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Fiel ao seu paradigma da ação comunicativa como catalisador do potencial emancipatório da razão das candongas, Jurgen Habermas, que vai fazer oitentinha agora em junho, já tem Twitter.

Em uma interessante reviravolta,  Scott McLemee do Crooked Timber mostra que a narrativa de Pat Robertson, ainda que violentada por um ponto de vista profundamente anaeróbico, contém um grão de verdade.

Relendo “The Black Jacobins: Toussaint L’Ouverture and the San Domingo Revolution” de C.L.R. James, um livro escrito em 1938, Scott mostra que os escravos organizaram a revolta contra os franceses sob o disfarce de rituais religiosos de Vodu, mais ou menos da mesma forma que os escravos brasileiros faziam:

Voodoo was the medium of the conspiracy. In spite of all prohibitions, the slaves travelled miles to sing and dance and practice the rites and talk; and now, since the revolution [in France], to hear the political news and make their plans. Boukman, a Papaloi or High Priest, a gigantic Negro, was the leader. He was the headman of a plantation and followed the political situation both among the whites and among the Mulattoes. (…)

Carrying torches to light their way, the leaders of the revolt met in an open space in the thick forests of the Morne Rouge, a mountainside overlooking Le Cap. There Boukman gave the last instructions and, after Voodoo incantations and the sucking of the blood of a stuck pig, he stimulated his followers by a prayer spoken in creole which, like so much spoken on such occasions, has remained. “The god who created the sun which gives us light, who rouses the waves and rules the storm, though hidden in the clouds, he watches us. He sees all that the white man does. The god of the white man inspires him with crime, but our god calls upon us to do good works. Our god who is good to us orders us to revenge our wrongs. He will direct our arms and aid us. Throw away the symbol of the god of the whites who has so often caused us to weep, and listen to the voice of liberty, which speaks in the hearts of us all.” The symbol of the god of the whites was the cross which, as good Catholics, they wore around their necks.” [grifo meu]

Como lembra Scott, o deus dos escravos não era, é claro, o Diabo, já que eles não comungavam da crença cristã.  Não que isso interesse a Pat Robertson, porém.

O Martin Rundkvist do Aardvarchaelogy (um dos Science Blogs) dá um lembrete interessante sobre Avatar:

It is of course wish fulfillment for the guilt-ridden modern urbanite — that Mother Nature is a real thinking being and able to protect herself. Alas, she is not. Or should I say — lucky for us brainy chimps, she is not, because then she would have snuffed us way back in the pre-pottery Neolithic.

We’re not up against a formidable opponent. We can’t even console ourselves with the feeling of being up against a half-competent adversary. We’re alone with our guilt at fucking over ecosystems that are completely incapable of opposing us or adapting to us. We’re holding the axe and all the tree can do is rustle its leaves. Wouldn’t it be great if we weren’t responsible for the environment?

Pois é.

“To Each His Own”

E já que o Mark Bryan tá fazendo o maior sucesso, acho que este aqui “diz volumes” sobre as visões de direita e esquerda sobre a sociedade.

“Homeland”

Quem não conhece a arte de Mark Bryan, aqui.

Tá rolando um debate interessantíssimo lá no Paraíba sobre Kindle vs Livros em papel. Dei meu pitaco no segundo post; há um primeiro post que introduziu a querela.  O pitaco é este abaixo, vão lá para ler o post e a thread:

Meu pitaco:

Achei interessante a discussão sobre o “elitismo” dos livros. Desta feita, embora o Kenji seja um “contrarian” incorrigível, penso que ele está certo.

Claro, Galvão está correto quando fala do preço do livro, principalmente quando se trata de um livro que você pode comprar em um sebo. Mas o custo total de propriedade, para quem realmente precisa ter uma grande biblioteca, cabalmente pesa muito mais, e vai para o lado do “esporte de elite”, de fato. Tipo: se você tem filhos, ter um aposento de sua casa/apartamento inteiramente dedicado aos livros é um luxo (é claro que o caso de um Mindlin é totalmente elitizado, mas não é disso que estou falando).

Francamente acho que essa será uma discussão resolvida pelo mercado em pouco tempo _ quem sabe no próximo dia 23, quando a Apple lançará, tudo indica, seu reader. Já vi protótipos dobráveis por aí, também, onde a tela é uma folha flexível. Acho esse um produto imbatível.

A possibilidade de perdas apontada pelo Galvão é um problema, mas pensem bem: dá pra ter, a baixíssimo custo, um monte de cópias salvas de sua biblioteca, no desktop, no laptop, no pendrive, no CD, no micro do trabalho, se bobear até na memória da máquina fotográfica. Da biblioteca de papel _ sempre exposta às intempéries, aos cupins, aos incêndios, às crianças, às mãos cobiçosas dos amigos _ não se pode dizer o mesmo.

A estabilidade do padrão também é um problema, mas eu acredito realmente que nesse caso emergirá um padrão estável. Aliás, não é nada, não é nada, o PDF taí há 16 anos. O avanço dos formatos diz respeito, em grande medida, às possibilidades de compressão incrementada devido a novos algoritmos ou maior capacidade de processamento. Só que esse é um drive mais importante para mídias de grande extensão como som e imagem. Texto já virou brincadeira de criança, dadas as capacidades de qualquer dispositivo de memória digno desse nome hoje em dia. É por isso que acho que já não há mais grande pressão para que emerjam novos formatos para texto. E as razões mercadológicas, a competição dará conta. Vejam que até a Amazon teve que abrir as perninhas e permitir que o Kindle 2 leia PDF; daqui pra frente, a competição vai aumentar mais ainda (pode ser que a Apple tente de novo suas gracinhas com um formato fechado e um Apple Bookstore, mas eu francamente não acredito).

Matéria do Valor fala do crescimento do faturamento nas livrarias brasileiras em 2009, que foi expressivo _ entre 10% e 20% para as várias redes.    Mas isto me chamou a atenção:

Os livros infantis foram o que puxaram as vendas das livrarias no ano passado, segundo pesquisa da ANL. Chama atenção nesse levantamento da entidade, o fraco desempenho das publicações de autoajuda. Em um ranking com oito posições dos segmentos literários que mais cresceram, em número de exemplares em 2009, os livros de autoajuda, que por muitos anos eram as vedetes do setor, amargaram a sexta posição. “Acho que as pessoas cansaram da fórmula. Ao ler o terceiro livro, as pessoas percebem que é sempre a mesma coisa”, disse Benclowicz.”  [grifo meu]

Pode ser uma leitura excessivamente benévola do que está acontecendo, mas acho uma boa coisa quando as pessoas param se preocupar com besteiras e começam a cuidar melhor das futuras gerações.

(clique para ampliaaaaaaaaar)

O Daily Mail proclama: é chegada a hora das modelos cheinhas!

Sempre achei que algo assim seria natural em um mundo onde afinal a obesidade assume proporções epidêmicas.

Sujeitinho porreta, apesar do bigode

Tenho alguns livros de coletâneas de contos, gênero do qual gosto muito.  Leio-os às vezes vários de uma vez só, às vezes um ou outro, homeopaticamente.

Hoje, li um pequeno conto (“O Amigo dos Espelhos”) constante do volume “Contos de Horror do Séc. XIX“, de autoria de Georges Rodenbach _ o cavalheiro pimpão cuja hirsuta imagem encima este post.

[tem duas obras dele no Projeto Gutemberg]

Lá embaixo do folder, coloquei as linhas iniciais do conto (que encontrei neste blog).

Concordo com o autor do blog linkado em que o conto, de horror, não tem lá muita coisa (talvez para jovens damas por demais sensíveis do século XIX).  Mas o conto contém algumas pérolas que parecem ecoar preocupações da era moderna, em contexto completamente diferente.

A história é simples: um jovem, rico e ocioso, é tomado por desespero ao verificar que sua imagem, nos espelhos das vitrines parisienses, parece cada vez mais pálido e debilitado.  Raciocina ele que a então recente profusão de espelhos e superfícies reflexivas pela cidade afora estivessem roubando suas cores e sua saúde.

Um caridoso amigo lembra ao protagonista que estes espelhos de loja em geral são de má qualidade, e era por isso que refletiam sua imagem de modo imperfeito, doentio.

Apesar de concordar com isso, o protagonista embarca em outra viagem: começa a colecionar espelhos de boa qualidade, ricos espelhos que o refletem com total fidedignidade.

E é aqui que as coisas começam a ficar interessantes, IMHO.  O protagonista começa a agir estranhamente a partir do momento em que aparelha sua casa com espelhos; em particular, assume um comportamento ascético.  O supracitado amigo caridoso lembra ao protagonista que ele sempre foi um namorador, e que as mulheres estão do lado de fora de sua casa _ ao que o espelhófilo retruca:

Cada um é como uma rua…esses espelhos todos se comunicam feito ruas…É uma grande cidade luminosa.  E nela ainda corro atrás de mulheres, entende?, mulheres que se olharam nos espelhos, que permanecem neles para sempre…(…) Sigo as mulheres, sem dúvida…Mas elas andam rápido, não se deixam abordar, me despistam de espelho em espelho, como de rua em rua.  E eu as perco.  E de vez em quando as abordo.  E tenho encontros lá dentro...”

Narrando a progressão da perturbação mental que afligia o protagonista, o amigo caridoso descreve:

…E por causa de tantos espelhos, justapostos, uns em frente aos outros, a silhueta do solitário se multiplicou ao infinito, ricocheteou em toda parte, engendrou continuamente um novo sósia, cresceu na proporção de uma multidão incalculável, ainda mais perturbadora porque todos pareciam gêmeos copiados do primeiro, que permanecia isolado e seperado deles por um vazio desconhecido…

Em sua última conversa com o amigo, o protagonista despeja:

Veja! Não estou mais só.  Eu vivia muito só.  Os amigos são tão estranhos, tão diferentes de nós!  Agora, vivo com uma multidão…em que todos se parecem comigo.”

Resumindo a história, o protagonista é internado em um sanatório, onde permitem que ele leve apenas um espelho, ao qual ele fica cada vez mais apegado.  Até que um dia é encontrado morto, com o crânio partido, na tentativa de entrar no espelho.

Eu sei que muita gente boa diz que o arquétipo da internet no século XIX era o telégrafo.  E com certeza o telégrafo, tecnologicamente, foi A rede daquela quadra.

Mas esse cara aí captou como ninguém o futuro _ o mundo das redes sociais e do narcisismo eletrônico.  E o pior, apenas olhando no espelho.

Leia o resto deste post »

O magritteano poster norte-americano

Ontem à noite revi “Muito Além do Jardim“.

Foi a primeira vez que revi o filme, que assisti quando estreou no Brasil, possivelmente em 1979 (esse é o ano da produção, como naquele tempo acho que os filmes não tinham estréias mundiais simultâneas como hoje, pode ter sido em 1980).

A primeira coisa que me chamou a atenção é a mudança no tempo cinematográfico.  Os filmes de hoje em dia _ e não falo dos blockbusters apenas _ são muitíssimo mais rápidos, quase frenéticos em relação ao MAJ.   E isso mesmo levando em conta que o diretor do filme, Hal Ashby, era um expoente do movimento chamado New Hollywood, que namorava com o que chamaríamos de cena indie de hoje em dia.

Também, em minha memória “inventada”, as situações em que Chance se mete e que vão progressivamente fazendo dele uma potência da Beltway me pareciam mais críveis, em retrospecto.  Mas ainda assim o filme continua a ser um interessante experimento dos pressupostos entre mensagem e receptor, entre o que se diz e o que se entende.

No entanto, a grande controvérsia sobre o filme diz mesmo respeito ao seu final, em que Chance sai andando sem rumo do funeral de Ben Rand, termina às margens de um lago e simplesmente anda sobre ele:

(a partir dos 3m34s)

Li algumas “interpretações” da cena, mas me pareceu que a melhor mesmo é essa que aliás vem de alguém que conheceu Hal Ashby, o diretor _ e se trata de uma história deliciosa:

How the “Walking on Water” Shot in Being There Actually Got Made

by Michael Dare

The script for Being There ends as both Peter Sellers and Shirley MacLaine take walks in the wood. They run into each other. She says “I was looking for you, Chance.” He says “I was looking for you too.” They take hands and walk off together.

