Muitos anos atrás, eu estava em uma festa conversando com duas gatinhas (sim, isso foi há tanto tempo que ainda se usava o termo “gatinha”). A coisa ia em ritmo promissor e firmava-se uma boa possibilidade de eu conseguir rebocar alguma delas (ou idealmente as duas :) ), quando surgiu na conversação um tema, para elas, profissional: a natureza da História, enquanto disciplina (já que ambas eram historiadoras).
O peixe morre pela boca, e o conquistador barato também. Em determinada altura, o incauto “eu” de 25 anos atrás soltou o conceito-bomba:
_ A História é muito similar ao jornalismo, só que em outra escala.
Ocorre que as duas historiadoras não gostaram nada dessa idéia, francamente, é uma vulgarização do que é a História, e tal. E eu voltei sozinho pra casa.
Bem, hoje, o historiador Juan Cole, especialista em Oriente Médio, e que está cobrindo os acontecimentos no Irã em detalhe, me solta essa:
“An eyewitness writes from Tehran an account of Monday’s massive demonstration for Mousavi. I am not including his name because we don’t know how this will turn out and as a historian I have a duty to protect my interviewees, but it is not anonymous.” [grifo meu]
Um historiador que protege as fontes? Estou vingado. Na medida do possível, porque, como diz o Pacheco, o canalha da repartição(*), uma transa perdida está perdida para sempre, sniff.
(*) copirráite Sérgio Leo



11 comments
Comments feed for this article
Junho 17, 2009 às 10:26 am
Angustiada Consciência
não sei qual o problema, historiadores e jornalistas são seres igualmente prepotentes e geralmente equivocados.
Junho 17, 2009 às 12:41 pm
wagner
É, palavras certas na hora errada, e as duas gatinhas viraram passarinho..rsss
Junho 17, 2009 às 1:06 pm
ohermenauta
Na verdade, viraram duas harpias furiosas, mas isto fica para meu futuro blog de aventuras amoroso/eróticas.
Junho 17, 2009 às 1:18 pm
joão da luz
Gatinhas???!!!
Pensei que vc fosse do tempo da “garota papo firme” ou “mimosa cutuba”.
Eu sou do tempo das “cocotas”.
Junho 17, 2009 às 1:54 pm
ohermenauta
Na verdade, eu também sou do tempo das cocotas, mas na época do ocorrido eu já havia feito um “upgrade”. Não estou certo, entretanto, de “garota papo firme” ter alguma vez entrado em meu vocabulário de galanteador a sério. Acho que como nasci em Copacabana, provavelmente eu estava já na “linha de frente” da giria carioca, ehehehehe.
Agora, “mimosa cutuba” deve ser do tempo do André Rebouças!
Junho 17, 2009 às 4:13 pm
Rodrigo
“não sei qual o problema, historiadores e jornalistas são seres igualmente prepotentes e geralmente equivocados.”
Mas ainda podem sê-lo menos que filósofos, com toda a certeza.
Junho 17, 2009 às 5:45 pm
Angustiada Consciência
opinião de olavete não conta.
Junho 17, 2009 às 7:33 pm
Rodrigo
Argumentum ad hominem, e dos mais injuriosos. C.q.d.
Junho 17, 2009 às 10:46 pm
He will be Bach
Ao som de: C. P. E. Bach
Hermê,
Para você não se sentir tão anacrônico, veja só:
Coincidentemente hoje, eu estava assistindo a um episódio do House (acho que foi o 3º da 1ª temporada), e, em certa altura, uma personagem se diz uma *horny girl*. Só que, na legenda, apareceu *gata*.
Das três, uma:
1) descobri mais uma de suas ocupações secretas – mau tradutor de legendas;
2) alguém da *sua geração* que traduziu;
3) *gatinha* não está tão fora de moda.
Junho 18, 2009 às 7:37 am
ohermenauta
De forma alguma. Eu traduziria “horny girl” por “safadinha”!
Junho 18, 2009 às 1:51 pm
joão da luz
Tezãozinho.