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Qual seria a recepção dela no site do Tio Rei antes do affair Uniban??
Sem brincaderia: às vezes, mesmo eu fico pasmo com a cara de pau do Tio Rei.
Vejam o que ele diz aqui:
“A direção da Uniban disse que, até agora, não conseguiu identificar os responsáveis pelo ocorrido. E ousaria dizer que nem vai. Nota-se que há, arraigada por lá, uma cultura da intolerância e uma relação com o curso que está mediada apenas pelo pragmatismo: “Estou aqui para pegar o meu diploma”. Posso compreender esse sentimento e até enxergar nele uma virtude: a clientela está empenhada em obter o grau para, quem sabe?, subir na vida, ter aumentado o seu salário, ser promovida. Em si, isso não é ruim. Todos devemos desejar uma vida melhor. Não há mal nisso.
Temo, no entanto, que boa parte das ditas universidades brasileiras esteja se reduzindo a isso, sem qualquer outro cultivo. Reitero: o respeito à inviolabilidade do outro é questão de princípio, inegociável. Geysi é uma garota pobre, da periferia de Diadema. Trabalha, ou trabalhava, num mercadinho do bairro. É visível que não tem grande traquejo social. Nota-se isso na sua fala, na sua gramática. Vem de um estrato da sociedade em que, atenção!!!, a tolerância com a diferença já não é a marca. E isso vale também para boa parte de seus colegas.
Ela parece ser excepcionalmente jovem para o grupo: 20 anos. Muitos dos que concedem entrevistas dizem ter 26, 27, 28 anos — idade em que as pessoas costumam já estar formadas há uns bons cinco ou seis anos. O fenômeno precisa ser mais bem-estudado, mas intuo que são pessoas que estavam fora do ensino superior e foram sendo incluídas em razão de um conjunto de fatores: políticas públicas de ingresso ao ensino superior; barateamento do valor das mensalidades; facilidade de ingresso, uma vez que basta querer fazer o curso — e poder pagar por ele — para ter acesso, então, ao ambicionado diploma…
Até aí, muito bem. Não serei eu a combater a expansão do ensino universitário. Seria inútil. Os demagogos venceram essa batalha. É evidente que a formação técnica seria mais eficiente e barata. Mas deixemos isso para outra hora. Que se expanda, então, o ensino universitário, hoje com a ajuda do dinheiro público. Mas com que qualidade isso está sendo feito? Eis a questão. NÃO SE ESTÁ BARATEANDO A UNIVERSIDADE EM SENTIDO MAIS AMPLO?
A Uniban — e outras universidades do mesmo nível — estão proporcionando à sua clientela uma vivência estudantil que seja distinta do ambiente de onde vieram? Um ambiente nem sempre tolerante; um ambiente nem sempre respeitador das diferenças; um ambiente nem sempre voltado para o cultivo da reflexão; um ambiente nem sempre afeito a delicadezas e matizes, sem os quais não se respeitam direitos individuais…” [grifo dele, pra variar]
Pois é. Tio Rei escreveu, com indisfarçável regojizo, o seguinte, em julho de 2008:
“A JUVENTUDE BRASILEIRA É DE DIREITA
segunda-feira, 28 de julho de 2008 | 5:09
A Folha de S. Paulo publicou no domingo uma ampla pesquisa sobre o que pensam os jovens brasileiros. Rendeu até um caderno especial, de 20 páginas, chamado “Jovem Século 21”. Segundo informa o caderno, a maioria das reportagens “foi feita pelos integrantes da 45ª turma do Programa de Treinamento da Folha”, (…) patrocinada pela Philip Morris Brasil e pela Odebrecht”. Comentarei abaixo alguns dados muito interessantes que a pesquisa revelou e tratarei da seguinte questão: a maioria dos jovens brasileiros, a exemplo da população, é de direita. Boa parte da imprensa e, vejam só, as instituições políticas, incluindo partidos, não se conformam com isso. Estão todos tomados pela patrulha esquerdista.”
