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Barak Obama

Matéria na Folha de hoje (transcrevo a íntegra abaixo do folder), traduzida do NYT, fala dos sete meio irmãos africanos de Obama _ filhos do pai dele com outras mulheres.  Uma frase proferida por sua irmã me chamou a atenção: “Pode-se confiar em Obama para se manter em diálogo com o mundo“.  Chamou a atenção porque me fez lembrar de uma descrição que li sobre ele: “o provável primeiro presidente pós-americano dos EUA“.  Cito de memória, já não me lembro onde li isso; de qualquer modo resolvi fazer uma busca, e descobri este texto de Mark Krikorian sobre o que é um pós-americano, onde ele explica o que seja isso:

Let me be clear what I mean by a post-American. He’s not an enemy of America — not Alger Hiss or Jane Fonda or Louis Farrakhan. He’s not necessarily even a Michael Moore or Ted Kennedy. A post-American may actually still like America, but the emotion resembles the attachment one might feel to, say, suburban New Jersey — it can be a pleasant place to live, but you’re always open to a better offer. The post-American has a casual relationship with his native country, unlike the patriot, “who more than self his country loves,” as Katharine Lee Bates wrote. Put differently, the patriot is married to America; the post-American is just shacking up.

Now, there are two kinds of post-American. David Frum, in his “Unpatriotic Conservatives” article for NR last year, highlighted what I think is the less important kind: Those who focus on something less than America, whether white nationalists or neo-Confederates, etc. The second, more consequential and problematic kind are those who have moved beyond America, “citizens of the world,” as the cliché goes — in other words citizens (at least in the emotional sense) of nowhere in particular.” (grifo meu)

Scott McConnel, escrevendo no American Conservative, faz a ligação entre Obama e o “pós-americanismo” de Krikorian:

He would not only be the United States’ first black president, but, to borrow immigration activist Mark Krikorian’s useful term, its first post-American one as well.

In his foreign-policy address before the Chicago Council on Global Affairs last April, Obama asserted that America’s security is “inextricably linked to the security of all people,” a recipe for global interventionism so promiscuous as to make neoconservatives almost prudent by comparison. He is a proponent of global free trade and high levels of immigration. Much of his memoir is devoted to his quest to connect with an extended family in Africa. This world-man aura is not without appeal, especially after eight years of a president deaf to what foreigners think and feel. But taken as far as Obama does, it would be an electoral liability.

E finalmente, John O´Sullivan, no National Review, dá a última martelada em seu artigo “The Obama Appeal“:

A glimpse at his speeches and programs demonstrates that he is committed, like all the Democratic candidates, to such policies as racial preferences, multiculturalism, liberal immigration laws, and the transfer of power from America’s constitutional republic to non-accountable global bodies and international law. For Obama is not merely a post-racist; he is a post-nationalist and a post-American too. But will the eventual Republican nominee be able to explain the difference?

Não deixa de ser interessante observar como certos analistas políticos lêem esse tipo de acusação:

(…)And that’s precisely the opposite of what the smear practitioners intend. Ignorance is their fuel. By depicting Obama in ceremonial Somali garb (a 2006 photo posted on the “Drudge Report”); by running anonymous quotes, supposedly from a “senior Pentagon official,” about how Obama’s ascension would be “the final victory” for “the Arab street” (news story in the Washington Times); and by writing, more politely, about how Obama’s priorities are really “post-nationalist” and “post-American” (the National Review), the goal is to insinuate that a Trojan Horse has breached the castle walls, with plans to lead us to ruin.

***

É um modo de ver as coisas, mas eu prefiro outro.

O que me leva a Marcus Ulpius Trajanus, o primeiro imperador de Roma não-romano, pois nascido na Ibéria.  Como tal pode-se dizer que tenha sido o primeiro imperador romano “pós-romano”.  Trajano levou o Império à sua máxima extensão territorial e é tido por muito historiadores como o protótipo do “bom governante” romano, com incentivos às obras públicas e outras políticas que fizeram seu reinado ser conhecido como uma época dourada _ a ponto de depois dele os senadores usarem por muito tempo a expressão “felicior Augusto, melior Traiano“, desejando a cada novo imperador que fosse alguém com mais sorte que Augusto e melhor do que Trajano _ os recordistas em cada quesito.

Em um mundo cada vez mais globalizado _ e onde os problemas, por isso mesmo, também o são _ não há muita dúvida de que um dia teremos alguma forma de organização como um governo mundial.  Acho que Obama pode dar os primeiros passos para isso usando a influência da nação mais poderosa do mundo _ se apenas ela souber como sair da jaula sem arrebentar as louças do armário.

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Falta do que fazer dá nisso:

Ikea: closet imperialists?

Is the Swedish store guilty of cultural imperialism?

Furniture store Ikea has been blamed for a lot of things in its time but there is a new one to add to the list.

In the past its huge stores have been criticised for blighting the landscape and causing traffic congestion.

Its products have been criticised for being unimaginative and for contributing to uniformity in living rooms across the country. Plus, there is the issue of pieces missing when you get the flat-pack furniture home.

But now there is a new charge on its rap sheet: “Swedish imperialism”. The Telegraph reports that academics in Denmark found the furniture chain was naming its cheaper products after Danish towns.

“The researchers claim to have discovered a pattern where more expensive items, such as beds and chairs, have been named after Swedish, Finnish and Norwegian towns whereas doormats, draught excluders and runners are named after Danish places,” says the paper.

Klaus Kjoller, of the University of Copenhagen, apparently “analysed” (rather than browsed) the Ikea catalogue. He said it “symbolically portrays Denmark as the doormat of Sweden, a country with a larger economy and population”.

An Ikea official described the product names as “pure coincidence”.

Kjoller did not reveal what his next piece of “research” will be, but perhaps he could take a look at that bastion of the British empire, the Argos catalogue.

No Independent, porém, o scholar dos assentos de privada admite:

When asked whether sinister motives lurk behind Ikea’s choice of chirpy product names, Klaus Kjoller, a professor at the Institute of Nordic Studies at the University of Copenhagen, says: “It’s 350 years ago that the Swedes took away regions of our country, so I suppose today you could say we’re seeing a kind of cultural imperialism, with them giving things of low value to us. Really, it’s not a big issue.

***

De qualquer forma os suecos deram melhores bárbaros do que imperialistas.  Enquanto a imagem de ameaçadores vikings nórdicos desafia a memória dos séculos, a experiência imperialista sueca tem episódios patéticos, como a construção do Vasa.

O Vasa era para ter sido um dos maiores e mais bem armados navios de guerra de seu tempo.  Foi construído por Gustavo Adolpho da Suécia entre 1626 e 1628, em plena Stormaktstiden, para reforçar a frota sueca no Báltico, não só por causa da guerra na Polônia como também pelo desenrolar da Guerra dos Trinta Anos na Alemanha, que parecia desenrolar-se de forma pouco auspiciosa para os protestantes.

Lamentavelmente, o Vasa naufragou em sua viagem inaugural devido a problemas de projeto que tornaram o grande navio extremamente instável.  Ele só foi recuperado por uma expedição de arqueologia marinha em 1961, embora seus canhões tenham sido salvos ainda no século XVII pela própria marinha de Gustavo Adolpho (canhões eram caros e tinham vida útil de dezenas de anos).

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***

Dizem que parte do sucesso sueco em construir seu império de um século emerge, além da sorte de contar com o surgimento de estadistas como Axel Oxenstierna, de certas características das táticas militares suecas.  Como, por exemplo, o fato de que retiradas NUNCA eram cobertas, o que não deixava muitas opções aos soldados além de avançar.

A idéia do “valor de fechar portas” reaparece constantemente em contextos militares.  Este artigo do NYT fala justamente sobre um general chinês, Xiang Yu , cuja tática também consistia em queimar seus navios de transporte de tropas, justamente para acabar com qualquer expectativa de retorno ou fuga para seus soldados.  O artigo de fato é uma resenha de um livro chamado “Predictably Irrational“, e o Leonardo Monastério recomenda o livro aqui, apontando inclusive para a página bem bossa-nova do autor.  Que é capaz de papers com títulos como  “Man’s Search for Meaning: The Case of Legos”.

No Valor de hoje:

Alta da soja põe em xeque pacto na Amazônia

César Felício e Bettina BarrosO aquecimento do mercado internacional de soja pode levar as grandes tradings do setor a rediscutir alguns tópicos da moratória que proíbe a compra de grãos de áreas da Amazônia. A guinada na demanda pela commodity, que tem provocado recordes sucessivos nos preços, já levanta questionamentos sobre algumas “amarras” do acordo.

A principal delas é a impossibilidade de desmatamento dentro do limite permitido por lei – no caso do bioma amazônico, 20% da área total da propriedade. Nos moldes de hoje, a moratória vai além da legislação ambiental brasileira, proibindo a compra de soja proveniente de qualquer área desmatada da região amazônica.

“É difícil para o setor manter o compromisso de não comprar soja de áreas novas, se estiverem dentro dos limites legais. A União Européia com certeza vai pressionar, mas o crescimento da demanda da China tende a diminuir o peso do prêmio pago pelos europeus”, afirmou ao Valor Jacyr Bongiolo, presidente do Grupo André Maggi. O grupo é um dos maiores produtores de soja do mundo.

Restante abaixo do fold.

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No UOL, crônica do Le Monde sobre os 200 anos da chegada da família real portuguesa…com um ponto de vista muito francês. Mas não dá pra discordar:

Crônica: “Muito obrigado, Napoleão”, dizem os brasileiros

Jean-Pierre Langellier

Todos os brasileiros poderão confirmar: o seu país existe graças a… Napoleão. O Brasil moderno é a conseqüência feliz de um excesso de orgulho imperial. Ele nasceu como nação porque Bonaparte havia obrigado a família real portuguesa a fugir para o outro lado do oceano, rumo à sua imensa colônia. Cem dias mais tarde, a dinastia dos Bragança desembarcava no Rio. Este fato aconteceu dois séculos atrás, em 8 de março de 1808.

Em 1806, o Imperador francês, no auge do seu poder, decreta o bloqueio continental contra a Inglaterra. Intimada a interromper todo comércio com ela, a Europa cumpre a ordem. Apenas Portugal reluta, não se conforma em trair a Grã-Bretanha, sua antiga protetora. Ele ganha tempo, lança mão de um jogo duplo, finge que irá ceder, mas, por trás da cortina de fumaça, assina um acordo secreto com Londres. Napoleão perde a paciência diante deste pequeno país insolente e lhe lança um ultimato. Ele terá de obedecer, caso contrário perderá o seu trono e a sua frota.

Em Lisboa reina um príncipe regente, Dom João, futuro D. João 6º, o Clemente. A sua mãe era a rainha Maria 1ª, também chamada de “A Louca” por ter afundado na demência depois da morte do seu filho primogênito. Ela havia se recusado, por motivos religiosos, a vacinar este último contra a varíola. Dom João tem 40 anos. É um homem obeso, tímido, indeciso. Ainda assim, diante da imposição autoritária dos franceses, ele irá tomar a decisão certa: exilar-se além dos mares. O tempo está acabando, pois Napoleão deu ordem ao general Junot para invadir Portugal. Eis que o oficial avança rumo a Lisboa, à frente de um exército de cerca de 25.000 homens.

O êxodo rumo à América constitui um projeto antigo, que é relembrado toda vez que o reino enfrenta um grande perigo. Desta vez, ele precisa ser posto em prática às pressas. Os víveres são amontoados, os arquivos são coletados, as jóias da Coroa – obras de arte, lingotes de ouro, diamantes do Brasil – são recolhidas. O conteúdo de 700 charretes acaba sendo reunido nos porões de 36 navios prontos para zarpar. No meio da confusão da partida, os 60.000 volumes da Biblioteca real e toda a prataria das igrejas permanecerão esquecidos no cais do porto. Tomada por um lampejo de lucidez, a “rainha louca” grita para o cocheiro que a está conduzindo para o porto: “Não corram tanto! As pessoas vão pensar que estamos fugindo!”

