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Pandora, 1896 – John William Waterhouse

Alex Tabarrok, no Marginal Revolution, mostra que Sarah Palin pode ter maiores chances de chegar à Presidência, neste momento, do que John McCain _ qualquer que seja o resultado da terça feira.

NOTA: A discussão rendeu, mas já chegou na fase de rendimentos decrescentes _ por isso, e porque eventos mais importantes se aproximam, deixei o post cair.

A revista Seed, que para quem não conhece é um dos maiores antros do nerdismo sobre a Terra, fez sua declaração de voto nestas eleições.  Primeiro, deita bile sobre o bushismo: 

It is abundantly evident that science can refuel economic growth, address the energy and climate challenge, and help restore America’s soft power around the world. President Bush dismissed this potential, turned the very act of defying science into an art, and in so doing diminished US competitiveness and disenfranchised the country’s source of innovation. His administration not only disregarded evidence time and time again but also rejected and debased the very enterprise that offered that evidence. Renewing the promise of science starts first and foremost with restoring scientific integrity to government.

E endossa Obama:

Sen. Obama’s pledged stance on science resonates with us. He has vowed to restore integrity to the role of science advisor by reestablishing the senior status of the Assistant to the President for Science and Technology (…) These are important policy positions, and they reflect Sen. Obama’s appreciation of the need to invest in science and science education as a precondition for growth and prosperity in the 21st century. We recognize, however, that these are not the issues that most voters will be thinking about when they cast their ballot.

O parágrafo seguinte é bastante interessante:

Far more important is this: Science is a way of governing, not just something to be governed. Science offers a methodology and philosophy rooted in evidence, kept in check by persistent inquiry, and bounded by the constraints of a self-critical and rigorous method. Science is a lens through which we can and should visualize and solve complex problems, organize government and multilateral bodies, establish international alliances, inspire national pride, restore positive feelings about America around the globe, embolden democracy, and ultimately, lead the world. More than anything, what this lens offers the next administration is a limitless capacity to handle all that comes its way, no matter how complex or unanticipated.” [grifo meu]

Pode-se argumentar que esta visão é um tanto tecnocrática, mas acho que podemos concordar que em um mundo onde o que você consome em sua casa afeta o degelo no Pólo Norte, e onde inocentes fitas durex mostram ser capazes de emitir raios-X, não resta muita dúvida que o discurso científico se torna um parceiro cada vez mais importante a ser ouvido na arte de governar.

A minha impressão sobre o Partido Republicano é que ele se tornou um elemento disfuncional dentro da polity norte-americana.  Essencialmente porque ele viabiliza uma estratégia para a tomada do poder que é essencialmente, visceralmente anticientífica, ou seja, anti-elitista no que o anti-elitismo tem de pior, que é o horror ao mérito.  Esta estratégia pode fazer sentido para seus beneficiários no curto prazo, mas está sacando capital social contra o futuro dos EUA.

Comentários?

Barak Obama

The necessaries of life occasion the great expense of the poor. . . . The luxuries and vanities of life occasion the principal expense of the rich, and a magnificent house embellishes and sets off to the best advantage all the other luxuries and vanities which they possess. . . . It is not very unreasonable that the rich should contribute to the public expense, not only in proportion to their revenue, but something more than in that proportion.

(ht: The Big Picture)

Incroyable:

Scotch Tape Unleashes X-Ray Power

Next step: nuclear fusion.

“We’re going to do that,” said Seth J. Putterman, a professor of physics at U.C.L.A. “I think it will work.”

But first, X-rays.

In the current issue of the journal Nature, Dr. Putterman and his colleagues report that surprisingly fierce flows of electrons were unleashed as the tape was unpeeled and its gooey adhesive snapped free of the surface. The electrical currents, in turn, generated strong, short bursts of X-rays — each burst, about a billionth of a second long, contained about 300,000 X-ray photons.

“Some kind of microscopic lightning effect,” Dr. Putterman said.

The scientists even demonstrated that the X-rays were bright enough to take an X-ray of a finger.

That does not mean that tape dispensers on office desks are mini X-ray machines. The phenomenon has been observed only when tape is unpeeled in a vacuum. Something about air, moisture perhaps, short-circuits the X-rays.

The work is not unprecedented. In 1939, scientists showed that peeling tape emits light, an experiment anyone can conduct in a closet. But visible light photons have only about one ten-thousandth the energy of an X-ray photon.

Russian scientists reported as far back as 1953 that from tape they had detected electrons energetic enough to emit X-rays. “But as far as I can tell, no one ever believed them,” Dr. Putterman said. “It was a big surprise to discover this deep dark corner of past research.”

All of the experiments were conducted with Scotch tape, manufactured by 3M. The details of what is occurring on the molecular scale are not known, the scientists said, in part because the Scotch adhesive remains a trade secret.

Other brands of clear adhesive tapes also gave off X-rays, but with a different spectrum of energies. Duct tape did not produce any X-rays, Dr. Putterman said. Masking tape has not been tested.

The research opens up the possibility of looking for X-ray emissions from composite materials as they fatigue. Such materials, increasingly used in airplanes and automobiles, do not show the visible weaknesses that metals do before breaking.

The tape phenomenon could also lead to simple medical devices using bursts of electrons to destroy tumors. The scientists are looking to patent their ideas.

Finally, there is the possibility of nuclear fusion. If energy from the breaking adhesive could be directed away from the electrons to heavy hydrogen ions implanted in modified tape, the ions would accelerate so that when they collided, they could fuse and give off energy — the process that lights the sun.

***

Portanto, meus caros, cuidado quando forem usar um post-it.  

 

Agora só falta descobrir para onde vão os guarda-chuvas

Ainda no capítulo “Manchetes sensacionais das seções de Ciência” _ no Estadão:

Sonda da Nasa revela presença de opalas no solo de Marte

Ô Chicó, você tem 30 dias pra parar de ver esse filme, rapá!

No mesmo lúbrico post do Sergio Leo referido abaixo, fiquei sabendo da história do manifesto antipornográfico do Pedro Cardoso.  Transcrevo parte de matéria da Ilustrada da Folha a respeito:

No elenco de “Todo Mundo Tem Problemas Sexuais”, de Domingos de Oliveira, o ator Pedro Cardoso aproveitou a primeira sessão do filme, anteontem, no Festival do Rio, para fazer um discurso antinudez no cinema e na TV.

