Dá pra alguém comprar um babador pro Tio Rei? Enquanto a fralda geriátrica não vem?

Disse ele, em post de hoje, após citar trechos de dois posts seus, datados de 18 e 25 de maio de 2007, respectivamente:

Então…
Viram só? O primeiro a apontar uma PF dividida em “partidos”, em “grupos”, fui eu. E chamei a atenção para o fato de que isso era ruim. Mais ainda: adverti, então, que a policia trilhava um caminho ruim: o da não-observância dos limites legais. Não vivo de caitituar a simpatia de gente do governo — puxando o saco sempre do poderoso de turno — porque não dependo dele para viver. Não lhe devo nada nem ele a mim. Devo satisfações é à minha própria consciência.
” [grifo meu]

Então: aproveitando a temporada de satisfações com a própria consciência, Tio Rei, vai lá e retira essa reivindicação de prioridade, vai. Pega mal, mal, mal, parece megalomania.

De fato nem é preciso procurar muito: Cristiana Lobo, no G1, em outubro de 2006:

Guetos em disputa
Postado por Cristiana Lôbo em 16 de Outubro de 2006 às 18:57

Em conversas muito reservadas, o ministro Márcio Thomaz Bastos reconhece ter sido um equívoco antecipar que deixará o Ministério da Justiça mesmo que Lula ganhe um segundo mandato. Ele diz que a perspectiva de sua saída levou grupos a pensar também na substituição de Paulo Lacerda da diretoria-geral e estimulou a disputa interna que sempre houve entre grupos na Polícia Federal.

Aliás, é interessante: os tucanos acham que a Polícia Federal está sendo manipulada pelo governo – por isso o rastro do dinheiro no dossiê tucano nunca seria encontrado -; e muitos petistas avaliam que a PF ainda presta serviço a tucanos.

Talvez os dois tenham razão.” [grifo meu]

Que feio, Tio!

O pior é que as divisões na PF não são novidade há muito mais tempo que isso. Qualquer um que se lembre das peraltices de Vicente Chelotti, o homem que chantageou Fernando Henrique Cardoso, sabe disso. Eis um trecho de um clipping da Radiobrás sobre uma notícia do Globo em 1999:

- Ao deixar ontem o cargo de diretor-geral, Vicente Chelotti disse que a Polícia Federal está dividida em grupos inimigos e que, mesmo afastado da direção, vai até o fim das investigações para provar que o líder de um desses grupos – segundo ele, o delegado Marco Antônio Cavaleiro, ex-diretor da Divisão de Repressão a Entorpecentes (DRE) e ligado ao senador Romeu Tuma (PFL-SP) – seria o responsável pelo grampo em seu telefone que resultou na sua demissão. “Vou até o fim para provar quem foi o autor do grampo”, afirmou Chelotti, que negou ter em seu poder alguma gravação comprometedora para o presidente Fernando Henrique Cardoso. (pág. 1 e 8) ” [grifo meu]

Em última análise, aliás, é preciso admitir que sempre há disputa política dentro de grandes corporações. Isso é normal, por mais disfuncionais que as imaginemos. Elas existem no Itamaraty, no Exército, e até no Vaticano. O estranho seria procurar provar o contrário.

Quer dizer, Tio Rei: acho normal que você esteja querendo defender o seu, mostrar serviço ao patrão e tals. Mas pombas, não precisa exagerar.

***

O post inteiro é bem interessante, porque é uma das raras vezes, acho eu, que ele cita o Nassif pelo nome. Mas isso é de somenos importância para nós, embora possa acabar rendendo algum processo. Porque no fim das contas, é claro que como sempre o bombom vem no final:

Volto à divisão
Há algo de errado quando uma operação como essa é feita à revelia do diretor-geral da PF e é, na prática, conduzida pelo ex-diretor, que hoje ocupa o órgão de inteligência do estado. Reitero o termo que usei há mais de um ano: estamos diante de um processo de DESINSTITUCIONALIZAÇÃO do país.

É uma mentira deslavada que o tal Protógenes represente os que têm sede de investigação e Justiça, por oposição ao atual diretor-geral, Luiz Fernando Corrêa, que pertenceria ao grupo que não quer saber de moralizar o Brasil. A divisão é outra: ela se dá entre quem quer uma PF a serviço do partido e quem quer uma polícia a serviço do país.

Finalmente, observo que o esforço dos vagabundos para confundir a minha defesa do estado de direito — antiga, muito antiga — com a defesa de Dantas não vai colar. Na prática, nada mais faço do que me repetir: acontece com quem tem princípios.

Isso é realmente fantástico. Algumas bestas que eu conheço devem estar babando com este texto do Tio Rei, exclamando “puxa! como esse cara realmente é um defensor das liberdades individuais, do Estado de Direito, enfim, do bom, do bonito, do belo e do correto”!

Bullshit.

Há poucos meses atrás, Tio Rei escreveu isto aqui:

“Pessoas desprovidas de sensibilidade moral e sem um mínimo de compaixão humana”

Citando julgamento no Supremo, segundo o qual “o sério agravo à credibilidade das instituições públicas pode servir de fundamento idôneo para fins de decretação de prisão cautelar, considerando, sobretudo, a repercussão do caso concreto na ordem pública“, o juiz afirma sobre “a conduta imputada ao casal”:
“Sob esta ótica, pode-se constatar que a conduta imputada aos autores do crime descrito na denúncia deixa transparecer que se tratam (sic) de pessoas desprovidas de sensibilidade moral e sem um mínimo de compaixão humana, ainda mais em se tratando do fato de que a vítima seria filha de um deles e enteada do outro, a qual estava sob a responsabilidade dos mesmos, e que, se não por esta razão jurídica, ao menos pelo dever moral, deveriam velar por sua segurança, o que, no entanto, foi desprezado por eles, posto que, além da acusação de esganadura contra a menina, a qual teria provocado um quadro de asfixia mecânica, como apontado na conclusão do laudo pericial juntado aos autos, foi ainda brutalmente atirada pela janela do 6º andar do prédio onde a família residia, sem nenhuma piedade.”

Foi apenas um dos posts em sua campanha contra os que criticavam a forma como a imprensa atiçava a população contra o casal Nardoni, suspeito de assassinar a menina Isabela.

De fato, Tio Rei fez, na época, uma apaixonada defesa da decisão do juiz Maurício Fossen em decretar a prisão preventiva do casal.

Bom, qualquer praticante do direito sabe que ali se fez injustiça. Por mais suspeitos que sejam os suspeitos, de fato não havia justificativa para prender o casal antes do desfecho do devido processo legal. Já no caso do Dantas, evidentemente que não se pode deixar o sujeito por aí, prontinho para destruir provas e queimar arquivos: o cara já tentou até subornar um delegado por um milhão de dólares.

Falando nisso, é possível que certos jornalistas fossem bem menos inflexíveis que o delegado, se lhes aparecesse a oportunidade, né não?