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O Rafael Galvão fez um post sobre o Rottentomatoes, mas também sobre o filme Wall.e.  Fiz lá o seguinte comentário, que transformo em post aqui, oportunisticamente:

Paraíba,
Filmes são o que os economistas chamam de “bens de experiência”; diferentemente de uma caixa de ovos, você só pode ter noção sobre a qualidade de um filme após “experimentá-lo” (*).
A crítica existe precisamente por esse motivo.  No entanto, há um grande problema quando nos vemos diante da resenha de um crítico: há uma assimetria de informação entre você e o crítico. Ele já viu o filme, você não; e a princípio, você não conhece o crítico suficientemente para saber aquilatar tudo o que ele está dizendo do filme (de bom ou ruim).
Diante disso há duas possibilidades:
a) Busque e encontre um ou mais críticos cuja sensibilidade ressoe com a sua.  Neste caso você provavelmente errará pouco.
b) Busque a opinião do maior número de críticos possível e deixe que a Lei dos Grandes Números opere em seu benefício.
Qualquer das duas alternativas demandará do consumidor a utilização de uma regra básica: conhece-te a ti mesmo.  No caso a) para saber se você e o crítico têm mesmo afinidade; no segundo caso, para saber se você é um contrarian avesso a tudo o que o resto da Humanidade adora.
No tocante à apreciação da obra cinematográfica em si, a coisa é um tanto complicada.  Para começar, as pessoas podem apenas estar em busca de entretenimento puro e simples.  Nesse caso é até admissível que sejam capazes de desenvolver um feeling para a qualidade do produto mais ligado ao pedigree dos atores, diretores, produtores, etc, do que à opinião do crítico _ simplesmente porque o produto “artístico” é mais variável e multidimensional do que o produto voltado para o “entretenimento”.
Por outro lado, se formos falar de “arte”, aí recairemos na espinhosa tarefa de ter primeiro que definir o que significa tal conceito.  Eu não vou nem tentar fazer isso, mas tenho uma intuição de que experiência e mais fundalmentamente a idade (porque há coisas incompressíveis no tempo, o que a experiência por si só não abarca) alteram sensivelmente a nossa capacidade de se espantar com alguma coisa (o que acho que deveria fazer parte de um conceito de arte, embora seja apenas um fator) ou achá-la bela (o que é um outro fator).
Nesse sentido muito particular, eu, diferentemente de você, acho que o filme inovou bastante na narrativa sim, se olharmos do ponto de vista de um público…adulto.  Em boa parte do filme, saber o que está acontecendo não é nada trivial, e exige uma certa quantidade de pressupostos dos quais talvez não estejamos cientes em uma primeira olhada.  Em outras palavras, eu conheço um bom contingente de adultos que não entenderia esse filme.  Mas me parece que as crianças já estão adaptadas a esse tipo de linguagem, talvez até por causa dos games.
E isso, eu imagino, é só um exemplo do “the shape of things to come”…

(*) a rigor, um ovo também só pode ser conhecido após deglutido, ou cheirado.  Mas a questão é que filmes são produtos muito menos padronizados que ovos.

Isso é muito estranho:

Corpo de padre desaparecido é encontrado em alto mar no Rio

Adelir de Carli foi encontrado ainda com aparatos de vôo por um rebocador da Petrobras, a 100 km de Maricá

RIO – O corpo do padre Adelir Antônio de Carli, que desapareceu em 20 de abril no Paraná, tentando bater o recorde de vôo usando balões de festa, foi encontrado na quinta-feira, 3, a 100 quilômetros da costa de Maricá (RJ), por um rebocador a serviço da Petrobras, informou a companhia na tarde desta sexta-feira, 4. O padre tinha saído da cidade de Paranaguá (PR) com o objetivo de pousar em Dourados (MS). Os ventos, porém, teriam desviado o padre de seu percurso, levando-o para o mar.

O rebocador Anna Gabriela encontrou o corpo por volta das 16 horas de quinta no mar, ainda com aparatos de vôo, e chegou à 1h40 da madrugada à cidade de Macaé (RJ), onde o corpo foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) local e o caso foi registrado na 123.ª Delegacia de Polícia.

***

Pergunto: como pode um corpo permanecer flutuando no mar por mais de dois meses?

Deu no Folha Online:

Farmácias estatais da Suécia começam a vender pênis de plástico

DIÓGENES MUNIZ
Enviado especial da Folha Online a Estocolmo (Suécia)

Duas cartelas de aspirina e um pênis de plástico, por favor. A partir de agora, pedidos como este já podem ser feitos em farmácias da Suécia.

A nova linha de produtos da Apoteket –companhia estatal que detém o monopólio das farmácias no país– foi apresentada no fim do mês passado e já chegou a cem lojas espalhadas pelo território nacional. Ao menos mais cem demonstraram interesse nesse tipo de venda. O nome do conjunto é “Trust in Lust” (algo como “Acredite na Luxúria”).

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Se a moda pega vai ter gente babando na gravata.

Deu no Valor:

Ingrid Betancourt defende possibilidade de terceiro mandato de Uribe

SÃO PAULO – Um dia depois de ser resgatada do cativeiro onde guerrilheiros das Farc a mantiveram por seis anos, Ingrid Betancourt defendeu ontem que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe possa concorrer a um terceiro mandato.

Em uma concorrida entrevista concedida na Embaixada da França, em Bogotá, Betancourt foi perguntada sobre uma possível reeleição de Uribe. ” Por que não uma segunda reeleição? ” , disse. ” Me agrada a reeleição ” e a possibilidade de os países darem ” continuidade para escolher um rumo ” , acrescentou.