Ator Pedro Cardoso não gostou da cena de nudez feita por sua namorada e fez manifesto
A pedido de Cardoso, o filme não contém cenas de nudez, embora tenha o sexo como tema. “Minha tese: a nudez impede a comédia e o próprio ato de representar. Quando estou nu, sou sempre eu a estar nu, e nunca o personagem.”

O ator disse que, nas mãos das “empresas que exploram a comunicação em massa”, a nudez, que fora “uma conquista contra excessos da repressão à vida sexual”, tornou-se “apenas um modo de atrair público”.

Apontou “conivência de escritores e diretores –alguns deles, em algum momento, verdadeiros artistas; outros, nunca!”.

Cardoso disse que “é sobre as atrizes que a opressão da pornografia é exercida com maior violência”. E afirmou que “é freqüente que cineastas de primeiro filme exibam a amigos, em sessões privê, cenas ousadas que conseguiram arrancar de determinada atriz” e indagou: “Até quando, nós, atores, atenderemos ao voyeurismo e a disfunção sexual de diretores e roteiristas, que nos impingem essas cenas macabras?”.

Mas a verdadeira explicação para a invectiva está nesta matéria do Cinemacafri:

Segundo o jornal Folha de São Paulo, o desabafo de Cardoso tinha como alvo principal Selton Mello, cuja estréia na direção, “Feliz Natal”, também foi exibida na Festival. De acordo com o jornal, Pedro Cardoso se irritou com a cena de nudez de sua namorada, a atriz Graziella Moretto, no filme de Mello. Depois de rodar as cenas, Selton teria reunido alguns amigos em sua casa para assistir a sessões prévias do filme. Em seu desabafo, Cardoso havia dito que “é frequente que cineastas de primeiro filme exibam para seus amigos em sessão privê as cenas privadas que conseguiu de uma determinada atriz”.

Na mesma oportunidade do discurso de Pedro Cardoso, porém, a atriz Cláudia Abreu entrou na dança:

A atriz Cláudia Abreu, que integra o elenco de “Todo Mundo Tem Problemas Sexuais”, endossou o manifesto antinudez do colega Pedro Cardoso.

Após o discurso do ator, no Cine Odeon, ela foi ao microfone e disse: “Queria dizer que sou atriz e endosso tudo o que ele falou. Passei por uma situação recentemente. Ele está completamente certo”.

Abreu é uma das protagonistas da atual novela das sete da Globo, “Três Irmãs”, e está em cartaz nos cinemas com “Os Desafinados”, de Walter Lima Jr., em que faz uma cena de nudez e outra de sexo com o personagem de Rodrigo Santoro.

Folha perguntou se a declaração era referência ao filme de Lima Jr., mas a atriz disse tratar-se de menção a “experiências recentes”, sem especificar quais.

“Acho desproposital ela se colocar como vítima, até porque ela não foi surpreendida por isso. Ela leu o roteiro e estabeleceu limites, que foram obedecidos”, disse Lima Jr.

***

Bom.

A meu ver, vivemos em um regime de liberdade onde ninguém é obrigado a nada.  Atores e atrizes não são obrigados a trabalharem em filmes com cenas de nu.  Se isso fosse um abuso per se, Almodóvar teria tido sua carreira encerrada há muito tempo.

A outra acusação é mais grave: se Selton Mello realmente ficava passando cenas com material adicional, que não foi utilizado na edição final, em sessões privê em sua casa, isso é voyerismo e baixaria, e possivelmente daria um processo na Justiça.  Selton soltou uma nota sobre o caso no site do seu filme, mas desconversou sobre essa acusação em particular.

[uma outra versão é de que as cenas de nudez foram gravadas mas não foram incorporadas ao filme na edição final; estas cenas é que Selton estaria passando em sessões privê em sua casa _ coisa que aparentemente, pela mesma matéria, Selton admitiu mas disse ser natural, já que as sessões são de trabalho]

O que sobra da história é que provavelmente Pedro Cardoso ficou muito irritado com a história (seja ela real ou não) e quis dar uma resposta.  O problema é que ele respondeu a uma questão diferente, que ninguém havia perguntado.  Diante do fato real, ele poderia ter escolhido várias outras alternativas, como: a) processar Selton Mello ou b) quebrar a cara de Selton Mello (minha opção preferida).

Do jeito que a coisa ficou _ fazendo um manifesto idiota, tangenciando o verdadeiro problema, ainda mais na sessão premiére de um filme intitulado “Todo mundo tem problemas sexuais” _ parece mais que Pedro Cardoso acabou vestindo a pele do Agostinho, da Grande Família…

Não sei se já falei, mas o clima lá no Sítio do Sérgio Leo é de puro sexo, estes dias.

A Janaína Leite, no seu blog “Arrastão” sediado lá nos Apostos, fez menção a este artigo um tanto assustador no New York Times.

Acontece que Henry David Thoreau, conhecido anarquista que se vivesse hoje em dia talvez estivesse preso em Guantânamo, também tinha seus interesses naturalistas.  E como bom naturalista anotou em um caderno as datas das florações de plantas diversas na região de Concord, onde vivia.

Cruzando e complementando os dados colhidos por Thoreau com o de muitos outros amadores (porém extremamente competentes), a equipe de biólogos e ecólogos chega a um quadro um tanto desolador.  O texto é pessimista; das 21 espécies de orquídeas descritas por Thoreau a partir de 1851, especialistas só conseguem achar 7.  As flores em geral aparecem em média 7 dias mais cedo, e, no cômputo geral, 26% das espécies documentadas por Thoreau desapareceram, enquanto outros 36% só estão presentes em quantidades tão reduzidas que provavelmente desaparecerão em pouco tempo.  A idéia geral é realçar a importância de trabalhos meticulosos e duradouros, porém meramente descritivos, sobre os biossistemas, de forma a entender melhor os impactos da ação humana sobre eles.

Curiosamente, em seu post, a Janaína dá uma interpretação bastante ingênua da coisa:

Efeito borboleta

Você tem idéia do alcance das suas ações? Do reflexo que elas terão sobre o que acontecer daqui a alguns meses, ou décadas, ou mesmo uma centena de anos?

