You are currently browsing the monthly archive for dezembro 2008.

A informação passada pelo Luiz segundo a qual o Kraftwerk virá ao Brasil em 2009 está parcialmente confirmada. Espantosamente, o KW abrirá os dois shows (sic) do Radiohead no Brasil, conforme nos informa o site oficial desta última banda. Os shows serão no Rio (Praça da Apoteose, dia 20 de março) e em São Paulo (Chácara do Jockey, dia 22 de março).  Infelizmente, o site da Ingresso.com, que é quem vende os ingressos para os shows no Brasil,  diz que “as bandas” acompanhantes ainda estão sujeitas a confirmação.  

Já o site do Kraftwerk, suspeitosamente, não fala nada a respeito de shows no Brasil em 2009 (embora já existam dois shows marcados para abril, em Wolfsburg, o que sugere que se houvesse algo certo sobre o Brasil já veríamos esta informação no site).

A 200 paus a entrada, eu, que prefiro o Kraft a qualquer Radiohead da vida, prefiro esperar pra ver.  Afinal sempre se pode comprar o ingresso na mão do cambista…

O Marcos Guterman, do Estadão, conseguiu me tirar das férias:

Lula, o pacificador

por Marcos Guterman, Seção: Oriente Médio, América Latina 16:15:30.

“Nós, do Brasil, vamos trabalhar junto a outros países para achar um jeito daquele povo parar de se matar.”

De Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, ao comentar o conflito no Oriente Médio, esquecendo-se de que o país que ele preside tem uma taxa de homicídios dolosos de cerca de 30 por 100 mil habitantes, uma das mais altas do mundo. Para efeito de comparação, o índice de mortos em conflitos em Israel e nos territórios palestinos entre 2004 e 2007 não chega a 9 por 100 mil habitantes, conforme dados fresquinhos divulgados pela ONU, que podem ser lidos na íntegra aqui. É o caso de perguntar: qual é o povo que precisa mesmo “parar de se matar”?”

***

Cá entre nós, eu também acho que o Brasil pode fazer muito pouco quanto a este assunto específico.  Afinal trata-se de um problema criado pelas vicissitudes imperiais de duas potências anglo-saxônicas no decorrer de mais de sessenta anos, e não vai ser um país latino-americano emergente que vai resolver o problema.

Nada disso, porém, faz desaparecer o fato de que a “racionalização” de Guterman _ algo na linha do “macaco olha o teu rabo” _ é amplamente inepta, ao misturar menorás com “microondas”.

Para começar, o relatório “da ONU” ao qual Guterman se refere, com dados fresquinhos sobre o “índice de mortos” em Israel e territórios palestinos, não é da ONU, mas sim do Secretariado da Declaração de Genebra, adotada em 7 de junho de 2006 e ratificada, até agora, por 90 países incluindo o Brasil (Israel não ratificou).  O Secretariado não é formalmente um órgão da ONU.

Em segundo lugar, a comparação feita por Guterman é inepta também porque os 30 homicídios dolosos por cem mil habitantes que ocorrem no Brasil referem-se a todas as causas (incluindo acidentes de trânsito, por exemplo), enquanto em Israel e territórios ocupados a maior parte dos 9 homicídios por cem mil habitantes tem motivação político-militar (algo inexistente no Brasil hoje em dia).

Finalmente, a comparação é inepta também porque Lula, afinal, vem reduzindo a pobreza no Brasil, que é uma das principais causas para a violência armada em nosso país _ enquanto o mesmo não se pode dizer do governo israelense, como Guterman mesmo reconhece.

Paulo do FYI comentou estes dias sobre a decisao da Suprema Corte da California que determinou que Lisa Torti pode ser processada por negligencia por Alexandra Van Horn. Envolvidas em um mesmo acidente de transito, Lisa tentou tirar Alexandra, que era sua amiga, do seu carro apos o acidente _ ela alega ter visto fumaca e portanto imaginou que o carro pudesse explodir ou pegar fogo.  Alexandra ficou paraplegica, e agora acusa a amiga (as duas sao cosmeticistas na mesma loja de departamentos) de ter causado sua paralisia por te-la retirado do carro de forma irresponsavel antes do socorro medico chegar. 

A decisao da Suprema Corte vai no sentido de derrubar uma lei californiana que isenta de responsabilidades pessoas que ajudam outras em situacoes de emergencia, o Emergency Medical Service Act, de 1980.

O que Paulo do FYI conclui disso?   Que eleger Obama foi um erro, e´claro:

The biggest fear I have from an Obama administration is around the judiciary. Sure he can screw the country economically and militarily, but these mistakes are somewhat easy to correct once a new president/congress takes power. But Supreme Court decisions are written in stone.

What we see now all over California is what we would see all over the country if Obama has a chance to replace even one of the conservative Supreme Court Judges. This idea that everyone is a victim and there is always someone to be sued for any kind of mishap is a recipe for disaster.

I hope this decision goes all the way to the Supreme Court and gets overruled. Quickly.

O que e´interessante e´o seguinte:  embora a California seja um estado fortemente democrata, nos ultimos 25 anos o estado foi governado por um democrata por apenas 4 anos.   E quem indica os juizes da Suprema Corte da California sao os governadores.  A Wikipedia nos diz que na atual composicao da Suprema Corte da California, de seis juizes, apenas um foi indicacao de um governador democrata, enquanto os outros 5 foram indicacoes de um governador republicano.   

***

Essa parte e´especialmente interessante, dadas as atuais circunstancias:

The biggest fear I have from an Obama administration is around the judiciary. Sure he can screw the country economically and militarily, but these mistakes are somewhat easy to correct once a new president/congress takes power.

I rest my case.

21admin600

Esta materia do NYT de hoje deve servir para enterrar definitivamente todos os bigots que ainda continuam falando sobre o CRA e a responsabilidade dos Democratas sobre a crise:

We can put light where there’s darkness, and hope where there’s despondency in this country. And part of it is working together as a nation to encourage folks to own their own home.” — President Bush, Oct. 15, 2002

***

Yves Smith is not amused:

I have mixed feelings about the article in which this juicy quote appears, “White House Philosophy Stoked Mortgage Bonfire.” While it does chronicle some of the ways that the Bush “ownership society” vision, which included raising the level of homeownership, it makes the Administration sound like a bunch of hapless innocents, who had good goals but failed to see that the implementation of their objectives left a great deal to be desired<

But in private moments, aides say, the president is looking inward. During a recent ride aboard Marine One, the presidential helicopter, Mr. Bush sounded a reflective note.

“We absolutely wanted to increase homeownership,” Tony Fratto, his deputy press secretary, recalled him saying. “But we never wanted lenders to make bad decisions.”

That is more than a bit of revisionist history. If you don’t believe in oversight, pray tell how are you going to assess the quality of decisions being made? The view, until so many investments came a cropper, was that any agreement freely entered into by two parties was OK (well, as long as it doesn’t involve illegal substances or copyright theft). 

Relutantemente, e por acaso, eu ontem vi o show da Madonna.  

Mas eu gostei do show, pelo menos do visual.  Grandes producoes sao sempre sedutoras.  Ja o repertorio nao era la essas coisas.

Prezados 4,5 leitores,

Hermenauta avisa que ficara fora do ar ate’ as vesperas do Ano Novo.  Estou em uma cidade estranha, mas com gente muito agradavel.

Hoje tambem e’ o dia do aniversario do Hermenauta!  Embora os “arquivos”  a’i comecem em Marco de 2006, tratava-se ainda de uma ideia experimental, so para ver como funcionava o WordPress.   O blog comecou pra valer em 20 de dezembro de 2007, com o post Auto-regulação é o catzo!.

Portanto, deem e recebam muitos presentes esta semana, para aquecer a economia.  Happy Xnesian!