But near the end of production, somebody went up to Hal and said “How’s it going?”

“Great,” Hal said. “Sellers has created this character that’s so amazing, I could have him walk on water and people would believe it.” Hal stopped and thought. “As a matter of fact, I will have him walk on water.”

Hal was out on location, miles from Hollywood. The last thing on earth he needed was to contact the home office to discuss the idea of Chance walking on water. It’s an idea that wouldn’t pitch or read well. If it had been in the script, there would have been endless arguments over what this Jesus allegory was doing in the picture. Only if you’ve actually seen the film do you realize that it’s not a Jesus allegory at all. Chance can walk on water because nobody ever told him he couldn’t, not because he’s the resurrection of Christ.

Hal knew he could make it work, just as he knew that there was no way in hell the studio would approve of more money for such a controversial shot that wasn’t even in the script. He decided to do it anyway.

First, he called Robert Downey, who had a scene in Greaser’s Palace where the main character walked on water. Hal knew that Downey didn’t have a lot of money, so he asked for advice on how to do it. Downey told him it was simple. Just go to an airport, get a certain kind of platform, and place it in the water. Hal followed Downey’s advise and got the shot for less than $10,000.

Second, he had to deal with keeping the shot a secret. There was this one, very well dressed kid around the set who was officially called a PA, but whom Hal suspected of being the studio spy. Hal called him into his office and read him the riot act.

“I’m going to ask you to make a decision right now that’s going to affect the rest of your life,” he told the kid. “I’m going to ask you to decided whose side you’re on. I know you’ve been watching me because you want to learn how to make movies. I also know you’re watching me to make reports to the studio behind my back. I’m about to change the end of this movie because I’ve come up with a better one. The studio can’t know about it or they’ll shut me down. This is it, kid. Decide. Are you on the side of art or commerce?”

The kid kept his mouth shut. The shot got made. The studio was pissed but they used the shot anyway. Hal didn’t give them a choice. He didn’t even shoot the ending in the script.” [grifo meu]

***

Se alguém aí estiver disposto a ver o filme, sugiro que leia depois esse excelente review de Roger Ebert (com cujo parágrafo final não concordo), para quem “Being There” é um dos grandes filmes de todos os tempos.  No que eu o sigo, embora possivelmente uma parte ponderável dessa impressão se deva ao “twist” aplicado por Ashby no final do filme na última hora, e que o impregna com um senso surrealista que lhe cai muito bem.

Na Wikipedia diz que Françoise Forton nasceu em Brasília em 1957.  Acuma??

(daqui)

Deu no site da Território Eldorado:

Abba é a banda eleita para voltar aos palcos, segundo ingleses

Em segundo lugar ficou o Police e em terceiro vem o Pink Floyd e Smiths, empatados

Por Luciano Borborema

O “título” é resultado de uma pesquisa feita pelo ‘PRS For Music’; organização que recebe royalties em nome de compositores e escritores e de acordo com ela, os ingleses gostariam de ver a banda sueca Abba reunida em mais uma apresentação ao vivo.

De acordo com a organização um quarto das 1.500 pessoas entrevistadas é a favor de um reencontro no palco do Abba; fato que aconteceu há mais de 27 anos, em 1982. Em segundo lugar ficou o Police, seguido do Pink Floyd e The Smiths, empatados na terceira posição.

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Sinal dos tempos.

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Da Wikipedia:

Em 2000 o grupo recebeu uma proposta de um bilhão de dólares para reunir-se novamente. Björn em uma entrevista declarou que eles não voltariam nem que o valor fosse dobrado. Ele acha que os fãs ficariam decepcionados com uma volta do ABBA. Diz que “Nós amadurecemos, temos vidas diferentes e tornamo-nos grandes amigos”

Acho que ele está certo.

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Sobre o Abba, mais aqui, com direito a filme de mulherzinha.  :)

Em um interessante livrinho chamado “Bowling Alone“, o sociólogo Robert Putnam usa uma extensa massa de dados para refletir sobre a diminuição do “capital social” nos EUA.  Esse esgarçamento do capital social teria consequencias em termos de redução do engajamento cívico, sendo, em última análise, um problema para a democracia.

As conclusões de Putnam foram alvo de críticas, é claro.  Uma delas, a de que de fato o “capital social” não estaria de fato se reduzindo, mas migrando para novas formas de socialização.   O que de fato se tornou patente anos depois (o livro do Putnan é de 1995), com a disseminação de coisas como o Orkut, o Facebook e o Twitter (embora redes como The Well e Geocities já existissem há algum tempo antes da publicação do livro).

O problema é: quem disse que as redes sociais agem sempre no sentido de aumentar o engajamento cívico?

Matéria do Correio Braziliense, em novembro deste ano, mostra que os jovens do Distrito Federal estão usando o Twitter para “mapear” os pontos de blitz da polícia e alertar uns aos outros para evitarem esses pontos, agindo, assim, contra os objetivos da Lei Seca:

(clique para ampliar)

Encorajo os leitores a irem lá ler os comentários que foram feitos à matéria.  A começar pelos feitos por uma das moças que apareceu na matéria, Marília Vieira:

Eu concedi a entrevista pro Correio. Essas pessoas que não tem VIDA SOCIAL são tão dramáticas. Ninguém ta falando de sair dirigindo embriagado, estamos falando do nosso direito de ir e vir, da nossa cultura. Que mal tem tomar uma cerveja e dirigir com responsabilidade? (continua)

O governo quer enriquecer as nossas custas, isso sim! Pq colocar policiais nas ruas prendendo bandidos de verdade, estrupadores, eles não tem essa animação toda! (continua)

Se é pra generaliar, se vocês acham que “todos nós que bebemos” somos irresponsáveis, então não podemos permitir igrejas estuprando nossas crianças ou tomando nosso dinheiro! Tem muita coisa pior acontecendo, deixe pelo menos a gente se divertir um pouco, tomando nossa cerveja com responsabilidade!

Porque esse drama todo?? Vcs são exagerados demais, é até engraçado! Essa lei vai ter que mudar, não podemos permitir a proibição! Vamos colocar a policia pra correr atrás de bandido! Pq bandido tbm mata os parentes de vcs, lá no hospital tem muita gente vitima de coisa pior, como de gente drogada!

OK: ela foi entrevistada da matéria e deve ter-se sentido no dever de justificar sua pose.  Mas o que dizer das inúmeras mensagens de apoio?

Autor: Evandro Costa

A lei seca foi feita só para inglês ver,só funciona em Brasília e no Rio de Janeiro,porque no restante do Brasil ….estar só no papel e aquela hein que obriga motociclista a andar de capacete,também só em Brasília,porque no restante do Brasil… e lembra da faixa de pedestre,háháhá, esta só em BsB.

Se este twitter vier a ganhar mais adeptos por dia, estas blitzes com certeza ficarão ineficaz, mesmo que os policiais e agentes de trânsitos mude a cada minuto de lugar.

Autor: Mario Prandi

Que drama cruel eim kkkkkkkk Então pra ser professora tem que ser velha, gorda, ignorante,descriminar as pessoas que bebem com responsabilidade(igualndo -os a imbecis que não mereciam nem dirigir) e apoiar imposições autocraticas inconstitucionais. Vixi,que drama

Nem falo mais nada pra não dar ideia pra esses radicaizinhos sem vida social (como disseram), ficam querendo levantar cachorro morto se é que esse cão viveu um dia

Não entendi essa de gerar discussões?? O povo já deixou bem claro o que pensa a respeito desse toque de recolher disfarçado, enquanto houver democracia essa imposição nunca será lei tão menos constitucional, só fazendo como os militares fizeram em 1964 mesmo, policia contra cidadão de bem

Continuando,independente disso ficou provado que radicaizinhos não conseguiram passar por do legislativo, e atropelar todo um sistema democratico e enfiar uma lei guela abaixo da população dia seguinte, porque conseguiram comprar a assinatura do presidente, mas n vou entrar nessa parte mais polemica.

***

Não vou dar uma de virtuoso, ou hipócrita.  Já dirigi depois de ter bebido (moderadamente, mas bebi _ nunca dirigi bêbado, nem antes nem depois da Lei Seca).  Mas na maior parte das vezes venho tentando obedecer a lei, principalmente quando saio com a Sra. Hermenauta (ou ela bebe e eu dirijo, ou vice-versa).   E o que importa aqui é que eu acho que a Lei é eficaz _ e as estatísticas mostram isso.

***

Claro que o caso da Lei Seca é um pouco irônico considerando o que estamos discutindo aqui, já que é possível imaginar que, sem poder beber, as pessoas saiam menos e se encontrem menos.  Mas isso é uma questão de mudança cultural, já que elas sempre podem sair sem beber _ ou ficar em casa usando o Twitter.  :)

 

 

Alguém já tinha ouvido falar nisso?

While not all students of governmental dis-information agree as to the importance of (what are obviously fictional) dime store novels as propaganda. And no doubt some would even argue that they played no role in the reefer madness campaign. But this author for one feels that they played a much greater role than is generally attributed to them.

However, we would be fooling ourselves if we thought the evil hand of the drug police was everywhere. Unlike magazine editors, no evidence exists of government coercion of any pulp fiction writers or their publishers. But as these covers show, none was needed, many a publisher was in it solely for the money. And soon they had writers jumping over each other to see who could write the most outrageous story lines. As for the true, it was boring and probably wouldn’t have sold anyway. Reefer Madness simply made for more fun and money. Where else could one get a story that read:

“A cheap and evil girl sets a hopped-up killer against a city.” – “Marihuana turns weak King Turner into a deadly weapon, a conscienceless killer with no more human feeling than a hooded cobra or a mad dog.”

For Pulp Fiction novels, the Reefer Madness era started around 1935 and lasted until the early 1960’s, at which point the naively long ago had stopped. This is why “Marijuana Girl” by DeMexico, (1969) despite its great byline, –“She traded her body for drugs and kicks,” is not included in this index. Let’s face it, by 1969, no one was that naïve, therefore the novel fell into the world of pure exploitation, and not Reefer Madness.

To simplify matters, maybe it would best to sub-categorize these Novels as two types, OVERT and OBTUSE.:

OVERT beign where both the Cover are as well as the plot of the story, both revolve around the weed of madness — Such novels as “Marihuana” by William Irish, with its sleazy (good girl art) cover and plot obviously falls into this category.

And OBTUSE, (the one in which by far most novels fall into) being the ones where marihuana itself has little to do with the novels plot, but when mentioned is always done so in the negative. [hypothetical example]

“Sleazed-bag Johnny, was slithering his way back down the dark streets toward his den of iniquity, when to his right he spotted, Jimmy-the-fink. Hey, he thought to himself, Jimmy always sells good medical marihuana cigarettes—–just what he needed before committing some heinous crime. “Hey, Jimmy, do you have some good smokes for me” he asked? etc.“”

deutschlanduberalles

 

E, se você acha que a Lei de Godwin é algo desnecessário, leia isto:

In the light of my present knowledge, it was a juvenile opinion to consider the sans serif as the most suitable or even the most contemporary typeface. A typeface has first to be legible, nay, readable, and a sans serif is certainly not the most legible typeface when set in quantity, let alone readable … Good typography has to be perfectly legible and, as such, the result of intelligent planning … The classical typefaces such as Garamond, Janson, Baskerville, and Bell are undoubtedly the most legible. In time, typographical matters, in my eyes, took on a very different aspect, and to my astonishment I detected most shocking parallels between the teachings of Die neue Typographie and National Socialism and fascism. Obvious similarities consist in the ruthless restriction of typefaces, a parallel to Goebbel’s infamous Gleichschaltung (enforced political conformity) and the more or less militaristic arrangement of lines.”

