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O par perfeito

Mas não exatamente pelo motivo que vocês estão imaginando:

Hunger dictates who men fancy

Eat A study of 61 male university students found those who were hungry were attracted to heavier women than those who were satiated. The hungry men also paid much less attention to a woman’s body shape and regarded less curvy figures as more attractive. Although it is not clear exactly how hunger exerts an influence on attraction, past research suggests social, cultural and psychological factors are involved.

In some societies where food is a limited resource, such as the South Pacific, higher body weights are revered. In others where food is abundant, such as the West, lower female body weights are preferred. Evolutionary psychologists believe this is a survival preference. What you are looking for in a mate is the best chance of healthy offspring and in an environment where food is scarce, a heavier woman is deemed a safer bet for this.

Mais aqui.

(hat tip: 3quarksdaily)

Está insone, prezado leitor?

Pois conheça o site Acalanto e locuplete o seu iPod:

Projeto Acalanto

Acalanto ou cantiga de ninar é o nome do canto entoado para adormecer as crianças. Considerado o canto universal do berço, ele pode ser herdado ou inventado para embalar o sono dos pequenos, com ternura.

Na história das civilizações, o acalanto tem sentido protetor, uma espécie de encantamento para afastar os maus espíritos. O fato de um adulto acalentar um bebê é inerente àquilo que chamamos humanidade.

Este vasto patrimônio humano, manifesto pelas cantigas entoadas em várias línguas por diferentes povos, está sendo reunido num grande acervo virtual de gravações e imagens, por iniciativa do Instituto Auditório Ibirapuera.

A intenção do IAI é coletar informações sobre o assunto, artigos, pesquisas e referências sobre o tema, para que este acervo cresça e vire um projeto capaz de beneficiar a educação e a cultura.

Eles têm um acervo em variadas línguas.   Boa soneca. :)

Die casting

Deu no Estadão:

Amy Winehouse ganha estátua de cera em museu em Londres

Vários artistas já foram imortalizados no museu Madame Tussauds, como os Beatles, Beyoncé e Jimi Hendrix

LONDRES - A cantora britânica Amy Winehouse, de 24 anos, terá sua própria estátua de cera no museu Madame Tussauds, de Londres, onde já foram imortalizados artistas como os Beatles, Beyoncé e Jimi Hendrix.

A cantora passará a fazer parte da sala dedicada à música que o museu inaugurará em julho, informou nesta segunda-feira, 30, um porta-voz da galeria.

“Shit, Piss, Fuck, Cunt, CockSucker, MotherFucker, Tits”

Estas são as “sete palavras que não podem ser ditas em um programa de TV” nos EUA e que, ao contrário do que muita gente parece pensar, subsidia a ação da regulação federal em cima da TV aberta norte-americana.

A coisa hoje é tão séria que veículos liberais como o Reason já começam a se insurgir contra a epidemia de decência na mídia norte-americana, que já fez surgir até mesmo um prêmio para filmecos bem-comportados, o CAMIE - Character and Morality in Entertainment, criado pelo Dr. Glen Griffin, um médico pediatra de Salt Lake City que era também um entusiasta da abstinência sexual (dá pra notar).  Deve ser por isso que a imagem plasmada na pequena estátua do prêmio tem um certo ar virginal, em contraste com o priápico Oscar.

Pois George Carlin, o sujeito que foi o pivô da ação judicial que culminou na regulamentação do palavreado indecente na TV dos EUA, morreu esses dias, de infarte, aos 71 anos. Pra quem não sabe, ele foi o primeiro apresentador do “Saturday Night Live”, em 1975.

Carlin era uma estrela da contracultura e entre suas várias cruzadas estava o combate aos eufemismos na mídia norte americana. Ele notou, aliás, que a cultura do eufemismo estava tão difundida no noticiário que ninguém mais podia simplesmente “morrer”. Deve ser por isso que a msnbc noticiou seu passamento simplesmente assim: “Comedian George Carlin dies at 71“. Vai com fé, Carlin.

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Não deixa de ser um tributo ao diuturno trabalho das esquerdas gramscianas para solapar a fibra do mundo ocidental que ao buscar “CAMIE Awards” no modo imagem no Google acabamos recebendo a seguinte sugestão:

Você quis dizer: COMMIE Awards

Esse mundo tá perdido.

Chamada na capa do Estadão online:

Coisas assim me deprimem, sério.

Plutão, eminência parda que manipula das sombras

No Planetary.org, uma prova de que até os planetas exteriores têm lobbies nas “agências reguladoras” terrestres:

Meet the Plutoids: IAU Makes Amends for Pluto’s Demotion

It has been nearly two years since the members of the International Astronomical Union (IAU) decided that Pluto, known since its discovery as the “9th planet,” was not a planet at all. Instead this longstanding favorite of children around the world was designated as a founding member of a new class of “dwarf planets.” According to the IAU, the exclusive and now permanently closed club of “true” planets includes only the eight inner planets, from Mercury to Neptune. No new space rocks need apply.

Now, in an apparent effort to assuage angry Pluto supporters, the IAU has decided to honor the former planet with a new distinction: Dwarf planets, at least those residing at the edge of the solar system beyond the orbit of Neptune, will henceforth be known as “plutoids.”

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E como no caso da captura regulatória em outros campos menos celestes, porteira aberta é um caso sério:

In addition to Pluto and Eris, several other objects are being considered for the “plutoid” designation. The candidates include giant KBO’s 2005FY9, known informally as “Easterbunny,” and 2003EL61, nicknamed “Santa.” Other large objects, such as Sedna and Quaoar, may qualify as well, but they are too dim for their shape to be determined with confidence. Their induction into the ranks of plutoids will therefore have to wait until better images are available.

Como se vê, todo o zoológico planetário que circula sobre nossas cabeças agora quer uma lasquinha do privilégio plutônico.  De qualquer maneira, saber que “Santa” é um plutóide é de alguma maneira bastante reconfortante.

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Imaginem só como vai ficar a coisa quando o lobby de Vênus começar a trabalhar…

Steampunked

O NYT traz um artigo interessantíssimo sobre o Mundaneum. Pois é, você não sabe o que é isso? Nem eu sabia também.

O fato é que um outro visionário francófono (outro, sim, pois há, ou havia, muitos deles), Paul Otlet, um belga, já havia antecipado, em 1934, a World Wide Web. Não causa muita surpresa que sua abordagem não tenha sido a de alguém ligado a software, como Vannevar Bush ou Doug Engelbart, mas sim a de um bibliotecário. Sim, Paul Otlet vinha desse background. Diz a Wikipedia:

É considerado o fundador da ciência da Bibliografia, da Documentação pioneiro da Gestão da Informação. Estudou nas universidades de Lovaina, Paris e Bruxelas.

Com Henri la Fontaine criou em Bruxelas, em 12 de setembro de 1895, o IIB - Instituto Internacional de Bibliografia, com objetivo era organizar as diferentes fontes de investigação científica e fornecer informação para a recuperação em qualquer documento publicado mundialmente.

Criou, também, a CDU - Classificação Decimal Universal, publicada em 1899.

Seu Traité de Documentation (1934) apresenta a organização da informação registrada. Porém, uma de suas maiores contribuições para a humanidade foi a idéia inicial da web, inclusive criando o termo “link” para as relações entre informações.

Diz a reportagem do NYT que em 1934 Otlet fez o rascunho de um plano para criar uma rede global de computadores (que ele chamava de “telescópios elétricos”…), os quais permitiram a qualquer pessoa fazer buscas e examinar milhões de documentos, imagens, vídeos e áudios interligados. Para ele as pessoas seriam capazes de usar a rede para trocar mensagens, compartilhar arquivos e conversar em redes sociais. A tudo isso ele chamou, é claro, por “réseau” _ a bisavó intelectual da nossa “web”. Ou, em suas palavras, um instrumento através do qual “qualquer pessoa poderia, de sua poltrona, perscrutar toda a Criação”.

