You are currently browsing the monthly archive for outubro 2009.

Novo normal by Soros:

In response to the policy challenges presented by the economic crisis and the need to develop fresh approaches to economic theory, a group of top academics, policy-makers, and private sector leaders today announced the creation of the Institute for New Economic Thinking (INET)….

The Institute was established with a pledge of $5 million per year for 10 years from Open Society Institute Chairman George Soros, a long-time critic of classical economic theory, who will fund the effort through the Central European University (CEU).

The Institute will make research grants, convene symposia, and establish a journal. A first conference will be at King’s College, Cambridge on April 9-11. Scholars will explore the implications of the financial crisis for regulatory policy. The first round of research grants will be made before the end of the year to cutting-edge scholars working with leading universities around the world. INET’s Executive Director will be Robert Johnson, an economist with long experience in government, academia, and the private sector….

Speaking in Budapest at the CEU, through which INET will be funded and which will be a hub of the INET network, Soros said, “The entire edifice of global financial markets has been erected on the false premise that markets can be left to their own devices, we must find a new paradigm and rebuild from the ground up. I decided to sponsor INET to facilitate the process. I hope others will join me.” Because he is both an INET benefactor and proponent of a particular theory, Reflexivity, Soros will recuse himself from the grant-making process. “While I hope reflexivity will be one of the concepts examined, there are numerous alternatives to the prevailing dogma that must be explored.” Soros added.”

serracareca

é dos carecas que elas gostam mais

Nao sei porque, mas acho que essa ideia da Nariz nao vai dar certo…

Estou muito enrolado, mas vou fazer um post jogo rapido…quizz:

Quem quiser justificar nos comentarios, agradeco.  :)

sanfordkitchen2-198x297

Se você pensa que a paixão irremovível pela propriedade intelectual viceja apenas no coração das grandes gravadoras e estúdios de Hollywood, está enganado.

Tom Sanford é um artista em NYC e um queridinho por .  Alguém foi dizer pra ele que um sujeito na Dinamarca havia decorado sua cozinha com reproduções de pinturas dele.  Ele foi atrás do sujeito no Facebook e…

This unexpected quasi-honor makes me think perhaps I have a future in home decor or maybe I could get on Top Design (a la Ryan Humphrey). I eagerly await IKEA’s offer to design kitchens. In the mean time, any and all contractors, interior designers, or DIYers are welcome to use my intellectual property in order to liven up that kitchen nook, just let me know first please!

Portanto, de hoje em diante, tenha cuidado com as fotos caseiras que você põe em seus perfis de redes sociais.  Você pode acabar sendo recriminado publicamente por um autor cujas obras você talvez nem reconheça que sejam dele…

Devo reconhecer uma coisa: hoje em dia, visito muito menos blogs nacionais que antigamente.

Não sei bem porque isso aconteceu.  Acho que um motivo é que houve um tempo em que havia uma lista de discussão de blogueiros da qual eu fazia parte.  Essa participação, é claro, gerava um convívio permanente que me incentivava mais a visitar blogs alheios.  Ela, entretanto, morreu (e eu tenho a impressão de que fui parte ativa no seu assassinato).

De vez em quando, porém, dou uma circulada para ver como andam os blogs por aí _ além, obviamente, daqueles dos quais sou fã de carteirinha, como o Rafael Galvão, o Nelson, o Na Prática e alguns outros que prefiro manter em segredo.  :)

Em uma andança recente fui parar no blog do Gravataí Merengue, hoje localizado no Interney.

Levei um susto. O  Gravataí tá irreconhecível.  Onde antigamente existia um blog alegre, irreverente, e não tão politizado, hoje vemos a face carrancuda de mais um clone de Reinaldo Azevedo.

Que eu me lembre houve uma controvérsia pesada envolvendo o Gravataí e o Luís Nassif. A história está mais ou menos contada neste post do Idelber e nos links que ele e seus comentaristas colocam lá.  Nesse post, o Perrusi fez um comentário inadvertidamente profético:

Leio o blog de Gravataí e de Nassif. Sou de esquerda. Politicamente, simpatizo com Nassif, mas leio atentamente as polêmicas de Gravataí. Muitas de suas críticas são perfeitamente justificáveis. Se é um trânsfuga da esquerda, não importa muito, aqui, nessa discussão. O transfúgio e o ressentimento têm uma afinidade eletiva (vide Tio Rei, Olavo Carvalho…), mas o que importa é a mensagem e não o mensageiro. E não considero Gravataí propriamente um ressentido contra a esquerda, em particular os petistas — ele parece ser um polemista, e gosta de uma provocação. Exemplo: num post, definiu o petismo como uma forma de religião. Pra quem não é petista, soou engraçado, embora seja equivocado. Mas seu blog é democrático, liberando os comentários e encarando de frente as críticas às suas posições.

Tenho a impressão de que o Gravataí já ultrapassou a fronteira do ressentimento hoje em dia, mas posso estar enganado, é claro.

***

UPDATE:

Por outro lado…

Descobri um post do Com Fel e Limão, do Vinícius Duarte et alii (o Vinícius comenta por aqui de vez em quando), bem recente, referindo-se a um post do Nassif onde ele teria conclamado seus leitores a descobrirem o endereço do Gravataí, aparentemente para poder processá-lo.

Penso que processar alguém é direito de qualquer um.  No entanto, incentivar uma legião de seguidores a descobrirem o endereço de um desafeto me parece uma tática reprovável de alto a baixo.  Até porque certamente não seria nada difícil para um bom advogado encontrar o Gravataí.

glass-half-empty

Meio cheio ou meio vazio?

No Valor, uma reportagem curiosa de Arnaldo Galvão:

Estudo mostra que política pública reduz pouco pobreza

As políticas públicas de redução da pobreza e da desigualdade estão na direção correta, mas a força delas é insuficiente para resgatar as regiões mais pobres do país, especialmente Nordeste e Norte. Essa é a principal conclusão de um trabalho do Laboratório de Estudos da Pobreza (LEP) da Universidade Federal do Ceará (UFC) sobre o que ocorreu nos 27 Estados e no Distrito Federal, de 2006 a 2008.

O economista e professor Flávio Ataliba Barreto, coordenador da pesquisa, (…)  comenta que, apesar da queda da desigualdade, movimento que vem sendo verificado desde 2001, o Nordeste continua muito atrasado, com renda baixa e desigualdade alta. Ele lamenta que, nessa região, as políticas públicas não conseguiram reverter a situação “preocupante” mantida pelo baixo nível educacional. Na interpretação do professor da UFC, falta perspectiva para esse grupo de nove Estados que têm 28% da população brasileira, mas concentram 49% dos pobres. “Não há muito a comemorar no Nordeste. A região tem grande população, mas ainda é bastante dependente das transferências de renda”, conclui.

(…)

Os números da proporção de pobres na população revelam que todos os Estados e o Distrito Federal reduziram o número de pessoas que têm até meio salário mínimo como renda per capita familiar. De 2006 a 2008, o melhor desempenho é do Paraná. O Estado tinha 25,19% nessa situação e passou a ter 18,12%. Goiás aparece logo depois porque reduziu essa parcela da população de 30,87% para 22,20%. Em terceiro lugar está Mato Grosso, com queda de 33,10% para 24,18%.

As reduções mais tímidas da proporção de pobres na população, nesses dois anos, foram de Roraima (42,64% para 37,62%), Amazonas (47,36% para 41,88%) e Paraíba (53,98% para 48,98%).

(…)

Outra boa notícia, segundo Barreto, foi a redução do número absoluto de pobres em todos 26 Estados e no Distrito Federal. De 2006 a 2008, a maior diminuição, 26,68%, foi no Paraná. Em segundo lugar, veio Goiás com 25,89%. O terceiro melhor desempenho foi do Mato Grosso, com queda de 24,41% do número absoluto de pobres. Na outra ponta da lista, as reduções mais modestas foram em Roraima (7,44%), Paraíba (7,63%) e Amazonas (8,33%).”

***

Um copo pela metade sempre parecerá meio vazio para uns e meio cheio para outros, segundo a sede do observador.

Mas me parece um tanto exagerado dizer que uma política pública é “insuficiente” na redução da pobreza quando consegue resultados dessa magnitude em apenas 3 anos.

Leia o resto deste post »

The violence of the lambs

Alguém viu isso?  Existe MESMO?

Gosh.

Onde estão os inquisidores quando se precisa deles?

Deu no Valor:

Cremes com jeito de receita de bruxa chegam ao varejo

Cremes de beleza com ingredientes insólitos, e até mesmo repugnantes, como baba de escargot, veneno de serpente, esperma de salmão e fezes de pássaros vêm ganhando espaço na meca mundial dos cosméticos, a França. Com alegadas propriedades antirrugas ou hidratantes, esses produtos inspirados na fauna se beneficiam de uma tendência de consumo em voga, a do retorno às substâncias naturais. Os tratamentos cosméticos com ares de receita de bruxa já são vendidos em farmácias francesas e grandes perfumarias, como a rede Sephora, do grupo de luxo LVMH. (…)

Segundo um estudo da consultoria Mintel, especializada em tendências de comportamento dos consumidores, os fabricantes de cosméticos estão lançando cada vez mais produtos com ingredientes insólitos. Isso seria devido à proliferação de cremes no mercado. “Devemos escolher entre uma infinidade de produtos para a pele. Os fabricantes tentam encontrar novos e estranhos ingredientes que coloquem seus artigos em destaque”, afirma Alexandra Richmon, analista senior do setor de beleza da Mintel.

Leia o resto deste post »

Texto genial do Claudio Gonçalves Couto no Valor de hoje:

Por favor, provoquem-me!

Há uma semana, em meio ao seu périplo pelo Nordeste do país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou animado clima das aparições públicas para desferir alguns petardos. Parte deles se dirigiu a políticos de partidos de oposição, como o governador José Serra, criticado de forma irônica por não se preocupar com os problemas do semiárido brasileiro. Outras diatribes foram atiradas contra aqueles órgãos de controle da ação governamental que, no entender de Lula, impedem que as ações da administração federal caminhem mais celeremente. Dentre estes órgãos figurariam o Ministério Público e o Judiciário. Em resposta às críticas do presidente da República, o procurador-geral da República, Roberto Monteiro Gurgel, e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, reagiram de formas muito distintas (“Folha de S. Paulo”, 17/10/2009).

Gurgel optou pela sobriedade na defesa do papel de sua instituição. Na primeira entrevista que concedeu após quatro meses no cargo (sintoma de sua sobriedade), disse que “é natural que o administrador público se sinta incomodado com a atuação de órgãos que, de alguma maneira, levem ao retardamento da execução de projetos”, ressalvando que “o Ministério Público não é nem pode ser contra qualquer tipo de empreendimento, seja público ou privado, mas é seu dever exigir a observância das normas”. Por fim, reconheceu a inevitabilidade de atrasos causados pela ação diligente do Ministério Público, observando que, se a demora resultar da defesa da legalidade, isto é apenas uma consequência da vontade do legislador.

Já o ministro Gilmar Mendes, novamente incorporou a persona de líder da oposição no STF. Após defender o papel do Judiciário com a doutrinariamente correta afirmação de que “o Judiciário só age por provocação”, interpretou as diatribes de Lula como “parte deste momento de palanque que o presidente está vivendo”, emendando, noutra entrevista, que o governo parecia estar “testando” a Justiça Eleitoral.

Nesta semana, Gilmar Mendes se superou e foi além (“Folha de S. Paulo”, 21/10/2009). Não fosse conhecida a autoria, seu discurso de crítica aos eventos protagonizados por Lula na semana passada poderia ser identificado por alguém desavisado como tendo sido proferido por Demóstenes Torres (DEM-GO), Arthur Virgílio (PSDB-AM), Roberto Freire (PPS-PE), Álvaro Dias (PSDB-PR), Heráclito Fortes (DEM-PI), ou qualquer outro parlamentar de partidos da oposição. Desta feita, o líder da oposição no Supremo questionou: “É lícito transformar um evento rotineiro de governo num comício?”, para depois requisitar: “Se houver esse tipo de propósito, o órgão competente da Justiça tem que ser chamado para evitar esse tipo de vale-tudo”. O fecho dourado desse discurso oposicionista proferido a partir da toga foi um pedido que talvez nem o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fizesse melhor: “É uma avaliação que precisa ser feita. A Procuradoria Geral Eleitoral, o Superior Tribunal Eleitoral (sic) precisa… Vocês próprios [os repórteres] podem fazer a comparação. Como se fiscalizava obra antes e como se está a fiscalizar agora.”

