Aí, alguns Apostos resolveram pegar o Pedro 7 Câmara, levar para uma mesa de bar montada na Livraria Leonardo Da Vinci e filmar um papo de botequim.
É uma iniciativa até simpática, se pensarmos bem: conservadores mostrando que são gente como nós, capazes de sentar no bar e falar bobagem. Infelizmente, os vários momentos de constrangimento, o visual contido, as repetições constantes da mesma frase, tudo isso mostra que aqueles senhores não estão felizes no papel de frequentadores de bar (o amadorismo revela-se sobretudo pelo fato de que não há um copo sobre a mesa _ afinal não é difícil achar uma cervejinha ali perto da Leonardo, no subsolo do Edifício Marquês do Herval ). Francamente, não entendo porque tanto sofrimento: sisudos conservadores achando que por sei lá que motivo têm mesmo que emular os inteliquituais de esquerda de Ipanema, obrigando-se a tentar falar de mulher quando claramente estariam muito mais à vontade comentando a última bula do Ratzinger. Shame on them.
***
Eu não conhecia o Antonio Fernando Borges. Fui lá no blog dele no Apostos e deparei-me com este raciocínio:
“Num único dia, qualquer dia, milhares de pessoas mundo afora (indivíduos que não se conhecem) já perderam o bonde, o táxi, a chave de casa e a esperança, e outros (não poucos) perderam até o avião ou navio pontual onde começaria a viagem há tanto tempo sonhada.
Milhares perderam os amigos, o animal de estimação, o amor de suas vidas e, por culpa de um despertador que nunca tinha falhado antes, perderam a hora do trabalho, a prova de matemática, o exame de sangue em absoluto jejum.
Que nenhuma dessas pequenas-grandes tragédias tenha rendido uma nota miserável na imprensa prova apenas que a vida continua sendo um acontecimento individual – e nem todos se coletivizaram ainda.
E no entanto, e no entanto, e no entanto…
E, no entanto, na outra ponta da linha, é com espanto que lemos: num único dia (era segunda-feira), 70 mil pessoas perderam o emprego em multinacionais.
Ficamos espantados não pelo número, não pelo acontecimento em si: espanta-nos a confirmação de que os 70 mil fatos constituem um único fato e que, graças à sociologia e à imprensa (graças aos intelequituais), a dor de cada homem é apenas fragmento de uma explicação “sócio-política”, de uma teoria conspiratória qualquer.“
De fato. Coisa semelhante aconteceu há cerca de 60 milhões de anos, quando um asteróide sem o que fazer resolver dar um mergulho nas praias de Gondwana e extinguiu os dinossauros. Todos os jornais da época resolveram noticiar o acontecimento assim, de forma coletiva: mil bilhões de dinossauros mortos pelo asteróide cadente. ”Sim, espanta-nos a confirmação de que os mil bilhões de fatos constituem um único fato e que, graças à sociologia e à imprensa (graças aos intelequituais), a dor de cada dinossauro é apenas fragmento de uma explicação “sócio-política”, de uma teoria conspiratória qualquer“.
***
Quando os dinossauros deixaram o caminho livre, um bichinho que vivia nas árvores desceu e virou gente. Sua grande vantagem era a capacidade de “reconhecer padrões”. Aparentemente, porém, parece que nos primatas certas vantagens adaptativas tendem a ir desaparecendo com o tempo, talvez sob a influência de ideologias exóticas.



34 comentários
janeiro 31, 2009 às 10:39 am
Marcelo
…e o asteróide tinha péssima pontaria e caiu na Laurásia.
Lendo um troço desse tipo até dá pra entender porque tanta gente foge do rótulo de direita. Que sujeito tapado.
janeiro 31, 2009 às 11:29 am
arimateia alves
Já que você tá falando em múmias, o Gerald Thomas poderia muito bem ciceronear esses filhotes do Olavo, pelo menos nesse tipo de mesa o novo caso (ui,ui,ui) do tio rei é um expert.
janeiro 31, 2009 às 11:36 am
Paulo C
Sobre o bichinho que vivia em árvores – a melhor informação que temos diz que há 65 milhões o nosso avô parecia um rato e morava em tocas, não em árvores.
janeiro 31, 2009 às 11:41 am
ohermenauta
Paulo C,
Not quite:
“Dryomomys
55 million years ago
We’ve now arrived at one of your very earliest precursors, Dryomomys. Something like this creature begot something that begot something that, after that eternity of time, begot you—only time separates the two of you. Now, imagine if you could erase that intervening eternity for a moment and meet your hugely distant forebear. At a smidgen bigger than a mouse, this nearly eldest of all your elders would fit snugly in the palm of your hand.
