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Declarações da nova czarina do antitruste de Obama, Christine Varney, que chefiará a divisão antitruste do Departamento de Justiça:

For me, Microsoft is so last century. They are not the problem,” Varney said at a June 19 panel discussion sponsored by the American Antitrust Institute. The U.S. economy will “continually see a problem — potentially with Google” because it already “has acquired a monopoly in Internet online advertising.”

Wow!

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Os mais velhinhos como eu se lembrarão que aí pelo fim da década de 70, início dos 80, jornais e revistas de divulgação científica se encheram de concepções artísticas de sistemas orbitais de coletores solares que enviariam energia abundante e barata para a Terra via emissões de microondas.  Pois via Slashdot fico sabendo que ressuscitaram a coisa, agora sob o pomposo nome “Space Based Solar Power“, SBSP:

Is space-based solar power (SBSP) a technology whose time has come? The concept and even some of the hardware for harnessing energy from the sun with orbiting solar arrays has been around for some time. But the biggest challenge for making the concept a reality, says entrepreneur Peter Sage of Space Energy, Inc., is that SBSP has never been commercially viable. But that could be changing. Space Energy, Inc. has assembled an impressive team of scientists, engineers and business people, putting together what Sage calls “a rock-solid commercial platform” for their company. And given the current looming issues of growing energy needs and climate change, Space Energy, Inc. could be in the right place at the right time.”

Minha impressão é que esse treco não sobrevive a um RIMA, que dizer à realidade.

Sempre achei estranho o fato de que logo após essa “explosão” de publicidade sobre esse tipo de estrutura espacial, veio a onda sobre o sistema “Star Wars” proposto por Reagan _ a “Strategic Defense Initiative“, um sistema espacial de lasers de alta potência projetado para destruir mísseis nucleares que fossem disparados contra os EUA.  Aposto algumas fichas que esses fatos têm alguma ligação, embora eu não saiba qual.

O Valor de hoje tem uma matéria imensa sobre “o futuro do New York Times”, com ênfase nas dificuldades porque passa o jornal.  Trecho:

O balanço da The New York Times Company de 2008 é uma leitura deprimente, escrita com letras vermelhas. A receita, de US$ 2,95 bilhões, foi 7,7% inferior à do ano anterior e próxima à de US$ 2,94 bilhões de 1998, uma indicação de que a companhia não conseguiu crescer durante uma década. Em um ano, a receita com publicidade encolheu 13,1% e em dois anos, 19,5%; no último trimestre, com a acentuada deterioração da economia, a queda foi de 17,6%. 

A conta de resultados é ainda mais dramática. Frente a um lucro de US$ 208,7 milhões em 2007, conseguido principalmente com a venda de ativos, a empresa teve no ano passado um prejuízo de US$ 57,8 milhões, devido à reavaliação negativa – isto é, sem desembolso de caixa – de negócios deficitários ou pouco rentáveis comprados nos anos de prosperidade. As atividades operacionais da empresa, em si, foram ligeiramente rentáveis, dado o esforço para reduzir os custos, mas insuficientes para compensar as perdas contábeis.

Essa é a situação econômica. O panorama financeiro é ainda pior. A empresa tem uma dívida de US$ 1,1 bilhão, dos quais uma linha de crédito de US$ 400 milhões vence em maio, uma de US$ 99 milhões em novembro e outra de US$ 250 milhões em 2010. O dinheiro disponível em caixa era de apenas US$ 42 milhões e os bancos não parecem muito dispostos a abrir novas linhas de financiamento. Pela avaliação das agências avaliadoras de crédito, a dívida da empresa está classificada quase como “junk” – ou seja, como lixo.

