Tio Rei em post de “deformação”, explicando sua conduta caso o PSDB vença as eleições de 2010:
“O óbvio tem de ser repetido de vez em quando porque algumas coisas vão se perdendo na trajetória, especialmente aquelas que dizem respeito a princípios. Um desses que vagam nas sombras me manda um comentário mais ou menos como segue — é “mais ou menos” porque, bem…, ele é do tipo malcriado. Vamos lá:
“Se Serra ganhar a eleição, você fica sem assunto; se ele perder, você se desmoraliza porque vive criticando o PT”.
É uma tolice, mas que não deixa de tocar numa questão relevante. Bem, em primeiro lugar, se o PSDB vencer em 2010, dificilmente vai fazer o governo dos meus sonhos — até porque o meu sonho mesmo, se a matéria fosse essa, é governo nenhum. Como sei que é impossível, então vou lidando com o que temos. Serra ou Aécio presidente, certamente restarão muitas contraposições. Não posso me antecipar porque, bem…, primeiro é preciso que um deles ganhe e que comece a governar. Há a experiência histórica: o PSDB já foi poder. As instituições, é fato, só se fortaleceram.
Assim, é bem possível, acho que é o mais provável, que eu seja mais simpático a um governo do PSDB-DEM do que a um do PT (e mais aquela gente toda).”
Muito interessante.
Primeiro: Tio Rei adverte desde já que Serra não vai “fazer o governo dos seus sonhos”. Ele se curva à realpolítica no caso de Serra, mas se mostra rígido e inflexível, por exemplo,no caso de Obama. Realmente, em política a boa vontade é tudo. Pau que bate em chico também deveria bater em francisco.
Segundo: “o PSDB já foi poder e as instituições só se fortaleceram“. Bom, Fernando Henrique Cardoso foi quem começou com a idéia de reeleição, o que não é lá a idéia mais coerente do mundo com o conceito de fortalecimento das instituições. Aliás, é bom frisar que das 57 emendas constitucionais que ora retalhammodernizam nossa Constituição, 35 foram promulgadas durante os 8 anos do Fernandato, contra 5 dos governos anteriores e 17 dos anos Lula. Claro, sempre se pode dizer que as emendas eram necessárias dado o pobre material inicial, mas aí também não dá para ao mesmo tempo considerar a “estabilidade das instituições” como um valor essencial e irremovível.
Terceiro: Tio Rei diz que acha que seria mais simpático a um governo PSDB-DEM do que a um governo do PT (“mais aquela gente toda“). Então ele deveria pôr as barbas de molho, porque, bem, “aquela gente toda” já esteve exatamente colada no governo FHC e à aliança PSDB-DEM. Ou Tio Rei já se esqueceu do discurso da “governabilidade“?
Às vezes dá a impressão de que Reinaldo cultiva uma platéia sem memória. Gostaria de saber qual é a faixa etária de seus leitores; aposto que a maioria é gente com menos de 30 anos. De toda forma, Tio Rei devia ser mais sincero: ele ficará mais feliz com um governo PSDB-DEM porque é um “reservoir dog“, ora.



17 comentários
Feed de comentários deste artigo
maio 29, 2009 às 10:39 am
guimas
O que mais me diverte nessa história é que o Tio Rei e seus leitores escrevem, diariamente, opiniões e posições políticas de cunho unicamente partidário, funcionando exatamente como militantes políticos filiados a algum partido. Aí, vem alguém e expõe essa situação e a criatura vem com um “Deus me livre”, ou essa do “até porque o meu sonho mesmo, se a matéria fosse essa, é governo nenhum”.
Nada contra militante político, mas assume, pô.
E essa rigidez ou inflexibilidade em relação aos desafetos está presente diariamente na mídia. Eu costumo dizer que, pra essa gente, governo do PT tem que ser perfeito. 99% perfeito já não serve. Mas, se não for do PT, aí cada caso é um caso, veja bem. É um pessoal disposto a votar em gente obviamente mais corrupta e menos competente. Vide Rio Grande do Sul.
maio 29, 2009 às 11:22 am
André
“(…)até porque o meu sonho mesmo, se a matéria fosse essa, é governo nenhum”
Pô Hermenauta, pensei que você ia comentar esta observação do RA. Quer dizer que o sonho dele é “governo nenhum”? Ora, ora, quem diria, apesar de toda a repressão demo-tucana que demonstra exteriormente, Tio Rei é na verdade um anarquista!