E mais:
“A nova pesquisa
Sim, senhores: dados os perfis ideológicos que se desenham a partir de certas opiniões, pode-se dizer que a maioria dos jovens brasileiros é de direita. Declaram ter essa posição ideológica, aliás, 37% dos entrevistados (na população como um todo, são 35%). Dizem-se de esquerda apenas 28% (contra 22% do total). No centro, estão 23% (contra 17% no conjunto). Mas notem: não quero me apegar a nominalismos. Parto do princípio de que os jovens possam não ter a exata noção do que tais nomes encerram.
(…)
Valores
E quais são os valores das moças e moços? Qual é a lista das coisas que acham “muito importantes”? Vejam: família (99%), saúde (99%), trabalho (97%), estudo (96%), lazer (88%), amigos (85%), religião (81%), sexo (81%), dinheiro (79%), beleza (74%), casamento (72%).
E então…
E, vejam que surpresa, o levantamento mostra que os nossos jovens querem casa, carro, grana, todas essas malditas coisas do “consumismo”, que deixam os comunistas que já têm todas essas malditas coisas muito decepcionados com a juventude…
Mais uma vez, constata-se o óbvio: há um enorme hiato entre o que pensa o conjunto da população — e, nela, sua fatia mais pretensamente inquieta — e os vários canais que vocalizam a opinião pública. Não, senhores! Não temos a imprensa que representa os valores que vão acima: a nossa, com as exceções de praxe, é majoritariamente “politicamente correta” e experimenta um verdadeiro divórcio em relação ao pensamento da maioria.”
Ué, é como eu disse: quem planta, colhe.
Tio Rei planta o conservadorismo? Pois colhe o “conjunto de valores” que acha adequado. Inclusive uma população universitária que “representa os valores que vão acima”.
O fim da picada, senhores, é esse exato sujeito vir depois criticar uma Uniban da vida por não ser “um ambiente nem sempre tolerante; um ambiente nem sempre respeitador das diferenças; um ambiente nem sempre voltado para o cultivo da reflexão; um ambiente nem sempre afeito a delicadezas e matizes, sem os quais não se respeitam direitos individuais“. Tipo, assim, que nem o blog dele.
***
E por falar nisso…
O leitor Joselito fez o seguinte comentário:
Postei os links para esse post do Hermenauta e o link para essa matéria DA PROPRIA VEJA que o Rodrigo postou acima, em comments DIFERENTES no site do R. Azevedo.
AMBOS foram “moderados”, e não apareceram!
A REVISTA VEJA CENSURA A PROPRIA VEJA!
Patético…
Não é fantástico??

Homesteading the internets
Pois é, criei uma conta.
Mas não fiquem assanhadinhos. Não pretendo usá-la.
Meu problema foi que depois de ler isso, encontrei isso. Então decidi demarcar meu real state.
And that´s all folks.
Deu na Folha, alguns dias atrás (reportagem de Flávia Marreiro):
“Chávez é motivo para ter base na Colômbia, afirma Pentágono
Ao assinar o acordo militar com a Colômbia e garantir o uso da base área de Palanquero, no centro do país, o governo dos EUA considera ter aproveitado uma “oportunidade única” de obter “acesso e presença regional a custo mínimo” numa área sob ameaças constantes, entre elas as vindas de “governos antiamericanos” como o do venezuelano Hugo Chávez.
O argumento acima consta do documento do Pentágono submetido ao Congresso americano para justificar o Orçamento militar do país no ano fiscal de 2010. O texto, sancionado recentemente pelo presidente Barack Obama, inclui verba de US$ 46 milhões a ser aplicada em Palanquero.
O documento solapa a retórica de Washington e Bogotá, que repetem o mantra de que o pacto militar assinado na sexta-feira –que permitirá aos EUA usar outras seis instalações além de Palanquero– visa atacar só problemas domésticos colombianos, e dá combustível às reclamações de Chávez, que vê no trato uma ameaça a seu país. Tudo isso num momento em que a tensão entre Bogotá e Caracas volta a crescer por conta de incidentes na divisa cada vez mais violenta.
O teor do acordo militar não foi divulgado –a Colômbia promete fazê-lo nesta semana. Só Chávez e Evo Morales (Bolívia) reclamaram de sua consumação. O governo Lula, que cobra “garantias” de Washington e Bogotá, não se pronunciou.