No Estadão de hoje:

Brasil está entre os mais expostos aos fundos de Madoff

Produtos do ex-presidente da Nasdaq eram oferecidos no País por vários canais; procura por advogados cresce

O Brasil é um dos países em que os fundos do gestor americano Bernard Madoff estavam mais difundidos. Ele foi preso na quinta-feira passada em Nova York, acusado de uma fraude que provocou perdas estimadas em US$ 50 bilhões ao redor do mundo. Bancos e gestores de recursos ofereciam no País, direta ou indiretamente, produtos da Bernard L. Madoff Investment Securities LCC.

(…)

Ontem, a procura de investidores brasileiros por escritórios de advocacia continuou intensa. Um deles contou ao Estado que recebeu, apenas no período da manhã, três potenciais clientes que buscavam informações sobre como proceder no caso. A perda de cada um era de aproximadamente US$ 1 milhão. Outro advogado relatou que tem recebido no escritório “muita gente irritada”.

No mercado financeiro, circulam informações desencontradas sobre quanto os brasileiros poderiam ter perdido com a fraude. Por serem estimativas feitas sem uma base consistente, o Estado prefere não publicar números.

O que se sabe é que o Brasil era um dos principais alvos dos negócios de Madoff por causa da riqueza gerada no País nos últimos anos, especialmente via aberturas de capital (IPOs) de empresas. Uma nova geração de milionários se formou com essas operações.

Também há muitos clientes, que, segundo advogados, não declararam o dinheiro ao Fisco. Por isso, esses profissionais avaliam que nem todas as consultas dos últimos dias resultarão em ações na Justiça dos EUA.

As pessoas lesadas por Madoff sabem que dificilmente receberão seu dinheiro de volta, pois, segundo o próprio gestor americano, sobraram cerca de US$ 300 milhões dos US$ 50 bilhões que sua empresa administrava. A esperança dos brasileiros é obter algum ressarcimento das instituições que revenderam fundos de Madoff.

Muitas gestoras estão cientes desse movimento e também têm procurado bancas de advocacia para se precaver. Um advogado disse ao Estado que passou o dia de ontem em reunião com gestores que queriam entender o problema e o eventual grau de co-responsabilidade no caso.” [grifos meus]

***

Quer dizer que o Brasil sob o governo socialista de Luis Inácio gerou riqueza? Umas centenas de bilhões de dólares.

Quer dizer que a nova elite beneficiada por este governo depositava essa riqueza no exterior, sem declarar imposto? Umas dezenas de bilhões de dólares.

Quer dizer que esse pessoal todo foi tungado pelo Madoff??

Não tem preço!!!!

As “top ten quotes” de 2008 segundo o Yale Book of Quotations:

1. “I can see Russia from my house!” — Sarah Palin on her foreign-policy credentials, as satirized by Tina Fey, NBC “Saturday Night Live” broadcast, Sept. 13, 2008

2. “All of them, any of them that have been in front of me over all these years.” — Sarah Palin responding to Katie Couric’s asking her to specifically name newspapers or magazines she reads, CBS News interview, Oct. 1, 2008

3. “We have sort of become a nation of whiners.” — Phil Gramm on Americans concerned about the economy, quoted in Washington Times, July 10, 2008

4. “It’s not based on any particular data point, we just wanted to choose a really large number.” — Treasury spokeswoman explaining how the $700 billion number was chosen for the initial bailout, quoted on Forbes.com, Sept. 23, 2008

5. “The fundamentals of America’s economy are strong.” — John McCain, interview with Peter Cook on Bloomberg TV, Apr. 17, 2008

6. “Decisions by the Secretary pursuant to the authority of this Act are non-reviewable and committed to agency discretion, and may not be reviewed by any court of law or any administrative agency.” — Department of the Treasury’s proposed Emergency Economic Stabilization Act, Sept. 2008

7. “Maybe 100.” — John McCain on how many years U.S. troops could remain in Iraq, response at town hall meeting, Derry, N.H., Jan. 3, 2008

8. “I’ll see you at the debates, bitches.” — Paris Hilton, video responding to John McCain ad attacking Barack Obama as a celebrity, Aug. 2008

9. “At a time of great crisis with mortgage foreclosures and autos, he [Barack Obama] says we only have one president at a time. I’m afraid that overstates the number of presidents we have.” — Barney Frank, remark to consumer advocates, Dec. 4, 2008

10. (tie) “Cash for trash.” — Paul Krugman on the financial bailout, New York Times, Sept. 22, 2008

10. (tie) “There are no atheists in foxholes and there are no libertarians in financial crises.” — Paul Krugman, interview by Bill Maher on HBO’s “Real Time” broadcast, Sept. 19, 2008

Matamoros descobre a Bubble Doom.   :)

Até aí tudo bem.  O problema foi quando o Sr. Fabio Marton, que comete o blog Tupy or Not Tupy, produziu o seguinte despautério na caixa de comentários do Torre de Marfim:

Ah, uma coisa eu posso garantir: se Obama quiser brincar de Franklin Delano Roosevelt, poderemos ter um resultado parecido, isto é, em 1942 o desemprego continuava o mesmo de 1932.

Como terminou o New Deal e toda a onda de economias neomercantilistas nós sabemos: a II Guerra Mundial, o maior festival de pleno emprego por vidraças quebradas da história.

Evidentemente, o New Deal não é a causa maior da Guerra, mas não se deve subestimar o efeito da onda antiliberal que varreu o mundo então. Onda que começou antes da crise, exatamente como na Rússia e na América Latina de hoje.

Na gloriosa arte do insulto, um argumento de que gosto muito consiste justamente em observar, en passant, que um determinado texto de alguém não só não está certo como não está nem mesmo errado.  É essa sensação que me assalta ao ler o comentário de Fabio Marton.  A começar pela reconfortante asserção de que o New Deal,  afinal, não é a causa maior da guerra _ o que nos informa obliquamente que uma causa menor, pelo menos, ele deve ter sido, na mitologia martoniana.  Depois pela acurada identificação da tal “onda antiliberal que varreu o mundo”.  Seria fascinante se o dr. Fabio nos indicasse em que momento, entre os anos do Senhor de 1871 e 1939, essa “onda antiliberal” teria aportado nos territórios germânicos _ dos quais se pode dizer, au contraire, apenas terem passado por uma “marola liberal” durante o momento de Weimar…

O Estadão online publicou uma matéria sobre as últimas declarações de Lula na Cúpula da Bahia.  Após citar a piadinha que ele fez sobre sapatos de jornalistas, o vetusto diário paulista saiu-se com este comentário:

em discurso de encerramento da cúpula, Lula, ao comemorar a mudança que está ocorrendo na região, com os países entendendo que precisam se unir para enfrentarem os problemas juntos. “Sinto que essa consciência está mudando”, comentou Lula. 

Para ilustrar a mudança, Lula citou o exemplo da transformação do bicho-da-seda: “Não sei se todo mundo conhece o pequeno casulo que produz a seda. O casulo, de repente, fura um buraquinho e sai uma borboleta”, comentou ele, que confundiu lagarta com bicho da seda e mostrando que nem ele conhecia sobre o que estava se propondo a falar.” [grifo meu]

Estou enganado ou trata-se de uma tentativa de sapatada virtual?  Se foi, sugiro que o preclaro profissional da pena melhore sua pontaria, tomando aulas diárias de biologia e português:

1) o incauto jornalista parece desconhecer que o termo “bicho-da-seda” é usado para designar uma espécie animal, enquanto o termo “lagarta” refere-se a um estágio do desenvolvimento de inúmeros insetos…INCLUSIVE o bicho-da-seda.  Claro que Lula errou: quem produz a seda é a lagarta, não o casulo.  Por outro lado o jornalista só fez piorar a confusão.

