentar para compensar o aperto no mercado.

As restrições sobre o comércio de arroz trazem o risco de tornar permanentes a escassez e os preços elevados. As restrições às exportações ameaçam tornar o comércio e a produção de arroz em um jogo de compensações onde os ganhos de um país são conquistados à custa de outro. Isso dificilmente seria a melhor forma de se progredir em uma economia mundial que cresce rapidamente.

Essa falta de apoio ao comércio reflete uma tendência mais ampla e perturbadora. Uma crescente porcentagem da produção mundial, incluindo aquela para a agricultura, vem dos países pobres. No geral, isso é bom para os países ricos, que podem se concentrar na criação de outros bens e serviços, e para os países pobres, que estão produzindo mais riqueza. Mas pode desacelerar a velocidade do ajuste para as condições globais em transição.

Por exemplo, se cresce a demanda pelo arroz, os produtores agrícolas vietnamitas - que continuam cativos das duradouras regulamentações do comunismo - nem sempre têm condições de dar uma resposta rápida.

Eles não têm nem mesmo a liberdade completa de embarcar e comercializar o arroz dentro de seu próprio país.

Os países mais pobres também tendem a ser os mais protecionistas. Para piorar as coisas, cerca de metade do comércio global de arroz é controlado por conselhos estatais de caráter político.

A realidade é que grande parte da escassez atual em commodities, incluindo a que existe pelo petróleo, acontece porque cada vez mais a produção e o comércio ocorrem em países relativamente pouco eficientes e sem flexibilidade. Estamos acostumados ao tempo de resposta do Vale do Silício, mas quando se trata da produção de commodities, muitas das mais importantes instituições do exterior têm apenas um pé na era moderna. Em outras palavras, a mesa das commodities do mundo está longe de ser plana.

Muitos países pobres, incluindo alguns da África, poderiam estar produzindo muito mais arroz do que produzem agora. Os principais culpados por isso incluem a corrupção na cadeia de abastecimento de arroz, sistemas de irrigação mal planejados, estradas terríveis ou não existentes, instáveis direitos de propriedade, reformas agrícolas mal avaliadas e controles de preço sobre o arroz.

A capacidade de produção de arroz de um país depende não só de seu clima, mas também de suas instituições. Burma, agora Mianmar, já foi o principal exportador de arroz do mundo, mas agora é um país mal administrado e grande parte de sua população passa fome.

Claro, os países ricos são parcialmente culpados também. Japão, Coréia do Sul e Taiwan protegem os produtores nativos de arroz; também se verá o arroz sendo produzido na Espanha e na Itália, com a ajuda dos subsídios da União Européia e do protecionismo. Os Estados Unidos gastam bilhões em subsídios aos produtores domésticos de arroz.

No curto prazo, a existência desses produtores domésticos de arroz aponta para menos pressões sobre a demanda no mercado mundial, o que pode ser uma boa coisa. Mas de novo, os efeitos no longo prazo, são perniciosos.

A produção de arroz de baixo custo em países como a Tailândia não é voltada para o atendimento a uma demanda estrangeira mais elevada, como o seria em um mercado mais livre. Quando se precisa de mais arroz, a capacidade é limitada e é lento o fornecimento dos grãos. E o arroz protegido dos países ricos é simplesmente caro demais para aliviar a fome nos países muito pobres.

Recentemente tornou-se moda afirmar que, nessa época de turbulência nos mercados financeiros, os ensinamentos de Milton Friedman, voltados para o mercado, pertencem mais ao passado que ao futuro. A triste realidade é que quando se trata da produção de alimentos - sem dúvida a mais importante de todas as atividades humanas - as idéias de livre comércio de Friedman ainda não viram a luz do dia.

Ao que Rodrik retruca:

A falácia “livre comércio reduz preços”, mais uma vez

Desta vez, o culpado é Tyler Cowen. Em sua coluna para o New York Times de hoje, Cowen argumenta que o livre comércio de produtos alimentares como arroz seria benéfico para o abastecimento global e ajudaria a reduzir os preços. Ele está provavelmente certo sobre o primeiro efeito, mas não sobre o segundo. O efeito de livre comércio sobre os preços domésticos dos alimentos depende de saber se um país é importador ou exportador de alimentos. O livre comércio pode reduzir os preços dos alimentos (em relação a outros preços) só nos países que são importadores de alimentos. Os países exportadores experimentariam um aumento do preço relativo dos alimentos, e simplesmente não há maneira de escapar dessa realidade.