Em entrevista ao jornal colombiano “El Tiempo”, o embaixador americano em Bogotá, William Brownfield, disse que seu governo já deu garantias aos países da região de que o acordo não permite operações conjuntas fora da Colômbia. “Posso dizer que o acordo diz [isso] claramente no artigo 4º, parágrafo 3º.”
No entanto, na avaliação do Conselho de Estado, o órgão jurídico consultivo máximo colombiano, o texto é frouxo e deixa decisões importantes para acertos posteriores, além de ser “desequilibrado” a favor de Washington e potencialmente violador da soberania do país.
Resposta a crises
O documento do Pentágono submetido ao Congresso diz que Palanquero é “inquestionavelmente” o melhor lugar “para conduzir um completo espectro de operações pela América do Sul” –a importância da base já havia aparecido em documento da Força Aérea, que a inclui no esquema global de rotas para transporte estratégico global de carga e pessoal.
Afirma que o investimento na base vai “melhorar a capacidade dos EUA de responder rapidamente a crises, assegurando acesso e presença regional com custo mínimo”. Contribuirá também para “expandir capacidade de guerra aérea”, inteligência e monitoramento.” [grifo meu]
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Uma olhada em um mapa-múndi gera imediatamente o seguinte quesitonamento: para quem vem da América do Norte, a América do Sul seria importante no “esquema global de rotas para transporte estratégico global de carga e pessoal” _ para ir aonde mesmo???
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Se continuar honrando tantos “compromissos” (Pentágono, banca, etc.), Obama e os democratas vão mesmo continuar perdendo eleição atrás de eleição.
Deve ser por isso que o Tio Rei acha que o Valor é um “jornal de negócios esquerdista”. Eis o editorial de hoje:
“Órgão de fiscalização é técnico, não é político
Embora tenha incorporado bons quadros técnicos ao longo dos anos, e os remunerado muito bem, o Tribunal de Contas da União (TCU) jamais se livrou do estigma de ser um órgão político. A profissionalização da instituição é urgente: se sua composição e perfil incomodam esse governo, têm potencial para incomodar qualquer outro. A fiscalização é algo altamente desejável para o país, mas o uso político dos poderes fiscalizatórios para parar obras, sem qualquer tipo de punição na hipótese de abusos serem cometidos, não serve a ninguém.
Matéria publicada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” do dia 1º de novembro cita alguns exemplos de como não deve proceder um órgão pretensamente técnico. No início do mês passado, o TCU anunciou o embargo de 15 obras por supostas irregularidades. Segundo a Casa Civil, que faz a gerência do PAC, três já tinham sido excluídas da lista pelo próprio TCU, uma não era do programa, duas já estavam com contratos rescindidos, seis entregaram suas justificativas ao órgão sem que tivessem obtido resposta, duas estavam em processo de nova licitação e em uma delas o problema era a supervisão, e não a obra propriamente dita. O TCU fez uma lista negra, anunciou-a como rol de irregularidades insanáveis e um mês depois, com indiferença, viu-a derrubada por falta de consistência. Isso é preocupante.
O TCU tem, ele mesmo, problemas insanáveis de origem. Pela Constituição, é um órgão auxiliar do Legislativo que deveria dar parâmetros técnicos para fiscalização do Poder Executivo. Se existe hoje uma reclamação em relação ao excessivo poder do presidente da República para nomear ministros do Supremo Tribunal Federal, no entanto, deveria igualmente haver uma grita em relação ao poder concentrado em um órgão de controle cujos integrantes são de nomeação exclusiva do Legislativo e que não está sujeito, ele próprio, a nenhum tipo de fiscalização.
Idealmente, a legitimidade do TCU residiria no fato de ser um órgão de controle técnico cujos integrantes são escolhidos por um poder onde estão representados todos os partidos políticos legalmente constituídos. Mas mostra a experiência que a nomeação torna-se sempre uma prerrogativa das maiorias governistas da ocasião. Na prática, a escolha de um ministro do STF não é tão suprapartidária assim. Ela é, na origem, uma escolha partidária. A nomeação recente do ex-ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, para uma vaga é prova disso. São maiorias parlamentares do momento que aprovam as nomeações; como os cargos são vitalícios, no momento seguinte o pleno do tribunal pode refletir a posição política de uma minoria. Segundo o “O Estado de S. Paulo”, dos nove membros do TCU, cinco são ex-políticos oposicionistas.
