You are currently browsing the daily archive for maio 28, 2009.

A tchurminha anaeróbica está ficando assanhada com meu post sobre Edson, Cleverson, Nariz Gelado e Khaled Hussein Ali, o verdadeiro nome do já lendário libanês K.  Vamos lá.

Primeiro, que as informações são até agora totalmente desencontradas.  O cara (o K., não o Cleverson) (a menos que sejam a mesma pessoa) foi preso e ficou de 24 de abril a 15 de maio preso (quando teve sua prisão revogada),  supostamente por envolvimento com o tal grupo com nome de coletivo artístico parisiense, o Jihad Media Battalion.  Depois foi solto por falta de provas.  Agora a Polícia Federal aparece dizendo que tem sim provas contra o sujeito, ainda que nenhum anaeróbico tenha aparecido ainda para dizer que o libanês está sendo perseguido por um Protógenes da vida.

Bom, se você puser no Google “Jihad Media Battalion” como argumento, obterá 5.870 hits.  É mais do que o número de hits alcançado por aquela outra organização revoltosa, a Dicta&Contradicta, que chega a parcos 4.200 hits.  Me pergunto se os caras são tão terroristas mesmo _ em sendo assim, porque será que o governo americano ainda não levou um lero legal com o Google para que eles retirem a expressão dos resultados de busca?  Já se sabe que com jeitinho o Google faz qualquer negócio.

Mas vou dizer uma coisa, o que me espantou mesmo no post da Nariz foi esse trecho a seguir.  Vamos lá, fazer a análise do discurso.  O trecho do post da Nariz Gelado que eu reproduzi diz o seguinte:

““O Brasil, como se sabe – e como o pessoal que ficou fulo da vida com aquela campanha do Burger King teima em negar – é o refúgio ideal para bandidos internacionais. E isto é assim desde que os nazistas vinham até aqui para se esconder. E é assim por motivos vários, que vão desde a malemolência das nossas autoridades, passando pelo total abandono das nossas fronteiras e culminando com a nossa alardeada diversidade étnica – o que permite que qualquer criatura, sem levantar a mínima suspeita, possa se passar por brasileiro. E o Bush, vejam só!, não tem culpa de que assim seja.”

Primeiro, um detalhe.  Sabe-se, com certeza,  que o Rio em particular, e o Brasil genericamente, é mesmo o refúgio ideal para bandidos internacionais _ na imaginação da mídia estrangeira, principalmente a cinematográfica.  Até aí tudo bem, mas é difícil dizer se na realidade os bandidos internacionais vêm mesmo para o Rio ou vão para lugares mais aprazíveis e civilizados, como a Flórida ou Mônaco.  Pelo menos já é um alívio saber que os mais procurados, ao menos, não são brasileiros, né?

Segundo, que uma coisa é ser alvo da infiltração por bandidos e terroristas, enquanto outra muito diferente é protegê-los ativamente por motivos inconfessáveis.

Terceiro que nossas autoridades, malemolentes ou não, nada podem fazer contra um sujeito que entra no Brasil e leva uma vida quieta e recatada, ainda que ele seja um sanguinário genocida, se o sujeito não for denunciado.  Este tipo de coisa não está escrita na testa de ninguém.

Quarto que, como já disse em um comentário, falar em “total abandono de nossas fronteiras“, em um país como o Brasil, é de uma pretensão de beirar o ridículo.  O país tem mais de 15 mil quilômetros de fronteiras TERRESTRES. passando pelo meio de florestas e lugares dos mais ermos do mundo.  Ora, a fronteira entre o México e Estados Unidos é uma das mais bem guardadas do mundo e nem por isso há falta de mexicanos nos EUA.

Finalmente, a nossa diversidade étnica.  Eu sou um sujeito de bom coração e sempre tento ver o melhor nas pessoas, então vou acreditar que Nariz Gelado apenas afirmou a evidência que o Brasil é um país etnicamente diverso, ao invés de lamentar isso, como pensaria um comentarista mais afoito.

***

É claro que o negócio é o seguinte: se de fato pegarem um operativo da Al Qaeda no Brasil, dando uma de “dorminhoco“, não é pra dar mole.  O problema é que os lídimos senhores e senhoras da nossa digna ala direita não se furtarão a usar politicamente o fato.

O Estadão fez um, er, infográfico muito bonitinho mostrando as capacidades militares das principais potências militares do mundo.  Aí eu fui checar a comparação entre Rússia e EUA:

estadaorussiausa

(clique para ampliar)

Ou seja, para a editoria do Estadão, a Rússia, aquele país que a doutrina militar norte-americana sempre caracterizou como um gigante sem saída para o mar, tem 2079 submarinos, enquanto os EUA têm parcos 500 submersíveis.

De fato, a Federation of American Scientists, em uma matéria sobre um recente aumento do número de missões de patrulha de submarinos nucleares russos, estima em apenas 11 o número de submarinos lançadores de mísseis atualmente existentes na marinha russa.  Além disso a marinha russa ainda tem no máximo uns 60 submarinos de ataque, que não carregam mísseis balísticos.