O comércio internacional funciona aliviando a escassez relativa de bens. A chave aqui é o termo “relativa”. Nos países importadores são os alimentos que são escassos, e à medida que há abertura do comércio, o preço relativo dos alimentos cai. Mas se você for a Tailândia ou a Argentina, onde outros bens são escassos em relação aos alimentos, livre comércio significa preços relativos dos alimentos mais elevados, e não menos. E todas as vantagens induzidas na eficiência de curto versus longo prazo que sobre as quais fala Cowen não têm qualquer influência sobre esta conclusão: no fim alguns países tem de ser importadores líquidos, e outros, exportadores líquidos.”

***

Alguns pitacos:

Evidentemente o problema é que a escala de tempo considerada por um e por outro não é a mesma. Na tréplica dada por Cowen no Marginal Revolution, este comentário do Rodrik deixa isso claro:

Talvez queiramos mesmo o livre comércio de arroz, mas duvido que pelas razões apresentadas por Cowen em sua peça no NYT. O livre comércio de arroz faria pouco para atenuar a crise alimentar que estamos a enfrentar, e, na realidade, iria provavelmente torná-la pior, no curto prazo, uma vez que daria origem a um novo aumento do preço real do arroz no mercado mundial (de acordo com o Banco Mundial e outras estimativas). Pode-se contar obviamente todo o tipo de fábulas sobre efeitos dinâmicos relacionadas com a dimensão e os efeitos no investimento de longo prazo que possam reverter os efeitos do impacto. Mas sugiro que se comece com aquilo que sabemos razoavelmente bem antes de se especular.

Um comentador lá na tréplica do Cowen faz um comentário interessante que ilumina o real problema:

Se o comércio de arroz for liberalizado, como defende Cowen, o preço do arroz subiria nos países pobres que têm um déficit na produção de arroz? A curto prazo (digamos que o curto prazo é de um ano), haveriam mais pessoas com fome, ou haveriam menos pessoas fome?

Quem produz arroz no mundo? Eis um quadro com dados de até 2003 que achei aqui:

(clique para ampliar)

E quem são os grandes importadores de arroz? Achei esta lista:

  1. Nigeria … 1.4 million tons (4.8% of global rice imports)
  2. Saudi Arabia … 1.2 million tons (4.2%)
  3. Philippines … 1 million tons (3.6%)
  4. Bangladesh … 991,810 tons (3.4%)
  5. Iran … 986,000 tons (3.4%)
  6. China … 928,210 tons (3.2%)
  7. Cote d’Ivoire … 868,320 tons (3.0%)
  8. Brazil … 852,080 tons (2.9%)
  9. Senegal … 822,550 tons (2.8%)
  10. South Africa … 744,840 tons (2.6%)
  11. United Arab Emirates … 717,710 tons (2.5%)
  12. North Korea … 702,000 tons (2.4%)
  13. Japan … 662,020 tons (2.3%)
  14. Russia (Europe) … 618,460 tons (2.1%)
  15. United Kingdom … 569,560 tons (2%)
  16. Malaysia … 523,660 tons (1.8%)
  17. United States … 480,750 tons (1.7%)
  18. Benin … 476,490 tons (1.6%)
  19. France … 474,270 tons (1.6%)
  20. Mexico … 459,210 tons (1.6%)
  21. Russian Federation … 454,710 tons (1.6%)
  22. Indonesia … 390,830 tons (1.3%)
  23. Singapore … 346,700 tons (1.2%)
  24. Canada … 334,320 tons (1.2%)
  25. Hong Kong … 326,230 tons (1.1%)
  26. Yemen … 322,240 tons (1.1%)
  27. Sri Lanka … 240,700 tons (0.8%)
  28. Syria … 236,710 tons (0.8%)
  29. South Korea … 209,320 tons (0.7%)
  30. Kuwait … 150,620 tons (0.5%)
  31. Oman … 149,830 tons (0.5%)
  32. Jordan … 135,890 tons (0.5%).

Essas outras duas listas mostram os países com o maior incremento e com a maior queda nas importações de arroz (2004):

Maiores incrementos:

  1. Sri Lanka … 240,700 tons (up 597.3% in 2004)
  2. China … 928,210 tons (up 129.4%)
  3. Benin … 476,490 tons (up 124.8%)
  4. Saudi Arabia … 1.2 million tons (up 78%)
  5. Oman … 149,830 tons (up 64.5%)
  6. Kuwait … 150,620 tons (up 54.2%)
  7. South Korea … 209,320 tons (up 46%)
  8. Malaysia … 523,660 tons (up 42.1%)
  9. United Arab Emirates … 717,710 tons (up 28.6%)
  10. Canada … 334,320 tons (up 26.3%).