Eleito em 2002, Uribe está em seu segundo mandato. Aliados tentam costurar uma alteração na Constituição que permita um terceiro mandato. Como sua reeleição passou a ser contestada pela Suprema Corte – por denúncias compra de voto de para aprovar a emenda que permitia uma reeleição – Uribe quer um referendo para confirmar que seu governo siga até o fim, em 2010.

Ingrid, candidata à Presidência quando foi seqüestrada, disse que precisa ” refletir ” com a família se voltará a se candidatar.

***

Tio Rei até fez chamada para uma matéria do Estadão  sobre a mesma notícia, mas infelizmente não “voltou”, o que nos impede de conhecer sua opinião sobre o tema.  Vamos ver.

Discussão interessante no Estadão de hoje, tirada de uma matéria da BBC:

Geração Orkut corre risco de crise de identidade, diz psiquiatra

Identidade virtual poderia deixar vida real ‘chata e pouco estimulante’.

- A geração de usuários da internet nascida depois de 1990 – década da popularização da rede – pode estar crescendo com uma visão perigosa a respeito do mundo e da sua própria identidade, sugere um psicanalista inglês.Segundo Himanshu Tyagi, a principal causa deste problema seria o fato de que os nascidos nesta época já cresceram em um mundo dominado pela navegação na internet e pelos sites de relacionamento como o Facebook, Orkut e MySpace.

“É um mundo onde tudo se move depressa e muda o tempo todo, onde as relações são rapidamente descartadas pelo clique do mouse, onde se pode deletar o perfil que você não gosta e trocá-lo por uma identidade mais aceitável no piscar dos olhos”, disse Tyagi durante o encontro anual do Royal College of Psychiatrists, uma das principais agremiações de psiquiatras do Reino Unido e da Irlanda.

O psiquiatra destaca ainda que as pessoas que se acostumam com o ritmo rápido dos sites de relacionamento podem achar a vida real “chata e pouco estimulante”, o que poderia causar problemas de comportamento.

“É possível que os jovens que não conhecem o mundo sem as sociedades virtuais dêem menos valor às suas identidades reais e, por isso, podem estar em risco na sua vida real, talvez mais vulneráveis ao comportamento impulsivo ou até mesmo o suicídio”, disse.

Pesquisa

Tyagi começou seu interesse por identidades virtuais quando fundou um site que funciona como uma rede de contatos profissionais e se deu conta da distância enorme que há entre psiquiatras em atividade e pacientes mais jovens em assuntos relacionados à internet.

Ele constatou, após uma pesquisa com psiquiatras durante um congresso nos Estados Unidos, que a maioria dos profissionais não sabia da magnitude do impacto do mundo virtual na geração jovem.

Segundo o professor, além dos sites de relacionamento, as salas de bate papo virtuais também podem influenciar problemas de comportamento como a timidez.

Ele destaca que o anonimato e a falta de experiência sensorial das conversas nestes ambientes virtuais poderia mudar a percepção de interatividade e criar uma visão alterada sobre a natureza dos relacionamentos.

“A nova geração, que cresceu em paralelo ao avanço da internet, está atribuindo um valor completamente diferente para as relações e amizades, algo que estamos fracassando em observar”, afirmou Tyagi.

Benefícios

O psiquiatra afirma que são necessárias mais pesquisas sobre o impacto da internet na geração jovem e ressaltou alguns benefícios dos sites de relacionamento.

Segundo ele, essas redes oferecem um status social mais equilibrado, onde raça e gênero são menos importantes e onde as hierarquias da vida real são dispersas.

Ele destacou ainda que a quebra das barreiras geográficas permite acesso a relacionamentos e a apoio de amigos virtuais.

Experiência

As afirmações de Tyagi, entretanto, forem contestadas por especialistas da área.

Graham Jones, psiquiatra especializado no estudo do impacto da internet, reconhece que existe o risco de que uma freqüência exagerada de sites de relacionamento possa levar a problemas de comportamento. Mas ele acha que esses riscos foram exagerados por Tyagi.

“Para cada geração, a experiência com relação ao mundo é diferente. Quando a imprensa escrita surgiu, tenho certeza que muitos a consideraram como uma coisa ruim”, disse Jones.

“Pela minha experiência, pessoas que tendem a ser mais ativas nos sites como o Facebook ou Bebo são aquelas que já são mais socialmente ativas de qualquer forma – é apenas uma extensão do que eles já fazem”, concluiu o psiquiatra. BBC Brasil – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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A matéria original em inglês aqui. Outros posts interessantes sobre o assunto aqui e, para uma visão diferente do assunto, aqui.

Coisas assim me fazem ficar preocupado com as consequencias imprevistas (e imprevisíveis) de iniciativas governamentais no sentido da universalização da internet nas escolas. Por outro lado, a presença cada vez maior da Internet no dia a dia de todos nós é um daqueles dados da realidade sobre os quais, após consumados, nós não temos muito controle. Acho que a seleção natural é que vai ter que cuidar disso, no fim das contas (*).

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(*) tenho participado de muitas reuniões onde o anglicismo “no final do dia” vem se tornando cada vez mais popular, principalmente na boca de advogados, que poderiam perfeitamente estar usando o mais tradicional e agradável “no fim das contas”. Eu não sou nenhum Aldo Rebelo, mas coisas assim me desagradam, de vez em quando.

Valeu, Samurai!

(*) piada interna  :)

Fui ver.  Gostei.  Lógico que como em toda grande antecipação o filme não é aquilo que eu esperava, mas é bom.

Por enquanto eu só tenho a dizer o seguinte: é muito estranho quando aquilo que foi novidade para nós passa a ser citação para nossos filhos.

 

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