Your Ancestor’s Profile
Dryomomys is the most primitive primate known from good fossil material. (The first known primate, Purgatorius, dating back as far as 65 million years ago, is known only from isolated teeth and jaw fragments.) The animal most like Dryomomys today is a wee being called the pen-tailed tree shrew. Dryomomys would have weighed about 1.3 ounces, roughly akin to that of the smallest living primates, the mouse lemurs of Madagascar. Like its cousin, the roughly contemporary but more advanced Carpolestes, the Dryomomys skeleton that the reconstruction is based on was unearthed in Wyoming.”
janeiro 31, 2009 às 12:00 pm
espectral
…
INCRIVELMENTE constrangedor. Não tinha tido coragem de ver. O pior e mais cristalinamente incomodado é o próprio 7.
E o mea culpa: ” se eu não tivesse namorada ” eu pensaria o seguinte sobre tal e tal mulher.
Faltou cerveja.
Quem sabe com a cerveja se ressaltasse o tom tragicômico da coisa
janeiro 31, 2009 às 12:47 pm
Carlos
O que é interessante nisso é o desejo deles de emular alguma coisa que há muito não existe – a Ipanema mítica dos anos ’60, cujos protagonistas estão mortos e os que teimam em viver estão entrevados (apud a crônica do Millor Fernandes em “Lições de um Ignorante”, “Ser gagá”). Com a ascensão da Academia como instituição de um lado, do PT de outro, o intelectual pequeno-burguês freelance perdeu qualquer relevância diante do movimento real das coisas, e o que essas pessoas deviam fazer era, ou tentarem organizar um grupos de estudos numa universidade, ou então um seminário permanente no Diretório Nacional do ex-PFL/DEMO… Mas aí é que esta: bem ou mal, o conservadorismo concreto, dos empresários e latifundiários, já sabe o que quer: flexibilizar salários, abrir centros sociais eleitoreiros em todas as favelas, massacrar o MST…Precisa desta gente para que?
janeiro 31, 2009 às 3:48 pm
Perrusi
Eles não são neocons. Eles são é donzelos. Começar um papo num bar perguntando-se se Hilary Clinton é pegável ou não é donzelice da braba. Sei lá, eles poderiam falar das pernas de Michelle Obama, mas não… E curioso como eles têm medo das namoradas. Aliás, onde estão as namoradas? Fazendo tricô?
Bem, a entrevista mostra que um velho liberal tinha razão: “jamais quis dizer que os conservadores são geralmente estúpidos. Quis dizer que as pessoas estúpidas são geralmente conservadoras”.
Ah, sim, informação curiosa: os neocons brasileiros gostam de lésbicas. Não sei bem o que significa isso, mas deve ser importante.
janeiro 31, 2009 às 8:22 pm
Leonardo Bernardes
O vídeo me lembrou um livro que eu tinha — engraçadĩssimo — “Tratado geral dos chatos”, de Guilherme Figueiredo.
Vou pedir, implorar, se for preciso, pra Rafael comentar esse vídeo — ele que é especialista em fazer resenhas sobre esse tipo de comentário. Eu mal me contenho só de pensar no que pode ser dito dessas quatro princesas comentando a “comestibilidade” de Hillary Clinton. É uma das cenas de heterossexualidade mais fake que eu já vi.
fevereiro 1, 2009 às 1:02 am
Daniel Christino
É pior do que o Manhattan Connection. Acho que todos ensaiaram com o Diogo Mainard. Concordo com o Perrusi aí, todos são donzelos. Vou falar para vocês, que falta faz o Paulo Francis.
fevereiro 1, 2009 às 1:31 am
Chestertulgo
“Falocêntrico” é esse centro de mesa em forma de falo!
Óxente, é um culto a príapo ou o quê?
fevereiro 1, 2009 às 4:04 am
ohermenauta
Perrusi,
Realmente, eu admitiria até especulações sobre a pegabilidade de alguém como Samantha Powers _ mas Hillary? Dá um tempo. Agora, discordo que a apreciação canalha de uma bela colação de velcro (dentro de certos limites estéticos bem definidos, como por exemplo Susan Sarandon e Catherine Deneuve em Fome de Viver) seja um sinal de conservadorismo. Ali, foi apenas mais uma malsucedida tentativa de emular o clima do Bar Velloso circa 1970.
Leonardo,
Bem lembrado, esse vídeo é material que renderia horrores na pena de Rafael Galvão…mas acho que ele prometeu a si mesmo nunca mais atiçar a ira dos astrólogos de Maria.