Na manhã de 29 de novembro, a chuva parou de cair, o sol está brilhando, o vento começa a ficar mais forte. É dada a ordem para partir. A frota desloca-se lentamente pelo rio Tejo e vai se afastando sob a proteção de uma esquadra inglesa. Já não era sem tempo. A vanguarda do general Junot alcança as docas uma hora depois do último navio da frota real ter desatracado. Aliás, a empreitada do general vai dar com os burros n’água. Milhares de insurretos tomarão as armas contra os seus regimentos, que retornarão para a França em agosto de 1808. A respeito de Dom João, Napoleão escreverá: “Ele é o único homem que conseguiu me pregar uma peça”.

A elite portuguesa inteira está fugindo entre céu e mar. Quantos estão nesta situação? Entre 5.000 e 15.000, segundo os historiadores. Nobres, oficiais, juízes, comerciante, bispos, médicos, pajens e camareiras acompanham a família real, da qual todos os membros estão presentes. O seu périplo é um pesadelo. Esses cortesões assustados e descontentes não serão poupados de nenhuma desgraça: as tempestades, as náuseas coletivas, o escorbuto, a falta de água. Uma invasão de piolhos obriga as mulheres a rasparem a cabeça.

Depois de uma travessia que durou 52 dias, Dom João desembarca em Salvador na Bahia. Pela primeira vez, um soberano da Europa pisa o solo da América. A festa dura uma semana, durante a qual milhares de súditos comparecem para beijar a mão do príncipe. Esta escala é uma jogada política. Dom João aproveita para reafirmar a sua autoridade sobre a população das províncias do Norte, em volta de uma cidade, Salvador, que foi a primeira capital do Brasil e se mostra nostálgica por ter perdido esta condição. Nela, o regente toma uma decisão crucial, a de abrir os portos para o comércio mundial. O fim do monopólio colonial é o preço a ser pago pelo seu apoio à Inglaterra, que dele será a principal beneficiária.

Cem dias depois de ter deixado Lisboa, a frota atraca na baía do Rio. No dia seguinte, a família real desembarca em meio a um ambiente de alegria. Ouvem-se estrondos de canhões, os sinos tocam seus carrilhões, muitos se borrifam com água benta, respirando os vapores de incenso. Predomina um contraste impressionante entre esta cidade “africana”, povoada numa proporção de dois terços por negros e mestiços, entregue aos aventureiros e aos mercadores de escravos, e esses cortesões pálidos que trajam roupas pesadas, um pouco ridículos.

Três séculos depois da sua descoberta por Pedro Álvares Cabral, em 22 de abril de 1500, o Brasil continua sendo uma terra inexplorada. É um país de fronteiras imprecisas, desprovido de um verdadeiro poder central, que ainda não possui nem um comércio interno, nem uma moeda. Os seus 3 milhões de habitantes ainda não se consideram verdadeiramente como “brasileiros”. A chegada do príncipe irá transformar a colônia numa metrópole. Por meio das suas iniciativas, o Rio cresce em tamanho, se embeleza e se refina. A cidade se abre para as mercadorias e as idéias.

Dom João implanta um Estado estável e organizado. Ele confere ao Brasil a sua unidade territorial, política, econômica e lingüística. No momento em que a América espanhola está sendo tomada por levantes, guerras e dilaceramentos, o Brasil emancipa-se suavemente da tutela portuguesa. Em 16 de dezembro de 1815, o regente proclama “o reino unido de Portugal, do Brasil e de Algarves”, tornando a cidade do Rio de Janeiro com o mesmo status de Lisboa. Ele torna-se o rei João 6º. Um ano depois do seu retorno ao país natal, o seu filho Dom Pedro proclama a Independência (em 7 de setembro de 1822) e se torna o primeiro imperador do Brasil.

Hoje em dia, o Brasil está celebrando com orgulho o bicentenário da chegada de Dom João. Ele organiza exposições, emite selos e cunha moedas comemorativas. Por ocasião do mais recente carnaval, várias escolas de samba fizeram deste evento histórico o tema do seu desfile. Um dos refrões, que era entoado em coro pela multidão, concluía-se com um alegre: “Até logo, Napoleão!” Até logo e obrigado.

Como não acompanhei o desfile das escolas de samba, não sei se esta última história aí é verdade. Alguém confirma?

Como sabemos, a Igreja posiciona-se contra a pesquisa com células tronco embrionárias.

O argumento é o da defesa da vida, pois os embriões poderiam se transformar em novas vidas.

Mas…como são gerados estes embriões utilizados na pesquisa?

Esses embriões são um “produto derivado” das técnicas de inseminação artificial utilizadas em tratamentos para casais que por algum motivo não conseguem ter filhos de modo natural.  A prática é a seguinte: os embriões são gerados em grande quantidade, a partir de óvulos da doadora.  Os de aparência mais viável são implantados ou na própria doadora ou em uma barriga de aluguel (razão pela qual é comum a presença de gêmeos em partos de gestantes de reprodução assistida).  Os demais embriões gerados são congelados.  A prática é que, depois de um certo número de anos, esses embriões sejam descartados.

Isto significa o seguinte: para ser coerente a Igreja Católica deveria exigir ou o fim da reprodução assistida via inseminação artificial ou a implantação de TODOS os embriões na doadora (ou na barriga de aluguel).  Isto porque os embriões destruídos são um produto NECESSÁRIO e INEVITÁVEL das técnicas de reprodução assistida.

Pergunta-se: porque a Igreja prefere ser tão seletiva em seus alvos e não levar seu discurso até as últimas consequencias?

Espero que não. Deu no Estadão:

Criado sistema capaz de ler imagens dentro do cérebro humano

SÃO PAULO – Há vários meios que permitem a um mágico realizar o truque de “ler mentes” e, por exemplo, descobrir qual das cartas do baralho você escolheu, mas nenhum deles envolve a decodificação direta da atividade fisiológica do seu cérebro – até agora. Na edição desta semana da revista científica Nature, uma equipe de pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley relata a criação de um sistema capaz, ainda que de modo rudimentar, de ler a mente humana, traduzindo o que se passa no córtex visual primário do cérebro. “Construímos um modelo de computador da parte inicial do sistema visual que é capaz de pegar uma imagem qualquer, como dado de entrada, e prever a atividade neural que será o dado de saída”, explica, em entrevista por e-mail, o principal autor do trabalho, Jack L. Gallant. “É como uma transformação matemática”.

De posse da previsão feita pelo computador, os pesquisadores são capazes de executar a operação oposta: comparar o gráfico gerado pelo programa com uma leitura real de ressonância magnética funcional (fMRI) e, assim, “adivinhar” para qual imagem o paciente está olhando. Nos testes descritos na Nature, realizados com dois voluntários – ambos co-autores do artigo – o processo acertou a “adivinhação” de 80% a 90% das vezes, para uma galeria de até 1.000 imagens.

Os pesquisadores estimam que, num conjunto de um bilhão de imagens – aproximadamente o mesmo total catalogado pelo Google -, o sistema acertaria cerca de 20% das vezes. “Se uma pessoa sob fMRI do cérebro fosse escolher uma imagem ao acaso na internet, nossos dados sugerem que seríamos capazes de usar a medição de atividade cerebral para identificar a imagem exata uma em cada cinco vezes”, diz nota divulgada pelos autores do trabalho.

Gallant acredita que o mesmo tipo de abordagem poderá funcionar para os demais sentidos – audição, olfato, paladar, tato – mas não garante que seja possível chegar a, realmente, ler pensamentos que incluam linguagem ou emoções. “Não sabemos o suficiente sobre as partes não-sensoriais do cérebro”, explica.

No entanto, mesmo reconhecendo limitações, os criadores da técnica acreditam que ela tem muito potencial a ser explorado. O trabalho sugere, segundo eles, que a ressonância magnética funcional do cérebro contém muito mais informação do que se imaginava, e que um dia poderá ser possível decodificar o conteúdo de experiências sensoriais em tempo real. Imagens produzidas na memória, em sonhos e na imaginação também poderiam, em princípio, ser captadas pelo mesmo método.

As possíveis aplicações da tecnologia, dizem os pesquisadores, vão desde o uso em estudos científicos, para compreender melhor como o cérebro assimila e processa informação, até a criação de interfaces entre o cérebro e máquinas, para permitir o controle de próteses e outros equipamentos diretamente pelo pensamento.

Os pesquisadores afirmam que tanto a tecnologia para medir a atividade cerebral quanto os modelos de computador para extrair conteúdo dessas medições estão melhorando continuamente. “É possível que a decodificação da atividade do cérebro venha a ter graves implicações éticas e de privacidade dentro de, digamos, 30 a 50 anos”, reconhecem.” (grifo meu)

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O Arranhaponte Matamoros comunica, em post, algumas mudanças no Apostos, como a nova página inicial e novas aquisições.

Entre elas desponta a entrada de Filthy McNasty na embarcação aposta _ nem tanto porque eu esteja a afirmar que ele representa uma aquisição de maior qualidade do que as outras, já que não fiz essa comparação, embora o ache ótimo _ quanto pelo fato dele ter saído daquele portal que não ousa dizer seu nome.

Fica a curiosidade de saber se já está rolando a “lei do passe” entre portais de blogs, e se já tá rolando “bicho” no Apostos… :)

Post da Nariz Gelado hoje:

Tenham dó.

Proibir que embriões, que iriam para o lixo de qualquer maneira, sejam doados para a pesquisa científica, com a devida autorização dos pais?
Pensei que já tínhamos resolvido esta questão no século passado.
Afinal de contas, basta a autorização da família para que órgãos vitais, que seriam enterrados de qualquer maneira, sejam doados.

Assino embaixo.

Tio Rei hoje:

Senador fala em venda secreta de armas a Chávez

Leitores me cobram que noticie a afirmação feita há pouco pelo senador Arthur Virgílio (PSDB-AM). Ele diz ter recebido documentos dando conta de que aviões da TAM estariam envolvidos numa operação secreta de venda de armas brasileiras à Venezuela.Essa história apareceu primeiro no site World-Check. Segundo se lê, quatro vôos levariam diretamente a Chávez 31,5 toneladas de armamentos. O primeiro já teria chegado, com 1,5 tonelada. Três outros, com 10 toneladas cada um, estariam programados.

A acusação é grave, e todo cuidado é pouco.

Aproximadamente duas horas depois ele se redimiu publicando a nota da TAM sobre o assunto.

O problema é o seguinte: Tio Rei deveria ter mais cuidado. Eis um trecho do discurso de Arthur Virgílio sobre a história:

“Num país onde as forças armadas e a polícia já estão bem equipadas, essas armas só podem ter um uso: armar defensores civis do regime vigente na Venezuela, que usarão essas armas contra a oposição, o que poderia degenerar numa guerra civil espanhola.”

O diabo é que invocar o fantasma da guerra civil espanhola, neste imbroglio, pode dar xabú. Afinal, quem estudou o conflito sabe que ele foi um campo de provas da tecnologia militar nazista, onde brilhou o bombardeiro Stuka, aquele desenhado para, ao mergulhar para soltar suas bombas, fazer aquele barulho horrível que todo mundo que já viu um filme de Segunda Guerra conhece.

Ocorre que se dá pra fazer um paralelo, é com o ataque colombiano ao acampamento das FARC no Equador, que utilizou aviões Supertucano da Força Aérea Colombiana comprados à…Embraer. Vendidos, aliás, em 2006, sob o beneplácito deste mesmo governo dominado pelo Foro de São Paulo que está aí.

***

Mas não são apenas os poderes analíticos de Tio Rei quanto aos assuntos militares que vão mal. Os políticos também andam de mal a pior: Reinaldo Azevedo fez Gerald Thomas mas, por outro lado, decepcionou-se amargamente com um seu herói de outrora:

Já fiz esta observação sobre Nicolas Sarkozy, presidente francês, e farei de novo: quando ele era ministro do Interior, jamais negociou com os seus bandoleiros. Os franceses estão, para variar, jogando um triste papel no cenário internacional. Fica evidente que, pouco importa o presidente, o país não consegue ir muito além do seu antiamericanismo sem imaginação. Sim, é só de “antiamericanismo” que se trata. Não me venham dizer que o país que fez a Guerra da Argélia é, assim, um exemplo de temperança…

O desempenho de Sarkozy, nessa questão, tem sido lamentável — aliás, não tem sido lá grande coisa no resto também. Sim, eu o apoiei, com o meu apoio inútil, porque não voto nas esquerdas. Até agora, só não é uma decepção maior porque é baixinho. Afinal, qual é o ponto de vista da França? A Colômbia deve se vergar a todas chantagens dos guerrilheiros porque eles têm os reféns? Então é assim? Basta aprisionar pessoas e sentar para negociar?