Do ponto de vista do conteúdo de sua fala, Gilmar Mendes parece-me coberto de razão. Como ele próprio observou, questionando: “Pelas descrições que vimos na mídia, está havendo sorteio, entrega, festas, cantores. Em suma, isto é o modo de fiscalizar tecnicamente uma obra?”. De fato não é. Ao menos num Estado democrático de direito. Num regime deste tipo não cabe a um chefe do Poder Executivo transformar atos públicos oficiais, pretensamente de verificação do andamento de ações governamentais, em oportunidades para promoção pessoal sua e de sua candidata. Assim como não cabe utilizar essas ocasiões – e os recursos públicos que lhes tornam possíveis – para criticar membros da oposição. É tão condenável isto como é inaceitável o uso chavista que faz o governador do Paraná da TV Educativa estadual para atacar adversários políticos e se promover.

Mas o que dizer então de um juiz – ou mais, do chefe do Poder Judiciário – que usa de seu cargo para criticar um governo ao qual se opõe? Nada mais natural que os parlamentares mencionados nesta coluna desferissem contra o presidente da República críticas como as de Gilmar Mendes e, sobretudo, comparassem os atos do atual governo com o de governos anteriores (em particular o do último presidente antes de Lula). Mas é muito preocupante que se manifeste publicamente desta forma um magistrado, a quem eventualmente caberá julgar o presidente por tais atos. De certa forma, pode-se dizer, o julgamento já está feito e bastaria proferir a sentença.

A pior parte da conduta do presidente do Supremo é o pedido que faz a quem puder se interessar (a oposição, o Ministério Público?) para que inste o Judiciário a se manifestar sobre a viagem de Lula. É claro que tal manifestação dar-se-ia, em princípio, pelo Tribunal Superior Eleitoral, que – como já mostrou Vitor Marchetti em elogiadíssima tese de doutoramento sobre a Justiça Eleitoral – é uma antecâmara do STF para assuntos eleitorais e partidários. Ironicamente (ou contraditoriamente), é esse mesmo juiz quem afirma que “o Judiciário só age por provocação”. A esta fala poder-se-ia agregar outra, implícita em suas outras declarações: “Por favor, provoquem-me!“.

398959815v5_350x350_Front_Color-Yellow

Na Teletime, entrevista com Evan Williams, CEO do Twitter.  Trecho:

TELETIME – Vocês são muito populares no Brasil. Não temem que aconteça com o Twitter o que aconteceu com o Orkut e que uma invasão de brasileiros prejudique a estratégia global de vocês?

Evan Williams – Não olhamos isso de maneira negativa e os brasileiros são bem-vindos. Estamos crescendo muito lá e isso nos deixa felizes. O Orkut tem muitos brasileiros e isso não é necessariamente ruim.

TELETIME – Mas o Orkut não é forte em outros países como outras redes sociais.

Evan Williams – Mas isso definitivamente não é culpa dos brasileiros. O Twitter, de qualquer maneira, é mais balanceado. Fazer sucesso no Brasil não significa ser mal sucedido em outros países.”

***

Sim, essa história já circulou demais (a braziliniazação do Orkut).  Achei uma lista no Search Journal tentando explicar o fenômeno (sim, sim, esse assunto também já é meio velho):

“1. Brazilians are incredibly community oriented and refer to groups as Tribalistas, or tribos. People tend to associate with these groups in everyday conversation and continuously refer to how they are Heavy Metal fans, Evangelical Christians, Sambistas, Macumberos, PT supporters, or whether they prefer Skol to Kaiser.

Social Networking caught on really quick in Brazil because of this relevance to everyday life. There is definitely more of a coolness factor to social networking in Brazil.

2. Orkut is very easy to pronounce in Portuguese. Try telling someone from Brazil to go to Friendster.com or MySpace. The names of those sites are lost in translation. When someone pronounces “Orkut” in Portuguese (especially Brazilian Portuguese with the heavy incluence on the “ch” T sound), they can easily spell it, visualize the word and remember it next time they get infront of the computer.

3. Orkut sounds like Yakult or “iogurte” (yogurt). Yakult is the Brazilian version of the popular Japanese Yakult yogurt drink. Everyone drinks it in Brazil when they’re kids. There is a totally unintentional instant association between the words Orkut, Iogurte and Yakut in Brazil.

4. Brazilians with constant Internet access are on the upper echelon of “differencia social.” Although Brazilians are some of the most outgoing people I’ve ever met, they are quite cautious when meeting others and inviting them into their circle of friends.

By using a service like Orkut, users can prequalify the new friends they make by judging their ability to access the Internet, write and read correctly, and see which friends they share.

5. The fact that Orkut is now associated with Brazil has added flame to the popularity fire. This is a country which is quite proud of their culture, economic position in South America, and World Domination of Soccer (futbol). Now, they are proud to have Orkut as their own.

6. Mobility – Many young professionals or just younger Brazilians in general have moved from Sao Paulo to Curitiba, Floripa and other bustling southern Brazilian towns (not to mention Miami, New York, Washington DC, Italy, Spain, and Japan). Social Networking is a way to keep in touch with groups of friends much easier than mass emails.

7. A large number of Brazilians access the Internet from Internet Cafes and online gaming cafes. Orkut has grown in popularity due to this mobility factor. One can access their accounts from anywhere.

8. I’ve noticed with some Brazilians, especially women, there is a lot of competitiveness when it comes to attracting attention (this could be universal of course). The awards, fan citations and friendship offerings in Orkut just fuel this tendency. It’s also cool to have Orkut ‘friends’ from Europe, the US, and Japan on your profile.

9. Again, Yakut and pronunciation. When I told the people at Google about the pronunciation factor they seemed amazed. Google is beginning to enjoy the same compatibilty with the Portuguese language. Not to say Yahoo does not, and Hotmail certainly does, but the Google hip factor has made “goo-gly” a new part of the Brazilian Portuguese language and its association with Orkut is beginning to lead to Google and GMail converts.

10. Orkut’s color scheme is the same as the Brazilian World Cup team’s away jerseys (or is it home? the BLUE ones). This is going out on a limb however, since the color is also similar to Argentina’s flag and uniform colors.

11. Lack of advertising. Most Brazilians I know are sick of advertising. Outdoor billboards, political radio infomercials, ads painted on walls, cars driving around with loud speakers on top, people selling water or Silvio Santos Tele Sena lotto tickets clapping their hands at the gate outside of the house – referred to as Poluicao Visual. Orkut has no advertising, yet :)”

Pessoalmente, acho que as melhores explicações são a 2, a 5 e a 8 .  A 8, porém, não é específica do Orkut _ poderia estar ocorrendo também no Facebook ou no MySpace (atenuante: o Facebook é mais cioso da privacidade que o Orkut, ou pelo menos que o Orkut quando ele se tornou popular no Brasil; o MySpace eu realmente não sei).

Mas a questão que queria colocar aqui é:  será que a brasilianização é o caminho do Twitter?

Cartas para a redação.

encarnacaocima

Caixão, meu comandante!

Deu no G1:

A esquerda do Uruguai se afirma como a favorita para se manter no poder por mais cinco anos, disseram analistas políticos e uma nova pesquisa de opinião nesta quarta-feira (21), a quatro dias das eleições gerais no país.

No entanto, o candidato presidencial do partido da situação, Frente Ampla, o ex-guerrilheiro José Mujica, deve ir a segundo turno em novembro contra o ex-líder Luis Alberto Lacalle, do centro-direita Partido Nacional (PN) ou Branco, segundo as pesquisas.”

Rafael Galvão vs Família Gracie

Interessante depoimento encontrado em um site pelo Mark Thoma do Economist´s View:

I once heard from a Russian reporter about her early days on the job. “Whenever we read an article about the health dangers of butter, we would immediately run out and buy as much butter as we could find,” she told me. “We knew it meant there was about to be a butter shortage.” In other words, Russians looked only for the agenda, the motivation behind the assertion. The actual truth was irrelevant.

O Thoma diz que anda se comportando assim também _ buscando sempre as motivações atrás das aparências _ e se pergunta se está ficando paranóico ou realista.  O que vocês acham?

Ontem eu estive chateando com um amigo e recebi um eco dessa história dos “smart guys” destruindo Wall Street.  O eco veio via o Krugman mas a idéia original veio desta op-ed do Calvin Trillin.  Para resumir:

“When the smart guys started this business of securitizing things that didn’t even exist in the first place, who was running the firms they worked for? Our guys! The lower third of the class! Guys who didn’t have the foggiest notion of what a credit default swap was. All our guys knew was that they were getting disgustingly rich, and they had gotten to like that. All of that easy money had eaten away at their sense of enoughness.”

O Drezner faz uma pergunta sensível: talvez o problema tenha sido o fato de que os caras espertos estavam sendo comandados pelos caras burros.  Então, a solução, ao invés de despedir os caras espertos, talvez seja demitir os burros e colocar os espertos em seu lugar.

O problema, ao meu ver, é que se os caras espertos não perceberam que estavam fazendo uma grande besteira, o que os faria pensar de modo diferente se estivessem na direção?

Via Daniel Drezner, esta foto de um despacho de Mohamed Nasheed, o Presidente das Ilhas Maldivas, pressionando por um acordo mais eficaz em Copenhagen em prol da luta contra o aquecimento global:

f550e0ba9e1c4e8bb4a5ed0ac23a952d

“President Mohamed Nasheed, Vice President Dr Mohamed Waheed and 11 cabinet ministers donned scuba gear and submerged 4 meters below the surface of sea to hold the world’s first underwater cabinet meeting, in a bid to push for a stronger climate change agreement in the upcoming climate summit in Copenhagen.

“We are trying to send our message to let the world know what is happening and what will happen to the Maldives if climate change isn’t checked” said President Nasheed, speaking to the press as soon as he resurfaced from underwater.

“What we are trying to make people realize is that the Maldives is a frontline state. This is not merely an issue for the Maldives but for the world. If we can’t save the Maldives today, you can’t save the rest of the world tomorrow”, said President Nasheed further.

During the 30-minute meeting held in the turquoise lagoon off Girifushi Island, with a backdrop of corals, the President, the Vice President and eleven other Cabinet ministers signed a resolution calling for global cuts in carbon emissions.”

***

O Drezner tem uma questão:

“Just to be contrarian, however, I do wonder if it’s the case that as small island nations go, so does the rest of the world. Because they are sovereign actors, small island nations often possess greater influence than their population or GDP merits. Would a rational, cost-benefit analysis of how to allocate climate change resources between mitigation and adaptation really place such a high priority on a bunch of small countries with a combined population of less than ten million?”

Imediatamente me veio à mente a idéia de um federalismo mundial.  Como esse papo pode não ter muita tração junto à platéia mais avessa à globalizações que não sejam as meramente comerciais, acho que esta foto contém um bom argumento:

12earth_lights

(clique para ampliar)

Levando em consideração que as luzes mostram áreas de maior concentração populacional (com raras exceções, como alguns pontos de extração de petróleo no Oriente Médio), dá pra notar que qualquer alteração significativa do nível do mar terá consequências catastróficas todos os continentes.  Portanto, nesse caso o Drezner não deveria ficar tão preocupado com “a ditadura das minorias”…

“Anyone wanting to commit American ground forces to the mainland of Asia should have his head examined.”

_ General Douglas MacArthur.

“Once the game is over, the King and the Pawn go back in the same box.”

_ Provérbio Italiano

“Trust in Allah, but tie up your camel.”

_ Provérbio beduíno

(hat tip: Reddit)

Deu no Valor:

Uribe diz que reeleição depende da justiça, do povo e de Deus

SÃO PAULO – O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, foi mais uma vez evasivo hoje sobre os riscos à democracia em seu país caso obtenha o direito de concorrer ao terceiro mandato. Segundo ele, as instituições democráticas da Colômbia são fortes e se consolidaram em seu mandato.

A hipótese da reeleição foi aberta por um projeto de referendo aprovado pelo Congresso, mas depende ainda de avaliação de corte constitucional do país. ” Isso depende neste momento basicamente de três elementos: da corte constitucional, do povo colombiano e depende de Deus ” , afirmou.

A Constituição do país já foi mudada uma vez, em 2006, para abrir a possibilidade de reeleição para o segundo mandato de Uribe. ” Peço que não se ponha em dúvida a solidez das instituições de nosso país ” , afirmou.(…)

***

Sobre o assunto, Reinaldo Azevedo diz o seguinte:

Quero deixar registrado aqui o papel deletério exercido por Lula: é um depredador de Leis e de instituições.”

