
Notícia interessante do informativo Teletime:
“Lei Antifumo será divulgada por SMS
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
A divulgação da Lei Antifumo no estado de São Paulo ganhou um reforço inédito nesta quinta-feira, 6. Na véspera da lei entrar em vigor, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Comunicação, fechou uma parceria com as quatro principais operadoras de telefonia móvel que atuam em São Paulo para alertar a população sobre o início da mudança. A partir de amanhã, Vivo, Tim, Oi e Claro vão disparar mensagens de texto (SMS)de cunho educacional sobre a nova lei para todos os seus clientes. A expectativa é atingir mais de 25 milhões de usuários de telefone celular nos próximos dias.
As operadoras de celular não vão cobrar a divulgação feita por torpedos. “Esta é uma enorme ação de responsabilidade social por parte das operadoras, que decidiram apoiar a lei ajudando na sua divulgação maciça”, afirma o secretário de Comunicação do Governo de São Paulo, Bruno Caetano, que coordena a campanha. “
***
Suponho que se se tratasse de um governo petista estarámos agora vendo certos blogueiros tecer raciosímios sobre o “autoritarismo eletrônico” ou coisa que o valha.
Bom, acho que isso dá…quizz!



39 comentários
Comments feed for this article
agosto 7, 2009 às 9:36 pm
Mário
Se essa lei tivesse sido obra de um dos governadores do PT- o novo PFL, rei dos grotões- os puxa-sacos do PT estariam babando. Mas contra Serra e São Paulo, vale até defender os fabricantes de câncer. Depois do cowboy da Malboro, os jumentos da Camel. Quem dera que o Brasil tivesse um presidente com a coragem de Serra para enfrentar os grandes interesses empresariais opostos ao interesse público. Ele fez isso no caso dos genéricos, ele fez isso no caso da lei antifumo. Enquanto isso,o governo do PT-continuando a obra do antes odiado FHC- engorda banqueiros.
agosto 7, 2009 às 11:10 pm
ohermenauta
Na verdade, meu caro Mário, eu sou a favor da lei.
Penso que você não alcançou a ironia embutida no post. Não se trata de defender “os fabricantes do câncer”, mas sim de botar alguns dos apoiadores de Serra no devido córner. Já quanto à disposição de Serra para enfrentar os interesses empresariais, bem, isso veremos.
agosto 8, 2009 às 3:37 am
Andre Kenji
Na verdade. a lei cai num ponto que sempre levanto: conservador com princípios NENHUM sentiria-se confortável com Serra, quanto mais votaria nele.
O fato de muita da “direita” brasileira votar nele mostra o quão ridicula ela é.
agosto 8, 2009 às 12:48 pm
Vinicius Duarte
Ah, é? Ele contrariou o interesse da Souza Cruz? Da Phillip Morris?
Puxa, então acho que vou ligar no 190, porque o portuga da padaria tá vendendo cigarro…e sem ágio!
E, claro, com a “lei antifumo”, as vendas de tabaco devem baixar assustadoramente, porque a vontade de acender um cigarro foi extinta por decreto. A lei entrou em vigor e eu joguei o maço fora, automaticamente. Não deu nem “nóia”!
agosto 7, 2009 às 9:58 pm
Marcos Nowosad
Mario (quem e’ o Mario?
), e’ o contrario.
Se essa lei tivesse sido obra de um dos governadores do PT, os blogs que usam o termo “petralha” como virgula, estariam babando contra o assedio as liberdades individuais.
De toda a forma, acho que uma campanha baseada em “spam” (no caso, SMS nao solicitado) tem grandes chances ser bastante ineficaz.
Se eu sou nao-fumante, tal mensagem e’ uma aporrinhacao total. Se eu sou fumante, nao sera’ uma mensagem de menos 160 caracteres que vai fazer eu mudar de ideia.
agosto 8, 2009 às 12:44 am
Antonio Santos
Eu sou fumante.
E não sou criminoso.
Acho a lei autoritária. Deveria permitir que, por exemplo, bares pudessem ter área reservada para fumantes.
Ou mesmo que colocassem na porta uma de duas placas: “Aqui se fuma” ou “Aqui não se fuma”. E cada escolhesse aonde entrar.
Essa lei quer me transformar em criminoso. E disso eu não gosto.