É, é triste quando o amor acaba.

Via Slashdot:

“Four hundred years after it put Galileo on trial for heresy the Vatican is to complete its rehabilitation of the scientist by erecting a statue of him inside Vatican walls. The planned statue is to stand in the Vatican gardens near the apartment in which Galileo was incarcerated. He was held there while awaiting trial in 1633 for advocating heliocentrism, the Copernican doctrine that the Earth revolves around the Sun. The move coincides with a series of celebrations in the run-up to next year’s 400th anniversary of Galileo’s development of the telescope. In January Pope Benedict XVI called off a visit to Sapienza University, Rome, after staff and students accused him of defending the Inquisition’s condemnation of Galileo. The Vatican said that the Pope had been misquoted and since the episode, several of the professors have retracted their protest.

No Huffington Post:

After the confetti is swept and the champagne bottles are tossed a more sober reality will take hold. Not just that her net gain of delegates this week will be, at most, in the single digits. But worse. There is no plausible scenario in which Clinton can win the nomination. At least not democratically.

Seven more weeks of campaign slog through Wyoming, Mississippi and into Pennsylvania. And then maybe tack on six more weeks, if you can believe it, into Indiana , West Virginia, and a handful of other states and into Puerto Rico on the 7th of June, quite literally into D-Day. Whatever the outcome, even if Clinton wins all 16 remaining contests -and some of them by veritable landslides, she will still be dozens of elected delegates behind Barack Obama.

She will not be the winner because she will have not won the majority of elected Democratic delegates. Clinton will be exactly where she was the night before Ohio and Texas: in second place and with no way to become the nominee unless enough unelected Superdelegates defy the popular will of the electorate and throw her the nomination (or unless you somehow believe that she can every coming primary with a 20 point margin).

Kevin Drum contra o voto útil (comentando a fratricida campanha democrata de 1968):

In other words, this was the mother of all ugly, party-destroying campaigns. No other primary campaign in recent memory from either party has come within a million light years of being as fratricidal and ruinous. But what happened? In the end, Humphrey (N.H. – candidato democrata) lost the popular vote to Nixon (N.H. – candidato republicano) by less than 1%. A swing of about a hundred thousand votes in California would have thrown the election into the House of Representatives.

If long, bitter, primary campaigns really destroy parties, then Humphrey should have lost the 1968 election by about 50 points. “Bitter” isn’t even within an order of magnitude of describing what happened that year. And yet, even against that blood-soaked background, Humphrey barely lost.

Daniel Drezner tem uma peça acachapante sobre como a “identity politics” que grassa sobre a disputa democrata pode levar água ao moinho republicano:

This leads to a central irony about this campaign. I don’t doubt that Barack Obama and Hillary Clinton have suffered a multitude of small slights in their professional and personal lives because of their gender or race. However, if you think about this as a contest to see who has suffered the greatest because of their identity, it’s not even close. The candidate who has suffered the most in his lifetime is…. John McCain. As an individual, he has paid a much higher price for his identity as an officer in the United States military than Obama or Cinton has individually paid for their race or gender. And there’s simply no way to spin it otherwise. (grifo meu)

As a collective entity, of course, African-Americans and women have white males beat on the suffering front. It is interesting, however, that the avatars of identity get all jumbled up once we look at the candidates’ individual biographies.

O Idelber, na sua excelente cobertura da eleição lá no Biscoito, informa sobre um golpe baixíssimo da campanha de Clinton que também carrega água para o moinho republicano:

4.Obama tem que aprender a dar umas caneladas. Não precisa abdicar de seus princípios éticos, mas algum tipo de reação mais dura aos ataques negativos ele terá que elaborar. Nesta semana, Hillary chegou a declarar: eu trago uma experiência de vida; John McCain traz uma experiência de vida; Barack Obama faz discursos. Imagine quantas vezes os republicanos vão tocar esse clip na eleição geral, caso se confirme a candidatura de Obama.

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First prize 

Eu ia escrever mais extensamente sobre isto, mas acho que os Torreões já falaram sobre quase tudo que havia para ser dito a respeito.  O texto do Kamel pode ser encontrado, é óbvio, no blog do Tio Rei.

Só um detalhe do texto do Kamel que lhes passou despercebido:

Na realidade, o programa transfere, mas não gera renda: o consumo só aumentaria se a propensão de consumir dos beneficiários do Bolsa-Família fosse maior do que a propensão dos que pagam o imposto que torna o programa possível, o que é improvável. O contribuinte, sem o imposto, gastaria o dinheiro em alguma coisa. Assim, trata-se de uma soma de resultado zero, não havendo aumento de produção.

Tenho um saco de balas juquinha para quem apontar qual erro crasso de análise econômica o jornalista comete neste trecho.

Enfim, continua sendo mais difícil um Kamel passar por uma faculdade de economia do que um rico subir ao reino dos céus.

(hat tip: Dayvan Cowboy, aka uberspazzen, aka Eigenmacx)

(e pra quem curte essas coisas, recomendo: Braindance)

Deu no Globo:

Teoria de que Moisés tomou chá do Daime cria polêmica em Israel

O especialista em psicologia cognitiva Benny Shanon, da Universidade hebraica de Jerusalém, afirma que Moisés, considerado o principal profeta da religião judaica, pode ter ingerido a substância ayhuasca, conhecida no Brasil como chá do Daime.A afirmação foi publicada nesta semana em um artigo na revista de filosofia Time and Mind e causou polêmica em Israel.

A idéia de que Moisés poderia estar sob a influência de “drogas” provocou a indignação de líderes religiosos em Israel e, segundo os críticos, a teoria de Shanon “é uma ofensa ao maior profeta do povo judeu”.

O rabino Yuval Sherlo disse à Radio Pública de Israel que “a teoria é absurda e nem merece uma resposta séria”. De acordo com o rabino, a publicação da teoria de Shanon “põe em dúvida a seriedade tanto da ciência como da mídia”.

Uma das obras de Benny Shanon, o livro Antipodes of the Mind, que analisa a relação entre a planta ayhuasca e a criação das religiões, foi publicado em 2003 pela Oxford University Press, uma das editoras acadêmicas mais renomadas do mundo.

Em entrevista à BBC Brasil, Shanon contou que começou a pesquisar a relação entre os efeitos da planta e a criação das grandes religiões, quando ele próprio experimentou o chá do Daime no Brasil.

De acordo com o pesquisador, a criação dos Dez Mandamentos poderia ser conseqüência de uma experiência com substâncias psicotrópicas, que alteram o estado cognitivo do indivíduo, e se encontram em plantas existentes inclusive no deserto do Sinai.

Foi no deserto do Sinai que, segundo a tradição, Moisés teria recebido as Tábuas da Lei, consideradas a base da civilização judaico-cristã.

Brasil

“Tudo começou quando estive no Brasil em 1991, a convite da Unicamp, para dar uma palestra sobre linguagem e pensamento”, afirma Shanon.

“Depois da palestra, viajei pelo Brasil por dois meses e experimentei pela primeira vez o chá do Daime em Rio Branco, no Acre.”

“Também participei de rituais religiosos e espirituais do Santo Daime, apesar do fato de que não sou adepto de nenhuma religião”, acrescenta o pesquisador.

“Tinha 42 anos naquela época, e a experiência mudou a minha visão do mundo”, afirma. Comecei, então, a pesquisar os efeitos dessa planta sob o aspecto da minha área, a psicologia cognitiva.”

“Muitas pesquisas já foram feitas sobre os efeitos da planta, mas principalmente na área da antropologia, e não da psicologia”, diz Shanon.

“Os antropólogos geralmente escrevem apenas por meio da observação, mas sem experimentar, eles próprios, a substância”, avalia o professor titular da Universidade Hebraica. “Acho que é como escrever um livro sobre música sem ouvir música.”

Desde 1991, Shanon diz ter visitado o Brasil dezenas de vezes e afirma que já ingeriu o chá do Daime mais de 100 vezes.

Experiência

“A substância abriu para mim uma dimensão do sagrado que nunca tinha vivenciado antes, tive visões muito fortes, inclusive de cantar junto com milhares de anjos”, descreve o pesquisador israelense. “A experiência foi tão forte que me levou a querer integrá-la no estudo da fenomenologia da consciência humana.”

“Estudei, então, todos os contextos culturais e religiosos ligados à ingestão da ayhuasca”, conta Shanon.

“Cheguei à conclusão de que, nas religiões mais antigas, como a zoroastra e a hinduísta, também houve rituais ligados à ingestão de substâncias que levam a alterações cognitivas, nos quais os participantes ‘viram Deus’ ou ‘viram vozes’.”

O professor de psicologia cognitiva cita o fenômeno da sinestesia, em que se cria uma relação entre planos sensoriais diferentes e o indivíduo se encontra em um estado neurológico que possibilita que ele “veja sons”.

“Na Bíblia, há frases como ‘o povo viu as vozes’, que me chamaram a atenção, pois descrevem exatamente a sinestesia que ocorre com a ingestão da ayhuasca”, afirma Shanon. “Encontrei frases semelhantes em textos e cânticos de outras religiões.”

Críticas

O pesquisador, que já recebeu críticas negativas de religiosos em Israel, diz que sua tese não constitui um desrespeito à religião, mas sim “uma tentativa de entender momentos tão importantes para toda a humanidade”.

“Não acredito na visão ontológica, segundo a qual a história de Moisés e os Dez Mandamentos teria sido um evento cósmico extraordinário”, afirma. “Mas também não acho que um momento tão importante possa ser considerado como uma simples lenda.”

“A minha tese, segundo a qual as substâncias ingeridas por Moisés teriam gerado uma abertura cognitiva que possibilitou um contato com o sagrado, pode ser uma explicação razoável e também respeitosa de como a religião judaica nasceu”, diz Shanon.

“Mas não é qualquer pessoa que ao ingerir a substância é capaz de criar os Dez Mandamentos, é necessário ser um Moisés para isso”, acrescenta. “Ao meu ver, a ayhuasca libera uma criatividade interna, como a arte.”

Tendo em vista o fato de que cada vez mais o julgamento do STF acerca da constitucionalidade da Lei de Biossegurança reveste-se de um caráter épico, definindo até onde vai a separação entre Igreja e Estado no Brasil, este editorial do Valor de hoje é sob todos os aspectos admirável:

Pesquisa com embriões tornou-se questão de fé

O Supremo Tribunal Federal (STF) será hoje o palco do segundo round entre a Igreja Católica e cientistas em torno de pesquisas com células-tronco extraídas de embriões humanos. Durante todos os anos de tramitação da Lei de Biossegurança aprovada em 2005, a Igreja desempenhou um papel ativo para impedir o estudo de células-tronco (pluripotentes), que têm a propriedade de se transformar em células capazes de substituir outras que perderam a capacidade ou nunca funcionaram – uma esperança de cura para doenças degenerativas.

Os católicos conseguiram em 2005 uma meia vitória – ou evitar a derrota total – ao transformarem um projeto que resultaria em uma maior liberdade às pesquisas terapêuticas com células-tronco em uma lei com regras estritas para o uso de embriões. Segundo a lei aprovada, as pesquisas só podem ser feitas com embriões descartados (isto é, aqueles que não servem para ser implantados em ovários) por clínicas de reprodução humana e naqueles congelados há mais de três anos, e desde que com autorização dos pais. É essa a realidade com que trabalham hoje os cientistas brasileiros.

É dessa lei, já restritiva, que Cláudio Fonteles, na qualidade de procurador-geral da República, questionou a constitucionalidade, logo após a promulgação. O argumento jurídico é o de que, como os embriões têm que ser destruídos para a retirada das células-tronco, esse procedimento científico atentaria contra o preceito constitucional de garantia à vida. Seria uma espécie de aborto – de uma vida que jamais iria existir, já que a lei permite o uso científico apenas dos embriões cujo destino seria o lixo. Fonteles leu a lei e julgou-a com os olhos da Igreja Católica – a única no Brasil que se opõe às pesquisas com células-tronco – quando era o procurador-geral de um Estado laico, onde convivem várias religiões e nunca prosperou o fundamentalismo religioso. A parte “ofendida” que questiona o artigo 5º da Lei de Biossegurança continua sendo a procuradoria-geral, cujo titular, hoje, é Antonio Fernando de Souza.