Tendo sido vítima do homeschooling, Otlet virou uma traça, um devorador de livros. Porém com algum empreendorismo, o que o levou a convencer o governo belga a financiar seu fabuloso projeto de classificar todo o material impresso do mundo e criar uma “cidade do conhecimento” _ um trunfo interessante para o governo, que queria ter a honra de sediar a Liga das Nações. De fato, ele chegou a fundar um Google “steampunk” _ um serviço pago de consultas, e chegou a receber mais de 1500 consultas por ano, feitas por carta e telégrafo.

Otlet desapareceu para nós, em boa medida porque os nazistas marcharam sobre a Bélgica e destruíram o trabalho de sua vida _ o governo belga havia perdido o interesse no assunto após ter perdido o lance para hospedar a Liga das Nações, e os nazistas destruíram o local da sua “cidade do conhecimento” para abrigar uma exposição de, er, arte nazista.

Hoje, o trabalho de Otlet está sendo objeto de tentativas de restauração, e um dos principais projetos é o Mundaneum Museum, em Bruxelas.

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Mais uma vez o mundo anglo se curva perante a latinidade.

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O artigo termina algo melancolicamente, assinalando que o Google lui-même está implantando mais um de seus gigantescos data centers nas vizinhanças de Mons, a cidade belga onde hoje funciona o Mundaneum.

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Um mercado que aliás está quase literalmente pegando fogo. Informa o Slashdot:

Data Center Designers In High Demand

For years, data center designers have toiled in obscurity in the engine rooms of the digital economy, amid the racks of servers and storage devices that power everything from online videos to corporate e-mail systems but now people with the skills to design, build and run a data center that does not endanger the power grid are suddenly in demand. ‘The data center energy problem is growing fast, and it has an economic importance that far outweighs the electricity use,’ said Jonathan G. Koomey of Stanford University. ‘So that explains why these data center people, who haven’t gotten a lot of glory in their careers, are in the spotlight now.’ The pace of the data center build-up is the result of the surging use of servers, which in the United States rose to 11.8 million in 2007, from 2.6 million a decade earlier. ‘For years and years, the attitude was just buy it, install it and don’t worry about it,’ says Vernon Turner, an analyst for IDC. ‘That led to all sorts of inefficiencies. Now, we’re paying for that behavior.’

Data centers, hoje, costumam ser propriedades bem guardadas e protegidas não só de ladrões e sabotadores como dos olhares de competidores curiosos, já que as tecnologias empregadas para mitigar um dos maiores custos desses empreendimentos, a energia elétrica, são sigilosas. Mas o leitor mais tecnologicamente orientado gostará de ver esta sequencia de fotos mostrando a montagem de um data center.

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E no Rough Type, o Nick Carr dá continuidade a mais uma polêmica. Dessa vez, um artigo no Atlantic sobre os efeitos cognitivos do Google, batizado,com raro senso marketeiro, de…

“Is Google Making Us Stupid?”

Maybe. Tese: o Google causa desordem de déficit de atenção. Nick nos atira uma bela frase:

Once I was a scuba diver in the sea of words. Now I zip along the surface like a guy on a Jet Ski.

OK, até certo ponto eu também sinto isso.

Em certa medida, a web que o mundo esqueceu foi mesmo a de Otlet, mas também é preciso dizer que há uma web que o mundo vive esquecendo todo dia, a que é fabricada em Mountain View.

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Para tudo, entretanto, há remédio.

Ainda na Folha de hoje, uma reportagem sobre o fracasso do “sistema cicloviário” paulista em decolar:

Programa das ciclovias não sai do papel

Sistema prevê uso de bicicleta como meio de transporte; secretaria não pode gastar verba com ciclovias fora de parques

Coordenadora do Pró-ciclista diz que falta de autonomia para fazer obras; projeto cicloviário da cidade ficará pronto no fim do ano

Um ano e quatro meses após a aprovação da lei que criou o “sistema cicloviário municipal” de São Paulo, a gestão Gilberto Kassab (DEM) não inaugurou nenhuma ciclovia destinada ao uso da bicicleta em vias públicas, como meio de transporte.
Com 23,5 km de ciclovias -apenas 4,5 km deles fora de parques, segundo a prefeitura- São Paulo subaproveita a bicicleta como veículo e não atende à demanda das cerca de 370 mil pessoas que a utilizam diariamente (para comparação, cerca de 1,7 milhão usam o carro todos os dias). Os dados são de pesquisa Ibope/Nossa São Paulo do final de 2007.
Essa quantidade de ciclistas, que corresponde à estimativa da prefeitura, é quase seis vezes a de 2002 -ano do último dado oficial sobre o assunto.
Desde 2006, o município possui um órgão responsável por fazer a lei sair do papel, por meio de estudos e da implantação de um sistema de ciclovias interligadas na cidade -o Pró-ciclista (Grupo Executivo de Melhoramentos Cicloviários).
Porém, por ser ligado à Secretaria do Verde e Meio Ambiente -e não à dos Transportes, por exemplo-, o Pró-ciclista tem poder executivo limitado: o órgão não pode empregar seu orçamento (R$ 11,8 milhões neste ano) em obras no sistema viário, porque a secretaria à qual pertence não tem autonomia para licitar e construir ciclovias fora de parques.
O grupo ainda não possui sequer o esboço de um projeto cicloviário para toda a cidade -algo que só deve ficar pronto no fim do ano, segundo Laura Ceneviva, coordenadora do Pró-ciclista. “Temos o recurso, mas falta autonomia e estrutura administrativa.” O grupo tem 12 membros de seis secretarias -desses, só cinco em regime de dedicação exclusiva.
A comparação com grandes cidades que adotaram ciclovias nos últimos anos revela quão tímida é a política paulistana.
Bogotá, na Colômbia, construiu 340 km de ciclovias em sete anos -mais da metade implantadas de 1998 a 2000, um ano após o início dos estudos.
Segundo o ITDP (ONG que pesquisa alternativas em transportes), hoje 54% das residências têm bicicletas, e 66% do uso das ciclovias é para ir ao trabalho ou à escola.
Nova York, nos EUA, que tem 8,2 milhões de habitantes, fez cerca de 180 km de ciclovias nos últimos dois anos -o plano é ter 480 km ainda em 2009.
Enquanto isso, em São Paulo, usar a bicicleta segue sendo um ato de coragem. As mortes de ciclistas na cidade, que em 2004 foram 51, chegaram a 93 em 2005 e a 84 em 2006.
“Ando de bicicleta mais pelo gosto. E pela teimosia”, diz o balconista Antônio Adelson de Souza, 54, que pedala 35 km por dia. “Os motoristas não respeitam, e até o lixo na rua é um obstáculo. Não tem pára-choque: o pára-choque é você”, conta Souza, que já foi atropelado por um automóvel.
Enquanto as ciclovias não chegam, o ciclista deve respeitar as leis de trânsito: andar pela margem direita, no mesmo sentido da via.

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O que contrasta vivamente com a situação em Paris, onde o sistema público de bicicletas pegou de vez.  O “Vélib” (velô en libre service) virou uma coqueluxe na capital francesa, onde as onipresentes estações de estacionamento de bikes construídas pela firma de equipamentos urbanos J.C. Descaux são complementadas por um programa de ciclovias bastante ambicioso por toda a cidade.

E o que é mais fantástico: o metrô de Paris fecha à uma da manhã, mas os quiosques das bicicletas, que são automatizados, funcionam 24 horas por dia, o que torna a experiência de voltar para casa (ou para o hotel) à noite bem menos frustrante e cara (os taxistas não devem ter gostado muito da história).

