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Deu no Estadão:

Para voltar ao poder, PSDB aposta até na neurociência

SÃO PAULO – Na busca por uma agenda que neutralize a propaganda governista em 2010 e evite a terceira derrota consecutiva em eleição presidencial, o PSDB começou a calibrar seu discurso, baseado em análises de especialistas em “psique” eleitoral e em célebres estrategistas estrangeiros que defendem a emoção como fator determinante na política. A ideia é engavetar o lema da “gerência”, usado na campanha de 2006, e focar na defesa de projetos e iniciativas sociais.

Há cerca de três meses, os tucanos contrataram o cientista político Alberto Carlos Almeida, autor de A Cabeça do Brasileiro e Por que Lula?, para fazer pesquisas que deem um diagnóstico sobre o que o eleitor deseja na próxima disputa. Almeida já produziu duas análises para o PSDB, que foram submetidas à direção do partido e a seus parlamentares. Essas informações têm servido de ponto de partida para a formatação de um discurso que atinja grande parte do eleitor que aprova o governo Luiz Inácio Lula da Silva.

O partido também começou a flertar com as ideias do neurocientista americano Drew Westen, da Emory University, em Atlanta. Suas teses influenciaram a campanha democrata de Barack Obama em 2008. Autor do best-seller The Political Brain, ele foi convidado pelo Instituto Teotônio Vilela, ligado aos tucanos, para dar palestra, em março, que deixou deslumbrados os políticos do partido.

Para Westen, os democratas americanos mais perderam eleições do que ganharam nos últimos 30 anos porque apelaram muito à razão. Com base em pesquisas que mapearam o cérebro, ele questiona o racionalismo extremo, surgido com o Iluminismo no século 18. O seu principal estudo, divulgado em 2006, conclui que o eleitor responde de forma emocional quando provocado. Westen confrontou eleitores democratas e republicanos com declarações contraditórias dos seus candidatos. Ao defendê-los, áreas do cérebro relacionadas à razão não respondiam. Já as envolvidas com a emoção apresentavam grande atividade.

Eduardo Graeff, cientista político e secretário-geral da Presidência no governo Fernando Henrique Cardoso, em artigo publicado no Estado antes das eleições municipais de 2008, chamou a atenção dos tucanos para as teses de Westen. “Não basta ter valores. É preciso pregá-los sem medo de ser repetitivo e traduzi-los em declarações de princípio que mostrem ao eleitor que o candidato conhece seus problemas”, afirmou.

Assim como Westen, o marqueteiro americano Dick Morris, que trabalhou com o ex-presidente americano Bill Clinton a partir de sua posse em 1993, também tem sido “revisitado” na corrida pela formulação do novo discurso. É dele a estratégia usada por Clinton de se apropriar de parte do discurso dos republicanos e mixá-lo com tradicionais bandeiras democratas para ganhar popularidade. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.”

***

Lembrem-se disto.  E disto.

Tio Rei, cavaleiro andante do denialismo climatológico, saiu-se em seu blog com um “especialista” que tem uma opinião contrária à recentemente veiculada pelo presidente da ONU, Kofi Annan, sobre a elevação do nível do mar e os prejuízos que isso causará:

Ocorre que a maior autoridade em aquecimento do mar, no mundo, é o geólogo e físico Nils-Axel Mörner. Este senhor, muito qualificado, vejam lá, estuda o nível do mar há 35 anos. E é taxativo: não! Ele não se elevou nos últimos 50 anos. E é irônico: a elevação, em um século, poderia ser de, no máximo, 10 cm (4 polegadas), com uma margem de erro de… 10 cm! Vocês sabem: um especialista como ele lida com margem de erro. Kofi Annan e Al Gore não precisam disso.

O aquecimento global, claro, virou refúgio de espertalhões. Mörner desenvolveu um trabalho especial de olho na situação das Maldivas. Já há 20 anos, os líderes locais recebem ajuda externa para se prevenir do desastre. Ele estudou o assunto e constatou: não, o mar não está se elevando. Antes de anunciar o resultado dos estudos, propôs aos dirigentes locais a exibição de um filme tranqüilizando a população. Os tais governantes recusaram… Devem jogar no mesmo time de Kofi Annan. Leiam o artigo. Vale a pena.

Por um momento, eu pensei em dar a Tio Rei o benefício da dúvida.  Afinal, embora o consenso científico hoje esteja solidamente do lado do aquecimento global antropogênico, eu acredito realmente que um ou outro cientista honesto possa ter convicções contrárias.

Mas como seguro morreu de velho, foi procurar informações sobre o Sr. Nils-Azel Môrner.  Hummm…batata.  Da Wikipedia:

Views on dowsing

Mörner has written a number of works claiming to provide theoretical support for dowsing. [2] He was elected “Deceiver of the year” by Föreningen Vetenskap och Folkbildning in 1995 for “organizing university courses about dowsing…”[2]. In 1997 James Randi asked him to claim The One Million Dollar Paranormal Challenge, making a controlled experiment to prove that dowsing works.[12] Mörner declined the offer.[13]

OK, mesmo quem sabe inglês pode ter tido alguma dificuldade em entender o que está escrito acima.  Afinal, o que é “dowsing“?  Uma imagem vale mais que mil palavras:

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Existe uma tradução para o português: radiostesia.

O termo radioestesia (ou em inglês, dowsing) vem do latim radius, radiações, e do grego aesthesis, sensibilidade, ou seja, radioestesia significa literalmente sensibilidade a radiações.

Os chamados radioestesistas alegam ser capazes de captar radiações de diversas origens, incluindo objetos inanimados (águas subterrâneas, metais preciosos,etc), seres vivos (pessoas e seus órgãos internos), e até mesmo de espíritos. Mais que isso, alegam também poder analisar estas radiações, de forma a atribuir-lhes uma qualidade positiva (benéfica) ou negativa (prejudicial).

Técnicas de radioestesia são largamente empregadas em pseudociências ou outras atividades associadas a fenômenos “paranormais”.

OK, o homem é no mínimo desequilibrado.  Mas será que é um charlatão?

Eu acho que é.  Diz a autoridade australiana de pesquisa (a Austrália é um país com um interesse óbvio em saber se o mar está se elevando ou não, dado que a distribuição de sua população é muito mais litorânea do que a maioria dos outros países desenvolvidos):

HISTORICAL SEA LEVEL CHANGES

Last two decades

High quality measurements of (near)-global sea level have been made since late 1992 by satellite altimeters, in particular, TOPEX/Poseidon (launched August, 1992) and Jason-1 (launched December, 2001). This data has shown a more-or-less steady increase in Global Mean Sea Level (GMSL) of around 3.2 ± 0.4 mm/year over that period. This is more than 50% larger than the average value over the 20th century. Whether or not this represent a further increase in the rate of sea level rise is not yet certain.”

A seguir, apresenta-se um gráfico representando a evolução do nível médio global do mar medido pelos satélites norte-americanos TOPEX/Poseidon e Jason-1:

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Da durabilidade das idéias de jerico

Matéria do Correio Braziliense informa que Oscar Niemeyer voltou à carga quanto a tal Praça da Soberania que pretende ver construída no coração da capital federal.   Ele modificou o projeto para dar conta das críticas, sobretudo no que diz respeito à questão da visibilidade entre a Esplanada e a Rodoviária.  Mas o trecho mais curioso da entrevista com o centenário arquiteto é esse aqui:

O que é Deus para um arquiteto que construiu tantas igrejas e catedrais?

Estou justamente produzindo um texto sobre isso. A ideia de Deus onipotente, criador de todas as coisas, havia desaparecido do meu pensamento. Mas a visão de um ser humano tão frágil e desprotegido, diante do universo fantástico que o cerca, leva-me a acompanhar as conquistas da ciência, empenhada em desvendar os mistérios do cosmo e de nossa própria existência. Tudo isso explica a minha postura compreensiva e quase indulgente em relação aos que creem num Deus invisível e onipotente, aceitando, conforme tem acontecido, projetar uma igreja, uma catedral ou uma simples capela como uma que acabo de desenhar.

O repórter foi sagaz.  O entrevistado, mai$ ainda.  :)

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E, como tudo acaba em samba

A Beija-Flor será a escola de samba que homenageará Brasília no carnaval de 2010. O desfile comemorará os 50 anos da capital. Com o tema Brasília ao sol do mundo. Brasília, capital da esperança a escola receberá um patrocínio de R$ 3 milhões do governo do Distrito Federal, pagos em parcelas de R$ 300 mil. O patrocínio foi fechado nesta sexta-feira no Rio de Janeiro pelo vice-governador Paulo Octávio.

Antes de se chegar a um acordo, o carnavalesco da Beija-Flor, Alexandre Lousada, defendeu a idéia original do enredo Brilhante ao sol do mundo. Brasília, capital da esperança. Segundo ele, não se pode falar em Brasília sem tratar de sua história e de sua construção. “Antes mesmo de ganhar seus traços marcantes, Brasília já havia sido pensada e sonhada. Estava na primeira constituição do Brasil. Será um desfile memorável”, garantiu.

Para conhecer melhor a cidade e seus moradores, Lousada visitará Brasília nas próximas semanas. A ideia é que ele consiga levar para a avenida algo que possa quebrar a imagem de uma cidade política-administrativa.”

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Fico pensando no que será que impede nosso governador do pêfêlêDEM de usar nosso dinheirinho para resolver problemas básicos da cidade, como trânsito, segurança etc, e preferir torrá-lo em pão para arquitetos e circo para turistas…

Que papa é você?

antipopes

You are an amalgamation of those pesky anti-Popes Clement VII and Benedict XIII

O Paulo do FYI, depois de me citar em dois de seus últimos três posts, decretou que eu o estou provocando.  Só porque falei que Paul Krugman deve ser mais americano que ele.

Bem, a família Krugman migrou da Alemanha para a região de Nova York, nos EUA, em 1872.  Krugman nasceu em 1953, portanto acho extremamente provável que ele já seja da segunda geração dos Krugman nascidos nos EUA.  O Paulo, ao que eu saiba, é imigrante recente _ parece que ele foi morar nos EUA em 1998, com uns 24, 25 anos.  Ele foi para lá com um visto temporário, depois ganhou um green card, e finalmente, a cidadania.

Ele se ressente de seus amigos que ficaram no Brazil, para quem ele é “um traidor“.

Paulo diz que só deixou o Brasil porque “o Brasil o deixou primeiro“.  A experiência fundadora foi ter sido roubado por pivetes quando ia comprar pão aos 10 anos de idade e ainda por cima ser xingado pelos ditos cujos de “alemão”.  

Não deixa de ter lá sua justiça poética que os ancestrais de Krugman tenham sido alemães legítimos e Paulo tenha sido um “alemão” no Rio de Janeiro.  É provavelmente a única coisa que os une.

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Eu já falei nisso uma vez, mas não custa repetir: para alguém que largou o Brazil e assumiu o lado norte-americano de sua personalidade de forma tão natural e sem complexos como ele diz, a sua tag cloud é um tanto esquisita:

tagdofyi

O “Brazil” ocupa um espaço tão importante no blog do Paulo quanto “Economy” e “Left-wing”.  Eu francamente não consigo entender porque diacho alguém tão “norte americanizado” a ponto de sentir-se tão norte-americano quanto o Krugman (na verdade, mais norte-americano, por “pagar mais impostos” – pensando bem, uma métrica assaz insólita para um aynrandiano)  alimenta tamanha obsessão pelo Brazil e pelos brazileiros.  A menos que se trate, é claro, de uma obsessão causada por um trauma do qual ele não consegue se livrar.

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O mais engraçado é que aparentemente Paulo fugiu do Brazil para não ter que encarar mais pivetes e poder ter uma vida sossegada de classe média, que ele julga tão desprotegida no Brazil mas que é o próprio “american way of life” no seu país de adoção.   Ele não consegue perceber que o 9/11 que tanto o assombra não é outra coisa que não aquele pivete, voltando para atazanar o “alemão”, só que em outra escala.

Fugir do problema não significa que o problema está resolvido.

Tio Rei em post de “deformação”, explicando sua conduta caso o PSDB vença as eleições de 2010:

O óbvio tem de ser repetido de vez em quando porque algumas coisas vão se perdendo na trajetória, especialmente aquelas que dizem respeito a princípios. Um desses que vagam nas sombras me manda um comentário mais ou menos como segue — é “mais ou menos” porque, bem…, ele é do tipo malcriado. Vamos lá:

Se Serra ganhar a eleição, você fica sem assunto; se ele perder, você se desmoraliza porque vive criticando o PT”.

