Diz o Paulo:
“Os EUA (e a Europa e Japao) ja transferem uma enormidade de dinheiro para os paises mais pobres do mundo. Quem sabe parte dessa grana nao pode ser usada para remediar global warming?“
É, quem sabe?
Paulo gosta de colocar empecilhos políticos para as ações com as que ele não concorda, mas não vê empecilhos para o seu próprio wishful thinking. Vejamos como é distribuída a “ajuda” norte-americana, segundo o anexo estatístico do Development Co-operation Report 2007 da OCDE:

Como qualquer pessoa medianamente dotada de raciocínio consegue perceber, boa parte da ajuda norte americana para o exterior vai para países importantes na sua agenda de política externa _ Israel por conta do lobby judaico nos EUA até 96, Iraque e Afeganistão no pós-11 de setembro. Nada a ver com global warming _ ou melhor, tudo a ver na medida em que boa parte da ajuda se concentra em um dos maiores produtores de petróleo do mundo, hoje em dia.



3 comments
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Julho 13, 2008 às 10:08 pm
João da Luz
Aquele gráfico da ajuda relacionada ao PIB é mais ilustrativo da “montanha de dinheiro” que Japão e EEUU gastam.
Qual deve ser o item que mais pesa na ajuda humanitária dos EEUU no Iraque?
Acho que é BandAid…
Outra coisa que reparei é que o Sudão ( que faz parte do eixo do mal) está bem fornido de ajuda nos últimos anos. É o terceiro colocado.
Ou será que só agora lançaram o custo daquelas bombas usadas sobre a fábrica de leite em pó. Já tem mais de 9 anos isto.
Acho que é atraso na implantação do SAP…
Julho 13, 2008 às 10:56 pm
Me
Bom, 65% da dinheirada mandada nao tem a ver com as guerras. Na mou livro isso eh um monte.
E qualquer um com cerebro percebe que eu nao disse que os EUA ja ajudam os outros por causa de global warming. Eu disse que os EUA (e os outros paises ricos) ja participam de um programa de ajuda que tambem poderia ser usado para isso. Como vc mesmo mostrou, os recipientes mudam conforme a necessidade.
E por ultimo, eu nunca seria ingenuo de dizer que outros interesses influem nessa ajuda. Se vc me mostrar um pais que funcione diferente ai nos comecamos a conversar sobre como isso eh algo especial dos EUA.
Julho 14, 2008 às 8:58 am
ohermenauta
Não fique tão alegre, Paulo. O total da ajuda americana caiu 19% de 2005 para 2006, portanto, o aumento da concentração no Iraque e Afeganistão veio com uma diminuição dos recursos totais. A ajuda americana, mensurada em termos per capita do país doador, só é maior do que as dos mais pobres dos países ricos, como Itália e Espanha, mas empalidece perante os nórdicos, por exemplo. Para finalizar, a “ajuda” frequentemente tem strings attached, e só pode ser usada para comprar bens e serviços nos EUA.
Bom que você agora reconheça que não é ingênuo, mas não pareceu antes. O post apenas quis mostrar que o trabalho de mover os EUA para padrões mais sustentáveis de crescimento implica tanto trabalho político como o de alterar para quem e para que vai a ajuda norte americana, embora, nesse último caso, você não tenha se dignado a analisar este aspecto.
Isso para não entrarmos no mérito do fato de que é possível que boa parte da nova “clientela” preferisse não ter que ser ajudada, apenas gostaria de poder continuar levando a sua vidinha sem que seu meio ambiente fosse virado do avesso.