Fiquei pensando nisso depois de ler este artigo do New York Times. Fala sobre como as anotações feitas por Henry David Thoreau, filósofo que escreveu um dos mais instigantes textos sobre a relação entre indivíduos e Estado, têm servido hoje para que cientistas americanos pesquisem evolução botânica.

É claro que a Janaína não comete nenhum erro factual no post, porém faz uma escolha pouco feliz de ponto de vista, em minha opinião.  Na verdade, o “efeito borboleta” mais preocupante que se manifesta no texto artigo do NYT é aquele que faz com que nossos atos de consumo interfiram, via aquecimento global, no ecossistema de Concord (e em todos os outros, evidentemente).  E enquanto as anotações de Thoreau sejam bastante úteis para o estudo daquele ecossistema em particular, o fato dele ter escrito o ensaio sobre a desobediência civil pouco agrega ao assunto _aliás, pelo contrário: a idéia de que “O melhor governo é o que não governa de modo algum“, que aparece logo nas primeiras linhas, não é, como podemos constatar neste exato instante em outro contexto, o ó do borogodó.  Tanto o mais quanto sabemos que os desafios impostos pelo aquecimento global não só não requerem menos governo, como requerem mais coordenação entre governos.

No Estadão (blog do Marcos Guterman):

Francis Fukuyama, um dos pilares do movimento neoconservador americano e que já foi entusiasta do governo Bush, declarou seu voto no democrata Barack Obama.

Autor do famoso artigo “O Fim da História?”, em que expôs a tese de que a história como disputa ideológica havia chegado ao fim com a derrota da URSS e o triunfo da democracia liberal, Fukuyama justificou sua inusitada escolha eleitoral em texto no The American Conservative.

“Vou votar em Barack Obama por uma razão muito simples”, escreveu Fukuyama.Para ele, diante do “desastre da presidência de Bush”, que resultou numa “guerra desnecessária” e no “colapso do sistema financeiro americano”, seria uma distorção “premiar os republicanos depois de um fracasso tão retumbante”. Eis a razão pela qual, diz o cientista político, John McCain “está tentando desesperadamente fingir que nunca teve nada a ver com o Partido Republicano”.

E Fukuyama argumenta sobre seu voto: “Obama está muito mais bem posicionado para reinventar o modelo americano e certamente apresentará uma face muito diferente e mais positiva da América para o resto do mundo”.

***

Bonus track: Obama abre 7 pontos de vantagem sobre McCain

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Bonus bonus track:

O republicano John McCain corre o risco de sofrer uma vergonhosa derrota no Arizona, Estado que ele representa no Senado há 26 anos. Segundo uma pesquisa divulgada pela Universidade do Estado do Arizona, a diferença entre McCain e o democrata Barack Obama é de apenas 2 pontos porcentuais (46% a 44%). Há um mês, o republicano tinha uma vantagem de 7 pontos e, no começo do ano, McCain chegou a liderar por mais de 20 pontos. Apenas três presidentes na história dos EUA conseguiram vencer a eleição sem ganhar em seu Estado natal. Esse tipo de perda tornou-se uma dura perspectiva após a eleição de 2000, quando o democrata Al Gore perdeu no Tennessee, onde morava.

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Bonus bonus bonus track: Republican fears of historic Obama landslide unleash civil war for the future of the party

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2008 é o novo 1984:  o futuro é uma bota esmagando um rosto republicano.  :)

(*) apud Paul Krugman

Ou quando a destruição criadora se revela uma criação destruidora.

Favor: alguém aí sabia disto?

Acho que Neo dizendo “Klaatu barada nikto” tem tudo para ser uma bomba, mas como de hábito darei o benefício da dúvida ao filme.

Gente, o negócio é o seguinte:

Tirar um aglomerado de células do ventre de uma mulher é assassinato.

Mas bombardear um prédio com mulheres dentro é ok.

***

Quer dizer, eu acredito que existe uma casta secreta de homens de bom gosto que apóiam McCain e Sarah Appaling.  Também acredito que deviam ser caçados até o último exemplar, a balaços.

E não é que existe um Paulo democrata?

***

Exceto, é claro, que será muito difícil assistirmos um novo século americano, que dirá um milênio americano, com este tipo de gente no poder.   

Ou seja, o Paulo que sempre conhecemos é o Paulo do mundo bizarro.  O certo é o outro.

(HT: Scatterplot)

No que pode ser considerada como uma das piores estratégias de marketing de todos os tempos, a Hewlett Packard está enfrentando uma controvérsia das boas após ter comprado os direitos da música “Do You Wanna Touch Me” para a campanha promocional de sua nova linha de monitores de computador, o TouchSmart, que usa a tecnologia touchscreen (como a do iPhone).  Pelo simples motivo que a música, apesar de ter o título perfeito para a campanha, foi composta por…Gary Glitter.

Para quem não sabe, Gary Glitter, astro do glam rock nos 70´, foi preso por pedofilia no Vietnã por atos impróprios com duas meninas (11 e 12 anos), e ficou dois anos em cana por lá até ser deportado para a Inglaterra _ onde já tinha sido condenado pela posse de material obsceno com crianças em 1997.

A música objeto da confusão ostenta os seguintes versos:

“‘Every girl an boy. Needs a little joy. All you do is sit an stare.

‘Beggin on my knees. Baby, wont you please. Run your fingers through my hair.‘”

Minha proposta modesta: fundir as faculdades de publicidade com as de relações públicas.

Tem tempo que não falo de Tio Rei.  Ele celebrou o lançamento de seu livro em Brasília:

Emocionante mesmo o lançamento de O País dos Petralhas em Brasília. Quem esteve lá sabe disso. Mais de 300 pessoas ao longo da noite. Terminei de assinar os livros perto da meia-noite. O encerramento oficial estava previsto para as 22h. Recebi leitores de Anápolis, como Cátia Zago, e de Goiânia, como Carlos César Higa. Fiquei impressionado, e muito bem-impressionado, com o número de jovens ente 17 e 25 anos – um deles tinha… 14!!! Estavam lá muitos estudantes da Universidade de Brasília. Sim, a UnB tem salvação – e é claro que há na universidade pensamento livre, que não se subordina à esquerdopatia que infelicita o ensino universitário no Brasil.”

Hãããã…”mais de 300 pessoas ao longo da noite“.  Na boa, qualquer aniversário em Brasília costuma reunir mais gente.