A oposição religiosa quer criminalizar uma questão que é científica e jurídica. Os católicos que se envolveram nesse embate entendem que a vida existe no momento da fecundação. A célula-tronco é extraída do embrião até cinco dias da fertilização do óvulo – e na reprodução natural o embrião tecnicamente existe apenas depois do 6º dia da fecundação. A Igreja, no entanto, equipara a extração das células-tronco ao aborto. Essa é a mesma posição que levou os EUA a proibirem a utilização de verbas públicas em pesquisas com células-tronco, na esteira do fundamentalismo religioso de seu presidente, George W. Bush. Mesmo assim, os adeptos de Bush não foram tão obtusos a ponto de proibir in limine todas as pesquisas com células-tronco. Elas são liberadas, desde que feitas com o dinheiro privado.

A questão agora está nas mãos do Supremo. Se houver contaminação religiosa no julgamento, corre-se o risco de a Igreja conseguir derrubar uma lei que não conseguiu derrotar no Congresso, embora tenha feito todo empenho para isso. Para firmar o Estado laico e liberar a ciência brasileira para aquela que é hoje a mais importante linha de pesquisa para a cura de doenças degenerativas, no entanto, o STF não pode sequer se dar ao luxo de adiar o julgamento. Tem que rejeitar de vez a ação direta de inconstitucionalidade contra a Lei de Biossegurança. Os centros de pesquisa brasileiros estão praticamente parados, esperando uma definição da mais alta Corte do país. Se algum ministro do tribunal pedir vistas, e adiar por mais tempo o julgamento da questão, corre-se o risco de atrasar ainda mais as pesquisas na área. A permissão de uso apenas dos embriões descartáveis já dificulta que o Brasil desenvolva sua própria linhagem de células-tronco, o que daria maior autonomia aos nossos pesquisadores. Mas, mesmo com essa precária permissão, o fato de ela estar subjudice tem retardado o investimento nessas pesquisas. Para começar a tirar o atraso do país naquela que é a atualmente mais promissora pesquisa para se chegar à cura de doenças degenerativas, o Supremo tem que, rapidamente, despir de conteúdo religioso essa questão. Basta ser laico que o bom-senso prevalecerá.”

***

UPDATE:

Uma das coisas de que eu realmente gostei neste editorial foi o fato dele não ter incorrido em um pequeno vício que outros jornais incorreram, qual seja, o de destacar com grande alarde a condição de “católico” da maioria dos juízes do STF.  Primeiro, porque muitos deles podem ter se declarado “católicos” à maneira de grande parte do povo brasileiro, que se declara católico por automatismo mas na prática se comporta como lhe dá na telha. Ou seja, são os famosos “católicos não praticantes”.  Segundo, porque colocar a coisa desta forma me parece já ser uma maneira de encostar o juiz na parede, de forma a que ele termine contaminando seu julgamento pelo rótulo que lhe foi pespegado.  Estarei viajando na maionese?

Alon, impagável:

A direita vive a falar mal dos nossos heróis porque não tem como falar bem dos heróis dela própria. O financista que, graças aos juros escorchantes, remove da formação social as manchas de atraso representadas pela pequena propriedade ineficaz. O grande sonegador de impostos que drena as arcas do Tesouro e, com isso, evita a concentração de recursos da sociedade nas mãos de um estado ineficiente -para que, com mais dinheiro no bolso, a sociedade possa criar ela própria a riqueza que vai proporcionar um mundo melhor para todos. O ricaço dono de imóveis que despeja o modesto inquilino por falta de pagamento e, assim, ajuda a consolidar a regra de que contratos são feitos para serem cumpridos, de que a segurança jurídica é um valor universal. O executivo de sucesso que promove um downsizing capaz de levar a empresa a patamares inimagináveis de produtividade. Quem se candidata a fazer um filme com tais personagens como heróis? Ninguém. Esse pessoal só é herói em revistas de negócios. Em nenhum outro lugar.

O NYT diz que Hillary levou Ohio e possivelmente vai ganhar no Texas também, mas por pequena margem.

Embora analistas andassem dizendo que Hillary teria que ganhar com muita vantagem para se viabilizar, não deixa de ser uma ducha de água fria em Obama.

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A política do corpo encontra o corporativismo 

Entrevista do Gabeira ao Pedro Dória, explicando sua candidatura à Prefeitura do Rio, hoje.

Confesso que é meio esquisito ver Gabeira candidato em uma coalizão suportada pelo PSDB e por aquele partido que virou a linha auxiliar do PSDB, o PPS.

Mas a política do Rio realmente é cheia de surpresas.  Como por exemplo a de vermos o PT de Lula namorando Marcelo Crivella

E as novidades sobre o laptop de Raúl Reyes não páram.  Aliás, aquilo não é um laptop, é uma caixa de Pandora…felizmente para o Mundo Livre ele caiu em mãos imparciais como a do Exército colombiano.  A mais nova novidade é comentada por Reinaldo Azevedo, doublê de jornalista e consultor da CNEN para assuntos nucleares:

Foro de São Paulo 6 – A questão do urânio. E os vídeos

Se vocês clicarem aqui, terão acesso a vários vídeos sobre o episódio, inclusive àquele em que o chefe da Polícia Nacional da Colômbia, general Oscar Naranjo, relata que, no computador de Raúl Reyes, há um documento demonstrando que as Farc estavam interessadas em comprar 50 quilos de urânio. Urânio? Urânio pra quê?
Sabe-se que o material serve à fabricação das chamadas “armas sujas”. Fariam elas mesmas as ditas-cujas? Duvido. Mas isso daria à organização o status de player internacional no mundo do terror. Naranjo observa, e está correto, que o episódio demonstra que combater as Farc não é mais um problema apenas da Colômbia. O interesse é do continente e, de fato, de todo o mundo.

Para quem se lembra do acidente do Césio 137 em Goiânia nos anos 80, fica bem claro que a idéia de comprar urânio para fazer uma bomba suja é exótica e ineficiente.  Qualquer rede terrorista bem azeitada pode sair comprando isótopos radioativos usados em equipamentos de raios X e outras fontes por aí e fazer uma bomba suja com muito mais rapidez e sem se expor aos perigos de entrar no vigiado mercado de urânio e plutônio, especialmente se enriquecido (até porque uma carga de urânio mineral natural é muito menos eficaz do ponto de vista de uma “bomba suja” do que uma boa carga dos isótopos certos de outros materiais radioativos).

Além disso, uma bomba suja teria poucos efeitos diretos;  por outro lado, é muito difícil confeccionar uma tal bomba de forma a encapsulá-la para que o material radioativo não gere efeitos deletérios sobre a própria equipe incumbida de posicioná-la e detoná-la.  Estas, inclusive, são tidas como as principais razões pelas quais uma tal bomba nunca foi usada até hoje.

Há numerosos fact sheets por aí, tanto sobre “dirty bombs” quanto sobre “radiological dispersion devices“.  É só fazer o dever de casa.  Mas Tio Rei prefere dar uma de terrorista…

***

Quizz: que outros terrores estarão ocultos no laptop de Raúl Reyes?

a) a prova definitiva de que as FARC estavam envolvidas na compra da copa de 78 pela Argentina;

b) a prova definitiva de que as FARC mataram Kennedy;

c) a prova definitiva de que as FARC mataram John Lennon;

d) a prova definitiva de que as FARC criaram Britney Spears;

e) uma foto de Lula de ceroulas.

Ainda no Correio Braziliense:

Ibope: 75% dos brasileiros apóiam uso de células-tronco

Da Agência Estado

04/03/2008
09h46-
A maioria da população brasileira é a favor das pesquisas com células-tronco embrionárias para descobrir tratamentos para doenças graves, segundo levantamento feito pelo Ibope, com amostragem nacional, entre os dias 24 e 29 de janeiro. O total de pessoas que concordam totalmente com a liberação é de 75%. Já 20% afirmam concordar parcialmente.

Os números pouco se alteram quando o recorte é feito por religião do entrevistado. Entre os católicos, a porcentagem de favoráveis é exatamente a mesma, mostrando uma divergência com a cúpula da Igreja, que se pronuncia contra as pesquisas na área. Outras sondagens já mostraram que os fiéis adotam comportamentos diferentes dos pregados pela Igreja em temas que envolvem planejamento familiar e sexualidade. Entre evangélicos, cai para 71% o apoio total aos cientistas e fica em 20% o apoio parcial.

O apoio aumenta entre os homens e conforme cresce o nível de escolaridade dos entrevistados. Entre pessoas com curso superior completo, a concordância total chega a 83%. É também maior na região Sudeste (83%) e menor no Norte e Centro-Oeste (67%).

O Ibope entrevistou 1.863 homens e mulheres com idades entre 16 e 70 anos de todos os Estados e níveis de escolaridade – que variavam do ensino fundamental incompleto ao superior completo. A pesquisa foi encomendada pela organização não-governamental (ONG) Católicas pelo Direito de Decidir.

“A pesquisa apontou que os brasileiros têm um pensamento contemporâneo e apóiam as pesquisas com células-tronco embrionárias como forma de desenvolver novas oportunidades no campo da medicina. Isso indica que estamos preparados para analisar por outros aspectos as atitudes que são, realmente, em favor da vida”, explica a coordenadora da ONG, a socióloga Dulce Xavier.

Boa porrada no anaerobismo que tenta levar o povo no bico, no atacado. Exemplo:

O povo é de “direita”, revela o Datafolha

Escrevi aqui, dia desses, que até seria interessante que se fizesse um plebiscito sobre a ampliação do direito ao chamado aborto legal porque a proposta seria amplamente derrotada. Comentava, então, um artigo de Elio Gaspari sobre o tema. Vocês devem se lembrar disso. Pois bem. A Folha publicou ontem uma pesquisa com a opinião dos brasileiros sobre vários assuntos — entre eles, o aborto. O resultado não me surpreendeu: 65% dos entrevistados querem que a legislação continue como está — permissão apenas em caso de estupro e risco de morte para a mãe. Isso significa uma esmagadora maioria da população contra a chamada legalização do aborto. Em 1993, 54% tinham essa opinião. Apenas 10% defendem a prática sem qualquer restrição — há 14 anos, eram 18%. E 16% querem ampliar as situações em que a interrupção da gravidez seria possível — naquela primeira pesquisa, eram 23%. Essa e outras opiniões dos brasileiros, de que trato abaixo, demonstram a anemia dos políticos conservadores no Brasil. Há eleitores aos milhões que estão sem representação.

Não é à toa, aliás, que RA morde e sopra:

Antes que continue, uma observação importante. Sou contra a “plebiscitização” da democracia brasileira. Acho isso uma bobagem ditada pela demagogia e pela ilusão da intervenção direta. Continuo achando que não se inventou ainda mecanismo de governo mais eficiente, a despeito das ineficiências, do que a democracia representativa. Os amantes de plebiscitos e referendos, curiosamente, acham a consulta interessante apenas quando ela revela o que eles gostam de ouvir (leia nota abaixo). Veja-se o caso da pena de morte, a que me oponho. Nada menos de 55% dos entrevistados se dizem favoráveis, e 40% se dizem contrários. Essa consulta não seria feita porque esbarraria nas chamadas cláusulas pétreas da Constituição. Mas o número indica, evidentemente, que a população está assustada e quer mais dureza no combate ao crime.

Hummm…..

Os amantes de plebiscitos e referendos, curiosamente, acham a consulta interessante apenas quando ela revela o que eles gostam de ouvir(…)

Pois é. Parece que é uma via de mão dupla…

Nessa onda, vemos até Vilósofos defendendo cotas para o pensamento conservador. Tsk, tsk.

