
Na infância eu costumava passar as férias na casa de uma tia nas Minas Gerais. Este ramo da família tinha extração rural, vieram do campo para a cidade.
Uma coisa interessante nisso é que no mundo rural a relação entre homens e animais é bem diferente daquela a que nos acostumamos na cidade, onde os animais domésticos, que diacho, são animais de companhia e não de abate.
Durante um bom tempo a família hospedou um pato, o Risonho. Era um pato grande, enorme, engraçado como todos os patos. Para mim, fazia parte da família. Até que um dia minha mãe me avisou que tinham comido o Risonho. Eu não sabia, mas o Risonho não estava sendo “hospedado”: estava sendo é cevado.
Por isso entendo que as imagens veiculadas pelo Telegraph sobre a festa do porquinho da índia no Peru estejam causando certa começão na blogoseira gringa. Trata-se de gente que está acostumada a comprar comida em supermercado, em embalagens onde a natureza animal da refeição é irreconhecível, e que se choca ao ver um bicho sendo torrado:
(clique para ampliar)
A isso só tenho a acrescentar a frase dita por um comentarista nesta thread do Reddit:
“If God wanted us to eat animals, he would have added more salt and roasted it a bit more than rare.“
Como bom ateu, eu continuo com o meu churrasco. Não necessariamente de porquinhos da índia, é claro.




19 comments
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Julho 23, 2008 às 8:43 am
leo
Comi isso em um restaurante em Cuzco quando eu era jovem. Dizem que é uma iguaria, mas não tem a mínima graça. Mal tem carne. Eu acho que é golpe para atrair turistas (e repórteres do DTelegraph). Infelizmente, eles não serviram llamas cozidas por lá.
Julho 23, 2008 às 9:57 am
victor freire
eu não consigo comer algo que já olhou pra mim.
Julho 23, 2008 às 11:48 am
Márcio
Olha, comer um animal que é “como se fosse da família” eu entendo. O que eu acho meio esquisito é fazer festa para o bicho e colocar roupas nele. Isso realmente é comer alguém que faz parte da família. Há que traçar a linha em algum lugar. Bicho de estimação é bicho de estimação, refeição é refeição.
Julho 23, 2008 às 1:15 pm
Ainda o Guinea Pig Festival «
[...] comentário do Márcio me despertou o desejo de aprofundar os nossos conhecimentos sobre o festival do porquinho da índia [...]
Julho 23, 2008 às 1:26 pm
grego
Comer carne é normal, os humanos é que ficaram frouxos com a industrialização. Eu sou um dos frouxos, não me imagino comendo um bixo que eu VI que um dia viveu. Quando se compra carne no supermercado não há esse sentimento, é como se a peça de picanha tivesse nascido de um pé de feijão e não arrancado do traseiro de uma vaca.
Julho 23, 2008 às 1:35 pm
Cleber
A linha divisória que o Márcio fala é realmente o ponto. Eu já acho que essa linha se interpõe entre nós humanos e qualquer outra espécie animal. A divisão entre “estimação” e “refeição” é frágil e vaga, só funciona no hábito cego do dia-a-dia. E necessariamente no mesmo cenário. Basta trocar o leitão ou o peru pelo porquinho da índia e o povo enlouquece. Melhor seria ir um pouco além das diferenças nos afetos e cardápios e exercitar nossas considerações sobre as outras espécies antes de automaticamente encará-las como recurso natural (e sempre nosso recurso, é claro). Recomendo uma visita ao site de Gary Francione, essencial sobre o tema: http://www.abolitionistapproach.com.
Julho 23, 2008 às 4:11 pm
Me
“Como bom ateu, eu continuo com o meu churrasco. Não necessariamente de porquinhos da índia, é claro.”
Hmmm… vc eh um monstro que esta aumentando o global warming big time!
http://abcnews.go.com/Technology/story?id=1856817
Cade sua consciencia? Nao se sente mal destruindo o planeta so por um simples prazer carnal? (no pun!)