Maiores quedas:

  1. Indonesia … 390,830 tons (down 76% in 2004)
  2. Bangladesh … 991,810 tons (down 20.7%)
  3. Brazil … 852,080 tons (down 20.1%)
  4. Nigeria … 1.4 million tons (down 12.6%)
  5. North Korea … 702,000 tons (down 12.5%)
  6. Mexico … 459,210 tons (down 8.6%)
  7. Senegal … 822,550 tons (down 7.6%)
  8. Japan … 662,020 tons (down 6.2%)
  9. South Africa …744,840 tons (down 5.8%)
  10. Russia (Europe) … 618,460 tons (down 4.1%).

Do exame das listas fica claro que os países que estão empurrando a demanda por arroz são países ricos, sejam os países petroleiros, seja a China e a Coréia do Sul, cujas fortunas advém da exportação de manufaturados.

Como responder à pergunta lá em cima, do comentador do Cowen?

Com menores barreiras ao comércio, os preços evidentemente subiriam. Pessoas que vivem em países como Arábia Saudita, Kwait, Canadá e Chna poderiam comer mais arroz, pois poderiam pagar por ele. Em outros países os produtores desviariam sua produção para aqueles primeiros, encarecendo ou mesmo desabastecendo o comércio local. Se estamos falando de países pobres, como os da África, possivelmente haverá mais famintos. No caso do Brasil haverá aumento de preços, mas como já estamos vindo em uma trajetória de queda da importação _ provavelmente por expansão da área plantada _ o mais provável é que mais adiante o investimento em expansão da produção compense a maior demanda.

Qual o efeito líquido? Levando em conta que os países onde o consumo está aumentando são países de alta ou média renda, certamente o cerceamento da sua demanda não implicaria em fome naqueles países, e o aumento do consumo reflete a elasticidade-renda do produto. Por outro lado os países pobres realmente sofreriam o impacto do aumento do produto até que produtores como o Brasil e outros expandissem a produção até o preço cair novamente. Os países mais pobres dificilmente veriam alguma vantagem no processo, pois países como o Brasil, com uma agroindústria mais desenvolvida, teriam maior facilidade de expandir a produção rapidamente e aumentar sua participação no mercado mundial de arroz. Então:

_ países mais ricos teriam efeito líquido de aumento no bem estar;

_ países produtores teriam diminuição do bem estar no curto prazo, mas aumento no médio/longo;

_ países pobres teriam diminuição de bem estar no curto prazo, sem benefícios visíveis no médio/longo.

Os senhores leitores estão convidados a fazer seus comentários.

A floresta é um ativo de baixíssimo valor econômico e, de outro lado, há uma atividade econômica que dá retorno e dá renda. Você não pode desconsiderar que a pecuária é uma atividade econômica rentável. A Amazônia tem uma vocação extraordinária para a pecuária.

Assuero Veronez, presidente da comissão de meio ambiente da principal entidade sindical ruralista, a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), na Folha de hoje.

Sinto cheiro de ascensáo social

Deu no Valor:

Brasil, o líder no consumo de desodorantes
Lílian Cunha
25/04/2008

Até dezembro, o mercado brasileiro de desodorantes deverá ultrapassar o dos Estados Unidos, até agora o maior consumidor, prevê a empresa de pesquisas de mercado Euromonitor e a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos.

Os brasileiros deverão movimentar US$ 2,314 bilhões com o produto neste ano. Nos EUA haverá pequena redução nas vendas, que tendem a ficar em US$ 2,310 bilhões. “O desodorante é um produto muito ligado à vida social das pessoas”, diz José Vicente Marino, vice-presidente da Natura, segunda maior empresa do setor em vendas. Quando a economia está desaquecida, as pessoas saem menos de casa e usam menos desodorante. Já o brasileiro usa o desodorante como perfume e o conceito de se perfumar tem a ver com afirmação social, diz Marino, que atribui o aumento do consumo, em parte, à melhora da renda.

***

Agora está definitivamente confirmado: o brasileiro é pobre mas é limpinho.

Pedro Sette Câmara tem um artigo com nome bonitinho lá no site do Ordem Unida Livre: “Contra a Ditadura do Gosto“.

O texto começa assim:

É possível, a qualquer momento, ler um texto fresquinho de alguém que reclama da tirania do consumismo e do mercado sobre o gosto. Aparentemente somos todos obrigados a ouvir as músicas da Madonna e a assistir ao Big Brother, quando deveríamos estar ouvindo Bach e vendo o canal educativo.