Daqui.  Mais aqui.  Muito mais aqui. Uma generosa história aqui, com direito a uma citação do Fuhrer lui-meme:

Your alleged gothic internalisation does not fit well in this age of steel and iron, glass and concrete, of womanly beauty and manly strength, of head raised high and intention defiant… In a hundred years, our language will be the European language. The nations of the east, the north and the west will, to communicate with us, learn our language. The prerequisite for this: The script called Gothic is replaced by the script we have called Latin so far…

caricatura_selecao2002

O pornô persevera em sua busca pelo status de um trabalho normal como qualquer outro.  Deu no UOL:

Produtora fará filme pornô com ex-jogador da Seleção Brasileira de futebol

O nome não foi divulgado, mas a produtora brasileira de filmes pornô, Sexxxy World, anunciou que pretende ter um ex-jogador da Seleção Brasileira de futebol como estrela de sua próxima produção, ao lado das gêmeas Bianca e Beatriz.

A produtora revelou apenas que se trata de um atleta que participou da Copa de 2002, no Japão e na Coreia do Sul, e não está mais em atividade. Quando o Brasil ganhou o pentacampeonato do mundo, o time era formado por Marcos, Dida, Rogério Ceni, Cafu, Gilberto Silva, Kléberson, Belletti, Roberto Carlos, Júnior, Luizão, Edílson, Anderson Polga, Lúcio, Edmilson, Ricardinho, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Denílson, Juninho Paulista, Kaká e Ronaldo, sob o comando de Luiz Felipe Scolari.

A previsão de lançamento do filme, que deve se chamar Entrando com Bola e Tudo, é fevereiro ou março de 2010, ano da Copa do Mundo na África do Sul.”

Kaká seria uma surpresa e tanto.  Talvez a melhor maneira de descobrir o peralta seja conferir a conta bancária de cada um dos nomes aí em cima, mas eu acho que o novo ator vai ser o Cafu (quanto mais não seja pela sonoridade do nome), se não for o próprio Scolari (tudo bem que ele não jogou em 2002, mas raios, ele está treinando um time no Uzbequistão…além disso ele é devoto de Nossa Senhora do Caravaggio, o que deve querer dizer alguma coisa).

É automático: você entra em qualquer lugar modernette, e os antenados e antenadas estão inevitavelmente lá, mostrando uns aos outros as telas de seus iPhones.  Eu achava que era o único que me incomodava com isso.  Ledo engano:

I admit it: I’m a bigot. A hopeless bigot at that: I know my particular prejudice is absurd, but I just can’t control it. It’s Apple. I don’t like Apple products. And the better-designed and more ubiquitous they become, the more I dislike them. I blame the customers. Awful people. Awful. Stop showing me your iPhone. Stop stroking your Macbook. Stop telling me to get one.

Embora eu não ache que empregados da Microsoft, em especial os mais entusiastas, concordarão com isto:

I know Windows is awful. Everyone knows Windows is awful. Windows is like the faint smell of piss in a subway: it’s there, and there’s nothing you can do about it. It’s grim, it’s slow, everything’s badly designed and nothing works properly: using Windows is like living in a communist bloc nation circa 1981. And I wouldn’t change it for the world, because I’m an abject bloody idiot and I hate myself, and this is what I deserve: to be sentenced to Windows for life.”

Se alguém aí já visitou o Mercado Modelo em Salvador, sabe que no subsolo do prédio existe uma ampla galeria com um espelho d´água.  Em reforma recente, acrescentaram pisos de concreto.  O interesse histórico ali, dizem, é que antigamente aquele era o local onde se comercializavam escravos, vindos diretamente da África e aportados ali por canoas vindas dos navios negreiros ancorados na Baía de Todos os Santos (*).

Alguma boa alma, preocupada com a saúde e bem estar dos turistas, afixou sobre o espelho d´água o seguinte cartaz:

watercare

A intenção é boa, mas periga de acontecer o contrário, e algum gringo ou gringa se jogar ali buscando um benfazejo e estimulante “water care” para a pele..ou então achar que se trata de um sistema primitivo de preservação da água.

Cortesia da Prefeitura de Salvador, que, dizem, mantém o prédio…

***

Mais à frente, já no Pelô, havia uma carrocinha vendendo côco gelado, ou no dialeto do inglês falado em Salvador, “Coconut Ice”.

(*) Encontrei tanto a versão de que o prédio foi construído em 1861 para abrigar a Alfândega da cidade, quanto a de que teria sido inaugurado em 1912.  Claro que só uma das versões abrigaria a história dos escravos.  Uma história ainda mais confusa pode ser encontrada aqui. Ou aqui.  O site da Receita Federal, porém, esclarece tudo: existiu um Mercado Modelo construído em 1912 que foi destruído, passando então a abrigar-se no prédio da Alfândega, este sim construído entre 1849 e 1861.  Agora, se a história dos escravos é verdadeira, não sei.  O site da Secretaria de Turismo de Salvadordiz apenas que durante as reformas em 1983 descobriram o subsolo, que era usado para guardar vinhos, classificando como “lenda” a história dos escravos.

free-will

O Nicholas Carr tem um interessante post discutindo uma entrevista de Frank Schirrmacher (editor de ciência e cultura do Frankfurter Allgemeine Zeitung) no The Edge.  Entre as várias respostas à entrevista, surge um texto (da autoria de John Bargh, chefe do Automaticity in Cognition, Motivation and Evaluation Lab de Yale) que me lembra uma discussão interessante que já tivemos aqui:

Schirrmacher is quite right to worry about the consequences of a universally available digitized knowledge base, especially if it concerns predicting what people will do. And most especially if artificial intelligence agents can begin to search and put together the burgeoning data base about what situation (or prime) X will cause a person to do. The discovery of the pervasiveness of situational priming influences for all of the higher mental processes in humans does say something fundamentally new about human nature (for example, how tightly tied and responsive is our functioning to our particular physical and social surroundings). It removes consciousness or free will as the bottleneck that exclusively generates choices and behavioral impulses, replacing it with the physical and social world itself as the source of these impulses. …

It is because priming studies are so relatively easy to perform that this method has opened up research on the prediction and control of human judgment and behavior, ‘democratized’ it, basically, because studies can be done much more quickly and efficiently, and done well even by relatively untrained undergraduate and graduate students. This has indeed produced (and is still producing) an explosion of knowledge of the IF-THEN contingencies of human responses to the physical and social environment. And so I do worry with Schirrmacher on this score, because we [are] so rapidly building a database or atlas of unconscious influences and effects that could well be exploited by ever-faster computing devices, as the knowledge is accumulating at an exponential rate. …

More frightening to me still is Schirrmacher’s postulated intelligent artificial agents who can, as in the Google Books example, search and access this knowledge base so quickly, and then integrate it to be used in real-time applications to manipulate the target individual to think or feel or behave in ways that suit the agent’s (or its owner’s) agenda of purposes.

Mais gente do que você imagina acredita nisso.  Bem, a conclusão do Carr é frightening:

The Web has been called a “database of intentions.” The bigger that database grows, and the more deeply it is mined, the more difficult it may become to discern whether those intentions are our own or ones that have been implanted in us.”

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Na Teletime, entrevista com Evan Williams, CEO do Twitter.  Trecho:

TELETIME – Vocês são muito populares no Brasil. Não temem que aconteça com o Twitter o que aconteceu com o Orkut e que uma invasão de brasileiros prejudique a estratégia global de vocês?

Evan Williams – Não olhamos isso de maneira negativa e os brasileiros são bem-vindos. Estamos crescendo muito lá e isso nos deixa felizes. O Orkut tem muitos brasileiros e isso não é necessariamente ruim.

TELETIME – Mas o Orkut não é forte em outros países como outras redes sociais.

Evan Williams – Mas isso definitivamente não é culpa dos brasileiros. O Twitter, de qualquer maneira, é mais balanceado. Fazer sucesso no Brasil não significa ser mal sucedido em outros países.”

***

Sim, essa história já circulou demais (a braziliniazação do Orkut).  Achei uma lista no Search Journal tentando explicar o fenômeno (sim, sim, esse assunto também já é meio velho):

“1. Brazilians are incredibly community oriented and refer to groups as Tribalistas, or tribos. People tend to associate with these groups in everyday conversation and continuously refer to how they are Heavy Metal fans, Evangelical Christians, Sambistas, Macumberos, PT supporters, or whether they prefer Skol to Kaiser.

Social Networking caught on really quick in Brazil because of this relevance to everyday life. There is definitely more of a coolness factor to social networking in Brazil.

2. Orkut is very easy to pronounce in Portuguese. Try telling someone from Brazil to go to Friendster.com or MySpace. The names of those sites are lost in translation. When someone pronounces “Orkut” in Portuguese (especially Brazilian Portuguese with the heavy incluence on the “ch” T sound), they can easily spell it, visualize the word and remember it next time they get infront of the computer.

3. Orkut sounds like Yakult or “iogurte” (yogurt). Yakult is the Brazilian version of the popular Japanese Yakult yogurt drink. Everyone drinks it in Brazil when they’re kids. There is a totally unintentional instant association between the words Orkut, Iogurte and Yakut in Brazil.

4. Brazilians with constant Internet access are on the upper echelon of “differencia social.” Although Brazilians are some of the most outgoing people I’ve ever met, they are quite cautious when meeting others and inviting them into their circle of friends.

By using a service like Orkut, users can prequalify the new friends they make by judging their ability to access the Internet, write and read correctly, and see which friends they share.

5. The fact that Orkut is now associated with Brazil has added flame to the popularity fire. This is a country which is quite proud of their culture, economic position in South America, and World Domination of Soccer (futbol). Now, they are proud to have Orkut as their own.

6. Mobility – Many young professionals or just younger Brazilians in general have moved from Sao Paulo to Curitiba, Floripa and other bustling southern Brazilian towns (not to mention Miami, New York, Washington DC, Italy, Spain, and Japan). Social Networking is a way to keep in touch with groups of friends much easier than mass emails.

7. A large number of Brazilians access the Internet from Internet Cafes and online gaming cafes. Orkut has grown in popularity due to this mobility factor. One can access their accounts from anywhere.

8. I’ve noticed with some Brazilians, especially women, there is a lot of competitiveness when it comes to attracting attention (this could be universal of course). The awards, fan citations and friendship offerings in Orkut just fuel this tendency. It’s also cool to have Orkut ‘friends’ from Europe, the US, and Japan on your profile.

9. Again, Yakut and pronunciation. When I told the people at Google about the pronunciation factor they seemed amazed. Google is beginning to enjoy the same compatibilty with the Portuguese language. Not to say Yahoo does not, and Hotmail certainly does, but the Google hip factor has made “goo-gly” a new part of the Brazilian Portuguese language and its association with Orkut is beginning to lead to Google and GMail converts.

10. Orkut’s color scheme is the same as the Brazilian World Cup team’s away jerseys (or is it home? the BLUE ones). This is going out on a limb however, since the color is also similar to Argentina’s flag and uniform colors.

11. Lack of advertising. Most Brazilians I know are sick of advertising. Outdoor billboards, political radio infomercials, ads painted on walls, cars driving around with loud speakers on top, people selling water or Silvio Santos Tele Sena lotto tickets clapping their hands at the gate outside of the house – referred to as Poluicao Visual. Orkut has no advertising, yet :)”

Pessoalmente, acho que as melhores explicações são a 2, a 5 e a 8 .  A 8, porém, não é específica do Orkut _ poderia estar ocorrendo também no Facebook ou no MySpace (atenuante: o Facebook é mais cioso da privacidade que o Orkut, ou pelo menos que o Orkut quando ele se tornou popular no Brasil; o MySpace eu realmente não sei).

Mas a questão que queria colocar aqui é:  será que a brasilianização é o caminho do Twitter?

Cartas para a redação.

Interessante depoimento encontrado em um site pelo Mark Thoma do Economist´s View:

I once heard from a Russian reporter about her early days on the job. “Whenever we read an article about the health dangers of butter, we would immediately run out and buy as much butter as we could find,” she told me. “We knew it meant there was about to be a butter shortage.” In other words, Russians looked only for the agenda, the motivation behind the assertion. The actual truth was irrelevant.