2) a frase é um primor de mau português.

Em suma: nada contra sapatadas, mas o Estadão parece não dominar a arte.

Como suspeitávamos…deu no Estadão:

Pessoas físicas foram as mais afetadas pelo Madoff no Brasil

Recursos vinham quase integralmente de rendimentos não declarados, e que buscavam baixa taxa de risco

RIO – Clientes em sua maioria pessoas físicas, com pequenas fortunas no exterior, vindas quase integralmente de rendimentos não declarados, e que buscavam investimento com baixa taxa de risco. Este é o perfil básico dos brasileiros que aplicaram – e perderam – dinheiro em cotas de fundos administrados por Bernard Madoff, o ex-presidente da Nasdaq preso esta semana nos Estados Unidos acusado de fraudar Wall Street em US$ 50 bilhões. Segundo um dos próprios investidores, que pediu para não ser identificado, o fundo rendia relativamente pouco, comparado a outros investimentos de maior risco: o ganho girava entre 7% e 8% ao ano. “Quem tem dinheiro declarado opera no mercado”, diz a fonte, justificando o fato de as aplicações serem de renda não declarada, mais conhecida no mercado financeiro pelo jargão “caixa 2″.

E o modus operandi era o mesmo:

O americano Walter Noel, casado com a brasileira Mônica Haegler, respondia pela oferta do produto em Nova York. No Rio, Noel freqüenta, há mais de duas décadas, agremiações onde se reúne a alta sociedade, como o Country Club e o Gavea Golf Clube, e fazia contatos para intermediação de investimentos.

***

Algo me diz que a Daslu (e a ponte aérea) vai sofrer um baque.

Obama escolheu seu secretário de agricultura:  Tom Vilsak, governador do estado do Iowa.

Vilsak, que foi pré-candidato às prévias democratas e apoiou Hillary após desistir,  é alinhado com Obama no quesito “importância dos biocombustíveis”.  No entanto, à primeira vista sua indicação poderia trazer problemas à política brasileira para o setor, já que o Iowa é um estado com uma grande produção de milho _ uma indústria ansiosa por subsídios e proteção tarifária para seu projeto de viabilizar-se como produtora de etanol a partir do milho.  Nesse caso, porém, ele já deu declarações que podem ser usadas contra ele no f uturo, caso mude de idéia:

“Don’t assume that I necessarily think corn is the answer. I think it was a great way to start the conversation but in the long run there is not enough corn and we do not want to create a competition between food, fiber and fuel.”

“We need to encourage the research and development of alternatives to corn. We also need to take a look at the tariffs in terms of Brazil. We need to reduce and ultimately eliminate those tariffs, bring the Brazilian ethanol into this country, create a demand for E85, put pressure on Detroit to create more flexible-fuel vehicles and you’re going to see a growing economy and a less-dependent oil economy.”

morethanshoes1

Ato, ato, ato, cada um com seu sapato

Sempre me espanto quando pessoas otherwise perfeitamente razoáveis e inteligentes mostram um ponto cego no seu entendimento das coisas.

Lá no Torre de Marfim, Arranhaponte perpetrou uma dessas ocasiões.  A idéia geral parece ser a de que é graças a Bush e ao exército de libertação americano, afinal, que um jornalista iraquiano tem agora o direito de atirar um sapato no Presidente dos EUA.

A idéia é questionável sob inúmeras luzes.   A começar que essa noção de “direito” é meio vaga, já que segundo o Guardian

The Iraqi journalist who threw his shoes at George Bush appeared before a judge yesterday on charges of “aggression against a president”.

The court decided to keep Muntazer al-Zaidi in custody, and after an investigation is carried out the judge may send him for trial under a clause in the Iraqi penal code that punishes anyone who attempts to murder Iraqi or foreign presidents.

Such a crime could result in imprisonment of seven to 15 years.

His brother claimed yesterday that the television reporter had been beaten in custody.

Zaidi suffered a broken hand, broken ribs, internal bleeding and an eye injury, his older brother, Dargham, told the BBC.

Mesmo sob o manto do Patriot Act, penso que se um conterrâneo de Bush atirasse um sapato em cima dele não receberia tratamento similar.

É claro que isso é o de menos.  O de mais é que a aventura americana no Iraque custou, segundo estimativas conservadoras, algo entre 90 e 100 mil vidas civis iraquianas (Iraqi Body Count), ou quase 700.000 segundo o estudo da John Hopkins.  Certamente o número de sapatos atirados para causar uma mortandade dessas deve ser bem alto.  Como se não bastasse, os EUA criaram um buraco do qual ainda não sabem muito bem como vão sair, sem que haja de fato a menor garantia de que o Iraque pós-retirada das tropas americanas será um baluarte da democracia.

Então antes de entoar loas às capacidades de statebuilding de Bush, é melhor por os pés no chão.

dsc01185

(clique para ampliar)

Alguém adivinha?  Essa até que é facinha…

hardy

Isso não vai dar certo…

Com a regularidade de um relógio, Paulo do FYI produz posts muito pouco inspirados.  Mas sempre há espaço para aperfeiçoamentos, e ele vem tentando se superar _ com algum sucesso, de fato.  A respeito de uma reportagem do Guardian sobre o relativo “esfriamento” do ano de 2008 (um artigo perfeitamente honesto, que explica corretamente o motivo pelo qual efeitos climáticos de curto prazo mascararam a tendência de longo prazo), Paulo diz:

I know, I know, this is all small potatoes and what really matters is the looong run. Now, isn’t it weird how lefties keep always telling us that we should only think about weather in this impersonal long view but for everything else what is important is the moment? (think stock markets)

Do parágrafo fica claro que Paulo denomina por “lefties” todos aqueles que se preocupam com danos evitáveis.  Claro, se o aquecimento global é criado pelo homem e podemos pensar em políticas capazes de evitá-lo, não fazê-lo simplesmente não é racional.  Da mesma forma, se os choques financeiros são derivados de negligência regulatória, então não providenciar regulação desses mercados também não é racional.

O que demonstra que se dependêssemos do “naturalismo-catástrofe” de gente como o Paulo, ainda estaríamos provavelmente na Idade da Pedra _ afinal, como disse o Eli Diniz dia desses, nem o paleolítico nem o neolítico acabaram por falta de pedras.

No Valor de hoje, uma matéria interessante sobre o destino de Hollywood com a crise (traduzida da Businessweek):

Nem Hollywood escapa do aperto no crédito
Ronald Grover e Tom Lowry, BusinessWeek, de Los Angeles e Nova York

Diante de um prato de risoto no restaurante Ca’Brea, o ex-presidente do conselho de administração da Sony Pictures Peter Guber lamenta a situação do setor cinematográfico. Um filme que ele está tentando fazer encontra-se no limbo, bloqueado por um banco que insiste que ele deve colocar mais dinheiro na empreitada antes de fechar qualquer acordo. “Ninguém quer emprestar dinheiro hoje em dia para um ativo que levará meses para ser criado”, diz Guber, antes de sair correndo para se encontrar com seu banqueiro.

Assim como o resto de Hollywood, Guber está descobrindo que a fábrica de sonhos de Los Angeles não fica imune quando o resto dos Estados Unidos mergulha numa recessão. Cinemas de todo o país estão vendendo menos ingressos. As vendas de DVDs, que geram bastante lucro, estão esfriando. E, em algumas semanas, o Screen Actors Guild – o sindicato que representa mais de 120 mil atores – poderá autorizar uma greve capaz de paralisar Hollywood pela segunda vez em um ano.

