Do Valor de hoje:
“França quer bem-estar como indicador
Associated Press14/09/2009 10:18 Texto: A- A+
PARIS – A França pretende incluir a felicidade e o bem-estar entre seus medidores de progresso econômico, disse hoje o presidente Nicolas Sarkozy, conclamando outros países a aderir a uma ” revolução ” no modo como o crescimento é acompanhado após a crise global.
O país vai adaptar as ferramentas estatísticas conforme o recomendado por dois prêmios Nobel que Sarkozy contratou 18 meses atrás para analisar novas maneiras de medir o progresso social. A França – cujo crescimento ficou abaixo de países similares nas últimas décadas, em indicadores padrão – também vai tentar convencer outros governos a mudar o acompanhamento econômico.
O presidente deu as declarações em discurso pelo primeiro aniversário da quebra do banco americano Lehman Brothers. ” Uma grande revolução está esperando por nós. Por anos as pessoas disseram que as finanças eram um criador formidável de riqueza, só para descobrir um dia que isso acumulou tanto risco que o mundo quase caiu no caos ” , disse Sarkozy. ” A crise não só nos deixa livres para imaginar outros modelos, outro futuro, outro mundo. Ela nos obriga a fazer isso. ”
Medir o bem-estar faria a economia francesa – famosa por sua curta semana de trabalho e pelos generosos benefícios sociais – parecer mais promissora.
Sarkozy pediu ao americano Joseph Stiglitz, ganhador do Nobel de Economia de 2001, e ao indiano Armatya Sen, Nobel de 1998, para liderar a análise. Sen ajudou a criar o Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, indicador anual de bem-estar social que ajuda a formular políticas internacionais que levem em conta padrões de saúde e qualidade de vida.
O relatório dos economistas, entregue hoje a Sarkozy, recomenda transferir o foco estatístico do Produto Interno Bruto (PIB), que mede a produção econômica, para o bem-estar e a sustentabilidade. Eles defendem que mensurar a renda familiar, o consumo e a riqueza, em vez da produção da economia como um todo, reflete melhor os padrões da vida da população. Atividades fora do mercado, como a limpeza de casas, também devem ser consideradas.
O novo modelo também prega mais importância para a distribuição de renda e riqueza e para o acesso à educação e ao sistema de saúde. Também deve ser considerado se os países estão consumindo em excesso seus recursos econômicos e prejudicando o meio ambiente.”
***
Esse papo é antigo, mas que eu me lembre é a primeira vez que um país central leva a idéia a sério.
***
Sarkozy: até os conservadores franceses são diferentes…
***
Isto me lembra este gráfico que saiu em um estudo recente sobre bem estar comparado:
(clique para ampliar)
É incrível como os países latinos tendem a ser mais “eficientes” que os outros na conversão de recursos em bem estar subjetivo.
As setas azuis comparam diretamente os diferenciais de bem estar e de renda per capita de Brasil e EUA.




14 comentários
Comments feed for this article
setembro 15, 2009 às 12:10 pm
DKRc
Como diria uma velha música:
“Olha o Amartya Sen aí gente!!”
http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL250820-5602,00-SARKOZY+PEDE+AJUDA+A+PREMIADOS+DO+NOBEL+E+COMENTA+NAMORO.html
Mas aposto que foi a Carla Bruni que pediu isso pra ele! =D
Essa mulher pedindo com jeitinho consegue qualquer coisa.. rsrs
setembro 15, 2009 às 2:11 pm
Me
Esse grafico que vc postou no fim eh a prova definitiva que tentar medir felicidade eh um pipe dream.
Alias, essa mudanca de tentar ser um governo que “allow the pursuit of happiness” para um governo que “garante happiness” eh mais uma daquelas coisas que da um frio na espinha danado.
Zanax to everybody! It is a Brave New World!
setembro 15, 2009 às 2:32 pm
ohermenauta
Eu estava mesmo aqui olhando meu relógio e contando quantos minutos ainda ia demorar para você aparecer, Paulo…
O problema é que a julgar pelo seu próprio blog, o gráfico tá pra lá de certo.
setembro 15, 2009 às 2:38 pm
Me
hein?
Meu blog (alias, eu) eh um bom exemplo de como esse grafico eh um absurdo. Se eu realmente fosse tao feliz aqui quanto era no Brasil porque eu teria mudado in the first place?
Alias, uma forma menos furada de medir o quanto a populacao de um pais realmente gosta do pais deveria ser imigracao. Se conseguissem ainda ter uma formula que medisse dificuldade de imigrar tipo, numero de imigrantes x coeficiente de dificuldade = indicador, a coisa seria melhor ainda.