Mas Tio Rei continua a ser um monstro esperançoso, e sua turnê para o lançamento do seu livro está criando uma nova espécie: a “confraria do chapéu“.

Reinaldo vende a “confraria” como um movimento espontâneo.  Mas neste blog, de um sujeito que veio a Brasília de ônibus especialmente para a romaria cerimônia, descobri a terrível verdade:

Reinaldo chegou às 19 horas em ponto com seu tradicional chapéu. Eu não peguei o meu porque a livraria só liberava para quem comprasse o livro na hora. Culpa minha que comprei o livro Aeroporto de Congonhas enquanto esperava meu vôo para o Rio de Janeiro no final de setembro.

Enfim, pelo menos uma coisa essa gente tem na cabeça, não se pode negar.

Uma frase que li por aí, atribuída a Paul Fussel:

Se você trabalha pelo seu dinheiro, você é classe média.  Se seu dinheiro trabalha por você, você é classe alta.”

E realmente o cara tem excelentes tiradas.  Gostei muito dessa também, sobre a diferença entre “viajar” e “praticar turismo”:

“The age of independent travel is drawing to an end,” said E.M. Forster back in 1920, when it had been increasingly clear for decades that the mass production inevitable in the late industrial age had generated its own travel-spawn, tourism, which is to travel as plastic is to wood. If travel is mysterious, even miraculous, and often lonely and frightening, tourism is commonsensical, utilitarian, safe, and social, “that gregarious passion,” the traveler Patrick Leigh Fermor calls it, “which destroys the object of its love.” Not self-directed but externally enticed, as a tourist you go not where your own curiosity beckons but where the industry decrees you shall go. Tourism soothes, shielding you from the shocks of novelty and menace, confirming your prior view of the world rather than shaking it up. It obliges you not just to behold conventional things but to behold them in the approved conventional way.

***

Apesar disso, não consegui encontrar a primeira frase como sendo uma citação de Fussel.  Achei esta, atribuida porém a Robert T. Kiyosaki, conhecido autor de literatura aeroportuária (“Pai Rico, Pai Pobre“):

“If you work for money, you give the power to your employer. If your money works for you, you keep and control the power.”  

Mas tem bem menos apelo, IMHO.

Fiquei encafifado com este trecho do post do Pedro Dória sobre a eleição carioca:

Não acho que o voto da Zona Sul + Zona Norte seja ‘consciente’ e que o da Zona Oeste seja fisiológico. O Mário Marona, que é um jornalista experiente pacas e conhece muito o Rio, tende a endossar esta visão de que a divisão entre ricos e pobres, no Rio, seja geográfica. Não acho que seja. E que os eleitores de Paes e Gabeira se dividiram por esta linha.

(…)

Geografia faz parte da história, mas gostaria de ver antes como foi a distribuição dos votos pelas regiões da cidade. Tenho certeza de que Gabeira venceu nas Zonas Sul e Norte e que perdeu na Oeste. Mas minha intuição é de que ele teve entre 35 e 40% dos votos onde perdeu e vice-versa. A pobreza do Rio também está nas Zonas Sul e Norte, assim como há muito dinheiro na Zona Oeste.” [grifo meu]

Como assim, Dória?  Até o Correio Braziliense teve matéria sobre isso:

O mapa eleitoral do Rio de Janeiro no segundo turno revela uma cidade dividida. Enquanto o candidato derrotado à prefeitura Fernando Gabeira (PV) ganhou com folga nas partes mais ricas do município (zona sul e área mais próspera da zona oeste), o prefeito eleito Eduardo Paes (PMDB) foi o mais votado nas áreas com piores indicadores sociais e econômicos (zonas norte e suburbana e zona oeste pobre).

Derrotado por uma diferença de 55.225 votos, Gabeira registrou na zona sul 70,31% dos votos válidos (302.670 no total), contra 29,69% (127.790 votos) do peemedebista. A área –que abrange Copacabana, Ipanema, Leblon e outros bairros de classe média e alta– equivale, porém, a apenas 13,45% do eleitorado da cidade.

A zona sul também registrou os maiores índices de abstenção (25,69% do eleitorado, contra uma média de 20,25% da cidade) –o que pode ter prejudicado o candidato verde. Um total de 158.172 eleitores –quase três vezes o número de votos que deu vitória a Paes– não compareceu para votar.

Em outra área nobre do Rio, a região da zona oeste que inclui Barra da Tijuca, Recreio, Itanhangá e Alto da Boa Vista, o verde também foi vitorioso. Ali, onde se concentra 1,63% do eleitorado total do Rio, ele recebeu 65,46% dos votos válidos, contra 34,54% do adversário.

Paes, em compensação, levou vantagem na zona oeste menos desenvolvida, região que corresponde a 33,62% do eleitorado do Rio. Com 668.221 votos, o candidato do PMDB derrotou Gabeira por uma diferença de 187.804 votos. O verde obteve 480.417 votos. Na contagem de votos válidos, portanto, Paes teve 58,23% contra 41,77% de Gabeira.

Paes também obteve uma vitória na região suburbana, que representa 40,63% do eleitorado total do Rio. O prefeito eleito conquistou ali 54,97% das preferências (744.353 votos), contra 45,03% (609.811 votos) de Gabeira. Na outra região da zona norte, que representa 8,13% dos eleitores do Rio, Gabeira venceu por 63,69% a 36,31%. O centro, com 2,54% dos eleitores, também deu vitória ao verde: 50,79% a 49,21%.

E o Pedro acertou, é claro _ mesmo na Zona Oeste ele não teve menos que 40% dos votos.  Quem derrotou Gabeira foi o feriado.

Via Clusterstock, satisfaço uma atávica curiosidade:  que diabos será que a Bjork, a Baby Consuelo das altas latitudes, anda pensando da crise islandesa??

OK, nada de muuuuito profundo.  A Islândia, cujo maior item de exportação até uns anos atrás era peixe (70% das exportações…), tornou-se agora um grande produtor de alumínio, a partir da energia geotérmica abundante (não, eles não têm bauxita ou outro minério rico em alumínio, mas como o custo energético é altíssimo na metalurgia do alumínio, vale a pena levar o minério bruto pra lá para processá-lo).  Eles já têm 3 usinas de alumínio e estão partindo para construir mais duas, o que deixa Bjork infeliz.  I share her pain, ok.