Bom, eu até diria que como ouvinte passivo sou obrigado, frequentemente, a ouvir muitas coisas que não gosto. Mas não é esse o meu ponto aqui. Pedro Sette continua:

Ainda assim, não vejo como não observar: terá havido alguma época em toda a história na qual é possível viver num mundo de referências culturais absolutamente próprias? Em todas as épocas houve uma certa - ênfase em “uma certa” - tirania do gosto. Se você vivesse na Inglaterra elizabetana, provavelmente ouviria muito John Dowland, e a alternativa eram canções um tanto folclóricas. Em termos de literatura, havia Spenser, talvez edições de Chaucer, alguns clássicos greco-latinos. Se adiantarmos o calendário em uns 150 anos, veremos Rousseau como autor de best-sellers vendidos em toda a Europa e um leque de opções um tanto mais ampliado - mas nada que se compare ao que oferece uma única loja da Livraria Cultura, isso para não falar no cosmos paralelo representado pela Amazon.com.

Bem, aí a porca começa a torcer o rabo. Porque imaginar que qualquer um pode acessar o “cosmos paralelo” da Amazon _ ou mesmo que qualquer um “pode” entrar em uma loja da Livraria Cultura _ é quase tão extravagante quanto achar que alguém que vivesse na Inglaterra elizabetana “provavelmente ouviria muito John Dowland”. Exceto, é claro, pelo fato de que provavelmente todos os leitores do site Ordem Unida Livre teriam todas essas facilidades _ mas então há um problema entre o argumento e a realidade na qual ele está sendo articulado.

Pedro prossegue:

Por isso é que fico impressionado: com o aumento do mercado, da atividade capitalista, da aceleração das trocas, isto é, das compras e vendas, ficou infinitamente mais fácil escapar da “tirania do gosto” da sua própria época.

Voilá! Eis o ponto onde ele queria chegar, evidentemente _ mais um encômio ao mercado.

Uma pequena digressão: não deixa de ser curioso que entre os próprios anaeróbicos se cultive a tese de que existe, sim, uma tirania do gosto _ só que de esquerda. Vejamos esse texto do Tio Rei aqui:

Assisti ontem, excepcionalmente, a um capítulo da minissérie Amazônia. Foi dica de uma internauta. Proselitismo petista em estado puro. A Globo, aparelhada pela esquerda, como qualquer emissora, faz pelos “companheiros” muito mais do que toda a imprensa esquerdista somada. Também vi dois capítulos da novela Paraíso Tropical. Em conflito, um rapaz mau-caráter, que só se veste de preto e recita mantras da boa administração, e um bacana, humanista, de terno claro, que toma decisão estratégicas depois de ouvir os garçons. Quem educa mais os sentidos da massa (…)? A imprensa de esquerda ou a infiltração militante no que vocês chamam de “mídia de direita”? Sabem o que vocês não entendem? As publicações esquerdistas experimentam a obsolescência porque são desnecessárias. Há modos muito mais eficientes de fazer as coisas.

Esse trecho é importante porque em uma coisa Tio Rei até está certo _ mas falarei mais sobre isto à frente.

Pedro Sette continua, e produz o seguinte parágrafo, aparentemente sem nenhuma intenção irônica:

Sentado em meu apartamento no Rio de Janeiro, sem levantar da minha cadeira, ponho os fones de ouvido ligados ao meu computador, que me oferece minhas interpretações favoritas de Wagner e Schubert, de canções medievais e renascentistas (adoro o grupo La Reverdie), de canções brasileiras, americanas e francesas. Posso em um segundo passar de “O tu qui servas”, a mais antiga canção (com letra em latim) conhecida da cidade italiana de Modena ao álbum mais recente de Bruce Springsteen. Quando alguém fala que o rádio só toca o artista X, não tenho como não pensar: “mas você pode desligar o rádio e ouvir o que quiser”.

Corta para o mundo real:

Sentado aqui em minha laje em Duque de Caxias, sem levantar da minha cadeira, posso ouvir o vizinho tocando um proibidão em sua virtola, que me oferece minhas interpretações favoritas do Créu. Meu vizinho em um segundo pode passar de “A Dança do Bumbum”, a mais antiga canção conhecida do “É o Tchan”, ao álbum mais recente de Tati Quebra Barraco. Quando alguém fala que o rádio só toca o artista X, não tenho como não pensar: “podia ser pior, você podia não ter rádio”.

É claro que só existe o rádio por causa do capitalismo, sim, sim. Enfim:

Por isso é que penso que, quando alguém reclama contra a tirania do gosto comum, tenho a impressão de que essa pessoa gostaria de ver o seu gosto pessoal replicado pelas massas. Afinal, nada impede ninguém de ter as suas referências pessoais, de viver em busca da imitação dos mestres do passado e do presente ou de arriscar uma síntese absolutamente original (com ou sem o risco da ingenuidade). E isto não se deve a uma suposta tirania do marketing e do capitalismo, mas à libertação do gosto que é proporcionada pelo próprio capitalismo. É muito melhor deixar o meu tributo voluntário e agradecido às caixas da Livraria Cultura e da Amazon.com, que apresentam opções, do que pagar por algo que parece uma opção mas é na verdade uma falta de opção.” (grifo meu)

O que Pedro Sette não percebeu é que a tirania do gosto apenas existe na medida em que é preciso pagar para não estar sujeito a ela. Claro que isso não deve ser problema no mundo de Pedro, onde a pirataria é lei, mas whatever.