Deu no Correio Braziliense:

CLDF cria lei que permite enterro gratuito para doadores de órgãos

Érica Montenegro e Elisa Tecles
Do Correio Braziliense

04/03/2008
08h31
-
Com o objetivo de incentivar a doação de órgãos e tecidos no Distrito Federal, a Câmara Legislativa criou uma lei, no mínimo, polêmica. A partir de agora, os doadores terão o enterro custeado pelo governo, via Fundo de Assistência Social do DF. Os cofres públicos se responsabilizarão por pagar o caixão, o velório, a cova e o sepultamento daqueles que autorizaram ainda em vida o transplante ou cujas famílias concordaram com ele depois da morte do doador.

Para o deputado Cristiano Araújo (PTB), autor de um dos projetos que serviu de base para a nova lei (confira quadro abaixo), a proposta vai facilitar a vida dos que estão na fila de transplantes e também dos moradores mais pobres do DF. “O preço dos enterros é uma queixa constante das classes D e E. Assim, estamos resolvendo o problema das famílias também”, afirma o deputado. De acordo com o texto final da nova lei, os doadores terão um enterro simples e, se as famílias quiserem algo mais luxuoso, pagarão apenas a diferença de preço dos serviços funerários. Pelas estimativas do deputado, cada enterro do tipo padrão deve sair por R$ 750.

It´s a win-win proposition!  Até porque dependendo da quantidade de órgãos que o doador doou, o caixão pode até ser bem pequeno, economizando recursos do GDF…

Eu só não sabia que a agenda histórica do trabalhismo estendia-se até debaixo da terra.

Após a vitória do Blu-Ray, o Slashdot informa a morte do Trinitron:

“After 280 millions tubes sold, Trinitron will be officially dead this month. Few Sony inventions have had the same gravitational pull as their Trinitron display technology… Trinitron became synonym of the best quality TV sets and computer monitors in the planet… Sony became the king of TV, with more than 100 million sets sold by 1994, to later fall under the weight of plasma and LCD technologies.

Mais aqui.  Vida longa ao OLED, aqui.

Sérgio Leo sumarizou em um parágrafo uma parte da situação ao norte das nossas fronteiras da qual não devemos nos esquecer:

Tente imaginar guerrilheiros anti-Chávez escondidos na floresta amazônica, para lá da serra do Caparaó, em algum lugar de Roraima. Imagine se, por isso, o presidente venezuelano ordenasse uma incursão de tropas da Venezuela através da fronteira, usando seus recém-comprados jatos Sukhoi para dizimar a oposição armada, em pleno Brasil. Que grita não haveria por aqui, hein? E com razão.

Assino embaixo.  Não posso deixar de notar, porém, que a mesma grita, com a mesma razão, se colocaria se descobríssemos que Chávez andou doando 300 milhões de dólares para algum hipotético movimento guerrilheiro amazonense.  A meu ver esta é a acusação mais grave no imbroglio, mas ao mesmo tempo também a mais frágil.  Não só por ter sido gerada “a posteriori” como também pelo fato de que afinal uma das pedras de toque do discurso anti-FARC é sua caracterização como “narco-” alguma coisa, com blogs anaeróbicos como o de Reinaldo Azevedo fazendo todas as composições possíveis da palavra, de forma bastante imaginativa: até agora já colecionei narcoguerrilheiros, narcocomunistas, narcoterroristas, narcotraficantes, narcobandoleiros.  Tudo isso sempre para enfatizar que as FARC não são “evil” apenas por serem “de esquerda”, mas também por se manterem através do tráfico de drogas.  Bem, quem vive do tráfico de drogas não vai precisar desse dinheiro miúdo do Chávez, não é mesmo?

A esta altura pelo menos alguns dos meus 4,5 leitores estão cientes de que o pau está andou quebrando (em sentido figurado…) entre o Pedro Dória e o Idelber Avelar do Biscoito. Motivo: ofensiva israelense sobre Gaza.

Eis aí um assunto sobre o qual eu realmente não gosto muito de debater. Fixei uma posição a respeito do assunto há tempos: a) a criação do Estado de Israel naquele lugar foi um erro catastrófico; b) Israel, porém, é um fato consumado; c) a única saída ali é criar um estado federal israelo-palestino. Acho que muitos concordariam com a), muitos outros concordariam com b), e um grande número gostaria de me internar em um hospício por causa de c). Como diz o Talmude, porém, “rico é aquele que está satisfeito com seu quinhão”.

Acho que se fosse possível traçar uma linha indo da posição mais pró-Israel até a mais anti-Israel, Pedro Dória ficaria perto do centro, mas ainda do lado pró-Israel. Mas ele ainda assim é crítico das medidas tomadas por aquele país.

Por isso francamente achei que Idelber está enganado na sua interpretação dessa frase do Pedro Dória:

O raciocínio do Hamas é o seguinte: os israelenses vão desistir. Primeiro, com foguetinhos, expulsam a população de Sderot. Se conseguirem, começam operações semelhantes na Cisjordânia, na fronteira do Líbano, foguetinhos de toda parte para aumentar o estresse de viver em Israel. Enquanto isso, os árabes agüentam o sangue. São mais duros, morrem sem se preocupar. O tempo e a disposição de morrer está do lado dos militantes do Hamas.

A questão é que o Hamas esqueceu de combinar com as famílias palestinas. Ninguém quer morrer assim.

Idelber interpretou a frase em negrito como um atestado de racismo. Confrontado na caixa de comentários do post por aqueles que interpretam diferentemente a frase _ como sendo não a convição de Pedro Dória, mas a impressão que Pedro Dória tem de como pensam as próprias autoridades palestinas _ Idelber disse:

O que me parece óbvio, ululante mesmo, gritante de tão óbvio, é que se alguém diz “O raciocínio de X é Y, e enquanto isso Z acontece”, a responsabilidade pela afirmação “enquanto isso Z acontece” é do autor da frase, não do X citado na dita cuja. A frase seguinte (“O tempo e a disposição de morrer está do lado dos militantes do Hamas”) reforça a conclusão óbvia de que o autor do trecho está afirmando o dito, não atribuindo-o a outrem.

Mas vai ver que é a indignação que está prejudicando meu domínio da língua portuguesa mesmo.

Bom, não sei. Pedro Dória pode ser, secretamente, um sionista, mas acho que Idelber realmente deixou a indignação sobrepujar sua capacidade de interpretar este texto _ apesar de que Dória, em minha opinião, poderia ter realmente caprichado um pouquinho mais no fraseado. Aliás, em post mais recente, Dória se explica:

O sinal de que o diálogo se perdeu de vez está no ato do Guterman de pedir o chapéu. E está na resposta agressiva que um amigo querido escreveu para meu último post. Discordar é do jogo. Quando você vem com virulência, ao menos é de praxe alertar antes com uma mensagem. Um gesto ao menos de cortesia se espera no debate. Mas nem isso. A irracionalidade venceu de vez a partida quando um sujeito cordial e literato do quilate do Idelber Avelar perde até a capacidade de interpretar texto.

Uma de suas críticas ele pesca de uma frase minha: Enquanto isso, os árabes agüentam o sangue. São mais duros, morrem sem se preocupar. Isolado do contexto, é um horror. Mas o parágrafo começa com ‘o raciocínio do Hamas é o seguinte’, dois pontos. Aí lista. O Hamas acredita no sacrifício humano. Não sou eu que digo. O que diz são seus programas infantis de tevê. As aulas em suas escolas. Eles preparam homens-bomba! Se isso não pode ser interpretado como ‘morrem sem se preocupar’, o que pode? Eu não acho que o Hamas represente o que pensam os palestinos todos. É por isso que após descrever como é o Hamas, concluo: A questão é que o Hamas esqueceu de combinar com as famílias palestinas. Ninguém quer morrer assim. Mas o Idelber esqueceu de ler o final. Mobilizado, estava cego. Tinha tirado uma conclusão a respeito do que penso e esqueceu de ler o que de fato escrevi.

Por sua vez, porém, também acho que Dória termina exagerando:

Cansa a perspectiva de ter que discutir com gente que a gente gosta. E de ter que ouvir todos aqueles que aproveitam-se do discurso legítimo de defesa da Palestina para levantar de novo, discretamente, sutilmente, como se nada quisessem, o mesmo discurso que levou ao pesadelo dos anos 1940. É fácil dizer que não aconteceria mais. O vampiro de Dusseldorf está sempre à espreita.

Não deixa de ser irônico o ato falho de Dória, pois há quem interprete o personagem de Becker, o vampiro, como uma metáfora dos judeus _ Peter Lorre era judeu, e a esposa e roteirista de Fritz Lang, Thea von Harbou, era pró nazista. Não foi à toa que o próprio Goebbels celebrou o filme como uma obra “fantastic, free of phony humanitarian sentiments”.

Este blog está aceitando doações:

Scarlett Johansson leiloa encontro em estréia de filme

Lances devem ser feitos pela internet até 12 de março; vencedor vai assistir ‘He’s Just Not That Into You’

Lances para conhecer a atriz vão até março
Reprodução

Lances para conhecer a atriz vão até março

LOS ANGELES – Scarlett Johansson, considerada uma das atrizes mais sexy de Hollywood, leiloará um encontro que permitirá ao vencedor conhecê-la pessoalmente na estréia de seu próximo filme. O leilão é feito pela internet e os fãs começaram nesta segunda-feira, 3, a dar seus lances no site eBay. O encontro com a protagonista de Encontros e Desencontros passou de US$ 0,99 para US$ 560 em 12 horas de lances. O vencedor receberá duas entradas para assistir à estréia mundial do filme He’s Just Not That Into You, na qual Scarlett, de 23 anos, divide cena com outros astros, como Jennifer Aniston, Drew Barrymore e Ben Affleck.

O prêmio inclui um carro com chofer até o cinema onde ocorrerá a estréia, que acontecerá em julho em Los Angeles ou Nova York, serviço de cabeleireiro e maquiagem e, o principal, conhecer a atriz pessoalmente. A disputa, que exige aumentar no mínimo US$ 10 em relação ao último preço alcançado, estará aberta até 12 de março.

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Let them be

Sob certas circunstâncias, até eu acho que o aborto é pecado:

India to pay poor families to bring up girls

The Indian government today announced a scheme to pay poor families to give birth to and bring up girls in an attempt to stop families nationwide aborting an estimated half a million female foetuses a year.Families in seven states are set to benefit from cash payments amounting to 15,500 rupees (£193) to keep and bring up their female children.

Ministers say more than 100,000 girls could be saved in the first year. In India ultrasound technology coupled with a traditional preference for boys, who are seen as future breadwinners, has led to mass female foeticide.

According to a study in the British medical journal, the Lancet, 10 million female foetuses may have been aborted in India over the last 20 years following illegal sex determination tests.

The government has been alarmed by the country’s increasingly skewed gender ratio and hopes the promise of money will change people’s behaviour. As an extra incentive, girls who reach 18 will get another 100,000 rupees (£1,200) provided they have completed their school education and are not married.

Como amor novo é sempre entusiasmante, Tio Rei continua colocando excertos de posts de Gerald Thomas em seu blog:

“Caramba! Eu já estava mesmo com essa impressão. Ele veio. Conversamos. Conversamos e… conversamos. Foram horas, mas pareceram minutos. O Reinaldo tem uma energia linda. Já encontrei muita gente maravilhosa nessa vida. Muita. E em todos os lugares desse planeta. Mas esse encontro fui ÚNICO. Estou emocionado até agora. E isso prova algo: prova que VIVA o pensador LIVRE!!! Viva o homem LIVRE!!! Me emocionei a tal ponto que não consigo escrever nesse momento. A coluna de amanhã será sobre isso: agora, prefiro refletir sobre tudo que falamos e sobre o que ouvi de uma das pessoas mais íntegras que já conheci.Por ora, é isso.Agitado pela sua iluminação e ainda emocionado pela sua lucidez, I remain

LOVE

Gerald”

E mais:

 “Falamos horas. Mas ainda faltam mundos, universos pra que a gente (in) complete o que temos em comum.

Fiz uma viagem rápida ao Brasil. Deus fez o mundo em sete dias. Eu passei algumas horas olhando e ouvindo o Reinaldo ontem e ainda hoje, domingo, não estou completamente refeito do impacto de ontem. Só vou falar de quem não falamos: Walter Benjamin e Susan Sontag.