Deu no Correio Braziliense:

Embaixador assume Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência

O secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, assume nesta terça-feira (20/10) a chefia da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE). O órgão está interinamente sob o comando de Daniel Vargas desde a saída de Mangabeira Unger, em junho, que voltou a lecionar na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Samuel Pinheiro Guimarães é o número dois na hierarquia do Itamaraty, ficando abaixo do ministro Celso Amorim. Ele completa 70 anos no final do mês e já iria se aposentar compulsoriamente.

Para substitui-lo, estão cotados o embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Antônio Patriota, e o subsecretário-geral de Cooperação e Promoção Comercial, Ruy Nogueira.

Criada em julho de 2008, a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) tem como finalidade formular políticas públicas de longo prazo para o desenvolvimento nacional. A secretaria, ligada à Presidência da República, substituiu o Núcleo de Assuntos Estratégicos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva dará posse a Guimarães em uma cerimônia no Palácio do Itamaraty.”

***

Dá pra ouvir o suspiro de alívio no Itamaraty daqui de casa, e olha que eu moro longe.

***

Um homem se entende pelos livros que escreve?  Samuel Pinheiro Guimarães é autor de “Desafios Brasileiros na Era dos Gigantes“, editado pela Contraponto em 2006 e que é tido por alguns como sua obra magna .  Sinopse:

Neste livro, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães oferece uma análise do atual cenário internacional e de suas tendências prospectivas e, ante esse cenário, discute, com a maior lucidez, a posição do Brasil. O cenário internacional sempre foi, em todas as épocas, aquele em que as grandes potências do período buscam, competitivamente, maximizar suas vantagens e seu poder, e o fazem, de modo geral, às expensas dos países mais débeis. Pinheiro Guimarães estuda, neste livro, essa margem de autonomia que o Brasil procura preservar e ampliar. Trata-se de algo que depende, essencialmente, da medida em que se consolide Mercosul e, a partir deste, se logre imprimir efetividade econômica e política à recém-criada Comunidade Sul-Americana de Nações. Trata-se de algo cujo eixo central é a aliança estratégica do Brasil com a Argentina. Uma aliança que o autor analisa com grande lucidez, mostrando as dificuldades de se sair do plano declaratório para o operacional. Algo que tem a ver com inúmeras resistências argentinas, que vão da constatação de importantes assimetrias desfavoráveis àquele país a um ressentimento, ainda não superado, por parte de uma sociedade que se constata mais educada e civilizada que a brasileira e, não obstante, é economicamente mais débil. Algo, por outro lado, que decorre da incapacidade, de que o Brasil vem dando continuada demonstração, de implementar uma política industrial comum, que conduza a uma vigorosa reindustrialização da Argentina. Neste estudo de Pinheiro Guimarães alguns dos aspectos por ele analisados requerem particular referência.”

A julgar pela sinopse, talvez devêssemos esperar uma SAE mais voltada para os problemas do Mercosul sob a gestão de Samuel.  Mas não sei se a sinopse é fidedigna; há aqui uma resenha do mesmo livro que dá muito menor importância a esse tema.

***

Quer dizer, não que a SAE apite muito.

Deu no Estadão:

SÃO PAULO – As filas eram as mesmas que dobram o quarteirão na rua Augusta, mas não foi para um show de música que o público foi à casa noturna Studio SP no final da tarde de domingo (18). Entre cervejas (pagas) e picolés (distribuídos de graça), mais de 400 pessoas prestigiaram o Festival de Política Trip, uma iniciativa da editora para estimular o debate político entre os jovens. (…)

Eu achei isso aqui uma p… ideia. Fiquei chocada quando eu cheguei lá fora e tinha toda aquela fila, porque às vezes a gente acha que o jovem está totalmente alienado. Não está, o jovem está afim de fazer política”, disse a vereadora Mara Gabrilli (PSDB), que subiu ao palco para falar com o público por cinco minutos.

O primeiro show da noite ficou por conta do Maquinado, projeto paralelo de Lúcio Maia e Dengue, da Nação Zumbi. “Eu acho que se puder unir duas coisas importantes como política e diversão, é uma grande sacada”, disse Maia. A banda tocou parte de seu repertório intercalado com músicas como “Zumbi” (Jorge Ben) e Canto de Ossanha (Baden Powell e Vinícius de Moraes). (…)

O debate principal reuniu Gabeira, Ronaldo Lemos, do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV, e Luis Felipe D’Avila, cientista político. Ninguém usava gravata. Na pauta, financiamento público de campanha (Gabeira afirmou que faz isso ‘independente do projeto do [Eduardo] Suplicy’), voto distrital, corrupção, ética e o futuro da política. (…)

“Sim, é possível fazer política sem corrupção”, disse Gabeira. Fernando Luna, que moderou o debate, pediu para que o deputado comentasse o fato de ter repassado à filha uma passagem aérea de sua cota parlamentar.”Reconheço meu erro. Eu não sou infalível”, disse, para depois revelar que “foi até confortável sair do pedestal de político impecável”. “Nós somos um país tropical, nunca vão encontrar santos por aqui”, justificou.  (…)

A noite terminou com uma apresentação de fotos históricas da política nacional, que começou com Getúlio Vargas sujando as mãos de petróleo, há cinco décadas, e terminou com o presidente Lula fazendo o mesmo gesto. A mostra foi apresentada por Guilherme Weneck, diretor de redação da revista TRIP, e o fotógrafo João Wainer. No fim, o Instituto coroou o evento tocando seu repertório e releituras – entre elas, “Fight the power”, do Public Enemy.”

***

Sério, pessoal: continuando nesse ritmo, daqui a pouco até o Pedro Sette Câmara falando de mulher no botequim vai parecer algo natural e descontraído.

***

LnElogo (1)

dizendo:

A academia brasileira está prestes a testemunhar uma empreitada intelectual inédita no país. Durante o mês de outubro um grupo de jovens intelectuais percorrerá 13 cidades, de Porto Alegre a Fortaleza, com uma missão: expor aos estudantes universitários brasileiros o pensamento libertário, de apoio ao livre mercado, paz e direitos individuais. O objetivo é apresentar diretamente a tradição liberal, muito distante das caricaturas inventadas por seus oponentes intelectuais, de direita e esquerda, como “neoliberalismo”.

(…)

“Por décadas, os intelectuais de esquerda foram praticamente os únicos a apresentar aos estudantes brasileiros uma causa política baseada em princípios”, diz Diogo Costa, coordenador do OrdemLivre.org. “Chegou a hora de mudarmos esse paradigma, e mostrar o liberalismo como um ideal sublime que promove a paz e a prosperidade, e que não tem um histórico sangrento como o do socialismo”. Bruno Garschagen, gerente de relações institucionais do OrdemLivre.org, completa: “o debate entre diferentes correntes filosóficas é necessário para que a Universidade não fique refém das ortodoxias do pensamento de esquerda e permita aos estudantes o acesso a autores e obras liberais”.”

helio-oiticica

O mercado das artes está pegando fogo.

Queima total de obras de Hélio Oiticica, Rua Engenheiro Alfredo Duarte, 391, no Jardim Botânico.

Ok, já era suficientemente estranho o fenômeno dos “famosos por serem famosos”.

Mas agora, há os famosos por serem ex-famosos.  E o negócio já está virando profissão.

ralo

Short Tio Rei:

“Problema social se resolve é com o Exército”

Deu na Folha:

Governos tucanos aumentam gastos com servidores em São Paulo

Entre os anos de 2003 e 2008, os governos do PSDB em São Paulo aumentaram as despesas com o funcionalismo dos três poderes em 19% acima da inflação e chegaram a R$ 43,1 bilhões, informa reportagem de Gustavo Patu publicada na Folha desta segunda-feira (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

O período citado, correspondente aos governos tucanos de Geraldo Alckmin e de José Serra, teve um aumento de 33 mil servidores ao longo das duas gestões.

Trata-se de um contingente semelhante ao do Ministério da Fazenda, que conta com auditores fiscais distribuídos por todo o país e só perde, no aparato civil federal, para Educação, Saúde e Previdência.” [grifo meu]

***

De 2003 a 2009, o governo federal contratou 57.102 servidores.

Trechos da matéria da Folha, da autoria de Gustavo Patu,  abaixo do folder.

Leia o resto deste post »

Abaixo, um republicano sendo atendido pelo novo sistema de saúde criado pelo Obama.

Leia o resto deste post »

o triunfo da vontade

No Estadão uma matéria sobre o filme “Lula, o Filho do Brasil“, que deve estrear em janeiro do ano que vem:

Lula, o Filho do Brasil, cinebiografia sobre o petista, será lançado em 1º de janeiro de 2010 com uma estratégia de distribuição que tem como objetivo torná-lo um dos maiores lançamentos do cinema nacional, desde a retomada da produção cinematográfica do País, em 1995. Para isso, a produção recorrerá a tradicionais bases de sustentação política de Lula, como sindicatos, e a regiões onde ele tem alta popularidade, como no Nordeste. Um universo de 10 milhões de pessoas sindicalizadas poderá comprar ingressos a preços populares para assistir ao filme, que pretende chegar aos rincões do País em 2010.

A estreia será feita em mais de 400 salas, sendo que 88 delas não fazem parte do circuito convencional. O objetivo é levar o filme para públicos populares, fora do mercado consumidor tradicional. O lançamento chegará a 19 salas que não fazem parte do parque exibidor de 1ª linha no Nordeste, em cidades como as baianas Alagoinhas e Santo Antonio de Jesus, a cearense Maracanaú e a pernambucana São Lourenço da Mata.

Aproveitando a alta popularidade de Lula no interior, a ideia é levar o filme para capitais fora do circuito tradicional, como Rio Branco (AC), Porto Velho (RO), Palmas (TO) e Macapá (AP). A cidade de Garanhuns, na região onde nasceu Lula, receberá cópias para exibição em duas salas, já no lançamento.

Serão feitas “para lá de 300 cópias” da cinebiografia, que conta os primeiros 35 anos da vida do presidente, do nascimento até a transformação dele em líder sindical, segundo Bruno Wainer, presidente da Downtown Filmes, que ao lado da Europa Filmes é responsável pela distribuição.

Lula, o Filho do Brasil fugiu do padrão nacional de financiamento de obras cinematográficas, baseado na renúncia fiscal. Causou polêmica no mercado, ao conseguir bancar a produção, de R$ 12 milhões, com dinheiro de empresas que não se beneficiaram de nenhuma lei de incentivo fiscal. Há construtoras, montadoras e outras empresas que não são tradicionais investidoras do setor – algumas têm contratos com o governo.”

Este trecho chama a atenção:

Serão feitas “para lá de 300 cópias” da cinebiografia, que conta os primeiros 35 anos da vida do presidente, do nascimento até a transformação dele em líder sindical, segundo Bruno Wainer, presidente da Downtown Filmes, que ao lado da Europa Filmes é responsável pela distribuição.

Pra quem não sabe, Bruno Wainer é filho de Danuza Leão com Samuel Wainer, o já falecido dono do jornal “Última Hora”.   Diz a Wikipedia sobre Samuel:

Originariamente um jornalista da Esquerda não-comunista, ligado ao grupo de intelectuais congregados em torno da revista Diretrizes , fundada por ele, Wainer era um repórter dos Diários Associados de Assis Chateaubriand quando veio a entrevistar Getúlio Vargas, durante a campanha eleitoral de 1950, formando com ele uma amizade política, movida à base de interesses mútuos, que viria a resultar na criação do Última Hora.

Vargas havia concebido a necessidade de um órgão de imprensa que pudesse sustentar as posições do populismo varguista contra uma imprensa virulentamente antipopulista e antivarguista. Consciente do talento individual de Wainer e sabendo da sua insatisfação com o trabalho nos Diários Associados, onde estava sujeito às humilhações quotidianas que implicava o trato diário com Assis Chateaubriand e suas práticas amorais, Vargas sabia poder contar com a lealdade pessoal daquele a quem havia apelidado de “Profeta”. Para tal, uma vez eleito, garantiu que o Banco do Brasil fornecesse um crédito a Wainer para a constituição do jornal em condições privilegiadas.

O Última Hora, desde sua origem, colocou-se abertamente como órgão pró-Vargas e oficioso: na sua primeira edição, o jornal estampava uma carta de felicitações assinada pelo próprio Getúlio Vargas. Foi um jornal que introduziu uma série de técnicas bem sucedidas que o tornavam mais atrativo às clsses populares: a seção de cartas dos leitores, o uso de uma editoria específica para tratar de problemas locais dos bairros do Rio de Janeiro. Era, ao mesmo tempo, um jornal conhecido pelo seu corpo de articulistas: Nelson Rodrigues e seus folhetins, a coluna de análise política de Paulo Francis e até mesmo uma coluna do futuro animador de televisão Chacrinha.”