É difícil ver as marcas de preocupação no rosto das pessoas quando metade de Los Angeles está cheia de botox. Mas o mal-estar está no ar. Sim, a produção para TV vai bem. Mas grande parte dessa atividade se deve ao fato de que as redes de televisão estão correndo para recuperar o tempo perdido depois da greve dos roteiristas, que durou 14 semanas e paralisou Hollywood no começo do ano. E embora alguns se perguntem se o Screen Actors Guild vai mesmo declarar uma greve num momento de tamanha vulnerabilidade econômica, os estúdios estão tirando o pé do acelerador silenciosamente. Eles estão demorando mais para aprovar filmes de grandes orçamentos e as redes de TV passaram a encomendar séries sem episódios piloto caros.

Mesmo antes da economia americana sair dos trilhos, os estúdios estavam fazendo menos filmes. A Media by Numbers, empresa que monitora as bilheterias dos filmes, diz que os estúdios vão lançar cerca de 450 filmes este ano, 67 a menos que em 2007. No ano que vem o número será ainda menor. A Paramount já disse que vai realizar 20 filmes neste ano e no próximo, em vez de 25. A Time Warner fechou sua unidade New Line Cinema. Enquanto isso, até mesmo os gigantes estão tendo problemas para conseguir financiamentos. A DreamWorks SKG, de Steven Spielberg, vem conversando com bancos há semanas sobre como estruturar uma linha de crédito de US$ 750 milhões.

Para piorar ainda mais as coisas para a economia de Los Angeles, Estados americanos necessitados de caixa estão usando isenções fiscais polpudas para atrair produtores de cinema e de séries de TV. No fim de novembro, o Estado de Illinois aprovou um crédito fiscal de 30% para atrair produções (Michigan já tem um crédito de 40%), e antes disso o Estado de Nova York aumentou seu crédito para 35%. Desde então, Los Angeles perdeu duas séries de TV para Nova York: “In Treatment”, da HBO, e “Ugly Betty”, da ABC. “Los Angeles precisa se esforçar mais ou esse tipo de coisa continuará acontecendo”, afirma Silvio Horta, o criador de “Ugly Betty”. “Cedo ou tarde, Hollywood será apenas um estado de espírito e não uma locação de fato para produções.”

Na Califórnia, o governador Arnold Schwarzenegger está conclamando o poder legislativo do Estado a aprovar seus próprios incentivos. Seu pedido ocorre no momento em que alguns estúdios começam a demitir funcionários. A NBC Universal está cortando seu orçamento em US$ 500 milhões e funcionários já aguardam suas cartas de demissão. A Lions Gate Entertainment, que produz o seriado “Mad Men”, da rede de TV a cabo AMC, demitiu 41. E pouco antes do feriado do Dia de Ação de Graças, a The Weinstein Co. demitiu 24 pessoas, 11% de sua equipe.

A situação de Hollywood não chega a ser tão terrível quanto a do Meio-Oeste, por exemplo. Mas Tinseltown, como é conhecida a indústria cinematográfica americana, alardeou durante muito tempo ser à prova de recessões. “Isso é loucura”, diz um ator que acabou virando garçom, chamado Justin. “É como se estivéssemos no setor automobilístico.“”

***

Throughout most of the Depression, Americans went assiduously, devotedly, almost compulsively, to the movies…the movies offered a chance to escape the cold, the heat, and loneliness; they brought strangers together, rubbing elbows in the dark of movie palaces and fleapits, sharing in the one social event available to everyone.” 

–Carlos Stevens
From the Crash to the Fair
The Public Theatre, 1979

Como será que Hollywood reagirá à recessão (ou depressão) do próximo ano?

Se a História nos traz lições, provavelmente, com mais escapismo _ mas não necessariamente com mediocridade.  O período da Grande Depressão nos deu “E o Vento Levou”, “King Kong”, “O Mágico de Oz” e “Branca de Neve”, por exemplo.  Todos eles, curiosamente, foram filmes inovadores em sua época _ Disney, por exemplo, foi muito criticado quando planejou “Branca de Neve”, o primeiro “feature film” animado.

Por outro lado é possível que a redução de capitais disponíveis estimule novas técnicas poupadoras de recursos na produção cinematográfica.  Um dos maiores extratores de “rents” da indústria são astros e estrelas, e há muito se promete o advento de “computer graphics” suficiente realista para prescindir de atores reais.  Nessas circunstâncias, a tal greve dos atores pode ser um tiro no pé…

sapatos

(pôster motivacional criado com o Motivator do Big Huge Labs)

A esta altura todo mundo já sabe do novo probleminha dos mercados financeiros.  Este tem nome próprio: Bernie Madoff, ex-presidente da NASDAQ.  Agindo como uma espécie de Amway das finanças, o sujeito aspirou recursos de uma ampla gama de investidores _ por quase 20 anos! _ e conseguiu sobreviver até que a crise desmontou seu esquema.

Segundo o site Clusterstock, que preparou até mesmo um slideshow mostrando algumas das vítimas de Madoff, esses eram os perfis mais populares entre os clientes do financier:

Superrich IndividualsLittle GuysFunds + Banks, and Charities + Universities + Hospitals.”

Dando nomes aos bois, Clusterstock lista alguns dos principais afetados:

HSBC, Santander, BNP Paribas, família Thyssen, um monte de membros de “countrie clubs” com especial destaque para o de Palm Beach, a charity de Spielber, Wunderkinder (!), o fundo de pensão dos funcionários de Fairfield County, Connecticut, etc.  

Aparentemente há uma predominância de pessoas e famílias judias, possivelmente devido à forma de atuação de Madoff, usando redes de amizade e influência dentro da sua própria comunidade. Um analista exagera: “Madoff is going to kill more Jews than Hitler“.

Desde o início fiquei curioso com a possibilidade de existirem vítimas brasileiras.  Hoje saiu uma matéria no Valor sobre isso _ mas o artigo prima por citar os “felizardos” de forma extremamente vaga:

Brasileiros perdem com fundo de Madoff
Luciana Monteiro e Alessandra Bellotto, de São Paulo

O esquema de fraude no “hedge fund” gerenciado pelo ex-presidente da Nasdaq Bernard Madoff trouxe perdas para muitos investidores brasileiros. Um histórico de 20 anos de retornos na faixa de 1% ao mês atraiu vários “private banks” que passaram a oferecer a aplicação no exterior para os clientes.

A maioria dos investidores brasileiros perdeu dinheiro porque aplicava no Fairfield Sentry Fund, que investia no fundo gerenciado por Madoff. Mas houve casos de investidores que perderam dinheiro por aplicar diretamente na carteira do ex-presidente da Nasdaq. Um gestor de fortunas conta que, diante de rentabilidades tão consistentes, chegou a ir a Nova York para conhecer como funcionava o fundo hedge. Segundo ele, a equipe de gestão não deu explicações detalhadas sobre as estratégias, o que fez com que desistisse de fazer a distribuição da carteira no Brasil. Classificado como uma “caixa-preta”, muitos aplicadores acreditavam que o sucesso da carteira estava justamente atrelado ao segredo da estratégia de gestão. Chamado de “pirâmide”, o esquema consistia em usar o dinheiro aplicado por novos investidores para remunerar os antigos que resolvessem resgatar os recursos.

Esta inibição provavelmente se explica pela possibilidade de que boa parte dos recursos investidos por brasileiros no fundo de Bernie Madoff estivessem por lá ilegalmente.  E acabaram indo para o ralo antes que entrassem em vigor as medidas preparadas pelo governo para incentivar a repatriação de capitais “irregulares” de brasileiros no exterior.  Pessoas e empresas com esse perfil preferem certamente engolir o sapo em silêncio do que gozar deste tipo de celebridade.