O resto, por favor, vocês imaginem. O território é vasto. Nos prometemos uma vida inteira. E eu agradeço. E muito. De novo, lágrimas. Paixão não tem jeito mesmo!
Gerald Thomas

Será que o Gerald mostrou a “bunda seca” pro RA?  Será que o RA retribuiu?  Sei lá, pode parecer uma curiosidade mórbida, mas diante de tudo o que foi escrito de parte a parte, temos o direito de perguntar, né?

No mínimo para podermos entender todas as acepções da expressão “homem livre” com que Tio Rei trabalha, uai.

Patty Hearst's Comeback, Thanks to the Dog

Patricia Hearst Shaw and Diva

No “The Lede” do New York Times, um artigo sobre a reaparição de Patty Hearst, filha de um famoso magnata sequestrada na década de 70 por um grupo guerrilheiro norte-americano _ o Exército Simbionês de Libertação, nome digno de aparecer em qualquer episódio de Babylon 5 hoje em dia _ e que aparentemente aliou-se aos bravos soldados na causa da libertação de Simbion, sendo, inclusive, filmada no ato de assaltar um banco.Patty ganhou 7 anos de cadeia, mas ganhou condicional em 2 e terminou sendo perdoada por Bill Clinton quando ele ocupou a Presidência.

Hoje ela frequenta exposições de buldogues.

Moral da história? Uma vez patty, sempre patty.

Deu no Valor:

Economia já vive ciclo de expansão sustentável
Durante mais de duas décadas, a economia brasileira viveu de pequenos surtos de crescimento, apelidados de “vôos de galinha”. Os principais economistas sempre bateram na tecla de que o país precisava entrar em um ciclo de expansão sustentável. Há várias evidências de que a economia já vive esse momento esperado há anos, caracterizado por um ciclo virtuoso que traz, dentro de si, maior capacidade de se auto-alimentar.

O que ocorre numa tradicional empresa do setor têxtil como a Meias Lupo, por exemplo, resume bem o perfil de crescimento que tomou conta das indústrias do país, sejam elas pequenas ou grandes. No mês passado, aproveitando o dólar barato, a Lupo instalou 130 novas máquinas italianas. No ano passado, contratou 500 empregados e outros 230 estão chegando agora. Esse comportamento é o retrato do atual ciclo, muito diferente do de 2004. “Ele é mais empregador, mais importador e mais investidor”, diz o economista Júlio Sérgio Gomes de Almeida, com base em estudo corporativo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), do qual é consultor.

Para o financista Luiz Carlos Mendonça de Barros, foi a solidez das contas externas que deu ao país o passaporte para inaugurar essa nova etapa sustentável. Por falta de reservas em moeda estrangeira, nos ciclos passados os “vôos de galinha” em geral terminavam numa crise cambial. E a chave para o ajuste nas contas externas brasileiras foi a China, de onde vem a enorme demanda pelas commodities que o Brasil produz, cujos preços dispararam nos últimos anos.

A análise de Mendonça de Barros destoa das feitas pela maioria dos economistas que participaram do governo FHC e que enxergam grandes riscos na recessão americana, cujos efeitos poderiam comprometer a trajetória de crescimento econômico do Brasil. “Há um novo mundo onde a Ásia é pólo dinâmico”, diz o economista. Mas ele acha que isso não significa ausência de problemas e riscos. As incertezas a respeito da inflação e a pressão do crescimento do consumo sobre os preços poderão levar o Banco Central a aumentar a taxa de juros nos próximos meses.”

Outra matéria relacionada abaixo do fold.

Leia o resto deste post »

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Pois é, a partir daquela imagem fizeram a escultura do busto de Bach.

Eu diria que além de uma dietazinha ele precisava de uma consultoria de Neide Aparecida e das Perucas Lady.

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Burraldo Azevedo.

Diz ele lá no blog dele:

Pois é. Os céticos saíram da toca. Ainda bem. Afinal, o planeta está mesmo condenado é a uma nova era glacial… Abaixo, há dois posts relativos a matérias que o Estado deste domingo publica a respeito. Um deles é uma entrevista com o climatologista americano Richard Lindzen, do MIT. Os leitores deste blog já o conhecem. Falei dele num post no dia 6 de fevereiro de 2007, que reproduzo abaixo.

O trecho da entrevista com o Linzen:

Estamos em um caminho sem volta para uma era glacial?
A ignorância sobre o clima é muita para dizer que é inevitável, mas a história de 800 mil anos sugere nova era glacial em 10 mil anos.

***

Bem, o fato é que os cientistas que acreditam que a probabilidade de estar ocorrendo um aquecimento global antropogênico é alta NUNCA disseram que novas eras glaciais não estão por vir. Ainda mais, caramba, em um horizonte de tempo como esse.

Vejam, vai passar em breve um filme chamado 10.000 AC. É um filme, pelo que vi, repleto de inconsistências históricas: nele aparece uma civilização que construía pirâmides iguais às do Vale dos Reis no Egito. Bom, a mais antiga pirâmide conhecida, a de Djoser, é de 2750 AC. E acontece que pirâmides não são artefatos fáceis de esconder, principalmente em uma era que conhece a arqueologia por satélite.

Embora eu seja um otimista em matéria de ciência, sou pessimista em relação à capacidade da Humanidade em utilizá-la bem. Eu não colocaria muitas fichas na probabilidade de que exista uma civilização humana cientificamente avançada daqui a 10.000 anos, muito menos que ela seja capaz de criar um novo aquecimento global.

Além disso, eras glaciais têm a ver com ciclos relacionados a fenômenos orbitais que afetam o nosso planeta e sobre os quais temos nenhum controle.

Para resumir: os que estão preocupados com o aquecimento global não negam a realidade das eras glaciais. Nem estão muito preocupados com elas, pois a próxima delas provavelmente está situada ainda muito à frente no futuro. Porém, o aquecimento global obedece a um cronograma muito mais estreito: estamos falando da possibilidade de catástrofes reais até o final do século, com secas, alagamento de zonas litorâneas, tempestades e migrações em massa que muitos países, principalmente os mais pobres, não terão como enfrentar.

Por isso Burraldo Azevedo devia saber que confrontar esta realidade com a de uma futura era glacial a ocorrer daqui a 10.000 anos é uma piada de muito mau gosto.

***

UPDATE:

Há uma boa matéria no New York Times sobre o encontro de céticos a que Tio Rei se refere. Ele é promovido pelo Heartland Institute de Chicago, um think tank conservador, e o jornal apropriadamente se refere ao encontro como “o último suspiro dos céticos”.

Tudo isso é muito interessante, principalmente em um momento em que a agência ambiental federal dos EUA acaba de derrubar medidas antipoluição do Estado da Califórnia. Sob qual alegação? A de que o aquecimento global não está ocorrendo só na California, portanto exige uma solução global. Wow.

No Estadão:

Ahmadinejad chega a Bagdá em visita histórica

É a primeira visita de um líder do Irã ao Iraque desde a guerra entre ambos que durou de 1980 e 1988

Talabani e Ahmadinejad passam pela guarda de honra durante visita do iraniano a Bagdá
ReutersTalabani e Ahmadinejad passam pela guarda de honra durante visita do iraniano a Bagdá

BAGDÁ – O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, chegou neste domingo, 2, ao aeroporto de Bagdá na primeira visita de um líder iraniano ao Iraque desde a guerra entre ambos, que durou de 1980 e 1988.

O presidente iraquiano, Jalal Talabani, recebeu Ahmadinejad na saída de seu avião, segundo o canal de televisão Al Iraqiya.

Ahmadinejad, vestido com um traje cinza, camisa branca e sem gravata, deve ficar dois dias no Iraque, em uma visita que já foi considerada como “histórica” na região.

A delegação que acompanha Ahmadinejad inclui seu ministro de Assuntos Exteriores, Manouchehr Mottaki, assim como os titulares das pastas de Economia e de Transporte.

***

Sintomaticamente, no Washington Post:

“In Search for Peace, a Shrinking White House Role

As Secretary of State Rice returns to Middle East, three months after the Annapolis, Md., talks, signs of U.S. irrelevance are everywhere in the region.

When Palestinians broke through the barrier dividing the Gaza Strip and Egypt in January and streamed across the border by the tens of thousands, Egyptian President Hosni Mubarak faced a moment of crisis. His phone soon rang, but the world leader offering help on the other end was not President Bush — it was Iranian President Mahmoud Ahmadinejad. Mubarak took the call, resulting in the first such contact between leaders of the two nations since relations were severed nearly three decades ago.

The conversation signaled a growing rapprochement between Egypt, which receives nearly $2 billion in annual aid from Washington, and Iran, a country that the Bush administration has tried to isolate as a possible threat to U.S. interests in the region.(…)”

Post fascinante lá no Rough Type.

Trata-se de uma matéria do Washington Post sobre Sebastien Boucher, um canadense de 30 anos que tem permissão para morar nos EUA. Em dezembro de 2006, Boucher dirigia do Canadá para o estado norte-americano de Vermont quando foi parado para inspeção pela alfândega dos EUA. Um dos oficiais perguntou a Boucher sobre um laptop no banco traseiro do carro, pediu para Boucher ligá-lo e viu um arquivo intitulado “Garota de dois anos estuprada durante a troca da fralda“. Aparentemente, o oficial viu ainda um vídeo com o que parecia ser uma adolescente retirando suas roupas e realizando atos sexuais. Ato contínuo, deram voz de prisão a Boucher por comércio ilegal de pornografia.

Entretanto, durante a inspeção do laptop pela polícia verificou-se que seus arquivos estão protegidos pela tecnologia criptográfica conhecida como PGP – Pretty Good Privacy. Esta tecnologia não tem “backholes” e nenhuma maneira óbvia de quebrar o código. A única alternativa seria tentar quebrar a senha com um gerador automático de senhas _ o que pode levar anos, dependendo da “força” da senha criada por Boucher.

Instado a revelar a senha, Boucher afirmou que não pode ser obrigado a isso, pois estaria sob proteção da Quinta Emenda _ que proíbe o Estado de forçar um indivíduo a incriminar-se. Um juiz deu uma sentença favorável a Boucher nestes mesmos termos, e agora o governo viu-se forçado a apelar à segunda instância.

Eis a questão tal como colocada pelos advogados:

“”If [the ruling] stands, it means that if you encrypt your documents, the government cannot force you to decrypt them … So you’re going to see drug dealers and pedophiles encrypting their documents, secure in the knowledge that the police can’t get at them.” But a privacy advocate sees the ruling as essential to protecting people from governmental snooping: “The last line of defense really is you holding your own password … That’s what’s at stake here.

Um comentarista achou um link para um texto de 1995 que diz o seguinte:

If the password is in your head, the answer is easy: the Fifth Amendment protects you. As the Supreme Court made clear in Curcio v. United States (1957), the government cannot force someone “to disclose the contents of his own mind” if that information is incriminatory.

Realmente, é complicado imaginar como é que o juiz poderia “forçar” alguém a revelar uma senha que está escondida em seu cérebro. Acho que provavelmente uma solução seria permitir a condenação alegando “obstrução da justiça”.

Os advogados aí tem comentários sobre isso?

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Saudades de “carla bruni naked“…

Tio Rei tem um post de “uso dual”: não só faz o habitual marketing da Veja, o que imagino seja exigido dele por contrato todo fim de semana, como tenta tirar o dele da reta na questão das células-tronco embrionárias.

Ele comenta a entrevista da bióloga Mayana Zatz à seção Páginas Amarelas da Veja que vai às bancas esta semana.  Reinaldo começa por, digamos, separar o joio do trigo, diferenciando muito bem a entrevistada dos ateus anticatólicos xexelentos, embora a moça esteja defendendo, como os ateus empedernidos, o uso de células tronco embrionárias na pesquisa e na terapia.  Certo, certo, para alguém que quase mostrou a bunda para Gerald Thomas e acabou a semana no maior LOVE com o teatrólogo alienígena, uma incoerência a mais ou a menos não fará tanta diferença para Tio Rei.  Mas lá pelas tantas ele me aparece com um parágrafo daqueles:

Portanto, nada de pôr a bióloga no mesmo saco de gatos pardos do anticristianismo — ou, mais especificamente, anticatolicismo — militante, que quer meter goela abaixo da sociedade um pacote, de que a liberação do aborto e a pesquisa com células embrionárias seriam pautas gêmeas. Mayana demonstra que não são. Ela fala como um cientista, interessada nos relevos da diferença, não como um ideólogo, geralmente ocupado em descaracterizar as particularidades para nos impor uma pauta que é política.