Uma coisa é a lei de quebra de patentes de remédio. Com a qual concordo. A saúde pública não pode se transformar em refém das patentes de remédio. Mas a lei estabelece parâmetros para permitir a quebra. Não quebra só porque o governo quer. Precisa justificar.
Outra coisa é essa lei do Serra. Sem meio termo. Se um bar permite ou não permite que fumem, entra no bar quem quer. Tá lá na placa. Vá para um bar que atenda sua preferência.
Muito diferente do remédio onde a escolha é de um lado pagar e tomar, e de outro lado continuar doente ou então morrer.
agosto 8, 2009 às 5:32 am
Marcos Nowosad
O problema e’ o pessoal que trabalha nos bares (garcom, barman, musicos, etc).
Se ficasse por conta do restaurante/bar escolher se pode fumar ou nao, como ficaria o cara que trabalha nesses lugares e que nao quer se intoxicar com a fumaca do cigarro?
Qual e’ a escolha que ele tem? Mudar de emprego? No meio dessa crise toda?
agosto 8, 2009 às 1:38 pm
Antonio Santos
Contrate os garçons, músicos e barmen fumantes. Creia, existem.
Ou então determine uma área de fumantes e transforme o serviço em self-service. Basta um pouco de criatividade.
Tomar “umas” no butiquim da esquina, numa mesa na calçada, na hora feliz, sem poder fumar, fica difícil.
Só recolhendo o toldo? Ridículo.
agosto 8, 2009 às 4:57 pm
Marcos Nowosad
E demita os garcos, musicos e atuais, nao e’?
Estou vendo que voce nao esta’ mesmo nem ai’ para eles, contato que possa dar a sua tragada.
agosto 8, 2009 às 1:46 am
totiy
enquanto isso na cracolandia…pode-se fumar a vontade pois não há perigo de ser multado,você só não pode dever pro traficante senão paga com a vida,sem torpedos e sim com balas de verdade.
agosto 8, 2009 às 3:39 am
Andre Kenji
Aposto uma caixa de bananinha que essa lei será ignorada.
agosto 8, 2009 às 5:49 am
JH
Um dos argumentos mais consistentes em defesa da intervenção do Estado contra o fumo é justamente o enorme impacto do vício nas contas públicas, no sistema público de saúde. Nem pergunto se esses números são reais ou apenas oportunismo (quem sabe o quanto são acuradas tais estatísticas?). De qualquer modo, nada me demove da idéia de que o Estado deveria, antes de cobrar responsabilidades de seus contribuintes e, supostamente, beneficiários, oferecer um sistema público de saúde decente.
Dito de outro modo: como exigir que o cidadão evite hábitos insalubres de alimentação, por exemplo, se ele pisa em água contaminada por leptospira, toxoplasma e outras coisas nefastas, apenas para atravessar a rua e entrar em casa, e não por outro motivo: o estado deveria investir em saneamento básico e não o faz.
Eu não teria cara-de-pau de exigir hábitos saudáveis em casa se eu mesmo fosse um péssimo exemplo.
Depois de o Estado fazer o dever de casa, podemos começar a falar em liberdades individuais.
A propósito, e mudando de assunto (ou nem tanto), é sempre bom lembrar como o nazismo tratou do tabagismo.
Daqui a pouco vão proibir o Hermenauta de ler e comentar o blog do Reinaldo Azevedo, por ser atividade de alto risco à saúde.
agosto 8, 2009 às 9:59 am
marcos
Não, o hermenauta atacar o Reinaldo não gera nada, nem calor, porque ele ataca a retórica e não a idéia em si.
Ele acha justa a ação do MP contra crucifixo, mas não diz a razão e vai debater o Corcovado sem a estátua ( ideia otima por sinal). Depois fica colocando o Bush, nota do Bacen…Nada a ver!
Diga por que a ação do MP foi justa e estará combatendo Reinaldo.
Quanto à lei do fumo é autoritária e geradora de gastos públicos.
MAM
agosto 8, 2009 às 12:57 pm
ohermenauta
“Ele acha justa a ação do MP contra crucifixo, mas não diz a razão”
“Que se saiba, repartição pública não é “lugar de culto”.
“Depois fica colocando o Bush”
???WTF???
“Quanto à lei do fumo é autoritária e geradora de gastos públicos.”
Tão autoritária quanto qualquer outra lei. E ela economiza gastos públicos, na verdade.
agosto 8, 2009 às 9:12 pm
Radical Livre
Este argumento é ruim.