Infelizmente, eu não consigo imaginar este sistema funcionando em qualquer das capitais brasileiras.

Deu no Estadao:

Apple apresenta iPhone 3G, mais barato e com internet veloz

Anúncio do novo aparelho foi feito pelo presidente da Apple, Steve Jobs, durante conferência em São Francisco

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SÃO PAULO - A Apple anunciou nesta segunda-feira, 9, o tão esperado iPhone 3G, que estará à venda a partir de 11 de julho nos Estados Unidos, com o preço de US$ 199. O novo aparelho vai suportar redes Wi-Fi, 3G e EDGE e poderá mudar automaticamente de uma para outra, assegurando velocidades de download mais rápidas.

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Tive um delirio com uma familia morando em uma caverna e cozinhando com fogueiras. Motivo: esperando o novo lancamento da civilizacao, desta vez mais barata e com 3G.

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O que e’ ser um consumidor racional em tempos pre’-Singularidade?

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Eu mesmo estou esperando para comprar uma TV LCD. Porque comprar um aparelho a 5 mil reais se daqui a pouco ele estara’ sendo vendido pela metade do preco?

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O mundo do futuro sera’ um mundo talhado pelo neuromarketing para as compras por impulso.

Na Folha de Sao Paulo, o obvio:

Carreira de professor atrai menos preparados

Apenas 5% dos melhores alunos formados no ensino médio querem atuar como docentes do ensino básico, diz estudo

Baixo retorno financeiro e desprestígio social da carreira docente são citados entre os principais fatores para perfil identificado no levantamento

FÁBIO TAKAHASHI
DA REPORTAGEM LOCAL

Ao contrário dos países com sucesso educacional, o Brasil atrai para o magistério os profissionais que possuem mais dificuldades acadêmicas e sociais, aponta um estudo inédito a ser apresentado hoje, que utilizou bancos de dados oficiais.
Uma das constatações do levantamento, encomendado pela Fundação Lemann e pelo Instituto Futuro Brasil, é que apenas 5% dos melhores alunos que se formam no ensino médio desejam trabalhar como docentes da educação básica, que abrange os antigos primário, ginásio e colegial.
Os pesquisadores delimitaram o patamar de estudantes “top” naqueles que ficaram entre os 20% mais bem colocados no Enem 2005 (Exame Nacional do Ensino Médio, do governo federal).
Dentro do grupo dos melhores, 31% querem a área da saúde e 18%, engenharia.
Com base nos questionários do Enade (o antigo provão), o estudo identificou que os alunos de pedagogia (curso que forma professores para os primeiros anos do ensino fundamental) vêm de famílias de baixa renda e têm mães com pouca escolarização -condições que apontam maiores chances de dificuldades acadêmicas.
“Para melhorar a qualidade de ensino, o Brasil precisa criar uma nova estrutura para atrair um outro perfil de pessoas para a educação”, afirma a coordenadora do trabalho, Paula Louzano, doutora em educação pela Universidade Harvard (dos Estados Unidos).
O estudo, ao qual a Folha teve acesso, será apresentado hoje em São Paulo, em seminário fechado promovido pela Fundação Lemann e pelo Instituto Futuro Brasil.

Coréia e Finlândia
A pesquisa compara a situação brasileira à dos melhores sistemas de educação do mundo, estudados pela consultoria McKinsey, em um trabalho do ano passado.
Segundo a pesquisa, o primeiro dos três pontos que se destacam nas redes de ponta é “escolher as melhores pessoas para se tornarem professores”.
Um exemplo estudado foi a Coréia do Sul, primeira colocada no ranking de leitura no Pisa 2006 (exame internacional). Lá, os que vão trabalhar no magistério, obrigatoriamente, devem estar entre os 5% melhores em um exame nacional para o ingresso no ensino superior.
Na Finlândia, segunda no mesmo ranking, os professores são selecionados entre os 10% melhores alunos.

Status
Os dois países buscaram medidas que elevassem o status dos professores -realidade diferente da brasileira. “Nunca vi um aluno daqui dizer que quer cursar pedagogia”, afirma Andrea Godinho de Carvalho Lauro, professora do colégio Vértice, o melhor de São Paulo no Enem. “Os pais querem carreiras com mais retorno financeiro e social”, diz.
O baixo retorno financeiro no magistério, citado por Andrea, causa divergência entre educadores (leia mais na pág. C3). O reduzido status social, porém, é consensual.
“Como a profissão é desprestigiada, a maioria daqueles que escolhem trabalhar como professor o faz porque o curso superior na área é mais fácil de entrar, barato e rápido”, afirma o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Roberto Leão.
“O pobre, que estuda no caos que é hoje a escola pública, vê na pedagogia uma das poucas opções possíveis de chegar ao ensino superior. Muitos não escolhem a carreira por vocação, mas, sim, porque é onde dá para entrar. É preciso tornar a carreira mais atrativa, para o pobre e para o rico”, argumenta o dirigente da categoria.
“Os estudantes que chegam têm muitas dificuldades em conhecimentos básicos”, diz Paulo de Assunção, pró-reitor acadêmico da Unifai (Centro Universitário Assunção), instituição de São Paulo com o maior número de matrículas em pedagogia. Para atenuar o problema, a escola tem aulas de reforço em língua portuguesa, matemática, entre outras.

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So’ nao ve quem nao quer.

Um post que é menos um post que uma nota para o futuro: pensar sobre uma taxonomia de problemas.

No momento o tipo de problema que mais me fascina é o que chamo de “problema endógeno”, à falta de melhor descrição (mas é bem possível que já exista um termo cunhado para o que quero descrever).  Refiro-me a problemas onde o próprio ato de tentar resolver o problema gera o problema.

O problema da alteração climática, por exemplo.  “Econo-tecno-otimistas” como o Paulo do FYI tendem a achar que o livre-mercado criará espontaneamente a solução para tais problemas, mas a ação espontânea do livre-mercado é, na verdade, um dos seus principais causadores.

Em outra área: a política.  Em que medida a política é capaz de criar problemas pela dinâmica de sua ação?

Recentemente Lawrence Lessig, campeão dos padrões abertos, decidiu mudar de carreira e dedicar-se ao problema de combater a corrupção na política.  Mudou-se para Washington e rapidamente ficoutentado a concorrer a um mandato no Congresso dos EUA em uma eleição especial (trata-se de eleições “fora do tempo” que ocorrem quando um representante do povo vaga o mandato _ aparentemente ao invés de tapar o buraco com um suplente eles fazem nova eleição).  Christopher Hayes narra , em um artigo no The Nation, as dificuldades encontradas por Lessig:

Though playing David to various Goliaths (armed with a laptop as slingshot) is the defining narrative of Lessig’s career, as we finish our conversation in the coffee shop he tells me he feels like he’s “never actually…won anything. I constantly feel like, when will I actually deliver?”

Which probably explains why Lessig was tempted to run for Congress. What would be a more quixotic quest than running for Congress as an unknown against a popular local pol? What better venue to prove that process reform can be a real vote-moving issue? After a few supporters organized a Draft Lessig website, he began to consider announcing his candidacy. He hired Joe Trippi and spent $30,000 on an exploratory poll, the results of which were “completely terrible,” recalls Swartz. Not only did he have no name recognition but his would-be opponent, State Senator (now Congresswoman) Jackie Speier was “an absolute saint to the district. No matter what you said about her in the polls”–that she, for instance, took contributions from the same industries she regulated in the State Senate–”people just didn’t care. So it would have been physically impossible for us to persuade enough voters to win, even in a low-turnout special election.”

But Lessig gave up the notion of running reluctantly. “We spent a lot of time trying to think if there was some way we could make it work,” says Swartz. “There was just no way to break in. It was depressing.” Trippi says Lessig’s disappointment was evident. “I think he would have relished the opportunity to be out there and try to convince the district–of seeing if he could beat those odds.”