É uma tolice, mas que não deixa de tocar numa questão relevante. Bem, em primeiro lugar, se o PSDB vencer em 2010, dificilmente vai fazer o governo dos meus sonhos — até porque o meu sonho mesmo, se a matéria fosse essa, é governo nenhum. Como sei que é impossível, então vou lidando com o que temos. Serra ou Aécio presidente, certamente restarão muitas contraposições. Não posso me antecipar porque, bem…, primeiro é preciso que um deles ganhe e que comece a governar. Há a experiência histórica: o PSDB já foi poder. As instituições, é fato, só se fortaleceram.

Assim, é bem possível, acho que é o mais provável, que eu seja mais simpático a um governo do PSDB-DEM do que a um do PT (e mais aquela gente toda).”

Muito interessante.

Primeiro: Tio Rei adverte desde já que Serra não vai “fazer o governo dos seus sonhos”.  Ele se curva à realpolítica no caso de Serra, mas se mostra rígido e inflexível, por exemplo,no caso de Obama. Realmente, em política a boa vontade é tudo.  Pau que bate em chico também deveria bater em francisco.

Segundo: “o PSDB já foi poder e as instituições só se fortaleceram“.  Bom, Fernando Henrique Cardoso foi quem começou com a idéia de reeleição, o que não é lá a idéia mais coerente do mundo com o conceito de fortalecimento das instituições.  Aliás, é bom frisar que das 57 emendas constitucionais que ora retalhammodernizam nossa Constituição, 35 foram promulgadas durante os 8 anos do Fernandato, contra 5 dos governos anteriores e 17 dos anos Lula.  Claro, sempre se pode dizer que as emendas eram necessárias dado o pobre material inicial, mas aí também não dá para ao mesmo tempo considerar a “estabilidade das instituições” como um valor essencial e irremovível.

Terceiro: Tio Rei diz que acha que seria mais simpático a um governo PSDB-DEM do que a um governo do PT (“mais aquela gente toda“).  Então ele deveria pôr as barbas de molho, porque, bem, “aquela gente toda” já esteve exatamente colada no governo FHC e à aliança PSDB-DEM.  Ou Tio Rei já se esqueceu do discurso da “governabilidade“?

Às vezes dá a impressão de que Reinaldo cultiva uma platéia sem memória.  Gostaria de saber qual é a faixa etária de seus leitores; aposto que a maioria é gente com menos de 30 anos.  De toda forma, Tio Rei devia ser mais sincero: ele ficará mais feliz com um governo PSDB-DEM porque é um “reservoir dog“, ora.

Do blog do Dani Rodrik, um excerto do paper “Preventing Markets from Self-Destruction:The Quality of Government Factor“:

In a state of rage, the mob leader himself, Tony Soprano, with a gun in his hand goes after a low level gang member that has betrayed him and kills him. Usually, he would of course have used an underling for an operation like this, but this time … he is so overtaken by emotions that he forgets the golden rule that mafia bosses should never do any of the dirty work themselves. As it happens, he is seen by an “ordinary citizen” chasing after the victim. This eyewitness goes to the police, not knowing that it is the local mafia leader that he has seen. The “ordinary Joe” tells the police that he is just sick and tired of all the violence in his neighbourhood and that he as a law-abiding citizen wants to help the police to clean up the neighbourhood. When the police commissars show him a bunch of photos of known criminals, he directly identifies the perpetrator – still not knowing who the person he identifies is. After he has left the police station, the police commissars are in a state of joy since they now seem to have what they need to put Tony Soprano behind bars.

In the next scene, the eye-witness is sitting comfortably in what seems to be a middle-class home listening to classical music. A woman his age, probably his wife, is sitting close to him reading the newspaper. Suddenly she starts screaming and then shouts at him to read an article in the paper. The article makes it clear to this honest and law-abiding citizen that the person he has identified at the police station as the perpetrator is the well-known local mafia leader Tony Soprano. The law-abiding citizen then throws himself at the phone, calls the police commissar who’s direct number he has, and in a terrified voice says that he did not see anything and that he will not become a witness.

The interesting thing is the book our law-abiding citizen was reading before his wife showed him the newspaper article. An observant spectator has about one second to see that it is the philosopher Robert Nozick’s modern classic Anarchy, State and Utopia – an icon for all ultraliberal, anti-government and free-market proponents ever since it was published (Nozick 1974).

The message from the people behind the Sopranos show seems clear: In a “stateless” Robert Nozick type of society, where everything should be arranged by individual, freely entered contracts, markets will deteriorate into organized crime. The conclusion is again, that there can be a market for anything as long as there is not a market for everything. Or in other words, if everything is for sale, markets will not come close to what should count as social efficiency.” [grifo meu]

***

Comentem.

Como alguns dos 4,5 leitores do blog já devem estar sabendo,  o Deputado Jackson Barreto,  do PMDB, botou na rua uma proposta de Emenda Constitucional permitindo o terceiro mandato.  Deu no Valor:

BRASÍLIA – A proposta de emenda à Constituição (PEC 367), que abriu a possibilidade de um terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e para os atuais governadores e prefeitos, terá tramitação normal na Câmara dos Deputados, assim como tem outras PECs. A informação foi dada pelo presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), logo após o deputado Jackson Barreto (PMDB-SE) apresentar a proposta para tramitação, na tarde de hoje.

(…)

O primeiro signatário da PEC, Jackson Barreto justificou a apresentação da proposta afirmando que ela é um reconhecimento do povo nordestino ao trabalho que o presidente Lula tem feito em favor deles. “É o reconhecimento do Nordeste ao trabalho e às políticas públicas do governo do presidente Lula. Eu acho que, em um momento de crise que o país atravessa, é muito melhor sermos conduzidos por alguém que tem credibilidade interna e externa”.

Segundo Barreto, a proposta foi assinada por 194 deputados. Dessas assinaturas, 15 seriam de parlamentares da oposição, sendo 11 do DEM e quatro do PSDB. A informação ainda não foi confirmada pela Secretaria-geral da Câmara.” [grifo meu]

Curiosamente, o Estadão noticiou a PEC assim:

BRASÍLIA – O deputado Jackson Barreto (PMDB-SE) protocolou nesta quinta-feira, 28, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prevê o terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele informou ter conseguido 194 assinaturas, sendo 80 delas de integrantes do PT e PMDB.” [grifo meu]

O Correio Braziliense, assim:

O deputado Jackson Barreto (PMDB-SE) protocolou hoje a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prevê o terceiro mandato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele informou ter conseguido 194 assinaturas, sendo 80 delas de integrantes do PT e PMDB. “Essa PEC é um reconhecimento do Nordeste às políticas públicas do presidente Lula. Em momento de crise, é melhor que sejamos conduzidos por alguém com credibilidade externa e interna”, afirmou. A PEC prevê a realização de referendo popular no segundo domingo de setembro deste ano para que o terceiro mandato possa ser instituído.” [grifo meu]

Engraçado que o Estadão e o Correio chamem a atenção para as assinaturas do PT e PMDB _ o que não é notícia _ e se esqueçam de falar dos deputados do DEM e do PSDB que assinaram o treco, o que, isso sim, é notícia.

Como não poderia deixar de ser, Tio Rei foi muito solícito e rapidamente apresentou-se para apagar o incêndio:

Falei há pouco com o deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente do DEM. Quer dizer, então, que a emenda do terceiro mandato surge com o apoio de DEM, já que conta com a assinatura de 11 deputados do partido?

Ele me respondeu o seguinte: “Olhe, o partido não vai polemizar em torno de um tema que já nasceu morto. Todo mundo sabe como funciona isso. Muitos parlamentares dão a sua assinatura na base da camaradagem, não significa que concordem com a proposta. Esse negócio não tem a menor chance de prosperar”.

Maia trata de uma questão real. Essa camaradagem existe. Mas acho que já passou da hora de parar com essa prática. Eu estava na Folha ainda, acho que foi em 1996, e fizemos uma emenda extinguindo a República e tornando o Brasil, novamente, colônia de Portugal. Evidentemente, tratava-se de um absurdo, que esbarrava em cláusulas pétreas da Constituição. E conseguimos o número necessário de assinaturas para a emenda ser ao menos apresentada.

Acho péssimo que deputados de quaisquer partidos dêem sua assinatura a propostas sem nem saber do que se trata. Mas também resta evidente que a esdrúxula proposta do terceiro mandato NÃO CONTA com o apoio do DEM ou dos tucanos.”

Agora vamos lá: não dá pra engolir esta história de “camaradagem” assim.  Isso devia se transformar em um escândalo.  Afinal, os deputados dos partidos que querem nos governar algum dia assinam uma proposta que inviabiliza este projeto, assim por “camaradagem”?  Antes da “camaradagem” por seus colegas não devia vir a fidelidade a seus eleitores?

Por outro lado, acho que Tio Rei, querendo “naturalizar” a coisa (“Essa camaradagem existe“), se enrola um bocado.  Afinal, como explicar esta frase?

Eu estava na Folha ainda, acho que foi em 1996, e fizemos uma emenda extinguindo a República e tornando o Brasil, novamente, colônia de Portugal. (…) E conseguimos o número necessário de assinaturas para a emenda ser ao menos apresentada.”

Como é que um jornalista da Folha “faz uma emenda extinguindo a República“?   Querendo mostrar que a tal “camaradagem” seria a coisa mais comezinha do mundo, Tio Rei expôs algo que não devia?  Cá entre nós: acho que isso dá processo.  Tio Rei, explique-se aí, senão para nós pelo menos para os seus fiéis seguidores…

***

A Folha já traz os nomes dos deputados do DEM e PSDB que haviam assinado a PEC:

Pressionados pelo comando do partido, os deputados Rogério Marinho (PSDB-RN), Antonio Feijão (PSDB-AP), Carlos Aberto Leréia (PSDB-GO), Eduardo Barbosa (PSDB-MG) e Silvio Torres (PSDB-SP) pediram a retirada de seus nomes à Secretaria Geral da Mesa Diretora da Câmara.

Depois foram sete parlamentares do DEM: Francisco Rodrigues (DEM-RR), Jorge Khoury (DEM-BA), José Carlos Vieira (DEM-SC), José Maia Filho (DEM-PI), Walter Ihoshi (DEM-SP), Clóvis Fecury (DEM-MA) e Fernando de Fabinho (DEM-BA). Por último, o deputado Félix Mendonça (DEM-BA), o que motivou a suspensão da tramitação da PEC.”

A tchurminha anaeróbica está ficando assanhada com meu post sobre Edson, Cleverson, Nariz Gelado e Khaled Hussein Ali, o verdadeiro nome do já lendário libanês K.  Vamos lá.

Primeiro, que as informações são até agora totalmente desencontradas.  O cara (o K., não o Cleverson) (a menos que sejam a mesma pessoa) foi preso e ficou de 24 de abril a 15 de maio preso (quando teve sua prisão revogada),  supostamente por envolvimento com o tal grupo com nome de coletivo artístico parisiense, o Jihad Media Battalion.  Depois foi solto por falta de provas.  Agora a Polícia Federal aparece dizendo que tem sim provas contra o sujeito, ainda que nenhum anaeróbico tenha aparecido ainda para dizer que o libanês está sendo perseguido por um Protógenes da vida.

Bom, se você puser no Google “Jihad Media Battalion” como argumento, obterá 5.870 hits.  É mais do que o número de hits alcançado por aquela outra organização revoltosa, a Dicta&Contradicta, que chega a parcos 4.200 hits.  Me pergunto se os caras são tão terroristas mesmo _ em sendo assim, porque será que o governo americano ainda não levou um lero legal com o Google para que eles retirem a expressão dos resultados de busca?  Já se sabe que com jeitinho o Google faz qualquer negócio.

Mas vou dizer uma coisa, o que me espantou mesmo no post da Nariz foi esse trecho a seguir.  Vamos lá, fazer a análise do discurso.  O trecho do post da Nariz Gelado que eu reproduzi diz o seguinte:

““O Brasil, como se sabe – e como o pessoal que ficou fulo da vida com aquela campanha do Burger King teima em negar – é o refúgio ideal para bandidos internacionais. E isto é assim desde que os nazistas vinham até aqui para se esconder. E é assim por motivos vários, que vão desde a malemolência das nossas autoridades, passando pelo total abandono das nossas fronteiras e culminando com a nossa alardeada diversidade étnica – o que permite que qualquer criatura, sem levantar a mínima suspeita, possa se passar por brasileiro. E o Bush, vejam só!, não tem culpa de que assim seja.”