This is frightening:

Chegou a revolução

O que está ocorrendo é uma profunda revolução provocada pela internet e acelerada pela contínua expansão da banda larga, com efeitos de longo prazo semelhantes aos da introdução da imprensa por Gutenberg, no século XV. A revolução atual está afetando todos os meios – revistas, rádio, TV -, e não apenas os jornais, e também as maneiras de comunicação entre as pessoas. Ainda é cedo para fazer qualquer afirmação categórica sobre os efeitos das mudanças que a internet e a banda larga estão provocando. Mas pode afirmar-se que todos os meios sairão desse processo muito diferentes do que eram 15 anos atrás.
Para os jornais, a internet representou inicialmente um extraordinário meio de transmissão de seu conteúdo. Suas informações e análises podiam chegar instantaneamente muito além do limitado raio permitido pela distribuição física da edição impressa. Conseguiram um grande aumento do número de leitores e de influência. Hoje, os grandes jornais têm vários milhões de usuários únicos – o nome aos leitores na internet -, igualando ou superando em penetração muitas emissoras de televisão.
Mas cometeram o grave erro – um verdadeiro pecado original – de oferecer grátis seu conteúdo. Como recentemente disse Steve Brill, um empresário que lançou nos EUA vários meios de comunicação, ele pagava algumas centenas de dólares por ano para receber em sua casa de Nova York a seção “Style” do “The Washington Post”. “Então, Donnie Graham – presidente e principal acionista do ‘Post’ – decidiu que eu precisava de um subsídio. Agora me mandam a seção ‘Style’ grátis por e-mail.” E comentou: “Isso é uma loucura.” A imprensa, em sua opinião, está se autodestruindo e tem que parar de se suicidar dando informação de graça. “Comecem a cobrar e a acreditar em seu produto”, disse, acrescentando que os editores de jornais têm que recuperar sua autoestima
.”

Mais frightening ainda:

Keller sugere que o “Times” vai encontrar uma maneira de obter receita com o conteúdo na internet. Disse não acreditar num princípio teológico segundo o qual a informação “tem que ser grátis”; a informação de alto nível tem que ser paga. Quem paga, hoje, são os anunciantes, mas afirma que o jornal está discutindo as maneiras de fazer que o leitor também pague. E aponta como exemplo a decisão de Rupert Murdoch de continuar cobrando pelo acesso ao conteúdo do “The Wall Street Journal”. Keller, porém, acha que o sítio do “Times” gera mais receita que o do “Journal”. E confirma que o “Times” estuda seriamente a possibilidade de introduzir o sistema de micropagamentos, como fazem Apple e iTunes.

Um mundo com um NYT pago será um mundo mais triste, mas um mundo sem um NYT será pior ainda.

Eu QUASE havia feito um post sobre isso aqui (ando muito lento _ eu também QUASE havia feito um post sobre um contrapé do Tio Rei que Sergio Leo captou de forma magistral), uma matéria sobre o NYT na The Atlantic, onde o autor, Michael Hirschorn, advoga o uso de um sistema de micropagamentos para salvar o jornalão.  Nick Carr faz uma discussão mostrando os dois lados da questão _ tanto a dos entusiastas dos micropagamentos (“afinal, funciona com o iTunes!“) como a dos céticos ou simplesmente contrários (“a informação quer ser livre!“).

Jornais vivem basicamente de 3 fontes de renda: compradores a vulso nas bancas, assinantes e anunciantes.   Jornais como o NYT (principalmente os que têm na sua base um público que tem acesso a internet) sacrificam as duas primeiras fontes quando disponibilizam conteúdo grátis na rede, e se resignam a viver da receita de publicidade _ o que é um perigo nas épocas de vacas magras como agora.