***

UPDATE:

Descobri que realmente Pedro Sette provavelmente acredita no Slashdot Argument, ou pelo menos em vender camisetas.

[the Slashdot argument] says that books, music, films, software and so on ought to be freely distributed to anyone who wants them, simply because they can be freely distributed. What is the writer or musician to do, though, if she can’t earn money from her art? Simple, says the Slashdotter: earn your money playing live (if you’re one of those musicians who plays live),4 or selling T-shirts or merchandise, or providing some other kind of “value-added” service.

Discussão aqui.

Em seu livro “The Big Switch”, Nicholas Carr, o blogueiro do Rough Type, alerta para os efeitos econômicos da Web 2.0 (a qual pode ser razoavelmente equacionada como “disseminação da banda larga” + “ferramentas cooperativas”).  Entre outros,  estão o aumento da produtividade e o fato de que ferramentas colaborativas permitem às empresas prescindir de empregados (pense bem: o YouTube é o que é porque é você quem entra com o conteúdo, não o Google).  Na prática, porém, o efeito líquido até agora tem sido o de aumentar a desigualdade, concentrando cada vez mais renda nas mãos de poucos.  No seu livro, o próprio Nick mostra algumas estatísticas interessantes sobre desemprego causado pela internets _ e não é de se admirar que boa parte dele, no momento, se concentre nas redações de jornais.  Segundo Carr, um estudo da American Society of Newspapers Editors descobriu que entre 2001 e 2005 o staff dos jornais nos EUA declinou em 4%, com uma perda líquida de 1.000 repórteres, 1.000 editores e 300 fotógrafos e artistas.  Curiosamente, no mesmo período, o emprego das redações online também declinou em 29% _ o que motivou o seguinte comentário sarcástico de Floyd Norris, comentarista econômico do New York Times:  “a internet é a onda do futuro, mas não tente arrumar um emprego ali“.

Neste início de 2008 começaram a pipocar na rede notícias de que mais uma classe dos artistas da pena assalariados está encontrando sua nêmesis na internets: os críticos de cinema.  Aparentemente, há uma onda de demissões de críticos nos jornais americanos _ e a preocupação não aflige apenas os próprios críticos. Hollywood também está preocupada, pois julga que essa onda pode impactar diferencialmente os filmes.  Explica-se:  grandes blockbusters, com uma enorme estrutura publicitária por trás deles, não serão afetados.  Mas filmes “sérios”, mais intelectuais, podem sofrer, pois sua ecologia depende basicamente da opinião dos outros.

Mais a fundo: filmes são “bens de experiência”.  Tecnicamente, você só pode saber se gostou ou não de um filme após vê-lo.  Hollywood, porém, criou um “gênero”, o blockbuster, que praticamente deixa de ser um “bem de experiência”: são filmes-espetáculo, de estrutura quase ritualística (grandes efeitos especiais, vilão-mocinho-mocinha, o bem vence no final, aqui e ali toques cômicos para relaxar a trama dramática), aquilo que os gringos chamam de “formulaic”.  No fundo, o que acontece é que todo mundo, ou quase todo mundo, se obriga a vê-los (eu, por exemplo, gostei de Homem Aranha Um, não gostei do segundo e detestei o terceiro, mas provavelmente irei ver um quarto.  E sei que não vou resistir ao “Homem de Ferro” e ao “Cavaleiro das Trevas”).

Com filmes “sérios”, porém, é diferente - justamente por causa de sua extrema variabilidade.  Não há uma “fórmula” para um filme sério.  Assim, cada filme impactará de forma diferente o grande público.  Por isso, os filmes sérios dependem do chamado “efeito cascata” _ o boca a boca, que acontece quando seu amigo ou amiga disse que viu o filme tal e gostou muito, o que te estimula a ir ver o filme.  O problema é: hoje, as salas de exibição são um prêmio cobiçado.  Regras estranhas determinam se um filme fica mais uma semana ou não em um determinado cinema.  Isso faz com que a bilheteria da primeira semana seja muito importante na história do filme _ se ele não se sustentar na primeira semana, não haverá tempo para que o “boca a boca ” se alastre e motive as platéias a vê-lo.  É aí que entra o crítico: o crítico essencialmente é um sujeito que já viu o filme (razão das avant-premiéres) e é alguém em que você confia (porque já leu críticas de sua autoria sobre filmes de que você gostou).