“When I was thinking of running,” Lessig says, “the biggest pushback I got was from all these senior politico types who are like, Look, you can never sell process reform; nobody will ever buy it; if that’s your message, you cannot win. And my response is, Well, we’ve got to figure out how to sell it, for Chrissake! It’s not like we have a choice.

Se a busca de um mandato para reformar a política é tão politicamente impalatável, qual a probabilidade de conseguirmos reformar a política?

Quando algo é dito é porque deixou de existir no coração

Pesquei ici.

A Maristela, do Clínica da Palavra, me envia e-mail pedindo que eu faça um post sobre este assunto:

Ladrões encapuzados com biquíni fio dental preocupam polícia do Colorado

Câmera flagrou dois assaltantes com a peça feminina na cabeça.
Eles entraram em uma loja e, sem armas, roubaram dinheiro e cigarros.

Vídeo de segurança mostra bandidos da tanga (Foto: Associated Press)

A polícia de uma cidade do Colorado está procurando dois bandidos cujas máscaras indicam uma boa noção de moda, mas nenhum pudor: o disfarce deles é uma tanguinha fio dental que mal cobre o nariz.

Um vídeo divulgado nessa semana pela polícia de Arvada mostra os dois ladrões, sem armas, em uma loja de conveniência. Eles roubam dinheiro e cigarros.

A tanguinha de um deles era verde, e a do outro era azul. O fio dental mal conseguia cobrir nariz, boca e queixo dos assaltantes. Um deles também vestia uma mochila rosa em que transportava os itens roubados.

Os suspeitos vestiam camisetas, e pareciam ter 20 anos – um deles tinha uma tatuagem no braço esquerdo.

***

Agradeço à Maristela esta oportunidade ímpar de fazer uma análise sócio-histórico-semiológica desta importante notícia, e poder compartilhá-la aqui com vocês, gente.

Paul Lafargue já previra, em seu opus maganum “O Direito à Contravenção”, que com o avanço da capacidade produtiva da sociedade a própria natureza do crime se alteraria. Com todas as necessidades básicas atendidas, a mente transgressora iria, sem dúvida, além dos limites comezinhos dos meros crimes patrimoniais: os crimes seriam, no ocaso do capitalismo, obras de arte, uma afirmação de um princípio, uma performance plena de significado.

Estão aí esses dois criminosos-artistas do Colorado que não nos deixam mentir. Evidentemente que a adoção das tangas como capuzes não visa proteger a identidade dos larápios conceituais. Pelo contrário, a tanga na cara é um manifesto mudo de afirmação identitária, um ato de coragem filosófica que desafia a própria trama contextual da nossa surveillance society e a enfrenta com a indumentária (isto é , a pele) do homem tribal, o homem da tanga, quase nu e precário diante desse mundo hostil.

Mas também pode ser que fossem as calcinhas das namoradas, para dar sorte.

Onde Keira Knightley e Scarlett Johannson dão sua cota de sacrifício pela Singularidade (cliquez pour enlarger)

Nick Carr tem um post sobre o número especial do…IEEE Spectrum (sic) sobre a Singularidade.  Pra quem ainda não sabe que diabo é isso, ou pensa logo em um buraco negro, Carr tem uma descrição bem apta:

…that much-anticipated moment, or nano-moment, when our once-tractable silicon servants rocket past us, intellectually speaking, in a blur not unlike the one you see when Scotty activates the Enterprise’s warp drive on Star Trek, pausing only (we pray) to allow us to virtualize our mental circuitry and upload it into their capacious memory banks (watch for the 2035 launch of Amazon S4: Simple Soul Storage Service), thus achieving a sort of neutered, brain-in-a-jar immortality…

O primero texto da coletânea, que é também seu portulano e editorial, ilumina bem a discussão que tivemos no post sobre a reação de Reinaldo Azevedo à decisão do STF, qual seja, a de dizer, em essência, que a ciência visa “imanentizar o eschaton”:

Bear that history in mind as you consider the creed of the singularitarians. Many of them fervently believe that in the next several decades we’ll have computers into which you’ll be able to upload your consciousness—the mysterious thing that makes you you. Then, with your consciousness able to go from mechanical body to mechanical body, or virtual paradise to virtual paradise, you’ll never need to face death, illness, bad food, or poor cellphone reception.

Now you know why the singularity has also been called the rapture of the geeks.” (grifo meu)

É um cenário que comporta elementos gnósticos, como os illuminati por aqui reconhecerão de imediato:

The singularity is supposed to begin shortly after engineers build the first computer with greater-than-human intelligence. That achievement will trigger a series of cycles in which superintelligent machines beget even smarter machine progeny, going from generation to generation in weeks or days rather than decades or years. The availability of all that cheap, mass-­produced brilliance will spark explosive economic growth, an unending, hypersonic, tech­no­industrial rampage that by comparison will make the Industrial Revolution look like a bingo game.

Não por muito acaso também é mais ou menos o que acontece logo após os militares ligarem pela primeira vez o computador Skynet, no “Terminator 3″, só que “with a vengeance“.

De qualquer forma, o editorial fala do lado “bom” da coisa:

The brain is nothing more, and nothing less, than a very powerful and very odd computer. Evolution has honed it over millions of years to do a fantastic job at certain things, such as pattern recognition and fine control of muscles. The brain is deterministic, meaning that its reactions and responses, including the sensations and behavior of its “owner,” are determined completely by how it is stimulated and by its own internal biophysics and biochemistry. Given those facts, most mathematical philosophers conclude that all the brain’s functions, including consciousness, can be re-­created in a machine. It’s a matter of time.” (grifo meu)

E do lado “ruim” também, é claro:

Ah, but let’s face it—time is what really matters. If you’re obsessed with your own mortality, the idea of a computer blinking into consciousness 400 years from now isn’t going to rock your world. You want the magic moment to come, say, 25 years from now at most. Unfortunately, that timetable grossly over­estimates the speed of technical progress. (…)

What we do know is that the brain’s complexity dwarfs anything we’ve managed to fully understand, let alone build. (…) consciousness will arise in a machine, but [some authors] are less sanguine about death-defying uploading, and especially about it happening in time to allow people alive now to preserve their minds in some sort of digitally created Eden.

Eu, pessoalmente, sou um tanto cético quanto ao “programa forte” da Singularidade.  Acho que as “evidências” em seu favor estão excessivamente ancoradas na extrapolação de algumas tendências que, apesar de impressionantes, não são mais que uma decorrência de economias de escala vinculadas a certas trajetórias tecnológicas determinadas, como é o caso da Lei de Moore.  No entanto acho extremamente provável que em algum momento seremos capazes de criar inteligências artificiais, e razoavelmente possível que sejamos capazes de transferir, em alguma medida, nossas individualidades para o domínio do virtual.

Contrariamente aos proponentes da Singularidade, porém, não vejo isso como uma benesse inquestionável.  Gostaria de ver uma discussão sobre isso na caixa de comentários.  Foi por isso que botei as mulé aí.   :)

Proposta de hoje: Adesivos de combate.

Hoje ia eu calmamente pela rua quando avisto um carro com os seguintes dizeres afixados ao vidro traseiro, em letras garrafais:

Ensino ao meu filho:

Não roubar - Não ser corrupto

Não mentir - Seguir o exemplo

Imediatamente me visualizei, na calada da noite, como um ninja sorrateiro, penetrando habilmente na garagem do sujeito e colando abaixo dessa platitude um adesivo-antídoto com a frase:

E não faz mais que a sua obrigação, seu mané

***

Ok, afinal de contas, o cara não está fazendo nada que um blogueiro também não faça, não é? Externando seu ponto de vista para o grande público. Só que há pelo menos duas grandes diferenças.

