Voltando a esse assunto, uma pequena divagação.
Na discussão “grande mídia” vs blogs, correlata a esta da obrigatoriedade do diploma, também não chegamos lá a grandes consensos. Parto portanto da minha conclusão pessoal, nem tão radical quanto a do Idelber, nem tão conservadora quanto a do Sergio Leo: a grande mídia não está morta, mas é um zumbi andando por aí. Ela não consegue ter a agilidade ou a capacidade de comentário dos blogs, mas é indispensável enquanto “fornecedora de fatos”.
Então, partindo dessa premissa, a pergunta é a seguinte: a não-obrigatoriedade do diploma prejudica a capacidade da grande mídia continuar sendo uma “fornecedora de fatos”?
Cartas para a redação…



20 comments
Comments feed for this article
Junho 19, 2009 às 2:07 pm
Catatau
Aí que está, de repente a questão está mais no fato dos jornalistas conterem ou não cérebros do que mostrarem ou não os “fatos”.
Mostrar os “fatos” eles sempre farão, aliás é o que sobretudo se faz. Ex: hoje, no vídeo de um jornalista da BBC “entrevistando” piratas somalis: ele comete palavras, mas e aí? Se resume a perguntar se os piratas “acham certo” o que fazem. Recebe uma boa resposta e em troca, o que faz? Nada. Para isso não é necessário ter um diploma de jornalismo… embora as escolas bem poderiam se perguntar se jornalismo deveria ser ou não um “curso coxa”, se o jornalista deveria conter brain inside… ;P
Junho 19, 2009 às 2:25 pm
victor freire
na prática, não vai mudar muita coisa. o que talvez se amplie é o universo de tapados que as redações poderão contratar, já que eles estão presentes em qualquer conjunto de seres humanos.
Junho 19, 2009 às 2:28 pm
Bill
Acho que a sua pergunta está de cabeça para baixo. A pergunta relevante é a seguinte: será que a blogosfera é capaz de fiscalizar e vigiar a grande imprensa de maneira tal a (i) impedir manipulações e (ii) forçar para cima o padrão de qualidade? Se a resposta for afirmativa, essa discussão toda de obrigatoriedade de diploma e (valha-me Jeebus) de regulamentação da profissão de jornalista torna-se caduca e irrelevante. Se a resposta for negativa, está na hora de jogar fora os blogs.
Junho 19, 2009 às 5:35 pm
ohermenauta
Bill,
O problema, que você ainda não percebeu, é o seguinte: a blogoseira vai impedir a manipulação do quê exatamente, se a grande mídia não existir?
Eu acho que a blogoseira faz um excelente trabalho na filtragem e avaliação do comentário editorializado. E às vezes até dos hard facts…desde que eles existam…
Quanto a jogar fora os blogs, bobagem. Eles existem por outros motivos que não apenas a fiscalização da mídia, mormente, proporcionar algum tipo de saúde mental ao seus autores (e comentadores…).
Junho 19, 2009 às 2:37 pm
Murilo
Hermenauta,
acho que não muda nada.
Junho 19, 2009 às 2:45 pm
tomás angelo
Como diria o didi mocó: aí vareia! O trabalho dos jornalistas pode ser feito por pessoas sem formação específica para isso, para o bem e para o mau. Porém, a formação específica garante maior qualidade média do trabalho.
Nos tempos atuais de vacas magras para a mídia, será tentador contratar qualquer um por menos. Contudo, a qualidade, que já não é boa, tende a cair.
Resumindo, se a mídia focar na qualidade, sua capacidade será mantida. Se focar nos custos e otras cositas más, teremos mais motivos para reclamar.
Junho 19, 2009 às 2:49 pm
DKRC
Pela qualidade atual dos jornais.
Não muda nada.
Não tem como piorar.
Junho 19, 2009 às 4:02 pm
tiagón
não muda nada. [+1]
a médio prazo, acredito em melhoria na qualidade do jornalismo em geral. mas pode ser meu dia pouco apocalíptico
Junho 19, 2009 às 4:12 pm
Antonio Santos
Como fornecedora de fatos, da forma que fornece hoje, não será prejudicada.
Talvez seja prejudicada no levantamento de fatos e dados. Aqueles que não são publicados. E aí talvez a grande imprensa fique um pouco mal informada.
Mas os fatos publicados, ofertados ao distinto público leitor, já são devidamente distorcidos, com ou sem diploma.
Junho 19, 2009 às 4:50 pm
ari alves
Os cozinheiros deveriam processar o Gilmar Dantas. Foi desonestidade comparar os metres-cucas com o cucão suíno da Globo.
Junho 19, 2009 às 5:30 pm
ohermenauta
Concordo.
Junho 19, 2009 às 5:27 pm
Rodrigo
É incrível como as pessoas reagiram mal à comparação com cozinheiros. E gente, inclusive, que nem jornalista é. É engraçado como os trabalhos manuais são vistos como “inferiores” a ponto de uma comparação retórica ser tomada como insulto.
Junho 19, 2009 às 5:32 pm
ohermenauta
Pois é,
Prefiro, mil vezes, um jornalista que me engane a um cozinheiro que me envenene.
Junho 19, 2009 às 5:31 pm
aiaiai
Rodrigo,
vide meu comentário no post jornalismo! Vc vai entender porque os jornalistas não gostaram de ser comparados a cozinheiros.
Já eu, desvirtuada que sou, concordo com o ari. acho que os cozinheiros é que deveriam estar putos com GM.