Para muita gente, porém, a crítica não acabou _ apenas migrou para canais de nicho, os blogs e sites na internet especializados em crítica.  O que não importa muito para quem perdeu o emprego.

***

Por falar nisso, toda essa longa digressão, porém, foi apenas para dizer que eu acho que alguns críticos merecem mesmo o seu destino, o olho da rua.  Vejam estes dois parágrafos finais da crítica de “Os Reis da Rua” feita por Neusa Barbosa, do Cineweb, para o UOL:

Frequentando os círculos mais perigosos de gângsters e traficantes de Los Angeles, os dois encaram a morte de frente. Ludlow, com um instinto suicida e que não inspira muita simpatia, parece mais um vingador desajustado, chefiado por um capitão à altura.

Neste papel, aliás, Forest Whitaker está mais do que nunca parecido com o papel que lhe deu o Oscar em 2007, em “O Último Rei da Escócia”. Parece um Idi Amin de terno, para se encaixar na paisagem de Los Angeles.

O pior é que a chamada para a crítica, na página do UOL, é: “Os Reis da Rua trava diálogo com Tropa de Elite“.  Céus.

Matéria interessante no Valor de hoje:

Quando o livre mercado pede socorro
Por Cristiane Perini Lucchesi, de São Paulo

“Agora somos todos keynesianos”. A famosa frase - dita pelo monetarista Milton Friedman em 1965 à revista “Time” e pelo ex-presidente americano Richard Nixon ao acabar com o padrão ouro, em 1971 - está de volta à ordem do dia. Afinal, o livre e desregulamentado mercado dá sinais de fraqueza inconteste e tem pedido cada vez mais a ajuda do Estado. A inadimplência nas hipotecas americanas gerou uma crise de solvência entre os bancos dos países ricos que foram, pouco a pouco, socorridos pelos diversos governos.

A necessidade de ampliação dos gastos públicos para evitar uma recessão maior passou a ser defendida por personalidades tão díspares quanto o presidente americano George W. Bush, passando por seu secretário do Tesouro, Henry Paulson, pelo diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, e pelos candidatos democratas à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton e Barack Obama. Bancos centrais, governos e até mesmo instituições financeiras privadas passaram a discursar em favor de mudanças na regulamentação para o sistema financeiro e de melhorias na atuação de entidades regulatórias em todo o mundo.”

O resto abaixo do fold, para os sem-Valor.

Read the rest of this entry »

Matéria interessante na Folha, traduzida do Le Monde. Certamente um fenômeno que também afeta os brasileiros:

Os bamboccioni estão por todo lugar e em todos os meios, nas cidades e nas aldeias. Tanto no Mezzogiorno (região sul) empobrecido quanto nas ricas províncias do norte. Inicialmente, a demógrafa Rossella Palomba havia se mostrado espantada diante da seguinte constatação estatística: em 1987, 46,8% dos italianos entre 20 e 34 anos viviam na casa dos seus pais. Em 1995, a proporção era de 52,3%. Atualmente, ela é de 69,7%. “Trata-se de um crescimento fenomenal”, comenta. Em 1999, ao concluir um ano de pesquisa junto a 1.000 pais e 4.500 filhos de 24 a 34 anos, ela redigiu um relatório.

A explicação mais evidente para esta tendência é econômica. Segundo o Instituto Italiano de Estatísticas (Istat), dois terços das pessoas ativas de menos de 30 anos que vivem na casa dos seus pais ganham menos de 1.000 euros (cerca de R$ 2.700) por mês. Em primeiro lugar, os bamboccioni são as vítimas do “declínio” italiano, da precariedade do emprego e do custo dos aluguéis. Mais do que nunca, a família constitui um amortecedor social.

Contudo, a novidade do fenômeno está no fato de ele estar se produzindo nos meios abastados. Segundo Rossella Palomba, o surgimento de um número cada vez maior de “bebezões”, curiosamente pouco tem a ver com a crise econômica. Dos 4.500 filhos que foram recenseados na sua pesquisa, 80% têm um emprego de duração determinada e são corretamente remunerados. Mas eles consideram ainda assim que os seus ganhos são insuficientes: “As suas exigências estão vinculadas ao nível de vida dos seus pais”, comenta a pesquisadora. “Eles não suportam o fato de terem de rever para baixo o seu modo de vida”. A isso, deve ser acrescentada uma tradição bem italiana: “O único motivo verdadeiro e legítimo para deixar o domicílio dos pais é o fato de casar-se. Ora, a idade média do casamento foi postergada de maneira considerável na Itália: de 28 anos no final dos anos 1990, ela passou para 30 anos atualmente. Trata-se de um círculo vicioso: quanto mais eles ficam na casa da mamma, mais tarde eles se casam. E por mais tempo eles ficam” .