Tem vários círculos se fechando aí, não?

O mundo, compreensivelmente, está de olho no Rio depois dos últimos acontecimentos na cidade.  O Valor de hoje vem com uma matéria interessante a respeito de possíveis caminhos futuros de combate ao crime organizado:

“Ocupação” deve envolver políticas sociais, dizem especialistas

O projeto de implantar Unidades de Policiamento Pacificadoras (UPPs) em favelas cariocas dominadas pelo tráfico de drogas ou por milícias armadas, é visto por especialistas do assunto como algo positivo. A política da Secretaria de Segurança do Estado do Rio está em vigor desde dezembro, mas para os analistas é preciso estabelecer políticas sociais dentro das favelas para dar alternativas a quem era ligado às atividades ilegais.

Na avaliação do sociólogo Ignacio Cano, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o policiamento comunitário sempre foi uma defesa dos estudiosos em segurança, mas a UPP deve deixar de ser exceção e virar regra. No Rio, há mais de 500 comunidades dominadas por grupos armados criminosos e apenas cinco estão sob ocupação policial atualmente.

Cano diz ser preciso melhorar o trabalho de investigação da polícia e aumentar as políticas sociais focadas na inclusão dos jovens que moram nas favelas. “Falta maior integração da política de segurança com a política social.” O pesquisador da Uerj também avalia ser necessário reduzir o nível de corrupção policial e estabelecer metas de diminuição da incidência de crimes, acompanhada da estratégia do governo para tal redução.

Outro aspecto diz respeito à participação do setor privado nessas áreas na busca de reduzir a segregação social entre a favela e o asfalto e de criar emprego e renda no interior delas. “O fator-chave é a inserção social”, afirma Cano.

Para a coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec) da Universidade Cândido Mendes, Sílvia Ramos, a política de ocupação policial nas favelas é certa e oportuna. “É correto colocar o foco principal do programa de segurança na ocupação. Enquanto não se resolver isso, a gente não vai saber quais são os problemas existentes. Essas áreas vão deixar de ter o território dominado pelo tráfico.”

Segundo ela, a experiência do policiamento comunitário nas favelas prova que é possível mudar, após 20 anos de políticas que se traduziam em tiroteio entre polícia e tráfico, sem resultados efetivos. “Basta ter policiamento, bom treinamento, salários melhores, e policiais mais jovens”, afirmou a coordenadora do Cesec. O desafio, diz ela, será expandir o programa, por causa do custo elevado. “Mas não é nada comparável ao que se gastou em tiroteio entre policia e traficantes nos últimos 20 anos.”

Silvia, no entanto, reforça a necessidade de políticas sociais integradas à política de segurança pública. “A UPP deveria vir num pacote para tratar das pessoas em torno do tráfico, não é só quem está diretamente ligado, mas até quem vende quentinha para os traficantes”, diz. Ela cita projeto implementado em Medellín, na Colômbia, onde o envolvimento de pessoas de comunidades pobres com o crime foi reduzido com o pagamento de bolsa mensal de US$ 400. O programa, denominado DDR (Desarmamento, Desmobilização e Reintegração), obriga a entrega de armas pelo participante, que recebe capacitação profissional ou ajuda para voltar à escola.”

Peraí: quer dizer que a Colômbia, o ícone de 10 entre 10 conservadores quando se fala em combate à violência, andou pagando bolsas a criminosos?  Tem gente que não vai gostar de saber disso.

17488

É mesmo um irresponsável

No Valor de hoje:

“Não darei as costas ao país”, diz Uribe sobre 3º mandato

Para muitos colombianos, o sucesso nos fronts econômico e de segurança fazem do presidente [Uribe] um redentor do país.

Mas agora ele está diante do que descreve como “uma encruzilhada da alma” enquanto avalia se concorre a um terceiro mandato em 2010. Isso envolveria uma segunda mudança da Constituição, o que preocupa até mesmo alguns de seus mais próximos aliados no país e no exterior, incluindo seus amigos em Washington.

Se decidir concorrer, Uribe – dono de níveis altíssimos de aprovação – certamente será reeleito para um terceiro mandato. Mas corre o risco de se transformar em apenas mais um caudilho latino-americano, com um histórico questionável na área dos direitos humanos.

(…)

Quando perguntado por que ele poderia querer continuar na Presidência se isso poria em risco seu legado, Uribe se levanta bruscamente da cadeira: “Essa não é a pergunta”, diz ele, andando pela sala. “Eu sou de uma geração que não conheceu um único dia de paz. Minha prioridade é a continuidade dinâmica das [minhas] políticas.”

Então o presidente tem um plano de sucessão? Uribe se inclina sobre a mesa de mogno. “É claro … eu quero encontrar a réplica de Thomas Jefferson.”

When God loses faith in humanity, he sends a legion of angels to wipe out the human race. It’s only hope is a group of misfits holed up in a diner, aided by the archangel Michael.

O Arcanjo Miguel vem e kicks some ass.

Depois reclamam do Saramago.  :)

Matéria do Estadão sobre José Saramago e seu novo livro, “Caim”, onde ele promete, novamente, desancar a fé católica:

O senhor ainda sente necessidades de ajustar contas com Deus, mesmo acreditando que ele só existe na cabeça das pessoas?

Deus não existe fora da cabeça das pessoas que nele creem. Pessoalmente, não tenho nenhuma conta a ajustar com uma entidade que durante a eternidade anterior ao aparecimento do universo nada tinha feito (pelo menos não consta) e que depois decidiu sumir-se não se sabe para onde. O cérebro humano é um grande criador de absurdos. E Deus é o maior deles.

Um leitor, contrariado, reclama:

Segundo ele, Deus não existe fora da mente das pessoas. E a Razão? Existe fora da mente das pessoas? Esse tipo de tese só tem impacto pela fonte de onde vêm ( um escritor famoso ) e não pela fraca contundência que possui.

Ué, mas a “razão” também não existe fora da mente das pessoas.  O próximo!

Lendo este post, bateu a dúvida: você prefere um Presidente capaz de influenciar empresas, ou um que é influenciado por elas?

Cartas para a redação.   :)

A gente tenta.  A gente tenta, mas…

Por caminhos tortuosos fui parar no site Feliz Nova Dieta, de Julio Lemos, um dos masterminds da Dicta&Contradicta.

rastros na blogoseira de que ele já tem um recheado boletim de ocorrências.

Como eu sou um ingênuo que acredita em sempre dar uma chance ao contraditório, segui uma recomendação dele e dei de cara com o site de John Lennox, professor irlandês católico que move uma cruzada contra o “novo ateísmo” (aquele pessoal que às vezes exagera).   Julio Lemos aponta para o setor de vídeos de John Lennox, e naturalmente interessei-me pelo vídeo intitulado “The New Atheism“.

Bem, acompanhei o vídeo até um certo ponto.  Lá pelas tantas, ele reproduz o final de um outro vídeo, um debate entre Richard Dawkins e John Lennox.  Estas são as anticlimáticas palavras finais de Lennox no debate:

I would remind you that the world Richard Dawkins wishes to bring us to is no paradise except for the few. It denies the existence of good and evil. It even denies justice. But ladies and gentlemen, our hearts cry out for justice. And centuries ago, the apostle Paul spoke to the philosophers of Athens and pointed out that there would be a day on which God would judge the world by the man that he had appointed, Jesus Christ, and that he’d given assurance to all people by raising him from the dead. And the resurrection of Jesus Christ, a miracle, something supernatural, for me constitutes the central evidence upon which i base my faith, not only that atheism is a delusion,but that justice is real and our sense of morality does not mock us. Because if there is no resurrection, if there is nothing after death, in the end the terrorists and the fanatics have got away with it…

Se a evidência central sobre a qual Lennox julga que deve basear sua fé é a Ressurreição de Cristo, então realmente não precisamos de um novo ateísmo.  O velho já é o suficiente.

***

Esta frase é curiosa:

“I would remind you that the world Richard Dawkins wishes to bring us to is no paradise except for the few”

Não foi o próprio Cristo que disse:

“Entrai pela porta estreita, porque dilatada é a porta, e espaçosa a senda que leva à perdição, e são muitos quem entram por ela. Que estreita é a porta e apertada a senda que leva à vida, e quão poucos são os que dão com ela!” (Mat. 7, 13-14).

“Muitos são os chamados e poucos os eleitos” (Mat. 22, 14).

“Disse-lhe um: ‘Senhor, são poucos os que se salvam?’ Ele lhe disse: ‘esforçai-vos para entrar pela porta estreita porque vos digo que muitos serão os que procuram entrar e não poderão’” (Luc. 13, 23-24).

Então porque diabos debitar na conta do ateísmo o fato de que nem todos irão ao Paraíso?  Que populismo é esse, minha gente?  É o bolsa-salvação??   :)

Manthropology:

‘If you’re reading this then you — or the male you have bought it for — are the worst man in history.

‘No ifs, no buts — the worst man, period…As a class we are in fact the sorriest cohort of masculine Homo sapiens to ever walk the planet.”

E mais:

* Some Tutsi men in Rwanda exceeded the current world high jump record of 2.45 metres during initiation ceremonies in which they had to jump at least their own height to progress to manhood.

*Any Neanderthal woman could have beaten former bodybuilder and current California governor Arnold Schwarzenegger in an arm wrestle.

* Roman legions completed more than one-and-a-half marathons a day (more than 60 kms) carrying more than half their body weight in equipment.

* Athens employed 30,000 rowers who could all exceed the achievements of modern oarsmen.

* Australian aboriginals threw a hardwood spear 110 metres or more (the current world javelin record is 98.48).

miss-universo-brasil

…e eu mando um beijo pra minha mãe, meu pai, pra Xuxa e pro Celso Amorim!

Diz o UOL:

A Assembleia Geral da ONU elegeu hoje o Brasil para que ocupe durante o biênio 2010-2011 uma das duas vagas não-permanentes no Conselho de Segurança das Nações Unidas (CS) reservados à América Latina e ao Caribe.

O Brasil contou com 182 votos de um total de 183 países votantes. Foram também eleitos para o mesmo mandato 2010-2011 a Bósnia e Herzegovina, o Gabão, o Líbano e a Nigéria.

Após sua última passagem em 2004-2005, esta é décima vez em que o Brasil fará parte do principal órgão da ONU, no qual acumula 18 anos de experiência.

O fato de não ter havido concorrência no grupo latino-americano e caribenho, o que já aconteceu quando da escolha do México no ano passado, é visto como um sinal do interesse da região em evitar disputas como a de 2006 entre Venezuela e Guatemala, que levou à realização de 48 votações e foi resolvida apenas com a aparição do Panamá como candidato de consenso.

A escolha do Brasil para a instância mais poderosa da ONU também é observada como um novo passo na consolidação do país como membro de destaque no cenário internacional.”

Isso aqui é interessante:

De acordo com a assessoria de imprensa do Itamaraty, as prioridades do Brasil como membro eleito do Conselho de Segurança incluem a estabilidade no Haiti, a situação na Guiné-Bissau, a paz no Oriente Médio, os esforços em favor do desarmamento, a promoção do respeito ao Direito Internacional Humanitário, a evolução das operações de manutenção da paz e a promoção de um enfoque que articule a defesa da segurança com a promoção do desenvolvimento socioeconômico.”

Enfim, a paz mundial, o congraçamento entre os povos e o fato de que a devemos “olhar juntos para a mesma direção“(*).  Nunca imaginei que a votação para a vaga temporária no CS tivesse tanto a ver com um concurso de miss…  :)

Tio Rei muito excitado na defesa do Roger Agnelli.  Dia desses ele aparece com uma coleirinha no pescoço, escrito: “ROGER”…

Eu acho que realmente há muito a escrever sobre a promiscuidade entre o Poder Executivo e a Vale.  Aliás, muito já foi escrito:

Saindo da sombra

O poderoso diretor do BB mexe com fundos de pensão que fazem negócios com seu sócio

O economista Ricardo Sérgio de Oliveira, 52 anos, é um homem enigmático. É diretor da área externa do Banco do Brasil, responsável pelos negócios lá fora e por grandes clientes nacionais do banco. Não gosta de fotos, evita entrevistas e, sempre que pode, fica na sombra. É, também, um homem de hábitos refinados. Gosta de fumar charutos Romeo y Julieta, a fina flor da produção cubana, joga tênis e já foi visto num restaurante em Nova York, onde possui um apartamento, servindo-se de uma garrafa de vinho de 5.000 dólares. Fala inglês e francês com fluência. Casado há 26 anos, sem filhos, ele também gosta de cultivar amizades influentes. Entrou para o círculo dos tucanos pelas mãos do ministro Clóvis Carvalho, da Casa Civil, acabou indicado para o cargo pelo ministro José Serra, da Saúde, e tornou-se o único diretor do Banco do Brasil com quem o presidente Fernando Henrique Cardoso faz contatos ocasionais. Além de Oliveira, apenas o presidente do banco, Paulo César Ximenes, tem direito a essa deferência de FHC.