É por isso que o cara não fala coisa com coisa: o cara é doente, sofre de transtorno bipolar.
Pô, fico me perguntando: como é que a revista brasileira de maior circulação dá um baita dum espaço pra um cara doente que nem o RA?
maio 29, 2009 às 11:47 am
ohermenauta
Uma pessoa menos bondosa do que eu diria que o governo que o PSDB entrega é precisamente isso. Mas eu sou bondoso e não defenderei tal coisa.
maio 29, 2009 às 12:36 pm
Marcelo
Não, anarquistas são contra formas de autoridades e sobre solidariedade e senso de comunidade. Não é apenas sobre ser anti-estado. Essa propaganda é a pedra fundamental de figuras como a Veja (ou da deturpação norte-americana do “libertarianismo” da estirpe da Fox News, os “anarco-capitalistas” – vou te falar, viu. Daqui a pouco surge anarco-monarquistas, anarco-fascistas etc) – o pior é ver figuras como Beck ou Bill O’Reilly se definindo como ‘anarquistas’ meio-que-brincando-mas-nem-tanto, a forma do extremo conservador cheirando a meias pretas se considerar o perseguido radical little guy fighting against the man (sem lembrar que eles são o “the man”). Ser apenas anti-estado quando temos Estados Privados (instituições mega-totalitárias que não prestam contas a ninguém) é a “liberdade” do neoliberal (a liberdade de se poder ter escravos, e não gosta do Estado ocasionalmente falando pra ele que não pode) que odeia os colchões e as conquistas históricas das classes e setores vulneráveis que se apresentam nesse atual momento histórico na forma do Estado (propagadores “anti-governo”/ “anti-política” sempre, é claro, são super a favor de repressão contra pobres, drogas, a favor de religião se metendo em política, e respeito a propriedade contanto que não seja o corpo da mulher – se faz o hino de ser contra “big gummint” através de demagogias baratas já que o povo conhece bem, de forma justificada mas fora de proporção, o horror que é a ala e os círculos políticos, sem falar em alusões fantasiosas FoxNews-style a estados “inchados” comunistas tirânicos e por aí vai).
É fácil para figuras como Azevedo (ainda mais quando são simplesmente gentalha mercenária) ficarem nessa ondinha espalhada por propaganda corporativa que o que não for do setor consumista/privativo é um elefante provincial brega-nordestinóide mafioso corrupto e terrível (então se tem constante demagogias moralistas contra corrupção e outros mini-sintomas ao invés de análises de problemas sistêmicos e estruturais). O problema em quebrar a jaula do Estado nesse atual momento da história é que tem 100 tigres (with freakin lasers on their heads!) esperando do lado de fora (e que, sim, o Estado ocasionalmente usa isso como pretexto para manter seu poder em cumplicidade com poderes privados, vide New Deal, da mesma forma que usa outros pretextos já bem conhecidos como terrorismo, crime etc) – e já que a jaula se provou historicamente que é passível a expansão de pouco em pouco para se ter maior espaço de luta (ou seja, potencialmente responde, a certo grau, a vontade pública) é a coisa que mais recebe atenção dos holofotes da demonização (justificável, mas fora de proporção e contexto). Até as figuras anti-Estado do Iluminismo que essa gente adora citar para se legitimizar (a idéia é que se deve apenas idolatrar tais figuras, como Adam Smith, jamais de fato ler elas e compreender o porque chegaram às suas conclusões, deve-se apenas pegar pequenos sound-bites anti-estatais da época que corporações nem existiam) se colocariam em oposição às idéias desses agentes da inteligentsia corporativa (as razões pelas quais eles se opunham ao Estado vale igualmente – senão mais – para formas privatizadas de autoridade de Estados Privados – afinal, o indivíduo comum recebe mais coerções em seu trabalho stalinista-soft em uma semana do que recebe do Estado em um ano).
Desculpa pelo idiota longo texto. Mas é uma birra pessoal que tenho com as várias versões dos neoliberais desde a época de minha simpatia com anarquismo.
maio 29, 2009 às 9:47 pm
André
Pô Marcelo, era só mais uma piada com Tio Rei. Não sei se você percebeu, mas a predileção da galera aqui no Hermenauta é tirar uma com a cara do figura…
Mas cara, bom texto. Você tem algum blog para divulgar estas suas idéias?
maio 29, 2009 às 7:45 pm
LM
É mesmo esquisita esta história do RA de sonhar com governo nenhum.