A primeira é que quem busca blogs está a fim disso mesmo, ler a opinião alheia. Porém o pobre diabo que está dirigindo pode não estar desesperadamente interessado em saber o que o fulano que está na frente tem a dizer sobre a vida, o mundo, a puericultura.

A segunda é que em um blog, se você tem a decência de deixar sua caixa de comentários aberta, estará sempre sujeito a ter que ouvir a opinião alheia sobre o que escreveu _ o que é, penso eu, uma troca justa. Entretanto, o infeliz que afixa no pára-brisa de seu carro uma frase edificante de meia tigela qualquer está sempre acelerando para longe da crítica.

***

Adesivos de combate, portanto, são um modo instântaneo de transformar o mundo inteiro em um blog com caixa de comentários. Pense bem, querido leitor: as possibilidades são quase infinitas. Por exemplo: placas de trânsito.

Claramente, a única resposta possível a isso é:

***

Assim sendo, conclamo outros blogueiros, comentaristas e simpatizantes a aderirem à campanha “Adesivos de Combate”. Vamos transformar o mundo em um imenso blog, NÃO VAMOS DEIXAR NADA SEM RESPOSTA!

E tenho dito.  :)

Recebi o seguinte e-mail:

From:Professor Alex Smith Chambers
Manchester M27 5FX,
United Kingdom.
This is to inform you that your funds of US$10 Million
has been approved for immediate delivery to you.
For the purpose of clearification,you are advised to
reconfirm your Full
Names,Direct Telephone Numbers,Physical Address with
Zip Code so that there will be no error during the delivery of the funds to you in your country of residence. Your quick response will be highly appreciated. Professor Alex Smith Chambers.

E aí, vocês acham que devo responder?

***

Antigamente, bem antigamente, eu ficava imaginando quem seria o otário que se ocupava de ficar enviando e-mails assim na esperança de atrair algum otário. Hoje eu sei que todo o processo é automatizado, e que como há muitos otários no mundo a operação, seja ela qual for, deve ser rentável.

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Exemplo de “captcha”

O Nick Carr disse algo fantástico no blog dele outro dia. Ele comentava uma reportagem mostrando que há indícios de que hackers conseguiram inventar uma inteligência artificial capaz de quebrar “captchas”. Para quem não sabe, “captchas” são aqueles inúmeros tipos de confirmação pedidos por sites para alguém comentar ou baixar algum arquivo. A idéia é apenas confirmar que quem está do outro lado é um ser humano, e não um programa de computador automatizado de spam, ou seja, é uma espécie de teste de Turing automático (não à toa, “captcha” significa, precisamente, “Completely Automated Public Turing test to tell Computers and Humans Apart“). O Nick Carr coloca um problemão na mesa: a de que é muito possível que dentro em breve existam AI´s mais inteligentes e espertas para quebrar “captchas” do que pessoas…e que os “bad guys” as desenvolvam primeiro que os “good guys”.

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E se você achou o “captcha” ali em cima muito difícil, foi por um bom motivo: leia isto.

Eu já fiz neste e em finados blogs alguns posts sobre o fim da privacidade nos dias da internet.  Sim, isto nos parece muito estranho e desconfortável, mas sempre achei que as novas gerações ficarão mais e mais acostumadas com isso.

Pois o site Beautiful Agony dá um passo além: as pessoas podem enviar pequenos filmes mostrando sua “petite mort”, a qual aliás pode ser obtida como lhe der na telha (a sós, com pepinos, com alguém), e o site a exibirá.  No entanto o acesso é pago.

Bem, o modelo de negócio do site indica que é provável que as pessoas cujos orgasmos estão sendo exibidos sejam modelos pagos, e não colaboradores espontâneos.  Mas eu também acho que algo assim mais Wiki vai acabar aparecendo de um jeito ou outro, pra quem gosta.

Olho vivo no STF. Deu no Estadão:

A expectativa entre os ministros é de que as pesquisas [com células tronco, n. H.] sejam liberadas por uma maioria apertada em plenário. Os placares mais citados internamente são 6 a 5 ou 7 a 4. Um novo pedido de vista, que poderia novamente interromper o julgamento, está praticamente descartado. Justamente por isso, o presidente do tribunal, ministro Gilmar Mendes, marcou o início da sessão para as 8h30 - o horário normal seria as 14h30.

Ainda segundo o Estadão,

[o Ministro Carlos Alberto] Direito, que é católico, fará uma comparação entre a Lei de Biossegurança aprovada pelo Congresso, que liberou as pesquisas, e legislações sobre o mesmo assunto de diversos países. Uma de suas alegações para proibir as pesquisas está baseada nessa análise. Direito dirá que os países que liberaram as pesquisas fizeram, antes, uma lei para regular o procedimento da fertilização in vitro, pelo qual é obtido o embrião. No Brasil, não há legislação sobre o assunto.

Com argumentos como esse, Direito vai se contrapor, ponto a ponto, ao voto do ministro que relatou o caso, Carlos Ayres Britto. Para que tenha sucesso, porém, precisa obter apoio de pelo menos cinco colegas. O STF é composto por 11 ministros no total.

Já segundo o Valor,

A expectativa dos grupos religiosos contrários ao uso de embriões humanos em pesquisas científicas está no voto do ministro Carlos Alberto Direito. Católico praticante, ele pediu vista do processo, em março, e os religiosos esperam que ele abra uma linha de argumentação contra os votos de Ellen e Britto. Direito poderá apontar algum problema formal no julgamento para evitar que os ministros voltem a debater o mérito da questão, defender que as pesquisas ferem o direito à vida, ou tentar garantir que a discussão sobre células-tronco não crie nenhuma jurisprudência para julgamentos futuros sobre o aborto.

Ou seja, o pau vai quebrar.

Então, vamos combinar assim: de um lado, as geleinhas celulares que jamais virarão gente, seja porque não têm como se desenvolver in vitro, seja porque são geralmente jogadas fora de qualquer jeito; e de outro, milhões de pessoas doentes ou deficientes às quais a Igreja Católica prefere negar a possibilidade de cura porque, afinal de contas, foi Papai do Céu que quis assim, apesar de papas moribundos terem direito a UTI’s móveis.

Façam suas apostas.

“Cognitive surplus”

Deu no blog do Daniel Pizza:

Novelas da Globo perdem mais jovens e mais pobres

O público das novelas da Globo encolheu, envelheceu e “enriqueceu” nos últimos anos. Dados do Ibope obtidos com exclusividade pela Folha permitem concluir que a queda de audiência das novelas da emissora está relacionada ao maior acesso de jovens a novas mídias, como a internet, e ao crescimento econômico.
Em 2004, a novela das oito da Globo, “Senhora do Destino”, tinha média de 50,4 pontos no Ibope da Grande São Paulo. O atual título do horário, “Duas Caras”, do mesmo autor, Aguinaldo Silva, terminará nesta semana com média de 41. Em 2004, a novela das seis, “Cabocla”, marcava 34,6 pontos. Em 2008, “Ciranda de Pedra” sofre com 22 pontos.
Em comum, as duas faixas registram a mesma mudança no perfil de audiência.
De cada cem telespectadores de “Senhora do Destino”, 11 tinham de 12 a 17 anos. Em “Duas Caras”, de cada cem telespectadores, só oito estão nessa faixa etária. Por outro lado, as pessoas com mais de 50 anos representavam 24% da audiência de “Senhora”. Hoje, elas são 32% de “Duas Caras”.
Isso quer dizer que as pessoas mais “idosas” permaneceram fiéis ao gênero, diferentemente dos mais jovens.
Mais surpreendente é a mudança no perfil econômico.
De cada cem telespectadores de “Senhora do Destino”, 30 eram das classes A e B, 43 da C e 28 das D e E. Hoje, de cada cem telespectadores de “Duas Caras”, 35 são A e B, 50, C e 15, D e E. Ou seja, aumentou o peso dos telespectadores A, B e C. Já a importância dos mais pobres (D e E) caiu quase à metade, de 28% para 15%.
Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), o crescimento econômico fez parte da classe D migrar para a C, mas não em proporção tão grande quanto à registrada nas novelas. Em 2003, 28% da população da Grande SP eram D e E. Em 2008, os mais pobres são 21,4%.
Uma das explicações para o êxodo dos mais pobres na audiência da Globo pode ser a de Aguinaldo Silva. Ele acredita que parte do público trocou as novelas por DVDs piratas.”