Mas o que mais chama atenção é mesmo o parágrafo realçado pelo Joe Weisenthal, blogueiro do Clusterstock:

After touring for 18 months I was excited to return home a few weeks ago to good, solid Iceland and enjoy a little bit of stability. I had done a concert there earlier this year to raise awareness about local environmental issues and 10 per cent of the nation came to it; but I still felt it wasn’t enough.” [grifo meu]

Acuma?  Um concerto da Bjork junta 10% da população da Islândia??  Faz sentido; Reykjavik concentra mais de metade da população do país.

Imagino o dia em que a Ivete Sangalo fizer um tour por lá.

***

E eu que não sabia o nome todo da moça: Björk Guðmundsdóttir.

Homenagem a Pedro Sette Câmara.

Também conhecido como “tira o tubo”.  No Valor de hoje:

Com crise, novo presidente vai penar para retomar a influência dos EUA
Ricardo Balthazar, de Washington

No início do ano, quando a campanha presidencial americana ainda estava no começo, o senador Barack Obama repetia sempre a mesma frase para anunciar uma das primeiras providências que tomaria se um dia chegasse à Casa Branca: “Quero me dirigir ao mundo e dizer: ‘A América está de volta, e estamos prontos para liderar’ “.
Se as pesquisas estiverem certas, Obama vencerá a eleição da próxima terça-feira e será o primeiro negro a ocupar a Presidência dos Estados Unidos. Seu triunfo certamente será reconhecido em toda parte como um evento extraordinário, e seus aliados acreditam que isso fará o resto do mundo voltar a olhar os EUA com respeito e admiração.
Mas as últimas semanas indicaram que será necessário muito mais do que o carisma pessoal de Obama para restaurar a credibilidade internacional dos EUA. A crise financeira global, que ameaça arrastar o mundo inteiro para uma recessão, está ampliando a erosão sofrida pelo prestígio americano durante os oito anos em que o presidente George W. Bush ficou no poder.
Os efeitos do pandemônio financeiro se revelaram tão devastadores que até colaboradores de Obama que sempre esbanjaram autoconfiança começaram a exibir sinais de apreensão. “A crise afeta nossa capacidade de influenciar o resto do mundo”, disse ao Valor um dos principais assessores de política externa de Obama, Gregory Craig, numa conversa no fim de setembro.

O resto debaixo do fold.

Leia o resto deste post »

Hoje é o Dia do Servidor Público.  Às ordens!   :)

No Estadão, esta pérola:

Duas chamadas para a mesma matéria.  O que muda?  Em uma chamada, o sistema é “estelar”.  Na outra, é “estrelar”.  O estrelar tem dois anéis e cinturão, e desfila na Mocidade todo carnaval.

Pois é, perdida entre Lindembergues e Kassabes, a opinião pública brasileira se esqueceu dele.  Mas como por dever de ofício tive que andar lendo jornais austríacos por estes dias, deparei-me com a besta-fera: Josef Fritzl, o cara que trancou e estuprou sua própria filha por anos, em um esconderijo de sua própria casa.  Scary:

I was born to be a rapist — although I waited a relatively long time before I gave in to my desires. I could have done a lot worse to my daughter in the 24 years that I had her in the cellar, but I used to put those urges into my work to keep them at bay. Maybe there is a good part to me as well that helped me to keep those urges back.”

Aqui.

(hat tip: The Big Picture)

Narceja, Tarambola, Batuíra…

Cientistas espantados com ave capaz de voar 11.500 km, sem escalas

Eles chamam a ave de “bar-tailed godwit“, o que o Wikipedia traduz como “fuselo“.

Espantoso, mas nem tanto, porque eu me lembro claramente de ter lido, em uma fantástica enciclopédia em fascículos dos anos 70, sobre esse bicho _ e lá já se falava de suas espantosas qualidades aeronáuticas.  Eu tenho quase certeza que na enciclopédia (que eu já não tenho mais, mas chamava-se “Os Bichos”) a tal ave chamava-se “narceja”.  Na Wikipedia, porém, aparece uma outra ave, bem parecida, também chamada “narceja”.  Como as duas pertencem à mesma família (Scolopacidae), vai ver comungam das mesmas propriedades aeronáuticas.

***

Pra vocês verem, essa coleção é de 1974-75.  Me marcou tanto que minha própria ex-esposa me apelidava de “Os Bichos” (acho que pouca gente no mundo era capaz de ver um documentário e dizer “Uma Narceja!”, “Um Vombat!”, “Um Dragão-de-Komodo!”.  Pelo menos antes da TV a cabo).  Faz tempo que sou darwinista, portanto.

Pior: foi editada no Brasil pela Abril.  É, portanto, do tempo em que a Abril preferia “os bichos” aos meros animais.

OK, isto é engraçado:

Meanwhile, in a galaxy far, far away …

This story about the IMF rescue package for Ukraine (second of many to come, after Iceland) quotes Timothy Ash, head of emerging-market research at Royal Bank of Scotland Group Plc in London as saying

`The money is only half of the issue, conditionality is key. We hope the fund is maintaining its push for a more flexible exchange rate, far- reaching reforms in the banking sector and more privatization.’’

Mr Ash, just returned from a six-week holiday on Mars, was reading from his prepared boilerplate script and had yet not been advised of the recent nationalisation of the Royal Bank of Scotland.
(hat tip: Crooket Timber)

(clique para ampliar)

E o Paulo preocupado com o Natal

“Torna-tes responsável por aquilo que cativas”.  No Estadão:

Além de amargar a vantagem do candidato democrata Barack Obama nas pesquisas, a campanha republicana está às voltas com uma briga interna envolvendo assessores do candidato John McCain e a vice na chapa, Sarah Palin. Um dos principais assessores de McCain disse à CNN que Sarah está se tornando “um pária dentro da campanha”, ignorando a estratégia traçada pela equipe do candidato. 

“Ela é uma diva, não aceita conselhos de ninguém”, desabafou o assessor, que não quis se identificar. “Ela não tem nenhuma relação de confiança com a direção da campanha, nem com sua família ou qualquer outra pessoa”, acrescentou. 