Eu me ofereço para pagar em impostos todos os gastos públicos derivados do fumo. Aliás, teoricamente eu já pago. O governo arrecada mais em impostos sobre o tabaco do que gasta em problemas de saúde derivados do cigarro.
Mas se você quiser, eu pago até mais imposto. só quero que parem de me encher o saco. Cada um tem o vício que quiser – é só não incomodar o próximo.
Vem pro Rio de Janeiro que você vai ver como é possível a convivência pacífica inter-espécies.
agosto 8, 2009 às 10:36 am
julio meirelles
Autoritário é o fumante que imagina que todos tem suportar seus vícios, como se isso fosse exercício da liberdade. E a minha liberdade de não respirar a fumaça alheia?
Alias, há prova maior do ridículo que é defender fumar em qualquer lugar do que aqueles fumantes que se esforçam para não jogar fumaça na própria mesa, para não incomodar quem o acompanha, e joga fumaça na mesa ao lado?
Está faltando simancol para essa turma da nicotina.
agosto 8, 2009 às 12:41 pm
Vinicius Duarte
Sr. Júlio, combinemos:
- Com essa lei, você, não-fumante, pode entrar em qualquer lugar e não ser incomodado pela fumaça dos malditos fumantes, certo?
- Com essa lei, eu, “fumante empresário”, estou proibido de montar um bar onde todos possam fumar. Isso: um lugar ISOLADO DO SENHOR, onde o senhor nunca porá os pés, onde os clientes sejam fumantes, os funcionários sejam fumantes… Entendeu? eu não quero te incomodar, eu quero me “isolar” num local público onde todos gostem de fumar, e eu NÃO POSSO. E o cigarro não é ilegal, é vendido livremente.
Fica assim, então: o senhor é livre, e eu não sou, mesmo que a liberdade que eu reivindico não obste a sua, como no exemplo acima.
Todas essas leis estão tirando totalmente a capacidade de auto-organização da sociedade, tornando-nos todos um bando de idiotas, que sempre precisam de fiscais, guardas, chefes, multas para nos dizerem qual é o caminho “correto” a seguir. Aliás, toda vez que vejo aquelas “cordinhas” em filas, penso que o ser humano precisa de “orientação” até para ficar um atrás do outro.
agosto 8, 2009 às 4:12 pm
julio meirelles
S. Vinícius, Como diria Jack, vamos por partes:
1) A lei não proíbe o fumante de fumar, só determina que ele está proibido de fazê-lo em determinados lugares, quando há convívio social e não há espaço para dispersão da fumaça.
A sua fumaça é nociva às outras pessoas e elas não devem ser obrigadas a suportar um malefício para sustentar o seu prazer.
O resto é conversa fiada.
2) Quanto ao seu bar o seu raciocínio ia bem até que Senhor tocou no tema dos garçons e da insalubridade no ambiente de trabalho.
Um bar como o Senhor aventou seria um lugar insalubre, mesmo que todos os garçons fossem fumantes, e lugares insalubres ou devem ser proibidos como ambiente de trabalho ou o elemento de insalubridade deve ser minorado ao máximo, de modo a torná-lo sadio.
Esse é o ponto em relação ao cigarro em bares e restaurantes: o seu uso torna esses ambientes insalubres e os empregados não devem ser submetidos a ambientes de trabalho impróprio.
3) Quanto ao estado ser babá, com essa lei anti-fumo ela é babá dos fumantes, que até hoje não aprenderam a ser civilizados e não fumar em lugares fechados, incomodando as outras pessoas.
O estado tem mais é que reprimir, já que o pai e mãe dos fumantes infelizmente fracassaram em dar bons modos a eles…
agosto 8, 2009 às 12:53 pm
Rodrigo
Vinícius,
Mas alguém já criou esses bares exclusivos para fumantes, com até funcionários fumantes?
Parece-me que o raciocínio por trás da lei é cada vez mais comparar o cigarro às drogas ilícitas. Estas também não podem ser consumidas nem em lugares exclusivos.
Sempre se criticou a criminalização de certas drogas, enquanto outras têm desfrutado de tolerância e até incentivo social. Parece que isso começa a ser corrigido, e não só no âmbito meramente jurídico, com o cigarro. Digo não só nele porque a lei vem num momento em que o fumo é cada vez mais mal visto socialmente, ela não surge em um vácuo social. Será que um dia chegaremos também ao álcool?