O Thoma diz que anda se comportando assim também _ buscando sempre as motivações atrás das aparências _ e se pergunta se está ficando paranóico ou realista.  O que vocês acham?

Ok, já era suficientemente estranho o fenômeno dos “famosos por serem famosos”.

Mas agora, há os famosos por serem ex-famosos.  E o negócio já está virando profissão.

Matéria do Estadão sobre José Saramago e seu novo livro, “Caim”, onde ele promete, novamente, desancar a fé católica:

O senhor ainda sente necessidades de ajustar contas com Deus, mesmo acreditando que ele só existe na cabeça das pessoas?

Deus não existe fora da cabeça das pessoas que nele creem. Pessoalmente, não tenho nenhuma conta a ajustar com uma entidade que durante a eternidade anterior ao aparecimento do universo nada tinha feito (pelo menos não consta) e que depois decidiu sumir-se não se sabe para onde. O cérebro humano é um grande criador de absurdos. E Deus é o maior deles.

Um leitor, contrariado, reclama:

Segundo ele, Deus não existe fora da mente das pessoas. E a Razão? Existe fora da mente das pessoas? Esse tipo de tese só tem impacto pela fonte de onde vêm ( um escritor famoso ) e não pela fraca contundência que possui.

Ué, mas a “razão” também não existe fora da mente das pessoas.  O próximo!

A gente tenta.  A gente tenta, mas…

Por caminhos tortuosos fui parar no site Feliz Nova Dieta, de Julio Lemos, um dos masterminds da Dicta&Contradicta.

rastros na blogoseira de que ele já tem um recheado boletim de ocorrências.

Como eu sou um ingênuo que acredita em sempre dar uma chance ao contraditório, segui uma recomendação dele e dei de cara com o site de John Lennox, professor irlandês católico que move uma cruzada contra o “novo ateísmo” (aquele pessoal que às vezes exagera).   Julio Lemos aponta para o setor de vídeos de John Lennox, e naturalmente interessei-me pelo vídeo intitulado “The New Atheism“.

Bem, acompanhei o vídeo até um certo ponto.  Lá pelas tantas, ele reproduz o final de um outro vídeo, um debate entre Richard Dawkins e John Lennox.  Estas são as anticlimáticas palavras finais de Lennox no debate:

I would remind you that the world Richard Dawkins wishes to bring us to is no paradise except for the few. It denies the existence of good and evil. It even denies justice. But ladies and gentlemen, our hearts cry out for justice. And centuries ago, the apostle Paul spoke to the philosophers of Athens and pointed out that there would be a day on which God would judge the world by the man that he had appointed, Jesus Christ, and that he’d given assurance to all people by raising him from the dead. And the resurrection of Jesus Christ, a miracle, something supernatural, for me constitutes the central evidence upon which i base my faith, not only that atheism is a delusion,but that justice is real and our sense of morality does not mock us. Because if there is no resurrection, if there is nothing after death, in the end the terrorists and the fanatics have got away with it…

Se a evidência central sobre a qual Lennox julga que deve basear sua fé é a Ressurreição de Cristo, então realmente não precisamos de um novo ateísmo.  O velho já é o suficiente.

***

Esta frase é curiosa:

“I would remind you that the world Richard Dawkins wishes to bring us to is no paradise except for the few”

Não foi o próprio Cristo que disse:

“Entrai pela porta estreita, porque dilatada é a porta, e espaçosa a senda que leva à perdição, e são muitos quem entram por ela. Que estreita é a porta e apertada a senda que leva à vida, e quão poucos são os que dão com ela!” (Mat. 7, 13-14).

“Muitos são os chamados e poucos os eleitos” (Mat. 22, 14).

“Disse-lhe um: ‘Senhor, são poucos os que se salvam?’ Ele lhe disse: ‘esforçai-vos para entrar pela porta estreita porque vos digo que muitos serão os que procuram entrar e não poderão’” (Luc. 13, 23-24).

Então porque diabos debitar na conta do ateísmo o fato de que nem todos irão ao Paraíso?  Que populismo é esse, minha gente?  É o bolsa-salvação??   :)

Manthropology:

‘If you’re reading this then you — or the male you have bought it for — are the worst man in history.

‘No ifs, no buts — the worst man, period…As a class we are in fact the sorriest cohort of masculine Homo sapiens to ever walk the planet.”

E mais:

* Some Tutsi men in Rwanda exceeded the current world high jump record of 2.45 metres during initiation ceremonies in which they had to jump at least their own height to progress to manhood.

*Any Neanderthal woman could have beaten former bodybuilder and current California governor Arnold Schwarzenegger in an arm wrestle.

* Roman legions completed more than one-and-a-half marathons a day (more than 60 kms) carrying more than half their body weight in equipment.

* Athens employed 30,000 rowers who could all exceed the achievements of modern oarsmen.

* Australian aboriginals threw a hardwood spear 110 metres or more (the current world javelin record is 98.48).

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E eu falando em FC soviética…

Ficção:

Action takes place in the Leningrad, USSR, apparently in the 1970s.

The protagonist, Dmitry Aleskeevich Malyanov (Дмитрий Алексеевич Малянов) is an astrophysicist who, while officially on leave, continues work on his thesis “Interaction of Stars with Diffused Galactic Matter”. Just as he begins to realize that he is on the verge of a revolutionary discovery, his life becomes plagued by strange events.

Malyanov’s neighbor dies, possibly as a suicide, and he comes under suspicion of the police for murder. Unexpectedly, he is visited by an attractive woman claiming to be his wife’s classmate. An apparent explosion fells a large tree just outside his window. These events seem to conspire to prevent Malyanov from returning to his work.

Approaching the problem with a scientific mindset, Malyanov suspects the potential discovery is in the way of someone (or something) intent on preventing the completion of his work. The same idea occurs to his friends and acquaintances, who find themselves in a similar impasse — some powerful, mysterious, and very selective force impedes their work in fields ranging from biology to mathematical linguistics.

A solution is proposed by Malyanov’s friend and neighbor, the mathematician Vecherovsky (Вечеровский). He posits that the mysterious force is the Universe’s reaction to the Mankind’s scientific pursuit which threatens to discover the very essence of the Universe. This reaction is what prevents development of “super-civilizations”, ones that would be able to counteract the Second law of thermodynamics on a cosmic scale.

Paradoxically, Vecherovsky proposes to treat this Universal resistance to scientific progress as a natural phenomenon which can and should be investigated and even harnessed by Science.”

Er, realidade:

More than a year after an explosion of sparks, soot and frigid helium shut it down, the world’s biggest and most expensive physics experiment, known as the Large Hadron Collider, is poised to start up again. In December, if all goes well, protons will start smashing together in an underground racetrack outside Geneva in a search for forces and particles that reigned during the first trillionth of a second of the Big Bang.

Then it will be time to test one of the most bizarre and revolutionary theories in science. I’m not talking about extra dimensions of space-time, dark matter or even black holes that eat the Earth. No, I’m talking about the notion that the troubled collider is being sabotaged by its own future. A pair of otherwise distinguished physicists have suggested that the hypothesized Higgs boson, which physicists hope to produce with the collider, might be so abhorrent to nature that its creation would ripple backward through time and stop the collider before it could make one, like a time traveler who goes back in time to kill his grandfather.

Holger Bech Nielsen, of the Niels Bohr Institute in Copenhagen, and Masao Ninomiya of the Yukawa Institute for Theoretical Physics in Kyoto, Japan, put this idea forward in a series of papers with titles like “Test of Effect From Future in Large Hadron Collider: a Proposal” and “Search for Future Influence From LHC,” posted on the physics Web site arXiv.org in the last year and a half.

According to the so-called Standard Model that rules almost all physics, the Higgs is responsible for imbuing other elementary particles with mass.

“It must be our prediction that all Higgs producing machines shall have bad luck,” Dr. Nielsen said in an e-mail message. In an unpublished essay, Dr. Nielson said of the theory, “Well, one could even almost say that we have a model for God.” It is their guess, he went on, “that He rather hates Higgs particles, and attempts to avoid them.”

This malign influence from the future, they argue, could explain why the United States Superconducting Supercollider, also designed to find the Higgs, was canceled in 1993 after billions of dollars had already been spent, an event so unlikely that Dr. Nielsen calls it an “anti-miracle.”

(…)

Dr. Nielsen admits that he and Dr. Ninomiya’s new theory smacks of time travel, a longtime interest, which has become a respectable research subject in recent years. While it is a paradox to go back in time and kill your grandfather, physicists agree there is no paradox if you go back in time and save him from being hit by a bus. In the case of the Higgs and the collider, it is as if something is going back in time to keep the universe from being hit by a bus. Although just why the Higgs would be a catastrophe is not clear. If we knew, presumably, we wouldn’t be trying to make one. (…)

(hat tip: PMF)

O UOL nos informa de mais um editorial com elogios ao Brasil em um jornal argentino:

Lula projeta Brasil a ‘líder regional e ator global de 1ª ordem’, diz jornal argentino

O jornal argentino “La Nación” afirma em seu principal editorial desta segunda-feira que, enquanto a Argentina perde espaço e importância no cenário internacional, o Brasil se consolida como “líder regional e ator global de primeira ordem”.

O texto, intitulado “Brasil, nas grandes ligas”, atribui o resultado ao trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que por sua vez seguiu a “via das políticas de Estado (…) traçadas nos oito anos anteriores pelo presidente Fernando Henrique Cardoso”.

Os editorialistas fazem sua análise a partir do que chamam de “dois troféus” aquinhoados por Lula em sua recente viagem à capital dinamarquesa, Copenhague: a eleição do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 e o apoio da União Europeia ao modelo brasileiro de combate ao desmatamento, que será apresentado na mais importante reunião sobre o clima do ano, que ocorre em dezembro, também em Copenhague.

Sobre a escolha do Rio como sede olímpica, o jornal avalia que a atuação brasileira na disputa, apartidária, mostrou uma “formidável imagem de como se defende o interesse nacional”. O “La Nación” sugere que, se Buenos Aires tivesse sido candidata, “aversões pessoais” entre os políticos argentinos impediriam uma postura semelhante.

Para o jornal “não é novidade que o Brasil, pelo carisma e o impulso de seu presidente, jogue nas grandes ligas”.

“A novidade é que, em meio a sérios problemas de desigualdade e de corrupção ainda não resolvidos, Lula tenha conseguido projetar seu país como um líder regional que não admite essa definição, ainda que saiba que esta cada vez mais perto de sê-lo.” Exemplos dessa projeção são o diálogo de Lula com o presidente americano, Barack Obama, “enquanto Cristina Kirchner, ainda não consciente de que todos os seus ataques contra Bush se traduzem de forma imediata em Washington como ataques contra os Estados Unidos, não teve ocasião de dialogar senão em breves intervalos de cúpulas internacionais com Obama”.

O jornal observa que “em 2011 terminará o segundo período de Lula”. “Terminará também esta tendência? Não. Definitivamente não. Em 2014 o Brasil será sede do campeonato mundial de futebol; em 2016, o Rio de Janeiro receberá os atletas.” Os editorialistas tentam explicar por que, apesar da crise, “o Brasil recebe investimentos diretos em maior volume que a Argentina” e tem recursos para emprestar ao FMI, e por que “em cada cúpula da Unasur (o grupo de países sul-americanos), os olhares apontam para Lula e os ouvidos esperam suas reflexões”.

“Talvez porque, no plano político, os escândalos de corrupção nunca terem lançado dúvidas sobre Lula; porque ele cumpriu sua palavra empenhada sem desmerecer às instituições nem às pessoas que pensam diferente; e porque nunca teve a estranha idéia de construir um trem bala onde falta comida.“”

***

Essa última referência, ao trem bala, me pareceu um tanto enigmática; creio que se refere ao trem bala argentino, previso para ligar Buenos Aires a Córdoba, passando por Rosario.