***

A blogueira Melissa Lafsky do Discover Magazine  faz o seguinte diagnóstico sobre a personalidade de Madoff:

Justification, entrenched in narcissism, topped with a heavy dose of self-delusion

Estranhamente, o mesmo perfil de vários blogueiros que a gente conhece…aliás, a descrição feita pelo pessoal do Clusterstock também se aplica:

Our guess is that like that of many once-revered figures, Bernie did not set out to swindle anyone.  In the beginning, he probably produced the returns he said he produced.  Then, somewhere along the line, he probably had a bad month or two that he thought he could quickly offset with a strong one. So he fudged the results and then got back to even.

He probably did this a few times until, eventually, the recovery didn’t get him back to even. Instead of admitting this, however, he kept it up in the hopes that someday it would–and in the hope that he would be able to preserve his life and reputation.” [grifo nosso]

Exatamente da mesma forma que muita gente andou apoiando Bush e os neocons e se enterrou tão fundo nesse apoio que agora não consegue encontrar uma forma honrosa de admitir seu erro _ preferindo construir versões cada vez mais distorcidas da realidade para justificar suas opiniões.

Toda vez que ouço falar em “inclusão digital” penso em sacar minha Lugger.  E quando ouço falar em “informática nas escolas”, penso em sacar Clifford Stoll:

EW: Teachers are charged with preparing students for the future. Don’t students need to learn how to use computers?

Stoll: In my visits to schools, I don’t find children who are ill at ease behind a computer screen. I do find lots of kids who cannot read analytically, who do not read books, who cannot write legibly, who cannot assemble a 250-word essay. But I do not see many kids who can’t use a computer. Do you think children don’t have enough exposure to electronic messages? Children have too much exposure to electronic messages. Is the problem that they don’t watch enough TV? That they don’t get enough media? The problem is that they get too much media already! … If I ask a student to tell me about Huckleberry Finn, I want that student to read the book. If he simply goes to the computer and finds information about Huckleberry Finn, what has he learned? Computers provide kids with information. They don’t help them learn.

[Nota: este post ficará pendurado aqui em cima até eu colher suficientes subsídios.  Os novos posts estão entrando aí embaixo deste.]

O negócio é o seguinte: Tio Hermenauta vai viajar no fim do ano.  De carro.  Em uma longa estirada.  E ocorre que os pneus de seu calhambeque estão um tanto carecas.  Portanto, resolução de fim de ano: trocar pneus.

O diacho é que espantosamente não há (ou eu, ao menos, não achei) muita informação comparativa na internet sobre marcas de pneus.  Portanto vou apelar para o conceito “vox populi, vox dei” e perguntar aqui aos meus leitores qual pneu é o mais recomendável para um carro de passeio, motorização 1.4.

O Hermenauta agradece!

Fruto de um acordo entre a revista Life e a Google, o arquivo fotográfico dessa revista encontra-se agora online, reunindo cerca de 10 milhões de fotografias com datas que remontam a 1880. Das imagens que vêm agora a público, 97% nunca foram publicadas. Numa primeira fase, apenas um quinto da colecção está disponível, esperando-se que o total das fotografias fique acessível no próximo ano.

Aqui, ó.

No blog do Nassif, o anúncio:

Da TV Cultura

Ministro Gilmar Mendes, presidente do STF, participa do “Roda Viva”

A apresentadora do Roda Viva, Lillian Witte Fibe, comanda nesta segunda-feira (15/12), às 22h10, uma entrevista ao vivo com o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes.

O jurista brasileiro, que em 2008 passou a presidir a Suprema Corte brasileira, também foi ministro do STF por seis anos, nomeado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso e advogado-geral da União. Assina a autoria de diversos livros e inúmeros artigos na área de Direito Constitucional. Sua nomeação e atuação como presidente do STF divide opiniões entre os profissionais da área jurídica, sobretudo por suas decisões quanto ao caso de Daniel Dantas, investigado por crimes financeiros na Operação Satiagraha, da Polícia Federal.

Na bancada de entrevistadores estarão presentes Márcio Chaer, editor do site Consultor Jurídico; Reinaldo Azevedo, articulista da revista Veja e do blog Reinaldo Azevedo; Eliane Cantanhêde, colunista do jornal Folha de S. Paulo; e Carlos Marchi, repórter e analista de política do jornal O Estado de S. Paulo.

***

Não sei se algum desses debatedores realmente levará o fogo até a toga de Gilmar Mendes (até onde entendo, me parece que montaram uma bancada “a favor”), mas de qualquer forma será uma boa maneira de avaliar se o ministro é capaz de manter o decôro do cargo.

(hat tip: Samurai)

pk2008121102100002_size0

Finalmente aconteceu:

Scientists extract images directly from brain
12 Dec 2008

Researchers from Japan’s ATR Computational Neuroscience Laboratories have developed new brain analysis technology that can reconstruct the images inside a person’s mind and display them on a computer monitor, it was announced on December 11. According to the researchers, further development of the technology may soon make it possible to view other people’s dreams while they sleep.“”

***

Matéria toda aqui; original em japonês aqui.

Deu no Estadão:

Morre ex-modelo Bettie Page

LOS ANGELES – A ex-modelo e atriz Bettie Page, cujas fotos ajudaram a desencadear a revolução sexual dos anos 60, morreu na noite desta quinta-feira (11) em Los Angeles, aos 85 anos, informou seu agente, Mark Roesler, em um comunicado. Ela morreu de pneumonia em um hospital da capital da Califórnia. No dia 2 de dezembro, ela havia sofrido um ataque cardíaco, não recuperou a consciência e permanecia internada.

A partir de 1950, Bettie Page passou a ser a modelo mais fotografada do mundo, especialmente de biquíni e lingerie. Sua imagem virou febre e foi estampada nas cartas de baralhos e álbuns. Na época, seus pôsteres sensuais decoravam os quartos dos jovens.

***

Sempre gostei da Bettie, símbolo sexual de uma época mais ingênua (bem, talvez nem tanto).  Mas ao contrário do que andam insinuando as más línguas, não, ela não é do meu tempo.  :)

Adeus, Betty, e bettyxmas

Deu no Physorg:

Female art students more sexually active than male science nerds: study

Female arts students at university are the most sexually active while male science students are the most likely to be virgins, Australian researchers said Thursday.”

***

E eu que pensava que a Ciência versava sobre descobertas surpreendentes…

rchong08_5

Os EUA são de fato o país do brega.

Como sabem, Tio Rei se meteu em uma arapuca com aquela história das escolas criacionistas.  Foi veementemente contestado por vários de seus acólitos.  Saiu-se com esta:

Procurem uma só linha nos meus textos em que defendo que o professor de biologia trate o criacioonismo como ciência. Procurem, me enviem e eu não escrevo nunca mais. O que defendi e defendo é que o professor de biologia — ou qualquer outro a tanto habilitado — exponha os princípios da Teoria da Evolução e, sim, lembre aos alunos que há religiões que negam seus postulados.

Agora me expliquem, porque um professor de biologia “lembraria aos alunos que há religiões que negam os postulados” da Teoria da Evolução? Por acaso se espera de um professor de Geografia que diga que “ah, mas há religiões que negam que a Terra é redonda”?  Se ele concede que criacionismo não é ciência, então porque diabos misturar as coisas em uma aula de ciências?  Mas a bobagem não para aí:

Mas não só isso: deveria fazê-lo como um verdadeiro mestre, não como um prosélito vagabundo, observando que o evolucionismo, embora quase consensual no mundo científico, tem lá seus contestadores. 

