Para os partidários (ainda que cínicos) do rigor carcerário:

Dois estudos, um do Ministério da Justiça e outro da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (Direito GV), mostram um dado alarmante sobre o sistema prisional brasileiro: cerca de 80 mil presos provisórios e 54 mil condenados poderiam estar em liberdade. Isso porque os crimes que cometeram são de baixo ou médio potencial ofensivo, cometidos sem uso de violência ou grave ameaça e que poderiam aguardar em liberdade até o julgamento, no caso dos presos provisórios , ou passíveis de penas alternativas, no caso dos condenados. Eles representam mais de 30% dos 422.373 presos do País.

Pau que bate em chico não bate em Francisco.

P.S. foi preso por fazer ligações ilegais de um canal de TV a cabo. Morreu enquanto aguardava julgamento em um Centro de Detenção Provisória. R.B. foi flagrado em tentativa de furto em 18 de março e aguarda na prisão a sentença que não deve sair antes de setembro. M.S. ficou um mês na cadeia por furtar um pé de alface no valor de R$ 0,79. Dois moradores de rua ficaram presos por seis meses após furtar duas alças de caixão em cemitério. Os casos se repetem na Defensoria Pública de São Paulo.

“A maioria dos pedidos de liberdade que fazemos é negado. Neste último caso, a justificativa foi falta de comprovante de residência. Como isso seria possível, se são moradores de rua? O que percebemos é que quanto maior a vulnerabilidade social do acusado, maior a chance de sua prisão provisória ser mantida”, diz Eleonora Nanni Lucenti, da 10.ª Vara Criminal de São Paulo.

Nem em Daniel.