Tio Rei abusa na cretinice, hoje, ao pontificar sobre quem é e quem não é do eixo do mal:

No último post publicado na madrugada, afirmo que Cuba é um problema irrelevante, beirando o folclórico. Sua importância está em não ter importância nenhuma. Tanto é assim, que só Lula, Chávez e alguns chefetes menos cotados da América Latina se ocupam do caso. Tanto é assim, que Obama deu uma resposta à questão que beira o humor: “Ok, suspender o embargo, não suspendo. Mas que os cubanos viajem pra lá à vontade e enviem quanto dinheiro quiserem. A dificuldade é entrar em Cuba, não sair da América”. E virou para o outro lado…

Problema real e perigoso é o Irã. Problema real e perigoso é a Coréia do Norte. E o caso é emblemático porque esse é uma herança do governo… Clinton! Isto mesmo: estudem o assunto. O programa nuclear do país avançou durante o governo democrata. Quando Bush chegou ao poder, já não se sabia até onde o país tinha ido — havia a desconfiança de que já tivesse ido longe demais.

Isso é cretino em um sem número de maneiras, mas vamos apontar apenas duas.

Primeiro: é factualmente bullshit dizer que o programa norte-coreano de armas nucleares é herança do governo Clinton. Eis o que diz o site da FAS, Federation of Atomic Scientists:

The North Korean nuclear weapons program dates back to the 1980s. In the 1980s, focusing on practical uses of nuclear energy and the completion of a nuclear weapon development system, North Korea began to operate facilities for uranium fabrication and conversion. It began construction of a 200 MWe nuclear reactor and nuclear reprocessing facilities in Taechon and Yongbyon, respectively, and conducted high-explosive detonation tests. In 1985 US officials announced for the first time that they had intelligence data proving that a secret nuclear reactor was being built 90 km north of Pyongyang near the small town of Yongbyon. The installation at Yongbyon had been known for eight years from official IAEA reports. In 1985, under international pressure, Pyongyang acceded to the Treaty on the Non-Proliferation of Nuclear Weapons (NPT). However, the DPRK refused to sign a safeguards agreement with the International Atomic Energy Agency (IAEA), an obligation it had as a party to the Nuclear Non-Proliferation Treaty.

Se o programa de armas coreano é “herança” de alguém, é de Ronald Reagan. Não admira:

Kenneth Adelman, then a presidential adviser on arms control, attended a literary soirée in the 1980s at which he heard an author expound a vision of a nuclear-free world. “I was dumb- founded,” wrote Adelman later, “and said that I had heard such notions from only one other person in my life, the President of the United States.”

That President was Ronald Reagan, widely regarded as a foreign-policy hawk when in reality he was a convinced nuclear abolitionist. President Obama’s speech on Saturday expressing his hopes for an eventual abandonment of nuclear weapons was thus grounded in recent presidential thinking, while avoiding the Utopianism that accompanied Reagan’s vision.” [grifo meu]

Segundo: vamos mandar caixas e caixas de óleo de peroba para Tio Rei por esta frase:

Quando Bush chegou ao poder, já não se sabia até onde o país tinha ido — havia a desconfiança de que já tivesse ido longe demais.

Incrível, né? Bush não tinha a menor idéia de onde estava o programa norte-coreano de armas nucleares (isso apesar de seu governo ter declarado que o Norte admitiu ter armas nucleares em 2002, no início do primeiro mandato), mas tinha certeza absoluta de que existia um programa de armas nucleares onde ele não existia, isto é, no Iraque.

About these ads