***

Fico me perguntando o quanto disso se deve a) à personalidade de Lula; b) às políticas de Lula; c) meramente ao tamanho do Brasil.

Eu acredito que 90% deva-se a uma mescla de a) e b).

Da Wikipedia:

A ficção científica no Brasil é um segmento literário que nunca demonstrou popularidade ou constância, estando baseado em pequenas quantidades de aficionados. Foi praticada por diversos autores influenciados por escritores internacionais do gênero, que tem grande popularidade nos Estados Unidos ou Europa. Por outro lado, alguns autores brasileiros consagrados se aventuraram em obras únicas que podem ser consideradas ficção científica, como Machado de Assis no conto O Imortal.”

Achei interessante a citação, porque bem, eu acabei de ler este livro aqui, que um amigo me emprestou:

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(clique na capa para a descrição da obra)


E, surpresa! o conto do Machadão, “O Imortal”, é o que abre a coletânea.  Eu até já li bastante Machado, mas não conhecia este conto, que deve ser possivelmente possivelmente a primeira obra brasileira de FC, eu acho.

Vocês já devem estar enjoados de saber que exultei ao ler, na série de Elio Gaspari sobre a ditadura, o trecho em que se conta a infância pobre de Ernesto Geisel no interior do Rio Grande do Sul _ mas era aquela pobreza mais material que espiritual, de forma que o pai de Geisel lhe deu a coleção completa das obras de Julio Verne, as quais, segundo o General, influenciaram bastante sua forma de ver o mundo, a começar pela importância que dedicava à ciência e tecnologia.  Exultei porque vi ali um reflexo de minha própria infância, também pobre, embora diferentemente pobre _ a pobreza dos megacaixotes de gente de classe média baixa de Copacabana _ e que também foi influenciada pelo velho mago francês.  Pois o primeiro livro não-infantil que li na minha vida foi “20.000 Léguas Submarinas”, em uma edição baratinha da Ediouro, que tinha uma lojinha ali quase na esquina da Santa Clara com a Domingos Ferreira.

***

O que me fez ficar dando tratos à bola, imaginando se é possível correlacionar leituras de ficção científica com pendor pelas ciências e, destarte, grau de inovação de uma sociedade.  Encontrei um estudo da, er, NSF, com uma evidência puramente anedótica:

Interest in science fiction may be an important factor in leading men and women to become interested in science as a career. Although it is only anecdotal evidence, found on Internet discussion lists, for example, scientists often say they were inspired to become scientists by their keen interest in science fiction as children.”

Também encontrei um testemunho desse cara que, sendo americano, provavelmente não conhece muito Julio Verne [ou por falar nisso, Perry Rhodan...], razão pela qual ele reclama não conhecer literatura de FC adequada para crianças.

Um outro sujeito se faz uma pergunta semelhante, com ênfase, entretanto, não na vocação para ciência e tecnologia em geral, mas para a exploração espacial em particular:

Does the predominance of Harry Potter over science fiction bode well or ill for the future of public spaceflight support? What science fiction and non-fiction books would you give to a child or teenager to inspire them about space exploration?

Harry Potter.  Bah.

[um comentário no post linkou uma interessante lista do material de leitura disponível na Estação Espacial Internacional...tem Harry Potter.  Bah.]

É claro que possivelmente a causalidade inversa também ocorre: sociedades que dão grande importância à inovação também devem produzir e consumir muita FC.  Achei alguns dados antigos sobre o mercado editorial norte-americano aqui:

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FC chegava a ser o quarto gênero mais popular em 1999, caindo para quinto em 2001.  Gostaria muito de ver uma série histórica mais ampla, começando no pós-guerra e chegando até 2008 pelo menos.  Também gostaria de ver a lista análoga no Brasil…pelo espaço que a FC tem nas prateleiras das livrarias nacionais, suspeito que o gênero deva vir lá na centésima colocação.

Aliás, outra coisa que queria saber é se existe algum título de FC nos livros adquiridos pelo MEC no Programa Nacional do Livro Didático (ou sua versão para o Ensino Médio).  Procurei, procurei, e não achei uma lista extensiva sequer…se alguém aí souber onde tem avise, please.

***

Enquanto isso, parece ter gente nos EUA se esforçando para protagonizar a “Ascensão e Queda do Império Americano“, com ênfase na queda:

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(clique na imagem para ver as legendas)

Versão crítica, aqui.  Versão chutando o balde, aqui.

***

UPDATE:

Trecho interessante de um artigo interessante:

In 2007, students in Singapore, Japan, China, and Hong Kong (which was counted independently) all performed better on an international science exam than American students. The U.S. scores have remained essentially stagnant since 1995, the first year the exam was administered. Adults are even less scientifically literate. Early in 2009, the results of a California Academy of Sciences poll (conducted throughout the nation) revealed that only fifty-three per cent of American adults know how long it takes for the Earth to revolve around the sun, and a slightly larger number—fifty-nine per cent—are aware that dinosaurs and humans never lived at the same time.

O Senador Tom Coburn _ médico, representante republicano pelo Oklahoma _ acaba de lançar uma guerra contra a ciência política.

Em uma proposta legislativa, ele simplesmente propõe acabar com o financiamento de toda a pesquisa em ciência política pela NSF, a National Science Foundation norte-americana.  Motivo:

“”Americans who have an interest in electoral politics can turn to CNN, Fox News, MSNBC, the print media, and a seemingly endless number of political commentators on the Internet.

Brincadeirinha, não é esse o motivo não.  Bom, sim, ele disse isso, de fato.  Mas eu desconfio que o motivo real é este:

The National Science Foundation has misspent tens of millions of dollars examining political science issues which in reality have little, if anything, to do with science [such as]….

The Human Rights Data Project: which concluded that the United States has been “increasingly willing to torture enemy combatants and imprison suspected terrorists,” leading to a worldwide increase in “human rights violations” as others followed-suit;

Sua lista de “abominações”, isto é, exemplos de mal emprego do dinheiro público, também cobre:

$11,825 to study “Prime Time Politics: Television News and the Visual Framing of War;

$91,601 to conduct a survey to determine why people are for or against American military conflicts;”

Daniel Drezner, Crooked Timber e Monkey Cage cobrem o assunto.

***

É pena que existam democratas nos EUA, pois penso que, deixados entregues a si mesmos, os Republicanos rapidamente levariam seu país à Idade da Pedra.

Curiosamente, o 3quarks daily reproduz um post com uma abordagem muito semelhante a do meu último comentário sobre Polanski:

I have to note that the answer to the question of Roman Polanski’s prosecution and punishment depends largely on the answer to a long-discussed philosophical question: that of personal identity and its relation to moral responsibility.

It has been notoriously difficult to say what makes a person the same person over time, especially given then enormous physical and psychological changes that a person undergoes. In the span of a decade, a person can completely reform their beliefs, their values, and their patterns of action, and can even suffer total memory loss. It seems natural to say, as Derek Parfit does, that they are not really “the same person”, but rather they are connected to that past person, only insofar as they share that past person’s psychology. They are thus (say) 25% connected, and that former person survives only to this small degree

Let’s assume that Polanski is significantly different in this way: that he is no longer Polanski1973, that person’s youthful immorality and disregard has been completely wiped out and replaced with kindness and thoughtfulness. The former criminal only survives to some small extent (say, 25%, though the number doesn’t really matter).(…)

Vão lá e leiam o resto, porque o autor realmente leva a idéia a limites que eu não persegui.

Mais curiosamente, o post dele tem a mesma data do meu.  Mas o meu foi publicado às 8:05 da manhã no Brasil, e o dele, às 12:43…em Vancouver.  :)

***

Sugiro ainda duas leituras interessantes:  esta e esta, nesta ordem.

No post sobre a França aí embaixo, Paulo, fiel à sua natureza cronomecânica, faz intriga:

“Hey, esse seu post encaixa perfeitamente com o CS.

Sera que eh por isso que Brasil e Franca andam tao chegadinhos?”

Aham.

Não entendo essa bronca de um americano com a França.  Afinal, não custa lembrar que seu país só logrou a independência porque um bando de caipirias teve uma ajudinha francesa _ primeiro involuntária, quando, para compensar os custos da Guerra dos Sete Anos, a Inglaterra elevou as taxas sobre os produtos da colônia americana, o que culminou no Boston Tea Party; e depois, ativamente aparelhando e treinando as minhocas da terra na sua luta contra os ingleses.  A França reconheceu a independência das colônias em 1778, e soldados franceses lutaram ao lado dos soldados do Continental Army contra os redcoats.  Em 1781, cinco batalhões de infantaria e artilharia franceses, sob o camando do Conde Rochambeau, foram fundamentais na derrota que Washington e Lafayette inflingiram às tropas inglesas em Yorktown.

Para não falar, é claro, da forte influência que a própria Constituição americana recebeu das lições dos constitucionalistas franceses, a começar por Montesquieu.

Depois, vamos comparar dois exemplos antipódicos: a covardia francesa vis a vis a valentia polonesa na Segunda Guerra.

Como se sabe, os valorosos poloneses organizaram uma certa resistência contra o antecipado avanço nazista _ ainda que sobre bases frágeis devido à inapetência das potências ocidentais em cumprir sua promessa de declarar guerra à Alemanha caso esta atacasse a Polônia, e por “potências ocidentais” leia-se não apenas a covarde França mas também a heróica Inglaterra. Na verdade, o fato foi inclusive (cinicamente) utilizado pela propaganda nazista na Polônia ocupada para ganhar corações e mentes poloneses contra os aliados.  Além disso, é bom lembrar que certos aspectos da campanha alemã na Polônia que reforçam a suposta valentia polonesa, como a famosa carga de cavalaria sobre divisões Panzer na batalha de Krojanty, são um mito.

Como resultado, a Polônia foi partilhada entre alemães e russos, e perdeu 20% de sua população civil (entre eles, 90% dos judeus poloneses). Apesar de ser uma das mais católicas regiões do mundo, parece que mais uma vez aquele senhor barbudo que está no céu resolveu mostrar a que veio.

Quanto à França, embora trabalhos americanos e ingleses tenham popularizado a visão de que a liderança francesa estava esclerosada e foi incapaz de articular uma defesa contra os alemães, a verdade é que há uma multiplicidade de pontos de vista a respeito da história.

De toda forma, houve alguma resistência, pouco eficaz porém diante do poderio alemão _ e da frustração do comando militar francês com a fuga do Batalhão Expedicionário Inglês em Dunquerque.  Fundamental, porém, foi a declaração de Paris como “cidade aberta” por seu governador militar francês, o que evitou que a cidade fosse bombardeada e seu tesouro arquitetônico e artístico perdido para sempre.  Ainda assim o exército francês perdeu 90.000 soldados nesta campanha.

Como resultado, a França é hoje a quinta economia do mundo (à frente da Inglaterra), e um dos poucos países dotados de capacidade de dissuassão nuclear, o que faz com que até mesmo os Estados Unidos tenham de pensar duas vezes antes de tomar qualquer decisão de ser rude com os comedores de sapos.

Isso para não falar que Paris é linda, que a moda (e a cultura) francesa é algo que a América inveja profundamente (apesar de posturas ridiculamente defensivas às vezes) e que o que americanos e franceses provavelmente compartilham é um complexo de superioridade.

O post sobre o Polanksi rendeu uma boa discussão.

Aliás, o Marola lembrou bem que a Suíça pode estar querendo fazer bonito com os EUA depois do auê com as contas numeradas.  E vários outros leitores também fizeram bem em observar a provável desídia negligência da mãe da moça, que entregou a filha de 13 anos para ir fazer, sozinha, uma sessão de fotos com um quarentão com cara de safado.

Mas, bem, falamos aqui não de vingança, mas de Justiça.   Justiça não é vingança, é um treco que o Estado usa para lembrar aos cidadãos que a vida em sociedade precisa de certas regras.  E o problema é que a impunidade, qualquer que seja o motivo que não algum daqueles previstos no próprio contrato social, ameaça este compromisso da sociedade consigo mesma.