Em primeiro lugar, não há anticatólicos querendo meter goela abaixo da sociedade um pacote.  Há, sim, católicos querendo proibir certas atividades que podem ser benéficas para toda a sociedade _ a Lei para isso já foi aprovada, está em vigor, e é o lobby da Igreja que quer derrubá-la no tapetão.

Em segundo lugar, quem sempre disse que “a liberação do aborto e a pesquisa com células embrionárias seriam pautas gêmeas” foram os antiabortistas.  Aliás, é precisamente por isso que a própria Igreja foi ao STF contra a Lei de Biossegurança, ué.  Os cientistas sempre souberam separar as coisas.  Aliás, para uma pessoa que se pretende tão ilustrada sobre o assunto quanto Reinaldo Azevedo chega a ser curioso que ele só atente para a razoabilidade do argumento agora, como se ele tivesse aparecido pela primeira vez nas páginas da Veja.  Uma rápida pesquisa no Google usando como argumentos os termos “Mayana Zatz”, “célula tronco”, “equivale” e “aborto” traz 97 hits com artigos da geneticista, com quase todos eles falando exatamente o que falou à Veja, em veículos tão distintos quanto a Superinteressante, o blog do Drauzio Varela e o site do ex-ministro Bresser Pereira.  Neste último, aliás, encontra-se uma matéria onde se revela um diálogo fantástico entre o inquisidor-mor da Igreja dentro da República e a geneticista:

O subprocurador-geral da República Cláudio Fonteles, autor da ação de inconstitucionalidade, disse da geneticista Mayana Zatz, uma das cientistas mais respeitadas do país e defensora da legislação no STF: “A doutora Mayana Zatz, que é o principal elemento de quem pensa diferentemente da gente, tem também uma ótica religiosa, na medida em que ela é judia e não nega o fato”.
Zatz foi precisa na resposta: “Estou triste, porque isso contraria a tradição de tolerância e de respeito à diversidade religiosa que caracterizam este país. Posso garantir que minha defesa da pesquisa com células-tronco embrionárias está longe de ser motivada por razões religiosas. É por meus pacientes, para minorar o sofrimento”.

Aliás, não deixa de ser interessante a alusão ao judaísmo.  Israel é um dos países que não só permite a pesquisa em células tronco embrionárias como está na ponta dessa pesquisa, não só porque é ainda é um Estado com razoável nível de laicidade como porque para  o judaísmo o feto só é humano quando começa a assumir forma humana, no quadrigésimo dia de desenvolvimento.  No que foi um dia seguido por teólogos como Santo Agostinho.  Infelizmente, Tio Rei, que chega a invocar o Pentateuco e a continuidade entre o Velho e o Novo Testamentos para defender “o jeito cristão de matar”, parece preferir não levar os paralelos teológicos a este ponto.

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Não deixa de ser interessante que estejamos junto da África e dos Estados Unidos…

Nariz Gelado tem um post instando ao DEM que, diante da provável impossibilidade do partido consumar a aliança com o PSDB para a eleição do prefeito de São Paulo em torno do nome de Gilberto Kassab, não vá consumir seu “capital político” aliando-se a partidos de mais baixa extração:

Porque, se é verdade que o DEM se renovou neste último ano, o PSDB só fez piorar.(…)

Para o recém-reformado DEM, no entanto, a coisa é diferente. Se, por um lado, apresentar uma candidatura própria pode colaborar para a boa imagem do partido, por outro, unir-se a gente de imagem duvidosa para ganhar esta eleição pode ser fatal. Basta uma aliança errada, um passo em falso, para que o partido perca todo o bom trabalho realizado neste último ano. Os programas de rádio e televisão, o esforço para lançar a imagem de um partido realmente oposicionista, coeso e firme no combate à corrupção – e à derrama promovida pelo governo Lula – pode simplesmente se perder.

Interessante esse discurso.  Aparentemente, o partido de herdeiros políticos como o filho de César Maia, o filho de Jorge Bornhausen e o neto de Antonio Carlos Magalhães, por algum motivo milagroso, deixou de ser o PFL fisiológico que sempre foi, como se pode ver nesta notícia de dez anos atrás:

FH vai criar mais dois ministérios

Cátia Seabra e Cristiane Jungblut
BRASÍLIA
Disposto a anunciar seu Ministério até quarta-feira, o presidente Fernando Henrique Cardoso já tem duas escolhas confirmadas: Euclides Scalco para a Secretaria de Governo e Élcio Álvares (PFL-ES) para a Defesa. Mas, ainda com dificuldades para acomodar a base, o presidente pretende criar dois novos ministérios. O de Desenvolvimento Urbano – dedicado a habitação e saneamento – que seria destinado ao PFL, e o de Turismo e Esportes, que ficaria como o PSDB. O primeiro compensaria o PFL pela decisão de entregar aos tucanos o superministério do Desenvolvimento, para o qual Fernando Henrique insiste na escolha de Luiz Carlos ou de José Roberto Mendonça de Barros. (…)

O Desenvolvimento Urbano seria montado sob medida para Rafael Grecca (PFL), indicado pelo governador do Paraná, Jaime Lerner, para o Ministério. O nome de Grecca foi apresentado sábado pelo presidente do PFL, Jorge Bornhausen (SC), que reivindica uma vaga para o PFL do Sul. (…)

Para a Defesa, a escolha de Élcio é tida como demonstração de gratidão por seu trabalho como líder do Governo no Senado. Mas a escolha recebeu o aval de caciques do PFL, como o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). Apesar de Élcio ter perdido a eleição para senador no Espírito Santo para o tucano Paulo Hartung, Fernando Henrique disse a amigos que abriria uma exceção à regra de não nomear derrotados para o primeiro escalão. (…) No PFL, estão acertadas a permanência de Waldeck Ornelas na Previdência e a ida de José Jorge (PE) para Ciência e Tecnologia, além de Sarney Filho para o Meio Ambiente. O nome de Grecca, porém, sofre resistência no PFL baiano. Foi por isso que o presidente acabou fazendo o que não queria: ampliou o número de novos ministérios.”

E, para quem acha que esse comportamento está perdido no longínquo passado pefelista, é bom botar as barbas e os narizes de molho:

PFL quer cargos no governo e diz estar pronto para o diálogo com Maggi

Data: 04/10/2006

Local: Cuiabá – MT

Com o respaldo de ter feito um senador e cinco deputados estaduais, o PFL vai exigir uma maior participação no segundo governo de Blairo Maggi (PPS).  É o que ficou definido na reunião da manhã desta quinta-feira, no diretório estadual do partido, que confirmou também apoio a Geraldo Alckmin (PSDB) à presidência da República no segundo turno das eleições marcadas para o dia 29.

Na reunião que contou com o caciques do partido e os deputados eleitos que tomam posse em primeiro de janeiro, um assunto foi bastante abordado: a força que o partido terá a partir de agora nas negociações com o governador Blairo Maggi para a composição de seu segundo mandato.

O presidente estadual do partido, Oscar Ribeiro, não escondeu que o PFL vai exigir uma participação especial, de acordo com o rendimento que teve nas urnas e com a importância que teve em ajudar a coligação Mato Grosso Unido e Justo em fazer a maioria na Assembléia Legislativa.  “Não há dúvidas de que iremos mostrar a nossa força e exigir uma participação maior no governo.  Fomos importantes dentro do projeto do governador.  Portanto, merecemos respeito”, disse.  Oscar Ribeiro esclareceu ainda que está aguardando apenas o chamamento do governador Blairo Maggi para iniciar as conversações sobre a formação do secretariado para o segundo mandado.  Mas ressaltou que querem ser respeitados nesta negociação.

Gente como Nariz Gelado parece apostar na célebre memória curta do brasileiro.  Felizmente, a internet alarga um pouco o buffer…

Da United Press, via Juan Cole:

United Press International
October 10, 1986
MOSLEMS IN BUCKINGHAM PALACE

Mixed in with Queen Elizabeth’s blue blood is the blood of the Moslem prophet Mohammed, according to Burke’s Peerage, the geneological guide to royalty. The relation came out when Harold B. Brooks-Baker, publishing director of Burke’s, wrote Prime Minister Margaret Thatcher to ask for better security for the royal family. ”The royal family’s direct descent from the prophet Mohammed cannot be relied upon to protect the royal family forever from Moslem terrorists,” he said. Probably realizing the connection would be a surprise to many, he added, ”It is little known by the British people that the blood of Mohammed flows in the veins of the queen. However, all Moslem religious leaders are proud of this fact.

Brooks-Baker said the British royal family is descended from Mohammed through the Arab kings of Seville, who once ruled Spain. By marriage, their blood passed to the European kings of Portugal and Castille, and through them to England’s 15th century King Edward IV. ‘

Diz Juan Cole:

This is connected to just pointing out that having ancestors named Hussein is more common among Europeans and Americans than is usually realized. Elizabeth II can’t be descended from the Prophet Muhammad without also being descended from his grandson, the original Husayn / Hussein, since that is the line of descent of the Sayyids.

Um corolário é que aquela história da Diana com o Dodi Al Fayed tinha ilustres precedentes…

(hat tip: PMF)

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Segundo o Nelson, foi quase.

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Do Wall Street Journal:

Sweet Home, Santiago: Cuba’s Ethanol Future

Fidel Castro’s decision to step down as Cuba’s ruler brings the country one step closer to a democratic transition. Could it also be one step closer to an economic transformation?

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A sweet cash crop (Wikipedia)

Before Castro’s 1959 revolution, Cuba was the world’s biggest sugar producer; today, its battered sugar mills and neglected land produce about 10% of what they did. In the meantime, though, sugar has become a real cash crop: While regular sugar sells for around 11 cents a pound, ethanol made from sugarcane can fetch $2 a gallon.

The academics who try to make sense of Cuba’s economy—and divine its post-Castro future—have spent a lot of time wondering if Cuba could be a baby Brazil, which has become the world’s biggest producer of ethanol by pouring half its sugar crop into the fuel. The short answer, from the Association for the Study of the Cuban Economy’s Juan Tomas Sanchez:

The 1 billion gallons [of sugarcane-derived ethanol] that Brazil will export in 2007 could have been produced in [the Cuban province of] Camaguey.

Mr. Sanchez set out to determine how much ethanol Cuba could produce after an exhaustive study of Cuban land use. In a best-case scenario, where post-Castro Cuba opened the door to hefty foreign investments to modernize its sugar industry and without any barriers to the U.S. market, Cuba could produce 3.2 billion gallons of ethanol a year, Mr. Sanchez figures. (Other academics guess it would be closer to 2 billion gallons.)

But unlike Brazil, which has a thirsty domestic auto market to feed, Cuba’s relative lack of internal demand would free most of that ethanol for export. Mr. Sanchez figures as much as 3 billion gallons, worth around $7 billion at today’s prices. Hard currency aside, sugarcane ethanol appears to have two other selling points over other varieties. It seems to produce lower carbon-dioxide emissions than biofuel made from corn, soy, or palm oil. And sugarcane biomass, long used to fire distilleries in Cuba, could produce an additional 4 gigawatts of power (think four nuclear plants) for the electricity-starved nation.

Tio Rei, hoje:

O PSDB foi apeado do poder pelas urnas. E cumpre fazer uma pergunta: qual é a sua real influência hoje na máquina do estado? Aparelhou a administração direta, as estatais, a ampla rede burocrática de serviços e regulação, os fundos de pensão? Nada! O que restou dos tucanos — e do ex-PFL, hoje DEM — no poder? Nada! Alguns poderão dizer que as opções de FHC estão ainda presentes na área mais sensível do país: a economia. É fato. Mas é tolice achar que o Banco Central, por exemplo, obedece a um comando partidário, tucano.