Primeiro, um detalhe.  Sabe-se, com certeza,  que o Rio em particular, e o Brasil genericamente, é mesmo o refúgio ideal para bandidos internacionais _ na imaginação da mídia estrangeira, principalmente a cinematográfica.  Até aí tudo bem, mas é difícil dizer se na realidade os bandidos internacionais vêm mesmo para o Rio ou vão para lugares mais aprazíveis e civilizados, como a Flórida ou Mônaco.  Pelo menos já é um alívio saber que os mais procurados, ao menos, não são brasileiros, né?

Segundo, que uma coisa é ser alvo da infiltração por bandidos e terroristas, enquanto outra muito diferente é protegê-los ativamente por motivos inconfessáveis.

Terceiro que nossas autoridades, malemolentes ou não, nada podem fazer contra um sujeito que entra no Brasil e leva uma vida quieta e recatada, ainda que ele seja um sanguinário genocida, se o sujeito não for denunciado.  Este tipo de coisa não está escrita na testa de ninguém.

Quarto que, como já disse em um comentário, falar em “total abandono de nossas fronteiras“, em um país como o Brasil, é de uma pretensão de beirar o ridículo.  O país tem mais de 15 mil quilômetros de fronteiras TERRESTRES. passando pelo meio de florestas e lugares dos mais ermos do mundo.  Ora, a fronteira entre o México e Estados Unidos é uma das mais bem guardadas do mundo e nem por isso há falta de mexicanos nos EUA.

Finalmente, a nossa diversidade étnica.  Eu sou um sujeito de bom coração e sempre tento ver o melhor nas pessoas, então vou acreditar que Nariz Gelado apenas afirmou a evidência que o Brasil é um país etnicamente diverso, ao invés de lamentar isso, como pensaria um comentarista mais afoito.

***

É claro que o negócio é o seguinte: se de fato pegarem um operativo da Al Qaeda no Brasil, dando uma de “dorminhoco“, não é pra dar mole.  O problema é que os lídimos senhores e senhoras da nossa digna ala direita não se furtarão a usar politicamente o fato.

O Estadão fez um, er, infográfico muito bonitinho mostrando as capacidades militares das principais potências militares do mundo.  Aí eu fui checar a comparação entre Rússia e EUA:

estadaorussiausa

(clique para ampliar)

Ou seja, para a editoria do Estadão, a Rússia, aquele país que a doutrina militar norte-americana sempre caracterizou como um gigante sem saída para o mar, tem 2079 submarinos, enquanto os EUA têm parcos 500 submersíveis.

De fato, a Federation of American Scientists, em uma matéria sobre um recente aumento do número de missões de patrulha de submarinos nucleares russos, estima em apenas 11 o número de submarinos lançadores de mísseis atualmente existentes na marinha russa.  Além disso a marinha russa ainda tem no máximo uns 60 submarinos de ataque, que não carregam mísseis balísticos.

Com uma mídia assim, quem precisa da Coréia do Norte?

O pessoal agora está querendo crucificar o Sarney porque ele não sabia que ganhava, todo mês, auxílio-moradia no valor de 3,8 mil reais.

Puxa, gente, que culpa ele tem de não saber administrar seu dinheiro?  Afinal ele é um intelectual, e esse povo de fardão não tem apego a bens materiais.

O rei do Maranhão só possui almas, não dinheiro.

Co-evolução entre homem e bacalhau está acabando com a pescaria do bicho no Atlântico Norte;

Mostrando que tortura e abuso sexual sempre andam juntos, o Daily Telegraph diz que as fotos não-publicadas de Abu Ghraib mostram cenas de estupro;

Conservadorismo e habilidades cognitivas estão negativamente correlacionados;

O site Technologizer analisa dez patentes da autoria de Steve Jobs, incluindo uma escada rolante;

Google Web Elements, coisinhas do Google para você pendurar no seu blog;

Facebook vende parte das ações para uma empresa russa (so far for privacy?);

Menina siberiana criada por gatos e cachorros;

Europeus medievais começaram a pescar no mar por volta do ano 1000;

Going Galt” sobre a reforma do sistema de saúde norte-americano (em um especial bacana);

Empresas que fizeram lobby pró-ceticismo climático foram advertidas contrariamente pelos seus próprios cientistas.

Hoje de manhã acordei com dois links novos apontando para este pobre blog.  São agentes provocadores.   :)

Como, newtonianamente, toda reação provém de uma ação, se um agente provocador resolveu te provocar foi porque certamente se irritou com você.  Entretanto, existem dois tipos de “agent provocateur”: o caro e o barato. O agente provocador caro é aquele cara que você teve que se esforçar para irritar.  O barato é aquele que se irrita com você pelo mero fato de você existir.

Um desses provocadores baratos é o Lord ASS, que resolveu achar que o novo número da Dicta&Contradicta foi concebido com o fito de me irritar.  Bom, fui ver a sinopse na Livraria Cultura (um problema com a cauda longa é que as livrarias se tornaram menos exigentes com suas prateleiras):

Em seu terceiro número, um ano depois de seu lançamento, a revista cultural ‘Dicta&Contradicta’ volta com uma edição que apresenta – uma entrevista com Fernando Henrique Cardoso; um ensaio de ciência política escrito por João Pereira Coutinho; o scholar de Harvard Michael Pakaluk, que explica o porque da avareza ser a origem da atual crise econômica; um texto de Roger Scruton a respeito das diferenças entre o Islã e o Ocidente; a análise de Olavo de Carvalho sobre o filósofo brasileiro Mário Ferreira dos Santos; o relato de Ivo Barroso sobre o encontro de Fernando Pessoa com Aleister Crowley; além de uma antologia da poesia húngara moderna traduzida por Nelson Ascher.”

Meu caro ASS, eu não sou nenhuma Fernanda Young.  Assistir ao declínio de Fernando Henrique Cardoso, limitado agora a dividir uma revista com Olavo de Carvalho e Nelson Ascher, é uma experiência que pode suscitar algo entre a hilariedade e a piedade, mas jamais a irritação.  Tente fazer uma reabilitação de Wilson Simonal da próxima vez que quiser me irritar.   :)

O outro agente provocador é o Paulo do FYI, que tirou de um site esquisitão de finanças do Yahoo a idéia de que Nouriel Roubini é agora um otimista (esquizofrenicamente, o post a seguir à matéria sobre Roubini é pessimista, e o depois desse dá o devido crédito pelo mundo não ter acabado ao pacote de estímulo).  Mas o problema é que lendo a matéria sobre Roubini propriamente dita o que vemos é o seguinte:

Economist Nouriel Roubini on Wednesday said the end of the global recession is likely to occur at the end of the year rather than the middle, and that U.S. growth will remain below potential afterwards.

We are not yet at the bottom of the U.S. and the global recession,” said Roubini. “The contraction is still occurring and the recession is going to be over more towards the end of the year rather than in the middle of the year.”

There is still too much optimism that a recovery is just around the corner,” said Roubini, a professor at New York University’s Stern School of Business and chairman of RGE Monitor, an independent economic research firm.

Roubini, who is widely credited for predicting the current economic turmoil, was speaking at the Seoul Digital Forum.

“A more sober analysis suggests we’re closer to the bottom; there is light at the end of the tunnel, but it’s going to take a while longer, and the recovery is going to be weaker than otherwise expected.”

Once the recession ends, “U.S. economic growth is going to be below potential for at least two years,” he said, amid multiple imbalances in the housing sector and the financial system, and the rise of public debt.” [grifos meus]

Se isso é otimismo, não quero conhecer o pessimismo de Roubini.

The plot thickens.

Aparentemente o Sr. K está envolvido realmente em um enredo digno de Franz Kafka.  O Sr. K, como já estão sabendo, é o libanês, comerciante de equipamentos de informática, preso por manter na internet um fórum com “mensagens antiamericanas”.  Deu no IG:

O Ministério Público afirma que o estrangeiro foi investigado pela PF baseado em informações do FBI (Polícia Federal dos Estados Unidos) de que ele era moderador de um fórum na internet, publicado em árabe, com mensagens antiamericanas.

A polícia teria conseguido confirmar a participação do investigado no fórum, mas não provado a ligação dele com organizações terroristas. 

(…)

K. mora em São Paulo, tem filhas e uma esposa brasileira. Ele ficou preso por 21 dias, mas já se encontra em liberdade.

Tem gente se queixando do cara estar solto.  Bom, que eu saiba, não é crime no Brasil propalar mensagens antiamericanas.  Ou anticubanas.  Então era bom que o FBI realmente tivesse mais balas na agulha contra K.

***

Quando o boi está sangrando na água, porém, dá trabalho segurar as piranhas.  Na Folha, Raul Jungman vem querer morder o seu pedaço:

O deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE) disse ontem que pedirá a realização de uma audiência pública conjunta das comissões de Segurança Pública e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados com representantes do governo para discutir a prisão do libanês.

“O sistema de controle de entrada de terroristas no país é um verdadeiro queijo suíço. O Brasil passou a atrair esses elementos em razão da política externa do governo de aproximar-se de regimes autoritários do mundo árabe”, disse Jungmann.”

Deve ser por isso que o Partido de Jungmann oferece bolsas de estudo para estudantes de medicina irem aprender a medicina popular e revolucionária em Cuba; o partido se dá o direito de escolher, afinal, de quais regimes autoritários aproximar-se.

***

Mas voltemos à vaca fria.  Uma coisa que eu gostaria de saber realmente é porque motivo o FBI vem aqui ao Brasil se preocupar com alguém que mantém um site antiamericano, quando aparentemente fica impotente contra brasileiros que mantém sites racistas nos EUA, em nome da liberdade de expressão.  Duvidam?

Em 2006, a Polícia Federal, em cooperação com a polícia argentina, foi à cata de grupos neonazistas que instilavam discurso de ódio em sites instalados em servidores argentinos.  Os sujeitos migraram seus sites para os EUA, segundo fontes como o blog Mídia Judaica:

Muitas comunidades nazistas expulsas do Orkut estão em outros provedores semelhantes, ao que consta mais de 14 brasileiros e mais de 300 em todo o mundo. Expulsar alguém do Orkut significa apenas motivar esta pessoa ou comunidade a ir para um local mais protegido e continuar com suas atividades criminosas. Esse foi exatamente o caso dos sites nazistas brasileiros (somente) expulsos do provedor argentino http://www.libreopinion.com – mesmo 3 meses antes da expulsão, o http://www.valhalla88.com já estava de malas prontas para se mudar para os Estados Unidos onde permanece muito ativo e intocável.

 Diz o relatório do Ministério Público de São Paulo referente a uma outra ação (contra o Google) onde a parte agravada lançou mão do argumento da extraterritorialidade para evadir-se da lei brasileira:

As legislações dos Estados Unidos são sabidamente mais complacentes com as manifestações de ódio doque a nossa. No Brasil, a Constituição ordena a repressão ao racismo e aLei Federal n.º 7.716/89 tipifica as condutas de “praticar, induzir ou incitar adiscriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedêncianacional” e de “fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos,emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruzsuástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo”. Nos EUA, a interpretação dada pela Suprema Corte à 1ª Emenda Constitucionalautoriza amplo leque de manifestações ofensivas. Não por outro motivo, muitos sites de organizações neonazistas brasileiras estão hospedados em provedores estadunidenses. Em um deles, a página inicial exibe o seguinte“aviso”:

“O PRESENTE SITE, WHITE POWER SÃO PAULO, NÃO ESTÁ HOSPEDADO EM SERVIDORES BRASILEIROS,LOGO, NÃO RESPONDE ÀS LEIS DO MESMO. O site está hospedado em um servidor norte-americano, logo, RESPONDE ÀS LEIS AMERICANAS, por isso ESTAMOS PROTEGIDOS PELA CONSTITUIÇÃO NORTE-AMERICANA, através da PRIMEIRA EMENDA.”

Então tá combinado:  Quer dizer que se o cara é árabe e tem um site antissemita no Brasil, pode ficar em maus lençóis, mas se é brasileiro descendente de alemães ou italianos e tem um site antissemita nos EUA, então tudo bem.

Pois é, Idelber e Sergio Leo estão engalfinhados (no bom sentido, sem luta greco-romana, é claro) em uma disputa sobre o papel da mídia vis a vis a Vida, o Universo e Tudo o Mais ((c) Douglas Adams).