***

E a gente fica sem saber o óbvio, isto é, se a queda de audiência da Globo foi acompanhada pelo aumento da audiência de outras emissoras.

***

Pode ser, por outro lado, que esse pessoal todo esteja escrevendo blogs ou colaborando para a Wikipedia. Ou pelo menos é a tese do professor Clay Shirky, que acha que durante o período pós-Segunda Guerra a televisão engolfou o “superavit cognitivo” da população, que agora estaria sendo liberado pela Web 2.0. A idéia é criticada pelo Nick Carr neste post, lembrando que antes da Internet as pessoas consumiam seu tempo livre em muitas outras coisas além de ver televisão, como hobbys, música, etc. Mas mesmo hipotecando certa compreensão à crítica do Carr, eu ainda acho que no tocante ao que vem acontecendo com a TV o Shirky está no caminho certo. Pelo menos é o que parece mostrar o fluxo da publicidade, que está indo cada vez mais para a internet.

(hat tip pelo discurso do Shirky: Marcos Messer)

A notícia já é velha, mas vá lá: uma equipe de arqueólogos desenterrou um busto de César no fundo de um rio próximo à cidade de Arles.

O busto é unusual pelo seu realismo, e retrata um Júlio César já um tanto enrugado e com pouco cabelo.  Sua cabeça redonda também difere bastante do ideal aquilino de queixo quadrado que anos e anos de filmes hollywoodianos imprimiram à sua figura pública.

O mais interessante é que os arqueólogos desconfiam que o busto foi atirado ao rio logo que chegaram as notícias do assassinato de César _ já que seria pouco sábio se fazer identificar como um apoiador de César nestas condições.  Vê-se portanto que pouco mudou na política nos últimos milênios.

O Guardian tem um obituário de Woody Allen:

The ex cathedra pronouncement that Woody Allen comedies were no longer in vogue came as no great shock to most regular moviegoers, and certainly not to people under the age of 30 (sticklers who prefer comedies that are actually funny), as it had been widely reported in other outlets that the once-revered actor/ writer/director hadn’t made a film worth seeing in years, and nothing vaguely approaching the quality of Annie Hall, Broadway Danny Rose, Manhattan, The Purple Rose of Cairo, or even Bullets Over Broadway. People didn’t talk about Woody Allen movies any more, not even people who had been breathlessly waiting for his latest release since their university days. Allen was a spent force, and - because of his unorthodox parenting style, his unseemly custody battles with ex-partner Mia Farrow and the distressing allegations of child abuse that arose from this contretemps - an embarrassment.

***

De minha parte já não consigo mexer meus pés em direção ao cinema para ver um filme de WA há anos.  Acho que “deu” pra mim no episódio dele do “Contos de Nova York”, que muita gente amou e eu detestei.

É triste quando um artista não sabe quando parar.  Quando este blog começar a ficar insuportável, por exemplo, por favor me avisem.   :)

Deu no Divirta-se!, seção, er, cultural do Correio Braziliense:

Mulher Melancia aparecerá sem lipo na Playboy

Andressa Soares, a Mulher Melancia, posou para a Playboy de junho antes da lipoaspiração que ela vai fazer no bumbum. A notícia foi publicada na coluna de Mônica Bergamo no jornal Folha de S.Paulo.

Esta foi uma exigência da própria revista. “A gente quer ela sem lipo. Isso aí é para quando ela quiser desfilar para a Dolce & Gabbana”, diz Felipe Zobaran, diretor do núcleo de masculinas da editora Abril.

A lipoaspiração de Melancia deve ser feita no fim deste mês. Por enquanto ela se cuida com tratamentos estéticos em uma clínica do Rio.

***

Que dizer sobre isto? Acho que desde a última aparição de Vera Fischer nas páginas centrais da Playboy, exibindo sua mata atlântica sem desflorestamento, é a primeira vez que a revista exibe uma moça assim “ao natural”. Ou não tão ao natural assim, pois é possível que a moça, com essa alcunha, seja mesmo é um experimento genético desafiando as fronteiras entre o mundo animal e vegetal. De qualquer forma parece que esse Zobaran sabe das coisas.

***

Já a “Ilustrada” da Folha traz outra notícia de amplo interesse para nossos scholars dos “cultural studies”:

Novela da Record terá “romance” gay entre mutantes

A próxima fase de “Caminhos do Coração” (Record) terá um “romance” gay envolvendo um mutante, informa a coluna Outro Canal, de Daniel Castro, na Folha desta segunda-feira (19), que está nas bancas. O conteúdo completo é exclusivo para assinantes UOL e Folha.

De acordo com Outro Canal, Fernandão (Theo Becker), o Homem-Cobra, terá um “affair” com o homossexual Danilinho (Cláudio Heinrich). Inicialmente, o mutante quer apenas dar um golpe.

Até aí tudo bem. Porém…

A novela, que tem obtido médias de audiência superiores a 20 pontos, pretende agora conquistar maior público infanto-juvenil e será exibida mais cedo, às 21h, a partir da primeira semana de junho –quando a produção passa a se chamar “Mutantes”. Entre as novidades, novos dinossauros, novos mutantes e conexões interplanetárias.

Gostaria de saber o que jornalistas anti-cartilhas governamentais de educação sexual e anti-classificação indicativa têm a dizer sobre isso…

Matéria no Huffington Post sobre um post do blog Caucus do NYT, hoje, discutindo o fato de que o slogan que o GOP adotou para a campanha 2008 _ “the change you deserve” _ é o mesmo de um conhecido remédio antidepressivo, o Effexor XR.

O que levanta uma outra possibilidade: a de que a felicidade dos conservadores tenha base “química”. Hmmm.

Para piorar, o princípio ativo do Effexor é a Venlafaxina, e diz a Wikipédia que “o cloridrato de venlafaxina é um sólido cristalino branco”. Sei.

Blondes have more fun, and religious people too!

Arthur Brooks, professor na Syracuse University, está colaborando no blog Freakonomics com uma série sobre felicidade.  Em dois posts, ele levanta a tese de que conservadores são mais felizes que “liberais” (à americana, isto é, social-democratas) e que conservadores religiosos são ainda mais felizes.

No primeiro post ele encaminha a questão e pede contribuições.  No segundo, ele agrupa as contribuições em 3 grandes grupos:

1. Conservadores e liberais têm diferentes estilos de vida, particularmente no que respeita à religião e o casamento, o que explica por que conservadores são mais felizes.

2. Conservadores têm uma visão de mundo que - para o bem ou para o mal - leva a  uma maior felicidade.

3. Brooks é um tolo pouco confiável.

Embora 3) possa ser a resposta, não faremos aqui ataques ad hominem.  Mas…

…avanço algumas respostas da própria lavra:

a) Os EUA são um dos países menos permeáveis às idéias social-democratas do mundo desenvolvido.  Não admira, portanto, que social-democratas sejam mais infelizes lá.

b) A religião é uma muleta existencial.  Também não é de causar muito espanto que pessoas altamente religiosas sejam muito felizes.

c) Tentativas de transformar a felicidade subjetiva em métrica última para as políticas públicas é algo tentador, mas é algo duvidoso que seja uma boa idéia.  Em última análise pode ser igualmente uma celebração do hedonismo.  Aliás, do ponto de vista da sustentabilidade, a modulação da felicidade pode ser uma saída mais honrosa do que a busca desenfreada da felicidade.