Outro integrante da campanha republicana reclamou que Sarah parece mais interessada em planejar seu próprio futuro político, aproveitando a projeção nacional que a candidatura a vice-presidente está lhe dando. Entre os planos estaria o de sair da disputa como a líder do Partido Republicano.

(…)

Os assessores de McCain reclamam também da insistência de Sarah de querer falar com jornalistas, apesar da determinação da chefia da campanha de evitar esses contatos a todo custo. 

O site Politico.com revelou sábado que Sarah está particularmente irritada com dois assessores de McCain, Nicolle Wallace e Steve Schmidt. Partiu deles a idéia de manter a candidata longe da imprensa. Logo após ser nomeada vice na chapa, Sarah deu duas entrevistas desastrosas a emissoras de TV. “Sua falta de conhecimento de assuntos importantes é dramática”, reconheceu um assessor de McCain à CNN.

***

Quer dizer que a campanha de McCain reconhece que “a falta de conhecimento de assuntos importantes” por Sarah “é dramática”?  Que reconfortante.  Quer dizer que ela quer ser a líder do Partido Republicano?  Com esse currículo ela é bem capaz de conseguir…

Na Scientific American, uma matéria sobre a esmagadora superioridade da audição humana sobre a maioria dos outros mamíferos:

The study revealed that groups of exquisitely sensitive neurons exist along the auditory nerve on its way from the ear to the auditory cortex. In these neurons natural sounds, such as the human voice, elicit a completely different and far more complex set of responses than do artificial noises such as pure tones. In this mixed environ ment humans can easily detect frequencies as fine as one twelfth of an octave-a half step in musical terminology.

The vexing question is: Why? Bats are the only mammal with a better ability to hear changes in pitch than humans do. Predatory species such as dogs are not nearly as sensitive-they can dis criminate resolutions of one third of an octave. Even our primate relatives do not come close: macaques can resolve only half an octave. These results suggest the fine discrimination of sound is not a necessity for survival.

Acho que faltou imaginação a quem escreveu a matéria, precisamente por esta frase final _ que a sofisticada capacidade de discriminação tonal humana não é “necessária para a sobrevivência”.   Esta capacidade provavelmente nasceu com o nascimento da linguagem _ e sendo seres sociais, evidentemente quanto mais informação a linguagem falada conseguir carregar, melhor.  Assim, a menos que eles demonstrem que esta capacidade nasceu muito antes do advento da linguagem, não vejo qual é o problema.

Post do Tyler Cowen no Marginal Revolution.   Atentem para a dramaticidade do adendo, especialmente:

The credit crunch: I still cannot agree with Alex and Bryan

Tyler Cowen

Alex is a very good truth-tracker but on credit I remain stubborn in my belief that there is a credit crunch.  Here is one report:

How is trade finance coping with the credit crunch

Badly. Steve Rodley, director of London-based shipping hedge-fund Global Maritime Investments, puts it bluntly: “The whole shipping market has crashed.” The trouble is that credit is the lifeblood of commerce, but it is built entirely on trust. And that has evaporated. As such, many ship owners can’t get banks to issue letters of credit, particularly on cargoes of price-volatile commodities that no longer look like adequate collateral. Even those who can get letters of credit are finding that their counterparties may no longer trust the credit rating of anything other than large, well-established banks, many of which are now charging big premiums. Letters now cost three times the going rate of a year ago, according to Lynn.

Here is another report.  Here are other reports.  Or read this account:

What’s more, the dollar-denominated trade finance lines that exporter companies rely upon to do business are drying up in dramatic fashion amid the global credit crunch. In Brazil — the world’s top exporter of beef, iron ore, sugar and coffee and the No. 2 exporter of soy — total outstanding trade lines have fallen by half this month to around $18 billion.

Here are simple and in my view decisive quantitative indicators of the current domestic credit crisis.  Or here is another report:

According to experts interviewed by Bloomberg, “letters of credit and the credit lines for trade currently are frozen,” and as a result, “nothing is moving”.

Or here is a recent survey of U.S. retailing CFOs:

Some 41 percent of US retailers are seeing tight credit as a result of the crisis in the banking sector, and many will cut staff and reduce buying as a result…

Many other surveys paint a similar picture.  I can only repeat my earlier words that immediate credit flows are demand-driven and they do not measure bad credit conditions concurrently because they stem from prior bank commitments.  To suggest,as commentator Tom does (and Alex endorses), that we have no credit crisis until lines of credit are exhausted, is in my view sheer logomachy (I like that word).  Nor is my view “convenient” or unfalsifiable as was suggested.  Here is Wikipedia on lagging indicators and yes it tells you that standard forms of credit fall into this category and this has been understood for some time.  Look instead at the currently informative pieces of the evidence and you will see that they point in a very consistent direction. 

It is true that many credit channels have not shut down.  But the ones that are shutting down are enough to cause a severe global recession.   

Addendum: I added this comment to the discussion: “People, financial markets and financial institutions around the world are falling apart. I’m not pulling this stuff out of a hat or from a few crazy journalists. There is massive disintermediation going on right now, much of it in the shadow banking system. I am trying not to be dogmatic but it is hard for me to see on what grounds anyone would deny this.

Será que o Paulo vai ter que adicionar um de seus blogueiros preferidos à conta do Chicken Little Club?  Que pena…

Obama fazendo o impensável para apoiar o pro-choice

Sendo o Paulo do FYI quem é, é natural que seu blog seja totalmente comprometido com a wingnutolândia.  E naturalmente, seu blog também atrai comentaristas de similar compleição ideológica.  Mas neste post sobre os perigos de uma vitória de Barak Obama, a comentarista Anna (que se não é uma invenção do próprio Paulo é alguém ainda mais fora deste plano da realidade do que ele) capricha no nonsense:

(…) I do not want Obama to win because he is dangerously close to being a self-described full-fledged socialist and the most pro-abortion person I have ever seen.” [grifo meu]

Levando em consideração que até onde se pode ver Barak Obama é um representante do sexo masculino, e que o aborto só pode ser realizado por pessoas do sexo feminino, fico me perguntando como é que Barak Obama pode ser realmente a pessoa mais pró-aborto que a Anna conhece _ mais pró-aborto, inclusive, do que as milhões de mulheres que abortam, de livre e espontânea vontade, todo ano.

Será que Obama já abortou??