Isso sem falar naquela pequena bolinha chamada Saudi Arabia la no alto. Come on man, vou precisar desenhar eh?
setembro 15, 2009 às 2:54 pm
ohermenauta
Seu blog é um oceano de rancor, Paulo. Mesmo o seu humor é estragado.
Continuo dizendo a mesma coisa: olhe sua tag cloud e veja o tamanho de “Brazil” nela. Você mesmo, aliás, já nos disse porque mudou. Se você está tão feliz aí, porque então seu blog continua voltando sempre ao Brasil, à política brasileira, ao que, afinal, os brasileiros querem fazer com o país que você alegremente deixou?
A maioria dos brasileiros que eu conheci vivendo fora do Brasil podem ser até felizes, mas desejam ardentemente voltar ao Brasil. Saem daqui porque não encontraram oportunidades, oportunidades que escassearam para a maioria deles justamente porque o país está há muito tempo excessivamente atrelado ao capitalismo terminal.
Ué, e porque diabos a Arábia Saudita não seria feliz? É um país que vive de exportar o carbono que está em seu subsolo para a atmosfera alheia, e ganha bilhões de dólares com isso. Além disso atrai uma mão de obra que estaria perfeitamente miserável em seus países de origem. É um arranjo sinistro, mas eficaz. Em outras palavras, posições semelhantes no gráfico não tem todas a mesma razão de ser, embora no caso da bola dos países latinoamericanos eu acredito que sim.
setembro 15, 2009 às 3:29 pm
Me
HAHAHAHA, Mr. Contradiction!
Vc esta certo que eu tenho rancor do Brasil, mas eh justamente porque eu era muito infeliz no Brasil!!! Se aqui nos US a minha vida fosse tao ruim, eu nao falaria mal do Brasil oras! O fato de eu ainda falar tao mal do Brasil eh justamente uma prova de quao diferente o meu nivel de felicidade eh!
[acho que aqui se aplica o mesmo que em casos amorosos. Se você esqueceu uma pessoa, ficou feliz por livrar-se dela, você simplesmente ESQUECE. É fato sabido que quando há um rompimento de casal e uma parte não pára de falar mal da outra, é porque a coisa ficou mal resolvida. É o seu caso.]
On the other hand, os seus conhecidos que “desejam ardentemente voltar ao Brasil” devem ser a minoria ja que nao faz sentido algum vc deixar um pais por outro aonde vc eh igualmente feliz. Vc nao sabe o quao dificil eh imigrar. Ninguem passa pela experiencia se a recompensa nao for boa suficiente.
[OK, já entendi: você não entende patavinas sobre imigrantes e as razões pelas quais os brasileiros emigram.]
Alias, como eh que “atrelado ao capitalismo terminal” pode ser feliz? E a sua teoria sobre a Arabia Saudita entao! Eles sao felizes porque tem petroleo! Who cares about individual rights, riqueza individual, nah, essas coisas sao bobagem! Pior, eles so sao felizes porque antes do petroleo era mais miseraveis. Agora na AL a coisa eh diferente! Aqui nos temos o Samba!!!
[individual rights na Arábia Saudita??? Ficou maluco????]
Great stuff! Deve ser o Zanax!
[Sei lá. Eu só passo na farmácia pra comprar xampú, você é que entende de modificação artifical do comportamento...]
setembro 15, 2009 às 6:20 pm
Me
HHHHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHAHAHAHAHA!
Eu nao entendo nada sobre brasileiros e imigracao! Afinal, eu sou somente um imigrante brasileiro!!! Nao daria para inventar essas coisas que vc escreve!
Cara, as vezes vc se supera. E again, eh logico que meu ‘caso de amor’ com o Brasil eh mal resolvido. Eu ADORARIA ter amado morar no Brasil afinal eu nasci ai e minha familia e amigos estao ai. O FATO eh que eu odiei viver no Brasil. Sera que eh tao dificil assim entender? Acho que nao hein!
Sobre o Zanax, acho que eu provavelmente estou errado. Acho que o pessoal por ai esta preferindo outros ‘medicamentos’:
http://fyiblog.wordpress.com/2009/09/15/ah-the-happy-people-of-brazil/
setembro 15, 2009 às 7:20 pm
ohermenauta
Paulo, meu jovem,
É possível ser um imigrante sem entender nada da imigração. Por exemplo: basta que você não seja um imigrante representativo.
A imigração brasileira se divide em duas partes: os imigrantes de baixa renda, que vão para fora ganhar um dinheirinho para mandar pros parentes no Brasil ou mesmo para voltar em melhores condições, e os que vão por outros motivos que não os estritamente econômicos _ estudar, etc.
