Falta de solidariedade de classe entre os camaradas vírus

Deu na Folha:

Vírus consegue atacar outro vírus, diz estudo na “Nature”

DA EFE

Até vírus podem sofrer infecções virais, afirmam cientistas franceses, numa descoberta que pode ajudar a explicar como eles trocam genes e evoluem rapidamente.
Uma equipe da Universidade do Mediterrâneo, em Marselha (França), descobriu um tipo de vírus até então desconhecido, que chamou de virófago.
O estudo foi publicado na revista científica britânica “Nature”. Quando observavam através do microscópio uma ameba infectada por uma cepa de mimivírus (o maior conhecido), os cientistas notaram que um pequeno vírus, batizado de Sputnik, estava grudado em outros vírus que se reproduziam numa ameba.
Já se conheciam vírus capazes de atacar bactérias, mas este é o primeiro exemplo de infecção viral em vírus, dizem os cientistas.
Embora não mate o mimivírus, o virófago reduz a taxa de reprodução da vítima e faz com que nasçam unidades deformadas do vírus. O objetivo do Sputnik, que não é capaz de infectar a ameba sozinho é aumentar a sua própria taxa de reprodução.
Vírus que adoecem reacendem o debate sobre se o vírus é um ser vivo. Alguns biólogos não os consideram vida porque eles não produzem suas próprias proteínas.

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O interessante é que a matéria da Nature realmente tem um outro spin (observado muito de passagem na matéria da Folha), que é o de saber se um vírus é um ser vivo ou não.  Eis um trecho:

“There’s no doubt this is a living organism,” says Jean-Michel Claverie, a virologist at the the CNRS UPR laboratories in Marseilles, part of France’s basic-research agency. “The fact that it can get sick makes it more alive.”” [grifo meu]

Ou seja, o pesquisador parece pensar que a faculdade de poder morrer é que seria o traço distintivo da vida.

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Meu velho pai, portanto, é quem estava certo.  Ele gostava de dizer o seguinte: “Pra morrer basta estar vivo”.

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