***

Também não deixa de ser interessante poder testemunhar em primeira mão a interessante manobra ideológica operada na mente republicana segundo a qual o censurável ato de não votar em alguém por causa de sua raça se transforma na condenação de uma inexistente obrigação de votar em alguém por causa de sua raça.  Mais um dos efeitos possivelmente atribuíveis ao funcionamento 24/7 da máquina de distorção da realidade.

Crepúsculo do macho – Gabeira no Tribunal Militar, 1970 (clique para ampliar)

No NYT hoje, uma matéria sobre Gabeira.  Imperdível.  Trecho pour épater le bourgeois:

Even Valerie Elbrick, the daughter of the late Ambassador C. Burke Elbrick, whom Mr. Gabeira helped kidnap, supports his campaign. She says she forgave him long ago for the kidnapping.

“He is a charming man, and if I were not working for Obama I would probably be working for Gabeira,” Mrs. Elbrick said by phone from Washington on Friday. If he wins, she said, “it’s going to be a huge task with the scale of the problems in Rio.”

“But he has taken on huge tasks before, and I have confidence in him,” she added.”

Ainda nem fui lá conferir mas aposto que se Tio Rei for comentar esta matéria vai chamar a coitada de “nova Patty Hearst”…

PS: Este post do Na Prática sobre seu apoio a Gabeira também está ótimo.

É impressão minha ou os sites dos jornalões na internet (mormente Folha e Estadão) aumentaram expressivamente os centímetros quadrados de imagens de um ano pra cá?

***

Levando em consideração que os modelos de negócio das plataformas gratuitas para blogs podem não sobreviver bem à crise (leiam isto e isto, por exemplo), quantos dos blogs que você lê diariamente hoje em dia você crê que ainda estarão por aí daqui a seis meses?

Desta matéria do NYT, retiro a nova tag que inauguro neste post:

This is a panic in the way of the fine 19th-century panics, where we all run around like headless chickens,” said R. Jeremy Grantham, chairman of the Boston-based investment firm GMO, who had predicted stocks would tumble. “I have been in the business for 40 years, and I have never seen anything like this.”

E enquanto isto o Washington Post nos brinda com os apertos de Warren Buffet, o investidor preferido do Paulo do FYI:

The Less Wealthy CEO
Buffett’s Stake in Berkshire (on Paper) Falls $9.6 Billion; Ellison Is Runner-Up

Think the market has hammered your portfolio? Pity Warren Buffett — he’s lost $9.6 billion this year, in his own company alone.

The value of Mr. Buffett’s equity in Berkshire Hathaway Inc. declined more than that of any other big-company chief executive, according to an analysis by Steven Hall & Partners, a compensation-consulting firm.

Other big declines: Oracle Corp.’s Larry Ellison, who lost $6.6 billion in value; Microsoft Corp.’s Steve Ballmer, down $4.8 billion; Amazon.com Inc.’s Jeff Bezos, $4.2 billion; and News Corp.’s Rupert Murdoch, $3.9 billion. (News Corp. owns The Wall Street Journal.)” [grifo meu]

Andei viajando muito estes dias, portanto só agora, lendo este post do Idelber, é que fiquei sabendo da tática sacana da Marta Suplicy contra o Kassab.

É quase inefável que a mulher que surgiu para a opinião pública como “sexóloga”, e que celebrizou-se como a madrinha da Parada do Orgulho Gay de São Paulo, aplique justamente este tipo de cartada em uma eleição.

Acho que vai ser meio difícil ela pisar de novo na Paulista no dia da parada.

Comentando o histórico mea culpa de Greenspan:

For a man who was once remarkably hard to decipher, Alan Greenspan is now as clear as an empty Lehman Brothers office.”  _ Steve Goldstein

(via Paul Krugman)

E como se não bastasse quem paga é o contribuinte

O NYT informa que o profissional mais bem pago na campanha de McCain na primeira quinzena de outubro chama-se Amy Strozzi.  E quem é Amy Strozzi?  

a) uma especialista em crises econômicas

b) uma especialista em análise eleitorais

c) uma maquiadora

OK, acertou quem cravou c). 

Enfim, acho que isso é coerente com o espírito da campanha republicana…

No Slashdot:

The NY Times reports that H211 LLC, a company controlled by Google’s top executives, including billionaire founders Larry Page and Sergey Brin, appears to have added to its fleet a Dornier Alpha Jet, a light jet attack and advanced trainer aircraft manufactured by Dornier of Germany and Dassault-Breguet of France. The 1982 Alpha-Jet seats two and was originally used by European air forces, but is now being sold relatively cheaply to civilians. The jet has landing rights at Moffett Field, the NASA-operated airfield that is a stone’s throw from the Google campus. It is not clear who exactly flies the fighter jet, although Google chief executive Eric Schmidt is an avid pilot. If the top Googlers indeed own the fighter jet, they would be following in the footsteps of Oracle chief executive Larry Ellison, who has owned several aircraft, including fighter jets.

Bill Gates que se cuide!

(Steve Jobs também)

Via Science Blogs, deparei-me com este post de Rudy Rucker , onde ele desenvolve o que poderiam ser algumas idéias para livros de ficção científica.  Bom, ele realmente fala em “novas” idéias (o post intitula-se, imodestamente, “Fresh SF Futures“), mas nenhuma me pareceu realmente muito nova.  Entretanto, esta aqui chamou minha atenção:

An Infinite Flat Earth

What if Earth were an endless flat plane, and you could walk (or fly your electric glider) forever in a straight line and never come back to where you started? The cockroach zone! The kingdom of the two-headed men! One night there’ll be a rumble and, wow, our little planet will have unrolled, ready for you to start out on the ultimate On the Road adventure.

De fato é alguma coisa em que vinha pensando ultimamente como tema para um conto.  Weird sinchronicity.

O New York Times publicou um editorial informando seu endosso a Barak Obama para presidente.

Particularmente feliz foi a breve mas correta síntese da campanha de McCain:

In the same time, Senator John McCain of Arizona has retreated farther and farther to the fringe of American politics, running a campaign on partisan division, class warfare and even hints of racism. His policies and worldview are mired in the past. His choice of a running mate so evidently unfit for the office was a final act of opportunism and bad judgment that eclipsed the accomplishments of 26 years in Congress.