Um abraço,
R.
agosto 8, 2009 às 2:04 pm
Vinicius Duarte
Tentaram, registrando como “Tabacaria”. Mas não colou e não pode fumar lá também.
Se o “raciocínio” é este, o absurdo é maior. Por que então não se faz uma lei “criminalizando” o cigarro, os seus fabricantes? Quem tem de ir à “cadeia”: o traficante ou o usuário?
Outra coisa: eu sou a favor da descriminalização de qualquer droga. Toda proibição gera uma tentativa de burla dessa proibição, e, quanto mais você restringe, mais o quadro fica caótico. Daqui a pouco, todos teremos de ser policiais uns dos outros. Aliás, o site do governo tem um espaço dedicado aos dedoduros antifumo, com formulário de denúncia on-line. Tem gente que adora isso.
agosto 8, 2009 às 2:14 pm
Marcelo
“incentivo social”.
Só isso precisa ser mudado (e já foi provado, o maior fator em descer o uso de cigarro foi educação e proibição de propaganda e de formas de incentivos institucionalizados – poderes que a população está vulnerável etc, mesmo argumento poderia ser usado contra a Globo rsrsrs). Governo para agir na negação de “cidadãos” (a pessoa, não a pessoa corporativa – o que tantos defendem como liberdade privada etc – apenas as de empresas e negócios) no caso de cigarro apenas por questão de fumo por tabela.
Chomsky há uns 20 anos previu que desde que a juventude começou a perseguir estilos de vida mais saudáveis, a tolerância para intolerância ao cigarro aumentaria naturalmente até o ponto que viraria uma intolerância artificialmente incentivada, um pequeno artefato para políticos agradarem merdinhas da Malhação (a tese era que substâncias começam a ser perseguidas quanto possuem fatores de correlação com a “classe perigosa” – trabalhadores, os mais próximos das condições de vulnerabilidade a ser explorados como escravos assalariados e atritos de diferenças se criariam. Na Inglaterra gin foi criminalizado enquanto whisky não – gin sendo dos bares dos underclass enquanto whisky só rico podia comprar – e da mesma forma se vê o fator de criminalização, perseguição e pena de cocaína e maconha variar de acordo com quem usa em cada época).
Sendo fumante, concordo com certos fatores da lei no final das contas. Não acho que outros deviam fumar minha fumaça (agora o exagero de tantas frescuras da classe média já nem comento — “meu cabelo cheira a fumaça! cof cof ai que horror! Auschwitz!!!” “ai eu vivendo em sao paulo digo que é o pior cheiro do mundo!” *traga sete ônibus por segundo num gang bang traffic*), mas a lei não apenas extrapola como está errada pelo seu princípio, logo de começo – agindo por proibição já que os fatores descartáveis são gente mais pobre, os descartáveis por excelência (já imaginou se a moda pega? Classe média e alta gostando de serem servidos através da proibição dos pobres! Onde já se viu!? /sarcasmo).
agosto 8, 2009 às 2:47 pm
ohermenauta
Bom, vamos lá.
Primeiro: mérito. Vejam, é bem verdade que quase qualquer coisa que façamos terá algum tipo de impacto negativo sobre as outras pessoas, ainda que mínimo. Quando vou para o trabalho, todo dia, vejo um monte de gente sozinha em seus carros (eu inclusive), o que não é muito ecologicamente correto. Muitos de nossos hábitos de consumo também não são lá dos melhores, e por aí vai. Mas o fato é que o hábito de fumar causa, está provado, efeitos diretos sobre quem está por perto. Li que a coisa ainda é mais perversa porque o fumante, afinal, aspira a fumaça pelo filtro, benesse que não alcança o fumante passivo. Outro agravante: o uso do automóvel, por exemplo, é meio inevitável do modo como o nosso espaço urbano está organizado (embora possamos comprar carros menos poluentes e de menor consumo, é certo) _ logo, a solução para esse problema é de ordem mais coletiva que individual. Já o fumo é evitável _ o fumante pode tentar parar de fumar, ou ao menos postergar seu consumo para lugares e horas em que não afete os outros. Aliás, é o mesmíssimo efeito da lei seca, e a rationale, idem.
Segundo: pode-se criticar a forma? Não sei. Não imagino outras maneiras igualmente eficazes de alcançar o resultado pretendido. Campanhas de conscientização são uma forma, mas sua eficácia tem um limite.
