O pessoal do Torre de Marfim, sempre sensato e ponderado, diz:
“(…)a transformação de Daniel Dantas num supervilão, cuja prisão fará raiar a liberdade no horizonte do Brasil, é de um maniqueísmo primário. Daniel Dantas talvez até seja o coisa ruim, mas não é a única fonte de problemas do país“
Eu também acho, mas quem parece achar que o Daniel Dantas é o demo em pessoa é a própria Veja:
“Poucos homens de negócios representam com mais nitidez a natureza perversa do capitalismo brasileiro dependente do estado macrófago do que o banqueiro Daniel Dantas. Pelas mãos do ex-ministro Mario Henrique Simonsen, que o considerava seu aluno mais capaz, Dantas despontou há duas décadas como um jovem e astuto economista saído do conceituado Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos.” [grifo meu]
Como vêem, mais um caso em que o discípulo busca superar o mestre:

Daniel Dantas, Roberto Campos e Mário Henrique Simonsen na grande Consultec que está no céu
O mais gozado é que a continuação da reportagem assinala o seguinte:
“Durante as privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso, o banqueiro de origem baiana reinventou-se. À frente de seu próprio banco, o Opportunity, recebeu a bênção do governo para unir-se aos poderosos fundos de pensão de estatais, como Previ e Petros, formando uma espécie de parceria público-privada cujos efeitos desastrosos perduram até hoje. Dantas conseguiu do governo um mandato para ser o gestor dos recursos investidos por esses fundos em um conglomerado de empresas recém-privatizadas, que reunia desde a Santos Brasil, terminal portuário em Santos, até as operadoras de telecomunicações Brasil Telecom, Telemig Celular e Amazônia Celular. A parceria funcionava desta forma: o governo entrava com o dinheiro e Dantas dava as cartas.“
Peraí: quer dizer que a culpa é do “estado macrófago” mesmo quando o que rola é uma privatização? Xingamento por xingamento eu ainda prefiro a “privataria” do Elio Gaspari, então.



6 comments
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Julho 13, 2008 às 11:41 pm
victor freire
segundo um colega meu, dizem que dantas, antes de abrir o opportunity, trabalhava como executivo em uma empresa na qual os funcionários cantarolavam a marcha imperial na hora em que ele passava…
Julho 14, 2008 às 7:10 am
Juca
“Peraí: quer dizer que a culpa é do “estado macrófago” mesmo quando o que rola é uma privatização? Xingamento por xingamento eu ainda prefiro a “privataria” do Elio Gaspari, então.”
Se é uma privatização de cartas marcadas e se os fundos de pensão do Governo estão na jogada, sim. A expressão “bênção do Governo” indica isso, não acha?
Julho 14, 2008 às 7:58 am
ohermenauta
Pues, é este o ponto, Juca.
A privatização das teles foi feita pelo…PSDB. O “partido da modernidade”. Em coalizão, lembre-se, com o DEM.
Não existe “o Estado”. Existe uma estrutura política e institucional habitada pelo partido no Poder. O “macrófago” aí foi o PSDB/DEM.
Isto apenas prova, mais uma vez, que a direita, no fundo, não é contra o Estado. Ela vive dele, de parasitá-lo. Aliás, basta ver o valoroso mundo republicano nos EUA.
Julho 14, 2008 às 11:30 am
Artur Araujo
Sr. Hermenauta,
Por coerência (?!), deveríamos ser, em breve, presenteados por catilinárias hidrófobo-anaeróbicas, da lavra de RA, OdeC, Dioguito, Ali Kamel, Denis Lerer Rosenfield, Demétrio Magnoli et caterva, rosnando contra a macrofagia do estatólatra Bush, ao nacionalizar Fannie Mae e Freddie Mac.
Julho 14, 2008 às 5:50 pm
Leonardo Bernardes
Palavras de FHC:
Valor: E qual a diferença entre o PSDB e o DEM?
FHC: Não posso dizer tudo o que acho… O DEM tem uma visão mais liberal e é um partido, digamos assim, do contribuinte. Mexeu em imposto mexeu com o DEM. Fora isso tem uma visão mais liberal. Acredita mais no mercado. O PSDB não acredita tanto no mercado. Nunca concordei com a privatização da Petrobras. Nem do Banco do Brasil. Eles queriam. Acho que em um país como Brasil o setor público deve ter peso. Deve ter certo equilíbrio, mais controle social.
– O problema é que o Estado e o equilíbro deles são melhores que os dos outros!
Julho 14, 2008 às 6:02 pm
ohermenauta
Artur,
Eu já me conformei: tem coisa que a gente morre e não vê.
Leonardo,
Bela garimpada! Esse trecho vale ouro…