De umas semanas para cá, sua vida começou a sair das sombras. Ele comandou a entrada dos fundos de pensão no consórcio Telemar, que arrematou as empresas de telecomunicações do Rio de Janeiro ao Amazonas. Aí, descobriu-se que Ricardo Sérgio de Oliveira tem uma influência notável na Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, que, de tão poderoso, costuma arrastar atrás de si os demais fundos. Agora, descobriu-se que sua influência nos fundos, que, juntos, movimentam a cifra espetacular de 80 bilhões de reais, anda próxima dos seus negócios privados. Um exemplo. José Stefanes Ferreira Gringo, dono da construtora Ricci Engenharia, está concluindo um prédio em São Paulo, de 30 milhões de reais. Para vendê-lo, Gringo pediu a uma corretora de São Paulo, a RMC, que formasse um pool de compradores. A RMC cumpriu sua missão: formou um pool no qual estão nada menos que treze fundos de pensão. O problema da transação é que Gringo é sócio de Ricardo Sérgio de Oliveira na RMC. E Ricardo Sérgio de Oliveira, como se sabe, tem a palavra final nos negócios dos fundos de pensão.

A cronologia da venda pode dar a impressão de que Oliveira usou sua influência para convencer os fundos a comprar um prédio de um sócio seu. Não há evidência indicando que o diretor teve uma atuação clandestina, mas chama a atenção que esse não seja o único negócio do gênero. Agora, a mesma Ricci Engenharia acaba de aprontar a planta de quatro torres de edifícios comerciais em São Paulo, com um investimento de 150 milhões de reais. O projeto ainda não saiu do papel, depende de trâmites burocráticos, mas já tem um comprador garantido. A Previ decidiu, falta apenas assinar a papelada, ficar com dois dos quatro prédios, entrando com 70 milhões de reais. É a mesma genealogia. Ricardo Sérgio de Oliveira dá o tom dos negócios da Previ, e a Previ acaba fazendo negócios com seu amigo e sócio José Gringo. “Vamos ficar com dois prédios porque é um bom negócio”, diz o presidente da Previ, Jair Bilachi. “Não houve nenhum tipo de pressão”, completa ele.

Gargalhadas — O triângulo financeiro pode ser apenas coincidência, mas ele só existe como produto de um desvio de função. Ricardo Sérgio de Oliveira é diretor da área internacional e, por rigor funcional, não tem nenhuma relação com o fundo de pensão do Banco do Brasil. É natural que os funcionários do banco, do presidente ao contínuo de agência, se preocupem com os rumos da Previ, que mais tarde irá afiançar suas aposentadorias. Mas nem isso acontece no caso de Oliveira. Ele não é funcionário de carreira do BB. Trabalhou dezessete anos no Crefisul, então sócio do Citibank, e chegou a vice-presidente de investimentos do Citi em Nova York, de 1980 a 1982. Em 1988, deixou o Crefisul e montou duas empresas, uma delas a corretora RMC. Só em 1995 foi convidado a trabalhar no Banco do Brasil. Ao chegar, logo se interessou pela Previ. Já promoveu reuniões de negócios entre a Previ e empresários. Para cravar sua influência, indicou um funcionário de sua confiança para ocupar a principal diretoria do fundo, a de investimentos. É João Bosco Madeiro, seu ex-chefe de gabinete no banco.

A intimidade de Ricardo Sérgio de Oliveira com os fundos começou assim que chegou ao governo, mas até agora não se sabia que os fundos estavam cruzando com negócios dos seus sócios. Sua atuação ficou mais clara na privatização da Telebrás, quando ajudou a formar o consórcio Telemar. A venda foi um abacaxi, pois o consórcio não tinha dinheiro para pagar a entrada, e deixou a impressão de que a atuação do diretor do banco teria irritado o ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros. Puro engano. Oliveira formou o consórcio a pedido do próprio governo, que queria pôr mais concorrentes no leilão com o legítimo interesse de subir o preço. Na semana passada, Oliveira e Mendonça foram vistos almoçando no restaurante Laurent, em São Paulo, e deram gostosas gargalhadas de uma notinha de jornal. “Não convidem para a mesma mesa Mendonça de Barros e Ricardo Sérgio”, dizia a notinha. Amigos, eles se conheceram há uns trinta anos, atuando no mercado financeiro, origem de ambos. “Eu não vou ficar irritado com um amigo meu”, diz o ministro. “Mas quem é amigo dele mesmo é o Serra e o Clóvis.”

A tarefa de reunir os fundos para participar da privatização não é uma novidade na vida de Ricardo Sérgio de Oliveira. Ele fez o mesmo tipo de operação na privatização da Vale do Rio Doce, em maio do ano passado. A diferença é que, na época, sua atuação no caso da Vale não apareceu em público. O governo pode ter todo o interesse em manter um funcionário hábil e competente para reunir fundos de pensão nas privatizações, com o objetivo de aumentar o preço e valorizar seu patrimônio. As coisas só começam a ficar nebulosas quando o funcionário também articula a potência financeira dos fundos para fazer negócios com seus sócios. Na semana passada, Ricardo Sérgio de Oliveira conversou com VEJA sobre o assunto. Falou de sua vida pessoal e suas funções no banco. Mas, antes que o assunto entrasse nos seus negócios privados, o diretor pediu para entrar em contato mais tarde com a revista. Até a noite de sexta-feira, o contato não voltou a ser estabelecido.

Ah, a reportagem não é da Carta Capital nem do blog do Nassif.  É da Veja, em agosto de 1998.

Mais uma:

A história de um pedido de comissão na privatização da Vale e as queixas de Benjamin Steinbruch sobre o comportamento de Ricardo Sérgio,o homem que falava grosso na Previ

O governo tucano realizou duas megaprivatizações em seu primeiro mandato. Em 1997, vendeu a Companhia Vale do Rio Doce. O grupo comprador entregou ao governo um cheque de 3,3 bilhões de reais, o maior já assinado no Brasil em todos os tempos. Em 1998, o governo dividiu o sistema Telebrás em doze companhias e vendeu-as em leilão. A operação gerou para o Tesouro Nacional a quantia de 22 bilhões de reais. Foi a terceira maior privatização do mundo na área de telefonia. Como se vê, os dois processos de venda têm em comum uma coleção de números gigantescos. Mas há outras semelhanças. No início do ano passado, o ex-senador Antonio Carlos Magalhães fez uma acusação pesada a respeito da privatização das teles. Segundo ACM, teria havido irregularidade na venda de uma delas. Ele contou que o consórcio Telemar, que explora a telefonia fixa em dezesseis Estados, do Rio de Janeiro ao Amazonas, teria feito um acerto para pagamento de 90 milhões de reais para levar o negócio. A acusação nunca foi comprovada. Agora, ficou-se sabendo que pedido semelhante de comissão pode ter ocorrido também no processo de venda da Vale. O valor é menor, 15 milhões, mas a história é igualmente grave. Nos dois casos, as denúncias recaem sobre uma mesma pessoa: o ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira, que atuou no passado como um dos arrecadadores de fundos do alto tucanato.

A informação do novo pedido de dinheiro tem como origem o empresário que liderou a compra da Vale e se tornou presidente do conselho de administração da companhia, Benjamin Steinbruch, do grupo Vicunha, que hoje controla a Companhia Siderúrgica Nacional, um colosso com faturamento anual de 3,3 bilhões de reais. Depois de arrematar a Vale, Steinbruch andou se queixando do comportamento ético de Ricardo Sérgio e contou a história a mais de um interlocutor. O pedido de dinheiro teria sido o preço cobrado por Ricardo Sérgio, sempre segundo o relato feito por Steinbruch a terceiros, para que fosse montado em torno dele, Steinbruch, o consórcio que venceu o leilão. VEJA conversou com dois empresários que ouviram o relato de Steinbruch. “Ele me disse que se sentia alvo de um achaque”, conta um dos empresários. O outro, que trabalha no setor financeiro, diz algo semelhante: “Naquele tempo, Benjamin andava por aí feito barata tonta, sem saber se pagava ou não”, afirma. Na semana passada, VEJA obteve depoimentos formais que confirmam a história. A particularidade desses depoimentos é que eles são dados por expoentes da política brasileira. Um deles é de Luiz Carlos Mendonça de Barros, que presidiu o BNDES durante o processo de venda da Vale, e depois assumiu o Ministério das Comunicações. Acabou perdendo o emprego quando estourou o escândalo das fitas da privatização das teles. A outra autoridade é o ministro da Educação, Paulo Renato Souza. Ambos são tucanos.

As versões de Mendonça de Barros e Paulo Renato são semelhantes. E chamam a atenção para aspectos significativos da conversa de Benjamin Steinbruch. De acordo com o relato do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, Steinbruch visitou-o em seu apartamento e, no escritório usado para leitura, disse-lhe ter combinado o pagamento de uma comissão para Ricardo Sérgio. A comissão seria uma espécie de “remuneração” pelo trabalho que o diretor do Banco do Brasil teve para reunir os fundos de pensão estatais em torno de seu consórcio. Steinbruch contou que vinha sendo pressionado para pagar o que devia, os 15 milhões. Mendonça de Barros não lembra se eram 15 milhões de reais ou de dólares. “Mas naquele tempo não fazia diferença por causa da cotação, que era próxima”, diz o ex-ministro. Essa revelação foi feita a Mendonça de Barros por Benjamin Steinbruch em 1998, cerca de um ano após a privatização da Vale. Ao ser informado sobre a cobrança de comissão, Mendonça de Barros quis ficar longe da história. “Ô Steinbruch, eu não quero me envolver nesse assunto. Não é da minha área”, disse o ex-ministro a Steinbruch. Dias depois, durante uma audiência, Mendonça de Barros relatou o episódio ao presidente Fernando Henrique. Conforme relatou a VEJA na semana passada, ouviu como resposta o seguinte: “Eu não sei nada disso e acho que você fez muito bem em não se envolver nesse assunto”. FHC não se lembra de ter mantido essa conversa com Mendonça de Barros. “Não me recordo de ter mantido esse diálogo”, comentou na sexta-feira passada FHC por meio de um assessor.

Paulo Renato ouviu o depoimento de Steinbruch durante um almoço pedido pelo ministro e ocorrido também em 1998. Paulo Renato queria que a Vale do Rio Doce patrocinasse um programa do governo. Na versão do ministro da Educação, Benjamin Steinbruch contou-lhe que Ricardo Sérgio pediu dinheiro em nome de tucanos. De acordo com Paulo Renato, Steinbruch não especificou quem seriam esses tucanos. “Nem me disse, tampouco eu perguntei”, afirma o ministro. De acordo com Paulo Renato, Steinbruch lhe disse ter checado se Ricardo Sérgio falava mesmo em nome de tucanos. Como foi feita a checagem? Steinbruch, segundo Paulo Renato ouviu do empresário, fez chegar uma consulta ao presidente Fernando Henrique. “Como resposta, segundo suas palavras, Steinbruch ouviu que o governo não tinha nada a ver com aquilo e que ele não deveria pagar.” Ao ouvir a história, o ministro da Educação informa que não tomou nenhuma atitude de ordem prática, como avisar a Polícia Federal, por exemplo, ou o Ministério Público. E ele explica o fundamento de sua decisão: “Quando Steinbruch me contou o que se passara, referia-se a um assunto resolvido. Ele não pagou nada. Portanto, do ponto de vista da administração pública ou do PSDB, não fui informado da ocorrência de crime”, afirma Paulo Renato.

Paulo Renato e Mendonça de Barros não se recordam do mês em que essa conversa ocorreu. Ricardo Sérgio ficou no governo até novembro daquele ano e não foi afastado do cargo que ocupava no Banco do Brasil num processo isolado. Continuou a despachar normalmente. Acabou demitido naquele mesmo ano, após o vazamento das fitas da privatização das teles. Saiu no mesmo pacote de afastamentos que levou Mendonça de Barros e o presidente do BNDES, André Lara Resende. Na semana passada, VEJA procurou o ex-diretor Ricardo Sérgio e o entrevistou sobre a acusação de que teria pedido propina na privatização da Vale. Eis um trecho da conversa:

Veja – A revista VEJA publicará em sua próxima edição a informação de que o empresário Benjamin Steinbruch esteve com algumas pessoas, entre as quais dois ministros de Estado, e contou que o senhor lhe teria pedido dinheiro durante o processo de privatização da Vale do Rio Doce. Isso aconteceu?