Quem diria.  Tio Rei resolveu revelar-se, afinal, um relativista…

gente-011-scarlett-decostas

Se depender de mim ela pode variar à vontade

Deu na Gloss:

Scarlett Johansson: “Meu maior medo é de que o público se canse do meu rosto”

(…)

Scarlett afirma que se considera, sim, uma mulher poderosa. “Mas não me deixo corromper pelo sucesso. Sou bastante apaixonada por tudo que faço. E uma empresária muito séria! E acho que a indústria cinematográfica tem muito pouca tolerância com atores famintos pelo poder (risos).” É ambiciosa e trabalha sem parar. Mas tem suas neuras: “Meu maior medo é de que o público se canse do meu rosto”. Por isso, seleciona com cuidado as produções em que atua. “Os filmes saem e você espera poder se orgulhar deles. Não quer que digam: ‘Ai, meu Deus, lá vem ela de novo!’”

***

Scarlett, a antiraimunda.

No ODD NUMBERS, uma discussão sobre os efeitos do desemprego na economia americana: mais gente vai estudar?  Aparentemente não.

O diabo é que ele me saiu com uma citação de Schumpeter que eu desconhecia completamente:

All those who are unemployed or unsatisfactorily employed or unemployable drift into the vocations in which standards are least definite….They swell the host of intellectuals…whose numbers hence increase disproportionately. They enter it in a thoroughly discontented frame of mind. Discontent breeds resentment….righteous indignation about the wrongs of capitalism.”

Para Schumpeter o problema não era o proletariado, era a intelligentsia radical.  Engraçada é a profunda fé que Schumpeter parecia depositar, portanto, na flexibilidade do mercado de trabalho: perdeu o emprego?  Ah, vira um intelectual!

Para Schumpeter, portanto, a vagabundagem era o caminho para a intelectualidade (e seus “padrões mais indefinidos”…).  Infelizmente, o mais provável é que a pseudo-intelectualidade seja o caminho para a vagabundagem

icar1-done

O Barry Ritholtz, do blog “The Big Picture”, tem boas sacadas e seu blog tem me ajudado muito a acompanhar a crise.  Mas de vez em quando, como todo mundo aliás, ele pisa na bola. A pisada foi endossar este artigo do Robert X. Cringely, “What if Steve Jobs ran one of the Big Three auto companies?“.  

A idéia básica: as 3 grandes de Detroit deveriam adotar a filosofia de Steve Jobs na Apple, que praticamente liquidou a manufatura da empresa, transformando-a em uma entidade responsável pelo design e marketing dos seus produtos, apenas.

***

Alguém se prontifica a mostrar pelo menos um dos motivos pelos quais o artigo é bobo?

Do Globo:

Juliana Paes: ‘Sou tipo o homem da casa’

Dá para acreditar que Juliana Paes não tem o menor talento para dona de casa? Em entrevista a “Quem”, a atriz diz que é “tipo o homem da casa”. “Não gosto de ficar falando da minha vida de casada. Não faço nada dentro de casa. Não tenho que falar”, diverte-se a bela, que conta que nada mudou no relacionamento com o marido, o empresário Carlos Eduardo Baptista, depois do casório. “Eu não passei a arrumar a cama porque a gente casou.” [grifo meu]

Claro que “dá para acreditar”.  Eu me surpreenderia muito se fosse o contrário.  Aliás, pelo menos em Brasília a maior parte das moças de classe média não sabe sequer fritar um ovo.  Confesso que, para mim, “dotes domésticos” nunca foi um critério essencial para procurar uma esposa _ até que encontrei uma que os tem de sobra.  Hoje formo decididamente do lado daqueles que pensam que a mulher tem que saber fazer as tarefas domésticas (mesmo que realmente não precise fazê-las, e sem prejuízo de que também seria bom que os homens fossem capazes de desempenhá-las).  E minhas filhas vão saber passar roupa sim senhor.

Com a participação especial de Paul Krugman no papel do preocupado- cidadão-que-alerta-as-autoridades-mas-é-desacreditado…  :)

(clique para ampliar)

(clique para ampliar)

pearluniverse

O universo em uma casca de ostra

Na BBC:

Black hole confirmed in Milky Way

_There is a giant black hole at the centre of our galaxy, a study has confirmed.

German astronomers tracked the movement of 28 stars circling the centre of the Milky Way, using two telescopes in Chile.

The black hole is four million times more massive than our Sun, according to the paper in The Astrophysical Journal.

Black holes are objects whose gravity is so great that nothing – including light – can escape them.

Mas há espaço para poesia, também, mesmo em um universo tão hostil:

According to Dr Robert Massey, of the Royal Astronomical Society (RAS), the results suggest that galaxies form around giant black holes in the way that a pearl forms around grit.

***

De fato, a idéia é que buracos negros agem como “sementes” pelo universo afora, oferecendo, graças à sua atração gravitacional, pontos onde a matéria pode se condensar em galáxias, estrelas e planetas, de maneira muito semelhante à qual micróbios formam gotas de chuva e flocos de neve,  grãos de areia formam pérolas e malucos de direita formam claques anaeróbicas.

***

E, claro, também da forma pela qual anos de “livre mercado” estão engolindo rios de dinheiro.

sorrianao

Foi-se o tempo de te pedirem para sorrir ou dizer “X” defronte às câmaras.

Agora, com os softwares de reconhecimento de face, a regra é “não sorrir”.  Aliás, não sorrir, não usar óculos, não usar chapéu, não usar nada que impeça o funcionamento do tal do software.

Minha impressão é de que tais impedimentos devem durar apenas um tempo, até que desenvolvam softwares capazes de fazer um reconhecimento (com um nível suficiente de certeza) mesmo com pessoas disfarçadas (desde que não ponham um saco na cabeça, é claro).

ronaldo_angradosreis_03052008

Deu no Globo:

Ronaldo diz que não recebeu nenhuma proposta do Flamengo

RIO – Mesmo depois de acertar com o Corinthians para 2009 , o atacante Ronaldo voltou a se dizer ‘flamenguista de coração’. Mas justificou a escolha pelo alvinegro paulista dizendo que não recebeu nenhuma proposta oficial do rubro-negro carioca durante os quatro meses que passou treinando e fazendo tratamento na Gávea.

- Sou flamenguista de coração, mas passaram-se quatro meses que estou no Rio, treinando no Flamengo, e nada aconteceu. Não recebi nenhum projeto, nenhuma idéia – declarou Ronaldo em entrevista ao ‘Jornal Nacional’, da TV Globo.”

***

Pô, Ronaldo, a proposta era você perder a barriga!

Matéria do NYT não prevê bons augúrios para a economia americana.  Alguns dados:

_ vendas do varejo: pior nível nos últimos 35 anos

_ vendas de automóveis: pior nível nos últimos 25 anos

_ manufatura em geral: pior nível desde 1982

_ dois milhões de empregos perdidos desde o início da recessão, 2/3 desde setembro.

E o cenário para frente não é animador:

In an address taped for broadcast Saturday morning on radio and YouTube, Mr. Obama committed to the largest public works program since the creation of the interstate highway system a half century ago. “We need action — and action now,” he said.

Still, analysts said that government assistance would probably not result in a full recovery by May, which would signify the 16-month point of the recession. That would match the record for the longest postwar recession, set in 1975 and reached again in 1982.

Up until mid-September, a plausible scenario was that it would be a short and shallow recession,” said Edward Yardeni, the investment strategist. “After mid-September, it became quite obvious that that was wishful thinking.”” [grifo meu]

Matéria do NYT diz que até mesmo a mais antiga das profissões está sofrendo os efeitos da crise:

While the world’s oldest profession may also be one of its most recession-proof businesses, brothel owners in Europe and the United States say the global financial crisis is hurting a once lucrative industry.”

Mas o interessante mesmo na matéria é a descrição dos efeitos do fim do comunismo na Europa do Leste e da ascenção do negócio do sexo nos países ex-comunistas:

“Since the fall of Communism in 1989, the Czech Republic has become a major transit and destination country for women and girls trafficked from countries farther east like Ukraine, Russia, Belarus and Moldova, according to the police.