Junho 19, 2009 às 5:59 pm
Gustavo Tavares
Putz !!! Essa discussão de novo ??? Mas vamos lá….
Eu fico imaginando o que deve ter acontecido há muito tempo atrás… em uma galáxia muito distante… quando inventaram a tal da filmadora portatil. Provavelmente foi o presidente da Sony que era invocado em produzir os melhores gadgets a preço acessível (quer ver o hermenauta ir confirmar isto?? Aposto uma mariola). Mas enfim.. ele inventou a filmadora portátil e colocou no mercado a um preço acessível aos relés mortais.
Que foi que fez neguinho ??? Comprou uma e decretou: “É o fim dos estúdios de cinema !! É o fim da indústria do cinema !!!” Pela lógica dele os estúdios de cinema estavam fora da realidade, olhavam só para o próprio umbigo. Não estavam abertos as novas idéias. Os grandes gênios do cinema estavam na verdade espalhados no mundo e nunca conseguiam acesso aos produtores e financiadores. Estes estavam presos dentro do sistema capitalista-explorador comedor de criancinhas, adultos e velhinhos. Mas agora não. Agora qualquer um poderia produzir um filme e colocar no mercado. Agora o mundo iria mudar. A indústria do cinema estava em vias de viver de esmola nas ruas e filmar somente o refugo que os gênios não teriam tempo de fazê-lo….
Bom.. mas o tempo passa o tempo voa, a poupança bamerindus nem existe mais e o tal do neguinho que comprou a filmadora abriu uma conta no youtube. Perguntaram para ele este tempo atrás: E aí?? O que aconteceu?? Ele disse que que agora vai, agora o bicho pega, que antes o mercado de distribuição estava na mão dos capitalistas/exploradores comedores de criançinhas, adultos, velhos e cadáveres mas agora não, agora vai, agora o bicho pega !!!
O que ele não percebeu ainda é que para fazer filmes não basta só uma camera na mão e uma idéia na cabeça. Disto sai até algumas coisas boas. Mas se for fazer a proporção de o quanto se produz e o quanto fica bom dá até um pouco de desâmino. Mas para fazer filme, filme mesmo é preciso de mais recursos, é preciso pagar por locações, por viagens, por efeitos especiais, é preciso fazer pesquisa histórica, é preciso construir cenários. E pra fazer tudo isto é precisa um estofo econômico, é preciso possuir uma estrutura de gestão.
Mas aí mudou tudo de novo. O sindicado dos estúdios mandou avisar que agora tá liberado contratar roteiristas e diretores que não se formaram na escola Tabajara de Cinema. E neguinho ficou mais animado: Agora vai ficar mais fácil conseguir acesso aos produtores e financiadores. Acabou as barreiras que o sistema capitalista/explorador comedor de criancinhas, adultos, velhinhos, cadáveres e animais de estimação criou para impedir que os vídeos dele no youtube fossem adquiridos pelos grandes estúdios de cinema. Ahh !!! Agora não, agora vai, agora o bicho pega !!!
E ontem fui eu quem perguntou para o neguinho: Vem cá? Tú que tá com seus vídeos aí no youtube e quer fazer grana vendendo para estúdios vai oferecer para eles o que?? Os seus três espectadores (o pai, a mãe e a baranga que é apaixonada nele desde a sétima série)?? Quase apanhei… não antes de ser classificado como porco capitalista/explorador comedor de criancinhas, adultos, velhinhos, cadáveres, bichos de estimação e micos leão-dourado.
Era sobre isso né que vocês estavam falando né?? Cinema???
Junho 19, 2009 às 6:37 pm
samurainoutono
Cozinheiros? O melhor exemplo ridículo (que uso tem alguns anos) que poderia se dar de uma exigência de diploma seria exigir o parecer/serviço de um decorador com diploma de nível superior para que um apartamento tivesse habite-se.
Junho 19, 2009 às 6:43 pm
ohermenauta
Olha, dependendo da dicção com que é pronunciado esse “habite-se”, acho que até cabe.
Junho 19, 2009 às 11:44 pm
wagner, agora também jornalista
Pergunta intrigante,
Creio que devemos aguardar formar uma “jurisprudência” de notícias, pós-decisão STF, e daí tirarmos conclusões.
Em termos de elucubrações, não acredito que seja afetada a capacidade da grande mídia de ser fornecedora de fatos. Ela sempre trabalha com um certo teor de legitimidade de seus jornalistas (agora no sentido amplo), a exemplo de “Willian Waack, acompanha a revolta no cemitério” (vão dizer que ninguém nunca pensou que ele se parece com um vampiro ou zumbi) terror), ou “direto da Pirâmide do Egito, Cid moreira”, isso irá continuar.
Outro, é muito comum argumentar que a versão dos fatos dos jornalistas é a vontade do dono do jornal, assim, não antevejo qualquer mudança.
Junho 22, 2009 às 11:34 am
Bruno Stern
Acho que a não exigência de diploma não mudará muito por um simples motivo.
O profissional formado em jornalismo não é exatamente caro(geralmente são mal pagos mesmo). Não haverá grande estímulo para a grande mídia trocá-los por profissionais de formação diversa, enquanto puder contratar barato alguém que tenha formação específica.
Junho 22, 2009 às 8:07 pm
Gemilson Ribeiro , o GOSTOSÃO PEGADOR
Deixar o jornalismo isento de diploma vai nos proprocionar “repórtres” falando “nós vai ” e outras formas de atentar contra a Língua Portuguesa. Globo e Record estão certas em exigir diploma.