Daniel,
De fato, é o Manhattan Connection do mundo bizarro. Mas até que seria interessante ver se o Diogo Mainardi acharia a Hillary pegável. Tenho certeza de que ele preferiria a Ann Coulter ou a Michelle Malkin…
Ratz,
É mesmo! bwhahahahaah
fevereiro 1, 2009 às 4:59 pm
Andre Kenji
Políticas que eu pegava fácil eram a Rama Yade e a Rachida Dati.
fevereiro 1, 2009 às 7:29 pm
Adam
Kenjy, acho que agora se explicam todos os seus posts sobre a Rachida Dati
Mas realmente é uma mulher muito atraente, sem aquela aparência pasteurizada de celebridade…
Mas opa! vamos parando que isso aqui tá começando a parecer uma mesa de livraria cheia de apostos. O que eu queria dizer é que, apesar de bem, tosca, achei a iniciativa louvável, embora condenada ao fracasso, já que não conta com os melhores apostos, que são os da Torre de Marfim, e que provavelmente entendem mais de vida real. Por outro lado, a iniciativa seria ainda melhor se contasse com rivais, para mostrar que, além de conservador ser gente, conservador e progressista comseguem ser gentes juntos também.
Até!
fevereiro 1, 2009 às 7:29 pm
Adam
Ops, digitei “Kenji” errado. Que constranjedor
fevereiro 1, 2009 às 10:31 pm
Andre Kenji
É que a história de Dati é meio fascinante, da filha de imigrantes que sobe na vida. É meio por isso que eu gosto da história do Clarence Thomas, por mais que eu o ache um jurista detestável.
Os gringos tem o http://bloggingheads.tv/, que é muito, mas muito bom mesmo. São dois blogueiros ou autores discutindo pela câmera, e quase sempre tem esse “confronto” entre liberais e conservadores. O mais legal é do escritor da Mother Jones David Corn com o paleo-conservative James Pinkerton, já que o primeiro fica meio tentando contornar as coisas mais doidas que o segundo diz.
Com relação ao vídeo do apostos acho que dez minutos é muito pouco. Acho também que seria mais divertido um comentário mais esparso sobre as notícias recentes. Ficou meio pedante a escolha dos assuntos.
fevereiro 2, 2009 às 3:44 am
Marcos Nowosad
Apertei a tecla Stop na primeira pergunta (“Hillary e’ pegavel?”).
Constrangedor…
fevereiro 2, 2009 às 11:26 am
Eneraldo Carneiro
Idem.
Nem vou perder tempo com esse negócio. Tenho coisas bem mais interessantes em que gastar minha largura de banda.
fevereiro 2, 2009 às 1:32 pm
JH
O grisalho tentando nonchalance ao citar Nelson Rodrigues:
- “Brotoejas nas pernas”.
Se bem me lembro, NR falava de uma vizinha gorda e patusca com um colar de brotoejas no pescoço.
Mas, em resumo e de modo geral, o vídeo é o state of the art em fakin’ the funk (http://www.urbandictionary.com/define.php?term=fakin'%20the%20funk).
Constrangedor!
fevereiro 2, 2009 às 4:25 pm
Igor
Kenji,
Escolhemos não falar de atualidades porque no dia da filmagem não sabíamos exatamente quanto tempo ia levar entre edição e publicação. Falta de prática. Talvez nas próximas edições possamos falar das tais atualidades.
Hermenauta,
Obrigado pela divulgação do vídeo.
Abraços a todos.
fevereiro 2, 2009 às 4:46 pm
Marcos Nowosad
Depois os marmanjoes da direita ficam reclamando que as universitarias se encantam com os papos pseudo-intelectuais dos estudantes barbudos de Sociologia, deixando os jovens neo-cons a ver navios.
Tambem com essa concorrencia…
fevereiro 2, 2009 às 6:38 pm
ohermenauta
Igor,
Não tem de quê; you´re welcome!
fevereiro 2, 2009 às 10:36 pm
Andre Kenji
Igor
Eu sugereria um microfone, que facilitaria o trabalho de edição, e a definição dos temas numa folha de papel.
fevereiro 2, 2009 às 10:57 pm
Adam
Kenji, nunca pensei que algum dia iria dizer isso, mas… você está tentando tucanar os apostos!
fevereiro 2, 2009 às 11:52 pm
Igor
Kenji,
O microfone está lá, no meio da mesa – é o tal *símbolo fálico* que algum comentarista mencionou. Às vezes, um microfone é só um microfone…
E para te falar a verdade mais absoluta, definimos os temas numa folha de papel, sim, mas faltou disciplina para seguir o planejado. Saiu o que se vê.