For nearly 20 years, tens of thousands of sex tourists have streamed into Prague, the pristinely beautiful Czech capital, drawn by inexpensive erotic services, an atmosphere of anonymity for customers and a liberal population tolerant of adultery. According to Mag Consulting, 14 percent of Czech men admit to having sex with prostitutes, compared with a European Union average of 10 percent.

Dozens of cheap flights to Prague have also ensured a flow of bachelor parties from across Europe, with multiple daily flights from Britain alone.

Será o fim das Natashas?  Duvido:

Hana Malinova, director of Bliss Without Risk, a prostitution outreach group, said she feared the current credit crunch was pushing more poor women into prostitution, since they could make more money selling their bodies — about 120 euros for a half-hour session at some upscale sex clubs in Prague — than flipping burgers at McDonald’s.

Bom, eu disse que não ia meter minha colher nesta briga, mas…

Na sequela de seu traque inicial, o Vilósofo escreve outro artigo intitulado “Método Doriano de Leitura”.  Ali ele comete a seguinte asneira:

Se a Suprema Côrte mantém a decisão do tribunal de primeira instância que se recusou a julgar a matéria do processo, então qualquer pessoa com QI superior a 12 pode compreender que a matéria não foi julgada de maneira alguma, isto é, que nenhuma das duas instâncias disse se Obama é americano, queniano ou marciano. O que ambas disseram foi que o queixoso, como eleitor comum, não tem legitimidade (standing) para abrir o processo, pois não provou ter sofrido dano pessoal com a eleição de Obama.

Bom.

A Constituição dos Estados Unidos da América _ um documento notavelmente sintético e pouco palavroso _ diz o seguinte sobre o Presidente do país:

No person except a natural born Citizen, or a Citizen of the United States, at the time of the Adoption of this Constitution, shall be eligible to the Office of President;

Me parece pra lá de improvável que diante de um comando constitucional tão explícito a Suprema Corte, aliás hoje cheia de textualistas, iria recusar-se a sequer admitir um processo com base no fato de que o queixoso “não provou ter sofrido dano pessoal com a eleição de Obama“.  A famosa Regra 10 da Suprema Corte, que regula a admissibilidade de casos, diz o seguinte:

Rule 10. Considerations Governing Review on Writ of Certiorari

Review on a writ of certiorari is not a matter of right, but of judicial discretion. A petition for a writ of certiorari will be granted only for compelling reasons. The following, although neither controlling nor fully measuring the Court’s discretion, indicate the character of the reasons the Court considers:

  •  
    • (a) a United States court of appeals has entered a decision in conflict with the decision of another United States court of appeals on the same important matter; has decided an important federal question in a way that conflicts with a decision by a state court of last resort; or has so far departed from the accepted and usual course of judicial proceedings, or sanctioned such a departure by a lower court, as to call for an exercise of this Court’s supervisory power;
    • (b) a state court of last resort has decided an important federal question in a way that conflicts with the decision of another state court of last resort or of a United States court of appeals;
    • (c) a state court or a United States court of appeals has decided an important question of federal law that has not been, but should be, settled by this Court, or has decided an important federal question in a way that conflicts with relevant decisions of this Court.

A petition for a writ of certiorari is rarely granted when the asserted error consists of erroneous factual findings or the misapplication of a properly stated rule of law.

Me parece que ter um presidente inconstitucionalmente eleito seria “compelling reason” mais que suficiente para assegurar um interesse da corte.  Mais importante, o tal do “dano pessoal” exigível da parte demandante, invocado por Olavo como condição suficiente para não aceitar ouvir o caso, nem sequer aparece na regra 10…

A propósito, o SCOTUSblog, fonte inexcedível para quem gosta de abeberar-se destes assuntos, assim noticiou a coisa:

In a brief order, the Court, as expected, turned aside a New Jersey voter’s plea for the Court to determine if President-elect Barack Obama was qualified to run for the White House — that is whether he was a “natural born citizen.”  The stay application came in the case of Donofrio v. Wells, Secretary of State of New Jersey (08A407).  This marked the second time in recent weeks for the Court to turn aside such a challenge; the first came on Nov. 3, in Berg v. Obama (08A391).   The Court, in neither instance, gave reasons for turning down the applications.  In neither case did the Court seek a reponse, thus indicating it had little interest in either or had found them to be completely without merit.” [grifos meus]

De novo, nem uma palavra sobre danos pessoais.

Eu acho que o único dano pessoal passível de acontecer nesse caso seria à reputação de Olavo.  Mas essa aí já não pode mais sofrer nenhum dano apreciável, “se é que vocês me entendem” (para usar aquela punch line cheia de wit tão apreciada pelo Tio Rei).

Como vocês já devem estar sabendo, o pau andou comendo entre Pedro Dória e ninguém menos que o Vilósofo da Virgínia, Olavo de Carvalho.

Eu gosto muito do Pedro Dória, mesmo quando ele diz coisas como “a trama se  adensa” em lugar de “the plot thickens”.  E acho que não preciso repetir minha opinião, er, perene, sobre Olavo de Carvalho.    Por isso sequer vou esboçar um post a respeito desta briga.

Mas um cara chamado Paulo (sempre os Paulos…) comentou lá em um dos posts do Dória, querendo provar a grande importância de Olavo na cultura brasileira. E fê-lo citando os nomes de pessoas ou grupos que de uma forma ou outra teriam recebido a bemfazeja influência de Olavo.  São eles, segundo o tal Paulo:

1 O pessoal da Dicta & Contradicta, já colocado.
2 Em boa parte aqueles ligados ao ordemlivre.org
3 O próprio caso do Mídia Sem Máscara, coordenado por Paulo Diniz Zamboni.
4 Oindivíduo. Especialmente Pedro Sette Câmara.
5 Praticamente todas as pessoas dedicadas a educação liberal que existem no Brasil hoje, podemos citar a dupla Aristoi.com e EspaçoHumanitas.
6 O trabalho que se desenvolve em torno do seu filho, Luiz Gonzaga de Carvalho Neto. (Provavelmente não há no Brasil ninguém que saiba metade do que ele sabe de religiões comparadas e história das religiões.)
7 Inegável influência entre o movimento pereanislista inteiro (apesar de pequeno) que há no país hoje.
8 O pessoal do VigilânciaDemocrática de Campinas, que tem feito ótimo trabalho.
9 O grupo AcarajéConservador da Bahia.
10 Em Recife, o CaféColombo, fora intelectuais que se reuniam constantemente em torno de sua obra.
11 O Veritatis Splendor.
12 De Olho na Mídia, por exemplo, é influenciado.
13 Movimento Viva Brasil. E sim, a derrota no referendo do desarmamento não foi só por conta de Chico Santa Rita, não. Os movimentos que já viam de antes foram fundamentais para formar massa crítica, e Olavo totalmente ligado a eles.
14 Pessoal do Grupo Inconfidência de Minas.
15 EscolaSemPartido, muito influenciado também.
16 Movimento Pró-Vida, várias pessoas ligadas.
17 O ativista Júlio Severo e cia.
18 Movimento Fora Lula e Grande Vaia (especialmente os líderes).

Ele elencou essa lista como prova do alcance e da influência do pensamento do Olavo.  Eu, difererentemente,  acho que quer se leia a lista de baixo pra cima, quer se leia de cima pra baixo, ela é totalmente irrelevante no contexto da cultura brasileira e portanto uma contraprova, mas estou aberto a ouvir quem queira nos demonstrar o contrário.

Essa é para deixar os deniers fulos da vida:

People affected by worsening storms, heatwaves and floods could soon be able to sue the oil and power companies they blame for global warming, a leading climate expert has said.

Myles Allen, a physicist at Oxford University, said a breakthrough that allows scientists to judge the role man-made climate change played in extreme weather events could see a rush to the courts over the next decade.