Ricardo Sérgio – É mentira grosseira e leviana. Se ele (Benjamin Steinbruch) lhe falar isso, sai preso da reunião. Vou junto com a polícia e o prendo. Não acredito que ele tenha falado isso.

Veja – Não estou dizendo ao senhor que ele falou isso para mim, mas para outras pessoas.

Ricardo Sérgio – É mentira.

Veja – O que o senhor está desmentindo: que ele tenha dito isso a quem quer que seja ou que o senhor tenha pedido dinheiro a ele?

Ricardo Sérgio – Que eu tenha pedido dinheiro a ele. Isso é mentira. Se ele falou isso para alguém, cometeu um ato irresponsável.

Veja – O senhor nunca tratou desse assunto com ele, nem durante nem após o processo de privatização da Vale do Rio Doce?

Ricardo Sérgio – Não tratei, não pedi dinheiro. A resposta é não.

VEJA também procurou o empresário Benjamin Steinbruch para entrevistá-lo sobre a história da comissão. Depois de ser apresentado ao conteúdo da reportagem, o empresário declarou o seguinte: “Não houve nenhum pagamento que não observasse as regras da lei e do edital. Eu não admitiria nenhuma coisa diferente. Não ando por caminhos tortos”. Perguntado em seguida não sobre o pagamento, mas sobre a existência de um pedido de propina, Steinbruch respondeu diferente: “Não vou fazer comentários a respeito desse assunto”.

A privatização da Vale do Rio Doce tinha uma importância econômica inegável, mas representava também um marco político. Afinal, o governo estava colocando à venda não uma estatal qualquer, mas a Vale, considerada, ao lado da Petrobras, um símbolo de empresa estatal eficiente. O Palácio do Planalto queria que o leilão fosse igualmente simbólico, modelar. E surgiu uma preocupação quando ficou claro que apenas um consórcio, liderado pelo empresário Antônio Ermírio de Moraes, da Votorantim, um dos maiores grupos empresariais do Brasil, se formara para comprar a companhia. Sem concorrência, o preço da Vale poderia não alcançar o mesmo patamar que decorreria de uma disputa acirrada entre adversários no leilão. Tomou-se, então, no governo, a decisão de organizar um segundo consórcio, ou seja, resolveu-se fabricar concorrência, criar uma disputa para elevar ao máximo o valor da venda da Vale.

Até o início de 1997, ano do leilão, reuniam-se em torno de Antônio Ermírio o Bradesco e ele, Benjamin Steinbruch. Em fevereiro daquele ano, ocorreu uma cisão. Steinbruch não gostou de saber que Ermírio estava negociando uma parceria com a sul-africana Anglo American, a maior mineradora do mundo. Com receio de ficar em posição secundária no consórcio, Steinbruch rompeu com Ermírio e se desligou do grupo, levando consigo o Bradesco. Foi aí que entrou em cena o diretor do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio, que havia recebido do Palácio do Planalto a instrução de montar um segundo consórcio. O empresário escolhido para liderá-lo foi justamente Benjamin Steinbruch. Batizado de Consórcio Brasil, foi concebido em cinco semanas e concluído um mês antes do leilão.

Steinbruch atraiu uma meia dúzia de bancos e empresas para seu lado, mas foi Ricardo Sérgio quem deu ao grupo o gás necessário para enfrentar a disputa com o grupo liderado por Antônio Ermírio. O segredo dessa força tem nome. Chama-se fundo de pensão das estatais. Graças a Ricardo Sérgio, ficaram com Steinbruch três dos maiores fundos de pensão. O fundo dos empregados do Banco do Brasil (Previ), o fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal (Funcef) e o fundo de pensão dos empregados da Petrobras (Petros), além de outros menores. Os fundos estatais entraram com 39% do capital da Vale privatizada. Para isso, investiram 834 milhões de reais na compra. A cobrança de propina teria sido feita para remunerar essa tarefa. Foram necessários apenas cinco minutos para que o Consórcio Brasil arrematasse o equivalente a 41,73% das ações da Vale. A estatal foi vendida com um ágio de 20% sobre o preço mínimo. Steinbruch foi nomeado presidente do conselho de administração da Vale, cargo que ocupou até maio de 2000, quando foi afastado por decisão dos sócios.

Ricardo Sérgio não caiu de pára-quedas no chamado ninho tucano. Ele foi apresentado a José Serra e a Fernando Henrique Cardoso pelo ex-ministro Clóvis Carvalho. Em 1990, José Serra candidatou-se a deputado federal e não tinha dinheiro para fazer a campanha. Clóvis Carvalho destacou quatro pessoas para ajudá-lo na coleta. Um deles era Ricardo Sérgio. Em 1994, Serra se candidatou ao Senado por São Paulo, e Ricardo Sérgio voltou a ajudá-lo como coletor de fundos de campanha. A última disputa da qual Serra participou foi para a prefeitura de São Paulo, em 1996. Depois, o senador não mais concorreu em nenhuma outra eleição, até a deste ano. Ricardo Sérgio também foi uma das pessoas acionadas para arrecadar contribuições para a campanha presidencial de Fernando Henrique Cardoso, em 1994. O mesmo aconteceu na reeleição de FHC, em 1998. Na função de coletor de contribuições eleitorais, Ricardo Sérgio era muito bem-sucedido.

Tome-se a campanha de José Serra para o Senado, em 1994. Coube a Ricardo Sérgio conseguir uma doação milionária do empresário Carlos Jereissati, do grupo La Fonte e um dos donos da Telemar. Jereissati é amigo de Ricardo Sérgio desde os anos 70. A pedido de Ricardo Sérgio, Jereissati lhe entregou o equivalente a 2 milhões de reais. “Foram quatro ou cinco prestações, não me lembro exatamente”, afirmou Jereissati a VEJA. Na lista oficial de doadores do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo não há registro de doação desse valor feita por Jereissati a Serra em 1994. Constam três doações de empresas do grupo La Fonte: uma no dia 11 de julho, de 15.000 reais, outra em 9 de agosto, de 30.000 reais, e uma terceira em 27 de setembro, de 50.000 reais. Ou seja, os 2 milhões saíram do cofre de Jereissati e não chegaram ao registro oficial das arrecadações de Serra. Outro exemplo da eficiência arrecadatória de Ricardo Sérgio. Em 1998, ele teve uma conversa com os sócios do consórcio Telemar e obteve a segunda maior doação da campanha da reeleição de FHC. De acordo com os dados do Tribunal Superior Eleitoral, o Itaú foi o maior doador daquele ano, com 2,6 milhões de reais. Dois sócios da Telemar, o grupo Inepar e o La Fonte, deram juntos 2,5 milhões.

Como é natural na formação das equipes de governo, pessoas que trabalham nas campanhas acabam sendo convidadas a ocupar postos na administração pública. A qualidade do cargo está relacionada à importância do correligionário, mas leva em conta a formação profissional e o passado do candidato ao emprego. Ricardo Sérgio, de 56 anos, é economista, com pós-graduação na Fundação Getúlio Vargas. Atuou no mercado financeiro e tem experiência internacional. Morou dois anos em Nova York, trabalhando pelo Citibank. O convite para o cargo em Brasília veio de Clóvis Carvalho. José Serra endossou a escolha. Foi indicada para Ricardo Sérgio a diretoria da área internacional e comercial do Banco do Brasil. Ele começou a trabalhar em 1995 e era o único diretor não escolhido pelo presidente do banco, Paulo César Ximenes. No dia-a-dia, o diretor mantinha uma atuação de espectro amplo. No Palácio do Planalto, costumava resolver problemas com o ex-secretário-geral da Presidência da República Eduardo Jorge Caldas Pereira, com quem falava sobre política. Na Previ, não apenas orientava decisões como também nomeou um dos pilares da instituição, o responsável pela direção de investimentos. O escolhido foi João Bosco Madeiro da Costa, com quem havia trabalhado na iniciativa privada. A intimidade dos dois era tão grande que costumavam tratar-se por “boneca” ao telefone.”

Ah, não, não é uma reportagem da Carta Capital ou do blog do Nassif.  É da Veja, em maio de 2002.

***

Não vou entrar na discussão Agnelli vs Eike porque não tenho dados a respeito.  Até porque, como mostrei, há muita hipocrisia nas críticas.

Me interessa, porém, a discussão principial: o Estado deve intervir na atividade econômica?

Vejamos: o que o início da aviação comercial, por exemplo, teria a dever ao Estado?  A Enciclopédia Britânica nos conta uma historinha:

From airmail to airlines in the United States

Although the American experience sometimes reflected European trends, it also demonstrated clear differences. Under the auspices of the U.S. Post Office, an airmail operation was launched in 1918 as a wartime effort to stimulate aircraft production and to generate a pool of trained pilots. Using Curtiss JN-4H (“Jenny”) trainers converted to mail planes, the early service floundered. After the war, shrewd airmail bureaucrats obtained larger American-built De Havilland DH-4 biplanes with liquid-cooled Liberty engines from surplus military stocks. Their top speed of 80 miles (130 km) per hour surpassed the 75 miles (120 km) per hour of the Jenny, allowing mail planes to beat railway delivery times over long distances. By 1924, coast-to-coast airmail service had developed, using light beacons to guide open-cockpit planes at night. Correspondence from New York now arrived on the west coast in two days instead of five days by railway. This savings in time had a distinct impact on expediting the clearance of checks, interest-bearing securities, and other business paper with a time-sensitive value in transfer between businesses and financial institutions.

Having established a workable airmail system and a considerable clientele, the Post Office yielded to congressional pressures and, with the Contract Air Mail Act of 1925, turned over the mail service to private contractors.”

Na verdade, há um belo livrinho mostrando como o governo americano deu uma boa mãozinha no nascente mercado da aviação e da aeronáutica _ muito, muito antes do Projeto Apolo:

Conventional wisdom credits only entrepreneurs with the vision to create America’s commercial airline industry and contends that it was not until Roosevelt’s Civil Aeronautics Act of 1938 that federal airline regulation began.

In Airlines and Air Mail, F. Robert van der Linden persuasively argues that Progressive republican policies of Herbert Hoover actually fostered the growth of American commercial aviation. Air mail contracts provided a critical indirect subsidy and a solid financial foundation for this nascent industry. Postmaster General Walter F. Brown used these contracts as a carrot and a stick to ensure that the industry developed in the public interest while guaranteeing the survival of the pioneering companies.

Bureaucrats, entrepreneurs, and politicians of all stripes are thoughtfully portrayed in this thorough chronicle of one of America’s most resounding successes, the commercial aviation industry.

Bem, seria ocioso prosseguir com os exemplos, que podem ser encontrados, aliás, em praticamente todas as indústrias onde hoje os EUA têm uma grande vantagem competitiva.

O ponto é o seguinte: se até os EUA, o país em que anaeróbicos (e mesmo alguns não tão anaeróbicos) vislumbram um paraíso empresarial parido pela livre iniciativa e pelo Estado Mínimo, tem na verdade uma história de concertação de interesses entre a máquina estatal e o empresariado, então porque raio de motivo essa discussão deveria ser bloqueada no Brasil, a princípio?

Do blog do Gideon Rachman no FT:

Chomsky banned in Guantanamo

October 14, 2009 1:05pm

An interesting little item here, on the banning of the works of Noam Chomsky from the prison library at Guantanamo Bay. One has to wonder about the mentality of the Pentagon lawyer, who was trying to obtain a copy of Chomsky for one of the detainees he is representing. Maybe his job at Guantanamo has led him to entertain all sorts of subversive thoughts?

Chomsky predictably interpets the ban on his work as further evidence that the US is slipping towards totalitarianism. But I see it another way. Obama has said that he is banning the use of torture on prisoners at Guantanamo. Subjecting them to the works of Noam Chomsky is clearly incompatible with the torture ban.”

Um detalhe pitoresco da matéria original do Miami Herald:

Library staff have since 2005 described the Harry Potter series as a borrowing bestseller among the mostly devout Muslim population — and shown off translated versions in the stacks that separate Arabic from Urdu, French from Farsi and cover more than a dozen languages.” [grifo meu]

Harry Potter.  Bah.