Idéias a respeito?

Belíssimo, né?  É uma versão cult de um outro trabalho que já rolou por aqui.

Roubei deste post.

Por motivos que ainda me são pouco claros, recebi nesta noite uma enxurrada de buscas por “vídeos de viviane araújo“.  O que me causou espécie visto que (que eu me lembre) este blog jamais exibiu um vídeo de Viviane Araújo.  Mas porque a voz do povo é a voz de Deus, e também como prova de um conceito, eu quis ver que diabos o YouTube traria neste sentido, o que me surpreendeu deveras, e não me deixou alternativa senão sanar esta grande falha deste blog.  Afinal eu sei que a dona tem uma ampla audiência e um fã-clube fiel, como se espera, aliás, de uma moça recatada que sonha os sonhos de uma mulher comum.

A pergunta metafísica que se faz presente, olhando o vídeo, é: mulher que samba sabe dançar funk?  Me pareceu que não.  É provável que os dois estilos dependam do acionamento de grupos musculares completamente distintos, sei lá.  A fisiologia do funk é algo de misterioso.  De qualquer modo me parece que o túmulo do samba pegou a Dutra e chegou ao Rio de Janeiro.

O Guardian está com uma matéria sobre mulheres fatais, e eu me lembrei que tenho um “je ne sais quoi” com a Fanny Ardant.

Deu no Estadão:

Acidente deixa 1 morto e 2 feridos no lago Paranoá, em Brasília

Lancha e barco colidiram no início da noite de quinta; um dos feridos está em estado grave

Ricardo Valota, do estadão.com.br

BRASÍLIA - Um acidente envolvendo duas embarcações, às 18h35 de quinta-feira, 1, no Lago Paranoá, em Brasília, próximo ao Palácio da Alvorada, deixou um morto e dois feridos segundo o Corpo de Bombeiros e a Polícia Civil.

Segundo testemunhas, no momento em que as duas embarcações - uma lancha de grande porte e um barco raso de metal, com motor - colidiram, a luminosidade era baixa porque começava a anoitecer. Havia três ocupantes em cada embarcação. Os que estavam na lancha nada sofreram. Eles esperaram pela chegada do resgate para acompanhar o salvamento.
(…)

No dia 11 de novembro de 2007, um domingo, também no Lago Paranoá, uma lancha atropelou e matou o sargento PM Ismar Lopes de Oliveira, de 47 anos, que mergulhava com um grupo de amigos. Na ocasião, testemunhas relataram que a embarcação passou duas vezes pelo local antes do acidente. Na primeira, teria arrancado as bóias de sinalização. Depois, acabou atingindo e matando o policial.

***

Extensão do litoral brasileiro: 9.198 Km

Perímetro do Lago Paranoá: 80 Km

Frota de embarcações de recreio em Brasília: terceira do país, após Rio e São Paulo.

***

Durante a comemoração dos 48 anos de Brasília, li em algum lugar que o primeiro vivente a sugerir a mudança da capital do Brasil para o interior foi William Pitt, que teria sugerido a idéia a D. João VI como forma de melhor proteger a capital do reino.

Consta que os primeiros seres vivos terrestres tiveram que carregar a água dentro de si quando saíram do mar, coisa que fazemos até hoje.  Da mesma forma parece até que os descendentes dos infantes marinheiros de Portugal também tiveram que carregar a água e suas embarcações para dentro do continente, quando trocaram a capital atlântica pela capital intracontinental.

Só esqueceram de trazer a escola de Sagres.

Grand Theft Auto IV.

De certa forma, realmente é extraordinariamente educativo.

…a versão online do Guardian anuncia a nova versão do Grand Theft Auto.

Mejor ir a San Telmo

Matamoros espanta-se com o fato de não ter encontrado muitos brasileiros na belíssima livraria bonairense “El Ateneo”. De fato é lugar que se pode ir nem que seja só para visitar e não comprar nada. Mas acho que ele se esqueceu que brasileiro, que já não gosta muito de ler, gosta muito menos de ler em espanhol. E por um bom motivo:

LA PRESUNTA ABUELITA

Había una vez una niña que fue a pasear al bosque. De repente se acordó de que no le había comprado ningún regalo a su abuelita. Pasó por un parque y arrancó unos lindos pimpollos rojos. Cuando llegó al bosque vio una carpa entre los árboles y alrededor unos cachorros de león comiendo carne. El corazón le empezó a latir muy fuerte. En cuanto pasó, los leones se pararon y empezaron a caminar atrás de ella. Buscó algún sitio para refugiarse y no lo encontró. Eso le pareció espantoso. A lo lejos vio un bulto que se movía y pensó que había alguien que la podría ayudar. Cuando se acercó vio un oso de espalda. Se quedó en silencio un rato hasta que el oso desapareció y luego, como la noche llegaba, se decidió a prender fuego para cocinar un pastel de berro que sacó del bolso. Empezó a preparar el estofado y lavó también unas ciruelas. De repente apareció un hombre pelado con el saco lleno de polvo que le dijo si podía compartir la cena con él. La niña, aunque muy asustada, le preguntó su apellido. Él le respondió que su apellido era Gutiérrez, pero que era más conocido por el sobrenombre Pepe.

El señor le dijo que la salsa del estofado estaba exquisita aunque un poco salada. El hombre le dio un vaso de vino y cuando ella se enderezó se sintió un poco mareada.

El señor Gutiérrez, al verla borracha, se ofreció a llevarla hasta la casa de su abuela. Ella se peinó su largo pelo y, agarrados del brazo, se fueron rumbo a la casita del bosque.

Mientras caminaban vieron unas huellas que parecían de zorro que iban en dirección al sótano de la casa. El olor de una rica salsa llegaba hasta la puerta. Al entrar tuvieron una mala impresión: la abuelita, de espalda, estaba borrando algo en una hoja, sentada frente al escritorio. Con espanto vieron que bajo su saco asomaba una cola peluda. El hombre agarró una escoba y le pegó a la presunta abuela partiéndole una muela. La niña, al verse engañada por el lobo, quiso desquitarse aplicándole distintos golpes.

Entre tanto, la abuela que estaba amordazada, empezó a golpear la tapa del sótano para que la sacaran de allí. Al descubrir de dónde venían los golpes, consiguieron unas tenazas para poder abrir el cerrojo que estaba todo herrumbrado. Cuando la abuela salió, con la ropa toda sucia de polvo, llamaron a los guardas del bosque para contar todo lo que había sucedido.

Faz tempo que nem sequer olho o caderno Mais! da Folha, mas hoje até que veio alguma coisa que preste: uma conversa entre Ian McEwan e Steven Pinker.

Transcrevo abaixo para os sem-Mais!

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Sinto cheiro de ascensáo social

Deu no Valor:

Brasil, o líder no consumo de desodorantes
Lílian Cunha
25/04/2008

Até dezembro, o mercado brasileiro de desodorantes deverá ultrapassar o dos Estados Unidos, até agora o maior consumidor, prevê a empresa de pesquisas de mercado Euromonitor e a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos.

Os brasileiros deverão movimentar US$ 2,314 bilhões com o produto neste ano. Nos EUA haverá pequena redução nas vendas, que tendem a ficar em US$ 2,310 bilhões. “O desodorante é um produto muito ligado à vida social das pessoas”, diz José Vicente Marino, vice-presidente da Natura, segunda maior empresa do setor em vendas. Quando a economia está desaquecida, as pessoas saem menos de casa e usam menos desodorante. Já o brasileiro usa o desodorante como perfume e o conceito de se perfumar tem a ver com afirmação social, diz Marino, que atribui o aumento do consumo, em parte, à melhora da renda.