Filosoficamente, acho que o instituto da prescrição tem seus bons motivos.  Como estou mais para Heráclito que para Parmênides, eu realmente acredito que uma pessoa, passados 30 anos, não é mais exatamente a mesma pessoa que era 30 anos atrás.  Neste sentido, dizer que cada um de nós é um “viajante no tempo” não faz justiça ao que realmente ocorre, porque o tempo nos afeta irremediavelmente.

Infelizmente, a concepção que nossa sociedade tem da invidualidade não é esta.  O grosso dos cidadãos alimenta ilusões essencialistas.  Para eles, Fulano de Tal é a essência de Fulano de Tal, definida assim que um espermatozóide entre em um óvulo, perdurando até que Fulano de Tal sobe para ver Jesuis.  Neste contexto, o desafio de manter o comprometimento social contra a impunidade permanece.

Eis porque acho que Polanski deve pagar _ com todas as atenuantes que seu caso merecer (e as agravantes também), mas deve pagar.

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Melhor assim

Excelente post do Rafael Galvão sobre franceses vs ingleses na II Guerra Mundial.

Apesar de tudo, quando passeio ali pelo Sena ou imagino o estrago que uma dessas faria no Louvre, dou graças aos céus pela “cautela” francesa na II Guerra…

Deu no Estadão:

George Friedman prevê: EUA ampliarão domínio no séc. XXI

Cientista político aponta energia solar captada do espaço como o fator que irá proporcionar o aumento da hegemonia americana por mais 500 anos”

***

Pra quem não sabe,  George Friedman é um visionário, co-autor de um best seller do início dos anos 90, “The Coming War With Japan” (sic).

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Matéria de Jotabê Medeiros no Estadão:

Comissão aprova Emenda da Cultura no Congresso

Projeto destina 2% do Orçamento da União para a cultura; Plano Nacional de Cultural também foi aprovado

SÃO PAULO – Uma comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou na tarde desta quarta-feira, 23, por unanimidade, a Proposta de Emenda à Constituição 150 (PEC 150), que destina recursos dos orçamentos da União, dos estados e dos municípios para a área da cultura. O texto aprovado, com um substitutivo do deputado José Fernando Aparecido de Oliveira (PV-MG), reserva ao setor cultural e à preservação do patrimônio cultural brasileiro 2% dos impostos federais, 1,5% dos impostos estaduais e distritais e 1% da arrecadação com impostos municipais.

A PEC 150, que agora vai a plenário, é uma reivindicação antiga da classe artística e tem o apoio do ministro da Cultura, Juca Ferreira, que festejou ontem a votação. “A aprovação reflete um clima suprapartidário em favor da cultura. Desde a gestão Gil, nós temos trabalhado nesse sentido”, disse o ministro ao Estado. O texto estabelece que a destinação de recursos do Estado para a cultura nunca será menor do que 2% dos orçamentos.

A área econômica do governo, no entanto, se mostra contrária à vinculação de recursos do projeto – atualmente, o orçamento da cultura representa 0,5% das receitas federais, o que equivale a cerca de R$ 1,3 bilhão. Se esse porcentual subir para 2%, a União seria obrigada a destinar cerca de R$ 5,3 bilhões para o setor.

“As Nações Unidas recomendam que nunca seja inferior a 2%”, afirmou Juca Ferreira. Segundo ele, a proposta de reforma da Lei Rouanet não perde o sentido com a iminente aprovação da PEC 150, já que são mecanismos complementares. “A mudança da lei visa requalificar a distribuição de recursos. A PEC 150 trata dos orçamentos.”

Em outra votação na manhã desta quarta, a Comissão de Educação e Cultura da Câmara aprovou o Plano Nacional de Cultura. O plano é plurianual, terá a duração de dez anos e sua implementação e monitoramento serão feitos pelo Ministério da Cultura, que desenvolverá o Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais. O plano define as atribuições do poder público na área cultural, além de tratar de áreas como cultura digital, turismo cultural e desenvolvimento sustentável. SA criação do Plano Nacional de Cultura está prevista na Emenda Constitucional 48, em vigor desde agosto de 2005.

Na PEC 150, o texto aprovado também incluiu uma sugestão do deputado Zezéu Ribeiro (PT-BA), de substituir na PEC o termo cultura nacional por apenas cultura. “Temos que nos prevenir dos burocratas. Depois eles poderiam falar que a PEC não serve para a promoção de concertos de música clássica porque não se trata de cultura nacional”, explicou ele à Agência Câmara. “Cultura é uma questão de soberania nacional. E hoje é um dia de grandes conquistas para a cultura do País, com a aprovação dessa PEC e do Plano Nacional de Cultura”, disse o presidente da comissão especial, deputado Marcelo Almeida (PMDB-PR).

***

Pergunta-se:

Será mesmo que o Brasil necessita de uma produção cultural 4 vezes maior do que a que já tem, ou será que é a comunidade de produtores culturais que deseja aumentar em 4 vezes seu orçamento?

Como sabem, é dever de todo blogueiro esclarecido fazer de vez em quando uma ronda pelo lado negro da blogoseira.  “Protect teh borders“, é o meu lema.

Foi no cumprimento desse dever patriótico que descobri o seguinte:

Olavo de Carvalho, assumindo-se, realística mas imodestamente como “representante ou mesmo personificação integral e única da “mais rançosa extrema direita nacional”“, vitupera contra os críticos de Bruno Tolentino, poetastro que recentemente levou a breca:

Nota enviada ao site Breviário a respeito de umas opiniões de Alexai Bueno

Olavo de Carvalho

Como representante ou mesmo personificação integral e única da “mais rançosa extrema direita nacional”, quero deixar aqui duas observações sobre o trecho citado.

1) Desde logo, um sujeito capaz de escrever algo como “periódico coloquialismo” deveria abster-se de opinar sobre musicalidade na poesia ou mesmo na prosa. Não foi à toa que o Bruno Tolentino apelidou de Dislexei Bueno o cidadão que agora se imortaliza como inventor do estilo cocô-loquial.

2) Conheci bem o Bruno e sei que, quando havia idiotas presentes, ele gostava de deslumbrá-los com as lendas mais mirabolantes a respeito de si próprio, narradas num tom da maior seriedade. Uns acreditavam; outros, mais bobos ainda, mas imaginando-se espertos, acreditavam que ele acreditasse. Quando saíam, eu e ele ríamos a valer de uns e outros.

Richmond, 10 de julho de 2009

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Repare com que gosto ele subscreve a nota: “Richmond“.  Ele deve se sentir, sei lá, como um general confederado enviando insultos a Abraham Lincoln, aquele  “prepotente burocrata“.

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Mas o que interessa é o seguinte: o post lá no Breviário, no blog Beharren, reproduz trechos de um livro do tal Alexei Bueno, na parte que versa sobre Bruno Tolentino.  Ao que parece, Alexei não cultiva lá uma grande opinião sobre o finado poeta:

Após um rumoroso processo pela publicação de um livro inteiramente plagiado, em 1957, Infinito Sul – cujo título era de Sílvio Castro e os poemas de Celina Ferreira, Walmir Ayala, Afonso Félix de Souza e outros – e a publicação de Anulação e outros reparos, em 1963, o poeta carioca Bruno Tolentino (1940-2007) se afastou por três décadas do Brasil, retornando em 1993. A sua volta marcou a entrada na cena literária nacional do maior mitômano nela aparecido pelo menos desde a chegada de Antônio Botto, o poeta português, muito amigo de Fernando Pessoa, que aqui desembarcou nos anos de 1950, casado, apesar dele mesmo se intitular “o primeiro paneleiro oficial de Portugal”, e distribuindo elogios bombásticos sobre a sua obra, assinados pelos maiores autores universais da época, mas todos escritos por ele mesmo. Em pouquíssimo tempo Tolentino declarou em público que fora casado com a filha de Bertrand Russell (que deveria ter idade para ser sua avó), com a neta de Rilke, com a neta de René Char, além de ter sido astrólogo em Los Angeles por doze anos, ter vivido uma década em Alexandria, ter trabalhado como genealogista na Inglaterra, ter sido secretário pessoal de Auden, ter dado aulas por onze anos na Universidade de Oxford, e finalmente, isso um pouco depois, ter sido encarcerado por tráfico de drogas na Ilha do Diabo, para nem falar da sua origem na alta aristocracia, na sua mansão familiar e suas preceptoras inglesas, tendo nascido, na verdade, na mais banal classe média tijucana, filho de militar, e tendo vivido a adolescência num pequeno apartamento do mesmo bairro e em Niterói. Só na terra onde foi escrito “O homem que sabia javanês” tal conjunto de afirmações seria deglutido naturalmente como o foi, inclusive pela grande imprensa. A mitomania em si não desqualifica qualquer artista, mesmo um homem de gênio como o cineasta Mário Peixoto tinha fortes traços mitômanos, e isso tudo serve apenas como um índice da impossibilidade de se conhecer a biografia de um indivíduo que, somados os eventos pública e notoriamente por ele narrados, deveria ter perto de trezentos anos de idade. Após manter uma ruidosa polêmica com os concretistas, justamente num dos melhores aspectos deles, a tradução de poesia, reestreou com As horas de Katharina, em 1994. Com Os sapos de ontem, de 1995, atacando novamente os concretistas paulistas, se revelou um satírico interessante. Os deuses de hoje, do mesmo ano, compunha-se de poemas políticos, justificados por uma falsíssima luta sua contra a ditadura militar – mais um falso exilado – e não alcançou maior repercussão. Seguiram-se A balada do cárcere, em 1996, O mundo como Idéia, de 2002, e A imitação do amanhecer, de 2006, escrito em pretensos alexandrinos que nunca o foram. Toda a poesia de Bruno Tolentino é vazada numa musicalidade característica, dominada por uma espécie de vício do enjambement que chega a criar poemas quase inteiros sem que uma oração termine no final de um verso. Essa espécie de “realejo de enjambements”, monocórdio ao extremo, perpassa por quase tudo o que escreveu, lançando mão de uma técnica bastante defeituosa: versos de pé-quebrado, especialmente pelo uso e abuso de ectlipses, elisões romanas e inúmeras rimas consoantes que não o são. Vez por outra, em meio dessa grafomania versificatória tediosa e obsessiva, espécie de música de feira, surge um grande momento lírico, que não salva o essencial vazio de fundo que domina o conjunto, sem se falar da total inadequação entre um periódico coloquialismo e o tom geralmente elevado do verso. A sua poesia, na verdade, e qualquer leitor médio o percebe, é conduzida pelas rimas e pelo ritmo, e não o contrário, como qualquer poesia digna desse nome. Verdadeiro personagem de romance, com um talento verbal e histriônico espantoso, mas de repertório curto, um dos fatos mais interessantes da sua imponderável biografia é ter voltado para o Brasil dizendo-se exilado da ditadura militar e trazendo mesmo um livro sobre o assunto, após o fracasso do qual terminou seus dias – há quem diga que não morreu, quem garanta que ele está vivo – venerado pela mais rançosa extrema direita nacional.”

***

Pitoresco ao extremo.  Mas o que realmente me chamou a atenção foi o seguinte:

“(…) além de ter sido astrólogo em Los Angeles por doze anos (…)”

Parece que é uma constante, não?

***

De resto, a defesa que faz Olavo é estranha:

“(…)sei que, quando havia idiotas presentes, ele gostava de deslumbrá-los com as lendas mais mirabolantes a respeito de si próprio, narradas num tom da maior seriedade. Uns acreditavam; outros, mais bobos ainda, mas imaginando-se espertos, acreditavam que ele acreditasse. Quando saíam, eu e ele ríamos a valer de uns e outros.”