A diversidade de opiniões sobre o que fazer é grande.  David Carr, citado por Nick, parece acreditar em uma solução à la Apple: uma empresa cria um gadget que repentinamente convence os usuários a pagar por conteúdo, revertendo uma situação de pirataria extremada.  O paralelo é meio capenga, em minha opinião, porque a) os usuários continuam pirateando (“Invaders Must Die” do Prodigy será lançado dia 23 deste mês mas já está na rede) e b) a “pirataria” de conteúdo jornalístico existe (aham…), mas não é significativa e nem o maior problema dos jornais que resolveram eles mesmos disponibilizar seu conteúdo online, como é o caso do NYT e vários outros.  Já Walter Isaacson enumera várias estratégias diferentes, como a do Christian Science Monitor que simplesmente acabou com sua edição em papel (a “dead trees edition“…), ou a, er, “estratégia” que parece ser a do próprio NYT que é a de esperar que os outros jornais morram primeiro para capturar seu market-share.

[Parêntesis: Nesse particular é muito interessante a experiência do Meia Hora, um jornal popular carioca pertencente ao grupo O Dia e que já é o terceiro jornal mais vendido no Rio (tiragem de 230 mil exemplares diários).  Vejam só esse trecho da matéria que saiu na Piauí:

A sede do tablóide, que divide o andar de um prédio no bairro da Lapa com a redação de O Dia, tem paredes amarelas encobertas por um emaranhado de cartazes, cartas, capas, papéis, fotos e recortes de reportagens. Vê-se um pôster do filme Sexo no Salão 2007 – com uma loira seminua em meio a uma chuva de purpurina -, a foto-flagra de um repórter da casa beijando o derrière da ex-chacrete Rita Cadillac e outra que mostra em primeiro plano a face alegre de um ex-Big Brother. “A toda equipe do Meia Hora, com beijão carinhoso do Tinho”, dizia a dedicatória em caligrafia infantil.

(…)

A equipe do Meia Hora tem vinte jornalistas, na faixa dos 25 anos, que andam em trajes esportivos e usam tênis. Eles trabalham mais como redatores do que como repórteres. As matérias são feitas pela equipe de O Dia e enviadas à redação-irmã para que sejam reescritas e resumidas a, no máximo, cinco parágrafos. No começo de dezembro, a mesma reportagem que apareceu em O Dia como “São Cristóvão: funcionário da feira suspeito de assaltos”, no Meia Hora virou “Bandidos tocavam o terror em São Cristóvão”. ” [grifo meu]

É um nicho aproveitando economia de escopo: a equipe do jornal-mãe faz a reportagem e a equipe do Meia Hora “reempacota” o conteúdo para um outro público _ que paga pouco, mas pelo menos paga, porque não tem acesso à internet…é claro que não é uma estratégia facilmente replicável ou sustentável em longo prazo, mas é bem interessante].

Voltando ao Nick Carr, acho que ele tem um argumento bem imaginativo sobre porque motivo micropagamentos não funcionariam para notícias: porque, ao contrário de músicas, notícias são bens perecíveis.

Aqui eu tenho minhas dúvidas.  Eu acredito que a esmagadora maioria das pessoas que compra música na iTunes usa música de forma descartável.  Outro dia, por exemplo, vi um blogueiro sugerindo uma banda chamada “Weekend Vampires”.  Não há descrição da banda nem na Wikipedia nem na Last.fm.  “Vampire Weekend”.  Sua descrição no Last.fm: “Vampire Weekend é uma banda indie pop/rock com influências de afro-beat”.  Igual a centenas de outras.  Bandas hoje são descartáveis, sua música também.   

Outro argumento de Nick é o de que a música é fungível, no sentido de que eu quero ouvir a música X, não a música Y.  É meio estranho, eu acho, dizer então que a notícia Y substituiria a notícia X; é o que Nick sugere, embora de forma mais sutil (a de que o fato em si estaria reportado em outro meio qualquer de qualquer forma, o que não é exatamente verdade se os micropagamentos se espalhassem).

Já o outro argumento de Nick tem mais substância: ele diz que o ethos de gratuidade se perpetua, hoje, apenas porque com a internet repentinamente a oferta tornou-se muito maior que a demanda.  Se eu morando em Brasília só poderia ter acesso aos dois jornais locais, alguns nacionais (três ou quatro) e alguns internacionais (sempre com defasagem), hoje posso ver os jornais de qualquer lugar do mundo a um toque de teclas.  O que ele acha é que o ajuste se dará pela oferta: muitos jornais, revistas e opções de informação vão sumir.