O problema é que vivemos em sociedade e, quanto mais em sociedade vivemos, mais os problemas referentes a externalidades negativas vão se tornando prementes. Principalmente porque na hora em que somos afetados por regras como estas tendemos a nos esquecer dos benefícios da vida em sociedade (suas externalidades positivas), esquecemos de fazer o balanço líquido, e começamos a raciocinar em termos de um tipo de individualismo
que não existe maiscada vez menos viável.agosto 8, 2009 às 6:10 pm
victor freire
eu não seria tão radical quanto o serra nessa nova lei, muito embora eu reconheça os méritos, como ex-consumidor de álcool convicto. no meu caso, adotria uma solução semelhante à dos países nórdicos e do canadá: estabeleceria um monopólio estatal sobre vendas no atacado de bebidas e álcool, somente autorizando sua venda para bares, tabacarias e, claro, o monopólio estatal varejista.
agosto 8, 2009 às 9:23 pm
Radical Livre
Não sei não, acho o argumento meio falho.
Pega uma cidade poluída pacas como São Paulo – em grande parte pelo uso excessivo do transporte individual automotivo e pela falta de fiscalização sobre a qualidade da descarga do transporte público e de cargas. Neste caso, argumentar que é inevitável esta poluição porque isso passaria por um esforço coletivo e social (a melhoria urbana e a substituição da frota por uma mais econômica e menos poluente) e daí concluir que é mais fácil impor uma restrição individual é de foder, hermenauta.
Eu só vou trabalhar via transporte coletivo. Pode ter certeza que meu balanço de CO2 é melhor que o seu, mesmo fumando.
agosto 8, 2009 às 6:59 pm
Kitagawa
“Aposto uma caixa de bananinha que essa lei será ignorada.”
Não, não vai, pelo menos na maioria dos lugares. Pode até ser ignorada no buteco da esquina, na sinuquinha de bairro, mas na maioria dos lugares ela vai ser bastante efetiva. Porque o problema não é só de fiscalização, multa, etc. Agora os anti tabagistas tem legitimidade legal pra ficar dando carteirada moral na fuça dos outros. O lance do dono tomar multa e não o fumante deixa claro essa intenção de indispor os outros. Esse é o ponto negativo da lei: o radicalismo de tolerancia zero vai incentivar uma cruzada moral, estabelecida e inflada artificialmente por decreto. Por anos a maiorias das pessoas não tava nem aí pros outros fumarem, salvo em situações mais gritantes. Mas agora, qualquer individuo fumando na calçada já é capaz de gerar ojeriza a outrem. Uma frescura que é irmã à dos puritanos homofóbicos, ascetas paranóicos e afins.
Sou fumante, tendo a aceitar resignadamente o teor da lei, mas temo que em seu radicalismo esse seja o começo de uma cruzada que começa nos fumantes e sabe lá onde vai parar.
agosto 8, 2009 às 7:30 pm
ohermenauta
“Sou fumante, tendo a aceitar resignadamente o teor da lei, mas temo que em seu radicalismo esse seja o começo de uma cruzada que começa nos fumantes e sabe lá onde vai parar.”
Acho que vai aí um pouco de exagero, Kita. Veja a lista de países com “smoking bans”, grande parte dos países desenvolvidos já adota proibições em bares e restaurantes.
agosto 8, 2009 às 7:15 pm
Kitagawa
Aliás, a classe média tá ficando cada vez mais insuportavelmente fresca, asseptica, com medo de qualquer merdinha.
agosto 8, 2009 às 9:02 pm
Rafael M
Uma curiosidade: Quando vc critica a classe média, você se posiciona como o que? Classe alta ou baixa?
agosto 8, 2009 às 9:24 pm
Radical Livre
Amém
agosto 8, 2009 às 11:58 pm
Kitagawa
Classe média, por que?
classe média não pode falar mal da classe média?
brasileiro não pode falar mal do brasil?
agosto 9, 2009 às 12:16 am
Radical Livre
Kita, meu amém foi pr’ocê.
agosto 8, 2009 às 9:51 pm
Luiz
Sem entrar no mérito da lei, vejam o que está rolando por aí na rede:
Tão tosco que é engraçado…
agosto 8, 2009 às 10:30 pm
João da Luz
Kita.
Não é merdinha não.