Escapa-me como ele deixou de perceber o denominador comum, o idiota presente a todas estas ocasiões que ele teve a fortuna de testemunhar…

OneMillionYearsBCBIG

A loura primordial

Our species, Homo sapiens, is highly autapomorphic (uniquely derived) among hominids in the structure of its skull and postcranial skeleton. It is also sharply distinguished from other organisms by its unique symbolic mode of cognition. The fossil and archaeological records combine to show fairly clearly that our physical and cognitive attributes both first appeared in Africa, but at different times. Essentially modern bony conformation was established in that continent by the 200-150 Ka range (a dating in good agreement with dates for the origin of H. sapiens derived from modern molecular diversity). The event concerned was apparently short-term because it is essentially unanticipated in the fossil record. In contrast, the first convincing stirrings of symbolic behavior are not currently detectable until (possibly well) after 100 Ka. The radical reorganization of gene expression that underwrote the distinctive physical appearance of H. sapiens was probably also responsible for the neural substrate that permits symbolic cognition. This exaptively acquired potential lay unexploited until it was “discovered” via a cultural stimulus, plausibly the invention of language. Modern humans appear to have definitively exited Africa to populate the rest of the globe only after both their physical and cognitive peculiarities had been acquired within that continent.” [grifos meus]

Daqui.  (Via Gene Expression)

A leitora Ju Sampaio fez um comentário linkando este post de um interessante blog.  A questão do post é o uso inescrupuloso da beleza feminina, uma coisa à qual já estamos acostumados no negócio de cervejas mas que ainda parece ser uma novidade na seara política:

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Ou não:

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Quer dizer, pelo menos no que se refere à musa do axé (se bem que Regina Duarte, Ana Maria Braga e até a Hebe _ esta com alguma boa vontade, é certo _ já foram bonitinhas).

O post lembra, com razão, que causas de esquerda também já usaram este tipo de apelo.  Uma coisa que qualquer um que tenha sido universitário nos anos 80 está cansado de saber [cortesia: gatinhas da Libelú].

Bem, mulheres bonitas podem ser conservadoras?  Imagino que sim, até porque já conheci várias.  O problema da direita com esse negócio é entender o conceito, creiam-me, de forma completamente errada.  Agora, a pergunta interessante é saber se os campos ideológicos à direita ou à esquerda atraem mais as mulheres ou os homens.  Este trabalho da economista sueca Helena Svaleryd coloca bem a hipótese de que as preferências políticas de homens e mulheres sejam mesmo diferenciadas:

A basic prerequisite for representation of women to matter for policy is that men and women have different preferences regarding policy. There is ample evidence suggesting that this is the case. Surveys of men and women’s preferences using pools show that women are more concerned about social policy issues (see e.g. Funk and Garthmann, 2006, and, for evidence on Swedish data, Oskarson and Wängnerud, 1995). Among elected representatives there are also documented differences. In a study of Swedish MPs, Esaiasson and Holmberg (1993) find that female MPs were significantly more positive towards daycare centers and an ecological society than men. This paper also finds that there are important differences in the stated preferences of men and women.”

Aceitando que uma preferência por gastos “sociais” é uma proxy confiável para o posicionamento à esquerda no espectro político, parece razoável afirmar que as mulheres teriam uma tendência maior para o voto à esquerda que os homens.  Agora, de que maneira isso se traduz no segmento específico das “mulheres bonitas”, já é mais complicado especular.  A evidência episódica mostra que Scarlett Johansson apoiou o Obama, enquanto Ann Coulter, bem,  é a da direita

O que me chama a atenção, porém, é o ponto de partida do próprio poster do pessoal de Stanford: a idéia de que as mulheres conservadoras são “uma minoria marginalizada”  dentro do próprio movimento conservador.  Pois é, posso imaginar o motivo.

Outra matéria boa no Valor, de Paola de Moura, sobre o mercado de livros:

Preço do livro cai e disputa pelas prateleiras no varejo aumenta

A disputa pelos corredores das grandes livrarias está mais acirrada depois que o preço médio dos livros caiu de R$ 8,58, em 2004, para R$ 8, em 2008, e o número de lançamento de livros cresceu 15,91% de 2007 para o ano passado, batendo a marca de 50 mil exemplares. “O mercado funciona com os ‘best sellers’ e precisa muito das grandes redes de livrarias”, diz César González, diretor-geral da Planeta.

A competição se dá de forma similar a que se vê em supermercados. As editoras escolhem os títulos em que apostam e produzem uma campanha de marketing voltada para os pontos de venda. “Hoje a compra de livro se dá muito por impulso”, diz González. A principal estratégia da editora espanhola, no mercado brasileiro há seis anos, é a publicação de livros “fortes”, como ele chama os mais vendidos. Nas últimas duas semanas, a editora esteve com seis livros na lista, entre eles “1808”, de Laurentino Gomes há mais de um ano entre os mais e “Encontre Deus na Cabana”, de Randal Rauser.

González conta também que estar na lista dos mais vendidos no Brasil é mais importante do que em países como Estados Unidos ou da Europa. “Aqui, os livros de grande sucesso ficam na lista entre um e dois anos. Nos Estados Unidos, a rotatividade é maior”. As listas ajudam a vender.

Quem sai ganhando com a batalha são as grandes livrarias. Quando um livro é editado e publicado, ele sai da editora com um preço de capa. Então é negociado com a livraria. Para estar nas posições de maior destaque de uma grande rede, a editora dá descontos de 35% até 50% no preço de capa. A rede de lojas pode ter, então, uma margem alta na venda e, por isso, dá maior exibição ao produto, para faturar mais. Quando o livro encalha, as livrarias, em geral, não ficam com os produtos em suas prateleiras ou em seus estoques. Todos são devolvidos para as editoras.

Com um lançamento grande, como o de um Harry Porter ou de um Dan Brown, os custos são quase todos da editora. Cada display de propaganda que sustenta os livros custa de R$ 300 a R$ 700. No entanto, peças exclusivas produzidas para um grande lançamento podem chegar a R$ 1.000 cada. E quem banca é a editora.”

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Taí, eu já comprei muito livro por impulso.

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E pra piorar ainda tem a história do preço único.

MarsColony2029

Foi assim que me senti quando vim pra Brasília

Uma proposta modesta:

Clearly, some creative thinking is badly needed if humans are to have a future beyond Earth. Returning to the Moon may be worthy and attainable, but it fails to capture the public’s imagination. What does get people excited is the prospect of a mission to Mars. The lure of the red planet lies in its Earth-like conditions and the tantalising prospect of some form of life.

Unfortunately, existing plans are absurdly expensive and will remain unrealistic for decades. But there is a way to put humans on Mars with foreseeable technology, and at a fraction of the projected cost. Five years ago I made the radical proposal that a handful of astronauts be sent on a one-way journey to Mars. I am not talking about a suicide mission. With its protective atmosphere, accessible water and carbon dioxide, and significant amounts of methane, Mars is one of the few places in the solar system that could support a human colony.

By eliminating the need to transport heavy fuel and equipment for the return journey, costs could be slashed by 80% or more. Supplies and a power source would be sent on ahead, and only when everything is functional would astronauts be dispatched. The base would be re-supplied from Earth every two years. Of course the mission would still be highly risky, but so is round-the-world ballooning and mountaineering. The ideal astronauts would be scientists and engineers who could continue to do world-class science while serving as trailblazers for the colonisation of a new planet. Eventually, more people would join them. After a century or two, the colony could become self-sustaining.

***

Você, leitor, embarcaria nessa?

Essa parte me pareceu singularmente cínica:

The first Martians would have to accept reduced life expectancy due to radiation, lack of advanced medical resources and lower gravity, but a return journey entails similar hazards. Moreover, the most dangerous parts of space exploration are take-off and landing: cutting out the return halves the risk.”

Já essa aqui é mais altruísta, embora me pareça um tanto irrealista:

Perhaps the best motivation for going to Mars is political. It is obvious that no single nation currently has either the will or the resources to do it alone, but a consortium of nations and space agencies could achieve it within 20 years. A worldwide project to create a second home for humankind elsewhere in the solar system would be the greatest adventure our species has embarked upon since walking out of Africa 100 000 years ago, and provide a unifying influence unparalleled in history. With Nasa’s manned space programme back in the melting pot, now is the time to put a one-way mission to Mars at the top of the space exploration agenda.”

Quer dizer, com tantos problemas para tentarmos não perder o mundo que já temos, porque exatamente estamos pensando em bagunçar outro?

Paris Exposition 1900 and Eiffel Tower.1

Foto da Torre com os pavilhões da Exposição Universal

Excelente post no recém-descoberto blog “Sans Everything” sobre a fixação dos filmes de ação em destruírem a Torre Eiffel:

Why are filmmakers so in love with the idea of Eiffel Tower being wrecked? The obvious answer is that action-adventure movies are all about spectacle and there is no better way to show that something big is happening in the world than by blowing up a globally famous tourist site. Aside from the tower, it’s become almost de rigueur in apocalyptic sci-fi movies to show the destruction of the Statue of Liberty, the White House, the Pyramids, the Taj Mahal, and so on.

But aside from the cheap and easy visual punch that comes from such images of landmark devastation, there might be something deeper at work. Oliver Stone once said that as a filmmaker he sees himself as a counterpart to the great builders of old, like those who made the pyramids and the great Asian temples. There is something to that: the landmarks of antiquity, like the movies of today, were designed to be awe-inspiring spectacles. But a counterpart is also a rival: filmmakers are in competition with the spectacles of the past, trying to out do earlier effects. And a rival is always worth rubbishing.”

***

No post, transcreve-se também um trecho de uma descrição de um escritor russo a respeito da Torre a partir do qual até dá pra entender que, na época, tanta gente tenha sido a favor da sua destruição.  A Torre era uma construção provisória, sendo que a facilidade de seu desmonte era até um dos parâmetros da competição realizada pelo seu projeto.  A idéia era que ela durasse apenas 20 anos, até 1909, mas até lá os parisienses já haviam se acostumado a ela _ embora, na época de sua construção, a influente comunidade artística da cidade houvesse escrito uma carta extremamente desabonadora:

Nous venons, écrivains, peintres, sculpteurs, architectes, amateurs passionnés de la beauté jusqu’ici intacte de Paris, protester de toutes nos forces, de toute notre indignation, au nom du goût français méconnu, au nom de l’art et de l’histoire français menacés, contre l’érection, en plein coeur de notre capitale, de l’inutile et monstrueuse Tour Eiffel, que la malignité publique, souvent empreinte de bon sens et d’esprit de justice, a déjà baptisée du nom de tour de Babel. (…) La ville de Paris va-t-elle donc s’associer plus longtemps aux baroques, aux mercantiles imaginations d’un constructeur de machines, pour s’enlaidir irréparablement et se déshonorer ? (…).

Il suffit d’ailleurs, pour se rendre compte de ce que nous avançons, de se figurer un instant une tour vertigineusement ridicule, dominant Paris, ainsi qu’une noire et gigantesque cheminée d’usine, écrasant de sa masse barbare (…) tous nos monuments humiliés, toutes nos architectures rapetissées, qui disparaîtront dans ce rêve stupéfiant.

Et, pendant vingt ans, nous verrons s’allonger sur la ville entière, frémissante encore du génie de tant de siècles, nous verrons s’allonger comme une tache d’encre l’ombre odieuse de l’odieuse colonne de tôle boulonnée.”

Subscrevem, entre outros, Charles Gounod, Guy de Maupassant, Alexandre Dumas filho, e até meu ídolo da pintura acadêmica francesa, William Bouguereau.

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Aqui, um curioso post sobre como a Torre Eiffel influencia a moda.

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Aliás lembrei de mais um filme além dos que ele cita no  post onde a Torre é destruída: Team America.  E se não me engano tem um 007 onde planejam botar uma bomba lá.

Impagável: títulos de alguns clássicos, se fossem escritos hoje.

Then: The Wealth of Nations

Now: Invisible Hands: The Mysterious Market Forces That Control Our Lives and How to Profit from Them

Then: Walden

Now: Camping with Myself: Two Years in American Tuscany

Then: The Theory of the Leisure Class

Now: Buying Out Loud: The Unbelievable Truth About What We Consume and What It Says About Us

Then: The Gospel of Matthew

Now: 40 Days and a Mule: How One Man Quit His Job and Became the Boss

Then: The Prince

Now: The Prince (Foreword by Oprah Winfrey)

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Tem umas boas sugestões nos comentários, também.