Vai ver é por causa disso.   :)

Wall Street volta a ostentar uma lucratividade bolhosa, e Kevin Drum está puto:

“(…) Is there any silver lining here? Probably not, but I’ll try: If Wall Street can shrug off the worst recession of our lifetimes as if it’s a minor fender bender and get the party rolling all over again in less than 12 months, it means the next bubble is already in the works and its collapse will be every bit as bad as this one. That in turn means it will almost certainly happen while today’s politicians are still in office. So maybe news like this will finally spur lawmakers to realize once and for all that the financial industry needs to be cut down to size. Half measures won’t do it. Self-regulation won’t do it. Compensation limits won’t do it. Byzantine, watered-down rules won’t do it.”

Muito puto:

Something like a Morgenthau Plan for Wall Street is the only thing that has even half a chance of working.”

Aqui:

Saudi Arabia is trying to enlist other oil-producing countries to support a provocative idea: If wealthy countries reduce their oil consumption to combat global warming, they should pay compensation to oil producers.”

Como diz o Drezner, então eles vão ter que ficar atrás da China e dos EUA, grandes produtores de carvão, um combustível ainda mais poluente que o petróleo.

Algo me diz que os sheiks terminarão chamando seu petróleo de Toby.

Só falta o Brasil do pré-sal entrar nessa…

Icecreamists-God-Save-the-001

“More Sid & Nancy than Ben & Jerry”

E, se havia ainda alguma dúvida de que o Punk acabou:

Sex Pistols threaten ice-cream firm over ‘God Save the Cream’ strapline

Lawyers demand that company stops using Sex Pistols-related imagery on T-shirts, deck chairs and online material

The Sex Pistols are threatening legal action against a boutique ice-cream maker for using the advertising strapline “God Save the Cream” and images of a version of the band’s famous single sleeve featuring the Queen on a union flag background.

Icecreamists, the company behind the ad campaign, describes itself as a “subversive ice-cream brand” and is running a concession within the Selfridges storefront on Oxford Street, central London, until November.”

***

OK: então vivemos em um mundo onde os punks defendem as ferramentas do establishment contra uma empresa que usa métodos subversivo-virais de marketing.  I´m done.

***

Me parece baixa a probabilidade dos Sex Pistols aderirem ao Pirate Party tão cedo.

primeirospassosnaciencia

Primeiros Passos na Ciência, Edições Melhoramentos

Devo dizer que, ainda antes do Julio Verne, meu pai me comprava uns livretos interessantes _ uma coleção voltada para crianças, chamada “Primeiros Passos na Ciência”, da Edições Melhoramentos.

Como vêem na foto, ainda tenho a coleção, que espero repassar aos meus filhos.  São 10 volumes:

  • Estrêlas e Planêtas
  • Átomos
  • Luz
  • Gravidade
  • Magnetismo
  • Eletricidade
  • Som
  • Galáxias
  • Radioatividade
  • Moléculas

Ou seja, tudo que seu pequeno nerd precisa saber para ser um ovo-nerd.

Essa imagem aqui suscitou meu primeiro empreendimento científico:

magnetismoterrestre

Passei uma manhã cavando a areia de Copacabana para ver se achava este imã.  :)

A coleção original é de 1964, editada por Longman, Green & Co. Limited, London, e foi publicada no Brasil em 1968 pela Melhoramentos.  Assim, devo ter lido isso aí bem novinho, com uns 5-6 anos.

A editora original “quase” não tem história:  foi fundada em 1754, quase totalmente destruída na blitz alemã da II Guerra em 1940, e em 1968 incorporada pela Pearson, onde hoje é um selo educacional.

Eu desconfio que esse “G. Stephenson” é este aqui, mas não tenho certeza.  Ele tem idade pra isso, tem livros publicados pela Longman (incluindo o hit “Mathematical Methods for Science Students”), e é inglês…acho uma boa aposta.

Já a Melhoramentos, pelo visto, virou um conglomerado, agrupando editora, livraria, fabricação de papel, empreendimentos florestais etc.  E tudo começou com o Coronel Rodovalho, quem diria.

Apesar disso, o site da editora está “em desenvolvimento”…mau sinal.

Será que existem coleções similares para crianças hoje?  Devem existir, mas desconheço.

A indústria republicana do Vodu deve estar à toda:

EE.UU. GENTE

Empresa americana lança boneca de Michelle Obama

AgeofConsent

Achei uma matéria que é, talvez, a melhor defesa do Polanski que já vi até agora:

Were Polanski to have consensual sex today with a 13-year-old girl in the modern, democratic, industrialized nations of Japan, South Korea, or Spain, it would be perfectly legal according to those countries’ codes. In more than 30 other countries, including Austria, Italy, and Lichtenstein, the age of consent is 14 (in many cases even younger if both partners are close in age). In France, where Polanski has lived since his conviction and where newspapers and even government officials have defended the director against the “sinister” motivations of American prosecutors, it is 15. Even Americans don’t agree on the question. In 27 states, it is legal for an adult of any age to have sex with a 16-year-old, while the rest place the legal age at 17 or 18.”

É um argumento, mas apela para noções de extraterritorialidade.  Nesse particular, continuo achando que Polanski deve encarar seu julgamento, uma vez que a lei da terra é a lei da terra, uai.

***

No entanto não deixa de ser interessante ver quais países compartilham o amarelinho ali no mapa.  Quem diria.

(*) copirráite Samurai

CERTAMENTENTALVEZ_1232720741P

E eu falando em FC soviética…

Ficção:

Action takes place in the Leningrad, USSR, apparently in the 1970s.

The protagonist, Dmitry Aleskeevich Malyanov (Дмитрий Алексеевич Малянов) is an astrophysicist who, while officially on leave, continues work on his thesis “Interaction of Stars with Diffused Galactic Matter”. Just as he begins to realize that he is on the verge of a revolutionary discovery, his life becomes plagued by strange events.

Malyanov’s neighbor dies, possibly as a suicide, and he comes under suspicion of the police for murder. Unexpectedly, he is visited by an attractive woman claiming to be his wife’s classmate. An apparent explosion fells a large tree just outside his window. These events seem to conspire to prevent Malyanov from returning to his work.

Approaching the problem with a scientific mindset, Malyanov suspects the potential discovery is in the way of someone (or something) intent on preventing the completion of his work. The same idea occurs to his friends and acquaintances, who find themselves in a similar impasse — some powerful, mysterious, and very selective force impedes their work in fields ranging from biology to mathematical linguistics.

A solution is proposed by Malyanov’s friend and neighbor, the mathematician Vecherovsky (Вечеровский). He posits that the mysterious force is the Universe’s reaction to the Mankind’s scientific pursuit which threatens to discover the very essence of the Universe. This reaction is what prevents development of “super-civilizations”, ones that would be able to counteract the Second law of thermodynamics on a cosmic scale.

Paradoxically, Vecherovsky proposes to treat this Universal resistance to scientific progress as a natural phenomenon which can and should be investigated and even harnessed by Science.”

Er, realidade:

More than a year after an explosion of sparks, soot and frigid helium shut it down, the world’s biggest and most expensive physics experiment, known as the Large Hadron Collider, is poised to start up again. In December, if all goes well, protons will start smashing together in an underground racetrack outside Geneva in a search for forces and particles that reigned during the first trillionth of a second of the Big Bang.

Then it will be time to test one of the most bizarre and revolutionary theories in science. I’m not talking about extra dimensions of space-time, dark matter or even black holes that eat the Earth. No, I’m talking about the notion that the troubled collider is being sabotaged by its own future. A pair of otherwise distinguished physicists have suggested that the hypothesized Higgs boson, which physicists hope to produce with the collider, might be so abhorrent to nature that its creation would ripple backward through time and stop the collider before it could make one, like a time traveler who goes back in time to kill his grandfather.

Holger Bech Nielsen, of the Niels Bohr Institute in Copenhagen, and Masao Ninomiya of the Yukawa Institute for Theoretical Physics in Kyoto, Japan, put this idea forward in a series of papers with titles like “Test of Effect From Future in Large Hadron Collider: a Proposal” and “Search for Future Influence From LHC,” posted on the physics Web site arXiv.org in the last year and a half.

According to the so-called Standard Model that rules almost all physics, the Higgs is responsible for imbuing other elementary particles with mass.

“It must be our prediction that all Higgs producing machines shall have bad luck,” Dr. Nielsen said in an e-mail message. In an unpublished essay, Dr. Nielson said of the theory, “Well, one could even almost say that we have a model for God.” It is their guess, he went on, “that He rather hates Higgs particles, and attempts to avoid them.”

This malign influence from the future, they argue, could explain why the United States Superconducting Supercollider, also designed to find the Higgs, was canceled in 1993 after billions of dollars had already been spent, an event so unlikely that Dr. Nielsen calls it an “anti-miracle.”

(…)

Dr. Nielsen admits that he and Dr. Ninomiya’s new theory smacks of time travel, a longtime interest, which has become a respectable research subject in recent years. While it is a paradox to go back in time and kill your grandfather, physicists agree there is no paradox if you go back in time and save him from being hit by a bus. In the case of the Higgs and the collider, it is as if something is going back in time to keep the universe from being hit by a bus. Although just why the Higgs would be a catastrophe is not clear. If we knew, presumably, we wouldn’t be trying to make one. (…)

(hat tip: PMF)

chestburster

“Alien is a rape movie with male victims”

…nós não temos críticos de cinema assim?

The other week I went to see a science-fiction thriller called Pandorum which opens – rather memorably – with a scene in which a befuddled Dennis Quaid falls out of a space-pod dressed only in his underpants. The film that follows amounts to a prolonged bout of paranoid hysterics. People scream and run about and get eaten. There is a dark and rusting spaceship, a gaggle of barely glimpsed monsters and a sexy, effortlessly confident warrior woman who puts her bungling male counterparts to shame. It is, if you appreciate this sort of thing, a perfectly serviceable motion picture.

But Pandorum gives us something else as well. Every scene – every frame – comes tainted with the nagging, lingering whiff of deja vu; a sense that there is an altogether better movie nestled deep inside, waiting to burst forth. Afterwards it strikes me what that movie is, and I reel out of the cinema like a suitor at the end of a misbegotten date. The only reason I like Pandorum, I realise, is because I am still in love with Alien.”

(*) copirráite Brad DeLong

censura

O Guardian sob censura!

Guardian gagged from reporting parliament

Guardian has been prevented from reporting parliamentary proceedings on legal grounds which appear to call into question privileges guaranteeing free speech established under the 1688 Bill of Rights.

Today’s published Commons order papers contain a question to be answered by a minister later this week. The Guardian is prevented from identifying the MP who has asked the question, what the question is, which minister might answer it, or where the question is to be found.

The Guardian is also forbidden from telling its readers why the paper is prevented – for the first time in memory – from reporting parliament. Legal obstacles, which cannot be identified, involve proceedings, which cannot be mentioned, on behalf of a client who must remain secret.

The only fact the Guardian can report is that the case involves the London solicitors Carter-Ruck, who specialise in suing the media for clients, who include individuals or global corporations.

The Guardian has vowed urgently to go to court to overturn the gag on its reporting. The editor, Alan Rusbridger, said: “The media laws in this country increasingly place newspapers in a Kafkaesque world in which we cannot tell the public anything about information which is being suppressed, nor the proceedings which suppress it. It is doubly menacing when those restraints include the reporting of parliament itself.”

The media lawyer Geoffrey Robertson QC said Lord Denning ruled in the 1970s that “whatever comments are made in parliament” can be reported in newspapers without fear of contempt.

He said: “Four rebel MPs asked questions giving the identity of ‘Colonel B’, granted anonymity by a judge on grounds of ‘national security’. The DPP threatened the press might be prosecuted for contempt, but most published.”

The right to report parliament was the subject of many struggles in the 18th century, with the MP and journalist John Wilkes fighting every authority – up to the king – over the right to keep the public informed. After Wilkes’s battle, wrote the historian Robert Hargreaves, “it gradually became accepted that the public had a constitutional right to know what their elected representatives were up to“.

***

E eu que pensava que coisas assim só aconteciam com jornais de alta credibilidade como o Estadão, em países que são repúblicas de bananas…

***

Enquanto isso, em uma galáxia muito distante…

DESEMBARGADORES DO TJ REJEITAM RECURSO E MANTÊM CENSURA AO ‘ESTADO’

Brasília, 13 – O jornal O Estado de S. Paulo continua sob censura. Os desembargadores do Conselho Especial do TJ rejeitaram hoje um recurso no qual era contestada a manutenção da liminar que impede a publicação de reportagem sobre a operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que investigou o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Ao contrário do ocorrido nos julgamentos anteriores, a discussão de hoje foi aberta. Dois desembargadores do tribunal questionaram o fato de o julgamento não ter sido sigiloso, como nas outras oportunidades. A explicação foi a de que o TJ estava seguindo uma determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que exerce o controle externo do Judiciário e que nesta semana está fazendo uma inspeção no tribunal do Distrito Federal. Em setembro, o corregedor nacional de Justiça, Gilson Dipp, pediu explicações ao TJ sobre os julgamentos secretos.