Diante de um debate tão candente, é claro que seria uma grande sacanagem com os contendores aproveitar a situação e dar uma de “tertius” prudente, sopesando as duas posições e saindo pelo “caminho do meio”.  Por isso mesmo, é isso o que eu vou fazer.   :)

Penso que Idelber e Sergio Leo se colocaram, talvez até por força das circunstâncias, nos pólos opostos da discussão, levados um por sua posição profissional, outro pelo radicalismo que a cátedra permite.  Além é claro da própria dinâmica desse tipo de debate, que incita à polarização.

Olhando de fora, acho que cada um tem parte da razão _ como no conto dos cegos tateando o elefante.  Idelber está corretíssimo em chamar a atenção para o caráter oligopolizado dos meios de comunicação que importam (a MSM – Mainstream Media), e a decorrência óbvia de que dado o seu papel de formador de opinião em uma democracia de massas, a mídia está perpassada por interesses políticos e econômicos às vezes inconfessáveis, às vezes demasiadamente confessados.  Por outro lado, o Sergio Leo, que está dentro da indústria, não deve ter dificuldade de testemunhar que o princípio da maximização do lucro às vezes faz com que um grupo de mídia desenvolva várias “vozes”, para cobrir todo o mercado, independente de sua coloração política.  É isso talvez que faz com que por exemplo o jornal Valor, onde ele trabalha, seja um bicho bem diferenciado tanto da Folha quanto do Globo, que são sócios na sua propriedade.

Eu, por minha vez, trabalhando no governo, estou em posição privilegiada para detectar certos movimentos estranhos, como quando jornais imprimem, com toda a aparência de notícia, matérias que se fossem prisioneiros de Guantânamo confessariam suas intenções só com um cafuné.

Já debati essa questão da mídia inumeráveis vezes, e tenho uma posição que é a seguinte:  a) a MSM tem muito poder; b) mas a MSM não tem TODO o poder; c) não existe objetividade na mídia; d) mas pode haver uma competição pelos fatos na mídia, que levem o leitor cada vez mais para perto de uma “verdade” _ de preferência uma que seja “hand made“.

Sem dúvida, há gente séria por aí que diz que o “mercado de idéias” (que é do que estou falando), assim como outros mercados, também é suscetível a falhas (se bem que tem quem inverta a história também).  Na minha humilde opinião…sem dúvida que sim.  Mas eu acho que um mix apropriado de regulação e competição pode melhorar muito esse desempenho.  Por isso atenção no Confecom, a Conferência Nacional de Comunicação que vai rolar no fim do ano, e que Reinaldo Azevedo já anda dizendo que tem “nome de exame laboratorial de latinha” _ e de fato ele está justificado em temer o negócio, talvez antevendo que acabe sendo “examinado”.

Via Slashdot:

“The Japanese Odin 99 handset isn’t a regular video-enabled phone. It’s geared, perhaps somewhat ironically, towards the Buddhist geek. Aside from regular cell phone features, a dedicated button loads a private, customizable, animated altar on the phone’s screen. The idea is to allow Buddhists to perform their dedications conveniently on-the-go. You can simulate incense burning, purification rites and play music to help you meditate wherever you happen to be. The question is, does such a device somewhat negate the values a Buddhist would stand for?”

Aí, é claro que eu resolvi verificar se algo assim existe para outras religiões, certo?  Batata:

“O website Crystal Icing resolveu criar o iPhone Jesus Phone, já que nessa loucura toda que envolve o iPhone, algumas pessoas o nomearam telefone de Jesus. A diferença desse iPhone são os cristais de Swarovski e mais de 3000 Tiny SS7 foram individualmente afixados ao aparelho. Você pode escolher como customizar o seu iPhone por USD$295.”

Creio que as mesmas reservas quanto à qualidade paradoxal do Budafone se aplicam ao Jesusphone.

Mas é claro que a coisa não pára aí:

Muslim phone calls faithful to prayer

Dutch Muslims are the first in Europe to benefit from a mobile phone which offers five daily prayer-time reminders, points the faithful in the direction of Mecca and has a copy of the Koran in both English and Arabic.

The Ilkone (universe) is already on sale in Asia and the Middle East, and will shortly hit the prayer mats of France, Germany, Italy, Denmark, Belgium and Bosnia.”

Tem mais:

The Kosher Phone: Does Nothing, Especially on Saturday

Yes, it sounds made up, but the Kosher Phone is real. How, you may ask, does a phone become Kosher? First, it blocks access to 10,000 sex and dating lines. Second, kosher-to-kosher calls are just two cents a minute, compared to the standard nine and a half cents.

Third, and best, is that you get stung for using it on the Sabbath. Any calls placed on the Day of Rest will cost a huge $2.44 a minute.

The phone is also completely stripped of functionality: no text messaging, no Internet access, no video options, no camera. The idea is not new. Kosher phones have been around for years, as have other religious-themed handsets, such as the Mecca Phone, which points, you guessed it, to Mecca, allowing prayer to be carried out properly.”

***

No entanto nenhuma religião, ao que parece, já criou um celular capaz de falar com o Altíssimo.

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Vou confessar: um de meus prazeres secretos é acompanhar a coluna da Angela Klinke, a “Blue Chip”, no Valor.  Pronto, falei.

Querem ver?

O cerco da projeção. O objetivo da Soap é exterminar aqueles desavisados da plateia que dormem durante a apresentação do chefe. Fundada há seis anos, a empresa é especializada em criar apresentações caprichadas em power point. Já trabalharam para 400 clientes e fizeram 4 mil apresentações. Este ano abriram escritório em Portugal, onde já atenderam a Portugal Telecom e o Benfica, entre outros. A intenção é, a partir do escritório português, atuar em outros países, como Espanha e Holanda. “Transformamos o power point em uma mídia estratégica para pequenas ou grandes audiências porque percebemos que as apresentações eram sub aproveitadas”, explica João Galvão de Sousa, sócio presidente. Eles tratam o conteúdo da apresentação como um roteiro e ainda dão treinamento para o apresentador, na maioria das vezes, um executivo. “São explanações que podem definir a decisão do interlocutor. Pensamos estrategicamente. Muitas vezes o objetivo é conseguir marcar a segunda reunião”, diz Eduardo Adas, sócio diretor. Entre os clientes estão Vivo, Telefônica, Companhia Vale do Rio Doce, Petrobrás, AmBev, Bradesco, ABN Amro Bank, Microsoft, para quem fizeram o lançamento do Windows Vista, no Lincoln Center, em Nova York.” [grifo meu]

“Soap” quer dizer “State of Art Presentations”.  Você duvidava que alguém conseguisse viver de apresentações em PowerPoint?  É?  Pois é.  E, convenhamos, fazer uma apresentação em PowerPoint para a Microsoft…is quite something.

Outra:

As mais salientes. A mulherada quer ganhar a frente de peito aberto. A fabricante Silimed viu as vendas da prótese de silicone de perfil cônico – as que deixam os seios mais empinados- crescerem 230% neste primeiro trimestre comparado ao mesmo período do ano passado. De janeiro a março foram vendidos 1155 implantes e os tamanhos mais procurados são de 305ml e 285ml. Para o infinito e além.”

Agora, imagina juntar as duas coisas.  Que loucura!

O paraíba fez um post sobre o Twitter.

Pra dizer que não tem tempo de twittar.

Pô, mas o post que ele escreveu pra isso dava pra exatas 30,6 twittadas.

Deixa de ser preguiçoso, paraíba!   :)

(*) to twitter = pipilar, gorjear, chilrear

Sabem, eu tenho uma história triste pra contar.

Bom, vá lá, não é tão triste, é até engraçada, sob certo ponto de vista.

Quando eu tinha aí uns 17, 18 anos, tinha uma turma de amigos bem politizados no Rio.  Mas politizados assim de uma forma esquisita.  Havia, por exemplo, o Edson (todos os nomes são falsos, e tal), que passou para História na PUC e era brizolista.  E tinha o maior amigo dele, o Cleverson, que estudava, sei lá, não me lembro o que ele estudava.

O Cleverson era um cara engraçado, mas, digamos, não muito inteligente.  Ele também tinha um pendor por coisas do campo (aliás, acho que ele fez foi Veterinária).  Ele idealizava a vida no campo, para dizer a verdade: seu ideal era o do homem rústico e autosuficiente.  Como ele não era muito inteligente, não percebia que uma parte considerável das constantes visitas que a turma teimava em fazer à sua casa devia-se menos à sua popularidade do que ao fato de que ele tinha uma irmã adolescente mutcho gostosa, que todos gostávamos de espiar quando andava “inocentemente” de camisola pela casa.

Já o Edson era muito inteligente, e o que era pior, era dono daquele tipo de inteligência ardilosa, matreira, maliciosa, enfim, era um bom filho da puta.  E uma das coisas em que o Edson era realmente exímio era em manipular o pobre do Cleverson.

Bem, estávamos em pleno ano de 1980 e a Revolução Iraniana incendiava bandeiras americanas e as imaginações de algumas pessoas influenciáveis.  Uma delas foi o Cleverson, que achou o máximo o conceito de homens barbados unidos em torno de um ideal, que no caso, era vencer o Satã norte-americano.

[uma coisa que muitos de vocês não acreditarão é que nessa época eu formava na “ala da direita” dessa turma.  Eu aliás costumava ser brindado com a frase “ele é bacana mas é de direita” em inúmeras ocasiões, uma delas ao visitar a casa da namorada de um amigão que no momento em que a frase foi pronunciada (assim que cheguei)  servia de abrigo para uma confraternização de umas 10 arquitetas maravilhosas da Libelú.  Esse amigo adorava queimar meu filme]

Pois o Edson, o manipulador safado, fazia o curso de História nesse momento e tinha várias dúvidas sobre o que seria uma República Islâmica.  E ele achou um jeito extremamente seguro de sanar suas dúvidas, em um tempo em que não existia internet nem wikipedia: ele convenceu o Cleverson de que a Revolução Islâmica era uma coisa fantástica, sem precedentes, e que ele devia escrever umas cartas para o governo iraniano em Teerã fazendo inúmeras perguntas sobre o objetivo da Revolução, a forma de organização do novo governo, e tals.

O bacana da história é que o raio do governo iraniano realmente respondeu as cartas.  Havia algum iraniano sem o que fazer no governo que sabia português e respondia TODAS as cartas do meu amigo.  Isso foi surpreendente para várias pessoas, inclusive os amigos do Cleverson.  E também para os agentes do SNI que deviam ler as cartas com dedicada atenção, já que TODAS as cartas chegavam violadas, lacradas, e com o selo da Presidência da República (brasileira).  Não custa lembrar que em 1980 vivíamos ainda em um governo militar, que os loucos anaeróbicos hoje acham que era de esquerda, mas não era não.

Jamais saberemos se essas cartas, e a atenção das forças de segurança brasileiras, causaram algum problema para o Cleverson.  Mas o que sabemos é que ele se apaixonou tanto pela idéia que converteu-se ao Islã e foi morar em uma cidade da serra fluminense dedicado a levar uma vida rústica e penitente a Alá.

***

Perdi o Cleverson de vista há muito tempo, é claro.  Mas eu não me surpreenderia muito se fosse ele o protagonista desse post da Nariz Gelado:

(…)Pois me parece que hoje todos estes delírios, grandes e pequenos, devem calar diante do artigo de Jânio de Freitas para a Folha de S. Paulo. Porque ele dá conta de que foi preso, em São Paulo, um integrante da alta hierarquia da Al Qaeda.

Segundo Freitas, não consta que o sujeito estivesse planejando ações terroristas no Brasil. Mas a coisa toda – inclusive a prisão – corre em segredo porque “a importância do preso se revela no grau de sua responsabilidade operacional: o setor de comunicações internacionais da Al Qaeda”. Ele também observa que “tal atividade sugere provável relação entre recentes êxitos do FBI e a prisão aparentemente anterior feita em São Paulo. Há cinco dias, o FBI prendeu por antecipação os incumbidos de vários atentados iminentes nos Estados Unidos, inclusive em Nova York”. (assinantes podem ler a matéria completa aqui).