Como será em 2010 — ou 2011, para ser mais preciso? Se vence um candidato de Lula, mesmo que seja Ciro Gomes (vocês sabem fazer novena?; querem que eu ensine?), haverá uma mudança aqui ou ali, mas a ocupação do estado pelos petistas continuará intocada. Apesar de sua mímica cesarista, Ciro não mexeria com o bilionário aparelho sindical (estou pondo na conta os fundos de pensão) que hoje governa o país, sob o comando de seu líder máximo, Lula. Mas e se vence um oposicionista: José Serra ou Aécio Neves?

Longe ainda desse futuro, pode-se especular que talvez Aécio fosse mais conciliador; Serra menos. Por outro lado, no que respeita a um corte ideológico, talvez o político paulista estivesse mais perto da máquina petista do que o mineiro… E poderíamos escolher muitos critérios para chutar o que faria um ou outro. Tenho pra mim que a “despetização” do estado, mesmo com a vitória de um oposicionista, é tarefa das mais difíceis. Essa gente nos assombrará ainda por muito tempo, ditando a agenda. E o motivo é terrivelmente simples: o estado paralelo petista não é visto como um problema. Tampouco é percebido por boa parte da oposição como aquilo que é: o verdadeiro inimigo do país, que não pode ser banido da máquina por meio de eleições.” (grifo meu)

***

É muita cara de pau.

Petistas podem entrar na máquina do Estado por quatro portas: ou via cargos comissionados de livre provimento, ou sendo indicados e nomeados para cargos com mandato em agências reguladoras, ou sendo contratados via terceirização, ou por concurso público.

Tanto os petistas nomeados em cargos comissionados quanto os contratados via terceirização poderão ser despachados de volta para casa assim que um eventual governo oposicionista chegar ao poder em 2010. Nesse caso a “despetização” seria tão fácil quanto foi a “despsdbização” quando Lula chegou à presidência em 2003. E se não houve uma “despsdbização” radical nesses cargos em 2003, foi porque Lula não quis, não porque não pôde _ a área econômica sob Palocci, por exemplo, ainda era um ninho tucano.

Os petistas nomeados em cargos com mandato podem realmente ser um problema maior, principalmente porque em muitos casos os mandatos deles não são coincidentes com o mandato do Presidente da República _ mas como todos sabemos este foi um problema criado pelo próprio PSDB, e dizem as más línguas, justamente no intuito de criar problemas para um eventual sucessor. Quem pariu Mateus, pois, que o embale.

Finalmente, temos o caso dos petistas concursados. Bem, os concursos, como se sabe, são abertos a simpatizantes de todos os partidos. E há funcionários públicos de todas as colorações partidárias. Para arrematar, o fato inconteste da máquina pública é que quem elabora e direciona as políticas públicas são os ocupantes de cargos comissionados, que como disse antes, são nomeados, em última análise, pelo centro do Poder, a Casa Civil da Presidência da República.

Então acho que Tio Rei está chorando de barriga cheia.  Mas eu realmente gostaria que ele elaborasse mais as consequências de sua última frase:

“Tampouco é percebido por boa parte da oposição como aquilo que é: o verdadeiro inimigo do país, que não pode ser banido da máquina por meio de eleições.”

Não consigo ver soluções constitucionais para o “problema” que ele aponta.  Aliás, não consigo ver soluções que não passem pelo paredão.   Estará Tio Rei flertando com o golpismo? Tchan tchan tchan tchan.  Vejam, quem “iniciou uma bela amizade” com Gerald Thomas depois de fazer comentários sobre a bunda do dramaturgo é capaz de tudo!

Deu no Estadão:

Polícia estoura prostíbulo e prende 49 pessoas em São Paulo

Segundo policiais, local era freqüentado apenas por coreanos; gerente e proprietário estão entre os presos
Polcia deteve clientes, prostitutas e proprietário
Werther Santana/AE

Polícia deteve clientes, prostitutas e proprietário

SÃO PAULO – Uma denúncia anônima levou policiais a estourar, por volta das 22h30 de quinta-feira, 28, um prostíbulo localizado no primeiro andar de um prédio de uma fábrica desativada no Bom Retiro, região centro-norte da capital paulista. Os policiais detiveram 27 clientes, 20 prostitutas, além do gerente e do proprietário. O público que freqüentava o prostíbulo era bem restrito, somente coreanos conheciam e vinham para cá, inclusive todas as garotas são coreanas“, informou o tenente Martinez, responsável pela equipe de PMs que localizou a boate.

Doze caixas, cada uma contendo 12 garrafas de uísque, foram apreendidas. Não havia entorpecentes, segundo a polícia. O dono da boate será indiciado por favorecimento à prostituição, mas poderá ser autuado também por contrabando e tráfico internacional de mulheres. O destino das garotas ainda será decidido.”

***

Isso é o que eu chamo de protecionismo.

The plot thickens:

Abin continuará a apurar furto

Segundo senador, general Felix considera assunto muito sério porque estão em jogo fortes interesses econômicos

Convocado pela Comissão de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI) do Congresso para falar do furto de equipamentos da Petrobrás, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Felix, disse ontem que o caso continuará sendo investigado, apesar do entendimento da Polícia Federal (PF) de que se tratou de um crime comum.

Presente à exposição do ministro, no gabinete do presidente da Comissão de Relações Exteriores, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), o senador Paulo Duque (PMDB-RJ) disse ter ficado claro que, para o general, o caso ainda não está encerrado. ””Isso (furto comum) não convence nem a mim nem a você””, alegou o senador.”

***

Ou temos um caso espionagem industrial disfarçado de roubo comum, ou

Temos um caso de roubo comum servindo de justificativa para um Serviço secreto carente de atenção.

Pessoalmente, acho que se a Halliburton realmente quisesse por a mão nos dados, faria isso de forma menos escandalosa.  Mas sempre existe a possibilidade de uma manobra por terceiras partes.

No Wall Street Journal:

Making Money in the Amazon

Annelena Lobb has this report on the new king of emerging markets.

Brazil edged past China to become the largest emerging market in the world, as measured by Morgan Stanley Capital International’s emerging markets index. Brazil has a free-float market capitalization of $509.10 billion and comprises 14.95% of the index; China, $481.80 billion and 14.15%, respectively, according to MSCI, FactSet and Citi Investment Research.

Brazil has enjoyed a “meteoric” rise since mid-2007, said Geoff Dennis, Citi’s Latin America equity strategist; a report he wrote for Citi notes the role of market juggernauts like state-oil concern Petrobras in Brazil’s surge. Petrobras shares have rocketed over the last 12 months on the price of oil, as well as the discovery of the Tupi oil and gas field, 180 miles off the coast of Rio.

Chinese equities markets have also corrected lately, he notes, helping Brazil move into first place. Longer-term, Mr. Dennis notes that Brazil has risen relatively steadily since its trough in mid-2002, when it made up 5.3% of the MSCI index, and the two biggest fish were Korea, now third, and Taiwan, now fourth.

But they’ve underperformed and Brazil, a big exporter of commodities, has outperformed — Korea, Taiwan and China are all net commodities importers. “It all comes back to commodities,” he said.

In the near future, the run-up in Brazil probably leaves it vulnerable to profit-taking; Brazilian interest rates may also rise, Mr. Dennis said. Longer-term, oil, mining and other commodities will continue to boost Brazilian markets, he said, assuming any U.S. recession isn’t too painful. As for China, when its market is “less frothy,” it will “come roaring back – but I wouldn’t expect China to go racing past Brazil anytime soon.””

(hat tip: PMF)

No Political Animal, um post que dá o que pensar:

GALBRAITH AND BUCKLEY….Jamie Galbraith has a brief and gracious remembrance of William F. Buckley posted over at the New Republic that’s worth a look. I don’t myself have anything to say about WFB because, aside from reading God and Man at Yale several years ago, I’m just not very familiar with Buckley’s work other than by reputation. Better then to stay quiet and be thought ill-informed than to open my mouth and remove all doubt.

But Galbraith’s piece raises a question: are there any current examples among high-profile liberals and conservatives of the kind of close friendship and mutual respect that Buckley and John Kenneth Galbraith shared? Ezra Klein suggested yesterday that the era of big, popular, serious political thinkers has been permanently eclipsed with the deaths of people like WFB, Galbraith, Milton Friedman, Arthur Schlesinger Jr., and Norman Mailer. “Now, the space they inhabited in the discourse is held by the Coulters and O’Reilly’s of the world.” Maybe so, and it’s hard to picture, say, Ann Coulter and Michael Moore enjoying each other’s company socially and taking each other’s ideas seriously.

In the blogosphere, we tend to think that’s for the best. Politics is serious stuff, and if you’re serious about it you shouldn’t be on the cocktail circuit every night consorting with the enemy. That’s the tribal path that Congress went down many years ago, and it’s one that the rest of us have since followed as well. Most of us, anyway.

Still and all, it’s kind of stultifying, isn’t it? In the post-Gingrich/Limbaugh/Rove/Norquist era that we live in there might not be much we can do about it, but that doesn’t mean we have to like it. And, most of the time, I don’t.

***

Minha hipótese é que a internet facilita formas de contágio anteriormente insuspeitadas.  Por exemplo: entre nossos políticos eu tenho a absoluta certeza de que não vigora o tribalismo que Drum aponta no Congresso americano.  Tirando uma disputa ou outra, ou algumas personalidades, não existe na verdade este grau de inimizade pessoal entre os deputados e senadores, ou pelo menos, não por motivos ideológicos.  É claro que você dificilmente iria ver um Deputado Babá congraçando-se no Piantella com o Senador Bornhausen, mas estes são casos limite.

Já na Internet acho que o movimento norte-americano está sendo fielmente copiado pela nossa blogoseira.  Eu mesmo sou um sujeito que entrou na blogoseira acreditando na possibilidade de diálogo.  Rapidamente descobri que ela é muito exígua, aliás, mesmo dentro de um determinado campo: já vi grandes brigas dentro da direita e dentro da esquerda blogueiras.  Já protagonizei várias, aliás.

Cada vez mais acho que a “militância” na Internet pode desempenhar algum papel apenas no momento de “encaminhar neófitos”.  Mas entre a velha guarda acho mesmo que as divisões só tendem a aumentar e a possibilidade de diálogo só vai diminuir.

Opiniões?

Do Times, via Crooked Timber:

For the first time in the nation’s history, more than one in 100 American adults is behind bars, according to a new report. Nationwide, the prison population grew by 25,000 last year, bringing it to almost 1.6 million. Another 723,000 people are in local jails. The number of American adults is about 230 million, meaning that one in every 99.1 adults is behind bars. Incarceration rates are even higher for some groups. One in 36 Hispanic adults is behind bars, based on Justice Department figures for 2006. One in 15 black adults is, too, as is one in nine black men between the ages of 20 and 34.

***

Nanny State é isso aí. Casa, comida e roupa lavada para um em cada cem americanos!

***

UPDATE:

Para uma perspectiva ainda mais alucinante (se é que isso é possível):

“O que se perde constrangendo um tirano que coloca seu povo na prisão por causa de suas convicções políticas? O que se perde é que isso envia a mensagem errada.

_ George W. Bush, sobre Raúl Castro

Deu no Estadão:

PF do Rio recupera equipamentos furtados da Petrobras

Além de reaver o material, a polícia prendeu quatro empregados do terminal de contêineres Poliportos, no Rio

RIO – Agentes do Setor de Inteligência da Polícia Federal do Rio recuperaram nesta quinta-feira, 28, os equipamentos da Petrobras que haviam sido furtados quando eram transportados da Plataforma de Petrolífera da Bacia de Santos para Macaé. O furto foi descoberto no dia 31 de janeiro, mas anunciado só no dia 14 deste mês. Quatro empregados do terminal de contêineres Poliportos, na zona portuária do Rio, foram presos. Com eles, além do material furtado da Petrobras, a PF localizou outros equipamentos de informática que também tinham sido levados do mesmo terminal. Para chegar aos quatro funcionários, os agentes trabalharam em cima das equipes da Poliportos que trabalhavam nos dias em que foram constatados casos de furtos de material, inclusive de outras empresas. 

A PF descarta, inicialmente, a hipótese de espionagem industrial no caso. Os laptops recuperados nesta manhã estavam nas residências dos funcionários da Poliportos e, aparentemente, serviam para uso pessoal.

Assim não dá.

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