Por aí:
a) Hank Paulson, secretário do Tesouro e ex-funcionário da Goldman Sachs, fez o bail-out da AIG (uma empresa de seguros), mas deixou o Lehman ir pro saco. Agora, descobre-se que Goldman Sachs era o maior parceiro comercial da AIG. Hummm.
b) Para quem tinha calafrios ao pensar que um reles operador quase quebrou uma casa como a Societé Generále, talvez não seja muito reconfortante saber que foi uma minúscula filial da AIG a responsável pela quebra da empresa-mãe _ a A.I.G. Financial Products, filial londrina da AIG, dirigida com mão de ferro e quase completa autonomia por um executivo que trabalhou na Drexel Burnham Lambert, célebre protagonista da crise dos junk bonds na década de 80. A unidade londrina, com 377 funcionários, pagava em média mais de um milhão de dólares a cada funcionário _ e o fez por 7 anos.
c) Aventa-se a hipótese de que o Lehman, por sua vez, vendia CDS (credit default swaps, uma espécie de seguro contra falta de pagamento) para si mesmo _ o que por incrível que pareça é um bom negócio. Pro Lehmans. Sinal de que a situação da indústria financeira chegou a um ponto que faz gente como Robert Merton chegar a este tipo de tatibitate:
“(…)the solution for society would not be to rid financial institutions of highly trained, innovation-oriented financial engineers. Rather (…) management teams, boards of directors, and regulators needed much more such expertise in their own ranks so they could understand the products they were offering and acquiring—as they so apparently did not in the recent past.” [grifo meu]
Causando comentários como esse em certas caixas por aí:
“It seems odd that banks, which rely on confidence for their very existence, consider that innovating some new product that no-one clearly understands the fully implications of, and then converts a significant portion of their assets into these before they have truly been tested in the marketplace for a significant period of time (especially at least one downturn of the asset on which the derivative is based). If I had the same attitude about testing our products at work I would have been sacked a long time ago, and my work has only limited implications to our customers in most circumstances.”
Mas de minha parte tenho que reconhecer que a indústria farmacêutica inteira é construída sobre bases muito semelhantes.
d) A semana começa com intervenções bancárias na Inglaterra e nos Países Baixos. E ninguém está ainda muito certo de que o pacote de salvamento norte-americano será aprovado no Congresso.



6 comments
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Setembro 29, 2008 às 5:27 am
Márcia W.
Hermê,
Paíse Baixos só, não. Benelux. Os ministors das finanças, como são chamados aqui, passaram o finde descascando o abacaxi em Bruxelas. O ministro ao ser entrevistado teve que cortar o maior dobrado para justificar as medidas e disse que apesar do estado, ou melhor, do reino holandês ficar com 9% do Fortis, que ele concorda ser muito, isto não caracteriza uma nacionalização.
Setembro 29, 2008 às 10:26 am
ohermenauta
Tem toda razao, dona Marcia. Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa!
Setembro 29, 2008 às 4:18 pm
Márcia W.
Hermê,
não quis c*agar goma não, foi que porracaso, tinha acabo de ouvir a entrevista do cara. Amanhã ele vai ter que se explicar no parlamento, e o mesmo vai acontecer, suponho em Luxemburgo e na Bélgica. A repórter quase não escondeu a indignação quando o cara diz que um dos problemas do Fortis foi eles terem pago muito pelo ABN. E a mulher não escondeu também certo desprezo pq até então, o governo holandÊs tava com um papo meio conhecido de nós brazucas: “a Holanda é uma ilha de tranquilidade”, a crise vai passar batida, et etc et.
Setembro 29, 2008 às 8:20 pm
João da Luz
Na hora eu desconfiei que tinha truta neste mangue.
Só estava esperando a confirmação.
É república bananeira mesmo, só que bem armada.
Márcia
Sobre este papo de ilha de tranquilidade: acho que qq governo está certo em agir assim. QQ outra atitude poderia piorar mais ainda a situação. Não vejo meio termo. Não existe banco que suporte uma corrida.
Setembro 30, 2008 às 3:24 am
Márcia W.
João,
nem sou eu que estou dizendo, mas jornalistas e parlamentares: existe uma diferença entre mostrar firmeza e compreensão e autismo. Acho mesmo que, pelo menos por aqui, a coisa estava beirando “alheamento ao mundo exterior”.
Outubro 1, 2008 às 12:23 pm
Mais capítulos da série “IIIHHHH…” « Na Prática a Teoria é Outra
[...] E o negócio está uma zona. [...]