Infelizmente para a Nariz e o restante da excitável blogoseira anaeróbica brasileira, a coisa foi devidamente esclarecida em uma nota do Ministério Público:

Sobre a coluna de Jânio de Freitas, intitulada, “Al Qaeda no Brasil”, publicada hoje pela Folha de S. Paulo, o Ministério Público Federal em São Paulo esclarece que:

1) A Polícia Federal recebeu informações do FBI sobre a existência

de um fórum fechado da internet, publicado em língua árabe, com mensagens discriminatórias e anti-americanas. A PF tinha a informação de que parte dos conteúdos eram postados a partir do Brasil;

2) Após a quebra de sigilo telemático, foi confirmado que um

cidadão de origem árabe, residente no Brasil, era o moderador do fórum e que este poderia estar ligado a algum grupo terrorista;

3) Uma vez quebrado o endereço de IP do investigado, foi autorizada

a quebra de sigilo telemático, para interceptação das mensagens;

4) Após novas manifestações policiais, com a concordância do

Ministério Público Federal, foi decretada a prisão preventiva do investigado e a busca e apreensão dos computadores usados por ele;

5) A Polícia Federal, entretanto, até o momento, não apresentou

nenhum laudo que comprove a existência de conteúdo criptografado no computador do investigado e não foi comprovado que o homem preso em São Paulo, é membro de qualquer organização terrorista;

6) Foi juntado aos autos ofício do Federal Bureau of Investigation

(FBI, a Polícia Federal americana), no qual o FBI apenas pediu para receber informações sobre o caso para fins de inteligência;

7) A 4ª Vara Federal Criminal de São Paulo, decidiu que a prisão do

cidadão de origem árabe, após 21 dias, já não atendia mais os pressupostos legais para uma prisão preventiva. Foi consignado que o investigado vive em situação regular no país, com comércio e residência fixos em São Paulo, não possuindo pendência imigratória;

8) A investigação apontou que o fórum era organizado e possuía

estatuto e que nada era publicado sem autorização do homem preso, entretanto não há indício de que esse grupo integre ou tenha praticado qualquer ato de uma organização terrorista. Não foram apreendidas armas, documentos secretos, planos, etc;

9) O MPF entende como deplorável o material publicado pelos

integrantes do fórum e, por meio do Grupo de Combate a Crimes Cibernéticos, atua há anos contra crimes contra os Direitos Humanos na internet, como os crimes de ódio. Tais mensagens de incitação à violência, ódio a americanos e intolerância religiosa, continuam sob análise do Ministério Público Federal, de forma serena, em busca da verdade real dos fatos e da correta aplicação dos pressupostos de um Estado Democrático de Direito.

Razão pela qual tornam-se imediatamente clássicos de hilaridade involuntária certos posts escritos por anaeróbicos como Nariz Gelado:

O Brasil, como se sabe – e como o pessoal que ficou fulo da vida com aquela campanha do Burger King teima em negar – é o refúgio ideal para bandidos internacionais. E isto é assim desde que os nazistas vinham até aqui para se esconder. E é assim por motivos vários, que vão desde a malemolência das nossas autoridades, passando pelo total abandono das nossas fronteiras e culminando com a nossa alardeada diversidade étnica – o que permite que qualquer criatura, sem levantar a mínima suspeita, possa se passar por brasileiro. E o Bush, vejam só!, não tem culpa de que assim seja.”

Gilmar volta à carga:

Mendes critica discussão sobre o 3º mandato

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, reforçou ontem as críticas à possibilidade de um terceiro mandato para o presidente Lula ao dizer que a discussão sobre o tema é casuísmo e sua possível aprovação, uma “lesão ao princípio republicano”.

Ele também criticou a sugestão de estender em dois anos os mandatos que terminam em 2010, que já foi rejeitada na Câmara: “As duas medidas têm muitas características de casuísmo e, por isso, vejo que elas dificilmente serão referendadas ou ratificadas pelo STF”.

Segundo Mendes, o debate sobre o terceiro mandato é diferente daquele que permitiu a aprovação da emenda da reeleição, que permitiu a recondução de Fernando Henrique Cardoso: “A reeleição é uma prática de vários países democráticos, mas a reeleição continuada -que pode ser a quarta, a quinta-, não”, disse.

Gilmar pensa que está comprando uma briga com o Executivo, mas na verdade está afrontando é o Legislativo.  A possibilidade de um terceiro mandato é objeto de emenda constitucional e não tem de ser “referendada ou ratificada” pelo STF.  Quando muito, um deputado ou senador poderia entrar com um mandado de segurança no STF quanto ao trâmite de uma PEC nesse sentido, mas somente no que diz respeito à processualística, não quanto ao mérito da proposição.

Especialmente especiosa é a última afirmação.  Um país é ou não democrático segundo o processo decisório que adota, não quanto a características determinadas de sua legislação.  Nos EUA a reeleição continuada já foi possível e nem por isso se pode dizer que aquele país tenha sido “menos democrático” do que é hoje por causa disso.  E quanto ao casuísmo ou não da primeira emenda constitucional da reeleição, reproduzo abaixo matéria da Veja contemporânea das negociações daquela época, para que os leitores possam apreciar devidamente se houve ou não casuísmo naquela medida…

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Matéria do NYT diz que Obama já tem uma lista restrita de nomes para substituir o juiz Souter, que está deixando a Suprema Corte.

São quatro mulheres: duas juízas federais das cortes de apelação, Sonia Sotomayor de New York e Diane P. Wood de Chicago, e duas que já têm cargos em seu governo,  a “advogada geral da União” Elena Kagan e a Secretária do Departamento de Segurança Janet Napolitano.  Segundo o NYT, nenhuma delas agrada em cheio à esquerda do partido democrata.  O que pode ser uma boa coisa.

O Balkinization tem falado exaustivamente sobre a estratégia de Obama para preencher o cargo.  Em um post recente, sugere que esta é uma decisão que tem que ser tomada ao longo de três eixos: primeiro, o eixo-x, ou seja, o quanto o candidato representa de fato as posições que o Presidente gostaria de ver prosperarem na Suprema Corte; segundo, o eixo-y, o quão provável é que o candidato tenha sucesso no ritual de confirmação no Senado; e finalmente o eixo-z, que representa a capacidade que o candidato terá de convencer seus colegas na Suprema Corte sobre suas teses, formando maiorias.

Evidentemente, mesmo que Obama fosse  a ressurreição de Lênin sobre a Terra, ele teria que abrir mão da posição ideal no eixo-x em prol de um melhor posicionamento nos eixos y e z, dadas as atuais realidades políticas do Congresso e da Suprema Corte.  Então, não é de se estranhar que a extrema esquerda fique frustrada.   Se ela quiser, que crie o P-Sol, filial EUA (mas eu suspeito que a “extrema-esquerda” dos EUA seja algo muito menos radical que o P-Sol).

O autor do post no Balkinization, David Stras, acredita que é muito difícil avaliar alguém quanto a seus méritos no eixo-z, ou, em suas palavras, “prever ex-ante qual a capacidade do candidato de influenciar os outros Justices”.  No entanto, isso pode não ser tão difícil assim. Este post de Lee Epstein no próprio Balkinization fala de dois estudos que mostram que a presença de juízas mulheres parece ter um efeito real sobre o resultado de julgamentos que dizem respeito a situações de discriminação sexual.  Se isso for verdade, a nomeação de uma mulher no lugar de Souter restora um equilíbrio perdido com a substituição de O´Connor por John Roberts.

Se a lista se restringir a esses nomes mesmo, Elena Kagan pode ter uma vantagem no eixo-x por ser uma defensora intimorata de maiores poderes presidenciais.  Mas Sonia Sotomayor e Diane P. Wood têm um outro trunfo a seu lado: como já são juízas, estão sujeitas ao grande teste que Bush impingiu aos seus indicados, que é o de terem um “currículo” de decisões alinhadas com seu gosto ideológico.  Por isso, Obama pode decidir com mais conforto se elas teriam na corte um comportamento mais representativo de sua própria posição.  A ver…

***

Um tópico que ainda não vi tratado com cuidado, porém, é a questão da diferenciação de estilo político entre homens e mulheres.  Por exemplo, quem será um melhor “construtor de coalizões”, um homem ou uma mulher?  A literatura gerencial sobre o tema costuma tecer loas à participação feminina nos altos rankings gerenciais, mas eu realmente nunca vi um estudo científico sobre o tema.  Alguém conhece algum?

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O Financial Times traz um artigo comparando o presidente eleito da África do Sul, Jacob Zuma, ao Presidente Lula.  O contexto é o de que assim como Lula surpreendeu os analistas internacionais ao vencer as eleições de 2002 e governar de forma fiscalmente responsável, Zuma também poderá surpreender seus críticos, fazendo um governo centrista e menos populista do que se espera.

A ver, já que Zuma é o homem que acha que uma ducha quente espanta a AIDS…

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Os mais verdinhos, contrario senso, são os menos esperançosos (clique para ampliar)

Saiu o mapa do otimismo mundial.  Nações mais otimistas:

  • Irlanda
  • Brasil
  • Dinamarca
  • Nova Zelândia

Os EUA aparecem na chickenlittlística décima posição.   Os países mais chickenlittlísticos são o Zimbabwe, o Egito, o Haiti e a Bulgária.

O estudo é fruto de uma associação entre a Universidade do Kansas e o instituto Gallup, e foi apresentado hoje no encontro anual da Association for Psychological Science em San Francisco.

Um dos resultados do estudo, que surgiu da entrevista de mais de 150.000 adultos representando mais de 95% da população mundial,  é que o otimismo é uma caracterísitca universal.   89% dos entrevistados acham que os próximos cinco anos serão melhores ou tão bons quanto a situação atual, enquanto 95% acham que sua vida será tão boa ou melhor quanto a que tiveram nos últimos cinco anos.

***

Pelo mapa dá pra sentir que o clima não é dos melhores na África, o que explica uma reportagem que saiu no Financial Times de hoje onde as Nações Unidas alertam para um tipo especial de neocolonialismo: vários governos africanos estão praticamente dando terras para empresas estrangeiras.  As estimativas do estudo (envolvendo países como a Etiópia, Gana, Mali, Madagascar e Sudão)  apontam para a cessão de algo como 2,5 milhões de hectares (metade da terra arável na Inglaterra); outras estimativas, envolvendo a África, a América Latina e a Ásia, apontam até 12 milhões de hectares (equivalente a metade da Itália).  As terras são cedidas em troca da promessa de investimentos em infra-estrutura e criação de empregos, mas a análise dos contratos revela que eles são notoriamente simples e mal-feitos, o que implica em que o país que cede as terras fica com poucos instrumentos para forçar a realização das contrapartidas.

Os maiores investidores são a Arábia Saudita e a Coréia do Sul, países interessados em garantir sua segurança alimentar.

Isso é má notícia para muita gente, mas talvez mais ainda para os ambientalistas (um dos projetos envolve a ilha de Madagascar, um santuário de biodiversidade que vem sendo rapidamente consumido) e o Brasil, que apesar do seu otimismo corre o sério risco de encontrar em breve uma grande competição no setor de commodities.  Hora de vender Brasilfoods…   :)

Um dos pontos quentes que vão ser debatidos na CPI da Petrobrás é a questão das “compras sem licitação”. Nesse caso é bom entendermos direito os aspectos legais dessa questão, no que diz respeito à Petrobrás.

A Lei nº 9.478/97, também conhecida como Lei do Petróleo, reza, em seu artigo 67,  que “os contratos celebrados pela Petrobras para aquisição de bens e serviços serão precedidos de procedimento licitatório simplificado, a ser definido em decreto do presidente da República“.

Esse decreto presidencial citado no artigo 67 entrou efetivamente em vigor, vindo a ser o Decreto nº 2.745/98.  Portanto, desde essa época, a Petrobrás aplica, para realizar suas compras, um regulamento simplificado para realizar licitações.  Como os mais argutos não deixarão de observar, esse Decreto foi editado ainda pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso.

Para complicar, existe uma liminar do STF que respalda o uso do regulamento simplificado pela Petrobrás.  E quem decidiu isso foi ninguém mais ninguém menos do que…o Ministro Gilmar Mendes.  A justificativa é que a Petrobrás é uma estatal que exerce atividade econômica, e não serviço público.  Como tal tem que ter condições de concorrer em igualdade com as empresas privadas, que não estão sujeitas aos rigores da Lei 8.666, a Lei de licitações.

E, no que diz respeito à Lei de Licitações, a verdade é que há 13 anos atrás os tucanos diziam o seguinte pela boca do Ministro Luiz Carlos Bresser Pereira:

O governo federal está terminando um novo projeto de lei de licitações. A atual lei, 8.666, é recente, mas hoje já existe uma quase unanimidade nacional de que precisa, com urgência, ser profundamente mudada, senão substituída por uma lei nova. Por que falhou a 8.666? Essencialmente, porque, ao adotar uma perspectiva estritamente burocrática, ao pretender regulamentar tudo tirando autonomia e responsabilidade do administrador público, atrasou e encareceu os processos de compra do Estado e das empresas estatais, sem garantir a redução da fraude e dos conluios.