He said: “We are starting to get to the point that when an adverse weather event occurs we can quantify how much more likely it was made by human activity. And people adversely affected by climate change today are in a position to document and quantify their losses. This is going to be hugely important.””

buy-our-crap

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(clique para ampliar)

2347943166_64f679ecc0_o

 

 

 

 

 

 

 

(clique para ampliar)

Alguém adivinha onde é?

Concordo totalmente com o Mark Thoma nessa:

(…) One question to ask is how we ended up putting ourselves into a position where we could not allow firms to fail. There are lots of reasons, but if we had better social insurance, good enough so that the health and welfare of workers and their families was not threatened by the failure of the automakers, it would be a lot easier to avoid a bailout.

Sem dúvida a presença de um welfare state mais robusto nos EUA seria desejável em uma hora como esta.  É claro que fica em aberto saber se a Europa é mais ou menos permissiva com falências do que os EUA.  Aparentemente a União Européia tem feito esforços no sentido de reduzir o chamado “estigma da falência” (uma idéia inteligente e que mostra além disso o quão frágil e incompleto é o fetiche dos indicadores de competitividade mundo afora com o item “facilidade de abrir uma empresa”), mas não creio que isto se aplique às “jóias da coroa”, as grandes empresas que são o orgulho de seus países.

 

collegehumorc18ef8cc9ccc9a6e4435b8f01b002c6d

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Leia o resto deste post »

E tudo o que eu tenho a dizer sobre essa hipocrisia em torno do discurso do “sífu” do Lula é isto.

white trash data center

Em uma matéria do Register sobre os novos “computing traillers” com que a Microsoft tenta combater o Google na batalha pela “nuvem”:

(…) Sun and Rackable would appear the most likely suppliers of Microsoft’s containers, which we’ve dubbed white trash data centers much to the chagrin of five Register readers. (This is not a racial slur against white folk but rather an embrace of the Southern, food stamp culture your reporter shares with trailerized people.)” [grifo meu]

(hat tip: Nick Carr)

[tudo isto tem a ver, é claro, com o conceito de computação como utility, lindamente decantada nesta frase de Daniel Hillis, o gênio da supercomputação que resolveu ganhar dinheiro na Sun:

Long an advocate of the concept of utility computing, analogous to the way electricity is currently delivered, Mr. Hillis said he realized that large companies were wasting significant time assembling their own systems from small building blocks. “It struck me that everyone is rolling their own in-house and doing manufacturing in-house,” he said. “We realized that this obviously is something that is shippable.

That´s it, man.  Aliás, não sou muito dado a bajulações, mas Daniel Hillis é um cara de quem é fácil ser fã.  Em um de seus empreendimentos antigos, onde ele tentou (com Richard Feynman como associado…) construir uma máquina inteligente inspirado no paradigma conexionista, o slogan da empresa era:

We’re building a machine that will be proud of us

Pode dizer: o cara é bom…]

 

 

hamlet-48

- – – -

 

Horatio thinks he saw a ghost.

Hamlet thinks it’s annoying when your uncle marries your mother right after your dad dies.

The king thinks Hamlet’s annoying.

Laertes thinks Ophelia can do better.

Hamlet’s father is now a zombie.

- – – -

The king poked the queen.

The queen poked the king back.

Hamlet and the queen are no longer friends.

Marcellus is pretty sure something’s rotten around here.

Hamlet became a fan of daggers.

(continua…)

***

Hamlet (Facebook News Feed Edition)

***

Versão Facebook de Orgulho e Preconceito aqui.

Se eu bem me lembro, aí pela década de 70 teve uma leva de adaptações de livros para os quadrinhos.  Até “O Capital” foi vertido para a banda desenhada, possivelmente com resultados horríveis

[anteontem em uma festa eu e um amigo concluímos que era impossível ler “O Capital” sem dormir, o que, dada a reputação de insone do velho Karl, nos fez presumir que todo o sono que ele devia ter sentido condensou-se e impregnou-se nas páginas escritas pelo barbudo de Trier]

Parece-me bem provável que no futuro a necessidade de adequar a oferta de literatura a uma demanda crescentemente tatibitática terá que apelar cada vez mais para este tipo de adaptação…

Tio Rei comenta os resultados da mais recente pesquisa Datafolha sobre as intenções de voto para a eleição presidencial de 2010.  Encerra assim o seu post:

Encerro observando que os petralhas devem se perguntar por que um país que põe Lula nos píncaros da glória elegeria, não obstante, para substituí-lo, um nome da oposição. Eis uma boa questão. Fica para outro texto.”

Talvez não sejam apenas os petralhas que devam se perguntar sobre isso.

Deu no Estadão:

Escolas adotam criacionismo em aulas de ciências
Instituições religiosas usam explicação cristã sobre criação do mundo junto com a teoria da evolução

Polêmicos nos Estados Unidos, onde são defendidos por movimentos religiosos como mais do que explicações baseadas na fé para a criação do mundo, o criacionismo e o design inteligente se espalham pelas escolas confessionais brasileiras – e não apenas no ensino religioso, mas nas aulas de ciências. Escolas tradicionais religiosas como Mackenzie, Colégio Batista e a rede de escolas adventistas do País adotam a atitude de não separar religião e ciência nas aulas, levando aos alunos a explicação cristã sobre a criação do mundo junto com os conceitos da teoria evolucionista. Algumas usam material próprio.

Outros trabalham com livros didáticos da lista do Ministério da Educação e acrescentam material extra. “Temos dificuldade em ver fé dissociada de ciência, por isso na nossa entidade, que é confessional, tratamos do evolucionismo com os estudantes nas aulas de ciências, mas entendemos que é preciso também espaço para o contraditório, que é o criacionismo“, defende Cleverson Pereira de Almeida, diretor de ensino e desenvolvimento do Mackenzie.

O criacionismo e a teoria da evolução de Charles Darwin começam a ser ensinados no colégio entre a 5ª e 8ª séries do fundamental. Na hora de explicar a diversidade de espécies, por exemplo, em vez de dizer que elas são resultados de milhares de anos do processo de seleção natural, se diz que a variedade representa a sabedoria e a riqueza de Deus.

No Colégio Batista, em Perdizes (SP), o entendimento é semelhante. “Ensinamos as duas correntes nas aulas e deixamos claro que os cientistas acreditam na evolução, mas para nós o correto é a explicação criacionista. O importante é que não deixamos o aluno alienado da realidade”, afirma Selma Guedes, diretora de capelaria da instituição.

A polêmica está no fato de os colégios ensinarem o criacionismo e o design inteligente não como explicações religiosas, mas como correntes científicas que se contrapõem ao evolucionismo. Nos EUA, a polêmica parou na Justiça. Em 2005, tribunais da Pensilvânia decidiram que o design inteligente não era ciência, recolocando Darwin nas escolas. No Brasil, onde o debate não é tão acirrado, esse tipo de ensino tem despertado dúvidas sobre a validade na preparação dos alunos. Os conteúdos de ciências exigidos em concursos e vestibulares são baseados em consensos de entidades científicas, que defendem a teoria da evolução.

Já nos cerca de 2 mil colégios católicos, segundo dados da Rede Católica de Educação, não há conflitos entre fé e teoria evolucionista. No material usado por cerca de cem colégios do País, as aulas de ciência trazem a teoria da evolução e explicam o papel de Darwin.” [grifos meus]

***

Eis porque me ufano de meu país; onde lá fora subsiste acirrada polêmica, aqui estamos nós, calma e silenciosamente, formando batalhões de idiotas.

dezembro 2008
D S T Q Q S S
« nov   jan »
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  
Add to Technorati Favorites

Blog Stats

  • 1,511,008 hits
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 27 outros seguidores