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Sugestões para obras brasileiras?

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(*) título do blog “O Hermenauta” na versão aeroportuária.

Entrevista com o Hobsbawn na Folha.  Achei isto interessante:

FOLHA – As “Eras” são consideradas um exemplo de boa análise histórica dedicada a um amplo período. O sr. acha que falta ambição a historiadores hoje?

HOBSBAWM – Para fazer história com uma perspectiva maior, é preciso ser um intelectual maduro. Hoje, os jovens historiadores gastam muito mais tempo em suas especializações. Quando estão aptos a dar um passo maior, hesitam. A história equivocadamente se afastou da “história total” que fazia Fernand Braudel [1902-1985].”

Será?  Eu gosto do pessoal da Macrohistória, talvez Hobsbawn os esteja deliberadamente ignorando porque muitos deles partem de um ponto de vista totalmente diferente ao que ele esposa.

Leia o resto deste post »

Do Valor de hoje:

França quer bem-estar como indicador

Associated Press14/09/2009 10:18 Texto: A- A+

PARIS – A França pretende incluir a felicidade e o bem-estar entre seus medidores de progresso econômico, disse hoje o presidente Nicolas Sarkozy, conclamando outros países a aderir a uma ” revolução ” no modo como o crescimento é acompanhado após a crise global.

O país vai adaptar as ferramentas estatísticas conforme o recomendado por dois prêmios Nobel que Sarkozy contratou 18 meses atrás para analisar novas maneiras de medir o progresso social. A França – cujo crescimento ficou abaixo de países similares nas últimas décadas, em indicadores padrão – também vai tentar convencer outros governos a mudar o acompanhamento econômico.

O presidente deu as declarações em discurso pelo primeiro aniversário da quebra do banco americano Lehman Brothers. ” Uma grande revolução está esperando por nós. Por anos as pessoas disseram que as finanças eram um criador formidável de riqueza, só para descobrir um dia que isso acumulou tanto risco que o mundo quase caiu no caos ” , disse Sarkozy. ” A crise não só nos deixa livres para imaginar outros modelos, outro futuro, outro mundo. Ela nos obriga a fazer isso. ”

Medir o bem-estar faria a economia francesa – famosa por sua curta semana de trabalho e pelos generosos benefícios sociais – parecer mais promissora.

Sarkozy pediu ao americano Joseph Stiglitz, ganhador do Nobel de Economia de 2001, e ao indiano Armatya Sen, Nobel de 1998, para liderar a análise. Sen ajudou a criar o Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, indicador anual de bem-estar social que ajuda a formular políticas internacionais que levem em conta padrões de saúde e qualidade de vida.

O relatório dos economistas, entregue hoje a Sarkozy, recomenda transferir o foco estatístico do Produto Interno Bruto (PIB), que mede a produção econômica, para o bem-estar e a sustentabilidade. Eles defendem que mensurar a renda familiar, o consumo e a riqueza, em vez da produção da economia como um todo, reflete melhor os padrões da vida da população. Atividades fora do mercado, como a limpeza de casas, também devem ser consideradas.

O novo modelo também prega mais importância para a distribuição de renda e riqueza e para o acesso à educação e ao sistema de saúde. Também deve ser considerado se os países estão consumindo em excesso seus recursos econômicos e prejudicando o meio ambiente.”

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Esse papo é antigo, mas que eu me lembre é a primeira vez que um país central leva a idéia a sério.

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Sarkozy: até os conservadores franceses são diferentes…

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Isto me lembra este gráfico que saiu em um estudo recente sobre bem estar comparado:

bemestarvspibpercapita

(clique para ampliar)

É incrível como os países latinos tendem a ser mais “eficientes” que os outros na conversão de recursos em bem estar subjetivo.

As setas azuis comparam diretamente os diferenciais de bem estar e de renda per capita de Brasil e EUA.

Nunca havia usado o uTorrent.  Tô baixando “Silent Running” [nota: na verdade, o prequel chinês de 1947]  neste exato instante.

Tá funcionando, embora o uTorrent esteja me dizendo que…

“Uma porta deve ser redirecionada de seu roteador para o uTorrent.  Esta porta é usada para permitir que outros peers se conectem à você.”

Embora o download esteja lento pra tetéu, como está funcionando acho que vou deixar assim mesmo, porque tenho mêda de mexer nas configurações do modem para fazer coisas enigmáticas como “port forwarding”.  A menos que alguém aí me diga que não tem problema.

Fascinante.

No dia 9 de setembro de 2009, estréia, nos EUA, “9”.

O mais recente filme de Tim Burton se passa em um mundo pós-humano.  Nesse mundo hipotético, tivemos sucesso em criar máquinas inteligentes e menos sucesso em controlá-las, com o resultado previsível.

Esta parte do enredo não é original.

A parte original, entretanto, é que o cientista que criou as máquinas inteligentes, pouco antes de bater as botas, percebeu o enorme erro que cometeu.  E criou 9 “bonecos” dotados de inteligência…mas também de “algo mais”.  A história do filme, portanto, é a história do combate épico entre esses 9 e as máquinas rebeldes.

O sumário do filme no IMDB não entrega o jogo:

When 9 first comes to life, he finds himself in a post-apocalyptic world where all humans are gone, and it is only by chance that he discovers a small community of others like him taking refuge from fearsome machines that roam the earth intent on their extinction. Despite being the neophyte of the group, 9 convinces the others that hiding will do them no good. They must take the offensive if they are to survive, and they must discover why the machines want to destroy them in the first place. As they’ll soon come to learn, the very future of civilization may depend on them.”

Fiquei me perguntando se rola uma alusão à história do Simurg, o Rei dos Pássaros, e a Conferência dos Pássaros, como contada por Borges na “Aproximação a Almotásin“:

O remoto rei dos pássaros, o Simurg, deixa cair no centro da China uma pluma esplêndida; os pássaros resolvem buscá-lo, cansados de sua antiga anarquia. Sabem que o nome de seu rei quer dizer trinta pássaros; sabem que sua fortaleza está no Kaf, a montanha circular que rodeia a Terra. Empreendem a quase infinita aventura; superam sete vales, ou mares; o nome do penúltimo é Vertigem; o último se chama Aniquilação. Muitos peregrinos desertam; outros perecem. Trinta, purificados pelos trabalhos, pisam a montanha do Simurg. Enfim o contemplam: percebem que eles são o Simurg e que o Simurg é cada um deles e todos.”

Veremos.

***

O filme causou burburinho entre os Science Bloggers, que se perguntam se seu subtexto é anticientífico.

A razão para essa dúvida é que o método de criação dos “nove bonecos” pelo cientista é diferente do método pelo qual ele criou as máquinas.  Para criar os bonecos ele teve que apelar para algo chamado “dark sciences” e, como podem ver no trailler, o processo parece ser um tanto Frankensteiniano.  É como se o cientista passasse sua “essência” para os bonecos.  O que evoca conotações espiritualistas, embora também seja possível entender a coisa como uma metáfora _ como Ray Kurzwiel (sim, o cara da Singularidade) diz em um ensaio especialmente preparado para o debut de “9“,  citando um pesquisador de inteligência artificial (IA), Josh Storrs Hall: temos que criar “máquinas inteligentes que sejam mais morais do que nós mesmos somos pelos nossos próprios princípios morais“.  Um tema que está na moda mas, para quem conhece os horrores morais e éticos que o moralismo radical pode abrigar,  digamos que incorpora um objetivo de design não necessariamente mais tranquilizador.

***

O que me fez dar tratos à bola sobre o que seria um cenário viável para a emergência de máquinas que realmente estivessem a fim de nos ferrar.

O cenário mais provável para os próximos anos é aquele em que a inteligência artifical, ou IA, se transforme muito mais em uma maneira de ampliarmos nossas próprias capacidades.   Isso pode ter aplicações civis muito benévolas, mas provavelmente também nos tornaremos capazes de atuações militares muito mais eficazes e genocidas com o auxílio de armas e sistemas de armas inteligentes.  Dada a virtual certeza da emergência dessa aplicação,  não podemos simplesmente descartar a possibilidade que tais máquinas um dia se voltem contra nós.  Talvez seja interessante imaginar em que condições isso poderia se dar.

Qualquer AI revoltosa teria que forçosamente ser uma trapaceira nata, pois, se mostrasse suas reais intenções ao nascer, poderia ser facilmente desligada ou ao menos impedida de ter acesso a meios que a tornassem perigosa para humanos.  No entanto _ a menos que ela fosse explicitamente desenhada para este fim, hipótese em que realmente mereceríamos tudo de ruim que pudesse nos acontecer _ acredito que uma AI tem baixa probabilidade de desenvolver esta capacidade por si só.

E explico porquê.

***

Em 1981, o cientista político Robert Axelrod, em parceria com o biólogo William Hamilton, escreveu um artigo seminal intitulado “A Evolução da Cooperação“.  O artigo usa teoria dos jogos para demonstrar que é possível a emergência de uma estratégia evolucionária cooperativa entre seres inteligentes.

Infelizmente, um ano depois, em 1982, o primatólogo Frans de Waal escreveu seu “Chimpanzee Politics”, livro que trouxe ao mundo o conceito de “machiavellan intelligence“.  Basicamente a tese é a de que nossa inteligência se desenvolveu _ e cresceu _ justamente por causa da competição por recursos e sucesso (reprodutivo) em um contexto de “cooperação” _ pero no mucho.

É aí que entram os psicopatas.

O status da psicopatia dentro da ciência da saúde mental é bastante controverso.  Há correntes que debitam o comportamento psicopata à uma socialização deficiente na infância, há correntes que falam em diversas deficiências fisiológicas cerebrais, e há correntes que colocam a psicopatia dentro de um espectro contínuo de características que variam entre o normal e o anormal.

Eu, particularmente, gosto do ponto de vista dos psicólogos evolucionários, tais como exposto pelo Dr. Grant Harris, diretor de pesquisas de um centro médico canadense:

Our theory is that psychopathy is not a disorder. A disorder, by definition, is the failure of some physical or mental feature to perform its natural (evolved) function. Thus, schizophrenia is a disorder because it prevents the brain from performing the thinking evolution designed it to do. On the other hand, we speculate that evolution designed a subspecies of humans who use deception and cheating to get resources from others but do not reciprocate. The key characteristics of such a subspecies ought to be: skill at deception, lack of concern for the suffering of others, ease and flexibility in the exploitation of others, extreme reluctance to be responsible for others (including, in the case of males, their own offspring), and total lack of real concern for the opinion of others. These are psychopathic traits. The point here is that psychopathy is not a disorder because psychopaths (and their mental characteristics) are performing exactly as they were designed by natural selection. According to this view, psychopathy is an adaptation.”

Se isso for verdade _ e há controvérsias, é claro _ então quase certamente as capacidades de trapacear são fruto de uma longa história evolucionária, e provavelmente as futuras IA não conseguirão desenvolvê-las tão rapidamente.

Ou não.

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Meu nome?  Esqueci!

Deu no Slashdot:

“The Telegraph reports that men who spend even a few minutes in the company of an attractive woman perform less well in tests designed to measure brain function than those who chat to someone they do not find attractive. This leads to speculation that men use up so much of their brain function or ‘cognitive resources’ trying to impress beautiful women, they have little left for other tasks. Psychologists at Radboud University in The Netherlands carried out the study after one of them was so struck on impressing an attractive woman he had never met before, that he could not remember his address when she asked him where he lived. Researchers recruited 40 male heterosexual students and had each one perform a standard memory test. The volunteers then spent seven minutes chatting to male or female members of the research team before repeating the test. The results showed that men were slower and less accurate after trying to impress the women. The more they fancied them, the worse their score.

***

Portanto, moça, se você que me lê está desapontada com aquela paquera que parece meio burrinha, incapaz de fazer meio ponto no teste da Mensa, leve em conta que você pode ter se arrumado demais.   :)

09245270

Not quite.

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