Isso é exato; outro dia, conversando com minha sogra, ela se espantava com o fato de que antigamente casais se formavam com 18, 19 anos de idade, ao passo que agora os filhos ficam em casa até bem além dos 20 e poucos.

Eu suspeito que a Rossela Palomba está certíssima, e este aliás é um fenômeno que eu já havia detectado, primeiro no Rio, depois em Brasília. E no caso de Brasília isso é ainda pior, porque entre os funcionários públicos concursados isto gera demandas por reajustes salariais totalmente fora da realidade _ uma vez que os demandantes muitas vezes se pautam não pelo real valor do seu trabalho, mas por suas expectativas de conseguir levar uma vida de classe média fora da casa de seus pais.

Transcrevo integralmente abaixo do fold para os sem-UOL.

Read the rest of this entry »

japanesebarcodes.jpg

…os japoneses procuram ser criativos em matéria de código de barras.

Mais aqui.

(via Reddit)

Do Slashdot:

A tiny portable projector, about the size of a pack of cards, may soon replace a ring tone as the most annoying thing on the train or bus. These technical innovations can project an image up to 50 inches in size in dark lighting, making them ideal for on-the-road business presentations. They can also be hooked up to cell phones or media devices, though, possibly introducing a whole new level of social intrusion into US culture. ‘Digital projectors were once bulky. These new models, though, are small enough to fit into the pocket of consumers who want a big-screen experience from a small-screen device. Some of the models are expected to be on the market by year-end, or sooner. Prices have yet to be announced. Matthew S. Brennesholtz, an analyst at Insight Media, a marketing research firm in Norwalk, Conn., says he thinks the projectors will initially cost about $350, then quickly drop to less than $300.‘”

Ontem, no avião, vi bem umas 3 pessoas viajando hipnotizadas pelos seus iPhones, vendo filmes.

Bem, enquanto a comunidade - dos - que - viajam - e - dão - palestras - e - gostariam - de - ter - um - mini - projetor agradece a inventividade dos desenvolvedores do gadget em questão, é bem verdade que, por outro lado, a perspectiva de ver milhares de pessoas projetanto videos do YouTube uns para os outros soa um tanto ameaçadora.

voceescolhe.jpg

David Neeleman chegou para fazer barulho.

O dono da JetBlue, que tem dupla nacionalidade (americana e brasileira), resolveu investir no Brasil criando uma nova companhia aérea. O sujeito:

a) vai comprar todos os seus aviões à Embraer _ gasto total de 1,4 bi de dólares.

b) criou um site na internet para que a população escolha o nome da nova empresa.

Golaço, hein?

Cobertura do NYT aqui. Matéria no Yahoo aqui.

theoffice.jpg

Será que resolve? 

Deu na Folha:

Caveira motivacional

Como as regras do Bope viraram tema de palestras aplicadas ao dia-a-dia de grandes empresas

MAELI PRADO
DA REVISTA DA FOLHA

“Tropa de elite, osso duro de roer, pega um, pega geral, também vai pegar você.” Os versos da trilha sonora de um dos filmes brasileiros mais vistos e comentados dos últimos tempos ecoam no pequeno auditório da sede da seguradora Unibanco AIG, em um casarão da avenida Brasil, em São Paulo. São 20h de uma quinta-feira, 28 de fevereiro, quando o “caveira 69″, Paulo Storani, 45, ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Especiais), é anunciado à platéia. Um slide com a frase “Construindo uma Tropa de Elite” esclarece o motivo do improvável encontro de mundos: um ex-policial do grupo de operações especiais da Polícia Militar do Rio e vendedores de seguro.
Sob aplausos, o palestrante entra na sala repleta e grita: “Caveira!”. Storani, que está se convertendo em estrela do segmento motivacional, recebe de volta, em uníssono, a saudação, típica dos oficiais do batalhão. Entre os 60 ouvintes, estão clientes e funcionários da quarta maior seguradora do país. Poucas mulheres, todas de tailleur e salto alto, arriscam-se no ambiente masculino.
Storani veste terno e gravata como sua platéia, mas fala e age como um líder do Bope, corporação onde trabalhou por três anos e que abandonou há dez. Depois de um rápido preâmbulo, o palestrante chega ao ponto: “Você é um operação especial ou é um convencional na sua atividade? O convencional é o invertebrado, é quem desmonta no primeiro tiro ou na primeira meta [de vendas]“.
Storani inflama a platéia com a terminologia usada pelos policiais no filme. “E quem não está satisfeito…”, provoca ele. O público reage: “Pede pra sair!”
Àquela altura, uma hora depois do início, a audiência está bem familiarizada com as lições de Storani. Seu manual evoca paralelos entre as regras do batalhão e as do mundo corporativo: naquele contexto, o jargão do Bope “missão dada é missão cumprida” ganha a conotação de “meta dada é meta cumprida”. “Vá e vença” vira “Vá e venda”. Alguns riem, um pouco constrangidos. Muitos balançam a cabeça em sinal de concordância.
Por volta das 21h30, o “grand finale”. Liderados pelo palestrante, todos gritam: “Eu sou caveira!”. As cenas presenciadas pela reportagem viraram rotina na vida de Storani. Ele começou a dar palestras motivacionais em outubro e está com a agenda lotada até maio. Nesse ramo, os cachês variam de R$ 5.000 a R$ 10 mil.
O ex-capitão do Bope já falou para funcionários de bancos, de montadoras, de indústrias das áreas têxtil e de tecnologia. Virou guru de executivos. “O conceito de superação de limites e de encarar as adversidades com naturalidade pode ser aplicado à iniciativa privada”, afirma Storani, mestrando em antropologia com dissertação sobre o Bope. Ele ainda concilia a agenda de palestrante com o cargo de secretário de Segurança Pública de São Gonçalo, município do Rio de Janeiro.