Quem fuma ou fumou já carimbou o passaporte.
agosto 9, 2009 às 12:00 am
Kitagawa
É, mas tem gente que acha que por alguém fumar ao seu lado, seu passaporte tbm vai ser.
De resto, na minha familia tem fumante que chegou aos 80 e tá firme ainda. De resto, problema meu.
agosto 9, 2009 às 4:50 am
Marcos Nowosad
“Aliás, a classe média tá ficando cada vez mais insuportavelmente fresca, asseptica, com medo de qualquer.”
Nao tem nada a ver com assepsia ou comportamento “neat-freak”.
Nao me importo de meu cabelo e/ou roupa ficarem cheirando a cigarro. Isso e’ realmente frescura.
Agora sabe que isso e’ uma questao de saude mesmo. Nao quero ser obrigado a aspirar o veneno que venha do seu cigarro.
“É, mas tem gente que acha que por alguém fumar ao seu lado, seu passaporte tbm vai ser.”
Nao e’ questao de “achar”, nao e’?
Acho que voce sabe que, comprovadamente, o fumante passivo (que convive constantemente em ambiente onde pessoas fumam) corre tanto risco quanto o fumante propriamente dito.
“Tem fumante que chegou aos 80.”
Digamos que a excecao nao faz a regra, nao e’?
Ou por acaso essa historia que fumar causa cancer e’ apenas uma “lenda urbana” sem sentido?
“De resto, problema meu.”
Seu e de quem convive com voce todo dia.
agosto 9, 2009 às 6:43 pm
Kitagawa
“Acho que voce sabe que, comprovadamente, o fumante passivo (que convive constantemente em ambiente onde pessoas fumam) corre tanto risco quanto o fumante propriamente dito.”
Sinceramente, vc acredita realmente que corre tanto risco quanto? É óbvio que a probabilidade de um sujeito que vive na mesma casa de um fumante pegar cancer de pulmao é maior do que alguem que mora sozinho no meio do mato. Mesmo assim é uma probabilidade desprezivel. Se o risco de um não fumante é de 0,10 (to chutando), a de um fumante passivel é de 0,13, grande bosta. Se morar em São Paulo então, pode ar mais um gas nisso. Mas hoje qualquer probabilidade desprezivel pode ser vista como extremamente arriscada, desde que haja uma retórica midiática a fomentar esse cagaço coletivo. Daí que afirmo que as pessoas andam muito frescas, suscetiveis, cegas demais pra realidade. Sujeito é pego fumando baseado e não, não deve ser preso, deve ser “internado para tratamento”, vira caso de “saúde publica”. Come on!
De resto, deixa eu reiterar: concordo que em lugares publicos fechados deva ser proibido o consumo de cigarro. Coisa corriqueira hoje em bares e casas noturnas mas que daqui a pouco tempo vai ser encarado com um dos grandes absurdos do passado, do tipo dirigir sem cinto ou não ter tela de proteção na sacada. Mas vamos deixar a frescura exacerbada de lado, ok?
agosto 9, 2009 às 8:43 pm
Kitagawa
Enfim, esse negócio de fumante passívo é uma daquelas pegadinhas estatísticas. Se eu comprar 10 bilhetes da megasena em vez de um, vou ter 10 vezes mais chances de ficar milionário. Mas isso não quer dizer que é provavel que eu fique.
Outra pegadinha comum: “a maconha é porta de entrada para outras drogas mais pesadas, como a cocaina”. baseado em que? perguntam, ao cacainomano se ele ja fumou maconha. “Já”, ele responde. Bingo! Deviam perguntar pra ele também se ele já comeu churrasco.
agosto 9, 2009 às 4:04 pm
Rodrigo
Sem querer ser desagradável, mas, por dura que seja, a lei apenas formalizou algo para o qual a civilidade já deveria ter bastado. Como não bastou…
Fazer disso uma causa de direitos individuais pode até dar certo — eu duvido, mas pode. Porém, sinceramente, será uma causa muito impopular.
agosto 12, 2009 às 3:26 am
Vinícius
Aqui Kitagawa me representa na parte humorística, e Marcelo em sua citação a Chomsky.
De resto, sou um fumante chato, daqueles que acham que os outros devem pagar pelo meu mal-estar. E meu mal-estar é ficar sem cigarro no bar. Vocês, anti-tabagistas, pagarão um dia. Ah, pagarão. Não sei como ainda.