(…) Existe hoje uma unanimidade no governo e no serviço público, em todos os seus níveis, de que é preciso reformar essa lei. Só não compartilham dessa convicção burocratas empedernidos e principalmente alguns pequenos empreiteiros que se beneficiaram indevidamente da radical eliminação das exigências de capacidade técnica através do veto do Presidente Itamar Franco. Estas pessoas argumentam que o grande problema é evitar a corrupção do administrador público. E para isto bastaria estabelecer regras detalhadas na lei de forma a cercear ao máximo o subjetivismo dos administradores.”

É isso aí.  O projeto tucano nos áureos tempos de FHC era o de flexibilizar a 8.666, não de exigir seu cumprimento ao pé da letra.

Quem trabalha no serviço público sabe, de fato, que a Lei de Licitações às vezes leva a situações kafkanianas.  É verdade, porém, que uma parte expressiva das reclamações contra a 8.666 surgem por causa do mau planejamento.  Em todo caso, porém, acho razoável afirmar que uma empresa precisa realmente de mais flexibilidade.  Assim, acredito que o que está na mira da oposição ao realizar a CPI da Petrobrás _ além de bater tambor, é claro _ talvez seja enrijecer a atuação da estatal visando segurar o pré-sal e os investimentos da empresa.  Já que como reconhece o próprio Reinaldo Azevedo, os investimentos da estatal afiguram-se como uma parte expressiva de todo o pacote de estímulo do governo, “engessá-lo” é uma prioridade para aqueles que querem disfarçar o “quanto pior melhor” sob a égide da moralidade…

Com a estréia de Terminator Salvation nos EUA, há um certo frenezi na imprensa a respeito de robôs e inteligência artificial em geral.  Ainda assim, isto aqui é…preocupante:

P.W. Singer’s latest book, Wired For War: The Robotics Revolution and Conflict in the 21st Century, is exciting, fascination and frightening. Singer covers the history of robotics for warfare (and robot history in general) before delving into the dizzying plethora of robotic systems being developed and/or used at a tremendously accelerated rate.

With loving detail, Singer describes all the new awesome bot warriors and the players involved in creating them. At the same time, he explores the horrors and dangers — both potential and current — and raises the alarming and increasingly unavoidable ethical issues that are bubbling to the surface as war increasingly becomes robot war.”

Tá de bom tamanho?  Mas tem mais:

h+: What were some of the more impressive or frightening things that you discovered about robotics in warfare that you discovered in researching the book?

PWS: It’s impressive when you break it into three different directions that robotics and war are headed in. For one thing, there’s the raw numbers, in terms of the use of these robotic systems. We’ve gone from a handful of drones during the Iraq invasion to more than 7,000 now in the U.S. military inventory. On the ground, we had zero unmanned vehicles before the invasion of Iraq. We now have over 12,000. And this is just the start.

(…)

The second impressive aspect of this is the new size and shapes — the forms that these robots come in. (…)

The third impressive aspect is their ever-greater intelligence and autonomy. We’ve gone from having systems where we remote controlled every single thing that they could do to systems where the human role is more managerial or supervisory. We’re slowly pushing ourselves outside of the loop. (…)

E então…tchan tchan tchan tchan…

h+: ….which raises the inevitable Terminator question. Did you see anything that made you think of that film, particularly?

PWS: Oh, god. You know, what didn’t? I mean, I can think of just wonderful layers of anecdotes upon anecdotes about that.

I’ll give you four things that sort of jumped out at me and that I write about in the book. For one thing — it’s interesting where the scientists get their ideas about what to build. There’s a section in the book about the role that science fiction is playing in directly influencing battlefield reality. And I went around interviewing not just the scientists who design and build these systems, but the science fiction creators who inspire them. And I recall one of the scientists talking with incredible admiration about the robots in the opening scene of Terminator 2, where the robots are walking across the battlefield. This is basically what Terminator Salvation is about — that’s the world that movie is going to play in, right? And he was like: “This is incredibly impressive stuff.” You know, yeah, it’s stepping on a human skull, but it’s still really impressive.

Another scientist talked about how the military came to him and said, “Oh, we’d like you to design the hunter-killer drone from the Terminator movies.” Which, you know, is kind of incredibly scary, but it makes perfect sense from another perspective in that if it’s effective for SkyNet, their thinking is: “Well, it could be really neat in our real-world battlefields.

Well.

Devo confessar primeiramente que meu objetivo neste post era fundir essa história da H+ Magazine com um post que achei na internets sobre um tema interessante, que é o vínculo entre realidade, imaginação e invenção.  Infelizmente, perdi o miserável do link.  Mas a formulação geral tinha um caráter epistemológico, onde a questão era a de saber se um certo paradoxo posto por Aristóteles (?) tinha sentido.  O paradoxo era o seguinte:  se uma determinada idéia X está em nossa mente, então não podemos discuti-la, pois a conhecemos inteiramente.  Porém, se uma determinada idéia X NÃO está em nossa mente, então não podemos discuti-la, pois a desconhecemos inteiramente.

O sujeito do post se saía, se bem me lembro, dizendo que, na verdade, podemos ter uma idéia X em nossa mente e ainda assim discuti-la, pois a idéia pode estar “incompleta” _ e que o paradoxo é só resultado de um jogo de palavras de Aristóteles.

Foi aí que me lembrei de uma das idéias mais interessantes que já vi no cinema, que é o Terminator T-1000 do Terminator 2.  Ele é interessante porque trata-se de uma idéia simples, mas, por tudo o que conhecemos, inexequível.

Na verdade exemplos assim abundam.  Uma boa parte das “invenções” de Julio Verne em seus romances se mostraram viáveis, mas, ao seu tempo, ele provavelmente não tinha a menor idéia de como elas funcionariam.

Assim, existe uma “razoabilidade” abstrata em algumas antecipações, a despeito de sabermos ou não como chegar lá.

E o que é estranho é que talvez a interação entre ficção científica e pesquisa científica esteja começando a tomar a forma de uma “profecia auto-realizante”.   Aliás, esta matéria no NYT de ontem vai nesse diapasão:

Profiled in the documentary “Transcendent Man,” which had its premier last month at the TriBeCa Film Festival, and with his own Singularity movie due later this year, Dr. Kurzweil has become a one-man marketing machine for the concept of post-humanism. He is the co-founder of Singularity University, a school supported by Google that will open in June with a grand goal — to “assemble, educate and inspire a cadre of leaders who strive to understand and facilitate the development of exponentially advancing technologies and apply, focus and guide these tools to address humanity’s grand challenges.” [grifo meu]

Mas tudo isso pode ser só paranóia matinal.  :)

blogra

O blog do Tio Rei sofreu um lifting! Agora, ele aparece sem chapéu e com (algum) cabelo.  Vai ver é inveja da peruca da Dilma.

***

Logo acima de um post intitulado “Discurso Delinquente“, Tio Rei me apronta esta:

TAMANHO DA LETRA E ENQUETE

sexta-feira, 22 de maio de 2009 | 15:56

Vamos aumentar a letra do blog — isso a que se chama “corpo” no jargão técnico. Também achei que está pequena. Sobre a enquete, um aviso: o bloqueio se dá por IP. Se você trabalha numa empresa com vários computadores, infelizmente, só uma pessoa poderá votar. Sei que é chato, mas não vou mudar por uma razão simples: isso dificulta a formação de correntes para fraudar enquetes. Se você não conseguir votar na sua empresa, deixe para quando chegar à sua casa. Ainda há alguns probleminhas na liberação de comentários. Mas já estamos trabalhando para eliminá-los.

Deixovê se eu entendi: Tio Rei está estimulando seus leitores a acessarem seu blog DO TRABALHO??  É isso?

Pensei que isso fosse pecado entre anaeróbicos.  Que coisa.

***

Em outro post, Tio Rei ameaça:

Atenção, Cassius,

Seu IP é nº 201.17.131.40.

Se você me chatear bastante, a gente volta a conversar no ambiente adequado.” [grifo meu]

Eu, hein.

O Pacheco, o canalha da repartição, disse que acha melhor esse Cassius tomar cuidado, mesmo.   :)

***

Tio Rei dedica dois posts àquela história do apoio do Itamaraty ao egípcio para a presidência da UNESCO.

Eu não sou um grande conhecedor dos assuntos diplomáticos, notoriamente escorregadios.  Mas eu não ficaria espantado se o apoio brasileiro ao tal egípcio também se justificasse mais pela razão de que o Brasil TEM um candidato viável à UNESCO, mas não deseja a direção da UNESCO, e sim de algum outro órgão que nossa diplomacia julgue mais importante _ já andaram falando em mandar o Celso Amorim para a agência de energia atômica.  Vá saber…

PS: fui lá conferir o que o Sergio Leo acha da história, mas ele está de sacanagem.  :)

A Dinha, do Angustiada Consciência, fez menção, em um comentário, ao site Sexocristão.com.   Bem, eu não poderia deixar de ir conferir.   E encontrei, encimando o site, esta imagem:

sexocristao

(clique para ampliar)

Tirem suas próprias conclusões.   :)

Z_Rodrix_Quem_Sabe_1974_capa

Quem quiser conhecer, aqui.

The stream is going mainstream.

_ Nick Carr

Pois é, o dileto colega blogueiro Animot, que vez ou outra fala de vacas, resolveu agora botar o bode na sala e gentilmente encarregou-se de botar na rua a pergunta que, devo confessar, eu mesmo já me fiz:  entro ou não entro pro Twitter, meudeuzi?

Afinal, há pouco tempo pude constatar na própria pele virtual e internética o pudê do Twitter: foi só o Idelber me citar no Twitter dele que meus page links deram um salto (momentâneo, é claro).  Se bem que esse talvez seja mais um tributo ao pudê do Idelber do que do Twitter, mas whatever.

E o Twitter é mesmo uma sensação: até um dos astronautas que está na já lendária missão de conserto do telescópio espacial Hubble tem twittado, para o delírio das hordas de nerds astronáuticos.

Ou não:

Mike Massimino, an astronaut on space shuttle Atlantis, is going to have to do some explaining to the Twitter community when he lands today at Kennedy Space Center. Turns out Massimino wasn’t really tweeting from space on the @Astro_Mike account. 

It was actually a NASA employee doing the micro-updating for him, and not even in real-time: Massimino writes his updates in space and then e-mails them to Houston. That means it often takes hours for updates to appear on the Twitter account, since e-mails are transmitted from the shuttle only a few times a day.

OK, talvez fosse mesmo pedir demais que um sujeito a mais de 300km de altura ficasse twittando em vez de trabalhar _ o homem hora dele deve sair meio caro para a Nasa.  O problema é que “ghost-writing” no Twitter está cada vez mais próximo da norma do que da exceção:

Twitter — a microblogging tool that uses 140 characters in bursts of text — has become an important marketing tool for celebrities, politicians and businesses, promising a level of intimacy never before approached online, as well as giving the public the ability to speak directly to people and institutions once comfortably on a pedestal.

But someone has to do all that writing, even if each entry is barely a sentence long. In many cases, celebrities and their handlers have turned to outside writers — ghost Twitterers, if you will — who keep fans updated on the latest twists and turns, often in the star’s own voice.

É claro que, diferentemente do Idelber, eu não sou uma celebridade.  Mas, por outro lado, diferentemente dele, eu sou um desconhecido que além disso é anônimo.  E quem vai querer seguir o Twitter de um anônimo que sequer consegue fazer um update decente no seu blog, que dirá no seu Twitter?  Se na internet ninguém sabe que você é um cachorro, no Twitter ninguém sabe que você pode sequer estar mesmo na internet.

E cá entre nós, se até o Departamento de Estado dos EUA tem um Twitter, quem sou eu para entrar nessa onda??  Afinal conheço poucas pessoas menos diplomáticas que eu.   :)

De qualquer modo, lá vai o resultado parcial da enquete do Animot.   Sem querer jogar um balde de água fria, mas jogando: arriscando-me contra a maioria, votei “Nunca”.  Vamos ver se mantenho o voto…    :)

hermetwitter

Deu no Telegraph:

Britain’s prized AAA rating under threat as S&P issues stark warning

Britain has moved a step closer to losing its prized AAA rating after a leading ratings agency downgraded the country’s outlook because of the deteriorating state of the public finances and political uncertainty over how to repair them.