Na votação de hoje, os desembargadores confirmaram decisão tomada em setembro pelo Conselho Especial que afastou do processo o desembargador Dácio Vieira, autor da decisão que censurou o jornal. Mas o Conselho manteve a censura. Os desembargadores também decidiram rejeitar um pedido para que Dácio Vieira fosse obrigado a pagar as custas do recurso no qual ele foi considerado suspeito para continuar a atuar como relator. Essas custas são estimadas em R$ 38. Esse pagamento está previsto no Código de Processo Civil.”

Nossas esperanças de reeditar o Reino Unido de Portugal e Algarves podem estar abaladas:

Portugueses exigem retratação de Maitê Proença por piadas

Um vídeo que mostra a atriz Maitê Proença durante uma viagem a Portugal motivou a criação de um abaixo-assinado na internet que exige “um pedido claro de desculpas” da atriz, informa uma reportagem publicada hoje pelo português “Jornal de Notícias”.

A gravação, que foi ao ar em 2007 no programa “Saia Justa”, do GNT, mostra Maitê fazendo piadas durante a visita ao país. Entre outras coisas, ela brinca com uma placa pendurada ao contrário em frente a uma casa e sobre problemas que enfrentou no hotel em que estava hospedada.

“Tive problemas com a internet do hotel e pedi um técnico para arrumar. Mandaram um técnico que não sabia nada de informática. Ele olhava pro meu mouse como se fosse uma capivara”, diz a atriz em um trecho do vídeo (assista abaixo).

“Depois a gente fala de português, que eles são esquisitos. Mas é assim mesmo”, afirma a atriz já no final do vídeo, antes de cuspir em uma fonte.

A reportagem do “Jornal de Notícias” ainda comenta o fato de todas as apresentadoras do programa gargalharem após a exibição do vídeo.

De acordo com a reportagem, o abaixo-assinado pede “um pedido claro de desculpas da atriz ao povo português, seja por escrito, oral, ou em vídeo”.

***

Na matéria do jornal português, Maitê se redime…mais ou menos:

“Não falei mal de Portugal, amo Portugal, os portugueses, tenho amigos e visito o país sempre que dá”, disse a actriz ao JN. “Meus livros são publicados na terrinha e vendem muito bem”, acrescentou.”

Ainda bem que a Maitê não é jornalista.  Senão teria que explicar essa história de “cuspir na fonte”.

***

Isso tudo mostra que a vingança é um prato que se come frio, e com bacalhau.  Afinal o raio do vídeo é de 2007 mas só agora atingiu a honra dos conterrâneos…

Será que depois do taylorismo, do fordismo, e da mass-customization, estamos vendo o nascimento do modo de produção “on-demand”?

Este post no blog “Bits” do NYT fala sobre o que talvez seja a aurora desse processo.   Ele fala sobre o sucesso do filme “Paranormal Activity“, rodado ao custo de parcos US$ 10.000,00, e que está fazendo grande sucesso na internet _ entre outros motivos porque seus responsáveis imaginaram um interessante marketing viral onde as pessoas podem votar para que o fllme passe em sua cidade.

Me parece meio inevitável que, com a teia global da internet estendendo-se a todos os rincões, este tipo de interação se torne cada vez mais comum.

Agora, se o Twitter vai conseguir fazer algum dinheiro com isso, eu não sei.

O UOL nos informa de mais um editorial com elogios ao Brasil em um jornal argentino:

Lula projeta Brasil a ‘líder regional e ator global de 1ª ordem’, diz jornal argentino

O jornal argentino “La Nación” afirma em seu principal editorial desta segunda-feira que, enquanto a Argentina perde espaço e importância no cenário internacional, o Brasil se consolida como “líder regional e ator global de primeira ordem”.

O texto, intitulado “Brasil, nas grandes ligas”, atribui o resultado ao trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que por sua vez seguiu a “via das políticas de Estado (…) traçadas nos oito anos anteriores pelo presidente Fernando Henrique Cardoso”.

Os editorialistas fazem sua análise a partir do que chamam de “dois troféus” aquinhoados por Lula em sua recente viagem à capital dinamarquesa, Copenhague: a eleição do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 e o apoio da União Europeia ao modelo brasileiro de combate ao desmatamento, que será apresentado na mais importante reunião sobre o clima do ano, que ocorre em dezembro, também em Copenhague.

Sobre a escolha do Rio como sede olímpica, o jornal avalia que a atuação brasileira na disputa, apartidária, mostrou uma “formidável imagem de como se defende o interesse nacional”. O “La Nación” sugere que, se Buenos Aires tivesse sido candidata, “aversões pessoais” entre os políticos argentinos impediriam uma postura semelhante.

Para o jornal “não é novidade que o Brasil, pelo carisma e o impulso de seu presidente, jogue nas grandes ligas”.

“A novidade é que, em meio a sérios problemas de desigualdade e de corrupção ainda não resolvidos, Lula tenha conseguido projetar seu país como um líder regional que não admite essa definição, ainda que saiba que esta cada vez mais perto de sê-lo.” Exemplos dessa projeção são o diálogo de Lula com o presidente americano, Barack Obama, “enquanto Cristina Kirchner, ainda não consciente de que todos os seus ataques contra Bush se traduzem de forma imediata em Washington como ataques contra os Estados Unidos, não teve ocasião de dialogar senão em breves intervalos de cúpulas internacionais com Obama”.

O jornal observa que “em 2011 terminará o segundo período de Lula”. “Terminará também esta tendência? Não. Definitivamente não. Em 2014 o Brasil será sede do campeonato mundial de futebol; em 2016, o Rio de Janeiro receberá os atletas.” Os editorialistas tentam explicar por que, apesar da crise, “o Brasil recebe investimentos diretos em maior volume que a Argentina” e tem recursos para emprestar ao FMI, e por que “em cada cúpula da Unasur (o grupo de países sul-americanos), os olhares apontam para Lula e os ouvidos esperam suas reflexões”.

“Talvez porque, no plano político, os escândalos de corrupção nunca terem lançado dúvidas sobre Lula; porque ele cumpriu sua palavra empenhada sem desmerecer às instituições nem às pessoas que pensam diferente; e porque nunca teve a estranha idéia de construir um trem bala onde falta comida.“”

***

Essa última referência, ao trem bala, me pareceu um tanto enigmática; creio que se refere ao trem bala argentino, previso para ligar Buenos Aires a Córdoba, passando por Rosario.

***

Fico me perguntando o quanto disso se deve a) à personalidade de Lula; b) às políticas de Lula; c) meramente ao tamanho do Brasil.

Eu acredito que 90% deva-se a uma mescla de a) e b).

Vixe:

El 39,9% de los portugueses y el 30,3% de los españoles apoyan una unión entre los dos países para formar una Federación, aunque la idea es rechazada por más de un 30% de los ciudadanos en ambas naciones.”

A matéria não é nova _ é de julho de 2009, mas só vi hoje.

Mas parece que tem mais português querendo abrir o bico do que espanhol.

***

E se a moda pega em latino-américa?  Vocês topariam?  Isso dá…quiz!

Para o Oliver Williamson.

Merecido.

“Comprar ou fazer” voltará à moda; “contratos incompletos”, idem.

***

E o primeiro Nobel de Economia a uma mulher.  Por um trabalho interessante, a governança dos “commons”.

***

Esse Nobel de 2009 tá mesmo muito avançadinho.

***

E, depois da Olímpiada carioca, só resta esperar a premiação do Oscar para ver mesmo se os 10´serão os novos 70´…

Da Wikipedia:

A ficção científica no Brasil é um segmento literário que nunca demonstrou popularidade ou constância, estando baseado em pequenas quantidades de aficionados. Foi praticada por diversos autores influenciados por escritores internacionais do gênero, que tem grande popularidade nos Estados Unidos ou Europa. Por outro lado, alguns autores brasileiros consagrados se aventuraram em obras únicas que podem ser consideradas ficção científica, como Machado de Assis no conto O Imortal.”

Achei interessante a citação, porque bem, eu acabei de ler este livro aqui, que um amigo me emprestou:

lll

(clique na capa para a descrição da obra)


E, surpresa! o conto do Machadão, “O Imortal”, é o que abre a coletânea.  Eu até já li bastante Machado, mas não conhecia este conto, que deve ser possivelmente possivelmente a primeira obra brasileira de FC, eu acho.

Vocês já devem estar enjoados de saber que exultei ao ler, na série de Elio Gaspari sobre a ditadura, o trecho em que se conta a infância pobre de Ernesto Geisel no interior do Rio Grande do Sul _ mas era aquela pobreza mais material que espiritual, de forma que o pai de Geisel lhe deu a coleção completa das obras de Julio Verne, as quais, segundo o General, influenciaram bastante sua forma de ver o mundo, a começar pela importância que dedicava à ciência e tecnologia.  Exultei porque vi ali um reflexo de minha própria infância, também pobre, embora diferentemente pobre _ a pobreza dos megacaixotes de gente de classe média baixa de Copacabana _ e que também foi influenciada pelo velho mago francês.  Pois o primeiro livro não-infantil que li na minha vida foi “20.000 Léguas Submarinas”, em uma edição baratinha da Ediouro, que tinha uma lojinha ali quase na esquina da Santa Clara com a Domingos Ferreira.

***

O que me fez ficar dando tratos à bola, imaginando se é possível correlacionar leituras de ficção científica com pendor pelas ciências e, destarte, grau de inovação de uma sociedade.  Encontrei um estudo da, er, NSF, com uma evidência puramente anedótica:

Interest in science fiction may be an important factor in leading men and women to become interested in science as a career. Although it is only anecdotal evidence, found on Internet discussion lists, for example, scientists often say they were inspired to become scientists by their keen interest in science fiction as children.”

Também encontrei um testemunho desse cara que, sendo americano, provavelmente não conhece muito Julio Verne [ou por falar nisso, Perry Rhodan...], razão pela qual ele reclama não conhecer literatura de FC adequada para crianças.

Um outro sujeito se faz uma pergunta semelhante, com ênfase, entretanto, não na vocação para ciência e tecnologia em geral, mas para a exploração espacial em particular:

Does the predominance of Harry Potter over science fiction bode well or ill for the future of public spaceflight support? What science fiction and non-fiction books would you give to a child or teenager to inspire them about space exploration?

Harry Potter.  Bah.

[um comentário no post linkou uma interessante lista do material de leitura disponível na Estação Espacial Internacional…tem Harry Potter.  Bah.]

É claro que possivelmente a causalidade inversa também ocorre: sociedades que dão grande importância à inovação também devem produzir e consumir muita FC.  Achei alguns dados antigos sobre o mercado editorial norte-americano aqui:

sfmktshareusa

FC chegava a ser o quarto gênero mais popular em 1999, caindo para quinto em 2001.  Gostaria muito de ver uma série histórica mais ampla, começando no pós-guerra e chegando até 2008 pelo menos.  Também gostaria de ver a lista análoga no Brasil…pelo espaço que a FC tem nas prateleiras das livrarias nacionais, suspeito que o gênero deva vir lá na centésima colocação.

Aliás, outra coisa que queria saber é se existe algum título de FC nos livros adquiridos pelo MEC no Programa Nacional do Livro Didático (ou sua versão para o Ensino Médio).  Procurei, procurei, e não achei uma lista extensiva sequer…se alguém aí souber onde tem avise, please.

***

Enquanto isso, parece ter gente nos EUA se esforçando para protagonizar a “Ascensão e Queda do Império Americano“, com ênfase na queda:

jmOneNationUnderGod_web

(clique na imagem para ver as legendas)

Versão crítica, aqui.  Versão chutando o balde, aqui.

***

UPDATE:

Trecho interessante de um artigo interessante:

In 2007, students in Singapore, Japan, China, and Hong Kong (which was counted independently) all performed better on an international science exam than American students. The U.S. scores have remained essentially stagnant since 1995, the first year the exam was administered. Adults are even less scientifically literate. Early in 2009, the results of a California Academy of Sciences poll (conducted throughout the nation) revealed that only fifty-three per cent of American adults know how long it takes for the Earth to revolve around the sun, and a slightly larger number—fifty-nine per cent—are aware that dinosaurs and humans never lived at the same time.

outubro 2009
D S T Q Q S S
« set   nov »
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031
Add to Technorati Favorites

Blog Stats

  • 1,510,665 hits
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 27 outros seguidores