***

Agora está definitivamente confirmado: o brasileiro é pobre mas é limpinho.

Speaks volumes

O “dernier cri” da moda parisiense, hoje, é um restaurante que serve vinho em mamadeiras.

Algo me diz que os franceses estão querendo passar alguma mensagem aos turistas…

Deu no UOL:

Juiz solta hackers, mas exige que leiam obras clássicas

Jovens acusados de roubar senhas pela internet terão de apresentar resumo à Justiça

Primeiras obras são de Graciliano Ramos e Guimarães Rosa; juiz também os proibiu de freqüentar casas de prostituição e lan houses

KÁTIA BRASIL
DA AGÊNCIA FOLHA, EM MANAUS

Para conceder liberdade provisória a três jovens detidos sob a acusação de praticar crimes pela internet, um juiz federal do Rio Grande do Norte determinou uma condição inédita: que os rapazes leiam e resumam, a cada três meses, dois clássicos da literatura.”

A Ediouro agradece.

Göbekli Tepe.

Pouca gente já ouviu falar desse lugar, mas trata-se, nada mais nada menos, do que de uma das mais relevantes descobertas arqueológicas dos últimos anos (décadas? séculos?).

À primeira vista, o conjunto arqueológico parece apenas mais um agregado de menires, formando um círculo. A princípio, algo definitivamente menos impressionante do que Stonehenge, por exemplo.

O único problema é que Göbekli Tepe é mais antiga do que Stonehenge. Bem mais antiga. Na verdade, antecede Stonehenge em 6.000 ou 7.000 anos. A beleza da coisa é que, em sendo assim, Göbekli Tepe foi construída antes do início da agricultura.

Não se conhecem, porém, construções monumentais de antes do início da agricultura. Imaginava-se até bem pouco tempo que apenas a domesticação de espécies vegetais e animais poderia sustentar a quantidade de pessoas necessárias para a construção de grandes obras de engenharia monumental. Göbekli Tepe prova que isso não é bem verdade.

***

A existência de Göbekli Tepe, porém, não é algo que chegaria a surpreender o antropólogo norte-americano Marshall Sahlins. Afinal, foi ele que em 1996 propôs a idéia de que as sociedades de caçadores-coletores seriam, de fato, a “original affluent society“, a sociedade da afluência original. Para resumir, a tese é a de que, longe de estarem sempre a um passo da morte por inanição, as sociedades de caçadores coletores eram sociedades com muito tempo livre dado que suas necessidades de reprodução eram facilmente atendidas.

Em seu livro “Maps of Time“, o historiador David Christian se estende um pouco sobre esse assunto, com base em outros estudos:

Qual era a qualidade de vida das pessoas no Paleolítico? Um morador de uma cidade moderna que fosse transportado para o Paleolítico não acharia a vida fácil, mas o pressuposto popular - o de que a vida de sociedades de caçadores-coletores era intrinsecamente difícil é exagerado. É provavelmente igualmente verdade que um cidadão do Paleolítico Siberiano subitamente transportado para o século XXI iria encontrar dificuldades em viver hoje, ainda que de diferentes formas. Num ensaio deliberadamente provocativo publicado em 1972, o antropólogo Marshall Sahlins descreve o mundo da Idade da Pedra como “a sociedade da afluência original”. Ele argumenta que uma sociedade afluente é “aquela em que todas as necessidades materiais da população sejam facilmente satisfeitas”, e ele sugere que por certos padrões, as sociedades da Idade da Pedra cumpriram este critério melhor do o fazem as modernas sociedades industrializadas. Ele ressalta que a riqueza pode ser alcançada seja pela produção de mais mercadorias para satisfazer mais desejos ou pela limitação dos desejos àquilo que está disponível (a “estrada Zen para a afluência”). Usando dados antropológicos recentes para ganhar algum conhecimento sobre a experiência de vida nas sociedades Paleolíticas, ele admite que os níveis de consumo material, sem dúvida, foram baixos entre os povos da Idade da Pedra. Na verdade, o nomadismo, pela sua própria natureza, desincentiva a acumulação de bens materiais, pois a necessidade de transportar o que se possui impõe limites a qualquer desejo de acumular bens materiais. Estudos sugerem que sociedades nômades modernas podem também deliberadamente controlar o crescimento da população utilizando diferentes métodos, incluindo um prolongado período de amamentação das crianças (o que inibe a ovulação), e também técnicas mais brutais, tais como o abandono de crianças em excesso ou de membros mais velhos já não capazes de se mover com o resto da comunidade. De qualquer maneira, Sahlins argumenta que os níveis normais de consumo nessas comunidades era mais que adequado para suprir as necessidades básicas.” (tradução Hermenauta)

Descobertas recentes, analisando os restos mortais de humanos procedentes das antigas comunidades agrícolas vis a vis os de grupos caçadores-coletores, mostra que estes últimos tendiam a ser maiores, mais fortes e mais saudáveis. De fato, o tempo médio diário de “trabalho”, definido como o tempo dedicado a atividades necessárias para a sobrevivência, subiram de cerca de 6 horas nas sociedades caçadoras-coletoras paleolíticas para 7,5 horas no início da agricultura e cerca de 9 horas nas atuais sociedades industrializadas.

Levando em conta, adicionalmente, o fato de que nosso atual padrão de consumo provavelmente não é sustentável, acho que continua sendo uma boa idéia nos perguntarmos sobre o quão realmente nossa sociedade ocidental industrializada é realmente “superior” às demais.

A propósito da idéia exposta no último parágrafo, reproduzo, abaixo, texto do Paul Krugman no New York Times traduzido pela Folha de São Paulo de hoje.

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Tio Rei transcreve em um post um artigo do Francisco Weffort publicado no Globo:

Lula, o pelego?

Leitores me cobram a íntegra do artigo do professor Francisco Weffort, ex-secretário geral do PT e ex-ministro da Cultura do governo FHC, publicado no dia 15 no jornal O Globo. No texto, o professor revela, vamos dizer, uma experiência pessoal, do tempo em que acompanha Lula em viagens, envolvendo prestação de contas. E chega aos nossos dias, quando o PT faz um dossiê para tentar esconder os gastos do presidente da República e seus familiares.

Em essência Weffort, que foi fundador do PT, conta que em uma viagem que fez com Lula em 1989 para angariar apoio ao recém nascido partido, Lula defrontou-se com cobranças sobre a prestação de contas de verbas que sindicalistas alemães e norte-americanos haviam enviado ao partido, em São Bernardo.  Do episódio Weffort retira a tese de que não é de hoje que Lula não gosta de prestar contas a ninguém.

No entanto, não prestar contas é um assunto do qual Weffort entende.  A começar pelo fato de que tendo sido um fundador do PT, importante a ponto de viajar pelo mundo com Lula, Weffort rapidamente soube mudar de lado _ em 1995 mesmo, com a vitória de Fernando Henrique, desfilia-se do PT e aboleta-se no Ministério da Cultura, de onde só saiu mesmo com o fim do segundo mandato do sociólogo em 2002.  E também por esta história que uma edição da Veja do ano 2000 nos conta, sobre os desmandos na Secretaria do Audiovisual daquele Ministério sob o comando intimorato de Weffort:

Onde está o dinheiro?

Governo intervém na área cinematográfica
para tentar responder à pergunta acima

Celso Masson

O cinema brasileiro não é ruim só nas telas. Seus bastidores também são lamentáveis. Na semana passada, estouraram nos jornais dois casos emblemáticos de como o dinheiro que o governo vem gastando para