Julho 23, 2008 às 10:06 pm
ohermenauta
Paulo,
Você falar em consciência é novidade, mas…de um relatório da FAO:
“Consumption to rebound after below average growth in 2006
As human health concerns related to AI ease in the context of changing consumer risk perceptions, per caput meat consumption is set to increase by 2 percent to 43 kg/caput. Influenced by a reduction in the number of AI outbreaks, more effective communication strategies and strong economic growth, developing countries, which already account for 60 percent of meat consumption, are expected to be responsible for nearly 80 percent of the gains in meat utilization. While per caput intake in developing countries is set to rise by nearly 1 kg/caput to 32.3 kg/caput in 2007, this still is only one-third of the 85.1 kg/caput average consumption in the developed countries. ”
Você vai ter que deixar de comer muito hambúrger no MacDonald’s antes de eu precisar deixar o meu churrasquinho eventual de lado.
Julho 24, 2008 às 1:52 am
Me
Hahahaha, mas eu nao como hamburgers at all! Eu nao como carne nenhuma.
Checkmate
Julho 24, 2008 às 2:22 am
ohermenauta
Checkmate, uma pinóia. Aposto que meu churrasquinho eventual é muito mais environmentaly friendly que sua comutation de 7 horas.
Agora, você é vegan? Um republicano vegan? Tá explicado.
Julho 24, 2008 às 12:59 pm
Me
Aposto que minha comute eh menor que a sua. E aposto tambem que meu carro eh mais “environmentally friendly” que o seu.
E sim, sou vegetariano e com isso minha colaboracao para global warming eh menor que a sua no matter what. O seu “churrasquinho” eventual deve ser acompanhado de muitas outras porcoes de frango, caldo de carne, ect, etc. No fim das contas vc eh responsavel por muita vaca bebendo agua, floresta desmatada e CO2 no ar.
HAHA
Julho 24, 2008 às 2:41 pm
samurai
Querem apostar comigo?
Que decepção, el diadlo. Vegetariano? Isso é crime grave no circuito republicano. Pelo menos você não come rúcula, espero?
Julho 24, 2008 às 3:19 pm
Me
Samuca
Vc so ganha se tiver uma bike e trabalhar de casa.
Sobre ser vegetariano, muitos desses politicos e cientistas que fazem aue sobre global warming (como o porco gordo do Gore) tambem nao sao. Os Republicanos nao estao sozinhos nessa nao… Alem do mais, existem excecoes. O meu talk radio host favorito eh vegetariano:
http://en.wikipedia.org/wiki/Michael_Medved
Julho 24, 2008 às 4:15 pm
samurai
Xará,
tirando meia dúzia de aulas e kart durante a infância, nunca dirigi na vida. Uso ônibus, ando a pé, moro a menos de 40 minutos a pé do trabalho numa emergênca, o que em se tratando de uma cidade como o Rio de Janeiro é muito razoável.
Mas a pergunta é: você gosta ou não gosta de rúcula?
Julho 24, 2008 às 9:42 pm
Me
Cara eu ate fui pesquisar o que eh rucula (como chama em ingles) e ainda nao tenho certeza se ja comi. Mas para falar a verdade, tem muito pouco tipo de comida que eu nao gosto. Gosto de Kale, swiss chard, spinach, Collard greens… A unica que eu lembro nao gostar eh Brussels sprout.
Julho 25, 2008 às 2:14 am
samurai no outono
Eu tenho uma piada (acho que original) sobre couves de bruxelas que você vai adorar. Sabe por que as couves de Bruxelas são daquele tamanho? Não eram até instalarem lá todos aqueles burocratas de CE.
Um pequeno search de Arugula e Obama produzirá grandes surpresas para você. Cá prá mim, amo as rúculas e, quando numa churrascaria fina, as endívias.
Julho 25, 2008 às 8:06 am
ohermenauta
Paulo,
Tá bom, tá bom. Eu reconheço.
NEM o seu carbon frootpint é maior que o meu.
Julho 25, 2008 às 3:22 pm
Me
HAHAHAHA, eu nao lembrava dessa do preco da Arugula! Nao liguei os pontos quando vc perguntou… boa!
Smarmenauta
You bet. After all, you are full of hot air (and CO2)
Julho 25, 2008 às 4:56 pm
ohermenauta
Melhor que ser uma câmara vazia ecoando para sempre o Weekly Standard…