Talvez tenha passado desapercebido ao público brasileiro o fato de que agora em Janeiro a Suprema Corte dos EUA liberou a possibilidade de grandes empresas financiarem campanhas políticas naquele grande país, sem limites quando ao volume de recursos gasto por candidato:

Suprema Corte dos EUA libera financiamento de campanhas políticas por grandes empresas

NOVA YORK – Uma Suprema Corte muito dividida aprovou na quinta-feira a decisão de abolir os limites para gastos de grandes corporações com campanhas eleitorais nos EUA e causou fortes protestos de políticos em Washington e de entidades de defesa da liberdade de expressão. A sentença derrubou limites de financiamento de campanha que vigoraram nos últimos 20 anos. A decisão foi aprovada por cinco votos contra quatro e também prevê que todos os anúncios pagos pelas campanhas devem explicitar o nome do patrocinador que deu o dinheiro. Até então, todas as doações de campanha eram destinadas a um comitê politico e, mesmo assim, com limites. Na eleição presidencial de 2008, o limite individual foi de US$ 2.400. Agora, empresas poderão destinar recursos diretamente a um determinado candidato, sem intermediações nem limites.”

Embora John McCain tenha se revelado “desapontado” com a sentença,  justamente por isso é que suponho que a maioria dos republicanos tenha gostado da idéia, como o Senador Mitch McConnel, do Kentucky, líder da minoria no Senado.

- Por muito tempo, grandes empresas foram impedidas de participar plenamente das campanhas políticas, e esta decisão é um reforço da Primeira Emenda, que garante liberdade para todos, inclusive grandes corporações. É um reforço da liberdade e não uma ameaça à democracia.

É isso aí.  No Voloch Conspiration também abundam defesas da sentença, em geral seguindo o mote “empresas também são gente“.

Acho que isso diz muito sobre a possibilidade de qualquer proposta legislativa sobre a regulação dos serviços financeiros passar no Congresso norte-americano após 2010.

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Comentando uma flor de retórica exposta em um artigo de Larry Lessig, segundo a qual embora ninguém possa em sã consciência suspeitar que a sentença teria sido comprada e ainda manter sua credibilidade mas que paradoxalmente a Suprema Corte negou ao Congresso a integridade de que ele mesmo usufrui, o James Balkin do Balkinization produziu a meu ver a melhor exposição da questão, que inteligmente atribui a opinião da Corte não a uma negociata corrupta entre juízes e empresas, mas como o resultado de um investimento de longo prazo:

The Supreme Court we have today is the ghost of campaign expenditures past.

Bingo.

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