Na infância eu costumava passar as férias na casa de uma tia nas Minas Gerais.  Este ramo da família tinha extração rural, vieram do campo para a cidade.

Uma coisa interessante nisso é que no mundo rural a relação entre homens e animais é bem diferente daquela a que nos acostumamos na cidade, onde os animais domésticos, que diacho, são animais de companhia e não de abate.

Durante um bom tempo a família hospedou um pato, o Risonho.  Era um pato grande, enorme, engraçado como todos os patos.  Para mim, fazia parte da família.  Até que um dia minha mãe me avisou que tinham comido o Risonho.  Eu não sabia, mas o Risonho não estava sendo “hospedado”: estava sendo é cevado.

Por isso entendo que as imagens veiculadas pelo Telegraph sobre a festa do porquinho da índia no Peru estejam causando certa começão na blogoseira gringa.  Trata-se de gente que está acostumada a comprar comida em supermercado, em embalagens onde a natureza animal da refeição é irreconhecível, e que se choca ao ver um bicho sendo torrado:

(clique para ampliar)

A isso só tenho a acrescentar a frase dita por um comentarista nesta thread do Reddit:

If God wanted us to eat animals, he would have added more salt and roasted it a bit more than rare.

Como bom ateu, eu continuo com o meu churrasco.  Não necessariamente de porquinhos da índia, é claro.