“Velhice” é quando aquelas limitações que você imagina provisórias se revelam mais permanentes do que você gostaria.

No Valor de hoje:

Cresce a desigualdade nos países ricos, mostra relatório da OCDE

SÃO PAULO – A eficácia da política de bem-estar social caiu nos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), segundo um relatório divulgado ontem. A organização adverte que se acentuaram as desigualdades sociais e a pobreza em 75% dos seus 30 países-membros nos últimos 20 anos.

Entre os países onde essa disparidade aumentou mais significativamente estão os EUA, o Canadá, a Alemanha, a Itália e a Noruega. O México e a Turquia encabeçam a lista dos países mais desiguais.

O estudo aponta que a desigualdade [diferença entre a renda dos mais ricos e dos mais pobres] subiu de 7% a 8% em relação aos anos 80, e a quantidade de pobres, de 9,3% para 10,6% da população.

A organização alerta para a necessidade de os governos intensificarem as medidas sociais para que os efeitos da crise econômica vivida atualmente não sejam devastadores para os menos favorecidos.

” Eu asseguro que foi uma coincidência este relatório ter ficado pronto justamente agora, nós não tínhamos previsto essa crise. Mas, o fato é que os resultados deste estudo serão de uma grande importância na decisão das medidas a serem adotadas a partir de agora ” , disse o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría.

” As desigualdades estão emperrando o crescimento de todos os países. As desigualdades levam à polarização da sociedade e aumentam as tensões sociais e as medidas econômicas como protecionismo, que não são favoráveis ao liberalismo econômico. ”

O relatório afirma que o crescimento econômico verificado a partir da década de 1990 e proporcionado à custa do livre mercado acabou gerando um maior enriquecimento dos que já eram ricos e uma menor mobilidade social, ou seja, os pobres continuaram pobres ou ficaram ainda menos favorecidos.

Outra conclusão é a de que, dos países em desenvolvimento que integram a organização, a Índia e a China, não fazem parte daqueles onde as desigualdades aumentaram. Nestes países, a mobilidade social foi maior, o que comprova o efetivo desenvolvimento em relação há 20 anos. O Brasil não integra a OCDE.”

Mas tem gente que ainda baba na gravata.  E isso para não falar da vast left wing conspiration…   :)

Sarah Palin acusou Obama de “socialismo”.

Ela deve saber do que está falando:

Alaska is sometimes described as America’s socialist state, because of its collective ownership of resources—an arrangement that allows permanent residents to collect a dividend on the state’s oil royalties. It has been Palin’s good fortune to govern the state at a time of record oil prices, which means record dividend checks: two thousand dollars for every Alaskan. And because high oil prices also mean staggering heating bills in such a cold place—and because it’s always good politics to give money to voters—Palin got the legislature this year to send an extra twelve hundred dollars to every Alaskan man, woman, and child.

But, even as Palin enjoyed populist acclaim for her grand gestures—sharing the wealth and standing up to Big Oil—it was far from certain that the natural-gas pipeline, which she claimed as her proudest accomplishment, would ever get built. Palin had committed the state to risking half a billion dollars to help move the project forward, but there was no commitment from the producers to ship their gas through the line; without that, no one was willing to finance its construction. As Palin boasted of putting the big boys in their place, it looked increasingly likely that she would have to plead with them to return. In the meantime, Palin the reformer had been caught up in her own scandal, known as Troopergate.”

E o Paulo do FYI tem uma alma gemea

I see this financial breakdown, moreover, as being not merely a moral crisis but the monetary expression of the broader degradation of our values – the erosion of duty and responsibility to others in favour of instant gratification, unlimited demands repackaged as ‘rights’ and the loss of self-discipline. And the root cause of that erosion is ‘militant atheism’ which, in junking religion, has destroyed our sense of anything beyond our material selves and the here and now and, through such hyper-individualism, paved the way for the onslaught on bedrock moral values expressed through such things as family breakdown and mass fatherlessness, educational collapse, widespread incivility, unprecedented levels of near psychopathic violent crime, epidemic drunkenness and drug abuse, the repudiation of all authority, the moral inversion of victim culture, the destruction of truth and objectivity and a corresponding rise in credulousness in the face of lies and propaganda — and intimidation and bullying to drive this agenda into public policy.

Enquanto isso a diabolica esquerda celebra

Crise aumenta procura por obras de Karl Marx na Alemanha
Editora vendeu em um mês nº de cópias de ‘O Capital’ que vendia em um ano.

- A atual crise financeira global parece estar aumentando a busca por obras de um dos maios conhecidos e ferozes críticos do capitalismo: o pai do comunismo, Karl Marx.

A editora alemã Karl Dietz, dedicada a livros de pensamento de esquerda disse já ter vendido, neste ano, 1,5 mil cópias da obra mais famosa de Marx, O Capital, escrita em 1867.

Só no mês passado, foram vendidas 200 cópias, o mesmo número que, no passado, costumava ser vendido em um ano.

A Dietz não é a única editora a publicar obras de Marx, mas, segundo a imprensa alemã, lojas ao redor da Alemanha têm visto um aumento de 300% na venda do livro nos últimos meses.

O correspondente da BBC David Bamford afirma que muitos vêem a atual crise como um fracasso do capitalismo e que a obra de Marx poderia ajudar a entender o que deu errado.

Segundo Bamford, o número de visitantes a Trier, na Alemanha, cidade natal de Marx, subiu neste ano para 40 mil.

O curador do museu da cidade afirma que já perdeu as contas de quantos visitantes ele ouviu dizer que Marx estava, afinal, certo em suas críticas ao capitalismo.

s – Sem acentos, estou em lugar pouco civilizado.

(clique para ampliar)

O pessoal do Clusterstock descobre o inevitável: a bolha em torno do Dr. Doom…

Like all instant household names, however, Nouriel has an inflection point coming: At some point, he will have to reverse course 180-degrees and go positive.  Do it too early, and his hard-earned reputation will be blown to smithereens. Do it too late…and his hard-earned reputation will be blown to smithereens.”

***

E tem mais uma coisa.  Nouriel Roubini acaba de ganhar vários pontos na minha escala de coolishness.

Essa matéria estampada na capa da edição online do NYT hoje me pareceu um símbolo dos novos tempos.

O Século XXI vai ser realmente interessante.

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