Com uma mídia assim, quem precisa da Coréia do Norte?

O pessoal agora está querendo crucificar o Sarney porque ele não sabia que ganhava, todo mês, auxílio-moradia no valor de 3,8 mil reais.

Puxa, gente, que culpa ele tem de não saber administrar seu dinheiro?  Afinal ele é um intelectual, e esse povo de fardão não tem apego a bens materiais.

O rei do Maranhão só possui almas, não dinheiro.

Co-evolução entre homem e bacalhau está acabando com a pescaria do bicho no Atlântico Norte;

Mostrando que tortura e abuso sexual sempre andam juntos, o Daily Telegraph diz que as fotos não-publicadas de Abu Ghraib mostram cenas de estupro;

Conservadorismo e habilidades cognitivas estão negativamente correlacionados;

O site Technologizer analisa dez patentes da autoria de Steve Jobs, incluindo uma escada rolante;

Google Web Elements, coisinhas do Google para você pendurar no seu blog;

Facebook vende parte das ações para uma empresa russa (so far for privacy?);

Menina siberiana criada por gatos e cachorros;

Europeus medievais começaram a pescar no mar por volta do ano 1000;

Going Galt” sobre a reforma do sistema de saúde norte-americano (em um especial bacana);

Empresas que fizeram lobby pró-ceticismo climático foram advertidas contrariamente pelos seus próprios cientistas.

Hoje de manhã acordei com dois links novos apontando para este pobre blog.  São agentes provocadores.   :)

Como, newtonianamente, toda reação provém de uma ação, se um agente provocador resolveu te provocar foi porque certamente se irritou com você.  Entretanto, existem dois tipos de “agent provocateur”: o caro e o barato. O agente provocador caro é aquele cara que você teve que se esforçar para irritar.  O barato é aquele que se irrita com você pelo mero fato de você existir.

Um desses provocadores baratos é o Lord ASS, que resolveu achar que o novo número da Dicta&Contradicta foi concebido com o fito de me irritar.  Bom, fui ver a sinopse na Livraria Cultura (um problema com a cauda longa é que as livrarias se tornaram menos exigentes com suas prateleiras):

Em seu terceiro número, um ano depois de seu lançamento, a revista cultural ‘Dicta&Contradicta’ volta com uma edição que apresenta – uma entrevista com Fernando Henrique Cardoso; um ensaio de ciência política escrito por João Pereira Coutinho; o scholar de Harvard Michael Pakaluk, que explica o porque da avareza ser a origem da atual crise econômica; um texto de Roger Scruton a respeito das diferenças entre o Islã e o Ocidente; a análise de Olavo de Carvalho sobre o filósofo brasileiro Mário Ferreira dos Santos; o relato de Ivo Barroso sobre o encontro de Fernando Pessoa com Aleister Crowley; além de uma antologia da poesia húngara moderna traduzida por Nelson Ascher.”

Meu caro ASS, eu não sou nenhuma Fernanda Young.  Assistir ao declínio de Fernando Henrique Cardoso, limitado agora a dividir uma revista com Olavo de Carvalho e Nelson Ascher, é uma experiência que pode suscitar algo entre a hilariedade e a piedade, mas jamais a irritação.  Tente fazer uma reabilitação de Wilson Simonal da próxima vez que quiser me irritar.   :)

O outro agente provocador é o Paulo do FYI, que tirou de um site esquisitão de finanças do Yahoo a idéia de que Nouriel Roubini é agora um otimista (esquizofrenicamente, o post a seguir à matéria sobre Roubini é pessimista, e o depois desse dá o devido crédito pelo mundo não ter acabado ao pacote de estímulo).  Mas o problema é que lendo a matéria sobre Roubini propriamente dita o que vemos é o seguinte:

Economist Nouriel Roubini on Wednesday said the end of the global recession is likely to occur at the end of the year rather than the middle, and that U.S. growth will remain below potential afterwards.

We are not yet at the bottom of the U.S. and the global recession,” said Roubini. “The contraction is still occurring and the recession is going to be over more towards the end of the year rather than in the middle of the year.”

There is still too much optimism that a recovery is just around the corner,” said Roubini, a professor at New York University’s Stern School of Business and chairman of RGE Monitor, an independent economic research firm.

Roubini, who is widely credited for predicting the current economic turmoil, was speaking at the Seoul Digital Forum.

“A more sober analysis suggests we’re closer to the bottom; there is light at the end of the tunnel, but it’s going to take a while longer, and the recovery is going to be weaker than otherwise expected.”

Once the recession ends, “U.S. economic growth is going to be below potential for at least two years,” he said, amid multiple imbalances in the housing sector and the financial system, and the rise of public debt.” [grifos meus]

Se isso é otimismo, não quero conhecer o pessimismo de Roubini.

maio 2009
D S T Q Q S S
« abr   jun »
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31  

Comentários

ohermenauta em 1.000.000
ratapulgo calcigenol em 1.000.000
Marcos Nowosad em 1.000.000
P Pereira em 1.000.000
espectral em 1.000.000
Add to Technorati Favorites

Blog Stats

  • 1,495,089 hits
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 26 outros seguidores