Se fosse assim, quem ia proibir o aborto?
maio 29, 2009 às 8:51 pm
Japajato
Eu só estava esperando ele falar: “Na verdade, eu sempre quis…ser um lenhador!!!
maio 29, 2009 às 2:05 pm
Henrique
Pior do que isso é a cavalgadura falante, Jair Bolsonaro, falar que o povo gostaria que os militares voltassem ao governo. Eu tenho vergonha do RJ por eleger esse naipe de pulha.
http://noticias.uol.com.br/politica/2009/05/29/ult5773u1299.jhtm
maio 29, 2009 às 6:05 pm
Saladino
Caro Hermenauta, acho que o ponto do post — texto de formação, é? — do Reizinho está em outro lugar. Nesta frase aqui, para ser exato: “Mas eu não sou “oposição ao PT” porque isso é ser muito pouco ambicioso.”
E digo isso pelo seguinte motivo (tirado da Folha de São Paulo):
“O governo Geraldo Alckmin (PSDB) direcionou recursos da Nossa Caixa para favorecer jornais, revistas e programas de rádio e televisão mantidos ou indicados por deputados da base aliada na Assembléia Legislativa.
Documentos obtidos pela Folha confirmam que o Palácio dos Bandeirantes interferiu para beneficiar com anúncios e patrocínios os deputados estaduais Wagner Salustiano (PSDB), Geraldo “Bispo Gê” Tenuta (PTB), Afanázio Jazadji (PFL), Vaz de Lima (PSDB) e Edson Ferrarini (PTB).
A cúpula palaciana pressionou o banco oficial para patrocinar eventos da Rede Vida e da Rede Aleluia de Rádio. Autorizou a veiculação de anúncios mensais na revista “Primeira Leitura”, publicação criada por Luiz Carlos Mendonça de Barros, ministro das Comunicações no governo Fernando Henrique Cardoso. Ele é cotado para assessorar Alckmin na área econômica. Recentemente, a Quest Investimentos, empresa de Mendonça de Barros, foi escolhida para gerir um novo fundo da Nossa Caixa.”
É. O Reinaldo é mesmo um cara ambicioso.
maio 29, 2009 às 6:27 pm
ohermenauta
The plot thickens!
maio 29, 2009 às 11:15 pm
aiaiai
o problema desse negócio de memória
“Às vezes dá a impressão de que Reinaldo cultiva uma platéia sem memória. Gostaria de saber qual é a faixa etária de seus leitores; aposto que a maioria é gente com menos de 30 anos.”
é que quanto mais velho menos memória nós temos, pelo menos nós que bebemos!
bom finde!
maio 30, 2009 às 12:46 am
Leonardo
É que essa coisa de amar partido tem mais a ver com o PT mesmo. Rei ainda tenta se prevenir do ridículo.
maio 30, 2009 às 4:40 am
Marcelo
Ô André, tenho blog não, mas obrigado pelo elogio cara.
Nos últimos meses no youtube anda rolando discussões entre vários usuários (como 1001nights e vários outros) de círculos anarquistas sobre o tema, então tava meio fresco na cabeça (sem falar que é um resumão tosco do que aprendi lendo Chomsky e vendo os vídeos do vovozinho sussa na net).
abs!
maio 30, 2009 às 5:33 am
Fabio
Você deve ser apaixonado por esse tal de Azevedo rsrsrsrs
maio 30, 2009 às 7:43 am
ohermenauta
Pelo contrário, Tio Rei é que é apaixonado por quem não pensa como ele…
Embora eu continue trabalhando a tese de que ele na verdade é cabo eleitoral de José Serra, incumbido da missão de atrair a extrema direita para a sua candidatura.
maio 31, 2009 às 11:43 pm
marcos
Nossa,quanta babaquice! Assim só sem nome mesmo, né? 44 anos? Teve amigo chamado Cleverson na PUC?
Que imaginação…
MAM
junho 1, 2009 às 12:22 am
ohermenauta
Marcos,
Babaquice não digo, mas estupidez é ler um texto e não entender. Ô sujeito analfabeto, sô!