Isso quer dizer o seguinte: entre você e o cidadão de Governador Valadares que vai limpar chão em restaurante em Boston ou a moça bonita que conheceu um alemão disposto a ajudá-la, medeia uma grande diferença. E _ surpresa _ gente como você NÃO é a maior parte dos imigrantes brasileiros.
Compreenda: o fato de você odiar viver no Brasil não é um problema para mim, nem para ninguém. O que acho gozado é que apesar disso você não consegue parar para curtir sua maravilhosa vida de norte-americano e esquecer o país que você odeia.
setembro 15, 2009 às 11:18 pm
Me
Smarto,
Sim, existem muitos tipos de imigrantes. And guess what! Quando vc imigra para um pais estranho vc acaba conhecendo muitos, mas muitos imigrantes de todos os tipos. Muitos, por exemplo, tem boa educacao mas inicialmente pegam trabalhos manuais por aqui (lavador de prato, jardineiro, etc).
Cada um tem sua historia e sem duvida o caminho nao eh facil em nenhum caso, mas te garanto o seguinte: a *enorme* maioria prefere os EUA e o negocio nao eh somente “mandar um dinheirinho” de volta para Governador Valadares… Isso eh o que vc parece nao entender (ou nao quer admitir). Ninguem passa por uma mudanca dessa so por causa de “a few bucks”. Os que querem voltar (e eles sao minoria mas existem) voltam logo. E na maioria dos casos se arrependem.
E o fato de eu nao gostar do Brasil e continuar falando disso nao deveria ser um problema tambem… Oras, vc tambem fala mal dos EUA e nem tem ligacao direta com o pais. Cada um fala o que quer, that’s part of the plan. Eu so diria que essa sua ideia de querer conhecer tudo sobre todos (ate mesmo sobre o que os outros pensam ou deixam de pensar!), mesmo quando a situacao claramente mostra que vc esta errado, nao leva a lugar nenhum.
setembro 16, 2009 às 9:26 am
ohermenauta
Paulo,
“a *enorme* maioria prefere os EUA e o negocio nao eh somente “mandar um dinheirinho” de volta para Governador Valadares”
Pelo contrário: CADA VEZ MAIS o negócio é mandar um dinheirinho. Remessas de brasileiros no Exterior: US$ 2,6 bi em 2001, US$ 6,4 bi em 2006, US$ 7 bi em 2007.
Perfil dos receptores: “Em termos gerais o estudo concluiu que os receptores de remessas no Brasil são predominantemente mulheres (65%), de baixa escolaridade (35% com educação primária e 44% secundária, somente 21% com educação universitária) e oriundas de classes econômicas que registram baixo ingresso de rendas.” (Cf. “Remessas de Brasileiros no Exterior”, Luciano Schweizer, D.Sc.). Dos recursos recebidos, 46% são para saldar despesas diárias.
“Os que querem voltar (e eles sao minoria mas existem) voltam logo. E na maioria dos casos se arrependem.”
E depois sou em quem quer “conhecer tudo sobre todos”…
“E o fato de eu nao gostar do Brasil e continuar falando disso nao deveria ser um problema tambem… ”
Ué, e quem disse que é um problema? Não para mim. Só desconfio que continua sendo para você.
“Oras, vc tambem fala mal dos EUA e nem tem ligacao direta com o pais.”
Então, sua cegueira ideológica não permite que você entenda que eu não “falo mal dos EUA”. Eu falo mal da loucura que se apossa dos EUA quando o país tem um governo republicano.
setembro 15, 2009 às 4:56 pm
Thuin
Duas coisas:
Primeiro, o óbvio. A Argentina está abaixo do Brasil. \m/
Segundo: Puerto Rico tá beeeem abaixo do resto da AL. Curioso.
setembro 16, 2009 às 4:21 am
Marcos Nowosad
Eu me mudei para os Estados Unidos em 1999, um dos motivos sendo porque eu sou americano mesmo, nascido na California.
Mas apesar de ver muitas vantagens financeiras em morar nos Estados Unidos, eu nao tenho esse “nojinho” todo que alguns brazucas transplantados demonstram em relacao `a terra natal.
Como se dissessem “o Brasil nunca me mereceu!”.
Uma coisa meio doente e triste, ne’ nao…
setembro 16, 2009 às 10:02 am
Igor
Queria ver o resultado da normalização happiness por GDP per capita. Uma espécie de índice “bang for the buck”. Ou “buck for each bang”, sei lá!
setembro 18, 2009 às 8:39 pm
SLeo
Acho que vai precisar muito mais que o índice para que os frnceses prem de suicidar depois de encontrrem o paraíso globalizado de mercado defendido com tanta salivfa ´pelo Pasulo aí em cima (acho que ele defendeu, não tive paciência de ler os comentarios).
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2009/09/18/ult2682u1316.jhtm