Abraços.
fevereiro 3, 2009 às 11:08 am
João Paulo
Entrei nesse mundo de blogs recentemente. E ainda estou pesquisando. Me impressiona um blog ruim como este fazer discussões e assim se promover em cima de crítica de um outro blog que o blog ruim achou uma merda.
Quem tem coisa boa para mostrar, mostra.
Os caras do apostos (ou apostas) mostraram seu trabalho e sua opinião.
Não sei se entendi bem, mas eles não me pareceram ter pretensão em ser tudo o que o hermenauta criticou que els não são. Tampouco de atingir altas expectativas.
Na verdade esses comentários me pareceram bem invejosos.
Shame on you.
fevereiro 3, 2009 às 11:24 am
ohermenauta
Puxa, levou 3 dias!
fevereiro 3, 2009 às 4:38 pm
George D.
heheheh, pensei o mesmo! Já estava estranhando que ninguém tinha vindo reclamar da sacanagem… mas, 3 dias e 24 (sic) comments depois…
De resto, já li algumas coisas muito interessantes do Pedro Sette; os outros, não conheço. O problema foi que o início do bate-papo lascou tudo (convenhamos, discutir se a Hillary é pegável causa quase indigestão, hehe).
fevereiro 3, 2009 às 4:47 pm
Adam
Bem, os links do Pedro 7 que chegam a mim geralmente são muito bons. Ele também disserta sobre poesia, pelo que me interesso, mas não tenho capacidade de acompanhã-lo. O ruim é ler ele escrever sobre religião e ouvi-lo falar sobre mulheres. Nada contra nerds celibatários*, mas a falta de compreensão sobre o tema é gritante. Vê-lo lembrar da namorada na roda de conversa foi tão… naïf.
Até!
* Eu sei que esse não é o termo exato, mas vocês entenderam…
fevereiro 3, 2009 às 4:47 pm
ohermenauta
Até eu já falei bem de certos posts do Pedro 7, alguém com quem já bati boca.
Tem gente que não sabe o significado da inofensiva expressão “tirar um sarro”…
fevereiro 3, 2009 às 8:04 pm
Murilo
Entre um monte de barbaridades, o tal de Marcio Guilherme, a horas tantas, solta a seguinte pérola: Hugh Laurie tem sotaque irlandês! O sujeito nasceu em Oxford, estudou em Eton e Cambridge. O sotaque dele está beeeeem mais para Príncipe Charles que para Michael Collins. Digna de Paulo Francis, essa. Trata-se do Professor Higgins dos trópicos (esse sim criação de um irlandês…).
fevereiro 3, 2009 às 8:10 pm
L. Gorgulho
Mas que Zé Ruela! “Hilary Clinton pegável”. Esse cara me lembra muito um primo babaca (e fanfarrão) que eu tenho. Enfim, acontece nas melhores famílias.
Mas acho que constrangido mesmo esteve o Igor. Reparem que o rapaz falou uma única vez e permaneceu “hierático como um mordomo de filme policial inglês”.
fevereiro 3, 2009 às 8:31 pm
L. Gorgulho
Last but not least, notem “plantel feminino”.
Designava animais de raça e reprodutores, tomado de empréstimo, mais tarde, para se referir a jogadores de futebol.
As moças devem estar lisonjeadíssimas.
Sei não, mas dito por rapazes assim, isso deve significar alguma coisa!
fevereiro 4, 2009 às 3:15 am
outro Edson
Certo, o vídeo é genial mas eu também não consegui ver. Paulo Francis tinha uma frase para esse tipo de filme, eu acho. Entretanto, o que mudou a minha vida foi o texto acerca da grotesca interferência dos “intelequituais” na nossa percepção dos fatos individuais, tornando-os uma amálgama, fazendo com que milhares de fatos isolados sejam vistos como uma coisa só. Agora eu entendi porque é que estatística é coisa de esquerdista e porque a mão invisível não dá bola para pesquisas de mercado. Afinal, por que é que a relação individual de cada consumidor com a sua margarina individual seria de interesse para as empresas? Aliás, empresas não existem, existem indivíduos. Aliás, ninguém vai entender o que eu quero dizer já que cada um de nós tem uma relação individual com a linguagem. E tem mais, foij ]adfjakj aofjafu932 u0afjoa j 9 rj23r 2jr2j0j j!
fevereiro 5, 2009 às 9:13 am
De como Alexandre Soares Silva, o ASS, caiu em um buraco argumentativo, tornando-se um ASShole. «
[...] que eu acho engraçado em posts como este, e nos comentários, é que a falta de familiaridade das pessoas de esquerda com [...]