Storani…pede pra sair, cara.

O restante da matéria abaixo do fold, para os sem-UOL.

Read the rest of this entry »

Deu no, entre todos os lugares, Financial Times:

China’s champions: Why state ownership is no longer proving a dead hand

What we are witnessing, in other words, is an experiment in capitalism that could challenge much of the conventional wisdom about state ownership. Plenty of countries have strong state-owned companies in semi-monopolies such as telecommunications or heavily regulated sectors such as energy and mining. Yet China is trying to create a series of leading public companies in industries exposed to cut-throat competition, where technology, design and marketing are crucial features – just the sort in which state-owned companies have typically suffered at the hands of private rivals.

At a time of growing discussion about whether there is a genuine “China model” for economic development that involves a much bigger role for the state, the fate of China’s public companies could help change the terms of the debate.

anpac.jpg

Navegar na Internet é coisa para corações fortes.

Eis que achei, por acaso, o site da ANPAC - a Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos.

Diz o anúncio da carteirinha que a ANPAC “continua firme na sua política de fortalecer o setor no país“. Ou seja, os concursos públicos geraram uma indústria que se candidata a ser “um setor” da economia do país, como qualquer outro. Provavelmente daqui a pouco vão pedir uma linha de financiamento no BNDES, como sói acontecer a “setores” da economia. Aliás, não por acaso, seus associados são em sua grande maioria cursinhos para concursos.

A ANPAC tem um estatuto que contém, além daquelas coisas todas que estatutos costumam conter, os objetivos da ANPAC:

Art. 3º

A Associação tem por objetivo:
a - coordenar e divulgar projetos de interesse dos concursos públicos e privados em todo o território nacional, podendo firmar convênios e promover publicações;

b - defender maior moralidade, transparência e ampla acessibilidade nos concursos públicos e privados;

c - propor regulamentação legal específica para os concursos públicos e fomentar a prática de concursos na iniciativa privada;

d - promover a divulgação dos concursos públicos em todo o território nacional;

e - propugnar pela participação da entidade na elaboração dos editais dos concursos;

f - zelar pela adequação dos processos seletivos aos princípios constitucionais e éticos;

g - prestar consultoria às bancas examinadoras, fornecendo selo de garantia ao processo seletivo;

h - prestar assistência jurídica em ações coletivas e individuais, visando à legalidade e o interesse dos concursandos nas flagrantes desigualdades de tratamento, de critérios e de pré-requisitos restritivos;

i - proporcionar ou facilitar o acesso às informações sobre concursos públicos;

j - constituir-se em foro de discussão de assuntos relativos às questões de concursos públicos e privados;

k - propor a formação de banco de dados em relação a salas, fornecedores e outros serviços afins aos associados;

l - estabelecer convênios com instituições públicas ou privadas, nacionais ou estrangeiras, para a consecução de seus objetivos.

OK, ok, não vamos exagerar na crítica: alguns desses objetivos são bastante defensáveis, como a exigência de ampla publicidade, transparência, etc. Mas algumas delas _ principalmente as que grafei em vermelho _ são bastante curiosas.

***

E depois, não é “Fulanda de Tal“, é “Fulana de Tal“, raios.

***

Falando nessas coisas, parece que a “cadeia produtiva” do setor só faz aumentar.

Deu no Estadão:

Vaticano divulga lista de novos pecados capitais

Manipulação genética e uso de drogas foram alguns dos incluídos na nova lista

ROMA - A manipulação genética,