O pessoal do Torre de Marfim, sempre sensato e ponderado, diz:

(…)a transformação de Daniel Dantas num supervilão, cuja prisão fará raiar a liberdade no horizonte do Brasil, é de um maniqueísmo primário. Daniel Dantas talvez até seja o coisa ruim, mas não é a única fonte de problemas do país

Eu também acho, mas quem parece achar que o Daniel Dantas é o demo em pessoa é a própria Veja:

Poucos homens de negócios representam com mais nitidez a natureza perversa do capitalismo brasileiro dependente do estado macrófago do que o banqueiro Daniel Dantas. Pelas mãos do ex-ministro Mario Henrique Simonsen, que o considerava seu aluno mais capaz, Dantas despontou há duas décadas como um jovem e astuto economista saído do conceituado Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos.” [grifo meu]

Como vêem, mais um caso em que o discípulo busca superar o mestre:

Daniel Dantas, Roberto Campos e Mário Henrique Simonsen na grande Consultec que está no céu

O mais gozado é que a continuação da reportagem assinala o seguinte:

Durante as privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso, o banqueiro de origem baiana reinventou-se. À frente de seu próprio banco, o Opportunity, recebeu a bênção do governo para unir-se aos poderosos fundos de pensão de estatais, como Previ e Petros, formando uma espécie de parceria público-privada cujos efeitos desastrosos perduram até hoje. Dantas conseguiu do governo um mandato para ser o gestor dos recursos investidos por esses fundos em um conglomerado de empresas recém-privatizadas, que reunia desde a Santos Brasil, terminal portuário em Santos, até as operadoras de telecomunicações Brasil Telecom, Telemig Celular e Amazônia Celular. A parceria funcionava desta forma: o governo entrava com o dinheiro e Dantas dava as cartas.

Peraí: quer dizer que a culpa é do “estado macrófago” mesmo quando o que rola é uma privatização?  Xingamento por xingamento eu ainda prefiro a “privataria” do Elio Gaspari, então.