Ratings agency Standard & Poor’s lowered the outlook to negative from stable. A lower rating would mean that S&P believes Britain is no longer fit to be in the club of top creditworthy nations, undermining its critical ability to borrow cheaply on financial markets.

The move by S&P came minutes before figures showed that the Government’s budget deficit hit £8.5bn in April, the most for that month since records began.

 Although S&P said lowering the UK’s outlook to negative “does not necessarily precede a rating change”, it added that the UK has a one in three chance of an actual cut in its ratings.

***

O que acontece se as agências de rating puserem a Inglaterra em AA é que uma montanha de capital vai ter que sair de lá, porque muitos fundos estão estatutoriamente impedidos de investir em riscos soberanos inferiores a AAA.

A City vai perder um bocado de seu lustre.

O blog do YouTube anuncia que o site chegou a uma nova marca: a cada minuto, são armazenadas 20 horas de vídeo em seus servidores.  

Apenas em janeiro, eram 15 horas, e em 2007, 6 horas.

Eis porque a gente acha ali coisas que até Deus duvida:

Ah, Olavo…ainda corrompendo menores.  Mas agora ele se excedeu na cara de pau:

Quase dez anos atrás a Fundação Odebrecht – no mais, uma instituição admirável – me perguntou o que eu achava de uma campanha para cobrar do governo um ensino de melhor qualidade. Respondi que era inútil. De vigaristas nada se pede nem se exige. O melhor a fazer com o sistema de ensino era ignorá-lo. Se queriam prestar ao público um bom serviço, acrescentei, que tratassem de ajudar os autodidatas, aquela parcela heróica da nossa população que, de Machado de Assis a Mário Ferreira dos Santos, criou o melhor da nossa cultura superior. O meio de ajudá-los era colocar ao seu alcance os recursos essenciais para a auto-educação, que é, no fim das contas, a única educação que existe. Cheguei a conceber, para isso, uma coleção de livros e DVDs que davam, para cada domínio especializado do conhecimento, não só os elementos introdutórios indispensáveis, mas as fontes para o prosseguimento dos estudos até um nível que superava de muito o que qualquer universidade brasileira poderia não só oferecer, mas até mesmo imaginar.

Minha sugestão foi gentilmente engavetada, e, com ou sem campanha de cobrança, o ensino nacional continuou declinando até tornar-se aquilo que é hoje: abuso intelectual de menores, exploração da boa-fé popular, crime organizado ou desorganizado.”

Não é fantástico?

no mais, uma instituição admirável

Quer dizer, a Fundação Odebrecht é admirável em quase tudo, menos por engavetar gentilmente a sugestão de Olavo, que era a de ser pago para vender à Odebrech sua coleção de livros e DVD´s com suas loucuras.

Em outras palavras, o capitalismo é legal até que um agente privado, empenhando em usar bem os seus cobres, se nega a dá-los a Olavo.  Aparentemente, Olavo detectou um novo tipo de falha de mercado…

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(clique para ampliar)

Na Islândia, resolveram botar as fotos dos burocratas e banqueiros envolvidos no desmanche financeiros do país para dar uma de mosquinha de mictório.

Não deixa de ser infantil.  Não deixa de ser uma boa idéia!

Eu logo vi que aquele papo do Hélio Costa ontem ocultava alguma surpresa para nosotros.  Deu na Teletime hoje:

Retirada da faixa de 700 MHz inviabiliza expansão da TV digital, diz Abert

quarta-feira, 20 de maio de 2009, 23h29

O setor de radiodifusão pretende brigar para manter a faixa de 700 MHz sob sua tutela e declarou guerra à Anatel nesta quarta-feira, 20, aproveitando o encontro das emissoras no 25º Congresso Brasileiro de Radiodifusão, organizado pela Abert. O vice-presidente de Relações Institucionais das Organizações Globo e consultor da Abert, Evandro Guimarães, criticou a possibilidade de a agência reguladora retirar a faixa usada hoje pelas radiodifusoras sem ao menos consultar outras instâncias, como o Legislativo. “Comenta-se todo dia que haverá uma supressão de faixas de radiofrequências ancilares porque isso seria favorável a serviços de telecomunicações pagos. Aqui no Brasil, a Anatel estuda retirar a faixa de 700 MHz”, afirmou Guimarães. “Essa retirada significaria deixar de expandir a TV digital para 3 mil municípios”, acrescentou.

Pelo decreto que estabeleceu a implantação da TV digital no país, a faixa de 700 MHz poderia ser recuperada pela agência a partir de 2016, prazo previsto para a conclusão da transição do sistema analógico para o digital. Acontece que, de fato, a Anatel vem estudando a possibilidade de antecipação da retirada desta faixa da radiodifusão antes desse prazo, segundo fontes da agência. De público, o órgão regulador já admitiu, em audiência recente na Câmara dos Deputados, que esta faixa é importante para a expansão do Serviço Móvel Pessoal (SMP). E que, junto com parte do 2,5 GHz, os 700 MHz deverão compor o bloco de radiofrequências que a Anatel deverá designar para a ampliação da capacidade da telefonia móvel, que correria o risco de entrar em saturação nos próximos anos.

Para Guimarães, a iniciativa, caso se confirme, fere os direitos dos cidadãos, na medida em que a Anatel estaria privilegiando um serviço privado e pago em detrimento de uma oferta aberta e gratuita como é a da televisão. Além disso, a oferta de TV digital em território nacional pode ser comprometida. “Aprovar isso seria criar um fosso entre os brasileiros que assistem hoje TV aberta em todo o país”, afirmou o consultor, alegando que a expansão do serviço para além das capitais pode deixar de acontecer. “(A Anatel aprovar isso) seria uma coisa simples, mas que deixaria todos nós muito irritados”, ameaçou Guimarães.

Não só a expansão da TV digital estaria em jogo. O Governo já cogita que os 700 MHz sejam usados como canal de retorno da TV digital, “pulando” as teles na prestação desta conexão necessária para a interatividade. Essa hipótese tem sido cogitada inclusive pela Casa Civil, que ainda não está segura de que esta faixa deve deixar de ser usada pela radiodifusão mesmo após 2016.”

***

Isso exige uma pequena explicação.

Hoje, a radiodifusão dos canais abertos está sendo feita em simulcast, isto é, os canais analógicos e digitais coexistem e estão sendo emitidos pelas antenas das emissoras, só que cada um em uma faixa diferente do espectro eletromagnético.  A razão disso é que é preciso que as pessoas vão se adaptando aos poucos à nova transmissão digital, comprando os set-up boxes que permitem a recepção da TV digital em seus aparelhos velhos ou comprando logo novos televisores que já têm a eletrônica para a recepção digital embutida.  Esse, evidentemente, é um processo longo, que se espera termine em 2016 no Brasil, quando haverá o que se chama de switch-off _ os canais analógicos serão “apagados” e só haverá a transmissão digital.

Na grande maioria dos países que estão fazendo a transmissão para o digital, a faixa de espectro onde era transmitido o canal analógico, depois do switch-off, volta para o governo, que faz uma redistribuição desse espectro para outros usos com maior valor social.   Em vários países, inclusive os EUA, esse espectro foi leiloado, trazendo um bom dinheiro para os cofres públicos.

O que as radiodifusoras brasileiras estão dizendo é que querem continuar com seu latifúndio de espectro.  Não querem devolver a faixa onde hoje é transmitido o analógico.  Isso, é claro, “em nome do público”.

O problema é que eles sabem que a TV aberta está morrendo aos poucos.  Com a expansão da banda larga e da tv por assinatura, a TV aberta terá cada vez menos audiência.  Então é praticamente certo que eles jamais manterão o uso dessa faixa adicional do espectro para a TV aberta e gratuita, principalmente porque a transmissão digital é muito mais eficiente e permite, dentro da mesma faixa onde ontem transitava um canal apenas, a transmissão de vários canais simultâneos, o que se chama no jargão de “multiprogramação” _ uma possibilidade contra a qual os radiodifusores já se manifestaram contrariamente inúmeras vezes, pois sabem que não existe nem conteúdo nem público para isso.

E a idéia da Casa Civil de usar a faixa do analógico para fazer o “canal de retorno” para a TV digital é simplesmente algo de má fé.  O chamado canal de retorno será usado para possibilitar a interatividade na TV digital _ isto é, te permitir comprar alguma coisa pela TV, ou interagir com serviços públicos, etc.  Pela sua natureza, o canal de retorno precisa de muito menos capacidade do que o canal de “download” por onde está vindo o vídeo e eventualmente dados.  Então é conversa para o boi dormir dizer que a manutenção de toda a faixa hoje empregada para a transmissão do analógico será necessária para o canal de retorno.

Olho vivo, pessoal da comunicação, porque isso é uma armação.  Ilimitada.

Mais uma fantástica ilusão de ótica.   O texto em PDF com o artigo aqui, um simulador da ilusão de ótica propriamente dita aqui.

O que sempre me fascinou relativamente às ilusões de ótica é que, se sabemos que um subsistema do sistema nervoso como o nosso aparato visual (do qual dependemos tanto e define, por assim dizer, nossa noção do que é a realidade) pode ser tão pouco confiável com relação à fiel reprodução dessa tal  “realidade”, nada impede que outros subsistemas abrigados em nossa caixa craniana padeçam do mesmo mal.   Tudo isso acontece porque, veja, o nosso designer não era realmente inteligente.  Nosso verdadeiro designer _ a seleção natural _ opera de modo misterioso, mas perfeitamente racional e inteligível: é um maximizador local, como prevêem os estudiosos que analisam processos adaptativos do ponto de vista de suas propriedades matemáticas abstratas.  E, em sendo um maximizador local, a seleção natural está, digamos, se lixando para certos efeitos colaterais de suas soluções de projeto.  Como o José Sarney, a seleção natural “quer’ é rosetar, isto é, atua de forma a que suas criações maximizem sua reprodutibilidade.  O que muitas vezes passa bem ao largo de nossas ingênuas noções sobre o que é certo, errado, ou adequado.

Assim é que, apesar de certos malucos que ainda acham que EinsteinNewton estava errado, a verdade é que a Física do Séc XX mostrou que nosso entendimento sobre o mundo real estava errado, era uma ilusão.

Quer a psicologia evolucionária que isso é o que seria de esperar.  Segundo essa corrente, nossos ancestrais evoluíram em um determinado estilo de vida, que dominou grande parte da existência humana.  Isto significa o seguinte: a aceleração da alteração de estilo de vida que a Humanidade sofreu nos últimos, vá lá, cinco séculos, possivelmente vai dar merda.  Já está dando.

A questão é: quantos outros probleminhas estão sendo gerados agorinha mesmo, sob nossas barbas, sem que estejamos cientes deles?

***

De repente estou recebendo zilhões de acessos vindos do Twitter.  Que qué isso, minha gente?

“Me joga no Google, me chama de pesquisa e diz que eu sou tudo que voce procurava!”

_ Marina W

snaggle

Onde se explica porque o novo símbolo do GOP será o leão da montanha (*):

GOP’s Demographic Losses Point To More Right-Wing, Less Electable Republican Party

By Eric Kleefeld – May 19, 2009, 4:09PM

Yesterday, Gallup posted a new study showing that the Republican Party has lost significant numbers of voters across nearly all demographics since 2001 — except for their conservative, church-going base. Republican self-identification is down from 32% in 2001 to 27% now, and including independents who lean GOP they’ve decreased from 44% to 39%.

So it’s worth asking: Do these numbers work out to a more right-wing GOP, one that will have even more trouble winning elections? The answer appears to be yes — at least for now.

I spoke with the Gallup study’s author, Jeffrey M. Jones, and he confirmed to me that the shrunken GOP is indeed more conservative. In 2001, core Republicans were 62% conservative, 31% moderate and six percent liberal. After Republican-leaners were pushed, all Republicans and leaners were 57% conservative, 35% moderate and 8% liberal.

But now, the core Republicans are 68% conservative, 27% moderate and 5% liberal. Including GOP-leaners, they are 71% conservative, 24% moderate and 3% liberal.

***

(*) por favor, alguém explica essa para os “portadores de necessidades cronológicas especiais“…   :)

Tio Rei destrói a lógica em post de hoje sobre uma possível censura exercida pela direção da EBC sobre a ouvidoria da organização.  Em um de seus notórios “textos de formatação”, Tio Rei fala sobre o episódio em que um texto intitulado “Credibilidade da agência pública de notícias“, da autoria do ouvidor-adjunto da Empresa, Paulo Machado, que deveria ter sido publicado na sexta-feira, só teria ido ao ar no sábado “com um outro texto, sobre assunto diferente, desta vez com críticas mais amenas“, segundo reportagem da Folha Online.