Para defender esse argumento Nick, é claro, tem que se contrapor ao pessoal que diz que pelo contrário, a internet reduziu as barreiras à entrada no setor de informação.  Eis porque eu e milhões de outros blogueiros estamos aqui informando nosso honorável público.  Nick contra-ataca dizendo que este tipo de amadorismo jamais substituirá a produção profissional de notícias.  Com isto, tendo a concordar: a maioria dos blogs interessantes tendem a ser aqueles capazes de fornecer um comentário bacaninha sobre uma matéria prima produzida por outrem _ um reempacotamento tipo Meia Hora (ok, talvez um pouco mais que isso).  Já blogs que saem inteiramente da cachola do seu autor tendem a ser chatos e confessionais; muito poucos são realmente legíveis.

Veredicto final do Nick:

What I’m laying out here isn’t a pretty scenario. It means lots of lost jobs – good ones – and lots of failed businesses. The blood will run in the streets, as the chipmakers say when production capacity gets way ahead of demand in their industry. It may not even be good news in the long run. We’ll likely end up with a handful of mega-journalistic-entities, probably spanning both text and video, and hence fewer choices. This is what happens on the commercial web: power and money consolidate. But we’ll probably also end up with a supply of good reporting and solid news, and we’ll probably pay for it.

Um mundo de Rupert Murdochs.  Será?

***
UPDATE:

O Cássio me alertou para o excelente post que o Pedro Dória escreveu hoje sobre o mesmo tema.

***

UPDATE 2

O Vinhal do Lastronomia também deu suas caneladas!

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aruminio-flagra

Non pode sê, né?

Deu no Valor de hoje:

Prêmio de risco dos EUA bate recorde

Os prêmios de risco de crédito dos países ricos, que antes da crise financeira internacional ficavam abaixo dos 10 pontos básicos, hoje se aproximam de 100 para o prazo de cinco anos. E a alta mais forte foi recente: seus níveis mais do que dobraram desde o início de dezembro do ano passado, para recordes históricos. No mesmo período, o risco-Brasil não subiu nem 6%. Os spreads de risco de crédito sinalizam a percepção dos mercados sobre a probabilidade de não-pagamento da dívida por um país.
A alta dos prêmios dos países ricos foi tão forte que o risco-Estados Unidos, o risco-Alemanha e o risco-Japão, para citar apenas três países, estão hoje bem acima dos níveis mínimos a que chegou o risco-Brasil, em meados de 2007. O risco-Estados Unidos, que era de 7 pontos em 1º de maio do ano passado, chegou a bater em 94 pontos básicos no dia 17, um aumento de 170% na comparação com os 34,9 pontos do dia 1 de dezembro. Ontem, se manteve elevado, mas caiu para 90 pontos básicos.

E ainda é cedo para saber quem será o destinatário do prêmio “wishful thinking” do ano de 2009, mas Armínio Fraga já é forte candidato:

“”É verdade que temos visto uma piora nos balanços dos governos dos países desenvolvidos, um aumento de grandes proporções na dívida pública e na emissão de moeda para administração da crise”, afirma Armínio Fraga, sócio do Gávea Investimentos e ex-presidente do Banco Central. Mas, segundo seus cálculos, o mercado está projetando uma probabilidade de moratória maior do que 1% ao ano para os EUA, Japão e Alemanha, “o que não parece ser razoável”.

Para ele, o mercado está superestimando a chance de esses países não pagarem suas dívidas .”Essa probabilidade não é tão relevante como sinalizam os números”, diz. Fraga percebeu a puxada e ficou tão surpreso com ela que chegou a citá-la em palestra durante seminário.”

Pacheco, o canalha da repartição, observa que o Gávea deve andar meio chinês, comprado em títulos do Tesouro americano…

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