A história se reproduz a nível federativo. Se a oposição ganhar no Estado de São Paulo, por exemplo, governará com um Tribunal de Contas do Estado cujos integrantes foram escolhidos ao longo de quatro mandatos do PSDB e outros dois anteriores do PMDB, partido do qual a legenda de José Serra se originou. Na capital, eleita em 1990 pelo PT, a hoje deputada Luiza Erundina (PSB) enfrentou grandes dificuldades, durante todo o seu mandato, com o Tribunal de Contas do Município (TCM). O seu sucessor, Paulo Maluf, e o sucessor do sucessor, Celso Pitta, não tiveram problemas com o órgão, embora respondam a processos na Justiça por atos administrativos desse período.
Despolitizar a administração pública requer despolitizar órgãos de fiscalização e controle. A interrupção de obras públicas sem razões técnicas plausíveis constitui um prejuízo que não é exclusivo do governante do momento. Toda obra pública envolve dinheiro público na sua realização e benefício público na sua conclusão – e isso lança dúvidas sobre a legitimidade da paralisação de obras se elas tiverem razões políticas, e não exclusivamente técnicas. A paralisação de obras desperdiça dinheiro público e obstrui o acesso das populações àqueles benefícios. Não se pode impedir governantes de governar – deve-se impedi-los de se beneficiar privadamente do dinheiro público, mas jamais de exercer mandatos conferidos pelo povo.”
Causa burburinho na rede o “vazamento” de um trecho do filme “Do Começo ao Fim”, do diretor Aluizio Abranches, no YouTube.
A trama conta de forma delicada uma relação de incesto homossexual. Já posso imaginar a reação de Olavón et caterva.
Matéria no Globo narra a “surpresa” do diretor:
“O cineasta Aluizio Abranches recebeu na quinta-feira à tarde um telefonema do produtor Fernando Libonati: “Tá na rede. Vazou.” Ele se referia a um promo – filme promocional – de quatro minutos de “Do começo ao fim”, previsto para estrear no segundo semestre.
- Deu um frio na barriga quando eu soube. Fiquei muito nervoso. É muito cedo – diz Abranches.“
A-hã.
Posso ser um paranóico, mas acredito que os cineastas estão aprendendo a usar marketing viral na rede.
Outro detalhe curioso na matéria:
“(…)Abranches enfrentou reações de possíveis patrocinadores.
- Foi difícil à beça de vender. Levei vários “nãos”. Diziam que o conselho da empresa não ia aceitar um tema desses, alegavam problema de verba. São assuntos tabus.
Teve quem sugerisse a troca por duas irmãs. Um dos patrocinadores, que disse ter gostado de “O segredo de Brokeback Mountain”, saiu da sala, voltou e falou: “Vem cá, será que não poderiam ser dois primos, em vez de dois irmãos?”. Ele explicou que não teria a mesma força. O empresário acabou patrocinando. Foi um dos dois únicos que o diretor conseguiu, num total de R$ 200 mil. Com um detalhe: exigiram anonimato. Abranches também ganhou um prêmio espanhol de pouco mais de US$ 100 mil, do fundo Ibermedia.
- O resto do dinheiro é nosso mesmo, e empréstimo em banco.” [grifo meu]
O interessante aqui é que toda a lógica por trás do financiamento de filmes pela via dos benefícios fiscais é que as empresas que investem em cinema acabam ganhando um tipo de publicidade em retorno ao patrocínio. Como nesse caso os empresários em questão exigiram anonimato, das duas uma: ou toparam financiar por amizade ao diretor ou em benefício da “causa”. Nada demais, mas vale a pena registrar.

Bruxelas, 28 de novembro de 1908 — Paris, 30 de outubro de 2009
“If you set your goals ridiculously high and it’s a failure, you will fail above everyone else’s success.”
_ James Cameron, cineasta



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