Na sua diatribe, Tio Rei passa por Wilson Simonal, o Pasquim, bilhões de vítimas de Stalin e Mao, pensionistas da ditadura, etc. para dizer que a EBC petista pratica a censura sobre o seu ombudsman. 

Pode ser, pode não ser.  Neste seu texto “analítico”, Tio Rei se furtou a reproduzir o parágrafo da reportagem da Folha com o contraditório:

Por meio de sua assessoria de imprensa, a EBC informou que não houve censura e que a publicação foi apenas adiada. O adiamento foi uma decisão conjunta da ouvidoria e da direção da “Agência Brasil”. A EBC ressaltou que a diretoria da empresa não interfere no trabalho da ouvidoria, que tem autonomia.”

Mesmo que tenha havido a censura, o curioso é que no final Tio Rei se sai com esta:

Sobre a EBC, deixo claro: não considero a função de “ombudsman” algo relevante hoje em dia. Os ouvidores da imprensa, na era da Internet, tornaram-se meros procuradores das reclamações organizadas do petismo. O que era uma boa novidade se tornou algo regressivo. Quem precisa deles para fazer o debate? Tornaram-se apenas um braço a mais do aparelhamento da imprensa. Mas, se existem, não podem ser censurados.”

Me lembrei do Spy vs Spy…

Como sabem os 4,5 leitores deste blog, o atual Ministro das Comunicações, Hélio Costa, deve sua carreira política aos inúmeros anos em que foi repórter da “Rede Globo”, inicialmente no Fantástico, depois como apresentador do “Linha Direta”.  A despeito disso, porém, seus anos de Rede Globo primam por uma ausência ensurdecedora (e suspeita) em sua biografia oficial.

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Por essas e outras é que o Ministro talvez seja o mais dileto exemplo da teoria da captura que se tem notícia na política brasileira.  Enquanto nos países desenvolvidos e em desenvolvimento o Ministério das Comunicações ou seus equivalentes não falam em outra coisa que não expandir a banda larga, no Brasil o Ministro parece ter outras idéias.  Do noticiário especializado Teletime:

Juventude tem que “despendurar” da internet e voltar a ver TV, diz ministro

A abertura do 25º Congresso Brasileiro de Radiodifusão, promovido pela Abert, nesta terça-feira, 19, contou com um comentário inusitado do ministro das Comunicações, Hélio Costa. O ministro fez uma defesa arraigada do setor de rádio e televisão, e sugeriu que os jovens devem usar menos a internet e assistir mais programas de TV e de rádio.

“Essa juventude tem que parar de só ficar pendurada na internet. Tem que assistir mais rádio e televisão”, afirmou o ministro em seu discurso, após relembrar a distância entre o faturamento da radiodifusão e das telecomunicações. “O setor de comunicação fatura R$ 110 bilhões por ano. Desse total, somente R$ 1 bilhão é do rádio e R$ 12 bilhões das TVs. O resto vocês sabem muito bem onde está”, provocou o responsável pelas comunicações do país.”

Vejam que o Ministro não está dizendo que os jovens têm que largar a internet e ir namorar, ou estudar, ou praticar esportes.  Está dizendo que os jovens têm que despendurar da internet _ que é uma indústria de telecomunicações _ e se pendurar na televisão _ que é uma outra indústria de telecomunicações, mas é mais próxima ao Ministro.

A revista GQ tem uma matéria online sobre Donald Rumsfeld.   A matéria já rendeu vários posts interessantes por parte da equpe do Washington Monthly.

Realmente revelador é o slide-show mostrando as capas das apresentações feitas por Rumsfeld a Bush todas as manhãs.  Um exemplo:        

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(clique para ampliar)

O slide é tacanho em sua apresentação.  Mas duvido que seja tacanho na sua confecção. Rumsfeld sabia que Bush é um renascido, um ex-alcóolatra que se redimiu na igreja evangélica.  Sua apresentação da campanha no Iraque a Bush como a realização de uma tarefa de proporções bíblicas certamente não foi algo feito à toa _ era uma retórica calculada para tirar o máximo do Presidente.

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No Correio Braziliense, matéria falando sobre a curiosa migração das prostitutas da quadra 315 _ a famosa “trezentos e queens“, por motivo que ficará óbvio para quem ler a reportagem _ para toda a extensão da avenida W3 norte, uma das mais importantes vias de Brasília.

A reportagem vai muito bem até que…aparece este parágrafo:

Há um cheiro de sexo impregnado em toda a Avenida W3 Norte. Principalmente quando a madrugada avança. É o clamor do “pecado” trazido pelas moças de microvestidos, minissaias e shorts bem curtos — independentemente se na madrugada faz frio ou calor. Sentam-se nos pontos de ônibus. Cruzam as pernas. Jogam os cabelos. Retocam a maquiagem. Ajeitam um ou outro detalhe na roupa sensual. Estão prontas para a luta.” [grifo meu]

Esse repórter fumou alguma substância proibida. Ou frequentou alguma faculdade de jornalismo não suficientemente isolada da epidemia de chavões que assola o país.

Aqui.

Watching the sausage get made isn’t always pretty. But it ensures a better sausage than if no one is watching.

_ Ezra Klein, em alusão a Bismarck no primeiro post de seu novo blog no Washington Post

***

I definitely agree.

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O NYT de hoje veio com uma interessante matéria de autoria de David Kilcullen (dito conselheiro de contrainsurgência do general Petraeus entre 2006 e 2008) criticando duramente a estratégia (ou, segundo ele, tática substituindo a estratégia) de usar “drones” (avionetas não-tripuladas) para neutralizar terroristas ligados à Al-Qaeda nos territórios tribais do Paquistão:

The drone campaign is in fact part of a larger strategic error — our insistence on personalizing this conflict with Al Qaeda and the Taliban. Devoting time and resources toward killing or capturing “high-value” targets — not to mention the bounties placed on their heads — distracts us from larger problems, while turning figures like Baitullah Mehsud, leader of the Pakistani Taliban umbrella group, into Robin Hoods. Our experience in Iraq suggests that the capture or killing of high-value targets — Saddam Hussein or Abu Musab al-Zarqawi — has only a slight and fleeting effect on levels of violence. Killing Mr. Zarqawi bought only 18 days of quiet before Al Qaeda returned to operations under new leadership.

Robert Farley, do Lawyers, Gun$ and Money, tem outro ponto interessante:

At an intel talk last semester at Patterson, a speaker suggested that the drone strategy had been fairly successful in culling Al Qaeda leadership. Someone from the audience asked whether drone strikes in Ireland (not to mention Boston) in the 1980s would have been an effective way of dealing with the IRA. I think it’s a hard point to argue; it’s easy for me to imagine the IRA turning each strike (and each civilian death) into a fundraising and recruitment bonanza in Ireland and the US. The situation with Al Qaeda is a bit different in that the IRA had less far reaching aims and was more popular in its target population, but nevertheless the analogy carries some weight.

E isso aqui me fez pensar:

The first raids may be successful, but over time individual terrorists become more careful, develop alternative methods of communication, and shield themselves with ever greater numbers of civilians. As time goes by, you’re killing terrorists successively lower on the rung with progressively more limited intelligence.

Meio cruzeiro furado para quem adivinhar quem é que vai estar bem representado na resistência contra Skynet…

hk

O filme-catástrofe é algo tão caracteristicamente americano como a torta de maçã e a Coca-Cola.  O primeiro filme catástrofe americano é de 1912, Night and Ice, e é sobre o naufrágio do Titanic; Deluge, de 1933, mostra ondas gigantes destruindo Nova Iorque, e no mesmo ano é filmado King Kong; San Francisco, de 1936, mostra um terremoto naquela cidade; In Old Chicago é sobre o incêndio de Chicago, e após a Segunda Guerra, a coisa não pára mais, agora auxiliada pela maré da ficção científica.

JG Ballard, em um artigo de 2004 no Guardian, faz uma comparação soturna entre a psiquê britânica e a norte-americana:

Unsettling as our own tabloids may be, the British psyche and its problems hardly matter to the wider world. But the turmoils of the American psyche have vast ramifications. Are films like The Day after Tomorrow, Armageddon and Independence Day a warning signal to the rest of us? Since Hiroshima and Nagasaki displayed the vast reach of US power, the greatest danger is that Americans will believe their own myths. Is the gulf stream faltering? Is the equator moving northwards? Without doubt an alien, and possibly European plot, to be countered by the greatest display of “shock and awe” its super-technologies can muster.”

Ou, como diz o livro “Camera Politica”, de Michael Ryan e Douglas Kellner:

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Isso tudo é bastante compreensível e é uma das molas que move a sociedade norte-americana.  Eu só não entendo é o que é que eu tenho a ver com isso.   :)

Hoje, no Tio Rei:

O presidente do DEM diz ainda que o governo e os petistas não entendem direito como funciona uma democracia. Ele afirma que é legítimo que governos tentem impedir a instalação de CPIs, mas que há modos de fazê-lo. Segundo Maia, “essa história de que falta patriotismo, como disse o presidente Lula, ou de que a investigação vai dificultar os negócios da empresa, como disse a ministra Dilma Rousseff, é uma tentativa de intimidação, não é linguagem política.”

Ontem:

CPI fica paralisada

ILIMAR FRANCO

BRASÍLIA – O governo comemorou ontem o impasse jurídico criado na CPI dos Bancos pelo ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes. “A CPI fica paralisada”, avaliou um dos principais conselheiros políticos do presidente Fernando Henrique. “A CPI foi arrogante e extrapolou”, disse um ministro, para quem o Senado cometeu um escorregão ao pedir a prisão de Lopes. Para o governo, seria importante que o STF redefinisse os poderes das comissões de inquérito e que outras testemunhas adotassem o mesmo procedimento. Assim, avaliam os governo governo poderia se livrar dos inconvenientes de CPIs sem assumir o desgaste de promover nenhum tipo de “operação abafa”. A estratégia adotada pelo ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes, não poderia ser mais conveniente aos interesses do governo. O presidente Fernando Henrique Cardoso tem afirmado a seus interlocutores, nos últimos dias, que está preocupado com a possibilidade de que se crie um ambiente de instabilidade política e que isso venha a afetar o ânimo dos investidores internacionais . Foi este o conteúdo das conversas que o presidente manteve com o ministro das Comunicações e coordenador político, Pimenta da Veiga, no domingo, e ontem com o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e o presidente do PMDB, senador Jáder Barbalho (PMDB-PA). “O presidente espera justiça e equilíbrio da CPI”, disse Pimenta da Veiga. Fernando Henrique também está preocupado com a possível convocação do ministro da Fazenda, Pedro Malan – que o governo quer evitar a qualquer custo, pois o depoimento numa CPI é associado a assumir um lugar no banco dos réus. “Não há motivo para que o ministro Pedro Malan seja convocado. O ministro só virá depor se houver algo concreto que justifique sua convocação. não vou permitir que se crie um fato político”, disse o presidente do PMDB e autor do requerimento da CPI dos Bancos, senador Jáder Barbalho (PA), depois de ter se reunido no Palácio do Planalto com o presidente.”

Tio Rei reproduz também, hoje, uma matéria da Folha com uma pequena entrevista do secretário-executivo do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), Rodrigo Tavares Maciel, desancando o Itamaraty por tratar mal a China, “desidratando” a missão empresarial que vai com Lula aquele país ainda este mês:

FOLHA – Há quem diga que o Itamaraty quer deixar claro à China o descontentamento pela falta de investimentos e pela falta de apoio à pretensão brasileira de uma vaga no Conselho de Segurança da ONU.

MACIEL – O governo brasileiro continua totalmente míope em relação à China. Reduzir a missão, a viagem, parece birra do Itamaraty. Não é assim que se lida com os chineses.

O Itamaraty tem uma posição arrogante. A China já é a terceira maior economia do mundo, deve se tornar a segunda do mundo neste ano ou no máximo em 2010. Precisamos colocar nossa violinha no saco, pois nós precisamos mais deles do que os chineses de nós.

O empresariado é prejudicado. Por que os Estados Unidos vendem carne de porco à China e o Brasil não consegue?

Saudades do tempo em que Tio Rei desancava o Celso Amorim por apoiar o reconhecimento da China como economia de mercado…

Ora vejam, tem a versão em português.

Divulguem!

simplicissimus

Coleção completa em PDF, aqui. What´s about, ici.

Matéria do NYT aqui.

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